domingo, 19 de janeiro de 2020

O que o cocô humano pode nos dizer sobre estilo de vida, dieta e saúde





Na Austrália, exatamente em um laboratório da Universidade de Queensland (UQ), um grupo de cientistas realiza uma atividade incomum: armazenar amostras de excrementos humanos de mais de 20% da população daquele país.

A extração de amostras ocorre em estações de tratamento de águas residuais localizadas em diferentes regiões australianas. Eles são congelados e posteriormente enviados aos cientistas da UQ.

O'Brien e Phil Choi, autores da pesquisa , consideram que esses espécimes são um "tesouro" que contém informações valiosas sobre os hábitos alimentares e o estilo de vida das diferentes comunidades.


Eles descobriram que em regiões onde o poder de compra é maior, o consumo de frutas cítricas, cafeína e fibras é maior. Enquanto em áreas com menos recursos, o uso de medicamentos prescritos foi significativo.

E todos esses dados foram obtidos de forma codificada através das fezes humanas dessas comunidades.
Principais dados de águas residuais

A pesquisa foi capaz de demonstrar o que outros cientistas vêm teorizando há alguns anos: que a partir das águas residuais de uma comunidade você pode obter dados confiáveis ​​sobre o consumo médio de alimentos e medicamentos.

Os dois cientistas dizem que esse procedimento é fundamental para coletar informações quase em tempo real sobre hábitos na população, o que poderia contribuir para a comunicação de políticas e mensagens de saúde pública.

O trabalho, conhecido há 20 anos como epidemiologia de águas residuais, é utilizado principalmente na Europa e América do Norte para a detecção e controle de drogas ilícitas nas comunidades.

Os cientistas coletaram amostras de plantas de esgoto em toda a Austrália.

Outras pesquisas se concentraram no uso de drogas legais e há planos para que esse procedimento seja aplicado na detecção precoce de surtos de doenças, mas até agora a evidência de indicadores de dieta tem sido amplamente teórica.

E, embora pesquisas sejam usadas para descobrir quais alimentos e medicamentos são consumidos, a análise das águas residuais pode ser um indicador mais objetivo do consumo médio em uma área de captação específica. De acordo com Choi:


Em geral, nas pesquisas, as pessoas aumentam o consumo de alimentos saudáveis ​​e subestimam o consumo de coisas menos saudáveis.
Consumo segundo indicadores socioeconômicos

Não apenas os excrementos e a urina são constituídos por águas residuais, mas também resíduos alimentares, produtos de higiene pessoal e restos industriais ou comerciais.

Os cientistas, de certos alimentos, precisavam encontrar biomarcadores específicos produzidos apenas por fezes humanas, ou pelo menos em maior medida.

A pesquisa empregou um par de biomarcadores relacionados ao consumo de fibras (derivados da ingestão de grãos e plantas) e outro associado ao consumo de citros. Ambos os tipos de alimentos (fibra e citros) são considerados típicos de uma dieta saudável.

As comunidades com os maiores indicadores socioeconômicos registraram maior correlação com as altas taxas de consumo desses alimentos. Em outras palavras, em geral, foi descoberto que os setores com maior poder de compra possuíam dietas mais ricas em fibras e citros.


O consumo de citros é considerado um dos componentes característicos de uma dieta saudável.

Além disso, verificou-se que café expresso e café moído geralmente são consumidos regularmente nessas comunidades.

O relatório observa que esse resultado deriva de uma economia mais forte desse grupo para adquirir esses produtos e de uma cultura de consumo de café adotada pelos australianos mais ricos.

Por outro lado, no lado oposto do status socioeconômico, as comunidades menos favorecidas registraram alto consumo de drogas como tramadol (um analgésico opioide), atenolol (um medicamento usado principalmente em doenças cardiovasculares) e pregabalina (antiepiléptico).

Havia também uma relação entre outros tipos de analgésicos e antidepressivos com as áreas mais pobres, mas não em igual medida.
Tendência à igualdade?

A pesquisa corrobora um fenômeno global chamado gradiente de saúde social , o que implica que quanto menor o nível socioeconômico de uma pessoa, pior a saúde que ela tem.

A cafeína foi encontrada nas águas residuais dos australianos que vivem em bairros com maior poder socioeconômico.

E, embora os australianos estejam totalmente convencidos de que seu país mantém a tendência à igualdade e até existam estudos internacionais que a confirmam, este novo trabalho sobre águas residuais sugere que também existem sérios problemas de desigualdade econômica.

Um australiano pertencente a 20% da população com maior poder aquisitivo tem cinco vezes mais dinheiro disponível em comparação com alguém do quintil de menor renda. E, em geral, mais renda significa uma maior capacidade de comprar alimentos perecíveis, como frutas e legumes, assim como uma melhor educação significa uma melhor compreensão da nutrição.

Por seu lado, a professora Catherine Bennett, diretora de epidemiologia da Universidade Deakin, na Austrália, destaca que a pesquisa em UQ tem seu escopo e limitações:


É um estudo ecológico em epidemiologia. O termo significa que não estamos usando dados individuais, mas dados coletivos.

É uma oportunidade realmente interessante, desde que não tentemos interpretar os dados excessivamente. Uma maneira útil de acompanhar o que está acontecendo no nível da população.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Conheça alguns hábitos alimentares que temos e deveríamos abandonar


Comer mal aumenta o risco de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, pressão alta, entre outras doenças





Ter bons hábitos alimentares auxiliam a afastar doenças e trazer longevidade(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)Uma dieta equilibrada é essencial para qualidade de vida, ajuda no bom funcionamento do organismo e auxilia na perda de peso. Os bons hábitos alimentares auxiliam a afastar doenças e a trazer longevidade, pois a má alimentação é considerada um fator decisivo no surgimento de doenças crônicas.


A praticidade do dia a dia faz com que o brasileiro consuma alimentos industrializados cada vez mais. O Correio te ajuda a conhecer quais são os hábitos alimentares que muitos têm, mas todos deveriam evitar.


Pular refeições 


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Um dos erros alimentares mais comuns que prejudicam a saúde e contribuem para o ganho de peso é pular as refeições. A desculpa para tanto quase sempre é a falta de tempo. Mas isso é muito prejudicial à saúde. O intestino de quem pula refeições com muita frequência se adapta para absorver o máximo de nutrientes possível de cada refeição. O restante do corpo passa a economizar energia. Por isso, a necessidade de se ter uma alimentação balanceada e de comer a cada 3 horas ou 4 horas, o que ajuda a controlar a glicemia.

Para a nutricionista Patricia Guedes uma alimentação não balanceada prejudica muito o metabolismo. “Sempre procuro lembrar os pacientes de que nós somos os responsáveis pela nossa saúde e pela nossa doença. A vida é feita de equilíbrio. O segredo está em estabelecer uma rotina saudável, reduzindo o número de 'escapadas'. Quando elas acontecerem que sejam feitas sem culpa, sabendo que você irá voltar para a rotina normal”, completou.


Tomar refrigerantes e bebidas alcoólicas

Os refrigerantes são bebidas ricas em frutose, tipo de açúcar que aumenta o risco de resistência à insulina e diabetes, além de ter ácidos que ajudam a desgastar os esmaltes dos dentes e provocar gases que podem vir com dores abdominais e gastrites. São bebidas ricas em sódio e alguns sabores contêm bastante cafeína, o que pode provocar alterações na pressão arterial e retenção de líquidos.



Já as bebidas alcoólicas são pobres em nutrientes e possuem alto valor calórico. Por exemplo, uma lata de cerveja fornece aproximadamente 150 calorias, praticamente o mesmo do que um pão francês. 

A nutricionista Nathália Bandeira indica que os pacientes sempre optem por bebidas como o sucos da fruta sem açúcar, chás, água de coco natural e não exagerem em bebidas alcoólicas. “São bebidas com alto teor de sódio e açúcares. Estes produtos fazem mal para a saúde. A longo prazo elas auxiliam no desenvolvimento de doenças crônicas, sem contar que excesso de álcool é muito prejudicial”, explica.


Comer muito doce

Muitos açúcares e doces são inimigos da alimentação saudável e devem ser consumidos com bastante moderação. Eles são compostos praticamente por carboidratos simples, rapidamente absorvidos pelo organismo. 

Esse tipo de alimento tende a alterar a glicemia e a liberar grandes quantidades de insulina, podendo acarretar em diabetes tipo 2. O uso em excesso de açúcar na alimentação aumenta riscos de doenças vasculares, fígado gorduroso e até mesmo de alguns tipos de câncer.


O ideal é evitar o consumo de alimentos com muito açúcar e comer doces moderadamente. A nutricionista Gabriela Soares Batista ressalta que existem opções mais saudáveis nas prateleiras: “No mercado, existem alguns tipos diferentes de açúcar (demerara, mascavo, açúcar de coco) que geram um efeito metabólico mais desejável.”


Comer alimentos processados e embutidos

Comidas industrializadas e embutidas têm em sua composição diversas substâncias químicas que não são reconhecidas pelo nosso organismo. Por isso, elas podem fazer mal ao sistema imunológico e causar alergias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as carnes processadas como alimentos cancerígenos desde 2015. A grande maioria dos alimentos que consumimos passam por algum tipo de processamento.

“Alimentos processados e embutidos trazem vários ricos à saúde por serem ricos em conservantes, corantes, aditivos e açúcares. Causam prejuízos diretos à saúde podendo levar a doenças alérgicas, intestinais e até mesmo o câncer”, alerta Nathália Bandeira.


Beber pouca água

O pouco consumo de água está entre os maus hábitos alimentares mais comuns. O líquido é essencial para o bom funcionamento do corpo e a desidratação crônica pode causar doenças e envelhecimento precoce. Isso acontece porque o organismo “puxa” água dos órgãos para suprir a falta de líquidos nos tecidos.

Durante um dia se perde aproximadamente dois litros de água por meio de transpiração, urina, respiração e outras atividades. Por isso, a necessidade de repor essa perda e de se manter hidratado durante o dia inteiro.

Gabriela Soares explica que o ideal é não esperar sentir sede para beber água. “A falta de água pode causar várias doenças, fraqueza, cansaço e tontura. Dois litros por dia é uma referência. Para saber a quantidade exata para cada pessoa, calculamos 35ml por quilo do peso. Por exemplo, uma pessoa de 70kg deveria ingerir 2,5 litros”, contabiliza. 


Exagerar na quantidade

Ingerir muitos alimentos pode ser um sinal de compulsão alimentar, podendo levar à obesidade e a outros problemas de saúde. Algumas vezes essa compulsão tem como causa estresse ou depressão. Nesses casos, há necessidade de um tratamento médico.

O estômago pode se acostumar com o grande volume de comida, o que é prejudicial. Vale ressaltar que cada pessoa tem uma quantidade adequada de alimentação por dia. A nutricionista Patricia Guedes explica: “Não existe quantidade ideal de comida. Cada pessoa deve ser analisada de forma individual, considerando patologias existentes, exames bioquímicos, resposta metabólica, nível de atividade física, rotina, hábitos alimentares, etc...Tudo isso faz com que a quantidade de alimentos varie de pessoa para pessoa.”

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Astrônomos detetaram vapor de água num planeta potencialmente habitável



O fenômeno agora descoberto pode parecer “insignificante”, até porque a água é comum no universo. Contudo, detetar este elemento a 110 anos-luz pode ser um passo muito importante. Nesse sentido, astrônomos encontraram vapor de água no exoplaneta K2-18 b, numa zona habitável da sua estrela.

A descoberta foi levada a cabo por duas equipes e publicada no repositório de artigos científicos Nature Astronomy.



Exoplanetas podem ter vida

Com mais de 4000 exoplanetas pode parecer que estamos prestes a descobrir se estamos sozinhos no universo. No entanto, infelizmente, não sabemos muito sobre esses planetas – na maioria dos casos apenas temos uma ideia da sua massa e do seu raio. Assim, entender se um planeta pode hospedar vida requer muito mais informação.

No momento, uma informação extremamente importante que está a faltar é a presença, composição e estrutura das suas atmosferas. Sinais de água atmosférica, oxigénio e metano seriam sinais de que um planeta pode suportar vida. Agora, pela primeira vez, conseguiu-se detetar o vapor de água na atmosfera de um exoplaneta potencialmente habitável.


Como se consegue perceber se há vapor de água no planeta tão distante?

A atmosfera de um planeta desempenha um papel vital em moldar as condições dentro dele ou na sua superfície. Dessa forma, a sua composição, estabilidade e estrutura fornecem pistas importantes sobre como é estar lá. Assim, é através de estudos atmosféricos que se consegue aprender sobre a história do planeta. Posteriormente, é possível investigar a sua habitabilidade e, em última análise, descobrir sinais de vida.

O principal método que é utilizado ao examinarmos exoplanetas é a espectroscopia de trânsito. Por outras palavras, é uma técnica que os astrónomos usam que envolve olhar para a luz das estrelas à medida que um planeta passa em frente à sua estrela hospedeira.

Conforme ela transita, a luz estelar é filtrada através da atmosfera do planeta – com a luz a ser absorvida ou desviada com base em quais compostos a atmosfera consiste.

Portanto, a atmosfera deixa uma pegada característica na luz estelar que tentamos observar. Uma análise mais aprofundada pode, então, ajudar a combinar essa pegada com elementos e moléculas conhecidas, como água ou metano.


K2-18 b, que orbita uma estrela anã-vermelha, foi descoberto em 2015

Surpreendentemente, assinaturas moleculares de água foram encontradas nas atmosferas de planetas gasosos, semelhantes a Júpiter ou Neptuno. Nunca antes foi visto em planetas menores, até agora.

O K2-18 b foi descoberto em 2015, e encontra-se a 34 parsec da Terra — qualquer coisa como mil biliões de quilómetros. Este é apenas um entre centenas de planetas “super-terras”. Esta classificação é para planetas com uma massa entre a Terra e Neptuno encontrados pelo Kepler da NASA. No entanto, o K2-18 b é um planeta com oito vezes a massa da Terra que orbita uma estrela “anã vermelha”, que é muito mais fria que o sol.

Apesar disso, o K2-18 b está localizado na “zona habitável” da sua estrela. Quer isso dizer que tem a temperatura certa para suportar água líquida. Dada a sua massa e raio, o K2-18 b não é um planeta gasoso, mas tem uma alta probabilidade de ter uma superfície rochosa.

Além disso, o planeta está a “apenas” 21 milhões de quilómetros da sua estrela e tem uma temperatura estimada entre -73,15 e 46,85 graus Celsius.


Mas o que é necessário para um planeta acolher vida?

Para que um exoplaneta seja definido como habitável, existe uma longa lista de requisitos que precisam ser satisfeitos. Um deles é que o planeta precisa estar na zona habitável onde a água pode existir na forma líquida. É também necessário que o planeta tenha uma atmosfera para proteger o planeta de qualquer radiação nociva proveniente da sua estrela hospedeira.

Outro elemento importante é a presença de água, vital para a vida tal como a conhecemos. Embora existam muitos outros critérios para a habitabilidade, como a presença de oxigénio na atmosfera, a nova investigação fez do K2-18 b o melhor candidato até à data. É o único exoplaneta que cumpre três requisitos de habitabilidade: as temperaturas certas, uma atmosfera e a presença de água.

No entanto, não se pode dizer, com dados atuais, de que forma o planeta tem probabilidade de sustentar a vida. Os dados são limitados a uma área do espectro – isto mostra como a luz é partida pelo comprimento de onda – onde a água domina. Nesse sentido, não é possível determinar a existência de outras moléculas.


O primeiro de muitos?

Com a próxima geração de telescópios, como o Telescópio Espacial James Webb e a missão espacial ARIEL, serão dados passos muito importantes. Com este nível tecnológico será possível determinar a composição química, cobertura de nuvens e estrutura da atmosfera do K2-18 b.

Estas missões também podem facilitar a realização de deteções semelhantes para outros corpos rochosos nas zonas habitáveis das suas estrelas-mãe. Com o K2-18 b a 110 anos-luz de distância, não é realmente um planeta que poderíamos visitar – mesmo com pequenas sondas robóticas – no futuro previsível.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Floresta mais antiga do mundo é descoberta nos Estados Unidos


Localizada na cidade de Cairo, a região serve como um cemitério de árvores, que nos fornece uma espiada de um passado de mais de 300 milhões de anos atrás
Sabrina Brito

As folhas e troncos fossilizados em Cairo, Nova York WILLIAM STEIN / CHRISTOPHER BERRY/Divulgação



Em uma área abandonada em Cairo, cidade do estado de Nova York, cientistas acabam de encontrar a mais antiga floresta fossilizada do mundo. Formada há 386 milhões de anos, a mata recém-descoberta é dois ou três milhões de anos mais velha do que aquela que detinha o recorde até agora, também localizada em Nova York. O achado foi publicado no último dia 19 no periódico científico Current Biology.

A exploração da região começou há mais de dez anos, comandada por pesquisadores das Universidades Cardiff e Binghamton (Reino Unido) e do Museu do Estado de Nova York. Desde então, mais de 3 mil metros quadrados de floresta foram precisamente mapeados.

Há 386 milhões de anos, quando a floresta era viva, plantas, animais e as demais formas de vida atravessavam o período Devoniano. Conhecida como Era dos Peixes, foi nessa época que esses seres mais se proliferaram nas águas marítimas. Sobre a Terra, reinavam artrópodes, como os escorpiões e as centopeias.

Foi ainda durante o Devoniano que ocorreu no nosso planeta a transição entre um cenário onde matas eram ausentes para uma situação em que diversas florestas, inclusive algumas das atuais, recobrem grandes áreas da superfície terrestre. A hipótese é a de que a floresta encontrada tenha sido atingida por uma enchente. Isso porque na superfície da região, os pesquisadores encontraram alguns fósseis de peixe. De forma geral, o achado nos dá a oportunidade de ver, ainda que por uma pequena brecha, como o planeta funcionava muito antes do surgimento do ser humano (que se deu há 200.000 anos, aproximadamente; extremamente recente, pela perspectiva da idade da própria Terra).
Revista Veja

Estudo: Até 2100, precisaremos de mais de 250 calorias extras diárias


Nova pesquisa alemã revelou que o crescimento populacional e o aumento global do IMC médio farão com que nossa dieta típica necessite de mais alimentos
Sabrina Brito


A quantidade de alimento que demandaremos até o fim do século será muito maior do que a atual necessidade Akintunde Akinleye/Reuters


De acordo com um estudo publicado no último dia 23 no periódico científico PLOS ONE, a quantidade de comida necessária para alimentar a população mundial pode aumentar em quase 80% até 2100. Os pesquisadores responsáveis pelo artigo, da Universidade de Göttingen (Alemanha), afirmam que a tendência de aumento no Índice de Massa Corporal (IMC) observada em grande parte do planeta fará com que precisemos de mais calorias para nos satisfazer em um futuro próximo.

Segundo projeções da ONU, a população mundial será de aproximadamente 11 bilhões no final deste século. Segundo a pesquisa alemã, 60% do aumento calórico do qual precisaremos até então será resultado desse vertiginoso crescimento demográfico. Os outros 20% seriam fruto de um provável aumento na altura e no peso médio dos indivíduos até 2100.

A projeção dos cientistas é de que, até o final do século, a energia requerida por cada um sofrerá um crescimento de 253 calorias diárias. É o equivalente a duas bananas grandes ou uma porção de batatas fritas a mais que teremos que comer todos os dias para satisfazer nossos gastos metabólicos, de acordo com o artigo.

Os pesquisadores concluíram ainda que um fracasso em reformular a política alimentar global para lidar com essa mudança pode gerar grande desigualdade econômica e alimentar pelo planeta, o que evidentemente prejudicaria sobretudo as regiões mais pobres. Esse cenário vem do fato de que uma demanda por mais alimentos levará a aumento nos preços da comida. Enquanto os países mais ricos não demorarão a se acostumar com a nova situação, as nações pobres teriam esse desafio à frente, o que pode resultar em má nutrição.
Revista Veja

Rio Amazonas tem 9 milhões de anos, mais velho do que se pensava


Estudos anteriores apontavam para 2,6 milhões de anos, mas pode ser que o rio tenha mais de 9 milhões de anos de idade


Rio amazonas JohnnyLye/iStock


O rio Amazonas pode ter entre 9 e 9,4 milhões de anos, segundo um novo estudo liderado por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de Amsterdã, na Holanda. Análises anteriores apontavam para “apenas” 2,6 milhão de anos. A nova pesquisa encontrou sedimentos compostos de fósseis de plantas, na foz do rio, no Pará, que, além de revelarem a possível idade do Amazonas, contribuem para a investigação de como as mudanças climáticas alteraram a paisagem da região. A análise foi publicada nesta semana na revista científica Global and Planetary Change.


A pesquisa foi feita em uma fenda há mais de 4,5 quilômetros abaixo do nível do mar, na parte do Oceano Atlântico alimentada pelas águas do rio Amazonas. “Os sedimentos transportados por este rio são depositados na fenda submarina e, como resultado, registram com precisão sua história evolutiva. Foram aplicadas técnicas analíticas de alta resolução nesses detritos não realizadas anteriormente na região”, disse Farid Chemale, pesquisador do Instituto de Geociências da UnB, em comunicado. Um outro estudo feito neste mesmo poço havia datado o rio entre 1 e 1,5 milhões de anos.

Antigo rio Amazonas

Por meio da análise de dados geoquímicos e do estudo de pólen e esporos de plantas fossilizados, os cientistas identificaram ainda uma clara modificação no tipo de sedimentos depositados na área. Ao longo do tempo, eles passaram de detritos de planícies tropicais a sedimentos vindos dos Andes, que teriam sido levados pelo ‘recém-nascido’ rio Amazonas. Esses vegetais andinos teriam sido modificado ao longo dos anos, conforme aponta a pesquisa.

“Os nossos novos dados confirmaram que o rio Amazonas é mais velho, mas também apontam para uma expansão de prados – terrenos de vegetação baixa – durante o Pleistoceno (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) que não era conhecida antes. Pesquisas futuras podem dar mais respostas, mas requerem investimento em termos de perfuração continental e marítima”, disse Carina Hoorn, pesquisadora da Universidade de Amsterdã e principal autora do artigo, em nota. Os pesquisadores acreditam que o aumento de gramíneas na Cordilheira dos Andes teria sido impulsionado pelo resfriamento de cinco milhões de anos atrás, dando espaço para a vegetação aberta e sem árvores.

Esse estudo é parte do projeto Clim-Amazon, uma iniciativa brasileira e europeia para pesquisas climáticas. Os cientistas esperam, com estas análises, descobrir as mudanças na vegetação sofridas pela região há milhões de anos e, assim, compreender as alterações do clima.
Revista Veja

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Mudanças irreversíveis: cientistas avaliam o momento exato do ‘ponto de não retorno’



Foto: Pixabay


da Sputnik


Climatologistas calcularam pela primeira vez com precisão quantos gases de efeito estufa o solo absorve e produz e descobriram inesperadamente que o “ponto de não retorno” vai chegar em breve, mais precisamente em 2060, comunicou a revista Nature.


“Enquanto a biosfera terrestre absorve cerca de 25% de emissões antropogênicas, o nível do dióxido de carbono absorvido pelo solo se mantém muito incerto, levando às incertezas em projeções climáticas”, comentou Pierre Gentine da Universidade Columbia em Nova York.

Segundo o cientista, a absorção de emissões demora o aquecimento global, mas é incerto quando tempo isso pode durar. Se os apetites dos oceanos e do solo tiverem algum limite, daqui a algum tempo nós atingiremos o ponto de saturação e o processo de aquecimento global se acelerará.

A maioria dos cientistas não duvida da existência do aquecimento global e que ele terá consequências graves se não se conseguir conter o aumento da temperatura no nível de 1,5 °C, o que é confirmado pelos dados de satélites e estações meteorológicas.

Para prevenir esse cenário trágico, todos os países assinaram em 2015 o Acordo de Paris sobre a Mudança do Clima destinado a reduzir as emissões de dióxido de carbono a partir de 2020.

Ainda antes da saída dos EUA do Acordo, os climatologistas avaliavam com ceticismo as chances de seu cumprimento, levando em conta as obrigações inexequíveis e a influência imprevisível dos processos climáticos.

Pierre Gentine e seus colegas descobriram mais um exemplo de como diversos processos climáticos podem aproximar o “ponto de não retorno” examinando o impacto do aquecimento global sobre a quantidade de água no solo.

É que a velocidade de absorção de CO2 e outros gases de efeito estufa pelas plantas e micróbios do solo pode aumentar ou se reduzir significativamente em condições de falta ou excesso de água no solo. Segundo as últimas observações, o aquecimento global aumentará significativamente o número de fenômenos climáticos extremos, inclusive inundações e secas, o que pode influir sobre a circulação de CO2 entre a biosfera, a atmosfera e o solo.

Os cientistas norte-americanos examinaram minuciosamente esses processos, criando um modelo climático que considera a alteração do aumento da biomassa dependendo da quantidade de água no solo.

Os cálculos mostraram que as flutuações bruscas da umidade na terra e o aumento geral de sua aridez levaram a que o solo e as plantas começassem a absorver duas vezes menos CO2 do que em condições mais estáveis. Como a frequência dos fenômenos extremos aumenta em conjunto com as temperaturas, os cientistas prognosticam que a situação no futuro vai piorar.

“É uma descoberta importantíssima. Se os processos no solo se desenvolverem do mesmo modo no futuro, ele começará a absorver não mais, mas menos dióxido de carbono até meados do século. Isso levará ao aumento brusco na concentração de CO2 na atmosfera e a uma aceleração ainda maior do aquecimento global”, concluiu a cientista Julia Green.

Qual é a idade da Terra?


Afinal, a ideia de que a Terra é um planeta jovem desafia a noção de que a história da vida teria se pautado pelo acúmulo gradativo de pequenas mudanças, geração após geração.




Durante cerca de cinquenta anos, o darwinismo conviveu com dois graves problemas, uma carência e uma dúvida. No plano interno, fazia falta uma teoria subsidiária que explicasse a transmissão dos caracteres hereditários. Falaremos disso no capítulo 7.

Pairava ainda a dúvida: Qual é a idade da Terra?

Era preocupante. Afinal, a ideia de que a Terra é um planeta jovem desafia a noção de que a história da vida teria se pautado pelo acúmulo gradativo de pequenas mudanças, geração após geração.

Este capítulo é dedicado a esta questão.

Bolinha azul

Oito planetas orbitam o Sol: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Além de quase 200 luas, planetas-anões (Plutão, Ceres, Éris), asteróides e um sem–número de cometas e objetos menores. Esses corpos teriam sido formados a partir da mesma massa inicial de gás e poeira cósmica [1].


A Terra é o terceiro planeta do Sistema Solar, estando a uns 150 milhões km (= 1 ua, unidade astronômica) de distância do Sol. Possui um clima ameno: nem tórrido, como os dois primeiros, nem congelativo, como os cinco restantes. Até onde sabemos, é o único lugar em toda a vizinhança que abriga seres vivos.

Vista do espaço, a Terra é uma bolinha azul. Mas não é uma bolinha perfeitamente esférica. Em razão do movimento de rotação, o raio equatorial (6.378 km) é ligeiramente maior que o r. polar (6.357 km). Diz-se então que o globo terrestre é um esferoide, uma esfera ligeiramente achatada nos polos.

O predomínio do azul reflete o fato de que 75% da superfície do planeta estão cobertos pelos oceanos. Outras porções da Terra exibem outras colorações, principalmente tons esverdeados (florestas fechadas), amarronzados (desertos, áreas desflorestadas ou de vegetação rarefeita) ou esbranquiçados (calotas polares e topos de montanhas, ameaçados hoje de derretimento).

O que há embaixo do chão?

Especulações sobre o interior do planeta remontam à Antiguidade. O modelo atual, uma versão do modelo casca-núcleo, originalmente proposto no século 19, afirma que a Terra é constituída pela sobreposição de três camadas concêntricas – crosta, manto e núcleo –, cada uma delas com suas propriedades físicas e químicas características.

A crosta é mais espessa nos continentes, onde varia de 30 a 40 km (60-70 km nas montanhas mais elevadas); no fundo do mar tem de 5 a 10 km de espessura. É formada de rochas relativamente leves que flutuam sobre o manto, a camada mais densa e profunda que a sucede. O manto tem uma espessura média de 2,85 mil km. Costuma ser subdividido em manto superior, m. transicional e m. inferior. O núcleo tem um diâmetro total pouco inferior a 3,5 mil km. É subdividido em núcleo externo e n. interno. Este último é uma esfera sólida (raio: ~1,25 mil km), composta principalmente de uma liga metálica de ferro e níquel. Está recoberto pelo núcleo externo (espessura média: ~2,2 mil km), de composição química semelhante, mas liquefeito, e não em estado sólido.


Essa diferenciação em camadas foi estabelecida nos primórdios da história planetária. Enquanto o metal fundido (sobretudo ferro) afundava, formando aquilo que hoje chamamos de núcleo, os silicatos e óxidos permaneciam confinados em uma camada mais superficial, o manto.

Nas palavras de Comins & Kaufmann (Descobrindo o Universo [Bookman], 2010 [2008], p. 179):

Geólogos calcularam que a Terra estava inteiramente líquida logo após sua formação, há 4,6 bilhões de anos. Os violentos impactos de detritos espaciais, junto com a energia gerada pelo decaimento de elementos radioativos, aqueceu, fundiu e manteve a jovem Terra derretida. […]

A maior parte do ferro e de outros elementos densos afundou em direção ao centro da jovem [Terra] líquida, justamente como uma rocha afunda em um lago. Ao mesmo tempo, a maioria dos elementos menos densos foi forçada para cima, em direção à superfície […]. Este processo, chamado de diferenciação planetária, produziu a estrutura em camada dentro da Terra: um núcleo central muito denso rodeado por um manto de minerais menos densos, que, por sua vez, estava rodeado por uma fina crosta de minerais relativamente leves […]. A diferenciação explica porque a maioria das rochas que você encontra no solo é composta de elementos de baixa densidade, como silício e alumínio. Grande parte do ferro, ouro, chumbo e outros elementos mais densos encontrados na Terra hoje, na realidade, retornaram à superfície através dos vulcões e de outros fluxos de lava.

Escavando o passado

A disposição em camadas das rochas da crosta reflete a cronologia, de sorte que as mais profundas são em geral as mais velhas.


Esta generalização, conhecida como princípio da sobreposição de camadas, apareceu pela primeira vez no livro Prodromus (1669), do naturalista e clérigo dinamarquês Niels Steensen (1638-1686) – Nicolaus Steno. Aparentemente simples, os princípios de Steno assinalaram o surgimento da estratigrafia e da geologia histórica.

Em 1815, o geólogo prático inglês William ‘Strata’ Smith (1769-1839) deu um passo além. Ele sugeriu que a presença de certos fósseis serviria como um guia da idade relativa dos estratos, permitindo ordená-los, do mais velho ao mais novo, ainda que a idade absoluta permanecesse desconhecida. Os geólogos passaram a usar esses marcadores, comparando e ordenando estratos até de terrenos situados em continentes diferentes.

Mais ou menos na mesma época, Georges Cuvier (1769-1832) havia descoberto que a identidade específica dos registros fósseis podia mudar de acordo com o estrato examinado. Ele deduziu que os fósseis seriam marcas deixadas por seres vivos do passado, os quais, por razões até então desconhecidas, haviam desaparecido. O naturalista francês, como foi dito no cap. 5, organizou seus achados e suas interpretações em uma teoria geral sobre a história da vida, o catastrofismo.

Ainda na primeira metade do século 19, os naturalistas conseguiram estabelecer um padrão geral de sucessão. Desse modo, diante de duas ou mais rochas fossilíferas, eles eram capazes de dizer qual era a mais nova e qual, a mais velha, ainda que a idade absoluta de todas elas fosse uma incógnita.

As primeiras estimativas

Algumas das primeiras tentativas de calcular criteriosamente a idade da Terra foram conduzidas pelo físico e engenheiro irlandês William Thomson (1824-1907), o 1º barão Kelvin, também referido como lorde Kelvin.


Sabendo que a temperatura no interior das minas aumenta com a profundidade, Thomson estimou a temperatura no interior do planeta, calculando então o intervalo de tempo necessário até que a superfície esfriasse a ponto de alcançar os valores atuais. Em 1863, ele concluiu que o planeta teria 100 milhões de anos [2].

Thomson não aceitava o fato da evolução. Segundo ele, a história da vida que os evolucionistas vislumbravam não caberia dentro da história do planeta. Os evolucionistas, por sua vez, ficavam apreensivos sempre que o irlandês anunciava um novo resultado. Não tardaria muito, porém, para que a hipótese de uma Terra jovem perdesse força e fosse abandonada.

Os métodos radiométricos, por meio dos quais se tornou possível estimar a idade absoluta de rochas, fósseis ou artefatos humanos, começaram a ser usados no início do século 20. Tais métodos estão ancorados em uma propriedade física especial: a radioatividade.

Desintegração nuclear e meia-vida


A radioatividade pode ser entendida como a emissão espontânea de partículas e/ou radiação por parte de núcleos atômicos instáveis, dando origem a outros núcleos, eles próprios estáveis ou instáveis.

Isótopos instáveis mudam espontaneamente para uma configuração energética mais baixa e estável. Nesse processo, chamado de desintegração nuclear (ou decaimento radioativo), os isótopos liberam energia e/ou partículas, sendo então referidos como radioisótopos. Isótopos estáveis não se desintegram e, portanto, não emitem radiação. Embora não seja possível prever o momento de desintegração de um átomo em particular, é possível prever o comportamento de um grande número de átomos.

Um pioneiro no estudo da desintegração atômica foi o físico neozelandês Ernest Rutherford (1871-1937). Ele descobriu que a radiação emitida por uma amostra de material radioativo diminui com o tempo, enquanto a taxa de desintegração (ou transmutação) permanece constante. Formulou então o conceito de meia-vida – o intervalo de tempo necessário para que metade dos núcleos de uma amostra radioativa se desintegre. Cada radioisótopo tem uma meia-vida característica, como se fosse uma assinatura [3].


A idade da Terra

Com base no conceito de meia-vida, o geólogo inglês Arthur Holmes (1890-1965) desenvolveu um método de datação radiométrica. Em 1913, ele calculou que algumas rochas arqueanas tinham 1,6 Ga (= 1,6 bilhão de anos) de idade. Era um recorde. Em 1944, ele chegou a estimar a idade do planeta em 2 Ga.

O valor adotado hoje é de 4,56 Ga – ou, mais precisamente, 4,55 ± 0,07 x 109 anos. Este resultado – divulgado inicialmente em 1953 – foi obtido pelo químico estadunidense Clair [Cameron] Patterson (1922-1995) e abrange o intervalo de tempo transcorrido desde que o planeta alcançou a sua massa atual [4].

Vale ressaltar que as rochas terrestres mais antigas que se conhece não têm mais do que 4,28 Ga de idade, valor claramente inferior à estimativa de Patterson. Mas há motivos para não adotar esse valor como uma estimativa da idade da Terra. Por um lado, dado o dina-mismo geológico, inexistem registros rochosos dos primórdios do planeta – as rochas passam por um ciclo de vida, durante o qual são trituradas, derretidas e degradadas em seus componentes básicos. Por outro, como os corpos que integram o Sistema Solar têm todos a mesma idade, amostras de material ancestral vindas do espaço – como foi o caso do meteorito estudado por Patterson – poderiam ser usados como indicadores da idade da Terra.

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Notas

[*] O autor está a lançar O que é darwinismo (2019), livro de onde este artigo foi extraído e adaptado (a versão impressa contém referências bibliográficas) – para 11 amostras anteriores, ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. O livro deve ganhar resenhas em revistas técnicas, mas dificilmente será objeto de algim tipo de registro na grande impressa. Infelizmente, portanto, permanecerá invisível a muitos leitores brasileiros. (Há alguns motivos para isso – nenhum deles tendo necessariamente a ver com o conteúdo da obra – mas o principal talvez seja o seguinte: o autor não tem cacife financeiro para distribuir exemplares de cortesia entre colegas jornalistas, editores, professores universitários, formadores de opinião etc.) Para detalhes e informações adicionais sobre o livro, inclusive sobre o modo de aquisição por via postal, faça contato com o autor pelo endereço meiterer@hotmail.com. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Nem todos, porém… Em 2018, foi anunciada a descoberta do primeiro asteroide migrante do Sistema Solar. Situado na região orbital de Júpiter, o (514107) 2015 BZ509 exibe um movimento retrógado em torno do Sol (leia-se em sentido contrário ao dos planetas). O asteroide estaria nessa órbita desde que foi capturado por Júpiter, há uns 4,5 Ga. Dimensões: Ainda em 2018, foi relatada também a descoberta do objeto mais afastado do Sistema Solar, Farout (2018 VG18), um planeta anão que está a ~120 ua do Sol (a marca anterior era de 96 ua).

[2] Em Sobre a origem das espécies (1859), Darwin estimou em ~300 milhões de anos o intervalo transcorrido desde o Cretáceo. Mas ele retirou a passagem, assim que Thomson divulgou seus cálculos. (Vale lembrar que, entre 1859 e 1872, o livro teve seis edições.) O irlandês chegou a estimar que a Terra não teria mais do que 20 milhões de anos.


[3] Veja o caso do carbono-14. A cada intervalo de 5.730 anos (= meia vida do C-14), o número de átomos de C-14 presentes em uma amostra cai pela metade (assim como a quantidade de radiação emitida).

[4] Até então a idade do planeta era estimada em 3,3 Ga. Tendo sido incumbido de investigar a composição química de um meteorito, Patterson aprimorou as técnicas de separação e análise isotópica (leia-se: um modo de quantificar os isótopos estáveis de um elemento presentes em uma amostra), a ponto de conseguir lidar com amostras ínfimas de chumbo. O chumbo (Pb) tem quatro isótopos estáveis: Pb-204, Pb-206, Pb-207 e Pb-208, os três últimos sendo o ponto final da desintegração de três séries de radioisótopos, U-238, U-235, Th-232. O Pb que há na Terra é uma mistura de (1) Pb primordial, presente desde a origem do planeta; e (2) Pb criado pelo decaimento de radioisótopos de urânio e tório. Outra coisa: Patterson descobriu que Pb antropogênico (e.g., gasolina, encanamentos) estava a contaminar o ar e os oceanos. Foi um pioneiro na luta contra a adição de Pb na gasolina.

Áreas com 40% ou menos de cobertura vegetal podem virar deserto


Abordagens multidisciplinares permitiram aos pesquisadores identificar com mais precisão riscos de desertificação e mudar o paradigma de que cobertura vegetacional não estava envolvida nas mudanças de regimes ecológicos


A região visível da Espanha que podemos ver em destaque é Múrcia, a nordeste, Valência – Foto: Jeff Schmaltz / MODIS

do Jornal da USP



Um dos grandes desafios da ciência até hoje é determinar em que ponto do desequilíbrio ambiental surge um novo ecossistema, ou seja, quando uma zona semi-árida, por exemplo, pode se transformar num deserto.

Estudo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, após analisar imagens de satélite do deserto de Múrcia, no sul da Espanha, uma região mediterrânea, concluiu que no caso da desertificação, uma cobertura de vegetação menor que 40% já implica em risco.

Segundo os autores Fernando Meloni, Gilberto Nakamura, Cristiano Granzotti e Alexandre Martinez, para a pesquisa foi possível alinhar conceitos e ferramentas da termodinâmica, mecânica estatística e ecologia para mapear mudanças catastróficas, ou seja, quando existe um colapso dos ciclos e processos que mantêm um ecossistema e o transforma em um novo ecossistema.

Com uma abordagem multidisciplinar, os pesquisadores construíram um gráfico que mostra sob quais circunstâncias a vegetação se configura como deserto ou como área vegetada. Os resultados mostraram que coberturas vegetacionais abaixo dos 40% favorecem que os ecossistemas colapsem e se tornem desertos, enquanto coberturas maiores favorecem a manutenção do ecossistema.

De acordo com o estudo, as próprias estatísticas do sistema, médias, variâncias e densidade das manchas vegetacionais, fornecem as informações necessárias para isso. “Essas estatísticas são valores calculados a partir da vegetação e permitem inferir se, por exemplo, uma gleba apresenta uma configuração “próxima” ou “compatível” com as configurações de regiões desertificadas.

Meloni explica que a abordagem é muito parecida com a avaliação dos estados físicos da água (sólido, líquido e gasoso) ao longo da variação da temperatura a uma dada pressão. “É como ver o gelo derretendo e identificar a qual temperatura isso ocorreu. A região vegetada é o líquido, enquanto o deserto é o sólido. Não dá pra ver tudo o que acontece nessa mudança de estado, mas vemos o resultado final. A mesma coisa é com as mudanças catastróficas num ecossistema”.


Com outra analogia com o caso da água, o pesquisador diz que é como se a ação erosiva “esfriasse” o sistema até a sua solidificação. No caso dos ecossistemas, a degradação altera a configuração da vegetação e compromete a manutenção ecológica, que finalmente colapsa”.

Como no caso da água, afirma o pesquisador, a cobertura da vegetação e a densidade de manchas de vegetação espalhadas na região assumiram o papel das variáveis termodinâmicas. “Dessa forma, foi possível utilizar todo um ferramental já consolidado em outras áreas do conhecimento e com isso identificar sob quais condições as mudanças de estado ocorrem para esses sistemas ecológicos. A partir dessas informações, é possível estabelecer relações de causa e efeito mais precisas e, principalmente, medir o risco de as mudanças de estado acontecerem”.
Mudança de paradigma


Praia e deserto de Múrcia ao fundo – Foto: Evgeniy Isaev via Wikimedia Commons / CC BY 2.0

Outra conclusão, segundo os pesquisadores é que a cobertura vegetal é o mais simples e eficiente indicador das mudanças do regime ecológico. “Essa é uma mudança de paradigma, pois antes dava-se pouca importância à cobertura vegetacional, como se ela não se relacionasse com essas mudanças. Nosso estudo demonstrou exatamente o contrário”, diz Meloni.

Além disso, diz, os resultados também unificam duas abordagens aparentemente conflitantes sobre o tema. A análise preditiva do risco de desertificação é eficaz e a estratégia introduzida por esta pesquisa permite avaliar áreas maiores, e a um custo muito menor, porque pode ser feita remotamente. “Nossos métodos provêm suporte para decisões mais inteligentes e rápidas sobre o risco de desertificação, permitindo que as ações sejam mais baratas e eficazes”, afirma.

Os pesquisadores destacam que a metodologia proposta poderia ser explorada também em uma gama de outros problemas e contextos, tais como a disposição de recursos pesqueiros e extrativistas, a degradação de pastagens, etc. “Além dos baixos custos, outros possíveis ganhos incluem o poder preditivo, a rapidez na tomada de decisões e a eficácia das ações de manejo”.
Complexidade dos ecossistemas

Os desertos surgem, diz Meloni, de áreas previamente vegetadas, que sofreram mudanças bruscas em seu regime ecológico. Nas zonas semi-áridas, por exemplo, a vegetação não é contínua, é organizada em pequenas ilhas, ou manchas de vegetação, que ficam isoladas umas das outras, cercadas por regiões sem vegetação, os chamados solos expostos, que pouco contribuem para a vida, e ficam expostas à ação dos agentes erosivos. “Quando a densidade vegetacional é baixa, o vento carrega nutrientes e sedimentos das pequenas ilhas de vegetação para longe, e a chuva, que é rara, cai de forma concentrada, em curtos intervalos de tempo, gerando enxurradas de grande energia”.


Segundo o pesquisador, essa estrutura espacial do semi-árido afeta a dinâmica ecológica por interferir nos aspectos erosivos. “Já há algum tempo que se criou uma expectativa sobre como se poderia organizar as informações das manchas vegetacionais e do solo exposto, características do semi-árido, para indicar o risco de desertificação. Contudo, faltava a interpretação adequada do problema”.

Ecossistemas naturais, como florestas, rios e lagos, não são estáticos, mas pulsam em resposta a processos biológicos, ecológicos e geoquímicos, tais como os ciclos de nascimentos e mortes, a transferência e ciclagem de nutrientes, dentre tantos outros. Esses processos renovam os recursos disponíveis para os organismos, e permitem não só a manutenção dos ecossistemas, como também que eles exibam uma capacidade de “reparo de danos”.


Deserto de Múrcia – Foto: Jettcom via Wikimedia Commons / CC BY 3.0

Isso significa que cada ecossistema é capaz de suportar algum nível de perturbação, sem que sua estrutura básica e funcionamento sofram mudanças importantes. Mas o pesquisador lembra que essa capacidade de recuperação apresenta limites. Uma vez que esse limiar é atingido, a resiliência do ecossistema diminui drasticamente, e pequenos níveis de perturbação passam a afetar enormemente a estrutura e funcionamento dos ecossistemas.

Sob tais condições, completa o pesquisador, a dinâmica ecológica é afetada, levando ao colapso dos ciclos e processos que mantém o ecossistema, as chamadas mudanças catastróficas. “Os limiares exatos do colapso de cada ecossistema são pouco conhecidos pela ciência, mas seus resultados fazem parte do cotidiano das ações ambientais. Por essa razão, pode-se dizer que nossa metodologia dá um passo importante na direção de prever esses eventos”.

Os exemplos de mudanças catastróficas mais emblemáticos são a eutrofização de lagos, que secam pelo acúmulo de sedimentos no leito; a savanização de florestas tropicais, conversão de florestas em savanas ou campos; e a desertificação de zonas áridas e semiáridas, ou seja, a formação de desertos. Meloni afirma que “as evidências mostram que as causas das mudanças catastróficas podem ser naturais, mas que são enormemente aceleradas pela ação humana e pelos, cada vez mais comuns, eventos climáticos extremos”.

O colapso ecossistêmico faz com que um novo ponto de equilíbrio surja, de maneira que o antigo ecossistema se transforme em um “novo” tipo de ecossistema. Essa “nova” organização tende a apresentar níveis de complexidade ecológica menores, e o impacto ambiental é grande. “Em geral, há perda da dinâmica ecológica e da biomassa acumulada, mudanças nos padrões de diversidade e diminuição dos serviços ecossistêmicos. Reverter tais mudanças é difícil, quase sempre inviável, ou até mesmo impossível. Portanto, a melhor estratégia de conservação baseia-se na predição e prevenção de tais eventos”.


Meloni lembra que prever as mudanças de regime com exatidão, e determinar sob quais condições elas são mais propícias, continua sendo tema de grande debate. A desertificação, por exemplo, ocupa uma parte importante dos esforços mundiais relacionados ao tema, pois as mudanças climáticas ameaçam as zonas áridas e semiáridas de todo o mundo. “Pouca gente se dá conta, mas as zonas semiáridas ocupam 40% da parte terrestre do planeta, onde vivem aproximadamente um terço da população mundial. Essa população também é a porcentagem mais pobre, e muitos vivem de explorar terras secas e pouco férteis, o que aumenta ainda mais a pressão sobre os ecossistemas”.

Um exemplo, citado pelo pesquisador, é justamente as regiões Mediterrâneas, onde os desertos são resultados das condições climáticas e da exploração do solo por milênios. “Na Europa, também há relatos de uso massivo do solo desde antes do Império Romano, mas foi após a revolução industrial, principalmente, a partir do início do século XIX, que os desertos se expandiram e se multiplicaram naquele continente. Portanto, foi nessa região que encontramos as configurações possíveis desses sistemas”, finaliza Meloni.



O estudo, desenvolvido no Departamento de Física da FFCLRP, foi publicado na revista Physica A: Mechanical Statistics and Its Applications em junho deste ano, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil

Em exposição crônica aos agrotóxicos, brasileiro corre mais risco de morte e desenvolvimento de doenças
Jornal GGN



O atlas de envenenamento foi lançado em Berlim, Alemanha, país que sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo: a Bayer/Monsanto (incorporada pelo grupo Bayer) e a Basf, que dominam a produção de toda a cadeia alimentar – sementes, fertilizantes e agrotóxicos | Fotomontagem: Moisés Dorado

Ivanir Ferreira

Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.

A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer. “Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.



Geógrafa Larissa Bombardi, autora da pesquisa que deu origem ao atlas da Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens


Intoxicação e suicídios

Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.

Atlas: Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de Larissa Mies Bombardi – Laboratório de Geografia Agrária da FFLCH – USP, São Paulo, 2017


Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.

O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.


Entre 2000 e 2010, o Brasil aumentou em 200% o consumo de agrotóxicos. A soja foi a cultura que mais consumiu pesticidas



Mapa de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola (2007-2014)


Uso de malationa (inseticida) na cultura do feijão – Limite máximo de resíduos permitido no Brasil e nos países da comunidade europeia

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Apenas três biomas ocorrem em terras brasileiras


 Felipe A. P. L. Costa

Examinando as terras emersas mais de perto, é possível observar certas afinidades entre blocos de vegetação descontínuos, presentes em continentes diferentes.



Vista do espaço, a Terra é uma bolinha azul. A cor azul reflete o fato de que 75% da superfície do planeta estão cobertos pelos oceanos. Outras porções da Terra exibem outras colorações, principalmente tons esverdeados (florestas fechadas), amarronzados (desertos, áreas desflorestadas ou de vegetação rarefeita) ou esbranquiçados (calotas polares e topos de montanhas, ameaçados hoje de derretimento).

Examinando as terras emersas mais de perto, é possível observar certas afinidades entre blocos de vegetação descontínuos, presentes em continentes diferentes. A cada um desses conjuntos daremos aqui o nome de bioma. No caso das terras emersas, o termo pode ser aplicado a um tipo característico de paisagem, ocupando uma área geográfica relativamente extensa e descontínua, quase sempre envolvendo dois ou mais continentes.

O conceito de bioma – do grego, bi(o)-, vida + –oma, agrupamento, massa – foi apresentado publicamente pelo biólogo estadunidense Frederic [Edward] Clements (1874-1945), em um encontro científico ocorrido em 1916. O ponto de partida de tal elaboração foi a noção de que plantas e animais são elementos essenciais em virtualmente todas as grandes comunidades do mundo.

Embora o significado original levasse em conta a composição de espécies, o termo mais tarde passou a ser usado tão somente em alusão à fisionomia da paisagem – i.e., como um substituto mais amplo para outras expressões, como formação ou fitofisionomia.


Em 1939, o conceito de bioma apareceu pela primeira vez em um livro-texto (Clements & Shelford 1939). Curiosamente, porém, a palavra não foi incluída na extensa lista de termos (e.g., formação, associação, consórcio, sociedade, família, colônia etc.) apresentados e definidos em uma obra publicada apenas um ano antes (Weaver & Clements 1938).

A interface clima/vegetação

O clima de uma região é muito influenciado pela sua latitude. O que ajuda a explicar por que os grandes padrões climáticos tendem a se distribuir em faixas latitudinais ao redor do planeta.

A vegetação de um lugar é muito influenciada pelo clima. Sendo assim, deveríamos igualmente detectar padrões latitudinais na distribuição da vegetação. E é justamente isso o que ocorre [1].

A vegetação que prospera nas proximidades da linha do equador, por exemplo, tende a exibir certas características que definem um tipo comum de paisagem, quer estejamos na América Central ou do Sul, na África, na Ásia ou na Austrália. Tal similaridade é o resultado de um fenômeno mais geral chamado evolução convergente [2].

O que ocorre é que linhagens de plantas que vivem sob circunstâncias ecológicas semelhantes (e.g., grau de insolação e regime de chuvas) tendem a desenvolver soluções igualmente semelhantes, o que muitas vezes se reflete em uma mesma conformação geral do corpo ou em comportamentos bem parecidos.


Em regiões de clima quente e úmido, por exemplo, predominam árvores de grande porte, cujas folhas são largas e duradouras. Se o clima é quente e seco, passam a predominar plantas de porte mais baixo, armazenadoras de água e cujas folhas tendem a ser diminutas e decíduas. Padrões característicos correspondentes podem ser igualmente identificados em plantas que prosperam em regiões de clima frio e úmido ou frio e seco. E assim por diante.

Tais paralelismos ajudam a explicar as espantosas coincidências entre os mapas de clima e os de vegetação, a tal ponto que é possível prever a presença de um sabendo apenas da presença do outro.

Dicotomias básicas e o número de biomas

Os biomas de terra firme costumam ser definidos em razão do aspecto geral da vegetação dominante, não importando a composição de suas biotas. A fitofisionomia, por sua vez, varia de acordo com a abundância relativa de diferentes formas de vida. Vejamos.

Levando em conta a dicotomia árvore perene v. erva anual, nós podemos identificar três fisionomias básicas [3], a saber: (1) florestas, quando há um predomínio de plantas arbóreas; (2) campos, quando predominam as plantas herbáceas; e (3) savanas, quando árvores e ervas são codominantes.

O aspecto da vegetação de um lugar reflete, entre outras coisas, as dimensões e o comportamento da superfície fotossinteticamente ativa (folhas, habitualmente). No primeiro caso, uma distinção fundamental costuma ser feita entre as plantas que sustentam folhas largas (plantas latifoliadas, quase todas angiospermas) e as que sustentam folhas estreitas (p. de folhas aciculares, muitas das quais são gimnospermas). No segundo, é costume distinguir entre as plantas que nunca ficam desfolhadas por abscisão (plantas sempre verdes ou perenifólias) e aquelas que ficam sem folhas em alguma época particular do ano (p. de folhas decíduas ou caducifólias).


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FIGURA. A figura que acompanha este artigo (extraída de Givnish 2002) chama a atenção para dois padrões fisionômicos. Os percentuais de terra firme cobertos (originalmente) por árvores sempre verdes (folhas largas ou aciculares) (A) e por árvores decíduas (B). Note que as sempre verdes tendem a dominar em duas faixas latitudinais: nas proximidades do equador (florestas latifoliadas) e nas do círculo polar ártico (florestas boreais). As decíduas tendem a prosperar em regiões de relevo montanhoso ou no interior dos continentes, em diferentes latitudes.

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Com base nessas dicotomias, é possível arranjar a vegetação das terras emersas em sete biomas [4]. São eles: (1) floresta ombrófila (vegetação arbórea, latifoliada e sempre verde); (2) f. caducifólia (idem, idem, mas decídua); (3) f. boreal (v. arbórea e sempre verde, mas com folhas aciculares); (4) savana (v. herbácea, mas entremeada por árvores isoladas ou agrupamentos de árvores); (5) campo (v. herbácea, formando um estrato contínuo); (6) tundra (idem, mas sem formar um estrato contínuo); e (7) deserto (v. escassa, efêmera ou inexistente).

No que segue (A-G), listo algumas particularidades de cada um deles.

A. Floresta ombrófila


A floresta ombrófila (= floresta pluvial, floresta úmida ou floresta tropical) é caracterizada pela presença de vegetação arbórea, latifoliada e sempre verde.

Os climas sob o qual esse bioma prospera são predominantemente quentes e úmidos. A temperatura média anual é sempre igual ou superior a 18° C. A pluviosidade anual costuma ser superior a 1.500 mm. As médias mensais variam pouco ao longo do ano, sobretudo as de temperatura. A depender do grau de sazonalidade no regime de chuvas, algumas árvores podem perder suas folhas na época mais seca do ano.

Tais condições climáticas caracterizam três regiões do planeta (situadas em sua maior parte no hemisfério Sul): (a) a bacia amazônica, com áreas adicionais na América Central, e a borda oriental do Brasil; (b) a bacia do rio Congo e Madagascar, na África; e (c) o Sudeste da Ásia, parte do Nordeste da Austrália e mais as ilhas entre a Ásia e a Austrália (incluindo Nova Guiné e Bornéu).

B. Floresta caducifólia


A floresta caducifólia (= floresta decídua) é caracterizada pela presença de vegetação arbórea, com folhas largas (latifoliadas) e decíduas. Durante uma determinada época do ano, portanto, todas ou quase todas as árvores perdem suas folhas.

Os climas sob o qual esse bioma prospera são em geral moderados. A temperatura média anual é sempre inferior a 18° C. A pluviosidade anual gira em torno de 1.000 mm. As médias mensais variam muito ao longo do ano, com verões amenos e invernos frios, durante os quais a água congela. Dependendo do rigor e da extensão do inverno, as árvores podem permanecer mais ou menos tempo desprovidas de folhas.

Essas condições climáticas caracterizam três grandes regiões do planeta: (a) a borda oriental da América do Norte (EUA e Canadá); (b) quase toda a Europa e parte do Noroeste da Ásia (incluindo partes da Rússia e da China); e (c) parte da borda oriental da Ásia, incluindo o Japão e ilhas próximas.


C. Floresta boreal

A floresta boreal (= floresta de coníferas ou taiga) é caracterizada pela presença de vegetação constituída por árvores sempre verdes e com folhas aciculares.

Os climas sob os quais esse bioma prospera são frios ou gelados e relativamente secos. A temperatura média anual varia entre -5 e 5° C. A pluviosidade anual em geral é inferior a 700 mm. As médias mensais variam muito ao longo do ano – invernos rigorosos alternam com verões relativamente brandos. Embora o volume de chuvas seja modesto, o solo está sempre úmido, pois as baixas temperaturas inibem a evaporação.

Essas condições climáticas caracterizam duas regiões do planeta: (a) o Norte da América do Norte (Canadá e Alasca); e (b) o Norte da Europa e da Ásia.

D. Savana

A savana é caracterizada pela presença de um estrato denso e quase contínuo de vegetação herbácea (gramíneas, ciperáceas e plantas afins), entremeado por vegetação arbórea.

Os climas sob o qual esse bioma prospera são quentes e relativamente úmidos. A temperatura anual é igual ou superior 18º C. A pluviosidade anual gira em torno de 1.000 mm ou mais. As médias mensais variam muito, principalmente as da pluviosidade, com verões quentes e úmidos alternando com invernos quentes e secos. A densidade do extrato arbóreo costuma variar de acordo com o rigor e a duração (de 3 a 8 meses) da estação seca. No inverno, com a diminuição acentuada no volume de chuvas e a manutenção de temperatura elevadas, as camadas superficiais do solo passam por um período mais ou menos prolongado de déficit hídrico.

Essas condições climáticas caracterizam três regiões do planeta: (a) o Centro-Oeste e o interior do Nordeste brasileiro; (b) a África meridional (com exceção da bacia do Congo e do extremo Sul); e (c) o Norte da Austrália.

E. Campo


O campo (= campina, pampa, pradaria ou estepe) é caracterizado pela presença de um estrato denso e contínuo de vegetação herbácea (gramíneas, ciperáceas e afins), naturalmente desprovida de árvores.

Os climas sob o qual esse bioma prospera são frios e secos. A temperatura média anual varia entre -10 e 10º C. A pluviosidade anual em geral é inferior a 500 mm. As médias mensais variam bastante ao longo do ano: verões quentes ou brandos e úmidos alternam com invernos frios e secos. A pluviosidade pode oscilar bastante de um ano para o outro, caracterizando o clima como particularmente variável e incerto no curto prazo.

Essas condições climáticas caracterizam quatro regiões do planeta, duas em cada hemisfério. No hemisfério Norte: (a) o Centro-Oeste da América do Norte; e (b) a Ásia Central. No hemisfério Sul: (c) o Centro-Sul da América do Sul; e (d) a borda oriental do extremo Sul da África.

F. Tundra

A tundra (ou planície pantanosa) é caracterizada pela presença de um estrato descontínuo de vegetação herbácea. A vegetação está concentrada em moitas mais ou menos esparsas, as quais podem abrigar alguns arbustos.

Os climas sob os quais prospera esse bioma são muito frios e secos. A temperatura média anual é sempre negativa, variando entre -15 e -5° C. A pluviosidade anual é inferior a 200 mm. As médias mensais variam bastante, de tal modo que invernos longos e rigorosos alternam com verões curtos e brandos.

Uma espessa camada do solo (permafrost), situada em geral a apenas alguns centímetros da superfície, permanece congelada o ano inteiro, inclusive no verão. Essa camada, que pode ter centenas de metros de espessura, funciona como uma dupla barreira, impedindo tanto a penetração das raízes como a infiltração da água. Esta fica então acumulada acima do permafrost, umedecendo ou encharcando as camadas superficiais do solo.

Essas condições climáticas caracterizam duas grandes regiões do planeta: (a) o Norte da América do Norte, incluindo a Groenlândia; e (b) o extremo Norte da Europa e o Norte da Ásia. Essas regiões estão acima da latitude 60º N, dentro do chamado círculo polar ártico.

G. Deserto

Os desertos podem ser quentes ou frios. Em ambos, a vegetação permanente é escassa ou inexiste. No que segue, vamos tratar apenas dos desertos quentes.

Os climas sob o quais esse bioma prospera são quentes e secos. A temperatura média anual é superior a 18º C. A precipitação anual é baixa (quase sempre inferior a 250 mm) e errática. A variação sazonal é relativamente pequena, exceto pela concentração dos dias de chuva, que geralmente caem durante o inverno. Embora a temperatura do ar varie relativamente pouco ao longo do ano, há uma acentuada oscilação diária: de 40º C ao meio-dia a 15º C ou menos durante a noite. (A oscilação da temperatura na areia é ainda maior, indo de mais de 60º C durante o dia a cerca de 0º C durante a noite.) Em alguns desertos, o regime de chuvas é supraanual – i.e., a queda de chuvas ocorre a intervalos superiores a um ano. O solo em geral é arenoso, estando em permanente estado de déficit hídrico.

Essas condições climáticas caracterizam seis regiões do planeta, três em cada hemisfério, todas nas proximidades da latitude de 30º (N ou S). No hemisfério Norte: (a) Sudoeste dos EUA e Noroeste do México; (b) norte da África; e (c) Oriente Médio. No hemisfério Sul: (d) borda ocidental da América do Sul (Chile e Peru); (e) pequena borda ocidental no Sul da África (Namíbia); e (f) grande parte do interior da Austrália.

Zonação altitudinal

Os sete tipos mencionados acima nem sempre são fácil e prontamente reconhecíveis. Isso porque às vezes nos defrontamos com algumas complicações, como as zonas de transição ou a presença de manchas isoladas de um bioma dentro dos domínios de outro. Um modo de intrusão particularmente comum é a reprodução dos padrões latitudinais em gradientes altitudinais.

Em grandes elevações montanhosas, costuma ocorrer uma zonação equivalente àquela que observamos à medida que nos deslocamos desde a zona equatorial até os pólos [5]: vegetação arbórea latifoliada e sempre verde dá lugar a florestas decíduas; estas são então substituídas por uma vegetação do tipo savânica ou, dependendo do lugar, por árvores de folhas aciculares. A depender das dimensões da montanha, o padrão de substituição pode ir além, dando em seguida origem a uma vegetação inteiramente herbácea (campo ou tundra, dependendo do lugar) e a um topo praticamente desértico.

Em regiões próximas à linha do equador, por exemplo, a floresta ombrófila que prospera no sopé da montanha tende a ser substituída (em pontos acima de 1.000 m) por uma vegetação mais aberta, com predomínio crescente de plantas de pequeno porte: a floresta fechada dá lugar a uma paisagem savânica, esta podendo vir a ser substituída por uma vegetação exclusivamente herbácea, desprovida de árvores.

Quantos biomas existem no país?

Dos sete biomas descritos acima, três – e apenas três – ocorrem em terras brasileiras: floresta ombrófila, savana e campo.

Salvo melhor juízo, no entanto, nenhum dos livros didáticos disponíveis hoje no mercado adota uma classificação tão enxuta e, ao mesmo tempo, tão consistente. O que ocorre é que os autores contemporâneos tratam como ‘biomas’ aquilo que os autores do passado costumavam caracterizar como ‘paisagens regionais típicas’ [6].

Um exame ligeiro revela o tamanho da confusão: a depender do autor ou da editora, o número de ‘biomas’ varia desde um mínimo de cinco (floresta amazônica, cerrado, floresta atlântica, caatinga e campo sulino) ou seis (os cinco anteriores, mais o pantanal) até oito (os seis anteriores, mais a restinga e a mata de cocais) ou mais.

Visando contornar essas inconsistências, caberia aqui dizer que a ‘paisagem original’ do país incluía [7]: (1) 61% de florestas do tipo ombrófila (47% de floresta amazônica, 14% de floresta atlântica), compostas por árvores altas, que em geral sustentam folhas o ano inteiro e crescem próximas entre si; (2) outros 37% de f. abertas ou vegetação do tipo savana (24% de cerrado, incluindo o pantanal mato-grossense, e 13% de caatinga), compostas por árvores baixas, que crescem afastadas umas das outras, de troncos retorcidos (cerrado) ou espinhentos (caatinga), e que em geral perdem as folhas na estação mais seca do ano; e (3) 2% de vegetação essencialmente herbácea (campo sulino), onde as árvores são naturalmente raras ou ausentes.

Para ajustar esses complexos vegetacionais à classificação mundial, bastaria ter em mente o seguinte: as florestas fechadas (floresta amazônica e floresta atlântica) correspondem ao bioma floresta ombrófila; as florestas abertas (cerrado, incluindo o pantanal, e caatinga), ao bioma savana; e o campo sulino, desprovido de árvores, ao bioma campo.

Coda

O conceito de bioma é necessariamente um conceito a ser usado em comparações intercontinentais, em larga escala. Alardear que o pantanal é um bioma ou que a caatinga é o único “bioma exclusivamente brasileiro”, como é costume na mídia e nos livros didáticos, é induzir o leitor a erros e mal-entendidos.

Há termos mais apropriados quando se quer fazer alusão a padrões de vegetação mais localizados (intracontinentais ou regionais). Um deles é o termo ecorregião [8].

Mas há problemas adicionais a corrigir. Como a profunda assimetria em nosso conhecimento a respeito de diferentes ecorregiões. (Basta dizer o seguinte: o que sabemos a respeito da floresta atlântica é bem superior ao que conhecemos a respeito do cerrado, da caatinga etc.)

E a falta de conhecimento apropriado, como todos nós já sabemos, leva a generalizações grosseiras. Por trás do rótulo caatinga, por exemplo, o que encontramos não é um padrão vegetacional único e homogêneo [9], como alguns autores ainda hoje dão a entender. Assim como acontece em outras regiões de tamanho equivalente, a caatinga é um mosaico dos mais heterogêneos. Mas essa já seria outra conversa…

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Notas

[*] Versão anterior deste artigo foi publicada no Observatório da Imprensa, em 25/3/2014. O autor está a lançar O que é darwinismo (2019) – ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. No âmbito do universo acadêmico, o livro deverá ser objeto de resenhas em revistas técnicas. Todavia, dificilmente será objeto de algum tipo de registro na grande impressa. Infelizmente, portanto, permanecerá invisível a muitos leitores brasileiros. (Há motivos para isso – nenhum deles tendo necessariamente a ver com o conteúdo da obra –, mas o mais curioso deles talvez seja o seguinte: o autor não tem cacife financeiro para distribuir exemplares de cortesia entre colegas jornalistas, editores, professores universitários, formadores de opinião etc.) Para detalhes e informações adicionais sobre o livro, inclusive sobre o modo de aquisição por via postal, faça contato com o autor pelo endereço meiterer@hotmail.com. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Para exemplos, detalhes e comentários adicionais, ver Walter (1986).

[2] Para detalhes técnicos e exemplos, ver Costa (2019).

[3] Tais diferenças, no entanto, nem sempre são definitivas. O que muitas vezes ocorre é um equilíbrio dinâmico. Para uma discussão, ver Accatino et al. (2010).

[4] Para detalhes e comentários adicionais, ver McNaughton & Wolf (1984).

[5] Descoberto pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), o fenômeno da zonação altitudinal é particularmente notável em grandes elevações montanhosas. Sobre a vida e obra de Humboldt, v. Wulf (2016).

[6] Sobre os grandes complexos vegetacionais do país, ver Eiten (1992); para comentários e detalhes adicionais, ver Rizzini (1997).

[7] Percentuais extraídos de Costa (2014).

[8] Para detalhes técnicos e exemplos, ver Omernik (2004).

[9] Para detalhes e comentários adicionais, ver Egler (1951) e Andrade-Lima (1981).

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Referências citadas

** ACCATINO, F & mais 4. 2010. Tree-grass co-existence in savanna: interactions of rain and fire. Journal of Theoretical Biology 267: 235-42.

** ANDRADE-LIMA, D. 1981. The caatingas dominium. Revista Brasileira de Botânica 4: 149-63.

** CLEMENTS, FE & SHELFORD, VE. 1939. Bio-ecology. NY, Wiley.

** COSTA, FAPL. 2014. Ecologia, evolução & o valor das pequenas coisas, 2ª ed. Viçosa, Edição do autor.

—. 2019. O que é darwinismo. Viçosa, Edição do autor.

** EGLER, WA. 1951. Contribuição ao estudo da caatinga pernambucana. Revista Brasileira de Geografia 13: 65-77.

** EITEN, G. 1992. Natural Brazilian vegetation types and their causes. Anais da Academia Brasileira de Ciências 64 (Supl.): 35-65.

** GIVNISH, TJ. 2002. Adaptive significance of evergreen vs. deciduous leaves: solving the triple paradox. Silva Fennica 36: 703-43.

** McNAUGHTON, SJ & WOLF, LL. 1984. Ecología general, 2ª ed. Barcelona, Omega.

** OMERNICK, JM. 2004. Perspectives on the nature and definition of ecological regions. Environmental Management 34 (Suppl. 1): S27-S38.

** RIZZINI, CT. 1997. Tratado de fitogeografia do Brasil, 2ª ed. RJ, Âmbito Cultural.

** WALTER, H. 1986. Vegetação e zonas climáticas. SP, EPU.

** WEAVER, JE & CLEMENTS, FE. 1938. Plant ecology, 2nd ed. NY, McGraw-Hill.

** WULF, A. 2016. A invenção da natureza. SP, Crítica.

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