sexta-feira, 11 de abril de 2014

Notícias Geografia Hoje

Leste da Ucrânia vive insurgência; entenda diferenças em relação à Crimeia

O movimento pela independência de Donetsk provavelmente não acabará da mesma forma que na Crimeia

O movimento separatista da cidade de Donetsk, na Ucrânia oriental, parece muito similar ao que ocorreu entre fevereiro e março na península da Crimeia, no sudoeste do país.

No último domingo, um grupo de manifestantes pró-Rússia ocupou edifícios do governo e declarou o município uma "república popular independente".

Agora, eles exigem que um referendo seja realizado em maio, assim como foi feito na Crimeia, para que a população local vote a favor ou contra sua anexação pela Federação Russa.

"Mas Donetsk não é a Crimeia", explica o jornalista Daniel Sandford, da BBC News, em Moscou.
República autônoma

Em primeiro lugar, a Crimeia já era uma república autônoma antes mesmo da crise ucraniana - que começou em novembro, quando o então presidente Viktor Yanukovytch decidiu recuar num acordo comercial com a União Europeia para se aproximar da Rússia.

Isso desagradou a oposição no país, que foi às ruas em protesto. As manifestações foram reprimidas violentamente e culminaram na deposição de Yanukovycth pelo Parlamento nacional e na instauração de um governo provisório.

Esse novo governo encontrou resistência na Crimeia, onde a maioria da população é de origem russa.

Por ser uma república autônoma dentro da Ucrânia, a Crimeia tem um Parlamento próprio, que votou pela sua independência.

Já em Donetsk, os manifestantes que "aprovaram" sua independência nunca foram eleitos para nenhum cargo público. Ou seja, para muitos ucranianos, lhes falta legitimidade popular para tomar esse tipo de decisão em nome do povo da cidade.
Opinião pública

Manifestantes dizem que, se suas demandas não foram atendidas, eles recorrerão à Rússia

A Crimeia ainda tem um governo local, que podia organizar um referendo. Essa consulta popular ratificou a decisão do Parlamento da península.

A absoluta maioria dos 1,5 milhão de eleitores optou pela anexação, uma decisão que, apesar de não ter o reconhecimento do Ocidente, foi aprovada também pela Rússia em um tratado assinado por seu presidente, Vladimir Putin.

Em Donetsk, mesmo que haja um referendo, o resultado pode ser bem diferente do que na Crimeia por causa da opinião pública.

Apesar de a maior parte dos habitantes também ser de origem russa, pesquisas de opinião feitas até agora indicam que a maioria da população quer ver uma Ucrânia unida.
Minoria

Em entrevista ao jornal ucraniano Segodnya, o analista político Oleksandr Paliy diz que os manifestantes pró-Rússia são minoria em Donetsk.

"Não é toda a cidade que pede a anexação, mas apenas 800 pessoas que tentam falar em nome dos 4 milhões de habitantes, dos quais, segundo pesquisas, 75% apoiam a integridade territorial do país."

Mas, segundo Sandford, da BBC News, isso não torna a situação menos perigosa.

"Os manifestantes já disseram que, se o governo da Ucrânia não ceder às suas demandas, eles pedirão à Rússia para enviar 'forças de paz'."
'Segunda onda'

Tudo indica que a situação não se resolverá facilmente.

Autoridades de segurança nacional da Ucrânia foram enviadas a Donetsk, além de Luhansk e Kharkiv, onde prédios do governo também foram ocupados.

Manifestantes são minoria em Donetsk

O presidente interino do país, Oleksandr Turchynov, cancelou uma viagem à Lituânia para lidar com os protestos.

Ele disse que se trata de uma "segunda onda da operação russa", numa tentativa de "desmembrar e desestabilizar a Ucrânia para derrubar o governo e impedir as eleições presidenciais" marcadas para 25 de maio.

Nesta segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Deshchytsya, foi ainda mais longe e disse à agência de notícias russa Ekho Moskvy que Kiev "irá à guerra se a Rússia enviar tropas à Ucrânia oriental".
'Reação em cadeia'

Em artigo para o diário Segodnya, o comentarista Volodymir Fesenko alerta que a realização de um referendo local em Donetsk vai contra a lei ucraniana.

"Se o governo ceder aos manifestantes, pode gerar uma reação em cadeia em toda a região", escreveu Fesenko.

Até mesmo por isso, a crise gerou ainda uma escalada de tensão em outros países do leste europeu. O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, defendeu que a Otan (aliança militar ocidental) envie tropas à Ucrânia se houver uma invasão russa.

"Se a Rússia estender sua expansão territorial para o leste ucraniano, a festa acabará", disse Zeman em pronunciamento em uma rádio pública no último domingo.
BBC Brasil

Notícias Geografia Hoje

Apenas um em cada seis americanos sabe onde fica Ucrânia


Localizada na Europa Oriental, Ucrânia foi apontada por alguns americanos como fazendo parte dos Estados Unidos

Uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos concluiu que apenas um em cada seis americanos sabem encontrar a Ucrânia em um mapa.

O estudo, realizado pelo instituto Survey Sampling International, ouviu 2.066 americanos entre os dias 28 e 31 de março para saber que tipo de ação os Estados Unidos devem tomar diante da crise política no país da Europa Oriental.

Como parte do estudo, os pesquisadores pediram aos entrevistados que apontassem a Ucrânia no mapa para investigar seu conhecimento sobre política externa.

"Nós queríamos saber onde os americanos acham que a Ucrânia fica e investigar se este conhecimento (ou a falta dele) está relacionada a suas visões de política externa", afirmaram os autores da pesquisa, em um artigo publicado no jornal americano The Washington Post.

O levantamento mostrou que apenas um em cada seis dos entrevistados pôde apontar corretamente onde fica a Ucrânia. E concluiu que os que erraram foram os mesmos que defenderam que os Estados Unidos deveriam fazer uma intervenção militar no país.

"Os resultados são claros, porém desconcertantes", afirmam os pesquisadores.
Ameaça russa

Ainda segundo os autores, os mais mal informados sobre a localização da Ucrânia também veem a Rússia como "uma grande ameaça para os interesses dos Estados Unidos" e defendem que o uso da força seria a melhor forma para garantir a segurança nacional do país.

Um mapa com pontinhos mostrou exatamente onde os americanos acham que a Ucrânia fica. Alguns apontaram que o país fica dentro do próprio Estados Unidos, enquanto outros arriscaram o Brasil, a África e até a Groenlândia.

A pesquisa indica que, no geral, os mais jovens acertaram mais do que os mais velhos: 27% dos entrevistados com 18 a 24 anos identificaram a Ucrânia corretamente no mapa, em comparação com 14% de mais de 65 anos. E os homens tiveram mais acertos do que as mulheres.

Mas é realmente importante que os americanos saibam identificar a Ucrânia no mapa?

Segundo os pesquisadores, sim. "Pesquisas anteriores mostraram que a informação ou a ausência dela pode influenciar a atitude dos americanos sobre o tipo de políticas que eles querem que o governo coloque em prática e a habilidade das elites de organizar suas prioridades".
BBC Brasil

Avanço no Ártico


Na corrida em busca das últimas reservas de petróleo e gás natural, as grandes companhias petrolíferas penetram nas regiões polares: uma ousadia técnica, com riscos imprevisíveis para a natureza
Diana Laarz (Textos) e Justin Jin (Fotos)



Quebra-gelos garantem livre acesso ao SMLOP Varandey: o terminal de carregamento, no Mar de Pechora, fica a 22 quilômetros do litoral russo e é a plataforma marítima mais setentrional da Terra



Temperaturas de até -50ºC e dias cheios de escuridão: barracas dos trabalhadores na área de pesquisa de Naulskij, a 1.750 quilômetros a nordeste de Moscou



A natureza vence a tecnologia: um operário de um dos campos de extração na República de Komi, no noroeste da Rússia, durante reparos de um vazamento em uma canalização de água



Veículos Nomad do prestador de serviços geológicos russo Naryan- Marsejsmoraswedka servem como "cães farejadores" dos caçadores de petróleo: esses veículos especiais usam vibrações sísmicas para detectar recursos minerais escondidos na terra




Estradas de gelo ligam as estações das companhias petrolíferas. Como derretem no verão, elas têm de ser retraçadas
 Reportagem completa na Revista GEO

As consequências do derretimento do gelo no Ártico

Diana Laarz (Textos) e Justin Jin (Fotos)

HÁ PELO MENOS 1.500 ANOS a camada de gelo do Oceano Polar Ártico não ficava tão pequena: em setembro ela só cobriu 3 milhões de quilômetros quadrados - o que foi significativamente menos que no recorde anterior, de 4,3 milhões de quilômetros quadrados, em 2007. Se essa tendência prosseguir, os pesquisadores esperam consequências drásticas para toda a Terra, além de graves efeitos regionais. Três exemplos:
Os narvais: esses mamíferos cetáceos, com seu característico dente incisivo parecido como um chifre, vivem exclusivamente no Ártico. Nos meses mais frios, eles permanecem embaixo da bordas das plataformas de gelo, onde não só encontram abrigo das baleias assassinas (orcas), mas principalmente um farto cardápio de crustáceos, lulas e peixes cujas áreas de alimentação se localizam ali. Se a estação livre de gelo se prolongar ou se o gelo ficar mais fino, as condições de vida desses mamíferos marinhos deteriorarão significativamente.
Ursos polares: como se alimentam principalmente de focas, os ursos polares são obrigados a caçar no gelo, onde encontram animais suficientes para atender às suas necessidades diárias de cerca de oito quilos de carne por animal. Quanto mais longos os períodos livres de gelo, mais curta é a temporada de caça e, portanto, mais precária a situação alimentar dos cerca de 25 mil ursos polares do Ártico. Na baía de Hudson, eles já estão caçando cada vez mais presas que vivem em terra firme - o que elevará o risco de conflitos entre o homem e os animais.
Navegação: o recuo do gelo polar está abrindo novas rotas para o comércio marítimo. A chamada Passagem do Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico ao norte do Canadá e dos EUA, reduziria em 5 mil quilômetros a distância entre o leste asiático e a Europa em comparação com a atual rota tradicional.
Revista GEO

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Impacto do aquecimento global será 'grave e irreversível', diz ONU

Matt McGrath
Da BBC News em Yokohama (Japão)




Enchentes como esta no Paquistão, ocorrida em 2010, ameaçarão cada vez mais a humanidade, diz ONU

O impacto do aquecimento global será "grave, abrangente e irreversível", segundo um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira.

Autoridades e cientistas reunidos no Japão afirmam que o documento é a avaliação mais completa já feita sobre o impacto das mudanças climáticas no planeta.

Integrantes do IPCC dizem que até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza, mas que haverá um impacto cada vez maior sobre a humanidade.

Mudanças climáticas vão afetar a saúde, a habitação, a alimentação e a segurança da população no planeta, segundo o relatório.

O teor do documento foi alvo de intensas negociações em reuniões realizadas em Yokohama. Este é o segundo de uma série de relatórios do IPCC previstos para este ano.

O texto afirma que a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global dobrou desde o último relatório, lançado em 2007.

"Ninguém neste planeta ficará imune aos impactos das mudanças climáticas", disse o diretor do IPCC, Rajendra Pachauri, a jornalistas nesta segunda-feira.

O secretário-geral da Associação Mundial de Meteorologia, Michel Jarraud, disse que se no passado as pessoas estavam destruindo o planeta por ignorância, agora já não existe mais esta "desculpa".
Enchentes e calor

O relatório foi baseado em mais de 12 mil estudos publicados em revistas científicas. Jarraud disse que o texto é "a mais sólida evidência que se pode ter em qualquer disciplina científica".


Nos próximos 20 a 30 anos, sistemas como o mar do Ártico estão ameaçados pelo aumento da temperatura em 2 graus Celsius. O ecossistema dos corais também pode ser prejudicado pela acidificação dos oceanos.

"Ninguém neste planeta ficará imune aos impactos das mudanças climáticas"

Rajendra Pachauri, diretor do IPCC

Na terra, animais, plantas e outras espécies vão começar a "se deslocar" para pontos mais altos, ou em direção aos polos.

Um ponto específico levantado pelo relatório é a insegurança alimentar. Algumas previsões indicam perdas de mais de 25% nas colheitas de milho, arroz e trigo até 2050.

Enquanto isso, a demanda por alimentos vai continuar aumentando com o crescimento da população, que pode atingir nove bilhões de pessoas até 2050.

"Na medida em que avançamos [as previsões] no futuro, os riscos só aumentam, e isso acontecerá com as pessoas, com as colheitas e com a disponibilidade de água", disse Neil Adger, da universidade britânica de Exeter – outro cientista que assina o relatório.

Enchentes e ondas de calor estarão entre os principais fatores causadores de mortes de pessoas. Trabalhadores que atuam ao ar livre – como operários da construção civil e fazendeiros – estarão entre os que mais sofrerão. Há também riscos de grandes movimentos migratórios relacionados ao clima, além de conflitos armados.
Quem paga?

Em lugares como a África, as pessoas estarão particularmente vulneráveis. Muitos que deixaram a pobreza nos últimos anos podem voltar a ter condições de vida miseráveis.


O que é o IPCC?

A função do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas (IPCC), nas suas palavras é "suprir o mundo com visões científicas claras sobre o estado atual do conhecimento em mudanças climáticas e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos".

Com o aval da ONU, a entidade já produziu quatro grandes relatórios até hoje.

O IPCC é uma organização pequena, sediada em Genebra e com uma equipe de 12 funcionários que trabalham em turno integral. Todos os cientistas que colaboram com o painel o fazem de forma voluntária.

Mas o professor Saleemul Huq, outro coautor do relatório, disse que os países ricos não estarão imunes.

"Os ricos terão que se preparar para as mudanças climáticas. Estamos vendo isso agora na Grã-Bretanha, com as enchentes de poucos meses atrás, as tempestades nos Estados Unidos e a seca no Estado da Califórnia", disse Huq.

"Estes eventos são multibilionários, que precisam ser pagos pelos ricos, e existe um limite no que eles podem pagar."

Outro coautor, Chris Field, apontou que existem alguns lados positivos do relatório. Segundo ele, o mundo tem condições de administrar os riscos previstos no documento.

"Aquecimento global é algo muito importante, mas nós temos muitas ferramentas para lidar de forma eficiente com isso. Só é preciso lidar de forma inteligente com isso", diz Field.

Mas um dos problemas que ainda não tem resposta é: quem pagará a conta?

"Não cabe ao IPCC definir isso", disse José Marengo, cientista brasileiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participou das negociações em Yokohama.

"O relatório fornece a base científica para dizer que aqui está a conta, alguém precisa pagar, e com essas bases científicas é relativamente mais fácil ir às negociações da UNFCCC [Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas] e começar a costurar acordos sobre quem pagará pela adaptação [do planeta]."
BBC Brasil

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Notícias Geografia Hoje

Cientistas medem distância entre galáxias com precisão inédita

James Morgan
Repórter de Ciência da BBC News



Levantamento preciso é considerado fundamental para mapear o cosmos

Cientistas mediram as distâncias entre galáxias no universo com precisão inédita, de 99%.

O levantamento, incrivelmente preciso, abrangendo 6 bilhões de anos-luz, é considerado fundamental para o mapeamento do cosmos e da origem da energia escura.

O novo cálculo foi feito pelo projeto Boss (Baryon Oscillation Spectroscopic Survey), usando o Telescópio da Fundação Sloan no Novo México, Estados Unidos.

Os resultados foram anunciados durante a 223ª reunião da Sociedade Americana de Astronomia, em Washington.

O principal pesquisador do projeto - o físico David Schlegel, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley - disse que não existem muitas coisas nas nossas vidas cotidianas que conhecemos com tal precisão.

"Hoje sei mais sobre o tamanho do Universo do que sei sobre o tamanho da minha casa", argumenta.

"Há 20 anos, astrônomos brigavam por causa de estimativas que diferiam em torno de 50%. Cinco anos atrás, o grau de incerteza foi reduzido a 5% e, um ano atrás, ele era 2%. Precisão com margem (de incerteza) de 1% vai ser o novo parâmetro durante muito tempo."
Distâncias intergalácticas

A equipe do Boss usou oscilações acústicas dos bárions (BAOs, na sigla em inglês) como "a régua-padrão" para medir distâncias intergalácticas.

BAOs são as impressões "congeladas" criadas pela ondas de pressão que se moveram logo no início do Universo - e que influem na distribuição das galáxias que vemos hoje.

"A natureza nos deu uma linda régua", disse Ashley Ross, astrônomo da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra. "E essa régua tem meio bilhão de anos-luz de comprimento, então podemos usá-la para medir distâncias com precisão, mesmo que desde muito longe."

Determinar distâncias é um dos grandes desafios da astronomia: "Uma vez que você sabe quão longe (algo) está, aprender todas as outras coisas a respeito disso torna-se, repentinamente, muito mais fácil", disse Daniel Eisenstein, diretor do Sloan Digital Sky Survey III.
Plano

As distâncias disponibilizadas pelo Boss vão ajudar a calibrar propriedades cosmológicas fundamentais - por exemplo, como a "energia escura" acelera a expansão do universo.

Os resultados mais recentes indicam que a energia escura é uma constante cosmológica cuja força não varia no espaço ou tempo.

O projeto também traz uma estimativa excelente da curvatura do espaço.

"A resposta é, (o espaço) não é muito curvado. O Universo é extraordinariamente plano", disse Schlegel.

"E isso tem implicações sobre a questão da infinitude do Universo. Embora não possamos dizer com certeza, é provável que o Universo se estenda para sempre no espaço e continue para sempre no tempo. Nossos resultados são consistentes com (a hipótese) de um Universo infinito."

Quando o projeto Boss tiver sido completado, o levantamento terá reunido espectros de alta qualidade de 1,3 milhão de galáxias, 160 mil quasares (misteriosos corpos celestes encontrados nos confins do Universo que emitem quantidades imensas de radiação) e milhares de outros objetos astronômicos.

Uma análise dos dados atuais - 90% do total - foi publicada no server Arxiv. Os resultados finais deverão ser divulgados em junho.
BBC Brasil

Notícias Geografia Hoje

A Otan conseguirá lidar com a Rússia?

Jonathan Marcus
Analista diplomático da BBC



O secretário-geral da Otan, Anders Rasmussen, anunciou o fim de cooperações com a Rússia

“Vamos ser claros desde o início. A Guerra Fria não está de volta. Apesar seu poderio militar e postura, a Rússia não é a antiga União Soviética. Esta não será uma reedição da batalha ideológica que dividiu o mundo durante a maior parte do século passado.”

De forma resumida, essa foi a visão de um diplomata de alto escalão da Otan (aliança militar ocidental) com quem conversei recentemente.

Mas algo mudou na esteira da captura da Crimeia pela Rússia e sua ameaça militar contínua sobre a Ucrânia oriental.

Moscou quebrou um padrão de comportamento que vinha caracterizando a diplomacia na Europa desde o fim da Guerra Fria e que possivelmente vigorou na Europa ocidental desde o colapso da Alemanha nazista.

A ideia de que disputas serão resolvidas por meio da diplomacia e não da força, de que a moeda do poder é cada vez mais a economia em vez da força militar.

Pior ainda, o discurso de Putin no Kremlin há cerca de dez dias sinalizou que isto não deve acabar por aqui. Porta-vozes russos dizem que o país não deseja enviar suas tropas à Ucrânia, mas as movimentações militares na fronteira sinalizam o contrário – e isso é precisamente o que eles pretendiam fazer.
Até onde Putin pode chegar?

O discurso de Putin foi significativo pois pareceu ser verdadeiro. Os franceses chamam isso de revanchismo – um termo que incorpora o conceito de vingança e restituição depois de uma grande derrota; algo que os próprios franceses experimentaram nas mãos da Prússia em 1870, e algo que muitos russos – certamente aqueles no círculo de Putin – acreditam ter sofrido nas mãos do Ocidente com o colapso da União Soviética.

Putin sinalizou que a Rússia está de volta e que pretenderia se impor em seu próprio quintal, e, para muitos russos, a Ucrânia é o maior quintal de todos.


O presidente Vladimir Putin quer resgatar influência russa

Não está claro até onde Putin está disposto a ir. Mas a ameaça é evidente – para a Ucrânia; e para a Moldávia (onde há a possibilidade da Rússia formalizar uma anexação no enclave da Transnístria). E onde mais pode acontecer além da Moldávia?

É por isso que países como as três repúblicas bálticas estão aliviadas por terem se juntado á Otan há dez anos. Também é essa a razão de subitamente os assuntos de proteção e confirmação de seus membros se tornaram subitamente tão importantes na agenda da Otan.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte não consegue saber as intenções do Kremlin. Ela pode apenas analisar capacidades e criar hipóteses a partir dos sinais e ações registrados até agora.

Então, o que a Otan pode fazer? O primeiro passo é acalmar seus aliados inquietos no norte da Europa.
Apoio para a Ucrânia

Em primeiro lugar, poderia haver uma série de pequenos envios de tropas para reforçar a presença de unidades da aliança nas repúblicas bálticas e na Polônia. Exercícios militares de pequena escala poderiam fornecer uma presença quase permanente da Otan naqueles países se isso for o que os líderes da aliança decidirem.

Também haverá mais apoio para a Ucrânia. Não para trazer o país para o guarda-chuva da Otan, pois o atual governo ucraniano não parece desejar fazer parte da aliança.

Mas a Ucrânia é uma parceira da Otan. A aliança já ajudou a melhorar o controle civil ucraniano sobre suas forças militares, com planos de defesa e aí por diante. É esperada mais ajuda dessa natureza além de assistência de caráter não letal para tornar as moribundas forças militares do país mais efetivas.

A Otan está sinalizando que não vai mudar de direção. Alguns críticos sugeriram que a expansão da organização desde o fim da Guerra Fria levou de alguma maneira a Rússia a agir na Ucrânia, o que provocou uma sensação de cerco em Moscou.


Ministros da Otan concordam sobre resposta à Rússia

Os ministros de relações exteriores da Otan (aliança militar ocidental) concordaram de forma unânime em estabelecer medidas em resposta à anexação da Crimeia pela Rússia, incluindo a suspensão formal de toda a colaboração prática, civil e militar, com Moscou.

Eles também concordaram em rever a disposição das tropas da aliança entre seus membros localizados na Europa oriental. Esses membros estão se sentindo mais vulneráveis após as últimas afirmações da Rússia.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen descreveu a anexação da Crimeia como a mais grave ameaça à segurança da Europa desta geração.

Os diplomatas da Otan rejeitam essa interpretação. O secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, em um artigo publicado na terça-feira em jornais dos 12 países que se juntaram à Otan desde o fim da Guerra Fria, insistiu que a ampliação da organização foi boa para a Europa, para a Otan, e para os membros mais recentes. Ele afirmou que esse processo vai continuar e que cabe aos países determinarem suas próprias alianças.

Coincidentemente, a reunião da Otan nesta semana será marcada por um aniversário triplo: 15 anos desde que a Polônia,a Hungria e a República Tcheca se juntaram à aliança; dez anos da adesão de Bulgária, Estônia, Letônia, ituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia; e cinco anos das entradas da Albânia e da Croácia.

Este é um aniversário que os ministros da Otan marcarão com uma breve cerimônia, cujo simbolismo será percebido por Moscou.

Acima de tudo, os ministros de relações exteriores da Otan precisam planejar o futuro.

E como a organização deve responder aos novos ventos que sopram de Moscou?

O trabalho será iniciado nesta semana e alimentará a próxima reunião, programada para acontecer em setembro, no País de Gales.
As regras do jogo

Isso dará direção e diretrizes para uma série de estudos. Entre eles o de como será a relação entre a Otan e a Rússia no futuro? Esse é um esfriamento temporário? OU como um diplomata me disse: todo o esforço para construir uma parceria com Moscou está ameaçado?

Se as regras do jogo mudaram na Europa, quais serão as implicações militares? Países que sofrem com falta de recursos financeiros talvez tenham que reavaliar seus orçamentos de defesa ou ao menos levar mais a sério as possibilidades de defesa conjunta.

Os Estados Unidos terão que reforçar seu compromisso com a segurança na Europa e formas tangíveis. Novos padrões de exercícios terão que ser considerados e a estrutura de força terá que ser revista.

Simplesmente, não será um caso trivial, não porque a Guerra fria esteja de volta, mas porque o propósito fundamental da Otan – a defesa territorial de seus membros – se tornou muito mais importante do que era há algumas semanas.
BBC Brasil

terça-feira, 1 de abril de 2014

A Europa conseguiria viver sem o gás russo?

BBC Mundo


A Europa obtém a maioria de seu gás e petróleo da Rússia e isso virou um problema para o continente

A Europa consome 70% do petróleo e 65% do gás exportado pela Rússia, país que se tornou uma dor de cabeça para o líderes do continente desde o início da crise na península da Crimeia, na Ucrânia.

A região aprovou em um referendo sua anexação à Federação Russa - que, por meio de um tratado assinado pelo seu presidente, Vladimir Putin, aceitou incorporar a região autônoma, até então parte do território ucraniano.

Isso levou a Europa e os Estados Unidos a aplicarem sanções comerciais e econômicas ao governo de Putin, e entre elas está a redução da importação de recursos energéticos.

Em teoria, a Rússia poderia retaliar com a interrupção completa do fornecimento de gás e petróleo aos países do bloco europeu, mesmo que isso signifique perder 54% das receitas com exportações do país.

Hoje, estas exportações financiam pouco menos da metade de todo o orçamento anual federal russo.

Mesmo que essa medida seja improvável, a crise já levou a Europa a buscar alternativas à Rússia. A BBC Mundo lista algumas delas:
Gás de xisto dos Estados Unidos

Em sua passagem por Bruxelas, na última quarta-feira, o presidente americano, Barack Obama, ofereceu ao continente um tratado comercial que permita a exportação de gás de xisto para substituir o gás fornecido pela Rússia.


Obama pede retirada de tropas russas

O presidente americano, Barack Obama, fez um apelo para que a Rússia retire suas tropas de áreas próximas à fronteira com a Ucrânia.

"Pode ser apenas algo para intimidar os ucranianos, ou a Rússia pode ter outros planos", afirmou Obama entrevista concedida à emissora CBS News na quinta-feira.

O pedido vem após uma conferência da ONU considerar ilegais o referendo realizado na Crimeia, em que a anexação da península pela Rússia foi aprovada, e o tratado assinado pelo presidente Vladimir Putin, que incorpora a região à Federação Russa.

Nesta sexta-feira, Putin disse a militares reunidos no Kremlin que os eventos recentes na Crimeia são um "grande teste" para as Forças Armadas russas e que seu profissionalismo ajudou a assegurar a paz na península.

Obama, por sua vez, fez um alerta a Putin durante a entrevista dizendo que o presidente russo "não deve retomar práticas que eram muito comuns durante a Guerra Fria".

Estima-se que os EUA se tornarão, em 2020, o principal produtor de gás de xisto do mundo e, assim, poderia exportar esses recursos ao continente sem dificuldades.

Mesmo assim, Obama advertiu: "A Europa tem que usar melhor seus recursos naturais para não depender de ninguém".

Um dos problemas com essa alternativa é a técnica de produção deste tipo de gás e petróleo, conhecida como "fracking", que é condenada por ambientalistas por usar produtos químicos para sua extração das rochas, o que poderia afetar o subsolo.

Em janeiro, a Comissão Europeia recomendou, por meio de uma resolução, que os países-membros do bloco legislem sobre a questão.

Na Europa, mas de fora do bloco, o Reino Unido parece já ter tomado sua decisão. Na última quinta-feira, o primeiro-ministro britânico David Cameron disse que "a extração de gás de xisto deve se tornar o ponto número um da agenda energética" do país, mas esclareceu que a ilha não depende do gás russo.
Gás e petróleo da Argélia e do Catar


O gás produzindo na Argélia tem a vantagem de não ser alvo de protestos de ambientalistas

Os dois países tinham, até agora, um papel importante no mapa energético europeu, mas não eram seus protagonistas.

Hoje, a Argélia é o terceiro maior fornecedor de gás para a Europa. Na Espanha, 36% do consumo é abastecido pelo país africano.

Além disso, a Argélia tem uma vantagem: o produto do país é conhecido como gás natural líquido, ou GNL, que não sofre a resistência ambiental do combustível obtido por meio do "fracking".

O Catar está na mesma posição vantajosa, porque é o maior produtor mundial de GNL e hoje é um importante parceiro da Europa. Mas o Catar tem um sério empecilho: um de seus principais gasodutos passa pela Síria e foi afetado pela guerra no país árabe.

"O problema de depender de países de fora do continente é que não temos influência sobre sua situação política, que muitas vezes é volátil, como é o caso atual da Síria, Argélia e de outros países do Oriente Médio", afirmou Jacopo Moccia, diretor de assuntos políticos da Associação Europeia de Energia Eólica (EWEA).
Energia eólica


A Europa quer obter 30% de sua energia a partir do vento até 2030

Segundo dados da EWEA, espera-se que até 2030 cerca de 30% da energia consumida no continente venha do vento.

Mas há um problema: a energia eólica só serve, até o momento, para ser transformada em energia elétrica.

"Somos uma tecnologia barata, madura e competitiva na Europa", disse à Moccia. "Ainda assim, é fundamental que se deixe de importar combustíveis fósseis como gás e petróleo para desenvolver ainda mais essa fonte de energia."

Hoje, 8% da eletricidade da Europa vem da energia eólica, mas isso varia bastante no continente: enquanto a Dinamarca obtém 30% da sua energia elétrica desta forma, Malta não a usa.

"Os países precisam diversificar suas fontes de energia. Essa crise é uma oportunidade para isso", agregou Moccia.
Energia nuclear


Um terço da energia consumida na Europa vem de usinas nucleares

A Rússia é o principal produtor de urânio enriquecido, que é fundamental na produção de energia nuclear, e também o principal fornecedor desta matéria-prima para a Europa, onde hoje 132 reatores nucleares produzem um terço da energia do continente.

A Rússia já fez uma ameaça quanto a isso. "Tendo em vista as medidas tomadas contra o governo russo, os contratos atuais poderiam ser cancelados", afirmou o presidente da empresa estatal nuclear russa Rosatom, Sergei Kiriyenko.

Além disso, após o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, cidadãos de diversos países europeus protestaram pedindo o fechamento de reatores. A Alemanha, por exemplo, fechou diversas centrais nucleares.
BBC Brasil

Aquecimento global ameaça café no Brasil, diz relatório da ONU

Luís Guilherme Barrucho
 BBC Brasil em Londres



Mudanças climáticas podem reduzir áreas destinadas ao cultivo do café, especialmente o da variação arábica, que responde por 70% da demanda global

Alimento mais consumido pelo brasileiro, à frente do arroz e do feijão, o popular cafezinho pode perder o lugar cativo nas mesas de todo o país devido às mudanças climáticas.

Dados da segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), divulgada nesta segunda-feira, revelam que o aumento da temperatura média global pode reduzir as áreas destinadas ao cultivo do grão, especialmente o da variação arábica, que responde por 70% da demanda global.

O impacto seria maior em países como o Brasil, maior produtor e exportador mundial de café.

Hoje, uma a cada três xícaras de café consumidas no mundo é produzida em solo brasileiro.

Outros alimentos, como cacau e chá, também poderiam ser severamente afetados pela onda de calor.

Baseado em uma compilação de estudos já publicados sobre o efeito do aquecimento global na produção de café, o relatório, divulgado nesta segunda-feira em Yokohama, no Japão, aponta que a combinação de altas temperaturas e escassez de recursos hídricos diminuiria consideravelmente o cultivo do grão nos principais Estados produtores no Brasil, como Minas Gerais e São Paulo.

Nesses Estados, diz o IPCC, um aumento de 3ºC na temperatura global reduziria o potencial de cultivo das áreas destinadas ao plantio de café de 70-75% para 20-25%, enquanto que a produção em Goiás seria eliminada.

Em São Paulo, que responde por 10% do total de café colhido no Brasil, o aquecimento global reduziria a produção em 60%, causando perdas equivalentes a US$ 300 milhões (R$ 680 milhões).

"Essa tendência já vem sendo observada nos últimos anos. Entre 1998 e 2008, somente o Estado de São Paulo perdeu 35% de área cultivada com café arábica, a maioria substituídas por seringueira e cana-de-açúcar, que são plantas mais tolerantes ao calor e às estiagens mais longas. Nessas áreas, as temperaturas médias subiram mais de 1,5ºC, afetando diretamente o florescimento (dessas plantas)", afirmou à BBC Brasil Hilton Silveira Pinto, professor da Unicamp e um dos autores do estudo citado no relatório do IPCC.

"Por outro lado, poderá haver um incremento de produção em regiões hoje mais frias, como Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, mas esse acréscimo não será capaz de compensar as perdas gerais da cultura", acrescentou ele.

A partir de simulações matemáticas, Silveira Pinto, da Unicamp, e Eduardo Assad, da Empraba, fizeram uma estimativa futura sobre a redução da área destinada ao cultivo do café em dois cenários: um otimista (B2), segundo o qual a temperatura global deve crescer entre 1,4°C e 3,8ºC até 2100, e outro pessimista (A1), que prevê uma onda de calor entre entre 2°C e 5,4ºC no mesmo período.

No primeiro cenário, os pesquisadores estimaram uma queda de 6,75% na área destinada ao cultivo do café até 2020. Mas em 2050, o total de terrenos propícios ao plantio do grão poderia diminuir 18,3%, chegando a 27,6% em 2070.

Nesse contexto, o aquecimento global poderia trazer prejuízos de R$ 600 milhões em 2020, R$ 1,7 bilhão em 2050 e R$ 2,55 bilhões em 2070, acrescentam.

Já no segundo cenário, o mais pessimista, a queda da área de baixo risco começa com 9,48% em 2020, subindo para 17,15% em 2050 e chegando a 33% em 2070, o que representaria um perda de R$ 882 milhões, R$ 1,6 bilhão e R$ 3 bilhões, respectivamente.


Impacto do aquecimento global nas áreas destinadas ao cultivo do café no Brasil

1,4°C e 3,8ºC (B2 - Cenário otimista) 2°C e 5,4ºC (A1- Cenário pessimista)
2020 -6,75% -9,48%
2050 -18,3% -17,15%
2070 -27,6% -33%

Fonte: http://www.agritempo.gov.br/climaeagricultura/cafe.html
Brasil


Em 2013, ano considerado de safra curta, a produção total de café no Brasil foi de 2.918.652 quilos, o equivalente a 48,6 milhões de sacas de 60 quilos.

Neste ano, o IBGE prevê um aumento de apenas 0,1% na produção, que deve alcançar 2.922.303 quilos.

No entanto, estima-se que haverá uma redução de 3,2% da área destinada à colheita do café arábica, que responde por dois terços da produção total.

Se a previsão for confirmada, será a primeira vez em mais de 20 anos que não será observada a alternância de safras.

Isto é, safra cheia nos anos pares e safra curta nos ímpares. De 1992 a 2013, a tendência foi observada sem interrupções.

As estimativas já levam em consideração o impacto do clima extremo que atingiu as fazendas de café brasileiras neste ano, depois que uma seca de grandes proporções eliminou 25% das lavouras e forçou 140 cidades a racionar água.

Porém, entidades do setor dizem que as previsões do IBGE estão descoladas do mercado. Segundo elas, a produção será ainda menor do que a prevista pelo instituto, dadas as intempéries relacionadas às mudanças climáticas.


Por causa das altas temperaturas, a colheita do café também teve de ser antecipada neste ano entre 15 a 25 dias.

No caso do arábica, a colheita, que normalmente ocorre no final de maio, foi adiantada para o início do mesmo mês.

Já os produtores da variação robusta (ou conilon) ─ que tradicionalmente é colhida antes do arábica devido à fenologia ─ deverão começar para valer a colheita em meados de abril, quando isso seria feito somente no início de maio, após chuvas abundantes terem antecipado as floradas e favorecido a formação do grão, segundo a agência de notícias Reuters.
Prejuízo

As previsões para a redução das áreas de cultivo destinadas à produção de café ocorrem em um momento de crescimento da demanda pelo grão ao redor do mundo.

Só no Reino Unido, o número de estabelecimentos que vendem café aumentou 4% na última década. Somente esse setor fatura 5,8 bilhões de libras (R$ 22 bilhões).

O estudo do IPCC também alerta que o aquecimento global pode diminuir em 40% o número de terrenos propícios ao cultivo de outros grãos na Costa Rica, Nicarágua e El Salvador, afetando 1,4 milhão de pessoas.


Costa Rica, Nicarágua e El Salvador são alguns dos países que também podem ser afetados por aquecimento global

Na África, países como Etiópia, Quênia, Uganda, Ruanda e Burundi, conhecidos pela produção da variação arábica em áreas de maior altitude, também devem ser ameaçados pelas mudanças climáticas, acrescenta o relatório.
IPCC

Nesta segunda-feira, em Yokohama, foi divulgada a conclusão do segundo grupo de trabalho da quinta avaliação do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), sobre os impactos da alteração climática, adaptação e vulnerabilidade da Terra.

O relatório completo será divulgado no fim do ano. As outras edições foram apresentadas em 1990, 1995, 2001 e 2007.

Para elaborar as avaliações, o IPCC divide-se em três Grupos de Trabalho (GTs). O GT I é responsável pela "Base Científica da Alteração Climática", o II lida com "Impactos da Alteração Climática, Adaptação e Vulnerabilidade" e o III está a cargo de explicar a "Mitigação da Alteração Climática".
BBC Brasil

Notícias Geografia Hoje

Cuba está pronta para se abrir a novos investimentos estrangeiros?

Sarah Rainsford
BBC News em Havana



Zona de desenvolvimento de Mariel é uma das vitrines para atrair investidores

"Socialismo ou morte", diz o cartaz na entrada de uma metalúrgica em Havana, com a foto de Fidel Castro. As palavras são um lembrete de que Cuba continua sendo um lugar muito peculiar para os negócios.

Mas tudo indica que um ambiente mais pragmático está se firmando.

Neste fim de semana, o presidente Raúl Castro - responsável por um programa de reformas tão amplo quanto lento - convocou uma sessão extraordinária do Parlamento para discutir meios de atrair mais investimentos externos à ilha.

Os parlamentares aprovaram uma nova lei com a qual o país espera atrair mais de US$ 2 bilhões por ano em investimentos e elevar o crescimento econômico a 5 a 7%.

O ministro de Comércio, Rodrigo Malmierca, disse aos parlamentares que a lei de investimento estrangeiro tinha como objetivo ajudar Cuba acessar novidades tecnológicas, métodos de gerenciamento e mercados de exportação - além de gerar empregos.

"Ela não apenas ajudará a atrair capital estrangeiro, com regras claras e incentivos, como também nos ajudará a usar esse potencial para desenvolver o país, enquanto preservamos nossa independência e soberania", discursou.
Efeito Venezuela

A instabilidade política e os problemas econômicos da Venezuela deram mais urgência a essa medida, já que Havana é forçada a contemplar a possibilidade de perder um aliado vital e uma fonte de financiamento.

Foi a perda de seu benfeitor prévio - a União Soviética - que já havia forçado Fidel a abrir a economia cubana ao exterior. A partir dos anos 1990, o país começou a receber dinheiro de turismo e por suas minas de níquel.

Mas conseguir levar um empreendimento adiante sempre foi muito lento; alguns projetos eram adiados sem motivos aparentes que não ideológicos e burocráticos.

"A nova lei parece muito promissora como um incentivo ao investimento estrangeiro", diz o empresário britânico Andrew McDonald, sugerindo que incertezas começam a ser superadas.

A empresa de McDonald, Havana Energy, é uma joint-venture que está construindo uma usina de biomassa em um engenho de açúcar.

"Acho que isso dará um sinal significativo à comunidade internacional de que Cuba está pronta para os negócios", ele agrega, argumentando que há um forte interesse pelo mercado cubano.
Velhos hábitos

Mas, em um indicativo de como é difícil se livrar de velhos hábitos, a imprensa estrangeira não teve acesso ao texto da nova lei ou ao debate ocorrido no Parlamento, no sábado.

Os detalhes divulgados aos jornalistas mostram que haverá uma isenção de oito anos em impostos sobre lucros, que serão de 15% - metade da taxa atual. Outras vantagens tributárias e garantias legais também devem impedir que empreendimentos sejam expropriados pelo Estado - uma preocupação de empresários ante as nacionalizações em massa ocorridas após a revolução de 1959.

Ao mesmo tempo, outros obstáculos permanecem. A Cuba ainda é tratada como "Estado patrocinador de terrorismo" pelos Estados Unidos, o que dificulta transações com a ilha e iniciativas para levantar capital.

Além disso, restrições impostas pelo embargo comercial americano impedem que empresas com interesses nos Estados Unidos façam negócios em Cuba - e eliminam um grande mercado de exportação aos cubanos.

E há, também, o passado.

"Cubanos têm de superar um histórico de quase 20 anos de tratamento oscilante a investidores", opina o ex-embaixador britânico em Havana, Paul Hare.

Desde 2002, ele diz que o número de joint ventures na ilha caiu a quase a metade; e destaca a prisão, sob circunstâncias pouco esclarecidas, de vários empresários estrangeiros no país como algo que assusta investidores.

"O regime pode querer mudanças, mas as cicatrizes são difíceis de se apagar", diz Hare.
Porto com o Brasil

A primeira tentativa de despertar a atenção estrangeira foi a inauguração da zona de desenvolvimento especial de Mariel, cujo porto foi revitalizado com investimento brasileiro.

"Talvez o preconceito político contra investimentos externos tenha sido muito forte no passado, mas acho que (as políticas) atuais são mais racionais", disse recentemente à BBC o economista do governo Juan Triana.

Ele acha que a confiança dos empresários estrangeiros pode ser restaurada.

"A forma como o governo lidava com a estrutura legal era realmente discriminatória. Acho que estamos construindo um novo ambiente. Mas leva tempo."

Cuba recebeu a visita da presidente Dilma Rousseff na inauguração do porto e convidou uma delegação de empresários brasileiros como parte de sua nova ofensiva.

"Claro que há obstáculos, mas também novas oportunidades", disse Julian Pedro Carpenedo, após uma missão de três dias com 31 empresas.

A empresa de Carpenedo, Globoaves, já exporta carne de frango a Cuba; o governo quer que ela invista também na produção local.

"Temos de ver o que está acontecendo para decidir se (Cuba) é o lugar certo para investir, mas estamos animados em conhecer as possibilidades", diz o empresário.
Cubanos

No que diz respeito aos cubanos, as reformas de Raúl Castro permitindo um limitado empreendedorismo privado tornou a vida mais fácil para alguns, mas sem dar o impulso econômico necessário ao país.

Então a maioria acha bem-vinda a entrada de estrangeiros.

"Todos estamos lutando", diz um aposentado. "Damos um jeito. Mas talvez com um pouco de ajuda de fora, a vida para nós cubanos ficaria um pouco mais fácil."
BBC Brasil

quarta-feira, 26 de março de 2014

Areia avança sobre Riad


Rolo compressor de areia

Uma gigantesca nuvem de areia avança sobre Riad, a capital da Arábia Saudita. ela foi formada por uma das típicas tempestades de deserto que ocorrem desde o norte da África até a Península Arábica na primavera, podendo facilmente atingir velocidades de até 140 km por hora. elas ressecam ainda mais essa árida região e fazem com que as temperaturas subam até 20ºC em apenas duas horas. os ventos são chamados de "chamsin", o que em árabe significa "cinquenta", porque em geral eles ocorrem 50 dias após o equinócio da primavera - quando o dia e a noite têm a mesma duração. Raramente, porém, são tão violentos como foram no dia 10 de março de 2009, quando esta foto foi tirada.
Revista GEO

segunda-feira, 24 de março de 2014

Inselberg


Inselberg é o termo utilizado para caracterizar relevos residuais que, podendo ser sedimentares, salientam-se em uma planície (pediplano) em paisagem árida ou semi-árida. São originados de um intenso processo  erosivo típico de ambientes áridos: a erosão paralela.
Fonte: TERRA: feições  ilustradas, ed. UFRGS, 2008.


O que são Regs?


 Erg Chebbi, no sudeste de Marrocos


Reg expressa uma área em ambiente desértico cuja superfície é recoberta por cascalhos e seixos. Os regs são também reconhecidos como desertos pedregosos.
Fonte: TERRA - feições ilustradas, ed. UFRGS, 2008.

domingo, 23 de março de 2014

Tempo ruim para iglus




Quanto mais frequente o degelo, menos a neve serve para construir as habitações dos nativos inuítes

As mudanças climáticas não se integraram apenas ao idioma deles. Silaup asijjipallianinga, "a mudança gradual do tempo", interfere de maneira crescente na vida dos habitantes do Norte do Canadá.

O gelo, cada vez mais fino, não sustenta mais o peso de seus veículos de neve. Os glaciares, no Parque Nacional de Auyuittuq, "a terra que nunca derrete", cedem pouco a pouco. Em vez do "gélido vento norte feminino", sopra, com frequência cada vez maior, o "vento quente masculino", do sul.

Por isso, dizem os nativos, ficou difícil encontrar o tipo de neve que seus ancestrais utilizavam para construir casas de inverno. Eles explicam que o vento frio e forte do norte tem o dom de acumular neve seca, e prensá-la de tal modo, que ela resista quando for necessário "cortar tijolos" firmes para construir um iglu.

Além disso, a camada de neve vem sendo exposta a um maior número de alterações de temperatura. "Com isso, no espaço de apenas duas semanas, a estrutura dos cristais se modifica drasticamente", disse Bernd Pinzer, do Instituto para Pesquisa de Neve e Avalanches, em Davos, na Suíça. Também isso reduz a estabilidade do tradicional material de construção

Mas a neve derretida e congelada diversas vezes, devido às transformações do clima, apresenta ainda outras desvantagens. Como isolante, ela é muito pior do que a neve assentada, duradoura e constantemente fria. O nível de proteção proporcionado pela neve depende das partículas de ar encerradas em pequenas bolhas, que no material prensado responde por 60 % a 80 % de seu volume

A estrutura da neve é mais complexa e, por essa razão, muito mais vantajosa para funcionar como isolante que a do gelo. Para escapar do interior do iglu através das paredes, o calor precisa percorrer caminhos relativamente longos. Em habitações de gelo de boa condição de isolamento, reinam temperaturas "agradáveis", de até 10ºC, inclusive durante geadas rigorosas. O aquecimento interno fica por conta do calor que emana dos corpos dos próprios moradores. Em iglus congelados, as temperaturas seriam muito mais baixas.
Revista GEO

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