quinta-feira, 12 de março de 2026

Um cofre de carbono oculto em África está a começar a vazar




Uma nova pesquisa desafia a antiga suposição de que o carbono amazenado nas turfeiras tropicais na Bacia do Congo não seria libertado para a atmosfera nos próximos milhares de anos.


Os cientistas descobriram que vastas turfeiras na África Central, que foram consideradas durante muito tempo reservas estáveis ​​de carbono, estão a libertar carbono ancestral para a atmosfera.

A Bacia do Congo alberga um dos maiores sistemas de turfeiras tropicais do mundo. Embora estas turfeiras cubram apenas 0,3% da superfície terrestre, armazenam aproximadamente um terço de todo o carbono contido nas turfeiras tropicais.

Durante décadas, os investigadores presumiram que este carbono estaria armazenado em segurança durante milhares de anos, a menos que condições extremas, como secas prolongadas, perturbassem o ecossistema, refere o SciTech Daily.


Uma nova investigação liderada por cientistas da ETH Zurique desafia esta suposição.

Num estudo publicado na Nature Geoscience, os investigadores examinaram dois lagos escuros de “águas negras” — Lac Mai Ndombe e Lac Tumba — cujas águas cor de chá são ricas em matéria orgânica proveniente das florestas pantanosas ricas em turfa circundantes.

As medições revelaram que quantidades significativas de dióxido de carbono estão a escapar destes lagos para a atmosfera.


Surpreendentemente, a datação por radiocarbono mostrou que até 40% do dióxido de carbono emitido provém de turfa acumulada há milhares de anos, e não de plantas que cresceram recentemente.

A descoberta sugere que os antigos reservatórios de carbono na Bacia do Congo já estão a “vazar”, mesmo sem provas claras de um colapso significativo da turfa causado pela seca.

Ainda não se sabe ao certo como é que este carbono antigo se move das camadas profundas de turfa para a água do lago, e os cientistas continuam a investigar se o processo representa uma mudança desestabilizadora ou um ciclo natural equilibrado pela formação de nova turfa.

O estudo aponta ainda para riscos climáticos futuros. Condições mais secas podem permitir que o oxigénio penetre mais profundamente nos solos turfosos, acelerando a decomposição microbiana e libertando ainda mais dióxido de carbono.


As pressões humanas podem agravar estas ameaças. O crescimento populacional e a desflorestação na região podem intensificar a secura, reduzindo a reciclagem da humidade impulsionada pelas florestas, o que pode manter os níveis dos lagos persistentemente baixos.

Os investigadores alertam que tais alterações podem transformar os pântanos da Bacia do Congo em importantes fontes de gases com efeito de estufa.
https://zap.aeiou.pt/

Nenhum comentário:

Geografia e a Arte

Geografia e a Arte
Currais Novos