domingo, 14 de abril de 2013

Notícias Geografia Hoje


País produz 1º modelo de clima global para a ONU
Resultados serão incorporados às previsões de mudança climática do relatório do IPCC

HERTON ESCOBAR 


O próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), órgão das Nações Unidas que representa a ciência nas discussões sobre o tema, terá uma contribuição inédita brasileira. Pela primeira vez, o Brasil vai produzir um modelo de previsão climática global, que poderá ser incorporado ao portfólio internacional de modelos que o IPCC usa para fazer suas projeções sobre o futuro do clima do planeta.



O trabalho de validação do modelo brasileiro já foi submetido a uma revista especializada e está em fase final de revisão para ser publicado, o que gabaritará o Brasil a submetê-lo para o IPCC. Com isso, o País se tornará o primeiro da América Latina e apenas o segundo do Hemisfério Sul a contribuir com modelos de mudança climática global para o painel, ao lado da Austrália.

Apesar de não ter ainda o mesmo grau de sofisticação dos modelos produzidos no Hemisfério Norte - principalmente nos Estados Unidos e na Europa -, o modelo brasileiro deverá trazer informações mais detalhadas sobre fenômenos tropicais importantes, que hoje são um ponto fraco do modelos internacionais. Por exemplo, sobre fenômenos climáticos relacionados a variações de temperatura das águas do Atlântico Sul e ao desmatamento da Amazônia, do Cerrado ou de outros biomas brasileiros, que podem trazer consequências climáticas continentais ou até globais.

Segundo o pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desenvolvimento do modelo, além de contribuir para o entendimento das mudanças climáticas globais, trará benefícios locais, com o aprimoramento da capacidade de previsão do tempo e da ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil - como as chuvas fortes que alagaram São Paulo nos últimos dias.

"Não há como fazer uma boa previsão do clima global se não tivermos modelos capazes de fazer uma ótima previsão do tempo local", afirma Nobre, que apresentou os primeiros resultados do modelo ontem, numa reunião da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Entre eles, a constatação de que o desmatamento da Amazônia aumenta a ocorrência do fenômeno El Niño.

O modelo enviado para publicação, chamado Besm-OA 2.3 (sigla em inglês para Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre - Oceano-Atmosfera), vem sendo desenvolvido desde 2008 por uma força-tarefa de cientistas ligados ao Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, à Rede Clima do governo federal e ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas.

Todos utilizam o supercomputador Tupã, instalado no Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST) do Inpe, necessário para rodar toda a matemática por trás das previsões. A máquina custou R$ 50 milhões, pagos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) e pela Fapesp.

Capacitação. A opção de desenvolver um modelo próprio, em vez de adaptar um modelo já pronto de outro país, foi uma decisão estratégica com o intuito de formar uma nova geração de pesquisadores e capacitar o Brasil a produzir ciência de qualidade nessa área, segundo o pesquisador Carlos Nobre (irmão de Paulo), que foi um dos idealizadores do programa e hoje é secretário de Políticas e Programas de Pesquisa do MCTI. "É um esforço de desenvolvimento de competência", disse.

Só a Rede Clima, por exemplo, já formou 74 mestres, doutores e pós-doutores em 5 anos e tem outros 184 em formação, com um investimento de R$ 4,7 milhões do CNPq. Resultado: 127 trabalhos já publicados em revistas internacionais e 72, em periódicos nacionais.
Jornal O Estado de S.Paulo

Temperatura média do planeta subiu mais nos últimos 150 anos


Temperatura média do planeta subiu mais nos últimos 150 anos, indica estudo
Objetivo da pesquisa é dar uma visão global das temperaturas da Terra nos últimos 11.300 anos

Renato Martins - Agência Estado

Uma nova pesquisa indica que a temperatura média do planeta esteve mais alta na última década do que na maior parte dos 11.300 anos anteriores. O estudo, publicado nesta quinta-feira pela revista Science, oferece um contexto de longo prazo para as discussões sobre aquecimento global.

A pesquisa tem o objetivo de dar uma visão global das temperaturas da Terra nos últimos 11.300 anos - um período relativamente ameno, conhecido como Holoceno, que começou ao fim da última era glacial e cobre toda a civilização humana. O estudo mostra que uma variação de 1 grau na temperatura média do planeta, que demorou 11 mil anos para acontecer, foi replicada nos últimos 150 anos, desde o começo da Revolução Industrial.

Dentro desse cenário, a década entre 2000 e 2009 foi uma das mais quentes desde que esses dados começaram a ser coletados, mas as temperaturas médias não romperam os níveis do início do Holoceno. De acordo com a pesquisa, agora elas estão para chegar a esses níveis. E, se os cientistas estão certos, o planeta estará mais quente em 2100 do que nos últimos 11.300 anos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon e da Universidade Harvard e financiado pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA. Ele também tenta responder a uma questão crucial: o salto na temperatura planetária registrado nos últimos 150 anos pode ser explicado por variações naturais de longo prazo ou são resultado das emissões de gases causadores do efeito estufa feitas por atividade humana?

Os pesquisadores concluíram que a causa é a atividade humana, por causa do caráter repentino da mudança de temperatura, que parece destoar da tendência de longo prazo. "O que é diferente é o ritmo da mudança. O que vimos nos últimos 150 anos é muito maior do que vimos nos últimos 11 mil anos", disse o líder da equipe de pesquisa, o paleoclimatologista Shaun Marcott, da Universidade Estadual de Oregon.

Estimativa

O trabalho de estimar o clima antigo da Terra se apoia em medições indiretas, tomadas a partir de fósseis marinhos ou de amostras de gelo, que oferecem um registro físico das temperaturas. Por exemplo, cientistas fazem organismos marinhos crescer a temperaturas variáveis e vinculam mudanças na "assinatura química" de suas conchas a diferentes temperaturas da água. Esses dados, por sua vez, são usados para estudar fósseis marinhos. Para confirmar uma descoberta, os pesquisadores verificam se os registros de temperaturas obtidas a partir de uma fonte, como a dos fósseis marinhos, estão de acordo com os dados obtidos de outras fontes, como o gelo escavado a diferentes profundidades.

A maioria dos cientistas acredita que as emissões de gases causadores do chamado efeito estufa, como o dióxido de carbono, é responsável pela elevação da temperatura da Terra. Outros discordam. O debate é importante porque orienta a formulação de políticas energéticas pelos governos e a regulamentação da atividade de várias indústrias.

As projeções baseadas na pesquisa indicam que a temperatura da atmosfera terrestre poderá subir de 2 graus a 5 graus Celsius até o ano 2100. "O relatório é conclusivo ao mostrar que a Terra está se aquecendo. Em 2100, ela estará bastante mais quente do que há 11 mil anos", disse David Anderson, que dirige o programa de paleoclimatologia da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA), e que não esteve envolvido com a pesquisa. As informações são da Dow Jones.
Jornal O Estado de S. Paulo

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Como ocorre o aquecimento global?


















Gases causadores do efeito estufa são capazes de regular a quantidade de radiação que entra e a que sai da Terra
O planeta está em um processo de aquecimento muito acelerado. Isto por causa da alta concentração de gases do efeito estufa – dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) – que são provenientes da indústria, automóveis e da queimada de florestas. A Terra absorve a energia do Sol, e também irradia energia de volta para o espaço. No entanto, grande parte desta energia vai para o espaço é absorvida pelos gases causadores do efeito estufa.. Como resultado do aumento da emissão destes gases, o planeta está aquecendo. As temperaturas médias globais são as maiores nos dois últimos séculos, aumentando cerca de 0,74°C nos últimos 100 anos. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, poderá ocorrer o acréscimo médio de 2°C a 5,8°C na temperatura do planeta.
ultimosegundo.ig.com.br

Notícias Geografia Hoje


Estudo diz que aquecimento global gera mais bancos de gelo na Antártida
Alteração de padrão é resultado do efeito da água que derrete do gelo durante o verão e que volta a se congelar rapidamente quando a temperatura cai novamente

Getty Images
Bancos de gelo em volta da Antártica aumentam apesar do clima global esquentar

O aquecimento global está aumentando a área de bancos de gelo em volta da Antártida durante o inverno. A mudança é resultado do efeito da água que derrete do gelo durante o verão e que volta a se congelar rapidamente quando a temperatura cai. A conclusão é de um estudo divulgado neste domingo (31).

Um derretimento de gelo crescente nos limites da Antártida durante o verão, associado com menos nevascas do que o esperado no continente, está aumentando levemente o nível do mar, diz o estudo.

Cientistas têm se esforçado para explicar porque, por exemplo, os bancos de gelo em volta da Antártica alcançaram uma extensão recorde no inverno de 2010, quando o gelo no Oceano Ártico, no outro limite do planeta, diminuiu e chegou a uma baixa recorde em 2012.

"Os bancos de gelo em volta da Antártica aumentam apesar do clima global esquentar", disse Richard Bintanja, do holandês Instituto Real Meteorológico, líder do estudo. "Isso é causado pelo derretimento das camadas de gelo, afirmou sobre os resultados da pesquisa, publicados no jornal Nature Geoscience .

Quando o gelo da costa da Antártida derrete no verão por causa do aumento da temperatura do mar, a água produzida flutua sobre a mais densa e quente água salgada. No inverno, a água do derretimento do gelo sobre o mar volta a se congelar.

No pico do inverno, o gelo sobre o mar em volta da Antártida cobre uma área de cerca de 19 milhões de quilômetros quadrados, maior do que a extensão terrestre do continente. À medida que o verão se aproxima, ele derrete no oceano.

Ventos
Paul Holland, da organização britânica British Antarctic Survey, defende as conclusões da sua pesquisa feita no ano passado.

Segundo o estudo, uma mudança nos ventos, relacionada às transformações no clima, está levando para mais distante a camada de água derretida sobre mar e aumentando o volume de gelo no inverno.

"A possibilidade é que o aumento real se deve ao vento e aos efeitos da água derretida. Essa seria a minha hipótese, com o efeito da água derretida sendo o menor entre os dois", afirmou ele.

O estudo de Bintanja também afirma que a camada mais fria de água sobre o mar pode limitar a quantidade de água que sai do oceano e volta como neve sobre a Antártida, já que o ar mais frio é menos úmido.
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Notícias Geografia Hoje

Outdoor no Peru transforma ar em água potável
Dispositivo, instalado em vilarejo onde moradores não têm acesso à água potável, captura a umidade do ar e produz água

BBC

 
UTEC/Agência Mayo

Outdoor foi instalado em vilarejo perto de Lima com problema de falta de água potável

Um outdoor nos arredores de Lima, Peru, transforma ar em água potável.

O dispositivo, criado pelos pesquisadores da Universidade de Engenharia e Tecnologia (UTEC) de Lima e pela agência de propaganda Mayo Peru DraftFCB, captura a umidade do ar e, com a ajuda de filtros, produz a água.

O painel tem uma localização estratégica, no vilarejo de Bujama, uma área ao sul da capital na qual os moradores quase não têm acesso à água limpa.

Segundo a UTEC, os pesquisadores queriam colocar a "imaginação em ação" e mostrar que é possível resolver os problemas das pessoas com engenharia e tecnologia.

"Um outdoor que produz água potável a partir do ar", afirma o cartaz que produziu mais de 9 mil litros de água, o que dá uma média 96 litros por dia.

Capturando a umidade
Apesar das condições difíceis na região do vilarejo de Bujama, com poucas chuvas, a umidade do ar chega a 98%, segundo a UTEC.

"O painel captura a umidade no ar e a transforma em água. É simples assim", afirmou Jessica Ruas, porta-voz da universidade.


  

UTEC/Agência Mayo

Painel se transformou em ponto de encontro para moradores

Dentro do painel existem cinco dispositivos que extraem vapor de água do ar usando um condensador e filtros.

A água é armazenada em tanques no topo da estrutura. Depois de filtrada, a água desce por um cano conectado a uma torneira, acessível a todos.

O custo do sistema é de US$ 1,2 mil (pouco mais de R$ 2,4 mil) e, segundo Ruas, pode se transformar em uma solução para o problema da falta de água.

"Não precisa ter a forma de um outdoor, mas a criatividade é a chave para o desenvolvimento (do projeto)", afirmou.

A UTEC foi fundada há apenas um ano e está usando o painel com o objetivo de atrair as "mentes criativas que o Peru necessita".

Os vizinhos do outdoor aprovaram o projeto e o outdoor se transformou em uma atração local entre os moradores e motoristas que passam pelo local, além de parte indispensável da vida no vilarejo.

"Não percebemos o tamanho do impacto que causaríamos", disse Ruas.
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Notícias Geografia Hoje

Televisores antigos são perigosos para o meio ambiente
Tecnologia de tela plana tornou a reciclagem de monitores e televisores obsoleta e dizimou a demanda pelo tubo de vidro reciclado

The New York Times |

Getty Images
Tsunami de vidro: falta de interesse comercial por reciclagem de televisores cria pontos de entulho tóxico

No ano passado, dois inspetores da agência de resíduos perigosos da Califórnia visitaram uma empresa de reciclagem de eletrônicos perto de Fresno, Nevada, para uma revisão de rotina quando se depararam com um armazém repleto com milhares de monitores e televisores velhos.

As caixas de papelão estavam empilhadas em fileiras de 2 metros de altura e 4 metros de profundidade. A camada de vidro quebrado no chão e o pó de chumbo no ar era tão espesso que os inspetores logo levantaram preocupações de segurança.

Semanas mais tarde, o proprietário da empresa de reciclagem desapareceu, abandonando todo o lixo e deixando para trás uma ameaça tóxica e uma limpeza que custará caro para o Estado e para o proprietário do armazém.

Já faz algum tempo, os monitores e televisores quebrados, como os amontoados no armazém, estão sendo reciclados de uma maneira rentável. Os grandes funis no interior dessas máquinas - conhecidos como tubos – eram derretidos e transformados em novos.

Mas a tecnologia de tela plana tornou os monitores e televisores obsoletos, dizimando a demanda pelo tubo de vidro reciclado e criando o que os especialistas da indústria chamaram de "tsunami de vidro", à medida que estoques deste material se acumulam ao redor de todo o país.

A situação mostrou como pequenas mudanças no mercado de repente podem transformar um produto obsolete e demonstra as dificuldades que os reguladores ambientais federais e estaduais enfrentam ao lidar com essas mudanças rápidas.

"Muitas empresas de reciclagem menores estão sobrecarregadas e existe um risco de que elas possam abandonar seus estoques", disse Jason Linnell da Câmara de Coordenação de Reciclagem de Equipamentos Eletrônicos, uma organização que representa os reguladores ambientais do Estado, fabricantes de eletrônicos e recicladores.

Em fevereiro, o grupo enviou uma carta à Agência de Proteção Ambiental para pedir ajuda imediata para lidar com os estoques de vidro que vinham aumentando cada vez mais, muitos dos quais continham chumbo.

Com tão poucos compradores do vidro de chumbo dos antigos monitores e televisores, recicladores receberam pagamentos de Estados e empresas de eletrônicos para se livrarem das máquinas antigas. Um pequeno número de recicladores desenvolveram uma nova tecnologia para a limpeza do chumbo do tubo de vidro, mas a maior parte deste lixo está sendo armazenado, enviado para aterros sanitários ou eliminados de outras maneiras que especialistas disseram ser ambientalmente destrutivas.

"O problema agora é que a recolha destes resíduos está em alta, mas a demanda para o vidro que vem dele nunca esteve tão baixa", disse Neil Peters-Michaud, o executivo-chefe da Cascade Asset Management, uma empresa de reciclagem.

Por Ian Urbina
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domingo, 10 de março de 2013

Países emergentes quase alcançam G7 em patentes


RAFAEL GARCIA
EM WASHINGTON
 Folha de São Paulo

Os países do grupo dos Bricks, as cinco maiores economias emergentes do mundo, já têm uma produção científica na mesma escala de grandeza da dos países do G7, as sete nações desenvolvidas mais influentes.

Há 20 anos, a ciência de Brasil, Rússia, Índia, China e Coreia do Sul tinha menos de um décimo do tamanho daquela mostrada pelos países mais ricos do mundo.

Hoje, a publicação científica desses emergentes é um pouco menos da metade daquela do G7, e o número de patentes registradas já quase se iguala aos de EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá.

Os dados são da divisão científica da multinacional de mídia Thomson Reuters, que produziu um relatório analisando a produção científica dos Bricks -incluindo o "K", de Coreia do Sul em inglês.

O levantamento mostra que a ciência e a inovação desses países cresce não apenas em quantidade, mas também em qualidade.
Editoria de Arte/Folhapress

PESQUISA E INOVAÇÃO Produção de ciência e patentes dos países emergentes está se igualando à das nações mais ricas


"Vemos agora uma divisão mais equitativa da participação na ciência", diz David Pendlebury, um dos autores do relatório. "Parte disso é consequência da globalização, mas é algo que também está ocorrendo na ciência de ponta. Nas próximas décadas, não nos surpreenderemos se mais prêmios Nobel forem concedidos à Asia e à América do Sul."

A participação dos Bricks na ciência de alta qualidade foi avaliada pelo número de citações de estudos científicos. "Fizemos uma busca por estudos que, para seu ano de publicação, estiveram no grupo dos 1% mais citados de suas áreas", explica Pendlebury. "Durante a última década, o numero desses estudo triplicou no Brasil."

O aumento em números absolutos (de 56 para 168, entre 2002 e 2011) ainda é pequeno comparado à participação de gigantes como EUA e Reino Unido na elite científica. Mas esses estudos cresceram proporcionalmente no Brasil, indo de 0,42% da produção nacional a 0,50% -um aumento apreciável quando se trata de um grupo tão seleto de trabalhos.

SINGULAR

O Brasil se destaca dos outros Bricks quando se analisam os campos da ciência que puxam o aumento da produtividade. "Nos 'Ricks', a física, a química, a engenharia e a ciência de materiais são as áreas líderes, mas no Brasil, que é uma 'economia de conhecimento natural', quem lidera o caminho são as ciências biológicas e ambientais", afirma o documento.

Segundo Pendlebury, isso pode se dever ao fato de o Brasil ter um programa de investimento em ciência menos aplicado a metas de produção industrial, como ocorre na Coreia do Sul e na China.

Nesses países, o esforço científico é mais concentrado em áreas determinadas pelo Estado.

Apesar de não ter um governo tão "interventor" na ciência, porém, o Brasil é um dos países onde o setor privado menos aproveita o espaço para investimento. Enquanto na China as empresas contribuem com três quartos da fatia, no Brasil o setor privado concede apenas metade.

"Os baixos gastos corporativos com pesquisa e desenvolvimento no Brasil parecem uma anomalia", diz o relatório. Segundo o documento, a causa pode ser o nível alto de investimento público, especialmente por meio do apoio pelo regime de impostos na região de São Paulo.

Essa menor participação privada tem efeito no número de patentes registradas pelo Brasil, bem menor que os de outros emergentes (em 2011, foram registradas pouco mais de 20 mil patentes no país contra 170 mil da Coreia do Sul e 400 mil da China).

Para Pendlebury, isso parece preocupante em termos do retorno financeiro do investimento em ciência. Mas a escala do problema pode não ser tão grande quanto parece. "A China e a Coreia do Sul provavelmente estão exagerando no patenteamento."

Editoria de Arte/Folhapress
PESQUISA E INOVAÇÃO Produção de ciência e patentes dos países emergentes está se igualando à das nações mais ricas
PESQUISA E INOVAÇÃO Produção de ciência e patentes dos países emergentes está se igualando à das nações mais ricas  

Geleiras do Ártico canadense podem estar sofrendo derretimento sem volta, diz estudo

DA REUTERS
As geleiras canadenses, terceiro maior depósito de gelo depois da Antártida e da Groenlândia, podem estar sofrendo um derretimento sem volta que deve aumentar o nível do mar, afirmaram cientistas nesta quinta (7).

Cerca de 20% das geleiras no norte do Canadá podem desaparecer até o fim do século 21, num derretimento que pode acrescentar 3,5 cm aos nível do mar.

Reuters

Geleira canadense fotografada por avião da Nasa em 2011


"Acreditamos que a perda de gelo é irreversível no futuro próximo", escrevem os pesquisadores na revista "Geophysical Research Letters"

A tendência parece irreversível, dizem os autores, liderados por Jan Lenaerts, da Universidade de Utrecht, porque o derretimento de geleiras brancas exporia a tundra escura que tende a absorver mais calor e acelerar o derretimento.

O painel do clima da ONU estima um aumento do nível do mar entre 18 cm e 59 cm neste século, ou mais se a cobertura de gelo da Antártida e da Groenlândia começarem a derreter mais rápido.

A projeção de perda de 20% do volume de gelo no Canadá se baseou em um cenário com aumento de temperatura médio de 3ºC neste século e de 8ºC no Ártico canadense, dentro das previsões da ONU. 
Folha de São Paulo

Terra se aproxima de maiores temperaturas em 11 mil anos

 
SALVADOR NOGUEIRA

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e da Universidade Harvard, ambas nos EUA, reconstruiu a temperatura média da Terra nos últimos 11,3 mil anos para compará-la aos níveis atuais.

A boa notícia: a Terra hoje está mais fria do que já esteve em sua época mais quente desse período. A má: se os modelos dos climatologistas estiverem certos, atingiremos um novo recorde de calor até o final do século.

O trabalho, publicado na revista "Science", reuniu dados de 73 localidades ao redor do mundo para estimar a temperatura global (e local) no período geológico conhecido como Holoceno, que começou ao final da última era do gelo, há 11 mil anos.

Depois de consolidar todas as informações, em sua maioria provenientes de amostras de fósseis em sedimentos oceânicos, num único quadro --além de usar técnicas matemáticas para preencher os "buracos" encontrados nas diversas fontes usadas para estimar a temperatura no passado--, os cientistas puderam recriar uma "pequena história da variação climática da Terra".

Diz-se pequena porque os resultados não permitem enxergar a variação ocorrida em uns poucos anos. É como se cada ponto nos dados representasse a temperatura em um período de 120 anos.

Editoria de arte/Folhapress




A HISTÓRIA


Os dados confirmam uma velha desconfiança dos cientistas: a de que a Terra passou por um período de aquecimento que começou cerca de 11 mil anos atrás. Em 1,5 mil anos, o planeta esquentou cerca de 0,6ºC e assim se estabilizou, durante cerca de 5.000 anos.

Então, 5,5 mil anos atrás, começou um novo processo de esfriamento --que terminou há 200 anos, com o que ficou conhecido como a "pequena era do gelo". O planeta ficou 0,7ºC mais frio.

Entram em cena a industrialização acelerada e o século 20. O planeta volta a se esquentar. No momento, ele ainda não bateu o recorde de temperatura visto no início do Holoceno, mas já está mais quente que em 75% dos últimos 11 mil anos.

Assim, o estudo confirma que a temperatura da Terra está subindo em tempos recentes e mostra que a subida é muito mais rápida do que se pensava.

"Essa pesquisa mostra que já experimentamos quase a mesma faixa de mudança de temperatura desde o início da Revolução Industrial que foi vista nos 11 mil anos anteriores da história da Terra --mas essa mudança aconteceu muito mais depressa", comenta Candace Major, diretor da divisão de Ciências Oceanográficas da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que financiou o estudo.

Por outro lado, a baixa resolução temporal do estudo (é impossível distinguir efeitos de poucos anos) dificulta a comparação com o atual fenômeno de aquecimento.

Para a mudança climática atual se tornar relevante na escala de tempo analisada pelo modelo de reconstrução dos últimos 11 mil anos, ela precisa continuar no próximo século. Segundo os modelos do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudança Climática), da ONU, é isso que vai acontecer.

Contudo, ainda há incertezas sobre a magnitude do fenômeno. De toda forma, mesmo pelas estimativas mais otimistas, quando chegarmos a 2100, se nada for feito, provavelmente estaremos vivendo o período mais quente dos últimos 11 mil anos. 
Jornal Folha de S. Paulo

sábado, 9 de março de 2013

Mudanças climáticas precipitaram a Primavera Árabe

Os efeitos do clima sobre a oferta de alimentos exacerbaram tensões no Oriente Médio

Nasser Nouri/Flickr

 
 A região do Oriente Médio e do Norte da África é extremamente vulnerável a flutuações no fornecimento e preço de alimentos.

  Ines Perez e ClimateWire

Se a Primavera Árabe nos ensinou alguma coisa é que efeitos da mudança climática podem servir como estressantes, contribuindo para instabilidade e conflitos regionais, apontam especialistas.

Em um relatório publicado na semana passada, pesquisadores do Centro para o Progresso Americano, do Centro para o Clima e a Segurança, e do Centro Stimson examinaram o papel das mudanças climáticas nas revoltas do Oriente Médio em 2010 e 2011. Observando tendência de longo prazo na chuva, em plantações, preços de alimentos e migrações, eles conseguiram determinar a contribuição desses fatores para a instabilidade social na região.

De acordo com o relatório: “A Primavera Árabe provavelmente ocorreria de uma forma ou de outra, mas o contexto em que ela surgiu não é inconsequente. O aquecimento global pode não ter provocado a Primavera Árabe, mas pode tê-la feito chegar mais cedo”.

As regiões do Oriente Médio e do Norte da África são extremamente vulneráveis a flutuações no fornecimento e preços de alimentos. De acordo com o relatório, poucas terras aráveis e suprimentos hídricos escassos, fazem da região uma das principais importadoras de alimentos do mundo.

Em 2010, secas na Rússia, Ucrânia, China e Argentina, e tempestades torrenciais no Canadá, na Austrália e no Brasil – todos grandes produtores de trigo e grãos – diminuíram consideravelmente as safras globais, aumentando os preços de commodities. A região já estava lidando com tensões sociopolíticas, econômicas e climáticas. A crise global de alimentos em 2010 tornou tudo mais difícil.

Mas o problema aqui é muito maior. Devido à globalização, eventos climáticos regionais podem ter uma extensão global. Além disso, de acordo com o relatório, cenários em que eventos climáticos se desdobram em mudanças econômicas e políticas têm maior probabilidade de se repetir conforme a instabilidade climática, populações cada vez maiores e competição por recursos perturbam a estabilidade nacional.

Colapso nacional se torna ameaça à segurança

De acordo com Michael Werz, pesquisador sênior do Centro para o Progresso Americano e um dos autores do relatório, o argumento aqui é que existem vários sintomas – como escassez de alimentos, racionamento de água, fracasso de safras, migração e urbanização rápida – forçando os limites do que uma sociedade é capaz de suportar antes de explodir.

“Isso está levando muitas sociedades ao limite, especialmente as que têm um estado fraco”, declara Werz.

No lançamento do relatório sobre a Primavera Árabe e a mudança climática, Werz e outros especialistas em relações exteriores discutiram os desafios da mudança climática para a estabilidade global – particularmente em termos de segurança alimentar e hídrica, e migração – e como os Estados Unidos precisam repensar sua política externa para incorporar esses desafios sem fronteiras.

“Nós fomos de um mundo conectado para um mundo interconectado, e de um mundo interconectado para um mundo interdependente”, observou Tom Friedman, colunista de relações internacionais do New York Times. “Quando o mundo é tão interdependente, o fracasso de seus rivais é muito mais perigoso que o sucesso de seus rivais”, lembrou ele.

De acordo com Friedman, a política externa dos Estados Unidos está tão presa ao modelo da Guerra Fria – competição estratégia entre superpotências – que está se esquecendo do verdadeiro problema de segurança do mundo atual.

“Não estamos preocupados com o Egito se tornar um aliado da União Soviética; estamos preocupados com um colapso egípcio que, em um mundo interdependente, é uma ameaça”, apontou Friedman.

Em um artigo de 2011 para o The Atlantic, a ex-diretora de Planejamento Político do Departamento de Estado, Anne-Mari Slaughter, explicou como o ambiente internacional mudou no último século.

“A Guerra Fria era como o xadrez. O mundo do século 21 é mais como o tênis, em que o vento, o calor, um possível atraso devido à chuva, e a saúde e forma física relativas de seu oponente em qualquer dia afetam a velocidade, a trajetória e a rotação da bola que você recebe”, escreveu ela.

Escassez de alimentos, seca, migração e segurança humana são problemas em uma sociedade que pode se desdobrar em grandes problemas entre estados, observou Slaughter durante o evento. Mas ao contrário de tópicos populares como o Irã ou o Afeganistão, faltam duas importantes qualidades à segurança alimentar que devem ser levadas a sério em Washington: “Ela não é imediata, e não é sexy”.

Ligações de segurança são frequentemente negligenciadas

De acordo com Werz, construir países estáveis, sustentáveis, e de longo prazo no mundo é muito mais benéfico para os Estados Unidos e para a segurança global do que qualquer outra coisa.

Um novo estudo do think-tank britânico E3G alerta que a disseminação da democracia que se seguiu à Primavera Árabe poderia ser revertida devido ao fracasso em abordar a ameaça de choques nos preços de alimentos e energia. De acordo com o relatório, modelos climáticos consistentemente estimam que o aquecimento ocorrerá mais rapidamente na região do Oriente Médio e do Norte da África, acentuando a crescente escassez de água. Mas investimentos governamentais existentes estão mais concentrados em fornecer incentivos para reformas democráticas continuadas do que em abordar outras áreas vitais para a estabilidade.

“Definitivamente houve uma mudança”, declarou Taylor Dimsdale, associado de pesquisa sênior da E3G, sobre a compreensão de ligações entre lutas sociais, preços de alimentos e mudança climática. “Estamos começando a reconhecer que existe uma falta de apreciação e reconhecimento completos para essa mudança”.

Além disso, conforme a mudança climática provoca eventos climáticos em países produtores, aumentos no preço dos alimentos poderiam se tornar outra bomba relógio na região. “Vemos isso como um risco contínuo”, explicou Dimsdale.

Devido à globalização e à interdependência, a relação entre mudança climática, migração e segurança deve se tornar o “novo padrão” em reuniões de política internacional, de acordo com o grupo. “Nas ciências climáticas, eu vivo pelo axioma ‘Temos que controlar o inevitável e evitar o incontrolável’”, apontou Friedman.

Nesse sentido, afirma que tudo se resume a aumentar a resiliência e propõe estimular soluções baseadas no mercado através de regulamentos e preços para incentivar a energia e a água limpas na América, ou em qualquer parte do mundo.

“Precisamos encontrar soluções sustentáveis de longo prazo que a política externa atual sequer nos permite imaginar”, declarou Slaughter.

Mas primeiro, de acordo com ela, os Estados Unidos precisam repensar a maneira como se engajam com o mundo. “Normalmente o Departamento de Estado é organizado por região, e depois por área de problema”, explicou Slaughter. Esse formato dificulta a compreensão dos temas interconectados e torna ainda mais difícil a abordagem ‘de baixo para cima’, adicionou ela.

Contribuiu a jornalista Tiffany Stecker. Republicado de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net, 202-628-6500
Scientífic American Brasil

Notícias Geografia Hoje

 Cometa pode se chocar com Marte em 2014

O Cometa recém-descoberto tem diâmetro entre 8 e 50 km

NASA/JPL-Caltech/UCLA



  Joe Rao e Space.com

Um cometa recém-descoberto paarece estar a caminho de passar muito perto do planeta Marte em outubro de 2014, e existe uma chance – ainda que pequena – de colidir com o planeta.

O novo cometa C/2013 A1 (Siding Spring) foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught, um prolífico observador de cometas e asteroides que tem 74 descobertas de cometas no currículo.

McNaught é um dos participantes do Siding Spring Survey, um programa que caça asteroides que podem se aproximar muito da Terra. Descobriu o novo cometa usando o Telescópio Uppsala Schmidt, de50 metros, no Observatório Siding Spring,em New South Wales, na Austrália.

Imagens anteriores à descoberta do cometa, feitas em 8 de dezembro de 2012 pelo Catalina Sky Survey, no Arizona, foram encontradas rapidamente. Como o cometa foi descoberto como parte de sua busca por asteroides, ele tem o nome do observatório, Siding Spring. Oficialmente ele está catalogado como C/2013 A1.

Quando foi descoberto, o Cometa Siding Spring estava a 1,07 bilhão de quilômetros do sol. Com base na excentricidade de sua órbita, ele parece ser um cometa novo, ou “virgem”, viajando em uma órbita parabólica e fazendo sua primeira visita à vizinhança do sol. Espera-se que seu periélio (o ponto em que ele passa mais perto do Sol) seja em 25 de outubro de 2014, auma distância de 209 milhões de quilômetros.

Menos de uma semana antes disso, porém, em 19 de outubro de 2014, o cometa – com um núcleo estimado entre 8 e 50 km de diâmetro – deve cruzar a órbita de Marte e passar muito perto do planeta. Cálculos preliminares sugerem que nominalmente, em sua maior aproximação, o Cometa Siding Spring chegará a 101 mil km de Marte.

No entanto, como o cometa está a uma distância muito grande e está sendo estudado há menos de três meses, as circunstâncias de sua órbita provavelmente precisarão ser refinadas nas semanas e meses futuros. Dessa forma, a aproximação marciana do cometa pode acabar sendo maior ou menor do que sugerem nossas previsões atuais. De fato, na quarta-feira passada (27 de fevereiro), observações feitas por Leonid Elenin, um respeitável astrônomo russo que trabalha no Instituto de Matemática Aplicada Keldysh, sugeriu que o cometa poderia passar ainda mais perto – a apenas41.300 kmdo centro de Marte.



De acordo com Elenin: “Em 19 de outubro de 2014, o cometa pode atingir uma magnitude aparente de -8 ou -8,5 se visto de Marte!” (Isso deixaria o cometa de15 a25 vezes mais brilhante que Vênus. “Talvez seja possível conseguir imagens de alta resolução da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)”, adicionou ele.

E também existe a pequena possibilidade de o cometa colidir com Marte.

Movendo-se a 56 km por segundo, uma colisão dessas criaria uma cratera de impacto em Marte com até 10 vezes o diâmetro do núcleo do cometa, e até 2 km de profundidade, com uma energia equivalente a 2x1010 megatons!

A maioria dos leitores se lembrará do mergulho do Cometa Shoemaker-Levy em Júpiter, em 1994, que deixou escuras cicatrizes na cobertura de nuvens do planeta durante muitos meses após a colisão.

Colidindo ou não, o Cometa Siding Spring definitivamente chegará extremamente perto de Marte em menos de 20 meses. Incrivelmente, essa será a segunda passagem de um cometa perto de Marte em pouco mais de um ano.

Em 1º de outubro desse ano, o muito aguardado Cometa ISON deve passar a 10,5 milhões de quilômetros de Marte até passar raspando o Sol em novembro. Esse encontro é próximo o suficiente para ser categorizado como excepcional e, mesmo assim, o Siding Spring passará 100 vezes mais perto.
Revista Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje


Descoberto mais um cinturão de radiação da Terra
Fenômeno observado durante semanas impõe revisão da teoria atual


NASA/Goddard Space Flight Center

Sondas de Van Allen em órbita

Ron Cowen e Revista Nature
Quando cientistas das Nasa lançaram sondas gêmeas para analisar os cinturões de radiação de Van Allen no verão boreal passado, eles estavam esperando estudar dois anéis de partículas de altas energias circundando a Terra. Mas encontraram três, derrubando um modelo de 50 anos de idade para a estrutura dos anéis.

Descobertos pela primeira vez em 1958, acreditava-se que os cinturões de Van Allen compreendiam dois reservatórios de partículas eletricamente carregadas, de alta velocidade, confinadas pelo campo magnético da Terra em anéis separados com forma de rosquinha.

A órbita do anel externo fica a uma distância de 10 a 60 mil quilômetros acima da Terra, e circunda uma banda interna de partículas ainda mais energética, de 100 a 10 mil quilômetros acima da superfície do planeta.

Essa era a configuração dos anéis quando James Van Allen os descreveu pela primeira vez, usando dados de satélite há meio século, e essa também é a estrutura que as sondas gêmeas Van Allen registraram quando entraram em operação, em 1º de setembro de 2012.

Mas apenas dois dias depois, telescópios nas sondas revelaram o surgimento de um estreito cinturão adicional, de partículas carregadas entre o anel interno e o agora altamente erodido anel externo. “Isso foi tão inesperado que achamos que havia alguma coisa errada com o instrumento”, conta Daniel Baker, físico espacial da University of Colorado, em Boulder.

Mas o novo anel persistiu, e Baker e sua equipe agora atribuem sua criação a uma onda de choque interplanetária – uma explosão de partículas viajantes de vento solar – que foi detectada por outra sonda. A onda de choque destruiu grande parte do anel exterior, e em seguida dividiu seus restos em duas seções distintas, sugere ele.

Durante quase todo o mês de setembro, o anel do meio se manteve firme enquanto o anel exterior oscilava. Em 1º de outubro, porém, outra onda de choque interplanetária, mais energética que a anterior, destruiu os anéis exterior e médio, deixando intacto apenas o cinturão interior de Van Allen. De acordo com Baker, sete ou oito dias depois, uma terceira onda de choque de alguma forma restaurou a estrutura original dos dois cinturões que são mostradas em livros.

Baker ainda declara que os dados coletados pelas sondas em 9 de outubro revelaram que “repentinamente, o cinturão externo estava reconstituído, mas o anel mediano tinha desaparecido”.

As descobertas, que são relatadas na Science de 1 de março de 2013, demonstram que explosões solares são de fato fortes indutores da estrutura dos cinturões e que atividades semelhantes podem ser comuns, especialmente agora, perto do pico do ciclo solar de 11 anos, observa Baker. Apesar disso, adiciona, detalhes sobre a colossal remodelagem do cinturão exterior e a existência duradoura do anel mediano não podem ser explicados pela teoria atual.

A compreensão da estrutura tríplice “será o assunto de pesquisas futuras de teóricos e modeladores numéricos do mundo todo”, acredita Yuri Shprits, geofísico da University of Califórniaem Los Angeles, não envolvido no estudo.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 28 de fevereiro de 2013.
Revista Scientific American Brasil

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Notícias Geografia Hoje


Estudos dizem que existem 17 bilhões de 'Terras' na Via Láctea
Dois estudos independentes chegaram à conclusão que pelo menos uma a cada seis estrelas da galáxia têm planetas do mesmo tamanho que o nosso
Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics
Ilustração mostra a variedade de planetas detectados na Via Láctea pela sonda Kepler

Os astrônomos que estão procurando por novos lares para a humanidade já têm mais lugares para pesquisar. Uma nova estimativa divulgada nesta segunda-feira (7) sugere que a Via Láctea tem pelo menos 17 bilhões de planetas do tamanho da Terra -- mais de dois para cada habitante do planeta. Isto não quer dizer que todos sejam habitáveis, mas já é um ponto de partida para a busca de planetas parecidos com o nosso.

Os cientistas ainda não encontraram um planeta gêmeo da Terra - que seja tanto do tamanho certo, mas que esteja na chamada zona habitável, que ganhou o apelido de "Cachinhos de Ouro": onde não seja nem tão quente, nem tão frio, a ponto de existir água em estado líquido. 


Mas dois grupos independentes chegaram à nova estimativa, baseada em uma nova análise de dados da sonda Kepler da Nasa, lançada em 2009 com a missão de rastrear novas Terras, descobrindo novos planetas quando eles passam na frente de suas estrelas.


Uma equipe, liderada por François Fressin, do Centro Harvard-Smithsonian Center para Astrofísica, calculou que pelo menos uma a cada seis estrelas da galáxia têm um planeta do tamanho da Terra em órbita. Outro grupo, da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade do Havaí, usou outro método e também determinou que 17% das estrelas da galáxia têm sistemas com planetas entre uma e duas vezes o diâmetro da Terra.

Os resultados foram apresentadas na reunião anual da Sociedade Astrônomica Americana, em Long Beach, na Califórnia. Os resultados foram apresentadas na reunião anual da Sociedade Astrônomica Americana, em Long Beach, na Califórnia. No evento, também foram anunciados novos números da missão Kepler: o total de candidatos a planeta já encontrados já chega a 2740 corpos celestes -- quatro deles estariam na zona habitável, mas mais estudos ainda são necessários.

ESO
Imagem obtida pelo telescópio VISTA mostra parte central da Via Láctea

(Com informações da AP)
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Notícias Geografia Hoje

Cientistas dizem que planeta como a Terra pode estar a 13 anos-luz
Estudo com estrelas anãs vermelhas mostra que planetas potencialmente habitáveis podem ser vizinhos do Sistema Solar


Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, David A. Aguilar
Ilustração mostra planeta hipotético com duas luas orbitando uma estrela anã vermelha

Astrônomos anunciaram nesta quarta-feira (6) a descoberta de que um planeta parecido com a Terra pode estar bem mais próximo do que se imagina, a cerca de 13 anos-luz de distância, ou cerca de 124 trilhões de quilômetros. Ele ainda não foi propriamente encontrado, mas um estudo sobre estrelas anãs vermelhas mostra que estatisticamente, ele está bem perto.

Em termos espaciais, esta distância é praticamente vizinha. De acordo com Courtney Dressing, autora do estudo, se nossa galáxia, a Via Láctea, fosse do tamanho dos Estados Unidos, estes 13 anos-luz seriam equivalentes ao comprimento do Central Park, em Nova York.

As pequenas e frias anãs vermelhas são o tipo estelar mais comum na Via Láctea, com cerca de 75 bilhões de estrelas. 



A equipe do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian usou dados da missão Kepler para estimar que 6% das anãs vermelhas têm planetas como a Terra, isto é, que tenham o mesmo tamanho que o nosso e que recebam tanta luz de sua estrela como a Terra recebe do Sol.

Esta alta taxa de ocorrência deve simplificar a busca por vida extraterrestre.

Ainda assim, é preciso ajustar as expectativas: por serem bastante diferentes do Sol, os planetas que orbitam anãs vermelhas podem também muito diferentes da Terra. Porque as anãs vermelhas são bem menores, os planetas potencialmente habitáveis teriam que orbitar muito mais perto de sua estrela. Eles seriam rochosos como a Terra, mas com atmosferas diferentes, que poderiam gerar tipos de vida completamente diferentes do nosso.

Como as anãs vermelhas também podem ser bem mais velhas que o Sol, isso significa que os planetas também podem ser mais antigos e suas potenciais formas de vida, mais antigas, com mais tempo de evolução.

O Sistema Solar tem 4,5 bilhões de anos, por exemplo, enquanto algumas anãs vermelhas têm 12 bilhões de anos.

O estudo será publicado na próxima edição do periódico Astrophysical Journal . 

(Com informações da AP)
http://ultimosegundo.ig.com.br

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Miniplaneta é achado muito além do Sistema Solar
Reuters

Astrônomos descobriram o menor entre os mais de 800 planetas já localizados fora do nosso Sistema Solar, anunciaram cientistas nesta quarta-feira.

O planeta, chamado Kepler-37b, é um dos três que já foram achados circulando uma estrela amarela semelhante ao Sol, localizada na constelação da Lira, a cerca de 210 anos luz de distância. Um ano-luz mede cerca de 10 trilhões de quilômetros.

"Vemos planetas muito grandes, e eles são incomuns. Planetas do tamanho da Terra parecem ser bastante comuns, então nossa suposição é de que planetas pequenos devem ser ainda mais comuns", disse Thomas Barclay, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, em Mountain View, na Califórnia.

Mas quanto menor é o planeta, mais difícil é localizá-lo.

O Kepler 37-b e seus dois planetas-irmãos foram descobertos com um telescópio espacial da Nasa, também chamado Kepler, que estuda a luz de cerca de 150 mil estrelas semelhantes ao Sol.

O telescópio detecta sutis oscilações na luz dessas estrelas quando um planeta passa à frente delas.

Dos 833 planetas extrassolares já conhecidos, 114 foram encontrados pela equipe científica do Kepler, segundo o site do projeto. Mais cerca de 3.000 candidatos a planeta estão sendo analisados.

O Kepler-37b orbita 10 vezes mais perto de sua estrela do que a Terra em relação ao Sol, o que lhe dá uma temperatura de superfície de cerca de 427 graus Celsius.

"Este (planeta) particular está longe de ser habitável", disse um astrônomo da Universidade da Flórida, Eric Ford.

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol em nosso sistema solar, por isso cientistas compararam o Kepler-37b a um mini-Mercúrio.

O pequeno planeta é ligeiramente maior do que a Lua.

(Reportagem de Irene Klotz)
Jornal Estado de S. Paulo

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