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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Imagens de satélite: selfies para preservar o meio ambiente da Terra



Autores
Jovens revisores


Resumo

Fotografias não são apenas lembranças. As imagens geradas a partir do espaço exterior ajudam-nos a acompanhar o que está acontecendo com o planeta Terra e os seus recursos. Os satélites são equipados com sensores especiais (como olhos) que podem ver “cores” de luz que os olhos humanos não conseguem ver. Esses satélites orbitam bem acima de nós e viajam em torno da Terra o tempo todo. A visão panorâmica e a observação constante permitem que eles nos ajudem a obter informações sobre desastres naturais, mudanças climáticas e o clima. Este artigo oferece uma visão geral de como os satélites observam a Terra e menciona algumas das aplicações importantes dessa técnica para a conservação dos valiosos recursos naturais do planeta.
Introdução

O número de seres humanos na Terra está constantemente aumentando. Uma população maior significa que mais pessoas necessitam de acesso aos recursos naturais, como água, terra e minerais. No entanto, esses recursos são finitos, isto é, existe somente uma certa quantidade deles [1]. Como mais pessoas precisam de acesso ao mesmo número de recursos, tornou-se cada vez mais importante mapear e monitorar esses recursos com rapidez e precisão.

Governos e comunidades monitoram recursos em âmbito local, nacional e global. Precisamos saber quais os recursos naturais que estão disponíveis, em quais quantidades e se estão em bom estado ou se mudaram recentemente. Quando os países dispõem dessas informações, podem limitar a utilização de recursos que são escassos, para que não sejam utilizados em demasia.

Pense nas florestas. Há muitos anos, os humanos derrubavam árvores para obter combustíveis, madeira para móveis ou casas e para construir ferrovias. Nos séculos 18, 19 e até boa parte dos anos 1990, as pessoas não davam muita atenção à quantidade de florestas (especialmente aquelas tropicais, que possuem árvores que levam centenas de anos para crescer) ainda existentes para proteger o solo contra a erosão ou servir de habitat para pássaros e outros animais selvagens. Nosso pensamento mudou: agora percebemos que as florestas são os pulmões da Terra, e governos e organizações trabalham para protegê-las, para limitar o desmatamento e para replantar árvores em algumas áreas.

Para fazer isso, as pessoas devem primeiro saber onde as árvores foram derrubadas ao longo dos anos, quanta derrubada ocorreu e onde ainda existem árvores valiosas que precisam de proteção. Isso é chamado de gestão de recursos naturais e as fotos tiradas de cima da Terra em vários momentos podem fornecer informações sobre onde, quando e quantas árvores foram derrubadas.

Se quisermos saber quantos recursos podemos utilizar e com que rapidez podemos desenvolver uma área, precisamos de informações frequentes, consistentes e precisas sobre grandes áreas da Terra, capturadas de cima. Uma vez de posse dessas informações, ficamos capacitados a compreender melhor como as formas de vida estão interagindo com seus ambientes, a fim de monitorar e prever com segurança quão saudáveis são o solo, as costas e os oceanos, e quais objetos ou substâncias estão presentes nessas áreas. Felizmente, a tecnologia disponível para fornecer essas informações, chamada observação da Terra, tornou-se mais sofisticada ao longo do tempo [2].
O que é a observação da Terra?

A primeira foto aérea bem-sucedida da Terra, tirada de um veículo não tripulado, foi feita com uma pipa, em 1887. Mais tarde, em 1907, um farmacêutico alemão chamado dr. Neubronner teve a ideia de montar uma câmera em uma pomba. Com o tempo, a tecnologia de observação da Terra tornou-se mais avançada. Os seres humanos aprenderam a lançar satélites equipados com câmeras, que orbitam a Terra e tiram fotos regulares do planeta.

Aproximadamente 2.200 satélites orbitam a Terra e 446 deles a observam. Seus dados ajudaram os cientistas a mapear muitos fenômenos naturais, como secas, inundações e derretimentos glaciares. Os cientistas utilizam essas informações para compreender melhor o estado dos recursos naturais da Terra. Os satélites também podem ajudá-los a detectar áreas onde as atividades humanas estão prejudicando o ambiente por meio de atividades como o desmatamento, a mineração ilegal ou o pastoreio excessivo de terras agrícolas.
Os satélites detectam cores que não podemos ver

As imagens de satélite são semelhantes a fotografias, como as tiradas com um smartphone e postadas no Instagram. Dependem tanto da luz que os olhos humanos conseguem ver quanto da que não conseguem ver. Nossos olhos só conseguem ver a luz em certos comprimentos de onda – os que correspondem às cores vermelha, verde e azul –, enquanto os satélites conseguem vê-la em muitos. Imagine que seus ouvidos só ouvissem a rádio FM, enquanto os satélites ouvissem tanto a FM quanto a AM. Os satélites têm sensores – uma espécie de olhos – que podem detectar certos comprimentos de onda de luz que não podemos ver. Os cientistas transformam a informação luminosa obtida pelos satélites em imagens que lhes fornecem dados sobre a Terra.

Algumas imagens de satélites, iguais às utilizadas como uma camada noGoogleMaps, usam as cores azul, verde e vermelha que nossos olhos podem ver. Outros satélites tiram fotos usando luz infravermelha, que é invisível ao olho humano. Mesmo não podendo vê-la, usamos luz infravermelha em nossas vidas cotidianas. Por exemplo, o pequeno olho de vidro na parte superior do controle remoto de uma TV usa luz infravermelha para se comunicar com ela.

No Instagram, quando você olha uma foto em que foi usado um filtro para iluminar ou alterar as cores, talvez pense que se trata de algo muito artístico ou achar que parece falso. Se vir uma imagem de satélite com uma floresta vermelha brilhante (Figura1), pode pensar a mesma coisa – que deve ser uma imagem falsa. Mas uma floresta vermelha é tão real quanto uma verde-escura! A diferença é que essas imagens de satélites são feitas a partir de comprimentos de onda de luz que não podemos ver, como a infravermelha, por isso elas não nos parecem reais. Chamamos a isso imagens de cor falsa e, para saber o que significam, precisamos entender o que é uma imagem de satélite.
Figura 1. Imagem de satélite tirada durante os incêndios florestais na Austrália em dezembro de 2019. (A) Essa imagem combina informações dos comprimentos de onda azul, verde e vermelho, de modo que você pode ver a paisagem em suas cores naturais (note a fumaça que vem da queimada). (B) A cicatriz da queimada aparece em preto na visão infravermelha, enquanto florestas e pastagens aparecem em cores avermelhadas.

O que um satélite mede para produzir uma imagem?

Cada sensor de um satélite é ajustado para detectar uma faixa estreita de comprimento de onda – apenas luz azul, por exemplo. Imagens feitas com apenas um comprimento de onda aparecem em tons de cinza (Figura 2). Os objetos na Terra que produzem muitos comprimentos de onda específicos de luz aparecem como pontos brilhantes, enquanto os objetos que refletem ou produzem poucos (ou nenhum) comprimentos de onda aparecem como cinza-escuros ou até pretos. As informações captadas por todos os sensores do satélite são armazenadas em imagens denominadas dados de sensoriamento remoto multiespectral (Figura 2). 

Figura 2. (A) Imagem de satélite multiespectral que combina luz vermelha, verde e azul. [(B), B1] Uma parte da paisagem que reflete uma grande quantidade de luz aparece como pontos brilhantes nessa imagem tirada pelo olho azul do satélite. [(B), B2] A água do lago não reflete praticamente nenhuma luz e aparece em preto. [(C), C1] Nessa imagem tirada do olho praticamente nenhuma luz e aparece em preto. [(C), C1] Nessa imagem tirada do olho infravermelho do satélite, toda vegetação reflete muita luz (muitos pontos brilhantes). [(C). C2] A água do lago não reflete nenhuma luz e aparece em preto. O círculo vermelho mostra os pontos brilhantes.

Por exemplo, para o olho humano, as plantas saudáveis parecem verdes porque seus pigmentos refletem mais luz verde do que outros comprimentos de onda e elas absorvem mais luz vermelha e azul [3]. Mas tipos especiais de sensores em satélites captam luz infravermelha e a vegetação saudável reflete uma grande quantidade de luz infravermelha do sol [3]. Portanto, as plantas saudáveis aparecem vermelhas devido ao sensoriamento remoto.
A distância da Terra é importante

Os satélites podem orbitar a várias distâncias da Terra – de cerca de 36.000 km até meros 800 km. Os satélites que orbitam a 36.000 km acima da Terra são chamados de geoestacionários e ajudam nas previsões meteorológicas. Os satélites geoestacionários observam apenas um dos hemisférios da Terra e tiram fotos a cada 10 minutos aproximadamente. Eles auxiliam os cientistas a mapear como as nuvens e furacões se movem, podendo até coletar informações sobre quando os vulcões entrarão em erupção! Todavia, por estarem muito no alto, eles fornecem imagens da Terra de baixa qualidade, como se fossem filmes antigos. Os menores objetos que eles conseguem ver têm o tamanho de 500 a 1000 m.

Satélites que orbitam mais perto da Terra tiram fotos usando comprimentos de luz visíveis (para os humanos) e invisíveis. Eles conseguem ver objetos de 0,5 a 30 m – isto é, do tamanho de um carro até o de um quintal comum! Como orbitam em torno da Terra, tiram fotografias do mesmo local a cada 5–16 dias ou com menos frequência se vários satélites estiverem trabalhando em conjunto (para um exemplo, consulte PlanetLabs).
Como proteger os recursos da Terra

Os satélites são como guarda-costas da Terra. Observar a Terra a partir de satélites tem muitas vantagens. Eles conseguem cobrir grandes regiões como o continente americano inteiro e até a Terra inteira. O monitoramento dos recursos da Terra pode ser sistemático e contínuo usando-se imagens de satélites. Por exemplo, a GlobalForestWatch utiliza imagens de satélites para monitorar a quantidade de desmatamento florestal em locais como a Amazônia ou o Congo.

As observações de satélite nos fornecem dados consistentes, que podem ser compartilhados por muitos usuários para diferentes propósitos. Esses dados disponibilizam as informações necessárias para identificar problemas, tomar decisões e medidas de proteção ao ambiente natural, mobilizar ajuda após catástrofes, detectar e prever mudanças para preservar os preciosos recursos do nosso planeta. Geleiras derreteram no último ano? Quanto dano os incêndios florestais causaram? Quantos hectares de floresta foram desmatados nos últimos doze meses? Graças às centenas de satélites de observação que orbitam nosso planeta, podemos responder a perguntas como essas e aprender sobre a condição do solo, da água e da atmosfera.

A observação da Terra por satélite joga um olhar atento sobre nossos recursos naturais inestimáveis e nos fornece informações para gerir melhor nosso mundo – agora e no futuro.
Glossário

Gestão de Recursos Naturais: Gestão integrada dos recursos naturais que compõem as paisagens naturais do planeta, como terra, água, plantas e animais.

Observação da Terra: Visão da Terra a partir de aeronaves ou satélites, usando-se vários sensores que criam imagens para estudar o que está acontecendo na superfície ou próximo a ela.

Seca: Um longo período de precipitação anormalmente baixa, levando à escassez de água.

Comprimento de onda: Distância entre os picos das ondas, como as luminosas. O comprimento de onda de luz determina as cores que vemos.

Infravermelho: A luz infravermelha é parte do espectro de radiação eletromagnético. As ondas infravermelhas são mais longas que as ondas de luz visíveis, mas não tão longas quanto as ondas de rádio.

Dados do sensoriamento remoto multiespectral: Aquisição de imagens visíveis, próximas da luz infravermelha, e infravermelhas de ondas curtas em diversas faixas de comprimento.

Luz infravermelha: Parte dos comprimentos de ondas invisíveis que fica próxima à extremidade vermelha da luz visível.

Sensoriamento remoto: Processo de detecção e monitoração das características físicas de uma área, medindo-se sua luz emitida e refletida a distância, geralmente de satélites ou aviões.

Geoestacionário: Satélite que, do ponto de vista de um observador na Terra, parece quase estacionário no céu.


Agradecimentos

Este projeto contou com fundos do European Union’s Horizon 2020 Research and Innovation Programme, nos termos do acordo de subvenção nº 870518.
Referências

[1] Rockström, J., Steffen, W., Noone, K., Persson, A., Chapin, F. S., Lambin, E. F. et al. 2009. “A safe operating space for humanity”. Nature 461:472–5. DOI: 10.1038/461472a.

[2] CRCSI. 2016. Earth Observation: Data, Processing and Applications. Volume 1A: Data–Basics and Acquisition. Melbourne, VIC: Australia and New Zealand CRC for Spatial Information.

[3] Huete, A. 2004. Remote Sensing for Environmental Monitoring and Characterization. Amsterdã: Elsevier, pp. 183–206.
Citação

Metternicht, G. e Teece, B. L. (2023). “Satellite images: selfies for preserving Earth’s environment.” Front Young Minds. 11:886767. DOI: 10.3389/frym.2022.886767.
https://parajovens.unesp.br/

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O que é racismo ambiental? Por que falar disso é importante?



O que é racismo ambiental? Por que falar disso é importante?

Ângela Gomes*
Departamento de Engenharia Ambiental
Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH)
Integrante do Movimento Negro Unificado



CRÉDITO: FOTO ADOBE STOCK


O racismo ambiental é um conceito que expressa a transversalidade do recorte racial, que diferencia quem se beneficia e quem sofre com a destruição e desastres ambientais. Em sociedades desiguais, os riscos ambientais e, portanto, os desastres ambientais não se distribuem igualitariamente por todas as camadas da população. Sociedades racistas, construídas com base na injustiça racial escravocrata como a do Brasil, expõem principalmente os grupos vulnerabilizados historicamente à intensidade dos chamados desastres ambientais. Assim, no caso do Brasil, os negros, fenotipicamente não brancos, pobres, são os mais expostos a qualquer impacto ambiental, principalmente, os de maior gravidade, duração e intensidade. Isso fica evidente, por exemplo, ao olharmos para as áreas de risco por todo o Brasil. Quem as ocupa? Quem vive ali? São as populações majoritariamente negras. E isso não é de hoje. Os negros foram empurrados, obrigados a ocupar as áreas de risco para refugiarem-se da escravidão. Nas áreas rurais, os quilombos ficavam nas grotas, que, com o desmatamento, foram os primeiros locais a sofrerem com as enchentes. Na área urbana, a mesma coisa. O resultado da exclusão territorial escravocrata desenha as cidades de hoje: quem está nas encostas, onde há o maior índice de deslizamento, são os negros. As baixadas, lugares com a pior drenagem, sem saneamento básico, são territórios que as imobiliárias não desejam e são deixados para as comunidades marginalizadas do espaço urbano, a população negra. Por exemplo, o desastre criminoso de Mariana (MG) foi uma barragem de mineração que se rompeu, e os primeiros atingidos foram os quilombolas de Bento Rodrigues. Depois atingiu as comunidades restantes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Os primeiros atingidos, os mais gravemente atingidos sempre serão os negros pobres.

Em grande parte, as mudanças climáticas são resultado da escolha de modelos/paradigmas dos países ricos e das elites. Um modelo tecnológico energívoro e poluidor, consumista, modelo civilizatório eurocêntrico ocidental, racista. Por isso, temos que discutir a desnaturalização dos desastres, das mudanças climáticas e de suas consequências, como os desastres.

São escolhas políticas e econômicas. Dificilmente são usadas tecnologias de mitigação, como um aterro sanitário, num bairro de classe média, de maioria branca, por exemplo. As áreas escolhidas são invariavelmente pobres.

Frente a isso, o movimento de justiça ambiental requer reparação histórica com os que estão na diáspora africana, com os que foram migrados forçadamente do continente africano e com os que são atingidos pelos desastres ambientais modernos. Precisamos de prevenção a esses desastres, e a prevenção passa pelo fim do racismo, pela ecologia urbana e a agroecologia resguardada pelos povos tradicionais. Só assim enfrentaremos o racismo, que vai se requalificando: racismo estrutural, racismo ambiental, racismo climático. Em síntese, é enfrentar a violência e a injustiça socioambiental. Só assim podemos construir o bem viver.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Qual é a gravidade do branqueamento massivo de corais


Mariana Vick

Cinquenta e quatro países registraram eventos generalizados de degradação de recifes, segundo agência americana. Espécies são fundamentais para ecossistemas marinhos. Litoral brasileiro também foi afetadoO Nexo depende de você para financiar seu trabalho e seguir produzindo um jornalismo de qualidade, no qual se pode confiar.Conheça nossos planos de assinatura.Junte-se ao Nexo! Seu apoio é fundamental.


FOTO: Jorge Lima


Corais em processo de branqueamento na Costa dos Corais, em Japaratinga (AL)

A Noaa, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, informou na segunda-feira (15) que o mundo passa por um novo evento global de branqueamento de corais. Trata-se da quarta ocorrência desse tipo já registrada pela agência e a segunda identificada em menos de dez anos. Todos os três oceanos que abrigam esses recifes (Pacífico, Índico e Atlântico) foram afetados.

Cinquenta e quatro países registraram eventos generalizados de branqueamento desde fevereiro de 2023. A confirmação mais recente, que motivou o anúncio de segunda, veio do Oceano Índico ocidental, incluindo lugares como Tanzânia, Quênia e a costa oeste da Indonésia. O evento afeta ecossistemas vitais para a biodiversidade marinha e para a humanidade.

850 milhões de pessoas dependem das barreiras de corais para alimentação, trabalho e proteção contra temporais e erosões, segundo a ONG WWF (Fundo Mundial Para a Natureza)

Neste texto, o Nexo explica o que são os corais, o que é seu branqueamento e por que um novo evento de branqueamento massivo está acontecendo. Mostra também com qual frequência eventos dessa magnitude estão ocorrendo e detalha qual a sua gravidade para o ecossistema marinho.
O que são os corais

Corais são animais marinhos invertebrados, ou seja, sem espinha dorsal. Pertencem ao grupo dos cnidários, o mesmo das anêmonas e águas-vivas. Têm capacidade de formar, por baixo de seus tecidos, um esqueleto calcário, que dá a eles uma aparência similar a de pedras, além de fazê-los permanecer fixos no mesmo lugar.

Para sobreviver, os corais se aliam a algas, que vivem dentro de sua estrutura. Elas usam o animal para se proteger e obter nutrientes. Em contrapartida, produzem, por meio da fotossíntese, um açúcar chamado glicerol — que, quando sintetizado em excesso, torna-se a principal fonte de alimento dos organismos que as hospedam.

FOTO: NYIMAS LAULA/REUTERS - 03.JUN.21


Peixes nadando em recife de corais na Indonésia

O branqueamento de corais ocorre nos casos em que há perda dessas algas. Quando elas ficam expostas a estresse térmico (ou seja, ao calor), produzem substâncias tóxicas (as chamadas “espécies reativas de oxigênio”), e os corais, como resposta adaptativa, acabam as expulsando. Com isso, eles perdem sua fonte de energia e seu tecido fica translúcido.

Nem sempre o branqueamento significa a morte de um coral. Eventualmente, os organismos podem se recuperar desse tipo de ocorrência, caso voltem a se associar com novas algas. Sem sua principal fonte de alimento, no entanto, eles têm grandes chances de morrer, principalmente se os períodos de estresse forem longos ou severos, segundo a Noaa.
O que define um branqueamento global

Para haver um evento global de branqueamento, todos os três oceanos que abrigam corais (Pacífico, Índico e Atlântico) precisam tê-lo registrado em 365 dias, segundo os parâmetros da Noaa. Além disso, pelo menos 12% dos recifes em cada oceano devem ser submetidos a temperaturas que causam branqueamento. Não basta, portanto, que haja estresse térmico em lugares isolados: é preciso que ele se espalhe por grandes áreas do globo.

Mais de 54% dos recifes de corais do mundo experimentaram temperaturas de branqueamento desde fevereiro de 2023, segundo a agência americana. O percentual está aumentando cerca de 1% por semana. Há a possibilidade de este ser o “evento global de branqueamento mais extenso em termos de área já registrado”, segundo Derek Manzello, coordenador do programa Coral Reef Watch da Noaa, ao jornal The New York Times.

FOTO: Tom Bayly/Wikimedia Commons - 02/06/2011


Peixes marinhos com corais ao fundo

O mapa abaixo mostra as áreas de corais do mundo sob mais estresse térmico nos últimos dias. Lugares como a Grande Barreira de Corais (na Austrália), a região do Caribe, o litoral brasileiro e o Pacífico sul (incluindo países como Fiji, Tuvalu e Polinésia Francesa) estão entre os mais afetados. Locais como o estado da Flórida, nos Estados Unidos, também registraram alerta máximo ao longo de 2023.




A Noaa determina um evento global de branqueamento a partir da análise de temperaturas da superfície dos oceanos e de evidências dos recifes. A agência monitora o globo desde 1985, a partir de medições de satélites. Os dados acumulados no período mostram que, a cada nova ocorrência global de branqueamento, a situação tem se agravado:
primeiro evento (1998): 20% das áreas de corais sob estresse
segundo evento (2010): 35% das mesmas áreas sob estresse
terceiro evento (2014-2017): 56% das áreas sob estresse
quarto evento (2023-2024): mais de 54% até agora


O que explica o evento atual

A Noaa afirma que a principal causa para o atual evento de branqueamento de corais são as altíssimas temperaturas registradas nos oceanos no último ano. A mudança climática é a principal responsável pelo fenômeno. Os anos de 2023 e 2024 também foram marcados pela presença do fenômeno climático El Niño, que afeta diretamente o mar, como o Nexo conta no vídeo abaixo:



Jennifer Koss, diretora do programa de conservação de recifes de corais da Noaa, afirmou na segunda (15) que a ciência sugere há anos que o aquecimento dos oceanos deve intensificar os eventos de branqueamento. A mudança climática tem promovido o estresse mesmo de espécies conhecidas por serem mais resistentes ao calor. A emissão de gases de efeito estufa também é responsável pela acidificação dos oceanos, que dificulta a manutenção dos recifes.

Mortes substanciais de espécies foram identificadas na Flórida e no Caribe desde 2023. O estado americano registrou no último ano uma onda de calor sem precedentes, que durou mais e foi mais severa que qualquer outro evento anterior na região. Ainda é cedo, no entanto, para estimar qual será a extensão da mortalidade global, segundo a Noaa.

Apesar da gravidade do evento atual de branqueamento, a agência americana estima que ele será curto. O El Niño já está enfraquecendo e deve se encerrar neste outono de 2024, segundo previsões. Depois dele, é provável que venha o fenômeno La Niña, conhecido por esfriar as águas dos oceanos que hoje estão mais quentes.
Quais são os danos para os ecossistemas

O branqueamento de corais causa danos graves para os ecossistemas marinhos. Miguel Mies, coordenador de pesquisa do programa Coral Vivo e professor do Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo), disse ao Nexo que o coral é “um organismo engenheiro”, que “constrói o ecossistema chamado recifes de coral”. Quando eles morrem, há impactos para inúmeras espécies.

“O esqueleto calcário [do coral] constrói essa barreira rígida, recortada e tridimensional que dá abrigo para milhões de espécies de peixes, invertebrados e outros organismos”, afirmou Mies. “No momento em que o coral morre, esse recife vai se degradando, e os sítios de abrigo, de alimentação e de reprodução dessas incontáveis espécies se perdem. A perda do coral, no fim, é a perda da biodiversidade como um todo”, acrescentou.

¼ das espécies oceânicas se nutrem a partir dos corais em algum momento de seu ciclo de vida

Além de causar danos biológicos e ecológicos, o branqueamento de corais em escala global pode ter efeitos socioeconômicos. “O recife de corais, enquanto vivo, fornece serviços ecossistêmicos como pesca, turismo e proteção costeira”, segundo Mies. A morte desses organismos, portanto, tem impacto nas economias, na segurança alimentar e na vida das pessoas que dependem dessas espécies para manter seus meios de subsistência, complementa a Noaa.

US$ 2,7 trilhões ou R$ 14 trilhões é o valor econômico dos recifes de corais no mundo

Outra preocupação está relacionada ao período entre as ocorrências de branqueamento. A água do planeta passa ciclicamente por picos de temperatura — e, quando sobrevivem ao estresse, corais precisam de mais de uma década de estabilidade para se recuperarem plenamente. Cientistas temem que, mais frequentes, os eventos globais impeçam a “folga” necessária para haver regeneração entre uma crise e outra.

Como o evento afeta o Brasil

O Brasil é um dos mais de 50 países que registraram branqueamento significativo de corais no último ano. Uma das áreas mais afetadas é o litoral nordestino, onde está o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (BA), uma das mais importantes áreas de proteção marinha do país. Há registros de branqueamento severo na região, com alta mortalidade.

Levantamento da Rede de Monitoramento do Branqueamento Coral Vivo mostra que, em alguns recifes do Nordeste, até 100% dos corais já branquearam. Não são todas as espécies nem todas as colônias da região, mas a situação é generalizada, segundo o grupo. A situação é mais moderada no litoral do Sudeste, de acordo com Mies.

FOTO: Jorge Silva/Reuters - 17.abr.2024

Imagem aérea mostra corais em processo de branqueamento na Costa dos Corais, em Japaratinga (AL)

Para o pesquisador, não há solução simples para a situação. “Esse é o resultado de um processo de um longo e lento aumento da temperatura. Não é uma coisa que a gente aperta um botão e para ou reverte. O que a gente tem que fazer é batalhar por um planeta que combata as mudanças climáticas, para que os próximos possíveis episódios de branqueamento sejam menos intensos”, disse.

Segundo ele, isso passa por atividades de comunicação e educação ambiental e outras que mostrem às pessoas a importância dos recifes de corais para o meio ambiente e para as sociedades. Também é preciso mostrar “como eles estão sendo destruídos pelas mudanças climáticas causadas pelo homem”, complementou.

Colaborou Mariana Froner com o mapa
https://www.nexojornal.com.br/

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Poluição plástica contamina quase 50% dos ambientes aquáticos do planeta



foto: Naja Bertolt Jensen/unsplash


Bruna Akamatsu



Estudo mostra que mesmo em zonas protegidas, a poluição plástica em ambientes aquáticos cresce com o desenvolvimento econômico; bitucas de cigarro estão também entre os principais contaminantes.

Uma nova síntese global conduzida por pesquisadores da UNIFESP revelou que 46% dos ambientes aquáticos monitorados, incluindo rios, praias, estuários e manguezais, estão classificados como “sujos” ou “extremamente sujos”. Os dados foram publicados na revista científica Journal of Hazardous Materials e baseiam-se em 10 anos de estudos revisados entre 2013 e 2023, avaliados com o índice internacional Clean-Coast Index (CCI), que mede a densidade de resíduos sólidos em áreas costeiras.

O levantamento revelou uma composição homogênea do lixo: plásticos representam 68% dos resíduos encontrados, seguidos pelas bitucas de cigarro, que somam 11% e contêm mais de 150 substâncias tóxicas que ameaçam a vida aquática. Essa predominância de plástico e cigarro reflete um cenário preocupante de poluição plástica generalizada, independentemente de fatores culturais, econômicos ou geográficos.

Bitucas de cigarro são parte expressiva da poluição plástica nas praias e liberam substâncias tóxicas nocivas aos ecossistemas costeiros. Foto: iStock.


No Brasil, que lidera em número de monitoramentos no período, cerca de 30% dos ambientes avaliados foram considerados contaminados. Um exemplo crítico é o rio dos Bugres, na Baixada Santista (SP), identificado como o segundo mais poluído por microplásticos do mundo, um retrato grave da poluição plástica que atinge as áreas urbanas.

Considerado um dos mais contaminados por microplásticos no mundo, o rio dos Bugres revela a gravidade da poluição plástica nos cursos d’água brasileiros. Foto: Danilo Verpa/Folhapress



A pesquisa também confirmou o papel fundamental das áreas de proteção ambiental na redução da contaminação, essas zonas apresentam até sete vezes menos resíduos. Em 445 áreas protegidas analisadas em 52 países, metade foi classificada como “limpa” ou “muito limpa”.

Por outro lado, os pesquisadores observaram que, mesmo dentro de áreas protegidas, a poluição tende a crescer nas fases iniciais de desenvolvimento econômico. Segundo os autores, isso reforça a urgência de investimentos em gestão, fiscalização e infraestrutura ambiental, especialmente em regiões em crescimento. Controlar a poluição plástica e de outros resíduos sólidos nesse contexto exige ações que combinem proteção territorial com governança eficiente.

Os resultados fornecem evidências inéditas para subsidiar políticas ambientais e embasar negociações internacionais, como o Tratado Global do Plástico e o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal.


Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.
Portal Brasil Amazônia Agora

500 barragens ameaçam sufocar o Amazonas



500 barragens ameaçam sufocar o Amazonas

Estudo publicado na revista científica Nature afirma que o impacto sobre os rios amazônicos será "irreversível" se todas as represas planejadas forem construídas


A barragem de Belo Monte, no rio Xingu, será é a terceira do mundo em geração de energia elétrica quando entrar em operação.CAROL QUINTANILHA / GREENPEACE

Ao longo do Amazonas existem 140 barragens hidrelétricas em funcionamento ou em construção e outras 428 estão planejadas. Mesmo que no final apenas uma parte delas saia efetivamente do papel, os cientistas acreditam que seu impacto sobre os rios amazônicos será “desastroso”. Um estudo global sobre as consequências de tantas barragens aponta que elas alterarão o curso do rio, retendo a maior parte dos sedimentos e nutrientes fluviais que não produzirão seus efeitos benéficos na planície amazônica, sufocando a vida que depende do rio e do oceano onde acaba.

Tudo no rio Amazonas é desmedido. Seu principal trecho tem cerca de 2.000 quilômetros até a foz no Atlântico, em um estuário com mais de 300 quilômetros de largura. Mas ainda há outros 5.000 quilômetros até o extremo oposto, a nascente nos Andes peruanos, onde correm seus principais afluentes. Alguns, como o Madeira, o Negro ou o Japurá estão entre os 10 maiores rios do planeta. A Bacia Amazônica cobre uma área de 6,1 milhões de km2, 12 vezes maior que a Espanha. E a água que flui pelos rios amazônicos equivale a 20% da água doce líquida da Terra.
Mais de 60% dos sedimentos trazidos pelo Amazonas às matas e planícies ficará preso nos reservatórios

Apesar de tanta enormidade, nenhum rio sobrevive a 568 barragens. Essa é a principal conclusão de um amplo estudo do qual participaram de ecologistas a engenheiros, passando por economistas e geólogos de uma dezena de universidades norte-americanas, alemãs, britânicas e brasileiras. Apesar de cada barragem trazer consigo um estudo de impacto ambiental, nunca havia sido estudado o impacto regional de todas as barragens existentes e a construir na Bacia Amazônica. A pesquisa, publicada pela revista Nature, analisa o impacto que elas terão sobre a vida do rio, das inundações sazonais que dão vida à Amazônia, aos sedimentos que deixará de arrastar até a desembocadura.

Os rios não são apenas água. Também carregam grandes quantidades de sedimentos que arrancam de um lado e depositam no outro. Esses sedimentos são o substrato mineral da vida numa enorme região de mais de um milhão de km2, entre zonas úmidas e planícies de aluvião. Em seu último trecho, o Amazonas transporta anualmente entre 800 milhões e 1,2 bilhão de toneladas de lama, areia e argila e pelo menos a metade disso acaba no oceano. Em cada barragem que surgir entre o rio e o mar, uma porcentagem desses sedimentos ficará presa no concreto.

“Lembrem-se do antigo Egito, que dependia dos sedimentos do rio que fertilizavam as terras da planície de aluvião”, diz o pesquisador da Universidade do Texas, em Austin (EUA), e principal autor do estudo, Edgardo Latrubesse. “O Nilo é hoje um rio totalmente regulado de maneira artificial por megarrepresas. É um caso típico que exemplifica os enormes impactos provocados por infraestruturas construídas há várias décadas, que produziram grandes impactos sociais, ambientais e econômicos”, acrescenta o especialista em geomorfologia dos rios. Não é a primeira vez que a situação do Egito moderno é relacionada com a alteração do curso do seu grande rio.

No caso que Latrubesse conhece melhor, o amazônico, o impacto combinado das barragens poderia provocar que mais de 60% dos sedimentos que o rio arrasta fique preso. “No Yangtzé [onde foi levantada a barragem das Três Gargantas], a retenção atualmente já é de mais de 75% e em outros rios, como o alto Paraná, no Brasil, a retenção é superior a 100%. Valores maiores que 70-90% são típicos no mundo. Esperamos algo semelhante no Amazonas se tudo for construído”, afirma.


Os rios de várzea onde cresce a Vitória-régia dependem das inundações sazonais do Amazonas.E.M. LATRUBESSE

Essa interferência na dinâmica do rio terá “consequências desastrosas”, nas palavras de Latrubesse. Os sedimentos não transportam apenas nutrientes para a várzea, mas são parte integrante do rio: “Os barrancos sofrem erosão, assim como ilhas e partes da várzea, enquanto novas áreas surgem por sedimentação”, lembra o pesquisador. Essa dinâmica ajuda a manter uma grande variedade de ecossistemas e, para os biólogos, “esse processo de regeneração é um mecanismo muito importante, que contribui para a criação de biodiversidade”, conclui.

O problema não será menor na desembocadura. A coluna de água e sedimentos que acaba no Atlântico se estende por mais de 1,3 milhão de km2 do oceano, a metade da área do Mediterrâneo. Além de ser a base de uma extensa linha de coral na costa americana e dos manguezais das Guianas e do norte do Brasil, essa enorme contribuição amazônica intervém no clima regional condicionado a formação e o movimento das tempestades tropicais do Caribe. A falta de sedimentos na região costeira também favorecerá a erosão marinha e a intrusão de água salgada nos aquíferos.
O Amazonas transporta anualmente entre 800 milhões e 1,2 bilhão de toneladas de lama, areia e argila e pelo menos a metade disso acaba no oceano

Os autores do estudo criaram um índice de vulnerabilidade dos rios ao impacto das barragens. Em um máximo de 100, alguns rios da parte andina, como o Marañón, poderiam atingir um índice de 72. Em sua cabeceira foram construídas ou planejadas 104 barragens de mais de um megawatt (MW) de capacidade de geração. Mais abaixo, o rio mais vulnerável é Madeira, um dos 10 mais caudalosos do mundo, que sozinho contribui metade dos sedimentos que o Amazonas leva ao mar. Com um índice de vulnerabilidades superior a 80, no Madeira vivem cerca de 1.000 espécies de peixes, o triplo do que em todos os rios da Europa.

Mas o caso mais impressionante talvez seja o do Tapajós, o principal afluente da margem direita do Amazonas. Em seu trecho principal não há nenhuma barragem. No entanto, é e será um dos mais afetados pela construção de dezenas de barragens em seus afluentes, criando um sistema interligado de represas e pântanos artificiais ao longo 1.000 quilômetros, quase a distância entre Madri e Paris. Para Latrubesse, “seria impossível construir esse tipo de obra de enorme impacto ambiental em países desenvolvidos”.

A justificativa para tudo isso foi a necessidade de gerar a energia para que Brasil, Equador, Peru ou Bolívia pudessem basear seu desenvolvimento. No entanto, as represas hidrelétricas não parecem ser a solução. O pesquisador da Universidade de Oxford e coautor do estudo, Atif Ansar, lembra: “Nossas pesquisas anteriores mostraram que, devido ao sistemático problema dos custos adicionais e a ampliação dos prazos, o custo real das grandes barragens é muito alto para ser recuperado”. Mas esses trabalhos eram baratos, não incluíam o impacto ambiental. Agora, diz, “as grandes barragens não apenas são inviáveis economicamente como também ambientalmente prejudiciais”.
Jornal El País

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Qual foi o tsunami mais devastador da história?

 Ondas causadas por este fenômeno podem gerar inundações e grandes danos às cidades. O tsunami que causou mais mortes na história foi registrado no início deste século.




Uma parte costeira da cidade de Seattle, nos Estados Unidos, está entre aquelas consideradas perigosas diante da ocorrência de tsunamis, já que é considerada uma zona baixa da região. Foto de John Stanmeyer


Um tsunami consiste em uma série de ondas extremamente longas causadas por um grande e repentino deslocamento do oceano. Elas se espalham em todas as direções, desde o seu ponto de origem, e podem atravessar bacias oceânicas inteiras, conforme indicado pela Base histórica de dados do Centro Nacional de Dados Geofísicos dos Estados Unidos e o Serviço Mundial de Dados (NGDC/WDS, em suas siglas em inglês).


Uma onda sísmica do mar é assim chamada se for gerada por um terremoto, mas os tsunamis também podem ser causados ​​por distúrbios não sísmicos. Portanto, o termo “foi adotado internacionalmente para se referir a ondas causadas por qualquer grande e repentino deslocamento do oceano”.


Quando chegam à costa, os tsunamis podem causar inundações perigosas, que duram várias horas ou dias. Consequentemente, podem danificar casas e ameaçar a vida das pessoas.


De acordo com o banco de dados de tsunamis, o mais devastador da história, levando em conta o alto número de mortes, foi o ocorrido na costa norte da ilha de Sumatra, na Indonésia, em 26 de dezembro de 2004.


Especificamente, este tsunami matou mais pessoas do que qualquer outro tsunami registrado na história. Estima-se que, como resultado deste evento, ocorreram 227.898 mortes e desaparecidos, 1,7 milhão de desabrigados e um prejuízo de 9,9 bilhões de dólares.
National Geographic

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