segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Estados Unidos desperdiça de alimentos e recursos naturais

Pesquisadores concluem que má atribuição de validade contribui para descarte indevido

Dmitry Kalinovsky/Shutterstock


Nos Estados Unidos 40% dos alimentos são desperdiçados
Perrin Ireland

Em minha segunda rodada de pesquisas sobre o relatório The Dating Game (O jogo de datação, em tradução livre), do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês), que explica como o sistema de determinação das datas de validade dos alimentos estimula a perda de alimentos nos Estados Unidos, conversei com dois autores do próprio relatório: Emily Broad Leib, diretora da Harvard Food Law and Policy Clinic, (uma divisão do Centro de Direito da Saúde e Política de Inovação) uma perita no sistema legal que contribui para essa situação, e Dana Gunders, cientista residente do NRDC para desperdício de alimentos.

Minha conversa com Emily Leib:

O que é a Harvard Food Law and Policy Clinic, e como a ‘clínica’ se envolveu nesse relatório?

A clínica é um programa experimental de aprendizagem em que os estudantes de direito se envolvem em um treinamento prático e ativo e trabalham com clientes do mundo real para influir em leis e políticas alimentares.

Nosso trabalho com datas de vencimento começou como um projeto para atender às necessidades de nosso cliente Doug Rauch que pretendia lançar um novo modelo de loja de alimentos para vender produtos que ainda estavam bons, mas que de outro modo seriam descartados.

Ao concluir algumas pesquisas para ele sobre todas as leis estaduais ligadas à rotulagem com a data de validade dos alimentos, percebemos que o sistema precisava urgentemente de uma revisão e julgamos que essa seria uma ótima maneira de empregar as energias da clínica. Essa é uma área em que o sistema legal, em vez de melhorar a questão social na realidade erra ao criar mais desperdício de comida e reduzir a segurança do consumidor.

A primeira coisa que chamou minha atenção ao ler o relatório é que o sistema de rotulação é descrito como “confuso”. A que se deve isso em sua opinião?

O sistema decididamente é confuso! É uma bagunça tão grande que até é difícil chamá-lo de “sistema”. Como inexiste uma regulamentação a nível federal, os estados ocuparam essa lacuna e regulamentam a rotulação de diversas maneiras diferentes.

Tivemos dificuldade em encontrar dois estados que tivessem as mesmas normas.

Nova York, por exemplo, não exige datas em nenhum alimento e não regula a venda de produtos após as datas colocadas nas embalagens voluntariamente, mas todos os seus seis estados vizinhos exigem que certos alimentos sejam rotulados e/ou regulamentam sua venda após o vencimento do prazo. O próprio fato de que os estados são tão inconsistentes entre si mostra que essas datas nada têm a ver com a segurança alimentar, porque seus resultados não variam de estado para estado com base nessas leis de rotulação.

Os consumidores, porém, estão alheio a toda essa confusão. Para eles, há um “sistema” e eles tratam os rótulos de datas como se fossem significativas. A maioria das pessoas abordadas fica chocada ao descobrir que os termos utilizados são indefinidos, que não existem regras para a definição das datas de validade, e que os rótulos são regulamentados de forma tão inconsistente.

Quando vejo um rótulo que diz “vender até tal data” em uma embalagem, o que isso realmente significa?

Essa informação em geral se destina a uma comunicação entre os fabricantes e os varejistas, para que eles saibam até quando algo precisa ser vendido para que o produto ainda tenha uma vida útil para os consumidores. Caso contrário, eles devem ser tirados das prateleiras. Mas como não existe uma definição legal fixa para o termo, isso nem sempre é o caso.

De fato, alguns estados tratam a informação “vender até” como se fosse o mesmo que “usar até” e “melhor consumir antes de”. Em termos gerais, porém, acredito que os consumidores podem olhar para a data “vender até” e saber que se trata de uma data de rotação dos estoques e que os alimentos ainda são seguros e frescos por alguns dias após esse prazo.

E quanto às datas “usar até” ou “melhor até”? Qual é a diferença entre as duas categorias?

Mais uma vez, como essas datas não são definidas, não existe um significado fixo para esses termos. Nos Estados Unidos não há uma diferença consistente entre os dois. Frequentemente eles são empregados como sinônimos. Em outros países, como na União Europeia, “usar até” está ligado à segurança e “melhor consumir antes de” à qualidade. Esse não é necessariamente o caso nos Estados Unidos.

O relatório se concentra em como o sistema de rotulação acaba inadvertidamente criando um desperdício de alimentos. No entanto, vocês também mencionam como a sub-regulamentação do sistema de rotulação alimentar cria questões de segurança. A senhora poderia explicar isso?

A questão principal é que os consumidores não só se baseiam nas datas como uma razão para jogar alimentos que ainda são perfeitamente comestíveis e seguros, mas também parecem acreditar que todos os produtos são seguros antes das datas de vencimento; portanto, eles continuarão consumindo alimentos que foram armazenados ou manipulados de forma insegura.

Desse modo, o excesso de confiança em datas e a interpretação equivocada das mesmas como indicadores de segurança causam problemas nas duas pontas.

Como os regulamentos federais da rotulação de alimentos podem ser aprimorados?

Depois de realizar toda essa pesquisa estadual e industrial e analisar os impactos sobre os consumidores estou convencida de que melhorar e padronizar o sistema inconsistente e ineficaz de rótulos datados ajudaria os consumidores a maximizar seus orçamentos alimentares, reduziria o desperdício de comida e de recursos, e melhoraria a segurança alimentar.

Em minha opinião, a maneira mais simples e direta de fazer isso é por meio da regulação federal. Isso não quer dizer que a indústria não poderia fazer muita coisa boa com mudanças voluntárias, mas como há uma gama tão ampla de leis estaduais para rótulos datados, que são tão diferentes entre si, existem algumas limitações para os tipos de mudanças que a indústria pode fazer.

Por essa razão, a menos que os estados realmente rigorosos mudem suas normas, ou até que o governo federal intervenha para criar regras uniformes, uma ação da indústria poderia ser um primeiro grande passo, mas pode não nos levar ao melhor sistema. Dito isso, como presumo que é muito caro para as empresas seguirem todas as leis estaduais (muitas delas ainda estão mudando e quatro estados aprovaram novas leis para as datas de validade em 2012), acredito que também haja benefícios para a indústria em termos de custos administrativos reduzidos se elas tiverem uma lei uniforme.

Como esse trabalho afetou a senhora pessoalmente?

Começar a trabalhar nessa área mudou completamente os hábitos de consumo na minha casa. Gastamos muito mais tempo analisando as melhores formas de armazenar a comida para que ela dure mais e nunca jogamos nada em qualquer data de “validade”, exceto se o aspecto ou o cheiro do produto estiver ruim ou se soubermos que o guardamos por mais tempo que deveríamos. Só tivemos boas experiências fazendo isso. Estamos economizando comida e dinheiro!

Minha conversa com Dana Gunders, cientista do projeto do NRDC sobre alimentos e agricultura:

O que despertou seu interessou nesse relatório?

Esse relatório se originou de outro maior que produzimos, o Wasted Report, no qual analisamos os motivos e a extensão do desperdício de alimentos no país. Identificamos as datas de validade como um dos fatores estimulantes do esbanjamento e um sistema que realmente não atende nem aos consumidores nem à indústria.

Estou interessado nessa ideia de que ele não atende nem consumidores nem a indústria. A senhora poderia elaborar?

Os consumidores interpretam essas datas como um sinal de que o alimento não é seguro para consumo, ou que há alguma implicação de segurança por trás delas.

Na realidade elas se aplicam à qualidade. Eles (os consumidores) acreditam que se trata de um sistema objetivo e racional quando de fato há muita subjetividade em toda essa coisa. Recentemente entrei em um mercado da cadeia americana Trader Joe’s e dei uma olhada na seção de leite. Todo o leite ali é da marca Trader Joe’s e no mesmo tipo de leite, entre embalagens de 3,78 litros e 1,89 litro, havia dois tipos de datas diferentes. No caso do leite desnatado, em embalagens de 1,89 litro e 0,94 litro, o mesmo produto tinha informações diferentes: um trazia a data “melhor consumir até” e o outro não tinha data nenhuma. Exatamente os mesmos produtos e um sistema de datação completamente diferente.

Na indústria também há confusão. A falta de padronização está causando prejuízos. Existe um relatório publicado pelo setor em 2003 em que se estima que produtos no valor de US$ 900 milhões não são vendidos por causa da data de validade. Uma parte disso eles atribuem à falta de padronização.

O ex-presidente de uma rede de mercearias me contou que eles compravam as mesmas carnes que o concorrente do outro lado da rua. A sua loja colocava uma data de validade de três dias, enquanto o concorrente dava um prazo de cinco. Eles pensavam que estavam fazendo o produto parecer mais fresco assim, mas quando começaram a entrevistar as pessoas, descobriram que elas atravessavam a rua para comprar carne porque presumiam que com uma validade de cinco dias ela tinha uma vida útil mais longa e, portanto, era mais fresca. Eles mudaram sua tática e tudo ficou bem. Mas isso mostra o quanto algumas dessas datas podem ser arbitrárias.

Quais são as implicações ambientais para esse tipo de desperdício de alimentos?

Cerca de 40% dos alimentos nunca são consumidos nesse país — e isso levando em conta que nos Estados Unidos 80% do consumo de água fresca, mais da metade das terras rurais, e 10% do orçamento de energia são gastos para colocar comida em nossas mesas.

Se não estamos comendo esses alimentos isso é uma utilização terrível desses recursos.

No Reino Unido, um estudo de domicílios britânicos mostrou que 20% do desperdício realmente evitável resultava da confusão por causa das datas de validade. Nosso cálculo é muito arredondado, mas se o aplicarmos aos Estados Unidos, os domicílios, como unidades familiares, podem estar gastando entre US$ 275 e US$ 455 por ano em alimentos que serão descartados prematuramente.

Quais são as recomendações do NRDC para melhorar essa situação?

O fundamental é que gostaríamos de ver um sistema menos confuso e mais padronizado de datas.91% das pessoas relataram jogar comida fora por preocupação com sua segurança na data de “venda até”, pelo menos ocasionalmente; e essa é a data que os fabricantes usam para garantir à loja que o produto terá uma vida útil a mais depois de ser comprado. (Extraído de um relatório da indústria chamado US Grocery Shopper Trends 2011, divulgado pelo Food Marketing Institute, a principal associação comercial para varejistas de alimentos.)

Nossa primeira recomendação é substituir a informação “vender até” por uma data mais útil para os consumidores, para que eles não joguem a comida fora no dia em que pensam que ela já está ruim.

A segunda recomendação é ter um sistema de datação voltado ao consumidor que seja muito mais claro no que tenta transmitir. Deve haver uma distinção clara entre data de qualidade e data de segurança. Além disso, talvez deva haver mais transparência sobre como essa data foi determinada.

Se a mensagem é de segurança, então devemos usar essas palavras. Vamos dizer “Não é seguro consumir depois de”; se é sobre o pico de qualidade, então vamos empregar palavras que transmitam isso claramente. Talvez devêssemos usar algo como “frescura máxima antes de” ou “pico de qualidade antes de”.

Se eu quiser que o meu alimento seja o melhor possível, ainda devo prestar atenção à data de ‘vender até’?

Essa data é a sugestão do fabricante para quando o alimento está no pico máximo de qualidade. O que significa não estar no pico de qualidade? Isso depende do produto. Se você pensar em uma caixa de ‘Mac N Cheese’ (macarrão com queijo) com data de validade em março de 2015 e se perguntar o que acontecerá se você comer aquilo em maio de 2015 — você provavelmente nem notará a diferença.

Sobre o autor: Perrin Ireland rabiscou e escreveu enquanto pensava durante toda a sua vida; era uma aluna que visualiza conceitos para entendê-los. Atualmente ela é Especialista Sênior em Ciências da Comunicação do Natural Resources Defense Council, onde ajuda a contar a história de como a ciência desempenha um papel no trabalho do NRDC. Siga-a no Twitter @experrinment.

As opiniões expressas são as da autora e não necessariamente as da Scientific American.
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

A persistente atmosfera de Plutão
Novas observações sugerem que o ar do diminuto planeta nunca desfaz

NASA, ESA e M. Buie (Instituto de Pesquisa do Sul)

Um Mundo com atmosfera: Plutão jamais fica sem ar.

Ken Croswell
Embora diste bilhões de quilômetros do Sol, o frígido Plutão tem aparência terrestre: uma atmosfera composta principalmente de nitrogênio, o mesmo gás que constitui 78% do ar que respiramos. Mas o planeta anão segue uma órbita tão elíptica em torno do Sol que todo esse gás pode congelar em sua superfície quando está mais distante — e frio — do astro-rei. Em 4 de maio deste ano, porém, Plutão passou na frente de uma estrela na constelação de Sagitário e permitiu que os observadores assistissem sua atmosfera bloquear parte da luz da estrela e deduzir que seu ar é tão substancial que nunca desaparece.

Essa passagem foi fundamental para a compreensão da atmosfera futura, observou Catherine Olkin, uma cientista planetária do Southwest Research Institute em Boulder, no Colorado, cuja equipe monitorou a chamada ocultação. Em um trabalho apresentado no site Icarus ela e seus colegas relataram que a atmosfera de Plutão agora está mais espessa que nunca.

Astrônomos descobriram a atmosfera de Plutão em 1988, quando o planeta ocultou outra estrela. Um planeta anão sem atmosfera teria cortado a luz da estrela de forma abrupta; em vez disso, a luz estelar desapareceu gradualmente, revelando um ar com cerca de um centésimo de milésimo de pressão superficial igual à nossa — o equivalente à atmosfera terrestre a 80 km de altitude.

Plutão está tão distante que leva 248 anos para completar uma única órbita. Ele atingiu o seu ponto mais próximo do Sol em 1989 e desde então tem se afastado da estrela. Quando Plutão avançar para o seu ponto mais distante, em 2113, ele estará 3 bilhões de quilômetros mais longe e a luz solar em sua superfície será 36% mais fraca que em 1989. “Muitos cientistas previram que a atmosfera de Plutão colapsaria à medida que ele se afastasse do Sol”, comenta Olkin. “Ao receber menos luz solar, o gás condensaria em sua superfície”. Marte, cuja órbita também é bastante elíptica, perde temporariamente um quarto de seu ar toda vez que seu hemisfério sul passa pelo inverno, quando o gás marciano congela na calota polar sul.

Plutão é, em sua maior parte, formado por rochas, mas sua crosta consiste em gelo aquático. À temperatura de Plutão, de aproximadamente 40 kelvin (-233 graus Celsius), a água é tão dura como rocha, constituindo um ambiente em que nitrogênio e metano se alternam entre gelo e gás.

As novas observações indicam que o ar de Plutão atualmente está três vezes mais denso que em 1988, contrariando os modelos que previam que sua atmosfera desapareceria um dia. De acordo com Olkin, a pressão mais elevada concorda com um modelo que indica que a região localizada a cerca de 100 m abaixo da superfície retém o calor durante seus encontros próximos com o Sol, liberando-o lentamente e mantendo sua superfície quente o suficiente para que uma parte do nitrogênio permaneça sempre gasosa. “À medida que Plutão gira em torno do Sol, sua atmosfera nunca se condensa completamente”, explica Olkin. Seu trabalho sugere que a camada de água gelada de Plutão é compacta, pois um subsolo poroso perderia rapidamente qualquer calor.

“É um belo trabalho” comentou John Stansberry, um cientista planetário do Space Telescope Science Institute. “Esses tipos de observações são essenciais para o estudo de evoluções sazonais em Plutão”. No entanto, Stansberry teme que Plutão seja mais complexo que o modelo presume. Isso significa que o comportamento de sua atmosfera é menos claro que Olkin afirma. “Com base nesses resultados vale dizer que a atmosfera de Plutão não colapsará tão em breve; mas afirmar que ela estará em 2140 talvez seja um pouco arriscado”, diz Stansberry.

Olkin e Stansberry concordam quanto a uma polêmica bem maior: Plutão é um planeta. Em 2005, astrônomos descobriram Eris, um mundo distante que seria maior que Plutão, o que alimentou os argumentos de que Plutão deveria perder seu status planetário e levou a previsões de que uma infinidade de mundos superiores a Plutão em tamanho estava para ser descobertos.

As coisas não funcionaram assim. Em 2010, Eris passou na frente de uma estrela e não fez jus às expectativas. A curta duração da ocultação revelou que Eris tinha apenas 2.326 quilômetrosde diâmetro, em comparação com os 2.350 km de Plutão. E ninguém jamais encontrou algo maior que Plutão orbitando o Sol além da órbita de Netuno.

O diâmetro de Plutão, no entanto, é incerto:pode ser de 2.300 km ou 2.400 km. Ironicamente, é a atmosfera que distorce a luz das estrelas durante as ocultações e complica as medições de seu diâmetro.

Felizmente a ajuda está a caminho. Em julho de 2015 a sonda espacial New Horizons da Nasa navegará por Plutão e suas cinco luas conhecidas. “Não sei o que veremos, mas não consigo esperar para chegarmos lá” diz Olkin. “Isso vai revolucionar a nossa visão”.
Scientific American Brasil

domingo, 13 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje


Trânsito caótico e poluição matam 6 milhões por ano, segundo OMS


DEUTSCHE WELLE

A vida nas grandes cidades lentamente transforma pessoas saudáveis em doentes crônicos. Um dos maiores vilões da saúde nas metrópoles mundiais é a poluição, gerada em grande parte pela frota de veículos exagerada e pelo transporte público deficiente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos, cerca de 6 milhões de pessoas no mundo perdem suas vidas por causa da poluição do ar.

A entidade estuda os efeitos da falta de mobilidade urbana sobre a saúde há pelo menos 15 anos. Neste período, constatou que outras milhares de pessoas desenvolvem doenças crônicas degenerativas causadas pelo estilo de vida nas metrópoles: elas matam em longo prazo ou debilitam a saúde, deixando uma multidão de indivíduos produtivos incapazes de desenvolverem suas atividades.

Até 2050, a poluição do ar será a principal causa das mortes prematuras por câncer de pulmão em nível global. Esta é a afirmação de uma equipe de especialistas da Universidade de São Paulo (USP) em recente artigo publicado pela revista Nature. Países em desenvolvimento são apontados como os mais vulneráveis a este mal.

"Cidades da China, Índia, Indonésia e Brasil possuem níveis de poluição muito altos, mas há outras que não medem e não informam a poluição do ar, que pode ser maior. O fato de estarem se comparando é sinal de que querem melhorar", afirma Carlos Dora, coordenador do departamento de saúde pública e meio ambiente da OMS.

"Vários estudos mostram que os corredores de trânsito são as chaminés das cidades modernas", afirma Paulo Saldiva, patologista e professor da USP. Segundo ele, entre 70% e 90% dos poluentes do ar são produzidos pelos veículos. "A poluição ambiental é de duas a três vezes maior na cidade. Você fica muito tempo imerso no pior cenário", analisa.

O pesquisador é categórico ao confirmar a relação entre o tráfego urbano e o adoecimento da população. Segundo ele, apesar de nas grandes cidades a expectativa de vida ser maior do que em áreas rurais, onde há menor acesso a tratamentos de saúde, nos centros maiores o índice de doenças crônicas degenerativas e enfermidades psíquicas é muito superior.

Em todo o mundo, 8% dos casos fatais de câncer de pulmão estão relacionados à poluição do ar. O efeito cumulativo da inalação contínua de nanopartículas e gases tóxicos como chumbo e cádmio podem causar outra série de problemas de saúde, que vão desde o aparecimento ou agravamento de doenças respiratórias, até problemas cardíacos, aumento da pressão arterial, diminuição da produção de lágrima, maior coagulação sanguínea, depressão, esquizofrenia e problemas reprodutivos.

"A poluição do ar gera em pequena escala os mesmos efeitos que o cigarro causa de forma mais individual e rápida. Em São Paulo, 15% das pessoas fumam, mas a poluição do ar afeta 100% da população, por isso, o risco atribuído da poluição é significativa", indica Saldiva. Só na região metropolitana paulista, cerca de 4 mil pessoas morrem todos os anos por problemas atribuídos à poluição do ar.

O tráfego urbano também geram outros problemas já comprovados por estudos científicos. Em muitos lugares, é difícil dormir por causa do barulho e, mesmo quando os moradores pegam no sono, ele é de má qualidade. Isso afeta o sistema nervoso, a produção hormonal, além de gerar dificuldade de concentração e perda de memória.

ISOLAMENTO E DEPRESSÃO

Em cidades como São Paulo, as pessoas gastam quase um quarto do dia para se deslocar de casa para o trabalho. Situação que gera isolamento social e compromete o desenvolvimento.

"Por causa da má qualidade do transporte público, as pessoas buscam os carros. A população está cada vez mais confinada, seja em casa ou no modelo particular de locomoção", alerta Marília Flores Seixas de Oliveira, doutora em desenvolvimento sustentável e professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Uesb.

Para a pesquisadora, a falta de convivência da comunidade no espaço urbano deixa a pessoa suscetível ao desenvolvimento de problemas como depressão e ansiedade, causados pela ausência de sociabilidade. "Hoje, a depressão pode levar à morte. As doenças não violentas estão matando muito", comenta Olveira. "Se você tem mais de 60 anos, uma das coisas que mais impactam na expectativa de vida é a falta de atividade social", reforça Saldiva.

Contexto que também gera o sedentarismo. Cada vez mais as pessoas vivem em escritórios e dentro de veículos. A falta de locais para se exercitar e a insegurança acabam servindo como justificativas para não praticar exercícios físicos, o que acarreta em inúmeras doenças potencializadas pelo stress mental e a poluição.

Carlos Dora garante que este cenário pode ser mudado se os gestores públicos pensarem as cidades relacionando a mobilidade urbana com a saúde pública. "Uma estratégia para
aumentar a média de exercício na população é aumentar a mobilidade. Fazer com que ela seja integrada à rotina diária", garante. Conforme a OMS, o exercício físico reduz em 50% o risco de desenvolver câncer de cólon, doenças coronarianas, diabetes e obesidade.

Quando as cidades oferecem um sistema de transporte público adequado e espaços para caminhadas de pequenas distâncias, as pessoas são incentivadas a se movimentarem mais. "Uma grande parte dos deslocamentos é feita em curtas distâncias e quando se faz isso com o automóvel o problema da poluição é agravado, pois o pico de emissões poluentes ocorre quando o veículo é ligado".

Cidades europeias já conseguiram fazer isso, afirma Dora. Estes países primam pela aproximação do uso do solo, diferente do que ocorre em locais como Estados Unidos e Austrália, onde a dispersão do espaço urbano exige o uso de veículos automotores. "Nos últimos dez anos, vimos o início de um movimento que privilegia a bicicleta, o pedestre e o transporte público. Você faz das ruas algo prazeroso. Na década de 1990, era dificilíssimo falar na Europa em uso da bicicleta, mas isso mudou. Hoje, isso é sinônimo de cidade com boa qualidade de vida", conclui o representante da OMS.
Folha de S, Paulo

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Meios de Transportes - Vestibular UERJ

1. UERJ-2011


A comparação entre os gráficos permite associar as mudanças na rede de transporte aos seus impactos ambientais.

A principal consequência sobre o meio ambiente resultante dos investimentos na matriz de transportes da União Europeia entre 1970 e 2004 é:
(A) agravamento do aquecimento global 
(B) acentuação do fenômeno da Ilha de Calor
(C) aceleração do processo de desmatamento
(D) aumento da destruição do ozônio estratosférico

Alternativa correta: (A)

Comentário da questão:O aquecimento global, segundo o ponto de vista da maior parte dos cientistas, é um fenômeno provocado pelo aumento da concentração atmosférica de gases que potencializam o efeito estufa natural. Esses gases têm origem antrópica - ou seja, derivam da ação do homem sobre o meio ambiente -, sendo os meios de transporte modernos os responsáveis por significativa parcela dessas emissões, em proporções diferenciadas, conforme pode ser observado no segundo gráfico. Uma vez que cerca de quatro quintos das emissões provêm do transporte rodoviário, a opção da União Europeia por ampliar a extensão dessa rede contribui para o agravamento do problema ambiental em questão.
2. UERJ-2008

Belezas naturais e boa infra-estrutura de transportes e hotelaria são atributos comuns às áreas que recebem grandes fluxos anuais de turistas.
A leitura do gráfico fornece elementos para concluir que outro importante fator comum aos países que se destacam como destino turístico é:
(A) território vasto com grande diversidade climática
(B) política de preservação do patrimônio histórico
(C) anulação das ações de grupos políticos extremistas
(D) semelhança cultural com o país de origem dos visitantes

Alternativa correta: (B)
Comentário da questão:No ranking apresentado na tabela, a maioria dos destinos escolhidos por turistas corresponde a países cuja história e cuja cultura são amplamente reveladas pelo patrimônio histórico, destacando-se assim a política de preservação desenvolvida por seus governos.
3. UERJ-2012
Denomina-se intermodalidade a estratégia de integração entre diferentes meios de transporte, como nos exemplos abaixo:

 Cite quatro consequências da intermodalidade para a organização da produção industrial em escala global.

Comentário da questão:O transporte intermodal viabiliza uma série de vantagens referentes à logística que dá apoio à produção e à circulação de mercadorias, em função da eficiente integração entre diferentes modais de transporte. Assim, esse sistema de organização da produção industrial em escala global possibilita a redução do custo de produção, em função da fragmentação da produção, da diminuição do tempo de transporte da mercadoria, do aumento da quantidade de mercadoria transportada por viagem e de menores gastos com frete. A intermodalidade possibilita também a produção em locais muito distantes dos grandes mercados consumidores e a diminuição da poluição atmosférica em virtude da otimização dos meios de transporte e da redução da utilização do modal rodoviário.
4. UERJ-2012

A descontinuidade espacial das áreas de influência dessas duas metrópoles meridionais tem como principal explicação a existência de:
(A) fluxos de migrantes da região Sul para outras regiões
(B) filiais de indústrias gaúchas e paranaenses dispersas pelo país
(C) redes de transporte rodoviário com origem nos estados sulistas
(D) matrizes de bancos curitibanos e porto-alegrenses e agências em outros estados

Alternativa correta: (A)

Comentário da questão:A configuração espacial da área de influência de uma metrópole revela muito a respeito das atividades econômicas e dos vínculos socioespaciais que ela estabelece com as demais cidades da rede urbana que ela polariza. A área de influência ou polarizada por uma metrópole é função da intensidade e da frequência com que os habitantes das áreas polarizadas recorrem às atividades terciárias da metrópole. No caso das metrópoles da região Sul do Brasil, uma característica dessa configuração destacada no mapa é a descontinuidade espacial das áreas de influência tanto de Curitiba quanto de Porto Alegre. Essa descontinuidade, associada ao conhecimento da diáspora migratória de paranaenses e gaúchos acompanhando a expansão da fronteira agrícola nacional, permite relacionar a migração com a localização dos espaços de influência das duas metrópoles. Essa relação é perceptível pela localização de diversos fragmentos espaciais das áreas polarizadas pelas metrópoles meridionais em territórios de vários estados das regiões Centro-Oeste e Norte. Esses espaços tornaram-se os principais destinos dos migrantes gaúchos e paranaenses nas últimas décadas, principalmente em virtude da disponibilidade de terras baratas.
5. UERJ-2013


A reportagem aborda o plano de investimentos anunciado em 2012 pelo governo federal.
Aponte duas justificativas econômicas para a prioridade dada pelo governo ao setor ferroviário.
Comentário da questão:O sistema de transporte brasileiro é avaliado por usuários e especialistas como ineficaz, sendo um dos grandes responsáveis pelo chamado “Custo Brasil” -- conjunto de fatores que elevam os custos dos produtos brasileiros no mercado externo. O plano de investimentos para o setor ferroviário anunciado pelo governo brasileiro em 2012 destaca-se tanto pelo volume de recursos a serem investidos, quanto pela prioridade dada ao transporte ferroviário, negligenciado desde a década de 1930 e considerado uma das redes de transporte mais arcaicas do país. Dentre as justificativas econômicas para a priorização de políticas públicas do setor, são relevantes: custo do frete por tonelada bastante reduzido para distâncias superiores a 300 km, comuns no território brasileiro; custo mais barato do frete ferroviário para produtos de baixo valor por volume, como os produtos agrícolas e minerais, amplamente exportados pelo Brasil; conexão de diversas áreas importantes do interior do país aos portos exportadores com os traçados previstos para construção, barateando o preço final dos produtos destinados ao mercado externo.
www.revista.vestibular.uerj.br

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje


Desobediência de soviético pode ter evitado guerra atômica há 30 anos


BBC BRASIL

Há trinta anos, no dia 26 de setembro de 1983, o mundo escapou de um possível desastre nuclear.

Nas primeiras horas do dia, os sistemas de alerta balístico da União Soviética detectaram mísseis indo em direção à região. Leituras de dados de computador sugeriam que havia sido lançado um ataque dos Estados Unidos. O protocolo soviético determinava que a atitude a ser tomada em casos como esse seria o lançamento imediato de um ataque nuclear de retaliação.

Mas Stanislav Petrov --cujo trabalho era monitorar lançamentos de mísseis de países inimigos-- decidiu não relatar o ataque a seus superiores, apostando na interpretação de que se tratava de um alerta falso.

Ele tinha ordens claras de, em casos como esse, reportar imediatamente o ocorrido a seus superiores. A opção segura seria a de passar a responsabilidade das decisões para eles.

Mas sua decisão pode ter salvado o mundo.

"Eu tinha todos os dados [para sugerir que havia um ataque de mísseis em andamento]. Se eu tivesse mandado meu relato para meus superiores, ninguém teria contestado meus dados", disse Petrov à BBC 30 anos depois daquele dia.

Petrov --que se aposentou e hoje vive em uma pequena cidade perto de Moscou-- era parte de uma equipe treinada que trabalhava em uma das primeiras bases de alerta da União Soviética, não muito longe da capital. Seu treinamento foi bastante rigoroso, e suas ordens sempre foram claras.

Seu trabalho era registrar qualquer ataque com mísseis e relatá-los aos líderes militares e políticos. No clima político de 1983, uma retaliação imediata seria a opção mais provável.

Mas Petrov congelou diante da situação.

"A sirene tocou, mas eu fiquei parado por alguns segundos, encarando a tela vermelha com a palavra 'lançado' escrita", diz. O sistema, com bom nível de confiabilidade, estava alertando sem grandes margens para dúvida de que os Estados Unidos tinham lançado um míssil.

"Um minuto depois, a sirene soou de novo. Um segundo míssil havia sido disparado. Depois um terceiro, um quarto e um quinto. Os computadores mudaram o alerta de 'lançado' para 'ataque de mísseis'."

"Não havia regras sobre quanto tempo tínhamos para ponderar antes de relatar um ataque. Mas nós sabíamos que cada segundo de adiamento era uma perda de tempo precioso, e que a liderança política e militar da União Soviética precisava ser alertada sem atrasos."

"Tudo que eu precisava fazer era pegar o telefone e fazer contato direto com os altos comandantes, mas eu não conseguia me mexer. Eu me sentia como se estivesse sentado em cima de uma frigideira", lembra Petrov.

Ele resolveu consultar fontes secundárias, como especialistas que operam radares de satélites, que disseram não ter detectado mísseis.

Mas o que mais chamou sua atenção foi a intensidade dos alertas feitos pelos computadores.

"Havia 28 ou 29 testes de segurança. Depois que o alvo fosse identificado, o alerta teria que passar por todos esses testes. Eu não via como isso podia ser possível nessas circunstâncias."

Petrov chamou o plantonista do quartel-general do Exército soviético e alertou para uma falha no sistema. Caso estivesse errado, a primeira explosão nuclear poderia acontecer em poucos minutos.

"Vinte e três minutos depois eu percebi que nada tinha acontecido. Se um ataque de verdade tivesse acontecido, eu já teria recebido notícias. Foi um alívio enorme", ele lembra, com um sorriso.

Agora, 30 anos depois, Petrov avalia que a probabilidade de o ataque ser real era de 50%. Ele admite que nunca teve certeza de que se tratava de um alerta falso.

Ele afirma que foi o único entre seus colegas que tinha tido uma educação em escolas civis. "Meus colegas eram soldados profissionais, ensinados a dar e receber ordens."

Ele acredita que, caso tivesse sido outra pessoa no seu lugar, provavelmente o alerta teria sido informado aos superiores.

Dias depois, Petrov foi repreendido por suas ações naquele dia. Mas, curiosamente, não por ter tratado tudo como alerta falso --e sim por erros cometidos na hora de escrever sobre o caso no livro de registros.

Por dez anos, ele não falou sobre o assunto. "Eu achava que era uma vergonha para o Exército soviético que nosso sistema tivesse falhado desta forma."

Depois do colapso da União Soviética, a história foi amplamente contada na imprensa e Petrov ganhou vários prêmios internacionais.

Apesar de tudo, ele não se vê como um herói.

"Era meu trabalho", diz. "Mas eles tiveram sorte que era eu quem estava trabalhando naquela noite." 
Folha de S. Paulo

Notícias Geografia Hoje


Entenda o passo-a-passo da destruição do arsenal sírio de armas químicas

BBC BRASIL

Uma organização internacional até agora pouco conhecida será responsável, nos próximos meses, pela difícil tarefa de destruir o arsenal de armas químicas da Síria.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, em sua sigla em inglês), com sede na Holanda, recebeu um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para estabelecer um comitê especial e realizar o que tem sido descrito como uma "missão incrivelmente difícil".

No domingo, a equipe de cerca de 20 especialistas em desarmamento da OPCW relatou que o trabalho havia começado.

A tarefa inclui a destruição de mais de mil toneladas de gás sarin, gás mostarda e o agente nervoso mais potente que se conhece, o gás VX, que acredita-se também ser produzido pela Síria.

Não foi revelado em qual dos 19 locais nos quais o governo sírio armazena armas químicas foi iniciada a operação.

O que se sabe é que a destruição das armas não vai ser fácil, porque vários desses lugares estão no meio de zonas de combate devastados pela guerra civil.

FORÇA E QUÍMICA

O primeiro passo, que deverá ser completado nas próximas semanas, é a remoção de máquinas e equipamentos utilizados para a produção de armas e para abastecer mísseis e bombas com gases tóxicos.

"Nesta primeira fase, talvez a única coisa necessária seja força bruta", explica o especialista em assuntos diplomáticos da BBC, Jonathan Marcus.

"Os principais componentes das instalações de produção podem ser destruídos ou inutilizados com força. E o mesmo é feito com os lugares onde o enchimento das bombas era feito", acrescenta o correspondente.

Bombas ou projéteis vazios podem ser esmagados com um veículo pesado ou marretas.

O segundo passo é a neutralização das enormes reservas de compostos químicos que são a base para a criação de gases.

Essa tarefa pode ser cumprida através de vários métodos.

Os componentes podem ser incinerados a temperaturas elevadas para destruir a toxicidade dos agentes. Ou, então, neutralizados pela adição de água ou de algum outro produto, como soda cáustica.

Quando às armas químicas já carregados com explosivos, devem ser tomadas precauções adicionais.

Uma solução é efetuar a destruição em unidades móveis, que podem ser levadas para o local onde as armas estão armazenados, evitando assim o risco de se transportar munição carregada por uma zona de guerra.

Nessas unidades móveis, produtos químicos podem ser eliminados com o uso de explosivos dentro de uma câmara blindada.

A explosão destrói tanto as munições como os agentes químicos.

Outro método é a chamada tecnologia de detonação quente, através da qual as munições são colocadas em uma câmara com temperaturas de cerca de 550° C, o suficiente para destruir tanto a arma como seu conteúdo químico.

SEM PRECEDENTES

De acordo com a OPCW, os peritos estão trabalhando em três frentes no momento: a verificação das informações dadas pelo governo sírio, a segurança das equipes de inspeção e os acordos práticos para a implementação do plano de destruição.

E, como dizem os analistas, o maior desafio não será a destruição em si, mas sim ter acesso aos armamentos com garantia de integridade física para as equipes da organização.

Esta é a primeira vez que a OPCW tenta destruir um arsenal químico no meio de uma guerra civil, e o mandato da ONU prevê que a remoção esteja concluída até meados de 2014.

Jonathan Marcus sublinha: "Tudo isso é território inexplorado. É um programa sem precedentes e planejado às pressas para remover o arsenal químico de um país em meio a uma sangrenta guerra civil."

"Não é de admirar que muitos especialistas se mostrem tão céticos. O verdadeiro teste sobre a vontade das autoridades sírias de implementar este acordo está apenas começando", acrescenta.

MÉTODOS

No passado, a tarefa de eliminar as armas químicas era mais simples: os armamentos eram jogados no mar.

De acordo com um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos, publicado em 2007, foi assim que, da Primeira Guerra Mundial até a década de 1970, os Estados Unidos se livraram de milhares de munições químicas.

Em 1964, por exemplo, o Exército americano derramou no Atlântico 1.700 projéteis de 75mm carregados com gás mostarda, até então armazenados no Arsenal de Edgewood, em Maryland.

Em 1970, o Exército se livrou de 12.508 foguetes M55 com gás sarin também descartando-os no mar, a 400 quilômetros do Cabo Kennedy, na Flórida.

Há também o método usado no Iraque, em 1990: explosões controladas em poços profundos, o que também foi descartado no caso da Síria, por conta do risco envolvido para cidades próximas ao local de detonação.

Hoje, a destruição de gás venenoso é muito mais complicada: a Convenção sobre Armas Químicas proíbe que armamentos sejam queimados em valas abertas, enterrados ou descartados no mar.

E no meio de uma guerra civil, muitos acreditam que a tarefa na Síria poderia ser quase impossível.

Como disse à BBC Ake Sellstrom, inspetor-chefe de armas da ONU, "a tarefa é viável, mas vai ser muito estressante". 
Folha de S. Paulo

Notícias Geografia Hoje


Amazônia pode perder 70% de sua área se houver aumento da estação seca
A projeção consta no relatório do IPCC; situação pode se agravar diante do crescimento do desmatamento
Giovana Girardi


A Floresta Amazônica poderá sofrer uma redução de 70% da extensão da sua área ao fim do século, se houver um aumento da estação seca. A projeção consta do relatório completo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que foi divulgado ontem na sequência do sumário para formuladores de políticas, anunciado na sexta passada.

O material, com mais de mil páginas, traz com mais detalhes as bases físicas da ciência do clima e uma abordagem regional com projeções sobre como cada parte do planeta poderá ser afetada no futuro. No capítulo 12, de mudanças climáticas de longo prazo, o relatório se refere a estudos para a Amazônia. O texto lembra que no clima atual o crescimento intenso da floresta ocorre justamente durante a estação seca, quando a insolação é maior e há bastante água do período chuvoso armazenada nos aquíferos subterrâneos.

Há muitas incertezas ainda sobre como a mudança climática vai afetar a seca na região, mas simulações que consideram um cenário de aumento do período sem chuva observam essa redução dramática na vegetação. O painel de cientistas alerta que o cenário poderá ficar ainda pior diante de um quadro de aumento do desmatamento, que tende a prolongar a estação seca. "Condições assim aumentam a probabilidade de incêndios naturais que, combinados com queimadas provocadas por atividades humanas, podem minar a resiliência da florestas às mudanças climáticas", escrevem os autores.

A redução de área da Amazônia consta na literatura revisada pelo IPCC, mas informações mais detalhadas sobre o que pode acontecer com a região caberão ao grupo 2 do painel, que divulga sua parte, de impactos das mudanças climáticas, em março do ano que vem.

Focando nas bases científicas do aquecimento global, o relatório do grupo 1 afirma que é muito provável (mais de 90% de chance) que a temperatura suba em toda a América do Sul, com o maior aquecimento projetado para o sul da Amazônia. A projeção é de um aumento da temperatura média de 0,5°C (centro-sul) a 1,5°C (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) no País até o fim do século no cenário mais otimista; e de 3°C (Sul e litoral do Nordeste) a 7°C (Amazônia) no pior cenário.

Em relação às chuvas, porém, há incertezas, com diferentes estudos mostrando várias tendências para algumas regiões, explica a pesquisadora Iracema Cavalcanti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma das autoras do capítulo 14, que mostra as projeções regionais futuras. "Mas temos grande confiabilidade para algumas. Os resultados são muito robustos de que na Região Sul do País e na bacia do Prata as chuvas vão aumentar. E no inverno, há mais confiança de que haverá excesso de chuvas no oeste da Amazônia e menos no leste e no sul", diz.
Jornal O Estado de S. Paulo

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje

Amostra de solo de Marte contém 2% de água, revela estudo
Primeira análise do material colhido pelo robô Curiosity encontrou também compostos de enxofre e oxigênio



NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems
Missão do robô Curiosity é descobrir se já houve vida em Marte

A análise da primeira amostra do solo de Marte coletada pelo robô Curiosity indicou a presença de água na superfície daquele planeta. Foram encontrados ainda compostos de enxofre, oxigênio e dióxido de carbono, conforme dados publicados na última edição da revista científica Science.

A principal missão do Curiosity, que chegou a Marte em agosto de 2012, é descobrir se já houve vida no planeta. Os pesquisadores destacaram que cerca de 2% do material coletado pelo robô é composto por água. E informaram que, agora, "têm a informação mais abrangente já obtida sobre a superfície de Marte".

Na recente descoberta, foi usado o Analisador de Amostras em Marte (Sam, em inglês), que fica dentro do robô. Ali, o material coletado foi aquecido.

"Os principais gases liberados durante os testes foram água, gás carbônico, oxigênio e dióxido de enxofre. A água é particularmente interessante: é um recurso para futuros exploradores", afirmou Laurie Leshin, pesquisadora do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo divulgado pela Science. 
Jornal O Estado de S. Paulo

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje



Japão 
Nova fuga de água radioactiva na central de Fukushima
Uma nova fuga de água radioactiva foi descoberta no Japão, na central nuclear de Fukushima, disse hoje o operador, de acordo com agências de notícias japonesas.

A Tokyo Eletric Power (TEPCO) informou que uma grande fuga de água radioativa foi registada no setor 1, num tanque diferente daquele em que já se tinha verificado uma situação semelhante em agosto, noticiaram as agências noticiosas Joji e Kyodo.

Não é conhecida a quantidade de água libertada do tanque de 450 toneladas.

A TEPCO disse que tinha constatado água contaminada acumulada à volta do tanque que pode ter trespassado as barreiras.

As barreiras foram instaladas para bloquear a água e impedir que se espalhasse quando ocorre uma fuga na central, que ficou gravemente danificada por um tremor de terra, seguido de tsunami, em março de 2011.

Em agosto, descobriu-se uma fuga de cerca de 300 toneladas de água tóxica de outro tanque, parte da qual se crê ter fluído para o oceano Pacífico.
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Notícias Geografia Hoje


Regiões NATO pede à Rússia que reveja reconhecimento de barreiras
O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, apelou hoje à Rússia para retirar as barreiras levantadas nas linhas que separam as regiões separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia do resto da Geórgia.

Num comunicado, Rasmussen exprimiu a sua "preocupação" por essas atividades, que "contradizem os compromissos internacionais da Rússia e não contribuem para uma solução pacífica do conflito".

"Tem um impacto negativo na situação no terreno e afeta a vida dos cidadãos da Geórgia que vivem em qualquer dos lados das linhas de limite administrativo", assinalou.

Rasmussen recordou que a posição da NATO sobre o conflito georgiano é "muito clara" e passa por apoiar a "integridade territorial e a soberania da Geórgia dentro das suas fronteiras, reconhecidas internacionalmente".

"Pedimos à Rússia que recuse no seu reconhecimento das regiões georgianas da Ossétia do Sul e Abkházia como Estados independentes", sublinhou.

A mensagem da Aliança Atlântica chega depois de o Governo da Geórgia ter criticado duramente a construção de fortificações na fronteira entre Geórgia e Ossétia do Sul, iniciada recentemente por guardas fronteiriços russos.

Depois da guerra russo-georgiana de 2008 pelo controlo da Ossétia do Sul, Moscovo reconheceu esta região e a Abkházia Estados independentes, levando a que a Geórgia rompesse relações diplomáticas com a Rússia.

A NATO, entretanto, mantém o compromisso de admitir a Geórgia como Estado independente desde que cumpra com todos os requisitos.
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A ilha 'nascida' do terramoto










Paquistão 
A ilha 'nascida' do terramoto fotografada pela NASA
Zalzala Koh é nome dado ao aglomerado de pedras e lama que, na passada semana, surgiu do oceano em consequência do terramoto que assolou o Paquistão, segundo informações avançadas pelo Daily Mail.












O terramoto de magnitude 7,8 deixou um rasto de destruição na província do Baluchistão no passado dia 24 de Setembro, mas neste legado de tragédia está também um novo elemento na paisagem da costa sudoeste do Paquistão, uma pequena ilha.

As imagens de satélite tiradas pela NASA mostram que a ilha é plana, arredondada e lamacenta, com uma superfície cheia de fissuras. Estas fissuras emanam um gás tóxico e inflamável, mas não impedem a peregrinação de turistas e residentes locais que querem visitar o novo lugar no mapa.

A explicação para o surgimento desta ilha é bastante simples: o terramoto criou um movimento dos gases presos no interior da terra que levaram à superfície uma espécie de vulcão feito de lama, pedras, peixes mortos e areia.

As projecções indicam que a ilha não deve durar muito tempo devido à erosão e ao arrefecimento do gás, que fará com que a crosta se decomponha.
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aspectos da geoeconomia Fluminense



Ronaldo Goulart Duarte
Sobre o autor: Ronaldo Goulart Duarte é mestre em Geografia pela UFRJ, professor assistente do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira - CAp-UERJ e Coordenador da Área de Ciências Humanas do Colégio Cruzeiro - Unidade Centro. Autor de livros didáticos e paradidáticos e professor-pesquisador do Grupo de Pesquisa em Educação Geográfica (GPEG) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Publicado em: 23/09/2008

A geografia do estado do Rio de Janeiro é tema freqüente dos exames vestibulares locais, seguindo uma lógica coerente de aplicação dos conhecimentos geográficos como instrumentos para compreensão de um recorte espacial que é próximo da vivência dos candidatos ao ensino superior. Essa prática, acrescente-se, é amplamente difundida nos exames de caráter similar das outras unidades da federação. Contudo, uma vez que os livros didáticos para o ensino médio são editados em escala nacional, os vestibulandos fluminenses dispõem de um número reduzido de fontes de estudo sistematizadas a respeito dessa temática tão relevante.

Este texto procura oferecer uma contribuição, ainda que breve, aos estudantes, focalizando a geoeconomia do Estado.

O Rio de Janeiro no contexto nacional

O estado do Rio de Janeiro, do ponto de vista da extensão territorial, não se destaca no conjunto do Brasil. Ao contrário, ele possui a quarta menor área entre as 27 unidades federativas brasileiras. Com 43.864,30 km2 (apenas 0,51% da superfície do país), ele só é maior do que Sergipe, Alagoas e Distrito Federal.

Por outro lado, trata-se de um estado bastante populoso: seu contingente de 15.420.375 habitantes é o terceiro maior do país. O resultado disso é que somente uma unidade federativa, o Distrito Federal, tem densidade demográfica superior à do Rio de Janeiro: cerca de 423,3 e de 352,9 habitantes por quilômetro quadrado, respectivamente.

Mas a relevância fluminense no cenário nacional é visível, sobretudo na economia. O estado possui o segundo maior PIB do país, o que corresponde a aproximadamente 11,5% do total nacional, superado apenas por São Paulo, com 33,9% (IBGE, 2005: http://www.ibge.gov.br/estadosat/).

O Rio de Janeiro e sua organização econômica

No mapa abaixo, é visível a divisão do estado do Rio de Janeiro em regiões de governo, cuja delimitação leva em conta, entre outros fatores, as características da organização econômica do espaço estadual (clique no mapa para ampliar). 
A organização interna do espaço estadual do Rio de Janeiro é extremamente desigual: apesar de reunir 92 municípios, a distribuição da população e a produção da riqueza estão fortemente concentradas na capital e em sua área metropolitana. Só a cidade do Rio de Janeiro abrigava cerca de 40% da população e 43% do PIB do estado em 2006, segundo o Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro - CIDE.

É bem verdade que essa desproporção já foi maior. De acordo com os dados do CIDE, em 1997, esse percentual era de 64,2%, revelando uma certa tendência à interiorização da riqueza, cujas causas mereceriam comentários que vão além dos limites deste artigo.

Um fato que deve ser destacado, no entanto, é que grande parte da diminuição relativa do PIB carioca teve uma correspondência no crescimento ocorrido em outros 16 municípios da região metropolitana. Essa área, juntamente com a capital, possui cerca de 75% da população e 65% do PIB estadual.

Mas é inegável que houve um avanço significativo do PIB extrametropolitano nos últimos dez anos. Dentre os cinco municípios com maior PIB no estado, estão Volta Redonda e Macaé, localizados em duas regiões cujos ritmos de crescimento econômico são os maiores responsáveis pela desconcentração espacial da economia fluminense, o Vale do Paraíba e o Norte Fluminense.

No Vale do Paraíba, o crescimento se deve ao avanço industrial da região, especialmente nos setores metalúrgico, mecânico e automobilístico. Já no Norte Fluminense, o dinamismo é o resultado da expansão das atividades de apoio à extração do petróleo nas áreas marinhas da bacia sedimentar de Campos.

A despeito disso, a maior parte dos grandes investimentos industriais recentes ou que estão em andamento no estado do Rio de Janeiro tem sua localização na região metropolitana. É o caso, por exemplo, da Siderúrgica do Atlântico (do grupo alemão Thyssen), da ampliação da siderúrgica COSIGUA (Grupo Gerdau), da nova fábrica da Michellin, todos na Zona Oeste carioca, do COMPERJ, complexo petroquímico da Petrobrás, em Itaboraí, do Pólo Gás-Químico, em Duque de Caxias, dentre outros. Só os dados econômicos dos próximos anos confirmarão ou não se há uma tendência de reconcentração metropolitana.

O Rio de Janeiro importa grande parte dos gêneros alimentícios que consome, e essa debilidade rural é uma das explicações para a relativa fragilidade da rede urbana estadual, quando comparada a de outros estados do Centro-Sul do país. Esse pouco desenvolvimento do setor agropecuário do estado também explica o dinamismo relativamente baixo do interior fluminense.

A atividade de maior relevância nessa região é a pecuária leiteira, voltada principalmente para o abastecimento do mercado da região metropolitana e contando com nível médio de modernização não muito elevado. Essa atividade é realizada, em boa parte, sobre os solos empobrecidos pelo cultivo do café no final do século XIX e início do XX.

Em relação ao setor agropecuário, merecem destaque o decadente cultivo da cana-de-açúcar no Norte Fluminense e a produção de hortigranjeiros na Região Serrana, esta última como parte do "Cinturão Verde" que abastece a área metropolitana.

Em contrapartida, o setor terciário é o grande destaque da economia fluminense, especialmente da sua capital, sendo responsável pela maior parte do PIB estadual. O turismo é uma atividade de grande importância, em particular para as regiões Metropolitana, das Baixadas Litorâneas, Serrana e da Costa Verde. Os setores financeiro, educacional, comercial, de transportes e comunicações completam o conjunto das atividades que constituem a espinha dorsal do terciário fluminense.

Considerações finais

Como vimos, o estado do Rio de Janeiro possui uma economia relevante nacionalmente e bastante diversificada, mas com uma histórica concentração na capital e em alguns municípios do seu entorno. Após um longo período de verdadeiro marasmo econômico, que durou cerca de trinta anos, uma série de fatores têm contribuído para melhorar as perspectivas de crescimento econômico do estado, atraindo importantes investimentos, inclusive os industriais, cuja decadência no estado era marcante.

Essa recente retomada do dinamismo econômico estadual, inseparável da melhoria do quadro econômico nacional, abre novas perspectivas de reorganização do território fluminense, cujos desdobramentos ainda não são totalmente nítidos. Eles dependerão, em grande medida, das políticas públicas e dos investimentos em infra-estrutura, que constituem uma das grandes carências do espaço econômico estadual. Eles são essenciais para incentivar o crescimento econômico e ampliar a difusão espacial e social de seus benefícios.
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Fontes de Energia - Vestibular UERJ

1. UERJ-2012



A ampliação do uso de fontes de energia renováveis e não poluentes representa uma das principais esperanças para a redução dos impactos ambientais sobre o planeta.
Considerando os gráficos, a distribuição espacial da produção instalada das energias eólica e fotovoltaica é explicada sobretudo pela seguinte característica dos países que mais as utilizam:
(A) matriz elétrica limpa
(B) perfil climático favorável
(C) densidade demográfica reduzida
(D) desenvolvimento tecnológico avançado

Alternativa correta: (D)
Comentário da questão:
A energia solar e a energia eólica fazem parte do rol de fontes alternativas aos combustíveis fósseis, principalmente em virtude de duas características: elas são renováveis e não emitem gases poluentes durante o processo de geração. O fator que representa um limite para sua maior disseminação mundial é o alto custo tecnológico de seu desenvolvimento e utilização. Nos dois mapas, estão representados os países com produção mais relevante de energia elétrica a partir dessas duas fontes. Nota-se que a utilização de ambas é mais significativa em países ricos e com nível tecnológico avançado, e não necessariamente em países com as condições naturais mais favoráveis. No caso da energia solar fotovoltaica, os países com clima desértico seriam naturalmente mais favorecidos para geração a partir da incidência solar do que a Alemanha e o Japão, os dois países com maior capacidade instalada dessa fonte, em 2004. No caso da fonte eólica, o predomínio da Europa Ocidental e dos Estados Unidos não é explicado por nenhum fator natural que privilegie esses espaços. Uma exigência para a construção de parques eólicos, por exemplo, é a disponibilidade de espaço, atributo que não é abundante na Europa Ocidental, que é densamente povoada.

2. UERJ-2011


O uso de fontes renováveis de energia passou a ser encarado como fundamental para a superação das contradições ecológicas do modelo econômico atual.
As fontes renováveis que mais contribuem para o percentual verificado na matriz energética brasileira são:
(A) solar e eólica
(B) biomassa e solar
(C) eólica e hidráulica
(D) hidráulica e biomassa

Alternativa correta: (D)
Comentário da questão:
No mapa que representa o percentual de energias renováveis de cada país no total da energia primária disponível, observa-se que o Brasil possui uma proporção elevada de uso desse tipo de fonte, quando comparado à maioria dos países do mundo. A principal justificativa para essa situação privilegiada do ponto de vista econômico e ambiental está relacionada à relevância de duas fontes renováveis na matriz energética nacional. A primeira é o grande potencial hidráulico do país do qual boa parte já é aproveitada, sobretudo nas áreas com maior demanda por energia. Além dessa fonte, o Brasil encontra-se em posição de destaque quanto ao aproveitamento da biomassa para a geração de energia, notadamente em função do uso do etanol derivado da cana para a produção de combustível.

3. UERJ-2008


Adaptado de L' Atlas du Le Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006.

O uso da energia nuclear ainda é considerado uma opção polêmica. Pela análise do gráfico, pode-se identificar o período em que os investimentos nessa forma de gerar energia alcançaram o seu auge.
As duas conjunturas que explicam os altos investimentos nesse período são:
(A) política da Detente e crise ambiental
(B) integração européia e Guerra do Golfo
(C) crise do petróleo e corrida armamentista
(D) enfraquecimento da OPEP e Guerra Fria

Alternativa correta: (C)
Comentário da questão:
De acordo com o gráfico, o apogeu dos investimentos em energia nuclear corresponde ao período entre 1968 e 1985. A partir do reconhecimento desse recorte temporal e recorrendo aos necessários conhecimentos prévios acerca da economia e da geopolítica do período, é possível apontar as duas explicações para o fenômeno em questão:

Crise do petróleo: a acentuada elevação dos preços dessa fonte de energia na década de 1970 estimulou a busca por fontes alternativas, dentre as quais se destaca a nuclear, especialmente atraente para países com elevado desenvolvimento tecnológico e carentes de reservas de combustíveis fósseis.

Corrida armamentista: além do propósito de diversificação da matriz energética, os investimentos na energia nuclear também foram intensificados pelo interesse das grandes potências de produzir materiais físseis para fins militares. Essa estratégia era particularmente importante em um contexto geopolítico baseado na dissuasão do antagonista pelo estoque acumulado de ogivas nucleares.

4. UERJ-2013



A disputa pela redistribuição dos royalties do petróleo entre estados e municípios brasileiros se acirrou no final de 2012, em função de novas regras para o setor votadas no Congresso Nacional.
Essa disputa decorre diretamente da característica político-econômica do país indicada em:
(A) controle da União sobre a regulação do acesso às riquezas hidrominerais
(B) dependência de capitais estrangeiros no fornecimento de matérias-primas
(C) monopólio da legislação federal sobre os insumos para a indústria de base
(D) adequação dos padrões tecnológicos na preservação dos recursos ambientais

Alternativa correta: (A)
Comentário da questão:
Fundada em 1953, a Petrobras foi instituída como empresa estatal responsável pela extração do petróleo no território brasileiro. Naquela conjuntura, a nova empresa deveria atender às crescentes demandas pela ampliação da exploração de riqueza estratégica para o desenvolvimento industrial brasileiro. A criação da Petrobras inseriu-se em um conjunto de práticas econômicas, iniciadas na década de 1930, em que foi implementado o controle do governo federal sobre a extração e o uso dos recursos hidrominerais. Na atualidade, com a descoberta e a exploração das reservas do pré-sal, os royalties vultuosos advindos dessa fonte tornaram-se alvo de disputas entre governos estaduais e municipais, fato ainda relacionado à permanência do controle da União.

5. UERJ-2013





Nomeie a macrorregião brasileira com maior potencial eólico. Apresente, também, duas vantagens ambientais das usinas eólicas.
Comentário da questão:
A energia eólica ainda é pouco importante na matriz energética brasileira, mas sua relevância vem aumentando rapidamente nos últimos anos, e as projeções indicam uma grande ampliação de sua utilização em futuro bem próximo. A observação do mapa permite reconhecer que a região Nordeste é aquela na qual o potencial eólico é o mais elevado, em virtude da maior velocidade média dos ventos ao longo do ano verificada nessa macrorregião do país.
As principais vantagens ambientais dessa fonte de energia estão associadas ao fato de ela ser não poluente (ou seja, não emite efluentes gasosos nem líquidos para o entorno) e renovável, além de não demandar grandes áreas para instalação dos aerogeradores, podendo inclusive aproveitar áreas não produtivas e/ou não ocupadas, como cristas de elevações e corpos d’água de pouca profundidade.

6. UERJ-2009


Há 34 anos, os governos do Brasil e da Alemanha firmavam programa de cooperação que previa a construção de oito centrais termonucleares, além de usinas de enriquecimento de urânio e de reprocessamento do combustível nuclear.
Além das irregularidades apontadas na reportagem, o atual programa nuclear brasileiro tem como principal problema:
(A) risco de poluição ambiental
(B) inviabilidade da tecnologia adotada
(C) ausência de fontes de investimentos
(D) indisponibilidade de mão-de-obra qualificada

Alternativa correta: (A)
Comentário da questão:
Criado em 1975, pelo governo do presidente Ernesto Geisel, o programa nuclear brasileiro previa investimentos vultosos, por meio de parceria entre o Estado e empresas alemãs. Em princípio, o Brasil deveria se tornar referência em tecnologia nuclear na América Latina. Transformações políticas subsequentes, no entanto, frustraram sensivelmente essa pretensão. De acordo com a reportagem, o país hoje enfrenta sérios problemas de segurança nuclear, com destaque para os riscos de poluição ambiental, face ao contexto internacional de crescentes denúncias sobre acidentes e de expansão da defesa de fontes energéticas alternativas.

7. UERJ-2009


Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 1º de setembro

O Brasil está muito próximo de tirar do papel a retomada do programa nuclear. O governo debateu por anos se deveria ou não reiniciar as obras de Angra 3. Por fim, em junho do ano passado, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu autorizar a Eletronuclear a construir a terceira usina em Angra dos Reis.

Pelos planos que o governo vem anunciando recentemente, Angra 3 será apenas a primeira de uma série de novas usinas nucleares que deverão ser construídas no Brasil.

LEONARDO GOY
Adaptado de O Estado de São Paulo, 08/07/2008


A retomada do programa nuclear brasileiro traz à tona a polêmica que envolve essa forma de gerar energia não apenas no país, mas no mundo.

Aponte dois argumentos favoráveis e dois argumentos contrários à opção de ampliar a geração de energia elétrica em centrais termonucleares no Brasil.
Comentário da questão:
Após um longo período de ostracismo, nas décadas de 1980 e 1990, em virtude das pesadas críticas dos ambientalistas, a energia nuclear retornou ao centro dos debates acerca do futuro energético do planeta. Essa mudança ocorreu no contexto de uma reavaliação das características técnicas e ambientais dessa forma de gerar energia, o que acabou afetando as políticas públicas nacionais para o setor, conforme pode ser observado no fragmento do texto jornalístico. Diferentes posicionamentos, porém, continuam participando desses debates.

Argumentos favoráveis:
• O processo de geração não resulta na emissão de gases que contribuem para o aquecimento global.

• É possível construir as usinas em locais próximos aos centros consumidores, reduzindo custos com as linhas de transmissão e as perdas de energia.

• O Brasil tem a quinta maior reserva de urânio do mundo.

• O Brasil domina a tecnologia de enriquecimento do urânio, que é a etapa mais cara e sofisticada do processo.

Argumentos contrários:
• É uma forma cara de gerar energia, pois o custo do quilowatt é superior ao de outras fontes tradicionais.

• Há o problema ainda não resolvido, mesmo no restante do mundo, quanto à alocação dos resíduos radioativos, o chamado "lixo atômico".

• Há riscos ambientais de grande magnitude, ligados à possibilidade de um acidente que resulte em liberação de material radioativo para o meio ambiente.

8. UERJ-2011
Uma das mais promissoras formas de geração de energia é a solar, por ser limpa e renovável. Contudo, sua disponibilidade não é homogênea, já que alguns fatores naturais possibilitam maior produção desse tipo de energia em determinados lugares.
Analise abaixo o mapa solar do Chile, país com grande potencial de produção de eletricidade solar:




A região chilena com maior potencial para o aproveitamento da energia solar é a que possui o seguinte clima:
(A) equatorial
(B) desértico
(C) subtropical
(D) mediterrâneo

Alternativa correta: (B)
Comentário da questão:
A energia solar está presente em todo o planeta. Contudo, considerando que, quanto maior a radiação solar direta, maior a capacidade de geração desse tipo de energia, lugares com clima desértico, como o norte do Chile, são favorecidos para essa finalidade. Destaque-se que o deserto chileno se caracteriza não só pela quase ausência de nebulosidade, que aumenta a radiação solar incidente, mas também por sua localização numa zona intertropical, onde há grandes períodos de luminosidade durante todo o ano, tornando essa área muito favorecida para a geração de energia solar.
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Amazônia - Vestibular UERJ

1. UERJ-2013





O texto da reportagem faz referência a duas fases distintas da política territorial na Amazônia durante o regime militar.
Dois exemplos dessa política de ocupação, para o período 1964/1973 e para o período 1973/1985, respectivamente, foram as implantações de:

(A) polos de turismo e lazer – extensas redes ferroviárias inter-regionais
(B) centros comerciais fronteiriços – imensas áreas de monocultura de soja
(C) distritos industriais exportadores – numerosas áreas de produção de borracha
(D) assentamentos de agricultura familiar – grandes projetos de grupos empresariais


Alternativa correta: (D)

Comentário da questão: Durante o regime militar, foi implementada a mais ampla política estatal de incorporação socioeconômica do território amazônico ao espaço produtivo nacional. Essa política pode ser segmentada em dois momentos distintos, conforme aponta o texto da reportagem. No primeiro, a ênfase se deu na colonização, tendo como eixo a rodovia transamazônica, criada para levar “homens sem terra (do Nordeste) para uma terra sem homens”, segundo o discurso oficial. O foco dessa ação governamental estava pautado na implantação das agrovilas ao longo da famosa rodovia.
No segundo momento, a estratégia passou a ser a de “tornar a Amazônia uma fonte de divisas para o país”, ou seja, incorporá-la ao espaço de produção do capitalismo brasileiro, fosse com capitais nacionais ou estrangeiros. Para isso, o governo passou a gerenciar e a incentivar grandes projetos empresariais, relacionados principalmente à mineração (como o Projeto Carajás) e à pecuária (como o Projeto Cristalino da Volkswagwen).
2. UERJ-2012

No governo Vargas, foi criado o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia - S.E.M.T.A., uma medida direcionada para a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Com base no cartaz, as ações programadas por esse serviço tiveram como principal objetivo:

(A) ocupação militar relacionada à redefinição das fronteiras nacionais
(B) proteção dos trabalhadores rurais em resposta à depressão econômica
(C) estímulo à migração para exploração de recursos naturais estratégicos
(D) demarcação de reservas florestais associada à política de defesa ambiental


Alternativa correta: (C)


Comentário da questão:
A participação direta do governo norte-americano na Segunda Guerra Mundial deveu-se, sobretudo, ao expansionismo japonês sobre áreas fornecedoras de matérias-primas, como o látex e a borracha, em regiões do Pacífico. Com a crescente aproximação diplomática dos governos Vargas e Roosevelt, o Brasil decide apoiar os Aliados, em 1942. Uma série de medidas emergenciais foram tomadas, justificadas sob a lógica dos necessários esforços para a participação do Brasil na guerra. A criação do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia – S.E.M.T.A. foi uma dessas medidas, direcionada justamente para a extração da borracha na Amazônia. Como havia necessidade de mão de obra, houve estímulo à migração de trabalhadores nordestinos.

3. UERJ-2010



A comparação entre os textos acima indica uma mudança na gestão do espaço amazônico.
A concepção que movia o governo brasileiro em relação à Amazônia na década de 1970 e a que serve de base para as ações propostas pelo atual Ministério do Meio Ambiente estão respectivamente apresentadas em:

(A) território estratégico - preservação dos ambientes rurais
(B) região problema - desenvolvimento ecológico equilibrado
(C) espaço da vida selvagem - proteção integral do ambiente
(D) fronteira de recursos - crescimento econômico sustentável

Alternativa correta: (D)
Comentário da questão:
A relação sociedade-natureza é historicamente referenciada, sendo influenciada não só pelas concepções de natureza de cada época, como também pelas distintas formações sociais. No caso abordado, faz-se o contraponto entre a concepção de natureza como fonte de recursos inesgotáveis, que prevaleceu durante o Regime Militar brasileiro, expressa na publicidade, e a atual visão de natureza como fonte de recursos que devem ser utilizados de forma sustentável.

4. UERJ-2013



A extração de recursos naturais da Floresta Amazônica, como o látex, ainda hoje se insere em um contexto de problemas sociais, relacionados principalmente ao seguinte fator:

(A) escassez de mão de obra qualificada
(B) precariedade das condições de trabalho
(C) insuficiência dos sistemas de transporte
(D) insalubridade da infraestrutura habitacional

Alternativa correta: (B)

Comentário da questão:
A extração do látex na região amazônica foi, entre finais do século XIX e o momento atual, uma das principais atividades de exploração dos recursos naturais da floresta tropical. As formas de organização do trabalho, da produção e da comercialização do látex alteraram-se profundamente ao longo desse período, sendo, todavia, repetitivos os conflitos associados ao acesso à terra e à exploração da mão de obra. Como mencionado no texto, o assassinato do líder Chico Mendes, em 1988, tornou-se um marco trágico da permanência de condições precárias de trabalho dos seringueiros, caracterizadas pela negligência quanto aos direitos trabalhistas e aos baixos ganhos auferidos com esse extrativismo.

5. UERJ-2009


Lula defende biocombustíveis das críticas crescentes


BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a produção de biocombustíveis pelo Brasil rejeitando as críticas de que ela acelera o aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo e prejudica o meio ambiente.

As crescentes críticas são um desafio à diplomacia brasileira e ao auge das exportações agrícolas, que transformaram o Brasil no maior exportador mundial de etanol derivado da cana-de-açúcar.

Competidores e críticos tentaram relacionar várias das exportações agrícolas do país, da carne à soja, com a destruição do meio ambiente e com más condições de trabalho.

RAYMOND COLITT, em 16/04/2008
Adaptado de www.estadao.com.br

O debate a respeito do uso de biocombustíveis não envolve apenas questões ambientais, mas também diferentes interesses econômicos. Neste último caso, encontram-se países e empresas que lucram com a utilização em larga escala dos combustíveis fósseis e produtores de biocombustíveis. Nesse campo de lutas, o Brasil emerge como um potencial ator de primeira grandeza, posicionando-se no centro dessa polêmica.

Um alegado risco ambiental decorrente da maior produção de biocombustíveis no Brasil e uma vantagem territorial que fundamenta a defesa desta política de Estado, respectivamente, são:

(A) desertificação - abundância de recursos hídricos
(B) degradação dos solos - predomínio de solos férteis
(C) desmatamento - disponibilidade de terras não cultivadas
(D) disseminação de pragas - ocorrência de climas temperados

Alternativa correta: (C)

Comentário da questão:
A possibilidade de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética mundial abriu um debate que envolve argumentos ambientais, técnicos e econômicos. Nesse quadro, o Brasil se destaca como um dos países com maior potencial para produzir biocombustíveis em larga escala e de forma eficiente, tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental. Apesar disso, uma das críticas apontadas pelos ambientalistas diz respeito à possibilidade de ampliação do desmatamento, sobretudo na Amazônia, agravando o ritmo já preocupante desse problema na região. Por outro lado, o governo brasileiro argumenta que o país é um caso único de nação com ampla extensão de terras ainda não cultivadas em terras já desmatadas e subutilizadas, seja porque estão ociosas, seja porque estão dedicadas a atividades de baixa produtividade, como a pecuária extensiva.

6. UERJ-2012

O potencial de produção de energia hidrelétrica está relacionado a um grupo de fatores naturais que interferem na construção de barragens em bacias hidrográficas.
Observe no mapa abaixo a localização das dez principais bacias hidrográficas brasileiras:




Considerando as características socioambientais da Bacia I, cite duas consequências negativas ocasionadas pela construção de hidrelétricas nessa área.
Indique, ainda, dois fatores que favorecem a geração de energia elétrica nas usinas instaladas na Bacia V.

Comentário da questão:
O investimento na produção de energia hidrelétrica está relacionado a um conjunto de argumentos favoráveis à sua implantação, tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental. Ao mesmo tempo, dependendo das características socioambientais de cada bacia hidrográfica, várias críticas podem ser feitas a essa forma de gerar energia, como se verifica atualmente no debate acerca da Usina de Belo Monte.
No caso da Bacia Amazônica, por exemplo, identificada no mapa como Bacia I, a instalação de barragens para a operação desse tipo de usina resulta em consequências socioambientais negativas, como a inundação de sítios arqueológicos, o deslocamento de cidades e povoados, a salinização da água dos reservatórios, a formação de lagos artificiais de grande extensão, além da perda de grande biodiversidade da hileia amazônica, de territórios reservados aos grupos indígenas e de grandes áreas de solos agricultáveis, sobretudo os de várzea. Já a Bacia do Paraná, identificada no mapa como Bacia V, apresenta fatores favoráveis à hidreletricidade, tais como o relevo de planalto, os rios com grande volume de água, o clima tropical predominantemente úmido e a proximidade com as áreas de grande demanda por energia.

7. UERJ-2009



PIB da Amazônia Legal

cresce mais que o do país

O agronegócio avança e é apontado por ambientalistas como a principal causa da devastação na Amazônia. Setores do governo e representantes de produtores rurais descartam a hipótese de recuo do agronegócio na Amazônia Legal e afirmam que a tendência será aumentar a produção em áreas de florestas já abertas.
Adaptado de Zero Hora, 16/06/2008
Folha de São Paulo, 01/06/2008
Diferentes critérios e objetivos podem orientar a divisão do espaço geográfico em regiões. Na Amazônia, uma variedade de parâmetros tem sido empregada para essa divisão, o que pode gerar dúvidas quanto ao recorte territorial de suas regionalizações.

Diferencie o recorte territorial da Região Norte do recorte da Amazônia Legal. Em seguida, aponte os dois principais produtos do agronegócio cuja expansão da produção representa um sério risco para o desmatamento na Amazônia.

Comentário da questão:
A região Norte, uma das cinco macrorregiões do Brasil delimitadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Já a Amazônia Legal, cuja delimitação foi resultado das políticas territoriais do regime militar para a Amazônia, abrange, além da região Norte, parte dos estados do Mato Grosso e do Maranhão.Os níveis elevados de desmatamento na Amazônia são associados ao avanço do agronegócio, centrado na produção de carne bovina e de soja.

8. UERJ-2013



Nas últimas décadas, o avanço do cultivo da soja no Brasil, além de incorporar novas áreas, causou diversas modificações nos ecossistemas do país.
Identifique dois biomas brasileiros que sofreram expressiva degradação em função da recente expansão da soja no território nacional.
Aponte, também, dois fatores que explicam o elevado crescimento de sua produção na região central do Brasil.

Comentário da questão:
O recente avanço da cultura da soja sobre grandes porções do território brasileiro gerou um conjunto de impactos do ponto de vista ambiental, como, por exemplo, o desmatamento de significativas extensões de vegetação natural. Entre os biomas mais atingidos pela substituição de suas espécies por esse cultivo estão os campos limpos, no sul do país; o cerrado, na parte central; e a Amazônia, ao norte do território.
Entre os fatores que contribuem para a expansão da soja na região central do país estão o baixo valor da terra; o estabelecimento e o desenvolvimento das agroindústrias nessa área; as melhorias efetuadas no sistema de transporte regional; o relevo plano, com pequenas inclinações, que favorece substancialmente a mecanização; o desenvolvimento tecnológico para a produção de soja, executado por empresas de pesquisa agrícola, como a Embrapa; a concessão de incentivos fiscais pelos governos federal e estadual para a abertura de novas áreas de produção, a aquisição de máquinas e a construção de silos e armazéns.

9. UERJ-2011
As florestas contribuem com a fixação de parte do carbono atmosférico do planeta, amenizando o processo do aquecimento global. As queimadas realizadas nessas formações vegetais, contudo, possuem o efeito inverso, agravando esse processo.




Identifique os dois tipos de formações florestais com maior potencial para amenizar o aquecimento global. Em seguida, aponte uma característica das espécies arbóreas encontradas em cada uma dessas duas formações.

Comentário da questão:
A análise comparativa dos diâmetros dos círculos que representam a quantidade de carbono armazenado pela biomassa das florestas do mundo permite identificar a América do Sul, a Europa Oriental e a Rússia como os espaços nos quais estão localizadas as formações florestais com maior potencial para amenizar o aquecimento global.
No caso da América do Sul, a única formação compatível com esse indicador é a floresta equatorial amazônica, uma floresta densa e úmida, com vários andares, sem vegetação rasteira, e que apresenta grande diversidade de espécies. Suas árvores possuem folhas perenes e latifoliadas.
Na região da Europa Oriental e da Rússia, a única formação florestal suficientemente extensa e preservada para abrigar essa biomassa é a floresta boreal ou de coníferas, também chamada de taiga. Trata-se de uma floresta aberta, adaptada a longos períodos frios e secos. Suas árvores possuem folhas perenes e aciculifoliadas. Nela, há pequena diversidade de espécies e presença de vegetação rasteira entre as árvores.
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Geografia e a Arte

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