Tsunami meteorológico surpreende litoral de Santa Catarina e acende alerta para dias de calor intenso
Fenômeno raro registrado em Laguna (SC) não tem relação com aquecimento global. Marcelo Dottori defende investimento em previsão e pesquisa para reduzir danos

A onda repentina surpreendeu os banhistas e foi associada à atuação de um sistema atmosférico instável sobre o oceano – Foto: Imagem de divulgação/Defesa Civil de Santa Catarina
O Estado de Santa Catarina registrou, no mês de janeiro, um fenômeno natural raro: um tsunami meteorológico na Praia do Cardoso, em Laguna, no litoral sul. A Argentina também registrou o evento na mesma época. O episódio, ocorrido após um dia de calor intenso e marcado por variações bruscas no nível do mar, devidamente registradas em portos da região Sul, difere daqueles que acontecem nas profundezas e que são resultantes da movimentação das placas tectônicas. Uma câmera de segurança chegou a registrar o momento em que o mar avança e sobe de forma repentina, atinge carros e inunda comércios.

Marcelo Dottori – Foto: LinkedIn
O físico Marcelo Dottori, professor de oceanografia do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), explica a diferença entre o tsunami sísmico e o meteorológico. O tsunami meteorológico é diferente do tsunami sísmico porque não é causado por placas tectônicas, mas por variações bruscas de pressão atmosférica associadas a sistemas meteorológicos instáveis após dias de calor intenso.
Instabilidade atmosférica
A onda repentina surpreendeu os banhistas e foi associada à atuação de um sistema atmosférico instável sobre o oceano. O mesmo fato ocorreu na costa atlântica da província de Buenos Aires: um avanço repentino do mar, descrito como “mini tsunami”, deixou ao menos uma morte e cerca de 35 feridos. O professor reforça que se trata de um fenômeno raro.
O tsunami meteorológico ocorrido na Praia do Cardoso, apesar de raro, não tem relação com o aquecimento global, e novos episódios não são descartados. Não é possível evitar esse tipo de evento, mas a previsão e redução de danos dependem de tecnologia e investimento em pesquisa. O Brasil está longe de zonas de subducção, o que reduz o risco de tsunamis gerados por terremotos submarinos.
Jornal da USP
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