segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Conflitos que surgem com as desigualdades sociais

Conflitos que surgem com as desigualdades sociais
Marlucio Luna
Segundo dados do IBGE, apenas 15% dos brasileiros têm as necessidades básicas atendidas. Só este número já daria conta da situação de pobreza em que vive grande parte do povo. Para muitos, seria também a explicação para os altos índices de violência no país. Fome, miséria, baixa escolaridade e desemprego resultam numa combinação desoladora e, no mínimo, perigosa. No entanto, sociólogos e especialistas ressaltam que o problema não é a pobreza em si, mas os conflitos gerados pelas desigualdades sociais. "Uma sociedade autoritária e de raízes escravagistas, que violenta e exclui a maioria, não pode colher tranqüilidade ao preço da repressão", afirma Lenardo Boff, fundador do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis.

Mas nem sempre a equação social tem resultados previsíveis. Para um jovem de baixa escolaridade e classe social, por exemplo, são escassas as oportunidades de inserção no mercado formal de trabalho. Contudo, em termos quantitativos, só um número infimamente pequeno destes excluídos cai na criminalidade. Em contrapartida, a contar pela incidência de casos em escolas particulares da Zona Sul do Rio de Janeiro, parece crescer a criminalidade entre adolescentes das classes média e alta. "Esta constatação põe em xeque a teoria do determinismo social, que abre margem a distorções preconceituosas, como a de que o pobre está 'pré-destinado' a ser bandido", acredita a socióloga Rosana Heringer.

Segundo ela, as disparidades sociais são terra fértil para conflitos, mas a certeza da impunidade não dá freios à prática de novos crimes. "A relação custo-benefício favorece o crime. Dentro de um quadro caótico, no qual a polícia virou algoz e ter uma arma de fogo é sinal de status, ser bandido dá prestígio, dinheiro e poder", explica Rosana. Reconhecendo a crise ética da polícia, o advogado e ex-governador do Rio de Janeiro Nilo Batista ressalta que este se trata de um problema histórico. Desde os tempos do Brasil Colônia, passando pela ditadura militar, a polícia sempre esteve à serviço da elite para a repressão às massas. "Mesmo hoje, o pânico da violência urbana fornece substrato ideológico para campanhas autoritárias de segregação social", constata.

Mas, além dos percalços históricos, da crise na polícia, das diferenças sociais e das políticas de exclusão, há muitas outras raízes sustentando o tronco da violência. Mesmo em culturas nas quais se vive em contexto social de grande tranqüilidade, não faltam casos aparentemente inexplicáveis de violência. Segundo a Psicologia, tudo nasce do desejo humano: a força motriz da vida que gera a rivalidade, o conflito e a violência. "A agressividade é a expressão dramática do ser vivo, cujo motor é a luta entre os princípios da vida e da morte", já dizia Sigmund Freud. O "pai da psicanálise" acreditava ser impossível ao homem banir a violência da sociedade - mas garantia que era possível controlar seus efeitos através da lei, da educação e da cultura.
Marlucio Luna é editor do projeto Século XX1.

2 comentários:

Bastos disse...

Achei muiro interessante e reconheço que concordo que jamais a violência irá acabar. Como Durkheim afirma sobre o crime a violência é uma das inúmeras formas que os diferentes sujeitos vêm o mundo.
E que evidentemente, muito bem esclarecido por você, é fruto das desigualdades sociais.

Mas o que venho propor é uma reflexão sobre o seu trabalho.

Hoje na Geografia tudo é território, conflito, disputa de poder, evidenciando lado competitivo do capital e a rivalidade entre grupos e povos.

Onde fica a importância do lugar nisso tudo?

Sinceramente discordo de Freud pois penso que isso seja insuficiente para entender o todo.

A pouco tempo tivemos significativas vitórias entre o movimento quilombola.

Movimento esse que mal era evidenciado pela grande mídia.

E de uma hora para outra surge na mesma obtendo inúmeras conquistas jurídicas reconquistando aquilo no qual era seu por direito.

Reconheço que o embate entre os sujeitos na busca de reaver as terras nas quais são de pertencimento do povo quilombola demonstra as concepções de Freud. Entretanto, não haveria conflito se não houvesse a sensação de pertencimento do espaço.

O conceito lugar trata-se do locus da identidade entre os sujeitos, o que me permite dizer que não há como viabilizar o movimento sem essa sensação de pertencimento.

Então, eu pergunto no meio de um mundo de disputas, de violências e conflitos constantes no qual Freud afirma existir ,onde esta as relações de indentidade dos sujeitos no espaço?

Existe rivalidade mesmo na formação identitária de um lugar?

É possivel haver movimento social sem o reconhecimento do outro em patamar de igualdade?

Abraço

rodrigo disse...

dsculpe o comentário acima era para o tema anterior. Abraço

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