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sábado, 28 de março de 2026

AGRICULTURA E MEIO RURAL - VESTIBULAR DA UERJ

 1. (Vestibular UERJ-2000) “Não era a fome absoluta, a da inanição, muito embora nós, os filhos do meu pai, estivéssemos crescendo meio nanicos, mal alimentados, meio tristes, meio duros, meio revoltados. Mas era a fome moderna corroendo devagar aqueles nossos anos de infância de 1967, 1968, na cidade desumana dos desempregados, dos retirantes, dos esmoleres do Recife. Somente duas décadas depois eu leria uma definição de ‘fome moderna’, a fome do capital.” (FELINTO, Marilene. A Fome. In: SADER, Emir (org.). 7 Pecados do Capital. Rio de Janeiro: Record, 1999.)

 Considerando o texto, uma causa e uma conseqüência do problema da fome, estão, respectivamente, apresentadas em: 

(A) modernização técnica nos estabelecimentos rurais / política de assentamentos rurais dos governos militares 

(B) incapacidade para investimentos do setor alimentar / sucessão de greves dos trabalhadores rurais 

(C) elevação dos preços dos alimentos / participação crescente do poder das oligarquias rurais 

(D) prioridade da agricultura de exportação / mobilidade espacial da população

2. (Vestibular UERJ-2000)


No mapa encontram-se indicadas as áreas de expansão da fronteira agrícola no Brasil ao longo do tempo. A associação correta entre região, período e relação social de produção predominante é: 

(A) Nordeste – séculos XIX e XX – trabalho familiar de migrantes sulistas e mineiros 

(B) Sudeste – século XIX – mão-de-obra cativa africana e trabalho livre de imigrantes europeus 

(C) Centro-Oeste – 1ª metade do século XX – mão-de-obra escrava de origem indígena e mestiça 

(D) Norte – 2ª metade do século XX – trabalho assalariado de migrantes dos países andinos e das Guianas

3. (Vestibular UERJ-2001) Existem dois conjuntos sociais para os quais a questão da terra constitui um fator de importância fundamental. Um deles é formado por aqueles que utilizam a posse ou a propriedade como instrumento de diversas formas de exploração e especulação. O outro grupo social é formado pelos trabalhadores sem terra, pequenos produtores deslocados pelo latifúndio para áreas marginais ou pressionados pelo capital comercial e financeiro, e os migrantes frustrados, que sobrevivem nas periferias urbanas. A estes podem vir a agregar-se, em futuro não muito remoto, outras vítimas do processo de ajuste neoliberal, ex-funcionários públicos, ex-bancários e todos os outros ex de menor nível de qualificação. (Adaptado de TAVARES, Maria da Conceição. Destruição não criadora. Rio de Janeiro: Record,1999.)

 Segundo a visão da autora, problemas sociais no campo e na cidade estão intimamente relacionados. No caso brasileiro, esta relação se estabelece porque em ambos os espaços ocorrem, dentre outras, as seguintes situações: 

(A) estagnação da economia e fuga de capitais 

(B) estatização das empresas e expansão do setor financeiro 

(C) atenuação das desigualdades e periferização do povoamento 

(D) redução do emprego e concentração do poder econômico

4. (Vestibular UERJ-2001)“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! (...) Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa.(...) Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande;(...) — terra que nos parecia muito extensa.” (CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El Rei D. Manuel. In: PEREIRA, Paulo Roberto. Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1999.)

 “A superfície do Brasil,(...) é de 850 milhões de hectares.(...) Ora, atualmente, apenas 60 milhões desses hectares estão a ser utilizados na cultura regular de grãos. O restante, (...) em estado de improdutividade, de abandono, sem fruto. Povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e econômica, vagando entre o sonho e o desespero, 4.800.000 famílias de trabalhadores rurais sem terra. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso (...)” (SARAMAGO, J. apud ALENCAR,C. Br 500: um guia para a redescoberta do Brasil. Petrópolis: Vozes, 1999.)

 Separados por quase 500 anos, dois portugueses refletem a respeito da imensidão da terra encontrada por seu país. Mas a impressão transmitida pelo depoimento de cada um deles é diferente, uma vez que a história da Colônia e do período seguinte transformou a terra para o trabalho agrícola em um bem de acesso restrito. Esse longo processo de restrição ao acesso à terra poderia ser sintetizado na seguinte afirmação: 

(A) O sistema de doações de sesmarias, sucedido pela transformação da terra em mercadoria, instituiu a propriedade da terra em fonte de poder econômico e político. 

(B) As precárias condições naturais das terras no interior, somadas a crises climáticas e ao êxodo rural, acarretaram um esvaziamento da produção de bens primários. 

(C) Os entraves da Coroa para a compra de terras, seguida pelas dificuldades de financiamento da produção, criou um desequilíbrio na distribuição das áreas agrícolas. 

(D) A ênfase colonial na produção exportadora, acompanhada pela pouca habilitação técnica dos agricultores, propiciou uma elitização da população do campo.

5. (Vestibular UERJ-2003) 

Os mapas, de 1975 e 1995, mostram a evolução do número e da distribuição de empresas de aviação agrícola no Brasil, que utilizam equipamentos sofisticados para pulverizar com pesticidas as plantações. Isso demonstra uma dinamização do setor associada aos processos de: 

(A) metropolização e êxodo rural 

(B) expansão da fronteira agrícola e difusão da agroindústria 

(C) esvaziamento das áreas interiores e concentração urbana 

(D) centralização da política agrícola e descentralização de investimentos produtivos

6.(Vestibular UERJ-2003)  “aqui, em se plantando, tudo dá” 

A construção do mito de satisfação das necessidades alimentares, evidenciada neste fragmento do texto, contradiz a seguinte afirmativa: 

(A) As terras férteis resultam da ação de agrotóxicos. 

(B) Os melhores solos destinam-se aos cultivos para exportação. 

(C) Os avanços tecnológicos direcionam-se às propriedades improdutivas. 

(D) Os diversos tipos climáticos dificultam a variedade de cultivos agrícolas.

7. (Vestibular UERJ-2003) 

O primeiro texto procura contextualizar a produção para o abastecimento interno no Brasil Colônia, enquanto que o segundo refere-se à invasão de uma propriedade do Monsanto, produtor internacional de alimentos, por ambientalistas e pelo MST, durante o Fórum Social Mundial contra a globalização, realizado em Porto Alegre. A alternativa que aproxima os dois textos por apontar uma semelhança entre o processo brasileiro de produção de alimentos, no passado e no presente, é: 

(A) A produção agrícola se mantém subordinada a interesses externos. 

(B) O Estado deixa para agricultores de subsistência a tarefa da produção alimentar. 

(C) As políticas públicas para o setor agrário provocam preços altos dos produtos exportados. 

(D) As ações do Estado priorizam a produção alimentícia através de consórcios internacionais.

8. (Vestibular UERJ-2004) A imagem tradicional do campo mudou. As chamadas atividades não-agrícolas têm hoje um peso importante na composição da renda agrária, conforme se verifica na tabela abaixo. 


Dentre estas atividades não-agrícolas, a que merece maior destaque é: 

(A) turismo 

(B) indústria 

(C) comércio 

(D) piscicultura

9. (Vestibular UERJ-2004) 


As motivações que originaram a Lei de Terras, de 1850, ainda hoje são causas de conflitos em relação à propriedade rural no Brasil. Dentre as questões levantadas nos artigos transcritos, aquelas que caracterizam a atual estrutura fundiária no Brasil são: 

(A) mercantilização da terra e expulsão de posseiros pobres 

(B) exclusão de grileiros e internacionalização da propriedade 

(C) obrigatoriedade de registro oficial e predomínio de terras devolutas 

(D) instituição de gratuidade nas fronteiras e obrigatoriedade de produção

10. (Vestibular UERJ-2005) 



Os dois textos acima têm como principais elementos geradores das problemáticas apontadas os processos de: 

(A) assentamento agrícola e êxodo rural 

(B) proletarização rural e reforma agrária 

(C) modernização agrícola e revolta social 

(D) concentração fundiária e conflitos no campo

11. (Vestibular UERJ-2005) 



Em contraponto à grande disponibilidade de terras, o processo de grilagem na Amazônia avança associado à seguinte situação: 

(A) especulação fundiária, buscando maior lucratividade

(B) demanda acentuada por terra, determinando novas invasões 

(C) procura de terras devolutas, ampliando a produção agrícola extensiva 

(D) ausência da fiscalização do Estado, propiciando o aumento de latifúndios

12.(Vestibular UERJ-2005) 



Apesar dos incrementos de produtividade e da expansão do agronegócio, o texto nos aponta dificuldades enfrentadas por parte dos pequenos agricultores brasileiros, que devem ser compreendidas a partir das relações políticas e econômicas vigentes hoje no campo. Uma causa básica e uma conseqüência para as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores rurais são: 

(A)ausência de linhas de financiamento − lucratividade retraída 

(B) precária base tecnológica − sistema de transportes subutilizado 

(C) fracionamento das propriedades − mercado de consumo depreciado 

(D)carência de uma política agrícola favorável − produção familiar inviabilizada

13. (Vestibular UERJ-2007) O desenvolvimento da agroindústria brasileira vem alterando a paisagem nas áreas rurais com ações polêmicas que possibilitam o aumento da produtividade, mas também promovem a devastação da vegetação nativa. Uma das conseqüências das mudanças geradas pelas agroindústrias no campo é: 

(A) incremento da agroecologia com a ocupação das terras devolutas 

(B) expansão das médias propriedades com a distribuição da renda agrícola 

(C) fragmentação das grandes propriedades com o aumento da produção para exportação 

(D) ampliação das relações de trabalho capitalistas com o crescimento da produção comercial

14.(Vestibular UERJ-2008)



Compare os mapas acima. A alternativa que indica de forma correta dois Estados brasileiros e o tipo de relação, verificada em ambos, entre os graus de concentração da terra e de modernização agrícola é: 

(A) Maranhão e Piauí – inversa 

(B) São Paulo e Bahia – direta 

(C) Mato Grosso e Tocantins – direta 

(D) Santa Catarina e Espírito Santo – inversa

15. (Vestibular UERJ-2009)



A partir das informações do texto, podemos concluir que a distinção entre cidade e campo vincula-se ao estabelecimento da diferença entre espaço e atividades econômicas. Essa distinção está adequadamente expressa em: 

(A) o campo não é lugar adequado à instalação de indústrias 

(B) o espaço rural não é sinônimo de atividades primárias 

(C) o espaço urbano não é compatível com a prática do ecoturismo 

(D) a cidade não é o local de predomínio dos setores secundário e terciário

Gabarito:

1. D    2. B   3. D   4. A   5. B   6. B   7. A    8. A   9. A|  10. D   11. A  12. A    13. D    14. A    15. B



terça-feira, 27 de agosto de 2019

Estrutura geológica e mineração


Marcus Vinicius Castro Faria
Mestre em Geografia pela Universidade Federal Fluminense


ESTRUTURA GEOLÓGICA

O território brasileiro fica sobre a placa tectônica sul-americana e tem estrutura rochosa antiga e estável, livre de tremores intensos. Embora apresente estrutura geológica diversificada, não conta com dobramentos modernos em suas terras.

Denomina-se processo geológico o conjunto de ações que promovem modificações da crosta terrestre, seja em sua forma, estrutura ou composição. Os processos geológicos que ocorrem dentro do planeta (endógenos) e sobre o planeta (exógenos) podem ser reunidos num ciclo de processos que agem continuamente sobre o material rochoso. 

São processos geológicos endógenos: vulcanismo, terremotos, orogênese, epirogênese, etc. 




Processos geológicos endógenos ou dinâmica interna (Foto: Colégio QI)

Nas terras emersas, a crosta terrestre é formada por três tipos de estruturas geológicas, caracterizadas pelos tipos de rochas, processo de formação e idade geológica. São os dobramentos modernos, os maciços antigos e as bacias sedimentares.

Estrutura geológica da Terra (Foto: Reprodução/IBGE)


A estrutura geológica do Brasil compõe-se de maciços antigos e bacias sedimentares, não ocorrendo a existência de dobramentos modernos. O território brasileiro está distante de zonas de instabilidade tectônica – a mais próxima fica junto ao oceano Pacífico, nos países andinos – e localiza-se ao centro da placa sul-americana. 


Os maciços antigos (ou escudos cristalinos) são os terrenos mais antigos da crosta terrestre, sendo constituídos por rochas magmáticas e metamórficas. Nos maciços apareceram as jazidas minerais metálicos (ferro, ouro, manganês, prata, cobre, alumínio e estanho). No Brasil, representam 36% da superfície territorial. 


A epirogênese corresponde ao movimento vertical que ocorre em regiões afastadas das zonas de contato entre as placas e em áreas de rochas mais sólidas e estáveis. A pressão das forças internas provoca a fratura (ou a formação de falhas) nos blocos rochosos e o soerguimento ou rebaixamento do terreno na superfície.

Os principais tipos de falhas (Foto: Reprodução/ARRIBAS, San Miguel. Atlas de geologia.)

As bacias sedimentares resultam do acúmulo de sedimentos provenientes do desgaste das rochas, de organismos vegetais, animais ou de camadas de lava vulcânica solidificada. Podem conter grande quantidade de material fossilizado em suas camadas. Nessas estruturas se formam importantes recursos minerais energéticos como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral. A estrutura geológica brasileira é constituída predominantemente por bacias sedimentares, que recobrem 64% do território. 


Os dobramentos modernos são trechos da crosta de formação geológica recente composto de rochas menos rígidas, situadas relativamente próximas às zonas de contato entre placas (zonas convergentes). Devido à pressão de uma placa sobre a outra, essa parte da crosta dobra-se num processo lento (orogênese), dando origem às cadeias montanhosas como a Cordilheira do Andes, do Himalaia e a Cadeia dos Alpes, que apresentam elevadas altitudes e forte instabilidade tectônica. 

Estrutura geológica do Brasil (Foto: Reprodução/IBGE, Atlas do Brasil, 1966)



MINERAÇÃO E PETRÓLEO

O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de minérios (todo mineral com valor econômico). As principais reservas brasileiras localizam-se nos maciços antigos (escudos cristalinos) e, por essa razão, tem evidência a extração dos minérios metálicos. Nas bacias sedimentares são explorados, entre outros, o petróleo e o carvão mineral. Diversas empresas brasileiras se destacam nesses setores, como é o caso da Petrobrás e da antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). 


As jazidas minerais estão distribuídas nas diferentes regiões do Brasil. No entanto, em alguns estados a produção mineral se destaca:


- Pará e Minas Gerais: ferro, manganês, cobre e alumínio.
- Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Bahia: petróleo. 
- Estados da região Sul do Brasil: carvão mineral.
- Vários estados da Amazônia brasileira: ouro.

Distribuição da atividade petrolífera no Brasil (Foto: Reprodução/Colégio Qi)



CAIU NO ENEM

(Enem): As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por muitas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevalecendo as rochas metamórficas muito antigas (Pré-Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas antigas e resíduos de rochas sedimentares. São três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a das Guianas, a Sul-Amazônica e a do São Francisco.
ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998.


As regiões cratônicas das Guianas e a Sul-Amazônica têm como arcabouço geológico vastas extensões de escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram a ação de empresas nacionais e estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geológica por: 

A) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês).
B) corresponderem ao principal evento geológico do Cenozoico no território brasileiro.
C) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país.
D) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural.
E) serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura.


Comentário: Letra A. As regiões cratônicas das Guianas (no norte do território nacional) e a Sul-Amazônica destacam-se pela presença de ricas jazidas minerais, como o manganês explorado na Serra do Navio (AP) e o ferro na Serra dos Carajás (PA) dentre outras províncias mineralógicas exploradas na região.http://educacao.globo.com

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aspectos da geoeconomia Fluminense



Ronaldo Goulart Duarte
Sobre o autor: Ronaldo Goulart Duarte é mestre em Geografia pela UFRJ, professor assistente do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira - CAp-UERJ e Coordenador da Área de Ciências Humanas do Colégio Cruzeiro - Unidade Centro. Autor de livros didáticos e paradidáticos e professor-pesquisador do Grupo de Pesquisa em Educação Geográfica (GPEG) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Publicado em: 23/09/2008

A geografia do estado do Rio de Janeiro é tema freqüente dos exames vestibulares locais, seguindo uma lógica coerente de aplicação dos conhecimentos geográficos como instrumentos para compreensão de um recorte espacial que é próximo da vivência dos candidatos ao ensino superior. Essa prática, acrescente-se, é amplamente difundida nos exames de caráter similar das outras unidades da federação. Contudo, uma vez que os livros didáticos para o ensino médio são editados em escala nacional, os vestibulandos fluminenses dispõem de um número reduzido de fontes de estudo sistematizadas a respeito dessa temática tão relevante.

Este texto procura oferecer uma contribuição, ainda que breve, aos estudantes, focalizando a geoeconomia do Estado.

O Rio de Janeiro no contexto nacional

O estado do Rio de Janeiro, do ponto de vista da extensão territorial, não se destaca no conjunto do Brasil. Ao contrário, ele possui a quarta menor área entre as 27 unidades federativas brasileiras. Com 43.864,30 km2 (apenas 0,51% da superfície do país), ele só é maior do que Sergipe, Alagoas e Distrito Federal.

Por outro lado, trata-se de um estado bastante populoso: seu contingente de 15.420.375 habitantes é o terceiro maior do país. O resultado disso é que somente uma unidade federativa, o Distrito Federal, tem densidade demográfica superior à do Rio de Janeiro: cerca de 423,3 e de 352,9 habitantes por quilômetro quadrado, respectivamente.

Mas a relevância fluminense no cenário nacional é visível, sobretudo na economia. O estado possui o segundo maior PIB do país, o que corresponde a aproximadamente 11,5% do total nacional, superado apenas por São Paulo, com 33,9% (IBGE, 2005: http://www.ibge.gov.br/estadosat/).

O Rio de Janeiro e sua organização econômica

No mapa abaixo, é visível a divisão do estado do Rio de Janeiro em regiões de governo, cuja delimitação leva em conta, entre outros fatores, as características da organização econômica do espaço estadual (clique no mapa para ampliar). 
A organização interna do espaço estadual do Rio de Janeiro é extremamente desigual: apesar de reunir 92 municípios, a distribuição da população e a produção da riqueza estão fortemente concentradas na capital e em sua área metropolitana. Só a cidade do Rio de Janeiro abrigava cerca de 40% da população e 43% do PIB do estado em 2006, segundo o Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro - CIDE.

É bem verdade que essa desproporção já foi maior. De acordo com os dados do CIDE, em 1997, esse percentual era de 64,2%, revelando uma certa tendência à interiorização da riqueza, cujas causas mereceriam comentários que vão além dos limites deste artigo.

Um fato que deve ser destacado, no entanto, é que grande parte da diminuição relativa do PIB carioca teve uma correspondência no crescimento ocorrido em outros 16 municípios da região metropolitana. Essa área, juntamente com a capital, possui cerca de 75% da população e 65% do PIB estadual.

Mas é inegável que houve um avanço significativo do PIB extrametropolitano nos últimos dez anos. Dentre os cinco municípios com maior PIB no estado, estão Volta Redonda e Macaé, localizados em duas regiões cujos ritmos de crescimento econômico são os maiores responsáveis pela desconcentração espacial da economia fluminense, o Vale do Paraíba e o Norte Fluminense.

No Vale do Paraíba, o crescimento se deve ao avanço industrial da região, especialmente nos setores metalúrgico, mecânico e automobilístico. Já no Norte Fluminense, o dinamismo é o resultado da expansão das atividades de apoio à extração do petróleo nas áreas marinhas da bacia sedimentar de Campos.

A despeito disso, a maior parte dos grandes investimentos industriais recentes ou que estão em andamento no estado do Rio de Janeiro tem sua localização na região metropolitana. É o caso, por exemplo, da Siderúrgica do Atlântico (do grupo alemão Thyssen), da ampliação da siderúrgica COSIGUA (Grupo Gerdau), da nova fábrica da Michellin, todos na Zona Oeste carioca, do COMPERJ, complexo petroquímico da Petrobrás, em Itaboraí, do Pólo Gás-Químico, em Duque de Caxias, dentre outros. Só os dados econômicos dos próximos anos confirmarão ou não se há uma tendência de reconcentração metropolitana.

O Rio de Janeiro importa grande parte dos gêneros alimentícios que consome, e essa debilidade rural é uma das explicações para a relativa fragilidade da rede urbana estadual, quando comparada a de outros estados do Centro-Sul do país. Esse pouco desenvolvimento do setor agropecuário do estado também explica o dinamismo relativamente baixo do interior fluminense.

A atividade de maior relevância nessa região é a pecuária leiteira, voltada principalmente para o abastecimento do mercado da região metropolitana e contando com nível médio de modernização não muito elevado. Essa atividade é realizada, em boa parte, sobre os solos empobrecidos pelo cultivo do café no final do século XIX e início do XX.

Em relação ao setor agropecuário, merecem destaque o decadente cultivo da cana-de-açúcar no Norte Fluminense e a produção de hortigranjeiros na Região Serrana, esta última como parte do "Cinturão Verde" que abastece a área metropolitana.

Em contrapartida, o setor terciário é o grande destaque da economia fluminense, especialmente da sua capital, sendo responsável pela maior parte do PIB estadual. O turismo é uma atividade de grande importância, em particular para as regiões Metropolitana, das Baixadas Litorâneas, Serrana e da Costa Verde. Os setores financeiro, educacional, comercial, de transportes e comunicações completam o conjunto das atividades que constituem a espinha dorsal do terciário fluminense.

Considerações finais

Como vimos, o estado do Rio de Janeiro possui uma economia relevante nacionalmente e bastante diversificada, mas com uma histórica concentração na capital e em alguns municípios do seu entorno. Após um longo período de verdadeiro marasmo econômico, que durou cerca de trinta anos, uma série de fatores têm contribuído para melhorar as perspectivas de crescimento econômico do estado, atraindo importantes investimentos, inclusive os industriais, cuja decadência no estado era marcante.

Essa recente retomada do dinamismo econômico estadual, inseparável da melhoria do quadro econômico nacional, abre novas perspectivas de reorganização do território fluminense, cujos desdobramentos ainda não são totalmente nítidos. Eles dependerão, em grande medida, das políticas públicas e dos investimentos em infra-estrutura, que constituem uma das grandes carências do espaço econômico estadual. Eles são essenciais para incentivar o crescimento econômico e ampliar a difusão espacial e social de seus benefícios.
http://www.revista.vestibular.uerj.br

Fontes de Energia - Vestibular UERJ

1. UERJ-2012



A ampliação do uso de fontes de energia renováveis e não poluentes representa uma das principais esperanças para a redução dos impactos ambientais sobre o planeta.
Considerando os gráficos, a distribuição espacial da produção instalada das energias eólica e fotovoltaica é explicada sobretudo pela seguinte característica dos países que mais as utilizam:
(A) matriz elétrica limpa
(B) perfil climático favorável
(C) densidade demográfica reduzida
(D) desenvolvimento tecnológico avançado

Alternativa correta: (D)
Comentário da questão:
A energia solar e a energia eólica fazem parte do rol de fontes alternativas aos combustíveis fósseis, principalmente em virtude de duas características: elas são renováveis e não emitem gases poluentes durante o processo de geração. O fator que representa um limite para sua maior disseminação mundial é o alto custo tecnológico de seu desenvolvimento e utilização. Nos dois mapas, estão representados os países com produção mais relevante de energia elétrica a partir dessas duas fontes. Nota-se que a utilização de ambas é mais significativa em países ricos e com nível tecnológico avançado, e não necessariamente em países com as condições naturais mais favoráveis. No caso da energia solar fotovoltaica, os países com clima desértico seriam naturalmente mais favorecidos para geração a partir da incidência solar do que a Alemanha e o Japão, os dois países com maior capacidade instalada dessa fonte, em 2004. No caso da fonte eólica, o predomínio da Europa Ocidental e dos Estados Unidos não é explicado por nenhum fator natural que privilegie esses espaços. Uma exigência para a construção de parques eólicos, por exemplo, é a disponibilidade de espaço, atributo que não é abundante na Europa Ocidental, que é densamente povoada.

2. UERJ-2011


O uso de fontes renováveis de energia passou a ser encarado como fundamental para a superação das contradições ecológicas do modelo econômico atual.
As fontes renováveis que mais contribuem para o percentual verificado na matriz energética brasileira são:
(A) solar e eólica
(B) biomassa e solar
(C) eólica e hidráulica
(D) hidráulica e biomassa

Alternativa correta: (D)
Comentário da questão:
No mapa que representa o percentual de energias renováveis de cada país no total da energia primária disponível, observa-se que o Brasil possui uma proporção elevada de uso desse tipo de fonte, quando comparado à maioria dos países do mundo. A principal justificativa para essa situação privilegiada do ponto de vista econômico e ambiental está relacionada à relevância de duas fontes renováveis na matriz energética nacional. A primeira é o grande potencial hidráulico do país do qual boa parte já é aproveitada, sobretudo nas áreas com maior demanda por energia. Além dessa fonte, o Brasil encontra-se em posição de destaque quanto ao aproveitamento da biomassa para a geração de energia, notadamente em função do uso do etanol derivado da cana para a produção de combustível.

3. UERJ-2008


Adaptado de L' Atlas du Le Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006.

O uso da energia nuclear ainda é considerado uma opção polêmica. Pela análise do gráfico, pode-se identificar o período em que os investimentos nessa forma de gerar energia alcançaram o seu auge.
As duas conjunturas que explicam os altos investimentos nesse período são:
(A) política da Detente e crise ambiental
(B) integração européia e Guerra do Golfo
(C) crise do petróleo e corrida armamentista
(D) enfraquecimento da OPEP e Guerra Fria

Alternativa correta: (C)
Comentário da questão:
De acordo com o gráfico, o apogeu dos investimentos em energia nuclear corresponde ao período entre 1968 e 1985. A partir do reconhecimento desse recorte temporal e recorrendo aos necessários conhecimentos prévios acerca da economia e da geopolítica do período, é possível apontar as duas explicações para o fenômeno em questão:

Crise do petróleo: a acentuada elevação dos preços dessa fonte de energia na década de 1970 estimulou a busca por fontes alternativas, dentre as quais se destaca a nuclear, especialmente atraente para países com elevado desenvolvimento tecnológico e carentes de reservas de combustíveis fósseis.

Corrida armamentista: além do propósito de diversificação da matriz energética, os investimentos na energia nuclear também foram intensificados pelo interesse das grandes potências de produzir materiais físseis para fins militares. Essa estratégia era particularmente importante em um contexto geopolítico baseado na dissuasão do antagonista pelo estoque acumulado de ogivas nucleares.

4. UERJ-2013



A disputa pela redistribuição dos royalties do petróleo entre estados e municípios brasileiros se acirrou no final de 2012, em função de novas regras para o setor votadas no Congresso Nacional.
Essa disputa decorre diretamente da característica político-econômica do país indicada em:
(A) controle da União sobre a regulação do acesso às riquezas hidrominerais
(B) dependência de capitais estrangeiros no fornecimento de matérias-primas
(C) monopólio da legislação federal sobre os insumos para a indústria de base
(D) adequação dos padrões tecnológicos na preservação dos recursos ambientais

Alternativa correta: (A)
Comentário da questão:
Fundada em 1953, a Petrobras foi instituída como empresa estatal responsável pela extração do petróleo no território brasileiro. Naquela conjuntura, a nova empresa deveria atender às crescentes demandas pela ampliação da exploração de riqueza estratégica para o desenvolvimento industrial brasileiro. A criação da Petrobras inseriu-se em um conjunto de práticas econômicas, iniciadas na década de 1930, em que foi implementado o controle do governo federal sobre a extração e o uso dos recursos hidrominerais. Na atualidade, com a descoberta e a exploração das reservas do pré-sal, os royalties vultuosos advindos dessa fonte tornaram-se alvo de disputas entre governos estaduais e municipais, fato ainda relacionado à permanência do controle da União.

5. UERJ-2013





Nomeie a macrorregião brasileira com maior potencial eólico. Apresente, também, duas vantagens ambientais das usinas eólicas.
Comentário da questão:
A energia eólica ainda é pouco importante na matriz energética brasileira, mas sua relevância vem aumentando rapidamente nos últimos anos, e as projeções indicam uma grande ampliação de sua utilização em futuro bem próximo. A observação do mapa permite reconhecer que a região Nordeste é aquela na qual o potencial eólico é o mais elevado, em virtude da maior velocidade média dos ventos ao longo do ano verificada nessa macrorregião do país.
As principais vantagens ambientais dessa fonte de energia estão associadas ao fato de ela ser não poluente (ou seja, não emite efluentes gasosos nem líquidos para o entorno) e renovável, além de não demandar grandes áreas para instalação dos aerogeradores, podendo inclusive aproveitar áreas não produtivas e/ou não ocupadas, como cristas de elevações e corpos d’água de pouca profundidade.

6. UERJ-2009


Há 34 anos, os governos do Brasil e da Alemanha firmavam programa de cooperação que previa a construção de oito centrais termonucleares, além de usinas de enriquecimento de urânio e de reprocessamento do combustível nuclear.
Além das irregularidades apontadas na reportagem, o atual programa nuclear brasileiro tem como principal problema:
(A) risco de poluição ambiental
(B) inviabilidade da tecnologia adotada
(C) ausência de fontes de investimentos
(D) indisponibilidade de mão-de-obra qualificada

Alternativa correta: (A)
Comentário da questão:
Criado em 1975, pelo governo do presidente Ernesto Geisel, o programa nuclear brasileiro previa investimentos vultosos, por meio de parceria entre o Estado e empresas alemãs. Em princípio, o Brasil deveria se tornar referência em tecnologia nuclear na América Latina. Transformações políticas subsequentes, no entanto, frustraram sensivelmente essa pretensão. De acordo com a reportagem, o país hoje enfrenta sérios problemas de segurança nuclear, com destaque para os riscos de poluição ambiental, face ao contexto internacional de crescentes denúncias sobre acidentes e de expansão da defesa de fontes energéticas alternativas.

7. UERJ-2009


Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 1º de setembro

O Brasil está muito próximo de tirar do papel a retomada do programa nuclear. O governo debateu por anos se deveria ou não reiniciar as obras de Angra 3. Por fim, em junho do ano passado, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu autorizar a Eletronuclear a construir a terceira usina em Angra dos Reis.

Pelos planos que o governo vem anunciando recentemente, Angra 3 será apenas a primeira de uma série de novas usinas nucleares que deverão ser construídas no Brasil.

LEONARDO GOY
Adaptado de O Estado de São Paulo, 08/07/2008


A retomada do programa nuclear brasileiro traz à tona a polêmica que envolve essa forma de gerar energia não apenas no país, mas no mundo.

Aponte dois argumentos favoráveis e dois argumentos contrários à opção de ampliar a geração de energia elétrica em centrais termonucleares no Brasil.
Comentário da questão:
Após um longo período de ostracismo, nas décadas de 1980 e 1990, em virtude das pesadas críticas dos ambientalistas, a energia nuclear retornou ao centro dos debates acerca do futuro energético do planeta. Essa mudança ocorreu no contexto de uma reavaliação das características técnicas e ambientais dessa forma de gerar energia, o que acabou afetando as políticas públicas nacionais para o setor, conforme pode ser observado no fragmento do texto jornalístico. Diferentes posicionamentos, porém, continuam participando desses debates.

Argumentos favoráveis:
• O processo de geração não resulta na emissão de gases que contribuem para o aquecimento global.

• É possível construir as usinas em locais próximos aos centros consumidores, reduzindo custos com as linhas de transmissão e as perdas de energia.

• O Brasil tem a quinta maior reserva de urânio do mundo.

• O Brasil domina a tecnologia de enriquecimento do urânio, que é a etapa mais cara e sofisticada do processo.

Argumentos contrários:
• É uma forma cara de gerar energia, pois o custo do quilowatt é superior ao de outras fontes tradicionais.

• Há o problema ainda não resolvido, mesmo no restante do mundo, quanto à alocação dos resíduos radioativos, o chamado "lixo atômico".

• Há riscos ambientais de grande magnitude, ligados à possibilidade de um acidente que resulte em liberação de material radioativo para o meio ambiente.

8. UERJ-2011
Uma das mais promissoras formas de geração de energia é a solar, por ser limpa e renovável. Contudo, sua disponibilidade não é homogênea, já que alguns fatores naturais possibilitam maior produção desse tipo de energia em determinados lugares.
Analise abaixo o mapa solar do Chile, país com grande potencial de produção de eletricidade solar:




A região chilena com maior potencial para o aproveitamento da energia solar é a que possui o seguinte clima:
(A) equatorial
(B) desértico
(C) subtropical
(D) mediterrâneo

Alternativa correta: (B)
Comentário da questão:
A energia solar está presente em todo o planeta. Contudo, considerando que, quanto maior a radiação solar direta, maior a capacidade de geração desse tipo de energia, lugares com clima desértico, como o norte do Chile, são favorecidos para essa finalidade. Destaque-se que o deserto chileno se caracteriza não só pela quase ausência de nebulosidade, que aumenta a radiação solar incidente, mas também por sua localização numa zona intertropical, onde há grandes períodos de luminosidade durante todo o ano, tornando essa área muito favorecida para a geração de energia solar.
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Amazônia - Vestibular UERJ

1. UERJ-2013





O texto da reportagem faz referência a duas fases distintas da política territorial na Amazônia durante o regime militar.
Dois exemplos dessa política de ocupação, para o período 1964/1973 e para o período 1973/1985, respectivamente, foram as implantações de:

(A) polos de turismo e lazer – extensas redes ferroviárias inter-regionais
(B) centros comerciais fronteiriços – imensas áreas de monocultura de soja
(C) distritos industriais exportadores – numerosas áreas de produção de borracha
(D) assentamentos de agricultura familiar – grandes projetos de grupos empresariais


Alternativa correta: (D)

Comentário da questão: Durante o regime militar, foi implementada a mais ampla política estatal de incorporação socioeconômica do território amazônico ao espaço produtivo nacional. Essa política pode ser segmentada em dois momentos distintos, conforme aponta o texto da reportagem. No primeiro, a ênfase se deu na colonização, tendo como eixo a rodovia transamazônica, criada para levar “homens sem terra (do Nordeste) para uma terra sem homens”, segundo o discurso oficial. O foco dessa ação governamental estava pautado na implantação das agrovilas ao longo da famosa rodovia.
No segundo momento, a estratégia passou a ser a de “tornar a Amazônia uma fonte de divisas para o país”, ou seja, incorporá-la ao espaço de produção do capitalismo brasileiro, fosse com capitais nacionais ou estrangeiros. Para isso, o governo passou a gerenciar e a incentivar grandes projetos empresariais, relacionados principalmente à mineração (como o Projeto Carajás) e à pecuária (como o Projeto Cristalino da Volkswagwen).
2. UERJ-2012

No governo Vargas, foi criado o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia - S.E.M.T.A., uma medida direcionada para a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Com base no cartaz, as ações programadas por esse serviço tiveram como principal objetivo:

(A) ocupação militar relacionada à redefinição das fronteiras nacionais
(B) proteção dos trabalhadores rurais em resposta à depressão econômica
(C) estímulo à migração para exploração de recursos naturais estratégicos
(D) demarcação de reservas florestais associada à política de defesa ambiental


Alternativa correta: (C)


Comentário da questão:
A participação direta do governo norte-americano na Segunda Guerra Mundial deveu-se, sobretudo, ao expansionismo japonês sobre áreas fornecedoras de matérias-primas, como o látex e a borracha, em regiões do Pacífico. Com a crescente aproximação diplomática dos governos Vargas e Roosevelt, o Brasil decide apoiar os Aliados, em 1942. Uma série de medidas emergenciais foram tomadas, justificadas sob a lógica dos necessários esforços para a participação do Brasil na guerra. A criação do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia – S.E.M.T.A. foi uma dessas medidas, direcionada justamente para a extração da borracha na Amazônia. Como havia necessidade de mão de obra, houve estímulo à migração de trabalhadores nordestinos.

3. UERJ-2010



A comparação entre os textos acima indica uma mudança na gestão do espaço amazônico.
A concepção que movia o governo brasileiro em relação à Amazônia na década de 1970 e a que serve de base para as ações propostas pelo atual Ministério do Meio Ambiente estão respectivamente apresentadas em:

(A) território estratégico - preservação dos ambientes rurais
(B) região problema - desenvolvimento ecológico equilibrado
(C) espaço da vida selvagem - proteção integral do ambiente
(D) fronteira de recursos - crescimento econômico sustentável

Alternativa correta: (D)
Comentário da questão:
A relação sociedade-natureza é historicamente referenciada, sendo influenciada não só pelas concepções de natureza de cada época, como também pelas distintas formações sociais. No caso abordado, faz-se o contraponto entre a concepção de natureza como fonte de recursos inesgotáveis, que prevaleceu durante o Regime Militar brasileiro, expressa na publicidade, e a atual visão de natureza como fonte de recursos que devem ser utilizados de forma sustentável.

4. UERJ-2013



A extração de recursos naturais da Floresta Amazônica, como o látex, ainda hoje se insere em um contexto de problemas sociais, relacionados principalmente ao seguinte fator:

(A) escassez de mão de obra qualificada
(B) precariedade das condições de trabalho
(C) insuficiência dos sistemas de transporte
(D) insalubridade da infraestrutura habitacional

Alternativa correta: (B)

Comentário da questão:
A extração do látex na região amazônica foi, entre finais do século XIX e o momento atual, uma das principais atividades de exploração dos recursos naturais da floresta tropical. As formas de organização do trabalho, da produção e da comercialização do látex alteraram-se profundamente ao longo desse período, sendo, todavia, repetitivos os conflitos associados ao acesso à terra e à exploração da mão de obra. Como mencionado no texto, o assassinato do líder Chico Mendes, em 1988, tornou-se um marco trágico da permanência de condições precárias de trabalho dos seringueiros, caracterizadas pela negligência quanto aos direitos trabalhistas e aos baixos ganhos auferidos com esse extrativismo.

5. UERJ-2009


Lula defende biocombustíveis das críticas crescentes


BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a produção de biocombustíveis pelo Brasil rejeitando as críticas de que ela acelera o aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo e prejudica o meio ambiente.

As crescentes críticas são um desafio à diplomacia brasileira e ao auge das exportações agrícolas, que transformaram o Brasil no maior exportador mundial de etanol derivado da cana-de-açúcar.

Competidores e críticos tentaram relacionar várias das exportações agrícolas do país, da carne à soja, com a destruição do meio ambiente e com más condições de trabalho.

RAYMOND COLITT, em 16/04/2008
Adaptado de www.estadao.com.br

O debate a respeito do uso de biocombustíveis não envolve apenas questões ambientais, mas também diferentes interesses econômicos. Neste último caso, encontram-se países e empresas que lucram com a utilização em larga escala dos combustíveis fósseis e produtores de biocombustíveis. Nesse campo de lutas, o Brasil emerge como um potencial ator de primeira grandeza, posicionando-se no centro dessa polêmica.

Um alegado risco ambiental decorrente da maior produção de biocombustíveis no Brasil e uma vantagem territorial que fundamenta a defesa desta política de Estado, respectivamente, são:

(A) desertificação - abundância de recursos hídricos
(B) degradação dos solos - predomínio de solos férteis
(C) desmatamento - disponibilidade de terras não cultivadas
(D) disseminação de pragas - ocorrência de climas temperados

Alternativa correta: (C)

Comentário da questão:
A possibilidade de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética mundial abriu um debate que envolve argumentos ambientais, técnicos e econômicos. Nesse quadro, o Brasil se destaca como um dos países com maior potencial para produzir biocombustíveis em larga escala e de forma eficiente, tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental. Apesar disso, uma das críticas apontadas pelos ambientalistas diz respeito à possibilidade de ampliação do desmatamento, sobretudo na Amazônia, agravando o ritmo já preocupante desse problema na região. Por outro lado, o governo brasileiro argumenta que o país é um caso único de nação com ampla extensão de terras ainda não cultivadas em terras já desmatadas e subutilizadas, seja porque estão ociosas, seja porque estão dedicadas a atividades de baixa produtividade, como a pecuária extensiva.

6. UERJ-2012

O potencial de produção de energia hidrelétrica está relacionado a um grupo de fatores naturais que interferem na construção de barragens em bacias hidrográficas.
Observe no mapa abaixo a localização das dez principais bacias hidrográficas brasileiras:




Considerando as características socioambientais da Bacia I, cite duas consequências negativas ocasionadas pela construção de hidrelétricas nessa área.
Indique, ainda, dois fatores que favorecem a geração de energia elétrica nas usinas instaladas na Bacia V.

Comentário da questão:
O investimento na produção de energia hidrelétrica está relacionado a um conjunto de argumentos favoráveis à sua implantação, tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental. Ao mesmo tempo, dependendo das características socioambientais de cada bacia hidrográfica, várias críticas podem ser feitas a essa forma de gerar energia, como se verifica atualmente no debate acerca da Usina de Belo Monte.
No caso da Bacia Amazônica, por exemplo, identificada no mapa como Bacia I, a instalação de barragens para a operação desse tipo de usina resulta em consequências socioambientais negativas, como a inundação de sítios arqueológicos, o deslocamento de cidades e povoados, a salinização da água dos reservatórios, a formação de lagos artificiais de grande extensão, além da perda de grande biodiversidade da hileia amazônica, de territórios reservados aos grupos indígenas e de grandes áreas de solos agricultáveis, sobretudo os de várzea. Já a Bacia do Paraná, identificada no mapa como Bacia V, apresenta fatores favoráveis à hidreletricidade, tais como o relevo de planalto, os rios com grande volume de água, o clima tropical predominantemente úmido e a proximidade com as áreas de grande demanda por energia.

7. UERJ-2009



PIB da Amazônia Legal

cresce mais que o do país

O agronegócio avança e é apontado por ambientalistas como a principal causa da devastação na Amazônia. Setores do governo e representantes de produtores rurais descartam a hipótese de recuo do agronegócio na Amazônia Legal e afirmam que a tendência será aumentar a produção em áreas de florestas já abertas.
Adaptado de Zero Hora, 16/06/2008
Folha de São Paulo, 01/06/2008
Diferentes critérios e objetivos podem orientar a divisão do espaço geográfico em regiões. Na Amazônia, uma variedade de parâmetros tem sido empregada para essa divisão, o que pode gerar dúvidas quanto ao recorte territorial de suas regionalizações.

Diferencie o recorte territorial da Região Norte do recorte da Amazônia Legal. Em seguida, aponte os dois principais produtos do agronegócio cuja expansão da produção representa um sério risco para o desmatamento na Amazônia.

Comentário da questão:
A região Norte, uma das cinco macrorregiões do Brasil delimitadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Já a Amazônia Legal, cuja delimitação foi resultado das políticas territoriais do regime militar para a Amazônia, abrange, além da região Norte, parte dos estados do Mato Grosso e do Maranhão.Os níveis elevados de desmatamento na Amazônia são associados ao avanço do agronegócio, centrado na produção de carne bovina e de soja.

8. UERJ-2013



Nas últimas décadas, o avanço do cultivo da soja no Brasil, além de incorporar novas áreas, causou diversas modificações nos ecossistemas do país.
Identifique dois biomas brasileiros que sofreram expressiva degradação em função da recente expansão da soja no território nacional.
Aponte, também, dois fatores que explicam o elevado crescimento de sua produção na região central do Brasil.

Comentário da questão:
O recente avanço da cultura da soja sobre grandes porções do território brasileiro gerou um conjunto de impactos do ponto de vista ambiental, como, por exemplo, o desmatamento de significativas extensões de vegetação natural. Entre os biomas mais atingidos pela substituição de suas espécies por esse cultivo estão os campos limpos, no sul do país; o cerrado, na parte central; e a Amazônia, ao norte do território.
Entre os fatores que contribuem para a expansão da soja na região central do país estão o baixo valor da terra; o estabelecimento e o desenvolvimento das agroindústrias nessa área; as melhorias efetuadas no sistema de transporte regional; o relevo plano, com pequenas inclinações, que favorece substancialmente a mecanização; o desenvolvimento tecnológico para a produção de soja, executado por empresas de pesquisa agrícola, como a Embrapa; a concessão de incentivos fiscais pelos governos federal e estadual para a abertura de novas áreas de produção, a aquisição de máquinas e a construção de silos e armazéns.

9. UERJ-2011
As florestas contribuem com a fixação de parte do carbono atmosférico do planeta, amenizando o processo do aquecimento global. As queimadas realizadas nessas formações vegetais, contudo, possuem o efeito inverso, agravando esse processo.




Identifique os dois tipos de formações florestais com maior potencial para amenizar o aquecimento global. Em seguida, aponte uma característica das espécies arbóreas encontradas em cada uma dessas duas formações.

Comentário da questão:
A análise comparativa dos diâmetros dos círculos que representam a quantidade de carbono armazenado pela biomassa das florestas do mundo permite identificar a América do Sul, a Europa Oriental e a Rússia como os espaços nos quais estão localizadas as formações florestais com maior potencial para amenizar o aquecimento global.
No caso da América do Sul, a única formação compatível com esse indicador é a floresta equatorial amazônica, uma floresta densa e úmida, com vários andares, sem vegetação rasteira, e que apresenta grande diversidade de espécies. Suas árvores possuem folhas perenes e latifoliadas.
Na região da Europa Oriental e da Rússia, a única formação florestal suficientemente extensa e preservada para abrigar essa biomassa é a floresta boreal ou de coníferas, também chamada de taiga. Trata-se de uma floresta aberta, adaptada a longos períodos frios e secos. Suas árvores possuem folhas perenes e aciculifoliadas. Nela, há pequena diversidade de espécies e presença de vegetação rasteira entre as árvores.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Questão da Terra, Solo e Agropecuária no ENEM - parte 1

1. Uma empresa norte-americana de bioenergia está expandindo suas operações para o Brasil para explorar o mercado de pinhão manso. Com sede na Califórnia, a empresa desenvolveu sementes híbridas de pinhão manso, oleaginosa utilizada hoje na produção de biodiesel e de querosene de aviação.
MAGOSSI, E. O Estado de São Paulo. 19 maio 2011 (adaptado).
A partir do texto, a melhoria agronômica das sementes de pinhão manso abre para o Brasil a oportunidade econômica de

A) ampliar as regiões produtoras pela adaptação do cultivo a diferentes condições climáticas.

B) beneficiar os pequenos produtores camponeses de óleo pela venda direta ao varejo.
C) abandonar a energia automotiva derivada do petróleo em favor de fontes alternativas.
D) baratear cultivos alimentares substituídos pelas culturas energéticas de valor econômico superior.
E) reduzir o impacto ambiental pela não emissão de gases do efeito estufa para a atmosfera.
2. Um dos principais objetivos de se dar continuidade às pesquisas em erosão dos solos é o de procurar resolver os problemas oriundos desse processo, que, em última análise, geram uma série de impactos ambientais. Além disso, para a adoção de técnicas de conservação dos solos, é preciso conhecer como a água executa seu trabalho de remoção, transporte e deposição de sedimentos. A erosão causa, quase sempre, uma série de problemas ambientais, em nível local ou até mesmo em grandes áreas.
GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 (adaptado).
A preservação do solo, principalmente em áreas de encostas, pode ser uma solução para evitar catástrofes em função da intensidade de fluxo hídrico. A prática humana que segue no caminho contrário a essa solução é
A) a aração.
B) o terraceamento.
C) o pousio.
D) a drenagem.

E) o desmatamento.
3. O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando.Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras.
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996.
Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de

No Estado de São Paulo, a mecanização da colheita da cana-de-açúcar tem sido induzida também pela legislação ambiental, que proíbe a realização de queimadas em áreas próximas aos centros urbanos. Na região de Ribeirão Preto, principal polo sucroalcooleiro do país, a mecanização da colheita já é realizada em 516 mil dos 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar.
BALSADI, O. et al. Transformações Tecnológicas e a força de trabalho na agricultura brasileira no período de 1990-2000. Revista de economia agrícola. V. 49 (1), 2002.
O texto aborda duas questões, uma ambiental e outra socioeconômica, que integram o processo de modernização da produção canavieira. Em torno da associação entre elas, uma mudança decorrente desse processo é a
A) perda de nutrientes do solo devido à utilização constante de máquinas.

B) eficiência e racionalidade no plantio com maior produtividade na colheita.

C) ampliação da oferta de empregos nesse tipo de ambiente produtivo.
D) menor compactação do solo pelo uso de maquinário agrícola de porte.
E) poluição do ar pelo consumo de combustíveis fósseis pelas máquinas.) o lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.

4. O Centro-Oeste apresentou-se como extremamente receptivo aos novos fenômenos da urbanização, já que era praticamente virgem, não possuindo infraestrutura de monta, nem outros investimentos fixos vindos do passado. Pôde, assim, receber uma infraestrutura nova, totalmente a serviço de uma economia moderna.
SANTOS, M. A Urbanização Brasileira. São Paulo: EdUSP, 2005 (adaptado).
O texto trata da ocupação de uma parcela do território brasileiro. O processo econômico diretamente associado a essa ocupação foi o avanço da
A) industrialização voltada para o setor de base.
B) economia da borracha no sul da Amazônia.

C) fronteira agropecuária que degradou parte do cerrado.

D) exploração mineral na Chapada dos Guimarães.
E) extrativismo na região pantaneira.
5. A Floresta Amazônica, com toda a sua imensidão, não vai estar aí para sempre. Foi preciso alcançar toda essa taxa de desmatamento de quase 20 mil quilômetros quadrados ao ano, na última década do século XX, para que uma pequena parcela de brasileiros se desse conta de que o maior patrimônio natural do país está sendo torrado.
AB’SABER, A. Amazônia: do discurso à práxis. São Paulo: EdUSP, 1996. 
Um processo econômico que tem contribuído na atualidade para acelerar o problema ambiental descrito é:
A) Expansão do Projeto Grande Carajás, com incentivos à chegada de novas empresas mineradoras.

B) Difusão do cultivo da soja com a implantação de monoculturas mecanizadas.

C) Construção da rodovia Transamazônica, com o objetivo de interligar a região Norte ao restante do país.
D) Criação de áreas extrativistas do látex das seringueiras para os chamados povos da floresta.
E) Ampliação do polo industrial da Zona Franca de Manaus, visando atrair empresas nacionais e estrangeiras.
6. Antes, eram apenas as grandes cidades que se apresentavam como o império de técnica, objeto de modificações, suspensões, acréscimos, cada vez mais sofisticadas e carregadas de artifício. Esse mundo artificial inclui, hoje, o mundo rural.
SANTOS, M. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec, 1996.
Considerando a transformação mencionada no texto, uma consequência socioespacial que caracteriza o atual mundo rural brasileiro é
A) a redução do processo de concentração de terras.

B) o aumento do aproveitamento de solos menos férteis.

C) a ampliação do isolamento do espaço rural.
D) a estagnação da fronteira agrícola do pais.
E) a diminuição do nível de emprego formal.
7. A maioria das pessoas daqui era do campo. Vila Maria é hoje exportadora de trabalhadores. Empresários de Primavera do Leste, Estado de Mato Grosso, procuram o bairro de Vila Maria para conseguir mão de obra. É gente indo distante daqui 300, 400 quilômetros para ir trabalhar, para ganhar sete conto por dia. (Carlito, 43 anos, maranhense, entrevistado em 22/03/98).
Ribeiro, H. S. O migrante e a cidade: dilemas e conflitos. Araraquara: Wunderlich, 2001 (adaptado).
O texto retrata um fenômeno vivenciado pela agricultura brasileira nas últimas décadas do século XX, consequência

A) dos impactos sociais da modernização da agricultura.

B) da recomposição dos salários do trabalhador rural.
C) da exigência de qualificação do trabalhador rural.
D) da diminuição da importância da agricultura.
E) dos processos de desvalorização de áreas rurais.
8. Figura para as duas próximas questões.


TEIXEIRA. W. et al. (Orgs). Decifrando a Terra. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
O esquema representa um processo de erosão em encosta. Que prática realizada por um agricultor pode resultar em aceleração desse processo?
A) Plantio direto.
B) Associação de culturas.
C) Implantação de curvas de nível.

D) Aração do solo, do topo ao vale.

E) Terraceamento na propriedade.
9. Coube aos Xavante e aos Timbira, povos indígenas do Cerrado, um recente e marcante gesto simbólico: a realização de sua tradicional corrida de toras (de buriti) em plena Avenida Paulista (SP), para denunciar o cerco de suas terras e a degradação de seus entornos pelo avanço do agronegócio.

RICARDO, B.; RICARDO, F. Povos Indígenas do Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006 (adaptado).

A questão indígena contemporânea no Brasil evidencia a relação dos usos socioculturais da terra com os atuais problemas socioambientais, caracterizados pelas tensões entre


A) a expansão territorial do agronegócio, em especial nas regiões Centro-Oeste e Norte, e as leis de proteção indígena e ambiental.

B) os grileiros articuladores do agronegócio e os povos indígenas pouco organizados no Cerrado.
C) as leis mais brandas sobre o uso tradicional do meio ambiente e as severas leis sobre o uso capitalista do meio ambiente.
D) os povos indígenas do Cerrado e os polos econômicos representados pelas elites industriais paulistas.
E) o campo e a cidade no Cerrado, que faz com que as terras indígenas dali sejam alvo de invasões urbanas.
10. Até o século XVII, as paisagens rurais eram marcadas por atividades rudimentares e de baixa produtividade. A partir da Revolução Industrial, porém, sobretudo com o advento da revolução tecnológica, houve um desenvolvimento contínuo do setor agropecuário. São, portanto, observadas consequências econômicas, sociais e ambientais inter-relacionadas no período posterior à Revolução Industrial, as quais incluem
a) a erradicação da fome no mundo.
b) o aumento das áreas rurais e a diminuição das áreas urbanas.

c) C a maior demanda por recursos naturais, entre os quais os recursos energéticos.

d) a menor necessidade de utilização de adubos e corretivos na agricultura.
e) o contínuo aumento da oferta de emprego no setor primário da economia, em face da mecanização.
11. O suíço Thomas Davatz chegou a São Paulo em 1855 para trabalhar como colono na fazenda de café Ibicaba, em Campinas. A perspectiva de prosperidade que o atraiu para o Brasil deu lugar a insatisfação e revolta, que
ele registrou em livro. Sobre o percurso entre o porto de Santos e o planalto paulista, escreveu Davatz: “As
estradas do Brasil, salvo em alguns trechos, são péssimas. Em quase toda parte, falta qualquer espécie de
calçamento ou mesmo de saibro. Constam apenas de terra simples, sem nenhum benefício. É fácil prever que nessas estradas não se encontram estalagens e hospedarias como as da Europa. Nas cidades maiores, o viajante pode naturalmente encontrar aposento sofrível; nunca, porém, qualquer coisa de comparável à comodidade que proporciona na Europa qualquer estalagem rural. Tais cidades são, porém, muito poucas na distância que vai de Santos a Ibicaba e que se percorre em cinquenta horas no mínimo”.
Em 1867 foi inaugurada a ferrovia ligando Santos a Jundiaí, o que abreviou o tempo de viagem entre o litoral e o planalto para menos de um dia. Nos anos seguintes, foram construídos outros ramais ferroviários que articularam o interior cafeeiro ao porto de exportação, Santos.
DAVATZ, T. Memórias de um colono no Brasil. São Paulo: Livraria Martins, 1941 (adaptado).
O impacto das ferrovias na promoção de projetos de colonização com base em imigrantes europeus foi importante, porque 
a) o percurso dos imigrantes até o interior, antes das ferrovias, era feito a pé ou em muares; no entanto, o tempo de viagem era aceitável, uma vez que o café era plantado nas proximidades da capital, São Paulo. 

b) a expansão da malha ferroviária pelo interior de São Paulo permitiu que mão-de-obra estrangeira fosse contratada para trabalhar em cafezais de regiões cada vez mais distantes do porto de Santos.

c) o escoamento da produção de café se viu beneficiado pelos aportes de capital, principalmente de colonos italianos, que desejavam melhorar sua situação econômica.
d) os fazendeiros puderam prescindir da mão-de-obra europeia e contrataram trabalhadores brasileiros provenientes de outras regiões para trabalhar em suas plantações.
e) as notícias de terras acessíveis atraíram para São Paulo grande quantidade de imigrantes, que adquiriram vastas propriedades produtivas.
12. Apesar do aumento da produção no campo e da integração entre a indústria e a agricultura, parte da população da América do Sul ainda sofre com a subalimentação, o que gera conflitos pela posse de terra que podem ser verificados em várias áreas e que frequentemente chegam a provocar mortes. Um dos fatores que explica a subalimentação na América do Sul é
a) a baixa inserção de sua agricultura no comércio mundial.
b) a quantidade insuficiente de mão-de-obra para o trabalho agrícola.

c) a presença de estruturas agrárias arcaicas formadas por latifúndios improdutivos.

d) a situação conflituosa vivida no campo, que impede o crescimento da produção agrícola.
e) os sistemas de cultivo mecanizado voltados para o abastecimento do mercado interno.
13. A luta pela terra no Brasil é marcada por diversos aspectos que chamam a atenção. Entre os aspectos positivos, destaca-se a perseverança dos movimentos do campesinato e, entre os aspectos negativos, a violência que manchou de sangue essa história. Os movimentos pela reforma agrária articularam-se por todo o território nacional, principalmente entre 1985 e 1996, e conseguiram de maneira expressiva a inserção desse tema nas discussões pelo acesso à terra. O mapa seguinte apresenta a distribuição dos conflitos agrários em todas as regiões do Brasil nesse período, e o número de mortes ocorridas nessas lutas.

OLIVEIRA, A. U. A longa marcha do campesinato brasileiro: movimentos sociais, conflitos e reforma agrária. Revista Estudos Avançados. Vol. 15 n. 43, São Paulo, set./dez. 2001.
Com base nas informações do mapa acerca dos conflitos pela posse de terra no Brasil, a região
a) conhecida historicamente como das Missões Jesuíticas é a de maior violência.

b) do Bico do Papagaio apresenta os números mais expressivos.

c) conhecida como oeste baiano tem o maior número de mortes.
d) do norte do Mato Grosso, área de expansão da agricultura mecanizada, é a mais violenta do país.
e) da Zona da Mata mineira teve o maior registro de mortes.
14. O gráfico mostra o percentual de áreas ocupadas, segundo o tipo de propriedade rural no Brasil, no ano de 2006.
Área ocupada pelos imóveis rurais



MDA/INCRA (DIEESE, 2006)

Disponível em: http://www.sober.org.br. Acesso em: 6 ago. 2009.
De acordo com o gráfico e com referência à distribuição das áreas rurais no Brasil, conclui-se que

a) imóveis improdutivos são predominantes em relação às demais formas de ocupação da terra no âmbito nacional e na maioria das regiões.

b) o índice de 63,8% de imóveis improdutivos demonstra que grande parte do solo brasileiro é de baixa fertilidade, impróprio para a atividade agrícola.
c) o percentual de imóveis improdutivos iguala-se ao de imóveis produtivos somados aos minifúndios, o que justifica a existência de conflitos por terra.
d) a região Norte apresenta o segundo menor percentual de imóveis produtivos, possivelmente em razão da presença de densa cobertura florestal, protegida por legislação ambiental.
e) a região Centro-Oeste apresenta o menor percentual de área ocupada por minifúndios, o que inviabiliza políticas de reforma agrária nesta região.
15. Entre 2004 e 2008, pelo menos 8 mil brasileiros foram libertados de fazendas onde trabalhavam como se fossem escravos. O governo criou uma lista em que ficaram expostos os nomes dos fazendeiros flagrados pela fiscalização. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, regiões que mais sofrem com a fraqueza do poder público, o bloqueio dos canais de financiamento agrícola para tais fazendeiros tem sido a principal arma de combate a esse problema, mas os governos ainda sofrem com a falta de informações, provocada pelas distâncias e pelo poder intimidador dos proprietários. Organizações não governamentais e grupos como a Pastoral da Terra têm agido corajosamente acionando as autoridades públicas e ministrando aulas sobre direitos sociais e trabalhistas.
“Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo”. Disponível em: http://www.mte.gov.br. Acesso em: 17 mar. 2009 (adaptado).
Nos lugares mencionados no texto, o papel dos grupos de defesa dos direitos humanos tem sido fundamental, porque eles
a) negociam com os fazendeiros o reajuste dos honorários e a redução da carga horária de trabalho.
b) defendem os direitos dos consumidores junto aos armazéns e mercados das fazendas e carvoarias.
c) substituem as autoridades policiais e jurídicas na resolução dos conflitos entre patrões e empregados.

d) encaminham denúncias ao Ministério Público e promovem ações de conscientização dos trabalhadores.

e) fortalecem a administração pública ao ministrarem aulas aos seus servidores.

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