terça-feira, 28 de março de 2017

Como as raízes do Cerrado levam água a torneiras de todas as regiões do Brasil


João Fellet - @joaofellet

Direito de imagem Nelson Yoneda/ICMBio Image caption 
 
Plantas do cerrado atuam como uma imensa esponja, recarregando aquíferos que abastecem rios e reservatórios

O rio São Francisco está secando, haverá cada vez menos água em Brasília e a cidade de São Paulo terá de aprender a conviver com racionamentos.

O alerta é do arqueólogo e antropólogo baiano Altair Sales Barbosa, que há quase 50 anos estuda o papel do Cerrado na regulação de grandes rios da América do Sul.

Ele diz à BBC Brasil que a rápida destruição do bioma está golpeando um dos pilares do sistema: a gigantesca rede de raízes que atua como uma esponja, ajudando a recarregar os aquíferos que levam água a torneiras de todas as regiões do Brasil.

Formado em antropologia pela Universidade Católica do Chile, doutor em arqueologia pré-histórica pelo Museu de História Natural de Washington e professor aposentado da PUC-Goiás, Barbosa conta que a água que alimenta o São Francisco e as represas de São Paulo e Brasília vem de três grandes depósitos subterrâneos no Cerrado: os aquíferos Guarani, Urucuia e Bambuí.

Os aquíferos são reabastecidos pela chuva, mas dependem da vegetação para que a água chegue lá embaixo.

Barbosa afirma que muitas plantas do Cerrado têm só um terço de sua estrutura acima da superfície e, para sobreviver num ambiente com solo oligotrófico (pobre em nutrientes), desenvolveram raízes profundas e bastante ramificadas.

"Se você arrancar uma dessas plantas, vai contar milhares ou até milhões de raízes, e quando cortar uma raiz e levá-la ao microscópio, verá inúmeras outras minirraízes que se entrelaçam com as de outras plantas, formando uma espécie de esponja."

Esse complexo sistema radicular retém água e alimenta as plantas na estação seca. Graças a ele, as árvores do Cerrado não perdem as folhas mesmo nem mesmo no auge da estiagem - diferentemente do que ocorre entre as espécies do Semiárido, por exemplo.

Barbosa conta que, quando há excesso de água, as raízes agem como esponjas encharcadas, vertendo o líquido não absorvido para lençóis freáticos no fundo. Dos lençóis freáticos a água passa para os

O professor diz que essa dinâmica começou a ser afetada radicalmente nos anos 1970, com a expansão da pecuária e de grandes plantações de grãos e algodão pelo Cerrado.

A nova vegetação tem raízes curtas e não consegue transportar a água para o fundo.

Pior: entre a colheita e o replantio, as terras ficam nuas, fazendo com que a água da chuva evapore antes de penetrar o solo. Em alguns pontos do Cerrado, como no entorno de Brasília, o uso de água subterrânea para a irrigação prejudica ainda mais a recarga dos aquíferos.

Em fevereiro, Brasília começou a racionar água pela primeira vez na história - e meses antes do início da temporada seca.

Migração de nascentes

Conforme os aquíferos deixaram de ser plenamente recarregados, Barbosa diz que se acelerou na região um fenômeno conhecido como migração de nascentes.

Para explicar o processo, ele recorre à imagem de uma caixa d'água com vários furos. Quando diminui o nível da caixa d'água, o líquido deixa de jorrar dos furos superiores.

Com os aquíferos ocorre o mesmo: se o nível de água cai, nascentes em áreas mais elevadas secam. 
 
Direito de imagem ICMBio Image caption
 
Especialista afirma que, quando há excesso de água, as raízes agem como esponjas encharcadas

Ele diz ter presenciado o fenômeno num dos principais afluentes do São Francisco, o rio Grande, cuja nascente teria migrado quase 100 quilômetros a jusante desde 1970.

O mesmo se deu, segundo Barbosa, nos chapadões no oeste da Bahia e de Minas Gerais: com a retirada da cobertura vegetal, vários rios que vertiam água para o São Francisco e o Tocantins sumiram.

O professor diz que a perda de afluentes reduziu o fluxo dos rios e baixou o nível de reservatórios que abastecem cidades do Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Em 2017, segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), o número de municípios brasileiros em situação de emergência causada por longa estiagem chegou a 872, a maioria no Nordeste.

Já em São Paulo as chuvas de verão aumentaram os níveis das represas e afastaram no curto prazo o risco de racionamento. Mas Barbosa afirma que a maioria dos rios que cruza o Estado é alimentada pelo aquífero Guarani, cujo nível também vem baixando.

O aquífero abastece toda a Bacia do Paraná, que se estende do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul, englobando ainda partes da Argentina, Paraguai e Uruguai.
 
Fotografia do passado

Bastaria então replantar o Cerrado para garantir a recarga dos aquíferos?

A solução não é tão simples, diz o professor. Ele conta que o Cerrado é o mais antigo dos biomas atuais do planeta, tendo se originado há pelo menos 40 milhões de anos.

Segundo ele, olhar para o Cerrado é como olhar para uma fotografia do passado. Direito de imagem 
 
Rubens Matsushita, ICMBio Image caption 
 
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aponta que 872 cidades ficaram em situação de emergência por causa da estiagem em 2017

"O Cerrado já atingiu seu clímax evolutivo e precisa, para o seu desenvolvimento, de uma série de fatores que já não existem mais."

Ele exemplifica: há plantas do Cerrado que só são polinizadas por um ou outro tipo de abelhas ou vespas nativas, várias das quais foram extintas pelo uso de agrotóxicos nas lavouras. Essas plantas poderão sobreviver, mas não serão mais capazes de se reproduzir.

O Cerrado também é uma espécie de museu porque muitas de suas plantas levam séculos para se desenvolver e desempenhar plenamente suas funções ecológicas. É o caso dos buritis, uma das árvores mais famosas do bioma, que costuma brotar em brejos e cursos d'água.

Barbosa costuma dizer que, quando Cabral chegou ao Brasil, os buritis que vemos hoje estavam nascendo.

Mesmo plantas de pequeno porte costumam crescer bem lentamente. O capim barba-de-bode, por exemplo, leva mais de mil anos para atingir sua maturidade. Barbosa diz ter medido as idades das espécies com processos de datação em laboratório.
Parceria com animais

Sabe-se hoje da existência de cerca de 13 mil tipos de plantas no Cerrado, número que o torna um dos biomas mais ricos do mundo. Dessas espécies, segundo o professor, não mais que 200 podem ser produzidas em viveiros.

Ele conta que a ciência ainda não consegue reproduzir em laboratório as complexas interações entre os elementos do bioma, moldadas desde a era Cenozoica.

Barbosa diz, por exemplo, que muitas plantas do Cerrado têm sementes que são ativadas apenas em situações bem específicas. Algumas delas só têm a dormência quebrada quando engolidas por certos mamíferos e expostas a substâncias presentes em seus intestinos.

Há ainda sementes que precisam do fogo para germinar. Contrariando o senso comum, Barbosa diz que incêndios naturais são essenciais para a sobrevivência do Cerrado e podem ocorrer de duas formas. 
 
Direito de imagem Marcelo Camargo, Agência Brasil Image caption 
 
O Cerrado tem hoje cerca de 13 mil tipos de plantas, número que o torna um dos biomas mais ricos do mundo

Uma delas se dá quando blocos de quartzo hialino, um tipo de cristal, agem como lentes que concentram a luz do sol, superaquecendo a vegetação.

A outra ocorre pela interação entre algumas plantas e animais do Cerrado, entre os quais a raposa, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e o cachorro-do-mato-vinagre.

Segundo Barbosa, esses mamíferos carregam no pelo uma carga eletromagnética que, em contato com gramíneas secas, provoca faíscas.

O professor diz que o fogo é necessário não só para ativar sementes, mas para permitir que gramíneas secas, que não têm qualquer função ecológica, sejam substituídas por plantas novas.

"Se a gramínea seca fica ali, não tem como rebrotar, então é preciso dessa lambida de fogo natural pra limpar aquele tufo."

Os incêndios também são importantes, segundo ele, para que o solo do Cerrado continue pobre - afinal, foi nesse solo que o bioma se desenvolveu.

"O fogo é paradigma para quem pensa na preservação. Se você pensa como agrônomo, o fogo é nocivo, porque acentua o oligotrofismo do solo."
Estancar os danos

Quando deixa de haver incêndios naturais, os animais e insetos nativos desaparecem e as plantas do Cerrado são derrubadas, é quase impossível reverter o estrago, diz Barbosa.

Mesmo assim, ele defende preservar toda a vegetação remanescente para estancar os danos.

Barbosa diz torcer para que, um dia, a ciência encontre formas de recuperar o bioma. 
 
Direito de imagem Sedec/MT Image caption 
 
Especialista diz que incêndios naturais são essenciais para a sobrevivência do Cerrado

"Claro que você não vai reocupar toda a área que está produzindo [alimentos], mas você pode pelo menos tentar amenizar a situação nas áreas de recarga de aquíferos."

Sua preocupação maior é com a fronteira agrícola conhecida como Matopiba, que engloba os últimos trechos de Cerrado no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nos últimos anos, a região tem experimentado uma forte expansão na produção de grãos e fibras.

"Se esse projeto continuar avançando, será o fim: aí podemos desacreditar qualquer possibilidade, porque não teremos nem matriz para experiências em laboratório."

Nesse cenário, diz Barbosa, os aquíferos do Cerrado rapidamente se esgotarão.

"Os rios vão desaparecer e, consequentemente, vai desaparecer toda a atividade humana da região, a começar das atividades agropastoris."

"Teremos uma convulsão social", ele prevê.
BBC BRASIL

segunda-feira, 27 de março de 2017

Atualizado pela 1ª vez em 30 anos, atlas traz 12 'novos' tipos de nuvens


Nuvem volutus, baixa e horizontal.

Nuvem silvagenitus, que se formam sobre florestas.

Nuvem murus, nova categoria do Atlas.

Nuvem homomutatus, alteradas por interferência humana

Nuvem Flumen.

Nuvem flammagenitus, originada por queimadas.

Nuvem cavum, uma nova categoria.

Nuvem cauda.

Nuvens cataragenitus, originadas nas quedas d'água.

Nuvens asperitas, um tipo de nuvem que visto desde o solo se parece com as ondulações do oceano

Nuvem fluctus, nova categoria do Atlas


Doze “novos" tipos de nuvens - incluindo uma rara formação semelhante à superfície do oceano - foram reconhecidos pela primeira vez no Atlas Internacional de Nuvens.

Elaborada inicialmente em 1896, a publicação é uma importante referência global na observação e identificação de nuvens, usada por serviços meteorológicos, pela aviação e pela navegação.

A primeira edição trazia 28 fotografias coloridas e regras detalhadas para a classificação de nuvens.

A mais recente era de 1975 e havia sido revisada pela última vez em 1987 - desde então, tornou-se um item de colecionador.

A nova é a primeira edição com uma versão completamente digital e acessível ao público leigo.

Nela, foram incluídas novas classificações, entre as quais a mais conhecida é as asperitas, um tipo de nuvem que visto desde o solo se parece com as ondulações do oceano.

Essas nuvens foram documentadas pela primeira vez no Estado de Iowa, nos Estados Unidos, em 2006.

Logo, vários registros semelhantes foram enviados à Sociedade de Apreciadores de Nuvens, que deu início a uma campanha para que a formação fosse reconhecida oficialmente pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês).

“Achava que isso nunca aconteceria”, diz Gavin Pretor-Pìnney, presidente da sociedade.

"A WMO (Organização Meteorológica Mundial, na sigla em inglês) dizia não ter planos de fazer uma nova edição do atlas, mas percebeu que há um interesse público por nuvens e ser necessário informar adequadamente sobre isso.”

Nuvens são classificadas de acordo com seu gênero, espécie e características suplementares.

A asperitas é uma característica suplementar nova, assim como cavum, cauda, fluctus e murus.

Também foi incluída no atlas um novo tipo, a volutus, que é baixa e horizontal.

Um elemento-chave da evolução do atlas é o avanço da tecnologia - pessoas ao redor do mundo estão registrando e compartilhando imagens de formações inusitadas com seus celulares.

“Não é preciso ser um observador do clima nem um estudioso do tema. Basta fazer a foto e mandar pra gente”, diz Pretor-Pinney.

A nova edição passou a identificar nuvens formadas a partir de processos específicos, como a flammagenitus, que surge em queimadas, as cataractagenitus, originadas em quedas d’água, e silvagenitus, formações encontradas sobre florestas.

Também há aquelas formadas pela ação do homem (homogenitus) e que são alteradas por interferência humana (homomutatus).

“Hoje em dia, você olha para o céu e vê nuvens formadas por aviões, que levam dias para desaparecer”, diz John Hammond, meteorologista da BBC.

Ele diz acreditar que novas classificações serão incluídas no futuro conforme mais pessoas enviem contribuições para o atlas.

Pretor-Pinney afirma que a publicação ajuda a “chamar atenção para o céu”.

“Assim, valorizamos nossa atmosfera e ajudamos a fazer as pessoas refletirem sobre nosso impacto sobre ela.”

Imagens: Atlas Internacional de Nuvens
 BBC Brasil

O que é a projeção Gall-Peters, mapa que promete acabar com '4 séculos de visão colonialista' do mundo


Direito de imagem Reprodução Image caption 
 
A projeção de Gall-Peters mostra proporção mais real dos continentes

Por mais de 400 anos, escolas de todo o mundo usaram mapas com distorções ​​nos tamanhos dos continentes.

As representações do mundo usadas ​​atualmente são baseadas na projeção feita em 1569 pelo cartógrafo Gerardo Mercator, destinada aos navegadores da época. Seus gráficos respeitam a forma dos continentes, mas não os tamanhos - neles, a Europa e a América do Norte são vistas maiores do que realmente são e o Alasca ocupa mais espaço que o México, embora seja menor.

Um dos erros mais significativos é que a África parece menor do que realmente é, quando na verdade tem o triplo da extensão da América do Norte e é 14 vezes maior que a Groenlândia.

Mas agora algumas salas de aula de escolas públicas de Boston, no nordeste dos Estados Unidos, começaram a usar o mapa de Gall-Peters, projeção batizada em homenagem a James Gall, escocês aficionado por astronomia que a desenhou pela primeira vez em 1855, e ao historiador alemão Arno Peters, que a difundiu na década de 1970.

Esse mapa mostra o tamanho e a proporção de países, continentes e oceanos com mais precisão. Na semana passada, cerca de 600 escolas públicas da cidade americana receberam cópias dele, noticiou o jornal The Boston Globe.

Uma das principais mudanças é que a Europa aparece muito menor do que se via antes em comparação com a África, que é muito maior.
Continentes distorcidos

Uma das razões para as distorções cartográficas é a dificuldade de se projetar uma esfera como a Terra - de três dimensões - em uma superfície plana, de duas dimensões, como a de um mapa.

Mas, para os geógrafos, atrás dos erros de Mercator há também outra razão.

"A maioria dos primeiros mapas do mundo foi criada por europeus do norte", disse Vernon Domingo, professor de geografia da Universidade Estadual de Bridgewater e membro da Aliança Geográfica de Massachusetts, em declaração ao The Boston Globe.

"Eles tiveram a perspectiva do hemisfério norte - e também uma perspectiva colonialista." Direito de imagem 
 
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No mapa de Mercator, a Groenlândia é quase do tamanho da África
Descolonizar o currículo

A troca de mapas responde ao desejo de Boston de "descolonizar o currículo", disse ao mesmo jornal Colin Rose, superintendente-assistente do Escritório de Oportunidades das Escolas Públicas de Boston.

"Trata-se de mapas, mas, ao mesmo tempo, não se trata de mapas", disse Rose. "Esta é uma mudança de paradigma. Nós tivemos uma visão que era muito eurocêntrica. E como podemos falar de outros pontos de vista? Esse é um excelente ponto de partida."

Para Hayden Frederick-Clarke, diretor de competências culturais das escolas públicas de Boston, o erro mais grave das projeções de Mercator é o tamanho da África.

"Dos nossos alunos, 86% não são brancos e têm pais e avós que são de locais que são mostrados menores nos mapas", disse Frederick-Clarke ao programa The World, da PRI (Public Radio International) e da BBC.

"Queremos que os alunos se vejam de forma adequada e contestem a narrativa de que muitos desses lugares são pequenos e insignificantes no mundo", disse.

"A Groenlândia parece ter o mesmo tamanho da África e dos EUA. Parece de um tamanho comparável, embora sabemos que isso não é uma verdade absoluta. A África é 14 vezes maior do que a Groenlândia. Além disso, no mapa de Mercator, o México é menor que o Alasca, quando na verdade é muito maior", disse o professor.

"Também há problemas com o Brasil. A Europa, mais especificamente a Alemanha, aparecem perto do centro do mapa. E sabemos que isso não é verdade."

"Da minha experiência como instrutor, sei que as pessoas gostam da verdade e que os professores querem apresentar um produto melhor e mais autêntico", disse Frederick-Clarke.

O jornalista da PRI David Leveille diz que os críticos da iniciativa a veem como "mais uma batalha na guerra de culturas" e insistem que "um mapa é apenas um mapa".

Segundo Leveille, eles perguntam: "nenhum mapa é perfeito, então porque se preocupar?".
BBC BRASIL

sexta-feira, 24 de março de 2017

Na maioria do Brasil, não existem 4 estações. Por que então falamos em primavera, verão, outono e inverno?


Nós trópicos, as estações são uma tão artificial quanto neve no Natal

Redação AH

 Onde você mora, as árvores ficam assim? | Crédito: Pixabay

O número 4 é uma convenção baseada na astronomia, que não reflete necessariamente a temperatura e os fenômenos ambientais, e não é adotada de forma igual em todo o mundo. Tradicionalmente, os indianos consideravam que o ano tem 6 diferentes estações, enquanto os chineses o dividem em 24, e os aborígenes australianos, em 5. Mesmo em lugares onde o número de estações é 4, o dia em que começam não é consenso. Na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, o verão começa no dia 1º de dezembro, em vez do dia 21 ou 22, como no Brasil.

No Brasil, assim como na maioria dos países, as estações são marcadas pela diferença na duração de dia e noite, ou solstícios e equinócios, que são 4 ao longo do ano. Os solstícios, que caem em 21 ou 22 de dezembro, e 20 ou 21 de junho, são os dias com maior diferença. O dia mais longo do ano é o solstício de verão, e a noite mais longa, o solstício de inverno. Equinócios, caindo em março e setembro, são quando noite e dia têm exatamente a mesma duração. Esses dias marcam o começo das estações, para os países que seguem a regra da Organização Meteorológica Mundial.

Solstícios e equinócios são indicadores confiáveis da incidência de luz solar, mas não do clima. Se dependesse apenas da insolação, o solstício deveria ser o meio e não o começo de verão e inverno - mas há um atraso de semanas por causa do aquecimento e resfriamento dos oceanos.

A divisão pode não ser perfeita em lugar nenhum, mas é muito menos no Brasil. Na maioria do país, ela não serve para nada: entre os trópicos e o Equador, faz calor o ano inteiro e a diferença na duração de dia e noite é irrisível. Tanto que não existe horário de verão nos estados do Norte e Nordeste, já que não há diferença no comprimento do dia. Há duas estações práticas nos trópicos: de chuva ou seca.

Claudio Furukawa, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, explica que primavera e outono, na maioria do Brasil, são só importações da Europa. Tão fútil quanto neve no Natal. "O fato de que colocamos efeitos que simulam neve na árvore de Natal é um dos indícios de que festejamos a data de maneira que não pertence ao nosso clima."
Revista Aventuras na História

terça-feira, 21 de março de 2017

Tráfico de órgãos humanos na China levanta polêmica


RTP

Cartaz de protesto do grupo Falun Gong, contra o transplante forçado de órgãos de prisioneiros | Jameson Wu, Reuters
 
Convidar a raposa para o galinheiro: isso está a fazer, segundo os críticos, o Vaticano, ao acolher um antigo vice-ministro chinês da Saúde numa conferência sobre tráfico de órgãos.


Ao contrário dos vários países em que o tráfico de órgãos humanos é levado a cabo por mafias mais ou menos proscritas, na China esse tráfico é feito legalmente pelo Estado. O seu banco de órgãos é o corredor da morte das prisões.

O número de execuções capitais é um segredo, também ele de Estado. Calcula-se que oscile entre as 3.000 e as 7.000. Uma coisa é certa: a família da pessoa executada não tem direito ao corpo, não pode enterrá-lo e não pode vê-lo.

Os motivos do secretismo tornam-se mais transparentes, se se der crédito a Nicholas Bequelin, director regional da Amnistia Internacional para a Ásia oriental, citado no diário britânico The Guardian. Segundo Bequelin, a grande maioria dos órgãos transplantados na China provém de prisioneiros condenados à morte.

O facilitismo que o sistema de saúde chinês desenvolveu ao apoiar-se nesse "banco de órgãos" poderá mesmo afrouxar a pressão para que se crie um programa nacional de dadores voluntários. O facto é que o programa não existe e a sua criação vai sendo adiada.

Segundo o mesmo Bequelin é também por esse motivo que a China não adere às recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre critérios para determinar quando alguém pode considerar-se morto: para algumas transplantações, retira-se o órgão de um prisioneiro que, segundo os critérios da OMS, ainda seria classificado como vivo.

Além disso, o ritmo e o calendário das execuções está subordinado, segundo aquele responsável da Amnistia, à intensidade da procura: "O timing da execução depende por vezes, segundo pensamos, da necessidade de uma determinada operação de transplantação. Executa-se esta pessoa a tal hora em tal dia, porque é nessa altura que o paciente tem de estar pronto".

A conferência sobre tráfico de órgãos vem na linha de anteriores declarações vaticanas, manifestando preocupação com o alastramento desse flagelo. Especialmente relevante tinha sido uma mensagem do papa Francisco no ano passado, considerando o tráfico de órgãos humanos como "uma nova forma de escravatura".

A conferência organizada pela Academia Pontifícia de Ciências irá realizar-se a partir de amanhã, terça feira, e durará dois dias. Ao convidar o antigo vice-ministro chinês da Saúde, Huang Jiefu, o Vaticano pretende melhorar as suas relações com o Governo de Pequim e espera que isso lhe permita exercer alguma influência no que diz respeito à observância de direitos humanos e de liberdade religiosa.

As vozes mais críticas põem, no entanto, em dúvida que o convite sirva esses propósitos. Segundo Wendy Rogers, um perito em deontologia médica da Universidade australiana de Macquarie, o convite a Huang e a sua visita, já agendada, ao papa Francisco arrisca-se a dar "um ar de legitimidade" à política chinesa de transplantações.

Segundo Rogers, "a Academia Pontifícia de Ciências devia saber como a caução, mesmo indirecta, de prestigiadas entidades estrangeiras é usada pelo aparelho de propaganda da China para polir a reputação do seu sistema de transplantação antiético". E apela à conferência para "que considere o apelo dos prisioneiros encarcerados na China, que são tratados como bancos de órgãos descartáveis".

A Academia respondeu, pela pena do bispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo que a conferência apenas pretende ser "um exercício académico e não um debate sobre tese políticas contrapostas".

Huang notabilizara-se no seu cargo por ter prometido, em 2015, que a China iria deixar de usar órgãos de condenados à morte nas transplantações. A declaração de intenções continua ainda hoje a valer-lhe o aplauso de Francis Delmonico, um professor de cirurgia ao serviço da Academia Pontifícia.

Delmonico afirmou que "a sensibilidade do dr. Huang para a objecção mundial àquela prática impulsionou o seu incansável trabalho pela mudança na China, culminando na proibição, em Janeiro de 2015, do uso de órgãos dos prisioneiros executados".

Mas o mesmo Delmonico, ao prestar depoimento no ano passado perante uma comissão do Congresso dos EUA reconhecera que era impossível dizer se essa prática tinha sido efectivamente eliminada.

Transplantes de órgãos na China



A China tem um dos maiores programas de transplante de órgãos do mundo, com mais de 13 mil transplantes realizados por volta do ano de 2004, e um máximo de 20 mil em 2006. No entanto, por uma questão de cultura e de costume, o país tem taxas extremamente baixas de doação voluntária de órgãos. Entre 2003 e 2009, por exemplo, apenas 130 pessoas se ofereceram para ser doadores de órgãos. Em 2010 a Cruz Vermelha chinesa lançou uma iniciativa de âmbito nacional para atrair doadores voluntários de órgãos, mas apenas 37 pessoas se inscreveram.  Devido ao baixo nível de doação voluntária de órgãos, a maioria dos órgãos utilizados em transplantes veio de prisioneiros. Em 1984, o governo chinês aprovou um regulamento que permitiu a remoção de órgãos de criminosos executados, desde que eles deem consentimento prévio ou se ninguém reclamar o corpo.

Apesar da ausência de um sistema estruturado de doação de órgãos, os tempos de espera para a obtenção de órgãos vitais na China estão entre os mais curtos do mundo — frequentemente, apenas algumas semanas para órgãos como rins, fígados e corações. Esse fato fez da China um destino internacional para turismo de transplante e um importante local para testes de medicamentos anti-rejeição de órgãos. O comércio de órgãos humanos tem sido também uma fonte lucrativa de receita para estabelecimentos médicos, militares e de segurança pública na China. Por existir nenhum sistema nacional eficaz de doação de órgãos, os hospitais obtém os órgãos de locais tais como centros de detenção e prisões.

Na China, a identidade dos doadores de órgãos e a evidência de seu consentimento por escrito, em geral, não é revelada ou informada aos receptores de transplantes. Em alguns casos, nem mesmo a identidade da equipe médica e dos cirurgiões é informada aos pacientes. Esse problema de transparência é agravado pela falta de diretrizes éticas para os profissionais do transplante e de um órgão disciplinar para os médicos que violam padrões éticos.
Na década de 1990, a crescente preocupação com possíveis abusos da obtenção forçada de consentimento do doador e da corrupção levou as organizações médicas e grupos de direitos humanos a começar a condenar o uso de órgãos de prisioneiros da China. Essa preocupação ressurgiu em 2001, quando um médico militar chinês testemunhou perante o Congresso dos EUA que ele havia participado de operações voltadas a extrair órgãos de prisioneiros executados, mas que no entanto, alguns deles, ainda não estavam mortos. Em dezembro de 2005, o vice-ministro de saúde da China, Huang Jiefu, informou que mais de 95 % de transplantes de órgãos provinham de prisioneiros executados e prometeu medidas para evitar abusos. Huang reiterou essa informação em 2008 e 2010 e afirmou que mais de 90 % dos transplantes de órgãos de doadores falecidos são provenientes de prisioneiros executados. Em 2006, a Associação Médica Mundial exigiu que a China pare de extrair órgãos de prisioneiros, os quais não se considera serem capazes de dar o seu consentimento livremente. Em 2014, Huang Jiefu disse que a dependência chinesa de órgãos extraídos de prisioneiros no corredor da morte estava em declínio e, ao mesmo tempo, defendeu a prática do uso de órgãos de prisioneiros no sistema de transplante.

Além da fonte de órgãos de prisioneiros no corredor da morte, observadores internacionais e pesquisadores têm também expressado a preocupação de que os prisioneiros de consciência - nomeadamente praticantes do Falun Gong, mas também potencialmente tibetanos, uigures e membros de práticas cristãs minoritárias - estão sendo mortos para suprir de órgãos a indústria de transplante. Estes indivíduos não foram condenados por crimes capitais e, em muitos casos, foram presos extrajudicialmente devido às suas crenças políticas ou religiosas.
 Wikipédia

Extração de órgãos de praticantes do Falun Gong na China


Wikipédia

Relatórios sobre a extração de órgãos de praticantes do Falun Gong e de prisioneiros políticos na China têm levantado uma preocupação crescente na comunidade internacional nos últimos anos. De acordo com os relatórios, os prisioneiros na China, principalmente praticantes do Falun Gong, são executados "sob demanda" com o propósito de fornecer órgãos para receptores de transplante. É dito que o tráfico de órgãos é decorrência da perseguição ao Falun Gong pelo partido comunista chinês e dos ganhos financeiros obtidos por instituições e indivíduos envolvidos no comércio de órgãos.

Relatórios sobre a extração sistemática de órgãos de prisioneiros do Falun Gong surgiram em 2006. Acredita-se que tal prática tenha começado seis anos antes. Vários pesquisadores do assunto — mais notavelmente o advogado canadense de direitos humanos David Matas, o ex-parlamentar David Kilgour e o jornalista investigativo Ethan Gutmann — estimam que dezenas de milhares de prisioneiros de consciência do Falun Gong foram mortos para alimentar um lucrativo comércio envolvendo órgãos e cadáveres humanos e que possivelmente esses abusos ainda estejam ocorrendo. Tais afirmações são baseadas em levantamentos estatísticos; entrevistas com ex-prisioneiros, autoridades médicas e agentes de segurança pública; e provas circunstanciais, tal como o grande número de praticantes do Falun Gong detidos extrajudicialmente na China e os lucros obtidos com a venda de órgãos. O governo chinês tem persistentemente negado tais alegações. No entanto, o fracasso das autoridades chinesas em efetivamente responder ou refutar as acusações tem chamado a atenção e a condenação pública de governos, organizações internacionais e sociedades médicas. Os parlamentos do Canadá e da União Europeia e da Subcomissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, aprovaram resoluções condenando a extração de órgãos de prisioneiros de consciência do Falun Gong. Relatores especiais das Nações Unidas têm chamado o governo chinês para dar explicações sobre a origem dos órgão usados nos transplantes na China e a Associação Médica Mundial, a Sociedade Americana de Transplantes e a Sociedade de Transplantação pediram que sejam aplicadas sanções contra as autoridades médicas chinesas. Vários países consideram ou tomaram medidas para dissuadir os seus cidadãos de viajar para a China para obterem órgãos. Um documentário sobre o tráfico de órgãos de praticantes do Falun Gong, Human Harvest (Colheita Humana), recebeu em 2014 o Prêmio Peabody por sua excelência em jornalismo.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O que muda na nova ordem executiva de Trump sobre os imigrantes


O que muda na nova ordem executiva de Trump sobre os imigrantes

Presidente dos EUA anuncia novo decreto, mais moderado na forma, mas praticamente igual no conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou nesta segunda-feira 6 sua ofensiva contra os imigrantes muçulmanos e assinou uma nova ordem executiva para substituir a publicada no mês passado, que provocou uma onda de protestos e de ações judiciais contra a Casa Branca.

Trump diminuiu a fanfarra em torno das novas regras e assinou o documento no Salão Oval, longe das câmeras, ao contrário do que havia feito em fevereiro, e enviou seus secretários para fazerem uma manifestação pública.

"Este decreto se insere nos nossos esforços para limitar as vulnerabilidades exploradas pelos terroristas islâmicos radicais para fins destrutivos", afirmou o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, durante uma declaração à imprensa com seus colegas da Justiça e da Segurança interna.

Na prática, a nova ordem de Trump muda muito pouco a decisão anterior, mas retira de suas disposições medidas que provocaram decisões judicais contrárias. A intenção do governo é aplicar as novas regras mais duras sem enfrentar uma nova onda de clamor popular contra suas medidas.

Quem será afetado pela ordem executiva?

Na ordem anterior, cidadãos de sete países tinham sido temporariamente banidos de entrar nos Estados Unidos. Agora são cidadãos de seis países que continuam visados: Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria, Iêmen. Os pedidos de entradas de pessoas dessas nações será barrados por 90 dias, pendendo uma revisão dos procedimentos de verificação de segurança.

O Iraque não faz mais parte da lista, após o governo de Bagdá aceitar fornecer informações suplementares sobre seus cidadãos requerentes de visas, segundo Washington. Em fevereiro, os casos de ex-intérpretes iraquianos do exército americano detidos nos aeroportos chocaram até mesmo o campo político do presidente.

Quem tem green card será afetado?

Desta vez, as pessoas que possuem o chamado green card, o visto de residência permanente nos EUA, não serão afetadas pela medida. Em fevereiro, a Casa Branca determinou que até mesmo os portadores dessa autorização especial estariam sob os efeitos da ordem executiva, uma medida potencialmente inconstitucional. Desta vez, os detentores de green cards e vistos estão explicitamente protegidos.

Quando o decreto entra em vigor?

O decreto entra em vigor em 16 de março, segundo documentos publicados nesta segunda-feira pelo departamento de Segurança interna. Essa também é uma diretriz que foi posta em prática por conta do caos gerado no mês passado, quando as novas regras tiveram efeito imediato.

Curiosamente, naquela ocasião Donald Trump defendeu a pronta aplicação do banimento alegando que "pessoas más" se aproveitariam de um prazo estipulado caso esse fosse divulgado.

E como ficam os refugiados?

A suspensão da entrada de refugiados por 120 dias permanece na ordem executiva. Essa regra também passará a valer em 16 de março, mas aqueles com viagem aos Estados Unidos já programada poderão entrar no país.

E os refugiados sírios?

Na primeira ordem executiva de Trump, os refugiados sírios tinham um tratamento diferenciado: a entrada deles estava banida indefinidamente e não por 120 dias. Agora, os sírios não serão tratados de forma diferente de outros refugiados.
Revista Carta Capital

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

As principais doenças causadas pelo ar


 Provocadas pela proliferação de fungos no ar, essas doenças têm se agravado devido à poluição.

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As doenças respiratórias podem atingir as pessoas através da poeira, pelos de animais, fumaça, odores e perfumes que atuam como agentes alérgicos. Além disso, a poluição do ar também contribui para a causa dessas doenças, ao passo que prolifera partículas e fungos tóxicos. Dentre as doenças respiratórias algumas delas são:

Sarampo – Provocado pelo vírus Morbili virus, o seu contágio é por meio de saliva ou secreções respiratórias das pessoas. Os sintomas são manchas avermelhadas pelo corpo, febre, tosse, mal estar, conjuntivite, perda de apetite e coriza. Para recuperação, é necessário repouso, alimentação leve e muito líquido.

Bronquite Asmática – Também chamada de Bronquite Alérgica, é dada por conta da inflamação dos brônquios, ramificações do pulmão onde o ar passa. Causada por alergias, pode ser curada quando o agente alérgico for identificado e o medicamento agir no pulmão para desinflamar a região acometida, facilitando a passagem do ar. Seus sintomas são: dificuldade para respirar, tosse com catarro, boca e ponta dos dedos arroxeados.

Asma – Causa inchaço e estreitamento das vias do pulmão havendo dificuldade respiratória, falta de ar, aperto no peito e tosse. Para as pessoas que têm asma, a poluição é um agravante; e para quem não tem, a exposição excessiva às áreas poluídas pode desencadear a doença.
Foto: Depositphotos

Câncer de pulmão – Pessoas que cresceram em áreas de grande poluição estão mais propensas a desenvolver esse tipo de doença. O acúmulo de partículas pode dar origem a um broto canceroso, o início da doença no corpo do paciente. É comprovado que a poluição aumenta e risco de câncer, tanto quanto o fumo passível.

Em todos os casos é fundamental a procura de um médico para um diagnóstico correto. Além disso, a automedicação é arriscada, visto que para cada doença existe uma medicação específica e controlada por receita médica.
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Conheça o rio Amarelo na China


Saiba mais sobre este rio que, além de ser o sexto maior rio do planeta em extensão, viu nascer e prosperar em suas margens a civilização chinesa 16 de janeiro de 2014


Importantes civilizações humanas surgiram e se desenvolveram pelas margens de grandes rios. O rio Amarelo (Huang Ho, em chinês), localizado no norte da China, faz parte deste seleto grupo. Considerado o berço da civilização chinesa, o Amarelo viu prosperar em suas margens férteis um povo que se desenvolveria e sobreviveria ao longo de milênios.

Medindo aproximados 5.500 quilômetros, o rio Amarelo é o segundo mais longo da China e o sexto mais extenso do mundo. Sua bacia hidrográfica conta com um total de 72 mil km². Além das terras, tão importantes para a manutenção dos primeiros habitantes da região, o rio Amarelo também deu vida a áreas de pastos e ofereceu importantes jazidas minerais aos desbravadores locais.

O nome deste rio mítico para os chineses não vem de uma simples licença poética. Sua composição geológica é rica em uma série de minérios, sobretudo o iodo, que efetivamente produz uma água de aspecto amarelado e extremamente lamacento

Uma das principais características do Amarelo é a forma como tem seu curso modificado ao longo do tempo, inundando planícies inteiras. Não por acaso, um dos apelidos dados ao rio é Caprichoso, já que suas águas parecem simplesmente mudar de vontade repentinamente. Por conta deste movimento, um dos mais importantes desafios ao longo de mais de 5 mil anos de ocupação humana às margens do Amarelo foi, justamente, a construção de barragens capazes de conter as tempestuosas atividades do rio.

Atualmente a preocupação em relação ao rio Amarelo é distinta, mas não deixa de ser negativa. Estima-se que pelo menos 4 mil indústrias, sobretudo petroquímicas, lancem seus dejetos no rio, tornando-o um dos mais poluídos da China. Enchentes e secas severas também têm marcado pontos específicos do Amarelo. Apesar de tantos flagelos este continua sendo, para os chineses, o mais querido e emblemático dos rios.

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O declínio dos lençóis freáticos na China poderá elevar os preços dos alimentos no mundo



Análise de um texto de Lester Brown (World Watch Institute): http://www.wwiuma.org.br/

“O declínio dos lençóis freáticos na China poderá elevar os preços dos alimentos no mundo”.


Hidrologicamente, existem duas Chinas, a úmida no Sul (700 milhões de habitantes) e a seca no Norte (550 milhões de habitantes). O Sul possui um terço da área agrícola e quatro quintos de sua água. O norte possui dois terços da área agrícola e um quinto da água. A água por hectare de terra agrícola no norte é um oitavo da água do sul.

A região norte está secando pois nela a demanda hídrica ultrapassa a oferta. Os lençóis caem, os poços ficam secos, os cursos d'água se exaurem e os rios e os lagos desaparecem. Na região que se estende do norte de Xangai até o norte de Beijing e que produz 40 % dos grãos, o lençol freático cai 1,5 m/ano (em Beijing está a –59 metros!).

Os agricultores do norte enfrentam perdas de água de irrigação tanto pela exaustão dos aqüíferos quanto pelo desvio da água para cidades e indústrias. De hoje a 2010, a população da China crescerá em 126 milhões que demandarão 30 bilhões de metros cúbicos. A demanda industrial, entretanto, está projetada para tomar 127 bilhões de metros cúbicos dessa água!.

Tudo que acontece com a água de irrigação afeta diretamente as perspectivas agrícolas da China. Enquanto menos de 15% da produção americana de grãos provém de terras irrigadas, na China isto chega a 62 %. Na região norte, essa demanda poderia ser atendida desviando 70% da água. Na disputa pela água entre cidades, indústrias e agricultura, a análise econômica não favorece a agricultura. Na China, mil toneladas de água produzem uma tonelada de trigo, que vale US$ 200. A mesma quantidade de água usada na indústria gera produtos com valor de US$ 14.000 (70 vezes mais). Num país que busca desesperadamente o crescimento econômico, o ganho no desvio da água da agricultura para a indústria é óbvio. Restará a agricultura usar apenas a água da chuva produzindo menos biomassa por hectare anualmente.

O Rio Amarelo após fluir ininterruptamente por milhares de anos, em 1972 deixou de chegar ao mar por 15 dias. Desde 1997, ele chega de forma interrupta à Província de Shandong, a última que atravessa no seu percurso rumo ao mar e que é a mais importante região agrícola do país. Ela produz um quinto do milho e um sétimo do trigo chinês. Metade da água de irrigação vinha do Rio Amarelo, e metade de um aqüífero (fóssil) que cai 1,5 metro por ano!

Enquanto mais é desviada a montante, menos resta a jusante. Beijing está permitindo que as províncias assoladas pela pobreza rio acima desviem água para seu desenvolvimento em detrimento da agricultura nas partes baixas da bacia. Entre centenas de projetos para desviar água do Rio Amarelo, há na cabeceira um canal que leva água para Hohhot, a capital da Mongólia Central, a desde 2003 para atender às necessidades urbanas crescentes e a importante indústria da lã, suprida pelo imenso rebanho ovino da região. Outro canal desviará água para Taiyuan, capital da província de Xangai, uma cidade de 4 milhões de habitantes que hoje é forçada a racionar água.




A pressão crescente sobre o Rio Amarelo significa que um dia ele não mais chegará à Shandong privando-a de metade da sua água de irrigação.

A perspectiva de uma importação maciça de grãos e uma crescente dependência do grão norte-americano, causa grande inquietação aos líderes políticos. Porém trata-se apenas de uma de suas preocupações, pois a economia do país se expande a uma taxa anual de 7%, a população cresce 12 milhões de pessoas por ano e a população se acostumou a comer carne e ovos de animais alimentados com rações, o consumo de grãos tende a crescer. A queda na produção de grãos nas regiões produtoras devido a escassez de água, transformará a China no principal importador mundial de grãos, ultrapassando o Japão.

Poderia promover-se um uso mais racional por meio da elevação do preço da água. Esta opção é considerada de grande risco político pois a reação pública contraria seria enorme. Situação atual: (a) o país abandonou sua política de auto-suficiência em grãos; os líderes políticos deixaram cair o preço dos grãos aos níveis do mercado internacional; (b) o governo anunciou que na competição pela água, as cidades e as indústrias têm prioridade.

A escassez da água leva a vários países a importar grãos (Índia, Paquistão, Irã, Egito, México, etc), porém, apenas a China (1,3 bilhões de habitantes), com uma economia em crescimento e um superávit comercial de US$ 40 bilhões com os Estados Unidos, tem o potencial de perturbar os mercados mundiais de grãos.

Em resumo, a queda dos lençóis freáticos na China poderá significar, entre outras coisas, no curto prazo, a elevação mundial dos preços dos alimentos. 
 http://www.unicamp.br/fea/ortega/ecologia/desafio-15.htm
 Unicamp

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Suécia só se trabalha 6 horas por dia e mesmo assim se produz mais


É verdade que na Suécia só se trabalha 6 horas por dia e mesmo assim se produz mais?

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Jornada de 6 horas institucionalizada? Não é bem assim...

"A Suécia vai introduzir oficialmente a jornada de trabalho de seis horas."

Foi o que afirmou um vídeo visto recentemente pelo correspondente da BBC em Estocolmo, Keith Moore.

O material já foi visto cerca de 40 milhões de vezes no Facebook e explica ainda que os trabalhadores do país vão continuar recebendo o mesmo salário, uma vez que os especialistas descobriram que as pessoas produzem em seis horas o mesmo que produziriam em oito.

A notícia foi divulgada em vários países e, como Moore mora na Suécia, ficou entusiasmado. Mas também se surpreendeu com o fato de que não tinha sido avisado da diminuição de sua jornada de trabalho.

"Vou morar na Suécia!!", comentou Sandra Andersson no Facebook. "Mas, espera... eu já moro na Suécia. Não há jornada de trabalho de seis horas no meu emprego, mas de nove e dez horas na maior parte do tempo. Mas me dão café grátis para que eu não durma depois de trabalhar seis horas", acrescentou.

"Ou é uma piada ou meu chefe é um comediante, pois sou sueco e definitivamente não estou trabalhando nem vou trabalhar apenas seis horas por dia", afirmou Eric Bergman.

Ou seja: a verdade é a coisa não é bem assim na vida real.
Desilusão e experiência

O correspondente da BBC entrevistou Kerstin Ahlberg, do Departamento de Direito do Trabalho da Universidade de Estocolmo, para o programa "More or Less", da BBC. 
 
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 Não, nem na Suécia os trabalhadores, em geral, têm o direito de voltar para casa mais ceco.

"Há experiências, mas não há uma tendência geral para a jornada de trabalho de seis horas", explicou a especialista.

"O que a lei diz na Suécia é que o tempo de trabalho não deve ultrapassar 40 horas semanais, a não ser que sejam necessárias horas extras e, neste caso, o limite é de 48 horas semanais", acrescentou.

Uma das experiências citadas por Ahlberg está acontecendo em um lar para idosos na cidade de Gotemburgo, onde os patrões estão observando se há uma melhora no cuidado com os moradores e nas condições de trabalho para os funcionários.

Os administradores reduziram as horas de 80 enfermeiras assistentes - desde fevereiro elas trabalham seis horas por dia recebendo o mesmo salário.

O grupo de controle, para comparação, é formado por enfermeiras de outro lar para idosos que fazem os turnos normais.

Os resultados preliminares da experiência mostram que parece existir uma diferença a favor das enfermeiras que trabalham menos horas.

As que trabalharam menos horas passaram mais tempo com os idosos, levando-os para caminhadas, jogando com eles, lendo para eles com mais frequência do que as enfermeiras do outro asilo.

Além disso, as enfermeiras que trabalham seis horas afirmaram que se sentem mais saudáveis, mais atentas e calmas.

Esses dados são bons, mas não muito precisos. Para uma comparação mais clara, há a média de número de faltas por problemas de saúde: 15 dias entre as trabalham menos, e 31 dias entre as que tinham jornadas de oito horas diárias. 
 
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Experiência em um lar para idosos deu certo Gastos

A julgar por essa experiência, a diminuição da jornada de trabalho foi boa tanto para as enfermeiras como para os idosos.

O resultado é que todos estão mais felizes e mais bem cuidados durante seis horas. Mas o que acontece depois? As enfermeiras não podem simplesmente ir embora e deixar os idosos sozinhos.

A resposta é contratar mais enfermeiras. E isso resulta em mais gastos seja para o dono, no caso de um negócio particular, ou para o governo, caso seja um serviço público.

O aumento nos gastos foi a razão de a experiência quase ter sido encerrada. Outra iniciativa parecida em Kiruna, no norte do país, foi cancelada depois de 17 anos.

Mas apesar das desistências, há empresas que já implementam a jornada de seis horas, como foi o caso de algumas no setor de tecnologia e até um centro de serviço da Toyota em Gotemburgo, onde isso teve início há 13 anos.

Ao observar que os clientes estavam insatisfeitos com as longas esperas e que os mecânicos estavam estressados e cometendo erros, o diretor-geral na época, Martin Banck, mudou o turno de 7h às 16h para duas jornadas - das 6h às 12h e das 12h às 18h -, com o mesmo salário e menos tempo de descanso. 
 
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 Vários estudos mostraram que trabalhar menos não reduz a produtividade

Mas existe um detalhe crucial: e os lugares que precisam de pessoas trabalhando 24 horas por dia?

Todos ficaram felizes, os lucros aumentaram em 25% e a mudança foi implementada de forma permanente.
Experiências

E a ideia da jornada mais curta não é nova.

"Aconteceram várias experiências no século 19 com um número diferente de horas de jornada de trabalho, e depois os efeitos foram examinados", contou John Pencavel, professor emérito de Economia da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

"Houve um exemplo famoso na década de 1890, quando o dono de uma fundição de ferro em Manchester e o sindicato local fizeram um acordo para reduzir as horas de trabalho de 54 horas por semana para 48 horas. O efeito na produção foi pouco e, depois de tentar durante um ano, os dois lados concordaram que a mudança deveria ser permanente."

Esse sucesso convenceu o governo daquela época a reduzir as horas de outra fábrica, desta vez em Londres. E na Alemanha fizeram o mesmo em uma das grandes indústrias óticas do país.

Mas muitos patrões continuaram com a jornada mais longa, por medo de uma queda na produção.

O resultado foi que, no fim do século 19, muitos trabalhadores ainda estavam cumprindo a jornada de 54 horas semanais.
 
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Algumas empresas já praticam a jornada mais curta
O efeito guerra

A grande mudança chegou com a Primeira Guerra Mundial, com pesquisas feitas em fábricas de munições.

"A maioria dos trabalhadores era mulher e algumas tinham que encher as bombas com explosivos. O explosivo afetava o fígado das trabalhadoras, que ficavam com as mãos e o cabelo amarelados. Em alguns casos, esse trabalho levava à morte", explicou Pencavel.

"Desde o começo da guerra, a semana de trabalho tinha sido estendida a 70, 80 e 90 horas por semana. E havia alguns que se perguntavam se isso era realmente conveniente."

O governo britânico estava tão preocupado que formou uma comissão de médicos e acadêmicos para investigar. Parte do estudo se concentrou nas horas de trabalho e no nível de produção e, diferente do estudo do século 19, essas pesquisas eram feitas com o rigor científico necessário.

O pesquisador principal era Horace Vernon, acadêmico da Universidade de Oxford que havia trabalhado em uma fábrica de munições. 
 
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Trabalho das mulheres nas fábricas de munições não era apenas longo, mas também perigoso

"Ele descobriu que a produção não era maior durante as semanas mais longas. Por isso concluiu que reduzir as horas tinha pouco ou até nenhum efeito negativo na produção", lembrou o economista.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a tendência era a redução nas horas de trabalho. Assim, as pesquisas sobre a relação entre o tamanho das jornadas e a produção caíram no esquecimento.
Saúde

Mais recentemente, os estudos deixaram de lado a quantidade produzida e se concentraram mais na relação entre horas de trabalho e saúde.

"Trabalhar por muitas horas já foi associado com declínio cognitivo e doenças cardiovasculares", lembra Pencavel.

No entanto, esses estudos se concentraram em pessoas que trabalham cerca de 50 horas por semana. 
 
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Relação entre horas de trabalho e saúde é mais importante hoje

Com isso, a pergunta também passa a ser: reduzir a semana de trabalho para 30 horas não seria demais?

"Me surpreenderia encontrar alguma organização que não se beneficie com a jornada de trabalho de seis horas, mas imagino que para algumas não seria apropriado. Cada uma deve tentar o que é melhor para ela", opinou o economista.
BBC Brasil

Notícias Geografia Hoje,


A estratégia do século 18 que Porto Rico quer adotar para se tornar o 51º Estado dos EUA


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Novo governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló prometeu levar adiante plano de transformar território em 51º Estado americano

O paradisíaco arquipélago de Porto Rico, no Caribe, é um território dos EUA desde 1898, mas nunca foi integrado ao país.

Mas agora o novo governador porto-riquenho, Ricardo Rosselló, quer mudar essa realidade: seu objetivo é transformar Porto Rico no 51º Estado americano.

Ele acredita que o caminho para fazer o plano dar certo é seguir o chamado Plano Tennessee - uma estratégia de pressão empregada pelo Estado de mesmo nome no fim do século 18 para conseguir ser incorporado aos EUA, em meio à desconfiança de Washington.

A tática inclui nomear representantes que vão defender no Congresso americano a aspiração de Porto Rico de integrar-se definitivamente ao país.

Além disso, eventualmente passa pela realização de um plebiscito no qual os porto-riquenhos decidiriam de uma vez por todas se querem se tornar parte da superpotência mundial.

Em 2012, o território realizou consulta semelhante. Naquele ano, 54% dos eleitores afirmaram não concordar com o atual status de Porto Rico.

Após o resultado das urnas, a Assembleia Legislativa do território promulgou uma resolução solicitando ao presidente e ao Congresso dos Estados Unidos a incorporação integral ao país.

Mas a iniciativa não obteve êxito.
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Rosselló quer seguir o chamado Plano Tennessee, adotado pelo Estado de mesmo nome no fim do século 18
Status atual

Porto Rico é um território americano, mas não usufrui das vantagens e do status que os 50 Estados do país têm.

Em seu discurso de posse na capital San Juan, Rosselló descreveu o atual status de Porto Rico como "colonial" e "descabido".


Alguns inclusive acreditam que situação legal do território explica sua crise econômica, a pior em décadas.

Isso porque Porto Rico não tem acesso à ajuda federal disponibilizada aos demais Estados.

Muitos acreditam, assim, que a solução para contornar a crise seria integrar o território plenamente aos EUA. 
 
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Porto Rico está enfrentando grave crise econômica

Mas não parece existir um consenso em Washington a respeito do tema.

Há fatores políticos por trás disso: integrantes do Partido Republicano acreditam que incorporar Porto Rico aos EUA beneficiaria o rival, o Partido Democrata.

Hoje, os porto-riquenhos que vivem na ilha não podem votar - mas aqueles domiciliados nos Estados americanos costumam votar em candidatos democratas.

Caso se tornasse um Estado, o território automaticamente teria direito a dois senadores, o que poderia provocar um desequilíbrio de forças políticas.
Plano Tennessee

Em sua campanha, Rosselló prometeu que implementaria o Plano Tennessee no início de seu mandato.

O novo governador porto-riquenho, cujo Partido Novo Progressista (PNP) defende a incorporação do território como um Estado com direitos plenos, assegura que essa ideia é apoiada pela maioria da população.

"Mas caberá ao Congresso americano decidir se um novo Estado deverá ser admitido à Federação", diz à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Carlos Colón de Armas, professor da Universidade de Porto Rico.

Colón de Armas fez parte da chamada "Comissão Estadista", um painel de especialistas que assessorou, durante a campanha, o então candidato Rosselló na elaboração de um plano sobre a eventual incorporação.

Sobre o plebiscito de 2012, o especialista diz que, embora a maioria dos eleitores tenha expressado desacordo com o status atual do arquipélago, um número significativo deixou de responder à segunda pergunta da consulta, sobre querer que Porto Rico se tornasse um Estado americano ou ganhasse independência. 
 
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Governo porto-riquenho busca união federativa com Washington

A alta quantidade de votos em branco e outros fatores lançaram dúvidas sobre a incorporação do território pelos Estados Unidos.

O Congresso americano ainda não se manifestou sobre o resultado do plebiscito.

Por isso, segundo Colón de Armas, a expectativa é de que o novo governo do arquipélago anuncie nos próximos dias um mecanismo pelo qual serão designados representantes para pressionar as autoridades federais em Washington.

Foi o que fez o Tennessee no século 18, quando escolheu seus representantes no Congresso antes de ser incorporado oficialmente como um Estado.

O professor garante que a atual representante oficial de Porto Rico no Congresso americano, que tem voz mas não tem voto na casa, também apresentará um projeto de lei pedindo o fim do status "colonial" da ilha.

Tudo isso deveria eventualmente se refletir, acrescenta o especialista, em uma "lei de admissão", mediante a qual o Congresso expressaria em detalhes quais seriam as condições exatas pelas quais Porto Rico entraria na Federação, além de apresentar aos eleitores do arquipélago a oportunidade de aceitá-las ou rejeitá-las em um plebiscito definitivo.
Sem consenso

Mas nem todos em Porto Rico estão de acordo com a validade ou viabilidade dessa estratégia.

Durante a campanha pelo governo do território, Ángel Rosa, outro parlamentar porto-riquenho, classificou o plano Tennessee de "engodo".

Em entrevista à imprensa local, ele previu que o Congresso americano se esquivaria à pressão de Porto Rico.

Rosa também negou existir um apoio majoritário no arquipélago para torná-lo o 51º Estado americano. 
 
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Em plebiscito de 2012, porto-riquenhos expressaram reprovação a status atual de arquipélago

"O resultado do plebiscito de 2012 não é uma vitória clara rumo à incorporação de Porto Rico pelos Estados Unidos... os números podem confundir", ressalvou Phillip Escoriaza, advogado e especialista em política porto-riquenha, à BBC Mundo.

Escoriaza acredita, no entanto, que a maioria dos porto-riquenhos não está satisfeita com o arranjo atual entre Washington e San Juan.

Para ele, há um impulso crescente pela transformação do território em Estado. Mas ainda que esse apoio ganhasse força em Porto Rico, continua, o processo de incorporação poderia levar muitos anos - isso se seguir o exemplo de casos semelhantes no passado.
Temor

Cólon de Armas, da Universidade de Porto Rico, acrescenta que, se o Plano Tennessee não funcionar, outra possibilidade é de que o território convoque, por iniciativa própria, um novo plebiscito por meio do qual a população decidiria seu status legal.

Em consultas passadas, uma pequena parcela dos eleitores, inferior a 10%, defendeu a independência.

A discussão principal está focada, assim, entre manter o status atual de Porto Rico ou transformá-lo no 51º Estado americano.

O especialista acredita que as surpresas traumáticas dos vários plebiscitos passados e as eleições de 2016 possam alimentar o temor de uma nova consulta em Porto Rico, especialmente se os eleitores decidirem, em última análise, pela separação total dos Estados Unidos.

"Mas para mim o maior temor é permanecer como estamos, isso é uma violação dos direitos dos porto-riquenhos", conclui Colón de Armas.
BBC Brasil

Notícias Geografia Hoje


Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida e gera preocupação
Matt McGrath BBC


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 Bloco de gelo possui 5 mil km², área equivalente à do Distrito Federal

Um gigantesco iceberg - que seria um dos dez maiores do mundo - pode se desprender a qualquer momento da Antártida, dizem cientistas.

Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol ou à área do Distrito Federal) de se soltar.

A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.

Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.

A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.

Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.

No ano passado, cientistas britânicos afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.

Mas, em dezembro, o ritmo avançou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas. 
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Colapso de plataforma de gelo Larson B aconteceu de forma semelhante em 2002 U

Dessa forma, segundo os pesquisadores, o que se tornará um gigantesco iceberg está por um triz de se soltar - apenas 20 km o prendem à plataforma.

"Se o iceberg não se desprender nos próximos meses, ficarei espantado", diz à BBC Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no País de Gales, responsável pela pesquisa.

"As imagens não são completamente visíveis, mas conseguimos usar um sistema para verificar a extensão do problema. O iceberg está a tal ponto de se soltar que considero que isso seja inevitável", acrescenta ele.

Luckman afirma que a área que deve se romper possui 5 mil km², o que resultaria num dos dez maiores icebergs já registrados no mundo.

Aquecimento global

Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.

Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.

No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.

"Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual", diz Luckman.
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 Imagens registradas em novembro mostram extensão de rachadura

"Esperamos que nos próximos meses e anos aconteçam novas rupturas, e talvez um eventual colapso, mas isso é uma coisa muito difícil de prever".

"Nossos modelos indicam que a plataforma ficará menos estável, mas não que desmoronará imediatamente ou qualquer coisa do tipo", acrescenta.

Como vai flutuar no mar, o iceberg não vai aumentar o nível dos mares.

Mas novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que se desprenderiam em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não seria flutuante, o nível dos mares seria afetado.

Segundo estimativas, se todo o gelo da Larsen C derreter, o nível dos mares aumentaria cerca de 10 cm.

Há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.

"As prováveis consequências podem ser o colapso da plataforma nos próximos anos ou décadas", prevê Luckman.

"Ainda que o impacto imediato não atinja os mares, trata-se de um grande evento geográfico que mudará a paisagem do continente gelado", acrescenta.
BBC Brasil

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