ZAP // TU Graz; Freepik

Merit Bodner, investigadora da TU Graz, na Áustria
Um novo projeto da UE está tentar a reinventar o hidrogénio verde — para que seja mais limpo, mais barato e sem “químicos eternos”.
O hidrogénio verde poderá ser uma revolução para a transição energética limpa — mas, neste momento, é demasiado caro, ainda depende de “químicos eternos” prejudiciais, os famosos “PFAS”, e a sua ineficiência energética impede que seja competitivo face aos combustíveis fósseis.
Um novo projeto apoiado pela UE, denominado SUPREME, tem como objetivo mudar estas limitações, reinventando a forma como o hidrogénio é produzido.
Liderado pela Universidade do Sul da Dinamarca, com parceiros em toda a Europa, os investigadores estão a desenvolver um sistema de eletrólise sem PFAS, que reduz drasticamente a utilização de metais raros como o irídio e corta significativamente os custos.
O hidrogénio verde é considerado um pilar fundamental da transição global para o abandono dos combustíveis fósseis. No entanto, produzi-lo em escala continua a ser simultaneamente dispendioso e ambientalmente complexo.
Um dos principais métodos de produção, a eletrólise PEM (membrana de troca de protões), funciona particularmente bem quando a eletricidade proveniente da energia eólica e solar oscila. Contudo, ainda é muito mais cara do que produzir hidrogénio a partir de combustíveis fósseis.
Existem também preocupações ambientais. Os sistemas PEM atuais dependem dos chamados “químicos eternos”, substâncias que a União Europeia prevê eliminar progressivamente devido aos seus riscos para o ambiente e para a saúde.
Nos próximos três anos, investigadores da Universidade do Sul da Dinamarca, em colaboração com a Universidade de Tecnologia de Graz (TU Graz) e outros parceiros, vão desenvolver um sistema de eletrólise sem PFAS mais eficiente e use quantidades muito menores de matérias-primas críticas, como o irídio.
O objetivo é tornar o “H₂ verde” significativamente mais acessível e sustentável.
“O hidrogénio é usado como matéria-prima em quantidades muito elevadas, e esta tendência continuará a acentuar-se no futuro. Entre os exemplos mais relevantes contam-se a produção de amoníaco, a produção de metanol e a indústria siderúrgica”, diz Merit Bodner, investigadora da TU Graz, em comunicado.
“Se conseguirmos eliminar a utilização de substâncias nocivas na produção de hidrogénio verde e aproximarmos o seu preço do hidrogénio de origem fóssil em termos económicos, teremos dado um passo importante rumo à transição verde.”, diz Bodner.
“Isso torna-o igualmente mais atrativo para outras aplicações, como o armazenamento de excedentes de energia proveniente das renováveis”, conclui a investigadora.
O hidrogénio já tem um papel central nos principais processos industriais, e prevê-se que a procura continue a crescer. Tornar a sua produção mais limpa e competitiva face ao H₂ de origem fóssil pode acelerar o seu uso não só na indústria, mas também como forma de armazenar o excesso de energia renovável.
Se o projeto SUPREME vai ou não conseguir ultrapassar as limitações e reinventar o H₂ verde… saberemos daqui a três anos.
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