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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Como o homem chegou mais perto de outros mundos | 21 notícias que marcaram o século 21

 


Como o homem chegou mais perto de outros mundos | 21 notícias que marcaram o século 21

No século 20, um tema acompanhava quase todo pensamento associado ao futuro depois dos anos 2000: o espaço.

Os primeiros anos do século 21, no entanto, ficaram longe das expectativas mais fantásticas.

O programa espacial americano precisou ser revisto, os esforços russos já não repetiam as glórias dos tempos da União Soviética, e alguns questionavam se era mesmo necessário investir em viagens rumo ao desconhecido.

Um sonho, porém, continuou vivo: a conquista de Marte — sonho que, aos poucos, foi se tornando realidade.

Além disso, vimos pela primeira vez a imagem de um buraco negro, objetos construídos pelo ser humano saíram do Sistema Solar, e os primeiros turistas compraram passagens para um passeio na estratosfera.

Neste novo episódio da nossa série especial "21 Notícias que Marcaram o século 21", Camilla Veras Mota conta como a exploração do espaço colocou a humanidade mais perto de outros mundos

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Como são Laniakea e o Arco Gigante, duas das maiores estruturas do Universo


Nos últimos anos, os cosmólogos descobriram o superaglomerado de galáxias do qual fazemos parte

BBC

(crédito: BBC)

Qual é a maior coisa que você consegue imaginar?

Sem dúvida você tem uma resposta porque, felizmente, a cultura e a ciência nos acostumaram desde o início dos tempos a superar os limites dos sentidos, para que povoem nossas mentes noções tão inconcebíveis quanto o Universo, que além de ser um lugar é um conceito maravilhoso.

E com a ajuda da tecnologia somos capazes de ver o que nossos olhos não conseguem perceber.
Mas qual é a maior coisa que conhecemos?

Para encontrá-la, você precisa dar uma espiada no cosmos, então dê asas à sua imaginação! O professor Jim Al-Khalili, físico teórico que apresentou o documentário da BBC Secrets of Size: Atoms to Supergalaxies ("Segredos do Tamanho: de átomos a supergaláxias", em tradução literal), vai nos guiar nesta busca.BBC
Km, UA e anos-luz

Já que vamos falar de imensidão, você precisa se acostumar com dimensões incompreensíveis.

Nosso planeta tem 12.700 quilômetros de diâmetro; o Sol é mais de 100 vezes maior.

A massa do Sol é a fonte de seu imenso poder gravitacional sobre todo o Sistema Solar.

E a distância entre a Terra e o Sol é um número muito significativo na astronomia.
Getty Images

No espaço, as distâncias são tão grandes que o uso de quilômetros logo se torna impraticável — por isso, os astrônomos criaram suas próprias unidades de medida.

Uma delas é a unidade astronômica (UA), que equivale à distância entre nosso planeta e nossa estrela: quase 150 milhões de quilômetros.

A cerca de 100.000 UA do Sol, há uma esfera de objetos gelados chamada nuvem de Oort.

É uma estrutura massiva e, nestas escalas, começamos a usar uma nova unidade de medida: a distância que a luz pode percorrer em um ano — 9,46 trilhões de km.

A nuvem de Oort tem cerca de três anos-luz de diâmetro.

Agora, sim, com o que é necessário para medir as maiores estruturas conhecidas, vamos deixar para trás nosso Sistema Solar para encontrá-las.
O tamanho do Universo
BBC

Agora sabemos que a bela faixa de estrelas que às vezes podemos ver estendida no céu noturno é a Via Láctea, nossa galáxia.

E em grande parte graças à astrônoma Henrietta Swan Leavitt, que trabalhou no Observatório de Harvard há cerca de 125 anos, sabemos que não é a única.

Há galáxias de todas as formas e tamanhos. Elas vão de anãs, talvez apenas um décimo do tamanho da Via Láctea, a gigantes, muitas vezes maiores.

Acredita-se que existam até 2 trilhões de galáxias no Universo observável.

A questão é: todas estas galáxias simplesmente flutuam sozinhas, movendo-se serenamente pelo espaço como viajantes solitárias, ou se unem como parte de estruturas ainda maiores?

E como podemos responder a esta pergunta?

Felizmente, para ajudar a resolver este enigma, os cosmólogos podem aproveitar um fenômeno bastante peculiar com o qual todos estamos familiarizados aqui na Terra: o famoso efeito Doppler.
Vai e vém

Pense em uma ambulância. Conforme ela se aproxima de você, o tom das sirenes é alto, mas quando ela se afasta, o tom cai.
Getty Images

Esse efeito ocorre porque, à medida que se aproximam, as ondas sonoras se agrupam, encurtando o comprimento de onda e elevando o tom. E quando se afastam, as ondas se espalham, baixando o mesmo.

As ondas de luz fazem a mesma coisa.

Quando uma fonte de luz se move em nossa direção, seus comprimentos de onda são mais curtos, o que as move para a extremidade azul do espectro. À medida que se afasta, as ondas se deslocam para o vermelho.

Assim, ao medir o espectro de luz emitido por um objeto cósmico, os astrônomos podem dizer se está se aproximando ou se afastando de nós.

Esse é um dos usos da chamada espectroscopia. Com esta técnica e outras observações, agora sabemos que as galáxias se movem pelo espaço de maneiras complexas.

Sob a influência do vasto poder da gravidade, muitas delas se unem no que são conhecidos como grupos de galáxias, formados por até 50 galáxias.

Esses grupos podem ser atraídos para estruturas maiores, chamadas aglomerados de galáxias, de talvez 1 mil ou mais galáxias.

E esses aglomerados podem se agrupar, formando as maiores estruturas conhecidas no Universo: os superaglomerados de galáxias.

Eles consistem em milhões de galáxias e podem se estender por distâncias superiores a 100 milhões de anos-luz.
Nosso superaglomerado

Nos últimos anos, os cosmólogos descobriram o superaglomerado de galáxias do qual fazemos parte.
Getty ImagesQuando nos movemos para escalas além da nossa imaginação, o Universo se comporta de maneira extraordinária (A Nebulosa do Coração, no Braço de Perseus da Via Láctea)

Na última década, a professora Hélène Courtois, da Universidade de Lyon, na França, vem trabalhando com uma equipe internacional de astrônomos na tarefa épica de mapeá-lo.

Courtois se descreve como uma cosmógrafa, tentando "descobrir onde estão as outras galáxias em comparação com a nossa, medindo distâncias e coordenadas no céu".

"Minha especialidade não é apenas fazer mapas, mas mapear os movimentos das galáxias no Universo. Sou uma cosmógrafa dinâmica", disse ela à BBC.

Primeiro, Courtois e seus colegas traçaram as posições de muitas milhares de galáxias, criando mapas 3D intrincados como este:
BBC

Cada galáxia é apenas um pequeno ponto.

Eles mediram então o espectro de luz de cada galáxia para ver se era azul ou vermelho, o que indicou em que direção se moviam e a que velocidade.
BBC

Eles encontraram dezenas de milhares de galáxias fluindo na mesma direção, formando um superaglomerado gigante.

"É como um baile em uma parte do espaço. Seus movimentos estão correlacionados: não são movimentos aleatórios, viajam juntas."

"E foi assim que fizemos esta descoberta."
Laniakea

Em 2014, eles fizeram o anúncio surpreendente: haviam mapeado o superaglomerado gigante em que reside nossa galáxia.

Seu verdadeiro tamanho é incompreensível para nossas mentes, confinadas às nossas escalas, formas e tamanhos terrestres.

Mas há paisagens aqui no nosso planeta que podem nos dar uma ideia.

Para nos ajudar a entender como são estes superaglomerados de galáxias, cosmógrafos como Courtois costumam usar a analogia de um sistema fluvial, com riachos que fluem para os rios, que se dirigem para o mar.

Nas maiores escalas do Universo, as galáxias se movem juntas pelo espaço ao longo de caminhos que lembram rios.

E, assim como o poder da gravidade faz com que as gotas de chuva caiam nos córregos, e os córregos desçam para os rios, as galáxias são atraídas pelo imenso poder da atração gravitacional em direção a uma enorme concentração de massa.

Vamos imaginar como é a Laniakea.
BBCÉ o nosso lar no Universo

Cada um dos pontos acima é uma galáxia. Cada uma das linhas é um caminho que elas seguem.

Todas as galáxias estão sendo arrastadas por forças gravitacionais incríveis ao longo destas vias em direção a uma massa central chamada Grande Atrator.

O Grande Atrator permanece sendo um mistério, mas acredita-se que tenha a massa de trilhões de sóis.

Laniakea contém cerca de 100 mil galáxias como a nossa — e 100 trilhões de estrelas. Ela se estende por meio trilhão de anos-luz.

Daí o seu nome, Laniakea, termo que significa 'céu imenso' em havaiano.
Uma incógnita gravitacional

Esses superaglomerados gigantes estão apenas sendo descobertos, então só agora estamos começando a ter uma ideia de como funcionam.

Das escalas terrestres à rotação das galáxias, a força da gravidade é bem compreendida pelos físicos.

Mas isso não significa necessariamente que entendemos como a gravidade mantém estes superaglomerados gigantes unidos.
Getty ImagesA gravidade segue sendo uma incógnita

Assim, cosmólogos como Courtois usam superaglomerados para investigar o funcionamento da gravidade nas escalas maiores.

"Funciona como na Terra? Sempre foi a mesma desde o início dos tempos?"

"Do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, a gravidade é a principal questão da física do século 21."

"Ainda não a compreendemos completamente."
Uma resposta confusa

Ao estudar superaglomerados, alguns cosmólogos estão começando a questionar alguns dos princípios científicos mais preciosos.

De acordo com nosso modelo atual de cosmologia, as leis da física indicam que estruturas muito maiores que Laniakea não podem existir.

De acordo com a teoria atual, após o Big Bang, a matéria se espalhou uniformemente por todo o cosmos, porque as mesmas forças atuaram por igual em tudo.

O poder da gravidade uniu as galáxias e depois os aglomerados de galáxias.

Mas acima de um certo tamanho, a gravidade é fraca demais para unir estruturas.

Esse é o "princípio cosmológico", e é um dos pilares fundamentais da cosmologia moderna.

Mas descobertas recentes lançaram algumas dúvidas sobre este conceito extremamente importante.

Surpreendentemente, uma destas descobertas foi feita por uma estudante.
Serendipidade
BBCAlexia Lopez estuda no Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade Central de Lancashire, na Inglaterra

Alexia Lopez ensina violino para ajudar a financiar seu doutorado e, ao fazer sua pesquisa, encontrou algo notável.

"Foi realmente emocionante. Meu supervisor teve a ideia de usar uma nova técnica para mapear o que há no Universo, e me deparei com esta grande estrutura gigante."

"Foi completamente por acaso."

O método engenhoso que Alexia usou envolveu objetos muito distantes chamados quasares.

São centros imensamente brilhantes de galáxias a bilhões de anos-luz de distância, que acredita-se serem alimentados por buracos negros supermassivos.

Alexia os usou para iluminar cantos escuros do Universo.

"Há galáxias e aglomerados de galáxias que não poderíamos ver sem os quasares porque sua luz é muito fraca e estão muito distantes. Mas os quasares agem basicamente como a luz de uma lanterna."

Mas ela notou que, à medida que sua luz viajava por uma galáxia, nem toda ela passava.

"Parte da luz era absorvida e, portanto, tinha que haver matéria ali a bloqueando."

Usando este método, Alexia criou um mapa 3D de uma grande parte do Universo — e encontrou um padrão.
BBC

As manchas vermelhas no gráfico de Alexia são todas galáxias ou aglomerados de galáxias, e juntas elas parecem formar uma estrutura gigante em forma de arco.

"Usamos três testes estatísticos diferentes, e todos os três mostram que o Arco Gigante é, na verdade, mais do que apenas um fluxo aleatório."
Um princípio à prova

Por que esta descoberta é tão inesperada e emocionante?

"Por causa do princípio cosmológico, que diz que nas escalas maiores não deveria haver nenhuma estrutura ou padrão no Universo."

"O princípio cosmológico tem um limite de corte específico, e estima-se que é de cerca de 1,2 bilhão de anos-luz. Mas o Arco Gigante mede mais de 3 bilhões de anos-luz, então levanta a questão de como algo assim pode se formar."
Getty ImagesSem o princípio cosmológico, tudo pode desmoronar

De acordo com nossa compreensão atual da cosmologia, é grande demais para se manter unido pela gravidade.

E não é a única superestrutura encontrada.

Há outras ainda maiores, como a Grande Muralha Hércules-Corona Borealis, que acredita-se ser três vezes maior que o Arco Gigante.

Esse capítulo desta história está apenas começando, mas pode ser um divisor de águas, pois todas as nossas teorias de como o Universo se formou após o Big Bang são baseadas no princípio cosmológico.

"Ainda é muito cedo, mas tudo está construído sobre essa suposição, então é como tirar a peça de baixo de um quebra-cabeça de jenga... tudo desmorona", explica Alexia.

Por isso, essas não são apenas as estruturas nas escalas mais alucinantes que já encontramos — elas também desafiam nossas crenças mais preciosas, transformando tudo o que pensávamos saber sobre como o Universo se comporta e como chegamos até aqui.
Correio Brasiliense

domingo, 10 de julho de 2022

Planeta anão foi formado na zona mais fria do Sistema Solar e lançado para o Cinturão de Asteroides





Imagens de Ceres feitas pela sonda Dawn: planeta anão veio de longe até se estabilizar no Cinturão de Asteroides. Crédito: Nasa




Estudo que busca reconstituir o processo de formação do planeta anão Ceres foi publicado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e colaboradores no periódico Icarus.

O trabalho foi conduzido por Rafael Ribeiro de Sousa, professor do Programa de Pós-Graduação em Física, campus de Guaratinguetá. Também assinam o artigo o professor Ernesto Vieira Neto, que foi o orientador de Ribeiro de Sousa em sua pesquisa de doutorado, e pesquisadores da Université Côte d’Azur, na França; da Rice University, nos Estados Unidos; e do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Como explicam os autores, Ceres é um integrante do Cinturão de Asteroides, coleção de corpos celestes localizada entre as órbitas de Marte e Júpiter. De formato aproximadamente esférico, é o maior objeto do Cinturão, concentrando um terço de sua massa total. Seu diâmetro, com quase mil quilômetros, é pouco maior do que um terço do diâmetro da Lua. Com excentricidade de 0,09, tem órbita quase circular. E a inclinação de sua órbita em relação ao plano invariante do Sistema Solar, inferior a 10 graus, é bem maior que a inclinação da órbita da Terra, que é de 1,57 grau.


A massa de Ceres é pequena demais para poder segurar, por atração gravitacional, uma atmosfera. Mas um fato notável é que os gelos de amônia e de água existentes sob sua superfície evaporam com a incidência da luz solar. E a névoa formada dispersa-se no espaço exterior. Os depósitos de gelo brilham muito no fundo das crateras. Não está excluída a hipótese de que possam abrigar alguma forma primitiva de vida. A Missão Dawn, da Nasa, a agência espacial norte-americana, que se aproximou bastante dos asteroides Ceres e Vesta, mapeou essas crateras. Um vídeo muito interessante da cratera Occator, composto com imagens captadas pela espaçonave, pode ser visto no site da missão.


O núcleo do planeta anão é composto provavelmente por material pesado: ferro e silicatos. Mas o que diferencia Ceres dos objetos vizinhos é seu manto de gelo de amônia e água. Como a maioria dos corpos do Cinturão de Asteroides não tem amônia, a hipótese é a de que Ceres tenha sido formado fora, na região mais fria que se estende além da órbita de Júpiter e, depois, lançado para a zona média do Cinturão devido à grande instabilidade gravitacional provocada pela formação dos planetas gasosos gigantes Júpiter e Saturno.

“A presença de gelo de amônia é uma forte evidência observacional de que Ceres possa ter sido formado na região mais fria do Sistema Solar, além da chamada Linha de Gelo, onde as temperaturas eram baixas o suficiente para ocorrer condensação e fusão de água e substâncias voláteis, como monóxido de carbono [CO], dióxido de carbono [CO2] e amônia [NH3]”, diz Ribeiro de Sousa.

Hoje, a Linha de Gelo está localizada muito próxima da órbita de Júpiter. Porém, quando o Sistema Solar estava em formação, há 4,5 bilhões de anos, a posição dessa zona variou de acordo com a evolução do disco de gás protoplanetário e a formação dos planetas gigantes. “A forte perturbação gravitacional provocada pelo crescimento desses planetas pode ter alterado a densidade, a pressão e a temperatura do disco protoplanetário, o que teria deslocado a Linha de Gelo. Essa perturbação no disco de gás protoplanetário teria feito com que planetas em crescimento, enquanto adquiriam gás e sólidos, migrassem para órbitas mais próximas do Sol”, explica o professor Vieira Neto.



“Em nosso trabalho, propusemos um cenário para explicar o porquê de Ceres ser tão diferente dos asteroides vizinhos. Nesse cenário, Ceres teria iniciado a sua formação em uma órbita além de Saturno, onde a amônia era abundante. Durante o crescimento dos planetas gigantes, foi puxado para o Cinturão de Asteroides, como um retirante do Sistema Solar externo, e sobreviveu até hoje, por 4,5 bilhões de anos”, afirma Ribeiro de Sousa.

Para comprovar tal hipótese, Ribeiro de Sousa e colaboradores realizaram um grande número de simulações computacionais da fase de formação dos planetas gigantes dentro do disco de gás protoplanetário que circundava o Sol. No modelo, foram consideradas no disco as presenças de Júpiter, Saturno, embriões planetários (precursores de Urano e Netuno) e uma coleção de objetos similares em tamanho e composição química a Ceres. A suposição foi a de que Ceres seria um objeto de tipo planetesimal. Estes são considerados os “blocos de construção” dos planetas e de outros corpos do Sistema Solar, como asteroides, cometas, etc.

“Em nossas simulações, verificamos que a fase de formação dos planetas gigantes não foi nada tranquila. Caracterizou-se por colisões gigantescas entre os precursores de Urano e Netuno, pela ejeção de planetas para fora do Sistema Solar e até mesmo pela invasão da região interna por planetas com massas maiores do que três vezes a massa da Terra. Além disso, a forte perturbação gravitacional espalhou objetos similares a Ceres por toda a parte. Alguns, com uma certa probabilidade, alcançaram a região do Cinturão de Asteroides e adquiriram órbitas estáveis, capazes de sobreviver a outros eventos”, conta o pesquisador.

Segundo Ribeiro de Sousa, três mecanismos principais atuaram para preservar esses objetos na região: a ação do gás, que amorteceu as excentricidades e as inclinações de suas órbitas; as ressonâncias de seus movimentos médios com Júpiter, que os protegeram de ejeções e colisões causadas por esse planeta gigante; e encontros próximos com os planetas invasores, que espalharam os planetesimais para regiões mais internas e estáveis do Cinturão de Asteroides.

“Nosso principal resultado indica que, no passado, houve no mínimo 3.500 objetos do tipo Ceres, além da órbita de Saturno. E que, com esse número de objetos, nosso modelo mostrou que um deles conseguiu ser transportado e capturado no Cinturão de Asteroides, em uma órbita muito similar à órbita atual de Ceres”, destaca o pesquisador.



Esse número, de 3.500 objetos de tipo Ceres, já havia sido estimado por outros estudos, a partir da observação de crateras e de tamanhos de outras populações de astros, situadas além de Saturno, como aquelas que compõem o Cinturão de Kuiper, onde orbitam Plutão e outros planetas pequenos. “Com nosso cenário, fomos capazes de confirmar tal número e explicar as propriedades orbitais e químicas de Ceres. Esse trabalho conta um ponto a favor dos modelos mais recentes de formação do Sistema Solar”, resume Ribeiro de Sousa.

Um pouco sobre a formação planetária

Um cenário sobre a formação planetária do Sistema Solar, composto a partir das informações mais atualizadas disponíveis, permite entender melhor o estudo em pauta, situando Ceres no quadro geral.

“A partir de evidências observacionais, sabe-se que qualquer sistema planetário – não apenas o Sistema Solar – é formado a partir de um disco de gás e poeira que circunda uma estrela recém-formada. O evento que forma a estrela ainda é objeto de estudo, mas o consenso até o momento é que ela nasce a partir do colapso gravitacional de uma nuvem molecular gigante”, afirma Ribeiro de Sousa.

A existência dos discos protoplanetários não é mera suposição. Ao contrário, respalda-se em observações robustas. É o caso das imagens obtidas pela Agência Espacial Europeia por meio do rádio-observatório Alma (Atacama Large Millimeter Array), um sistema constituído por 66 antenas situado no deserto do Atacama, no Chile. Com impressionante resolução e riqueza de detalhes, essas imagens mostram discos protoplanetários ao redor de estrelas bem jovens.

“No caso do Sistema Solar, os dados de que dispomos sugerem que o disco protoplanetário fosse constituído por 99% de gás e 1% de poeira. Esta seria proveniente de estrelas mais antigas, que encerraram seu ciclo de vida e lançaram material pesado no espaço. A poeira que se acumulou ao redor do Sol foi suficiente para formar ao menos os pequenos corpos, os planetas terrestres e os núcleos dos grandes planetas gasosos. Os primeiros sólidos que se condensam no disco protoplanetário são chamados de CAIs (do inglês Calcium Aluminium rich-Inclusions). Como o próprio nome informa, eram ricos em cálcio e alumínio. Foram encontrados como inclusões em meteoritos. E suas idades mais antigas foram datadas em 4,568 bilhões de anos”, informa o pesquisador.

Diversas estrelas jovens, observadas em ambientes caracterizados como berços de formação planetária, foram datadas com idades variando entre 1 e 10 milhões de anos. Esse dado forneceu uma informação muito importante, porque mostrou que a formação de planetas gasosos (como Júpiter e Saturno) ou que possuam ao menos um envelope gasoso (como Urano e Netuno) deve ocorrer, no máximo, nos primeiros 10 milhões de anos de vida da estrela. Depois disso, os discos protoplanetários não possuem mais gás suficiente.

Planetas rochosos, de tipo terrestre, poderiam surgir antes ou depois – não se sabe. Mas outras informações disponíveis mostram que a formação da Terra e da Lua foi um dos eventos mais tardios na gênese do Sistema Solar, ocorrido por volta de 4,543 bilhões de anos atrás. Quanto aos pequenos corpos que compõem o sistema (planetas anões, satélites, cometas, asteroides, poeira, etc.), eles são resultados do resto da formação dos planetas e evoluíram física e dinamicamente antes e depois da fase de gás, por processos como interações com o gás, colisões, capturas gravitacionais e outros.

O processo de formação planetária é bastante complexo. Os estágios vão da poeira, com tamanhos da ordem do mícron (10−6 m), até planetas várias vezes maiores do que Júpiter. “A poeira se acumula por adesões e colisões dentro do disco protoplanetário. A atração gravitacional entre essas partículas não é relevante. Mas a atração gravitacional exercida pelo Sol faz com que o gás gire mais devagar do que a poeira. E isso produz um arrasto aerodinâmico muito forte sobre a poeira. A força de arrasto leva as partículas para o plano do disco de gás e as desloca radialmente em direção ao Sol. Quando a poeira alcança tamanhos da ordem de alguns centímetros, formam-se seixos, que fazem toda a diferença no processo de crescimento planetário, pois influenciam a velocidade de rotação do gás. Quando as velocidades do gás e dos seixos se igualam, o arrasto do gás torna-se praticamente nulo, o que oferece aos seixos a chance de se concentrarem o suficiente para originarem planetesimais – corpos com tamanhos variando de 10 a 1.000 quilômetros, que se tornam os blocos de construção dos planetas e os precursores dos pequenos corpos”, narra Ribeiro de Sousa.

No estágio seguinte, formam-se objetos cada vez maiores, por captura gravitacional de seixos e poeira ou por colisões. Quando um objeto cresce o suficiente para ter a massa de três a dez Terras, a perturbação gravitacional que produz no disco de gás faz com que ele migre para órbitas mais próximas da estrela. Quando cresce acima de dez Terras, passa a acumular ao seu redor um envelope de gás. E, a partir da acumulação do gás, seu crescimento torna-se muito rápido.

“A formação dos planetas gigantes Júpiter e Saturno produziu uma perturbação gravitacional tão grande que modelou o disco de gás e provocou um novo tipo de migração planetária. Essa fase violenta fez planetas colidirem e planetas serem ejetados para fora do Sistema Solar, até que o balanço gravitacional possibilitou que o sistema como um todo adquirisse certo grau de estabilidade”, conclui Ribeiro de Sousa.

O estudo recém-divulgado contou com financiamento da Fapesp por meio de Bolsa de Doutorado e de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior concedidas a Ribeiro de Sousa. E também recebeu apoio por meio do Projeto Temático “A relevância dos pequenos corpos em dinâmica orbital”.

O artigo Dynamical origin of the Dwarf Planet Ceres pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0019103522000549?dgcid=author#!.
Revista Planeta

terça-feira, 5 de maio de 2020

A misteriosa composição do primeiro cometa 'alienígena' detectado em nosso sistema solar


Paul Rincon
BBC News

Direito de imagemNRAO/AUI/NSF, S. DAGNELLOImage caption
O cometa interestelar 21/Borisov foi detectado em nosso sistema solar no ano passado

O primeiro cometa identificado como visitante de outro sistema estelar tem uma composição incomum, de acordo com pesquisas recentes.

O cometa interestelar 21/Borisov foi detectado em nosso Sistema Solar no ano passado. O visitante misterioso das profundezas do espaço deu aos cientistas uma oportunidade sem precedentes de compará-lo com outros cometas que se formaram ao redor do Sol.

Os novos dados sugerem que ele contém grandes quantidades de monóxido de carbono, uma possível pista de onde ele "nasceu".

As descobertas aparecem em dois estudos científicos independentes publicados pelo site especializado Nature Astronomy.

Em um dos estudos, uma equipe internacional, liderada por Martin Cordiner e Stefanie Milam, do Goddard Space Flight Center, da Nasa, apontou o radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma) em direção ao cometa nos dias 15 e 16 de dezembro de 2019.


O Alma é composto por 66 antenas posicionadas no topo de uma montanha no deserto do Atacama, no Chile, que permitem observar o espaço por meio de comprimentos de onda submilimétricos.

Direito de imagemESO / C MALINImage caption
Algumas das observações foram feitas usando o Alma, um radiotelescópio que fica no deserto do Atacama, no Chile

No outro estudo, Dennis Bodewits, da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, e seus colegas coletaram observações ultravioletas de 21/Borisov usando o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório Neil Gehrels Swift.

'Radicalmente diferente'

Os cometas são feitos de gás, gelo e poeira e se formam no disco rotativo de matéria (disco protoplanetário) que orbita em torno de uma estrela, e onde costuma surgir planetas, asteroides e outros corpos celestes.

Eles podem semear novos mundos com os elementos químicos essenciais à vida e podem ter trazido água para a Terra quando ela ainda era muito jovem.

As equipes científicas identificaram duas moléculas no gás liberado pelo 21/Borisov: cianeto de hidrogênio (HCN) e monóxido de carbono (CO).

O HCN está presente em quantidades semelhantes em outros cometas encontrados no Sistema Solar.

No entanto, os cientistas ficaram surpresos ao ver grandes quantidades de CO. Os pesquisadores que usaram o Alma para suas observações estimam que a concentração de CO no 21/Borisov é de 9 a 26 vezes maior que a de um cometa comum em nosso sistema solar.

Direito de imagemALMA / NRAO / AUI / NSF /Image caption
Os cientistas encontraram uma concentração de monóxido de carbono incomum no 21/Borisov

"É a primeira vez que observamos o interior de um cometa vindo de fora do nosso Sistema Solar", disse Cordiner, "e é radicalmente diferente da maioria dos cometas que vimos anteriormente".

Ye Quanzhi, astrônomo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, disse que esses achados são "importantes e surpreendentes".

"Aprendemos nos últimos dois meses que Borisov é semelhante aos cometas 'dinamicamente novos' em nosso Sistema Solar (ou seja, os cometas que se formaram nas extremidades do Sistema Solar e tendem a ter uma maior concentração de CO), portanto, espera-se uma certa abundância de CO, mas níveis tão altos de CO (pelo menos o dobro da quantidade de um cometa típico no Sistema Solar) são muito surpreendentes - pelo menos para mim", disse à BBC o pesquisador, que não participou dos estudos.

"É bom ver que diferentes equipes de astrônomos que trabalham com diferentes comprimentos de onda podem confirmar mutuamente os resultados uns dos outros", acrescentou.
Origem distante

O monóxido de carbono é comum no espaço e é encontrado na maioria dos cometas. Mas, por razões que não são claras, há uma imensa variação na concentração de CO nesses corpos congelados.

Isso pode estar em parte relacionado com onde o cometa se formou dentro de um sistema estelar. Também poderia estar ligado à frequência com que a órbita do cometa o aproxima de sua estrela e o leva a emitir gases que evaporam mais facilmente do gelo.

Direito de imagemESO/M. KORNMESSERImage caption
Oumuamua, detectado em 2017, foi o primeiro visitante de fora do nosso Sistema Solar identificado por nós

No entanto, Cordiner afirmou que "se os gases que observamos refletem a composição do local de nascimento de 21/Borisov, isso indica que ele poderia ter se formado, diferentemente dos cometas em nosso próprio Sistema Solar, em uma região extremamente fria e periférica de um sistema planetário distante".

Milam acrescentou que "o cometa deve ter se formado a partir de material muito rico em CO congelado, que está presente apenas nas temperaturas mais baixas encontradas no espaço, abaixo de -250 °C".

Cordiner destacou que o Alma já havia observado discos de poeira e gás - do que os planetas são feitos - ao redor de jovens estrelas de baixa massa semelhantes ao Sol.

"Muitos desses discos se estendem para além da região onde se acredita que nossos cometas se formam e contêm grandes quantidades de gás e poeira extremamente frios. É possível que 21/Borisov tenha vindo de um desses grandes discos."
Outra teoria

Mas Bodewits ofereceu uma interpretação diferente, ao argumentar que o cometa pode ter se originado em torno de uma estrela anã vermelha, o tipo mais comum na galáxia da Via Láctea.

"Essas estrelas têm exatamente as baixas temperaturas e luminosidades em que um cometa pode se formar com a composição encontrada no cometa 21/Borisov", explicou.

Com base em sua alta velocidade (33 km/s), os astrônomos suspeitam que o 21/Borisov foi lançado para fora de seu sistema-natal após um encontro próximo com um planeta gigante ou uma estrela.

Depois, passou milhões ou bilhões de anos em uma viagem solitária pelo espaço interestelar até que foi descoberto, em 30 de agosto de 2019, pelo astrônomo amador Gennady Borisov.

Direito de imagemNASAImage caption
A outra equipe de cientistas estudou as ondas ultravioletas do cometa com o telescópio espacial Hubble

Os astrônomos continuam estudando o visitante, e observações recentes do comportamento do cometa indicaram que ele estava se fragmentando.

"Acho que Borisov se dividiu em duas partes, o Hubble observou o cometa em duas ocasiões diferentes e, em ambas, foi detectada a separação", disse Ye Quanzhi.

"Nossa observação foi feita alguns dias após a descoberta inicial e parecia mostrar uma evolução deste evento, e um dos fragmentos parece ter sido reduzido a uma massa amorfa de poeira."

O 21/Borisov é apenas o segundo corpo interestelar já detectado em nosso Sistema Solar.

O primeiro, conhecido como Oumuamua, foi descoberto em outubro de 2017, quando já estava saindo rapidamente de nossa região cósmica.

Embora tenha sido inicialmente chamado de cometa, não deu sinais das emissões de gás e poeira característicos desses objetos (que foram observados no 21/Borisov).

Um estudo publicado no início deste mês na Nature Astronomy sugeriu que Oumuamua, que tem a forma de um charuto, poderia ser a lasca arrancada de um planeta pela gravidade de sua estrela-mãe.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Astrônomos detetaram vapor de água num planeta potencialmente habitável



O fenômeno agora descoberto pode parecer “insignificante”, até porque a água é comum no universo. Contudo, detetar este elemento a 110 anos-luz pode ser um passo muito importante. Nesse sentido, astrônomos encontraram vapor de água no exoplaneta K2-18 b, numa zona habitável da sua estrela.

A descoberta foi levada a cabo por duas equipes e publicada no repositório de artigos científicos Nature Astronomy.



Exoplanetas podem ter vida

Com mais de 4000 exoplanetas pode parecer que estamos prestes a descobrir se estamos sozinhos no universo. No entanto, infelizmente, não sabemos muito sobre esses planetas – na maioria dos casos apenas temos uma ideia da sua massa e do seu raio. Assim, entender se um planeta pode hospedar vida requer muito mais informação.

No momento, uma informação extremamente importante que está a faltar é a presença, composição e estrutura das suas atmosferas. Sinais de água atmosférica, oxigénio e metano seriam sinais de que um planeta pode suportar vida. Agora, pela primeira vez, conseguiu-se detetar o vapor de água na atmosfera de um exoplaneta potencialmente habitável.


Como se consegue perceber se há vapor de água no planeta tão distante?

A atmosfera de um planeta desempenha um papel vital em moldar as condições dentro dele ou na sua superfície. Dessa forma, a sua composição, estabilidade e estrutura fornecem pistas importantes sobre como é estar lá. Assim, é através de estudos atmosféricos que se consegue aprender sobre a história do planeta. Posteriormente, é possível investigar a sua habitabilidade e, em última análise, descobrir sinais de vida.

O principal método que é utilizado ao examinarmos exoplanetas é a espectroscopia de trânsito. Por outras palavras, é uma técnica que os astrónomos usam que envolve olhar para a luz das estrelas à medida que um planeta passa em frente à sua estrela hospedeira.

Conforme ela transita, a luz estelar é filtrada através da atmosfera do planeta – com a luz a ser absorvida ou desviada com base em quais compostos a atmosfera consiste.

Portanto, a atmosfera deixa uma pegada característica na luz estelar que tentamos observar. Uma análise mais aprofundada pode, então, ajudar a combinar essa pegada com elementos e moléculas conhecidas, como água ou metano.


K2-18 b, que orbita uma estrela anã-vermelha, foi descoberto em 2015

Surpreendentemente, assinaturas moleculares de água foram encontradas nas atmosferas de planetas gasosos, semelhantes a Júpiter ou Neptuno. Nunca antes foi visto em planetas menores, até agora.

O K2-18 b foi descoberto em 2015, e encontra-se a 34 parsec da Terra — qualquer coisa como mil biliões de quilómetros. Este é apenas um entre centenas de planetas “super-terras”. Esta classificação é para planetas com uma massa entre a Terra e Neptuno encontrados pelo Kepler da NASA. No entanto, o K2-18 b é um planeta com oito vezes a massa da Terra que orbita uma estrela “anã vermelha”, que é muito mais fria que o sol.

Apesar disso, o K2-18 b está localizado na “zona habitável” da sua estrela. Quer isso dizer que tem a temperatura certa para suportar água líquida. Dada a sua massa e raio, o K2-18 b não é um planeta gasoso, mas tem uma alta probabilidade de ter uma superfície rochosa.

Além disso, o planeta está a “apenas” 21 milhões de quilómetros da sua estrela e tem uma temperatura estimada entre -73,15 e 46,85 graus Celsius.


Mas o que é necessário para um planeta acolher vida?

Para que um exoplaneta seja definido como habitável, existe uma longa lista de requisitos que precisam ser satisfeitos. Um deles é que o planeta precisa estar na zona habitável onde a água pode existir na forma líquida. É também necessário que o planeta tenha uma atmosfera para proteger o planeta de qualquer radiação nociva proveniente da sua estrela hospedeira.

Outro elemento importante é a presença de água, vital para a vida tal como a conhecemos. Embora existam muitos outros critérios para a habitabilidade, como a presença de oxigénio na atmosfera, a nova investigação fez do K2-18 b o melhor candidato até à data. É o único exoplaneta que cumpre três requisitos de habitabilidade: as temperaturas certas, uma atmosfera e a presença de água.

No entanto, não se pode dizer, com dados atuais, de que forma o planeta tem probabilidade de sustentar a vida. Os dados são limitados a uma área do espectro – isto mostra como a luz é partida pelo comprimento de onda – onde a água domina. Nesse sentido, não é possível determinar a existência de outras moléculas.


O primeiro de muitos?

Com a próxima geração de telescópios, como o Telescópio Espacial James Webb e a missão espacial ARIEL, serão dados passos muito importantes. Com este nível tecnológico será possível determinar a composição química, cobertura de nuvens e estrutura da atmosfera do K2-18 b.

Estas missões também podem facilitar a realização de deteções semelhantes para outros corpos rochosos nas zonas habitáveis das suas estrelas-mãe. Com o K2-18 b a 110 anos-luz de distância, não é realmente um planeta que poderíamos visitar – mesmo com pequenas sondas robóticas – no futuro previsível.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

''Há vida em Marte'', afirma cientista, provocando polêmica; veja fotos


Afirmação é de William Romoser, professor emérito da Universidade de Ohio (EUA). Colegas, porém, questionam suas conclusões




(foto: William Romoser/Divulgação)

"Já houve e ainda há vida em Marte." A frase que tem causado polêmica entre os cientistas que buscam por vida alienígena é de William Romoser, professor emérito da Universidade de Ohio (EUA), que, nesta semana, apresentou um estudo no qual apresenta fotografias do que seriam insetos e répteis que viveriam até hoje no solo marciano.

O grande problema — e causa da controvérsia — do estudo de Romoser se deve ao fato de suas conclusões serem baseadas em fotografias de baixa qualidade tiradas do solo marciano por rovers enviados ao Planeta Vermelho pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos.

Após analisar uma série dessas fotografias, Romoser, que é especialista em entomologia (estudo dos insetos), percebeu várias figuras que, segundo ele são de insetos e répteis que vivem ou já viveram e foram fossilizados em Marte (veja galeria de fotos abaixo).








(foto: William Romoser/Divulgação )


"Existe uma aparente diversidade na fauna formada por seres que mostram muitas características parecidas a de insetos que existem na Terra, como presença de asas flexíveis e pernas divididas em vários segmentos", afirmou Romoser, que apresentou suas conclusões em um congresso da Sociedade Entomológica da América, na última terça-feira (19/11).

Colega questiona conclusõesO estudo do professor, no entanto, foi recebido com reserva por outros especialistas. Em entrevista ao site Space.com, David Maddison, professor do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Oregon, disse não acreditar que existam insetos em Marte. Mesmo após analisar as fotos apresentadas por Romoser.

Para ele, o estudo polêmico é um caso de pareidolia, um fenômeno psicológico que leva as pessoas a enxergar formas conhecidas em cenários aleatórios (como descobrir uma nuvem com a aparência de uma animal). 

"Eu mesmo tenho pareidolia em relação a insetos os tempo todo, porque trabalhei com besouros minha vida toda. As fotografias são muito pouco convincentes. É muito mais provável que as formas vistas ali sejam simplesmente pedras", afirmou ao site.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Humanos jamais vão migrar para outros planetas, diz Nobel de Física


Laureado nesta semana, físico suíço declarou que humanidade não deve considerar ideia de colonizar outros mundos como plano B caso a Terra seja arruinada.
A. J. Oliveira

(gremlin/Getty Images)


Michel Mayor acaba de ser reconhecido com um Nobel graças aos trabalhos realizados em 1995 que culminaram na descoberta do primeiro planeta em outro sistema solar (um exoplaneta). Utilizando instrumentos feitos sob medida em seu observatório no sul da França, ele e seu aluno de doutorado Didier Queloz deram início a um campo de estudos que já revelou mais de 4 mil exoplanetas — que provavelmente ficarão para sempre fora de nosso alcance migratório.

Foi o que Mayor declarou esta semana, logo após aceitar as láureas. Ele disse que os humanos precisam abandonar a perspectiva de se mudar para outro planeta no caso de a vida se tornar impossível na Terra. “É completamente louco”, afirmou a AFP o astrônomo suíço de 77 anos, então professor da Universidade de Genebra. De lá para cá, os milhares de exoplanetas descobertos marcaram uma revolução na astronomia moderna.

Junto de seu colega Queloz, Mayor trouxe para o universo da astrofísica um estudo antes restrito às discussões dos filósofos: a possível existência de outros mundos no universo. Mas o cientista faz questão de deixar claro que pesquisa teórica é uma coisa, já o sonho de colonização, é outra. “Se estamos falando sobre exoplanetas, sejamos claros: não vamos migrar para lá.”

Na entrevista, o laureado frisou a importância de repensar o discurso de que podemos conviver com a alternativa de juntar as tralhas e partir de vez para outro sistema planetário, no caso de as coisas derem errado aqui na Terra. “Estamos falando de uma viagem centenas de milhões de dias usando os meios disponíveis hoje. Devemos cuidar de nosso planeta, que é bonito e continua absolutamente vivível”, disse. Vai ao contrário de certas visões bem atuais.

Tem ganhado popularidade o argumento de que devemos nos tornar uma civilização multiplanetária se quisermos sobreviver no longo prazo. Antes de morrer, em 2017, Stephen Hawking ressaltou a urgência de colonizarmos a Lua ou Marte em um período de 100 anos para evitar potenciais ameaças fatais para a civilização, como as mudanças climáticas, os asteroides, possíveis epidemias e o excesso de população. Elon Musk também reforça isso.


Sua empresa SpaceX atua com o objetivo maior de viabilizar a colonização humana em Marte, com o intuito maior de tornar a vida multiplanetária e evitar a extinção. Mas o fato é que não dispomos hoje da tecnologia necessária para desenvolver uma grande civilização em outros mundos quiçá no Sistema Solar, que dirá em estrelas distantes. E os métodos de propulsão disponíveis atualmente são muito lerdos para percorrer distâncias interestelares.

Há propostas teóricas para contornar o problema, como as naves geracionais: grandes “cruzeiros” em que só os descendentes distantes dos ancestrais que partiram alcançam o destino final. Mas são projetos ainda muito abstratos e mais restritos ao domínio da ficção científica. Vale salientar que Mayor não se refere aos planetas do Sistema Solar.

Em tese, o que ele rechaçou foram as ambições de habitar um eventual planeta habitável localizado nas redondezas da nossa galáxia, a algumas dezenas de anos-luz da Terra. Não especificamente sobre os planos de instituir colônias ou terraformar planetas menos amigáveis na vizinhança. Mais do que diminuir a importância de ir além da Terra, a intenção de Mayor era enaltecer a urgência de cuidar melhor do nosso planeta — o único no Universo que podemos chamar de casa.
Revista Superinteressante

sábado, 26 de outubro de 2019

Pesquisadores apontam a existência de outras ''Terras'' no Universo


Com um método inédito, pesquisadores da Califórnia identificam a composição química de planetas rochosos de outros sistemas planetares. O resultado do estudo mostra que eles têm núcleo e atmosfera muito semelhantes à terrestre, abrindo possibilidade de vida

 Paloma Oliveto



Na concepção artística, material remanescente de corpos rochosos é atraído pelo forte campo gravitacional da anã branca(foto: University of California, Los Angeles/Mark A)A descoberta de planetas fora do Sistema Solar — algo que rendeu o Nobel de Física deste ano aos cientistas James Peebles, Michal Meyor e Didier Queloz — abriu uma nova perspectiva na busca por vida além da Terra. Porém, para abrigá-la, é preciso uma combinação de características geoquímicas até então não detectadas em nenhum outro mundo. Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) afirmam, na revista Science, que exoplanetas com composição semelhantes à terrestre podem ser bem mais comuns que o imaginado.

Para buscar algo que se pareça com a vida como se conhece, os cientistas precisam voltar suas atenções a planetas rochosos, como a Terra. “No Universo, há uma quantidade enorme deles”, lembra o coautor do artigo Edward Young, professor de geoquímica e cosmoquímica da Ucla. A avaliação da composição de alguns desses mundos foi possível graças a um método desenvolvido por uma aluna da universidade, Alexandra Doyle, que se valeu de fragmentos de rochosos que orbitavam seis estrelas anãs brancas que colidiram com elas em algum momento.

Anãs brancas são estrelas com massa semelhante à do Sol, embora sejam pouco maiores que a Terra. Esse tipo de “sol” é remanescente de gigantes que explodiram em supernovas e tem um campo gravitacional muito forte, fazendo com que elementos pesados, como carbono, nitrogênio e oxigênio, sejam “sugados” para seu interior, impedindo que telescópios os detectem. A mais próxima da Terra estudada por Alexandra Doyle fica a cerca de 200 anos-luz, e a mais distante, a 665 anos-luz de distância
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A estudante explica que a maioria dos materiais rochosos no Sistema Solar têm um alto grau de oxidação, algo chamado de fugacidade de oxigênio (fO2), que reflete condições dos primeiros estágios da formação protoplanetária dos rochosos ao redor do Sol. As propriedades químicas e geofísicas de um planeta, incluindo a composição de qualquer atmosfera produzida por ele, são influenciadas pelo fenômeno. Ela diz que, quando o ferro é oxidado, ele compartilha seus elétrons com o oxigênio, formando uma ligação química entre eles. A oxidação é o que se vê quando um metal fica enferrujado.


Sinais “enterrados”Como, até agora, não é possível analisar a geoquímica de exoplanetas — o que deverá ser feito em breve pelo supertelescópio James Webber, com lançamento previsto para 2021 —, a equipe da Ucla se valeu de observações com espectrômetro, equipamento que mede a composição química de corpos celestes, das anãs brancas. Não era nelas que os cientistas estavam interessados, mas, sim, nos remanescentes dos rochosos que se chocaram com elas, deixando as próprias propriedades “enterradas” nas estrelas, incluindo elementos pesados, como magnésio, ferro e oxigênio. “O oxigênio rouba elétrons do ferro, produzindo óxido de ferro em vez de ferro. Medimos a quantidade de ferro oxidado nessas rochas que atingem a anã branca”, explica a líder do estudo.

Os resultados indicaram a composição dos exoplanetas — não só das atmosferas, mas dos interiores. Os corpos rochosos que orbitaram as anãs brancas antes de se chocarem contra elas apresentavam fugacidade de oxigênio alta, semelhante ao que ocorre na Terra, em Marte e em asteroides do Sistema Solar. “Observando essas anãs brancas e os elementos presentes em sua atmosfera, observamos os elementos que estão nos corpos que orbitam essas estrelas”, diz Alexandra Doyle. “Observar uma anã branca é como fazer uma autópsia no conteúdo do que ela devorou em seu sistema estelar”, compara.

Os dados analisados por Doyle foram coletados por telescópios, principalmente do W.M. Observatório Keck, no Havaí. “Se eu olhasse apenas para uma estrela anã branca, esperaria ver hidrogênio e hélio. Mas, nesses dados, também vejo outros elementos, como silício, magnésio, carbono e oxigênio, materiais que se acumularam nas anãs brancas de corpos que estavam em sua órbita”, diz.

Desvendar a geoquímica de um exoplaneta conta muito sobre ele, observa a professora de ciências planetárias Hilke Schlichting, coautora do artigo. “Se as rochas extraterrestres têm uma quantidade semelhante de oxidação que a Terra, então você pode concluir que o planeta tem placas tectônicas e potencial semelhante para abrigar campos magnéticos como os da Terra, que se acredita serem os principais ingredientes para a vida”, diz. “Esse estudo dá um salto, ao nos permitir fazer tantas inferências sobre corpos fora do nosso Sistema Solar, e indica que é muito provável que haja realmente análogos da Terra no Universo.”
Correio Brasiliense

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Saturno se torna o planeta com mais luas em órbita; são 82 agora


A novidade foi descoberta pelo Minor Planet Center ao usar algoritmos para comparar imagens de uma década, tiradas em série, que distinguiam estrelas estacionárias, luas e galáxias ao redor de Saturno




Saturno é o planeta com mais luas do sistema solar(foto: Divulgação/ Nasa)Júpiter perdeu o posto de planeta com maior número de luas em órbita. De acordo com a União Astronômica Mundial, o número de luas que orbitam Saturno chegou a 82, superior às 79 do planeta jupteriano. 


A novidade foi anunciada pelo Minor Planet Center ao usar algoritmos para comparar imagens de uma década, tiradas em série, que distinguiam estrelas estacionárias, luas e galáxias ao redor de Saturno. 


Desde a criação do sistema solar, grandes quantidades de gás e poeira orbitam o Sol e, assim, se fundiram aos oito planetas conhecidos. À vista disso, astrônomos acreditam que, no caso de Saturno, asteroides e cometas próximos foram capturados pela gravidade do planeta e o circulam desde então.


Segundo Scott Sheppard, astrônomo da Carnegie Institution for Science, em entrevista ao The Guardian, a maior parte das luas externas que circundam Saturno estão em órbita retrógrada, o que significa que orbitam o planeta para trás e, por isso, podem pertencido a uma lua-mãe muito maior que se separou há bilhões de anos.


"Esse tipo de agrupamento de luas externas também é visto em torno de Júpiter, indicando colisões violentas ocorridas entre luas no sistema saturniano ou com objetos externos, como asteróides ou cometas", contou Sheppard ao jornal The Guardian.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

De chuva de diamantes a megafuracões, os extremos do clima em outros planetas



Direito de imagemNASA/GETTY PICTURESImage caption
Podemos reclamar do clima, mas no espaço as condições podem ser extremas

Muitas vezes reclamamos do clima, principalmente quando eventos extremos se tornam cada vez mais comuns aqui na Terra.

E se passássemos nossas férias lutando com ventos que chegam a 8.000 km/h ou temperaturas quentes o suficiente para derreter o chumbo?

O clima, bom ou ruim, é um elemento permanente em nosso planeta - mas lá fora, nas profundezas do espaço, pode ser ainda mais intenso. Aqui estão alguns exemplos:
Vênus infernal

Vamos começar perto de casa, com nosso vizinho Vênus, o lugar mais inóspito do sistema solar.

Basicamente, Vênus é um buraco apocalíptico. Lar de uma atmosfera densa, composta principalmente de dióxido de carbono, a pressão atmosférica em Vênus é 90 vezes maior que a da Terra.

Essa atmosfera retém grande parte da radiação solar, o que significa que as temperaturas em Vênus podem chegar a 460° C - você seria esmagado e fervido em segundos se colocasse os pés ali.

Mas se isso não parecer doloroso o suficiente, a chuva em Vênus é composta de ácido sulfúrico extremamente corrosivo, que queimaria gravemente a pele ou o traje espacial de qualquer viajante interestelar, caso chegasse à superfície.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage caption
Temperaturas extremamente quentes ou congelantes em outros planetas podem tornar a vida insuportável

Devido às temperaturas extremas do planeta, essa chuva evapora antes de tocar o solo.

Ainda mais bizarro: há "neve" em Vênus. Não é do tipo com a qual você poderia fazer guerra de bolas de neve: esse material é composto dos restos de basalto e geada de metais vaporizados por sua atmosfera.
Netuno turbulento

Por outro lado, temos os planetas gigantes de gás, Urano e Netuno.

Este último, nosso planeta mais distante, abriga nuvens congeladas de metano e os ventos mais violentos do sistema solar.

Por causa da topografia do planeta, que é bastante plana, não há nada para diminuir a velocidade desses ventos supersônicos de metano, que podem atingir velocidades de até 2.400 km/ h.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage caption
Netuno congela nuvens de metano e os ventos mais violentos do sistema solar

Além de poder ouvir a barreira do som quebrando, uma visita aqui também incluiria chuva de diamantes, graças ao carbono na atmosfera sendo comprimido.

Mas você não precisaria se preocupar em ser atingido por uma pedra caindo, pois já teria sido congelado instantaneamente - a temperatura média é de -200° C.
Planetas fora do sistema solar

Os exoplanetas estão localizados fora do nosso sistema solar e orbitam em torno de um sol.

Tom Louden, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Warwick, no Reino Unido, é uma espécie de meteorologista intergaláctico. Seu trabalho é descobrir quais são as condições atmosféricas em outros planetas.

Sua especialidade são exoplanetas, particularmente um batizado de HD 189733b.

Arte do planeta extra-solar HD 189733b do tamanho de Júpiter sendo eclipsado por sua estrela-mãe
Direito de imagemGETTY IMAGESImage caption
O HD189733b, eclipsado por sua estrela, é candidato a ter o clima mais extremo conhecido em qualquer planeta

Este mundo azul profundo a 63 anos-luz de distância é um bom candidato para hospedar o clima mais extremo conhecido em outro planeta.

Pode parecer bonito, mas suas condições climáticas são cataclismaticamente terríveis.

Com ventos de 8.000 km/ h (os mais fortes registrados na Terra têm pouco mais de 400 km/ h), também é 20 vezes mais próximo do sol do que nós, com temperatura atmosférica de 1.600 ° C - a mesma de lava derretida.

"As rochas do nosso planeta seriam vaporizadas em líquido ou gás aqui", diz Louden. E também chove vidro derretido. Lateralmente.
Há algum lugar habitável por aí?

Louden diz que existem planetas semelhantes em tamanho e massa à Terra que orbita estrelas anãs M menores, ou "anã vermelha".

Essas são as estrelas mais comuns da Via Láctea, mas se escondem nas sombras, muito escuras para serem vistas a olho nu da Terra.

Paisagem de planeta semelhante à Terra 
Direito de imagemGETTY IMAGESImage caption
Existem planetas semelhantes em tamanho e massa à Terra que orbitam estrelas menores de "anã vermelha"

Se esses planetas são habitáveis ​​ou não é outra questão.

Muitos desses exoplanetas estão de fato na "zona Cachinhos Dourados", que não é nem muito próxima nem muito longe do Sol. Infelizmente, é provável que muitos também estejam "ordenadamente travados" em sua estrela.

Isso significa que eles sempre têm o mesmo lado voltado para o objeto em que estão orbitando - assim como o mesmo lado da Lua sempre é virado para a Terra.

Por esse motivo, você terá um lado com luz do dia permanente e o outro, noite perpétua.

"Quando você cria modelos de computador, há ventos fortes se movendo do dia para o lado escuro", diz Louden.

"Isso é uma consequência do efeito de travamento das marés. Um lado do planeta fica muito mais quente que o outro, então ventos fortes são uma conseqüência quando o planeta tenta redistribuir o calor", diz ele.

"Qualquer água líquida do lado do dia evapora em nuvens, que são sopradas para o lado noturno, onde congelam e nevam. Você tem um lado que é deserto e outro que é ártico."

Arte representa um furacão se movendo sobre um deserto de areia
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Modelos de computador mostram fortes ventos com força semelhante à de um furacão, movendo-se de um lado para o outro em exoplanetas

Mas Louden diz que essas são apenas previsões de modelos e outros especialistas estão mais otimistas sobre a vida em exoplanetas que sofrem influência da maré.

Ingo Waldmann, professor de planetas extrasolares da UCL, disse à BBC News que, se existir uma atmosfera espessa o suficiente, a circulação do dia para a noite deve ser suficiente para impedir que a noite fique totalmente congelada.

Outros modelos sugerem que a água que evapora no ponto mais quente do dia se condensará em nuvens e formará uma cobertura permanente de nuvens no lado do dia.

Essas nuvens poderiam refletir o suficiente da radiação da estrela de volta ao espaço para diminuir a temperatura do planeta e tornar habitáveis ​​partes do dia.

Então, até encontrarmos condições habitáveis ​​fora do planeta Terra, realmente não haverá lugar como nosso lar.

Este texto foi adaptado de um artigo da BBC Earth por Jason Riley
BBC Brasil

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