quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Serra Pelada reaberta
Companhia de Desenvolvimento Mineral (CDM) explora Serra Pelada



Serra Pelada reaberta
O governo do Pará aprovou, em março, a licença prévia para a Companhia de Desenvolvimento Mineral (CDM) explorar Serra Pelada. A reserva total, estimada em 4 milhões de toneladas, contém ouro, platina e paládio. A CDM, composta pela Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada e pela empresa canadense Colossus Mineral Inc., terá de atender a mais de 20 exigências relativas às questões sociais e aos impactos ambientais derivados da exploração.

Desratização radical na Austrália

Paraíso natural australiano, a Ilha Lord Howe tem sofrido com o rato-preto. Introduzido ali em 1918, ele levou à extinção cinco espécies endêmicas de aves e pôs em risco vários outros exemplares da fauna e da flora locais. Para combatê-lo, as autoridades planejam deflagrar em 2012 o mais radical programa de erradicação já visto: o despejo, por helicóptero, de 42 toneladas de veneno na ilha. O projeto contempla medidas especiais para os outros animais e vegetais, além de moradores e turistas.

Fotos: Shutterstock

Financiamento verde
A Nossa Caixa Desenvolvimento, agência de fomento do Estado de São Paulo, lançou em março a Economia Verde, linha de crédito para pequenas e médias empresas que busca ajudar na redução de emissões de gases-estufa. O dinheiro pode ser usado, por exemplo, na troca de equipamentos por outros menos poluentes ou na compra e instalação de aparelhos para produzir energia renovável. O financiamento tem taxa de juros de 6% ao ano e prazo de até cinco anos para pagamento.


Movimento pró-água
A cervejaria AmBev lançou em março um ambicioso projeto em defesa de sua principal matéria-prima, a água: o Movimento Cyan. A iniciativa, feita em parceria com a ONG holandesa WWF, envolve a adoção das bacias hidrográficas onde a empresa tem fábricas (a primeira delas é a do Corumbá, no Distrito Federal), ações educativas de conscientização das populações locais e um site próprio, owww.movimentocyan.com.br. Para Samuel Barreto, diretor da WWF, as medidas darão resultado a longo prazo e deverão trazer lucro à AmBev.


Fotos: AFP

Atum, mais do que nunca em perigo

O atum segue em risco crescente de extinção, depois que uma proposta de proibição de sua pesca foi derrotada no encontro da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites, na sigla em inglês) realizada em março no Catar. Japão, Canadá e vários países em desenvolvimento venceram a votação alegando que a medida prejudicaria sua indústria pesqueira.


Fotos: AFP

Apuros chineses
Maior poluidor do mundo, a China tem investido muito para reverter a deterioração ambiental que enfrenta, mas a situação apresenta pioras, reconheceu o governo em março. O principal culpado ainda é o carvão, cuja queima produz até 70% da energia consumida no país, mas o lixo urbano e a água usada na agricultura já se destacam nesse quadro. Entre 2006 e 2009, a China reduziu seu consumo de energia por unidade de PIB em 14%; no entanto, precisa cortar mais 6% em 2010 para atingir sua meta quinquenal.


Fotos: Adriana Elias / Divulgação

A Philips lançou seu programa de recolhimento de aparelhos antigos. Donos de eletrodomésticos das marcas Philips e Walita podem verificar o estabelecimento mais próximo para entrega ligando para a central de atendimento ao cliente – (11) 2121-0203 na Grande São Paulo; 0800-701-0203 nas demais regiões – ou acessandowww.sustentabilidade.philips.com.br

Fotos: Adriana Elias / Divulgação

A ONG Renctas e o Grupo Itapemirim, de transporte rodoviário de passageiros, fizeram uma parceria para exibir, até dezembro, um vídeo sobre o combate ao tráfico de animais silvestres em complexos de cinema situados em shoppings de Brasília, Guarulhos, Niterói, Guarapari e mais 11 capitais. O vídeo está disponível no sitewww.renctas.org.br.


Fotos: Adriana Elias / Divulgação

A rede Cinemark passou a preparar a pipoca vendida em seus complexos no País com óleo de girassol com Ômega-9. Entre outros benefícios à saúde, o produto reduziu em 33% a gordura saturada da pipoca, além de diminuir o LDL (o colesterol ruim), aumentar o HDL (colesterol bom) e inibir o surgimento de doenças cardiovasculares.


Fotos: Adriana Elias / Divulgação

O McDonald’s desenvolveu uma iniciativa que pode reduzir em até 15% o consumo de água de suas unidades: usar a água condensada do sistema de ar condicionado para limpar a área externa e regar jardins. A ideia, nascida num restaurante da rede em Natal (RN), deverá ser levada a outros 18 países da América Latina.


Revista Planeta

Na terra de Macunaíma
Com savanas, serras e florestas amazônicas, Roraima é um paraíso para quem gosta de natureza. Situado no extremo norte do País, o Estado abriga o Monte Roraima, um marco da tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela e o lar do mais famoso personagem do escritor modernista Mário de Andrade


Por Fabíola Musara, de Roraima

Foto: Andréia Teixeira

Desde pequena sou apaixonada por lendas e pela cultura de outros povos. Talvez venha daí o encantamento que senti ao conhecer Roraima, um lugar que até então para mim era totalmente abstrato, restringindo-se apenas a um pedacinho colorido do mapa do Brasil. No entanto, o Estado, para minha completa surpresa, é pura magia e verde, verde e mais verde, cor que neste canto tupiniquim é na maioria das vezes sinônimo de adrenalina.

Calma! Eu explico: magia porque é um solo onde as lendas deliciosamente brotam dos lábios dos caboclos, índios e ribeirinhos que ali vivem. E adrenalina porque suas serras e rios, com cachoeiras e corredeiras, são o paraíso para os amantes do ecoturismo. Não bastasse, existem ainda as extensas áreas de savanas (também conhecidas como lavrado ou cerrado), floresta amazônica e serras. Todos eles são cenários perfeitos para a observação da fauna e da flora e para a prática de esportes radicais, do mountain bike e rafting ao paraglider.

Pouco divulgado e situado lá no extremo norte do País, o Estado é um lugar de sonho. Possui apenas 15 municípios, onde vivem pouco mais de 350 mil habitantes, incluindo os índios de várias etnias – wai-wai, taurepang, macuxi, wapixana, ianomâmi, só para citar algumas. As tribos convivem em harmonia numa das maiores reservas indígenas do País, ocupando a maior parte da faixa territorial de fronteiras de Roraima (situa-se entre a selva amazônica e as montanhas e faz divisa com a Venezuela, a República Cooperativista da Guiana e os Estados brasileiros do Amazonas e do Pará).

Cartão-postal do Estado, o Monte Roraima é marco da tríplice fronteira entre o Brasil, a Venezuela e a Guiana. Lendas locais afirmam que a montanha de mais de 2 bilhões de anos e de 2.875 metros de altura é a moradia de um ancestral guerreiro dos índios de origem karib, concebido por algumas etnias como um deus da natureza: o Makunaima. Resultado da fusão de maku (mau) e o sufixo aumentativo ima (grande), seu nome significa grande mau. Contam os nativos que, quando contrariado, o bravo Makunaima enviava, lá do alto do Monte Roraima, raios, trovões e tempestades, castigando ferozmente as tribos ao aniquilar suas terras e colheitas com os “grandes males” vindos da montanha.

Volta e meia, Makunaima se transformava em onça para ver o que estava acontecendo em seu reino, que se estendia até o Rio Orinoco, na Venezuela. Numa dessas vezes, constatou que seu território estava sendo invadido. Ficou possesso e convocou seus guerreiros. Lutaram, lutaram e venceram a guerra, exterminando todos os intrusos. Extremamente ferido e cansado, Makunaima rumou para o Monte Roraima. Lá chegando, adormeceu. Ali permanece dormindo até agora, mas a qualquer momento pode despertar. Se o que encontrar em seu reino não lhe agradar, nós, os humanos, sentiremos toda a força do mal que habita a montanha.

Cartão-postal do estado, o monte roraima é marco da tríplice fronteira entre o Brasil, a venezuela e a república cooperativista da guiana

Fotos: Divulgação
Única capital brasileira situada acima da linha do equador, Boa Vista foi planejada em formato de leque. A cidade fica à margem direita do Rio Branco, que percorre todo o Estado até se encontrar com o Rio Negro, no Amazonas.

Mas essas não são as únicas lendas que envolvem esse personagem mítico. Em Roraima, há uma versão bem popular e que teria sido uma das fontes de inspiração para o escritor Mário de Andrade, no romance modernista Macunaíma, lançado em 1928. Segundo essa narrativa, o Sol era apaixonado pela Lua, mas nunca se encontravam. Quando o Sol ia se pondo, era hora de a Lua começar a nascer. Assim viveram por milhões e milhões de anos.

Certo dia, o Sol se atrasou um pouco (eclipse) e finalmente o encontro aconteceu. Seus raios dourados refletiram, juntamente com os raios prateados da Lua, em um lago de águas cristalinas da enorme montanha que repousa no meio dos imensos campos de Roraima. Nesse encontro, Macunaíma foi fecundado. Curumim esperto, teve como berço o Monte Roraima. Cresceu forte e tornou-se um índio guerreiro. Os índios macuxis o proclamaram herói de sua tribo.

Foto: Tiago Orihuela
A plataforma da Orla Taumanan, que significa paz no idioma macuxi.

Foto: Reynesson Damasce / Divulgação
Ruas do centro histórico de Boa Vista.

Inspirada em Paris, na França, Boa Vista é só uma am ostra da exuberante beleza de Roraima

Foto: Divulgação / Orib Ziedson / Tiago Orihuela
No topo, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, os monumentos aos Pioneiros, que reproduz o Monte Roraima, e aos Garimpeiros, uma homenagem àqueles que contribuíram para o desenvolvimento econômico de Roraima.

Inspirada em Paris
Lendas à parte, Roraima é mesmo um paraíso repleto de inigualáveis tesouros. Única capital brasileira situada acima da linha do equador, Boa Vista fica à margem direita do Rio Branco, que percorre o Estado até se encontrar com o Rio Negro, no Amazonas. Inspirada em Paris, na França, a capital é apenas uma pequena amostra da exuberante beleza do Estado. Com largas avenidas, a cidade foi planejada em formato de leque – suas principais avenidas saem do centro e convergem para a Praça do Centro Cívico, onde ficam as sedes dos Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

À noite, as luzes amarelas imprimem um ar totalmente romântico às ruas de Boa Vista. Caminhar em silêncio pelo centro histórico, saboreando lentamente o efeito dessa tênue iluminação em seus principais atrativos, é algo indescritível, um daqueles momentos mágicos que ficam gravados na memória da gente para sempre. Pouca coisa no mundo é comparável às cenas que a seguir se revezam diante do olhar: os barzinhos e restaurantes da Orla Taumanan (em macuxi significa paz), às margens do Rio Branco. Dividido em plataformas e amplamente arborizado, esse espaço suspenso é ideal para intermináveis bate-papos, caminhadas ou mesmo para não fazer nada: simplesmente parar e assistir a um pôr do sol.

Com seus caprichados jardins, canteiros floridos e uma vista privilegiada das embarcações que passeiam na imensidão do rio, essa área verde ao ar livre também é o point onde acontecem efervescentes shows, com direito a muito agito e azaração. Ainda no centro ficam a Matriz Nossa Senhora do Carmo, cuja construção começou em 1892, e o Monumento aos Pioneiros, uma escultura em alto-relevo de concreto que reproduz o perfil do Monte Roraima. A obra destaca a figura de Macunaíma como primeiro habitante do Estado e descreve um longo período histórico, retratando os elementos étnicos – os povos indígenas, os nativos e os pioneiros que ali chegaram a pé, a cavalo ou em canoas, formando o povo roraimense.




A cidade reúne ainda várias outras edificações que merecem ser conhecidas. Entre elas, a Intendência, a casa de estilo neoclássico de João Capistrano da Silva Mota, o primeiro intendente da cidade, em 1790; a Praça das Águas, com suas diversas fontes; o Centro de Artesanato Velia Sodré Coutinho; e o Monumento ao Garimpeiro, uma homenagem àqueles que trabalharam arduamente no garimpo em busca de ouro, diamantes e outras pedras preciosas, ajudando no desenvolvimento econômico do Estado.

Boa Vista é uma capital plana, inclusive visualmente – por enquanto, só abriga dois prédios de poucos andares. Nela, tudo é muito limpo e bem cuidado. Árvores e flores estão em todos os cantos. Por suas largas avenidas projetadas em 1940, o trânsito flui e os automóveis não ficam horas presos naqueles infernais congestionamentos tão típicos das metrópoles. Nem por isso os pedestres são desrespeitados. Ao contrário: habitualmente, os motoristas param quando alguém vai atravessar a rua. Nas entradas da cidade, aliás, há vários comunicados alertando a quem vem de fora que ali se respeitam as faixas de pedestre.


Novo destino
O aeroporto internacional de Boa Vista é a principal porta de entrada para o Estado, que diariamente assiste ao incessante vaivém de voos nacionais e do Exterior. De carro, a Rodovia BR-174 é uma opção para quem deseja percorrer todo o território roraimense, de sul a norte. Para quem pretende ir mais além, a estrada estende-se até a fronteira com a Venezuela, onde conecta-se com outra que vai até o Caribe venezuelano.

Essa importante estrada federal, aliás, empresta seu nome a um recém-criado destino turístico do País: a Rota 174 – Amazonas/Roraima. Resultado de uma parceria entre os governos dos dois Estados, com o apoio do Ministério do Turismo e a consultoria do Sebrae, o trajeto começa em Manaus e vai até Presidente Figueiredo, ambas no Amazonas. Depois, já em Roraima, segue para Rorainópolis, Caracaraí, Boa Vista, Amajari (de onde pode-se chegar à linda Serra do Tepequém) e Pacaraima. De Manaus até Pacaraima – último município brasileiro do roteiro, quase na divisa com a Venezuela – são 989 quilômetros de estrada pavimentada.

Foto: Tiago Orihuela / Jayth Chaves Filho / André
No topo, uma das largas avenidas de Boa Vista, a Pedra Pintada, um monólito de 60 m de diâmetro e 40 m de largura que exibe pinturas rupestres, comprovando a passagem do homem pré-histórico pelo Estado, e a casa de um morador à beira da Rodovia BR-174.

Ao longo deles, as atrações são incontáveis. Em Roraima – onde concentra-se a maior parte do novo roteiro turístico –, as paisagens modificam- se radicalmente à medida que se percorrem os cerrados, a floresta amazônica e as serras.

A vegetação também sofre interferência do clima. A exemplo do Amazonas, o Estado tem duas estações climáticas bem definidas. A seca, de outubro a março, “tinge” seu solo de tons amarronzados dos lavrabos, com seus incontáveis pés de buriti (Mauritia flexuosa). Como essa espécie de palmeira funciona sempre como infalível indicativo da existência de água, elas surgem em abundância nas veredas e nas margens de igarapés, lagos, riachos, cachoeiras e nascentes de Roraima. Também é no período de seca que o volume de águas dos rios diminui, desenhando deslumbrantes praias fluviais em suas margens. Já na temporada da cheia, de abril a setembro, as chuvas são constantes. O verde volta a renascer, inaugurando um colorido diferente no Pantanal da Amazônia, como o Estado também é conhecido. Com chuva ou não, lá é sempre muito quente, com temperaturas que variam de 20°C a 38°C.


É depois de Pacaraima , lá na divisa com a venezuela, que a Rota 174 esconde o seu maior tesouro: o paradisíaco Monte Roraima

Foto: André Pessoa

Lula, o contador de histórias

Talvez a melhor expressão de Roraima seja uma figura que atende pelo apelido de Lula. Autodidata, Luciano Alvarenga, como é o seu nome, é mecânico. Nas horas vagas ou quando os turistas o convocam, é um guia apaixonado pela terra que adotou – nasceu em Manaus (AM) e aos 10 anos foi morar com o avô em Roraima.

Aos 44 anos e com pouco mais de 1,70 m de altura, Lula é, na verdade, um contador de causos. Em suas histórias – nunca narradas em menos de 30 minutos – , ele vai linkando outras. Tantas outras que às vezes até se esquece da original, aquela que deu início à conversa.

Suas versões são sempre interpretadas por ele. Assim, o buriti “ganha” cabelos que voam ao sabor do vento, a onça leva uma baita surra dele e corre assustada para a floresta, enquanto Lula, heroicamente, protege o grupo que o acompanha. As cenas são de chorar de rir. E as caretas, então, nem se fale...

Mas o delicioso na prosa desse caboclo matuto é que, mais do que narrar as lendas das diferentes cidades roraimenses – por onde a gente passa sempre tem uma –, ele ensina nomes de rios, serras, pássaros e bichos que a gente nem imagina que existam. Saborosamente, conta com maestria as maravilhas da terra que o acolhe desde menino.

A Lula Jingle, empresa de sua propriedade, pode ser contatada pelo e-mail:lulajingle@yahoo.com.br, tel. (95) 9965-2222.

Durante todo o percurso da Rota 174, os ecossistemas se alternam. No centro do Estado, onde as savanas dão lugar à densa floresta tropical, está Caracaraí. Situado a 155 quilômetros de Boa Vista, o município tem como ponto alto o Rio Branco e é cortado por vários outros rios que formam extensas várzeas durante a estação chuvosa, atraindo grande variedade de animais. Com menos de 18 mil habitantes, Caracaraí é considerada uma cidade-porto, já que é ainda agora um dos principais responsáveis pelo abastecimento de Roraima, sobretudo no que diz respeito ao petróleo.

Embora o transporte fluvial desempenhe papel de extrema importância na economia do Estado, a natureza ali também ocupa papel de destaque: esse município abriga a Cachoeira do Bem- Querer, um lugar ideal para canoagem, pesca esportiva, passear de caiaque e conferir de perto algumas inscrições rupestres. Caracaraí possui ainda duas estações ecológicas: Niquiá e o Complexo Ecoturístico Ilha de Jaru, onde é possível conhecer parte da exuberante fauna e flora regionais. Mas, atenção: por já ter sido vítima de atos de vandalismo, o complexo costuma permanecer fechado boa parte do ano. Assim, antes de ir, é melhor se informar na prefeitura local, na Praça do Centro Cívico, telefone (95) 3532-1234.

Por falar em belezas naturais, próximo de Caracaraí ficam duas das maravilhas do Estado: o Parque Nacional Serra da Mocidade e – vizinho a ele – o Parque Nacional do Viruá. Recémcriados pelo governo federal, ambos integram o Programa de Áreas Protegidas na Amazônia (Arpa). Com acesso feito por barcos a partir de Caracaraí, o primeiro ainda não está aberto ao público. Já o segundo lentamente começa a receber visitantes, porém as visitas têm de ser agendadas pelos telefones (95) 3624-3712 e (95) 8114-5411.

Mas é depois de Pacaraima, lá na divisa com a Venezuela, que a Rota 174 esconde o seu maior tesouro: o paradisíaco Monte Roraima. O acesso à moradia do deus Makunaima, aliás, somente pode ser feito pelo lado venezuelano – do lado brasileiro, um dos obstáculos que impossibilitam a subida ao cume da montanha é um paredão rochoso de mais de mil metros de altura.

Na Venezuela, a visita ao local é feita com o acompanhamento dos índios pemóns, pois são eles que melhor conhecem a região. O lugar e todo o trajeto até a montanha são tão exageradamente lindos que não é nada difícil entender por que esse é considerado um solo sagrado. Não à toa que também é a terra do nosso Macunaíma. Afinal, o nosso herói sem caráter de bobo não tem nada.

Foto: Andréia Teixeira / Andréia Pessoa
Acima, a Cachoeira Jaspe, com seu leito de pedras vermelhas. Ela fica no Parque Nacional de Canaima, na Gran Sabana, na Venezuela. Ao lado, a pupunha e o cupuaçu (na foto abaixo), frutos típicos abundantes no Estado, vastamente utilizados na gastronomia regional.

Serviço
Em Boa Vista – Onde ficar: Hotel Aipana Plaza, tel. (95) 3224-4800, sitewww.aipanaplaza.com.br Onde comer: Recanto da Peixada – Av. Major Willians, 22, tel. (95) 3224-2975.
Rota 174 – Onde comprar: A Via Conexão, Ambiental, Landscape, MGM, Nascimento e Soft Travel integram o pool de operadoras da Rota 174. O roteiro pode ser percorrido em trechos ou em sua totalidade, incluindo visita e pernoite em Santa Elena de Uairén e à belíssima Cachoeira Jaspe, na Venezuela. Tanto esse como outros pacotes podem ser adquiridos nas seguintes agências de turismo:
Em Roraima – Makunaima Expedições, site www.makunaima.com, tels. (95) 3624-6004 (95) 8111-7669; Roraima Adventures, site www.roraima-brasil.com.br, tels. (95) 3624- 9611 e (95) 3623-6972; e Lula Jingle (e-mail Lulajingle@yahoo.com.br), tel. (95) 9965-2222.
No Amazonas – Swallows and Amazons Turismo (sitewww.swallowsandamazonstours.com), Amazônia Ecolazer Expedições e Aventuras (site www.amazoniaecolazer.com.br) e Amazon Adventure Viagens e Turismo (sitewww. amazonadventure.tur.br).
Quem leva: Gol Linhas Aéreas Inteligentes – site www.voegol.com.br

Revista Planeta

Tempestades a ameaça que vem do céu
A elevação da temperatura média global deverá aumentar a ocorrência de tempestades severas no mundo ao longo deste século, causando perdas humanas e materiais significativas. Grandes cidades provavelmente sofrerão as consequências mais pesadas dessa mudança

Por Eduardo Araia

Mauricio Lima/AFP
Nuvens de tempestade se acumulam na região do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. As grandes cidades sofrerão mais com esse fenômeno climático no século 21.

As nuvens escuras se acumulam, o vento passa a soprar mais forte e a chuva enfim desaba, grossa, acompanhada de relâmpagos e trovões: eis a síntese de um temporal daqueles que nós, habitantes dos trópicos, estamos acostumados a ver. Mas as tempestades do século 21 parecem estar vindo em novas versões, atualizadas, aprimoradas – e muito mais perigosas. Que o digam cariocas e paulistanos, por exemplo. A região metropolitana do Rio de Janeiro entrou em colapso em abril, com 14 horas sucessivas de chuva que resultaram em mais de 230 mortes e cerca de 11 mil desabrigados. Choveu praticamente todo dia no verão deste ano em São Paulo, e o saldo da temporada foi de 18 mortes (ante apenas 4 no ano passado na mesma estação), mais de 2.500 pessoas desabrigadas e enormes transtornos para a cidade.
Os temporais entram na categoria de eventos extremos previstos como uma das consequências do aquecimento global. De acordo com um estudo da Universidade de Purdue (Estados Unidos) divulgado no fim de 2008, as elevações de temperatura derivadas das mudanças climáticas já são suficientemente significativas para provocar um aumento no número de tempestades severas (caracterizadas por chuvas pesadas, inundações repentinas, ventos destruidores, relâmpagos, queda de granizo e eventual formação de tornados). A pesquisa mostrou ainda que, por volta do final deste século, o número de dias favoráveis à ocorrência de tempestades severas poderá mais que dobrar em determinadas localidades com grande concentração populacional, nas quais se incluem metrópoles como Nova York e Atlanta. Tal incremento ocorreria justamente nas temporadas típicas de tempestades, em vez dos meses mais secos, e elevaria os riscos para a vida e as propriedades dos habitantes dessas regiões.
É um problema e tanto, principalmente se considerarmos que, a qualquer momento, 2 mil tempestades com trovoadas se desenvolvem no mundo, segundo o Laboratório Nacional de Tempestades Severas (NSSL, na sigla em inglês), órgão ligado à Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica (NOAA) – a agência do Departamento de Comércio dos Estados Unidos voltada para meteorologia, oceanos, atmosfera e clima. Pelo levantamento do NSSL, as tempestades severas respondem anualmente por cerca de US$ 2 bilhões em danos materiais e mais de 100 mortes apenas nos EUA.

TEMPESTADES SEVERAS AUMENTAM COM CLIMA ALTERADO


Imaginechina/AFP
Avenida de Beijing começa a alagar, na maior tempestade de 2009 registrada na capital chinesa. A impermeabilização do solo das grandes cidades faz com que ele absorva mais calor na comparação com a zona rural.

A formação de um temporal não é difícil. As nuvens de tempestade surgem à medida que a umidade evapora do solo e segue rumo à atmosfera. Conforme atinge altitudes mais elevadas, o ar se resfria rapidamente. Uma frente fria (a fronteira que marca o encontro de uma massa de ar frio com o ar circundante) ou uma sucessão de colinas ajudam a empurrar o ar quente e úmido para cima, onde a temperatura está mais baixa. O ar úmido se resfria e condensa o vapor d’água em pequenas partículas na parte da nuvem denominada núcleo de condensação (fragmentos de matéria sólida que retêm água, como poeira e fumaça). Conforme mais vapor d’água se transforma em líquido e mais ar úmido se aquece e se movimenta para cima na atmosfera, gotas d’água maiores e mais pesadas se formam, criando-se assim as condições paEsse fenômeno natural ganhou novos contornos com a participação humana. Um deles são as cidades, onde asfalto e concreto absorvem mais calor comparado ao que ocorre na zona rural e os edifícios impedem o fluxo livre do ar. A poluição e até eventos localizados de duração relativamente curta, como os congestionamentos de trânsito, também apresentam impactos nesse setor.

Sul mais úmido, Nordeste mais seco

No Brasil, as tempestades da era do aquecimento global vão castigar sobretudo a Região Sul, onde o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) constatou que, nos últimos 100 anos, houve maior número de dias com alta umidade do ar e dias chuvosos, afirma o meteorologista José Fernando Pesquero, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe). Muitos gaúchos, catarinenses e paranaenses, habituados a conviver com inundações nos últimos anos, certamente dão razão a ele. Por outro lado, a área central do Nordeste e a parte norte do Sudeste tenderão a enfrentar cada vez mais a seca. “São Paulo e Rio estão em uma área de transição entre dois extremos, o que mostra que sobre essas cidades há grande variação entre períodos muito secos e outros muito chuvosos”, ressalta Pesquero. O meteorologista é cauteloso ao falar de uma relação próxima entre fatos isolados como tempestades e o cenário de aquecimento global. “Precisamos analisar uma área maior por um longo período, de no mínimo 30 anos”, avalia. De qualquer modo, ele observa que a temperatura do planeta já está quase 0,8ºC acima do normal, o que aumenta em cerca de 5% a taxa de umidade habitual na atmosfera. O resultado disso, afirma Pesquero, é um incremento significativo de precipitações onde existem precipitações e secas onde já se registra ausência de chuvas.


Hemis.fr/AFP
O mar de edifícios que domina a paisagem de metrópoles como São Paulo impede o fluxo livre do ar.

Os efeitos das cidades sobre o clima foram objeto de um amplo estudo ainda nos anos 1970: o Metropolitan Meteorological Experiment (Metromex), que durante seis anos acompanhou a atmosfera durante o verão sobre a área metropolitana de Saint Louis, no Estado de Illinois (EUA). Os pesquisadores concluíram que o ambiente urbano causou um aumento de 45% nas trovoadas e de 83% em raios, afora um incremento de chuvas entre 5% e 25% com o vento próximo da cidade e soprando em sua direção. Os dados coletados mostraram que houve ainda mais dias com granizo e maior intensidade de queda dessas pedras.

De acordo com o hidrometeorologista Alexandros Ntelekos, que avalia riscos de catástrofes para a corretora de seguros Willis Analytics, de Londres, são três as principais maneiras pelas quais as cidades modificam a dinâmica dos temporais:

1 ILHA DE CALOR URBANA – O concreto e o asfalto que recobrem as vias urbanas se aquecem mais rapidamente durante o dia na comparação com florestas e pastagens. Além disso, o consumo de energia também libera calor. Ntelekos ressalta que o resultado é uma diferença de temperatura no solo de até 3ºC na comparação com a zona rural circundante (mas em São Paulo esse intervalo já chegou a 10ºC, observa o meteorologista do Inpe José Fernando Pesquero). Como as temperaturas nas camadas mais altas da atmosfera não são afetadas, o ar dessa ilha de calor, mais dinâmico, subirá numa corrente ascendente até encontrar um volume de ar que esteja com a mesma intensidade. Está, assim, preparada uma tempestade. “Massas de ar que se aproximam serão aquecidas e erguidas quando chegarem perto da cidade; o ar ficará saturado e você poderá ter mais chuva”, afirma Ntelekos.

2 EDIFÍCIOS E INFRAESTRUTURA – Ao chegar à cidade, o vento é obstruído no nível do solo pelas construções humanas. Enquanto seu avanço é retardado, mais ar continua a chegar, o que acaba por formar uma “represa” de ar. Isso faz com que uma parcela desse ar suba ao longo da obstrução. Se ele estiver suficientemente úmido e ocorrer condensação, as condições para um temporal estarão formadas.

Ntelekos analisou os dados de uma tempestade severa sobre Baltimore (EUA), em 2004, que foi recordista em termos de chuva e raios observados. Pelos cálculos do hidrometeorologista, a cidade recebeu então cerca de 30% mais chuva do que teria ocorrido se não houvesse prédios ali.

3 POLUIÇÃO – Esse fator ainda não é suficientemente compreendido, mas Ntelekos e outros cientistas, como Daniel Rosenfeld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, já notaram que ele tanto amplifica como evita as tempestades. Concentrações maiores de partículas poluentes levam à formação de um número maior de gotículas d’água menores, as quais precisam de mais tempo para se agrupar em gotas de chuva. Isso atrasa o início das precipitações, mas também pode prolongar a duração da tempestade. Segundo Rosenfeld, em certos casos a duração mais longa favorece o transporte de mais água em estado líquido para a parte superior da nuvem, onde ela se congela, liberando calor e, posteriormente, fortalecendo a tempestade.

Campeão mundial de raios
É um título que não merece comemoração: o Brasil ocupa a liderança mundial na incidência de raios. Em uma década apenas, foram cerca de 57 milhões de descargas, responsáveis por 1.321 mortes, de acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os pesquisadores do Inpe notaram que o número de raios tende a aumentar por aqui e iniciaram um estudo, a ser concluído em 2013, para investigar a relação entre o incremento dessas descargas elétricas e o aquecimento global. A hipótese inicial é de que a elevação de um grau centígrado na temperatura acarreta um incremento de 10% a 20% na incidência de raios. As informações coletadas serão analisadas pelo Inpe e por quatro instituições norte-americanas: a Nasa, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a Universidade do Arizona.


A POLUIÇÃO TANTO PODE AUMENTAR AS TEMPESTADES COMO EVITÁ-LAS


Antonio Scorza/AFP
Raio corta o céu do Rio de Janeiro durante tempestade no verão deste ano. Em nenhum outro país caem tantos raios como no Brasil.

Temporais vespertinos em Nova York foram analisados por Ntelekos e confirmaram as características da influência da poluição. “[...] vimos casos em que tivemos incremento de 30% a 40% na precipitação devido a níveis de poluição aumentados quando as condições atmosféricas foram favoráveis”, disse ele. “Mas, se algum ingrediente para uma tempestade está escasso, então a poluição enfraquece a tempestade e suprime a chuva.”

As cidades são a parte mais visível da influência humana sobre os temporais, mas ela não se restringe a isso. As mudanças climáticas devem aumentar a força das tempestades onde quer que elas ocorram em terra, afirma o modelador de clima (pesquisador que produz previsões baseadas em medições históricas) Tony Del Genio, do Goddard Institute for Space Studies da Nasa, em Nova York. Para ele, como as temperaturas na superfície dos mares e na atmosfera acima deles vão subir a uma taxa parecida, os temporais nessas regiões não deverão ser mais fortes. Já a superfície da terra se aquecerá mais rapidamente do que a dos oceanos, aumentando a diferença de temperatura entre a terra e a atmosfera, e isso favorecerá a ocorrência de tempestades severas. Mas não em todas as terras emersas: muitos locais poderão ficar mais secos, com pouca ou nenhuma umidade, o que não oferecerá condições para a formação de temporais.

“Não pensamos necessariamente que haverá mais tempestades em um clima mais quente”, diz Del Genio. “[Mas] quando o ar úmido enfim chegar vindo de algum outro local, as coisas estarão realmente preparadas para explodir.” Segundo ele, as regiões mais afetadas incluem a Bacia Amazônica, a América Central, os EUA, o sudeste da Ásia, a África Central e o norte da Austrália.

De qualquer modo, as áreas urbanizadas deverão mesmo estar na linha de frente das tempestades do século 21. E os presentes e futuros responsáveis pelas cidades terão de mostrar se sabem trabalhar em meio a essas condições adversas ou se são especializados apenas em subterfúgios e desculpas esfarrapadas.

Jupiterimages/AFP
A habitual poluição do ar em Los Angeles, nos Estados Unidos, é fator importante em termos da ocorrência de tempestades em sua área.

Mauricio Lima/AFP

O poder poluidor dos aeroportos
A interrupção de voos causada pela nuvem de cinzas oriunda do vulcão islandês Eyjafjallajokull, em abril, mostrou pela primeira vez que os aeroportos são, isoladamente, fatores relevantes de poluição. Sem decolagens e aterrissagens, os níveis de dois importantes poluentes – o dióxido de nitrogênio e o grupo de óxidos de nitrogênio – registrados nos aeroportos de Heathrow e Gatwick, em Londres, caíram a quase zero.

Sea Shepherd Conservation Societ/AFP
Baleias: derrota japonesa
As baleeiras japonesas voltaram em abril de sua viagem de cinco meses às águas antárticas com 507 baleias, pouco mais de 50% das 935 previstas de início. Os japoneses, que caçam esses mamíferos com fins “científicos” (mas consideram sua carne parte da dieta nacional), culparam a organização ambientalista Sea Shepherd pelo fraco desempenho. As ações antipesca da ONG teriam tirado 31 dias de trabalho dos baleeiros.
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Investir para preservar a Amazônia
Sete organizações não governamentais da área socioambiental e a Vale lançaram oficialmente em maio o Fundo Vale, uma ação pioneira com foco inicial em programas de combate ao desmatamento e à degradação florestal e incentivo ao desenvolvimento socioeconômico na Amazônia. Ativo desde 2009, o projeto já dispõe de R$ 51 milhões para investir até 2013; do total, R$ 7 milhões foram destinados a oito projetos criados por essas onGs. o fundo pretende atuar também em outros países, sempre em temas relevantes de sustentabilidade.



Shutterstock Mar de lixo no Atlântico
Tal como o Oceano Pacífico, o Atlântico também tem uma área repleta de resíduos plásticos. Ela se espalha por milhares de quilômetros quadrados entre as Bermudas e o Arquipélago dos Açores, 2 mil quilômetros a oeste de Portugal. A localização da “sopa de plástico” foi documentada por dois grupos de cientistas que viajaram pela região.
Hotel movido a pedaladas
Desde abril, os hóspedes do hotel Crowne Plaza Copenhagen Towers, na capital dinamarquesa, são convidados a passar algum tempo em seu ginásio pedalando bicicletas geradoras de eletricidade. Os iPhones montados nos guidões das bicicletas monitoram a energia produzida, que ajuda a abastecer o hotel. Quem gera pelo menos 10 watts/hora (por volta de seis minutos de pedalada) recebe uma refeição grátis.

Empresas + verdes

+ A Café do Ponto é a primeira rede de cafeterias do País a neutralizar suas emissões de CO2. A produção prevista do gás nos próximos dois anos nas atividades ligadas a ela resultou no plantio de cerca de 7 mil mudas em Serra Negra (SP). A empresa lançou ainda um café “sustentável”, o blend Safra Social.
+ A MCE lançou, na parada de manutenção da Refinaria do Planalto Paulista (Replan), da Petrobras, o projeto Carbono Zero, que a torna a primeira empresa de engenharia industrial do País a neutralizar o CO2 emitido em sua atividade. Um parque estadual em Embu-Guaçu (SP) está recebendo 3.318 mudas para compensar a liberação de 286 toneladas de CO2.
+ O Banco Cruzeiro do Sul e o Corinthians se uniram no projeto Jogando pelo Meio Ambiente, dedicado a difundir a educação ambiental e a mobilização social a partir dos funcionários e clientes do banco e dos torcedores e sócios do clube. Cada jogo do time principal resultará no plantio de cem árvores, assim como cada gol marcado.
Divulgação
+ O Instituto Walmart lançou em abril a Escola Social do Varejo em São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. O programa busca dar formação profissionalizante com foco no varejo, em 18 meses, a mais de mil jovens de baixo poder aquisitivo.

> Os parques do Pantanal Mato-grossense (MT) e da Chapada dos Veadeiros (Go) são os primeiros a serem apresentados em versão Bluray Disc no País, dentro do projeto Parques nacionais do Brasil. o produto, criado pela Fundação Fórmula Cultural e à venda na Livraria Cultura, apresenta cenas da fauna e da flora locais captadas com impecável tecnologia digital. o projeto pode ser conhecido no portal www.nationalpark.org.br
> As dimensões socioeconômicas, ambientais, territoriais e institucionais que afetam a governança da água em quatro países latino-americanos (Brasil, Bolívia, Chile e Colômbia) e três europeus (França, Grã-Bretanha e holanda) são dissecadas nos três volumes do livro Governança da Água na América Latina e Europa (Annablume Editora). organizada por Pedro Roberto jacobi e Paulo de Almeida Sinisgalli, a obra, parte do projeto GovAgua, busca facilitar a formulação de políticas para as negociações entre os atores envolvidos na questão.

Revista Planeta

Islândia Terra em transe
Vulcões, geleiras, gêiseres, rios de água fervente, lagos termais, sol à meia-noite e baleias nadando defronte à cidade. Estamos na Islândia

Texto e fotos: Johnny Mazzilli, de Reikjavik, Islândia


Próximo ao centro da capital, o Sólfar, uma escultura estilizada das primeiras embarcações vikings usadas pelos habitantes da Islândia, fotografada às 23h30, durante o Midnight Sun, o sol da meia-noite.

Um dos países que eu mais queria conhecer era a Islândia. Desde menino, abria enciclopédias antigas e velhos mapas surrados – tudo que eu dispunha àquela época para sonhar – e meu olhar ia direto para aquela ilha isolada na vastidão do Atlântico Norte. A enciclopédia Conhecer dava conta de que lá vivia um povo meio esquimó, pescadores e caçadores de baleias, e eu ficava imaginando. Muitos anos depois, em minhas idas à Escandinávia, a Islândia foi ficando mais próxima, até que em minha última viagem a Noruega inclui o país em meu roteiro.

No século 7, monges irlandeses em busca de isolamento empreendiam excursões esporádicas às Ilhas Faroe. Vez por outra se aventuravam mais ao norte, em uma ilha remota e desabitada à qual chamavam Thule. Em meados do século 9, o viking Naddoddur perdeu-se na viagem da Noruega para as Ilhas Faroe e atingiu a costa da Islândia. É considerado o primeiro viking a desembarcar na ilha. A chegada dos nórdicos, povo rude e politeísta, acabou com a tranquilidade dos irlandeses, que se retiraram em fuga.

Gardar Svavarsson, viking de origem sueca, realizou a primeira circunavegação em Thule, constatou tratar-se de uma ilha e rebatizou-a de Gardarshólmi (Ilha de Gardar). Flóki Vilgerdarson, o terceiro viking a aportar propositadamente naquelas paragens, após um rigorosíssimo inverno transcorrido em meio a terríveis dificuldades, rebatizou-a de Island, nome que perdura até hoje.

Abaixo, Gulfoss, a maior cachoeira da Islândia. Na página ao lado, acima, momento inicial da erupção do Geysir, quando a bolha de ar surge e expele água fervente. Abaixo, Geysir, o mais famoso gêiser da Islândia, que entra em erupção regularmente a cada cinco minutos.

Em 870, teve início a colonização com Ingólfur Arnarsson, o primeiro habitante permanente da Islândia. Ele abandonou a Noruega, sua pátria, após uma grave disputa feudal, e a única coisa que se sabe sobre ele é que seu filho foi um grande líder tribal e fundou o primeiro Parlamento islandês. Quando Arnarsson e seus companheiros se aproximaram da baía onde mais de sete séculos depois seria fundada a cidade de Reykjavik, avistaram fumarolas originadas nos numerosos gêiseres e batizaram aquele lugar de baía enfumaçada (reik = baía e avik = fumaça).

O complexo e áspero idioma islandês originou- se da língua dos vikings, conhecida na Escan dinávia como old norwegian, ou norueguês antigo. Na Noruega, Dinamarca e Suécia, o old norwegian evoluiu e deu origem ao sueco, ao dinamarquês e ao norueguês, idiomas muito semelhantes entre si. Em virtude do isolamento geográfico e cultural, porém, o islandês manteve- se próximo da língua ancestral dos vikings. O resultado é que os escandinavos não entendem nada do islandês.

Glauber Rocha que me dê licença, mas é a Islândia a verdadeira terra em transe, um caldeirão em ebulição de atividade geotérmica e vulcânica. Há 10 mil anos, as geleiras cobriam 100% do país. Hoje, cobrem 10% – o que não é pouco. Sua maior geleira, o Vatnajökull (vatna = água, jökull = geleira), é maior que a soma das três maiores geleiras da Europa continental.


Numerosos vulcões, geleiras, gêiseres e rios de água fervente formam uma paisagem exótica, com vastos campos de lava cobertos de musgo verde-pálido e pontilhados de pedregulhos do tamanho de caminhões. De tempos em tempos, violentas erupções modificam a geografia inóspita do interior do país. Apenas 2% da ilha tem cobertura vegetal e a paisagem é predominantemente marrom.

Mais da metade dessas erupções acontece embaixo dos glaciares, ocasionando um fenômeno chamadojokulhlaup – enormes fluxos de água causados pelo súbito e intenso derretimento glacial, que podem aflorar em minutos ou horas após o início da erupção e provocar alagamentos devastadores. Por essa razão, as áreas em volta dos vulcões são desabitadas.

Isso não é tudo: outro fenômeno tão bizarro como mortífero às vezes se origina desse cenário dantesco. Quando uma erupção irrompe por baixo de uma gigantesca geleira, o magma a 1.200ºC se choca com o gelo e lança para o ar enormes nuvens de vapor e minúsculas partículas incandescentes. São essas cinzas que, expelidas pelo vulcão Eyjafjallajoekull, têm causado o fechamento do espaço aéreo de vários países europeus, pelo risco que representam para a aviação.

Além disso, a combinação da nuvem de vapor com as partículas gera uma carga estática intensa, que mais de uma vez desencadeou sequências de raios. Em 1918, durante uma erupção do Katla, o segundo maior vulcão da Islândia, centenas de cabeças de gado que pastavam fora do alcance dos dejetos do vulcão morreram eletrocutadas. Aliás, os vulcões da Islândia, tais como o Hekla e o Katla, são sempre batizados com nomes femininos porque, segundo os islandeses, explodem sem motivo e sem avisar.


Os gêiseres, de todas as feições e tamanhos, são uma intrigante marca registrada do país. Crateras com vários metros de diâmetro onde borbulha uma água cinzenta, fendas estreitas de onde saem jatos sibilantes de vapor quentíssimo, enormes buracos no solo que expelem lama fervente e ruídos sinistros. Névoas formadas pelos vapores de várias fumarolas e o onipresente cheiro de enxofre completam o cenário surreal.

A água quente jorra com fartura do subsolo e é inteligentemente usada pelos islandeses para esquentar a água fria. Mais do que isso, toda a energia elétrica consumida no país é produzida em usinas termoelétricas movidas a água quente. Há estações de prontidão abastecidas com petróleo, prontas para entrar em ação em caso de uma eventual pane termoelétrica, o que até hoje não aconteceu. Dessa forma, mais de 95% da energia gerada ali é limpa e renovável.

As águas termais têm também uma importante função social na Islândia. No Brasil, as pessoas vão ao clube ou à praia quando o clima está bom, mas os islandeses vão aos banhos termais principalmente quando o clima está ruim, e nos banhos as pessoas constroem suas relações.


Na página ao lado, vapores e fumaças carregados de enxofre na região de gêiseres, o sol da meia-noite e os atarracados cavalos islandeses. Abaixo, Blue Lagoon, famosa por suas propriedades terapêuticas.

Renato Grunenfelder é um suíço de 43 anos que há 20 vive na Islândia. Ele me leva para uma caminhada a 20 quilômetros de Reykjavik. Subimos um morro pardacento com vegetação rasteira. Aqui e ali, pequenas colunas de vapor denunciam gêiseres espalhados pelas encostas. Após quatro quilômetros, chegamos ao fundo do vale, depois de termos passado por dezenas de gêiseres de diferentes aspectos. Lá existe um grande buraco com mais de dois metros de diâmetro, em cujo interior pula uma lama cremosa e azulada tal como um enorme tacho de polenta fervente. Ainda longe da beirada, o terreno cede facilmente debaixo de meus pés. Decido retroceder.

Saímos dali e voltamos um pouco vale abaixo, até um ponto onde dois riachos se juntam: um, de água fria, o outro, de água quentíssima. Daí foi só escolher a temperatura da água entrando em um ponto do rio mais próximo ou distante da união dos riachos. À meia-noite, estávamos tranquilamente sentados em uma pedra dentro do rio, com a água quente até o pescoço, observando o sol pálido que se recusava a se pôr.

O Blue Lagoon, ou Lagoa Azul, a 55 quilômetros de Reykjavik, próximo de Keflavik, é o mais expressivo cartão-postal da Islândia. Suas águas cálidas são de uma incomum tonalidade azul-clara, formadas por uma mistura de água doce e salgada. A argila branquíssima do fundo é composta por uma sílica muito fina. O local já foi eleito, por suas reconhecidas propriedades terapêuticas e cosméticas, o melhor banho termal do mundo.

Os islandeses vão aos banhos termais principalmente quando o clima está ruim, e ali constroem suas relações



Mesmo com a crise, foi preservada a excelente qualidade de vida do povo islandês. No inverno, a superfície congelada do lago no centro de Reykjavic serve de pista de patinação. Mulheres com bebês são uma simbologia constante em estátuas e pinturas. Ao lado, pubs e cafés no centro estão cheios de turistas.

A Islândia tem vastas regiões desabitadas e uma população pequena, que vive principalmente nas áreas costeiras. Não há cidades no interior do país, onde há poucas e precárias estradas de terra e nenhuma infraestrutura. Os islandeses têm várias histórias sobre os “heróis do interior”, pessoas que, por terem cometido algum crime ou sofrido perseguições no passado, fugiram para esses lugares e neles sobreviveram durante anos, escondendo-se em cavernas e vivendo como nômades.

Dos 350 mil habitantes do país, 200 mil vivem na pequena capital, Reykjavik. Apesar de sua localização geográfica, próxima à Groenlândia e limítrofe ao Círculo Polar Ártico, os invernos são relativamente amenos na Islândia se comparados a outros lugares na mesma latitude, em virtude do calor trazido pela Corrente do Golfo à ilha. De junho a agosto, verão no Hemisfério Norte, é a época do Midnight Sun, o sol da meia-noite, quando há luz 24 horas por dia. O astro se aproxima do horizonte e, em vez de se pôr, volta a se erguer no céu. Há crepúsculo, porém não há noite. A temperatura é agradavelmente amena e a ilha recebe grande quantidade de turistas.

Há muita coisa interessante para ver e fazer. No centro de Reykjavik, lojas, pubs e restaurantes estão cheios de turistas, atraídos pela grande desvalorização da coroa islandesa, a krona. A gastronomia é criativa e exuberante, baseada principalmente em pescados, frutos do mar e aves marinhas. A Baía de Husavik, defronte à cidade, é um santuário de baleias, facilmente avistadas em saídas de barco do cais central.


Os cavalos são parte da paisagem islandesa. Pequenos e atarracados, eles são mais ou menos como eram os equinos da Europa continental por volta do século 11. Cavalgar é um esporte nacional, assim como o golfe, outra paixão no país. Há campos muito bem cuidados espalhados por toda a Islândia.









No centro de Reykjavik, lojas, pubs e restaurantes estão cheios de turistas, atraídos pela desvalorização da coroa islandesa

Uma ótima sugestão é o Golden Circle, passeio que visita duas áreas interessantes, Geysir e Gulfoss, a pouco menos de 100 quilômetros de Reykjavik. O Geysir é um gêiser que estoura regularmente a cada 5 minutos e lança água fervente a mais de 20 metros de altura. O belíssimo Gulfoss é a maior queda d’água do país. Há caminhadas em glaciares, safáris de aves marinhas, passeios de snowmobile (uma espécie de jetski para neve) e visitas a fazendolas bucólicas com seus telhados recobertos de grama verdinha.


Como Reykjavik é uma cidade pequena, as empresas que levam os turistas passam de hotel em hotel, coletam as pessoas, levam-nas para os passeios e as devolvem a seus respectivos hotéis na volta, tudo muito pontual e organizado. Basta ligar e solicitar o passeio. Na hora combinada, uma van vem buscá-lo.


A crise mundial afetou dramaticamente a economia islandesa, cujos principais rendimentos advêm da pesca e de indústrias de softwares e biotecnologia. Com forte endividamento em diversas moedas estrangeiras, o país foi arrastado para a moratória da noite para o dia. O desemprego saltou de 8% para 19% e a Islândia passou a depender de ajuda econômica exterior.


De um dos países mais prósperos da Europa antes da crise, a Islândia hoje tem quase todos os seus bancos quebrados e muita gente se mantém em dois empregos, hábito anterior à crise. Para o turismo, se antes ela era um país caro, hoje os preços estão muito mais acessíveis, embora não tenham se tornado baratos.


Serviço
Como chegar: a Iceland Air voa a partir de várias capitais europeias –www.icelandair.com
Onde ficar: a rede Foss Hotels tem dez hotéis espalhados pelo país –www.fosshotel.is
Passeios a cavalo: Ishestar – www.ishestar.is
Safári de baleias: Elding – www.elding.is
Gêiseres, Gulfoss e Blue Lagoon: Reykjavik Excursions – www.re.is
Turismo geral no país: GJ Travel – www.gjtravel.is
Quem leva: a Latitudes tem saídas personalizadas para a Islândia –www.latitudes.com.br
Site oficial de turismo na Islândia: www.goiceland.org

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