quarta-feira, 1 de abril de 2015

El Niño - Fenômeno climático oficialmente reconhecido

El Niño já chegou, mas está mais fraco que o habitual




NOAA
Em parte devido à sua fraqueza, além de seu momento incomum, espera-se que o El Niño não tenha muito impacto sobre os padrões climáticos dos Estados Unidos.

Andrea Thompson e Climate Central

Muitos já haviam descartado a possibilidade de ocorrência do evento El Niño, que ficou sumido quase um ano, mas ele finalmente emergiu em fevereiro e poderia atravessar a primavera e o verão boreais, de acordo com o anúncio da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) na quinta-feira (05/03).

Esse não é o mesmo El Niño de 1998 que muitos anteciparam quando os primeiros indícios de um evento iminente emergiram há cerca de um ano. Esse El Niño acabou de aparecer no limiar oficial, então não será um evento forte.

Estamos basicamente declarando o El Niño mas infelizmente, não podemos afirmar que é um El Niño fraco” segundo foi a declaração da meteorologista Michelle L’Heureux.

Espera-se que o El Niño não tenha forte impacto sobre os padrões climáticos dos Estados Unidos, em parte porque está mais brando e ocorre em um momento. Não deve trazer também muito alívio para a seca na Califórnia.

Mas meteorologistas declaram que ele poderia afetar padrões climáticos em outras áreas do globo, especialmente se ele persistir ou se intensificar, e poderia aumentar temperaturas globais – seguindo um 2014 que já foi o ano mais quente já registrado.

“Isso realmente aumenta as chances do calor”, aponta L’Heureux.


NOAA
Animação de anomalias subsuperficiais de temperatura no Oceano Pacífico tropical.

A diferença que um ano faz

Meteorologistas do Centro de Previsão Climática da NOAA e do Instituto Nacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), na Columbia University, divulgaram um alerta pela primeira vez no início do ano passado de que um El Niño poderia estar se formando. Essa conclusão foi baseada em uma pluma subsuperficial de água quente, chamada de onda Kelvin, que atravessava o Pacífico tropical de oeste a leste. (Foi essa grande pluma que atraiu comparações com o monstruoso El Niño de 1998, que provocou dilúvios e inundações em muitas partes do mundo e aumentou significativamente as temperaturas globais. O ano de 1998 é o único ano do século 20 entre os 10 mais quentes).

Um El Niño é marcado por águas incomumente quentes nas partes central e leste dessa bacia. Ele é oficialmente considerado um evento pelo CPC quando as temperaturas na superfície do mar em uma região-chave do oceano ficam pelo menos 0,5°C mais quentes que a média.

Múltiplas ondas Kelvin já pulsaram pela bacia oceânica em meses recentes e temperaturas oceânicas ficaram repetidamente quentes o bastante naquela região para qualificar um El Niño.

Mas apenas temperaturas oceânicas não definem um El Niño; meteorologistas do CPC também procuram mudanças correspondentes em padrões atmosféricos, especificamente um enfraquecimento dos ventos alísios na região. Esses ventos alterados podem afetar o clima ao redor do globo, e por isso são cuidadosamente observados todos os meses.

Um ano após o primeiro sinal de um El Niño inevitável atravessar o oceano, outra onda Kelvin está cruzando a bacia. Dessa vez, porém, o oceano já está muito mais quente e, ainda mais importante que isso, a atmosfera parece finalmente ter recebido a notícia, com os ventos alísios enfraquecendo.

A relação entre oceano e atmosfera não está seguindo o roteiro normal, e as mudanças típicas em padrões de chuva ainda não emergiram. Mas L’Heureux apontou a raridade de qualquer resposta da atmosfera nessa época do ano. Na primavera, de acordo com ela, é mais difícil que o oceano e a atmosfera consigam “na prática, ver um ao outro”.

“Estamos bastante impressionados”, adiciona ela. 


NOAA
Os impactos climáticos tipicamente associados com um El Niño durante os meses de junho, julho e agosto.

Primavera e verão

Essa emergência do El Niño ao final do inverno boreal significa que os tradicionais impactos sobre os Estados Unidos – condições úmidas e frias no sul do país – não acontecerão.

“Sobre nós, o impacto se tornará muito, muito silencioso” na primavera boreal, declara L’Heureux.

Meteorologistas acreditam que a atual onda Kelvin e as temperaturas oceânicas já mais quentes indicam que o El Niño vai persistir, e esse foi outro fator levando à declaração do evento.

O CPC prevê uma chance de 50 a 60% de que o El Niño atravesse a primavera e o verão boreais. Se isso realmente acontecer, o evento poderia conter a temporada de furacões do Atlântico e intensificá-la no Pacífico leste, como muitos afirmaram ter acontecido no último verão boreal antes que o El Niño fosse oficializado.

Essa designação oficial já provocou muitos debates na comunidade de cientistas do clima, já que o oceano ficou quente o bastante durante a maior parte de 2014 para qualificar um El Niño.

“Eu tenho certeza de que isso será bastante discutido”, comenta L’Heureux.

Mas se essas temperaturas oceânicas significam que um El Niño estava acontecendo, então elas, além de águas quentes em outras bacias oceânicas, ajudaram a elevar temperaturas globais de superfície em 2014, levando ao ano mais quente já registrado.

Ainda não se sabe se isso poderia acontecer novamente em 2015, ainda que o oceano mantenha temperaturas e não responda a mudanças muito rapidamente. Então é provável que esse calor persista, ou até aumente.

“Se o El Niño se intensificar, ele pode ter um impacto maior sobre as temperaturas globais, como foi observado em eventos anteriores”, explica Jessica Blunden, cientista climática da ERT, Inc, no Centro de Dados Climáticos Nacionais da NOAA. “Mas, no momento, estamos esperando para ver”.
Scientific American Brasil

Corais de águas quentes indicam estratégias de preservação

Características de organismos tolerantes a altas temperaturas podem ajudar a proteger corais vulneráveis

Shutterstock
Reprodução cruzada de corais do Golfo com aqueles de climas temperados e inoculação de corais com simbiontes resistentes a altas temperaturas estão entre as estratégias consideradas para proteger os corais da elevação de temperatura dos oceanos

Michael Casey

Perto da maior torre do mundo, à sombra de gigantescas dunas de areia, biólogos marinhos de todo o mundo clamavam por uma visita a alguns dos recifes de coral do Golfo Pérsico.

As águas costeiras dos Emirados Árabes Unidos (E.A.U.) podem ser escuras e só têm 10% da diversidade de recifes de coral encontrada no Oceano Índico ou na Grande Barreira de Corais. Mas os pesquisadores foram procurar algo ainda mais precioso: indícios que poderiam um dia ajudar recifes de coral de todo o mundo a sobreviver ao aquecimento global.

A maioria dos recifes de coral em climas temperados consegue suportar temperaturas de apenas 29oC antes de branquearem – processo em que corais expelem as algas simbióticas que vivem em seus tecidos, fazendo com que se tornem brancos e aumentando sua vulnerabilidade a doenças e morte.

Corais nos recifes do Golfo Pérsico, no entanto, tipicamente toleram temperaturas de até 36ºC durante o verão e de 13ºC no inverno. “Essas temperaturas excedem o que esperamos em qualquer lugar do mundo nos trópicos durante o próximo século”, declara John Burt, biólogo marinho de um ramo da New York University nos Emirados, que conduziu a visita aos corais em 2012. Burt também ajudou a organizar uma conferência internacional sobre recifes do Golfo Pérsico que reuniu 250 cientistas em fevereiro, na NYU. Os corais do Golfo Pérsico “oferecem esperanças”, afirma ele. Alguns dos mecanismos genéticos que eles usam poderiam ajudar outros a sobreviver a essas temperaturas extremas.

Há muito tempo recifes de coral sofrem com poluição disseminada, sobrepesca e desenvolvimento costeiro, perdendo até 50% de sua cobertura em muitos locais ao redor do globo. Mesmo assim, a maioria dos cientistas alerta que a mudança climática oferece a maior ameaça no futuro. Águas cada vez mais quentes e a acidificação oceânica relacionada a elas iniciam eventos cada vez mais amplos e mais numerosos de branqueamento, tornando difícil que corais se calcifiquem e portanto cresçam e prosperem. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) alerta que poderia haver um evento global de branqueamento em 2015 devido ao aquecimento das águas – o terceiro nas últimas duas décadas.

Até 2040, cientistas acreditam que a maioria dos recifes de coral estará em risco. O pensamento convencional é que mudanças genéticas em corais e suas zooxantelas – as algas unicelulares também conhecidas como simbiontes que vivem dentro dos tecidos de corais – simplesmente serão lentas demais para acompanhar a taxa de aquecimento que, de acordo com alguns cálculos, poderia variar entre 1,1 e 6,5 graus Celsius até 2100.

Mas cientistas no Golfo e em outras partes do mundo estão desafiando essa ideia, mostrando que recifes de coral podem se recuperar de eventos de branqueamento mais rápido do que se acreditava e podem ser capazes de adquirir simbiontes em um período de tempo relativamente curto. “Nem tudo está perdido para os corais”, declara Andrew Baker, biólogo marinho da University of Miami. Seu artigo de 2004, publicado na Nature, foi um dos primeiros a relatar que os simbiontes tolerantes ao calor conhecidos como clado D eram prevalentes no Golfo, mas que também eram encontrados em menor quantidade em regiões temperadas atingidas pela mudança climática, como o Quênia, as Ilhas Maurício e o Panamá.

Clados são grupos genéticos de vários simbiontes. Baker e outros passaram a última década identificando o mecanismo por meio do qual corais conseguem lidar com temperaturas mais elevadas. Os corais “tem um repertório de respostas”, comenta ele. “A pergunta foi ‘com que velocidade essas respostas podem surgir?’ Eu acho que agora estamos entendendo a ideia de que na verdade, em alguns casos, esses mecanismos podem surgir rapidamente, dentro de alguns anos”. (Scientific American é parte do Nature Publishing Group).

Com base no trabalho de Baker, Burt, Jörg Wiedenmann, professor de oceanografia biológica na University of Southampton e vários outros colegas examinaram, durante os últimos três anos, recifes perto da costa dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, pelo Estreito de Hormuz até o Mar Arábico, para conhecer a comunidade de corais e das zooxantelas que abriga.

Os pesquisadores usaram análises genéticas para sugerir que a tolerância térmica no coral cerebral Platygyra daedalea e suas zooxantelas parecem ser exclusivos do Golfo Pérsico. Em um artigo publicado na semana passada na Nature Scientific Reports, Wiedenmann, Burt e vários outros pesquisadores descreveram como usaram quatro marcadores genéticos para determinar que as algas de fato eram novas para a ciência. Elas foram batizadas de Symbiodinium thermophilum por sua capacidade de suportar as temperaturas incomumente altas do Golfo Pérsico.

Esse novo organismo, que os pesquisadores demonstraram ser o simbionte mais prevalente encontrado durante o ano no Golfo Pérsico, pode ter se aclimatado para desempenhar um novo papel nas severas condições do Golfo. A pergunta, de acordo com Wiedemann, é a tolerância ao calor de Symbiodinium thermophilum evoluiu nas águas relativamente isoladas do golfo, que só têm cerca de 15 mil anos, ou se foi trazido por correntes de fora da região e sobreviveram a “um processo de seleção”. De acordo com Wiedenmann: “Se eles não evoluíram no Golfo, devem estar presentes em menor quantidade em populações de diferentes partes do mundo. Isso seria uma boa notícia porque significaria que corais em outras regiões podem ter esses indivíduos tolerantes." 

Se simbiontes existirem em outras regiões, corais que enfrentam o branqueamento poderiam, em teoria, ativá-los conforme as temperaturas aumentam. Para testar essa teoria, Baker repetidamente branqueou corais da espécie Monstastraea cavernosa em seu laboratório na Flórida e permitiu que eles se recuperassem.

Em artigo publicado no ano passado em Global Change Biology, Baker e seus colegas de pesquisa descobriram que, antes do branqueamento, os corais continham simbiontes que não eram tolerantes ao calor. Depois disso, porém, eles foram dominados pelo clado D1a, tolerante ao calor. Esses corais reaparelhados conseguiam lidar com temperaturas 2ºC mais altas que antes. “Esses dois graus são uma notícia muito boa, já que eles podem compensar parte do aquecimento que esperamos ver neste século”, declara Baker. “Por outro lado, estamos prevendo mais de dois graus para a maioria desses ambientes de recifes. Então ainda é uma questão aberta se corais podem continuar a lidar com temperaturas cada vez mais elevadas ou se esse é um tipo de medida temporária”.

Críticos argumentam que é ingenuidade acreditar que qualquer componente individual de uma comunidade diversa e complexa de corais pode ser uma solução para salvá-la. E como a diversidade do Golfo é tão limitada e sua sazonalidade é tão extrema, alguns especialistas acreditam que seria melhor que cientistas procurassem respostas em regiões mais temperadas como o Canal de Moçambique entre a Tanzânia e Madagascar, que já se provaram resistentes a eventos extremos de branqueamento.

Oceanos de grande parte do mundo não se parecem com o Mar Arábico, explica Tim McClanahan, zoólogo sênior da Wildlife Conservation Society que trabalha com corais no oeste do Oceano Índico. “A maior parte dos trópicos tem oceanografia distinta, além de ambientes meteorológicos ou climatológicos diferentes”, explica ele. O trabalho genético sobre simbiontes tolerantes ao calor é interessante “mas é mais uma curiosidade que um análogo para o futuro. Eu não acho que o futuro terá a aparência do Mar Arábico”, adiciona ele.

Ove Hoegh-Guldberg, um dos principais especialistas em coral do mundo e diretor do Global Change Institute na University of Queensland, na Austrália, considera que o trabalho no Golfo Pérsico é intrigante porque mostra que a evolução pode produzir corais que são adaptados a grandes extremos de temperatura. Mas ele aponta que é um erro” esperar que a tolerância térmica ofereça esperança para corais em climas temperados. A evolução é muito lenta em relação a organismos de vida longa como os corais.

Em uma entrevista por email, Hoegh-Guldberg escreveu que “outras projeções, como a troca de seus simbiontes por variedadescom maior tolerância térmica não foram corroboradas por estudos”. Ele também adiciona que projeções são falhas, porque não são apenas os simbiontes que precisam evoluir. “É a combinação de hospedeiro e simbionente que precisa se adaptar rapidamente à mudança nas temperaturas do mar”, escreve ele. Essas dúvidas fizeram pouco para reduzir o entusiasmo para usar os recifes do Golfo Pérsico ou os genes encontrados lá em futuras estratégias de conservação.

Bernhard Riegl, professor do Centro Oceanográfico da Nova Southeastern University na Flórida, que trabalhou com recifes de coral no Golfo Pérsico por 20 anos, sugeriu mover corais para o oceano Indo-Pacífico para “introduzir a adaptação térmica, por meio de hibridização com o material genético residente, em regiões onde ela logo será necessária”. Outros discutem a reprodução cruzada de corais do Golfo com aqueles de climas temperados. Baker considera inocular corais com simbiontes resistentes ao calor em berçários e então replantar áreas em risco.

Ninguém duvida que existam riscos inerentes a essas estratégias – elas são custosas e poderiam introduzir espécies invasivas e doenças. E os corais reintroduzidos podem sequer conseguir lidar com as novas condições ambientais. Mas Madeleine van Oppen, do Instituto Australiano de Ciência Marinha, além de vários outros especialistas, argumenta no volume de fevereiro de Proceedings of the National Academy of Sciences que chegou a hora de considerar a viabilidade de medidas de evolução assistida por humanos, como a reprodução seletiva, para aumentar a tolerância ao estresse ou o cruzamento entre populações diferentes para restauração. “Quando eu comecei a pensar sobre isso, as pessoas diziam ‘isso nunca vai funcionar. Você nunca conseguiria fazer isso na escala necessária’”, escreveu van Oppen. “As pessoas ainda têm essas preocupações, mas agora elas conseguem ver que é importante desenvolver ferramentas e avaliar o que realmente é possível”.

Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje


Sonda detecta sistema hidrotérmico ativo além da Terra
O interior de Encélado, a lua gelada de Saturno, parece surpreendentemente quente e favorável para vida

NASA/JPL/Instituto de Ciências Espaciais
Construído a partir de imagens de Cassini, esse mosaico de cores aprimoradas revela a superfície gelada de Encélado, uma das luas de Saturno. As fissuras azuladas são os locais de plumas de vapor d’água do oceano de subsuperfície do mundo gelado.

Lee Billings

Usando dados da sonda Cassini, cientistas encontraram evidências de um sistema hidrotérmico ativo dentro da lua Encélado, de Saturno, aumentando as chances de que a vida alienígena poderia estar esperando para ser descoberta nas profundezas aquáticas desse mundo gelado. As aberturas hidrotérmicas de Encélado parecem impressionantemente semelhantes a algumas das encontradas na Terra.

Uma das principais teorias sobre a origem da vida na Terra postula que ela começou em aberturas hidrotérmicas no fundo do oceano, onde a água do mar que passa por rochas porosas quentes criou ambientes ricos em energia e nutrientes, favorecendo a formação das primeiras células. Atualmente, as aberturas hidrotérmicas da Terra são oásis no fundo do mar, abrigando ecossistemas que florescem na escuridão, isolados da superfície do mundo. Encontre outro lugar além da Terra onde água quente interage com rochas e, mesmo que isso seja longe do sol, a vida também pode florescer por lá. Esses sistemas podem ter sido comuns no início da história do sistema solar, quando planetas rochosos e luas geladas ainda estavam relativamente quentes e úmidos após sua formação inicial. Até agora, porém, cientistas não tinham evidências de atividades hidrotérmicas continuadas em nenhum lugar além da Terra.

Essas evidências permanecem circunstanciais, e instigantes, apesar de terem se acumulado lentamente na última década. Em 2005, a Cassini observou plumas de vapor d’água sendo lançadas de misteriosas fissuras aquecidas perto do polo sul de Encélado. Em sobrevoos subsequentes dessa lua – incluindo vários em que a sonda atravessou as plumas – a Cassini quase esteve perto de confirmar que um oceano com 10 quilômetros de profundidade existe entre 30 e 40 quilômetros abaixo do gelo ao redor do polo sul. O vapor que a Cassini encontrou enquanto mergulhava pelas plumas era salgado, como água do mar, e a sonda mediu pequenas variações no campo gravitacional de Encélado, sugerindo a existência de um oceano diretamente sobre o núcleo rochoso da lua.

Mas ninguém sabia como esse oceano estava conectado à fissuras de superfície que lançam água, e muitos pesquisadores acreditavam que o núcleo da lua seria frio demais para sustentar atividades hidrotérmicas. Com o tamanho semelhante ao da Inglaterra, Encélado é muito pequeno em relação a outras luas geladas, sem massa suficiente para reter o calor de sua formação ou ter grandes quantidades de elementos radioativos geradores de calor.

Com base nessas estimativas básicas, a lua deveria estar completamente congelada. Em vez disso, acredita-se que grande parte do calor de Encélado, que sustenta um oceano, venha de sua órbita ao redor de Saturno. Conforme a lua circula o Planeta dos Anéis, interações gravitacionais entre os dois corpos fazem com o que interior de Encélado se flexione, gerando calor por meio da fricção.

Talvez, sugeriram alguns cientistas, as plumas da lua – e até mesmo todo o seu oceano –sejam apenas fenômenos transitórios criados por variações menores na órbita de Encélado, períodos momentâneos de calor e atividade em um mundo inerte e frio. Outros supõem que o oceano de Encélado e suas plumas poderiam ser características ancestrais e persistentes da lua, aumentando as chances de encontrarmos vida por lá. 

De fato, astrônomos já tinham dados para ajudar a resolver alguns desses mistérios mesmo antes de a Cassini encontrar o oceano de Encélado. Em janeiro de 2004, enquanto ela se aproximava do sistema de Saturno pelo espaço interplanetário, os instrumentos da Cassini registraram a sonda atravessando uma difusa chuva de partículas de poeira em escala nanométrica que haviam sido ejetadas pelo sistema de alguma forma. Encontros subsequentes com a poeira, além de trabalhos de modelagem, sugeriram que esse material era proveniente de partículas geladas confinadas no anel “E” do planeta, um toroide tênue de material alimentado pelas plumas de Encélado. No novo estudo, publicado esta semana na Nature, os cientistas planetários Sean Hsu, Frank Postberg, Yasuhito Sekine e vários outros pesquisadores rastrearam as origens e dinâmicas dessa poeira por meio de experimentos em laboratório, modelagem computadorizada e uma análise mais detalhada dos dados originais da Cassini. (Scientific American é parte do Nature Publishing Group.)

Análises anteriores dos dados da Cassini mostraram que as partículas de poeira são compostas principalmente de silício. Hsu e seus colegas argumentam que a poeira rica em silício é especificamente sílica – o principal constituinte do quartzo – em vez de silício puro ou carbeto de silício, elementos que se acreditam ser mais difíceis para uma lua como Encélado produzir.

Só existem duas maneiras de produzir partes tão pequenas de sílica – “de cima para baixo”, por meio de colisões que pulverizem grãos maiores, ou “de baixo para cima” por meio de alguma reação química microscópica. Todas as partículas de poeira de silício que a Cassini encontrou parecem ter entre 2 e 8 nanômetros de tamanho, uma distribuição tão limitada que praticamente elimina a formação de cima para baixo. Supondo que as partículas observadas pela Cassini sejam feitas de sílica, a única fonte plausível de baixo para cima é o núcleo rochoso de Encélado, onde a sílica poderia ser absorvida pela água do mar e lançada para a superfície.

Hsu reconhece que existem outros métodos de formação de baixo para cima, mas aponta que eles só funcionam em laboratório sob condições bem controladas. “Então, a menos que haja algo muito bizarro acontecendo, acreditamos que nossa interpretação seja sólida”, declara ele. 

Em uma série de experimentos laboratoriais projetados para simular condições plausíveis no interior de Encélado, Hsu e seus colegas só foram capazes de produzir partículas semelhantes de sílica por meio de condições térmicas e químicas muito específicas. Extrapolados para o interior de Encélado, os experimentos sugerem que a interface entre o núcleo e o oceano da lua deve ser quase quente o bastante para ferver água, e que essa água é levemente mais salgada e mais alcalina que a dos oceanos da Terra.

Uma vez absorvida do leito oceânico, a sílica se cristalizaria segundos após sair da água enriquecida perto do leito oceânico, formando nanopartículas que então se elevariam com o fluído quente e convectivo para chegar às fissuras da superfície em uma questão de vários meses ou alguns anos.

Se tudo isso for verdade, as plumas poeirentas e geladas de Encélado não são um fenômeno superficial, mas uma expressão de processos profundos ocorrendo por toda a extensão da lua. A Cassini está agendada para realizar mais três encontros com Encélado, incluindo um último mergulho por uma pluma, antes de ser enviada para uma morte flamejante na atmosfera de Saturno para evitar contaminar a lua gelada. Analisar as plumas para descobrir mais sobre prospectos de vida em Encélado – passados e presentes – será a tarefa de missões futuras. Atualmente a Nasa está ponderando uma missão na década de 2020 até Europa, na órbita de Júpiter, outra lua gelada com um oceano subsuperfícial muito maior e mais misterioso. As próximas notícias de Encélado poderiam influenciar essa decisão – em breve alguns cientistas poderão a defender a minúscula lua de Saturno como sendo sua preferida para receber uma visita da próxima emissária da humanidade ao sistema solar exterior.

Uma nova missão também poderia estudar outros mistérios revelados pelas últimas descobertas. A alcalinidade e salinidade inferidas ao oceano de Encélado se alinham com as medidas anteriores que a Cassini realizou da pluma, mas a temperatura estimada de seu núcleo é uma surpresa. Mesmo com uma fricção gravitacional substancial, temperaturas tão altas e constantes são difíceis de explicar, uma vez que o frio oceano poderia dissipar grande parte do calor do núcleo com eficiência.

O cenário mais provável é que o núcleo de fato é estruturado e poroso, com seu calor sendo fornecido por alguma combinação de fricção gravitacional e serpentinização, uma reação química geradora de calor entre água e rocha. Ou seja, o núcleo crepitante de Encélado pode se parecer um pouco com um coração partido, mantido vivo por forças gravitacionais que enviam água do mar continuamente por suas veias fraturadas. Mas apenas observações adicionais da lua poderão testar essa ideia. 

De acordo com os modelos dinâmicos de Hsu e seus colaboradores, após as partículas de poeira serem ejetadas pela água das plumas, eles se congelam e as mais rápidas escapam da gravidade de Encélado para chegar ao anel E. Lá elas permanecem durante anos, até que colisões com íons de plasma presos no poderoso campo magnético de Saturno as espalhe pelo espaço interplanetário. Quando a Cassini detectou a poeira ejetada nos arredores de Saturno, ela estava vendo o que Hsu chama de “a pegada de silício de Encélado”. A partir daí, de acordo com ele, as partículas podem ser carregadas pelo vento solar para “se tornarem poeira interestelar – a pegada de silício de nosso sistema solar”.

A pegada de silício de Encélado, de acordo com Hsu, mostra que a poeira também merece ser considerada, assim como a própria luz, como uma das ferramentas mais vitais da astronomia. Algum dia, comenta ele, nós poderemos ter um “telescópio de poeira” em um “observatório espacial de poeira”, coletando flocos espalhados e rastreando-os por distâncias inimagináveis até outros mundos e épocas.
Scientific American Brasil

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Notícias Geografia Hoje

Descoberto lago subglacial sob camada de gelo da Groenlândia
Cientistas ficam surpresos com acúmulo de água sob o manto glacial

NASA/USGS
Em uma descoberta fortuita, uma equipe de cientistas descobriu um lago no fundo do gelo onde a água de degelo relativamente quente se acumula e deixa o gelo ao redor mais “mole”, menos compacto. Em última análise, isso poderia fazer com que o gelo flua mais rapidamente para o oceano.

Andrea Thompson e Climate Central

Em um dia claro, qualquer pessoa que esteja sobrevoando a Groenlândia na rota entre a América do Norte e a Europa pode olhar para baixo e ver as brilhantes manchas azuis de água derretida sobre a imensa e ofuscante expansão branca da camada de gelo que cobre a ilha, a segunda maior massa de gelo da Terra.

Cientistas sabem há muito tempo que essa água de degelo flui em riachos ao longo da superfície congelada antes de desaparecer por fendas e fissuras que a levam ao fundo desse manto gelado, onde o gelo pressiona e se fricciona contra o leito de rocha estratificada.

Até recentemente acreditava-se que a água fluía rapidamente entre gelo e rocha e escoava no mar, com pouco impacto sobre as camadas inferiores de gelo. Mas um novo estudo, divulgado na edição de 22 de janeiro do periódico científico Nature, sugere que a história não é tão simples assim.

Em uma descoberta fortuita, uma equipe de cientistas localizou um lago subglacial abaixo do manto de gelo, onde a água relativamente quente do degelo superficial se acumula, tornando o gelo ao seu redor mais mole, menos denso e semiderretido.

E isso poderia levá-lo a fluir mais rapidamente para o oceano.

A descoberta detalhada na Nature sugere que esse processo poderia ser importante para modelar com maior precisão como a Groenlândia reagirá a mudanças climáticas e como contribuirá ainda mais para o aumento do nível global do mar, que já subiu20,3 cm desde 1900.

A Groenlândia tem gelo suficiente para elevar os níveis marítimos globais em algo em torno de7,3 metros.

Quanto gelo e com que velocidade ele derrete pode influir significativamente nas projeções de futuros aumentos dos níveis marinhos que, de acordo com estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) podem oscilar entre25,4 cme81,3 cmaté 2100. Isso inclui água de degelo de glaciares groenlandeses.

“Que diabos é isso?”

Como ocorre tantas vezes em ciência, Mike Willis não estava procurando por aquilo que acabou descobrindo.

O glaciólogo examinava dados de satélites e GPS para verificar que pequenos efeitos locais poderiam estar turvando medições de satélites sobre mudanças mais pronunciadas na gravidade da Terra decorrentes da perda de gelo.

O que ele não esperava encontrar era um buraco de aproximadamente 6,82 km2, ou duas vezes a área do Central Park,em Nova York, em uma pequena calota de gelo nos confins setentrionais da Groenlândia.

“Que diabos é isso?”, pensou quando viu aquilo.

Willis achou impossível que pudesse ser a primeira pessoa a detectar a imensa cratera. “Certamente alguém já havia notado um buraco tão gigantesco no norte da Groenlândia antes”, avaliou, mas não havia registros de nada.

Ao tentarem adivinhar o que poderia ser aquilo, ele e seus colegas descartaram que fosse uma cratera de impacto de um meteorito, um vulcão, ou, como gracejaram, o covil subglacial do vilão das telas Dr. Evil.

Por fim, “a coisa que mais se adequava era que fosse um lago subglacial”, conta ele.

Esses tipos de corpos de água se acumulam no fundo de uma camada de gelo ou de um glaciar, e já se sabia que havia vários deles espalhados sob partes da Antártida. Mas até então nenhum havia sido encontrado na Groenlândia.

Willis examinou dados de satélites remontando até a década de 70, mas não conseguiu encontrar qualquer sinal do buraco até 2006.

Àquela altura, as águas superficiais na área fluíam em uma direção inesperada, desaparecendo por um moulin, ou “moinho glacial”, um poço vertical, ou quase vertical, de abertura circular em uma geleira, por onde escorre água da superfície, justamente no local que analisava.

Esse padrão de fluxo se repetia periodicamente, de poucos em poucos anos e, em 2011, “Bum! Um enorme buraco apareceu no lugar por onde a água desaparecia”, relembra o glaciólogo.

Willis, que detém duas posições acadêmicas, uma na Cornell University e outra na University of North Carolina, e seus colegas determinaram que a água de degelo estava sendo coletada em um lago subglacial abaixo da cavidade; ou mais especificamente, uma depressão na superfície da calota de gelo (no formato de uma luva fechada, só com o dedo polegar).

Aquela água ia se acumulando até exceder o espaço e tudo transbordar, forçando-a a fluir rapidamente para o mar. E isso fazia com que o gelo acima despencasse pelo buraco.

“O lago subglacial se desfez e a superfície do gelo acima implodiu para preencher aquele espaço”, resumiu Willis.

Desde então, observações remotas vêm mostrando que a depressão superficial está se erguendo, em parte devido ao refluxo da água derretida para o lago, o que está forçando o gelo para cima.

O grande derretimento que atingiu toda a extensão da camada de gelo groenlandesa durante o calor recorde do verão boreal de 2012, fez com que tanta água escoasse para baixo, que a superfície congelada foi “subindo explosivamente”, chegando a se elevar40 centímetrospor dia, informa o coautor do estudo Robin Bell, um pesquisador climático no Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Columbia University.

“Eles [os pesquisadores] mostram claramente que... que o derretimento superficial deve ter contribuído para a rápida elevação, para o reabastecimento do lago subglacial”, opinou Joe MacGregor, um glaciólogo da University of Texas, que não esteve envolvido na pesquisa. “Ninguém mostrou isso antes”.

Gelo “mais mole”

A descoberta de Willis sugere que a água de degelo que escoa para baixo da camada superficial do manto gelado não tem apenas um “encontro fugaz” com a base do gelo. Em vez disso, “ela faz uma pausa no lago subglacial em sua corrida para o oceano”, explicou Bell.

Como essa água foi aquecida por raios solares e pela atmosfera comparativamente cálida, ela é muito mais quente que o gelo basal. E a pausa no lago subglacial significa que ela tem tempo para transferir calor para o gelo, deixando-o “mais mole”, menos compacto, de acordo com Bell.

“E gelo mais mole fluirá mais rapidamente em longo prazo”, resumiu Willis.

Outra conclusão recente de Bell, a de que recongelar água de degelo pode deformar o fundo da camada de gelo, combina com o novo estudo para mostrar que “há uma gama mais rica de processos que podem ocorrer no fundo, ou na parte inferior da camada de gelo, do que acreditávamos”, admitiu Bell.

Consequentemente, cientistas precisam avançar mais em suas pesquisas para entender tudo o que está influenciando o fluxo da camada de gelo.

As descobertas ainda sustentam outro estudo recente que determinou que a quantidade de água de degelo que está penetrando na camada de gelo não é igual à que está fluindo para fora dela. Isso sugere que ela está sendo retida, ou acumulada, em algum lugar no gelo.

De acordo com Joe MacGregor da University of Texas, a pesquisa “é um grande passo... no esforço para conectar a superfície e o fundo da camada de gelo”.

Resta descobrir se isso também está acontecendo com outros lagos subglaciais ao redor da massa de gelo terrestre da Groenlândia, e decidir se e como incorporar os resultados em modelos computadorizados que visam avaliar quanto a ilha pode mudar com um clima progressivamente mais quente, e quanta água ela poderá acrescer aos níveis marítimos que estão em ascensão.

Este artigo é reproduzido com permissão de Climate Central. O artigo foi publicado originalmente em 22 de janeiro de 2015.

Scientific American Brasil

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

2014 pode ter sido o ano mais quente registrado


A Organização Meteorológica Mundial acredita que esse ano atingirá um novo recorde de temperatura para o planeta

Nasa
Os oceanos conduziram o aumento de temperatura em 2014 – o Pacífico, o Atlântico Norte polar e subtropical, o Oceano Índico e partes do Atlântico Sul tiveram as maiores temperaturas já registradas. A série de vídeos mostra mudanças nos padrões de anomalias das temperatura na superfície da Terra de 1880 a 2012.

Gayathri Vaidyanathan e ClimateWire

De acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO), este ano provavelmente será o mais quente já registrado no planeta, com temperaturas globais 0,57 grau Celsius mais altas que a média de 1961 a 1990. 

Isso tornaria 2014 o 38º ano consecutivo com uma temperatura global anormalmente elevada.

A estimativa vem do compêndio da WMO sobre “Estado do Clima Global”. O relatório deste ano foi divulgado durante a reunião sobre o clima em Lima, no Peru, onde diplomatas estão negociando um novo acordo climático que deverá ser assinado no ano que vem, em Paris.

O relatório usa dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, da Nasa e do Escritório de Meteorologia do Reino Unido. Para posicionar as descobertas em um contexto histórico, cientistas normalmente comparam temperaturas medidas com valores “normais” obtidos em uma média de 30 anos, geralmente de 1961 a 1990.

Os oceanos conduziram o aumento de temperatura em 2014 – o Pacífico, o Atlântico Norte polar e subtropical, o Oceano Índico e partes do Atlântico Sul tiveram as maiores temperaturas já registradas. Temperaturas marítimas globais ficaram 0,45ºC acima dá média normal de 1961-1990.

Em terra, as temperaturas ficaram 0,86ºC acima do normal.

Um ano de extremos

Cientistas não sabem o que está acontecendo com os oceanos este ano. Em geral, oceanos absorvem a maior parte do calor do aquecimento global, mas cientistas não têm uma boa compreensão do fenômeno. Pesquisadores estão começando a estudar esse parâmetro nos oceanos profundos, e dados de 2014 estão disponíveis para uma profundidade de dois mil metros. Cientistas descobriram que o conteúdo de calor oceânico em 2014 foi semelhante ao de 2013, que estabeleceu um recorde de calor desde que as medidas começaram em 1955.

Conforme os oceanos absorvem calor, as moléculas de água se expandem e o nível do mar sobe. No início de 2014, níveis marítimos chegaram a uma altura recorde. A elevação média do nível do mar nas últimas duas décadas foi de 3,2 milímetros por ano.

Em 2014, o Ártico viu a sexta menor camada de gelo em setembro, cobrindo 1,24 milhão de quilômetros quadrados a menos que o normal de 1981 a 2010. 

Enquanto isso, a Antártica estabeleceu um nível recorde de cobertura de gelo, com 560 mil quilômetros quadrados a mais que o recorde anterior, estabelecido em 2013. Cientistas estão estudando a Antártica para entender porquê a extensão de seu gelo marítimo vem crescendo desde 1979.

Ondas notáveis de calor foram registradas na África do Sul e na Tunísia. Temperaturas altas foram registradas em regiões árticas da Rússia, particularmente na primavera boreal.

“Em abril, a quebra de gelo começou duas semanas mais cedo que o normal no Rio Ob, na Sibéria, a primeira vez que isso ocorreu nos últimos 100 anos”, afirma o relatório.

Temperaturas acima da média foram registradas em partes da América do Sul, da Ásia, da Europa e da Austrália. De fato, os Estados Unidos foram o único lugar fresco em um mundo sufocante.

Secas foram registradas em partes da África do Sul, China e Brasil. Já nos Estados Unidos, Califórnia, Nevada e Texas passaram por uma seca excepcional, recebendo apenas 40% da chuva normalmente esperada.

A Índia recebeu 12% menos chuva que a média durante sua temporada de monções. Déficits de chuva também foram registrados na Nova Zelândia e na Europa Ocidental.

Inundações aumentam, tempestades tropicais diminuem

Inundações afetaram partes da África do Sul em março e tiveram impacto sobre mais de quatro mil famílias. No Quênia, inundações repentinas devidas à chuva mataram 10 pessoas em fevereiro. Inundações foram registradas no norte do Paquistão e da Índia em setembro, matando 250 pessoas e desalojando 100 mil.

Chuvas extremamente pesadas foram registradas em partes da Rússia, Japão, Estados Unidos, Argentina, Sérvia e França.

Cerca de 72 tempestades tropicais já ocorreram em 2014 até o momento, um número menor que a média de 1981-2010.

Níveis de CO2 na atmosfera subiram para 396 partes por milhão em 2013, o último ano com dados disponíveis. Esse número é 142% maior que os níveis atmosféricos de gás carbônico no início da Revolução Industrial no século 19.

Cerca de 45% do CO2 emitido por humanos desde 2003 foi para a atmosfera; o resto foi absorvido pelos oceanos e pela terra.

Republicado de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net, 202-628-6500
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje


A Terra poderá ser atingida por explosão estelar?
A morte explosiva de Eta Carinae provavelmente não afetará nosso planeta

ESA/Hubble & NASA
O sistema estelar Eta Carinae está se aproximando de sua morte como Supernova.


Por Lee Billings

Quando pensamos sobre ameaças “existenciais”, eventos com o potencial de destruir a vida de todos os seres da Terra, a maioria das possibilidades está em nosso próprio planeta – mudanças climáticas, pandemias globais e guerra atômica. Lançando um olhar paranoico para os céus, normalmente pensamos em impactos de asteroides ou talvez algum disparo perigosamente massivo de nosso Sol.

Mas se você acreditar em tudo que lê nas fronteiras da Internet, pode achar que a ameaça celestial mais aterrorizante não é apenas extraterrestre, mas também extrassolar. A cerca de 7.500 anos-luz de distância, na constelação de Carina, uma estrela chamada de Eta Carinae, pelo menos cem vezes mais massiva que nosso Sol, está se aproximando do ponto em que explodirá como supernova. De maneira simples, a Eta Carinae é um supermassivo barril de pólvora estelar com o pavio quase no fim. De fato, ela já pode ter chegado ao fim, e a luz que carrega as notícias de sua morte cataclísmica poderia estar vindo em nossa direção agora mesmo. Existem dois conjuntos gerais de opiniões sobre o que aconteceria após a chegada desse funeral luminoso, seja amanhã ou daqui a dezenas de milhares de anos.

A primeira opinião, defendida por vários alarmistas online (que não vou citar) sustenta que haveria uma extinção global em massa. Essa ideia se baseia em temores de que a supernova de Eta Carinae possa liberar enorme quantidade de raios gama (ERG), uma das explosões mais potentes do Universo. Quando uma estrela muito massiva morre em uma supernova, seu núcleo colapsa sobre si mesmo, normalmente formando um resquício estelar, uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

Se o núcleo estiver girando em alta velocidade, o resquício estelar girará ainda mais rápido, acumulando um disco de material ao seu redor girando quase à velocidade da luz. Por meio de processos que ainda não compreendemos completamente, esse disco giratório super-aquecido e magnetizado forma um par de jatos, como feixes de um farol marítimo, que são lançados de seus polos a velocidades relativísticas. A emissão altamente concentrada, extremamente energética desses jatos é o que vemos como uma ERG.

Com o passar dos anos, ERGs foram propostas como uma das razões para nossa aparente solidão no Universo – mais cedo ou mais tarde, afirma a teoria, todos os planetas habitados serão atingidos por uma ERG, o que praticamente aniquilaria qualquer biosfera.

Alguns pesquisadores especulam que uma dessas explosões pode já ter atingido a Terra, no final do período Ordoviciano há quase 450 milhões de anos. Seja qual for esse evento do passado, estima-se que ele tenha conseguido exterminar mais de 80% de todas as espécies vivas daquela época. Pode ser que muito mais ERGs tenham atingido nosso planeta no início de sua vida, limitando o surgimento da biosfera terrestre até que sua prevalência cósmica tenha caído abaixo de um limiar crítico.

De acordo com uma plausível hipótese de acontecer o pior, um impacto direto provocado por uma ERG extremamente potente gerada por Eta Carinae poderia devastar nosso planeta de uma maneira semelhante a uma guerra termonuclear total, mas muito pior.

Durante vários segundos calcinantes, o hemisfério planetário mais distante da estrela seria banhado em intensa radiação de alta frequência. Os céus ficariam cheios de uma luz muito mais brilhante que a do Sol, brilhante o suficiente para iniciar enormes incêndios em metade do globo. Essa energética explosão de luz iniciaria chuvas atmosféricas de partículas subatômicas radioativas altamente penetrantes chamadas de múons, que desceriam dos céus para envenenar a vida na superfície e em partes do subterrâneo e dos oceanos.

Nem mesmo o lado mais distante do planeta em relação a Eta Carinae seria poupado, já que a intensa energia da ERG destruiria toda a camada de ozônio enquanto enviaria super tempestades destruidoras pelo planeta. Depois disso, céus negros, cheios de fuligem, lançariam torrentes de chuva ácida, que limpariam tudo apenas para banhar a superfície com a perigosa radiação ultravioleta. Literalmente em um segundo, a Terra se transformaria em um necrotério, e a biosfera estilhaçada precisaria de milhões de anos para se recuperar.

A segunda opinião, sustentada pela maioria dos astrofísicos, é que Eta Carinae sequer produzirá uma ERG – e, se o fizer, ela não atingirá a Terra. E mesmo em um cenário onde nosso planeta realmente se encontre na mira de uma ERG oriunda de Eta Carinae, se a explosão tivesse intensidade média, sua luz estaria muito atenuada depois de cruzar 7.500 anos-luz para prejudicar seriamente a biosfera. Nesse cenário, o fim de Eta Carinae se manifestaria com relativa modéstia: o brilho da estrela se aproximaria da luminosidade da lua cheia antes de desaparecer gradualmente no céu.

Para compreender como essa profunda divergência de opiniões precisamos saber mais sobre Eta Carinae. Desde que foi catalogada por Edmond Halley, em 1677, o brilho da estrela já apresentou enormes flutuações, atingindo seu pico em 1843 para se tornar a segunda estrela mais brilhante no céu durante quase duas décadas.

Atualmente, astrônomos consideram esse evento como sendo um “impostor de supernova” – em vez de explodir, a estrela talvez tenha ejetado 10% de sua massa total na forma de duas imensas nuvens de gás e poeira, que atualmente são conhecidas como Nebulosa do Homúnculo. Resquícios brilhantes de eventos ainda mais antigos de quase-morte ainda cercam a estrela. Se vista hoje através de um grande telescópio, Eta Carinae fica um pouco parecida com um amendoim sendo assado no fogo.

Eta Carinae brilha com tanta intensidade que está erodindo a si mesma, gerando uma pressão radioativa extena tão intensa que quase neutraliza a atração gravitacional o que permite o lento desprendimento de suas camadas mais externas em poderosos ventos estelares. Nas profundezas da estrela, abaixo de uma espessa camada de hidrogênio, reações de fusão estão “queimando” vários combustíveis nucleares em camadas semelhantes àquelas encontradas no interior de uma cebola. As explosões e pulsações anteriores de Eta Carinae provavelmente estão ligadas a instabilidades entre suas camadas interiores, criadas quando ela esgotou um combustível nuclear e começou a queimar outro.

Alex Filippenko, astrofísico da University of California, Berkeley, explica que a massiva cobertura de hidrogênio e os fortes ventos estelares de Eta Carinae reduzem a probabilidade de a estrela produzir uma ERG. “Uma espessa camada de hidrogênio torna difícil que um jato relativístico escape da estrela”, explica Filippenko. “Mas se a Eta Carinae não explodir dentro de um longo tempo, ela teria chance de se livrar da camada externa, e provavelmente se transformaria em uma ERG”. Mas ele também adiciona que, uma vez que a camada tenha desaparecido, a força dos ventos estelares provavelmente aumentaria, dissipando grande parte do momento angular que seria necessário para produzir uma ERG quando o núcleo de Eta Carinae colapsasse. “Tudo isso torna uma ERG menos provável, mas não impossível”, observa Filippenko. “E mesmo que ela consiga se livrar de sua camada de hidrogênio antes de explodir e não se transforme em uma ERG, Eta Carinae provavelmente não está apontando para cá no momento”.

Os lóbulos gêmeos da Nebulosa do Homúnculo estão afastados de nós em um ângulo de aproximadamente 40 graus, e Filippenko explica que uma ERG emergindo do eixo polar de uma estrela em colapso teria uma dispersão de apenas 10 graus ou menos. Assim, se a Nebulosa do Homúnculo estiver alinhada com o eixo polar de Eta Carinae, uma ERG vinda de lá se desviaria de nosso sistema solar por uma grande margem.

Infelizmente, existe um grande complicador nisso tudo: em 2005, astrônomos descobriram que Eta Carinae é um sistema binário. Sua companheira é relativamente pequena, com “apenas” 30 vezes a massa de nosso Sol, e fica em uma órbita de aproximadamente cinco anos ao redor da estrela que tem 100 massas solares.

Se a órbita da pequena companheira não estiver alinhada com o eixo rotacional da estrela mais massiva, então a Nebulosa do Homúnculo pode não estar alinhada com os polos da estrela massiva. E é possível que as interações gravitacionais entre as duas estrelas, ou com outra estrela que estivesse de passagem, pudessem alterar a orientação do eixo da estrela mais massiva, sendo capazes de virá-la em nossa direção. Finalmente, a presença da estrela companheira também poderia alterar a evolução da estrela mais massiva, lançando mais incerteza no tempo e na mecânica de qualquer possível supernova.

Quando somadas, todas essas variáveis são, em grande parte, o motivo de Eta Carinae ser um problema mais intrigante atualmente segundo Stan Woosley, astrofísico da University of California, Santa Cruz, que se especializa em modelar a evolução e morte de estrelas. “Ninguém sabe o que está acontecendo lá fora... Ela poderia morrer amanhã ou daqui a muito tempo”.

Parte do que acontecerá a seguir depende do atual combustível nuclear dominante no interior de Eta Carinae. Se ela estiver fundindo elementos como oxigênio ou carbono dentro, ou nas proximidades, de seu núcleo, ela pode ter apenas alguns anos de vida, no máximo séculos, e poderia ejetar sua cobertura externa de hidrogênio em breve. Se, em vez disso, seu núcleo estiver fundindo hélio, a estrela ainda poderia brilhar durante centenas de milhares de anos. Por outro lado, a fusão de hélio poderia fazer com que Eta Carinae inchasse como um balão e se tornasse uma estrela supergigante. Nesse caso, sua companheira estelar poderia ser engolida e destruir sua camada externa de hidrogênio, acelerando a morte explosiva da supergigante. 

Depois que a estrela morrer, explica Woosley, seu núcleo provavelmente colapsará para formar um buraco negro, ainda que com uma rotação muito lenta para formar um disco relativístico e uma ERG. Sem a criação desse disco, a morte da Eta Carinae poderia ser “bem pouco espetacular”, fracassando até mesmo em produzir uma supernova, já que os resquícios da estrela simplesmente escapariam para trás do horizonte de eventos do buraco negro.

“Às vezes eu me pergunto se Eta Carinae já se foi”, conclui Woosley. “Mas as pessoas me dizem que ainda conseguem vê-la”.
Scientific American Brasil

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Carbono armazenado na Amazônia é avaliado com precisão

Nova técnica de mapeamento pode apoiar o controle de mudanças climáticas

Greg Asner
Aeronave Carnegie Airborne Observatory realizando levantamento na Amazônia peruana.

Vista do céu, a vasta cobertura vegetal de floresta da Amazônia parece tapete verde contínuo, mas satélites e outros instrumentos de alta tecnologia podem fornecer uma visão muito mais detalhada ao nível do solo.

Isso pode soar como algo em que a CIA estaria interessada, mas há outros públicos que podem se beneficiar ainda mais, como gestores florestais e cientistas buscando o armazenamento da maior quantidade possível de carbono. Estudo recente oferece informações sob essa perspectiva ao criar o mais detalhado mapa de carbono da Amazônia já produzido.

A Amazônia atualmente armazena aproximadamente 120 bilhões de toneladas de carbono e surpreendentemente retém 25% do dióxido de carbono emitido por fontes naturais e por atividades humanas. Mas as ameaças de extração de madeira, desmatamento seguido de queimadas, agricultura e exploração de petróleo e gás ameaçam interromper esses processos cruciais que ajudam a manter o clima em equilíbrio.

Para fornecer informações detalhadas sobre exatamente como a floresta está mudando e onde estão as áreas mais densas em carbono, cientistas descreveram uma nova técnica de mapeamento de alta resolução usando imagens de satélite e uma tecnologia de sensoriamento remoto aerotransportado chamado Lidar em artigo publicado no Proceedings of National Academy of Science no último dia 10 de novembro. Cientistas e governos podem usar os mapas para avaliar que áreas da Amazônia precisam ser mais protegidas do desmatamento.

As ameaças à Amazônia no Peru são significativas: mais de 19,6 milhões de hectares - 75.676 km2, ou aproximadamente o tamanho de Nebraska - já têm autorização para prospecção ou desenvolvimento de atividades relacionadas [extração de] petróleo e gás, diz o estudo.

Outros estudos sugerem que até 65% da biomassa da Amazônia poderá estar perdida em 2060. Mineração e plantações de palmeiras de óleo de dendê também ameaçam florestas, muitas delas altamente densas em carbono.

Greg Asner, do Carnegie Institution for Science, em Stanford, na Califórnia, autor principal do novo estudo, examinou com sua equipe as florestas amazônicas e andinas do Peru. Sua pesquisa foi capaz de encontrar as áreas de Peru que continham a maior concentração do carbono e as áreas ricas em carbono que estavam em maior risco de ocupação.

O gradiente de carbono nas regiões pesquisadas variou de quase zero, perto da costa do Pacífico, a 150 toneladas por hectare, ou 2,47 acres, no interior da floresta tropical.

A equipe estima que 0,8 bilhões de toneladas de carbono armazenado poderão ser liberadas na atmosfera por causa do desmatamento. Mas se boa parte das terras do Peru com o maior potencial de armazenamento de carbono forem protegidas, elas poderiam armazenar até 3 bilhões de toneladas métricas de carbono em todo o país.

Em outras palavras, se a floresta tropical do Peru for deixada sem proteção, quase um terço do carbono aprisionado nas árvores e plantas seria liberado para a atmosfera, ajudando a alimentar as alterações climáticas e impedindo que ali ocorra o armazenamento de futuras emissões.

"Este estudo é o primeiro no mundo a fornecer alta resolução em escala nacional e contabilidade geograficamente precisa dos estoques de carbono da vegetação nos trópicos", aconselha Asner. "Assim, permite o avanço em dois aspectos extremamente importantes no uso da terra - mitigação das mudanças climáticas e conservação ecológica".


Greg Asner
Mapa do carbono no Peru: as áreas com maior concentração de carbono estão representadas em vermelho

Mapa da densidade do carbono do Peru

As técnicas de mapeamento que sua equipe usou ajudam os pesquisadores a descobrir as regiões das florestas tropicais mais ameaçados pelo desmatamento e as regiões das florestas que contêm a maior parte do carbono – terras que mais precisam de proteção sob a perspectiva da mudança climática, minimamente.

A precisão e resolução do mapa são tão altas que é possível aplicar [os registros] a propriedades individuais e permitir que os donos de terras comparem o conteúdo de carbono de suas propriedades com o de seus vizinhos.

"Isso permite que todas as partes interessadas, grandes e pequenas, participem do diálogo para finalmente colocar o carbono florestal na vanguarda do esforço para reduzir a mudança climática", disse Asner. "Isso é extremamente importante para fazer carbono florestal valer alguma coisa em comparação com outras formas de uso da terra, tais como mineração ou exploração de óleo de dendê, que são grandes emissores de carbono."

A técnica de mapeamento também pode ser usada para mapear o armazenamento de carbono em outras partes do globo mas o equipamento Lidar de sensoriamento remoto teria que ser recalibrado para ser usado fora das florestas tropicais, advertiu ele.

A técnica e as estimativas de emissão de carbono que ela permite produzir também poderiam ser usadas para ajudar os cientistas a determinar como o uso da terra pode afetar as mudanças nos padrões de precipitação na Amazônia, complementa Rong Fu, geocientista da Universidade de Texas-Austin que estuda conexões entre chuvas e queimadas na Amazônia.

Outra pesquisa recente mostrou que chuvas na Amazônia estão diminuindo em até 25% nos últimos 14 anos, em parte por causa do desmatamento na região. Desmatamento é considerado como um dos fatores nesse declínio.

Os resultados da pesquisa sugerem que, se a tendência continuar, partes da Amazônia podem se tornar cerrado, impedindo os pulmões da Terra de atuar como um dos mais importantes locais de armazenamento natural de carbono do mundo.
Scientific American Brasil

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Notícias Geografia Hoje


Japão atrasa por tempo indeterminado armazenamento de resíduos de Fukushima

Atraso se deve a nenhum depósito seguro ter sido construído; materiais radioativos retirados até agora estão atualmente depositados em vários terrenos próximos de central nuclear


O governo japonês atrasou, por tempo indeterminado, o armazenamento de resíduos radioativos recolhidos nos trabalhos de descontaminação perto da Central Nuclear de Fukushima, por não ter sido construído nenhum depósito seguro, segundo fontes oficiais citadas hoje (22) pela imprensa.

As autoridades tinham previsto começar a transferir os resíduos para depósitos nucleares em janeiro próximo, data que foi adiada de forma indefinida dadas as dificuldades em encontrar uma localização para as instalações, segundo a Agência Kyodo.

O governo central e os governos locais entraram em acordo para construir depósitos temporários destinados a abrigar os materiais radioativos nas localidades costeiras de Futaba e Okuma, as mais próximas da central nuclear, mas não chegaram a acordo com os proprietários dos terrenos escolhidos, informaram fontes governamentais à Kyodo.

Os materiais radioativos deveriam permanecer nessas instalações durante um prazo de 30 anos e depois seriam transferidos para depósitos permanentes de alta segurança, cuja localização ainda não foi definida.

Segundo o plano do governo, as instalações de armazenamento temporário vão ocupar 16 quilômetros quadrados em volta da central e vão ter capacidade para armazenar cerca de 30 milhões de toneladas de terra e resíduos recolhidos durante os trabalhos de descontaminação.

Os materiais radioativos retirados até agora estão atualmente depositados em vários terrenos próximos da central.

O terremoto e tsunami de março de 2011 geraram grandes quantidades desses materiais que se dispersaram em volta da central.

As emissões levaram à retirada de 46 mil pessoas que vivam perto de Fukushima e afetaram gravemente a agricultura, a pecuária e a pesca.
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Notícias Geografia Hoje



Fenômeno no Oceano Pacífico leva a verões pouco chuvosos no País

Acontecimento se caracteriza pela alternância entre fases quentes e frias na área tropical e subtropical do Oceano Pacífico, principalmente no hemisfério norte



O que a crise hídrica em São Paulo e a seca na Califórnia, que enfrenta a pior estiagem em 1,2 mil anos, têm em comum? O resfriamento da porção norte do Oceano Pacífico. A cada 50 ou 60 anos, a queda da temperatura do Pacífico - que afeta o padrão climático em praticamente todo o mundo, com consequências diferentes em cada região, - tem tornado a distribuição de chuva no Brasil irregular.

Chamado de Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), o fenômeno caracteriza-se pela alternância entre fases quentes e frias na área tropical e subtropical do Oceano Pacífico, principalmente no hemisfério norte. Cada ciclo dura de 25 a 30 anos e afeta cada parte do planeta de forma distinta.

Atualmente, o oceano está no auge da fase fria. Na última fase fria, entre o fim dos anos 50 e início dos anos 60, o Brasil enfrentou quatro anos seguidos de verões secos. Caso o padrão se repita, as chuvas só voltarão ao normal em 2016, como informou a Agência Brasil em março do ano passado.

“No ano passado, a PDO originou um bloqueio no Oceano Pacífico que reforçou a Alta Subtropical do Atlântico Sul, tornando o verão seco. Neste ano, as condições no Pacífico estão neutras, mas ainda com um pouco de resfriamento. Ainda são necessários estudos, mas é bem provável que o Oceano Pacífico esteja mais uma vez influenciando o verão brasileiro em 2015”, diz a meteorologista da Climatempo Bianca Lobo.

Desde 2012, quando começou o auge da fase fria do Pacífico, o Brasil enfrenta verões com chuvas abaixo da média. No Centro-Oeste, a PDO leva a verões com chuvas mal distribuídas. No entanto, o que deixa de chover em um mês é compensado nos meses seguintes. No Sudeste, principalmente em Minas Gerais, o fenômeno origina verões secos. Atualmente, Tocantins, Piauí e Maranhão também atravessam um período de seca, mas a estiagem deve-se ao resfriamento do Oceano Atlântico na costa do Nordeste, sem relação direta com a PDO.

As fases frias da Oscilação Decadal do Pacífico estão associadas a manifestações fracas do El Niño, aquecimento do Oceano Pacífico na porção equatorial (próxima à linha do Equador). Para este ano, estava previsto um El Niño que levaria a chuvas um pouco acima do normal nas Regiões Sul e Sudeste no início de 2015. No entanto, a temperatura do oceano na região equatorial ainda está em condições neutras. Até agora, o El Niño não se formou.

“O aquecimento provocado pelo El Niño, que começaria em julho do ano passado, só ocorreu na primavera. Mesmo assim em intensidade baixa demais para que seja decretado o El Niño. Por enquanto, o Pacífico está em condições de neutralidade”, explica o diretor-geral da Metsul Meteorologia Eugenio Hackbart.
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Nasa diz que 2014 foi ano mais quente já registrado

Por Ansa 
A temperatura da Terra começou a ser medida em 1880. O recorde anterior tinha sido registrado em 2010


O ano de 2014 foi o mais quente desde 1880, quando a temperatura da Terra começou a ser registrada, informaram nesta sexta-feira, dia 16, autoridades da Agência Espacial Norte-americana (Nasa).

Estudo realizado em conjunto com a Agência de Administração Oceânica e Atmosférica (Noaa) apontou que o ano passado ultrapassou em 0,04 ° C o recorde anterior, atingido em 2010.

Desde 1880, calcula-se que a temperatura média da Terra aumentou em 0,8° C, sendo que dezembro passado foi considerado o mês mais quente da história do planeta.

Todo os dez anos mais quentes foram registrados após 1997, o que, segundo cientistas, é um reflexo do aquecimento global, que coloca em risco o futuro da vida no planeta.

Em 2014 foi verificado um recorde de calor no Alaska e em grande parte dos Estados Unidos, assim como em diversos países da Europa.





















Banhista aproveita o mar da praia do Campeche, em Florianópolis (SC). Foto: Futura Press
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Notícias Geografia Hoje

Projeto imobiliário quer lotear 20% da Ilha de Boipeba

DIEGO ZANCHETTA

Boipeba se mantém como um dos paraísos pouco explorados na costa sul baiana, ao contrário das vizinhas Morro de São Paulo e Trancoso, onde o turismo de resorts e grandes hotéis já impera desde o final dos anos 1990. A entrada de carros é vetada na ilha. O acesso, feito apenas por meio de lanchas voadoras que partem de Valença, também ajudou a frear a chegada do turismo predatório.

Um dos últimos paraísos no litoral brasileiro que preserva características típicas de vila de pescadores e um turismo ainda sustentável, a Ilha de Boipeba, no sul da Bahia, está prestes a receber um loteamento que vai ocupar 20% de sua área, considerada de preservação permanente pelo Ibama. O Projeto Turístico-Imobiliário Fazenda Ponta dos Castelhanos, em licenciamento no Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), prevê criar casas de veraneio, pousadas e campos de golfe na intocada Praia dos Castelhanos, hoje com acesso feito apenas por barcos e sem nenhuma pousada.

Boipeba se mantém como um dos paraísos pouco explorados na costa sul baiana, ao contrário das vizinhas Morro de São Paulo e Trancoso, onde o turismo de resorts e grandes hotéis já impera desde o final dos anos 1990. A entrada de carros é vetada na ilha. O acesso, feito apenas por meio de lanchas voadoras que partem de Valença, também ajudou a frear a chegada do turismo predatório.

Agora, porém, ambientalistas e nativos temem que o avanço do turismo de luxo que acabou com a áurea de praia hippie de Morro de São Paulo se repita em Boipeba. O projeto do loteamento, da empresa Mangaba Cultivo de Coco Ltda, prevê a construção na Praia dos Castelhanos de 69 lotes para residência fixa ou veraneio, condomínio com 32 casas, três pousadas, aeroporto, um pier para 153 embarcações, campo de golf de 18 buracos, além de parques de lazer, estradas e infra-estrutura de água e telefonia.

Além do empreendimento em Castelhanos, uma empresa tenta licenciar um outro condomínio na Praia da Cueira, uma das principais de Boipeba. Nesta virada de ano, por exemplo, a praia vai receber uma festa de música eletrônica para 5 mil pessoas – a ilha tem cerca de 6 mil habitantes.

Moradores criaram um abaixo-assinado para tentar barrar as obras em licenciamento no Inema. O Movimento Boipeba Viva também fez um apelo à 2013 Secretaria do Desenvolvimento Sustentável da Bahia para que o projeto seja barrado. Comunidades de pescadores artesanais, marisqueiras e quilombolas da Ilha de Boibepa também reivindicam um redesenho do projeto, com maior preservação da área de restinga. A previsão é de que a quantidade de lixo na ilha aumente em 260% com a chegada do loteamento.

Outro lado. A empresa que tenta fazer o loteamento na Praia dos Castelhanos diz ter o compromisso de fazer a conservação ambiental da ilha. “O empreendimento terá baixa ocupação e privacidade, harmonizando-se com a paisagem e o patrimônio natural insular, além de promover uma inserção regional positiva, gerando emprego e renda na comunidade de São Sebastião”, argumenta a empresa em seu estudo de impacto ambiental enviado aos órgãos ambientais baianos.

“O compromisso com a conservação ambiental traduz-se de diversas maneiras, sobretudo na manutenção de grandes áreas verdes com florestas, campos de mangaba, restingas, manguezais e áreas úmidas, bem como na recuperação das áreas degradadas e na proteção dos sítios de desova de tartaruga”, acrescenta a empresa Mangaba Cultivo de Coco Ltda.


A Praia Boca da Barra, em Boipeba: paraíso ameaçado pelo avanço do turismo de luxo
Jornal O Estado de S. Paulo

domingo, 4 de janeiro de 2015

Como a Europa enfrenta o desafio da imigração?


Navio com imigrantes foi abandonado pela tripulação no Mediterrâneo

A chegada de barcos cheios de imigrantes pobres e desesperados à Europa pelo mar Mediterrâneo está exercendo uma enorme pressão sobre a União Europeia, que busca soluções para o fluxo crescente de pessoas.

Nesta semana, dois navios com centenas de imigrantes foram abandonados pela tripulação e deixados à deriva no Mediterrâneo. Em um deles, os traficantes de pessoas deixaram o piloto automático ligado.

A Itália, para onde estas duas embarcações acabaram sendo levadas, é o país mais exposto.

Entre 2013 e 2014, milhares de pessoas se afogaram tentando chegar à Europa. Foram inúmeros os chamados para que a UE levasse a cabo uma ação coordenada para interceptar contrabandistas e lidar com os muitos imigrantes que tentam buscar asilo antes de chegar à terra.

O lucro do tráfico

A polícia italiana informou neste sábado que os traficantes de pessoas que abandonaram um cargueiro com mais de 350 imigrantes em pleno mar Mediterrâneo receberam cerca de US$ 3 milhões pela operação. Muitos dos imigrantes são originários da Síria.

Defender os direitos dos migrantes torna-se mais difícil quando a conjuntura econômica ainda é complicada, em que muitos europeus estão desempregados e muitos outros rejeitam a possibilidade de trazer mais trabalhadores estrangeiros.

Além disso, não há consenso entre os países da UE sobre como lidar com o "fardo" dos refugiados.

A BBC, a seguir, levanta questões importantes sobre o tema.
Qual o tamanho do desafio de migração que a Europa enfrenta?

A agitação social que resultou da Primavera Árabe trouxe novas pressões migratórias sobre a Europa ao levar mais pessoas a arriscar suas vidas atravessando o Mediterrâneo em barcos lotados e em péssimo estado.

Imigrantes podem receber asilo se atenderem a determinadas condições

A sangrenta guerra civil na Síria também aumentou o número de sírios em busca de refúgio na Europa. Essa é a principal nacionalidade que está migrando ilegalmente à UE, superando afegãos e eritreus.

Em outubro de 2014, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) disse que mais de 165 mil imigrantes ilegais tentaram atravessar o Mediterrâneo para a Europa nos últimos nove meses, ante 60 mil em 2013. Em 2014, quase metade dos que chegaram eram sírios e eritreus.

O principal ponto de pressão é a rota do centro do Mediterrâneo: a Itália recebeu mais de 140 mil imigrantes em 2014, diz o ACNUR.

Em 2014, mais de 3 mil morreram ou desapareceram no mar, em comparação com pouco mais de 600 em 2013.

Em 2011, o grande desafio foram os milhares de tunisianos que chegaram à pequena ilha italiana de Lampedusa. Agora, muito menos gente faz essa viagem, mas Lampedusa permanece como um gargalo devido à sua proximidade com o norte da África.

Tanto Itália quanto Malta pediram mais ajuda da UE para resolver o problema. Seus centros de recepção, que também existem na Grécia, estão superlotados e sem recursos.

Em novembro de 2014, a Itália encerrou sua missão de busca e salvamento chamada Mare Nostrum. Ela foi substituída por uma operação da UE mais barata e limitada chamada Triton, com foco em patrulhamento de um trecho de 30 milhas náuticas a partir da costa italiana.



Mais de 3 mil pessoas morreram ou desapareceram tentando chegar à Europa em 2014

Dados da Agência de Fronteiras da UE, a Frontex, confirmam um grande aumento de migrantes que tentam chegar em barcos frágeis, em viagens perigosas do Egito e da Líbia.

Em 2013, a Frontex detectou 40.304 imigrantes em situação irregular na rota do Mediterrâneo Central, aumento de 288% em relação a 2012. Esses números subiram em 2014, atingindo mais de 150 mil.

O Mediterrâneo Oriental é o segundo lugar onde mais se encontram imigrantes irregulares, com mais de 40 mil em 2014.

Esses dados não incluem os muitos que chegam às fronteiras europeias sem ser detectados e sem documentos, por outras rotas.

A Grécia continental continua a ser o principal ponto de trânsito, e muitos migrantes usam os Balcãs como ponto de passagem até o norte da Europa.
O que fez com que aumentasse o número de migrantes?

As guerras na Síria e no Iraque são claramente importantes catalisadores de migração para a Europa. Os vizinhos da Síria no Oriente Médio receberam cerca de 3 milhões de refugiados, enquanto milhões de pessoas foram deslocadas dentro do próprio território sírio.

Por outro lado, muitos migrantes continuam a fazer viagens perigosas a partir do Chifre da África, sendo muitas vezes tratados com violência por traficantes e enfrentando o calor do deserto e o conflito na Líbia, um país que se tornou o principal ponto de partida para a travessia do Mediterrâneo.

A guerra também afetou a Somália, e as autoridades italianas acreditam que muitos dos que pedem asilo têm razões genuínas para pedir asilo, já que fogem de perseguição.

No caso da Eritreia, muitos jovens estão fugindo do serviço militar obrigatório que alguns classificam como trabalho escravo. A Eritreia também enfrenta a repressão política, de acordo com relatórios de organizações de defesa dos direitos humanos.

Número de requisitantes de asilo que fogem da guerra aumentou recentemente

Muitos afegãos continuam a fugir da pobreza e perseguição no seu país, na medida em que se generalizaram os ataques do Talebã e de grupos criminosos.

Em termos de asilo, os sírios aparecem novamente no topo da lista da UE em 2013. Foram 46.960 sírios que pediram asilo. Os russos apareciam em segundo lugar, com 35.140 candidatos. Os afegãos ficaram em terceiro, com 21.320.

Os chechenos e outros migrantes do norte do Cáucaso também fogem da guerra e da pobreza extrema.

A maioria dos requerentes de asilo provenientes do Kosovo e da Sérvia são ciganos (romas), muitas vezes marginalizados e habitantes de áreas empobrecidas.
E o que ocorre com os imigrantes europeus?

É importante lembrar que há um grande número de cidadãos da UE que se deslocam de um país para o outro livremente. Eles também são descritos como "migrantes", mas estão protegidos pelas leis da UE, a menos que sejam criminosos fugitivos.

Seu status é muito diferente do de imigrantes que não são na UE. Em alguns países do bloco, incluindo o Reino Unido, isso tornou-se uma questão controversa por causa da pressão sobre os serviços sociais e da concorrência por emprego.

A maioria dos países da UE estão na área coberta pelo Acordo de Schengen, que permite aos europeus atravessar fronteiras sem ter que apresentar passaporte.
Como a União Europeia está lidando com a imigração?

Durante anos, a UE teve problemas para harmonizar sua política de asilo. É algo complicado considerando que há 28 países membros, cada um com sua própria polícia e sistema de justiça.

Há novas regras estabelecidas pelo Sistema Europeu Comum de Asilo, mas uma coisa é ter regras e outra é colocá-las em prática em todo o bloco.

O Regulamento de Dublin engloba as principais regras para lidar com pedidos de asilo. Indica que a responsabilidade por examinar os pedidos recai principalmente sobre o Estado-Membro que desempenha o papel principal na chegada de quem pede asilo - em geral, o primeiro país da União Europeia que o migrante pisou, mas nem sempre. Em muitos casos, os migrantes chegam em um país ao sul mas querem se unir a familiares que estejam, por exemplo, no Reino Unido ou na Holanda.

Autoridades italianas montaram acampamentos para imigrantes em Gallipoli

Há muitas tensões na UE por causa do Regulamento de Dublin. A Grécia se queixa de que é inundada com pedidos, porque a maioria dos candidatos entra na UE pelo país.

Finlândia e Alemanha estão entre os que decidiram parar de enviar imigrantes de volta à Grécia.

A UE tem também o sistema Eurodac, base de dados comum com as impressões digitais dos requerentes a que se pode ter acesso sob rígido controle. A polícia usa a base para interceptar pedidos de asilos falsos ou múltiplos.
Como os migrantes obtêm asilo na UE?

Eles têm de provar às autoridades que estão fugindo de perseguição e que poderiam enfrentar perigo ou morte se voltassem para seus países de origem. O direito internacional dá proteção a refugiados genuínos.

A proibição de expulsões em massa, conhecidas como "não devoluções", é um princípio da UE. No entanto, em alguns casos, não foi respeitada. A Grécia foi acusada de não permitir a entrada de migrantes.

De acordo com a legislação da UE, o requerente de asilo tem direito de ser alimentado, receber primeiros socorros e cuidados em um centro de acolhimento. Pode pedir asilo depois de tirar impressões digitais e ser entrevistado por um funcionário treinado.

O asilo pode ser concedido em "primeira instância" mas, se isso não ocorrer, a decisão pode ser recorrida na Justiça. Nove meses após sua chegada, podem obter empregos.

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, indica que ainda há muitas variações nas formas em que cada Estado lida com solicitações.
Quantos pedidos de asilo são bem-sucedidos?

Houve 435.760 pedidos de asilo na UE em 2013, aumento de 30% em relação a 2012.

No final de 2013, mais de 352 mil esperavam uma decisão sobre seus pedidos.

A Alemanha liderou a lista de pedidos, com um quarto do total.

Em 2013, aproximadamente um terço dos pedidos dentro da UE tiveram sucesso. Quem mais obteve asilo foram os sírios, seguidos de refugiados eritreus e apátridas.

Quase 100 mil sírios receberam asilo na UE, segundo a Comissão Europeia.

No primeiro semestre de 2014, os países do sul da Europa receberam 60.800 pedidos de asilo, um aumento de 73% sobre o mesmo período de 2013. A maioria dos pedidos foram feitos na Itália e na Turquia, de acordo com um relatório do ACNUR.
BBC Brasil

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