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sábado, 28 de março de 2026

AGRICULTURA E MEIO RURAL - VESTIBULAR DA UERJ

 1. (Vestibular UERJ-2000) “Não era a fome absoluta, a da inanição, muito embora nós, os filhos do meu pai, estivéssemos crescendo meio nanicos, mal alimentados, meio tristes, meio duros, meio revoltados. Mas era a fome moderna corroendo devagar aqueles nossos anos de infância de 1967, 1968, na cidade desumana dos desempregados, dos retirantes, dos esmoleres do Recife. Somente duas décadas depois eu leria uma definição de ‘fome moderna’, a fome do capital.” (FELINTO, Marilene. A Fome. In: SADER, Emir (org.). 7 Pecados do Capital. Rio de Janeiro: Record, 1999.)

 Considerando o texto, uma causa e uma conseqüência do problema da fome, estão, respectivamente, apresentadas em: 

(A) modernização técnica nos estabelecimentos rurais / política de assentamentos rurais dos governos militares 

(B) incapacidade para investimentos do setor alimentar / sucessão de greves dos trabalhadores rurais 

(C) elevação dos preços dos alimentos / participação crescente do poder das oligarquias rurais 

(D) prioridade da agricultura de exportação / mobilidade espacial da população

2. (Vestibular UERJ-2000)


No mapa encontram-se indicadas as áreas de expansão da fronteira agrícola no Brasil ao longo do tempo. A associação correta entre região, período e relação social de produção predominante é: 

(A) Nordeste – séculos XIX e XX – trabalho familiar de migrantes sulistas e mineiros 

(B) Sudeste – século XIX – mão-de-obra cativa africana e trabalho livre de imigrantes europeus 

(C) Centro-Oeste – 1ª metade do século XX – mão-de-obra escrava de origem indígena e mestiça 

(D) Norte – 2ª metade do século XX – trabalho assalariado de migrantes dos países andinos e das Guianas

3. (Vestibular UERJ-2001) Existem dois conjuntos sociais para os quais a questão da terra constitui um fator de importância fundamental. Um deles é formado por aqueles que utilizam a posse ou a propriedade como instrumento de diversas formas de exploração e especulação. O outro grupo social é formado pelos trabalhadores sem terra, pequenos produtores deslocados pelo latifúndio para áreas marginais ou pressionados pelo capital comercial e financeiro, e os migrantes frustrados, que sobrevivem nas periferias urbanas. A estes podem vir a agregar-se, em futuro não muito remoto, outras vítimas do processo de ajuste neoliberal, ex-funcionários públicos, ex-bancários e todos os outros ex de menor nível de qualificação. (Adaptado de TAVARES, Maria da Conceição. Destruição não criadora. Rio de Janeiro: Record,1999.)

 Segundo a visão da autora, problemas sociais no campo e na cidade estão intimamente relacionados. No caso brasileiro, esta relação se estabelece porque em ambos os espaços ocorrem, dentre outras, as seguintes situações: 

(A) estagnação da economia e fuga de capitais 

(B) estatização das empresas e expansão do setor financeiro 

(C) atenuação das desigualdades e periferização do povoamento 

(D) redução do emprego e concentração do poder econômico

4. (Vestibular UERJ-2001)“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! (...) Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa.(...) Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande;(...) — terra que nos parecia muito extensa.” (CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El Rei D. Manuel. In: PEREIRA, Paulo Roberto. Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1999.)

 “A superfície do Brasil,(...) é de 850 milhões de hectares.(...) Ora, atualmente, apenas 60 milhões desses hectares estão a ser utilizados na cultura regular de grãos. O restante, (...) em estado de improdutividade, de abandono, sem fruto. Povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e econômica, vagando entre o sonho e o desespero, 4.800.000 famílias de trabalhadores rurais sem terra. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso (...)” (SARAMAGO, J. apud ALENCAR,C. Br 500: um guia para a redescoberta do Brasil. Petrópolis: Vozes, 1999.)

 Separados por quase 500 anos, dois portugueses refletem a respeito da imensidão da terra encontrada por seu país. Mas a impressão transmitida pelo depoimento de cada um deles é diferente, uma vez que a história da Colônia e do período seguinte transformou a terra para o trabalho agrícola em um bem de acesso restrito. Esse longo processo de restrição ao acesso à terra poderia ser sintetizado na seguinte afirmação: 

(A) O sistema de doações de sesmarias, sucedido pela transformação da terra em mercadoria, instituiu a propriedade da terra em fonte de poder econômico e político. 

(B) As precárias condições naturais das terras no interior, somadas a crises climáticas e ao êxodo rural, acarretaram um esvaziamento da produção de bens primários. 

(C) Os entraves da Coroa para a compra de terras, seguida pelas dificuldades de financiamento da produção, criou um desequilíbrio na distribuição das áreas agrícolas. 

(D) A ênfase colonial na produção exportadora, acompanhada pela pouca habilitação técnica dos agricultores, propiciou uma elitização da população do campo.

5. (Vestibular UERJ-2003) 

Os mapas, de 1975 e 1995, mostram a evolução do número e da distribuição de empresas de aviação agrícola no Brasil, que utilizam equipamentos sofisticados para pulverizar com pesticidas as plantações. Isso demonstra uma dinamização do setor associada aos processos de: 

(A) metropolização e êxodo rural 

(B) expansão da fronteira agrícola e difusão da agroindústria 

(C) esvaziamento das áreas interiores e concentração urbana 

(D) centralização da política agrícola e descentralização de investimentos produtivos

6.(Vestibular UERJ-2003)  “aqui, em se plantando, tudo dá” 

A construção do mito de satisfação das necessidades alimentares, evidenciada neste fragmento do texto, contradiz a seguinte afirmativa: 

(A) As terras férteis resultam da ação de agrotóxicos. 

(B) Os melhores solos destinam-se aos cultivos para exportação. 

(C) Os avanços tecnológicos direcionam-se às propriedades improdutivas. 

(D) Os diversos tipos climáticos dificultam a variedade de cultivos agrícolas.

7. (Vestibular UERJ-2003) 

O primeiro texto procura contextualizar a produção para o abastecimento interno no Brasil Colônia, enquanto que o segundo refere-se à invasão de uma propriedade do Monsanto, produtor internacional de alimentos, por ambientalistas e pelo MST, durante o Fórum Social Mundial contra a globalização, realizado em Porto Alegre. A alternativa que aproxima os dois textos por apontar uma semelhança entre o processo brasileiro de produção de alimentos, no passado e no presente, é: 

(A) A produção agrícola se mantém subordinada a interesses externos. 

(B) O Estado deixa para agricultores de subsistência a tarefa da produção alimentar. 

(C) As políticas públicas para o setor agrário provocam preços altos dos produtos exportados. 

(D) As ações do Estado priorizam a produção alimentícia através de consórcios internacionais.

8. (Vestibular UERJ-2004) A imagem tradicional do campo mudou. As chamadas atividades não-agrícolas têm hoje um peso importante na composição da renda agrária, conforme se verifica na tabela abaixo. 


Dentre estas atividades não-agrícolas, a que merece maior destaque é: 

(A) turismo 

(B) indústria 

(C) comércio 

(D) piscicultura

9. (Vestibular UERJ-2004) 


As motivações que originaram a Lei de Terras, de 1850, ainda hoje são causas de conflitos em relação à propriedade rural no Brasil. Dentre as questões levantadas nos artigos transcritos, aquelas que caracterizam a atual estrutura fundiária no Brasil são: 

(A) mercantilização da terra e expulsão de posseiros pobres 

(B) exclusão de grileiros e internacionalização da propriedade 

(C) obrigatoriedade de registro oficial e predomínio de terras devolutas 

(D) instituição de gratuidade nas fronteiras e obrigatoriedade de produção

10. (Vestibular UERJ-2005) 



Os dois textos acima têm como principais elementos geradores das problemáticas apontadas os processos de: 

(A) assentamento agrícola e êxodo rural 

(B) proletarização rural e reforma agrária 

(C) modernização agrícola e revolta social 

(D) concentração fundiária e conflitos no campo

11. (Vestibular UERJ-2005) 



Em contraponto à grande disponibilidade de terras, o processo de grilagem na Amazônia avança associado à seguinte situação: 

(A) especulação fundiária, buscando maior lucratividade

(B) demanda acentuada por terra, determinando novas invasões 

(C) procura de terras devolutas, ampliando a produção agrícola extensiva 

(D) ausência da fiscalização do Estado, propiciando o aumento de latifúndios

12.(Vestibular UERJ-2005) 



Apesar dos incrementos de produtividade e da expansão do agronegócio, o texto nos aponta dificuldades enfrentadas por parte dos pequenos agricultores brasileiros, que devem ser compreendidas a partir das relações políticas e econômicas vigentes hoje no campo. Uma causa básica e uma conseqüência para as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores rurais são: 

(A)ausência de linhas de financiamento − lucratividade retraída 

(B) precária base tecnológica − sistema de transportes subutilizado 

(C) fracionamento das propriedades − mercado de consumo depreciado 

(D)carência de uma política agrícola favorável − produção familiar inviabilizada

13. (Vestibular UERJ-2007) O desenvolvimento da agroindústria brasileira vem alterando a paisagem nas áreas rurais com ações polêmicas que possibilitam o aumento da produtividade, mas também promovem a devastação da vegetação nativa. Uma das conseqüências das mudanças geradas pelas agroindústrias no campo é: 

(A) incremento da agroecologia com a ocupação das terras devolutas 

(B) expansão das médias propriedades com a distribuição da renda agrícola 

(C) fragmentação das grandes propriedades com o aumento da produção para exportação 

(D) ampliação das relações de trabalho capitalistas com o crescimento da produção comercial

14.(Vestibular UERJ-2008)



Compare os mapas acima. A alternativa que indica de forma correta dois Estados brasileiros e o tipo de relação, verificada em ambos, entre os graus de concentração da terra e de modernização agrícola é: 

(A) Maranhão e Piauí – inversa 

(B) São Paulo e Bahia – direta 

(C) Mato Grosso e Tocantins – direta 

(D) Santa Catarina e Espírito Santo – inversa

15. (Vestibular UERJ-2009)



A partir das informações do texto, podemos concluir que a distinção entre cidade e campo vincula-se ao estabelecimento da diferença entre espaço e atividades econômicas. Essa distinção está adequadamente expressa em: 

(A) o campo não é lugar adequado à instalação de indústrias 

(B) o espaço rural não é sinônimo de atividades primárias 

(C) o espaço urbano não é compatível com a prática do ecoturismo 

(D) a cidade não é o local de predomínio dos setores secundário e terciário

Gabarito:

1. D    2. B   3. D   4. A   5. B   6. B   7. A    8. A   9. A|  10. D   11. A  12. A    13. D    14. A    15. B



sábado, 14 de fevereiro de 2026

A fronteira do Matopiba: as novas faces da expansão do capital e seus conflitos


 

A fronteira do Matopiba: as novas faces da expansão do capital e seus conflitos, Marta Inez Medeiros Marques, Vicente Eudes Lemos Alves (organizadores), São Paulo: FFLCH, 2024

O livro explora a complexa dinâmica da expansão do capital na região do Matopiba, que abrange as zonas fronteiriças dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde está emergindo uma nova fronteira agrícola em larga escala. Destaca os conflitos socioambientais resultantes nessa região dinâmica e contraditória, um laboratório para as transformações do capitalismo semiperiférico.

2O livro inclui mais de vinte artigos e é dedicado à memória de Carlos Walter Porto-Gonçalves, um geógrafo influente.

Figura 1. Localização de Matopiba no bioma Cerrado e no território nacional.

Figura 1. Localização de Matopiba no bioma Cerrado e no território nacional.

3A seção “Perspectivas Teóricas e Históricas” analisa a noção de fronteira a partir de diversas perspectivas teóricas e históricas. Ela é examinada em relação ao desenvolvimento desigual do capital e às tensões ambientais. Marta Inez Medeiros Marques discute a expansão da fronteira agrícola no Brasil e suas implicações, e Vicente Eudes Lemos Alves aborda os impactos do agronegócio sobre as populações locais e o meio ambiente.

4A seção “Propriedade e Mercados de Terras  ” aborda as raízes da concentração fundiária e dos conflitos relacionados à terra no Brasil. O falecido Ariovaldo Umbelino de Oliveira apresenta uma visão geral da propriedade da terra e da grilagem (apropriação ilegal de terras). Fábio Pitta e Teresa Paris analisam os conflitos fundiários no sul do Piauí, exacerbados pela entrada de capital transnacional, e Samuel Frederico e Bruno Spadotto identificam os investidores financeiros no agronegócio entre 2008 e 2016.

Figura 2 Número de conflitos rurais – 1985-2023

Figura 2 Número de conflitos rurais – 1985-2023

5A seção "Questões Sociais e Territórios em Conflito" destaca as lutas das comunidades tradicionais contra a expansão do agronegócio: o movimento Teia, do Povos, luta pelo reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades tradicionais; as comunidades quilombolas do sul do Piauí lutam para manter suas terras e sua identidade; e os Akwẽ-Xerente, no Tocantins, enfrentam desafios de sobrevivência e fragmentação social.

6A seção sobre "Impactos Sociais e Ambientais" examina as consequências do agronegócio no meio ambiente e nas comunidades locais. A expansão do agronegócio leva a conflitos relacionados à água e ao desmatamento, como ilustrado pelos protestos pela água em Correntina, em 2017. Os autores enfatizam que as questões da água e da terra estão interligadas e devem ser abordadas em conjunto.

7"Expropriação e Conflitos Sociais em Matopiba" explora a dinâmica da expropriação comunitária em Matopiba, destacando os impactos das políticas ambientais e dos interesses econômicos.

  • As alterações ao Código Florestal em 2012 facilitaram o "cercamento verde", permitindo a apropriação de terras e florestas.

  • Observou-se um aumento nos cadastros ambientais, ligado ao crescimento dos "negócios verdes" por parte de grandes empresas.

  • Os conflitos fundiários no Parque Estadual do Mirador, no Maranhão, foram exacerbados pela expansão da agricultura moderna desde a década de 1980.

  • As comunidades locais sofrem com a violência dos grileiros e com a poluição dos recursos hídricos causada pelas grandes operações agrícolas.

Figura 3 Conflitos de terras em Matopiba (2015-2022)

Figura 3 Conflitos de terras em Matopiba (2015-2022)

8O capítulo "Expansão de Capital e Agroeconomia" analisa a acumulação histórica e o impacto socioambiental da agricultura capitalista no Cerrado.

  • A região de Matopiba tornou-se uma "zona de sacrifício", caracterizada por uma alta concentração de terras e relações de trabalho precárias.

  • O investimento público na agricultura beneficiou principalmente os grandes produtores, exacerbando as desigualdades.

  • A produção de soja aumentou 92% em dez anos, atingindo 35 milhões de toneladas, enquanto a produção de culturas básicas diminuiu.

Figura 4. Cultivo de soja em Matopiba – 2015 e 2022

Figura 4. Cultivo de soja em Matopiba – 2015 e 2022

9A seção "Transformação Econômica e Social em Matopiba" destaca as transformações econômicas e sociais resultantes da expansão do agronegócio na região.

  • Matopiba se caracteriza pela especialização na produção de commodities , principalmente soja, milho e cana-de-açúcar.

  • A população rural está diminuindo, enquanto as cidades crescem rapidamente, atraindo migrantes.

  • A separação entre a propriedade da terra e a atividade agrícola intensificou-se, com o arrendamento de terras a aumentar de 235.000 hectares para mais de 1,8 milhões de hectares entre 1995 e 2017.

10"Finanças e Acumulação na Agricultura" examina o papel das finanças na acumulação de capital e na transformação das relações de propriedade na agricultura.

  • O setor financeiro possibilitou o fortalecimento do capital, com aumento dos ativos financeiros e instabilidade permanente.

  • As grandes empresas agrícolas concentram-se na apropriação do excedente em vez da produção.

  • A atual crise de capitais está ligada à sobreacumulação e à necessidade de encontrar novos mercados para o capital excedente.

11"Conflitos Territoriais e Resistência" destaca as lutas das comunidades tradicionais contra a apropriação de terras e a degradação ambiental.

  • Conflitos territoriais são frequentes entre comunidades locais e grandes empresas agrícolas.

  • As populações tradicionais estão se organizando para defender seus direitos territoriais e recursos naturais.

  • A resistência está se intensificando, com alianças estratégicas em diferentes níveis para combater a apropriação de terras.

12De acordo com "Globalização Financeirizada e seus Impactos", isso representa uma nova fase do capitalismo, marcada pela apropriação da mais-valia e pelo domínio das grandes empresas.

  • O setor financeiro evoluiu rumo à autonomização do capital, distanciando as operações financeiras dos processos de produção de valor.

  • Os mercados financeiros fomentaram uma instabilidade econômica permanente e a especulação sobre ativos muito distantes da produção real.

  • A concentração de capital levou ao domínio oligopolista, onde as grandes empresas exploram os recursos dos mais fracos.

  • A crise de 2008 revelou a necessidade de apoio estatal às instituições financeiras, destacando a ligação entre o Estado e o capital financeiro.

13A seção "A fronteira agrícola e sua evolução" mostra que se trata de um processo de expansão de capital, influenciado por dinâmicas econômicas e sociais complexas.

  • A colonização interna foi marcada pela apropriação de terras e pela integração de novas populações nos mercados.

  • Os movimentos migratórios muitas vezes levam a conflitos com populações tradicionais, como os povos indígenas.

  • A expansão da fronteira agrícola foi acompanhada por projetos de infraestrutura, promovendo a produção agrícola para o mercado interno e para exportação.

  • A especulação imobiliária desempenhou um papel fundamental no aumento dos preços da terra e na industrialização da agricultura.

14As transformações do capital agrícola envolvem mudanças significativas, com crescente integração do capital financeiro e industrial.

Figura 5. Área (em hectares) por Estado controlada pelo capital financeiro, 2008-2016.

Figura 5. Área (em hectares) por Estado controlada pelo capital financeiro, 2008-2016.
  • A modernização da agricultura levou a uma maior dependência da indústria, com mudanças nas relações de trabalho.

  • Grandes empresas do agronegócio dominam o mercado, como por exemplo a JBS e a Raízen, que se beneficiaram de financiamento público.

  • Novas formas de crédito, como títulos de dívida agrícola, superaram o financiamento público.

  • A especulação com terras agrícolas foi facilitada por leis recentes, aumentando o interesse de investidores estrangeiros.

15Os desafios das finanças globais redefiniram as relações econômicas, influenciando a estrutura do capital e a dinâmica do poder.

  • Países emergentes, como o Brasil, compartilham sua gestão econômica com instituições financeiras internacionais.

  • A crise da dívida da década de 1980 abriu caminho para novos agentes financeiros, aumentando o setor financeiro desregulamentado.

  • As grandes corporações transnacionais exercem controle sobre as cadeias de valor, influenciando os mercados e preços agrícolas.

  • A especulação sobre produtos agrícolas levou à inflação de preços, dificultando o acesso aos alimentos.

16As "consequências da expansão da fronteira agrícola" são que

  • A concentração de terras e recursos levou à expropriação de populações locais, incluindo comunidades tradicionais.

  • As práticas agrícolas intensivas contribuíram para o desmatamento e a degradação da biodiversidade.

  • As grandes empresas do agronegócio dominam o mercado, exercendo controle sobre a produção e a distribuição.

  • Os mecanismos de financiamento verde são frequentemente usados ​​para mascarar os impactos ambientais negativos da agricultura industrial.

17De modo geral, o livro explora a reconfiguração da fronteira agrícola no Brasil, com foco na expansão do setor agroindustrial e seus impactos socioambientais. A fronteira agrícola representa um novo espaço de produção capitalista no Brasil, caracterizado pela aceleração da extração e circulação de matérias-primas, e as populações agroextrativistas passam por transformações significativas em seus estilos de vida.


Revista Franco-Brasileira de Geografia

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