quarta-feira, 31 de julho de 2013

Aquecimento global

Trinta e seis por cento dos pinguins-de-barbicha desapareceram de Ilha Antártica

Jeanna Bryner e LiveScience

Andres Barbosa

Pesquisadores descobriram que uma população de pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarctica) perdeu mais de um terço da colônia reprodutiva nos últimos 20 anos. E o aquecimento planetário pode ser o principal culpado. Isso acontece porque o principal alimento desses pinguins, criaturas parecidas com camarões chamadas de krill, depende de algas que se fixam ao gelo.

“Na verdade, nos anos 90 pensava-se que a mudança climática favoreceria os pinguins-de-barbicha, porque essa espécie prefere águas marítimas sem gelo, ao contrário do pinguim-de-Adélia (P. adeliae)”, explicou o pesquisador Andres Barbosa à LiveScience. Ele adiciona que o número de pinguins de barbicha, assim chamados devido à fina linha negra que vai de uma bochecha a outra, parecia aumentar naquela época, com novas colônias sendo estabelecidas.

O declínio no gelo marítimo no inverno, porém, se tornou tão grande que agora está afetando as populações de krill, apontou Barbosa, do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid.

Contando Barbichas 


Barbosa e seus colegas registraram os pinguins-de-barbicha da colônia do Passo do Vapor na Ilha Decepção, nas ilhas antárticas Shetland do Sul, em 1991-92 e em 2008-09. Eles fotografaram ninhos em 19 subcolônias, principalmente em dezembro, quando os filhotes estão saindo dos ovos.

Os resultados, que acabaram incluindo apenas 12 das subcolônias devido à disponibilidade de dados, mostraram que os ninhos ocupados haviam se reduzido em 36% entre 1991 e 2008.

Barbosa e seus colegas descartaram as pesquisas como sendo responsáveis pela perda, já que tanto as populações estudadas quanto as usadas como grupo de controle mostraram padrões de declínio semelhantes.

O turismo também não é um culpado provável. A Ilha Decepção, criada sobre um vulcão, é um dos locais mais visitados da Antártica; em 2007-08, mais de 25 mil visitantes passaram por lá, de acordo com a Associação Internacional das Operadoras de Turismo Antártico (Iaato, em inglês). Enquanto isso, a colônia de pinguins-de-barbicha de Bailey Head, que geralmente é visitada por 2 mil ou 3.500 pessoas a cada temporada, apresentou uma redução de aproximadamente 50%. 

É mais provável que a culpa seja da redução na população de krill, ideia apoiada pelo fato de que a população de pinguins-da-Adélia da região também está em declínio, enquanto a população de pinguim-gentoo (P. papua), que tem uma dieta mais variada, não está.

(Os pinguins-de-barbicha, gentoo e de Adélia são as três espécies de pinguins [do gênero Pygoscelis] que habitam a Península Antártica, região do continente Antártico onde os efeitos da mudança climática são mais evidentes, destacaram os pesquisadores). 

Salvando pinguins

Mas Barbosa acredita que os pinguins-de-barbicha não sejam uma causa perdida.

“Esse é um exemplo de como a atividade humana distante dos polos pode afetar a vida a milhares de quilômetros de nossas casas”, contou ele à LiveScience. “Portanto, um uso de energia e de combustíveis fósseis mais responsável é necessário para preservar o planeta e a Antártica”.

Além disso, disse ele, para proteger os organismos que chamam a Antártica de lar precisamos reduzir o impacto humano reduzindo a sobrepesca, o turismo e até mesmo as pesquisas.
Scientific American Brasil 

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