
Novo estudo alerta: nível do mar pode ser muito mais alto do que se pensava. Risco de inundações aumenta para dezenas de milhões de pessoas.
Um novo estudo científico indica que o nível do mar poderá ser significativamente mais elevado do que estimativas anteriores sugeriam; e isso aumenta o risco de inundações costeiras para dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo.
A investigação aponta para falhas metodológicas na forma como a altura do mar tem sido medida em muitos estudos climáticos.
Segundo os investigadores, muitos modelos científicos utilizam um ponto de referência considerado “zero metros” para calcular o nível do mar.
No entanto, esse valor nem sempre corresponde à realidade observada nas zonas costeiras.
Em algumas regiões do Indo-Pacífico, por exemplo, a diferença entre o valor teórico e o nível real pode ser perto de um metro, sublinha o Euronews.
A análise de centenas de estudos concluiu que cerca de 90% das avaliações de risco costeiro subestimaram a altura de referência do mar, em média cerca de 30 centímetros.
Esta discrepância pode parecer pequena, mas tem impacto significativo na previsão de cheias e tempestades costeiras, especialmente quando combinada com a subida do nível do mar causada pelas alterações climáticas.
Os responsáveis por este novo estudo alertam que esta subestimação significa que o risco de inundações extremas pode ser maior do que o previsto para milhões de pessoas.
Anders Levermann, cientista climático do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, afirma que há populações costeiras cujo perigo de cheias severas “é muito maior do que se pensava”.
O Sudeste Asiático surge como a região mais vulnerável, devido à elevada densidade populacional nas zonas costeiras e à maior discrepância identificada nos cálculos. Países com menos recursos para adaptação climática poderão enfrentar dificuldades adicionais para proteger infraestruturas e comunidades.
Os autores do estudo defendem que melhorar a medição do nível do mar e integrar dados locais mais precisos é essencial para desenvolver políticas eficazes de adaptação às alterações climáticas. Sem essa correção, planeamentos urbanos, mapas de risco e estratégias de proteção costeira poderão continuar a subestimar um dos efeitos mais perigosos do aquecimento global.
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