quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Afeganistão - Entre o êxodo e a perda de vidas

No decorrer dos últimos 20 anos, cerca de 2,5 milhões de afegãos perderam suas vidas em diversos conflitos. Atualmente, o Afeganistão é o país de maior êxodo do mundo e estima-se que a maior parte dos refugiados afegãos se encontre em países vizinhos, como o Irã e o Paquistão, e que representem 6,3 milhões de pessoas
Luciana Garcia de Oliveira




"No decorrer dos últimos 20 anos, desde a ocupação soviética, cerca de 2,5 milhões de afegãos perderam suas vidas por diversos fatores"

É difícil, estando no Ocidente, obter informações precisas e confiáveis sobre a região que abarca o Afeganistão e o Paquistão. Somente em 1988, teríamos imagens vindas do filme Rambo III, mas a produção de Hollywood não teria nem posto "os pés" no deserto afegão, apenas utilizou fotografias e usou técnicas de estúdio, já que o local vivia em forte conflito com os soviéticos.

No filme estrelado por Sylvester Stallone, os afegãos são os caras bons; contudo, a imagem que persiste no Ocidente é diferente. Por exemplo, o fato de as mulheres afegãs não "possuírem rosto" (em razão do uso da burca); outra é referente ao fato de o Afeganistão não exercer um papel positivo no mundo globalizado e de ter como principal produto de exportação algo muito atrativo para o setor ilícito de business.

Segundo o diretor do Serviço Federal da Rússia para o Controle de Drogas, Víktor Ivanov, em entrevista ao site Voz da Rússia, o Afeganistão é responsável pela produção de 90% a 95% da heroína consumida no mundo. Toda essa produção, muito surpreendentemente, possui justificativa religiosa utilizada de modo pragmático pelos detentores do poder nessa localidade. Para eles, é válido e necessário enviar uma quantidade máxima de venenos mortais a quem eles consideram os inimigos do islã na Europa e no continente americano.

ÊXODO AFEGÃO
No decorrer dos últimos 20 anos, desde a ocupação soviética, cerca de 2,5 milhões de afegãos perderam suas vidas por diversos fatores, quais sejam: em decorrência dos frequentes assaltos militares, pela fome e pela falta de cuidados médicos adequados nos poucos hospitais disponíveis na região. O Afeganistão é o país de maior êxodo da atualidade. Estima-se que a maior parte de seus refugiados se encontre nos países vizinhos, como o Irã e o Paquistão, e que representem 6,3 milhões de pessoas, ou seja, o número total de refugiados e de pessoas mortas equivale ao total de toda a população da Palestina.

A grande quantidade de imigrantes afegãos no Paquistão e no Irã gera preocupação para ambos os países. Muito embora acarretem inúmeros prejuízos, o Paquistão, em especial, fundou algumas escolas de treinamento para os mujahedins, com ajuda financeira proveniente de alguns países árabes, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Nesses locais, a comunidade sunita paquistanesa encontra alimento e abrigo seguro em meio a uma realidade de muita miséria e pouca oferta de emprego.

O quadro atual desse triste contexto sob o domínio taleban é a presença de 10 milhões de mulheres debaixo de burcas, analfabetas e em situação de miséria e opressão. Um quadro muito diferente, quando comparado a uma conjuntura de 70 anos atrás, período no qual Amanullah Khan governou o Afeganistão (em 1919), influenciado por um programa de reformas ao estilo europeu, após uma longa viagem pelo Velho Continente. Logo ao regressar, Khan ordenou um plano de mudanças culturais que incluía um projeto tendente a influenciar as mulheres a retirarem o véu de maneira progressiva, os homens a trocarem suas roupas típicas afegãs por ternos à moda ocidental e ainda decretou publicamente a proibição da prática da poligamia no país.
RAMBO III
O filme Rambo III (1988) pode ser considerado uma referência de como a política norte-americana mudou. Na época em que Rambo III foi filmado, os mujahidin eram conhecidos como "soldados" que lutavam contra uma ocupação soviética. Esse cenário agradava aos EUA e é sabido que, naquela época, os mujahidin, hoje mais conhecidos como talebans - os mesmos que, anos mais tarde, foram caçados pelos EUA - receberam apoio militar norte-americano.


OS MUJAHEDINS
No sentido laico, são aqueles que combatem pela pátria, por seu povo ou Estado. No religioso, são combatentes dispostos ao sacrifício da própria vida em nome de Deus e da religião. Quem entrega a própria vida ao martírio deve ser uma pessoa solteira, sem filhos, sem família e sem posses.


SHARIA
Nome dado ao código de leis do islamismo. Em muitas sociedades islâmicas, não há separação entre a religião e o direito. A sharia lida com diversos aspectos da vida cotidiana, como a política, a economia, a família, a sexualidade, a higiene e questões sociais.

Ao analisar mais atentamente o caso das mulheres, a situação torna-se muito mais trágica. A sociedade afegã é absolutamente patriarcal e os direitos das mulheres são pífios, se comparados aos de qualquer outra tribo desconhecida, o que torna, nesse contexto, a proibição do voto feminino um componente não tão grave.

Desde o advento dos talebans, as escolas de meninas foram fechadas, o que contribuiu para que muitas delas ocupassem as ruas. Mesmo nessa situação de calamidade, nota-se que as mulheres afegãs não perderam a vaidade feminina. Nas calçadas das maiores cidades, é possível deparar-se com mulheres pintando as unhas das mãos por debaixo das burcas. Isso ocorre frequentemente, para que elas não sejam esquecidas por seus maridos, em meio a um cenário onde a poligamia é bastante comum, capaz de transformar muitos lares em verdadeiros haréns.

A situação é ainda mais crítica, ao levarmos em consideração que, atualmente, não existem mulheres médicas no Afeganistão, de modo que, se alguma afegã precisar consultar um médico, ela é obrigada a levar como acompanhante o filho, o marido ou o pai. Isso ocorre porque a conversa com o médico é feita somente por intermédio de uma figura masculina. Algo muito semelhante aos casamentos no Afeganistão, quando é o pai ou o irmão da noiva que diz o "sim".




QUEM SÃO OS TALEBANS?
Logo após a retirada soviética, insurgiu uma intensa guerra civil, gerando problemas graves de insegurança por todo o Afeganistão. Por isso, a solução imediata encontrada pelos talebans foi a estratégia do desarmamento da sociedade civil, então iludida com a imagem dos "mensageiros da paz". Decretada a prática de desarmamento, foi outorgada a punição severa no cometimento de crimes como roubos e furtos. Para esses casos, foi estabelecida a amputação das mãos, de maneira a tornar a sociedade traumatizada e refém dos talebans. Por outro lado, os problemas enfrentados na região não se resumiam a roubos, sequestros e furtos. Havia diversos casos de assédio contra as mulheres e, para reprimi-los, foi institucionalizada a pena de apedrejamento.

Todas essas medidas conduziram a uma realidade marcada por muitas tragédias. Assim, de acordo com os relatórios das Nações Unidas, 1 milhão de afegãos deverão morrer de fome nos próximos anos. Isso porque a população já não tem mais forças nem armas para lutar e o medo das punições impede a ocorrência de furtos e roubos de alimentos.

A situação atual teve início nas ofensivas norte-americanas contra o terrorismo (2001) e, diferentemente do discurso, houve a expansão dos grupos extremistas na região do Afeganistão e do Paquistão, além do grupo taleban. As táticas utilizadas por todos esses grupos incluem explosivos sofisticados, homens-bomba e carros-bomba, ao mesmo tempo em que predominam conflitos entre os inimigos internos muçulmanos.

De acordo com o Pakistan Institute for Peace Studies, existem em torno de 2.148 terroristas no Paquistão, o que denota um crescimento dramático de 746% dos ataques, com um saldo de 2.267 pessoas mortas e 4,5 mil feridos até o ano de 2009. E, não bastando todos os prejuízos, não é de modo algum exagero constatar um crescente processo de "Islamisation agenda" no Paquistão. Isso porque a Suprema Corte do Paquistão declarou a sharia como lei suprema, o que deve contribuir para uma maior influência da religião nas áreas da educação, da economia e da legislação. 
 
PONTO DE VISTA GEOGRÁFICO
Muito além de todos esses fatores, sob o ponto de vista geográfico, o Afeganistão possui uma área de 70 mil quilômetros quadrados; 75% desse território é ocupado por montanhas, o que torna a natureza inóspita e impede o desenvolvimento do comércio. A difícil travessia nesse território dificulta, sobretudo, as chamadas intervenções internacionais no país. De acordo com o cineasta Mohsen Makhmalbak (cineasta iraniano, produtor dos premiados filmes O Ciclista e Caminho para Kandahar): "Tente imaginar um soldado que tenha que constantemente subir e descer montanhas. Suponhamos que ele conquistasse todo o Afeganistão. Teria de reconquistar constantemente os picos para prover o seu exército com suprimentos".


O processo de adesão popular à agenda fundamentalista desses grupos é facilitado, em razão de um articulado projeto assistencialista então desenvolvido nesse local. O taleban e os demais grupos costumam disponibilizar o serviço de ambulância para a população paquistanesa, a construção de várias escolas e a ajuda financeira para as famílias afetadas pelas calamidades naturais, na incidência de terremotos e enchentes. A influência desse grupo na vida social permite constatar uma perigosa tendência de transcendência ao sectarismo.

Diante disso, o Paquistão passou a ser considerado um local extremamente inseguro também para as comunidades muçulmanas xiitas e para as demais minorias existentes, como os cristãos e os budistas. Em algumas regiões, sobretudo, são propagadas ações reveladoras de um verdadeiro processo de limpeza étnica.

OPORTUNISMO E SUBVERSÃO
No mês de outubro do ano passado, a mídia internacional recebeu a notícia do trágico atentado contra Malala Yousufzai, uma menina de 14 anos de idade. O tiro partiu de um dos integrantes do grupo taleban, em represália às opiniões que a adolescente postava em seu blog, no qual defendia o direito à educação das mulheres. Qualquer atentado à vida humana é absolutamente deplorável, no entanto, a história de Malala tem sido demasiadamente explorada como propaganda, contribuindo para omitir os acordos do governo paquistanês com o governo norte-americano.

Logo após o incidente contra a ativista, Laura Bush pronunciou-se publicamente nos Estados Unidos contra o que ela considera "regimes totalitários daquela região". Ainda, nesse mesmo sentido, em um recente concerto da cantora Madonna em Los Angeles, era possível deparar-se com o nome de Malala escrito em suas costas. Em ambos os casos, é possível constatar quanto essa questão, em particular, elevou o status de Malala, que passou de uma adolescente militante paquistanesa para uma espécie de heroína dos direitos das mulheres.

Toda essa atenção gerada suprimiu outra realidade, muito além das atividades exercidas por um grupo fundamentalista. As relações políticas existentes entre Estados Unidos e Paquistão, sobretudo com relação aos acordos de cooperação e opressão, são questões que Malala criticava frequentemente em sua página na internet. Assim, de acordo com o site Afghans for Peace, em 2010, o governo de Washington enviou mais de US$ 7 bilhões para o Paquistão. Desse montante, cerca de US$ 2,5 bilhões foram destinados para fins militares, em um país conhecido internacionalmente por seu governo criminoso (desrespeitador dos direitos humanos da população civil) e com altos índices de corrupção. De modo que não é, de forma alguma, surpreendente constatar que o regime paquistanês utiliza essa mesma ajuda financeira para manter um Estado policial, brutal, perseguidor das minorias étnicas e religiosas e que realiza (de modo extrajudicial) extermínios de seus opositores de maneira indiscriminada. O território considerado mais perigoso seria justamente a região na qual Malala residia.

O apoio internacional a Malala esconde, por sua vez, todos os prejuízos causados pelos ataques perpetrados pelos Drones (aviões não tripulados), que, a princípio, tinham a tarefa de eliminar os militantes do grupo terrorista Al Qaeda e do Taleban, sem arriscar vidas de soldados norte-americanos. Ocorre que as vidas paquistanesas, em grande parte dos ataques, têm sido demasiadamente atingidas, o que tem causado uma paralisação das atividades e da rotina no Paquistão. Muitos médicos têm se negado a atender nas zonas de ataque. A população civil tem medo de ir aos supermercados próximos a essas regiões e as crianças frequentemente se recusam a ir às escolas. A vida, nos espaços públicos no Paquistão, já não é mais a mesma; agora, a população é obrigada a conviver com uma realidade de violência e incertezas.
SECTARISMO
O termo pode ser definido como a visão estreita, intolerante ou intransigente. Classifica-se de sectário aquele que é praticante de uma seita, ou apresenta comportamento típico do sectarismo ideológico.

LINHA DURAND
Linha Durand é a fronteira entre os territórios do Afeganistão e do Paquistão.

LUCIANA GARCIA DE OLIVEIRA é geógrafa e faz parte do Grupo de Trabalho sobre o Oriente Médio e o Mundo Muçulmano - Laboratório de Estudos sobre a Ásia (USP).

Revista Geografia

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Brasil: Litoral de norte a sul


Do olhar estrangeiro, responsável pelas primeiras observações geográficas sobre o litoral brasileiro, até estudos mais recentes, que mostram a transformação dos seus 7,408 km de extensão
Mauricío Barroso


Banhada pelo Oceano Atlântico, a costa brasileira tem características particulares e diversas ao longo de seus mais de 7 mil quilômetros de extensão, com praias, falésias, dunas, mangues, baías, restingas e outras formações que impressionaram os primeiros europeus que aqui chegaram. Mesmo com sua riqueza natural explorada desde os anos de 1500, essa "faixa de areia" que vai do Norte ao Sul do País ainda preserva sua beleza e as características geográficas descritas na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal: "Essa terra, Senhor, me parece que da ponta que é mais contra o sul vimos até a outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem 20 ou 25 léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos, de ponta a ponta, é toda praia parma, muito chã e muito formosa".

A formosura prosada por Pero Vaz de Caminha é considerada o primeiro registro histórico sobre o Brasil. Com observações minuciosas, o escrivão contou o que viu e também o que não viu: "Nela, até agora, não podemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro, nem lhe vimos", relatou Caminha a respeito da, até então, não existência da riqueza tão procurada.

O olhar estrangeiro foi responsável pelas primeiras observações geográficas, astronômicas e científicas em terras brasileiras. Na pesquisa "O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século 18", a mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Ângela Domingues, explica que alguns autores contemporâneos afirmam que a descoberta científica do Brasil pelos europeus data do século 19. "Esses autores argumentam que só após 1808 teria se iniciado um reconhecimento científico sistemático da colônia luso-brasileira por viajantes franceses, alemães, russos e ingleses [...] detentores de interesses científicos, comerciais e econômicos notórios em relação aos domínios coloniais europeus".

Para a pesquisadora, esse processo se deveu ao forte interesse político que ingleses e alemães teriam sobre a região, fato que os tornariam os protagonistas no processo de produção científica que renovou o conhecimento que a Europa Oitocentista tinha a respeito do Brasil. "Os trabalhos de John Mawe, Thomas Lindley, Henry Koster, Maximiliano de Wied-Neuwied, ou do Barão de Eschwege, editados, reeditados e traduzidos a uma velocidade vertiginosa, renovaram os lugares-comuns usados na prosa de autores como o Abade Prévost, ou M. de La Harpe, que, em pleno 'Século das Luzes', descreviam o Brasil como um lugar maravilhosamente estranho, encantado e selvagem, com base em informações recolhidas por fontes portuguesas, francesas, inglesas e holandesas entre os séculos 16 e 17", relata Ângela. Entretanto, ela pondera que, embora compreenda a posição defendida por esses autores, a Europa Setecentista também teve sua contribuição científica, mesmo que lenta e corrigida à medida que a ciência e a sua metodologia avançavam.


Praia da Pipa- A Praia da Pipa está localizada no município de Tibau do Sul, cando a 85 km de Natal (RN). A principal característica da praia é a junção entre dunas sobrepostas no horizonte que acabam em falésias sedimentares geomorfologicamente criadas pela ação do mar e dos ventos.
Praia do Forte, Salvador (BA)



CORSÁRIOS E PIRATAS

A pesquisa considera igualmente importante o conhecimento trazido durante o século 18 por marinheiros, traficantes, corsários e piratas, que produziram registros em forma de roteiros de viagem e mapas. Isso contribuiu para que o litoral brasileiro fosse mais bem compreendido pela elite europeia da época. "Se não sobre a terra, sobre o interior do subcontinente sul-americano e sobre as jazidas de ouro e diamantes que se sabia existir, mas não localizar, seguramente os seus relatos trouxeram informações sobre o litoral, sobre os portos e sobre a linha de costa que tiveram uma importância notória para marinheiros, viajantes e particulares com interesses científicos e comerciais," acredita a pesquisadora.

São ainda mais significantes as escritas de corsários e piratas, quando se sabe que o interesse geográfico por regiões costeiras marinhas não foi sempre uma constante, já que existia receio por mares e praias entre os séculos 17 e 18. De acordo com a doutora em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Flavia M. Lins de Barros, em seu estudo "Tradição da Geografia nos Estudos Costeiros", o cenário só muda a partir da leitura da Bíblia sobre a gênese do mundo, na qual são mencionadas algumas teorias catastrofistas que explicariam as formações costeiras. "Pensadores como William Whiston, Burnet e Woodward concordavam que os oceanos, a irregularidade da linha de costa, as areias litorâneas e a disposição incompreensível dos recifes eram vestígios do dilúvio", observa a autora. Ela observa, no entanto, que, ao mesmo tempo, outras percepções sobre o mundo natural eram defendidas por sábios religiosos e poetas que exaltavam a beleza de estar próximo ao mar. Por exemplo, praias e dunas não eram entendidas como resultado da erosão, mas como elementos de uma arquitetura, construída após o dilúvio.

Para Barros, é nesse momento de busca pela explicação da origem da Terra e da compreensão dos mistérios do mar, que o litoral se torna objeto de estudos. A pesquisa explica que, somente em 1694, o sueco Urban Hiärne realizou a primeira pesquisa científica sobre o recuo do mar através de um amplo questionário aplicado aos pescadores escandinavos, cujas respostas foram publicadas entre 1702 e 1706. "Posteriormente, outros estudiosos criaram hipóteses e fizeram mensurações a respeito do recuo do mar", explica a pesquisadora. Ela lembra que, em 1725, Marsigli publicou Histoire Physique de la Mer, o primeiro livro com a temática oceanográfica. Alguns anos mais tarde, o geógrafo Philippe Buache tornou-se conhecido pelas descobertas de mares e de novos contornos entre a Ásia e a América do Norte publicadas em um mapa de 1752.


TRISTES TRÓPICOS
MODELO QUATERNÁRIO
Quaternário é o período da era Cenozoica do éon Fanerozoico que congregava as épocas Pleistocena e Holocena na escala de tempo geológico.

NO BRASIL
A Formação Barreiras foi a primeira unidade estratigráfica documentada no Brasil, por ocasião da redação da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, D. Manoel I. Os tabuleiros litorâneos, típicos da Formação Barreiras, têm sido descritos como uma feição geomorfológica não deformada.

Fonte: "A Formação Barreiras: recentes avanços e antigas questões" - Francisco Hilário Rego Bezerra (Dep. de Geologia - CCET-UFRN, Natal, RN); Claudio Limeira Mello (Dep. de Geologia - IGEO/CCMN-UFRJ, Rio de Janeiro, RJ) e Kenitiro Suguio (Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental - IGc-USP).

EMBASAMENTO CRISTALINO
Embasamento cristalino é o conjunto de rochas ígneas ou metamórficas que compõem a porção externa da crosta continental.


Um clássico sobre os estudos brasileiros, a obra do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss Tristes Trópicos, publicada em 1955, retrata, no capítulo "Passagem do Trópico", a sua percepção sobre o litoral brasileiro entre as cidades do Rio de Janeiro e de Santos. "O litoral entre Rio e Santos ainda propõe trópicos do sonho. A serra costeira, que em determinado ponto ultrapassa 2 mil metros, precipita-se no mar e recorta-o de ilhotas e enseadas; praias de areia fina rodeadas de coqueiros ou florestas úmidas, transbordantes de orquídeas, vêm bater em paredes de arenito ou de basalto que lhes impedem o acesso, a não ser pelo mar", descrevendo, assim, a terra em que chegará um dos mais importantes intelectuais do século XX, que fez também referência a respeito da visão europeia daquela geografia: "O viajante europeu fica desconcertado com essa paisagem que não se enquadra em nenhuma de sua categorias tradicionais".

Sua extravagante beleza e sua arquitetura única conferem ao litoral brasileiro um potencial turístico ainda pouco explorado. Tem-se a impressão de que, com o crescimento econômico e com a exploração de gás e de petróleo no litoral, o poder público investirá mais recursos ao longo de seus 7,408 km de extensão, que abrange os mais variados tipos de sistemas costeiros, como praias arenosas, falésias ígneas e sedimentares, estuários, dunas e manguezais. "A responsabilidade de formação e manutenção desta ampla linha de costa é prioritariamente associada a três fatores, que atuaram e atuam em várias escalas temporais e espaciais: a herança geológica, o modelo quaternário e a ação da dinâmica sedimentar atual", aponta o artigo "Processos Costeiros Condicionantes do Litoral Brasileiro", de autoria do doutor em Geociência Moysés Gonsalez Tessler e da mestra em Oceanografia Samara Cazzoli y Goya, ambos da Universidade de São Paulo (USP), em pesquisa publicada na Revista do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo em 2005.

De acordo com o artigo, a herança geológica do litoral brasileiro é resultado da reativação pós-paleozoica que deu origem às bacias sedimentares tafrogênicas e à gênese do Oceano Atlântico. Para entender melhor o processo, seria necessário remontar à história geológica há cerca de 150 milhões de anos. A princípio, ocorreu a separação do supercontinente Gondwana, que deu origem à América do Sul, à África, à Austrália, ao Subcontinente Indiano, à ilha de Madagáscar e ao continente da Antártida.

COMPARTIMENTAÇÃO DO LITORAL BRASILEIRO

A costa brasileira é compreendida por diversos elementos climáticos, oceanográficos e geomorfológicos que são condicionantes para sua transformação ao longo do tempo. De acordo com o estudo de Tessler e Samara, a divisão clássica em compartimentos não é um consenso na literatura, mas é bem aceita entre muitos pesquisadores e ajuda a ter uma percepção mais clara sobre a formação do litoral, de maneira que a costa brasileira foi dividida em cinco grandes compartimentos: Litoral Amazônico; Litoral Nordestino de Barreiras; Litoral Oriental; Litoral Sudeste ou de Escarpas Cristalinas; e Litoral Meridional ou Subtropical.

Nessa divisão, o litoral amazônico começa no norte do Amapá, chegando até o Golfão Maranhense, influenciado pela foz do Rio Amazonas. De acordo com o estudo, este segmento costeiro tem como característica possuir planícies com até uma centena de quilômetro de largura, formadas por terras baixas e frequentemente inundáveis. "Além das terras baixas, ocorrem platôs de sedimentos mais antigos que, em vários lugares, alcançam o oceano, formando falésias", explicam os autores.

LITORAL NORDESTINO E ORIENTAL
RELEVO DE TABULEIROS
Superfície com 20 a 50 metros de altitude em contato com o oceano. Ocupa trechos do litoral nordestino e, geralmente, tem o topo muito plano. No lado do mar, apresenta declives repentinos que formam as chamadas falésias ou barreiras.

DELTA
É uma terminação de um rio no mar ou num lago, numa região onde a sedimentação é muito significativa e onde o curso de água se divide em vários braços.

DRENAGEM
A drenagem fluvial é composta por um conjunto de canais de escoamento inter-relacionados que formam a bacia de drenagem. A quantidade de água que chega aos cursos fluviais depende da área ocupada pela bacia, da precipitação total do seu regime e das perdas devidas à evapotranspiração e infiltração. As bacias de drenagem podem ser assim classificadas:
Exorreicas - quando o escoamento das águas se faz de modo contínuo até ao mar, ou seja, quando as bacias desembocam diretamente no nível marinho.
Endorreicas - quando as drenagens são internas e não possuem escoamento até o mar (podem desembocar em lagos, perder-se no deserto, ou em cavidades cársicas).
Arreicas - quando não há nenhuma estruturação, como nas áreas desérticas.
Criptorreicas - quando as bacias são subterrâneas, como nas regiões cársicas.
Fonte: Instituto Politécnico de Bragança (Portugal)

Já o Litoral Nordestino é compreendido a partir do trecho entre a desembocadura do Rio Parnaíba, que fica entre o Maranhão e o Piauí, até a capital baiana, tendo como arquitetura mais relevante a Formação Barreiras sedimentares e de idade terciária, que apresentam um relevo de tabuleiros. Arenitos ou rochas de praia também são bastante comuns naquela região. A parte Oriental fica entre a cidade de Salvador, na Bahia, e Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Esse litoral é caracterizado por ser uma transição entre a região Nordeste e Sudeste. Exemplo dessa mistura de elementos é a presença da Formação Barreiras, que se estende de forma irregular, por todo o litoral, muitas vezes misturando-se com afloramentos do Embasamento Cristalino. No Litoral Oriental, são também comuns os alinhamentos de recifes de arenitos, praias e de corais. Recifes de corais são também encontrados na região do arquipélago de Abrolhos (BA). O estudo observou que as drenagens são mais numerosas do que as do litoral nordestino. "Os Rios Contas, Pardo, Jequitinhonha, Doce, Itabapoana e Paraíba do Sul são responsáveis por aporte fluvial mais significativo, construindo planícies costeiras em delta em suas desembocaduras", revela a pesquisa.




Mata Atlântica


LITORAL SUDESTE E MERIDIONAL


A Serra do Mar, que fica entre as cidades de Cabo Frio (RJ) e a catarinense Cabo de Santa Marta, caracteriza esse litoral. Serra esta constituída por rochas do Embasamento Cristalino que aparecem continuamente nesse espaço. A grande diversidade de paisagens no Litoral Sudeste, com desenvolvimento de extensas planícies costeiras entre Santos e a Baía de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, acontece em decorrência da maior ou menor distância entre a Serra do Mar e a linha de costa. "Ao norte deste ponto e no litoral de Santa Catarina, ao sul da Baía de São Francisco, o litoral tende a ser recortado com vários pontos onde a serra atinge diretamente a linha de costa", explicam os pesquisadores. Eles observam que a Serra do Mar também dá origem a diversas baías, como a da Guanabara, a Ilha Grande, Santos, Paranaguá e São Francisco do Sul.

Ao contrário de outros litorais onde os rios fluem para o oceano, nessa área, eles correm para dentro do continente, de forma que o volume fluvial neste litoral não é tão significativo. Os maiores rios da região são o Ribeira de Iguape e o Itajaí-Açú, que deságuam no oceano.

A divisão utilizada no estudo "Processos Costeiros Condicionantes do Litoral Brasileiro" termina com o Litoral Meridional ou Subtropical, que vai do Cabo de Santa Marta, em Santa Catarina, até o Chuí, no Rio Grande do Sul. Uma área caracterizada por uma linha reta de costa, associada a planícies costeiras extensas e arenosas de baixa altitude. "Não há drenagem significativa que deságue nesse litoral. O maior aporte de água doce é a desembocadura da Laguna dos Patos, na altura da cidade de Rio Grande (RS)", observa a pesquisa desenvolvida em parceria com o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.



Ilha Grande, próximo ao Rio de Janeiro


EXPLORAÇÃO E URBANIZAÇÃO DA COSTA BRASILEIRA

No início da colonização portuguesa, a exploração dos recursos naturais era basicamente a extração de pau-brasil, mas esta não foi tão agressiva quando comparada com a cultura da cana-de-açúcar, que provocou a derrubada quase que completa da Mata Atlântica, em um processo que continua atuante. Dados recentes mostram uma constante redução da cobertura florestal no litoral brasileiro.

De lá para cá, outros tipos de intervenções humanas alteraram o que tecnicamente é chamado de balanço sedimentar de um segmento costeiro, que pode gerar uma perda de material sedimentar e, consequentemente, fenômenos de recuo da linha de costa. Ou seja, a diminuição da faixa de areia.

As intervenções mais comuns encontradas na costa brasileira estão relacionadas à construção de infraestrutura urbana, como ruas, calçadas e residências em regiões que sofrem a ação do mar em períodos de tempestades. Menos percebido do que a exploração de gás e de petróleo, os investimentos turísticos no litoral também têm seus riscos para esse bioma. A inexistência de planejamento para sua ocupação é um dos fatores mais prejudiciais para a costa brasileira. 




Os habitantes locais são os que mais sofrem com a degradação e a ocupação ocasionada pela exploração turística. De acordo com o estudo "O litoral brasileiro: exploração, ocupação e preservação", dos doutores em Geografia pela Universidade de São Paulo, Andrea de Castro Panizza, Yuri Tavares Rocha e Aldo Dantas, a ocupação das áreas centrais do território leva a população local para zonas vazias periféricas onde há menor especulação imobiliária. "Entretanto, grande parte dessas áreas é considerada zona de risco para moradias ou qualquer ocupação humana. Esse é o caso das vertentes íngremes da região de Ubatuba (SP) e das falésias instáveis e campos de dunas de Tibau do Sul (RN)", explicam os pesquisadores, que realizaram um estudo comparativo entre as regiões litorâneas dos Estados de São Paulo e do Rio Grande do Norte.

Fato é que a rápida evolução desse processo está causando transformações profundas nas paisagens litorâneas do Brasil e, mesmo com algumas políticas incentivadas pelo Estado, a ação do homem sobre essa área prevalece, de maneira que um estudo geográfico sobre essas e outras alterações pode ajudar num planejamento territorial que mantenha a preservação do litoral brasileiro e, em contrapartida, melhore a qualidade de vida de sua população.

VEGETAÇÕES LITORÂNEAS



Em toda a extensão do litoral brasileiro, é possível encontrar inúmeras espécies de plantas identificadas pelos seguintes tipos:

VEGETAÇÃO DE PRAIA: vegetações do tipo arbóreo e arbustivo adaptadas a lugares com grande concentração de sal, como a salsa-dapraia, a grama-da-praia, o pinheirinho-da-praia, o feijão-boi e o jundo, entre outras.

VEGETAÇÃO DE DUNAS: vegetação rasteira com raízes extensas e profundas. Em dunas semifixas, ocorrem a aroeira-vermelha, o pau-de-bugre, a capororoca, a maria-mole, o guamirim, entre outros.

RESTINGA: desenvolve diversas características vegetais, como espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas.

MANGUE: cobertura vegetal que se desenvolve principalmente em baía e foz. As plantas de mangues são resistentes ao alto teor de sal e à escassez de oxigênio. Essas áreas desenvolvem espécies arbóreas.

Revista Geografia

Energia abundante



Transição para energia solar pode ser viável nos Estados Unidos
Richard Perez




Nós já avançamos muito no caminho para domar a caótica energia do sol desde esforços no século 19 para criar um motor solar. Atualmente podemos aquecer água e prédios de maneira eficiente e até gerar quantidades consideráveis de energia transportável a partir dessa vasta fonte de luz.

Nossa capacidade de fazer uso dessa fonte de energia se manifesta de duas maneiras distintas.

Primeiro, temos sistemas finitos e localizados: os aquecedores solares de água, o aquecimento solar passivo e coisas do tipo, onde a energia solar deve ser usada ou armazenada no local de produção, para não ser perdida.

Segundo, nós desenvolvemos tecnologias mais universais, que geram eletricidade. Esses sistemas incluem fotovoltaicos – a conversão direta da luz do sol em eletricidade através de semicondutores – e enegia solar concentrada – a produção de eletricidade através de turbinas de vapor de alta temperatura ou motores termodinâmicos. Todas as tecnologias solares cresceram de maneira constante nas últimas décadas, mas o progresso foi realmente notável com fotovoltaicos: um avanço de mais de mil vezes desde o final dos anos 80 que continua a um ritmo robusto.

A energia solar é o recurso energético mais abundante no planeta Terra.

Mesmo levando-se em conta a variação climática, a energia solar média recebida apenas pelos continentes chega a 23 milhões de gigawatts. Em comparação, uma usina nuclear padrão produz um gigawatt.

A energia solar eclipsa todas as outras fontes de energia renovável juntas – incluindo as energias eólica, hídrica e geotérmica – e o equivalente a um ano de energia solar excederia em muito as reservas finitas de recursos energéticos (nucleares e fósseis) mesmo se contados recursos não-convencionais, como o xisto, o petróleo e o metano do fundo do mar.

Infelizmente, ao contrário do que acontece em países como a relativamente nublada Alemanha, o Sol como fonte de energia ainda é bastante ignorado nos Estados Unidos, onde o recurso ainda é visto como marginal por muitas pessoas com poder de decisão. Em particular, existe uma percepção amplamente sustentada de que:

- O recurso solar exige muito espaço para ser explorado.

- A energia solar é muito cara.

- A intermitência provocada pelo clima, pelos ciclos de dia-e-noite, e por estações climáticas é limitante.

Se comparada a muitas outras fontes energéticas, a solar exige relativamente pouco espaço para gerar energia.

Para colocar esse recurso em perspectiva, considere que paineis fotovoltaicos cobrindo menos da metade da área ocupada pelos lagos artificiais das usinas hidrelétricas dos Estados Unidos geraria toda a energia consumida pelo país (a energia hidrelétrica só responde por 6,5% da eletricidade da nação).

Outro argumento importante é que com a tecnologia atual, usar cerca de 0,4% da superfície da Terra seria suficiente para produzir toda a energia (transportes, prédios, indústrias, eletricidade, e assim por diante) consumida pelo planeta inteiro. Considerando que áreas urbanas já ocupam mais espaço que isso e que tecnologias solares são altamente adequadas para uso em ambientes urbanos e suburbanos – como telhados – espaço não deve ser problema.

Sem o contexto adequado, a energia solar parece cara para muitos, por exemplo, quando comparada ao carvão. E frequentemente a conversa para aí.

Esse argumento, porém, ignora dois fenômenos importantes.

Um é a queda estável e substancial de custos da energia solar, sem fim à vista. O segundo é o valor líquido obtido da energia solar. Ela substitui a energia gerada de maneira convencional, junto com seus custos financeiros e ambientais diretos. E faz isso enquanto fornece um bom atendimento para picos de demanda elétrica, e enquanto reduz o risco de blecautes provocados pela demanda.

Também age como limitador contra flutuações de preço de commodities energéticas. Adicionalmente, ajuda a abastecer o desenvolvimento econômico ao criar mais empregos por unidade energética do que a geração convencional.

Finalmente, fornece benefícios de longo prazo para a sociedade, porque sistemas de energia solar bem construídos duram muitos anos além de seu ciclo econômico e continuam a levar energia limpa para a sociedade no futuro.

Sem dúvida existe um custo inicial para a energia solar – o de adaptação da infraestrutura e operação da rede para lidar com quantidades cada vez maiores de energia solar intermitente.

Quando o contexto completo é incluído e os valores líquidos são comparados, porém, a energia solar pode muito bem ser a opção mais barata para gerar eletricidade.

De maneira mais fundamental, a saúde econômica de longo prazo da tecnologia solar reside no fato de que ela é um reprodutor natural de energia que pode sustentar uma economia em desenvolvimento no longo prazo. Durante sua vida, um painel solar gerará muitas vezes a energia necessária para sua produção.

Talvez a intermitência seja a maior restrição percebida.

Nuvens passageiras, padrões climáticos, noites e mudanças de estação claramente são problemas a serem superados. Mas eles têm soluções, e essas soluções não anularão o valor chocante da energia solar. Elas incluem o posicionamento inteligente, novas capacidades de previsão que permitirão uma administração de demanda eficiente, armazenagem de energia, interconexões de longa distância e combinação com outros recursos renováveis, como a energia eólica.

Pessoalmente, vejo os desafios de se adequar à demanda e ao recurso mais abundante do planeta como uma incrível oportunidade para o desenvolvimento tecnológico e econômico. Aproveitar, por exemplo, o crescimento de novos setores de demanda de energia elétrica, como os transportes elétricos, abrirá as portas para novas maneiras de pensar e novas invenções em administração de cargas e custos de eletricidade.

Um país parece ter percebido isso e está pondo essas soluções em prática agora mesmo. Com um recurso solar consideravelmente menor que o dos Estados Unidos, a Alemanha planeja produzir 80% de sua eletricidade, até 2050, a partir de renováveis, e a energia solar será uma grande parte dessa transição. A Alemanha já produz 22% de sua energia a partir de fontes renováveis, saindo de 3% em 1990. Os Estados Unidos têm uma tarefa muito mais fácil: mais sol, mais espaço e uma demanda por eletricidade – elevada substancialmente pelo ar-condicionado – que está bem de acordo com o recurso solar. Os Estados Unidos poderiam facilmente tentar alcançar os 100%. Assim como muitos outros países.
Scientific American Brasil

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje

Sobre milho transgênico, câncer e festinhas

Estudo feito com ratos aponta efeitos prejudiciais do consumo de alimentos geneticamente modificados. Em sua coluna de setembro, Jean Remy Guimarães comenta a pesquisa, divulgada nesta semana, e seus desdobramentos.

Jean Remy Davée Guimarães


Cientistas franceses testaram em ratos os efeitos do consumo do milho transgênico desenvolvido pela Monsanto para ser resistente ao herbicida Roundup, também produzido por essa empresa. (foto: Sxc.hu)


A sisuda revista norte-americana Food and Chemical Toxicology, uma referência em toxicologia de alimentos, publicou nesta semana os resultados de um estudo realizado pela equipe do francês Gilles-Éric Séralini, professor de biologia molecular na Universidade de Caen (França), que coloca em xeque a segurança dos alimentos transgênicos.

Os pesquisadores observaram, durante dois anos, 200 ratos alimentados com milho transgênico OGM NK603 e água contendo o herbicida Roundup, ambos produzidos pela empresa Monsanto, e mediram mais de cem parâmetros diferentes. Foi a primeira vez que uma equipe de pesquisa acompanhou efeitos de transgênicos por um período tão longo – algo bem diferente do que os estudos de três meses realizados pelos próprios fabricantes para atestar a inocuidade de seus produtos e obter autorização de comercialização por parte das agências reguladoras.

Os 200 ratos foram divididos em 10 grupos de 10 fêmeas e 10 machos cada. Seis dos grupos receberam diferentes doses (11% a 33%) do milho desenvolvido pela Monsanto para ser resistente ao herbicida Roundup. O milho oferecido a alguns dos grupos havia também sido pulverizado com Roundup no campo. Três outros grupos receberam água com diferentes doses de Roundup, sendo a menor delas compatível com a concentração do composto presente na água de torneira nos Estados Unidos, segundo os autores do trabalho. O grupo controle e natureba recebia água potável sem Roundup e comia milho não transgênico.
Todos os ratos expostos ao herbicida e/ou ao milho transgênico começaram a desenvolver pesadas patologias e morreram mais cedo que os ratos do grupo controle

Todos os ratos expostos ao herbicida e/ou ao milho transgênico começaram a desenvolver pesadas patologias a partir do 13º mês da experiência e morreram mais cedo que os ratos do grupo controle. Nas fêmeas, apareceram tumores mamários em cadeia que chegavam a atingir 25% do peso corporal. Já nos machos, foram órgãos como fígado e rins que apresentaram anomalias facilmente notadas ou severas, cuja frequência foi 2 a 5 vezes maior que nos ratos submetidos ao regime natureba.

No 24º mês, ou seja, no fim da vida dos ratos, de 50% a 80% das fêmeas expostas ao milho transgênico apresentaram tumores, contra apenas 30% das fêmeas não expostas. Um ano de vida de um rato equivale a cerca de quarenta anos da vida de um humano. Portanto, é como se um estudo com 200 humanos tivesse sido realizado do nascimento aos 80 anos.

O problema é o ‘se’. Não há qualquer estudo dessa natureza e duração com humanos. A rigor, os ratos deveriam então ficar mais preocupados do que nós, certo? Há controvérsias. Afinal, se não há estudo controlado, independente e de longa duração que comprove a segurança dos transgênicos para os humanos, então somos todos ratos. Sem ofensa – digo ratos no sentido de ‘cobaias’. Já estamos consumindo alimentos transgênicos há algum tempo, e a rotulagem (ou não) e visibilidade (ou não) do logo na embalagem, indicando a presença de transgênicos no produto, foi e continua sendo objeto de cruentas batalhas judiciais.


Questionamentos

A revista Food and Chemical Toxicology é indexada em inúmeras bases de dados bibliográficos e os trabalhos ali publicados são previamente submetidos ao crivo de revisores anônimos, que são cientistas do ramo e declaram não ter conflito de interesses na questão ou relação próxima com os autores. Suponho que, nesse caso, devido à inevitável exposição midiática que o tema suscitaria (leia matérias publicadas no Le Monde, Le Nouvel Observateur, The New York Times e The Scientist), três a quatro revisores tenham sido requisitados.

Ok, a revista é séria e o estudo foi longo. Mas é um só e, como qualquer estudo, não é inquestionável. E os questionamentos chegaram em velocidade recorde: a linhagem de ratos utilizada seria mais suscetível a desenvolver tumores que as demais; a estatística teria deixado a desejar; não teriam sido medidos todos os parâmetros relevantes; se transgênicos fossem tão perigosos, os norte-americanos já deveriam todos ter caído fulminados; e por aí vai.

Outra questão é que deveria haver também uma clara relação entre as doses de Roundup consumidas e seus efeitos, o que não ocorreu, já que o estudo mostrou nesse caso que o fator determinante foi a exposição ou não ao herbicida e que as baixas doses provocavam efeitos semelhantes aos das altas doses. Os próprios autores concordam que essa relação entre dose e efeito é o que se espera de substâncias que são disruptores endócrinos, como sugerido pelo tipo de efeito observado no estudo.
Aplicação de herbicida
Aplicação de herbicida em lavoura de milho. A ingestão do herbicida Roundup, independentemente da dose, provocou efeitos negativos sobre a saúde de ratos observados em estudo francês. (foto: Soil Science/ Flickr – CC BY 2.0)

Mas esse padrão esperado também não condiz com o aparecimento dos efeitos a partir da exposição isolada ao milho transgênico. Segundo os pesquisadores, a explicação para esse fato é que a construção genética dessa variedade patenteada de milho reduziria a produção de uma enzima responsável pela síntese de aminoácidos aromáticos que têm efeito protetor contra a cancerização.


Sigilo total

A história da pesquisa é digna de um filme de suspense e se desenrolou de forma tortuosa. As espigas do milho transgênico patenteado NK603 foram obtidas numa escola agrícola canadense em 2007 e exportadas para a França como sacos de juta. A preparação da comida dos ratos correu em total segredo e os próprios técnicos envolvidos nessa e em outras etapas do estudo não conheciam o verdadeiro objeto da pesquisa.

O projeto foi chamado de In vivo. Os e-mails trocados pelos pesquisadores entre si eram tão criptografados quanto os do Pentágono, não havia conversas telefônicas sobre a pesquisa e, para desviar a atenção, ainda anunciaram um estudo fajuto sobre tema correlato – assim como fazem os peões pantaneiros, que lançam um boi velho às piranhas enquanto o resto da manada cruza a água em segurança.

Os cuidados se justificavam pelo arsenal que a indústria da biotecnologia agrícola exibe para calar vozes dissonantes. Basta lembrar que o nosso Ministério da Agricultura(!) já processou o nosso Ministério da Saúde(!) para impedir que este realizasse testes toxicológicos com pesticidas proibidos na maioria dos países civilizados mas ainda em uso no Brasil.

O estudo francês também sofreu críticas por sua divulgação coincidir com o lançamento – previsto para 26/9 – do livro Todos cobaias, escrito pelo principal autor da pesquisa, e ainda de um filme de mesmo nome dirigido por Jean-Paul Jaud, que já havia realizado outro filme sobre o tema, Nossos filhos nos acusarão.
Cartaz do filme ‘Tous Cobayes’
Cartaz de divulgação do filme ‘Tous Cobayes’ (‘Todos cobaias’, em tradução livre), baseado no livro de mesmo nome escrito pelo cientista francês Gilles-Éric Séralini. As obras, que questionam a adoção de alimentos transgênicos e energia nuclear no mundo sem a realização de testes de segurança, serão lançadas no dia 26 de setembro de 2012.



Bruce M. Chassy, professor emérito em ciência de alimentos na Universidade de Illinois (Estados Unidos), declarou por e-mail: “Isso não é uma inocente publicação científica, é um evento midiático bem planejado e espertamente orquestrado”.

É verdade, professor, não existem publicações inocentes, nem cientistas inocentes. A não ser, talvez, aqueles que creem que as indústrias nos contam tudo sobre seus produtos, não compram apoios científicos, políticos e midiáticos e não tentam calar os eventuais dissidentes, estejam onde estiverem. (Para apimentar esse debate, recomendo o imperdível livro O mundo segundo a Monsanto, de Marie-Monique Robin.)

O estudo da equipe do prof. Séralini custou a bagatela de 3 milhões de euros e foi financiado pela Fundação Charles-Léopold Mayer (Suíça), pela associação Ceres (que reúne notadamente as grandes redes francesas de varejo alimentar como Carrefour e Auchan – que interessante), pelo ministério francês de pesquisa e pelo Comitê de Pesquisa e de Informação Independentes sobre Engenharia Genética (Criigen), entidade francesa que milita contra as biotecnologias.
O estudo torpedeia uma verdade oficial: a segurança do milho e outros alimentos geneticamente modificados

Seja como for, o estudo é uma bomba de fragmentação política, científica, sanitária e industrial. Torpedeia uma verdade oficial: a segurança do milho e outros alimentos geneticamente modificados. E reacende desde já a briga entre os defensores e os detratores dos transgênicos, que doravante se dividirá nos períodos pré e pós estudo da equipe do prof. Séralini.

Em tempo: entrevistado pelo jornal Frances Le Monde, o prof. Séralini afirmou que, ao contrário do que ocorre com os dados brutos de estudos dos fabricantes, protegidos por conveniente segredo industrial, aqueles de sua pesquisa serão colocados à disposição da comunidade científica, dando assim a todos, incluindo os críticos do estudo, a oportunidade de analisá-los a seu bel prazer.

Não sei se o prof. Séralini é culpado de algo ou não, mas com certeza ele não é um inocente.

Talvez você esteja se perguntando: e as tais festinhas do título? São as viagens luxuosas, as recepções e os banquetes para os quais o prof. Séralini não era convidado. E continuará não sendo.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro


Revista Ciência Hoje

Seca revisitada

Pesquisadores explicam origem do fenômeno que atinge semiárido nordestino e comentam suas consequências sociopolíticas.

Henrique Kugler



“A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas”, escreve Graciliano Ramos em ‘Vidas secas’. Hoje, porém, não se vê o êxodo em massa de camponeses. (foto: Leo Nunes/ Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

Sol escaldante no semiárido nordestino. A inclemência das secas há tempo arrasa a terra e a vida do sertanejo. Ainda assim, “apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, ele alimenta a todo transe esperanças de uma resistência impossível”, narrou Euclides da Cunha (1866-1909) em Os sertões. Esse texto é de 1902. De lá para cá muito mudou, mas ainda hoje a complexidade do sistema climático continua a desafiar a ciência; e as consequências da seca na região ainda nutrem acirrados debates entre acadêmicos, técnicos e gestores.

Como entender a origem das agruras climáticas que afligem o Nordeste de nosso país? “As secas costumam ser ocasionadas por dois fenômenos climatológicos de escala global”, explica o climatologista José A. Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O primeiro deles é o El Niño. Trata-se de um aquecimento incomum das águas superficiais do oceano Pacífico – o que origina, na costa oeste da América do Sul, índices de evaporação e precipitação bastante elevados.

E, por incrível que pareça, essa mudança ocasional em um oceano distante é capaz de alterar, também, os padrões de circulação atmosférica no território brasileiro. Uma das consequências do El Niño é o decréscimo – por vezes radical – no regime das chuvas sobre o Nordeste de nosso país. A periodicidade desse fenômeno natural é incerta, mas ele costuma ocorrer em ciclos de dois a sete anos.
Por incrível que pareça, uma mudança ocasional em um oceano distante é capaz de alterar, também, os padrões de circulação atmosférica no território brasileiro

O segundo fenômeno responsável pelas sucessivas secas na região tem um nome ligeiramente mais complicado: é o que climatologistas chamam de variação do gradiente de temperatura da superfície do Atlântico Tropical. O conceito é bastante simples. De tempos em tempos, as águas do Atlântico Tropical Norte – região oceânica entre o Equador e a latitude 15° Norte – ficam mais aquecidas que as águas do Atlântico Tropical Sul – localizado entre o Equador e a latitude 15° Sul. Isso acarreta notórias alterações nas zonas de precipitação.

“Onde temos águas mais quentes, há mais evaporação; e maiores taxas de evaporação favorecem a formação de chuvas”, ensina Marengo. Quando as águas do norte se aquecem, portanto, a precipitação tende a se concentrar por lá – abandonando parte do Atlântico Tropical Sul e reduzindo significativamente o índice pluviométrico do Nordeste do Brasil.

É comum confundir os conceitos de seca e estiagem. Vale o esclarecimento. “O clima da região Nordeste é semiárido, o que significa que o ano é dividido em estações chuvosas e estações de estiagem”, explana Marengo. “Seca é quando não chove nos meses em que deveria chover.” No caso do semiárido nordestino, há expectativa de chuva entre janeiro e junho; e ausência de precipitação é esperada entre julho e dezembro.

“Com nossos sistemas de previsão meteorológica, somos cada vez mais capazes de predizer os períodos de seca”, afirma Marengo (ver ‘Incertas, mas previsíveis’). “Mas não podemos prever seus impactos, pois a falta d’água costuma trazer sérias consequências sociais e políticas.”


Incertas, mas previsíveis
Predizer o clima e o tempo é sempre um desafio para a ciência. “Mas, no caso das secas do Nordeste, os índices de acerto nas previsões têm sido bastante satisfatórios”, comenta Marengo. “Estações meteorológicas automáticas distribuídas nos mares e no continente coletam dados precisos sobre temperatura, pressão e diversas outras variáveis climatológicas”, que permitem aos meteorologistas elaborar cenários com grau razoável de confiabilidade.

Atualmente, porém, mesmo com sistemas sofisticados, não somos capazes de prever o tempo com mais de três meses de antecedência. Por exemplo: em setembro, pode-se ter alguma acurácia nas previsões para outubro, novembro e dezembro. A previsão oficial do governo para o Nordeste é anunciada normalmente em janeiro – quando já se sabe como será o regime de chuvas durante os meses de fevereiro, março e abril.

Uma curiosidade: ainda hoje vivem os chamados ‘profetas da chuva’ – figuras locais que, entre o misticismo e a tradição, lançam palpites sobre o regime pluviométrico do sertão. Marengo confidencia: em algumas reuniões entre meteorologistas, esses inusitados magos do semiárido são convidados a participar. “Em muitos casos, o que eles especulam por métodos tradicionais se aproxima do que nossa ciência prevê”, comenta o pesquisador. “Não há nada de errado no fato de a ciência dar ouvidos à experiência.”

Literatura e realidade

A figura clássica do retirante talvez não exista mais. O camponês castigado pela falta d’água, com seu gado magro a definhar na caatinga, é parte de um momento pretérito que, ao que tudo indica, foi superado. Pelo menos em parte. “Não vemos mais aquele êxodo em massa, como retratado em Vidas secas, de Graciliano Ramos [1892-1953]”, comenta o engenheiro Marcos Freitas, da Agência Nacional de Águas (ANA). Nos idos passados, levas de nordestinos deixavam suas terras e rumavam para as grandes cidades. Hoje, no entanto, a vida dos sertanejos parece menos difícil. “Parte desse sucesso se deve às políticas governamentais de incremento de disponibilidade hídrica”, diz o engenheiro da ANA.

Açudes, cisternas, carros-pipa. São algumas das principais estratégias adotadas nas últimas décadas para atenuar a falta d’água em muitos municípios do semiárido. Méritos ao Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), vinculado ao Ministério da Integração Nacional (MIN). “É preciso reconhecer os avanços, sim, mas estamos distantes de uma situação ideal e ainda há muito a se fazer”, pondera Freitas.


Amanhecer semiárido

Especialistas estão de acordo: “O que caracteriza a seca no semiárido nordestino não é a falta pura e simples de água, e sim a forma lotérica como as chuvas se distribuem no tempo e no espaço”, explica o engenheiro agrônomo João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco. Um só trimestre pode registrar até 90% da precipitação anual.

“Desafio, portanto, é armazenar essa água de maneira eficiente e segura para que ela seja distribuída de maneira igualitária durante o ano”, diz Freitas. “Mas não basta armazenar; é preciso atentar para a qualidade da água estocada”, alerta. Esgoto nos rios, resíduos sólidos a poluir cursos d’água são alguns dos problemas que insistem em permanecer em pauta – não somente no Nordeste, mas em todo o Brasil. “Tratamos apenas algo em torno de 60% de nossos esgotos”, diz Freitas.

 

Nas últimas décadas, muitos municípios do semiárido têm adotado estratégias para atenuar a falta d’água, como o uso de açudes, cisternas e carros-pipa. (foto: Ana Paula Couto/ MIN)

Outro desafio, segundo ele, é incentivar o uso mais racional dos recursos hídricos na agricultura do semiárido. Os sistemas convencionais acarretam desperdício notório de água. “Por isso devemos incentivar a irrigação por gotejamento ou microaspersão”, sugere o engenheiro. “São muito mais eficientes, pois evitam perdas por evaporação.”

O terceiro grande desafio, para Freitas, é o abastecimento de populações difusas. Aglomerados urbanos, em geral, contam com infraestrutura hídrica satisfatória. Mas habitantes de paragens remotas sofrem. “Longas caminhadas, quilômetros a fio com uma lata na cabeça para buscar água; isso ainda acontece”, lamenta Freitas.

Dado desolador: segundo o engenheiro da ANA, no Brasil perde-se de 30% a 40% de água nos processos de distribuição. Motivo: infraestrutura precária – vazamentos, tubulações avariadas, desvios clandestinos...


Sertão: retrato institucional

A última seca do Nordeste foi registrada em 2012. E os baixos índices pluviométricos de 2013 confirmam: esta seca ainda perdura. Quanto a 2014, pouco se sabe. Previsões de janeiro poderão trazer melhores notícias. Ou não. Segundo Marengo, as secas tendem a durar de um a dois anos. Não é incomum, entretanto, que se estendam por tempo maior. Na década de 1950, por exemplo, a terra sedenta do semiárido permaneceu sob esse regime implacável por nove anos.
Freitas: “O avanço do conhecimento divide as ciências, mas devemos superar a visão compartimentada do saber para solucionar os problemas do semiárido nordestino”

“Mas hoje, mesmo no segundo ano consecutivo da seca, os habitantes da região não têm tido graves problemas de abastecimento”, observa Freitas. É a prova, segundo ele, de que as políticas públicas estão funcionando a contento. “Recentemente, o governo federal ampliou as medidas ao anunciar um aporte de R$ 9 bilhões em uma série de iniciativas, como a prorrogação das operações de crédito rural, a renegociação das dívidas agrícolas e a expansão dos programas Bolsa Estiagem, Garantia-Safra e Operação Carro-Pipa”, informou o MIN à Ciência Hoje. As ações devem atender a mais de 10 milhões de pessoas que vivem nas regiões afetadas pela imprevisibilidade do clima.

“Mas, infelizmente, é comum haver descontinuidade entre um governo e outro”, aponta o engenheiro da ANA. “Um estado ou município pode ter boa estrutura institucional durante um mandato; mas ela pode ser totalmente desmobilizada no governo seguinte.” Para Freitas, as instituições ainda funcionam de forma precária – sem um quadro efetivo de servidores permanentes e concursados.

Para os pesquisadores, a solução para o semiárido requer visão integrada. “O meteorologista preocupa-se com as chuvas; o agrônomo com as culturas agrícolas; o hidrólogo com a vazão dos rios; o economista com os impactos econômicos; e o político poderia auxiliar no planejamento orçamentário e nas negociações de questões federativas”, aponta o engenheiro da ANA. “O avanço do conhecimento divide as ciências, mas devemos superar a visão compartimentada do saber para solucionar os problemas do semiárido nordestino.”


A contenda do velho Chico
Impossível falar de seca no Nordeste sem mencionar a transposição do rio São Francisco. A obra é das mais polêmicas – e tem dividido opiniões desde o início. Um dos maiores críticos ao projeto é o engenheiro João Abner, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo ele, a transposição é uma grande fraude técnica. “Ela permanecerá no imaginário como a solução para a seca, e não é”, censura Abner. “Essa obra não vai terminar nunca.” O governo rebate: o MIN informou à Ciência Hoje que a obra estará concluída em 2015.

Um dos pontos de disputa é o fato de que a transposição, segundo seus críticos, é uma obra que beneficiará o grande capital – grandes propriedades agrícolas e industriais –, e não as populações difusas que carecem de abastecimento. “Não é verdade”, contra-argumenta o MIN. “Os canais dos eixos Leste e Norte, por exemplo, levarão a água do São Francisco para 325 comunidades difusas.” Segundo Abner, entretanto, são os financiamentos de campanhas eleitorais – por parte das empreiteiras responsáveis pela obra – que motivam a controversa transposição.
Henrique Kugler
Revista Ciência Hoje/ RJ

Rapidinhas da Geografia ...


Vale (Valley)

Constitui uma depressão alongada, de fundo descendente, sulcada pelas águas correntes. Os vales são formados pelo talvegue e duas vertentes com declividades convergentes. A sua forma e  seu traçado relacionam-se diretamente com a litologia em que se desenvolve, com o clima e com agentes erosivos que nele atuam. Quanto à forma do fundo, tem-se duas morfologias básicas: vales em forma de V e vales em forma de U.
Fonte: Terra - Feições ilustradas, UFRGS.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje


Brunei deve adotar código criminal islâmico que inclui apedrejamento e amputação


KATE HODAL
DO "GUARDIAN"




O sultanato de Brunei pretende implementar a partir de 2014 um novo código criminal baseado na sharia, pelo qual cidadãos podem ser apedrejados por cometerem adultério ou terem um membro amputado por roubo.

Os condenados pelo consumo de álcool ou por cometer outros delitos, como o aborto, podem ser açoitados.

O sultão Hassanal Bolkiah, 67 anos, possui fortuna pessoal estimada em US$ 20 bilhões e controla rigidamente a monarquia de maioria muçulmana. Ele descreveu a legislação como "parte da grande história de nossa nação" e uma forma de "orientação especial" de Deus.

"É devido à nossa necessidade que Allah o Todo-Poderoso, com sua generosidade, criou leis para nós, para que as utilizemos para obter a justiça", Bolkiah teria dito, segundo a imprensa local.

A venda de álcool já é proibida em Brunei, assim como a pregação de religiões que não sejam o islã. O país é conhecido por praticar uma forma mais conservadora da religião que a vizinha Malásia, também muçulmana.

Embora a sharia já exista no pequeno país do sudeste asiático --situado na ilha de Bornéu, com paisagem rica em selvas e manguezais e habitado por 406 mil pessoas, dois terços das quais são muçulmanas--, o tribunal islâmico até agora cuidava principalmente de questões relacionadas à família, como casamento e herança.

O novo código penal será implementado em fases, informou a mídia local, e se aplicará apenas aos muçulmanos.

Mas, por determinados crimes, incluindo delitos de imigração, visitantes ao país já podem ser açoitados sob as leis seculares existentes. Vergastadas também são usadas como punição na Malásia, Indonésia e Cingapura.

Nos últimos anos a criminalidade aumentou em Brunei, que também se descreve como "morada da paz". Os tribunais têm lidado com assaltos pequenos, tráfico de drogas, fraude e prostituição.

A maioria das reações ouvidas dentro do próprio reino parecem ter sido favoráveis à nova legislação; nas mídias sociais, muitas pessoas escreveram "longa vida ao sultão" e "louvado seja Allah". Ativistas dos direitos humanos qualificaram a iniciativa de "feudal" e "repugnante".

O maior estudioso islâmico do país descreveu o código da sharia como "justiça garantida para todos".

"Não devemos nos ater à amputação de mãos, ao apedrejamento ou às vergastadas, por si sós", disse o mufti Awang Abdul Aziz numa conferência jurídica na terça-feira. "Não são amputações, apedrejamentos ou vergastadas indiscriminadas. Existem condições e existem métodos que são justos e corretos."

Awang observou que os turistas não devem temer a nova legislação, desde que respeitem as leis.

"Todos os potenciais turistas em Brunei pretendem roubar? Se não, o que eles têm a temer?", ele disse a repórteres. "Acreditem em mim quando digo que, com nossa lei criminal da sharia, todos, incluindo os turistas, terão a proteção adequada."

O sultão --que reina desde 1967 e vive num palácio de 1.800 cômodos-- também sugeriu que as pessoas de fora de Brunei fariam bem em não julgar a adoção do novo código penal.

"Nós olhamos para os outros sem qualquer forma de preconceito", ele disse. "Em troca, temos o direito de esperar que outros olhem para o Brunei da mesma forma."

Tradução de Clara Allain
 Folha de S. Paulo

Fotógrafo retrata ação humana sobre as águas


BBC BRASIL

O fotógrafo canadense Edward Burtynsky passou os últimos seis anos documentando como os seres humanos utilizam a água.

Água é a última coleção de fotos do artista sobre como as ações humanas vêm comprometendo o meio ambiente e segue-se a outros projetos do fotógrafo, como Petróleo, Minas, Pedreiras e China.

Muitas imagens chamam a atenção não somente para a água em si, mas para os sistemas que os humanos criaram para aproveitá-la.

"As imagens funcionam como metáforas para o dilema da nossa existência na modernidade", afirma o fotógrafo.

Nossa dependência da natureza para fornecer os recursos para consumo próprio e nossa preocupação com a saúde do planeta nos deixam em uma situação contraditória."

A exposição Água fica em cartaz entre 16 de outubro e 23 de novembro na Flowers Gallery, em Londres.




A exposição 'Água' fica em cartaz entre 16 de outubro e 23 de novembro na Flowers Gallery, em Londres



Nossa dependência da natureza para fornecer os recursos para consumo próprio e nossa preocupação com a saúde do planeta nos colocam em uma situação contraditória", acrescenta o canadense



"As imagens funcionam como metáforas para o dilema da nossa existência na moderniadade", afirma o fotógrafo



"A natureza transformada por meio da indústria é um tema predominante em meu trabalho. Tento fazer uma interseção entre a contemporaneidade e as grandes etapas da História, desde a Idade da Pedra, passando pelos minerais, petróleo, (invenções como) transporte, silicone", diz Burtynsky



Burtynsky usa o projeto Pivot Irrigation, no Texas, e Dryland Farming, em Monegros, na Espanha, como casos de estudo sobre o fenômeno conhecido como terraformação - um processo que modifica as características de um corpo celeste sólido para acomodar um ecossistema com seres vivos da Terra



O fotógrafo canadense Edward Burtynsky passou os últimos seis anos documentando como os seres humanos utilizam a água



'Água' é o nome da última coleção de fotos do artista sobre como as ações humanas vêm comprometendo o meio ambiente e se segue a outros projetos do fotógrafo, como Petróleo, Minas, Pedreiras e China



Muitas imagens chamam a atenção não somente à água em si, mas aos sistemas que os humanos criaram para aproveitar e formatar o recurso
Folha de S. Paulo

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Notícias Geografia Hoje


Brasil é elogiado, mas fica entre cem piores em ranking de trabalho escravo


DA BBC BRASIL

Sexta maior economia do mundo, o Brasil ainda está entre os cem países com os piores indicadores de trabalho escravo, segundo o primeiro Índice de Escravidão Global.

O Brasil ocupa o 94º lugar no índice de 162 países (com a Mauritânia no topo da lista, apontado como o pior caso). Trata-se da primeira edição do ranking, lançado pela Walk Free Foundation, ONG internacional que se coloca a missão de identificar países e empresas responsáveis pela escravidão moderna.

Um relatório que acompanha o índice elogia iniciativas do governo brasileiro contra o trabalho forçado, apesar do país ainda ter, segundo estimativas dos pesquisadores, cerca de 200 mil pessoas nesta condição.

Segundo o índice, 29 milhões de pessoas vivem em condição análoga à escravidão no mundo; são vítimas de trabalho forçado, tráfico humano, trabalho servil derivado de casamento ou dívida, exploração sexual e exploração infantil.

Nas Américas, Cuba (149º), Costa Rica (146º) e Panamá (145º) são os melhores colocados, à frente dos Estados Unidos (134º) e Canadá (144º), dois países destinos de tráfico humano. O Haiti ocupa o segundo pior lugar no ranking geral, sobretudo por causa da disseminada exploração de trabalho infantil.

O pesquisador-chefe do relatório, professor Kevin Bales, disse em nota que "leis existem, mas ainda faltam ferramentas, recursos e vontade política" para erradicar a escravidão moderna em muitas partes do mundo.

BRASIL

No Brasil, o trabalho análogo à escravidão concentra-se sobretudo nas indústrias madeireira, carvoeira, de mineração, de construção civil e nas lavouras de cana, algodão e soja.

A exploração sexual, sobretudo o turismo sexual infantil no nordeste, também são campos sensíveis, segundo o relatório, que cita ainda a exploração da mão de obra de imigrantes bolivianos em oficinas de costura.

Através de informações compiladas de fontes diversas, os pesquisadores calcularam um percentual da população que vive nessas condições - foi assim que a ONG chegou à estimativa de que cerca de 200 mil brasileiros são vítimas da escravidão moderna.

Apesar do quadro ainda preocupante, as ações do governo brasileiro contra o trabalho escravo são consideradas "exemplares". A ONG elogia ainda o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo e o Plano Nacional contra o Tráfico Humano, além da chamada "lista suja do trabalho escravo" do Ministério do Trabalho, que expõe empresas que usam mão de obra irregular.

O relatório recomenda a aprovação da PEC do trabalho escravo, em tramitação no Senado, que prevê a expropriação de propriedades que exploram trabalho forçado. Recomenda ainda que a "lista suja do trabalho escravo" seja incorporada à lei e que as penas para quem for condenado por exploração sejam aumentadas.
Folha de S.Paulo

Notícias Geografia Hoje













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'Tesouro por pechincha', diz revista alemã sobre leilão do pré-sal


DA BBC BRASIL

O leilão da concessão do campo de Libra recebeu ampla cobertura na imprensa internacional, com visões elogiosas e outras críticas ao resultado.

A revista alemã Der Spiegel diz que o Brasil leiloou um "tesouro por uma pechincha". Já o Wall Stret Journal diz que o país deu um passo rumo ao patamar das grandes nações produtoras de petróleo.

Libra foi leiloado para um consórcio formado por Petrobras, Shell, Total e as chinesas CNPC e CNOOC.

Em um artigo publicado no seu site, a revista afirma que para extrair o petróleo da camada pré-sal haverá riscos ambientais "enormes" para o mar, fauna e praias "em uma das mais bonitas e populosas regiões litorâneas do Brasil", mas que "a ganância por recursos naturais" foi maior.

O Spiegel diz que, como apenas o consórcio vencedor apresentou proposta, "sem competidores, eles ganharam um tesouro por uma pechincha". A revista não aponta outras razões, além da ausência de ágio, para justificar por que classificaram como "pechincha" o resultado do leilão.

A revista diz que a exploração do petróleo catapulta o Brasil ao grupo dos grandes produtores do petróleo e sublinha o peso político global da "superpotência sul-americana".

'WALL STREET JOURNAL'

Uma reportagem do jornal americano de negócios Wall Street Journal afirma que o Brasil "deu um grande passo para frente" na segunda-feira ao leiloar o campo de Libra para um consórcio formado por multinacionais e pela Petrobras.

O texto, intitulado "Brasil se move para patamar de grandes nações de petróleo", assinado pelos jornalistas John Lyons e Jeff Fick, afirma que "a questão de como melhor desenvolver os novos campos se tornou altamente polêmica".

O jornal destaca que o Brasil ainda é um importador de petróleo, e que os campos do pré-sal são "cruciais para as aspirações do Brasil de se tornar exportador".

O Wall Street Journal lembra que as autoridades traçaram uma estratégia para que a exploração do pré-sal desenvolva a indústria naval e mudaram as legislações para dar à Petrobras um papel proeminente na condução dos negócios.

O jornal diz ainda que, no passado, grandes negócios envolvendo empresas chinesas na América Latina "despertaram preocupações nos Estados Unidos sobre a presença crescente da China em uma região com grandes ligações econômicas com os Estados Unidos".

No entanto, o jornal cita uma especialista que diz que os interesses chineses são motivados mais por lógicas econômicas do que por ambições de poder político na região.
Folha de S.Paulo

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Chineses dominam turismo global

DAN LEVIN
"NEW YORK TIMES"



Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, turistas americanos assustaram europeus e asiáticos com seus tênis e suas vozes retumbantes. Décadas mais tarde, grupos de japoneses desciam de ônibus e faziam sinais da paz enquanto fotografavam todas as atrações conhecidas possíveis.

Agora é a vez da China enfrentar críticas. As queixas são familiares: os turistas chineses olham tudo com jeito pasmo, dão empurrões e rejeitam a culinária local.

No ano passado, 83 milhões de chineses continentais gastaram US$ 102 bilhões no exterior, passando à frente de americanos e alemães para fazer da China o país do mundo que mais gasta com turismo, segundo a Organização Mundial de Turismo da ONU.


Ed Alcock/The New York Times


Turistas chineses em frente a loja de luxo em Paris


O grande número de chineses também os inclui entre os turistas que mais geram ressentimentos. Ao que parece, os turistas vindos da China continental, que muitas vezes desconhecem os usos e costumes de outros países, não apreciam o café da manhã no sistema bufê, comum em hotéis, e o conceito de aguardar em fila lhes é estranho.

No ano passado, o estilista francês Thierry Gillier, fundador da grife Zadig & Voltaire, provocou um pequeno escândalo quando disse à "Women's Wear Daily" que turistas chineses não seriam bem-vindos em seu novo hotel-butique parisiense. Uma enxurrada de críticas internacionais o persuadiu a se desculpar.

Os chineses enriqueceram recentemente e têm pouco conhecimento de línguas estrangeiras, combinação que é complicada ainda mais pelo isolamento histórico do país. "O fato de a China ser uma sociedade sem lei, com pouca instrução e com muito dinheiro nos bolsos vai cobrar um preço do mundo inteiro", comentou Hung Huang, popular blogueiro e publisher de uma revista de Pequim.

Mesmo assim, os países estão se desdobrando para atrair turistas chineses. Um condado litorâneo nos arredores de Sydney, na Austrália, está construindo por US$ 450 milhões um parque temático chinês com uma réplica em tamanho natural dos portões da Cidade Proibida e um templo budista de nove andares.

As autoridades parisienses publicaram recentemente um manual para seu setor de serviços contendo frases traduzidas do mandarim e dicas culturais para facilitar a compreensão dos desejos chineses.

O manual inclui a frase "eles são muito seletivos em relação à gastronomia e ao vinho".

A julgar pelas queixas ouvidas de várias partes do mundo, diretrizes como essas podem ser necessárias. Mas as críticas mais contundentes parecem estar sendo feitas por outros chineses.

Em maio, um turista chinês em Luxor, no Egito, descobriu que um compatriota tinha gravado seus próprios hieróglifos sobre a parede de um túmulo de 3.500 anos de idade. "Ding Jinhao esteve aqui", dizia a inscrição. Uma foto do rabisco foi difundida rapidamente nas redes sociais chinesas, e cidadãos rastrearam o vândalo de 15 anos, cujos pais fizeram um pedido público de desculpas.

Constrangido com a repercussão negativa do caso, o vice-premiê chinês, Wang Yang, criticou publicamente a falta de "educação e qualidade" dos turistas chineses que maculam a reputação de seu país. "Eles fazem ruídos altos em público, picham atrações turísticas, ignoram os faróis vermelhos quando atravessam ruas e cospem em todo lugar", disse, segundo o "Diário do Povo".

Khaled Elfiqi/EPA/The New York Times


Turistas em frente às pirâmides de Gizé, no Egito


Mas a maioria dos turistas chineses se diverte tremendamente fora do país. Em maio, Huang Honglin, 53, e sua mulher pagaram US$ 8.000 por uma viagem em grupo de 16 dias pelos Estados Unidos, país que ele tinha conhecido numa viagem de negócios, 25 anos antes. Desta vez, Huang contou, "compramos pedras preciosas no Havaí e bolsas Prada em Nova York". De acordo com relatório da McKinsey & Company, quase 70% dos consumidores chineses de artigos de luxo compram seus produtos da Tiffany e lenços Hermès no exterior, para evitar o imposto chinês, que pode chegar a 60%.

Em 2007, a China concedeu aos EUA o "status de destino aprovado", abrindo as portas às viagens de lazer de grupos de chineses ao país a partir de 2008. No ano passado, 1,5 milhão de chineses chegou aos EUA, gastando quase US$ 8,8 bilhões.

Os turistas chineses às vezes são vítimas de agências de turismo inescrupulosas. Durante um tour pela cidade siberiana de Vladivostok, em janeiro, o cientista Chen Xu, 47, de Xiamen, disse que o passeio para ver uma "dança étnica russa", que custou US$ 80, resumiu-se a uma mulher de biquíni girando em volta de um poste de stripper.

Muitos sentem falta dos sabores de casa. Foi o que aconteceu com a estudante Xie Nuoyan, 20, de Pequim, que visitou Nova York. Ela disse que Chinatown foi uma decepção."Não é como nos filmes", comentou, "mas chorei de emoção ao ver arroz".

Colaborou Joshua Hunt
Folha de S. Paulo

Notícias Geografia Hoje

Aumenta a emissão industrial de gases de efeito estufa
Novo estudo revela crescimento entre empresas mais poluidoras do mundo

spirit of america/shutterstock

A poluição gerada pelas “500 Globais” do Carbon Disclousure Project caiu desde 2009 mas as 50 empresas com emissões mais elevadas do índice registraram emissões 1,65% maiores no mesmo período.

Daniel Cusick e ClimateWire

ClimateWire


A recuperação econômica global produziu resultados mistos para as empresas que tentam reduzir suas pegadas de carbono de acordo com o último levantamento anual de algumas das maiores empresas poluidoras do mundo feito pelo CDP (o Projeto de Revelação do Carbono, ou Carbon Disclosure Project), uma organização britânica sem fins lucrativos que visa reduzir as emissões desses gases.

Embora a poluição gerada pelas “500 Globais” do CDP tenha caído de 4.200 para 3.600 bilhões de toneladas de dióxido de carbono desde 2009, as 50 empresas com emissões mais elevadas do índice registraram emissões 1,65% maiores no mesmo período.

Além disso, apesar de muitas empresas estarem se empenhando mais que nunca para avaliar seus impactos climáticos diretos, o CDP constatou que 47% das atividades com maior potencial de emissão de GEE (mais carbono-intensivas), conhecidas como emissões do “escopo3”(emissões indiretas), continuam não sendo medidas nem reportadas. Entre outras, elas incluem atividades de investimento, o uso e o processamento dos produtos vendidos, e a operação de franquias.

O CDP é um dos principais coletores e divulgadores de dados setoriais de negócios sobre as emissões de gases de efeito estufa no mundo e seu relatório anual “Global 500 Climate Change Report” se tornou um dos indicadores mais importantes de como as empresas estão respondendo às mudanças climáticas.

A análise é baseada em dados climáticos e energéticos apresentados por 389 empresas listadas no FTSE Global 500 Equity Índex, índice que reúne as 500 companhias com maior capitalização na Bolsa de Valores de Londres.

Embora os índices anteriores tenham enfatizado principalmente os progressos alcançados por algumas das marcas mais conhecidas do mundo para lidar com os complexos desafios associados à mudança climática, esse último relatório tem um tom de advertência e deixa claro quanto mais precisa ser feito para conseguirmos registrar mudanças significativas no perfil climático do mundo.

Os grandes emissores podem cumprir suas promessas?

“Muitos países estão dando sinais de recuperação após a crise econômica global”, declarou Paul Simpson, CEO do CDP em um comunicado. “No entanto, evidências científicas claras e eventos climáticos cada vez mais extremos estão enviando sinais fortes de que precisamos buscar caminhos para a prosperidade econômica enquanto reduzimos as emissões de gases de efeito estufa. É imperativo que os grandes emissores melhorem o seu desempenho nesse sentido e que os governos criem mais incentivos para que isso aconteça”.

O relatório observa que três setores de negócios — empresas de energia, serviços públicos e fabricantes de materiais — são responsáveis por 87% das emissões de escopo 1 e 2 — os gases de efeito estufa emitidos diretamente pelas atividades de uma empresa, mesmo que correspondam a menos de 25% de todas as empresas no índice.

De fato, de acordo com o CDP, cada uma das emissões de escopo 1 e 2 de todos esses três setores de alta emissão representam, juntas, mais que o dobro das emissões combinadas de todos os outros setores incluídos no índice.

As empresas prometem fazer mais que nunca para reduzir as emissões, mas “existe uma disparidade entre as estratégias, as metas e as reduções de emissões das empresas” que, de acordo com os cientistas climáticos, serão necessárias para limitar o aumento da temperatura média global a 2ºC.

Quanto às empresas que lideram o índice CDP, os autores do relatório dizem que elas “demonstram um forte comprometimento com a gestão de seus impactos sobre o meio ambiente e estão produzindo resultados financeiros e ambientais melhores”.

Fabricantes de carros lideram as reduções

Os melhores desempenhos no índice deste ano incluem meia dúzia de montadoras — BMW AG, Daimler AG, General Motors Co., Honda Motor Co., Nissan Motor Co. e Volkswagen AG — com pontuações de 100 ou 99, juntamente com a Royal Philips NV , a Nestlé SA, a BNY Mellon Corp, a Cisco Systems Inc. e a Gas Natural SDG, que obtiveram, todas, 100 pontos.

As autoridades atribuíram a forte presença de fabricantes de automóveis às melhorias gerais na economia de combustível e a um crescente investimento em veículos híbridos e elétricos. Além disso, as montadoras se tornaram líderes na divulgação de seus impactos climáticos ao longo de suas grandes e complexas cadeias de suprimentos.

Em comunicado, a Honda informou ter fornecido estimativas de todas as suas emissões de gases de efeito estufa, “inclusive as provenientes da aquisição de matérias-primas para produção e venda, e de toda a linha de utilização pelo cliente até o tratamento de fim de vida útil dos produtos Honda”. Além disso, a empresa afirmou ser a primeira do mundo a revelar todas as suas emissões de escopo 3.

A companhia afirmou que sua forte posição no índice CDP reflete sua visão ambiental, que implica em proporcionar “alegria e liberdade de mobilidade” e promover “uma sociedade sustentável onde as pessoas possam desfrutar a vida”.

A companhia de eletricidade americana mais bem classificada na lista do CDP foi a Exelon Corp. com uma pontuação de 98. As outras empresas de utilidade pública citadas foram a American Electric Power Co. e a Duke Energy Corp., que obtiveram respectivamente 68 e 67 pontos.

Entre as grandes empresas dos Estados Unidos situadas abaixo de 50 pontos no índice de 2013 estão a Costco Wholesale Corp (45), a Procter & Gamble Co. (47), Mastercard Inc. (43) e a Danaher Corp (12).

Reproduzido da publicação ClimateWire com permissão da Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net
Scientific American Brasil

Estados Unidos desperdiça de alimentos e recursos naturais

Pesquisadores concluem que má atribuição de validade contribui para descarte indevido

Dmitry Kalinovsky/Shutterstock


Nos Estados Unidos 40% dos alimentos são desperdiçados
Perrin Ireland

Em minha segunda rodada de pesquisas sobre o relatório The Dating Game (O jogo de datação, em tradução livre), do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês), que explica como o sistema de determinação das datas de validade dos alimentos estimula a perda de alimentos nos Estados Unidos, conversei com dois autores do próprio relatório: Emily Broad Leib, diretora da Harvard Food Law and Policy Clinic, (uma divisão do Centro de Direito da Saúde e Política de Inovação) uma perita no sistema legal que contribui para essa situação, e Dana Gunders, cientista residente do NRDC para desperdício de alimentos.

Minha conversa com Emily Leib:

O que é a Harvard Food Law and Policy Clinic, e como a ‘clínica’ se envolveu nesse relatório?

A clínica é um programa experimental de aprendizagem em que os estudantes de direito se envolvem em um treinamento prático e ativo e trabalham com clientes do mundo real para influir em leis e políticas alimentares.

Nosso trabalho com datas de vencimento começou como um projeto para atender às necessidades de nosso cliente Doug Rauch que pretendia lançar um novo modelo de loja de alimentos para vender produtos que ainda estavam bons, mas que de outro modo seriam descartados.

Ao concluir algumas pesquisas para ele sobre todas as leis estaduais ligadas à rotulagem com a data de validade dos alimentos, percebemos que o sistema precisava urgentemente de uma revisão e julgamos que essa seria uma ótima maneira de empregar as energias da clínica. Essa é uma área em que o sistema legal, em vez de melhorar a questão social na realidade erra ao criar mais desperdício de comida e reduzir a segurança do consumidor.

A primeira coisa que chamou minha atenção ao ler o relatório é que o sistema de rotulação é descrito como “confuso”. A que se deve isso em sua opinião?

O sistema decididamente é confuso! É uma bagunça tão grande que até é difícil chamá-lo de “sistema”. Como inexiste uma regulamentação a nível federal, os estados ocuparam essa lacuna e regulamentam a rotulação de diversas maneiras diferentes.

Tivemos dificuldade em encontrar dois estados que tivessem as mesmas normas.

Nova York, por exemplo, não exige datas em nenhum alimento e não regula a venda de produtos após as datas colocadas nas embalagens voluntariamente, mas todos os seus seis estados vizinhos exigem que certos alimentos sejam rotulados e/ou regulamentam sua venda após o vencimento do prazo. O próprio fato de que os estados são tão inconsistentes entre si mostra que essas datas nada têm a ver com a segurança alimentar, porque seus resultados não variam de estado para estado com base nessas leis de rotulação.

Os consumidores, porém, estão alheio a toda essa confusão. Para eles, há um “sistema” e eles tratam os rótulos de datas como se fossem significativas. A maioria das pessoas abordadas fica chocada ao descobrir que os termos utilizados são indefinidos, que não existem regras para a definição das datas de validade, e que os rótulos são regulamentados de forma tão inconsistente.

Quando vejo um rótulo que diz “vender até tal data” em uma embalagem, o que isso realmente significa?

Essa informação em geral se destina a uma comunicação entre os fabricantes e os varejistas, para que eles saibam até quando algo precisa ser vendido para que o produto ainda tenha uma vida útil para os consumidores. Caso contrário, eles devem ser tirados das prateleiras. Mas como não existe uma definição legal fixa para o termo, isso nem sempre é o caso.

De fato, alguns estados tratam a informação “vender até” como se fosse o mesmo que “usar até” e “melhor consumir antes de”. Em termos gerais, porém, acredito que os consumidores podem olhar para a data “vender até” e saber que se trata de uma data de rotação dos estoques e que os alimentos ainda são seguros e frescos por alguns dias após esse prazo.

E quanto às datas “usar até” ou “melhor até”? Qual é a diferença entre as duas categorias?

Mais uma vez, como essas datas não são definidas, não existe um significado fixo para esses termos. Nos Estados Unidos não há uma diferença consistente entre os dois. Frequentemente eles são empregados como sinônimos. Em outros países, como na União Europeia, “usar até” está ligado à segurança e “melhor consumir antes de” à qualidade. Esse não é necessariamente o caso nos Estados Unidos.

O relatório se concentra em como o sistema de rotulação acaba inadvertidamente criando um desperdício de alimentos. No entanto, vocês também mencionam como a sub-regulamentação do sistema de rotulação alimentar cria questões de segurança. A senhora poderia explicar isso?

A questão principal é que os consumidores não só se baseiam nas datas como uma razão para jogar alimentos que ainda são perfeitamente comestíveis e seguros, mas também parecem acreditar que todos os produtos são seguros antes das datas de vencimento; portanto, eles continuarão consumindo alimentos que foram armazenados ou manipulados de forma insegura.

Desse modo, o excesso de confiança em datas e a interpretação equivocada das mesmas como indicadores de segurança causam problemas nas duas pontas.

Como os regulamentos federais da rotulação de alimentos podem ser aprimorados?

Depois de realizar toda essa pesquisa estadual e industrial e analisar os impactos sobre os consumidores estou convencida de que melhorar e padronizar o sistema inconsistente e ineficaz de rótulos datados ajudaria os consumidores a maximizar seus orçamentos alimentares, reduziria o desperdício de comida e de recursos, e melhoraria a segurança alimentar.

Em minha opinião, a maneira mais simples e direta de fazer isso é por meio da regulação federal. Isso não quer dizer que a indústria não poderia fazer muita coisa boa com mudanças voluntárias, mas como há uma gama tão ampla de leis estaduais para rótulos datados, que são tão diferentes entre si, existem algumas limitações para os tipos de mudanças que a indústria pode fazer.

Por essa razão, a menos que os estados realmente rigorosos mudem suas normas, ou até que o governo federal intervenha para criar regras uniformes, uma ação da indústria poderia ser um primeiro grande passo, mas pode não nos levar ao melhor sistema. Dito isso, como presumo que é muito caro para as empresas seguirem todas as leis estaduais (muitas delas ainda estão mudando e quatro estados aprovaram novas leis para as datas de validade em 2012), acredito que também haja benefícios para a indústria em termos de custos administrativos reduzidos se elas tiverem uma lei uniforme.

Como esse trabalho afetou a senhora pessoalmente?

Começar a trabalhar nessa área mudou completamente os hábitos de consumo na minha casa. Gastamos muito mais tempo analisando as melhores formas de armazenar a comida para que ela dure mais e nunca jogamos nada em qualquer data de “validade”, exceto se o aspecto ou o cheiro do produto estiver ruim ou se soubermos que o guardamos por mais tempo que deveríamos. Só tivemos boas experiências fazendo isso. Estamos economizando comida e dinheiro!

Minha conversa com Dana Gunders, cientista do projeto do NRDC sobre alimentos e agricultura:

O que despertou seu interessou nesse relatório?

Esse relatório se originou de outro maior que produzimos, o Wasted Report, no qual analisamos os motivos e a extensão do desperdício de alimentos no país. Identificamos as datas de validade como um dos fatores estimulantes do esbanjamento e um sistema que realmente não atende nem aos consumidores nem à indústria.

Estou interessado nessa ideia de que ele não atende nem consumidores nem a indústria. A senhora poderia elaborar?

Os consumidores interpretam essas datas como um sinal de que o alimento não é seguro para consumo, ou que há alguma implicação de segurança por trás delas.

Na realidade elas se aplicam à qualidade. Eles (os consumidores) acreditam que se trata de um sistema objetivo e racional quando de fato há muita subjetividade em toda essa coisa. Recentemente entrei em um mercado da cadeia americana Trader Joe’s e dei uma olhada na seção de leite. Todo o leite ali é da marca Trader Joe’s e no mesmo tipo de leite, entre embalagens de 3,78 litros e 1,89 litro, havia dois tipos de datas diferentes. No caso do leite desnatado, em embalagens de 1,89 litro e 0,94 litro, o mesmo produto tinha informações diferentes: um trazia a data “melhor consumir até” e o outro não tinha data nenhuma. Exatamente os mesmos produtos e um sistema de datação completamente diferente.

Na indústria também há confusão. A falta de padronização está causando prejuízos. Existe um relatório publicado pelo setor em 2003 em que se estima que produtos no valor de US$ 900 milhões não são vendidos por causa da data de validade. Uma parte disso eles atribuem à falta de padronização.

O ex-presidente de uma rede de mercearias me contou que eles compravam as mesmas carnes que o concorrente do outro lado da rua. A sua loja colocava uma data de validade de três dias, enquanto o concorrente dava um prazo de cinco. Eles pensavam que estavam fazendo o produto parecer mais fresco assim, mas quando começaram a entrevistar as pessoas, descobriram que elas atravessavam a rua para comprar carne porque presumiam que com uma validade de cinco dias ela tinha uma vida útil mais longa e, portanto, era mais fresca. Eles mudaram sua tática e tudo ficou bem. Mas isso mostra o quanto algumas dessas datas podem ser arbitrárias.

Quais são as implicações ambientais para esse tipo de desperdício de alimentos?

Cerca de 40% dos alimentos nunca são consumidos nesse país — e isso levando em conta que nos Estados Unidos 80% do consumo de água fresca, mais da metade das terras rurais, e 10% do orçamento de energia são gastos para colocar comida em nossas mesas.

Se não estamos comendo esses alimentos isso é uma utilização terrível desses recursos.

No Reino Unido, um estudo de domicílios britânicos mostrou que 20% do desperdício realmente evitável resultava da confusão por causa das datas de validade. Nosso cálculo é muito arredondado, mas se o aplicarmos aos Estados Unidos, os domicílios, como unidades familiares, podem estar gastando entre US$ 275 e US$ 455 por ano em alimentos que serão descartados prematuramente.

Quais são as recomendações do NRDC para melhorar essa situação?

O fundamental é que gostaríamos de ver um sistema menos confuso e mais padronizado de datas.91% das pessoas relataram jogar comida fora por preocupação com sua segurança na data de “venda até”, pelo menos ocasionalmente; e essa é a data que os fabricantes usam para garantir à loja que o produto terá uma vida útil a mais depois de ser comprado. (Extraído de um relatório da indústria chamado US Grocery Shopper Trends 2011, divulgado pelo Food Marketing Institute, a principal associação comercial para varejistas de alimentos.)

Nossa primeira recomendação é substituir a informação “vender até” por uma data mais útil para os consumidores, para que eles não joguem a comida fora no dia em que pensam que ela já está ruim.

A segunda recomendação é ter um sistema de datação voltado ao consumidor que seja muito mais claro no que tenta transmitir. Deve haver uma distinção clara entre data de qualidade e data de segurança. Além disso, talvez deva haver mais transparência sobre como essa data foi determinada.

Se a mensagem é de segurança, então devemos usar essas palavras. Vamos dizer “Não é seguro consumir depois de”; se é sobre o pico de qualidade, então vamos empregar palavras que transmitam isso claramente. Talvez devêssemos usar algo como “frescura máxima antes de” ou “pico de qualidade antes de”.

Se eu quiser que o meu alimento seja o melhor possível, ainda devo prestar atenção à data de ‘vender até’?

Essa data é a sugestão do fabricante para quando o alimento está no pico máximo de qualidade. O que significa não estar no pico de qualidade? Isso depende do produto. Se você pensar em uma caixa de ‘Mac N Cheese’ (macarrão com queijo) com data de validade em março de 2015 e se perguntar o que acontecerá se você comer aquilo em maio de 2015 — você provavelmente nem notará a diferença.

Sobre o autor: Perrin Ireland rabiscou e escreveu enquanto pensava durante toda a sua vida; era uma aluna que visualiza conceitos para entendê-los. Atualmente ela é Especialista Sênior em Ciências da Comunicação do Natural Resources Defense Council, onde ajuda a contar a história de como a ciência desempenha um papel no trabalho do NRDC. Siga-a no Twitter @experrinment.

As opiniões expressas são as da autora e não necessariamente as da Scientific American.
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