quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Ártico está aquecendo quase 4 vezes mais rápido que o resto do mundo, mostra estudo


Cientistas fizeram nova revisão do modelo climático para região e concluíram que região é mais sensível ao aquecimento global do que as estimativas atuais mostram. Algumas áreas do Ártico aquecerem até 7 vezes mais rápido que o resto do globo.




Segundo os pesquisadores, o Ártico aqueceu quatro vezes mais rápido que o resto do mundo nos últimos 43 anos. — Foto: NUUK,GREENLAND.HADA AJOSENPÄÄ/FINNISH METEOROLOGICAL INSTITUTE


O Ártico está aquecendo mais rápido do que os cientistas esperavam: cerca de quatro vezes mais quando comparado com a média global de temperatura nos últimos 43 anos.

Isso é o que mostra um artigo publicado nesta quinta-feira (11) na revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature.

Segundo os autores do estudo, esse aquecimento acelerado do Ártico sugere que a região é mais sensível ao aquecimento global do que as estimativas atuais mostram, tendo em vista que os dados divulgados diferem das simulações relatadas em diversos estudos anteriores, que afirmavam que a região está aquecendo duas vezes ou até três vezes mais rápido que o resto do globo terrestre (fenômeno conhecido como amplificação do Ártico).


"Referir-se ao aquecimento do Ártico como sendo duas vezes mais rápido que o aquecimento global, como frequentemente afirmado na literatura científica, é uma clara subestimação da situação durante os últimos 43 anos, desde o início das observações de satélite [na região]", alertaram os autores no artigo.


Os cientistas afirmam que há duas principais hipóteses que sustentam essa nova revisão: a primeira é que estimativas anteriores podem estar desatualizadas devido ao aquecimento contínuo da região ártica e a segunda é que essa avaliação tem sido afetada tanto pela forma como o Ártico é delimitado geograficamente como pela escolha de duração do período sobre o qual a taxa de aquecimento é calculada.


No novo estudo, a região ártica foi definida como a área dentro do Círculo Ártico (veja arte abaixo) e a taxa de aquecimento foi calculada a partir de 1979, quando observações mais detalhadas por satélite se tornaram disponíveis.


Tendências anuais de temperatura média para o Círculo Ártico. — Foto: Arte g1



"O Ártico foi definido usando o Círculo Ártico porque queríamos usar uma área que a maioria das pessoas percebe como o Ártico. Focamos em um período que começou em 1979 porque as observações após esse ano são mais confiáveis e porque o forte aquecimento começou na década de 1970", afirmou em um comunicado Mika Rantanen, pesquisadora do Instituto Meteorológico Finlandês, que coordenou o estudo.


Por causa dessa nova análise, em algumas regiões do Ártico, como nas áreas no setor eurasiano do Oceano Ártico perto dos arquipélagos de Svalbard e Novaya Zemlya, os cientistas calcularam um aumento até sete vezes mais rápido que o resto do globo.


Ainda de acordo com o estudo, esse aumento na amplificação do Ártico nos últimos 43 anos é causado tanto pelas mudanças climáticas provocados pela atividade humana como pelas variações naturais do clima na região a longo prazo.


Durante esse mesmo período de tempo, os cientistas também identificaram que, em média, os meses de outubro a dezembro no Ártico aqueceram cinco vezes mais rápido que o resto do globo, enquanto a taxa de aquecimento entre junho e agosto fica próxima de dois.


Os pesquisadores afirmam que isso ocorre porque com o fim do outono e a aproximação do inverno no Hemisfério Norte (outubro-dezembro), áreas de água recém-abertas e livres de gelo liberam mais calor na atmosfera.

Já no verão e início do outono, embora a diminuição da cobertura de gelo tenha sido maior, a superfície do mar libera pequenas quantidades de calor justamente porque a atmosfera e o mar ficam quase igualmente quentes.

"Nossos resultados indicam que essa nova taxa de quatro vezes do aquecimento do Ártico é um evento extremamente improvável, ou os modelos climáticos tendem sistematicamente a subestimar essa amplificação", concluíram os autores do artigo.

Ainda segundo os cientistas, essa incapacidade dos atuais modelos climáticos de simular uma amplificação do Ártico realista pode ter implicações para futuras projeções climáticas. Por isso, os autores defendem investigações mais detalhadas sobre os mecanismos por trás desse processo e sua representação em modelos do tipo.
Portal G!

Europa tem verão com recorde de superfície queimada por incêndios



Desde 1º de janeiro, os incêndios destruíram 662.776 hectares de floresta em toda a União Europeia, segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais



Bombeiros trabalham para combater um incêndio florestal no sudoeste da França.



Com a alta temporada de incêndios ainda em andamento, o saldo provisório de hectares queimados na Europa passou de 660.000 desde janeiro, um recorde para este período do ano desde que os dados de satélite começaram a ser coletados, em 2006.


Desde 1º de janeiro, os incêndios destruíram 662.776 hectares de floresta em toda a União Europeia, segundo dados atualizados neste domingo (14) pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), que produz estatísticas comparáveis desde 2006, graças a imagens de satélite do programa europeu Copernicus.


A área mais atingida pelos incêndios foi a Península Ibérica. Na Espanha, que sofreu duas grandes ondas de calor este verão entre junho e agosto, 246.278 hectares foram queimados, principalmente nas regiões da Galiza, província castelhana de Zamora (noroeste) e Extremadura.



A situação melhorou nos últimos dias com temperaturas mais baixas.


Em Portugal, os bombeiros demoraram uma semana para controlar um incêndio no parque natural da Serra da Estrela, reconhecido pela UNESCO, e onde 17 mil hectares foram queimados.


Incêndio na Serra da Estrela, próximo de Covilha, em Portugal. — Foto: AP/Francisco Seco


A França viu anos ainda piores na década de 1970, antes que os dados padronizados fossem estabelecidos em nível europeu.






Mas de acordo com esses números, 2022 foi o pior dos últimos 16 anos, em grande parte devido a dois grandes incêndios sucessivos no departamento de Gironde, perto de Bordeaux (sudoeste), para os quais foram necessários reforços de bombeiros alemães, poloneses e austríacos.



A situação foi igualmente excepcional na Europa Central. Em julho, os bombeiros levaram mais de dez dias para controlar o maior incêndio da história recente da Eslovênia, com a ajuda de uma população mobilizada com tanto entusiasmo que o governo teve que pedir aos moradores que parassem de fazer doações aos bombeiros.


Bombeiro tenta conter chamas em Landiras, enquanto incêndios florestais se espalham na região de Girondia, no sudoeste da França. — Foto: Divulgação/Reuters


Sem aviões especializados no combate a incêndios, a Eslovênia teve que pedir ajuda à Croácia, que enviou um avião antes de trazê-lo de volta para apagar seus próprios incêndios. Por esta razão, o governo esloveno considera a compra do seu primeiro avião-cisterna.


Se for considerado apenas o período de verão, "2022 já é um ano recorde", explica à AFP Jesús San Miguel, coordenador do EFFIS. O recorde anterior na Europa data de 2017, quando 420.913 hectares queimaram até 13 de agosto e 988.087 hectares em um ano.



"Espero que não tenhamos o mês de outubro que tivemos naquela época", quando 400 mil hectares foram arrasados em toda a Europa, acrescenta Jesús San Miguel.


A seca excepcional que assola a Europa, somada às ondas de calor, é uma fórmula devastadora. Até agora, estas condições de extrema secura eram observadas principalmente no Mediterrâneo, e agora "acontece na Europa Central", aponta Jesús San Miguel.


Na República Tcheca, por exemplo, um incêndio devastou mais de mil hectares, o que é pouco em comparação com outros países, e ainda assim 158 vezes mais importante do que a média de 2006-2021 neste país.

Um bombeiro trabalha em frente às chamas durante um dos incêndios florestais que atingiram a Europa em 2022. — Foto: Emilio Fraile/Europa Press via AP

Na Europa Central, as áreas queimadas permanecem pequenas em comparação com as dezenas de milhares de hectares devastados na Espanha, Portugal ou França.

Além dos incêndios na Croácia, houve três na Eslovênia e cinco na Áustria. Embora o aquecimento climático contínuo em toda a Europa ameace acentuar a tendência.
Portal G1

Lagos da Amazônia são 'guerreiros' contra aquecimento global, aponta estudo

Geógrafo brasileiro apontou que as regiões alagadas da Amazônia conseguem armazenar grande quantidade de carbono, um dos gases do efeito estufa. A degradação dessas áreas pode ser catastrófica para o planeta, aponta.




O pesquisador analisou o material orgânico de 13 lagos da Amazônia — Foto: Divulgação



Os lagos da Amazônia são tão importantes para o meio ambiente que foram classificados como "guerreiros" na luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas.


Já a degradação de boa parte deles, principalmente por causa do desmatamento desenfreado da floresta, pode ter grande impacto no planeta.


Essas são duas das conclusões de um estudo produzido pelo geógrafo brasileiro Leonardo Amora-Nogueira, doutor pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e publicado pela revista científica Nature em julho.


Nos últimos anos, o pesquisador percorreu cerca de 1.200 km de floresta para analisar as condições de 13 lagos nos Estados do Pará, Rondônia e Amazonas.



Descobriu que essas águas, mesmo em áreas de relativamente pequeno porte, são capazes de armazenar e absorver grandes quantidades de carbono, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa que causa o aquecimento global.

"Os lagos da Amazônia armazenam muito mais carbono do que a média de lagos de outros biomas, como as florestas temperadas e boreais, e as regiões polares e subpolares", explica o geógrafo, que realizou o estudo com apoio da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).


As análises mostraram que esses lagos acumulam cerca de 113,5 gramas de carbono por metro quadrado ao ano — taxa entre 3 e 10 vezes maior do que regiões alagadas de outros biomas.


O volume gira em torno de 79 milhões de toneladas de carbono por ano — equivalente a 27% das emissões de carbono na atmosfera, aponta a pesquisa.

Os lagos da região amazônica acumulam muito mais carbono que áreas parecidas de outros biomas — Foto: Divulgação

Essas áreas alagadas na Amazônia, que compõem 3% de todos os lagos do planeta, estão próximas a grandes rios da região, como o Madeira, o Amazonas e o Negro.


São as águas deles que carregam a matéria que depois será "enterrada" no fundo dos lagos.


Ou seja, o gás carbônico é produzido pela decomposição do material orgânico da floresta: troncos de árvores, plantas mortas e outros tipos de sedimentos.


"Essa matéria produz muito carbono. Sem os lagos, esse gás iria para a atmosfera, aumentando o efeito estufa", explica Amora-Nogueira, que estuda o tema desde seu trabalho de conclusão de curso na graduação em Geografia.


"Os lagos são fundamentais nesse ciclo de entrada e saída de carbono, pois o material decomposto gera o carbono que, em vez de ir para a atmosfera, fica 'enterrado' no fundo da água", diz.

Humberto Marotta, professor de Geociências da UFF, e o geógrafo Leonardo Amora-Nogueira — Foto: Divulgação

Tipos de água

Na Amazônia, há três tipos de águas que transportam e guardam matéria orgânica: clara, branca e preta. E a coloração de cada uma depende de sua capacidade de carregar esses sedimentos.


A água clara — dos rios Tapajós e Xingu, por exemplo — tem essa tonalidade porque recebe menos material da floresta. São rios que nascem na região central do Brasil.


Os rios de água branca — o Madeira, nascido nos Andes — têm força para levar grande volume de sedimentos, como enormes troncos de árvores que flutuam ao longo de seu curso.


Já os de água preta — o rio Negro, por exemplo — nascem dentro da própria Amazônia e, mais próximos da mata, recebem mais material orgânico das margens, ganhando uma coloração mais escura.


Segundo Amora-Nogueira, ainda são necessários mais estudos para entender como a diferença das águas impacta o armazenamento do gás carbônico na Amazônia.


Por outro lado, o estudo do geógrafo mensurou como o desmatamento afeta a qualidade do serviço de acumuladores de carbono prestado pelos lagos.


"Constatamos que os lagos de áreas desmatadas acumulam de 2 a 3 vezes menos carbono do que as regiões de floresta preservada", explica o pesquisador.


Os lagos da Amazônia são considerados 'guerreiros' contra o aquecimento global — Foto: Divulgação


Ou seja, quanto mais degradada for a área do entorno do lago, menos ele vai atuar e mais gás carbônico vai atingir a atmosfera, piorando o cenário de aquecimento do planeta.


Por causa dessa ação, o pesquisador apelidou os lagos de "guerreiros contra o aquecimento global".


Para Humberto Marotta, professor de Geociências da UFF e orientador de Amora-Nogueira, o estudo aponta para a importância da conservação das áreas alagadas da Amazônia, muitas vezes deixadas de lado nas discussões sobre preservação da floresta.


"Os lagos amazônicos são grandes guardiões contra o aquecimento global. Então, precisamos pensar as áreas prioritária de conservação não apenas para as árvores em pé, mas também para áreas alagadas, que prestam um serviço importantíssimo para o planeta. É preciso pensar sistemas de preservação mais amplos", diz.


Desmatamento

O problema é que o desmatamento da Amazônia continua em ritmo acelerado.


Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2021 e julho deste ano, os alertas de desmatamento alcançaram 8.590 km² da floresta, uma pequena queda de 2% em relação ao mesmo período de 2021.


Foi o terceiro ano seguido que o órgão registrou alertas em uma área superior a 8 mil km² de floresta.


O Pará é o Estado com maior devastação, de acordo com o Inpe. Nele, foram 3.072 km² desmatados no período, seguido pelo Amazonas (2.292 km²), Mato Grosso (1.433 km²) e Rondônia (1.179 km²).


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

O mundo está secando – e tem gente lucrando com isso


O mundo está secando – e tem gente lucrando com isso

Cerca de 4 bilhões de pessoas no mundo vivem com a falta de água pelo menos um mês por ano. E essa falta de água custa caro. Mas por que a água está acabando?

terça-feira, 26 de julho de 2022

Um "exército fantasma" na guerra na Ucrânia?



Um "exército fantasma" na guerra na Ucrânia?
Tanques militares, sistemas antiaéreos e até aviões - tudo inflável. Uma empresa tcheca se especializou em construir um arsenal inflável no estilo soviético.

A história mostra que tentar enganar o inimigo no campo de batalha é uma das táticas de guerra mais antigas. Equipamento inflável enganou os nazistas durante a Segunda Guerra, por exemplo, e agora alguns especialistas pleiteiam que também seja usado no conflito na Ucrânia.

Como os Emirados Árabes dizem fazer chover no deserto

 



Como os Emirados Árabes dizem fazer chover no deserto
Chuva é algo raro nos Emirados Árabes Unidos, mas um programa multimilionário de semeadura de nuvens tenta aumentar no país a precipitação, por exemplo, em áreas agrícolas. Críticos dizem que método é pouco científico.

Como podemos esfriar o planeta e frear o aquecimento global?



Nos últimos tempos, o aquecimento global e suas consequências devastadoras para a humanidade têm sido assunto em todo o mundo.

Desde 1970, o termômetro do planeta tem disparado. E, segundo cálculos alarmantes de cientistas, o aumento da temperatura pode chegar a quase 4ºC em 2100.

Isso, asseguram eles, levaria a humanidade a uma catástrofe climática que representaria grande ameaça à vida..

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Por que a Lua parece próxima em algumas noites e distante em outras?




A Lua muitas vezes parece enorme ao nascer por causa do que é conhecido como a ilusão lunar. 
Crédito: Roadcrusher/Wikimedia Commons, CC BY-SA

Algumas noites a Lua parece muito próxima e maior que o normal.

Em uma noite de verão, quando eu era criança, lembro-me de ter ficado perplexo e assustado com uma enorme forma redonda se aproximando lentamente atrás da casa de minha amiga Nancy, que ficava em uma colina do outro lado de nossa cidadezinha.
Em algum momento, de repente percebi que era a Lua, e corri gritando pelo jardim para contar ao meu pai e fazer ele vir ver. Era maior que uma casa, cor de laranja profundo e certamente de grande significado. Meu pai murmurou algo sobre perspectiva e voltou a fazer jardinagem ou tocar piano.

Não convencido, continuei observando a Lua. Mais tarde, uma vez que a Lua subiu mais alto no céu, voltou a se parecer com o que era habitual.



Bem-vindo ao que astrônomos como eu chamam de ilusão lunar.

Pode ser difícil acreditar que é apenas uma ilusão quando a Lua parece enorme, mas é verdade. Você pode realmente testar a ilusão e até mesmo capturá-la com uma câmera.



Truque da mente

Os astrônomos discutem a ilusão da Lua há séculos, e há alguns fatos com os quais todos concordam.

As pessoas notam principalmente a Lua parecendo maior e mais próxima quando está cheia e próxima do horizonte. Isso ocorre porque sua mente julga quão grande ou pequeno é um objeto como a Lua comparando-o com outras coisas familiares.

Imagine que você está do lado de fora perto de sua casa. Sua casa parecerá grande e, se a Lua nascer ao lado dela, a Lua parecerá normal. Se você olhar para uma casa de longe, porém, a casa parecerá muito pequena.

A ilusão vem do fato de que a Lua está tão distante que, não importa onde você esteja na Terra, ela sempre parece do mesmo tamanho. Na verdade, são as coisas com as quais sua mente compara a Lua – uma casa, uma montanha ou qualquer outra coisa – que parecem maiores ou menores, dependendo da distância que você está. Assim, quando nasce ao lado de uma casa distante ou de uma montanha distante, a Lua parece enorme.




Os fotógrafos usam esse truque para tirar imagens espetaculares de objetos distantes com a Lua atrás deles. As pessoas geralmente experimentam a ilusão da Lua nas férias quando vão a espaços abertos. Pode ser por isso que as grandes luas se tornam memórias poderosas de tempos felizes.
Zoom atmosférico e órbita elíptica

Existem várias explicações convincentes, mas erradas, para a ilusão da Lua. A maioria está fundamentada em alguma verdade, então elas persistem.

A primeira é a ideia de que a atmosfera age como uma lente e amplia a Lua. Quando a Lua está perto do horizonte, sua luz tem de viajar muito mais pela atmosfera da Terra do que quando a Lua está diretamente acima. É verdade que todo aquele ar age como um prisma gigante e desvia os raios de luz, distorcendo a cor e a forma da Lua. Mas não funciona como uma lupa.

A seguir vem a ideia de que em algumas noites a Lua realmente está mais próxima. A órbita da Lua não é perfeitamente circular – é mais como uma forma oval, chamada de elipse –, então ela se aproxima e se afasta ao longo de um mês.





Quando a parte mais próxima da órbita coincide com uma Lua cheia, é chamada de Superlua. Mas quando a Lua está mais próxima da Terra, está apenas cerca de 12% a 15% mais próxima do que quando está mais distante da Terra – uma diferença muito pequena para explicar a ilusão da Lua. É difícil notar uma diferença de 15% no tamanho apenas olhando para a Lua sozinha no céu.
Testando a ilusão

É fácil testar a ilusão da Lua, e você mesmo pode fazê-lo. Da próxima vez que vir a Lua parecendo enorme e mais próxima do que o normal, estenda a mão com o braço esticado. Então feche um olho e veja qual ponta do dedo mal cobre a Lua – para mim, é meu dedo mindinho. Espere um pouco até que a Lua se mova mais alto no céu e tente o experimento novamente. A Lua pode parecer menor, mas seu mesmo dedo a cobrirá da mesma forma.

* Silas Laycock é professor de astronomia na Universidade de Massachusetts em Lowell (EUA).
Revista Planeta

domingo, 10 de julho de 2022

Amazônia perdeu extensão de 2 mil campos de futebol por dia em 2022


Desmatamento da mata nativa entre janeiro e maio é o maior registrado em 15 anos. Estado do Amazonas foi o que mais perdeu área de floresta no período
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FOTO: NACHO DOCE/REUTERS

 

ÁREA DESMATADA NA REGIÃO AMAZÔNICA DE ITAITUBA, NO PARÁ

A Amazônia perdeu por dia 3.360 km² de mata nativa de janeiro a maio de 2022. A área de floresta devastada diariamente equivale a 2.000 campos de futebol. Essa é a maior destruição observada no local em 15 anos. Os dados foram divulgados pela Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e foram coletados através do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), que monitora a região por meio de imagens de satélite desde 2008.



Em maio foram desmatados 1.476 km², cerca de 44% do acumulado do ano. Em comparação com maio de 2021, quando foram destruídos 1.125 km², pior marca para o mês nos últimos 14 anos, a devastação cresceu 31%.



Dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Amazonas foi o que mais perdeu floresta no período, com 553 km² desmatados. Só na cidade de Apuí foram 214 km² de desmatamento. Foi o município que mais destruiu a Amazônia no mês de maio.



O segundo estado mais desmatado foi o Pará. Uma das preocupações é o avanço da devastação em áreas de proteção ambiental. Seis das dez UCs (unidades de conservação) e quatro das dez TIs (terras indígenas) ficam no Pará.



A degradação na floresta é identificada no SAD através dos danos que ocorrem no solo, pela ação de madeireiros ou do fogo. O desmatamento é observado quando cortes rasos são feitos na floresta, prática comum em atividades pecuárias, agropecuárias e garimpos.
Jornal NEXO

Planeta anão foi formado na zona mais fria do Sistema Solar e lançado para o Cinturão de Asteroides





Imagens de Ceres feitas pela sonda Dawn: planeta anão veio de longe até se estabilizar no Cinturão de Asteroides. Crédito: Nasa




Estudo que busca reconstituir o processo de formação do planeta anão Ceres foi publicado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e colaboradores no periódico Icarus.

O trabalho foi conduzido por Rafael Ribeiro de Sousa, professor do Programa de Pós-Graduação em Física, campus de Guaratinguetá. Também assinam o artigo o professor Ernesto Vieira Neto, que foi o orientador de Ribeiro de Sousa em sua pesquisa de doutorado, e pesquisadores da Université Côte d’Azur, na França; da Rice University, nos Estados Unidos; e do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Como explicam os autores, Ceres é um integrante do Cinturão de Asteroides, coleção de corpos celestes localizada entre as órbitas de Marte e Júpiter. De formato aproximadamente esférico, é o maior objeto do Cinturão, concentrando um terço de sua massa total. Seu diâmetro, com quase mil quilômetros, é pouco maior do que um terço do diâmetro da Lua. Com excentricidade de 0,09, tem órbita quase circular. E a inclinação de sua órbita em relação ao plano invariante do Sistema Solar, inferior a 10 graus, é bem maior que a inclinação da órbita da Terra, que é de 1,57 grau.


A massa de Ceres é pequena demais para poder segurar, por atração gravitacional, uma atmosfera. Mas um fato notável é que os gelos de amônia e de água existentes sob sua superfície evaporam com a incidência da luz solar. E a névoa formada dispersa-se no espaço exterior. Os depósitos de gelo brilham muito no fundo das crateras. Não está excluída a hipótese de que possam abrigar alguma forma primitiva de vida. A Missão Dawn, da Nasa, a agência espacial norte-americana, que se aproximou bastante dos asteroides Ceres e Vesta, mapeou essas crateras. Um vídeo muito interessante da cratera Occator, composto com imagens captadas pela espaçonave, pode ser visto no site da missão.


O núcleo do planeta anão é composto provavelmente por material pesado: ferro e silicatos. Mas o que diferencia Ceres dos objetos vizinhos é seu manto de gelo de amônia e água. Como a maioria dos corpos do Cinturão de Asteroides não tem amônia, a hipótese é a de que Ceres tenha sido formado fora, na região mais fria que se estende além da órbita de Júpiter e, depois, lançado para a zona média do Cinturão devido à grande instabilidade gravitacional provocada pela formação dos planetas gasosos gigantes Júpiter e Saturno.

“A presença de gelo de amônia é uma forte evidência observacional de que Ceres possa ter sido formado na região mais fria do Sistema Solar, além da chamada Linha de Gelo, onde as temperaturas eram baixas o suficiente para ocorrer condensação e fusão de água e substâncias voláteis, como monóxido de carbono [CO], dióxido de carbono [CO2] e amônia [NH3]”, diz Ribeiro de Sousa.

Hoje, a Linha de Gelo está localizada muito próxima da órbita de Júpiter. Porém, quando o Sistema Solar estava em formação, há 4,5 bilhões de anos, a posição dessa zona variou de acordo com a evolução do disco de gás protoplanetário e a formação dos planetas gigantes. “A forte perturbação gravitacional provocada pelo crescimento desses planetas pode ter alterado a densidade, a pressão e a temperatura do disco protoplanetário, o que teria deslocado a Linha de Gelo. Essa perturbação no disco de gás protoplanetário teria feito com que planetas em crescimento, enquanto adquiriam gás e sólidos, migrassem para órbitas mais próximas do Sol”, explica o professor Vieira Neto.



“Em nosso trabalho, propusemos um cenário para explicar o porquê de Ceres ser tão diferente dos asteroides vizinhos. Nesse cenário, Ceres teria iniciado a sua formação em uma órbita além de Saturno, onde a amônia era abundante. Durante o crescimento dos planetas gigantes, foi puxado para o Cinturão de Asteroides, como um retirante do Sistema Solar externo, e sobreviveu até hoje, por 4,5 bilhões de anos”, afirma Ribeiro de Sousa.

Para comprovar tal hipótese, Ribeiro de Sousa e colaboradores realizaram um grande número de simulações computacionais da fase de formação dos planetas gigantes dentro do disco de gás protoplanetário que circundava o Sol. No modelo, foram consideradas no disco as presenças de Júpiter, Saturno, embriões planetários (precursores de Urano e Netuno) e uma coleção de objetos similares em tamanho e composição química a Ceres. A suposição foi a de que Ceres seria um objeto de tipo planetesimal. Estes são considerados os “blocos de construção” dos planetas e de outros corpos do Sistema Solar, como asteroides, cometas, etc.

“Em nossas simulações, verificamos que a fase de formação dos planetas gigantes não foi nada tranquila. Caracterizou-se por colisões gigantescas entre os precursores de Urano e Netuno, pela ejeção de planetas para fora do Sistema Solar e até mesmo pela invasão da região interna por planetas com massas maiores do que três vezes a massa da Terra. Além disso, a forte perturbação gravitacional espalhou objetos similares a Ceres por toda a parte. Alguns, com uma certa probabilidade, alcançaram a região do Cinturão de Asteroides e adquiriram órbitas estáveis, capazes de sobreviver a outros eventos”, conta o pesquisador.

Segundo Ribeiro de Sousa, três mecanismos principais atuaram para preservar esses objetos na região: a ação do gás, que amorteceu as excentricidades e as inclinações de suas órbitas; as ressonâncias de seus movimentos médios com Júpiter, que os protegeram de ejeções e colisões causadas por esse planeta gigante; e encontros próximos com os planetas invasores, que espalharam os planetesimais para regiões mais internas e estáveis do Cinturão de Asteroides.

“Nosso principal resultado indica que, no passado, houve no mínimo 3.500 objetos do tipo Ceres, além da órbita de Saturno. E que, com esse número de objetos, nosso modelo mostrou que um deles conseguiu ser transportado e capturado no Cinturão de Asteroides, em uma órbita muito similar à órbita atual de Ceres”, destaca o pesquisador.



Esse número, de 3.500 objetos de tipo Ceres, já havia sido estimado por outros estudos, a partir da observação de crateras e de tamanhos de outras populações de astros, situadas além de Saturno, como aquelas que compõem o Cinturão de Kuiper, onde orbitam Plutão e outros planetas pequenos. “Com nosso cenário, fomos capazes de confirmar tal número e explicar as propriedades orbitais e químicas de Ceres. Esse trabalho conta um ponto a favor dos modelos mais recentes de formação do Sistema Solar”, resume Ribeiro de Sousa.

Um pouco sobre a formação planetária

Um cenário sobre a formação planetária do Sistema Solar, composto a partir das informações mais atualizadas disponíveis, permite entender melhor o estudo em pauta, situando Ceres no quadro geral.

“A partir de evidências observacionais, sabe-se que qualquer sistema planetário – não apenas o Sistema Solar – é formado a partir de um disco de gás e poeira que circunda uma estrela recém-formada. O evento que forma a estrela ainda é objeto de estudo, mas o consenso até o momento é que ela nasce a partir do colapso gravitacional de uma nuvem molecular gigante”, afirma Ribeiro de Sousa.

A existência dos discos protoplanetários não é mera suposição. Ao contrário, respalda-se em observações robustas. É o caso das imagens obtidas pela Agência Espacial Europeia por meio do rádio-observatório Alma (Atacama Large Millimeter Array), um sistema constituído por 66 antenas situado no deserto do Atacama, no Chile. Com impressionante resolução e riqueza de detalhes, essas imagens mostram discos protoplanetários ao redor de estrelas bem jovens.

“No caso do Sistema Solar, os dados de que dispomos sugerem que o disco protoplanetário fosse constituído por 99% de gás e 1% de poeira. Esta seria proveniente de estrelas mais antigas, que encerraram seu ciclo de vida e lançaram material pesado no espaço. A poeira que se acumulou ao redor do Sol foi suficiente para formar ao menos os pequenos corpos, os planetas terrestres e os núcleos dos grandes planetas gasosos. Os primeiros sólidos que se condensam no disco protoplanetário são chamados de CAIs (do inglês Calcium Aluminium rich-Inclusions). Como o próprio nome informa, eram ricos em cálcio e alumínio. Foram encontrados como inclusões em meteoritos. E suas idades mais antigas foram datadas em 4,568 bilhões de anos”, informa o pesquisador.

Diversas estrelas jovens, observadas em ambientes caracterizados como berços de formação planetária, foram datadas com idades variando entre 1 e 10 milhões de anos. Esse dado forneceu uma informação muito importante, porque mostrou que a formação de planetas gasosos (como Júpiter e Saturno) ou que possuam ao menos um envelope gasoso (como Urano e Netuno) deve ocorrer, no máximo, nos primeiros 10 milhões de anos de vida da estrela. Depois disso, os discos protoplanetários não possuem mais gás suficiente.

Planetas rochosos, de tipo terrestre, poderiam surgir antes ou depois – não se sabe. Mas outras informações disponíveis mostram que a formação da Terra e da Lua foi um dos eventos mais tardios na gênese do Sistema Solar, ocorrido por volta de 4,543 bilhões de anos atrás. Quanto aos pequenos corpos que compõem o sistema (planetas anões, satélites, cometas, asteroides, poeira, etc.), eles são resultados do resto da formação dos planetas e evoluíram física e dinamicamente antes e depois da fase de gás, por processos como interações com o gás, colisões, capturas gravitacionais e outros.

O processo de formação planetária é bastante complexo. Os estágios vão da poeira, com tamanhos da ordem do mícron (10−6 m), até planetas várias vezes maiores do que Júpiter. “A poeira se acumula por adesões e colisões dentro do disco protoplanetário. A atração gravitacional entre essas partículas não é relevante. Mas a atração gravitacional exercida pelo Sol faz com que o gás gire mais devagar do que a poeira. E isso produz um arrasto aerodinâmico muito forte sobre a poeira. A força de arrasto leva as partículas para o plano do disco de gás e as desloca radialmente em direção ao Sol. Quando a poeira alcança tamanhos da ordem de alguns centímetros, formam-se seixos, que fazem toda a diferença no processo de crescimento planetário, pois influenciam a velocidade de rotação do gás. Quando as velocidades do gás e dos seixos se igualam, o arrasto do gás torna-se praticamente nulo, o que oferece aos seixos a chance de se concentrarem o suficiente para originarem planetesimais – corpos com tamanhos variando de 10 a 1.000 quilômetros, que se tornam os blocos de construção dos planetas e os precursores dos pequenos corpos”, narra Ribeiro de Sousa.

No estágio seguinte, formam-se objetos cada vez maiores, por captura gravitacional de seixos e poeira ou por colisões. Quando um objeto cresce o suficiente para ter a massa de três a dez Terras, a perturbação gravitacional que produz no disco de gás faz com que ele migre para órbitas mais próximas da estrela. Quando cresce acima de dez Terras, passa a acumular ao seu redor um envelope de gás. E, a partir da acumulação do gás, seu crescimento torna-se muito rápido.

“A formação dos planetas gigantes Júpiter e Saturno produziu uma perturbação gravitacional tão grande que modelou o disco de gás e provocou um novo tipo de migração planetária. Essa fase violenta fez planetas colidirem e planetas serem ejetados para fora do Sistema Solar, até que o balanço gravitacional possibilitou que o sistema como um todo adquirisse certo grau de estabilidade”, conclui Ribeiro de Sousa.

O estudo recém-divulgado contou com financiamento da Fapesp por meio de Bolsa de Doutorado e de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior concedidas a Ribeiro de Sousa. E também recebeu apoio por meio do Projeto Temático “A relevância dos pequenos corpos em dinâmica orbital”.

O artigo Dynamical origin of the Dwarf Planet Ceres pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0019103522000549?dgcid=author#!.
Revista Planeta

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Mudanças na vegetação moldaram temperaturas globais nos últimos 10 mil anos






Crédito: Unsplash/CC0 Public Domain



Siga o pólen. Registros da vida vegetal passada contam a história real das temperaturas globais, de acordo com a pesquisa de um cientista climático da Universidade de Washington em St. Louis (EUA). Temperaturas mais quentes trouxeram plantas – e depois vieram temperaturas ainda mais quentes, de acordo com novas simulações de modelos publicadas na revista Science Advances.

Alexander Thompson, pesquisador associado de pós-doutorado em ciências da terra e planetárias em Artes e Ciências da Universidade de Washington em St. Louis, atualizou as simulações de um importante modelo climático para refletir o papel da mudança da vegetação como um fator-chave das temperaturas globais nos últimos 10 mil anos.

Thompson há muito se preocupava com um problema com modelos de temperaturas atmosféricas da Terra desde a última era glacial. Muitas dessas simulações mostraram temperaturas subindo consistentemente ao longo do tempo. Mas os registros de variáveis climáticas contam uma história diferente. Muitas dessas fontes indicam um pico acentuado nas temperaturas globais que ocorreu entre 6 mil e 9 mil anos atrás.


Expansão subestimada

Thompson teve um palpite de que os modelos poderiam estar ignorando o papel das mudanças na vegetação em favor dos impactos das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono ou da cobertura de gelo.


“Os registros de pólen sugerem uma grande expansão da vegetação durante esse período”, disse Thompson. “Mas os modelos anteriores mostram apenas uma quantidade limitada de crescimento da vegetação”, disse ele. “Então, embora algumas dessas outras simulações tenham incluído vegetação dinâmica, não foi uma mudança de vegetação suficiente para explicar o que os registros de pólen sugerem.”

Na realidade, as mudanças na cobertura vegetal foram significativas. No início do Holoceno, a época geológica atual, o deserto do Saara, na África, ficou mais verde do que hoje – era mais uma pastagem. Outras coberturas vegetais do hemisfério norte, incluindo as florestas de coníferas e caducifólias nas latitudes médias e o Ártico, também prosperaram.

Thompson pegou evidências de registros de pólen e projetou um conjunto de experimentos com um modelo climático conhecido como Community Earth System Model (CESM), um dos mais conceituados em uma ampla classe de tais modelos. Ele fez simulações para explicar uma série de mudanças na vegetação que não haviam sido consideradas anteriormente.


Interesse multidisciplinar

“A vegetação expandida durante o Holoceno aqueceu o globo em até 1,5 grau Fahrenheit [quase 1 grau Celsius]”, disse Thompson. “Nossas novas simulações se alinham de perto com variáveis paleoclimáticas. Portanto, é empolgante que possamos apontar a vegetação do hemisfério norte como um fator potencial que nos permite resolver o controverso enigma da temperatura do Holoceno.”

Compreender a escala e o tempo da mudança de temperatura ao longo do Holoceno é importante porque é um período da história recente, geologicamente falando. A ascensão da agricultura e da civilização humana ocorreu durante esse período, por isso muitos cientistas e historiadores de diferentes disciplinas estão interessados ​​em entender como o clima do início e do meio do Holoceno diferia dos dias atuais.

Thompson conduziu este trabalho de pesquisa como pós-graduando na Universidade de Michigan. Ele continua sua pesquisa no laboratório da cientista climática Bronwen Konecky na Universidade de Washington.

“No geral, nosso estudo enfatiza que a contabilização da mudança da vegetação é crítica”, disse Thompson. “As projeções para as mudanças climáticas futuras são mais propensas a produzir previsões mais confiáveis ​​se incluírem mudanças na vegetação.”
Revista Planeta

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Estudos apontam o degelo do permafrost como uma séria ameaça





1 de 2 Pico sul do maciço de Kebnekaise, em 26 de agosto de 2021 ao norte da Suécia - AFP/Arquivos







O desgelo do permafrost no Ártico, que pode liberar grandes quantidades de gases de efeito estufa, ameaça a infraestrutura local, mas também o planeta, de acordo com estudos publicados esta semana na revista Nature.

O permafrost, um solo que permanece congelado por mais de dois anos consecutivos, cobre 30 milhões de km2 do planeta, dos quais cerca de metade está no Ártico. Ele contém o dobro do CO2 presente na atmosfera e três vezes o que a atividade humana emitiu desde 1850.

Devido às mudanças climáticas, as temperaturas no Ártico aumentam muito mais rapidamente do que no resto do mundo: 2º a 3ºC em relação aos níveis pré-industriais. A região também registra uma série de anomalias meteorológicas.

A temperatura do próprio permafrost esquentou, em média, 0,4°C entre 2007 e 2016, “o que aumenta a preocupação sobre a rápida taxa de degelo e o potencial de liberação de carbono”, diz um estudo liderado por Kimberley Miner, pesquisadora do Centro de Pesquisa Espacial JPL da NASA.



O estudo prevê a perda de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados de permafrost até 2100, mesmo que o aquecimento global seja contido.

Os incêndios também desempenham um papel, enfatiza o estudo. Eles podem aumentar de 130% para 350% até meados do século, liberando cada vez mais carbono do permafrost.

De acordo com outro estudo liderado por Jan Hjort, pesquisador da Universidade Finlandesa de Oulu, uma ameaça mais imediata paira sobre quase 70% das estradas, oleodutos, cidades e fábricas construídas sobre o permafrost.


A Rússia corre um risco particular: quase metade dos campos de petróleo e gás do Ártico russo estão localizados em zonas de risco pelo permafrost.

Em 2020, um tanque de combustível se rompeu quando suas fundações afundaram subitamente no solo perto de Norilsk, na Sibéria, derramando 21.000 toneladas de diesel em rios próximos.



Na América do Norte, há também uma ameaça às ruas e oleodutos.

Embora se saiba cada vez mais sobre o permafrost, algumas questões permanecem sem resposta, principalmente em relação aos volumes de carbono que podem ser liberados.

Também não se sabe se o degelo levará a uma região ártica mais verde, onde as plantas poderão absorver o CO2 liberado, ou a uma região mais seca, onde os incêndios aumentarão.
Revista Isto é

Países africanos têm dificuldades para erguer ‘Muralha Verde’ e conter desertificação





Crédito: Makewaves/UNCCD


A Grande Muralha Verde, projeto da ONU para proteger e recuperar um corredor de vegetação de mais de 8 mil km ao sul do deserto do Saara, é visto como uma das grandes esperanças do continente africano para combater o avanço da desertificação, aumentar a absorção de carbono e gerar emprego e renda sustentável para muitos dos países mais pobres do mundo. A cada ano que passa, no entanto, a falta de avanços concretos na implementação do projeto traz frustração e temores de que a região seja deixada para trás na luta contra a crise climática.

Quinze anos depois de seu lançamento, a proposta voltou aos holofotes internacionais nas últimas semanas com a realização da 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção da ONU sobre o Combate à Desertificação (UNCCD), que termina nesta 6a feira (20/5) na Costa do Marfim. Mais do que o tempo acumulado sem avanços, o que preocupa mais os países africanos é a falta de sinais de doadores internacionais de que esse cenário possa mudar nos próximos anos. De fato, o resultado da Grande Muralha Verde até pouco tempo atrás é desanimador: apenas 4% da meta de restaurar 100 milhões de hectares tinha sido cumprida até 2020.

“Não é apenas plantar árvores, é plantar esperança para milhões de jovens”, afirmou Ibrahim Thiaw, secretário-executivo da UNCCD, citado pelo Climate Home, em defesa da Grande Muralha Verde. “A esperança ainda não está se transformando em ação na escala ou no ritmo que desejamos. Porque, coletivamente, estamos lutando para transformar essas promessas em projetos e investimentos”.


Adaptações curiosas

A RFI destacou como as dificuldades de financiamento e articulação política acabaram criando adaptações curiosas no projeto da Grande Muralha. Inicialmente, a ideia era a de um corredor verde propriamente dito, se estendendo por milhares de quilômetros. Agora, a proposta é mais descentralizada, com a criação de pequenos oásis verdes no entorno de vilarejos e cidades, aproximando as pessoas das áreas vegetais e potencializando oportunidades de geração de renda por meio da vegetação. Um exemplo de sucesso para esse modelo é o de Dor, uma cidade no nordeste de Burkina Faso: por meio de um modelo de governança descentralizado, que envolve a participação de toda a comunidade, diversos projetos de recuperação de solo e reflorestamento foram implementados nos últimos anos, com ganhos ambientais e de expertise.



Em tempo: Em julho, terminará o mandato da mexicana Patricia Espinosa como secretária-executiva da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), depois de seis anos. Com isso, abre-se espaço para uma disputa pelo comando da UNFCCC, um dos espaços mais destacados da diplomacia ambiental. A seleção já começou, com a ONU divulgando na semana passada as condições e o perfil da pessoa desejada para suceder Espinosa: alguém sênior, com uma “visão estratégica e uma compreensão íntima” de questões climáticas e de desenvolvimento, preferencialmente com experiência governamental. O salário? US$ 207 mil anuais. Como assinalado pelo Climate Home, a expectativa é de que o novo nome venha da Ásia ou da África, já que os secretários-executivos mais recentes da UNFCCC eram da Europa e da América Latina.
Revista Planeta

Intoxicação por agrotóxicos mata um brasileiro a cada dois dias, diz relatório





Texto por:Deutsche Welle



A cada dois dias, uma pessoa morre por intoxicação de agrotóxicos no Brasil – cerca de 20% dessas vítimas são crianças e adolescentes de até 19 anos. O dado consta num relatório publicado nesta quinta-feira (28/04) pela rede ambientalista Friends of the Earth Europe.

A pesquisa da entidade europeia, que reúne uma série de organizações, mapeia a aliança entre empresas agroquímicas europeias – como Bayer e Basf – e o lobby do agronegócio brasileiro.

Segundo o texto, os esforços conjuntos desses dois atores para promover o livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) "causaram danos significativos à saúde das pessoas e ao meio ambiente no Brasil".

"Corporações europeias como Bayer e Basf, que são os principais fabricantes europeus de pesticidas, têm promovido o acordo comercial UE-Mercosul por meio de grupos de lobby. Seu lobby tem procurado aumentar o acesso ao mercado de alguns de seus agrotóxicos mais nocivos ao unir forças com associações do agronegócio brasileiro. Ao fazer isso, eles apoiam uma agenda legislativa que visa minar os direitos dos indígenas, remover salvaguardas ambientais e legitimar o desmatamento", diz a Friends of the Earth Europe no documento.


Segundo o relatório, grupos que representam a Bayer, a Basf e a Syngenta já gastaram cerca de 2 milhões de euros para apoiar o lobby do agronegócio no Brasil.

E esse lobby financiado por empresas europeias deu frutos: o uso de agrotóxicos em território brasileiro se multiplicou por seis nos últimos 20 anos, afirma o relatório.

Somente em 2021, foram aprovados 499 novos pesticidas no país, um número recorde. Além disso, a Bayer e a Basf tiveram, juntas, 45 novos agrotóxicos aprovados no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro, sendo que 19 deles contêm substâncias proibidas na UE.


"Como se bastasse manchar os pratos europeus com glifosato, a Bayer vem operando uma ofensiva agressiva de lobby no Brasil para promover pesticidas que são mortais demais para a União Europeia", afirma Audrey Changoe, especialista em comércio da Friends of the Earth Europe e uma das autoras do estudo, ao lado da brasileira Larissa Bombardi, professora da USP e especialista em agrotóxicos no Brasil.
"Licença para envenenar"

O relatório assinado pelas duas especialistas afirma que grandes corporações europeias fabricantes de agrotóxicos se beneficiam das "regulações ambientais fracas do Brasil" e, além disso, também trabalham com o agronegócio brasileiro para moldar como essas leis são escritas.

Segundo o texto, a agenda do agronegócio se reflete no Congresso brasileiro por meio da bancada ruralista, "notória por pressionar para enfraquecer a legislação ambiental e de pesticidas e desmantelar órgãos governamentais responsáveis pela proteção do meio ambiente". "As empresas da UE estão apoiando esse bloco e, por sua vez, facilitando sua agenda", diz o relatório.

"Nossas descobertas são alarmantes: uma legislação ainda mais fraca no Brasil dará à Bayer uma licença para envenenar a natureza e as comunidades rurais que já sofrem com a agricultura intensiva de pesticidas", completa Changoe.

O documento lembra que a bancada ruralista é aliada próxima do governo Bolsonaro e endossou sua candidatura em 2018. A organização também acusa o atual governo de criminalizar a sociedade civil e os movimentos sociais que lutam contra o uso de agrotóxicos – o que faz aumentar ainda mais o poder político de grandes corporações europeias.

Acordo UE-Mercosul

Dessa forma, o relatório se posiciona de forma contrária à ratificação do acordo comercial UE-Mercosul – fechado após duas décadas de negociações –, que aumentaria as exportações de produtos agrícolas para a Europa e as importações de agroquímicos para os países do Mercosul – especialmente para o Brasil, que é o maior exportador mundial de soja.

"Embora o acordo traga oportunidades para as empresas agroquímicas que operam na UE, incluindo a Bayer e a Basf, também corre o risco de exacerbar os danos devastadores causados à natureza e às comunidades locais, incluindo os povos indígenas, cujo modo de vida e os direitos à terra são atacados pelo agronegócio brasileiro", diz o texto.

Segundo o relatório, o acordo vem num momento em que "os sinais da perda dramática da biodiversidade global relacionada ao uso de pesticidas se tornam cada vez mais evidentes".

A organização ressalta que, se o pacto comercial for ratificado, as tarifas sobre agroquímicas serão reduzidas em até 90%, levando a um provável aumento da exportação de pesticidas perigosos da UE aos países do Mercosul, incluindo alguns proibidos na Europa devido ao risco que representam à saúde humana e ao meio ambiente.

Segundo o texto, o acordo também deve impulsionar as exportações de produtos como soja, cana-de-açúcar e etanol derivado da cana, que dependem fortemente de agrotóxicos, bem como de carne bovina e aviária, que dependem da soja como ração animal, aumentando ainda mais o uso de pesticidas. "Esses produtos agrícolas também estão ligados ao desmatamento e à destruição da biodiversidade, bem como à violação dos direitos indígenas", reitera o relatório.

A Friends of the Earth Europe afirma, assim, que o comércio promovido pelo pacto está "fundamentalmente em desacordo" com outras metas ambientais do bloco europeu, e pede que os Estados-membros da UE rejeitem o acordo com o Mercosul, "se afastem de promover o modelo de monocultura com uso intensivo de pesticidas" e "apoiem abordagens de agricultura mais sustentáveis, amigas da natureza e centradas em pessoas".

O relatório pede ainda que a União Europeia introduza uma proibição imediata das importações de itens com resíduos de produtos químicos que já são proibidos na própria UE.

"A União Europeia tem a responsabilidade de parar o comércio tóxico UE-Mercosul agora", conclui Audrey Changoe, uma das autoras do relatório.
Revista Planeta

Novas pesquisas ressaltam impactos do desmate e do aquecimento na Amazônia






Desmatamento na Amazônia: perspectivas de futuro sombrias. Crédito: © Op VERDE BRASIL/17


Crescem as evidências científicas de que a ação humana direta (por meio do desmatamento) e indireta (pelas mudanças climáticas) está provocando um ciclo vicioso de destruição da maior floresta tropical do planeta. Ciclo também perigoso, já que a Amazônia pode estar se aproximando de seu ponto de inflexão. Dois estudos sobre os impactos da fragmentação de florestas e do desmatamento na vegetação foram publicados em prestigiadas revistas científicas internacionais nos últimos dias.

Um deles, publicado no Journal of Ecology na terça-feira (22/2) e destacado pelo Estadão, trouxe o resultado da análise de 15 mil árvores da borda sul da Floresta Amazônica, envolvendo os estados de Pará e Mato Grosso, onde a degradação florestal é intensa. Na borda, a mortalidade é maior do que em qualquer outra parte da Amazônia, indicando o que poderá ocorrer se o desmatamento avançar em direção à floresta profunda. A falta de água e a força dos ventos foram as principais causas da mortalidade das árvores. Na engrenagem da destruição, as mudanças climáticas fazem com que o número de dias mais quentes e secos aumente, reduzindo a umidade e as chuvas. O desmatamento, por sua vez, deixa as árvores da borda mais expostas aos ventos, que aumentam com as temperaturas mais altas na região, destruindo mais árvores. O processo empurra a floresta rumo ao temido ponto de desequilíbrio e de savanização, com estudos apontando isso há décadas.

Outra pesquisa, liderada por pesquisadores da Universidade de Helsinque e publicada na Nature Communications, reforça que a fragmentação florestal na Amazônia está aumentando ainda mais os efeitos negativos, nas árvores altas, do aquecimento da temperatura em florestas menores e fragmentadas, remanescentes do desmatamento.
Revista Planeta

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