O legado de Kim Jong-Il: fome, repressão e temor nuclear
Funeral de ditador reuniu milhares de coreanos sob intensa neve











Se a Polônia é uma terra de sobreviventes, a cidade portuária de Gdansk é uma boa porta de entrada. A poucos minutos de caminhada da estação de trens há uma praça dedicada ao movimento Solidariedade e aos trabalhadores que morreram em confrontos com a polícia, nos anos 1970. Ali perto, a exposição Estradas para a Liberdade mostra em detalhes o que livros de História não contam.
No centro histórico, a gigantesca Kościół Mariacki (Igreja de Nossa Senhora) resistiu graças às reconstruções do pós-guerra. O relógio astronômico, restaurado, indica hora, mês, ano, fase da lua, signos do zodíaco e o santo do dia, como em 1470. No museu, pinturas e esculturas dividem espaço com fotos devastadoras da Segunda Guerra, retratos fiéis das cinzas das quais o país se reergueu.
Começar uma visita por Gdansk não é comum. É em cidades maiores e mais conhecidas – como a capital Varsóvia e a importante Cracóvia – que as coisas acontecem. Mas há voos lotados e filas de espera que vêm para o bem. Foi assim que cheguei a Gdansk e, de lá, embarquei num trem para Torun, cidade de Nicolau Copérnico. Ali a presença do Rio Vístula – que corta todo o país – é discreta.
O museu Kopernika, a poucos metros da margem, foi a casa onde, em 1473, nasceu o astrônomo, autor da teoria heliocêntrica, segundo a qual a Terra girava em torno do Sol, só publicada após sua morte, em 1543.
Desde tempos medievais, a pequena Torun é também famosa pelos biscoitos de gengibre. No centro antigo, a enorme edificação da prefeitura domina a praça com seus tijolos vermelhos, estátua de Copérnico à frente. De Torun segui para Poznan, uma das cidades mais antigas e coloridas da Polônia, onde todos os dias visitantes reúnem-se em frente ao museu para ver os bodes de lata colidindo a cabeça 12 vezes para anunciar o meio-dia.
Diz a lenda que no dia da inauguração do relógio da torre o cozinheiro deixou queimar a carne do banquete. Então roubou bodes nas vizinhanças para assar, mas eles escaparam e começaram a bater a cabeça na praça. Acabaram por se tornar o centro da festa daquele dia de 1551, virando monumento junto com o relógio.
Poznan é exemplo incrível de reconstrução da cultura polonesa. Seu centro histórico recebeu extrema atenção dos restauradores. Prédios medievais bem-preservados abrigam cafés, bares e restaurantes. Apesar de crescer a popularidade da cerveja, a vodca – pura, como manda o costume, ou com suco de frutas – ainda é preferência nacional.
A base da maioria dos pratos tradicionais é carne vermelha frita ou assada, com muito molho. Entre os favoritos: flackzi (tipo de buchada com vegetais e pimenta), golabki (folhas de repolho enroladas com carne moída) e golonka (pernil de porco com raiz-forte).
Com o ingresso da Polônia na União Europeia, em 2004, o turismo aumentou e ajudou a economia. Mas não o bastante. Atrás de melhores salários, mais de 600 mil polacos haviam deixado o país em direção ao Reino Unido. A ponto de faltar mão-de-obra para as indústrias que começaram a se instalar ali em busca de custos mais baixos de produção.
O governo polonês chegou a fazer campanha nos países britânicos para convencer seus emigrados sobre os novos empregos que estariam sendo gerados. Mas em bares, hotéis ou na construção civil da Inglaterra, Irlanda ou Escócia os poloneses ganhavam cinco vezes mais do que em sua terra.
A volta para casa começou a se intensificar neste ano, devido ao desemprego nos países ricos. Estima-se que mais da metade dos que haviam mudado para o Reino Unido tenha retornado. Mas não sem antes deixar como herança um pouco da sua cultura. Há vestígios dela no revigoramento do catolicismo, em itens incorporados às prateleiras dos supermercados e na súbita admiração pela energia perseverante, típica dos sobreviventes.
País sobrevivente
Em 1795, a Polônia foi tomada pelos vizinhos Prússia, Áustria e Rússia. Apesar da resistência de seu povo, armado de foices contra os exércitos, foi dividida entre os invasores. A independência viria em 1918, depois da Primeira Guerra, por pouco tempo. Em 1939, o país foi invadido pelas tropas de Hitler. Quase um quinto de sua população foi dizimado durante a Segunda Guerra.
Até então, a Polônia tinha a maior comunidade judaica da Europa. Após a Guerra, o país passou a compor o bloco liderado pela ex-União Soviética. E seria o primeiro a colocá-lo na berlinda, em 1970, quando a repressão do governo a um protesto de trabalhadores contra a carestia deixou 44 mortos e mais de mil feridos em Gdansk.
O ano novo seguinte começou com uma greve que se espalhou por toda a região norte do país. A pressão foi tanta que os preços baixaram, o Partido Comunista trocou de comando e abriu diálogo com os trabalhadores.
A rejeição dos poloneses ao modelo totalitário stalinista acabaria sendo um dos pontos de partida para a derrocada do regime. Os polacos sempre foram fiéis às suas tradições e aos ideais de liberdade. Hoje o catolicismo é a religião de 90% da população. A Igreja preservou sua forte influência por ter se alinhado à identidade cultural do país.
Não foi à toa que, em 1978, o Vaticano nomeou Karol Wojtyla seu primeiro papa não-italiano em 450 anos. A visita de João Paulo II a sua terra natal no ano seguinte mexeu com a autoestima nacional e serviu de estopim à mobilização que colocaria Gdansk, o eletricista Lech Walesa e o sindicato Solidariedade na mídia mundial.
O inédito movimento não comunista rompeu as fronteiras e as estruturas do regime. Com a queda do Muro de Berlim e o enfraquecimento do comunismo, em 1990 os poloneses foram às urnas pela primeira vez para eleger Walesa. Mas seus cinco anos de governo foram decepcionantes e o Solidariedade perdeu expressão.
Revista Brasil
Todos os meios de comunicação em Cuba são controlados pelo Partido Comunista Apesar das promessas iniciais da Revolução, os seus críticos e opositores asseguram que o processo político que começou há 50 anos tem as suas principais carências nas áreas dos direitos civis e políticos da cidadania, na falta de liberdade de organização política, económica, de expressão e de imprensa.
A grande maioria da sociedade civil agrupa-se em organizações controladas pelo governo, que são dirigidas por líderes do Partido Comunista, como os Comités de Defesa da Revolução, a Federação das Mulheres ou a Central dos Trabalhadores de Cuba.
Se é verdade que em Cuba alguns grupos religiosos e os mações gozam de estatuto legal, a posição oficial pode ser tão radical ao ponto do clube de motos Harley Davidson não conseguiu das autoridades o seu reconhecimento legal.
A oposição política é ilegal. Os grupos dissidentes são tolerados mas carecem de protecção jurídica. Qualquer tipo de actividade pública pode ser reprimida e os que insistam em desalinhar podem acabar na cadeia.
Mesmo os comunistas críticos, que procuram mudanças dentro do sistema, não têm espaço para o debate e são oficialmente acusados de promover a divisão e de dar munições aos inimigos da Revolução.
O escritor Lisandro Otero sugeriu há vários anos num artigo que, em Cuba, tudo o que não é obrigatório está proibido. Pode parecer exagerado, mas a verdade é que, para a população, tampouco há muito espaço para debate.
Controlo dos média
Os meios de comunicação são controlados pelo Partido Comunista, que dita a linha editorial de cada jornal, revista, emissora de rádio ou canal de televisão. Por essa razão, as vozes discordantes não são bem-vindas.
A principal tarefa de um jornalista cubano é defender a Revolução"
Juan Marrero, o vice-presidente da União de Jornalistas de Cuba, disse à BBC que a principal tarefa de um jornalista cubano é defender a Revolução e reconheceu que "há temas intocáveis porque podem beneficiar o inimigo".
A imprensa nacional só aborda temas como a prostituição, a delinquência, o racismo, os salários ou a corrupção depois de Fidel ou Raúl Castro terem falado deles publicamente, estabelecendo o que muitos chamam de "linha oficial".
Por essa razão, oficialmente, durante muitos anos as prostitutas não existiram para os jornalistas cubanos. Não se mencionou a corrupção até que Fidel Castro disse que esta "constituía um perigo para a Revolução". E começou-se a falar da existência de drogas quando Fidel Castro as denunciou num discurso.
Da mesma forma, os jornalistas cubanos sempre defenderam que os salários mensais equivalentes a US$15 eram suficientes para viver, até que a 26 de Julho de 2007 Raúl Castro desmentiu esse ponto de vista.
Na área económica a Revolução cubana também não conseguiu muitos êxitos. Meio século depois, é agora oficialmente reconhecida a existência de corrupção, são feitas referências ao facto de os salários serem insuficientes para se viver e as possibilidades de consumo do cidadão são mínimas.
Para além disso, o governo cubano limita a liberdade económica dos cidadãos, impedindo o desenvolvimento do trabalho por conta própria - uma actividade que necessita de uma autorização oficial das autoridades, que não é concedida há mais de uma década.
Erros económicos
Os cubanos querem mais empregos e melhores salários
Não se pode esquecer que os EUA impuseram um embargo em 1962 que custou a Cuba, segundo dados oficiais, quase US$100 mil milhões e afectou todas as áreas económicas, incluindo o turismo, a produção de açúcar e de tabaco e até mesmo a extracção de níquel.
Contudo, os críticos referem que o governo cubano também cometeu erros económicos, como por exemplo quando arrasou todas as árvores de fruta na capital nos anos 60, quando paralisou o país em 1970 para efectuar uma safra de cana-de-açúcar ou quando transferiu a agricultura para fazendas estatais, que se mostraram improdutivas, como o reconhece o próprio Gabinete Nacional de Estatísticas.
Nos anos 80 Cuba deixou de pagar aos seus credores ocidentais e acabou por passar a comprar a países socialistas quase 100% dos seus produtos importados. É que, graças ao então Conselho de Ajuda Mútua Económica, CAME, tinha acesso a créditos e podia trocar vantajosamente os seus produtos exportáveis.
No século XIX, o pai da independência cubana, José Marti, advertiu para a necessidade de se equilibrar o comércio para se assegurar a liberdade. "O povo que quer morrer vende a um único povo, e o que quer salvar-se vende a mais do que um povo. O influxo excessivo de comércio de um país para outro converte-se em influxo político."
José Marti foi um visionário. Cuba não só copiou o modelo político e económico da União Soviética como acabou por ter a maior crise de toda a sua história quando o bloco soviético desapareceu - uma crise que se arrasta aos nossos dias.
Ainda assim, os cubanos têm esperança num futuro melhor
Educação e saúde pública - cartões postais da Revolução cubana
Os êxitos da Revolução cubana podem ser encontrados na área social, onde a pequena ilha caribenha supera os restantes países latino-americanos e mesmo muitas das nações mais ricas e mais industrializadas.
Muitos coincidem em qualificar o desenvolvimento de uma poderosa rede nacional de assistência social como a maior vitória dos cubanos; essa rede de assistência social serviu para impedir que os 20% dos cubanos mais pobres caísse na miséria extrema.
O estado encarrega-se dessas famílias, entregando-lhes dinheiro extra, cestas alimentares, vestuário e também mobiliário. No caso de deficientes físicos ou mentais, as autoridades cubanas chegam mesmo a pagar um salário para que essas pessoas recebam os cuidados necessários.
Logo no início da Revolução foram tomadas medidas para benefício dos mais pobres. A reforma agrária deu emprego a 100% dos camponeses. Uns receberam terras, outros integraram-se em cooperativas e muitos converteram-se em operários de fazendas estatais.
Foram proibidos os despejos nas cidades, foi decretada uma redução das rendas de casa e foi finalmente feita uma reforma urbana que converteu 85% dos cubanos em proprietários das suas próprias residências, uma realidade que se mantém nos dias de hoje.
Prioridade à infância
Não existem em Cuba meninos de rua. Os órfãos e os filhos de doentes mentais ou de pessoas presas vivem em instituições onde têm garantidos, casa, comida, cuidados médicos e educação - incluindo estudos superiores.
Mas esses não constituem uma excepção, porque 100% das crianças cubanas frequentam a escola, que é efectivamente obrigatória até ao nono ano e gratuita até ao nível universitário. Os livros escolares são igualmente gratuitos.
Há assistência do Estado durante a passagem de ciclones
No ano passado, por exemplo, Cuba foi atingida por três poderosos ciclones, que provocaram danos a meio milhão de casas, destruiram a maior parte das colheitas e derrubaram centenas de torres de alta tensão. Apesar disso, foram registadas apenas 7 mortes.
Antes de 1959, e mesmo
No ano passado, por exemplo, Cuba foi atingida por três poderosos ciclones, que provocaram danos a meio milhão de casas, destruiram a maior parte das colheitas e derrubaram centenas de torres de alta tensão. Apesar disso, foram registadas apenas 7 mortes.
Antes de 1959, e mesmo durante os primeiros anos da Revolução, havia centenas e às vezes mesmo milhares de mortos de cada vez que Cuba fosse atingida por um ciclone. E isso sem contar com as enormes perdas económicas que ocorriam.
Agora a Defesa Civil assume antecipadamente o controlo das áreas por onde se prevê que o ciclone vá passar. Dias antes, as populações locais são evacuadas, os animais protegidos e os alimentos transferidos, evitando-se assim mortes e salvando-se tudo o que seja possível salvar.
E também são muito poucas as vítimas da violência social. Praticamente não há insegurança para os cidadãos. Comparada inclusive com os países mais seguros da região, Cuba é, sem dúvidas, uma das sociedades mais pacíficas do continente americano e mesmo do mundo.
É um acto extraordinário um assalto à mão armada e os roubos com pistolas ou com armas brancas quase que não existem. Os delitos mais comuns são o roubo de fios de ouro, de relógios ou de pastas que, em geral, ocorrem sem ameaças de violência física.
Sem dúvida, a tranquilidade nas ruas tem a ver com a presença constante da polícia. Mas muitos argumentam também que o nível de educação, o acesso à saúde e o controlo da pobreza contribuem de forma determinante para o fraco índice de violência em Cuba.
Cuba é sinónimo de Revolução. Desde 1 de Janeiro de 1959 que a maior ilha das Caraíbas é um marco incontornável para o resto do mundo.
Revista Horizonte Geográfico


Cuba é um país pequeno se analisarmos, por exemplo, suas dimensões geográfica, populacional e econômica. Tem área de 111 mil km² (um pouco maior do que Pernambuco), população de 12 milhões de pessoas (inferior à da Bahia) e PIB de US$ 46 bilhões (4,3% do PIB brasileiro, metade do PIB do Paraná). No entanto, na política internacional, Cuba é gigantesca. Desde que o regime inaugurado por Fidel Castro e Che Guevara alinhou-se à União Soviética no auge da Guerra Fria, seu modelo tem sido capaz de mobilizar forte debate entre socialistas, liberais e social-democratas. Os principais aspectos do debate são: a impossibilidade prática de o Estado garantir a todos os cidadãos graus plenos de liberdade político-econômica e de igualdade de renda; e o mix desejável entre esses dois elementos na definição das regras e das políticas governamentais.
Desde que caiu o Muro de Berlim (1989) e foi extinta a União Soviética (1991), o modelo socialista cubano perdeu as bases de sua legitimidade política e viabilidade econômica. Com o socialismo mundial, também morreu parte importante do apelo exercido pelos ideais de Fidel e Che sobre intelectuais e políticos latino-americanos e brasileiros. Hoje, reconhece-se facilmente que o regime cubano é anacrônico e perverso. Por isso, desde o início da Revolução saíram de Cuba mais de 900 mil pessoas, e não há registro de grandes fluxos de pobres, militantes, políticos ou intelectuais comunistas demandando vistos de entrada para desfrutar das maravilhas proclamadas pela retórica oficial.
Qual o destino de Cuba, agora que parece claro que Fidel não mais retornará ao poder? Uma provável abertura econômica apresenta oportunidades reais para empresas brasileiras que investirem em Cuba? Que papel deve desempenhar o nosso governo ao longo da dupla transição que se espera para os próximos meses e anos (do socialismo para o capitalismo e da ditadura para a democracia)?
O destino de Cuba será construído pela interação entre: os movimentos sociais internos espontâneos – formados em torno de demandas por mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais mais profundas e mais rápidas –; as principais lideranças do novo governo comandado por Raúl Castro e um grupo de jovens conselheiros pragmáticos e reformistas escolhidos por Fidel e já instalados em posições-chaves no Estado; as organizações anticastristas estabelecidas nos Estados Unidos – que se têm tornado mais moderadas em razão da emergência de novas lideranças nascida nos Estados Unidos –; e o governo (e o Congresso) dos Estados Unidos.
Desse intrincado jogo de interesses e forças, emergirá uma nova Cuba. Se mais parecida com a República Tcheca e o Chile – casos exitosos de transição –, ou com a Moldóvia e a Nicarágua – fracassados –, só o tempo dirá. Esse é um processo definido pelo jogo político, mas que não será controlado por nenhum ator ou grupo em particular. Cabe-nos, diante desse quadro, indagar sobre os riscos e as oportunidades para as empresas brasileiras, e sobre o papel mais aconselhável a ser desempenhado por nosso governo.
Em relação às empresas privadas, recomenda-se avaliação realista e suficientemente dinâmica do potencial econômico da nova Cuba. Quais são os setores mais atraentes da pequena economia cubana? Como seus principais concorrentes globais/regionais estão se posicionando em relação à abertura econômica do país? Quais são os riscos econômicos e políticos potenciais de investir em Cuba? Para responder a essas questões, será preciso observar atentamente o desenrolar dos acontecimentos políticos que vão fundar o novo país. De todo modo, é bom ter em mente que a economia cubana é demasiado pequena para representar grande oportunidade de negócios para a maior parte das empresas brasileiras, multinacionais ou meramente exportadoras.
Já o governo brasileiro precisa olhar com mais realismo para o que está acontecendo em Cuba. A saúde de Fidel não está “impecável”, como disse o presidente Lula em sua recente visita ao país. Cuba não é uma democracia, como ele nos afirmou não muitos meses atrás. Não há alternativa sustentável para o futuro de Cuba fora do modelo capitalista-democrático ocidental, por mais que isso venha a afrontar a visão idealizada dos petistas e esquerdistas incrustados em todos os escalões do governo brasileiro. E, por mais que isso pareça perverso do ponto de vista humanitário, é preciso avaliar as oportunidades de investimento a serem feitos com recursos públicos brasileiros – por exemplo, pela Petrobras e pelo BNDES –, levando em conta os riscos e as incertezas do processo de transição política e econômica que ocorrerá nos próximos anos.