segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Como a inteligência artificial poderia acabar com a Humanidade - por acidente




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Um especialista em inteligência artificial diz que robôs 'bem-intencionados' ainda podem se voltar contra nós

De Stephen Hawking a Elon Musk, algumas das principais mentes do mundo levantaram preocupações de que a inteligência artificial represente uma ameaça aos seres humanos.

Mas, de acordo com um novo livro sobre o tema, não devemos temer a possibilidade de uma revolta de robôs autoconscientes contra seus "mestres" humanos.

E sim com o fato de as máquinas se tornarem tão boas em alcançar os objetivos que estabelecemos para elas que podemos acabar aniquilados por ordenarmos, sem perceber, as tarefas erradas.

O professor Stuart Russell, da Universidade da Califórnia, é autor de Compatibilidade Humana: Inteligência Artificial e o Problema de Controle (sem versão no Brasil) e especialista nos avanços possibilitados pelo aprendizado das máquinas.

"O mote dos filmes de Hollywood é sempre que a máquina espontaneamente se torna consciente. Depois, decide que odeia seres humanos e quer matar a todos nós", disse ele à BBC.



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Os robôs estão se tornando cada vez melhores na conclusão das tarefas que estabelecemos para eles

Segundo eles, os robôs não terão sentimentos humanos, então, "esse é um motivo errado para se preocupar".

"Não há realmente (nas máquinas) uma consciência ruim. Há sim uma competência com a qual temos de nos preocupar, a competência para atingir um objetivo que nós especificamos mal".

Ou seja, segundo ele, digamos que uma máquina com inteligência artificial tenha de cumprir uma tarefa que damos a ela. Porém, atingir essa meta pode necessitar tomada de decisões extremas.

Então, provavelmente a máquina não terá condições de fazer um julgamento moral sobre suas ações: vai apenas tentar atingir o objetivo final, como se fosse qualquer outro.



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A vitória do computador Deep Blue sobre Garry Kasparov, em 1997, foi um marco para o desenvolvimento da inteligência artificial
'Muito competente'

Em uma entrevista ao programa de rádio Today, da BBC, Russell deu um exemplo hipotético da ameaça real que ele acha que a inteligência artificial poderia representar.

Imagine que tenhamos um poderoso sistema de inteligência artificial capaz de controlar o clima do planeta. Nós queremos usá-lo para diminuir os níveis de dióxido de carbono em nossa atmosfera a taxas pré-industriais.

"O sistema então descobre que a maneira mais fácil de fazer isso é se livrar de todos os seres humanos, porque são eles que estão produzindo todo esse dióxido de carbono. Você pode pensar: bom, faça o que você quiser, mas não se livre dos seres humanos. O que a máquina vai fazer?", diz Russell.

Esse exemplo extremo, segundo o professor, serve para destacar os riscos associados à inteligência artificial que age sob instruções que os seres humanos ainda não pensaram.


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Russell diz que os seres humanos precisam recuperar o controle da inteligência artificial ​​antes que seja tarde demais
Superinteligência

A maioria dos sistemas atuais de inteligência artificial são "restritos", projetados especificamente para resolver um problema bem específico em uma área, de acordo com o Centro de Estudos de Riscos Existenciais, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Um momento marcante nesse campo aconteceu em 1997, quando o computador Deep Blue derrotou o então campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, em uma disputa de seis jogos.

Mas, apesar do feito, o Deep Blue foi projetado especificamente por humanos para jogar xadrez e ficaria perdido em um simples jogo de damas.

Os avanços posteriores na inteligência artificial, porém, são diferentes. O software AlphaGo Zero, por exemplo, alcançou um nível excepcional de desempenho depois de apenas três dias jogando Go contra ele mesmo.

Usando o aprendizado profundo, um método de aprendizado de máquinas que usa redes neurais artificiais, o AlphaGo Zero exigia muito menos programação humana. O dispositivo acabou se tornando um excelente jogador de Go, de xadrez e de Shogi.

O mais alarmante, talvez, foi que o computador agiu de forma totalmente autodidata.

"À medida que um sistema de inteligência artificial se torna mais poderoso e mais geral, ele pode se tornar superinteligente, algo superior ao desempenho humano em muitos ou quase todos os domínios", diz o centro de pesquisas britânico.

E é por isso que, segundo o professor Russell, os humanos precisam retomar o controle.


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Em '2001: Uma Odisseia no Espaço' (1968), de Stanley Kubrick, um computador altamente capaz se rebela contra os planos de desativá-lo
'Não sabemos o que queremos'

Russell argumenta que dar à inteligência artificial objetivos mais definidos não é a solução para esse dilema, porque os próprios humanos não têm certeza de quais são esses objetivos.

"Não sabemos que não gostamos de uma coisa até que ela aconteça", diz ele.

"Devemos mudar toda a base sobre a qual construímos sistemas de inteligência artificial", diz ele, afastando-se da noção de dar aos robôs objetivos fixos para eles concluírem. "Em vez disso, o sistema precisa entender que não sabe qual é o objetivo final da tarefa", explica.

"E quando você tem sistemas que funcionam dessa maneira, eles realmente se valem dos seres humanos. Eles começarão a pedir permissão antes de fazer as coisas, porque não têm certeza sobre o que a pessoa deseja."

Fundamentalmente, diz o professor Russell, os computadores ficariam "felizes em se deixarem desligar porque querem evitar fazer coisas de que seu controlador não gosta".
O 'gênio da lâmpada'

"A maneira como construímos a inteligência artificial é um pouco como enxergamos um gênio da lâmpada. Você esfrega a lâmpada, o gênio sai e você diz: 'Gostaria que isso acontecesse'", diz Russell.

E se o sistema de inteligência for suficientemente poderoso, ele fará exatamente o que você solicitar.

"Agora, o problema com os gênios nas lâmpadas é que o terceiro desejo (nesse caso) é sempre: 'Desfaça os dois primeiros desejos, porque não conseguimos especificar os objetivos corretamente'."

"Portanto, uma máquina que busca um objetivo que não é o correto se torna, na verdade, um inimigo da raça humana, um inimigo que é muito mais poderoso que nós mesmos", diz Russell.
BBC Brasil

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Humanos jamais vão migrar para outros planetas, diz Nobel de Física


Laureado nesta semana, físico suíço declarou que humanidade não deve considerar ideia de colonizar outros mundos como plano B caso a Terra seja arruinada.
A. J. Oliveira

(gremlin/Getty Images)


Michel Mayor acaba de ser reconhecido com um Nobel graças aos trabalhos realizados em 1995 que culminaram na descoberta do primeiro planeta em outro sistema solar (um exoplaneta). Utilizando instrumentos feitos sob medida em seu observatório no sul da França, ele e seu aluno de doutorado Didier Queloz deram início a um campo de estudos que já revelou mais de 4 mil exoplanetas — que provavelmente ficarão para sempre fora de nosso alcance migratório.

Foi o que Mayor declarou esta semana, logo após aceitar as láureas. Ele disse que os humanos precisam abandonar a perspectiva de se mudar para outro planeta no caso de a vida se tornar impossível na Terra. “É completamente louco”, afirmou a AFP o astrônomo suíço de 77 anos, então professor da Universidade de Genebra. De lá para cá, os milhares de exoplanetas descobertos marcaram uma revolução na astronomia moderna.

Junto de seu colega Queloz, Mayor trouxe para o universo da astrofísica um estudo antes restrito às discussões dos filósofos: a possível existência de outros mundos no universo. Mas o cientista faz questão de deixar claro que pesquisa teórica é uma coisa, já o sonho de colonização, é outra. “Se estamos falando sobre exoplanetas, sejamos claros: não vamos migrar para lá.”

Na entrevista, o laureado frisou a importância de repensar o discurso de que podemos conviver com a alternativa de juntar as tralhas e partir de vez para outro sistema planetário, no caso de as coisas derem errado aqui na Terra. “Estamos falando de uma viagem centenas de milhões de dias usando os meios disponíveis hoje. Devemos cuidar de nosso planeta, que é bonito e continua absolutamente vivível”, disse. Vai ao contrário de certas visões bem atuais.

Tem ganhado popularidade o argumento de que devemos nos tornar uma civilização multiplanetária se quisermos sobreviver no longo prazo. Antes de morrer, em 2017, Stephen Hawking ressaltou a urgência de colonizarmos a Lua ou Marte em um período de 100 anos para evitar potenciais ameaças fatais para a civilização, como as mudanças climáticas, os asteroides, possíveis epidemias e o excesso de população. Elon Musk também reforça isso.


Sua empresa SpaceX atua com o objetivo maior de viabilizar a colonização humana em Marte, com o intuito maior de tornar a vida multiplanetária e evitar a extinção. Mas o fato é que não dispomos hoje da tecnologia necessária para desenvolver uma grande civilização em outros mundos quiçá no Sistema Solar, que dirá em estrelas distantes. E os métodos de propulsão disponíveis atualmente são muito lerdos para percorrer distâncias interestelares.

Há propostas teóricas para contornar o problema, como as naves geracionais: grandes “cruzeiros” em que só os descendentes distantes dos ancestrais que partiram alcançam o destino final. Mas são projetos ainda muito abstratos e mais restritos ao domínio da ficção científica. Vale salientar que Mayor não se refere aos planetas do Sistema Solar.

Em tese, o que ele rechaçou foram as ambições de habitar um eventual planeta habitável localizado nas redondezas da nossa galáxia, a algumas dezenas de anos-luz da Terra. Não especificamente sobre os planos de instituir colônias ou terraformar planetas menos amigáveis na vizinhança. Mais do que diminuir a importância de ir além da Terra, a intenção de Mayor era enaltecer a urgência de cuidar melhor do nosso planeta — o único no Universo que podemos chamar de casa.
Revista Superinteressante

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Poluidores dos EUA poderão comprar créditos de carbono da Amazônia — isso é ético?


Medida adotada pela Califórnia poderia destinar US$ 1 bilhão até 2030 para proteger florestas tropicais

MARON GREENLEAF

Área da Amazônia perto de Manaus (AM) (Foto: Neil Palmer/CIAT/Wikimedia Commons)


Os incêndios na Amazônia brasileira enraiveceram o mundo. Mas o que pessoas que moram longe da maior floresta tropical poder fazer para salvá-la?

A Califórnia acha que tem uma resposta.

No dia 19 de setembro, o Conselho de Recursos Aéreos da Califórnia (CARB) apoiou a Norma das Florestas Tropicais, que lança as bases para que geradoras de energia elétrica, refinarias e outros poluidores no estado norte-americano “compensem” suas emissões de gases de efeito estufa ao pagar governos de regiões com florestas tropicais para que não cortem árvores.

Todo mundo se beneficia da existência de florestas tropicais porque elas absorvem quantias enormes de dióxido de carbono e liberam quantias enormes quando são destruídas. Segundo a teoria, compensa pagar para protegê-las.


A norma é parte da ambiciosa política climática da Califórnia, que inclui metas de redução de emissões agressivas e limita o número de “créditos” que poluidores podem comprar.

Governos tropicais ao redor do mundo agora podem tentar fazer seus créditos serem aceitos na Califórnia. Isso poderia destinar US$ 1 bilhão até 2030 para proteger florestas tropicais — cem vezes mais o que a União Europeia recentemente ofereceu ao Brasil para ajudar a combater os incêndios na Amazônia.

Mas, segundo as polêmicas audiências no dia 19 mostraram, a Norma das Florestas Tropicais é controversa.

Alguns povos indígenas, formuladores de políticas públicas, ambientalistas e pesquisadores enxergam a norma como uma nova forma de apoiar financeiramente aqueles que lutam para proteger as florestas tropicais. Outros dizem que não só ela não vai barrar o desmatamento, como também pode prejudicar comunidades vulneráveis.


O “mercado de carbono” da Califórnia
Formuladores de políticas públicas têm buscado modos de como a Califórnia pode reduzir o desmatamento de florestas tropicais ao menos desde que comecei minha pesquisa jurídica e antropológica em créditos florestais no fim dos anos 2000.

O estado abriga um dos mercados de carbono mais importantes do mundo, também conhecido como “limitação e comércio” (cap and trade). Dez estados dos EUA, a União Europeia, o Quebec e algumas cidades chinesas usam programas do tipo para limitar a poluição por gases de efeito estufa.

Nestes programas, reguladores limitam a quantidade de gases emitidos todo ano e liberam “permissões” para poluir. Poluidores também podem “trocar” essas permissões entre eles.

A premissa, de uma perspectiva global de mudanças climáticas, é que não importa onde os gases de efeito estufa são emitidos: o impacto deles no clima é o mesmo.

Como alternativa parcial à redução das emissões, poluidores na Califórnia já podem comprar “créditos” limitados de entidades aprovadas. Por exemplo, para cada tonelada métrica de dióxido de carbono mantida na tribo Yurok, nas florestas do norte da Califórnia, a tribo pode vender um crédito para um poluidor do estado. Em troca, os poluidores — como a refinaria Chevron em Richmond — podem continuar liberando seus poluentes responsáveis pelas mudanças climáticas.


Em alguns anos, a mesma refinaria poderá potencialmente pagar o estado brasileiro do Acre para proteger a floresta.

Preocupações éticas
A lógica econômica de créditos de carbono internacionais — pela qual poluidores podem pagar a os outros para reduzirem as emissões — é boa.

Mas, do ponto de vista ético, a Norma das Florestas Tropicais da Califórnia pode estar em terreno movediço.

Como indulgências católicas que absolvem os pecadores que pagam à Igreja, créditos de carbono dão anistia a empresas que deveriam mudar seus modos de operar.

Isso talvez compre algum tempo para a Terra enquanto tecnologias renováveis e de baixa emissão de carbono são desenvolvidas. Mas os créditos de carbono também retardam a transição necessária de fontes energéticas de combustíveis fósseis para outras alternativas.

Grupos de justiça ambiental na Califórnia também criticaram os créditos insistindo que o local onde a poluição ocorre importa, sim. Gases de efeito estufa de plantas de energia e refinarias são emitidos com outras partículas prejudiciais e outros poluentes perigosos, que podem piorar a asma e causar outros problemas de saúde.

Pesquisas mostram que negros e pardos em geral vivem e trabalham em áreas com a pior qualidade do ar, tanto na Califórnia quanto no restante dos Estados Unidos.


Ao proteger as florestas tropicais em vez de reduzir a poluição na Califórnia, a Norma das Florestas Tropicais pode exacerbar injustiças existentes no estado.

Consequências não intencionais
Créditos de carbono já são permitidos no mercado da Califórnia. Então será que importa se poluidores comprem-nos de florestas no norte do estado ou nos trópicos?

Eticamente falando, sim. Isso porque os créditos nas florestas tropicais podem prejudicar as pessoas que moram lá.

Pesquisadores descobriram que em um programa queniano, por exemplo, comunidades mais pobres receberam menos benefícios da venda de créditos de carbono do que fazendeiros mais ricos. Em Zanzibar, um programa de créditos minou normas locais antigas de proteção florestal.

Outros programas de florestas de carbono, como um no Equador, não obtiveram permissão significativa ou participação de povos locais. Como esses programas podem exacerbar desigualdades existentes, comunidades indígenas e outras comunidades marginalizadas são particularmente vulneráveis a tais perigos.

A Norma das Florestas Tropicais foi desenhada para evitar isso. Ele requer que os créditos venham de programas governamentais de prevenção de desmatamento que cumpram suas fortes regras de proteção social e ambiental em todas as jurisdições — em vez de empresas privadas ou estados opressivos.

Apoiadores esperam que governos em florestas tropicais vão lutar para cumprir esses padrões para acessarem os fundos.


Mesmo assim, governos mudam. Novos líderes podem eliminar ou reduzir as proteções para florestas e comunidades de modos que violam a norma californiana. A milhares de quilômetros de distância, pode ser difícil saber se isso acontecer.

Críticos da medida também se preocupam com o fato de que não é possível saber com certeza se uma floresta seria desmatada sem a ajuda financeira — uma preocupação também levantada por outros locais que têm tais programas.

As grandes quantias da Califórnia podem incentivar governos a proteger florestas ameaçadas. Mas também pode deixá-los tentados a dizer que florestas já protegidas estão ameaçadas.

Mudando o clima, mudando a ética
De um ponto de vista de ética climática, esses detalhes importam.

Mudanças climáticas prejudicam vidas humanas e não humanas. Se créditos de redução de emissões não são reais, então eles contribuem para esse perigo.

Mesmo assim, a Califórnia também adotou uma postura ética ao apoiar a Norma das Florestas Tropicais. Inatividade em relação às mudanças climáticas endossa o status quo: a destruição da Amazônia e de outras florestas tropicais que são essenciais para um mundo habitável.

Com a janela para prevenir os piores efeitos das mudanças climáticas se fechando rapidamente, o escritor e ativista climático Bill McKibben recentemente comparou esse momento aos últimos minutos de um jogo de futebol.


“Se você está longe o suficiente, você lança com cuidado”, ele escreveu, “fazendo jogadas mais arriscadas na esperança de uma vitória não garantida”.

* Maron Greenleaf é bolsista de pós-doutorado e professora no Dartmouth College. Este artigo foi escrito em inglês e originalmente publicado no site The Conversation.
Revista Galileu

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Os países mais seguros para refugiar-se em caso de uma pandemia global extrema



Que lugar você escolheria se refugiar se uma pandemia global se espalhar por todo o planeta colocando a humanidade em risco de extinção? Felizmente, é uma pergunta hipotética, mas o objetivo de um grupo de cientistas tem sido encontrar a resposta. E não parece tão óbvio como se poderia pensar.


A primeira idéia que vem à mente ao pensar em uma catástrofe desse tipo é procurar uma pequena ilha que esteja o mais longe possível das terras continentais e, esperançosamente, sem comunicação. No entanto, novas pesquisas publicadas na revista Risk Analysis analisam mais essa abordagem.
Quais características o "refúgio ideal" deve ter?

Os cientistas explicam que, embora esse refúgio ofereça um nível ótimo de isolamento no caso hipotético de que todos os habitantes do planeta começaram a ficar gravemente doentes, as probabilidades de longo prazo de que eles sobrevivam e que possam servir de base para uma nova civilização eles poderiam ser limitados, pois enfrentariam escassez de recursos e qualificação técnica inadequada.

Pesquisas indicam que os lugares mais seguros para sobreviver a um apocalipse são aquelas ilhas distantes do continente e que não têm fronteiras terrestres com outros estados. Além disso, os autores consideram que esses locais devem ter populações acima de 250.000 pessoas e ter uma quantidade mínima de infraestrutura que forneça à nossa civilização elementos básicos como energia e um certo nível científico e tecnológico. Obviamente, a presença de recursos naturais também deve ser levada em consideração no caso de exigir auto-suficiência por uma temporada prolongada.



Os lugares mais seguros para sobreviver a um apocalipse são aquelas ilhas distantes do continente e sem fronteiras terrestres com outros estados.

Finalmente, devemos considerar que há estabilidade social e política naquele lugar remoto do planeta . Não seria bom entrar em uma pandemia letal se você acabar em uma ilha onde seus habitantes morrem de doenças diferentes devido à atenção médica insuficiente, ou se matam na corrida para conseguir comida.
Países onde você pode sobreviver a uma pandemia global

Coletando todas essas informações e considerações, a pesquisa prepara uma lista dos locais onde eles têm maior probabilidade de sobreviver, e aqueles com as três melhores pontuações são Austrália , Nova Zelândia e Islândia . O próximo é o Japão , um país tecnologicamente avançado, mas com muita população e dificuldades de auto-suprimento sem apoio externo.

Depois do Japão, outros países insulares parecem bastante distantes, mas com níveis científicos ou financeiros insuficientes: Barbados , Cuba , Fiji ou Jamaica . Depois disso, encontramos pequenas ilhas como Malta , a ilha de Hokkaido, no Japão, ou a Tasmânia , que, embora tenham uma pontuação alta, apresentam outros problemas relacionados à extensão territorial, disponibilidade de recursos ou proximidade com o continente.

A equipe esclarece que há mais fatores a considerar que não foram incluídos na investigação. Vários desses "abrigos" são propensos a desastres naturais e até a própria mudança climática pode se tornar um fator determinante no futuro próximo.


Bem-vindo à Islândia, um dos países livres de infecção.

Finalmente, surge a questão da quarentena . A sobrevivência em uma dessas nações estaria muito sujeita à velocidade que ela tem no momento de realizar um fechamento total de suas fronteiras em caso de pandemia. Em outras palavras, se a catástrofe global já é um fato, talvez você não consiga mais ir para a Austrália e, se conseguir chegar, a entrada será bloqueada.

Então, se você está pensando em morar em uma região anti-apocalíptica, pode ser inteligente mudar para esse lugar antes que seja tarde demais. No caso das moscas, milionários do Vale do Silício já estão adquirindo propriedades na Nova Zelândia.
Quanto tempo temos para fazer as malas?

É uma pergunta interessante. Por enquanto, não há pandemias se espalhando, mas especialistas sugerem que o surgimento de uma grande praga mortal pode ocorrer a qualquer momento.

Nick Wilson , co-autor da pesquisa, observa que os recentes avanços na biotecnologia podem "acidentalmente" desencadear uma pandemia capaz de exterminar toda a humanidade.


Segundo a investigação, a ameaça aumenta à medida que a tecnologia avança.

Não entre em pânico, mas a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um plano para executar se for desencadeada uma pandemia que nem sequer tem um nome (dizem X-Disease ). Será para alguma coisa.

sábado, 26 de outubro de 2019

Pesquisadores apontam a existência de outras ''Terras'' no Universo


Com um método inédito, pesquisadores da Califórnia identificam a composição química de planetas rochosos de outros sistemas planetares. O resultado do estudo mostra que eles têm núcleo e atmosfera muito semelhantes à terrestre, abrindo possibilidade de vida

 Paloma Oliveto



Na concepção artística, material remanescente de corpos rochosos é atraído pelo forte campo gravitacional da anã branca(foto: University of California, Los Angeles/Mark A)A descoberta de planetas fora do Sistema Solar — algo que rendeu o Nobel de Física deste ano aos cientistas James Peebles, Michal Meyor e Didier Queloz — abriu uma nova perspectiva na busca por vida além da Terra. Porém, para abrigá-la, é preciso uma combinação de características geoquímicas até então não detectadas em nenhum outro mundo. Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) afirmam, na revista Science, que exoplanetas com composição semelhantes à terrestre podem ser bem mais comuns que o imaginado.

Para buscar algo que se pareça com a vida como se conhece, os cientistas precisam voltar suas atenções a planetas rochosos, como a Terra. “No Universo, há uma quantidade enorme deles”, lembra o coautor do artigo Edward Young, professor de geoquímica e cosmoquímica da Ucla. A avaliação da composição de alguns desses mundos foi possível graças a um método desenvolvido por uma aluna da universidade, Alexandra Doyle, que se valeu de fragmentos de rochosos que orbitavam seis estrelas anãs brancas que colidiram com elas em algum momento.

Anãs brancas são estrelas com massa semelhante à do Sol, embora sejam pouco maiores que a Terra. Esse tipo de “sol” é remanescente de gigantes que explodiram em supernovas e tem um campo gravitacional muito forte, fazendo com que elementos pesados, como carbono, nitrogênio e oxigênio, sejam “sugados” para seu interior, impedindo que telescópios os detectem. A mais próxima da Terra estudada por Alexandra Doyle fica a cerca de 200 anos-luz, e a mais distante, a 665 anos-luz de distância
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A estudante explica que a maioria dos materiais rochosos no Sistema Solar têm um alto grau de oxidação, algo chamado de fugacidade de oxigênio (fO2), que reflete condições dos primeiros estágios da formação protoplanetária dos rochosos ao redor do Sol. As propriedades químicas e geofísicas de um planeta, incluindo a composição de qualquer atmosfera produzida por ele, são influenciadas pelo fenômeno. Ela diz que, quando o ferro é oxidado, ele compartilha seus elétrons com o oxigênio, formando uma ligação química entre eles. A oxidação é o que se vê quando um metal fica enferrujado.


Sinais “enterrados”Como, até agora, não é possível analisar a geoquímica de exoplanetas — o que deverá ser feito em breve pelo supertelescópio James Webber, com lançamento previsto para 2021 —, a equipe da Ucla se valeu de observações com espectrômetro, equipamento que mede a composição química de corpos celestes, das anãs brancas. Não era nelas que os cientistas estavam interessados, mas, sim, nos remanescentes dos rochosos que se chocaram com elas, deixando as próprias propriedades “enterradas” nas estrelas, incluindo elementos pesados, como magnésio, ferro e oxigênio. “O oxigênio rouba elétrons do ferro, produzindo óxido de ferro em vez de ferro. Medimos a quantidade de ferro oxidado nessas rochas que atingem a anã branca”, explica a líder do estudo.

Os resultados indicaram a composição dos exoplanetas — não só das atmosferas, mas dos interiores. Os corpos rochosos que orbitaram as anãs brancas antes de se chocarem contra elas apresentavam fugacidade de oxigênio alta, semelhante ao que ocorre na Terra, em Marte e em asteroides do Sistema Solar. “Observando essas anãs brancas e os elementos presentes em sua atmosfera, observamos os elementos que estão nos corpos que orbitam essas estrelas”, diz Alexandra Doyle. “Observar uma anã branca é como fazer uma autópsia no conteúdo do que ela devorou em seu sistema estelar”, compara.

Os dados analisados por Doyle foram coletados por telescópios, principalmente do W.M. Observatório Keck, no Havaí. “Se eu olhasse apenas para uma estrela anã branca, esperaria ver hidrogênio e hélio. Mas, nesses dados, também vejo outros elementos, como silício, magnésio, carbono e oxigênio, materiais que se acumularam nas anãs brancas de corpos que estavam em sua órbita”, diz.

Desvendar a geoquímica de um exoplaneta conta muito sobre ele, observa a professora de ciências planetárias Hilke Schlichting, coautora do artigo. “Se as rochas extraterrestres têm uma quantidade semelhante de oxidação que a Terra, então você pode concluir que o planeta tem placas tectônicas e potencial semelhante para abrigar campos magnéticos como os da Terra, que se acredita serem os principais ingredientes para a vida”, diz. “Esse estudo dá um salto, ao nos permitir fazer tantas inferências sobre corpos fora do nosso Sistema Solar, e indica que é muito provável que haja realmente análogos da Terra no Universo.”
Correio Brasiliense

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Esses sapos secretam uma substância alucinógena mais forte que o LSD


A inalação das secreções em pó do sapo do deserto produz um estado de euforia superior ao do LSD que dura um mês.



Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Maastricht (Holanda) descobriu que as secreções do sapo do deserto de Sonora ou do rio Colorado (Incilius alvarius), uma substância venenosa com fortes propriedades alucinogênicas cujo uso é proibido, também funciona como alternativa capaz de beneficiar a saúde mental das pessoas, relata o ScienceAlert .


Esta espécie de anfíbio está distribuída por todo o sudoeste dos Estados Unidos e noroeste do México. Seu habitat natural varia de planícies áridas e prados áridos a florestas de carvalhos, sicômoros ou nozes nos desfiladeiros das montanhas.
Efeitos psicodélicos

A pesquisa de cientistas holandeses, publicada recentemente na revista Psychopharmacology , observa que a inalação do composto em pó da secreção chamado 5-metoxi-N, N-dimetiltriptamina (5-MeO-DMT) faz as pessoas se sentirem mais satisfeitas com vida, melhora a atenção e gera uma redução dos sintomas psicopatológicos. Quão mais potente a dose também terá seus efeitos, que podem durar quatro semanas.


Em seu trabalho, os cientistas realizaram testes controlados com esta substância em 42 voluntários em todo o mundo . Isso foi explicado:


A maioria dos participantes mencionou querer 'entender a si próprio' ou 'resolver problemas' como sua motivação para participar das sessões. Outras motivações incluíam autodesenvolvimento, busca de uma experiência espiritual ou cura e curiosidade espirituais.

Entre os entrevistados que relataram sofrer de uma doença psiquiátrica, a maioria relatou que o consumo de 5-MeO-DMT contribuiu para uma redução significativa dos sintomas de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático. Outros disseram que foram eficazes no tratamento de problemas de alcoolismo e uso de drogas .
Consumo não autorizado

Segundo os pesquisadores, o sapo do deserto produz um efeito psicodélico mais intenso que os compostos alucinógenos baseados em plantas ou fungos . Isso inclui substâncias como LSD (do fungo ergot), mescalina (do cacto peiote), psilocibina (dos fungos) e ayahuasca (do yagé).

No entanto, a equipe alerta que o consumo da substância secretada por esses sapos não é autorizado ou recomendado sem supervisão médica. São necessárias muito mais pesquisas sobre os possíveis efeitos benéficos do consumo de 5-MeO-DMT.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Um pacto pela mudança climática: utopia ou possibilidade?




Você acredita em mudanças climáticas? Você acha que estamos imersos no aquecimento global resultante de emissões antrópicas de combustíveis fósseis?

Essas perguntas contêm uma perigosa armadilha: a mudança climática não é uma questão de crença ou fé. Da mesma maneira que nem evolução, gravidade, teoria atômica ou se a quimioterapia cura.

Não há um único cientista que acredite nas mudanças climáticas. Sem dúvida é real. A mudança climática é uma evidência científica : uma hipótese que aceitamos após décadas de pesquisa.

Quando alguém diz que acredita ou não na mudança climática, geralmente procura politizar uma questão estritamente científica. E politizar a mudança climática é perigoso. Nos obriga a nos reconhecer como "crentes" ou "não-crentes". Isso desvia a atenção dos cidadãos e oculta os interesses que certos grupos de poder defendem contra uma realidade séria.

Consequentemente, o consenso necessário está sendo adiado para tomar as medidas que devemos aplicar urgentemente para conter as mudanças climáticas.
É urgente chegar a um consenso

Em 2015, foi realizada em Paris a conferência das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Os líderes mundiais concordaram com uma declaração que propunha limitar o aumento da temperatura a 2 ℃, bem como envidar esforços para limitar o aquecimento a 1,5 ℃.

Cada país também prometeu uma redução nas emissões para atingir esses objetivos. Mas as reduções prometidas não são suficientes para limitar o aquecimento global a 2 ℃. Além disso, eles levarão ao aquecimento próximo de 3 ℃.

Mais uma vez, os relatórios e compromissos permanecem nas margens mais otimistas de todos os cenários planejados. Enquanto isso, as emissões continuam aumentando.


Apesar dos pactos internacionais, a verdade é que as emissões de CO₂ (preto) continuam a aumentar globalmente. A intensidade da emissão (laranja) diminuiu, mas não o suficiente para compensar o crescimento econômico. Projeto Global de Carbono , CC BY-NC-SA

Para limitar o aquecimento a 1,5 ℃, devemos agir rapidamente : reduzir progressivamente pela metade as emissões de gases de efeito estufa em 2030 e parar de emitir esses gases em 2050.

A mudança a ser feita é gigantesca: afeta todas as áreas do nosso modo de vida, predominantes nas sociedades avançadas, e desfoca os horizontes das sociedades que aspiravam a adotar o mesmo modelo de desenvolvimento.

Trata-se de mudar as fontes de energia, a maneira de construir, produzir e consumir alimentos, usar plásticos e muito mais. Se não conseguirmos, emitiremos mais da conta e o aquecimento será muito alto.

Deve-se notar, sem drama, mas com força, que mais cedo ou mais tarde mudanças nessas formas de vida acontecerão. A questão é se eles serão dados de maneira ordenada ou não.

Se continuarmos com as taxas de emissão atuais, enfrentaremos o desafio de ter que desenvolver tecnologias capazes de remover CO₂ da atmosfera ou de outros tipos de geoengenharia para nos manter em espaços climáticos seguros. E a verdade é que atualmente não temos essa tecnologia.


O gráfico mostra diferentes rotas de emissão para atingir um aquecimento entre 1,3 e 17ºC. Nos dois casos, é necessário eliminar completamente as emissões o mais rápido possível e desenvolver tecnologias capazes de capturar CO₂ atmosférico para alcançar o que é mostrado no gráfico como emissões negativas. Projeto Global de Carbono , CC BY-NC-SA
Os pactos politizados

Recentemente, vários políticos democratas dos EUA propuseram um Green New Deal ( GND ). Atingir um novo pacto verde é urgente e necessário.

Essas medidas vão muito além do proposto pelos republicanos, o que não é nada. E, no entanto, o GND é sem brilho e praticamente cancelado, porque é posicionado do ponto de vista eleitoral. Entre outras medidas, o pacto planeja repassar os custos necessários para a adaptação dos impostos aos ricos.

A autora canadense Naomi Klein tem um impacto ainda maior sobre esse aspecto em seu último livro , onde propõe que a mudança climática está intimamente ligada ao neoliberalismo. Não entraremos em valor desta tese. Mas parece claro que não mudaremos a ordem mundial em dez anos, que é o tempo que temos para agir. Separamos temporariamente devaneios ideológicos, que nada mais são do que uma distração, agora que é hora de agir.

É verdade que as mudanças climáticas podem aumentar a desigualdade e a injustiça social. Um cidadão da Índia, por exemplo, emite 8 vezes menos CO₂ do que um americano. O setor industrial indiano está começando a decolar. Dada a alta densidade populacional, se eles alcançarem uma industrialização baseada em combustíveis fósseis, como a dos Estados Unidos, ficaríamos sem oportunidade de limitar o aquecimento global a 2 ℃

.

As emissões per capita dos 10 países mais populosos são distribuídas de maneira muito desigual, por isso devemos combinar segurança climática com justiça social. Projeto Global de Carbono , CC BY-NC-SA

As soluções não podem ser levantadas sem abordar questões de justiça social. E, dada a escala do problema, estamos nos referindo a uma justiça social compatível com o desenvolvimento de um espaço climático seguro para a humanidade.
Objetivos do acordo

Propomos que os fundamentos de um pacto para as mudanças climáticas sejam, de uma vez por todas, a sólida base de evidências por trás dele.

Os relatórios elaborados a cada sete anos pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ( IPCC ), composto por mais de 2.500 especialistas, contam com o apoio da comunidade científica e nos oferecem diferentes caminhos a seguir. Só temos que decidir sobre três fatores:
Que cenários de desenvolvimento definidos nos relatórios do IPCC vamos seguir?
Como os financiamos?
Quando começamos?

Em outras palavras: separemos as ideologias da segurança climática global. Defendemos políticas fiscais de estímulo para fornecer isenção de impostos e auxílio finalista às empresas e indivíduos que usam fontes de energia descarbonizada, como energia solar ou biomassa.

Essa abordagem pode ter um impacto maior do que aumentar impostos sobre toda ou parte da sociedade. Há até quem acredite que isso garantirá que o pacto de mudança climática se financie, sem a necessidade de aumentar impostos .

E é que aumentar impostos é sempre controverso. Ser uma medida não transparente - nunca se sabe para que se destinam - pode dificultar o consenso. O financiamento das medidas por meio de empréstimos com juros baixos ou sem juros é uma maneira menos politizada de capitalizar essas ações. Afinal, as mudanças climáticas trarão novas oportunidades de negócios que serão rentáveis.

Considerando a pegada de carbono na construção, como o Instituto Catalão de Solo está começando a fazer, pode ser uma boa medida para decidir quem está contratando a administração.

A substituição de subsídios a combustíveis fósseis, que somam mais de 18 bilhões de euros na Espanha, por subsídios a outras fontes de energia é outra medida que pode ser implementada com impactos significativos.


Variação no consumo de energia de acordo com a fonte (esquerda) e custos de energia solar (direita). Projeto Global de Carbono , CC BY-NC-SA

Promover práticas agrícolas que emitem menos emissões e incentivem o acúmulo de carbono no solo é outro imperativo.

Em suma, é possível um pacto pela mudança climática, baseado em ciência sólida ... e urgente!


Víctor Resco de Dios , professor de incêndios florestais e mudança global da Universidade de Lleida e Agustín Rubio Sánchez , professor de ecologia e edafologia da Universidade Politécnica de Madri (UPM)

Este artigo foi publicado originalmente na The Conversation . Leia o original .

terça-feira, 22 de outubro de 2019

A importância da segurança cibernética no mundo dos negócios




A digitalização do ambiente de negócios gerou crescente preocupação e maior atenção às políticas de segurança cibernética. Os perigos envolvidos na automação de todos os processos devem ser considerados. É por isso que a segurança do computador se tornou uma prioridade para as empresas.


Devido à grande importância, encontramos continuamente escolas de negócios com mestrado especializado neste ramo. Entre eles, encontramos o Mestrado em Segurança Cibernética ( mais informações aqui ) da INESEM Business School. Nesta escola de negócios, todos os mestres têm estágios garantidos, conversamos com o Departamento de Emprego e Estágios e eles nos enviam a importância que essa figura profissional está tendo em empresas de médio e grande porte e como as empresas colaboradoras dessa escola de negócios processar continuamente profissionais de segurança cibernética.

Por causa disso, eles também viram a necessidade de oferecer um curso em segurança cibernética para as pessoas que desejam se atualizar e que possuem uma vasta experiência de trabalho. “No INESEM premia a transparência com nossos alunos e entendemos que existem dois perfis profissionais com diferentes necessidades educacionais, por um lado aqueles que desejam ser treinados nessa área do zero e, por outro lado, aqueles que desejam atualizar e manter-se atualizado com as últimas notícias no campo da cibersegurança ”, afirma o diretor acadêmico Rafael García.

As fases da cibersegurança

A segurança cibernética representa a precaução necessária para proteger os dados de qualquer empresa. Ele é combinado em três fases que compõem um processo que não apenas tem a função de analisar e proteger, mas também de feedback para melhorar continuamente. Assim, as fases da cibersegurança são:

- Prevenção: para que esta fase funcione com eficiência, toda a equipe ou talento da empresa deve, pelo menos, dominar as noções básicas de segurança e ter uma atitude prudente e responsável em relação às informações. Com isso, eles podem realizar ações diárias que lhes permitem proteger as informações em todas as mídias onde são trocadas. Nesse ponto, a proteção das instalações físicas também é prudente, para que os terminais e o acesso à rede não possam ser manipulados por ninguém, exceto por pessoal autorizado.

- Detecção: talvez uma das fases mais importantes, pois pode neutralizar qualquer ataque ao mesmo tempo em que é executado. Aqui, o gerenciamento de vulnerabilidades e o monitoramento contínuo atuam para detectar qualquer ataque e proteger o sistema contra ele. Outro aspecto relevante da detecção é que ela analisa o padrão do ataque, com o qual é possível reforçar a segurança nos pontos violados para evitar que novos ataques do mesmo tipo afetem a empresa no futuro.

- Reação: se o ataque já foi recebido, alguns códigos ou protocolos de segurança de contingência ainda podem ser usados. Nesse caso, a cibersegurança atua em vários campos. Primeiro através de uma resposta técnica que interrompe o dano e, em seguida, ativando os códigos de segurança pelo Estado para executar medidas legais.

Por que a cibersegurança é importante?

Como todos os processos são automatizados, as chances de violar a segurança das informações também aumentam.

No dia a dia, temos mais dispositivos conectados um ao outro, portanto, uma chave fraca pode representar um alto risco de vulnerabilidade para todos os dados de uma empresa, deixando uma fissura à qual os invasores de segurança de computadores podem acessar através de de uma unidade flash, uma rede social ou um download.

A cibersegurança é uma prioridade entre os empreendedores atuais, que buscam investir em soluções que se adaptem às necessidades de proteção de seus ativos de TI e entre os profissionais das áreas tecnológicas, em termos da preparação necessária.

sábado, 12 de outubro de 2019

4º maior produtor de lixo plástico do mundo, Brasil é o que menos recicla


Relatório da WWF aponta que o Brasil reaproveita pouco mais de 1% do plástico.


Poluição de plástico nos oceanos prejudica os animais das regiões mais profundas (Foto: MichaelisScientists/Wikimedia Commons)


Rios, lagos, oceano, tartarugas, crustáceos, garrafas d’água, purpurina, canudinhos. Plástico, plástico, plástico. Das calçadas às notícias de jornais, ele está em toda parte. O Carnaval mal acabou, o glitter ainda vai demorar semanas para deixar os cantos mais escondidos do corpo, e dá uma enorme preguiça pensar no destino do planeta, mas precisamos falar sobre o esse crescente problema.

Por mais que gritem sobre a quantidade absurda de plástico produzida (e descartada) pelo homem, muito pouco é feito para mudar essa situação. E, no quesito “fazer nada”, o Brasil, quarto maior produtor de plástico do planeta, só recebe nota dez dos jurados. Dos grandes produtores de plástico, somos disparados os que menos reciclam, conforme demonstrou o relatório da WWF “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização”.


Produzimos mais de 11 milhões de toneladas de lixo plástico todo ano, mas apenas 1,2% é reciclado. Para efeito de comparação, a Indonésia, quinto maior consumidor de plástico, recicla 3,66%. Também é bem abaixo da média global de reciclagem, que é de cerca de 9%.

Segundo dados do Banco Mundial, mais de 2,4 milhões de toneladas de plástico brasileiro são descartadas de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto. Outros 7,7 milhões de toneladas vão para aterros sanitários. E mais de 1 milhão de toneladas sequer são recolhidas pelos sistemas de coleta.

Só não ficamos tão feios na fita porque os EUA e a China existem. É verdade que ambos apresentam bons números na reciclagem, dando um novo destino para 34% e 21% do plástico, respectivamente. Mas os dois consomem muito mais plástico que todo mundo.

Nos EUA são mais de 70 milhões de toneladas descartados todos os anos. Mesmo com os 24 milhões de toneladas descartados, eles são responsáveis por despejar no ambiente mais de quatro vezes o que o Brasil. Veja na tabela abaixo.


(Foto: WWF)


“O plástico não é inerentemente nocivo. É uma invenção criada pelo homem que gerou benefícios significativos para a sociedade”, diz o relatório. “Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou esta inovação em um desastre ambiental mundial.

Um problema que não para de aumentar. Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Apesar da maior parte do plástico ser novo, 75% de todo o plástico já produzido não servem para nada além de poluir o meio ambiente.

Quase metade de todo o plástico é utilizado para criar produtos descartáveis com vida útil menor que três anos. A maioria desses descartáveis é consumida em países de renda alta ou média-alta. A indústria da embalagem é a maior transformadora de plástico virgem em produtos, e responsável por converter quase 40% do todo o plástico produzido em 2015.

Apesar da maior parte desse total ficar em terra, principalmente aterros sanitários, é quando chega no oceano que esse plástico causa mais estrago. São dez milhões de plásticos descartados no mar todos os anos. É como se a humanidade atirasse 23 mil aviões do tipo Boeing 747, um dos maiores que existem, no oceano anualmente.

Se nada mudar, até 2030, a poluição por plásticos nos mares deve chegar a 300 milhões de toneladas – o que corresponde a 26.000 garrafas de 500ml de água a cada km² de oceano. “É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema: há um vazamento enorme de plástico que polui a natureza e ameaça a vida”, afirma Mauricio Voivodic, Diretor Executivo do WWF-Brasil. “O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado. Só assim haverá mudanças urgentes na cadeia de produção de tudo o que consumimos.”

Afinal, não é só a saúde do planeta que sofre, A poluição por plástico gera mais de US$ 8 bilhões de prejuízo à economia global. Enquanto o lixo plástico nos oceanos prejudica barcos e navios utilizados na pesca e no comércio marítimo, o plástico nas águas vem reduzindo o número de turistas em áreas mais expostas, como Havaí, Ilhas Maldivas e Coréia do Sul.

O assunto será tema na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), que será realizada em Nairóbi, no Quênia, de 11 a 15 de março. Na ocasião será votado um acordo global sobre o plástico. No relatório, a WWF lista uma série de medidas que ajudariam a enfrentar o problema:


- Cada produtor ser responsável pela sua produção de plástico – O valor de mercado do plástico virgem não é real pois não quantifica os prejuízos causados ao meio ambiente e também não considera os investimentos em reuso ou reciclagem. É necessário haver mecanismos para garantir que o preço do plástico virgem reflita seu impacto negativo na natureza e para a sociedade, o que incentiva o emprego de materiais alternativos e reutilizados.

- Zero vazamento de plástico nos oceanos – O custo da reciclagem é afetado pela falta de coleta e por fatores como lixo não confiável, ou seja, misturado ou contaminado. As taxas de coleta serão maiores se a responsabilidade pelo descarte correto for colocada em empresas produtoras dos produtos de plástico e não apenas no consumidor final, uma vez que serão encorajadas a buscar materiais mais limpos desde seu design até o descarte.

- Reúso e reciclagem serem base para o uso de plástico – A reciclagem é mais rentável quando o produto pode ser reaproveitado no mercado secundário. Ou seja, o sucesso desse processo depende de que valor esse plástico é negociado e seu volume (que permita atender demandas industriais). Preço, em grande parte, depende de qualidade do material, e essa qualidade pode ser garantida quando há poucas impurezas no plástico, e quando ele é uniforme – em geral, oriundo de uma mesma fonte. Um sistema de separação que envolva as empresas produtoras do plástico ajuda a viabilizar esta uniformidade e volume, ampliando a chance de reúso.


- Substituir o uso de plástico virgem por materiais reciclados. Produtos de plástico oriundo de uma única fonte e com poucos aditivos reduzem os custos de gerenciamento desses rejeitos e melhoram a qualidade do plástico para uso secundário. Por isso o design e o material de um produto são essenciais para diminuir esse impacto, e cabe às empresas a responsabilidade por soluções.
Revista Galileu

O MAL-ESTAR DA CIVILIZAÇÃO EM REDE

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GRITOS E SUSSURROS: O MAL-ESTAR DA CIVILIZAÇÃO EM REDE

Em carta escrita ao psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) em 1927, o pensador e escritor francês Romain Rolland (1866-1944) mencionou seu interesse de que o colega explorasse melhor a sensação religiosa espontânea, o sentimento do eterno que desconhece limites, como um sentimento “oceânico”. Freud não se furtou a enfrentar o desato, já que a metáfora lhe pareceu rica de significado. No final de O futuro de uma ilusão, publicado no mesmo ano, Freud abordou o tema da construção do ego a partir da crítica da ideia de um sentimento oceânico primitivo, caro à religião. Quando publicou o seu célebre ensaio O mal-estar da civilização em 1930, esse ‘sentimento oceânico’, ou melhor, as formas que a sociedade encontrava para lhe impor limites, tornou-se o cerne de suas preocupações.

Os tempos eram de guerra e, evidentemente, sobressaía naquele contexto o problema da morte iminente diante dos imperativos da vida em sociedade. Havia três fontes intrínsecas ao desprazer que Freud identificava como decorrência da construção dos limites para esse sentimento oceânico, que emanava, em sua visão, do próprio ego primitivo da criança, e não de estruturas religiosas ou místicas pré-configuradas.

Fosse pela experiência existencial da dor ou da morte, pelo caráter destrutivo ou desastroso da própria natureza, mas sobretudo pelo sofrimento endêmico que os seres humanos necessariamente conhecem na vida em sociedade – isto é, na civilização –, surgiria imperativamente na criança que confronta seu sentimento oceânico a necessidade de reconciliar seus instintos, que buscam gratificação, com a realidade que a vida social impõe. 

Como componente central das formas de vida de boa parte das civilizações contemporâneas, as redes sociais sujeitam aqueles que nela coexistem a imperativos e limites bastante similares aos que Freud apontava quando falava da relação paradoxal que a realidade social impõe ao ego primitivo da criança: ao mesmo tempo que induz à liberdade em busca de prazer, a cerceia com regras que devem ser introjetadas a fim de garantir a sociabilidade. A questão, então, está em pensar como tal relação encontra meios de se atualizar – e com quais efeitos – nas novas tecnologias de comunicação em geral e nas redes sociais em particular.


Protagonistas da comunicação

As plataformas eletrônicas nas quais as redes sociais não presenciais são estabelecidas estão passando por um momento de transição. À medida que as interfaces de interação social virtual foram regredindo novamente para a telefonia, a mobilidade introduzida pelo celular e a transmissão de dados por ele facilitada fizeram desses aparelhos os protagonistas da comunicação que engendra e reproduz redes sociais.
A tela do celular ganhou propriedades que teclas de um telefone comum nunca tiveram, e a capacidade de armazenamento de informação e outras aplicações no mesmo objeto transformaram o celular, em menos de uma década, no principal aparelho utilizado por seres humanos

A tela do celular ganhou propriedades que teclas de um telefone comum nunca tiveram, e a capacidade de armazenamento de informação e outras aplicações no mesmo objeto transformaram o celular, em menos de uma década, no principal aparelho utilizado por seres humanos. Talvez seja cedo para decretar categoricamente a superação do Facebook, ou o fim da hegemonia das redes sociais mais adequadas ao computador caseiro. Contudo, não será apressado reconhecer que, mantidas as tendências em curso, aplicativos como o WhatsApp transformarão o Facebook e seus aparentados em plataformas secundárias.

O Facebook e outras redes sociais assemelhadas estão assentadas sobre um conjunto de atributos comuns: o fluxo em geral transparente da informação, em que cada um se dirige simultaneamente a muitos (one to many), torna público o privado; o conteúdo da informação, as trocas e os compartilhamentos efetuados conformam uma espécie de subesfera pública que mais repercute do que pauta a esfera pública propriamente dita.

O WhatsApp opera sob uma lógica diversa: as mensagens, sempre enviadas a uma ou poucas pessoas (one to one ou one to few), permanecem no âmbito do privado, cuja opacidade só muito raramente é violada; as trocas e os compartilhamentos se dão por grupos de interesse, afinidades ou necessidades pessoais, contextos profissionais, ou simplesmente em substituição a um telefonema. Combina-se a isso o silêncio que caracteriza a maior parte das trocas comunicativas das duas plataformas, ainda que mobilizado de modos distintos.

No Facebook, esse silêncio é quase imperativo, já que nenhuma de suas mensagens e publicações encontra um assento feliz no uso da voz humana como meio da comunicação. O que tem som no Facebook, em geral, já é um audiovisual postado.

No WhatsApp, por outro lado, o texto ou mensagem parecem destinados a um papel de ‘suplente’ da fala, já que esbanja trocas comunicativas que são meras substitutas de conversações que poderiam servia você, mesmo quando em grupos maiores. Não é acidental que o WhatsApp tenha sido rápido em incluir entre seus recursos a possibilidade de utilizá-lo como telefone. Não se trata meramente da possibilidade de utilizar som em comunicações – as duas plataformas incluem recursos para que as trocas sejam audíveis, mas, enquanto o Facebook utiliza esses recursos apenas para ampliar os modos de interação entre conectados, o WhatsApp os emprega para substituir as formas tradicionais da oralidade, que costumam exigir protocolos conversacionais que oneram, em tempo e disponibilidade, os ritos de introdução, desenvolvimento e conclusão das trocas comunicativas.


Implicações das redes

Consideradas as características e diferenças formais de ambas as plataformas, é hora de retornarmos a Freud para, com a licença do uso alargado de alguns dos seus conceitos e categorias, observar de que maneira tais características atravessam, ou mesmo ajudam a constituir, o mal-estar na civilização em rede. Pensar na tecnologia não como um artefato, mas como um contexto, implica partir do princípio de que a presença das redes sociais na vida das pessoas afeta o repertório de ações disponíveis a elas, assim como a forma em que experimentam o mundo ao seu redor.

Se as redes sociais favorecem certos modos de diálogo e tipos de interações, é de se esperar que ganhem aderência social. Por sua própria arquitetura, o Facebook estimula uma forma de enunciação que, em linhas gerais, poderíamos caracterizar de espalhafatosa e assertiva, eque possui, no ‘curtir’ alheio, a medida de seu sucesso. Essa ênfase ubíqua no reconhecimento intersubjetivo, entretanto, cobra o seu preço: ao fazer da aprovação expressa de outros o termômetro cotidiano de suas atividades on-line, o indivíduo acostuma-se a exteriorizar excessivamente os critérios pelos quais julgará a si próprio.

O espelho facebookiano contribui para idealizar ainda mais as representações ideais que constituem o imaginário; sem a imagem desejada devolvida, resta ao indivíduo a mania patológica de persegui-la, ou a diluição depressiva de seu investimento libidinal pelo seu suposto fracasso.

Já o WhatsApp está fundado num modo de diálogo que, em função da exigência da instantaneidade – se o sujeito se ausentar dos grupos de que participa, mesmo que apenas por algumas horas, arrisca a perder o fio da meada da conversa –, induz a um comportamento obsessivo-compulsivo, em que tiques excessivos, de olhos e dedos em busca constante de novidades, não se ligam ao propósito ao qual aparentemente se dirigem.


Custos psíquicos

O temor de excluir a si mesmo de trocas habitua à checagem do aparelho celular a intervalos cada vez mais curtos; quanto mais os grupos de que se participa, maiores as possibilidades de exclusão, e os custos psíquicos decorrentes. Como alguém que rói as unhas, o usuário do WhatsApp opera um descolamento do real que pode durar poucos instantes, ou dias, e que se encontra demarcado como parte das práticas sociais quase aceitáveis.
(foto: Pixabay.com / Domínio Público)

O WhatsApp fustiga o indivíduo em função da ansiedade provocada pela exigência incessante por disponibilidade, mas o protege da vigilância alheia. Em um contexto de patrulha politicamente correta, a segurança da mensagem privada, ventilada entre amigos e conhecidos com vínculos e afinidades claramente delineados, oferece o conforto necessário à livre expressão de preconceitos e discursos de ódio. No WhatsApp, pode-se sentir prazer com a humilhação ou dor alheia, sem a contrapartida da culpa: abolidas as interdições públicas ao gozo, o escárnio encontra nos grupos privados espaço privilegiado para manifestar-se livremente.

O Facebook, ao contrário, obriga o indivíduo a comprometer-se diariamente com a apresentação da melhor versão de si. Como afirma o historiador norte-americano Christopher Lasch (1932-1994), se uma cultura narcisista é aquela na qual os relacionamentos são definidos pelo imperativo hedonista de aquisição e exibição de símbolos de status ou riqueza, então plataformas como o Facebook são seus principais operadores contemporâneos, uma vez que seus usuários parecem tomar parte de uma espécie de jogo de espelhos de reflexos indiretos: são fotos de viagens que pressupõem estilos de vida (saudável, aventureiro, intelectual, refinado etc.); postagens de conteúdos culturais sugerindo distinção; temáticas políticas que expressam visões de mundo com pretensões de infalibilidade; e assim por diante.

Não é preciso ser um etnógrafo do mundo virtual para nele reconhecer traços característicos do narcisismo clássico – hipersensibilidade acríticas, baixa disposição empática, arrogar para si o status de ‘especialista’ em assuntos variados, aparentar ser mais importante do que se é –, tudo em escala aumentada.

Esse narcisismo amplificado pelas redes sociais não presenciais não desaparece com as novas plataformas de  interação mais intimistas como o WhatsApp em celulares. A trama especular que nelas se desenrola, entretanto, sempre tem endereços definidos que não permitem nenhuma forma romantizada de circulação livre de ideias, modelo ao qual muitos ainda se apegam para descrever a dinâmica comunicativa de redes sociais ancoradas em plataformas como o Facebook.

No WhatsApp, o público morreu; no Facebook, ele simula a sua própria farsa. É concebível escrever uma postagem no Facebook sem se preocupar com quem vai lê-la, mas no WhatsApp, não. O destino conhecido de toda comunicação no WhatsApp devolve seu protagonista narcisista ao mundo da interação virtual como um indivíduo, e o silêncio de uma audiência que simplesmente não se manifesta – isto é, que não ‘curte’ sua postagem com um mero clique, como no Facebook – ecoa mais alto: na intimidade do privado, a ausência de reconhecimento carrega o peso da indiferença ou desaprovação explícitas.


Gramáticas próprias

Tal qual o Facebook, o WhatsApp também tem sua gramática. Enquanto o Facebook constrói o império da extroversão, tornando a troca comunicativa uma luta para ver quem grita mais alto – a métrica é o alcance, afinal –, no WhatsApp, os extrovertidos precisam ser cautelosos: sussurros altos demais são causas implacáveis de exclusão e ostracismo. Em contraste com o território do excesso do Facebook, onde (quase) tudo vale, a gramática do WhatsApp é uma disciplina com regras de etiqueta mais exigentes: textos curtos, imagens em arquivos leves, emojis e repressão às falas fora do tópico.

Acima de tudo, rege esta gramática a regra que cada rede social imprime para o ritmo das postagens. O WhatsApp converte em párias aqueles que falam demais, que falam de menos e que esquecem de falar. Saber o ritmo dos ritos comunicativos do grupo é questão de sobrevivência.

Tudo somado, eis a dicotomia construída até aqui: de um lado, plataformas de amplificação de discurso público, referido a um simulacro da polis, vazado em prosa imagética ruidosa, que sequer expansiva; de outro, plataformas de reprodução de comentários privados, endereçados à esfera de uma certa intimidade, e que são vazados sem estardalhaço.

No Facebook, grita-se histericamente para reivindicar a aprovação imaginária dos outros, sempre os mesmos outros, em doses homeopáticas diárias, buscando uma satisfação narcísica alimentada pela falsa sensação de excesso ou a inevitável melancolia produzida pela falta de ‘curtidas’. No WhatsApp, tecla-se compulsiva e silenciosamente para dar vazão ao que não pode ser dito em público, para manter-se a par do inconfessável do outro, para assegurar pertencimento a grupos mais ou menos próximos, de modo a afastar rotineiramente o medo da exclusão. Afinal, um celular que não anuncia novas mensagens insinua o ostracismo.
Na internet, vozes não se convertem nem em gritos, nem em sussurros, sem escapar do paradoxo de que quanto maior é o alcance e a possibilidade da fala no mundo conectado das redes sociais, maior a importância do silêncio que lhe subjaz

Na internet, vozes não se convertem nem em gritos, nem em sussurros, sem escapar do paradoxo de que quanto maior é o alcance e a possibilidade da fala no mundo conectado das redes sociais, maior a importância do silêncio que lhe subjaz. A repressão, a imposição de limites ao que pode ser dito num contexto em que aparentemente todos podem falar livres de amarras presenciais, começa na negociação sutil de tal silêncio.

O sentimento oceânico a que Freud se referia encontra no silêncio das redes, mais do que nos ruídos que as atravessam, a verdadeira medida de sua contenção – é o vazio, a ausência da interação, e não o seu excesso, que causa verdadeiro desconforto ao indivíduo contemporâneo. Ele ostenta um celular para não ter que conversar com quem está ao seu redor. Cabisbaixo e absorto, ele navega pelas teclas enquanto soergue diante de si uma muralha que, ao mesmo tempo, lhe priva e lhe subtrai dos desprazeres que a vida em sociedade impõe. Ninguém o ouve e ele nem sabe ao certo sequer ser ouvido. Está cada vez mais enterrado em um narcisismo de pequenas diferenças.


Sugestões para leitura

EISENBERG, J E MUDESTO, R. ‘A PAX ZUCKERBERG: o que está por trás do sucesso do Facebook’ in Ciência Hoje, v. 50, n. 300, 2013.

FREUD, S. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

MOROZOV, E. THE NET DELUSION. The dark side of internet freedom. New York: PublicAffairs, 2011.

TURKLE, S. ALONE TOGETHER. Why we expect more from technology and less from each other. New York: Basic books, 2011.

José Eisenberg
Antonio Engelke
Instituto de Ciências Sociais
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Revista Ciência Hoje

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A árvore mais alta da Amazônia


Pesquisadores localizam um santuário com gigantes de mais de 70 e 80 metros quando buscavam um exemplar de 88,5 metros



Um pesquisador, na copa da maior árvore da Amazônia.
RAFAEL ALEIXO E TIAGO CAPELLE, DE LA EXPEDICIÓN JARÍ-PARU.

A Amazônia ainda guarda surpresas para os cientistas. E conserva rincões em que nenhum ser humano pisou. O engenheiro florestal Eric Gorgens, 36 anos, liderou uma expedição que acaba de confirmar em um desses cantos remotos uma descoberta espantosa: uma árvore de 82 metros (como um prédio de 27 andares), a mais alta que os cientistas tocaram na maior floresta tropical do mundo. Está situada na Floresta Estadual do Paru (Estado do Pará). Chegaram a ela de barco e a pé, guiados por indígenas.

Lá eles comprovaram que ela não está sozinha, mas acompanhada por quinze exemplares que ultrapassam os 70 metros. “Não havia dados de que existiam árvores gigantes na Amazônia, no máximo, eram de 60 metros. Mas encontramos exemplares de 82 metros, de 74, de 72 ... E isso acende uma luz para a ciência”, explica por telefone esse professor e pesquisador da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Com troncos de dois a três metros, são da espécie dinizia excelsa. Foram medidas pelos escaladores, soltando uma corda desde a copa. Depois, eles as analisaram e recolheram material genético, mas não tiveram tempo de chegar à gigante entre os gigantes, a árvore mais alta de que têm indícios, de 88,5 metros. É mais que o dobro do Cristo Redentor que coroa a baía do Rio de Janeiro.

A expedição que Gorgens realizou com uma equipe de 30 pessoas lembra aquelas dos naturalistas europeus do século XIX. "Foi uma viagem muito difícil porque é uma região completamente isolada", enfatiza. Não há nem mesmo tribos não contatadas. Um grupo de 12 membros da comunidade tradicional de São Francisco de Iratapuru, mestres da navegação, os guiou durante os cinco dias rio acima pelo Jari e dois de caminhada pela mata. Os demais eram dois escaladores, especialistas em subir em árvores na Amazônia para medi-las sem danificá-las, pesquisadores de cinco universidades federais brasileiras, de institutos públicos de pesquisa, de Cambridge e de Oxford, dois bombeiros militares e uma equipe da TV Globo.


No alto de um gigante da Amazônia.

Foram dez dias de agosto em que estiveram completamente incomunicáveis. Somente quando deixaram a exuberante floresta amazônica eles souberam que o mundo havia descoberto com horror, graças ao presidente francês e ao G7, os incêndios que devoram a Amazônia e outras áreas da rica biodiversidade no Brasil. A Frontiers in Ecology publicou os resultados desta pesquisa.

Gorgens sabe que a árvore de 88,5 metros existe porque esse “santuário gigante de árvores” foi detectado com um medidor de laser acoplado a um avião Cessna que fazia sobrevoos para outra pesquisa: calcular a biomassa da Amazônia, medir quanto pesa a vegetação, dados cruciais para saber, por exemplo, quanto carbono armazena. Porque, embora do ar a Amazônia possa parecer um tapete de musgo, sob essas copas esta região maior do que toda a UE abriga uma imensa variedade de vegetação. Esses 800 sobrevoos localizaram uma chamativa concentração de árvores imponentes no parque do Paru. E lá se foram eles para confirmar o que os sistemas remotos anunciavam.

Além de citar os recordes, Gorgens explica que a descoberta é importante porque as árvores gigantes abrem uma nova perspectiva para entender melhor como a floresta tropical atua na dinâmica global do carbono e da biodiversidade. "Uma única árvore gigante pode acumular tanto carbono quanto 500 árvores normais", diz ele. Os cientistas estimam que a Amazônia armazene 17% do estoque de carbono do mundo. Agora, o desafio é saber o que propiciou tantos exemplares de tal altura. A distância e o fato de estar em uma área de conservação legalmente protegida são fatores importantes, destaca. Por isso, o pesquisador brasileiro considera essencial a sobrevivência e a expansão desses espaços.


Pesquisadores das árvores gigantes da Amazônia.
RAFAEL ALEIXO E TIAGO CAPELLE, DE LA EXPEDICIÓN JARÍ-PARU

Enquanto Gorgens conversava com este jornal sobre a expedição, milhões de adolescentes caminhavam por cidades de todo o mundo para exigir que os adultos ouçam os cientistas como este brasileiro e tomem medidas contundentes contra a crise climática porque não há planeta B. Ele está encantado com esse despertar dos adolescentes e destaca que a crescente preocupação com o aquecimento global indica que "nossa pesquisa não está desconectada dos cidadãos".

A expedição do Jarí-Paru foi possível graças a vários elementos que a política ambiental de Jair Bolsonaro pôs em grave risco com as tesouradas nos fundos públicos para pesquisa, o congelamento do Fundo Amazônia, bancado pela Noruega e Alemanha, e a campanha de descrédito contra a agência oficial que mede o desmatamento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Após essa primeira incursão, os pesquisadores querem retornar à área em busca do gigante entre os gigantes. Seus 88,5 metros são um recorde da Amazônia. O mundial é uma sequoia-vermelha nos Estados Unidos, de 115,7 metros (38 andares). O tropical é uma shorea faguetiana de 100,8 metros, na Malásia.
El País

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