sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Biomassa

A matéria orgânica produzida pelas plantas através da fotossíntese - processo que as plantas captam a radiação solar e transformam em energia química - é fonte de energia de quase todos os seres vivos. Através da fotossíntese, as plantas capturam energia do sol e a transformam em energia química. Graças a cadeia alimentar, essa energia é repassada dos vegetais para os animais, diretamente para os herbívoros, e destes para os carnívoros primários e secundários. Assim, todos os organismos biológicos são armazenadores de energia, que podem ser aproveitados como fontes de energia. As fontes orgânicas que são usadas para produzir energia elétrica, combustível ou calor são chamadas de biomassa. A Biomassa é formada pela combinação de dióxido de carbono da atmosfera e água na fotossíntese clorofiliana, que produz os hidratos de carbono - a energia solar é armazenada nas ligações químicas dos componentes estruturais da biomassa. Se a biomassa for queimada de modo eficiente, há produção de dióxido de carbono e água. Portanto, o processo é cíclico e dizemos que a biomassa é um recurso renovável
Os resíduos agrícolas, madeira, cana-de-açúcar, o eucalipto, a beterraba (dos quais se extrai álcool), o biogás (produzido pela biodegradação anaeróbica existente no lixo e dejetos orgânicos), lenha e carvão vegetal, alguns óleos vegetais (amendoim, soja, dendê) são exemplos de biomassa. São vários os processos de conversão da biomassa em energia; os mais simples consistem na combustão direta em fornos, caldeiras etc. Porém, geralmente esses processos são ineficientes ou de aplicação restrita. Assim, o esforço em desenvolvimento científico e tecnológico, são direcionados para processos mais eficientes ou que permitam outras aplicações em substituição aos recursos fósseis, além da viabilização do aproveitamento da biomassa considerada residual - oriunda do lixo urbano e das atividades industriais e agroflorestais. Portanto, são contemplados os seguintes processos de conversão: gaseificação, biodigestão, hidrólise, pirólise, transesterificação, dentre outros.
Comparada às opções energéticas de origem fóssil, a biomassa possui um ciclo extremamente curto. Além de pequeno tempo necessário à sua produção, a fotossíntese capta em geral quantidades superiores àquelas dos gases emitidos na queima para a formação de mais matéria-prima. Nesse processo, o clico do carbono é de curta duração, limitando-se à superfície terrestre. Outra vantagem é a semelhança entre os motores e sistemas de produção de energia com utilização de biomassa e os que utilizam energias fósseis. De forma que a substituição não teria impacto tão grande na indústria de produção de equipamentos
Em relação a outros tipos de energias renováveis, a biomassa, sendo energia química, se destaca pela alta densidade energética e pelas facilidades de armazenamento e conversão. A biomassa aproveita restos, reduzindo o desperdício. O Brasil possui características especialmente adequadas à produção de biomassa para fins energéticos: clima tropical úmido, terras disponíveis, mão-de-obra rural abundante, carente de oportunidade de trabalho, e nível industrial tecnológico compatível. Entretanto, a biomassa tem desvantagens. O uso em larga escala na geração de energia da biomassa esbarra nos limites da sazonalidade. A produção de energia cai no período de entressafra. E, Dependendo de como se queima, pode ser muito poluente.
De maneira geral, a produção de energia a partir de biomassa requer uma área significativamente menor do que aquela exigida para a construção de uma usina hidrelétrica, por exemplo. Além disso, incentiva atividades econômicas locais, como a agroindústria, reduzindo custos, fixando as comunidades em suas áreas de origem e possibilitando o acesso de comunidades isoladas a eletricidade. Várias comunidades na Amazônia já geram energia a partir da queima controlada dos restos de madeira, em suas pequenas serrarias. De cada árvore serrada, quase 50% era perdido em forma de serragem, lascas ou aparas das cascas, antes abandonados ao apodrecimento. Hoje, essas comunidades suprem suas necessidades energéticas com a queima controlada desse material. Por sua vez, a casca de arroz deixou de ser um problema ambiental para a indústria de beneficiamento gaúcha e virou um insumo gerador de energia. O subproduto da queima da casca de arroz pode, ainda, ser recuperado como matéria-prima para as indústrias eletrônicas, de cerâmica e de vidro. Já o bagaço da cana-de-açúcar, considerado um estorvo até há pouco tempo, hoje é queimado de modo controlado, produzindo calor para a destilação do álcool e vapor para a geração de eletricidade.

Raphael Silva de Lima
LAFAE - UFRJ

Biocombustíveis



O uso de biocombustíveis está cada vez mais em moda, pois é sabido, com muita clareza, que os combustíveis fósseis, os mais utilizados no mundo, são finitos e as reservas terrestres só tendem a diminuir e terminar, sem renovação. Além disso, são extremamente poluidores e causam sérios desequilíbrios no ambiente. Biocombustíveis são materiais biológicos que, quando em combustão, possuem a capacidade de gerar energia para realizar trabalhos.
É certo que praticamente todo material biológico gera energia quando é queimado e suas conseqüências ao ambiente são menores que dos combustíveis fósseis.
O tipo mais difundido de biocombustível no Brasil é o álcool proveniente da cana de açúcar. Sua principal vantagem é a menor poluição que causa, em comparação aos combustíveis derivados do petróleo. A cana é um produto completo porque produz açúcar, álcool e bagaço, que é usado como combustível para geração de energia elétrica (Termo-geração). Contudo, possui algumas desvantagens, como o fato de não resolver o problema da dependência do petróleo.

O Biodiesel é o óleo obtido a partir de plantas como a soja, a colza, o pinhão manso, a mamona, o dendê, girassol ou macaúba, puro ou modificado - em misturas ou transformado para substituir o óleo Diesel sem modificações nos sistemas. O óleo de dendê pode substituir também outros derivados do petróleo e serve de base para química-fina, oleoquímica e gliceroquímica.
O álcool proveniente da cana-de-açúcar tem sido o biocombustível número 1 na política brasileira de incentivo a energias alternativas ao petróleo. O mais grave durante a implantação do Pro-álcool talvez tenha sido a necessidade de se utilizar um motor específico que não permite a utilização alternada entre álcool e gasolina, quando for interessante, este problema foi contornado com o desenvolvimento da Tecnologia FLEX.
Ainda há a questão ambiental, com o estímulo ao Pró-álcool, grande área de Mata Atlântica foi substituída por plantações de cana de açúcar, particularmente no nordeste brasileiro. Isto acarretou graves problemas climáticos e edáficos, com elevação das temperaturas e da erodibilidade dos solos. Tanto que muitos usineiros agora têm preocupação em proteger os fragmentos que restam e recuperar áreas degradadas. Até porque atualmente o álcool não está dando o lucro esperado.

Já o biodiesel, ou seja, óleo virgem derivado de algumas espécies de plantas, apresenta vantagens muito interessantes, como a possibilidade real de substituir quase todos os equivalentes do petróleo sem modificação nos motores, eliminando a dependência do petróleo. Além de ser naturalmente menos poluente, o biodiesel reduz as emissões poluentes dos derivados de petróleo (em cerca de 40%, sendo que seu potencial cancerígeno é cerca de 94% menor que os derivados do petróleo), possui elevada capacidade de lubrificar as máquinas ou motores reduzindo possíveis danos, é seguro para armazenar e transportar porque é biodegradável, não-tóxico e não explosivo nem inflamável à temperatura ambiente, não contribui para a chuva ácida por não apresentar enxofre em sua composição, permite dispensar investimentos em grandes usinas, ou linhas de transmissão, para atendimento local de energia em regiões com pequena demanda.
LAFAE - UFRJ
Carlos Roberto José da Silva Jr.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Os fracassos da Revolução cubana

Fernando Ravsberg
BBC Mundo, Havana - ÁFRICA - dezembro de 2008

Todos os meios de comunicação em Cuba são controlados pelo Partido Comunista

Apesar das promessas iniciais da Revolução, os seus críticos e opositores asseguram que o processo político que começou há 50 anos tem as suas principais carências nas áreas dos direitos civis e políticos da cidadania, na falta de liberdade de organização política, económica, de expressão e de imprensa.
A grande maioria da sociedade civil agrupa-se em organizações controladas pelo governo, que são dirigidas por líderes do Partido Comunista, como os Comités de Defesa da Revolução, a Federação das Mulheres ou a Central dos Trabalhadores de Cuba.
Se é verdade que em Cuba alguns grupos religiosos e os mações gozam de estatuto legal, a posição oficial pode ser tão radical ao ponto do clube de motos Harley Davidson não conseguiu das autoridades o seu reconhecimento legal.
A oposição política é ilegal. Os grupos dissidentes são tolerados mas carecem de protecção jurídica. Qualquer tipo de actividade pública pode ser reprimida e os que insistam em desalinhar podem acabar na cadeia.

Mesmo os comunistas críticos, que procuram mudanças dentro do sistema, não têm espaço para o debate e são oficialmente acusados de promover a divisão e de dar munições aos inimigos da Revolução.

O escritor Lisandro Otero sugeriu há vários anos num artigo que, em Cuba, tudo o que não é obrigatório está proibido. Pode parecer exagerado, mas a verdade é que, para a população, tampouco há muito espaço para debate.

Controlo dos média

Os meios de comunicação são controlados pelo Partido Comunista, que dita a linha editorial de cada jornal, revista, emissora de rádio ou canal de televisão. Por essa razão, as vozes discordantes não são bem-vindas.

A principal tarefa de um jornalista cubano é defender a Revolução"

Juan Marrero, o vice-presidente da União de Jornalistas de Cuba, disse à BBC que a principal tarefa de um jornalista cubano é defender a Revolução e reconheceu que "há temas intocáveis porque podem beneficiar o inimigo".

A imprensa nacional só aborda temas como a prostituição, a delinquência, o racismo, os salários ou a corrupção depois de Fidel ou Raúl Castro terem falado deles publicamente, estabelecendo o que muitos chamam de "linha oficial".

Por essa razão, oficialmente, durante muitos anos as prostitutas não existiram para os jornalistas cubanos. Não se mencionou a corrupção até que Fidel Castro disse que esta "constituía um perigo para a Revolução". E começou-se a falar da existência de drogas quando Fidel Castro as denunciou num discurso.

Da mesma forma, os jornalistas cubanos sempre defenderam que os salários mensais equivalentes a US$15 eram suficientes para viver, até que a 26 de Julho de 2007 Raúl Castro desmentiu esse ponto de vista.

Na área económica a Revolução cubana também não conseguiu muitos êxitos. Meio século depois, é agora oficialmente reconhecida a existência de corrupção, são feitas referências ao facto de os salários serem insuficientes para se viver e as possibilidades de consumo do cidadão são mínimas.

Para além disso, o governo cubano limita a liberdade económica dos cidadãos, impedindo o desenvolvimento do trabalho por conta própria - uma actividade que necessita de uma autorização oficial das autoridades, que não é concedida há mais de uma década.

Erros económicos

Os cubanos querem mais empregos e melhores salários

Não se pode esquecer que os EUA impuseram um embargo em 1962 que custou a Cuba, segundo dados oficiais, quase US$100 mil milhões e afectou todas as áreas económicas, incluindo o turismo, a produção de açúcar e de tabaco e até mesmo a extracção de níquel.

Contudo, os críticos referem que o governo cubano também cometeu erros económicos, como por exemplo quando arrasou todas as árvores de fruta na capital nos anos 60, quando paralisou o país em 1970 para efectuar uma safra de cana-de-açúcar ou quando transferiu a agricultura para fazendas estatais, que se mostraram improdutivas, como o reconhece o próprio Gabinete Nacional de Estatísticas.

Nos anos 80 Cuba deixou de pagar aos seus credores ocidentais e acabou por passar a comprar a países socialistas quase 100% dos seus produtos importados. É que, graças ao então Conselho de Ajuda Mútua Económica, CAME, tinha acesso a créditos e podia trocar vantajosamente os seus produtos exportáveis.

No século XIX, o pai da independência cubana, José Marti, advertiu para a necessidade de se equilibrar o comércio para se assegurar a liberdade. "O povo que quer morrer vende a um único povo, e o que quer salvar-se vende a mais do que um povo. O influxo excessivo de comércio de um país para outro converte-se em influxo político."

José Marti foi um visionário. Cuba não só copiou o modelo político e económico da União Soviética como acabou por ter a maior crise de toda a sua história quando o bloco soviético desapareceu - uma crise que se arrasta aos nossos dias.

Ainda assim, os cubanos têm esperança num futuro melhor

Os êxitos da Revolução cubana

Fernando Ravsberg
BBC Mundo, Havana
BBC ÁFRICA - dezembro de 2008

Educação e saúde pública - cartões postais da Revolução cubana

Os êxitos da Revolução cubana podem ser encontrados na área social, onde a pequena ilha caribenha supera os restantes países latino-americanos e mesmo muitas das nações mais ricas e mais industrializadas.
Muitos coincidem em qualificar o desenvolvimento de uma poderosa rede nacional de assistência social como a maior vitória dos cubanos; essa rede de assistência social serviu para impedir que os 20% dos cubanos mais pobres caísse na miséria extrema.

O estado encarrega-se dessas famílias, entregando-lhes dinheiro extra, cestas alimentares, vestuário e também mobiliário. No caso de deficientes físicos ou mentais, as autoridades cubanas chegam mesmo a pagar um salário para que essas pessoas recebam os cuidados necessários.

Logo no início da Revolução foram tomadas medidas para benefício dos mais pobres. A reforma agrária deu emprego a 100% dos camponeses. Uns receberam terras, outros integraram-se em cooperativas e muitos converteram-se em operários de fazendas estatais.

Foram proibidos os despejos nas cidades, foi decretada uma redução das rendas de casa e foi finalmente feita uma reforma urbana que converteu 85% dos cubanos em proprietários das suas próprias residências, uma realidade que se mantém nos dias de hoje.

Prioridade à infância

Não existem em Cuba meninos de rua. Os órfãos e os filhos de doentes mentais ou de pessoas presas vivem em instituições onde têm garantidos, casa, comida, cuidados médicos e educação - incluindo estudos superiores.

Mas esses não constituem uma excepção, porque 100% das crianças cubanas frequentam a escola, que é efectivamente obrigatória até ao nono ano e gratuita até ao nível universitário. Os livros escolares são igualmente gratuitos.

Em Cuba, a lei obriga os pais a enviar os filhos para a escola. Trata-se de um direito da criança que, se for violado, pode implicar a perda da sua custódia e a tomada de medidas judiciais contra os encarregados de educação.

E ninguém está isento; sessenta mil crianças cubanas com limitações físicas ou psíquicas frequentam escolas especiais em que recebem aulas normais, fisioterapia e cuidados psicológicos, uma combinação que lhes permite desenvolver ao máximo as suas habilidades e possibilidades.

Nessas escolas juntam-se dois dos maiores êxitos da Revolução cubana: a educação e a saúde pública. Esta última desenvolveu um gigantesco sistema nacional que abrange todos os cidadãos sem quaisquer excepções.

O sistema tem quatro níveis: o de médico de família, que vive a poucos quarteirões da casa do paciente; o da clínica do bairro; o do hospital da zona; e o dos institutos especializados. Toda a assistência médica é gratuita, com excepção dos medicamentos - que são subvencionados.

Nada fica de fora do sistema cubano de saúde pública. Desde a mais ligeira dor de cabeça ao tratamento de doenças associadas ao HIV/Sida, passando pelos transplantes de orgãos, cuidados odontológicos e até cirurgia estética.
A esperança de vida dos cubanos é a mais elevada da América Latina
Os resultados são visíveis quando se comparam as estatísticas das Nações Unidas sobre a esperança de vida. Cuba ocupa o terceiro lugar no continente americano, com uma esperança média de vida de 76 anos para os homens e 80 anos para as mulheres.

Em relação à mortalidade infantil, as cifras da ONU mostram que Cuba tem 5 mortos em cada mil nascimentos, algo que, no continente americano, é apenas comparável ao Canadá.

Saúde para todos

Da mesma forma como ninguém morre em Cuba devido a doenças curáveis, muito poucos morrem devido aos efeitos dos ciclones que atravessam aquela ilha todos os anos. A Defesa Civil, criada pela Revolução, é capaz de evacuar milhões de cubanos para lugares seguros.

Há assistência do Estado durante a passagem de ciclones

No ano passado, por exemplo, Cuba foi atingida por três poderosos ciclones, que provocaram danos a meio milhão de casas, destruiram a maior parte das colheitas e derrubaram centenas de torres de alta tensão. Apesar disso, foram registadas apenas 7 mortes.

Antes de 1959, e mesmo

No ano passado, por exemplo, Cuba foi atingida por três poderosos ciclones, que provocaram danos a meio milhão de casas, destruiram a maior parte das colheitas e derrubaram centenas de torres de alta tensão. Apesar disso, foram registadas apenas 7 mortes.

Antes de 1959, e mesmo durante os primeiros anos da Revolução, havia centenas e às vezes mesmo milhares de mortos de cada vez que Cuba fosse atingida por um ciclone. E isso sem contar com as enormes perdas económicas que ocorriam.

Agora a Defesa Civil assume antecipadamente o controlo das áreas por onde se prevê que o ciclone vá passar. Dias antes, as populações locais são evacuadas, os animais protegidos e os alimentos transferidos, evitando-se assim mortes e salvando-se tudo o que seja possível salvar.

E também são muito poucas as vítimas da violência social. Praticamente não há insegurança para os cidadãos. Comparada inclusive com os países mais seguros da região, Cuba é, sem dúvidas, uma das sociedades mais pacíficas do continente americano e mesmo do mundo.

É um acto extraordinário um assalto à mão armada e os roubos com pistolas ou com armas brancas quase que não existem. Os delitos mais comuns são o roubo de fios de ouro, de relógios ou de pastas que, em geral, ocorrem sem ameaças de violência física.

Sem dúvida, a tranquilidade nas ruas tem a ver com a presença constante da polícia. Mas muitos argumentam também que o nível de educação, o acesso à saúde e o controlo da pobreza contribuem de forma determinante para o fraco índice de violência em Cuba.

Cuba - 50 anos de Revolução

Cuba é sinónimo de Revolução. Desde 1 de Janeiro de 1959 que a maior ilha das Caraíbas é um marco incontornável para o resto do mundo.
E, precisamente 50 anos depois, a sua influência - apesar de diminuta - não desapareceu de todo.
Muitos de nós crescemos influenciados pela Revolução cubana, pelas façanhas e desventuras dos seus protagonistas.
Para alguns, a Revolução cubana significa uma história de heroísmo, de luta pela liberdade e contra o imperialismo.
Para outros, é justamente o contrário: um símbolo de ditadura e de opressão.
O que é certo é que Cuba desata paixões, e falar do que foi, do que é, e do que será a Revolução de Fidel Castro acaba por ser um verdadeiro desafio.
BBB ÁFRICA - dzembro de 2008

Mudar matriz de energia é desafio para reduzir emissões

Pablo Uchoa - BBC BRASIL
De Londres
novembro de 2007


Mudar o padrão de consumo e a matriz energética estão entre os maiores desafios que o mundo terá de enfrentar se quiser reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa e colaboram para o aquecimento global.
Atualmente, ao mesmo tempo que a produção de energias limpas deu um salto tecnológico o mundo passou a depender como nunca de fontes energéticas que lançam gases que provocam o efeito estufa na atmosfera.

Estudos citados neste ano pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) da ONU afirmam que os investimentos mundiais em energias renováveis nunca foram tão altos – chegaram a US$ 38 bilhões em 2005. Ainda assim, mostram os mesmos estudos, as emissões de gases do setor energético nunca foram tão volumosas.

Juntas, as emissões de gases que causam o efeito estufa equivalem a 49 bilhões de toneladas de CO2 lançadas anualmente na atmosfera. Destas, 26 bilhões de toneladas estão relacionadas à produção de energia, que inclui o fornecimento e o aquecimento de casas e empresas e o setor de transporte.

Se mantidas as atuais políticas energéticas, estas emissões poderiam atingir o equivalente a 40 bilhões de toneladas até 2030, segundo os cálculos apresentados pelo IPCC.

Padrão

A dificuldade de mudar esta tendência se deve ao fato de que, atualmente, cerca de 80% da energia mundial é fornecida por fontes fósseis, como o petróleo (33%), o carvão (25%) e o gás (21%).

No caso da produção de energia elétrica, também há grande dependência de fontes fósseis. Segundo dados de 2004, os recursos energéticos mundiais combinados geraram cerca de 17,4 mil gigawatts hora (GWh) de eletricidade. O carvão respondeu por 40% desta energia elétrica, seguido pelo gás (20%).

Para piorar a situação, as duas fontes consideradas limpas que mais contribuem para a produção de eletricidade – a energia nuclear e a hidrelétrica – têm sido cada vez mais questionadas por cientistas e ambientalistas como alternativa realmente ideal.

A nuclear, que responde por 16% da geração de eletricidade, traz embutidos riscos de contaminação por lixo atômico e de proliferação armamentista mundial.

A energia hidrelétrica, que também responde por 16% da produção de eletricidade, é considerada limpa e sustentável. No Brasil, responde por mais de 80% do consumo do país. Entretanto, a construção de grandes usinas causa sérios impactos sobre o meio ambiente e a ocupação do solo onde são instaladas.

Caminhos

Na opinião de especialistas, é preciso estudar todas as alternativas e não há uma resposta simples sobre como mudar a matriz energética mundial.

Funcionário alemão realiza manutenção em pá de usina eólica

Um exemplo é a questão nuclear. Para Richard Schock, diretor de Estudos do Conselho Mundial de Energia (WEC, sigla em inglês), essa é uma alternativa que não pode ser ignorada. "A energia nuclear terá de estar de estar disponível em todo o mundo. Em alguns lugares de alta densidade, como por exemplo o Japão, onde não existem muitas áreas para produção de energia, é de se esperar que a proporção aumente nos próximos 50 anos", diz ele, que é co-autor de um capítulo sobre o tema no relatório do IPCC.

O principal desafio é desenvolver outros tipos renováveis de energia, como eólica (dos ventos), solar, de biomassa e da terra (geotérmica), que respondem por apenas 2% da matriz energética mundial.

Um levantamento da Rede para Políticas de Energias Renováveis, citado pelo IPCC, mostra que em 2005, os investimentos em energias renováveis alcançaram US$ 38 bilhões, por iniciativa principalmente de Alemanha, China, Estados Unidos, Japão e Índia.

Alemanha, Espanha e Estados Unidos, por exemplo, já têm capacidades instaladas de energia eólica que alcançam respectivamente 18,4 GW, 10 GW e 9,1 GW, segundo o Conselho Mundial de Energia (WEC). Para efeito de comparação, a usina de Itaipu tem uma capacidade de 12,6 GW.

Recentemente a Índia (4,4 GW) superou a Dinamarca (3,1 GW) e é um dos países que mais desenvolvem este tipo de tecnologia energética, junto com a China (que hoje tem 1,3 GW e pretende ampliar para 30 GW em 2030).

Já a energia solar deve chegar a uma capacidade instalada de 5 GW até 2010, nos cálculos do WEC. Esta alternativa é vista como especialmente atraente para países emergentes que se beneficiam de luz solar abundante. Tanto a Índia como a China instalaram grandes programas de células fotovoltaicas para captar a luz solar e transformar em energia.

O Brasil também é visto como um país com grandes vantagens, por seu programa de etanol à base de cana-de-açúcar e do potencial ainda existente para explorar hidreletricidade a partir de pequenas usinas.

Bolso

A energia nuclear terá de estar disponível em todo o mundo. Em lugares de alta densidade, como o Japão, é de se esperar que a proporção aumente nos próximos 50 anos. Em lugares como Brasil, Noruega e Nova Zelândia, onde há mais energia hidrelétrica, o uso será menor.
Robert Schock, Conselho Mundial de Energia e cientista do IPCC
Mas o próprio WEC condiciona o desenvolvimento de fontes de energia não-fósseis à redução dos custos de produção, e especialistas consideram que o incentivo passa pelo bolso.

A Agência de Energia Internacional estima que os investimentos para atingir a demanda por energia até 2030 vão beirar os US$ 20 trilhões, e por isso analistas dizem que a melhor política para incentivar energias limpas é torná-las economicamente atrativas.

Ao se referir às propostas de taxação das emissões de carbono, o IPCC afirmou que um preço de US$ 20 a US$ 50 por tonelada de CO2 seria capaz de transformar o setor energético e elevar a participação das fontes renováveis na matriz energética para 35% até 2030, quase o dobro do quinhão atual.

"Não temos políticas de energias suficientes nem cooperação internacional suficiente entre governos, empresas nem governos e empresas para fazer o que hoje já é possível tecnicamente. Precisamos que investidores e profissionais das finanças invistam em políticas", afirma o dr. Schock.

"Mas precisamos de políticas consistentes, precisamos tomar cuidado para que investir em energias renováveis não se torne menos atraente em cinco ou dez anos. Investidores só colocarão seu dinheiro em políticas que eles acreditarem que sobreviverão."

Entenda o que é o IPCC e suas conclusões

BBC BRASIL
novembro de 2007

Horizonte chinês, com as cores do sol modificadas pelo ar local

Ao longo de 2007, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) se tornou uma das referências mais citadas nas discussões sobre mudança climática. O órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou quatro capítulos que, juntos, formam um relatório completo sobre o aquecimento global hoje.
O documento gerou tanta repercussão que, no fim do ano, o comitê de premiação do Nobel decidiu dedicar o honroso Prêmio Nobel da Paz ao IPCC – junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore –, por seu trabalho de conscientização da comunidade e dos líderes internacionais para o problema e as conseqüências da mudança climática.

Entenda algumas das principais questões envolvendo o IPCC e suas descobertas:

O que é o IPCC?

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) é um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações regulares sobre a mudança climática. Nasceu em 1988, da percepção de que a ação humana poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que é necessário acompanhar esse processo.

Desde então, o IPCC tem publicado diversos documentos e pareceres técnicos. O primeiro Relatório de Avaliação sobre o Meio Ambiente (Assessment Report, ou simplesmente AR) foi publicado em 1990 e reuniu argumentos em favor da criação da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC), a instância em que os governo negociam políticas referentes à mudança climática.

O segundo relatório do IPCC foi publicado em 1995 e acrescentou ainda mais elementos às discussões que resultaram na adoção do Protocolo de Kyoto dois anos depois, graças ao trabalho da UNFCC. O terceiro relatório do IPCC foi publicado em 2001. Em 2007, o grupo está publicando seu quarto grande relatório.

Desde o primeiro relatório, e isso foi válido também para 2007, o trabalho do IPCC é publicado em quatro etapas e é produzido por três grupos de trabalho.

O primeiro grupo é responsável pelo primeiro capítulo, que reúne evidências científicas de que a mudança climática se deve à ação do homem (neste ano, foi publicado em fevereiro); o segundo trata das conseqüências da mudança climática para o meio ambiente e para a saúde humana (o deste ano, foi publicado em abril); e o terceiro estuda maneiras de combater a mudança climática e prover alternativas de adaptação das populações (publicado em maio). Um quarto capítulo sintetiza as conclusões dos anteriores (publicado em novembro).

É importante notar que o IPCC não realiza pesquisas científicas, mas avalia as investigações existentes. Os diversos governos envolvidos recebem rascunhos dos estudos com meses de antecedência, para que façam comentários, sugiram mudanças ou aportem novos dados aos textos.

Por que só agora o IPCC gerou tanta repercussão?

Desde a criação do grupo, neste ano, pela primeira vez, os cientistas reunidos no IPCC demonstraram tanta confiança em que a mudança climática se deve à ação humana, sobretudo através da emissão de gases como o dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4), que causam o efeito estufa.

Por falta de dados, o IPCC ainda não pode dar esta suposição como certa. Mas os estudos publicados e analisados permitiram ao órgão qualificá-la como “muito provável” (ou seja, com mais de 90% de certeza). No relatório de 2001, o IPCC considerou essa hipótese apenas como “provável” (com mais de 66% de certeza).

O IPCC concluiu ainda que a ação humana é provavelmente a maior responsável pelo aquecimento global nos últimos 50 anos, e que os efeitos desta influência se estendem a outros aspectos do clima, como elevação da temperatura dos oceanos, variações extremas de temperatura e até padrões dos ventos.

Que outras conclusões importantes tirou o IPCC?

O IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas. Nesse cenário, um terço das espécies do planeta estaria ameaçada. Populações estariam mais vulneráveis a doenças e desnutrição.

O grupo também calcula que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados “refugiados ambientais” – pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em conseqüência da piora do meio ambiente.

Os Alpes antes e agora: aquecimento é 'fato' diz IPCC

A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes.

Essas cordilheiras geladas servem como ‘depósitos naturais’ que armazenam a água da chuva e a liberam gradualmente, garantindo um abastecimento constante dos rios que sustentam populações ribeirinhas.

Para o IPCC, os países poderiam diminuir os efeitos maléficos do aquecimento global estabilizando em um patamar razoável as emissões de carbono até 2030 – e isto custaria 3% do PIB mundial.

Há partes sobre o Brasil nos relatórios do IPCC?

Em seu segundo relatório, o IPCC alerta que partes da Amazônia podem virar savana. Em entrevistas com jornalistas, cientistas disseram que entre 10% e 25% da floresta poderia desaparecer até 2080. O órgão concluiu que existe uma possibilidade de 50% de que a maior floresta tropical do mundo se transforme parcialmente em cerrado.

Há riscos também para o Nordeste brasileiro, que poderia ver, no pior cenário, até 75% de suas fontes de água desaparecerem até 2050. Os manguezais também seriam afetados pela elevação do nível da água.

Entretanto, o IPCC tem sublinhado a falta de dados patente em países emergentes e menos desenvolvidos. Como resultado, as conclusões do grupo são menos incisivas nas chamadas "questões regionais".

As conclusões do IPCC sofrem influência política?

O IPCC procura manter seu perfil cientifico, mas sofre pressões políticas. Não tanto nos capítulos científicos, mas principalmente em resumos destinados aos formuladores de políticas públicas, divulgados junto com os pareceres.

Países como os Estados Unidos e a China, que estão entre os maiores poluidores do mundo, em geral exercem influência para apresentar a sua versão sobre os problemas e conclusões sobre o aquecimento. Como estes documentos também são revisados pelos governos, a síntese é, antes de tudo, um retrato do que todos os países, indistintamente, concordam.

Alguns pesquisadores do IPCC condenam este tipo de influência, mas muitos consideram legítimos os lobbies nacionais, desde que eles sejam defendidos pelos diplomatas dos governos, e não pelos cientistas.

Até que ponto o relatório do IPCC pode ter implicações políticas?

É difícil medir o impacto político efetivo do relatório e do processo. O que é possível afirmar é que a repercussão das conclusões do IPCC e a ampla cobertura que a mídia em todo o mundo tem dado ao assunto, especialmente por causa do trabalho do grupo, colocou definitivamente a mudança climática entre as grandes questões mundiais e um dosprinciapis temas da agenda política em diversos países.

Espera-se também que o relatório de 2007 reforce a necessidade de compromissos internacionais práticos para combater a mudança climática, da mesma maneira que o terceiro relatório do IPCC, publicado em 1995, desembocou no Protocolo de Kyoto, de 1997.

Em 2007, a quarta avaliação do IPCC é concluída menos de um mês antes de uma reunião da UNFCC. A pesquisadora brasileira Thelma Krug, que coordena um dos grupos de trabalho do IPCC, disse que discursos que não citem as conclusões do IPCC serão “exceção” no encontro, que ocorrerá em Bali, na Indonésia, e deverá definir ações globais que deverão ser tomadas depois que o protocolo de Kyoto chegar ao fim, em 2012.

Derretimento no Ártico atingiu nível crítico, dizem cientistas

Richard Black
Analista de meio ambiente da BBC News
agosto de 2008

Verões sem gelo afetariam animais e habitantes do Ártico

Cientistas americanos advertiram que a área coberta de gelo no Ártico se reduziu a seu segundo menor nível desde o início dos registros por satélite, há 30 anos - o pode indicar que o derretimento chegou a um nível em que seus efeitos começam a se tornar irreversíveis.
O derretimento este ano foi medido mais cedo que o normal. Por isso, os cientistas acreditam que a área pode diminuir ainda mais, para uma superfície menor que a registrada em setembro do ano passado, a menor já registrada.

"Podemos muito bem estar em uma rápida trajetória rumo a superar um ponto sem volta", disse o cientista sênior do Centro Nacional de Monitoramento de Neve e Gelo (NSIDC, sigla em inglês), no Colorado, Mark Serreze. "Estamos passando agora por esse ponto."

Em 26 de agosto, a área coberta de gelo do Ártico media 5,26 milhões de quilômetros quadrados.

Em 2005, foi registrada uma área coberta semelhante, de 5,32 milhões de quilômetros quadrados - mas a medição desse ano foi feita em setembro, um mês antes da medição deste ano.

No recorde de derretimento, registrado em setembro de 2007, o gelo cobria apenas 4,13 milhões de quilômetros de quadrados. A título de comparação, a extensão de 1980 era de 7,8 milhões de quilômetros quadrados.

A maior parte da cobertura atual consiste em uma camada relativamente fina de gelo, formada durante um só inverno e que derrete mais facilmente que o gelo formado ao longo de muitos anos.

Verões sem gelo

Independentemente de o recorde de 2007 se manter ou ser quebrado nas próximas semanas, a tendência no longo prazo é evidente, dizem os cientistas: o gelo está declinando de forma mais acentuada que há uma década, o que transformará progressivamente o Ártico em uma região de mar aberto durante o verão.

Uma previsão feita há alguns anos estimava que até 2080 o verão ártico se caracterizará por ser uma estação sem gelo.

Posteriormente, modelos de computador começaram a antecipar as datas para algo entre 2030 e 2050; hoje, alguns cientistas crêem que isto pode ocorrer dentro de cinco anos.

Um fenômeno que trará novas oportunidades, incluindo a chance de explorar petróleo e gás na região. A queima deste combustível elevaria o nível das emissões de gases que causam o efeito estufa na atmosfera.

A ausência de verões gelados no Ártico teria impactos locais e globais. A imagem do urso polar em busca de gelo já é familiar; mas outras espécies, como focas, também sofreriam mudanças em seu hábitat, assim como muitos habitantes do Ártico.

Globalmente, o derretimento do gelo ártico reforçaria o fenômeno do aquecimento, já que águas abertas absorvem mais energia do sol que o gelo.

Veja as principais resoluções da conferência da ONU sobre clima

Eric Brücher Camara
Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)

Participantes circulam pelo centro de conferências de Poznan

A reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Poznan, na Polônia, terminou na madrugada deste sábado sob críticas de países em desenvolvimento e ambientalistas.
A conferência marca a metade do caminho para um novo acordo sobre emissões de gás carbônico, que deve ser fechado em Copenhague, Dinamarca, no final de 2009.

O novo acordo vai substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Veja agora as principais resoluções da conferência.

Fundo de Adaptação às mudanças climáticas

Considerado o ponto mais urgente, o instrumento finalmente vai sair do papel, liberando milhões de dólares por ano para países em desenvolvimento que enfrentam conseqüências das mudanças climáticas.

Redução de Emissões Decorrentes de Desmatamento e Degradação de Florestas (Redd)

Um dos assuntos de maior interesse para o Brasil, a redução de emissões por desmatamento e degradação pouco avançou.

No texto de Poznan, foi incluída uma frase sobre “a necessidade de participação completa e efetiva de povos indígenas e comunidades locais” nos projetos de Redd.

Um dos pontos que mais irritou as ONGs ativistas, no entanto, foi a ausência da palavra “direitos” indígenas no documento.

Cronograma

Foram marcadas reuniões em Bonn, na Alemanha, de 29 de março a 8 de abril, e de 1º a 12 de junho, na qual deve ser avaliada a primeira versão de um possível substituto do Protocolo de Kyoto.

Em agosto ou setembro deve acontecer mais um encontro preparatório.

A próxima reunião da ONU sobre mudanças climáticas acontecerá entre 7 e 18 de dezembro, em Copenhague, Dinamarca.

Mercados de carbono

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo criado pelo Protocolo de Kyoto prevê que países desenvolvidos abatam de suas metas reduções de emissões provocadas por projetos em países em desenvolvimento.

Em Poznan, foi adiada para 2009 a decisão sobre a inclusão de projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), que possibilitariam usinas termoelétricas de carvão capturar a sua poluição e armazená-la subterraneamente.

Também foram adiadas decisões sobre o uso de reflorestamento em áreas degradadas como forma de ganhar créditos de carbono e ainda sobre novas propostas de emissão de créditos de carbono a partir da destruição de gases CFC, que contribuem fortemente para o efeito estufa.

Kyoto

Os países que ratificaram o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, concordaram que um novo acordo deveria se concentrar em cortes de emissões mais profundos, em vez de outras formas de verificação de poluição.

O grupo repetiu as intenções anunciadas antes do encontro de Bali, de reduzir emissões entre 25% e 40%, em comparação com os níveis de 1990, até 2020.

Dessa forma, as emissões ficariam dentro dos limites sugeridos pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), para que o aquecimento global não passe de 2º C.

Aquecimento ameaça 18% da produtividade rural no Brasil, diz Bird

Eric Brücher Camara
Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)
dezembro de 2008

Para Bird, menor produtividade vai aumentar pobreza nas áreas rurais
O Brasil vai perder 18% da sua produtividade agrícola até 2050 em conseqüência do aquecimento global, de acordo com um relatório do Banco Mundial (Bird) divulgado nesta quarta-feira na reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia.
No estudo entitulado “Baixas Emissões de Carbono, Alto Crescimento”, os pesquisadores listam os efeitos do aquecimento global sobre os países da América Latina e do Caribe e apresentam recomendações para reduzir os impactos negativos.

A queda de 18% na produtividade, prevista pelo modelo de computação usado pelos economistas, poderia aumentar a pobreza nas zonas rurais brasileiras entre 2% e 3,2%, dependendo da possibilidade de migração das famílias afetadas.

Pelo lado positivo, o Banco Mundial também destaca que, caso invista em mudanças, “a região pode liderar os países de renda média na redução das emissões de carbono causadas pelo desmatamento, no desenvolvimento de energia hidrelétrica, na ampliação da eficiência energética e na reforma do transporte urbano”.

“Essa abordagem poderia apoiar simultaneamente a recuperação econômica e estimular o crescimento nas áreas que atenuam o impacto das mudanças climáticas”, afirmou Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

Arquitetura internacional

Para isso, os economistas afirmam ser necessária primeiramente uma arquitetura internacional de combate às mudanças climáticas, ou seja, um acordo internacional (substituindo o Protocolo de Kyoto) a partir de 2012 que crie estímulos suficientes para que isso aconteça.

Além disso, são recomendadas mudanças também nas políticas domésticas de forma a adaptar os países aos efeitos das mudanças climáticas e para tirar proveito das oportunidades que surgem com o problema

“Se a região fizer grandes progressos, poderá se beneficiar dos mecanismos internacionais de compartilhamento de custos para a implementação de tecnologias com baixa emissão de carbono e a criação de novas vantagens competitivas”, afirmou um dos autores do estudo, Pablo Fajnzylber.

No entanto, os economistas do Banco Mundial admitem que a adaptação e as mudanças recomendadas não serão fáceis de se executar, principalmente se o preço do petróleo continuar em queda.

Esse é a primeira vez que o banco dedica a sua publicação anual sobre a região ao tema mudanças climáticas.

O relatório ressalta a “alta vulnerabilidade” da população latino-americana e a “responsabilidade histórica pelas alterações no clima”, mas também destaca as iniciativas que já existem na região para abordar as emissões, entre elas, os programas de biocombustíveis brasileiros.

Amazônia 'guarda 30% do carbono florestal do mundo'

Eric Brücher Camara
Enviado especial da BBC Brasil a Bali (Indonésia)
junho de 2008

A floresta amazônica é uma reserva de cerca de 80 bilhões de toneladas de carbono – o que equivale a quase um terço do estoque mundial –, segundo um estudo publicado na última edição da revista científica Environmental Research Letters.
As florestas de todo o mundo, de acordo com o levantamento feito pela universidade americana de Wisconsin e das organizações Winrock International e Carbon Conservation, guardam 300 bilhões de toneladas de carbono.

No total das emissões globais de carbono, estima-se que a queima de florestas equivalha a cerca de 20%, e o Brasil, dependendo do estudo, flutua entre a segunda e a quarta posições entre os maiores contribuintes neste quesito. Do total de emissões de CO2 brasileiro, calcula-se que três quartos se devam ao desmatamento.

Ainda segundo o levantamento americano, o segundo país com maior estoque de carbono seria a República Democrática do Congo, com até 36 bilhões de toneladas de carbono, seguido da Indonésia, outro grande contribuinte para as emissões de CO2 provocadas por desmatamento, com até 25 bilhões de toneladas de carbono guardadas em suas florestas.

De acordo com especialistas, as florestas funcionam como grandes reservas de carbono, que é absorvido da atmosfera e é retido pela vegetação e, eventualmente, pela matéria orgânica que se acumula no solo. Com a destruição da floresta, seja por queimadas ou pelo corte da vegetação, esse estoque de carbono acaba liderado na atmosfera e a capacidade de novas absorções se extingue.

Divergências

Uma das polêmicas em torno do debate sobre florestas e reservas de carbono é justamente como medir a quantidade de carbono que elas guardam. Para alguns especialistas, o entendimento científico sobre quanto carbono é retido pelas florestas ainda é baixo.

Para Holly Gibbs, que coordenou o estudo publicado na Environmental Research Letters e é também consultora de Papua Nova Guiné para questões climáticas, o trabalho desenvolvido por ela e por outros cientistas propõe uma nova metodologia de medição.

"A nossa intenção é mostrar que existem formas de se calcular cientificamente os estoques de carbono das florestas, ao contrário do que afirmam alguns detratores", disse Gibbs à BBC Brasil.

O debate tem sido especialmente relevante na conferência da ONU sobre mudanças climáticas que está ocorrendo em Bali, na Indonésia. No encontro, um grupo de 40 países, que forma a Coalizão das Florestas Tropicais (Tropical Rainforest Coalition), criada por Papua Nova Guiné, defende um mecanismo em que as reservas de carbono das florestas de um país possam ser transformadas em crédito e negociadas no mercado internacional.

Para que isso seja possível, é fundamental que exista uma forma confiável e amplamente aceita de medir as reservas de caborno, justamente o que o trabalho coordenado por Gibbs se propõe.

Um dos grandes problemas para a Coalizão das Florestas Tropicais é a posição do Brasil, que é contra a sua proposta. O Brasil defende uma alternativa baseada na criação de um fundo internacional que forneceria recursos aos países que consigam combater o desmatamento. Pela proposta brasileira, as metas e o controle sobre o desmatamento seriam de responsabilidade dos países quem detêm as florestas.

De acordo com Holly Gibbs, a expectativa da Coalizão das Florestas é de que o texto final do encontro em Bali tenha "palavras fortes" sobre o assunto. Mas ela admite que para isso o apoio brasileiro é fundamental. "A idéia precisa do Brasil, já que o país guarda quase um terço do carbono florestal do mundo."

Do lado brasileiro, porém, não há sinais de que os negociadores estão propensos a mudar de posição

Amazônia já está 'internacionalizada', dizem ONGs

Carolina Glycerio
Da BBC Brasil em São Paulo

Preocupação global já teria 'internacionalizado' debate sobre o futuro da região

O debate sobre o futuro da Amazônia já está internacionalizado seja pela importância que ganhou a questão do aquecimento global ou pela atuação de multinacionais na região, dizem ambientalistas entrevistados pela BBC Brasil.
"O Brasil se incomoda porque sabe que não tem soberania plena. Sabe que se quiser desmatar tudo, vai ter problemas (com a comunidade internacional)", afirma o pesquisador Paulo Barreto, do Imazon.

Ele cita como o exemplo o fato de qualquer acesso a crédito para projetos na Amazônia depender hoje de estudos sobre os impactos ambientais.

Além disso, diz Barreto, o próprio governo brasileiro tem interesse em mostrar ao mundo que é capaz de fazer uma boa gestão da Amazônia para conseguir levar adiante sua ambição de desempenhar um papel maior no cenário internacional.

"O Brasil quer se colocar como um ator importante em relação a temas internacionais e a Amazônia é uma questão crítica para o país ter esse posicionamento estratégico. A gente tem que demonstrar que cuida da Amazônia."

Paulo Adário, do Greenpeace, argumenta que a economia da Amazônia é tão ou mais globalizada do que a de outras regiões já que os principais produtos da região - soja, madeira e carne - são commodities no mercado internacional.

"Só que quando esses setores vão para a mídia, eles não falam das multinacionais, falam das ONGs", afirma Adário, ressaltando o fato de as maiores empresas da soja serem estrangeiras - Cargill, Bunge, ADM e Dreyfuss.

Barreto, do Imazon, diz não acreditar que essa internacionalização se traduza numa ocupação física, pelo menos não por enquanto.

"Não vejo nenhum plano de ocupar a Amazônia, pelo menos não no curto e médio prazo. Mas se o Brasil não cuidar da Amazônia, com uma política clara, imagino que possa haver no longo prazo."

Para os dois pesquisadores, a polêmica em torno da compra de terras por estrangeiros na Amazônia e a preocupação quanto a ingerências internacionais na região são riscos marginais que estão sendo extrapolados pelo governo.

A lei atual restringe a aquisição ou exploração de terras por estrangeiros na chamada faixa de fronteira, faixa de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território nacional.

Uma empresa com sede no Brasil e capital estrangeiro, porém, não estaria sujeita a essas restrições desde que 51% do capital pertença a brasileiros.

Clima colocou Amazônia na agenda global

James Painter
Analista de América Latina da BBC
maio de 2008



Estudos colocam Amazônia como área mais vulnerável depois do Ártico

Com o aumento da preocupação mundial com o aquecimento global e com o futuro do planeta, cresceu também atenção internacional sobre a Amazônia.
Há três razões fundamentais que explicam por que a região é importante para o resto do mundo.

Primeiro: a floresta exerce um papel fundamental no ciclo de carbono que influi na formação do clima mundial.

Cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono são absorvidas por vegetação tropical em todo o mundo, dos quais cerca de 70 bilhões apenas pelas árvores amazônicas.

Hoje, estima-se que a Amazônia absorva cerca de 10% das emissões globais de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis em carros e fábricas, por exemplo.

Aquecimento global

Amazônia dá ao Brasil título de país com maior biodiversidade do mundo

Por outro lado, as altas taxas de desmatamentos fazem com que mais carbono se converta em dióxido de carbono, seja no momento em que as árvores são queimadas para 'limpar' áreas de floresta, seja mais lentamente através da decomposição de madeira não-queimada.

Estima-se que cerca de 20% das emissões globais de gases que causam o efeito estufa provêm da derrubada de florestas tropicais em todo o mundo.

E, segundo o IPPC – Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU – o aquecimento global está ligado diretamente à concentração de CO2 na atmosfera.

De acordo com o relatório Stern sobre a economia da mudança climática encomendado pelo governo britânico e divulgado em 2006, a perda de bosques naturais contribui mais que o setor de transporte para as emissões.

O mesmo documento alertou que, sozinha, a destruição de mata tropical pode lançar nos próximos quatro anos mais carbono na atmosfera que todos os vôos do inicio da aviação até 2025.

O desmatamento – e não a queima de combustíveis fósseis – explica por que o Brasil figura entre os cinco maiores emissores de gases que causam o efeito estufa.

Ponto de inflexão

A segunda razão é o potencial da região amazônica para agir como o que os cientistas denominam 'ponto de inflexão' para o clima global neste ano.

Um estudo divulgado em fevereiro deste ano por uma equipe de cientistas da Universidade de Oxford, do Instituto Potsdam e de outros centros de pesquisa concluiu que a floresta amazônica é a segunda área do planeta mais vulnerável à mudança climática depois do Oceano Ártico.

A idéia central é que a seca da Amazônia e/ou o aumento no desmatamento poderiam gerar um ciclo vicioso: a grande redução na área de floresta amazônica geraria um aumento significativo nas emissões de CO2, que por sua vez elevariam as temperaturas globais, que assim causariam a seca da Amazônia.

Cientistas e especialistas que trabalham em modelos de clima discordam em relação a quando este ponto de inflexão poderia ocorrer, até em relação à possibilidade de que ocorra.

O britânico Centro Hadley vê como "muito provável" que a Amazônia seja duramente afetada pela mudança climática nas próximas décadas.

Outras estimativas levando em conta todos os modelos recentes sugerem uma probabilidade de 10% a 40%.

Por baixa que seja a probabilidade, entretanto, as mudanças na Amazônia devem ter "alto impacto" no clima mundial.

Biodiversidade

Finalmente, a Amazônia é importante pela sua biodiversidade.

É a maior porção de floresta tropical, com o maior reservatório biológico da Terra – cerca de 30% das espécies terrestres de todo o mundo.

A região dá ao Brasil o título de país com maior biodiversidade do mundo, com mais de 50 mil espécies catalogadas de plantas, 1,7 mil espécies de aves e entre 500 e 700 tipos – por categorias – de anfíbios, mamíferos e répteis.

Tão grande é sua biodiversidade que um único arbusto na Amazônia pode contar mais espécies de formigas que todas as Ilhas Britânicas, enquanto um só hectare de floresta pode ter mais de 480 espécies de árvores.

Toda esta rica biodiversidade está ameaçada pela combinação destrutiva de desmatamento com mudança climática.

Mesmo com tantos pontos de interrogação sobre o futuro da Amazônia e seu efeito no clima mundial, cientistas concordam que, por causa de sua diversidade genética e o papel crucial da região na definição do clima do planeta, é urgente encontrar a melhor combinação política para conservar suficiente da floresta.

Fundamentalismo Islâmico

Os fundamentos do Islã e os festivais religiosos


Meca é considerado o lugar mais sagrado do Islã
Para os muçulmanos, só existe um Deus cujo nome é Alá. E o último profeta de Alá foi Maomé. Maomé não é deus, mas um homem por intermédio de quem Alá revelou sua vontade ao mundo. Maomé é reverenciado pelos islâmicos, mas não adorado. Tudo e todos dependem de Alá.

Todos os islâmicos de qualquer parte do mundo e de qualquer etnia pertencem à mesma comunidade chamada de “umá”.

Os islâmicos são orientados a seguir a vontade de deus pelo Corão, o livro sagrado considerado pelos muçulmanos como a palavra de Deus.

Os islâmicos acreditam em anjos e em profetas como por exemplo, Abraão ou Ibraim, Moisés ou Musa, Davi ou Dawu, Jesus ou Isa. Mas de todos estes, Maomé seria o último profeta.

Juízo

Para os muçulmanos, haverá um julgamento final em algum dia. Existe predestinação (Alá já decidiu o que vai acontecer, mas isso não impede que os seres humanos continuem tomando decisões)

Segundo a crença, Deus é onisciente, onipotente, onipresente e não tem forma. Não pode ser visto, ouvido, não tem sexo.

O ser humano pode se aproximar de Deus por meio de orações e recitação do Corão. Para os islâmicos, Deus não tem filho ou parentes, e não há outro deus superior a Alá.

A oração cinco vezes por dia é a base da fé islâmica, feita na mesquita ou em qualquer outro lugar. Antes das orações da tarde nas sexta-feiras, o imã da mesquita fala sobre um assunto relevante baseado no corão ou na história sobre a vida de Maomé.

O imã não é um sacerdote, mas um islâmico devoto que conhece bem o corão e goza de grande respeito na comunidade muçulmana.

Nomes de Deus

Para os islâmicos, há vários dogmas relacionados a Deus:

- Só existe um Deus e não pode haver outro.

- Deus é chamado de Alá que significa “Aquele que é Deus”.

- Deus é poderoso

- Deus criou todas as coisas

- Deus é misericordioso e compassivo

- Deus sempre existiu e sempre vai existir e é atemporal

- Deus está presente com os islâmicos todo o tempo

- Maomé é o mensageiro de Deus

- Deus tem 99 nomes

O Corão
O Corão é considerado a palavra de Deus e contém os fundamentos da fé islâmica. De acordo com a tradição, o Corão foi ditado a Maomé pelo arcanjo Gabriel.

Por causa de sua origem considerada divina, o Corão nunca foi alterado desde que foi compilado. Cópias do corão são tratadas com grande respeito. Os muçulmanos acreditam que o corão é cópia fiel de um texto que existe no céu.

O único texto considerado legítimo do Corão é o do original em árabe. Islâmicos consideram as traduções para outras línguas “versões do original”.

O corão tem 114 capítulos chamados de suras quem contêm nomes e números. Os islâmicos preferem ouvir a ler o corão silenciosamente, e há várias páginas na internet onde o corão pode ser ouvido.

O hadiths são histórias sobre as palavras e atos de Maomé e seus companheiros ou seguidores contemporâneos. Esses manuscritos são considerados os textos mais sagrados depois do Corão.

Mesquita

O lugar de culto dos islâmicos é a mesquita - palavra que deriva do árabe e quer dizer lugar de prostração.

Os islâmicos não acreditam em reencarnação. Assim como para os cristãos, existe apenas uma vida, vindo depois disso o julgamento final. E também como o cristianismo, o islamismo é uma religião missionária que procura converter pessoas.
Do lado de fora de cada mesquita ou até mesmo na entrada do prédio existe um lugar onde devem ser depositados os calçados dos fiéis.

Também há mesquitas que oferecem possibilidade de banho antes das orações. Todos se sentam no chão porque diante de alá, todos têm o mesmo status.

Mulheres podem assistir às orações nas mesquitas, mas têm que sentar separadas dos homens para não lhes causar nenhuma distração. É mais comum que as mulheres rezem em casa.

Para orientar os fiéis, uma coluna em uma das paredes, o mihrab, aponta para a direção de Meca.

Feriados islâmicos

Há apenas duas festas islâmicas, o Eid-al-Fitr e o Eid-al-Adha - a palavra Eid significa festa, feriado. Mas há varias outras datas comemoradas pelos muçulmanos.

Al-Hijra é o ano-novo dos muçulmanos, em comemoração à hégira, quando Maomé muda de Meca para Medina.

Ashura é um dia de jejum para os islâmicos que marca dois eventos históricos: o dia em que, segundo eles, Noé saiu da arca e o dia em Moisés foi salvo dos egípcios por Alá.

Os islâmicos xiitas comemoram nesse dia o martírio de Hussei, o genro de Maomé, em 680.

O aniversário de Maomé, quando o profeta e sua vida são lembrados. Pais contam histórias sobre a vida de Maomé para os fihos.

Lailat al Miraj é o dia em que Maomé teria viajado de Meca a Jerusalém em uma noite sobre as asas de Buraq, ele ascende ao céu para se encontrar com os profetas anteriores e Deus. Foi neste dia que Maomé diz ter recebido a revelação de que islâmicos deveriam orar cinco vezes por dia.

Já Lailat al Qadr é a noite do poder em que o corão foi revelado a Maomé, e Eid al Fitr marca o fim do Ramadã, o mês do jejum dos islâmicos.

Eid el Adha é o nome do festival do sacrifício que marca o fim da peregrinação à Meca, o hajj. Os peregrinos viajam até o vilarejo de Mina, onde eles atiram pedras contra três colunas.

Os peregrinos passam vários dias em Mina. Após atirar pedras na primeira coluna, eles sacrificam um animal para lembrar a época em que Ibrahim ou Abraão sacrificava um cordeiro a Deus.
BBC BRASIL

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