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segunda-feira, 27 de abril de 2026

O iceberg gigante em rota de colisão com ilha e que ameaça centenas de pinguins e focas



Crédito,Getty ImagesArticle InformationAuthor,Georgina Rannard e Erwan Rivault

BBC News



O maior iceberg do mundo está em rota de colisão com uma remota ilha britânica, colocando pinguins e focas potencialmente em perigo.


O iceberg está girando rumo ao norte, da Antártida em direção à Geórgia do Sul, um território britânico acidentado que é refúgio de vida selvagem, onde poderia se chocar e se despedaçar. Atualmente, está a 280 quilômetros de distância.


Inúmeras aves e focas morreram nas enseadas e praias geladas da Geórgia do Sul quando icebergs gigantes impediram sua alimentação no passado.


"Icebergs são inerentemente perigosos. Eu ficaria extremamente feliz se simplesmente não nos atingisse", afirmou o capitão Simon Wallace à BBC News, falando do navio Pharos, que pertence ao governo da Geórgia do Sul.


Crédito,BFSAILegenda da foto,
A RAF, força aérea real britânica, sobrevoou recentemente o vasto iceberg à medida que ele se aproximava da Geórgia do Sul


Em todo o mundo, um grupo de cientistas, marinheiros e pescadores está verificando ansiosamente as imagens de satélite para monitorar os movimentos diários deste iceberg colossal.


Conhecido como A23a, é um dos mais antigos do mundo.


Ela se desprendeu da plataforma de gelo Filchner, na Antártida, em 1986, mas ficou preso no fundo do mar e, na sequência, em um vórtice oceânico.


Finalmente, em dezembro, ele se libertou — e agora está em sua jornada final, acelerando em direção ao desaparecimento.

As águas mais quentes ao norte da Antártida estão derretendo e enfraquecendo seus vastos penhascos que se elevam a 400 metros, mais de dez vezes a altura do Cristo Redentor no Corcovado, no Rio de Janeiro.


Ela chegou a medir 3.900 km², mas as últimas imagens de satélite mostram que está se deteriorando lentamente. Atualmente, tem cerca de 3.500 km², equivalente à área de Belém ou mais de duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo.


E grandes placas de gelo estão se rompendo, mergulhando nas águas ao redor de suas bordas.


O A23a pode se fragmentar em grandes segmentos a qualquer momento, que podem perdurar por anos, como cidades flutuantes de gelo navegando sem controle ao redor da Geórgia do Sul.



Este não é o primeiro iceberg gigante a ameaçar a Geórgia do Sul e as Ilhas Sandwich.


Em 2004, um iceberg chamado A38 encalhou em sua plataforma continental, provocando a morte de filhotes de pinguins e de focas nas praias, uma vez que enormes pedaços de gelo bloquearam seu acesso aos locais de alimentação.


O território é o lar de preciosas colônias de pinguins-rei, pinguins-imperador e milhões de elefantes-marinhos e lobos-marinhos.


"A Geórgia do Sul está situada em um beco de icebergs, portanto, os impactos são esperados tanto para a pesca quanto para a vida selvagem, e ambas têm uma grande capacidade de adaptação", diz Mark Belchier, ecologista marinho que assessora o governo da Geórgia do Sul.
Play video, "Watch conditions at sea for sailors dodging ice in South Georgia", Duration 0,25
00:25

Legenda do vídeo,Veja as condições no mar para os marinheiros que estão desviando de icebergs na Geórgia do Sul


Marinheiros e pescadores dizem que os icebergs são um problema cada vez maior. Em 2023, um iceberg chamado A76 deu um susto neles quando chegou perto de encalhar.


"Pedaços dele estavam despontando, parecendo grandes torres de gelo, uma cidade de gelo no horizonte", diz Belchier, que viu o iceberg enquanto estava no mar.


Essas placas ainda hoje permanecem ao redor das ilhas.


"Ele está em pedaços do tamanho de vários estádios de Wembley e até em pedaços do tamanho da sua mesa", explica Andrew Newman, da Argos Froyanes, uma empresa de pesca que trabalha na Geórgia do Sul.


"Esses pedaços basicamente cobrem a ilha — temos que abrir caminho para passar por eles", afirma o capitão Wallace.


Os marinheiros do seu navio precisam estar sempre atentos. "Temos holofotes acesos a noite toda para tentar enxergar o gelo — ele pode aparecer do nada", relata.


O A76 foi um "divisor de águas", de acordo com Newman, com um "enorme impacto nas nossas operações e na manutenção da segurança do navio e da tripulação"


Crédito,Simon WallaceLegenda da foto,Simon Wallace diz que um marinheiro experiente sabe como evitar icebergs


Todos os três descrevem um ambiente em rápida transformação, com o recuo glacial visível ano após ano e níveis voláteis de gelo marinho.


É improvável que as mudanças climáticas tenham sido a causa do surgimento do A23a, pois ele se desprendeu há muito tempo, antes de muitos dos impactos do aumento das temperaturas que estamos vendo agora.


Mas os icebergs gigantes fazem parte do nosso futuro. À medida que a Antártida se torna mais instável com as temperaturas mais quentes do oceano e do ar, mais pedaços enormes das camadas de gelo vão se romper.



Mas, antes da sua hora chegar, o A23a deixou um presente de despedida para os cientistas.


Uma equipe do British Antarctic Survey que estava no navio de pesquisa RRS Sir David Attenborough se viu perto do A23a em 2023.


Os cientistas se mobilizaram para explorar a rara oportunidade de investigar o que os megaicebergs fazem com o meio ambiente.


Crédito,Tony Jolliffe/BBCLegenda da foto,
As amostras que Laura Taylor tirou do A23a a ajudaram a pesquisar como os icebergs afetam o ciclo do carbono


O navio navegou até uma fenda nas gigantescas paredes do iceberg, e a pesquisadora de doutorado Laura Taylor coletou amostras preciosas de água a 400 metros de distância dos seus penhascos.


"Vi uma enorme parede de gelo muito mais alta do que eu, até onde eu conseguia enxergar. Ele tem cores diferentes em lugares diferentes. Pedaços estavam caindo — foi algo magnífico", explica ela do seu laboratório em Cambridge, no Reino Unido, onde está agora analisando as amostras.


Seu trabalho analisa o impacto que a água do degelo está tendo no ciclo do carbono no Oceano Antártico.


Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,
Território abriga colônias de pinguins-rei e pinguins-imperador


"Não é simplesmente como a água que bebemos. Ela está repleta de nutrientes e substâncias químicas, além de pequenos animais, como fitoplâncton congelado, em seu interior", diz Taylor.


Ao derreter, o iceberg libera esses elementos na água, alterando a física e a química do oceano.


Isso poderia armazenar mais carbono nas profundezas do oceano, à medida que as partículas afundam na superfície. E naturalmente reteria algumas das emissões de dióxido de carbono do planeta que contribuem para as mudanças climáticas.


Os icebergs são notoriamente imprevisíveis — e ninguém sabe exatamente o que ele vai fazer na sequência.


Mas, em breve, este gigante deve aparecer no horizonte das ilhas, tão grande quanto o próprio território.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Iceberg de 315 bilhões de toneladas se desprende da Antártida


Jonathan Amos
BBC


Direito de imagemCOPERNICUS DATA/SENTINEL-1/@STEFLHERMITTEImage caption
Sistema de satélite Sentinel-1 da União Europeia capturou essas imagens para fazer a comparação antes e depois

A plataforma de gelo Amery, localizada na na Antártida, acaba de produzir seu maior iceberg em mais de 50 anos.

O bloco tem uma área de 1.636 km² — um pouco maior que a cidade de São Paulo — e foi batizado de D28.

Assim que começa a se deslocar, um iceberg desse tamanho passa a ser monitorado e rastreado, pois no futuro pode se tornar um risco para o transporte marítimo. A Amery não produzia um iceberg tão grande desde a década de 1960.

Amery é a terceira maior plataforma de gelo da Antártida e um importante canal de escoamento para o leste do continente.

A plataforma é a extensão flutuante de várias geleiras que fluem na direção do mar. Perder icebergs para o oceano é a maneira como essas correntes de gelo mantêm o equilíbrio diante dos acúmulos de mais neve.


Mas os cientistas já previam esse acontecimento. O interessante é que boa parte da atenção sobre a área foi focada no leste do trecho que se separou.


Direito de imagemNAS
AImage caption'Dente mole' retratado no início dos anos 2000; D28 é vista se formando à esquerda

'Dente' vizinho

Este é um segmento da Amery que ficou carinhosamente conhecido como Dente Mole, devido à sua semelhança em imagens de satélite com a dentição de uma criança. Ambas as áreas de gelo tinham o mesmo sistema de fendas.


Mas, embora pendente, o Dente Mole ainda continua preso. O D28 é que foi "extraído".

"É um molar quando comparado a um dente de leite", disse à BBC a professora Helen Fricker, da Scripps Institution of Oceanography.

Fricker havia previsto em 2002 que o Dente Mole se descolaria em algum momento entre 2010 e 2015.

"Estou empolgada em ver esse evento após todos esses anos. Sabíamos que isso aconteceria eventualmente, mas, para ficarmos mais espertos, não aconteceu exatamente quando esperávamos", disse ela.

A pesquisadora do Scripps enfatizou que não havia ligação entre este evento e as mudanças climáticas.

Dados de satélite capturados desde a década de 1990 mostraram que a Amery está em equilíbrio com o ambiente, apesar de sofrer forte derretimento da superfície durante o verão.

Direito de imagemRICHARD COLEMAN/UTASImage caption
Amery, 3ª maior plataforma de gelo da Antártida, não produzia um iceberg tão grande como esse desde a década de 1960

"Embora haja muito com o que se preocupar na Antártida, ainda não há motivo de alarde em relação a essa plataforma de gelo em particular", acrescentou a professora Fricker.

Entretanto, a Divisão Australiana da Antártida vai observar a Amery de perto para ver como ela reage. Os cientistas da divisão têm instrumentos na região.

É possível que a perda de um iceberg tão grande mude o equilíbrio na plataforma de gelo. Isso pode influenciar o comportamento das rachaduras e até a estabilidade do Dente Mole.

Calcula-se que o D28 tenha cerca de 210 metros de espessura e cerca de 315 bilhões de toneladas de gelo.

O nome vem de um sistema de classificação administrado pelo Centro Nacional de Neve e Gelo dos Estados Unidos, que divide a Antártida em quadrantes.

O quadrante D cobre as longitudes de 90 graus Leste a zero grau, o Meridiano de Greenwich. O tamanho do D28 é ofuscado pelo poderoso iceberg A68, que rompeu com a plataforma de gelo Larsen C em 2017. Atualmente, ele cobre uma área três vezes maior.

As correntes e ventos costeiros levarão o D28 para o oeste. É provável que demore vários anos para que se desmanche e derreta completamente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Notícias Geografia Hoje


Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida e gera preocupação
Matt McGrath BBC


Direito de imagem NASA Image caption
 Bloco de gelo possui 5 mil km², área equivalente à do Distrito Federal

Um gigantesco iceberg - que seria um dos dez maiores do mundo - pode se desprender a qualquer momento da Antártida, dizem cientistas.

Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol ou à área do Distrito Federal) de se soltar.

A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.

Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.

A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.

Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.

No ano passado, cientistas britânicos afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.

Mas, em dezembro, o ritmo avançou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas. 
Direito de imagem SPL Image caption 
Colapso de plataforma de gelo Larson B aconteceu de forma semelhante em 2002 U

Dessa forma, segundo os pesquisadores, o que se tornará um gigantesco iceberg está por um triz de se soltar - apenas 20 km o prendem à plataforma.

"Se o iceberg não se desprender nos próximos meses, ficarei espantado", diz à BBC Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no País de Gales, responsável pela pesquisa.

"As imagens não são completamente visíveis, mas conseguimos usar um sistema para verificar a extensão do problema. O iceberg está a tal ponto de se soltar que considero que isso seja inevitável", acrescenta ele.

Luckman afirma que a área que deve se romper possui 5 mil km², o que resultaria num dos dez maiores icebergs já registrados no mundo.

Aquecimento global

Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.

Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.

No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.

"Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual", diz Luckman.
 Direito de imagem NASA Image caption

 Imagens registradas em novembro mostram extensão de rachadura

"Esperamos que nos próximos meses e anos aconteçam novas rupturas, e talvez um eventual colapso, mas isso é uma coisa muito difícil de prever".

"Nossos modelos indicam que a plataforma ficará menos estável, mas não que desmoronará imediatamente ou qualquer coisa do tipo", acrescenta.

Como vai flutuar no mar, o iceberg não vai aumentar o nível dos mares.

Mas novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que se desprenderiam em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não seria flutuante, o nível dos mares seria afetado.

Segundo estimativas, se todo o gelo da Larsen C derreter, o nível dos mares aumentaria cerca de 10 cm.

Há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.

"As prováveis consequências podem ser o colapso da plataforma nos próximos anos ou décadas", prevê Luckman.

"Ainda que o impacto imediato não atinja os mares, trata-se de um grande evento geográfico que mudará a paisagem do continente gelado", acrescenta.
BBC Brasil

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