sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Um dia de sol batendo na Amazônia equivale à energia de seis milhões de bombas atômicas

Nesse mimetismo tecnológico está a origem do colonialismo brasileiro e da montagem da dívida externa. Não é possível entender a evolução histórica do Brasil sem esse dado. Nossos melhores teóricos brasileiros salientaram a influência do imperialismo no impedimento do desenvolvimento nacional. O crescimento vertiginoso da dívida externa na década de 1970 se deveu a duas importações: tecnologia e petróleo. O mais estranho é que nessa mesma década, enquanto amargávamos essa situação, os teóricos da Sociologia substituíam o termo imperialismo por dependência. O que na melhor prosa marxista, de Rosa Luxemburgo a Gramsci, era sinônimo de vergonha e atraso, nas ciências sociais made in FHC, passou a ser uma condição estruturante do desenvolvimento.

A globalização financeira deve ser situada como a atualização da idéia da inferioridade dos povos moradores das regiões tropicais. O plano real precisa ser apreciado sob esse ângulo. Em troca da estabilidade da moeda, ocorre a entrega dos patrimônios estratégicos. Daí, as privatizações. No primeiro debate entre Bush e Al Gore, para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, Bush chegou a dizer que perdoaria as dívidas dos países subdesenvolvidos em troca de suas florestas. Margaret Tatcher, quando primeira ministra da Inglaterra, propunha que se as nações devedoras não quitassem as dívidas, que entregassem suas empresas estratégicas.

O sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos diz, e com razão, que quanto mais visível o imperialismo, paradoxalmente mais invisível se torna. Não podemos perder de vista que o poder mundial, desde o início da utilização dos combustíveis fósseis, é a luta pela posse e controle da energia.


O ProÁlcool foi uma resposta rápida à crise do petróleo de 1973, quando a OPEP subiu o preço do barril, onerando e impossibilitando o Brasil de manter os fluxos de importação desse combustível
OS COMPONENTES que constituem a base de qualquer estrutura produtiva são energia, tecnologia e matérias-primas. E, claro, o capital. Ora, as potências econômicas mundiais sofrem com a falta de matérias-primas e energia; porém, capital têm de sobra. Evidente que esse fator vai ser privilegiado na montagem de qualquer justificação ideológica para perpetuar a exploração atual. Resulta, desse fato, a subavaliação do componente “matéria-prima” nas relações internacionais. O cobre e o chumbo na década de 80 apresentavam preços inferiores aos de 1929; o minério de ferro era exportado em 1986 pelo valor de 22 gramas de ouro, em meados da década de 90 já estava próximo de 1,5 grama.

O quartzo de 5 dólares o quilo foi reduzido a 40 centavos. E a mente colonizada aceitou essa imposição cultural e repetiu alguns chavões. No caso do álcool: não pega no frio, polui tanto quanto o petróleo, sua produção vai necessariamente acabar com a plantação de comida e o ProÁlcool foi feito para beneficiar exclusivamente os usineiros.

Enquanto o petróleo reinou absoluto, fomos impedidos por agentes externos e internos de empreender a substituição dos combustíveis fósseis. Agora que o mundo precisa da energia renovável, querem controlá- la. É evidente que o ProÁlcool teve problemas, mas rejeitá-lo em sua totalidade é desconhecer a importância crucial do alcance que sua retomada pode ter para nós.

O ProÁlcool foi uma resposta rápida à crise do petróleo de 1973, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) subiu o preço do barril, onerando e impossibilitando o Brasil de manter os fluxos de importação desse combustível. A Secretaria de Tecnologia Industrial (STI), vinculada ao Ministério da Indústria e Comércio, sob a direção de J.W. Bautista Vidal, empreendeu o trabalho de substituir o petróleo pelo álcool. Essa produção possibilitou ao Brasil uma economia de 30 bilhões de dólares e a criação de um milhão de empregos, além de acarretar a redução dos níveis de poluição nos grandes centros urbanos. A cidade de São Paulo estaria irrespirável sem os carros movidos a etanol. Até 1986, 98% da linha de produção automobilística brasileira eram concebidas com motor a álcool.

Dez vezes a Cemig
“[...] É um crime deixar 2 milhões de hectares de florestas plantadas em Minas Gerais entregues às formigas, cupins, fogo e envelhecimento. Chegou a hora de substituir a polícia florestal pela política florestal e produzir geração térmica com lenha, através da capacidade potencial de gerar 68.000 megawatts, isto é, dez vezes a capacidade instalada da Cemig. Para isso estamos somente na dependência da vontade de decisão política, já que dispomos da melhor organização pública no Brasil para desenvolver a energia verde da biomassa e acabar de vez com o desemprego em Minas Gerais [...]” .

(GUIMARÃES apud VASCONCELLOS, 2002, p. 53)

http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/edicoes/13/artigo65884-1.asp?Email=

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