segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Por que, quanto mais alto subimos, mais frio faz, apesar de estarmos mais perto do Sol?

Tão perto do Sol e tão longe do calor! Entenda por que isso acontece

Débora Zanelato, Julia Moióli, Juliana Caldas e Luciana Fuoco • Ilustração: Rico


Porque no alto o ar é mais rarefeito (existe em pouca quantidade). O ar é uma combinação de gases feitos de partículas muito pequenas, chamadas moléculas.

Quando as moléculas são atingidas pela luz do Sol, elas vibram. É essa vibração que chamamos de calor.

Quanto mais alto estamos, menor é o número de moléculas de ar e, com menos moléculas vibrando, o calor diminui e sentimos frio.
Revista Recreio

Entenda o que são os paralelos e meridianos



Viaje pelas linhas do planeta:
Saiba onde ficam os paralelos e meridianos da Terra e para que servem!


Maria Carolina Cristianini • Foto: divulgação

Já reparou como os continentes são cortados por linhas verticais e horizontais? São os paralelos e meridianos, criados para localizar pontos pelo mundo. Siga o mapa abaixo!

Bem no meio!

O paralelo principal é a linha do Equador, que divide a Terra entre os Hemisférios Norte e Sul. Ela é o ponto inicial para medir a latitude (distância em graus de qualquer local do mundo em relação à linha).

Trópico o quê?

Quando o verão se inicia no sul, os raios solares batem sobre o Trópico de Capricórnio. Nesse momento, a constelação (grupo de estrelas) de Capricórnio está na direção do Sol.

Quando o verão começa no norte, o Sol incide sobre o Trópico de Câncer e a constelação de Câncer está na direção do Sol. Daí os nomes desses paralelos!

Noite e dia

Por causa da inclinação da Terra, em algumas áreas dos Polos Norte e Sul, o Sol não se põe quando é verão. E, no inverno, há lugares onde não amanhece. Os paralelos chamados Círculos Polares Antártico e Ártico marcam o limite de onde ocorre ao menos um período de 24 horas com Sol (no verão) e um dia inteiro no escuro (no inverno).

Dois lados do mundo

Na vertical, a linha que divide os Hemisférios Leste e Oeste é o Meridiano de Greenwich. A distância entre ele e qualquer lugar do mundo, medida em graus, chama-se longitude.

Sem atrasos

Além de indicar a longitude, o Meridiano de Greenwich define o horário mundial. Ele foi estabelecido como ponto de referência em 1884, quando a Terra passou a ser dividida em 24 fusos horários (cada fuso adiciona ou diminui uma hora em relação a Greenwich). Antes, os relógios eram acertados pela observação do Sol. E rolava a maior confusão!
Você sabia que o nome do Meridiano de Greenwich vem do fato de ele passar pelo Observatório Astronômico Real britânico, na cidade de Greenwich, perto de Londres?

Vire à direita

O cruzamento entre um paralelo e um meridiano indica a coordenada geográfica (latitude e longitude) de um ponto na Terra. Com esses dados (fornecidos por satélites), os aparelhos de GPS encontram onde você está e o levam ao destino!

Os paralelos também indicam o clima:
Equatorial: perto do Equador, com média de 25 graus Celsius e chuva por quase o ano todo
Tropical: rola nas áreas dos trópicos, onde os termômetros, em média, passam de 20 graus Celsius e há períodos de seca no inverno
Temperado: entre os trópicos e os polos, tem inverno com temperaturas negativas
Polar: perto dos polos, onde as médias de temperatura ficam abaixo de zero grau Celsius

Números dos paralelos:
40 mil quilômetros É a extensão da linha do Equador! Ela atravessa 14 países e, no Brasil, corta o Amazonas, Roraima e o Amapá
11 países São cortados pelo Trópico de Capricórnio, entre eles o Brasil, onde a linha passa por Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo
17 países São atravessados pelo Trópico de Câncer, como México, Egito e Arábia Saudita
Menos 3 horas É o horário oficial de Brasília em relação a Greenwich. Ou seja, se por aqui são 10h, lá são 13h

Consultoria: Ailton Luchiari (professor do Departamento de Geografia da USP), Claudio Egler (professor do Departamento de Geografia da UFRJ) e Maria das Graças de Lima (professora da UEM). Fonte: Almanaque Abril 2013.
entenda o que são os paralelos e meridianos
Revista Recreio

domingo, 29 de dezembro de 2013

Qual é o lugar mais profundo da Terra?

Ele está a 11 mil metros de profundidade! Veja onde fica
Débora Zanelato, Ludmilla Balduino, Marina Melo e Silvia Regina ♦ Ilustração: Rico


É a Fossa das Marianas, com cerca de 11 mil metros de profundidade! A região fica no Oceano Pacífico, perto das Ilhas Marianas, ao sudeste do Japão.

A profundidade tem a ver com as placas tectônicas, que na área estão mais separadas do que o normal, criando um buraco.
Revista Recreio

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Notícias Geografia Hoje

Antártida registrou frio recorde em 2010, dizem cientistas
Cume contém bolsões de ar aprisionado que chegaram a registrar -93°C em 10 de agosto de 2010


O ar ártico que levou temperaturas congelantes ao leste dos Estados Unidos este mês é relativamente ameno em comparação com o recorde de -93°C medido na Antártida em agosto de 2010, de acordo com pesquisa divulgada nessa segunda-feira (9). Os cientistas fizeram a descoberta ao analisar 32 anos de temperaturas da superfície global registradas por satélites.

Eles descobriram que um cume no leste da Antártida contém bolsões de ar aprisionado que chegaram a -93°C em 10 de agosto de 2010, disseram pesquisadores em encontro da União Geofísica Americana, em San Francisco.

O recorde de baixa anterior era de -89,2°C, registrado em 1983 na estação de pesquisa russa de Vostok, na Antártida Oriental, disse Ted Scambos, cientista chefe do Banco de Dados Nacional de Gelo e Neve dos EUA, no Colorado.

"Nós tínhamos a suspeita de que este cume da Antártida era susceptível a ser extremamente frio, e mais frio do que Vostok, porque é mais alto", disse Scambos em comunicado. As temperaturas são cerca de 50 graus mais frias do que qualquer registro no Alasca ou na Sibéria.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Notícias Geografia Hoje


Elevação dos mares ameaça a Flórida

NICK MADIGAN
DO "NEW YORK TIMES" 



De acordo com as previsões mais pessimistas, as belas ilhas, comunidades e praias do sul da Flórida podem desaparecer em apenas cem anos, devido à elevação das águas do mar. Mais para o interior, a região pantanosa de Everglades, que garante o suprimento de água doce da região, pode um dia ser contaminada pelo avanço do mar. E o arquipélago de Florida Keys, que se estende para dentro do golfo do México, será quase inteiramente submerso.

"Acho que as pessoas não entendem como a Flórida é vulnerável", disse Harold R. Wanless, presidente do departamento de ciências geológicas da Universidade de Miami. "Até o final do século, teremos quatro, cinco ou seis pés de água, ou mais. É preciso acordar para a realidade que está por vir."

A preocupação com a elevação do mar está levando governos locais a entrar em ação. Com população conjunta de 5,6 milhões de habitantes, os condados de Broward, Miami-Dade, Monroe e Palm Beach formaram uma aliança para procurar soluções.

A Flórida, que sempre foi fustigada por furacões e enchentes, é o Estado americano mais vulnerável à elevação do nível do mar. Mesmo previsões mais conservadoras que as do professor Wanless consideram que a maior parte da região costeira baixa da Flórida será sujeita a inundações cada vez mais frequentes, à medida que o degelo das calotas polares se acelerar e que os oceanos subirem de nível e avançarem terra adentro.

Boa parte dos 1.900 km de litoral da Flórida fica pouco acima do nível atual do mar. Construções, estradas e outros elementos de infraestrutura que valem bilhões de dólares têm seus alicerces sobre calcário, que solta água como uma esponja.

Até agora a questão não chamou muito a atenção dos parlamentares estaduais e parece ser igualmente ignorada por segmentos da comunidade que têm interesse financeiro em proteger a dinâmica economia do sul da Flórida.

"A maioria dos empresários está alheia ao problema", disse Wayne Pathman, advogado de Miami especializado no uso da terra. Em última análise, disse ele, o indicador mais forte da crise será a recusa das seguradoras em cobrir riscos em áreas costeiras.

"As pessoas tendem a subestimar a gravidade do que pode acontecer aqui", disse Ben Strauss, diretor do Programa de Elevação do Nível do Mar da organização científica independente Climate Central. Para ele, os efeitos sobre o valor dos imóveis podem ser devastadores. Suas pesquisas mostram que há imóveis no valor de US$ 156 bilhões em terrenos situados menos de um metro acima da linha da maré alta na Flórida.

O professor Wanless acha que a única saída é estudar medidas como uma moratória sobre as construções em áreas costeiras e obrigar os moradores dessas áreas a se mudarem para o interior.

Mas, para Charles Tear, coordenador de emergências de Miami Beach, "o céu não está caindo, embora o nível da água esteja subindo". Tear revelou que ele e outros administradores de Miami Beach se pautam pela previsão mais conservadora, segundo a qual o nível do mar subirá até 38 centímetros nos próximos 50 anos.

"Não podemos pensar nos próximos cem anos", explicou. "Temos que ser realistas."
Folha de S. Paulo

Notícias Geografia Hoje

Ciência busca aliados naturais contra supertempestades

HENRY FOUNTAIN
DO 'NEW YORK TIMES'

The New York Times

Quando o tufão Haiyan arrasou as Filipinas, em 8 de novembro, a onda formada pela tempestade elevou o nível do mar em até quatro metros em questão de minutos, matando milhares de pessoas e destruindo quase tudo que estava em seu caminho.
No ano passado, o furacão Sandy, que deixou mais de cem mortos no nordeste dos EUA, também gerou uma onda de quatro metros que deixou um rastro de destruição, especialmente em Lower Manhattan.
Quando a inundação gerada por supertempestades acaba e as águas recuam, chovem sugestões sobre meios de promover a segurança de áreas habitadas de baixa altitude.
Após a passagem do Sandy, algumas pessoas pediram a construção de muros mais altos para conter o mar. Outros especialistas propuseram projetos ainda maiores de engenharia, como barreiras contra elevações incomuns do mar provocadas por tempestades.
Mas as sugestões mais intrigantes envolvem abordagens naturais. No caso de Nova York, perguntam algumas pessoas, por que não fazer a cidade voltar aos tempos de capital das ostras e construir recifes no porto para ajudar a reduzir as ondas geradas por grandes tempestades?
Por que não converter Lower Manhattan em paraíso aquático, criando uma frente de marisma (terreno pantanoso) que possa absorver ondas excepcionalmente altas geradas por tempestades?
Mas, enquanto algumas barreiras naturais, como dunas, são comprovadamente eficazes para absorver a energia de tempestades, não se sabe se marismas, recifes de ostras ou florestas de kelp (um tipo de alga) podem garantir muita proteção.
As interações entre uma tempestade e os elementos naturais são complexas, e a dinâmica de cada tempestade é diferente, dizem cientistas, fato que torna difícil quantificar a proteção possível.
"Muitas pessoas andam dizendo que ecossistemas úmidos podem reduzir ondas marítimas excepcionais", diz o ecologista Rusty Feagin, da universidade Texas A&M. "Mas não há muitas evidências empíricas disso."
De acordo com proponentes de uma abordagem natural, pesquisas mostram que áreas pantanosas e recifes de fato garantem alguma proteção, especialmente contra ondas.
Eles observam que soluções criadas pela engenharia, como muros contra o mar, encerram problemas próprios --por exemplo, podem agravar inundações e a erosão em outros lugares.
Marismas e recifes de ostras beneficiam os ecossistemas de outras maneiras. As marismas podem se elevar continuamente, acompanhando a elevação do nível do mar decorrente das mudanças climáticas, porque, à medida que as gramíneas que crescem nas marismas retardam o avanço da água, os sedimentos transportados pela água vão para o fundo, elevando o nível do solo. E ostras filtram impurezas, melhorando a qualidade da água.
Mas mesmo os maiores proponentes de defesas naturais reconhecem que elas têm desvantagens. "Apesar das limitações, todas essas ideias podem garantir alguma redução de riscos", disse Nicole P. Maher, cientista costeira sênior da Conservação Nacional em Long Island e estudiosa da baía Jamaica, em Nova York, e outras áreas alagadiças.
Se marismas ou recifes são eficazes para reduzir o avanço de grandes ondas marítimas, é porque eles dissipam a energia destas à medida que a água passa sobre gramíneas, raízes, cascas de ostra e outros materiais, gerando atrito.

Nicole Bengiveno/The New York Times
Gramíneas plantadas em áreas alagadiças na baía Jamaica, em Nova York
Gramíneas plantadas em áreas alagadiças na baía Jamaica, em Nova York


Para Orton, "é fato que áreas alagadiças constituem barreiras, mas apenas no caso de áreas muito grandes".
Faixas estreitas de marisma, como o que foi proposto para algumas áreas em volta de Lower Manhattan, teriam quase nenhum efeito sobre ondas extraordinárias. E boa parte do resto da área de Nova York é tão coberta de construções que há poucos trechos grandes de áreas alagadiças para proteção contra tempestades.
Mas, para Orton, um lugar como a baía Jamaica, que se estende por quase 16 quilômetros, pode proporcionar alguma proteção.
De acordo com Joannes J. Westerink, da Universidade de Notre Dame em South Bend, Indiana, mesmo que uma faixa estreita de marisma tivesse pouco impacto sobre ondas extraordinárias geradas por tempestades, ela ainda assim poderia reduzir a energia das ondas.
Folha de S. Paulo

Notícias Geografia Hoje


Trem vira alternativa a oleoduto polêmico

CLIFFORD KRAUSS
DO "NEW YORK TIMES"


 
Nos últimos dois anos, ambientalistas se acorrentaram às grades da Casa Branca e se uniram para deter a expansão do oleoduto Keystone na luta contra o aquecimento global.

Mas, mesmo que o presidente Obama rejeite o projeto de expansão Keystone XL, talvez não importe muito. As companhias já estão construindo terminais ferroviários para levar o petróleo do oeste do Canadá para os Estados Unidos e até para a Ásia.

Desde julho, foram anunciados planos de três grandes terminais de embarque no oeste do Canadá, com capacidade combinada de 350 mil barris por dia -o equivalente a cerca de 40% da capacidade do projetado oleoduto Keystone XL, que deverá levar petróleo de Alberta, província canadense, até refinarias no golfo do México.

Ao todo, o Canadá deverá quadruplicar sua capacidade de carga ferroviária nos próximos anos, para até 900 mil barris por dia, contra 180 mil hoje.

A aceleração ocorreu apesar de um descarrilamento em Lac-Megantic, no Québec, em julho, quando um trem desgovernado e carregado de petróleo com destino a uma refinaria no leste do Canadá explodiu, matando dezenas de pessoas.

Se todos os novos terminais forem construídos, o Canadá poderá aumentar suas exportações para os Estados Unidos em mais de 20% -mesmo que o Keystone XL nunca seja feito.
O transporte ferroviário pode custar US$ 5 adicionais por barril, ou mais, mas as companhias de petróleo decidiram que não podem esperar. "A indecisão sobre o Keystone XL realmente estimulou a inovação e mobilizou alternativas. A ferrovia é uma das opções", disse Paul Reimer, encarregado de transporte na companhia de petróleo canadense Cenovus Energy.

Os adversários querem deter o projeto do oleoduto para manter as areias betuminosas no solo. Eles dizem que as emissões do desenvolvimento -por meio de mineração ou aquecimento de vapor do solo seguidos de aperfeiçoamentos para embarque- são mais danosas que aqueles da extração do petróleo cru mais convencional. Mas agora parece que mesmo que os ambientalistas vençam sua batalha contra Keystone, o Canadá está destinado a se tornar um importante fornecedor de energia.

Os ramais ferroviários em desenvolvimento para areias betuminosas cortam o Canadá e a fronteira americana da costa do Golfo até Washington e a Califórnia. As ferrovias podem dar aos produtores canadenses uma grande saída para a China, sedenta por petróleo, de refinarias em Washington e na Califórnia.

"Queremos diversificar nossos mercados, em vez de apenas levar nosso produto para o sul", disse Peter Symons, porta-voz da Statoil, gigante norueguesa que assinou contratos de leasing de dois terminais de embarque de petróleo no Canadá. "Podemos colocar esse produto nos navios e levá-lo aos mercados premium na Ásia."

Várias refinarias e portos nos Estados de Washington e Oregon planejam construir ou estão construindo ferrovias para o petróleo cru pesado canadense, assim como o petróleo leve da Dakota do Norte. A refinaria gigante no Texas Tesoro e a companhia de serviços de petróleo Savage anunciaram uma joint venture para construir uma usina de tratamento de petróleo de US$ 100 milhões no porto de Vancouver.

No início do ano, apenas um resquício do petróleo canadense era transportado por ferrovia, não mais de 60 mil barris por dia. Hoje, estima-se que 175 mil barris corram por ferrovias diariamente.

A expansão dependia de uma inovação das companhias de petróleo que trabalhavam na Dakota do Norte: alugar trens inteiros dedicados ao petróleo, em vez de carregar diversos produtos. Assim as entregas seriam mais rápidas e mais baratas.

As ferrovias também são mais fáceis e baratas de construir que os oleodutos. Mas não são livres de preocupações de segurança e de impacto ambiental. Benicia, na Califórnia, demorou para conceder a autorização para um terminal ferroviário em uma refinaria da Valero Energy porque queria abordar essas questões.

Mas Sandy Fielden, diretor de análises energéticas na consultoria RBN Energy, disse: "O petróleo vai encontrar um caminho até o mercado. Quer ele tenha de vir de caminhão, oleoduto ou ferrovia".
Folha de S.Paulo

domingo, 8 de dezembro de 2013

No meio do semi-árido, um oásis


Vilmar e filhos: preferência pelas plantas nativas do sertão / Foto: Vladia Lima/Caatinga

JOSÉ PAULO BORGES
Volta e meia, as imagens estão nos noticiários da televisão: terra e pasto secos, açudes e poços vazios, gente com latas d’água na cabeça, gado morto ou mal podendo se manter em pé. A seca que começou em 2010 não dá trégua. A esperança é que não falhem as chuvas do próximo “inverno”, aguardadas com ansiedade pelo sertanejo para o período entre os meses de dezembro deste ano e abril de 2014. Até lá, na retina dos brasileiros de outras paragens, as cenas da grande estiagem vão perdurar.

Nem tudo, porém, é desolação e sofrimento na paisagem nordestina. Aqui e ali, quando menos se espera, surge uma horta que produz o ano inteiro, uma fonte de água limpinha. Na comunidade de Macambira, interior de Curaçá, cidadezinha sertaneja do norte da Bahia a 580 quilômetros de Salvador, dá gosto ver os cuidados que o agricultor Gilberto dos Santos dedica ao seu pedaço de terra. Numa região fustigada pela estiagem e onde a degradação avança caatinga adentro por causa, principalmente, do desmatamento, da erosão e das queimadas, a propriedade de Gilberto é uma ilha verde na secura do sertão. A casa, para se ter uma ideia, é cercada por pequenas hortas adubadas com o esterco de 30 cabras e bodes criados por ele. Nessas hortas, Gilberto, de 35 anos, cultiva coentro, cebolinha e beterraba. Perto da casa, o agricultor plantou alguns pés de acerola e de mamão. Quer dizer, da janela, quase ao alcance da mão, Gilberto tem o legume, o tempero e o suco para as refeições do dia a dia. Chamam a atenção também as pedras espalhadas caprichosamente em torno da casa. Elas são de diversos tamanhos, algumas bem pesadas, e o agricultor se deu o trabalho de trazê-las, numa bicicleta, de uma pedreira desativada localizada num pé de serra distante 3 quilômetros de onde mora.

Os principais cuidados de Gilberto, contudo, são com os 200 pés de umbuzeiro que ele mesmo plantou. “Em 2006, só havia por aqui aquele umbuzeiro”, aponta Gilberto na direção de uma dessas árvores nativas do sertão, cujo porte nobre e imponente se destaca a uns 200 metros da casa. “Os moradores mais antigos dizem que, quando chegaram, a árvore já estava ali. Deve ter mais de 100 anos”, afirma. “Árvore que dá de beber”, era assim que os indígenas que habitavam o semiárido chamavam o umbuzeiro, por causa de sua capacidade de armazenar até mais de mil litros de água nas raízes.

Gilberto protege os umbuzeiros ainda jovens com semicírculos de terra e pedra, em forma de meia lua, que servem tanto para reter a água no solo como para evitar a erosão. Ele sabe muito bem que toda a atenção com essas árvores é pouca. Afinal de contas, daqui a uns cinco anos, quando estiverem produzindo, serão sua principal fonte de renda. Mesmo nos períodos com pouca chuva e nas estiagens prolongadas, o umbuzeiro frutifica todos os anos. É renda garantida. Isso tanto na comercialização in natura, em feiras ou na beira da estrada, mas, principalmente, beneficiado em forma de doces, polpas, sucos e geleias em pequenas fábricas de agricultores associados em cooperativas. “Esses umbuzeiros são a minha poupança”, enfatiza, acrescentando que a água com a qual trata a plantação vem de um poço artesiano.

Ele não é um caso isolado de adaptação e convivência com a seca prolongada. Ali mesmo, em Curaçá, seus vizinhos da comunidade de Barriguda, embora não plantem quase nada há um bom tempo, por causa da estiagem, estão conseguindo tirar seu sustento criando cabras, porcos, ovelhas e galinhas. “Se a gente fosse viver só da roça estaria numa situação muito difícil, nossa sorte é a criação”, afirma o agricultor Givanildo da Silva Inácio. Segundo ele, esses pequenos animais são a principal fonte de renda das famílias da comunidade nessa época de estiagem, graças à alimentação que recebem, feita a partir de plantas nativas, como o mandacaru, a palma e o cabeça-de-frade, cactos presentes em toda a caatinga e que resistem bravamente às secas mais persistentes.

“É a nossa fartura”

Quem vê a mata seca, rasteira e cinzenta que se espalha por quilômetros e quilômetros ao redor de Barriguda, não imagina o tesouro que existe escondido no subsolo. Uma fonte d’água. É ela que faz a diferença na vida dos moradores da região. A fonte não tem dono, pertence a todos. A vazão é de mais de 700 litros por hora e a água – extraída por meio de um equipamento denominado bomba-d’água popular, que não requer o uso de energia elétrica – é utilizada tanto pelos moradores do lugar como das comunidades vizinhas. Givanildo conta que antes da bomba a água era puxada por uma corda improvisada e mal dava para matar a sede das pessoas, muito menos da criação. Mesmo um cata-vento instalado depois não resolveu o problema, porque volta e meia quebrava e vivia precisando de manutenção. A bomba chegou em 2010, por meio de um programa de abastecimento do governo da Bahia, e representou um alívio para os moradores. Afinal, além de satisfazer as necessidades da comunidade, é água suficiente para um rebanho de mais de 4 mil cabeças de cabras e bodes. “Bem ou mal temos renda, além de carne e leite para as nossas famílias. É a nossa fartura”, comemora Givanildo.

No município pernambucano de Ouricuri, a 620 quilômetros de Recife, desponta outro exemplo de que a seca não é o fim do mundo. Na Agrovila Nova Esperança, a alguns quilômetros do centro da cidade, o agricultor Adão de Jesus Oliveira, de 36 anos, sua esposa, Fabiana, e os filhos do casal, Fernando e Fernanda, provam que é possível tirar alimento e sustento da caatinga, por mais difíceis que sejam as condições do clima e sem agredir o meio ambiente. “Não existe solo improdutivo, mas a terra maltratada pelo homem”, ensina. O verbo é esse mesmo, ensinar. A experiência desenvolvida pelo agricultor e sua família nos 6,5 hectares da terra em que trabalham, perto da agrovila, e no quintal da casa em que vivem, dentro da comunidade, é referência na região. Eles recebem visitas de agricultores, de estudantes e de representantes de entidades e movimentos sociais, inclusive de outros estados. “Para sobreviver durante as secas, que são longas e quando falta tudo, é preciso estocar durante as chuvas, que são curtas, mas quando não há escassez de água, forragem nem alimentos.” Este é o “mantra” que Adão costuma entoar aos visitantes.

Cuidados com a terra e com a vegetação da caatinga; plantio em roçados que consorciam milho, feijão, sorgo, melancia e algodão; criação de caprinos, suínos, galinhas e abelhas. E o principal, nada de queimadas nem adubos químicos no solo. É assim que Adão e a família preservam a propriedade e tiram dela o sustento. O princípio de tudo foi a observação do comportamento das plantas e dos animais, e como eles reagem às diferentes estações – que no sertão são apenas duas: a das secas e a das chuvas. Resultado: não faltam árvores frutíferas como o umbu, a seriguela e o cajá, entre outras. Também há plantas forrageiras para os animais, como o sorgo e o feijão guandu. As vantagens dessa opção ecológica não demoraram. “Cerca de 90% da nossa alimentação nós mesmos produzimos. Quase não vamos ao mercado”, destaca o agricultor.

Como todos os pequenos produtores do semiárido, Adão também sente os efeitos da seca. Mas está conseguindo passar por esse período graças a técnicas que desenvolveu há alguns anos e a outras que aprendeu em treinamentos em associações e entidades, como a Caatinga, ONG de Ouricuri. Para garantir a alimentação do rebanho de ovelhas e cabras de leite, por exemplo, adota a estratégia de estocagem de forragem em dois silos: um na roça, perto de onde as ovelhas pastam, e outro no quintal da casa em que mora. Assim, consegue guardar bastante milho, sorgo em grãos e outras plantas, que são triturados e fornecidos aos animais durante a estiagem. “A silagem é a melhor forma de armazenar a forragem que alimenta a criação na seca”, diz o sertanejo.

Casa de farinha

Adão fez mais. Para aproveitar cada gota da água da barragem que serve à comunidade – que não é muita – usou a imaginação: “bolou” canteiros cercados por pneus de caminhão e colocou lona embaixo. “Isso favorece o plantio, pois a água fica só nos canteiros e não se perde na terra embaixo da lona”, explica. Nos canteiros, o agricultor só usa adubo de resíduos orgânicos, que ele mesmo prepara. Assim, durante o ano – mesmo que não chova – na mesa da família não falta pimenta, coentro, salsa, cebolinha, beterraba, alface, tudo fresquinho. “A produção é tão boa que a sobra a gente vende na feira da cidade.”

Os povoados de São João, Poço do Juá, Bonsucesso, Traíras e outros, na zona rural de Sobradinho, cidade do sertão da Bahia a 465 quilômetros de Salvador, são habitados por famílias boas de briga. Literalmente. Muitas delas foram recolocadas na área depois de expulsas violentamente de suas terras para a construção da Barragem de Sobradinho, nos anos 1970. Entregues à própria sorte, elas se ergueram num movimento que eclodiu nos municípios atingidos pelas obras da represa e com muita luta aos poucos foram readquirindo direitos e obtendo conquistas.

José Neto Silva e sua mulher, Lélia Lúcia dos Santos, orgulham-se dessas origens. Há mais de 20 anos, o casal e os filhos moram em São João, onde cultivam pequenos roçados de milho, feijão e abóbora. Mas a base de sustento da família é mesmo a criação de cabras e ovelhas em áreas coletivas da caatinga, denominadas fundo de pasto. A família não esconde que o segredo para ter um rebanho sempre produtivo está na qualidade e na quantidade da alimentação dos animais. Na forragem, José Neto usa plantas nativas resistentes às estiagens, cultivadas em sua propriedade. Bem alimentados, os animais respondem com uma boa quantidade de leite, que é transformado principalmente em queijos que são vendidos na cidade. Com a seca, a quantidade caiu bastante, mas no período de chuva Lélia e José não dão conta de vender na feira a produção, que chega a 80 quilos mensais de queijo. Por mais que o rendimento com a venda do queijo e do leite tenha variado, Lélia garante que esse pequeno negócio tem melhorado a vida da família.

Em São João, é bom lembrar, foi a luta organizada pela associação de agricultores que ajudou a comunidade a obter benefícios como cisternas e uma barragem comunitária que serve aos animais. Agora, José Neto, Lélia Lúcia e os demais moradores se empenham em conseguir a construção de uma casa de farinha comunitária para aproveitar o cultivo da mandioca na produção de alimentos sertanejos, como a goma e o beiju. “Nossa terra é boa, quando as chuvas voltarem isso aqui vai ficar uma beleza”, anima-se “Zé” Neto.

Em Serra dos Paus Doias, em Exu, cidade do legendário Luiz Gonzaga, no sertão pernambucano do Araripe, a 630 quilômetros de Recife, também há gente lutando contra a seca e obtendo alguns bons resultados. Numa pequena propriedade de 12 hectares, entre pés de macaubeiras, cambuís, murtas, goiabeiras e bananeiras, vivem Silvanete Lermen, seu marido, Vilmar, e os três filhos do casal. Há menos de dez anos, eles viram nas árvores nativas do sertão uma promessa de renda e de alimento. Hoje, com o beneficiamento da murta e do cambuí, a família praticamente vive dos frutos que a natureza oferece.

Silvanete é quem transforma tudo isso em geleia, doce e licor. Ela conta que começou a experimentar o beneficiamento a partir de experiências feitas com outras plantas frutíferas. “Quando comecei a fazer a geleia de cambuí me baseei na receita da geleia de jamelão, que tem um sabor bem parecido. Só fui dosando o açúcar para não ficar muito doce.”

Os licores, geleias e doces feitos de cambuí, murta e maracujá são comercializados em feiras, exposições e em reuniões de que o casal participa. Na hora da colheita, eles contam com o auxílio dos filhos, que ainda são pequenos, mas já sabem reconhecer o valor do cuidado com o meio ambiente. Não faz muito, a família começou a fazer o beneficiamento de uma fruta chamada calazã, apelidada por ela de “cereja do Araripe”, por causa da semelhança dos dois frutos. Geleias e doces de calazã já estão sendo produzidos. “Aqui no sertão do Araripe, graças a Deus, dá para viver mesmo com a seca”, conclui Silvanete.

Animal valioso

Um animal que se alimenta de qualquer espécie de vegetação nativa, exige pouca água, multiplica-se com facilidade e não liga para o clima. Ainda por cima, garante renda e alimentação. Numa época de escassez, como a de agora, representa uma verdadeira cultura de resistência no sertão. Estamos falando do bode. Os moradores da comunidade de Cacimba do Silva, distrito de Itamotinga, em Juazeiro no estado da Bahia, sabem muito bem o que esse animal pode dar, principalmente nestes tempos de estiagem braba. Por isso, no último final de semana de junho deste ano realizaram a II Feira de Caprinos e Ovinos. Organizado pela Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Cacimba do Silva, o evento contou com a parceria da prefeitura de Juazeiro. Aconteceu muita coisa na ocasião: exposição de animais, palestras, apresentações culturais, degustação de carne de caprinos e ovinos e mesa redonda com o tema “A Importância da Caprinocultura Leiteira para os Pequenos Produtores no Semiárido Brasileiro”.

“A renda da comunidade está na caprinovinocultura, principalmente na área de leite, e na criação de pequenos animais no quintal”, comentou Márcio Irivan Passos, criador de caprinos e ovinos e membro da comissão de organização da feira. “A gente sabe que a seca faz parte da vida, e não adianta esconder. A comunidade de Cacimba do Silva deu um exemplo ao apresentar o que produz de melhor”, declarou, entusiasmada, a criadora Maí­ra Oliveira, que mora na comunidade de Craibeira. Foram expostas diversas raças de caprinos e ovinos criados na Bahia e também nos estados de Goiás e São Paulo. “Para ter animais produtivos, mesmo na estiagem, a escolha da raça é muito importante. Mas eu não abro mão da raça mestiça”, completou Maíra.

Em 2007, o agricultor Abelmanto Carneiro de Oliveira viajou ao Ceará, onde participou de um encontro de agricultores. Foi lá que ouviu especialistas dizerem que os anos de 2011, 2012 e mesmo o de 2013 seriam de estiagem braba, difíceis para as populações que habitam o semiárido. O recado soou como um alerta vital para o agricultor. De volta para casa, na comunidade de Mucambo, município de Riachão do Jacuípe, na Bahia, Abelmanto foi logo se preparando para garantir água e alimentos para sua família e a criação. Hoje, ele tem na propriedade de 10 hectares vários sistemas de aproveitamento da água, como cisterna calçadão (para a criação), cisterna de consumo humano, barragem subterrânea e barreiro trincheira. “Consigo armazenar quase 2 milhões de litros de água. Isso é suficiente para manter por oito meses o consumo de 55 cabeças de animais (caprinos e ovinos) e a produção das hortas, e por quatro meses o consumo da família”, relata.

Abelmanto não parou por aí. O agricultor também criou um sistema de produção de biogás, o chamado biodigestor. Aproveitando o esterco dos animais e o bagaço da cana, passou a produzir biofertilizante e também a transformar os insumos em gás. Há quase um ano, não precisa mais se preocupar com gás para cozinhar os alimentos que vão para a mesa da família.

O coordenador-geral do Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada (Irpaa), José Moacir dos Santos, perdeu a conta dos milhares de quilômetros que percorreu desde 2009, no interior dos municípios de Juazeiro, Sobradinho, Sento Sé, Casa Nova, Uauá, Curaçá e Canudos, região conhecida como Território Sertão do São Francisco, no estado da Bahia. Ele está à frente do Projeto Recaatingamento, uma iniciativa da ONG Irpaa – que há mais de 20 anos atua nessa região do vale do São Francisco – com apoio do Programa Petrobras Ambiental, que está sendo implantado em comunidades desses sete municípios. Suas andanças se destinam a avaliar como está se desenvolvendo o projeto concebido, segundo ele, “com o objetivo de reverter a desertificação da caatinga, por meio de manejo sustentável dos recursos naturais e de reposição florestal”.

Quando o Projeto Recaatingamento foi lançado, há quase 4 anos, a seca ainda não havia se instalado, mas a degradação da caatinga já se espalhava por toda a região. “Essa seca é fruto dessa situação, aliada a ações humanas, como desmatamentos e queimadas desordenadas. Os estragos maiores, porém, são provocados pelos grandes projetos de irrigação, por madeireiras e pelas mineradoras, que destroem a vegetação, exterminam os animais nativos, contaminam as águas e expulsam as famílias de suas terras”, afirma Moacir.

No interior do município de Trindade, no sertão pernambucano, a 660 quilômetros de Recife, o agricultor João Batista Dias de Oliveira enxuga o suor da testa com o dorso da mão e exclama: “A quentura do sol parece que está pior!” Não é só João Batista que se queixa de mudanças no clima do sertão. Há uma percepção entre os habitantes da região de que os dias estão ficando cada vez mais quentes. No sertão do Araripe, onde João Batista vive, a derrubada da caatinga para abastecer os fornos das fábricas de gesso é uma prática comum. O gesso movimenta a economia local. As queimadas também são constantes. Elas servem para preparar o solo onde são plantadas grandes pastagens para o rebanho bovino. Sabe-se, ainda, que 30% da matriz de energia do nordeste vem da lenha, e que cerca de 90% dessa matéria-prima é obtida de forma ilegal e extraída de modo inadequado. “O homem está mexendo demais com a natureza. De 2000 para cá, as chuvas estão descontroladas. Acho que essa seca tem muito a ver com isso”, matuta João Batista.
Revista Problemas  Brasileiros

Aumento de CO2 nos oceanos eleva nível de acidez e ameaça vida marinha


Bosco Carvalho

Quase um terço do dióxido de carbono produzido atualmente vai parar nos oceanos. Isso pode até ajudar a diminuir o aquecimento global, mas também gera acidez na água e ameaça gravemente os ecossistemas nos mares.

Há polêmicas recentes em torno do fato de, nos últimos dez anos, a Terra não ter registrado um aquecimento tão expressivo quanto o previsto por especialistas. Uma tese diz que o excesso de calor estaria sendo armazenado no fundo dos oceanos. Na última conferência do clima em Varsóvia, na Polônia, cientistas apresentaram um estudo que sustenta essa teoria.

O Programa Internacional para o Estado dos Oceanos (Ipso, na sigla em inglês) publicou um relatório em que demonstra não apenas o aquecimento dos oceanos, mas também uma mudança no pH (potencial hidrogeniônico – o índice que indica acidez de um composto) das águas.

“O aumento de temperatura chega até 1,3ºC, como no caso do Mar Báltico. Esse aquecimento ocorre em águas profundas – a mais de 700 metros de profundidade”, esclarece o professor de biologia e zoologia da Universidade de Oxford, Alex Rogers. Em entrevista à DW, o diretor científico do Ipso explica que quase um terço do dióxido de carbono emitido no planeta atualmente é absorvido pelos oceanos.

Apesar de diminuir o aquecimento global, esse fenômeno altera a química da água marinha. O CO2 reage na água e forma ácido carbônico, resultando numa acidificação gradual dos oceanos.

Ameaças à vida marinha

Estudos recentes sugerem que a água do mar já estaria 26% mais ácida do que antes do início da industrialização. Até 2100, os oceanos já poderiam estar 170% mais ácidos. Nos últimos vinte anos, diversos experimentos foram realizados em laboratórios ao redor do mundo para tentar descobrir exatamente quais seriam as consequências da mudança de pH para a vida marinha.

Ulf Riebesell, do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica da Universidade de Kiel (norte da Alemanha) iniciou em 2010 os primeiros estudos no mar sobre o fenômeno, na ilha de Spitzbergen, no Ártico.

Enormes cápsulas colocadas na água do mar simulam as condições que provavelmente deverão predominar nos oceanos durante os próximos vinte anos, dependendo do nível das emissões de CO2. Esse e outros experimentos indicam que a crescente acidificação dificulta a vida dos organismos produtores de cálcio – como os que formam os recifes de coral.

“A acidificação põe em risco corais, conchas, caracóis, ouriços e estrelas-do-mar, além de peixes e outros organismos. Algumas das espécies produtoras de cálcio não poderão mais concorrer para sobreviver nos oceanos do futuro. A composição das espécies irá mudar radicalmente”, alerta.

Problemas para as comunidades costeiras

Os cientistas alertam também para graves consequências econômicas e sociais. As mudanças do clima também deverão ter impacto na cadeia alimentar dos oceanos. Algumas regiões poderão ser afetadas com mais intensidade pela acidificação dos oceanos, como as tropicais e subtropicais, que têm corais de mares de água quente, afirma Riebesell.

Os recifes de corais, de grande valor econômico e ecológico, são particularmente vulneráveis. Elas são importantes não apenas pela diversidade de espécies – e, em muitos países, pelo turismo – mas também porque servem como barreiras que protegem os litorais de ondas e tempestades.

As regiões polares também deverão ser afetadas, uma vez que a água gelada absorve ainda mais CO2. Experimentos no Ártico indicam que a água do mar nessas regiões pode se tornar corrosiva já nas próximas décadas. “Isso significa que a água pode se tornar tão ácida a ponto de simplesmente dissolver conchas e esqueletos dos organismos produtores de cálcio”, alerta Riebesell.

Também na Antártida já é possível perceber a acidificação, segundo Alex Rogers, diretor do Ipso. “Encontramos minúsculos caracóis marinhos cujas conchas de cálcio já estavam corroídas”, afirmou. Estes são seres de grande importância para a cadeia alimentar marinha, nutrindo de pequenos animais a baleias.

“Uma das principais fontes de proteína no mar está se esgotando rapidamente” alertou Monty Halls, presidente da organização ambiental Shark and Coral Conservation Trust (Fundo para a Conservação de Tubarões e Corais), em entrevista à DW. Ele acredita que a acidificação dos oceanos é a “maior ameaça às futuras gerações”.

Problemas de longo prazo para o clima

Além dos problemas para os ecossistemas e para a cadeia alimentar, os cientistas alertam sobre um efeito retroativo que deverá provocar um novo reforço das mudanças climáticas. Apesar das águas marinhas contribuírem para a diminuição do CO2 produzido pelo ser humano no longo prazo, a absorção do dióxido de carbono pelo mar tende a desacelerar nas águas marinhas. Segundo o estudioso Riebesell, quanto mais ácidos os oceanos se tornam, menor a sua capacidade de serem estabilizadores do pH.

Alex Rogers chama atenção para um outro problema: pequenas algas com estruturas compostas de carbonato de cálcio absorvem e depois carregam consigo partículas de carbono quando afundam no oceano. Se a quantidade dessas algas diminui, aumenta o nível de CO2 na atmosfera.

Rogers ainda esclarece que as emissões de CO2 aumentaram com maior velocidade do que nos últimos 300 milhões de anos:. “O ecossistema global passou por alguns eventos dramáticos de mudanças climáticas que resultaram na extinção maciça de diversas espécies. Nosso estudo enfatiza que, durante esses períodos de alteração profunda, altas temperaturas estiveram associadas à acidificação dos oceanos – como nos dias de hoje.”

Porém, ainda há tempo para contra-atacar esse fenômeno. A medida mais importante, na opinião dos cientistas, seria a redução das emissões de CO2. Sem isso, “todo o resto é inútil”, constata Riebesell, que também defende medidas complementares para reduzir a fragilidade dos ecossistemas. Por exemplo, a poluição de resíduos agrícolas e de plástico deve ser reduzida. Áreas marítimas protegidas poderiam ajudar a reduzir a pressão sobre os ecossistemas.

Apesar da gravidade da situação, Alex Rogers afirma que “todos podem fazer algo pra reduzir sua própria emissão de CO2 e produzir menos lixo: andar de bicicleta, não utilizar sacolas plásticas e usar menos produtos químicos”.

Por Irene Quaile (rc) – Edição Renate Krieger – DW
Revista ecoLÓGICA

Notícias Geografia Hoje


Noruega possui maior frota de carros elétricos per capita do mundo

DEUTSCHE WELLE

Espen Andreassen é o orgulhoso novo proprietário de um Nissan Leaf, assim como mais de 4 mil noruegueses que, neste ano, adquiriram um carro elétrico. O número corresponde a 9% de todos os automóveis novos comprados no país em 2013.

"Os impostos na Noruega fazem os carros ficarem muito caros. Muitas vezes eles custam o dobro do que em outros países. Para os modelos elétricos, por outro lado, quase não há impostos. Se tivéssemos comprado um automóvel movido a diesel ou a gasolina, no fim teríamos pago quase o mesmo", calcula Andreassen.

Mas o valor de compra não é a única vantagem para Andreassen e outros donos de carros elétricos. Um fator que os torna muito populares é a possibilidade de trafegarem nas vias exclusivas para ônibus. Dessa maneira, evita-se o trânsito da hora do rush, chegando a cortar pela metade o tempo de viagem.

A revolução dos elétricos no país foi rápida, e o maior crescimento de vendas ocorreu nos últimos três anos. No entanto, essa evolução se deveu a anos de trabalho de lobby por parte dos proprietários e suas organizações.

"Demorou até que nos concedessem os benefícios", conta o presidente da Associação de Carros Elétricos da Noruega, Snorre Sletvold. "Começou com a isenção dos impostos de importação e da taxa de licença para veículos novos. Agora, podemos estacionar de graça e dirigir sem pagar pelas estradas com pedágio. Além disso, estamos isentos do Imposto sobre Valor Agregado e temos a permissão para usar as faixas para ônibus. Só que foram dez anos até conseguirmos esses benefícios todos."

EMISSÕES DE CO2 CONTROVERSAS

O avanço dos automóveis movidos a eletricidade no país também tem efeitos ambientais sensíveis. A atual média de emissões de dióxido de carbono (CO2) dos carros noruegueses é de 118 gramas por quilômetro, contra 125 gramas em 2012. Esses números estão abaixo do limite de 130 gramas por quilômetro, estipulado pela União Europeia até 2015.

Os críticos apontam, porém, que essa contribuição não passa de uma gota d'água no deserto, considerando-se a responsabilidade da Noruega na mudança climática global - o país é o oitavo exportador de petróleo do mundo e o terceiro de gás natural.

"Mesmo a Noruega sendo o país com maior quantidade de carros elétricos por habitante, isso não salva o planeta. O maior impacto ambiental norueguês vem da nossa enorme produção de petróleo e gás natural", lembra Lars Haltbrekken, presidente da seção norueguesa da organização ambiental Friends of the Earth. Ele acrescenta que as emissões dos campos de petróleo e gás recentemente descobertos no país equivalem às de 40 milhões de carros.

Outros críticos alegam que veículos elétricos não produzem necessariamente menos dióxido de carbono do que os modelos movidos a combustíveis fósseis modernos. Tanto a produção e eliminação das baterias, como o petróleo e gás utilizados para gerar a energia que abastece esses automóveis produzem muito mais CO2 do que se costuma pensar.

Por outro lado, embora a Noruega seja grande exportadora de combustíveis fósseis, a eletricidade no país é gerada quase exclusivamente em hidrelétricas, o que reduz significativamente as emissões de gases-estufa.

INCENTIVOS PARA PROPRIETÁRIOS

O Parlamento norueguês garantiu generosos benefícios para os automóveis elétricos até 2017. Porém, se o aumento das vendas mantiver o ritmo atual, esse sistema de bônus precisará ser revisto. "É claro que um dia as faixas de ônibus vão ter que ser novamente fechadas para os carros elétricos. Aí vamos ter que encontrar outros caminhos. Talvez seja preciso aumentar os impostos sobre o pedágio para carros movidos a gasolina", sugere Sletvold.

Não é surpresa que os produtores de carros elétricos atualmente tenham tanto interesse na Noruega. Mesmo com um possível corte das subvenções estatais, eles seguem otimistas com o futuro do mercado no país.

"A Noruega é, de longe, nosso maior mercado na Europa e o nosso segundo maior em nível global", conta Esben Pedersen, da empresa norte-americana Tesla Motors, que produz carros elétricos de luxo.

Apesar do preço inicial de 71.400 euros para o modelo básico, o Tesla S foi o carro mais vendido no país em setembro deste ano, suplantando o veterano Golf da Volkswagen.

"Enquanto nos outros países da Europa os políticos só falam muito, os noruegueses agem. É o único país europeu com uma diretriz nacional para veículos elétricos", aponta Pedersen. A
disposição do governo convenceu a Tesla a investir numa rede norueguesa de supercarregadores e pontos eletrônicos de abastecimento, possibilitando a recarga das baterias em menos de uma hora.

EXPECTATIVAS

Até o momento, a quantidade de carros elétricos no mundo é muito pequena. Mesmo que os demais países alcançassem a Noruega, grande parte da energia para abastecer os veículos ainda seria gerada a partir de combustíveis fósseis.

Para alguns, é como o impasse do ovo e da galinha: deve-se esperar para comprar um carro elétrico até que a maioria da energia seja renovável; ou optar por esses automóveis desde já, torcendo que isso ajude a acelerar a produção alternativa de eletricidade?

"Nós não podemos esperar que todas as fontes de energia sejam sustentáveis para produzir e comprar carros elétricos. O volume de energia renovável na União Europeia está crescendo, por isso vai ficar cada vez melhor. Precisamos, no mínimo, tentar e ver se funciona", encoraja o proprietário norueguês Andreassen.

Enquanto isso, a preferência pelos elétricos em seu país não para de crescer. Segundo uma pesquisa recente, mais da metade dos noruegueses admite a ideia que seu próximo automóvel venha a ser um híbrido ou um elétrico. 
Folha de S. Paulo

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Cientistas identificam 'mais antigo pedaço de Marte' na Terra


BBC BRASIL 

Uma rocha descoberta no deserto do Saara parece ser o meteorito de Marte mais antigo já descoberto, segundo cientistas.

Pesquisas anteriores já sugeriam que a rocha tinha cerca de 2 bilhões de anos, mas novos exames realizados recentemente indicam que a rocha tem, na verdade, mais de 4 bilhões de anos.

O meteorito negro e brilhante, apelidado de "Beleza Negra", teria se formado ainda na infância do planeta.

"Essa (rocha) nos conta sobre uma das épocas mais importantes da história de Marte", afirmou o autor da pesquisa, Munir Humayan, professor da Universidade Estadual da Flórida (EUA).

A pesquisa foi publicada na revista "Nature".

ROCHAS MARCIANAS

Existem cerca de cem meteoritos marcianos na Terra. Parte dessas rochas é bem mais jovem, datadas entre 150 milhões e 600 milhões de anos.

Elas teriam caído na Terra depois de um asteroide ou cometa ter se chocado contra Marte e desprendido as rochas, que viajaram pelo espaço até acabarem no nosso planeta.

A "Beleza Negra" é formada por cinco fragmentos. Um deles, o NWA 7034, foi examinado no passado e sua idade foi calculada em 2 bilhões de anos.

Mas a pesquisa mais recente descobriu que outro pedaço, o NWA 7533, tem 4,4 bilhões de anos --o que sugere que o NWA 7034 também deva ter mais do que "apenas" 2 bilhões de anos.

A equipe afirmou que a rocha pode ter se formado quando Marte tinha apenas 100 milhões de anos de idade.

"É quase certo (que a rocha) veio das terras altas do sul, um terreno cheio de crateras que forma o hemisfério sul de Marte", disse Humayan.

O período em que as rochas se formaram pode ter sido uma era de turbulência em Marte, com erupções de vulcões em quase toda a superfície do planeta.

"A crosta de Marte deve ter mudado muito rapidamente com o passar do tempo. Houve um grande episódio vulcânico em toda a superfície, que então formou uma crosta e, depois disso, a atividade vulcânica teve uma queda dramática", prosseguiu Humayan.

"Quando isso aconteceu, devia haver água na forma gasosa, dióxido de carbono, nitrogênio e outros gases para produzir uma atmosfera primordial, além de um oceano primordial. É um período de tempo muito empolgante - se houve vida em Marte, a origem seria neste período em particular", acrescentou o cientista.

Humayan afirmou que sua equipe agora planeja analisar a rocha para procurar sinais de algum tipo de vida marciana. Mas, segundo o professor, enquanto a rocha permaneceu no deserto do Saara, pode ter sido contaminada por organismos vivos da Terra.

MISTURA

O professor Carl Agee, da Universidade do Novo México, foi o cientista que, na análise anterior, que concluiu que a rocha NWA 7034 tinha 2 bilhões de anos de idade.

Ele descreveu a pesquisa mais recente como animadora.

Agee afirmou que a diferença entre as idades das rochas pode ter ocorrido pois o meteorito tem uma mistura de componentes, e a equipe dele agora também está encontrando partes da rocha que têm cerca de 4,4 bilhões de anos.

"Definitivamente há um componente antigo na rocha, mas acreditamos que pode haver uma mistura de eras", afirmou.

O cientista explicou que o impacto de um cometa ou asteroide, uma erupção vulcânica ou algum outro evento que ocorreu há cerca de 1,5 bilhão de anos pode ter acrescentado materiais mais novos à crosta original.

"(A rocha) consiste de pelo menos seis tipos diferentes de rocha. Vemos diferentes rochas ígneas, tipos diferentes de rocha sedimentar, é um meteorito muito complexo. Esse meteorito continua revelando seus segredos, estamos muito animados com isso." 

Folha de S. Paulo

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Cientistas identificam explosão cósmica mais brilhante do tipo já vista


BBC BRASIL

Uma explosão cósmica provocou a morte de um estrela gigante que estava sendo estudada pelos cientistas.

A explosão da radiação, conhecida como explosão de raio gama, foi registrada no começo do ano por telescópios posicionados no espaço, e foi recentemente confirmada como a mais brilhante do tipo já vista.

Pesquisadores acreditam que a estrela possui de 20 a 30 vezes uma massa superior à do Sol.

As descobertas foram publicadas na revista científica Science.

'VIVENDO FELIZ'

Os pesquisadores afirmam que a luz da explosão demorou quatro bilhões de anos para chegar à Terra.

O astrônomo Paul O'Brein, da Universidade de Leicester, disse: "Esses acontecimentos podem ocorrer em qualquer galáxia a qualquer tempo. Mas não temos nenhuma forma de prever isso."

A explosão enorme da estrela foi captada pelos telescópios espaciais Swift e Fermi.

Ela teria durado menos de um minuto e espalhado radiação ao seu redor.

"A estrela estava 'vivendo feliz', fundindo matéria em seu centro. E de repente, acabou ficando sem 'combustível'", explica O'Brien.

O centro da estrela teria sido engolido por um buraco negro, liberando muita energia na explosão de raio gama.

Uma onda de explosão teria feito com que a estrela se expandisse, criando outro acontecimento visual, conhecido como supernova.

"Podemos ver a luz se apagando - o final dos dois acontecimentos - por semanas ou até mesmo meses."

Apesar de a explosão ter acontecido razoavelmente "perto" do planeta Terra, a radiação não traz qualquer tipo de perigo. A energia não seria capaz de atravessar a atmosfera do planeta com intensidade.

Mas caso a explosão tivesse acontecido a uma distância de mil anos luz, a radiação poderia danificar a camada de ozônio, o que teria consequências graves para a vida na Terra.

"A previsão é que deve ocorrer uma explosão de raio gama perto da Terra a ponto de nos colocar em perigo a cada 500 milhões de anos", diz O'Brien.

"Em algum momento na história da Terra, nós provavelmente fomos atingidos por radiação de uma explosão de raio gama, e isso vai voltar a acontecer em algum ponto no futuro. Mas as chances de isso acontecer durante o período em que estamos vivos agora são muito pequenas."

Nasa


                 Ilustração de como seria uma explosão de raios gama feita por artista da Nasa 

Folha de S. Paulo

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Com reforço na Europa, imigrantes optam por 'rotas da morte'


BBC BRASIL
Com o reforço da segurança nas fronteiras em toda a Europa e nos Estados Unidos, imigrantes ilegais são cada vez mais obrigados a optar por rotas perigosas para chegar aos seus destinos, aumentando o número de vítimas fatais nessas jornadas.

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), já chega a 900 o número de mortos só na travessia do mar Mediterrâneo, rota usada por imigrantes ilegais africanos que tentam chegar às ilhas de Lampedusa, Sicília e Malta, no sul da Europa.

O número é quase o dobro do registrado em 2012 e o triplo de dez anos atrás.

"O número de mortes vem crescendo porque as fronteiras europeias são cada vez mais vigiadas", disse à BBC Brasil Jumbe Omari Jumbe, porta-voz da OIM. "Há cada vez menos opções para entrar na Europa. Isso leva as pessoas a utilizar alternativas cada vez mais desesperadas e perigosas".

Outra rota amplamente utilizada por imigrantes clandestinos é a da fronteira entre México e Estados Unidos, onde morreram 463 pessoas no ano passado, o maior número desde 2005. Neste ano, apenas em um ponto da fronteira, na região do rio Grande, 70 pessoas perderam a vida.

A travessia via Golfo de Áden, entre a África e o Iêmen e a Árabia Saudita, também é apontada pela OIM como uma rota migratória bastante perigosa. Não há números oficiais, mas as estimativas apontam para entre 100 e 200 mortes anuais nesta rota.

BBC


Com reforço de fronteiras na Europa, imigrantes optam por 'rotas da morte'


SÍRIOS

O número de imigrantes africanos que tentam entrar na Europa tem se mantido estável de 2007 a 2012, em torno de 20 mil a 30 mil por ano --exceto 2011, quando o conflito da Líbia elevou o número para 63 mil.

A maioria desses imigrantes vem da África subsaariana, de países como Eritreia, Somália, Etiópia, mas também do Sudão, Mali e Gana, além de refugiados de países árabes em conflito.

Neste ano de 2013, o número dos que tentaram a travessia já tinha chegado a 30 mil no início de novembro, graças, em parte, ao número de sírios fugindo do conflito em seu país e que se juntaram aos imigrantes africanos. Estima-se em 8.000 o número de imigrantes sírios que tentaram a travessia do Mediterrâneo neste ano.

Os perigos dessas jornadas vieram à tona mais uma vez com duas tragédias em outubro. Na primeira, um barco com 500 imigrantes africanos naufragou próximo à Lampedusa, causando 360 mortes.

Na segunda, poucos dias depois, outra embarcação também a caminho de Lampedusa, com cerca de 230 passageiros, afundou ao sul de Malta, provocando 87 mortes.

Os dados causam preocupação, pois, apesar de o número de imigrantes em trânsito ser relativamente estável, o total de mortes está aumentando.

"O número de mortes vem crescendo porque as fronteiras europeias são cada vez mais vigiadas", disse à BBC Brasil Jumbe Omari Jumbe, porta-voz da OIM. "Há cada vez menos opções para entrar na Europa. Isso leva as pessoas a utilizar alternativas cada vez mais desesperadas e perigosas".

"As fronteiras terrestres foram reforçadas e o Mediterrâneo se tornou praticamente a única alternativa para entrar na Europa", diz. "No passado, havia várias outras opções, incluindo a Grécia, a Búlgaria e também por avião".

O exemplo mais recente do reforço das fronteiras terrestres na Europa para impedir a entrada de imigrantes é a decisão da Bulgária de iniciar a construção de um muro de 30 quilômetros (e 3 metros de altura) em sua fronteira com a Turquia.

Esse será o terceiro muro na Europa a obstruir o acesso de imigrantes, após o dos enclaves espanhóis de Celta e Melila, no Marrocos, em 1998, e o construído pela Grécia, de 12,5 quilômetros, também na fronteira com a Turquia, finalizado no ano passado.

O porta-voz da OIM afirma ainda que o número de mortes de imigrantes que atravessam o Mediterrâneo para entrar na Europa vem crescendo desde a criação da Agência Europeia para a Gestão da Cooperação Operacional às Fronteiras Externas (Frontex), que acabaou reforçando o controle nas fronteiras europeias.

Segundo dados do OIM, no ano da criação do Frontex, em 2004, foram registradas 296 mortes na rota do Mediterrâneo entre a África e as ilhas de Lampedusa, Sicília e Malta.

Em 2008, esse número havia saltado para 682, mas caiu para 431 em 2009, mesmo assim isso representa um aumento de 45% em relação a 2004.

NÚMEROS GLOBAIS

A OIM calcula que 20 mil pessoas morreram desde 1988 na travessia do Mediterrâneo entre a África e o sul da Europa em geral, o que representa uma média de 800 pessoas por ano.

A OIM ressalta que as estatísticas de mortes na rota entre a África e Lampedusa, Sícilia ou Malta, via mar Mediterrâneo, são consideradas, desde 2005, as mais realistas na comparação com rotas migratórias de outras regiões do mundo, onde os dados podem ser subestimados.

Por esse motivo, não há números globais de mortes em rotas migratórias.

A Austrália, que recebeu nos últimos anos milhares de refugiados do Afeganistão e Iraque, também possui números considerados mais precisos: 1.484 imigrantes morreram afogados tentando entrar no país nos últimos 13 anos (incluindo os corpos não encontrados), o que dá uma média de 114 pessoas por ano.

O total de mortes na rota México-Estados Unidos vêm crescendo pela mesma razão observada na Europa: reforço cada vez maior da segurança nas fronteiras, o que leva as pessoas a utilizarem caminhos cada vez mais "isolados, traiçoeiros e perigosos", diz a ONG de direitos humanos Wola.

Para especialistas e ONGS, o controle maior das fronteiras dos países ricos também têm feito com que imigrantes caiam nas mãos de redes de tráfico humano. 
Folha de S. Paulo

Notícias Geografia Hoje

                                                                                        Reuters
Entenda a onda de protestos na Ucrânia


BBC BRASIL 

O premiê ucraniano Nikolai Azarov afirmou ver todos os sinais de um golpe de Estado na intensificação dos protestos pelo país. Milhares de manifestantes estão ocupando prédios públicos e a praça central da capital Kiev.

Os manifestantes são contrários à decisão do governo de desistir de um acordo para estreitar os laços do país com a União Europeia (UE).

Eles pedem a renúncia do premiê Azarov e do presidente Viktor Yanukovich, que segundo analistas, é apoiado pela Rússia. O governo ucraniano sofreu forte pressão econômica de Moscou para desistir do acordo com o bloco europeu.

Políticos de oposição tentam colocar o governo à prova neste terça-feira submetendo-o a um voto de desconfiança. Entenda a seguir quais são as causas da atual onda de protestos na Ucrânia.

*

O que causou os protestos?

O gatilho foi a decisão do governo de não assinar uma parceria abrangente com a União Europeia, apesar de anos de negociações destinados a integrar a Ucrânia com os 28 países do bloco.

A decisão foi anunciada em 21 de novembro e causou grande frustração em uma reunião da UE com ex-repúblicas soviéticas no final de novembro.

Milhares de ucranianos favoráveis à adesão à União Europeia tomaram as ruas da capital --em 24 de novembro o número de manifestantes foi estimado em 100 mil. Eles exigiam que o presidente Viktor Yanukovich voltasse atrás na sua decisão e retomasse as negociações com o bloco europeu.

Contudo, o mandatário se recusou e os protestos se intensificaram. Agora, os manifestantes exigem a renúncia de Yanukovych e seu gabinete.

Quem são os manifestantes?

Provavelmente o manifestante mais conhecido é Vitali Klitschko, um campeão de boxe que se transformou em líder opositor. Ele lidera um movimento chamado Udar (soco) e planeja concorrer à Presidência em 2015.

Sua principal bandeira de campanha é "um país moderno com padrões europeus" --o que significa, na prática, significa diminuir as relações com a Rússia e estreitar os laços com a União Europeia.

Outro grupo opositor que participa dos protestos é chamado Svoboda (liberdade). O movimento é considerado ultranacionalista e seu líder é Oleh Tyahnybok.Também tomou parte dos protestos o o ex-premiê polonês e atual líder de oposição Jaroslaw Kaczysnski.

A Polônia tem laços históricos com a Ucrânia. O leste ucraniano já foi parte do território da Polônia e os dois países compartilham de fortes laços culturais e religiosos (ambos são católicos).

A maior parte dos ucranianos ocidentais se sentem próximos do Ocidente e suspeitam da Rússia. A Polônia é uma voz forte na União Europeia na luta para incluir a Ucrânia no bloco.

Um dos mais importantes manifestantes ucranianos é Arseniy Yatsenyuk, líder do segundo maior partido ucraniano, chamado Pátria. Ele é aliado de Yulia Tymoshenko, uma ex-premiê atualmente na cadeia cumprindo pena por abuso de poder e principal rival política do presidente Yanukovich.

Por que Yulia Tymoshenko é importante?

Tymoshenko é reconhecida internacionalmente como símbolo da oposição a Yanukovich e virou causa célebre na Europa.

Ela foi presa em 2011 acusada de uso indevido de poder em um acordo sobre gás com a Rússia em 2009. Muitos políticos europeus aceitaram sua versão de que sua condenação a sete anos de prisão foi motivada politicamente.

A Corte Europeia de Direitos Humanos não foi tão longe, mas concluiu que a prisão provisória dela antes do julgamento foi "arbitrária e fora da lei".

A União Europeia determinou a libertação dela como pré-condição para a assinatura do acordo com a Ucrânia --mas Yanukovich resistiu à pressão.

A ex-premiê, que deseja receber tratamento de saúde na Alemanha, defendeu que o acordo fosse assinado mesmo sem sua libertação.

Nos protestos de agora há um forte eco da Revolução Laranja de 2004 na Ucrânia. Tymoshenko foi uma figura importante naquela revolução pró-Ocidente.

Naquela ocasião, a líder também enfrentou Yanukovich. Ele foi retirado do poder em 2004, depois que sua eleição foi julgada fraudulenta. Na época a Russia o apoiou - e ainda apóia.

Até onde vai a influência da Rússia no país?

Para analistas, a decisão do governo de suspender a negociações pela entrada na UE se deve diretamente à forte pressão da Rússia.

A Rússia adotou medidas como inspeções demoradas nas fronteiras e o banimento de doces ucranianos, além de ter ameaçado com várias outras medidas de impacto econômico.

A Ucrânia está em uma longa disputa com Moscou sobre o custo do gás russo. Além disso, no leste do país --onde ainda se fala russo-- muitas empresas dependem das vendas para a Rússia.

Yanukovich ainda tem uma grande base de apoio no leste da Ucrânia, onde ocorreram manifestações promovidas por seus aliados. Por séculos, a Ucrânia foi dominada por Moscou e muitos russos entendem que o vizinho do leste ainda é vital para seus interesses.
Folha de S. Paulo

sábado, 7 de dezembro de 2013

Notícias Geografia Hoje

Metade do mundo não coleta lixo e universalizar serviço custaria US$ 40 bi
Os 7 bilhões de habitantes do planeta geram, por ano, cerca de 1,4 bilhão de toneladas de resíduos urbanos

Giovana Girardi - O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - Os 7 bilhões de habitantes do mundo geram, por ano, cerca de 1,4 bilhão de toneladas de resíduos urbanos, mas só metade da população é atendida pela coleta desse lixo.


Wilton Junior/Estadão
Lixo acumulado em rua de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense

Os números fazem parte de levantamento da Iswa (Associação Internacional de Resíduos Sólidos, na sigla em inglês) ainda inédito e passado com exclusividade para o Estado. O estudo mostra que metade da população do mundo, concentrada em países da África, do sudeste asiático e da América Latina não tem nenhum tipo de coleta de resíduos. Eles calculam que seria necessário um novo investimento de US$ 40 bilhões somente para conseguir resolver essa etapa. Isso sem contar reciclagem, compostagem, etc.

E isso se for agora. Se o mundo continuar adiando ações nesse sentindo, a solução vai ficar mais complexa e mais cara. O trabalho calcula que em 2050, quando se estima que a população mundial chegará a 9 bilhões, o salto de produção de lixo será ainda maior, para 4 bilhões de toneladas de resíduos urbanos.

"A produção de lixo está crescendo muito rapidamente, não só porque a população está crescendo, mas está se tornando mais rica. Estamos consumindo mais", afirma David Newman, presidente da Iswa.

"Fica claro que temos uma confusão. E ela está nos países mais pobres. A confusão é que muito do lixo que não está sendo coletado está indo para os rios, se acumula nas cidades, causa doenças, acaba nos mares. Dez milhões de toneladas de plástico vão para os oceanos todos os anos", complementa.

Os US$ 40 bilhões conseguiriam resolver a coleta da 1,4 bilhão de toneladas de resíduos, o que significa que o custo pode triplicar em 40 anos, se nada for feito agora. Para o Brasil, que tem uma meta, estabelecida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, de até julho do ano que vem acabar com lixões, a conta aponta que são necessários R$ 6,7 bilhões em um ano para resolver a coleta e destinação dos nossos resíduos.

"Na última década a população no Brasil cresceu 9,65% e a geração de resíduos, 21%. A projeção para 2042 é que teremos 230 milhões de habitantes, 15% a mais que hoje. Se o padrão de aumento da geração de resíduos se mantiver, ela vai crescer 30%. O dobro do crescimento da população", comenta Carlos Silva, presidente da Abrelpe, parceira da Iswa no Brasil.

Gases estufas. O cálculo é importante nesse momento de discussão de um novo acordo em relação às emissões de gases estufas, que foi discutido ao longo das últimas duas semanas em Varsóvia, na Conferência do Clima da ONU. De 7 a 8% das emissões totais de gases no mundo são provenientes do setor de resíduos.

Newman afirma que a boa notícia é que a indústria de resíduos vem crescendo nos últimos três anos, em todo o mundo. Em 2012, o valor de novos projetos iniciados em várias atividades com resíduos, não só a coleta, que é o mais urgente, foi de US$ 10 bilhões. Neste ano são US$ 21 bilhões. E no próximo ano serão US$ 30 bilhões.

"Está claro que vai continuar a crescer e essa é a boa notícia, porque significa que estamos construindo sistemas de coleta, de reciclagem, incineradores, plantas de tratamento de lixo. Um setor especificamente vem mostrando esse crescimento, que é o de incineração. Em 2008, o dinheiro gasto com incineração era de US$ 1,5 bilhão. Hoje são US$ 11,5 bilhões", explica.

"A má notícia é que ainda não é investimento suficiente para evitar que dobremos a quantidade de resíduos que haverá em 2030. Os investimentos estão crescendo rápido, mas a produção de resíduos cresce ainda mais rápido."

Em relação aos desafios brasileiros, Newman afirmou que o País iniciou sua jornada para a mudança, mas alertou que ela é demorada e continuada. "Na Europa levou 30 anos, mas vocês não podem se dar ao luxo de levar tanto tempo." Segundo ele, há questões que têm de ser incorporadas, como a nada simpática taxa de lixo. "Não adianta fingir que é barato e que não é responsabilidade de todo mundo. Precisa de dinheiro. Não se protege o ambiente e a saúde de graça."

No ano que vem, São Paulo sediará o congresso mundial da Iswa, onde questões como essas serão debatidas.
Jornal O Estadão

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Notícias Geografia Hoje

Diesel de dendê pode ser mais poluente que o de petróleo, alerta estudo
Para pesquisadoras americanas, Brasil precisa intensificar vigilância no setor se não quiser sofrer danos ambientais



Abrapalma
Brasil identificou 30 milhões de hectares de terras aptas para o cultivo do dendê

Uma das apostas do Brasil para reduzir sua dependência do petróleo é investir em combustíveis produzidos a partir de plantas, seja o conhecido etanol de cana-de-açúcar ou, mais recentemente, o biodiesel feito de óleo de palma, o famoso dendê.

O governo brasileiro e empresas como Petrobras e Vale estão investindo pesado no óleo de palma, especialmente por causa de sua alta produtividade, em comparação com outras opções agrícolas para a produção de biodiesel.

No entanto, o coro dos ambientalistas — que criticam a exploração do dendê para esse fim — acaba de ganhar mais um apoio importante.

Em 2010: País irá produzir combustível de dendê sustentável

Duas pesquisadoras do Instituto de Estudos de Transportes da Universidade da Califórnia, em Davis, publicaram na quinta-feira (14) um estudo, fazendo um alerta sobre como a produção de biodiesel de óleo de palma, no Pará, pode gerar muito mais emissões de CO2 do que a do diesel tradicional, feito de petróleo.

A pesquisa, feita por Sahoko Yui e Sonia Yeh, afirma que o governo brasileiro precisa intensificar a fiscalização contra o desmatamento de florestas para o plantio de palmeira de dendê.

Caso contrário, a expansão do setor pode se tornar inviável sob o prisma de se ter outra fonte de energia renovável, não apenas ampliando a emissão de poluentes mas também intensificando o desmatamento da floresta amazônica no Pará, maior produtor de dendê.

Cadeia de produção

As duas pesquisadoras usaram um modelo de cálculo que leva em conta toda a cadeia produtiva do óleo de palma, incluindo as emissões da extração em si, da mudança no uso de terras em áreas vizinhas ao plantio e do transporte necessário para levar a produção até os locais de escoamento.

Segundo elas, o governo não está levando em consideração as emissões provenientes do transporte, que são especialmente importantes dada as amplas distâncias a serem percorridas em um estado grande como o Pará.

Publicada na revista Environmental Research Letters, o estudo criou três cenários diferentes para analisar, durante três décadas, a quantidade de carbono emitido durante a produção do óleo de palma.

A principal diferença entre os cenários é a possibilidade de o plantio da palmeira não ocorrer apenas em áreas já desmatadas, como determina o Zoneamento Agroecológico da Palma, mas tomar áreas protegidas, diante da fiscalização precária na região.

No primeiro cenário, apenas um terço das plantações aconteciam em regiões já desmatadas, com o restante ocupando áreas de conservação ambiental e em terras indígenas.

No segundo e no terceiro, uma proporção maior das plantações (46% e 78%, respectivamente) ocorria em áreas já desmatadas.

Em cada cenário, 22,5 milhões de hectares de terra foram usados para a plantação, gerando quase 110 bilhões de litros de biodiesel por ano.

No primeiro e no segundo cenários, onde havia nenhuma ou pouca fiscalização, a mudança no uso da terra resultou em, respectivamente, 84 e 69 gramas de CO2 emitidas por megajoule. De acordo com a Comissão Europeia, a intensidade da emissão de carbono com o diesel é de 83,3 gramas de CO2 por megajoule.

No entanto, as pesquisadores deixam claro que se a extração, o refino, o transporte e a combustão real do biodiesel forem levados em consideração e adicionados às emissões calculadas nesses dois cenários, o total de emissões vai superar em grande escala a do diesel.

"Se o governo brasileiro quer promover políticas que encorajem o uso de terras desmatadas próximas de áreas ambientalmente e ecologicamente sensíveis, então ele também deveria considerar as consequências associadas à fiscalização precária, se quiser evitar danos irreversíveis ao meio ambiente", disse Yeh.

Olho grande

A produção de biodiesel é uma das bandeiras do governo brasileiros nos últimos anos. Em 2006, de acordo com o estudo, o país produziu 69 milhões de litros do produto. Hoje, essa produção é estimada em 3 milhões de litros — mais de 80% proveniente da soja, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Mas o dendê vem ganhando espaço por sua produtividade ser maior do que outras opções para produções de biodiesel. Enquanto a soja produz cerca de 550 quilos de óleo por hectare, o dendê produz 6 mil quilos por hectare, ainda segundo a Embrapa.

Além disso, o dendê seria vantajoso economicamente também por precisar de pouca tecnologia para ser colhido e por crescer em solos pobres.

O investimento no setor provém ainda da necessidade de se aumentar a produção de biocombustível para suprir o crescimento da frota de automóveis no país (cerca de 150% nos últimos 12 anos), além da demanda do mercado de biocombustível para a indústria da aviação e da quantidade mais elevada do produto no óleo diesel.

Recentemente, o governo aprovou uma lei para destinar 4,3 milhões de hectares de áreas desmatadas para o plantio de palma, a maioria no norte do Pará, segundo o estudo da Universidade da Califórnia. O governo também identificou mais de 30 milhões de hectares de terras fora de áreas protegidas que são aptas para o cultivo.

Essa expectativa vem sendo aproveitada por empresas como Petrobras e Vale, que em 2001 comprou uma das maiores companhias do setor, a BioPalma, e anunciou que pretende investir quase R$ 1 bilhão para nos próximos anos.

Questionado pela BBC Brasil, o Ministério do Desenvolvimento Agrário não comentou o assunto por ainda estar analisando a pesquisa.

Ambientalistas criticam a expansão do plantio da palma, por considerarem que ele seja um dos maiores responsáveis pelos desmatamentos mundo afora.

O principal foco do problema é na Indonésia e na Malásia, os maiores produtores de dendê. Nesses países o plantio é feito em florestas, minando a biodiversidade local, expulsando de suas terras animais como tigres de Sumatra e orangotangos.
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Notícias Geografia Hoje

Sem usinas nucleares, Japão corta meta de redução de emissões
Desastre de Fukushima provoca paralisação de todos os reatores e leva a aumento do uso de combustíveis fósseis



O Japão anunciou nesta sexta-feira (15) que vai cortar significativamente suas metas de redução de emissão de gases do efeito estufa como consequência do desastre nuclear de Fukushima, há dois anos e meio.

AP
Foto aérea mostra a usina nuclear de Fukushima Daiichi em Okuma, norte do Japão (31/8)

O país havia se comprometido a cortar suas emissões em 25% sobre os níveis de 1990 até 2020, mas promete agora uma redução de 3,8% sobre os níveis de 2005. A nova meta representa na prática uma elevação de 3% nas emissões em relação aos níveis de 1990.

O Japão mantém atualmente todas as suas usinas nucleares paralisadas, o que vem forçando o país a aumentar o uso de combustíveis fósseis. Ao contrário da queima de combustíveis fósseis, a produção de energia nuclear não produz gases do efeito estufa, apesar de gerar resíduos radioativos.

Ao anunciar a mudança de meta, o chefe de gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, afirmou que a meta inicial, estabelecida em 2009 pelo governo liderado pelo Partido Democrático, hoje na oposição, era "totalmente sem fundamento".

"Nosso governo tem dito que uma meta de redução de 25% era totalmente sem fundamento e não era factível", disse ele em Tóquio.

Nível de ambição

Em um discurso na conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Varsóvia, na Polônia, o negociador-chefe do Japão afirmou que a mudança foi baseada em novas circunstâncias. "A nova meta é baseada em zero de energia nuclear no futuro. Temos que reduzir nosso nível de ambição", afirmou Hiroshi Minami.

Ele admitiu que a mudança deve ser alvo de críticas, mas disse que a meta será ajustada se a situação das usinas nucleares do país mudar.

Até o terremoto e o tsunami de 2011, que provocaram vazamento na usina de Fukushima, o Japão gerava mais de um quarto de sua energia em usinas nucleares.

Mas desde o desastre, seus 50 reatores foram paralisados para verificações de segurança ou manutenção programada, em meio a uma onda de rejeição popular da energia nuclear.

O último reator em operação, em Ohi, foi desligado em setembro. As companhias de energia já pediram autorização para religar cerca de uma dezena de reatores, mas isso poderia levar tempo por conta das exigências de segurança e das barreiras legais.

O primeiro-ministro Shinzo Abe deseja ver os reatores novamente em operação, já que são uma parte vital de seu plano para reativar a economia.

Desde o desastre em Fukushima, o Japão se viu forçado a importar grandes quantidades de carvão mineral, gás natural e outros combustíveis.
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Notícias Geografia Hoje


Hidrelétricas 'impulsionam desmatamento indireto' na Amazônia

Floresta foi desmatada no entorno das usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte




Ao defender a construção de hidrelétricas na Amazônia, o governo federal costuma citar o argumento de que essas usinas são menos poluentes e mais baratas que outras fontes energéticas capazes de substituí-las. Entre ambientalistas e pesquisadores, porém, há cada vez mais vozes que contestam a comparação e afirmam que o cálculo do governo ignora custos e danos ambientais indiretos das hidrelétricas. Para alguns, esses impactos colaterais influenciaram no aumento da taxa de desmatamento da Amazônia neste ano.

Há duas semanas, o governo anunciou que, entre agosto de 2012 e julho de 2013, o índice de desflorestamento na Amazônia cresceu 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, a primeira alta desde 2008. Paulo Barreto, pesquisador sênior da ONG Imazon, atribui parte do aumento ao desmatamento no entorno das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, e da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

Segundo ele, as hidrelétricas atraem migrantes e valorizam as terras onde são implantadas. Sem fiscalização e punição eficientes, diz ele, moradores se sentem encorajados a desmatar áreas públicas para tentar vendê-las informalmente.

No caso de Belo Monte, Barreto afirma que o desmatamento em torno da usina seria menor se o governo tivesse seguido a recomendação do relatório de impacto ambiental da obra para criar 15 mil km² de Unidades de Conservação na região.

Uma pesquisa do Imazon, da qual Barreto é coautor, estima que o desmatamento indireto causado pela hidrelétrica atingirá 5.100 km² em 20 anos, dez vezes o tamanho da área a ser alagada pela barragem.

Na bacia do Tapajós (PA), onde o governo pretende erguer uma série de usinas, ele diz a área desmatada indiretamente chegará a 11 mil km².

Fórmula do desmatamento

O engenheiro Felipe Aguiar Marcondes de Faria desenvolve em seu projeto de PhD na Universidade Carnegie Mellon (EUA) uma fórmula complexa. Ele pretende incluir os efeitos indiretos da construção de hidrelétricas na Amazônia – como o desflorestamento gerado por imigração ou especulação fundiária – no cálculo das emissões de carbono das obras.

A conta, que mede a liberação de gases causadores do efeito estufa, normalmente leva em conta somente as emissões geradas pela perda de vegetação e pela degradação da biomassa na área inundada pelas barragens.

"Se a construção de uma hidrelétrica implicar taxas de desmatamento superiores às de locais onde não existem tais investimentos, nós poderemos acrescentar esse desmatamento extra ao balanço de carbono do projeto".

O pesquisador diz ainda que, além de valorizar terras e atrair imigrantes, a construção de hidrelétricas pode estimular o desmatamento ao melhorar as condições de acesso à região, expondo florestas antes inacessíveis.

Faria também questiona os cálculos que exaltam o baixo preço das hidrelétricas em comparação com outras fontes de energia. "As diferenças não consideram adequadamente os custos socioambientais desses empreendimentos".

Ainda assim, avalia que o Brasil não pode excluir a hidroeletricidade de seus planos de expansão do sistema energético. Para ele, a modalidade oferece grandes vantagens em relação a outras fontes de energia, como flexibilidade para atender à variação da demanda e dispensa de importação de matérias-primas.

Faria defende, no entanto, que o governo mude sua postura quanto às hidrelétricas na Amazônia.

"O desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia deveria ser visto não como uma barragem no rio, mas sim como uma chance de criar um novo paradigma de desenvolvimento sustentável para uma região, que crie condições para a manutenção das unidades de conservação e terras indígenas, investimentos em educação e ciência e melhora na saúde da população."

Porém, para o procurador-chefe do Ministério Público Federal no Pará, Daniel César Azeredo Avelino, a construção de hidrelétricas na Amazônia não tem sido acompanhada pela manutenção de áreas protegidas.

Nos últimos anos, o governo reduziu Unidades de Conservação para facilitar o licenciamento das hidrelétricas no rio Madeira e das futuras usinas no Tapajós. Segundo ele, simples sinalizações de que se pretende reduzir essas áreas já motivam o desmatamento.

Em 2012, diz Avelino, um mês após jornais divulgaram que o governo estudava diminuir a Floresta Nacional Jamanxim, no sudoeste do Pará, houve um surto de desmatamento na região.

"Quando se fala em reduzir Unidades de Conservação para hidrelétricas, alimenta-se a ideia de que poderá haver novas reduções, o que encoraja o desmatamento."

Governo responde

No entanto, segundo Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Combate ao Desmatamento do Ministério Ambiente, a destruição dentro de áreas protegidas corresponde a menos de 10% do desflorestamento na Amazônia.

Quanto ao desmatamento recente no Pará e em Rondônia, diz que não se deveu necessariamente às hidrelétricas. Oliveira afirma que o desflorestamento em um raio de 50 quilômetros de Belo Monte passou de 380 km², em 2011, para 41 km² em 2013.

Em Rondônia, ele diz que também tem havido redução no ritmo do desmate em áreas próximas às usinas.

Segundo Oliveira, as principais causas para o maior desmatamento na Amazônia no último ano foram: no Pará, a apropriação ilegal de terras (grilagem) na região de Novo Progresso; no Mato Grosso, a expansão da agropecuária; e em Rondônia, a expansão da pecuária.

Oliveira afirma, porém, que, apesar da alta, o índice de desflorestamento em 2013 foi o segundo menor desde que começou a ser medido, há 25 anos.
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domingo, 17 de novembro de 2013

Fenômenos polares





Cientistas desvendam os últimos enigmas da formação das luzes polares

As luzes, ou auroras polares, brilham quase sempre, embora em geral sejam fracas demais para serem observadas a olho nu. Só ocasionalmente elas se transformam, em poucos segundos, naqueles espetaculares fenômenos luminosos que parecem cobrir o céu com "cortinas vaporosas de luz".

As luzes coloridas aparecem quando elétrons colidem com átomos e moléculas de gás na alta atmosfera. Os pesquisadores acreditavam já ter desvendado há tempos, de onde os "elétrons celestiais" tiravam a energia necessária para desenvolverem uma "velocidade turbinada": segundo sua teoria, com os elétrons e núcleos de hidrogênio que o formam, o chamado vento solar levaria o campo magnético do Sol até a Terra. Nesse processo, as linhas do campo magnético solar se conectariam às terrestres - no lado diurno do nosso planeta -, separando-se de novo a uma distância entre 100.000 e 200.000 quilômetros da Terra, para se unir novamente entre si. Essa interação libera energia em forma de "ondas de Alfvén", que aceleram a viagem dos elétrons do vento solar rumo à Terra, eletrizando as luzes polares até o ponto da visibilidade a olho nu.

Mas essa explicação apresentava um problema: de acordo com a teoria da Física, as ondas de Alfvén, que transportam as partículas do vento solar, são lentas demais. Para percorrer os 100 mil quilômetros mínimos, elas teriam de gastar cerca de quatro minutos desde o seu ponto de partida até a Terra - mas as medições mostraram que o "modo turbo" da luz polar já é acionado pouco menos de um minuto depois que as linhas do campo magnético se reconectam de novo.

Agora, cálculos simulados realizados por Michael Shay, da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, sugerem que, além das ondas de Alfvén "normais", provavelmente também se formam as chamadas "ondas cinéticas de Alfvén" (KAW, na sigla em alemão): elas transportam os elétrons muito mais rapidamente até a atmosfera terrestre do que as ondas de Alfvén comuns. Como em uma tempestade, primeiro o raio atinge a Terra e só depois se escuta o som do trovão.
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