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domingo, 25 de setembro de 2022

ONU quer impor taxas sobre os lucros das companhias produtoras de combustíveis fósseis


Há algumas semanas, Guterres denunciou a "avareza" das grandes empresas petroleiras e de gás que obtém lucros "escandalosos" "às custa dos mais pobres"
Por AFP




O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, instou nesta terça-feira (20) os países ricos a impor taxas sobre combustíveis fósseis para financiar programas de ajuda aos países vítimas do impacto da mudança climática e às populações afetadas pela inflação.


"Insto todas as economias desenvolvidas a impor taxas sobre os lucros extraordinários das companhias produtoras de combustíveis fósseis e destiná-las de duas formas: aos países que sofrem perdas e danos causados pela crise climática e às populações em dificuldade pelos preços dos alimentos e da energia", disse o chefe da ONU na abertura da Assembleia Geral em Nova York.

Há algumas semanas, Guterres denunciou a "avareza" das grandes empresas petroleiras e de gás que obtém lucros "escandalosos" "às custa dos mais pobres", devido à crise energética provocada pela guerra na Ucrânia e instou os governos a impor novas taxas sobre elas.

Na ocasião, não mencionou a possibilidade de redistribuir uma parte destes impostos em programas de alívio à mudança climática, causada principalmente pelo carvão, petróleo e gás.

O foco em "perdas e danos" causados pela multiplicação de eventos climáticos extremos tornou-se um ponto crucial nas negociações sobre o clima e pode virar outro tema-chave da COP27, que acontecerá no Egito em novembro, juntamente com a redução de emissões, previsto no acordo de Paris, adaptação aos impactos e financiamento.
https://www.folhape.com.br/

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Petrolífera notifica presença de traços de óleo em rio da Amazônia peruana

Petrolífera notifica presença de traços de óleo em rio da Amazônia peruana

A petrolífera disse que enviou uma equipe de emergência à área para lidar com o ocorrido e ajudar cerca de 2.500 pessoas que vivem nas comunidades afetadas pelo vazamento

AFP

(crédito: ERNESTO BENAVIDES)

A empresa estatal Petroperú relatou nesta sexta-feira (16) a presença de traços de petróleo em um rio da região amazônica de Loreto, próximo ao oleoduto Norperuano, após denúncias de contaminação feitas por comunidades nativas.


A petrolífera disse que enviou uma equipe de emergência à área para lidar com o ocorrido e ajudar cerca de 2.500 pessoas que vivem nas comunidades afetadas pelo vazamento.

“Hoje se teve conhecimento da presença de traços de petróleo cru no rio Cuninico, com possível ponto de início no quilômetro 42 do Trecho I do Oleoduto Norperuano, distrito de Urarinas, província e região de Loreto", informou a Petroperú.

“A causa do presente evento está por ser determinada”, acrescentou a empresa após garantir que o bombeamento de óleo por esse trecho está paralisado desde fevereiro.

O vazamento afeta seis comunidades do povo Kokama da localidade de Cuninico, cujos líderes denunciaram à imprensa que o rio está contaminado.


"A população está desesperada porque até agora não come, as crianças não comem, porque não há água para cozinhar. Não há o que comer porque toda a ravina, o rio, está contaminado, os peixes estão morrendo", declarou à rádio RPP o 'apu' Galo Vásquez, representante do povo indígena de Cuninico. "A população não tem água para beber", acrescentou.

Desde janeiro, a Petroperú denunciou uma série de ataques a seu oleoduto na região de Loreto, que causaram vazamentos de óleo e lançaram planos de contingência ambiental.

Há registros de ao menos 29 atos de sabotagem contra o oleoduto desde 2014, de acordo com a Sociedade de Mineração, Petróleo e Energia.


O oleoduto Norperuano é uma das obras de maior porte do Peru. Foi construída há quatro décadas para transportar o petróleo dessa região amazônica até Piura, na costa, estendendo-se por cerca de 800 km.
https://www.correiobraziliense.com.br/

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Óleo que atingiu praias do Nordeste veio de petroleiro grego, diz PF


Empresa e comandante do navio são indiciados por crime de poluição; multa inicial seria de mais de R$ 188 milhões




Manchas de óleo em praias do Nordeste: Polícia Federal acusa petroleiro grego de ser o responsável pelo derramamento. Crédito: © Divulgação/Agência Petrobras


As manchas de óleo que apareceram em centenas de praias brasileiras entre agosto de 2019 e março de 2020 vieram de um petroleiro grego. A conclusão foi divulgada nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal (PF).

Segundo a PF, foram encontradas manchas de óleo em mais de mil localidades, em 11 estados litorâneos. Apenas os custos arcados pelos poderes públicos federal, estadual e municipal para a limpeza de praias e oceano foram estimados em mais de R$ 188 milhões, estabelecendo-se assim um valor inicial e mínimo para o dano ambiental.

“A Polícia Federal, a partir das provas e demais elementos de convicção produzidos, concluiu existirem indícios suficientes de que um navio petroleiro de bandeira grega teria sido o responsável pelo lançamento da substância oleaginosa que atingiu o litoral brasileiro. Foram indiciadas pela prática dos crimes de poluição, descumprimento de obrigação ambiental e dano a unidades de conservação a respectiva empresa e seus responsáveis legais, bem como o comandante e o chefe de máquinas do navio”, afirmou a PF em nota.

O valor total do dano ambiental está sendo apurado pela perícia da PF, que deverá encaminhar com brevidade o respectivo laudo às autoridades competentes. O inquérito policial relatado segue agora para o poder judiciário federal no Rio Grande do Norte e o Ministério Público Federal (MPF), para análise e adoção das medidas cabíveis.


Investigações

As investigações, realizadas em parceria com diversos órgãos e instituições nacionais e internacionais, foram centradas em três frentes. A primeira diz respeito à investigação das características da substância, por meio de análises químicas que buscaram determinar o tipo de material que chegou à costa brasileira, suas características e, especialmente, sua procedência, se nacional ou estrangeira, e qual país.

“Isso se fazia necessário, uma vez que surgiram diversas teorias sobre a origem do material (vazamento de oleodutos, plataformas ou reservas naturais, navios em trânsito ou naufragados, costa da África, etc.)”, explicou a PF.

A segunda frente diz respeito ao local exato onde ocorreu o vazamento/lançamento do óleo, na qual priorizou-se o uso de técnicas de geointeligência, que incluem imagens de satélite e modelos e simulações realizadas por softwares específicos. A terceira foi realizada com base em dados, documentos e informações que pudessem esclarecer os fatos, por meio de cooperação nacional e internacional, inclusive com apoio da Interpol.
Revista Planeta

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

As dicas ao Brasil do iraquiano que ajudou a Noruega a dar volta por cima com petróleo


Nathalia Passarinho - @npassarinho 
BBC News Brasil em Londres

Direito de imagemARQUIVO PESSOALImage caption
A família de Farouk Al-Kasim teve de fugir para a Noruega para garantir tratamento médico, em 1968. Na época, o Iraque dificultava a saída de funcionários do setor de Petróleo

Há 51 anos, o geólogo iraquiano Farouk Al-Kasim batia à porta do Ministério da Indústria da Noruega, sem hora marcada, em busca de emprego.

Na verdade, esperava apenas conseguir uma lista de empresas petroleiras com atividades no país, para depois oferecer seus serviços a essas companhias.

A visita se tornou entrevista de emprego e, poucos meses depois, Al-Kasim estava trabalhando num ministério que tinha apenas quatro pessoas responsáveis pelo - naquela época - incipiente setor de petróleo norueguês.

Pouco depois, petróleo seria encontrado no Mar do Norte e o iraquiano se tornaria o criador do modelo de exploração desse recurso natural que rendeu para o país o maior fundo soberano do mundo, com cerca de US$ 1 trilhão.

Do final de 1969, quando foi descoberta a primeira reserva, até agora, o país escandinavo se tornou um dos 15 maiores exportadores de petróleo, além de potência na área de tecnologia e inovação.

null.Direito de imagemNPDImage caption
Recentemente, Al-Kasim recebeu uma condecoração real pela contribuição ao desenvolvimento da Noruega

Embora a Noruega não seja a maior exportadora de petróleo - é a décima-segunda - por não possuir as maiores reservas, especialistas dizem que é o país que melhor soube reverter os lucros da exploração para um projeto de desenvolvimento que beneficiasse a sociedade em geral.

Que decisões garantiram esse resultado bem-sucedido? O exemplo da Noruega pode se aplicar ao Brasil?

A BBC News Brasil conversou com o maior responsável pelo modelo norueguês.

Na entrevista, Farouk Al-Kasim, hoje com 85 anos, explica os fatores que contribuíram para o sucesso da Noruega e dá conselhos para países em desenvolvimento que possuem petróleo em seus territórios.

Para ele, é importante impedir o monopólio das operações por uma única empresa, seja estatal ou privada, para evitar corrupção e abuso de poder.

Além disso, o iraquiano defende que economizar os recursos provenientes das operações de petróleo, com a criação de um fundo, pode ajudar a impedir a 'doença holandesa' e a 'maldição do petróleo'

O dinheiro, segundo ele, deve ser revertido em prol da população e das gerações futuras, com investimentos em infraestrutura, pesquisa e tecnologia. Para isso, na visão de Al-Kasim, a intervenção ou participação estatal - sem monopólio - é necessária.
Como tudo começou para Farouk

O ano que definiu a trajetória de Al-Kasim foi 1968, quando ele, a esposa norueguesa e os três filhos se mudaram para a Noruega.

Naquela época, a mudança soava como grande sacrifício para o iraquiano, que tinha um bom emprego na Companhia de Petróleo do Iraque, em Basra, o que lhe garantia uma vida confortável de classe média alta.

Direito de imagemCORTESIA FAROUK AL-KASIMImage caption
Farouk Al-Kasim foi o criador do modelo de gestão do petróleo que, segundo especialistas, foi capaz de gerar maior riqueza para a população e desenvolvimento sustentável para um país

A decisão de se mudar para a Europa veio com o nascimento do terceiro filho do casal que, por causa de uma paralisia cerebral, tinha dificuldade motora.

Na Noruega, o menino teria acesso a melhores tratamentos, e a mudança seria definitiva, já que os cuidados necessários eram de longo prazo.

Deixar o Iraque, contudo, não seria tarefa fácil. Segundo Al-Kasim, era preciso obter autorização do governo para sair do país.

"Eles não queriam que os funcionários-chave da indústria do petróleo deixassem o Iraque em caráter definitivo",
 explica.Direito de imagemARQUIVO PESSOALImage caption
Farouk Al-Kasim teve que fingir que a ida à Noruega era temporária, para convencer o governo iraquiano a liberá-lo

A presença de especialistas iraquianos era essencial para os futuros planos do governo de nacionalizar a indústria do petróleo.

"Precisei de uma junta médica para dizer que era essencial que o meu filho recebesse tratamento médico fora do país", conta Al-Kasim.

Para evitar um "não" do governo iraquiano e viabilizar a ida do restante da família para Noruega, ele teve de dizer que a viagem era temporária, embora soubesse que o adeus ao país de origem era definitivo.

"Eu tive praticamente que organizar uma operação de fuga para o restante da minha família, porque era difícil justificar a saída de todos ao mesmo tempo", contou.

Direito de imagemCORTESIA AL-KASIMImage caption
Al-Kasim estava progredindo como funcionário da Empresa Iraquiana de Petróleo, mas decidiu se mudar para a Noruega e recomeçar a vida profissional lá para garantir tratamento ao filho

Ultrapassada essa etapa, a maior preocupação de Al-Kasim era arrumar emprego. Ele se formou em geologia do petróleo no Imperial College London, no Reino Unido, onde conheceu a esposa Solfrid, que é norueguesa.

Depois de se formar, retornou ao Iraque com Solfrid, onde se empregou e ascendeu como funcionário no setor de petróleo. Com a mudança para a Noruega, Al-Kasim teve que pedir demissão da empresa onde trabalhava.

Na Noruega, a vida seria diferente. Desempregado, ele e a família morariam com a família da esposa numa pequena cidade norueguesa.
'Pit stop' no Ministério da Indústria

Al-Kasim desembarcou em Oslo em maio de 1968. Na capital norueguesa, teria oito horas de espera até tomar o trem para o interior.

"Eu comecei refletir sobre o que poderia fazer durante esse período de tempo e decidi pedir uma lista das empresas de petróleo que operam na Noruega. Optei por ir até o Ministério da Indústria, já que não havia, na época, um ministério do Petróleo ou de Minas e Energia", disse.

Ao chegar ao ministério e solicitar uma reunião, foi informado para retornar durante a tarde. "Quando voltei, vi que eles estavam muito interessados em saber da minha experiência. A reunião virou uma entrevista de emprego."

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Al-Kasim decidiu bater à porta do Ministério da Indústria em busca de informações sobre empresas onde pudesse trabalhar no setor de petróleo

Na época, empresas internacionais estavam tentando achar petróleo na Noruega, mas em anos de pesquisas, nada significativo havia aparecido.

Prova das baixas expectativas do governo norueguês era o fato de que só havia três funcionários responsáveis pelo setor - todos relativamente jovens e com pouca experiência na área.

Precisavam de um especialista para analisar os resultados das explorações das companhias de petróleo.

"Os funcionários do ministério disseram que entrariam em contato caso tivessem algum emprego para me oferecer. Alguns meses depois, eles me telefonaram", conta Al-Kasim, que acabou sendo contratado como consultor no Ministério da Indústria.

A missão dele seria analisar os achados das empresas e dar um parecer sobre as possibilidades reais de exploração lucrativa de petróleo no país.
A descoberta de petróleo

Al-Kasim conta que, em 1965, o governo norueguês concedeu 78 licenças a empresas privadas para explorar potenciais reservas, mas após três anos de buscas, os resultados eram desanimadores.

Até que, no final de 1969, a Philips Petroleum informou ter achado petróleo no campo de Ekofisk. A descoberta ocorreu pouco depois de a empresa comunicar ao governo norueguês que pretendia interromper as operações.

Coube a Al-Kasim analisar os achados da Philips e a das buscas feitas pelas outras empresas. "No meu relatório, eu fui enfático em dizer que aquelas descobertas comprovavam a existência de petróleo e gás no Mar do Norte", disse à BBC News Brasil.

"Eu tinha certeza de que a Noruega tinha potencial de ser uma grande produtora."

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Ao analisar primeiros achados da Philips Petroleum, Al-Kasim concluiu que a Noruega tinha potencial para ser grande produtor e exportador de petróleo

Mas o governo norueguês optou por agir com cautela, diferentemente de muitos países que se jogariam de cabeça em busca dessa "riqueza".

"Eles queriam ter certeza de que seria possível explorar petróleo com competitividade. E também estavam preocupados com o impacto ambiental, com os pássaros e animais, e com o efeito para as populações locais e a atividade pesqueira", relata Al-Kasim.

Hoje, ele reconhece que essa cautela foi um dos fatores que salvaram a Noruega do que ele chama de "maldição do petróleo".
Bênção ou maldição?

Petróleo é, naturalmente, uma potencial fonte de riqueza. Mas essa riqueza nem sempre se converte em desenvolvimento e, às vezes, pode condenar um país à corrupção e a depender de um único setor produtivo.

Se decisões erradas ou precipitadas são tomadas, a exploração de petróleo pode acabar "engolindo" as demais indústrias. Isso porque, com capacidade de pagar maiores salários, a indústria de petróleo e gás acaba absorvendo boa parte da mão-de-obra especializada de outros setores.

Direito de imagemREUTERS/MARCO BELLOImage caption
Embora tenha uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela não soube transformar essa riqueza em desenvolvimento

E o grande fluxo de dinheiro para as regiões de exploração eleva os preços, encarecendo o custo de vida para a população local que não trabalha direta ou indiretamente com esse setor.

Empresas não relacionadas à indústria do petróleo quebram e o país passa a depender cada vez mais exclusivamente da produção e exportação de combustível, num fenômeno conhecido como "doença holandesa" ou "maldição do petróleo".

"Se você deixa o setor de petróleo crescer rápido demais, sem regulação e sem preparar o país, ele pode sugar os investimentos de outras partes da economia", explicou à BBC News Brasil o consultor em economia do petróleo Erik Jarlsby, da Eureka Energy Partners.

É o caso, por exemplo, da Venezuela, que tem sua economia quase totalmente dependente do petróleo.

Outros riscos ligados à exploração desse recurso incluem a concentração excessiva de poder nas mãos de uma - ou algumas - empresas, estatais ou privadas, que acabam tendo influência decisiva nos rumos do país.

A Noruega escapou da "maldição", soube criar equilíbrio entre a participação de empresas privadas e do Estado na exploração e, com os lucros do petróleo, conseguiu formar um fundo voltado para desenvolver infraestrutura, pagar aposentadoria e garantir o bem-estar das gerações norueguesas futuras.

Como conseguiu isso?
Cautela e planejamento

Al-Kasim diz que a primeira decisão acertada da Noruega foi agir com cautela.

Em vez de iniciar de imediato novas concessões e arriscar entregar recursos e o poder de decisão comercial a empresas internacionais, o governo decidiu que novas licenças só seriam concedidas depois que fosse criado um marco regulatório e um modelo de exploração.

Coube a Farouk elaborar esse modelo que, depois, foi votado no Parlamento. "A Noruega estava determinada a ter uma visão, uma política, instituições, uma estatal e uma legislação que permitissem um trabalho conjunto com as empresas privadas antes de iniciar a exploração de petróleo", relata.

"Em 1971, foram aprovadas diretrizes que criavam um ambiente para que empresa estatal, empresas nacionais privadas e empresas internacionais pudessem atuar em conjunto", diz.

Direito de imagemCORTESIA FAROUK AL-KASIMImage caption
Para Farouk Al-Kasim, um bom modelo de gestão do petróleo deve contar com participação forte do Estado, mas sem que ele exerça o monopólio das operações

Para que o governo pudesse ter peso nas decisões comerciais referentes ao petróleo, foi criada a estatal Statoil.

Mas, diferentemente do que ocorreu no Brasil, essa empresa não recebeu direitos monopolísticos sobre extração e refino, embora tenha obtido privilégios no início da operação para que pudesse competir com as empresas já estabelecidas.

No Brasil, por 44 anos, do governo Getúlio Vargas até 1997, com a Lei do Petróleo, a Petrobras deteve exclusividade em diversas operações do setor. Até hoje, a empresa controla grande parte das operações de extração e refino de petróleo.

No caso da Statoil, Al-Kasim diz que, no início, houve uma proteção para garantir que a estatal tivesse de 10% a 25% de participação em novas licenças. O objetivo era garantir que a empresa tivesse competitividade.

Mas, segundo ele, a proteção foi sendo retirada conforme a Statoil adquiria condições para competir em pé de igualdade com as empresas internacionais.

A especialista em gestão de petróleo Tina Hunter, professora de legislação em energia da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, destaca que o maior enfoque do governo norueguês ao conceder "privilégios" à Statoil era garantir que a estatal obtivesse conhecimento e desenvolvesse tecnologia.

"Uma das condições para licença de exploração a empresas privadas era, por exemplo, treinar funcionários da Statoil", disse à BBC News Brasil.
Participação forte do Estado, mas sem monopólio

A segunda decisão acertada do governo norueguês, segundo Al-Kasim, foi garantir a inserção do Estado na regulação e exploração de petróleo, por meio da Statoil e de uma agência reguladora, mas sem assumir o monopólio sobre as operações.

A partir do modelo de gestão proposto por Al-Kasim, os parlamentares decidiram que a participação norueguesa total nas operações de petróleo não deveria ser menor que 50%.

Mas essa participação não precisava ser direta do Estado - a soma considerava também as atividades das empresas privadas nacionais. Na década de 1970, havia duas companhias norueguesas no setor.

Direito de imagemNERIJUS ADOMAITIS/REUTERSImage caption
A Statoil, hoje chamada Equinor, não detém o monopólio da exploração de petróleo, embora tenha recebido privilégios em concessões quando foi criada

"Nós não queríamos que a Statoil se tornasse todo-poderosa ou um Estado dentro do Estado. Não queríamos que ela tivesse poder de decisão sobre a concessão de licenças para outras empresas", destaca Al-Kasim.

Perguntado se, na visão dele, impedir o monopólio no setor é necessário para evitar casos de corrupção como o investigado na Petrobras pela Operação Lava Jato, ele foi categórico:

"É fácil responder a essa pergunta. A história mostra que é muito difícil evitar a corrupção quando há a possibilidade de uma empresa privada ou estatal dominar todas as outras."

Para garantir o cumprimento da lei e dos objetivos do novo modelo, foi criada uma agência reguladora, a Direção de Petróleo Norueguês, cujo principal objetivo era garantir competitividade e equilíbrio na atuação da Statoil, das outras empresas nacionais e das companhias estrangeiras.
Fundo trilionário

Apesar da cautela na liberação de novas concessões, quando as operações começaram, no início da década de 1970, nos poços já licenciados, rapidamente recursos começaram a inundar a economia norueguesa, colocando o país em risco de cair na temida "doença holandesa".

Empresas de outros setores passaram a sofrer com o grande enfoque dado à indústria de petróleo e o governo resolveu agir para conter os estragos.

"Em 1973, a Noruega começou a produção e houve significativo retorno financeiro e nós tivemos várias dificuldades para manter outras indústrias vivas", relata Al-Kasim.

O governo, então, resolveu, em 1974, limitar novas concessões e controlar o ritmo das operações voltadas à descoberta de reservas. "Foi uma decisão crucial para evitar a maldição do petróleo", diz.

Direito de imagemCORTESIA AL-KASIMImage caption
Em 1987, Farouk Al-Kasim visitou o Brasil

Inicialmente, os recursos do petróleo foram investidos em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia para permitir a exploração em águas profundas.

Mas, com o tempo, os lucros foram aumentando e o governo decidiu que parte do dinheiro deveria ser economizada para beneficiar, também, as futuras gerações que não mais poderão contar com a indústria do petróleo.

Al-Kasim menciona como terceiro fator de sucesso do modelo norueguês a criação, na década de 1990, de um fundo soberano para evitar que o dinheiro das operações entrasse de imediato na economia do país.

Os recursos do fundo são aplicados em ações de empresas estrangeiras, justamente para impedir a circulação excessiva de dinheiro na Noruega. E o governo só pode usar, atualmente, até 3% do total por ano. Antes o percentual era de 4%, mas foi reduzido pelo Parlamento em 2017.

O objetivo é impedir que o dinheiro seja gasto de uma só vez em tempos difíceis, como é a tentação de governos no afã de recuperar a popularidade em épocas de crise.

Além disso, explica Al-Kasim, o fundo tem uma função "intergeracional", ou seja, deve beneficiar as futuras gerações norueguesas. A expectativa é que as reservas no país se esgotem em até 50 anos.

"Conforme as atividades de petróleo se tornam menos profícuas e menores em volume, a economia precisa estar pronta para esse desafio", justifica Al-Kasim.

Esse modelo de gestão dos recursos do petróleo rendeu à Noruega o título de detentora do fundo soberano mais robusto do mundo - atualmente com mais de US$ 1 trilhão.
Esse modelo pode ser replicado no Brasil?

A especialista em gestão de petróleo Tina Hunter, da Universidade de Aberdeen, diz que o modelo norueguês pode e deve servir de inspiração para o Brasil.

Para ela, o Estado deve intervir na gestão do petróleo como regulador e, em alguns casos, por meio de uma estatal, mas sem exercer o monopólio.

Hunter argumenta que o grande erro do modelo brasileiro foi concentrar poderes demais nas mãos da Petrobras.

De 1953, quando foi criada, a 1997, quando a Lei do Petróleo permitiu a entrada de empresas estrangeiras no setor, a Petrobras detinha o monopólio da exploração e do refino.

A partir de 1997, ela pôde decidir com quais campos ficar e quais liberar para exploração de companhias privadas.

Acabou ficando com todas as reservas lucrativas e abdicou de 62 campos pequenos, diz a consultora de energia da Fundação Getúlio Vargas Magda Chambriard, ex-diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Nos campos ainda não explorados, a estatal pôde manter o controle se comprovasse ter tecnologia para explorar. Se não tivesse, poderia tanto liberar para concessões a empresas privadas quanto formar parcerias para exploração conjunta.

No caso do pré-sal, a lei de partilha prevê que o Ministério de Minas e Energia (por meio do Conselho Nacional de Política Energética) decida se realiza licitações para exploração ou se entrega determinadas áreas diretamente à Petrobras, se considerar que é de interesse nacional manter o controle total dessas reservas.

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Pelo modelo de partilha, usado para os campos do pré-sal, a Petrobras tem preferência na escolha das áreas que quer operar

No caso de optar pela licitação, o conselho oferece primeiramente à Petrobras a opção de ser operadora dos blocos a serem contratados. Se a estatal tiver interesse, ela deve informar em quais áreas quer atuar e terá garantida participação mínima de 30% no consórcio que vencer a licitação para explorar as reservas.

Ou seja, a Petrobras ainda detém ampla preferência na exploração e controle das operações de petróleo no Brasil.

"No momento em que você começa a dar poderes demais para uma empresa, tudo desmorona. É quando temos corrupção e escândalo. Quando há poder demais, há corrupção", diz Hunter.

"A estatal não deve ter poder de decisão sobre o modelo de concessão. Precisa ser tratada como as empresas privadas, sem poderes especiais", defende a professora britânica.
'Poder em excesso gera corrupção'

Farouk Al-Kasim concorda com a visão de que excesso de poder nas mãos de uma estatal ou empresa privada abre brecha para a corrupção.

Ele diz que quando a Statoil passou a deter uma fatia muito ampla do mercado, em 1983, o governo norueguês, então, agiu para reduzir o poder de decisão da companhia e acabou por privatizar parte da empresa, posteriormente.

Atualmente, 33% das ações da companhia, hoje chamada Equinor, são privadas e o restante é do Estado.

"A natureza humana é muito simples. Quando você tem poder, os outros temem te desafiar", diz Al-Kasim ao comentar sobre as denúncias de que construtoras que detinham contratos com a Petrobras pagavam propina a diretores da estatal e a partidos políticos.

"Se o Estado não quer que a sua estatal tenha uma posição monopolística, precisa criar regras para as demais empresas serem ouvidas e criar pesos e contrapesos. Sem isso, o forte vai prevalecer. E o forte pode não querer servir aos interesses da nação."

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Por que o petróleo é (ainda) um mal necessário



Shutterstock

Enquanto mais de 80% da energia consumida no mundo vem de combustíveis fósseis e os governos não apostam decisivamente no uso de energias alternativas, teremos que continuar a procurar e explorar recursos energéticos como o petróleo.


Esta mensagem pode não ser muito popular, é verdade, mas vamos rapidamente fazer uma pequena pesquisa. Estariam dispostos a fazer sem aquecimento em uma manhã fria de inverno? Você rejeitaria um voo barato para visitar Paris neste fim de semana? Você mudaria seu carro agora mesmo para uma scooter?

Sejamos honestos e, acima de tudo, realistas. Não verdade?

A prospecção de petróleo e a extração de gás por fraturamento hidráulico ( fracking ) levantam muitas e razoáveis ​​objeções. Apesar disso, a evolução futura da demanda poderia relançar essas atividades em países onde o petróleo e outros combustíveis fósseis são escassos.

Evolução do consumo global de energia a partir de combustíveis fósseis no período 1960-2015.

Evolução do consumo global de energia a partir de combustíveis fósseis no período 1960-2015. Embora o consumo tenha diminuído progressivamente nas últimas décadas, nossa dependência desses recursos ainda é de cerca de 80%. (Fonte: Banco Mundial ).
Um tesouro geológico

Mas qual é o motivo dessa escassez? É tão difícil obter petróleo?

Se pagamos tocateca aos principais produtores mundiais, claro que não. As coisas mudam se nos referirmos à sua formação geológica. Simplificar muito parece simples: você precisa transformar uma grande quantidade de matéria orgânica por um aumento progressivo da pressão e da temperatura.

Isso significa que se eu coletar alguns excrementos, eu o comprimir em um buraco no jardim e aquecê-lo com um maçarico Eu posso montar um posto de gasolina na entrada da casa?

Não. O processo é mais complexo e dura muito tempo. E não quero dizer a que precisamos deixar a cama num domingo de manhã. Estou falando do que os geólogos gostam tanto: milhares ou até milhões de anos.

Durante esse tempo, uma grande quantidade de restos de organismos deve ser preservada junto com outros sedimentos para formar um leito de rocha. O aumento de pressão e temperatura que essa rocha sofre ao ser enterrada ajuda a transformar a matéria orgânica em óleo e permite que ela se mova pelo subsolo.

O óleo formado precisa encontrar imediatamente outra rocha que a retenha como se fosse uma esponja. Essa rocha deve ter muitos poros e boa conectividade entre eles. Para entender um ao outro, o mármore polido da cozinha não valeria a pena.

Uma rocha impermeável que atua como uma vedação deve ser envolvida em torno deste armazém . Desta forma, o óleo ficará preso e não escapará naturalmente. Então, e só então, teremos um campo de petróleo.

Origem e formação de óleo.

Origem e formação de óleo. 1- Uma grande quantidade de restos de organismos e sedimentos formam o leito de rocha. 2 - Perto do leito de rocha deve estar localizada uma rocha de armazenamento que tenha muitos poros bem conectados e uma rocha de vedação que evite que o óleo formado escape para a superfície. 3- O aumento de temperatura e pressão transforma a matéria orgânica inicial da rocha mãe em óleo que migra para a rocha de armazenamento. (Modificado e adaptado da seguinte fonte: Cepsa )

Rumo à consciência ambiental

Os depósitos são perfurados, uma vez localizados, para obter o ouro negro . Não é de admirar que eles o chamem assim. Há menos e menos campos produtivos, ou eles são encontrados em áreas onde a extração é complicada e cara. Quando a era do petróleo terminará? Essa é a pergunta de um milhão de dólares!

Sabemos que, apesar de nossa dependência manifesta, devemos combater as conseqüências ambientais que derivam do uso de petróleo e outros combustíveis fósseis.

Vivemos em uma era em que expressões como "mudança climática" e "aquecimento global" se tornaram difundidas. Boa parte da opinião pública entende o alcance do problema e a necessidade de realizar ações contra ele.

Nem sempre é assim. É uma pena que muitos líderes políticos, ignorando as evidências científicas, tendam a minimizar a questão impulsionada por interesses particulares. Por exemplo, alguns governos insistem em não tomar todas as medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, os principais culpados pelo aumento da temperatura média do planeta.

A solução apropriada seria desacelerar o consumo desses recursos. A tarefa parece difícil, porque não os usamos apenas para obter energia. Quase todos os objetos que tocamos diariamente, desde o plástico das garrafas até as fibras sintéticas de nossas roupas, têm algum composto derivado do petróleo.

Felizmente, a Comissão Européia parece ter colocado as baterias e recentemente estabeleceu o fim da era dos combustíveis fósseis em seu território no horizonte de 2050.

Além dessas boas intenções, será necessário ver quais alternativas energéticas reais existirão para cobrir a demanda. Além disso, e essa é outra questão, que intenções albergam outros países não europeus cujo crescimento econômico continua ligado ao consumo desses combustíveis.

Mas até lá, sempre será melhor prevenir do que curar. Por favor, da próxima vez que você ligar seu carro ou decidir elevar o aquecimento de uma casa, lembre-se de que eles usam um recurso escasso com um forte impacto ambiental. Então não abuse. Leguemos um mundo melhor para as gerações futuras, mais habitáveis ​​e menos poluídas, um mundo em que elas possam andar ... mesmo numa scooter!

José Luis Casamor , Professor de Geologia Marinha da Universidade de Barcelona

Este artigo foi originalmente publicado no The Conversation . Leia o original .

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A ordem mundial do petróleo


José Luís Fiori

Plataforma (Foto: Divulgação/Petrobras)

Publicado no Jornal do Brasil

POR JOSÉ LUÍS FIORI, cientista político e professor titular da UFRJ

Nas duas últimas décadas do século passado, a Guerra Irã- -Iraque, entre 1980 e 1988; a Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991; e o fim da URSS, em 1991, atingiram em cheio alguns dos maiores produtores e exportadores mundiais de petróleo, dividindo e enfraquecendo a Opep e destruindo a capacidade de produção russa. Foi um período de anarquia no mercado mundial de petróleo, o mesmo momento em que as grandes corporações petroleiras privadas promoveram uma grande desconcentração e “desverticalização” do seu capital e de suas estratégias, enquanto o petróleo era transformado num “ativo financeiro”, cujo preço era renegociado diariamente nas bolsas de Nova York e Londres. Mas no fim dos anos 90 e início do século 21, essa tendência foi revertida de forma abrupta e radical. E tudo começou, surpreendentemente, pelas próprias petroleiras privadas anglo-americanas, que comandaram, a partir de 1998, uma nova revolução na indústria privada do petróleo, envolvendo-se num processo gigantesco de fusões de empresas, que já eram as maiores do mundo e que deram origem às atuais Exxon-Mobil, ConocoPhillips, Chevron, BP, Total, ou mesmo à norueguesa StatoilHydro.

Esse terremoto se alastrou logo em seguida, assumindo novas formas com a reestatização e reorganização das “gigantes energéticas” russas, chinesas e indianas, ao lado das que já estavam no mercado, mas alargaram suas ambições, na Arábia Saudita e em todo o Golfo Pérsico, na Venezuela, Nigéria, México, Argélia, Angola e também no Brasil, sobretudo depois da descoberta do petróleo em águas profundas, em 2006. Uma transformação tão rápida e profunda que levou o grande especialista em petróleo norte-americano Michael Klare a dizer que o mundo havia entrado numa “nova ordem energética internacional”, caracterizada pela hiperconcentração do capital petroleiro privado, pela multiplicação das grandes petroleiras estatais e pela crescente hegemonia do nacionalismo econômico e do “nacionalismo energético”, entre as grandes potências do sistema mundial, mesmo entre as chamadas “potências liberais”, incluindo os Estados Unidos de Donald Trump, o último dos “conversos”. E, de fato, 20 anos depois do início dessa transformação, cerca de dois terços das reservas de petróleo do mundo se concentram no território de 15 países, e em 13 deles são de propriedade estatal; das 20 maiores empresas petroleiras do mundo, 15 são estatais e controlam 80% das reservas mundiais. As outras cinco empresas são privadas – três anglo-americanas, uma holandesa e uma francesa – e controlam menos de 15% da oferta mundial do petróleo. Por isso tem toda razão Daniel Yergin – outro grande especialista americano – quando diz que nos dias de hoje as principais decisões relativas ao petróleo – da definição dos preços ao traçado das grandes estratégias – são tomadas pelos Estados nacionais e suas grandes empresas públicas. Cabe sublinhar, além disso, que pelo lado da demanda mundial do petróleo, 50% do seu crescimento nos próximos 30 anos deve vir de China e Índia.

É muito difícil identificar uma causa única que explique essa revolução na ordem mundial do petróleo. Mas é possível destacar três tipos de turbulências fundamentais, que ocorreram simultaneamente. No plano econômico, o enorme crescimento dos países asiáticos e, em particular, da China e da Índia, que produziu um verdadeiro “choque de demanda” sobre o mercado mundial de petróleo. E, pelo lado da oferta, a grande expansão, nesse início do século 21, da produção americana de petróleo e gás, que recolocou os EUA na liderança do negócio mundial de energia. Por outro lado, no plano geopolítico, a guerra quase contínua no Oriente Médio, que se prolonga desde 2001, provocando um verdadeiro “choque de expectativas” negativas, com a perspectiva de uma guerra permanente envolvendo as grandes potências e quase todos os países de dentro e fora daquela região com grandes reservas de petróleo.

Por fim, como consequência dos dois fatores anteriores, a verdadeira “corrida” das grandes potências, para conquistar e monopolizar os novos recursos descobertos nesse período, em qualquer lugar do mundo, mas sobretudo no Canadá, Venezuela e Brasil, e em alguns pontos da África. Assim mesmo, num plano mais geral e de longo prazo, se pode afirmar que essa nova ordem é um produto direto e necessário da gigantesca expansão do sistema interestatal capitalista, que ocorreu de forma concentrada nas últimas décadas. Não se trata apenas da China e da Índia; trata-se de um sistema com 200 Estados nacionais que disputam atualmente um recurso absolutamente escasso, essencial para a sobrevivência como sociedades e economias nacionais, mas também como unidades territoriais soberanas que participam de uma luta que deve se intensificar nas próximas décadas, sem deixar lugar para neutralidades.

Nesse contexto geopolítico só uma elite inteiramente corrompida e rebaixada, do ponto de vista moral, e completamente imbecilizada, do ponto de vista intelectual, pode abrir mão do controle estatal de seus recursos energéticos nacionais já conquistados.

domingo, 22 de julho de 2018

Rússia afirma que pode aumentar produção de petróleo


Exploração de petróleo em em Otrada, na Rússia. Foto: Andrey Rudakov/ Bloomberg.

Objetivo é enfrentar possível déficit no mercado. Outros países da Opep têm o mesmo planejamento.

A Rússia planeja elevar ainda mais a produção de petróleo, caso problemas de suprimento atinjam o mercado global. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, o ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, afirma que o país e outros grandes produtores de petróleo estão com a mesma ideia.

Nas últimas semanas, os preços do petróleo alcançaram as máximas atingidas em 2014, em meio à queda esperada nas exportações da commodity do Irã em 2018 devido à retomada das sanções dos EUA sobre o país, além da queda na produção da Venezuela e problemas na oferta da Líbia, Canadá e Mar do Norte.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e outros países produtores, incluindo a Rússia, responderam aos problemas do mercado com um afrouxamento no acordo de corte de oferta em junho. Na prática, o acordo eleva a produção de petróleo combinada em 1 milhão de barris por dia (bpd).

“Se nós precisarmos de mais que 1 milhão de bpd, não descarto que nós possamos rapidamente discutir isso e tomar uma decisão rápida”, disse Novak a jornalistas. Só a Rússia elevaria em 200 mil bpd, mas, segundo Novak, o país poderia aumentar para além desse nível.

Só na Rússia, o ministro acredita que os preços elevados do petróleo devem gerar 2,5 trilhões de rublos aos cofres públicos russos em 2018, o equivalente a US$ 40,14 bilhões.

Na quinta-feira (12), a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) afirmou que já há sinais “muito bem vindos” de que a produção dos principais produtores tem sido elevada e pode alcançar um recorde.

Com informações da Reuters.
https://revistamineracao.com.br

terça-feira, 30 de maio de 2017

Exploração de petróleo no Ártico da Noruega


A infografia mostra as descobertas de petróleo no mar de Barents.
 
Graphic News
May 5, 2017 -- As autoridades norueguesas esperam que as companhias petrolíferas perfurem 15 poços de exploração no mar de Barents este ano.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Notícias Geografia Hoje


Opep prevê mercado petrolífero em déficit em 2017


O mercado petrolífero pode voltar ao déficit em 2017, devido à redução da produção dos países não membros da Opep

O mercado petrolífero pode voltar ao déficit em 2017, devido à redução de produção dos países não membros da Opep, segundo um relatório desta organização publicado nesta sexta-feira.

"Há sinais convergentes da queda de produção dos países não membros da OPEP que devem provavelmente dar uma guinada no mercado e colocá-lo em déficit em 2017", após uma redução dos investimentos devido aos baixos preços, estimou a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em seu relatório mensal, apresentado em Viena.

Esta queda da produção é resultado da redução de investimentos em vários países nos últimos meses, devido aos baixos preços do petróleo. Nos Estados Unidos, por exemplo, os poços de exploração caíram em mais da metade em um ano.

A OPEP também apontou a queda substancial da produção na Colômbia, no México e no Cazaquistão. No caso destes dois últimos países, a redução de produção "pode seguir em 2017".

Para 2016, no entanto, o cartel de 13 países, que extrai cerca de um terço do petróleo mundial, continua prevendo uma superprodução, já que suas previsões de produção e de consumo mundiais não se modificaram.

Segundo a organização, a demanda média deve se fixar em 94,18 milhões de barris por dia (mbd), contra uma produção dos países não membros da OPEP de 56,4 mbd.

Na prática, isso significa um excedente de cerca de 1 mbd. Os países da OPEP já extraíram 32,44 mbd em abril, depois de terem extraído 32,25 mbd em março, de acordo com o documento.

"De forma geral, a superprodução persiste e a produção continua sendo elevada", insiste a OPEP, embora existam sinais de que "a situação de superabundância persistente da oferta deve se atenuar".

Recuperação de preços

Os preços já aumentaram 40% desde seu mínimo em janeiro, "impulsionados pela perspectiva de uma aceleração da queda da produção americana de petróleo, um dólar fraco, as interrupções de fornecimento e as previsões de uma importante redução da produção fora da OPEP", segundo o relatório.

Apesar dos conflitos internos, a OPEP nega-se há vários meses a reduzir de forma unilateral sua produção, o que significaria ceder partes do mercado. A Arábia Saudita defende, pelo contrário, saturar o mercado para eliminar os países menos competitivos.

De fato, a produção do cartel tende a crescer, especialmente pelo maior peso do Irã depois do levantamento, em janeiro, das sanções internacionais que asfixiavam o país.

Em abril, a república islâmica, que busca alcançar uma produção de 4 mbd, viu sua produção diária subir em quase 200.000 barris, a 3,45 mbd.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Algas poderiam substituir petróleo em produtos sintéticos


Bactérias geneticamente modificadas produzem material plástico que é fabricado a partir de combustíveis fósseis


Ed Bierman/Flickr

Niina Heikkinen e ClimateWire

De camisas de poliéster, jarras de leite de plástico e tubos de PVC à produção de etanol industrial de alta qualidade, a matéria-prima química etileno pode ser encontrada por toda parte ao redor do globo.

Mas a onipresença de etileno como um bloco de construção em plásticos e produtos químicos mascara seu custo ambiental embutido. Esse hidrocarboneto de baixo custo é feito de petróleo e gás natural, e o modo como é produzido emite mais dióxido de carbono (CO2) que qualquer outro processo químico. À medida que as preocupações sobre os níveis de CO2 na atmosfera têm aumentado, alguns cientistas andaram realizando experimentos alternativos para tornar a produção de etileno mais “verde”, ou ecologicamente correta.

No Laboratório Nacional de Energia Renovável do Departamento de Energia (NREL, em inglês), pesquisadores estão tendo um sucesso inesperado com a ajuda de cianobactérias, ou algas verde-azuladas. Jianping Yu, do Grupo de Fotobiologia do NREL, lidera uma equipe que está trabalhando com esses organismos.

Em seu laboratório, eles conseguiram produzir etileno diretamente a partir de algas geneticamente modificadas. Para isso, os cientistas introduziram em cianobactérias um gene que codifica uma enzima produtora de etileno, alterando efetivamente seu metabolismo. Isso permite que os organismos convertam em etileno parte do CO2 utilizado normalmente para produzir açúcares e amidos durante a fotossíntese.

Como o etileno é um gás, ele pode ser facilmente capturado. Produzir etileno também não requer muitos insumos. Os requisitos básicos para cianobactérias são água, alguns minerais, luz e uma fonte de carbono. Em um ambiente comercial, o CO2 poderia vir de uma fonte pontual, como uma usina de energia, explicou Yu.

Se esse método alternativo de produção se tornar suficientemente eficiente, ele poderia potencialmente substituir o cracking (fraturamento) a vapor, o método energeticamente intensivo utilizado atualmente para dissociar petroquímicos em etileno e outros compostos.

Como algas absorvem três vezes mais CO2 para produzir uma única tonelada de etileno, o processo age como um “sumidouro de carbono”. Isso seria uma melhoria significativa em relação ao cracking a vapor, que gera entre uma e meia e três toneladas de dióxido de carbono por tonelada de etileno de acordo com a própria análise dos pesquisadores.

O gás de etileno capturado pode então ser transformado para utilização em uma ampla gama de combustíveis e produtos. “Acho melhor transformar o CO2 em algo útil”, observou Yu, comparando a abordagem a outros métodos de captura de carbono.

“Você não precisa bombear CO2 no solo e [os produtos] durarão muitos anos”.

Modificando genes para absorver carbono

Yu e seus colegas não foram os primeiros a ter a ideia de usar cianobactérias para produzir etileno. O processo foi tentado originalmente por pesquisadores no Japão há mais de uma década; mas, à época, os cientistas não foram capazes de produzir etileno de forma confiável.

Quando Yu leu aquele estudo anos mais tarde, ele pensou que, ao alterar geneticamente uma cepa diferente com a qual tinha trabalhado intensamente (Synechocystis sp. PCC6803), talvez fosse capaz de tornar a produção de etileno mais consistente.

Os pesquisadores conseguem produzir etileno a partir de algas ao alterarem uma parte do metabolismo do organismo chamada ciclo dos ácidos tricarboxílicos (TCA), envolvida na biossíntese e produção de energia. Em algas verde-azuladas geneticamente inalteradas, esse ciclo só pode absorver uma fração relativamente pequena, de 13%, dos 2% a 3% do CO2 fixado.

Mas no laboratório de Yu, as algas são capazes de enviar três vezes mais carbono ao ciclo TCA e emitem 10% do CO2 como etileno, a uma taxa de 35 miligramas por litro por hora. Isso pode não parecer muito, mas representa um aumento de mil vezes na produtividade desde que o cientista começou a trabalhar com as cianobactérias em 2010.

Até o final deste ano, Yu pretende aumentar esse rendimento para 50 miligramas. “Isso não está, nem de longe, perto do limite superior”, salientou, explicando que a meta final será converter 90% do carbono fixado em etileno.

“Não vejo por que ele [o limite] não pode ir além; ainda não ‘bati em um muro de tijolos’. Não sei o que impediria isso de acontecer, mas é claro que seria possível”.

Surpreendentemente, embora as cianobactérias estejam produzindo mais etileno, os organismos ainda estão crescendo à mesma razão das algas não produtoras de etileno.

Os resultados demonstram que o metabolismo das cianobactérias é muito mais flexível do que se acreditava, de acordo com Yu.

“É como uma pessoa que está perdendo sangue o tempo todo, mas parece saudável”, comparou.

Yu e seus colegas não têm certeza de como isso está acontecendo, mas a mutação que permitiu a produção de etileno também estimulou a fotossíntese.

“Esse sistema nos oferece um novo insight de fotossíntese e nos dá a esperança de que podemos aprender com isso e aumentar a atividade fotossintética”, resumiu.

Esse entendimento do metabolismo de cianobactérias é tão importante quanto a criação de organismos capazes de produzir etileno consistentemente, avaliou Robert Burnap, professor de microbiologia e genética molecular na Universidade Estadual de Oklahoma.

Ele não esteve envolvido no estudo, mas forneceu uma referência para a inscrição de Yu no prêmio 2015 da R&D 100 Awards, uma espécie de “Oscar da invenção” que identifica e premia os principais produtos tecnológicos do ano.

Yu agora é um dos finalistas na categoria Dispositivos/Material Mecânico.

“É surpreendente o quanto o metabolismo é adaptável. Ele está produzindo algo que não evoluiu para fazer. Houve muita controvérsia inclusive sobre se era ou não possível ter uma produção consistente de etileno. Ele [o metabolismo] mostra que é flexível”, resumiu.

A pesquisa poderia ajudar outros cientistas a entender melhor os caminhos metabólicos em outras plantas e até em humanos.

O ciclo TCA também está ativo nas mitocôndrias de nossas células, comentou Burnap.

“O que torna esse estudo realmente especial é a profundidade de análise que eles empreenderam”, observou ele, descrevendo a pesquisa toda como uma “peça de trabalho seminal”.

Criando centros de produção... em tanques?

Ainda é extremamente prematuro afirmar quando, ou mesmo se, essas algas produzirão etileno em escala comercial. Yu estima que o desenvolvimento até essa fase possa levar mais de 10 anos.

“Será preciso muito trabalho para aumentar (melhorar) a eficiência de carbono para 50% ou mais”, admitiu.

Philip Pienkos, gerente principal do Grupo Bioprocess R&D, no Centro Nacional de Bioenergia do NREL, informou que o projeto está começando a se concentrar mais no lado do desenvolvimento, mesmo enquanto Yu continua trabalhando para alcançar volumes mais elevados de etileno.

“Como você recupera etileno? O que faz com a biomassa? Esse projeto está preparado para responder a essas perguntas importantes”, comentou Pienkos.

Em algum momento do próximo ano, os pesquisadores planejam levar seu trabalho para o ar livre a fim de verificar como as algas se comportam em um ambiente que se assemelha mais às condições em que seriam cultivadas comercialmente.

“Precisamos obter um processo de etileno realmente escalável para termos uma noção melhor de como isso funcionaria”, salientou Pienkos.

Yu vislumbra as cianobactérias crescendo em tanques, ou talvez em painéis verticais parecidos com folhas de jornais.

Em qualquer um desses casos, as culturas sólidas ou líquidas teriam de estar encerradas (encapsuladas) para capturar o etileno, enfatizou.

Também existem algumas preocupações de segurança associadas à produção de grandes quantidades de gás.

O hidrocarboneto e o oxigênio que também são produzidos pelas algas são inflamáveis, e certas precauções de segurança teriam de ser adotadas para coletar o etileno de forma segura.

Mesmo se as cianobactérias criarem grandes volumes de etileno, seu sucesso dependerá de se o produto pode tornar-se competitivo em termos de custo.

Isso não será fácil, porque o etileno petroquímico é barato e está amplamente disponível.

De acordo com a análise econômica dos pesquisadores, o etileno derivado de produtos petroquímicos custa entre US$ 600 e US$ 1.300 a tonelada, enquanto o gás proveniente de algas é estimado em cerca de US$ 3.240 por tonelada.

Provar a viabilidade econômica do sistema mais adiante também ajudará a manter o financiamento de pesquisa do Departamento de Energia (DOE), sublinhou Peinkos.

“Algas não são o foco principal do DOE; elas passaram décadas sustentando o trabalho em derivados de celulose. Algas são um portfolio muito menor, e a maior parte do trabalho está na conversão direta para combustíveis líquidos”, declarou.

“O etileno se destaca um pouco porque não é um combustível, mas pode ser uma matéria-prima de combustível”.

Os ganhadores do R&D 100 Awards deste ano serão anunciados em novembro.

Reimpresso de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net



Scientific American Brasil

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A ÁFRICA E A GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO: NIGÉRIA UM ATOR ESTRATÉGICO




Alexandre Tito dos Santos Xavier

1 INTRODUÇÃO

Após a II Guerra Mundial (1945) houve o fim dos impérios coloniais e iniciaram as guerras de libertação nacional no continente africano (1952 – 1975). Surgiram, dessa forma, vários Estados africanos, porém com grande instabilidade política interna, principalmente devido aos aspectos étnicos, religiosos, bem como em relação à formação desses Estados. Vários deles foram criados de cima para baixo, ou seja, os antigos Estados colonizadores cederam à independência as suas colônias sem observar os aspectos étnicos, pois as mesmas eram compostas em sua maioria por povos de diferentes etnias com a respectiva diversidade cultural, servindo para separar nações (tribos) e não para criar nações independentes.

Com isso, na formação desses Estados não se observou a autodeterminação dos povos pregada por Woodrow Wilson (1856 – 1924). Nesse processo traçaram-se linhas divisórias que cortavam territórios de uma tribo, ficando uma parte pertencendo a outro Estado (em algumas vezes de tribos rivais), tornando tênue o sentimento de nacionalismo nos Estados, ocasionando o surgimento de Estados plurinacionais. Tal fato deu origem a inúmeros conflitos civis no interior desses Estados, ocasionando em alguns deles a sua fragmentação, bem como em certas ocasiões a realização de genocídio, resultando em conflitos que até hoje se perpetuam.

A busca por energia pelos Estados tornou-se uma atividade imprescindível para a sustentação de suas economias. E neste contexto, o petróleo e o gás possuem um papel vital, pois conforme relata Larson (2004) , embora haja esforços para incrementar a eficiência energética e dos investimentos em desenvolvimento de novas tecnologias nessa área, o petróleo e o gás natural continuarão decisivos por muitos anos. Verifica-se que um maior desenvolvimento econômico mundial acarreta maior consumo desses recursos energéticos em curto prazo. O crescimento econômico de alguns Estados como a China, a Índia e o Brasil faz com que haja uma maior demanda de energia, impactando em tal mercado energético. Verifica-se como conseqüência disso a necessidade dos Estados em ter ou controlar fontes de petróleo, bem como as rotas por onde ele é transportado. 

Neste artigo faremos uma pequena análise sobre a importância da Nigéria na atual busca energética, na África, por alguns Estados resultando na Geopolítica do Petróleo no continente africano. Sendo assim, pretende-se fomentar uma reflexão sobre o aumento da importância do continente africano na disputa energética, principalmente devido à proximidade do Brasil.


2 A NIGÉRIA E SUA IMPORTÂNCIA NA GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO

A Nigéria por ocasião de sua independência em (1960) teve em sua formação inúmeras etnias (em torno de 250, sendo algumas delas adversárias), e durante a sua existência como país independente e soberano passou por inúmeros conflitos internos devido a tal diversidade étnica e religiosa, ou seja, tornara-se um Estado plurinacional, possuindo um tênue sentimento de nacionalismo, seguindo o processo citado anteriormente. Historicamente tais conflitos são correlacionados com as referidas disputas étnicas, porém ao se analisar profundamente a questão verifica-se que a exploração do petróleo , mais precisamente a relação da aplicação dos dividendos resultantes da referida exploração energética, torna-se uma das principais causas dos referidos conflitos. A partir de 1991, os mesmos são potencializados pelas novas ameaças (dentre elas destacamos o terrorismo e a pirataria) e pela globalização intensificada no início do século XXI - marcada pela instantaneidade das informações, dos transportes e das transações econômicas, fazendo com que essas ameaças se reproduzissem entre os Estados de forma acelerada, tornando-as transnacionais - afetando a segurança e a defesa do Estado nigeriano. Surgem, então, a partir desse período grupos militares separatistas (MEND, dentre outros) aumentando a instabilidade política interna da Nigéria.

As instituições e os estamentos políticos e sociais do Estado nigeriano (forças armadas, polícia, justiça etc) encontram-se enfraquecidos e desestabilizados não sendo capazes de manter a estabilidade no interior do Estado, comprometendo a sua soberania . O mesmo, devido à sua endêmica corrupção apontada pela Transparency International , uma organização internacional não-governamental, não aplicou os recursos provenientes na melhoria do nível de vida de sua população, especialmente na região sul (principal produtora), acarretando grande descontentamento por parte das etnias locais , originando inúmeros grupos armados que buscavam maior participação nos lucros e no controle da exploração petrolífera, contribuindo para a instabilidade na política interna do Estado.

Neste sentido, a Nigéria tornou-se um Estado Fraco tendo início ao expansionismo islâmico da região norte com a adoção da sharia (existe um aumento da violência contra a população não-muçulmana), aumento das ações dos grupos miltares separatistas, aumento da pirataria em suas águas jurisdicionais, aumento da insatisfação popular, principalmente do sul, com o governo e diminuição do estímulo à entrada de investimento direto estrangeiro no país, afetando, particularmente, o setor de petróleo e gás (devido ao contexto de desaceleração do crescimento, associado à restrição de liquidez internacional e à insegurança na região do Delta do Níger).

Neste cenário, começa a assumir importância estratégica mundial o continente africano devido às recentes descobertas de petróleo (1995 – 2005) de excelente qualidade (baixo teor de enxofre), principalmente em sua costa ocidental (região marítima). Tal fato acarretou uma acirrada disputa por Estados de fora daquele continente pelos referidos recursos energéticos, destacando-se os Estados Unidos da América - EUA (atualmente 12% de seu petróleo bruto é importado da África , havendo perspectiva de chegar a 25%, parcela maior que a da Arábia Saudita) e a China (atualmente 25% de seu petróleo bruto é importado da África, e procura aumentar cada vez mais as suas importações desse continente), resultando em uma geopolítica do petróleo. Onde a China vale-se do seu soft-power para atender a sua demanda por petróleo, sendo bastante eficaz com os Estados africanos. Do outro lado os EUA possuem uma tendência intervencionista em assuntos internos dos Estados, seguindo essa linha ativou o The United States African Command (USAFRICOM) (poderio militar – exemplo típico de hard-power). Nesta disputa, despontou a Nigéria como um ator estratégico devido a ser um dos maiores produtores e exportadores de petróleo, além de possuir as maiores reservas petrolíferas do continente.


3 CONCLUSÃO

Vimos que o continente africano possui Estados com problemas de instabilidade interna fruto da formação dos mesmos. Concluimos que devido a crescente demanda por energia, no qual o petróleo e o gás ainda possuem papel fundamental, por Estados possuidores de economias robustas, bem como em franca ascensão, as recentes descobertas de reservas de energia petrolífera no continente africano fizeram com que este continente tivesse a sua importância aumentada no cenário internacional. E inserido nele destaca-se a Nigéria tornado-se um ator estratégico na geopolítica do petróleo.

XAVIER, Alexandre Tito dos Santos. África e a Geopolítica do Petróleo: Nigéria um ator estratégico Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 4, Nº10, Rio, 2009 [ISSN 1981-3384]
Revista Tempo Presente

domingo, 20 de abril de 2014

Petróleo - Contaminação cotidiana


Oleoduto em Prudhoe Bay, no Alasca, EUA
Imperceptível aos olhos do mundo, ocorre a sorrateira, no entanto devastadora, poluição causada por petróleo
Provavelmente todos escutaram falar do catastrófico vazamento de petróleo no Golfo do México. Mas o que se esquece facilmente diante de suas gigantescas proporções é que, diariamente, ocorrem contaminações muito menores ao redor do mundo. Por exemplo, no delta do Rio Níger, na África Ocidental, onde, nos últimos 50 anos, cerca de 1,5 milhão de toneladas de petróleo escorreram de dutos esburacados, destruições causadas por sabotagem e descuidos durante roubo, diretamente para a natureza. Foi assim, por exemplo, na Bacia Amazônica, junto ao Equador: ali, o gigante petrolífero Texaco é acusado de, nas últimas três décadas, ter contaminado gigantescas áreas da floresta tropical, donas de bilhões de litros de águas residuais, com 60.000 toneladas de óleo pesado. Ou ainda na Rússia, cuja imensa rede de oleodutos revelou, só em 2005, perto de 22.000 pontos de vazamento!
De acordo com estimativas cautelosas, essas instalações antiquadas e decadentes deixam escapar na tundra e na taiga, anualmente, entre 100.000 e 300.000 toneladas de petróleo bruto. E cientistas do Conselho Nacional de Pesquisas americano afirmam: a cada 12 meses, os oceanos do planeta são poluídos com 1,3 milhão de toneladas de petróleo, das quais 600.000 brotam, espontaneamente, de fontes naturais no leito marinho.
Nos casos do Mar do Norte e do Mar Báltico, o grupo ambientalista Greenpeace estima um acréscimo de poluição da ordem de 20.000 toneladas/ano. Mas o consumidor final também tem sua fatia de culpa: só nos Estados Unidos pingam, anualmente, cerca de 48.000 toneladas de petróleo e derivados; eles escoam por pequenos vazamentos em veículos e tanques de armazenamento.


Revista GEO

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Avanço no Ártico


Na corrida em busca das últimas reservas de petróleo e gás natural, as grandes companhias petrolíferas penetram nas regiões polares: uma ousadia técnica, com riscos imprevisíveis para a natureza
Diana Laarz (Textos) e Justin Jin (Fotos)



Quebra-gelos garantem livre acesso ao SMLOP Varandey: o terminal de carregamento, no Mar de Pechora, fica a 22 quilômetros do litoral russo e é a plataforma marítima mais setentrional da Terra



Temperaturas de até -50ºC e dias cheios de escuridão: barracas dos trabalhadores na área de pesquisa de Naulskij, a 1.750 quilômetros a nordeste de Moscou



A natureza vence a tecnologia: um operário de um dos campos de extração na República de Komi, no noroeste da Rússia, durante reparos de um vazamento em uma canalização de água



Veículos Nomad do prestador de serviços geológicos russo Naryan- Marsejsmoraswedka servem como "cães farejadores" dos caçadores de petróleo: esses veículos especiais usam vibrações sísmicas para detectar recursos minerais escondidos na terra




Estradas de gelo ligam as estações das companhias petrolíferas. Como derretem no verão, elas têm de ser retraçadas
 Reportagem completa na Revista GEO

As consequências do derretimento do gelo no Ártico

Diana Laarz (Textos) e Justin Jin (Fotos)

HÁ PELO MENOS 1.500 ANOS a camada de gelo do Oceano Polar Ártico não ficava tão pequena: em setembro ela só cobriu 3 milhões de quilômetros quadrados - o que foi significativamente menos que no recorde anterior, de 4,3 milhões de quilômetros quadrados, em 2007. Se essa tendência prosseguir, os pesquisadores esperam consequências drásticas para toda a Terra, além de graves efeitos regionais. Três exemplos:
Os narvais: esses mamíferos cetáceos, com seu característico dente incisivo parecido como um chifre, vivem exclusivamente no Ártico. Nos meses mais frios, eles permanecem embaixo da bordas das plataformas de gelo, onde não só encontram abrigo das baleias assassinas (orcas), mas principalmente um farto cardápio de crustáceos, lulas e peixes cujas áreas de alimentação se localizam ali. Se a estação livre de gelo se prolongar ou se o gelo ficar mais fino, as condições de vida desses mamíferos marinhos deteriorarão significativamente.
Ursos polares: como se alimentam principalmente de focas, os ursos polares são obrigados a caçar no gelo, onde encontram animais suficientes para atender às suas necessidades diárias de cerca de oito quilos de carne por animal. Quanto mais longos os períodos livres de gelo, mais curta é a temporada de caça e, portanto, mais precária a situação alimentar dos cerca de 25 mil ursos polares do Ártico. Na baía de Hudson, eles já estão caçando cada vez mais presas que vivem em terra firme - o que elevará o risco de conflitos entre o homem e os animais.
Navegação: o recuo do gelo polar está abrindo novas rotas para o comércio marítimo. A chamada Passagem do Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico ao norte do Canadá e dos EUA, reduziria em 5 mil quilômetros a distância entre o leste asiático e a Europa em comparação com a atual rota tradicional.
Revista GEO

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