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domingo, 23 de março de 2025

Groelândia



maior ilha do mundo tem apenas 56.900 habitantes e uma paisagem coberta de gelo durante quase todo o ano. Localizada próximo ao Ártico, a Groenlândia possui 2.166.086 km² e já foi uma colônia da Dinamarca, como informa o Ministério de Assuntos Exteriores dinamarquês em seu site oficial.

Esse ponto ermo e pouco habitado do planeta está no Oceano Atlântico, em sua parte norte, e possui um delicado e rico ecossistema formado por baleias e focas em seus mares; ursos polares em terra e uma vegetação majoritariamente de tundrasalém de glaciares imensos. Por isso mesmo, a Groenlândia pode ser bastante afetada pelas mudanças climáticas e o consequente derretimento das geleiras

Para conhecer melhor esse território bastante peculiar, National Geographic selecionou cinco fatos curiosos sobre a Groenlândia. Descubra, por exemplo, porque o local não é considerado um país e sua estreita ligação com a Europa, apesar de estar geograficamente mais próximo à América do Norte

Nat Geo

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Notícias Geografia Hoje

Descoberto lago subglacial sob camada de gelo da Groenlândia
Cientistas ficam surpresos com acúmulo de água sob o manto glacial

NASA/USGS
Em uma descoberta fortuita, uma equipe de cientistas descobriu um lago no fundo do gelo onde a água de degelo relativamente quente se acumula e deixa o gelo ao redor mais “mole”, menos compacto. Em última análise, isso poderia fazer com que o gelo flua mais rapidamente para o oceano.

Andrea Thompson e Climate Central

Em um dia claro, qualquer pessoa que esteja sobrevoando a Groenlândia na rota entre a América do Norte e a Europa pode olhar para baixo e ver as brilhantes manchas azuis de água derretida sobre a imensa e ofuscante expansão branca da camada de gelo que cobre a ilha, a segunda maior massa de gelo da Terra.

Cientistas sabem há muito tempo que essa água de degelo flui em riachos ao longo da superfície congelada antes de desaparecer por fendas e fissuras que a levam ao fundo desse manto gelado, onde o gelo pressiona e se fricciona contra o leito de rocha estratificada.

Até recentemente acreditava-se que a água fluía rapidamente entre gelo e rocha e escoava no mar, com pouco impacto sobre as camadas inferiores de gelo. Mas um novo estudo, divulgado na edição de 22 de janeiro do periódico científico Nature, sugere que a história não é tão simples assim.

Em uma descoberta fortuita, uma equipe de cientistas localizou um lago subglacial abaixo do manto de gelo, onde a água relativamente quente do degelo superficial se acumula, tornando o gelo ao seu redor mais mole, menos denso e semiderretido.

E isso poderia levá-lo a fluir mais rapidamente para o oceano.

A descoberta detalhada na Nature sugere que esse processo poderia ser importante para modelar com maior precisão como a Groenlândia reagirá a mudanças climáticas e como contribuirá ainda mais para o aumento do nível global do mar, que já subiu20,3 cm desde 1900.

A Groenlândia tem gelo suficiente para elevar os níveis marítimos globais em algo em torno de7,3 metros.

Quanto gelo e com que velocidade ele derrete pode influir significativamente nas projeções de futuros aumentos dos níveis marinhos que, de acordo com estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) podem oscilar entre25,4 cme81,3 cmaté 2100. Isso inclui água de degelo de glaciares groenlandeses.

“Que diabos é isso?”

Como ocorre tantas vezes em ciência, Mike Willis não estava procurando por aquilo que acabou descobrindo.

O glaciólogo examinava dados de satélites e GPS para verificar que pequenos efeitos locais poderiam estar turvando medições de satélites sobre mudanças mais pronunciadas na gravidade da Terra decorrentes da perda de gelo.

O que ele não esperava encontrar era um buraco de aproximadamente 6,82 km2, ou duas vezes a área do Central Park,em Nova York, em uma pequena calota de gelo nos confins setentrionais da Groenlândia.

“Que diabos é isso?”, pensou quando viu aquilo.

Willis achou impossível que pudesse ser a primeira pessoa a detectar a imensa cratera. “Certamente alguém já havia notado um buraco tão gigantesco no norte da Groenlândia antes”, avaliou, mas não havia registros de nada.

Ao tentarem adivinhar o que poderia ser aquilo, ele e seus colegas descartaram que fosse uma cratera de impacto de um meteorito, um vulcão, ou, como gracejaram, o covil subglacial do vilão das telas Dr. Evil.

Por fim, “a coisa que mais se adequava era que fosse um lago subglacial”, conta ele.

Esses tipos de corpos de água se acumulam no fundo de uma camada de gelo ou de um glaciar, e já se sabia que havia vários deles espalhados sob partes da Antártida. Mas até então nenhum havia sido encontrado na Groenlândia.

Willis examinou dados de satélites remontando até a década de 70, mas não conseguiu encontrar qualquer sinal do buraco até 2006.

Àquela altura, as águas superficiais na área fluíam em uma direção inesperada, desaparecendo por um moulin, ou “moinho glacial”, um poço vertical, ou quase vertical, de abertura circular em uma geleira, por onde escorre água da superfície, justamente no local que analisava.

Esse padrão de fluxo se repetia periodicamente, de poucos em poucos anos e, em 2011, “Bum! Um enorme buraco apareceu no lugar por onde a água desaparecia”, relembra o glaciólogo.

Willis, que detém duas posições acadêmicas, uma na Cornell University e outra na University of North Carolina, e seus colegas determinaram que a água de degelo estava sendo coletada em um lago subglacial abaixo da cavidade; ou mais especificamente, uma depressão na superfície da calota de gelo (no formato de uma luva fechada, só com o dedo polegar).

Aquela água ia se acumulando até exceder o espaço e tudo transbordar, forçando-a a fluir rapidamente para o mar. E isso fazia com que o gelo acima despencasse pelo buraco.

“O lago subglacial se desfez e a superfície do gelo acima implodiu para preencher aquele espaço”, resumiu Willis.

Desde então, observações remotas vêm mostrando que a depressão superficial está se erguendo, em parte devido ao refluxo da água derretida para o lago, o que está forçando o gelo para cima.

O grande derretimento que atingiu toda a extensão da camada de gelo groenlandesa durante o calor recorde do verão boreal de 2012, fez com que tanta água escoasse para baixo, que a superfície congelada foi “subindo explosivamente”, chegando a se elevar40 centímetrospor dia, informa o coautor do estudo Robin Bell, um pesquisador climático no Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Columbia University.

“Eles [os pesquisadores] mostram claramente que... que o derretimento superficial deve ter contribuído para a rápida elevação, para o reabastecimento do lago subglacial”, opinou Joe MacGregor, um glaciólogo da University of Texas, que não esteve envolvido na pesquisa. “Ninguém mostrou isso antes”.

Gelo “mais mole”

A descoberta de Willis sugere que a água de degelo que escoa para baixo da camada superficial do manto gelado não tem apenas um “encontro fugaz” com a base do gelo. Em vez disso, “ela faz uma pausa no lago subglacial em sua corrida para o oceano”, explicou Bell.

Como essa água foi aquecida por raios solares e pela atmosfera comparativamente cálida, ela é muito mais quente que o gelo basal. E a pausa no lago subglacial significa que ela tem tempo para transferir calor para o gelo, deixando-o “mais mole”, menos compacto, de acordo com Bell.

“E gelo mais mole fluirá mais rapidamente em longo prazo”, resumiu Willis.

Outra conclusão recente de Bell, a de que recongelar água de degelo pode deformar o fundo da camada de gelo, combina com o novo estudo para mostrar que “há uma gama mais rica de processos que podem ocorrer no fundo, ou na parte inferior da camada de gelo, do que acreditávamos”, admitiu Bell.

Consequentemente, cientistas precisam avançar mais em suas pesquisas para entender tudo o que está influenciando o fluxo da camada de gelo.

As descobertas ainda sustentam outro estudo recente que determinou que a quantidade de água de degelo que está penetrando na camada de gelo não é igual à que está fluindo para fora dela. Isso sugere que ela está sendo retida, ou acumulada, em algum lugar no gelo.

De acordo com Joe MacGregor da University of Texas, a pesquisa “é um grande passo... no esforço para conectar a superfície e o fundo da camada de gelo”.

Resta descobrir se isso também está acontecendo com outros lagos subglaciais ao redor da massa de gelo terrestre da Groenlândia, e decidir se e como incorporar os resultados em modelos computadorizados que visam avaliar quanto a ilha pode mudar com um clima progressivamente mais quente, e quanta água ela poderá acrescer aos níveis marítimos que estão em ascensão.

Este artigo é reproduzido com permissão de Climate Central. O artigo foi publicado originalmente em 22 de janeiro de 2015.

Scientific American Brasil

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Notícias Geografia Hoje

Degelo na Groenlândia e Antártida dobra em cinco anos, indica estudo

Redução do gelo nessas regiões, que contêm as duas principais capas geladas do planeta, dobrou desde 2009, segundo a IAW



A redução da área de gelo da Groenlândia e Antártida, as duas principais capas de gelo do planeta, dobrou desde 2009, de acordo com um estudo que analisou imagens de um satélite europeu.

Reprodução/BBC
Os mapas mostram os resultados dos modelos de elevação gerados pela equipe alemã

O exame dos dados gerados pelo CryoSat indicam que só a Groenlândia vem perdendo cerca de 375 km cúbicos de gelo por ano.

Somado, o volume de gelo despejado todo ano pelas duas maiores capas chega a 500 km cúbicos, disse à BBC a pesquisadora Angelika Humbert, do Instituto Alfred Wegener (IAW), na Alemanha.

"A contribuição das duas capas de gelo à elevação do nível dos oceanos dobrou desde 2009", afirmou Humbert. "Para nós, é um número inacreditável."

O estudo do instituto, publicado na revista científica The Cryosphere, não calculou quanto o degelo colabora para a elevação do nível dos mares. Mas se todo o volume despejado nos oceanos for considerado como gelo (uma porção pequena seria de neve), a contribuição poderia ficar na ordem de pouco mais de um milímetro por ano.

Comparações

O satélite CryoSat foi lançado pela Agência Espacial Europeia em 2010 com um sofisticado instrumento de radar projetado para medir o formato das camadas de gelo polares.

O grupo do IAW, coordenado pelo cientista Veit Helm, estudou pouco mais de dois anos de dados para criar um modelo de elevação digital (MED) da Groenlândia e da Antártida e avaliar a sua evolução.

O modelo incorpora 14 milhões de medidas de altura referentes à Groenlândia e outros 200 milhões referentes à Antártida.

Quando comparadas com bases de dados semelhantes produzidas pela missão IceSat, da agência espacial americana (Nasa) produzidas entre 2003 e 2009, as medições permitem calcular mudanças no volume de gelo mais abrangentes que o período observado pelo CryoSat.

Tendências negativas são resultado de degelo, enquanto tendências positivas são consequência de precipitação ou nevascas.

A Groenlândia vem atravessando o seu momento de maior redução na elevação, perdendo 375 km cúbicos de gelo por ano, a maior parte nas costas oeste e sudeste da ilha. Há um derretimento significativo também na Corrente de Gelo Nordeste da Groenlândia.

"Esta região é formada por três glaciares. Um deles, o Zachariae Isstrom, recuou um bocado e já houve registros de perda de volume. Mas agora vemos que essa perda de volume está se alastrando para áreas superiores, muito mais para o interior da capa de gelo do que se via antes", disse a professora Humbert.

Antártida

Já na Antártida, a perda de volume anual foi calculada em cerca de 128 km cúbicos por ano.

Como outros estudos já haviam indicado, a maior parte do degelo se concentra no lado oeste do continente, na área conhecida como Baía do Mar de Amundsen.

Grandes glaciares da região estão recuando e perdendo espessura a um ritmo acelerado.

Por outro lado, há ganhos de espessura na camada de gelo de algumas áreas, como em Dronning Maud Land, onde foram registradas nevascas colossais. No entanto, o acúmulo nessas áreas não compensa as perdas nas outras.

Um grupo científico britânico recentemente produziu o seu próprio MED a partir de um algoritmo diferente aplicado sobre a base de dados do CryoSat.

O resultado é parecido com o do IAW, e os alemães aplicaram o mesmo método para a Groenlândia, de maneira que pudessem comparar as duas capas de gelo.

Quando comparadas, as reduções indicam as mesmas conclusões da missão americana Grace, que monitora as mudanças nas regiões polares a partir de dados gerados por um outro tipo de satélite, que observa o volume de gelo despejado no mar.
http://ultimosegundo.ig.com.br/

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Notícias Geografia Hoje

Degelo na Antártida e Groenlândia esta ocorrendo cada vez mais rápido
Especialistas afirmam que aquecimento global está fazendo com os polos derretam três vezes mais rápido do que há 22 anos

Ian Joughin, Univ. of Washington
Imagem mostra degelo do Fiorde Ilulissat, na Groenlândia

Um novo estudo descobriu que o derretimento do gelo na Antártida e Groenlândia está acontecendo três vezes mais rápido do que em 1990. No entanto, o degelo dos polos contribuiu menos do que se imaginava para a elevação do nível do mar, com apenas para a elevação de 1,1 centímetros. Mesmo assim, a redução do gelo, especialmente na Groenlândia, tem preocupado especialistas.

O derretimento das camadas de gelo nos polos é considerado como uma das consequências mais importantes do aquecimento global, porém até agora pesquisadores não haviam entrado em um consenso sobre a velocidade do degelo, nem se a Antártida estava também perdendo território com o derretimento.

Os dados são resultado de um estudo feito por uma equipe de especialistas da Nasa e da Agência Especial Europeia, que combinou dados de vários satélites para produzir a avaliação mais abrangente e precisa sobre a perda de gelo nos polos e a contribuição para a elevação do nível do mar. 

O novo estudo concluiu que a Antártida também está derretendo, embora um pouco menos que o gelo da Groenlândia. Outra constatação foi que a taxa de degelo cresceu de cerca de 55 bilhões de toneladas por ano nos anos 1990, para os atuais quase 290 bilhões de toneladas anuais, de acordo com o estudo.

“A Groenlândia está indo embora”, disse Ted Scambos, diretor do Centro Nacional sobre Gelo e Neve e co-autor do estudo publicado nesta terça (29) no periódico científico Science.

Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds, na Inglaterra, disse que os resultados servem de recado para os negociadores da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que está acontecendo em Doha . “Agora está muito claro que há um problema na Groenlândia”, disse.

Cientistas culpam o aquecimento global pelo derretimento. A queima de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, emitem dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa na atmosfera que “prendem o calor”, aquecendo a atmosfera. Pouco a pouco, o aumento da temperatura faz com que as placas de gelo tornem-se líquidas. A neve que cai reabastece as placas de gelo, mas mesmo assim não é o suficiente para superar a taxa de derretimento.

Como os oceanos ocupam a maior parte do planeta, é necessário que muito gelo derretido – cerca de 10 trilhões de toneladas – faça com que o nível do mar suba 2,5 centímetros. De acordo com o estudo, desde 1992, o gelo dos polos perdeu cerca de 5 trilhões de toneladas de gelo.

Parece pouco, mas esta pequena camada de água pode ser ainda mais devastadora que a super tempestade Sandy, que atingiu a América Central e os Estados Unidos no mês passado. O cientista da Nasa Erik Ivins, também autor do estudo, afirma que o perigo está no fato de que este peso extra nos oceanos dá as ondas do mar um pouco mais de energia. “Quanto mais energia houver nas ondas, mais longe a água pode avançar na Terra”, disse.

Globalmente, os oceanos se elevaram cerca de 15 centímetros ao longo do século 20. O derretimento das massas de gelo correspondem a cerca de um quinto do aumento do nível do mar. A água mais quente se expande, contribuindo para a elevação dos oceanos em outras áreas fora das regiões polares.

“Entender como e porque a massa de gelo está mudando nos ampara para compreender e prever quanto e de que maneira elas vão mudar o nosso futuro”, disse Waleed Abdalati, cientista chefe da Nasa e um dos mais importantes glaciológos, que não trabalhou neste estudo. 

(Com informações da Associated Press)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Notícias Geografia Hoje

Gelo da Groenlândia e de parte da Antártida derreteu há 400 mil anos
Novo estudo aponta que isso teria ocorrido em uma época quente, quando o nível das águas locais subiu entre seis e 13 metros

Efe
O gelo da Groenlândia e do oeste da Antártida derreteu totalmente há 400 mil anos, em uma época quente na qual o nível das águas subiu entre seis e 13 metros, segundo um estudo publicado na revista "Nature".
AP
Durante o estudo, analistas estudaram todo o relevo litorâneo destes arquipélagos
A pesquisa analisou o gelo destas regiões e permitiu a obtenção de muita informação sobre as últimas centenas de milhares de anos, graças à paleoclimatologia, ciência que ganhou importância nos últimos anos uma vez que suas descobertas permitem calcular melhor o impacto da mudança climática na superfície terrestre.

Até agora se imaginava que o nível das águas tinha subido mais de 20 metros, mas o último estudo concluiu que foram entre seis e 13, segundo a análise a cargo de uma equipe de geólogos da Universidade de Colúmbia, em Nova York.

Segundo os cientistas, até agora se estimava que no Pleistoceno, época na qual se produziram quatro glaciações intercaladas com períodos mais quentes, o nível das águas nas ilhas Bahamas e Bermudas aumentou mais de 20 metros em comparação com o atual, devido a uma alta das temperaturas.

No entanto, os analistas estudaram o relevo litorâneo destes arquipélagos e concluíram que o crescimento das águas há 400 mil anos foi menor do que se pensava.

Na Antártida, onde em algumas áreas a massa de gelo alcança os cinco quilômetros de espessura sobre sua superfície rochosa, as geleiras se estendem além dos limites do continente e formam extensas camadas sobre as grandes baías do Oceano Antártico.

O aumento, segundo os cálculos de Maureen Raymo, paleoclimatóloga da Universidade de Colúmbia e autora principal do artigo, deve ter oscilado entre seis e 13 metros e aconteceu em grande parte porque as camadas de gelo da Groenlândia e da costa oeste da Antártida se "colapsaram", ou seja, derreteram totalmente.

Por outro lado, as camadas de gelo do leste do continente resistiram melhor ao aumento das temperaturas, já que nesta região a massa de gelo é maior e se comportou de forma mais estável frente às variações do clima ao longo da história.

Esta diferença entre regiões se deve ao fato de na Groenlândia e na costa oeste da Antártida "o clima não ser tão frio como ao leste e serem áreas mais próximas a um oceano de águas cálidas", explicou Maureen à Agência Efe.

Segundo a especialista americana, estes novos cálculos permitirão prever de forma mais precisa como a mudança climática atual afetará o nível das águas nos próximos anos.

Neste sentido, Maureen indicou que, embora suas estimativas sejam menores que as mantidas até agora, "um aumento do nível do mar entre seis e 13 metros na atualidade seria desastroso para nossa sociedade".

No presente, as camadas de gelo da Groenlândia e do oeste da Antártida são também as duas que derretem a maior velocidade, segundo diferentes medições realizadas por satélite, ressaltou Maurenn.

No entanto, como aconteceu no Pleistoceno, a camada do leste da Antártida volta a resistir melhor ao aumento global da temperatura terrestre, apesar dos geólogos continuarem preocupados com a perda de gelo ocorrida em suas regiões litorâneas nos últimos anos.
Jornal O Estadão

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Groelândia

País emergente, graças ao aquecimento global


Por Luis Pellegrini / Maíra Lie Chao

Trenó puxado por cães husky no fiorde Kangia. Esse tipo de transporte é comum na Groenlândia.

Do Glaciar de Jakobshavn, em Ilulissat, ainda surgem icebergs maiores que os superpetroleiros ancorados na Baía Disko. Mas o ar polar que todos os anos varria o território groenlandês, vindo do norte para o sul, e respondia por sua fama de lugar gélido, não tem mais aparecido. O clima está cada vez menos frio na Groenlândia, e a multimilenar camada de gelo que a recobria está derretendo em ritmo acelerado, fazendo aparecer áreas de terra cada vez mais extensas. Isso é visível a olho nu.

A Groenlândia é a maior e mais setentrional ilha do mundo. Há alguns anos, era habitada por uns poucos milhares de pessoas. Com uma área total de 2.166.086 quilômetros quadrados, é hoje o lar de uma população de 56,3 mil habitantes. O clima é frio no inverno (40°C negativos), mas no verão, na parte sul da ilha, atinge facilmente os 15°C. Novos imigrantes chegam a cada dia. Foi lá que nasceu e cresceu Aleqa Hammond, groenlandesa legítima, filha de uma família de caçadores.

Além de ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, agora ela também é uma das líderes de um movimento cada vez mais forte pela independência da ilha. Dominada durante séculos pela Noruega, a Groenlândia ainda é uma província da Dinamarca. Mas já possui governo próprio. Antes, era considerada economicamente fraca para se auto-sustentar. Mas esse quadro está mudando.

A independência econômica da Groenlândia logo acontecerá. Para sobreviver, a ilha recebe R$ 1,3 bilhão anualmente do governo de Copenhague. Com a exploração dos minerais existentes embaixo da camada de gelo, a dependência financeira acabará como num passe de mágica. As negociações já começaram. A ilha discute um acordo com nove multinacionais que querem licença para explorar petróleo na região. Além disso, está cheia de prospectores de minério em busca de um novo Eldorado.

Foto: Eric Baccega/Age Fotostock/Keystone
No Aeroporto Kangerlussuak, um poste de informações mostra as distâncias entre a capital, Nuuk, e outros lugares do mundo.

A Alcoa, empresa norte-americana de extração de metais, já assinou um memorando de entendimento. A implantação dessa siderúrgica poderá empregar mais de três mil pessoas, um décimo de toda a força de trabalho groenlandesa. Em Ilulissat, os pescadores batem recordes de pesca do linguadogigante. Para completar, o número de turistas aumenta a cada ano, contribuindo para a receita do país.

O Ártico, onde se situa a Groenlândia, tem sido palco de um crescente jogo de interesses das grandes potências. A possível exploração de minérios na região e a Passagem do Noroeste - rota marítima que encurta o caminho entre a Europa e a Ásia, recémaberta com o derretimento do gelo da calota polar - já despertou o interesse de diversos países na região. O Canadá e a Noruega querem estabelecer acordos para reivindicar sua autonomia no Ártico.

A Rússia já enviou um submarino para cravar uma bandeira de titânio no solo submerso do norte magnético. Os Estados Unidos não ficam atrás e querem ratificar a Lei da Convenção dos Mares, das Nações Unidas, para reivindicar seus interesses em relação ao Pólo Norte. A tensão entre Moscou e Washington espalha o temor de uma nova militarização do Ártico.

Derretimento do gelo pode elevar o nível do mar
O nível dos oceanos pode aumentar sete metros se a calota polar da Groenlândia derreter inteiramente devido ao aquecimento global. Os gelos da Groenlândia, segunda reserva de água doce congelada do mundo, depois da Antártida, derretem mais rapidamente na costa, embora até agora tenham se mantido intactos no centro da calota polar, informa Garry Clarke, professor da Universidade da Colúmbia Britânica. Em sua avaliação, o aquecimento global poderá gerar um derretimento maior do que o que já foi registrado na região até agora.

"Isso poderia se traduzir no desaparecimento total da calota polar da Groenlândia", diz Clarke. Ainda não se sabe quando isso ocorrerá, mas o processo já está em andamento. Os especialistas consideram que o derretimento total do gelo da Groenlândia teria conseqüências catastróficas para as regiões costeiras e algumas ilhas oceânicas.

As conseqüências da última corrida armamentista ainda estão frescas na memória dos groenlandeses. A base aérea dos Estados Unidos em Thule, no noroeste da Groenlândia, foi estabelecida durante a Segunda Guerra Mundial e se tornou um posto estratégico para o armamento nuclear do país durante a Guerra Fria. Em 1968, um bombardeiro norte-americano B-52, carregado com bombas atômicas, caiu na região. Uma das suas bombas nunca foi encontrada. Acredita-se que esteja até hoje no fundo do mar. Mas sua radiação provocou conseqüências gravíssimas para a população inuit - esquimós nativos do Ártico. Parte deles não consegue ter filhos.

A multimilenar camada de gelo que recobre a GROENLÂNDIA está se derretendo a vista d'olhos. É o aquecimento GLOBAL
Barco cruza a Baía Disco, em meio a enormes icebergs.Nuuk, capital da Groenlândia. As casas são pintadas com cores fortes, dando algum colorido à paisagem.
No verão, no sul da ilha, áreas outrora cobertas pelo gelo hoje oferecem pastagens. Graças ao aquecimento global, há cada vez mais árvores na Groenlândia.

Outros fatores, no entanto, ameaçam a Groenlândia tradicional. As mudanças que ocorrem no local têm gerado tensão social. Na capital, Nuuk, moram pouco mais de 15 mil pessoas, mas seus problemas são os mesmos de qualquer cidade grande. Alcoolismo, desemprego e suicídio constroem um cenário urbano depressivo. Além disso, muito se debate sobre a possível perda de identidade nacional devido à crescente entrada de estrangeiros na ilha. Rapidamente, os groenlandeses legítimos poderão ser minoria em seu próprio país.

Foto: Superstock/Keystone
Zona arqueológica de L'Anse aux Meadows, no Labrador (Canadá), com construção deixada pelos antigos vikings. Séculos antes de Colombo, eles partiram da Groenlândia em canoas para alcançar as costas dos atuais Canadá e Estados Unidos.

Foto: Martin Rugner/Pixtal/Keystone

Nesse cenário que em muitos aspectos se assemelha à corrida ao ouro dos velhos tempos do faroeste norte-americano, as primeiras vítimas das conseqüências ruins do aquecimento global na Groenlândia parecem ser os inuits. Aqqaluk Lynge, renomado poeta e político inuit, e um dos principais representantes do seu povo no governo groenlandês, já lançou o alerta: "Muitosanimais desapareceram, outros apareceram, os mares e gelos mudaram, as correntes marítimas se alteraram. Nosso mundo, como o conhecíamos, está chegando ao fim."

A vida em condições extremas
A Groenlândia (em groenlandês, Kalaallit Nunaat, que significa "a nossa terra") é uma região autônoma dinamarquesa que ocupa a ilha do mesmo nome e ilhas adjacentes, ao largo do litoral nordeste da América do Norte. As suas costas dão, ao norte, para o Oceano Glacial Ártico, a leste, para o Mar da Groenlândia, a leste e sul, para o Oceano Atlântico e, a oeste, para o Mar do Labrador e a Baía de Baffin.

A história da Groenlândia é a da vida sob as extremas condições árticas: uma capa de gelo cobre 84% do território da ilha, restringindo a atividade humana às costas. A Groenlândia era desconhecida da Europa até o século 10, quando foi descoberta por vikings islandeses. Antes desse "descobrimento", a ilha havia sido ocupada por povos árticos, embora estivesse desabitada quando da chegada dos vikings: os ancestrais diretos dos modernos iInuits (anteriormente chamados esquimós) só chegaram à ilha ao redor do ano 1200. Os inuits foram o único povo que habitou a ilha durante séculos, mas, lembrando a colonização viking, a Dinamarca reclamou a soberania sobre o território e o colonizou a partir do século 18. Obteve, assim, privilégios, tais como o monopólio comercial.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Groenlândia se separou de fato, tanto social como economicamente, da Dinamarca, aproximando-se mais dos Estados Unidos e do Canadá. Depois da guerra, o controle da ilha voltou à Dinamarca, retirando-se seu status colonial. Embora a Groenlândia continue sendo parte do Reino da Dinamarca, é autônoma desde 1979. A ilha possui o status de Estado associado à União Européia.

A pesca domina a economia do território. A caça à foca marca a vida dos habitantes do norte. A descoberta de petróleo, zinco e ouro, em 1994, promete mudar a economia, ainda bastante dependente da Dinamarca, que também responde por sua defesa e relações externas.

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