quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O que é a transição energética



O que é a transição energética, tema urgente da COP30 que coloca o Brasil como exemplo
Entenda o movimento para substituir petróleo e carvão por fontes solares e eólicas, vital para frear National Geographic Brasil




O Brasil é um dos líderes mundiais na transição energética, com parques eólicos localizados majoritariamente no Nordeste. Atualmente, o país possui um total de 568 parques eólicos, com uma capacidade instalada de 14,34 GW. Estima-se que até 2026, a capacidade instalada dos parques eólicos brasileiros seja de 28,5 GW (com taxa de crescimento de 1,1 a 2 GW por ano), segundo dados da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). Foto de Divulgação ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica)


Os apelos para que a transição no uso de energia no mundo se intensifique e o uso majoritário de fontes energéticas deixe de ser ancorado nos combustíveis fósseis (como petróleo e carvão) e migre para a chamada energia limpa alcançou níveis urgentes, explica um relatório da agência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU).


Ainda que a civilização humana passe por algum tipo de transição energética desde seus primórdios, o nível de extração, queima e consumo de combustíveis fósseis a partir da Revolução Industrial vem gerando níveis de poluição recordes nos últimos anos, os quais são responsáveis pelo aquecimento do planeta e pela mudança climática.


Por isso mesmo e de acordo com a OMM, “estamos lutando contra o tempo”. A adoção do uso de energias consideradas renováveis – como a solar, a eólica, a hidrelétrica e os biocombustíveis – ainda está em ritmo mais lento do que deveria, apesar de seu uso estar previsto para dobrar até 2030, continua a entidade.


O setor energético global sozinho é responsável por cerca de 75% das emissões globais de gases de Efeito Estufa (os GEEs), continua a fonte. “A melhoria da eficiência energética e a busca por matrizes mais limpas são vitais para prosperarmos no século 21”, defende Petteri Taalas, chefe da OMM.





Painéis solares mostram o desenvolvimento da energia renovável no deserto da Califórnia, nos Estados Unidos, um dos estados mais "verdes" do país. Segundo a agência do clima da Organização das Nações Unidas, a transição energética chegou a um momento urgente e crucial por causa da crise climática e o aquecimento do planeta.Foto de Tom Brewster/Agência de Gestão de Terras da Califórnia (Bureau of Land Management California)

O Brasil é referência mundial na transição energética


Dentro do cenário de transição energética, o Brasil sai na frente, já que a matriz elétrica brasileira já é renovável e baseada em fontes com baixa emissão de GEEs”, informa um artigo sobre o tema da Agência Nacional de Energia, um órgão do Ministério de Minas e Energia brasileiro.


Atualmente, “o país já utiliza 48% de energia renovável, acima da média mundial que é de 15%", informam dados do Ministério de Minas e Energia, ainda que o potencial para explorar recursos hídricos, solares e eólicos continue sendo grande.


O Brasil também é líder em uso de energia limpa dentro do G20, à frente de Canadá, Alemanha e Reino Unido, por exemplo, como explica um ranking da EMBER, uma organização independente de energia que promove a transição para energia limpa.


Em relação ao uso de biocombustíveis, o Brasil também se sai bem, a ponto de servir de consultor para outras nações, como a Índia, por exemplo. A nação mais populosa do mundo vem adotando o uso do etanol (e a produção de cana-de-açúcar) depois de ser assessorada por um time brasileiro de especialistas, como contou o presidente da COP30 André Corrêa do Lago, em entrevista ao podcast de notícias “A Hora”.


A Índia, inclusive, tem uma ambiciosa meta de atingir 500 GW de capacidade de energia não-fóssil em 2030, afirma a Agência Internacional de Energia.




O fim da energia baseada em combustíveis fósseis é essencial para controlar a crise climática e evitar o aumento da temperatura do planeta até um ponto de não-retorno. Foto de Kim Seng (CC BY-NC-ND 2.0)

Transição energética: em busca da meta zero de emissões para 2050


A Organização Meteorológica Mundial afirma também que a meta com a qual as nações devem trabalhar é a de zerar as emissões de GEEs até o ano de 2050. “Mas só chegaremos lá se dobrarmos o fornecimento de eletricidade de baixa emissão nos próximos oito anos”, diz.


Ao mesmo tempo e segundo o relatório “World Energy Outlook 2024”, da Agência Internacional de Energia (AIE), “até 2035, é esperado que o mundo adicione, a cada ano, o valor equivalente às necessidades de energia elétrica do Japão (que é de 909 terawatts-hora)”.


Neste cenário também tem se destacado atualmente a China. Apesar de ainda estar entre os países que mais emitem gases do Efeito Estufa, a nação “vem liderando aumento da capacidade de eletricidade renovável”, diz a AIE, “com quase 350 GW adicionados em 2023, dois terços de toda a implantação global”, detalha a fonte.


Ainda de acordo com a EMBER, que faz o monitoramento sobre o uso de energia renováveis, alguns dados recentes merecem destaque. Entre eles estão:41% é a participação global da eletricidade limpa em 2024;
1,29% foi o crescimento da geração de energia solar em 2024;
7,9% foi a porcentagem de crescimento da geração eólica em 2024;


Em contrapartida, em 2024 ainda se registrou um crescimento de 1,4% na geração a partir de combustíveis fósseis e 40Mt (milhões de toneladas) de gás metano vazado de minas de carvão em 2024, o que significa que ainda há muito, muito trabalho para ser feito na transição energética.

Existe vulcão no Alasca?




Existe vulcão no Alasca? Sim – e ele pode entrar em erupção em breve
Uma explosão no Monte Spurr, no Alasca, poderia gerar uma enorme nuvem de cinzas, atrapalhar o fluxo de aviões e causar problemas para as pessoas. Veja o caos que esse evento pode gerar.




No último ano, o Monte Spurr, no Alasca, vem mostrando sinais de uma possível erupção no horizonte. Se houver uma erupção, ela provavelmente ocorrerá no Crater Peak, mostrado no fundo desta fotografia do cume. Foto de Matt Loewen, Alaska Volcano Observatory, U.S. Geological Survey


Nos últimos 12 meses, um vulcão chamado Monte Spurr, no Alasca, ficou visivelmente agitado: ele está inchando, tremendo e liberando gases nocivos. Nesta situação, as evidências podem apontar para dois cenários: um grande evento explosivo no horizonte – ou apenas o fato de a montanha estar soltando vapor inofensivamente.


Se ocorrer uma erupção, a boa notícia é que não há nenhuma vila ou cidade vivendo próximo às suas encostas. Ela seria sufocada por avalanches escaldantes de rocha e vapor. A má notícia, por sua vez, é que essa erupção provavelmente geraria uma grande quantidade de cinzas, a qual – se o vento soprar para o leste naquele dia, a cidade de Anchorage, a cerca de 130 quilômetros de distância, veria o pior.


“A queda de cinzas vulcânicas será um grande perigo”, diz Matt Haney, cientista encarregado do Observatório de Vulcões do Alasca do Serviço Geológico dos Estados Unidos (U.S. Geological Survey).


O que saber sobre o vulcão Monte Spurr, no Alasca


O Monte Spurr tem duas aberturas eruptivas importantes: uma no cume – que possui 3.352 metros de altura –, e que parece ter estado fechada por milhares de anos. E uma próxima a ela, chamada Crater Peak, que explodiu várias vezes nos últimos milênios. A última erupção ocorreu em 1992, com três explosões distintas.


Spurr é conhecido por apresentar terremotos sem consequências. Mas no final de abril de 2024, a frequência dos terremotos aumentou, enquanto o vulcão começou a inchar – um fenômeno em que o solo literalmente infla.


Essa movimentação se acalmou no verão do Hemisfério Norte, neste ano, mas voltou a ficar mais agitada novamente no outono. Já em meados de outubro de 2024, com o vulcão continuando a inflar e a tremer de forma bastante dramática, o Observatório de Vulcões do Alasca emitiu um alerta: algo incomum estava acontecendo.


“Há uma intrusão de magma que faz o vulcão inflar, causando esses terremotos”, diz Haney. O observatório mudou o aviso de aviação da cor verde (dado quando o vulcão está agindo normalmente) para amarelo (quando o vulcão está exibindo sinais de agitação elevada). Em outras palavras: o vulcão pode estar se preparando para uma erupção, e sua nuvem de cinzas colocaria em risco os aviões que estivessem nas proximidades.


Durante janeiro e fevereiro de 2025, no Alasca, os terremotos continuaram a ser frequentes (e, às vezes, intensos), e mais deles passaram a se acumular sob o Crater Peak. Em março deste ano, os eventos pioraram ainda mais: tanto o dióxido de carbono quanto o dióxido de enxofre passaram a jorrar do cume, enquanto apenas o dióxido de carbono foi detectado ao redor do Crater Peak.


Esses gases são conhecidos por escaparem do magma à medida que ele sobe e despressuriza – e essas leituras indicaram que o magma estava muito próximo do cume, embora estivesse um pouco mais profundo abaixo do Crater Peak.


Apesar da proximidade com o cume, os vulcanólogos estavam mais preocupados com o fato de o magma estar perto o suficiente do Crater Peak – que, nos tempos modernos, é o respiradouro que acaba explodindo – para torná-lo pelo menos um pouco gasoso. Todos esses sinais juntos indicavam que “o condutor sob o Crater Peak foi ativado”, diz Haney.


A partir de maio, as coisas se acalmaram um pouco. As emissões de gás persistiram, mas a inflação vulcânica diminuiu um pouco e os terremotos estão um pouco menos frequentes. Os sinais podem continuar a se deteriorar daqui para frente. “Uma erupção fracassada, em que o magma se estanca e não chega à superfície, como aconteceu em 2004-2006, também é uma possibilidade”, diz David Fee, vulcanólogo da Universidade do Alasca na cidade de Fairbanks.


Como alternativa, as coisas poderiam aumentar novamente, terminando em uma explosão – provavelmente no Crater Peak. E isso produziria uma nuvem de cinzas que se elevaria a dezenas de milhares de metros no céu.





Em 1992, o Crater Peak registrou três explosões. A segunda delas durou 3 horas e 40 minutos e impulsionou uma nuvem de cinzas a uma altitude de quase 14 quilômetros acima do nível do mar. Foram relatados vestígios de cinzas a até 1.200 quilômetros a sotavento da abertura.Foto de R.G. McGimsey, Alaska Volcano Observatory, U.S. Geological Survey

Os riscos imediatos de uma erupção


As pessoas em Anchorage não correriam nenhum risco de vida imediato. “Você não está morando no vulcão, não será inundado por um fluxo piroclástico”, diz Michelle Coombs, geóloga pesquisadora do Observatório de Vulcões do Alasca.


O problema, no entanto, é que uma explosão no Crater Peak, ou uma sucessão de explosões, “cada uma com duração de algumas horas, produziria nuvens de cinzas transportadas a favor do vento por centenas de quilômetros e queda de cinzas sobre o centro-sul do Alasca”, diz Fee.


No entanto, antes de cair do céu, essa nuvem de detritos vulcânicos permanecerá em altitude – e todos os aviões na região precisarão ser desviados às pressas.


Diferentemente das cinzas da fumaça de incêndios florestais, que são feitas de material orgânico queimado, a cinza vulcânica é dura, afiada e semelhante a vidro. Ela não é apenas abrasiva, mas também é capaz de derreter dentro dos motores a jato, causando falhas. As janelas da cabine da aeronave podem ser bloqueadas e corroídas, e os circuitos eletrônicos do avião podem ser danificados.


Duas erupções na era moderna do Crater Peak – uma em 1953 e outra em 1992 – depositaram cinzas em Anchorage. Uma das explosões de 1992 despejou mais de três milímetros de cinzas em Anchorage, e o aeroporto fechou por 20 horas. “Foi um grande problema na época. Se acontecer hoje, será um transtorno ainda maior”, diz Haney, observando o quanto mais tráfego aéreo passará pela cidade em 2025.


Felizmente, uma explosão em Spurr não seria uma reminiscência da erupção de 2010 do vulcão islandês Eyjafjallajökull, que causou a maior paralisação do espaço aéreo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Um episódio explosivo no Crater Peak duraria apenas algumas horas, o que significa que o espaço aéreo seria afetado apenas por um breve período.


Ainda assim, o aeroporto internacional de Anchorage é o quarto aeroporto de carga mais movimentado do mundo, portanto, qualquer paralisação seria altamente prejudicial.

“A cinza vulcânica escurece os céus, faz com que vire noite no meio do dia”
por Matt Haney
cientista encarregado do Observatório de Vulcões do Alasca do Serviço Geológico dos Estados Unidos

Como as cinzas vulcânicas podem colocar as pessoas em perigo


Se grande parte dessas cinzas acabar caindo em Anchorage, certamente será desagradável, principalmente por causa de sua aparência sinistra. “A cinza vulcânica escurece os céus, faz com que vire noite no meio do dia”, diz Haney. E, embora as cinzas vulcânicas raramente coloquem em risco a vida humana, elas podem ser problemáticas de várias maneiras.


“Essas partículas no ar são um risco respiratório e também podem irritar os olhos e a pele expostos”, diz Carol Stewart, especialista em saúde ambiental em desastres da Universidade Massey, na Nova Zelândia.


Os grupos vulneráveis – os muito jovens e os idosos, e aqueles com problemas cardiovasculares ou respiratórios preexistentes – podem sentir essa irritação com mais intensidade. A exposição prolongada pode levar a internações hospitalares para alguns, mas, na maioria das vezes, a inalação de cinzas é um incômodo, não um perigo letal.


Quanto aos outros animais, “os impactos das cinzas sobre os animais de criação são bastante semelhantes aos impactos sobre as pessoas em termos de irritação dos olhos, da pele e das vias aéreas”, diz Stewart. Não é de surpreender que, se eles ingerirem cinzas, isso poderá ter efeitos deletérios sobre sua saúde. “As cinzas também cobrirão o pasto, de modo que eles precisarão de alimentação suplementar e podem contaminar suas fontes de água.”


As cinzas vulcânicas podem causar interrupções no fornecimento de energia, seja por curto-circuito nas redes elétricas ou por sobrecarregar os galhos das árvores a ponto de caírem sobre as linhas de transmissão. Também costumam cobrir os telhados e, por serem densas, acabam fazendo com que essas coberturas se dobrem e desmoronem – em alguns casos mais raros.


Mas isso requer volumes extremamente altos de cinzas – muito mais do que os níveis de produção típicos da Spurr.


O maior risco que as cinzas representam pode ser para os motoristas. “As cinzas nas estradas criam condições perigosas para dirigir”, diz Stewart. “As cinzas causam perda de tração, cobrem as marcações da estrada e também são lançadas no ar, prejudicando a visibilidade. Acidentes são comuns após a queda de cinzas.” Os filtros de ar dos carros também podem se entupir rapidamente.


Como as cinzas contêm muito ferro e alumínio, quantidades significativas podem tornar a água imprópria para beber, embora não seja totalmente venenosa. O trabalho de remover essas partículas da água pode fazer com que a distribuição seja interrompida, enquanto a demanda pelo abastecimento aumenta à medida que as pessoas a utilizam para lavar suas casas, carros e calçadas. “Ficar sem água é um risco muito maior para a saúde do que pequenas alterações químicas na água”, diz Stewart.


O que esperar do vulcão no Alasca em um futuro próximo


Considerando todos os aspectos, a interrupção do tráfego aéreo é o principal risco de uma erupção do Spurr com muitas cinzas, diz Haney. Com base no histórico de episódios explosivos do Crater Peak, as pessoas em Anchorage não devem se preocupar excessivamente com os outros efeitos menores da queda de cinzas do vulcão.


Mas isso não significa que a população não deve estar preparada para lidar com isso. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, se houver previsão de queda de cinzas, os residentes devem ficar em casa, levar os animais de estimação para dentro de casa, colocar os veículos sob cobertura e certificar-se de manter qualquer pessoa com problemas respiratórios ou cardiovasculares em segurança e perto de seus suprimentos médicos.


Quem for pego do lado de fora, deve usar uma máscara facial ou um pano para evitar respirar as cinzas e procurar abrigo.


Nesse estágio, não está claro se uma erupção no Alasca é inevitável. Se os cientistas detectarem um aumento na taxa de inflação vulcânica, muito mais emissão de gases vulcânicos, um derretimento significativo da neve e do gelo e um enxame de terremotos sugerindo que o magma está subindo e quebrando rochas sem esforço, “isso seria óbvio”, diz Haney. Nesse momento, eles elevariam o nível de alerta da aviação para laranja, indicando um maior potencial de erupção.


Mas, mesmo assim, uma explosão não é garantida. Se uma erupção for inevitável, o prazo para que ela ocorra ainda não está claro: esse grau intenso de agitação poderia ser breve, mas também poderia durar várias semanas ou meses antes de ocorrer uma erupção.


Um dia, as cinzas lançadas pelo Monte Spurr voltarão a cobrir Anchorage. Mas será que isso acontecerá mais cedo ou mais tarde? “Estamos em um modo de observação e espera no momento”, diz Coombs.
National Geographic Brasil

A descoberta de uma caverna na superfície da Lua




A descoberta de uma caverna na superfície da Lua pode ser um bom abrigo futuro para astronautas
A recente descoberta de um tubo de lava lunar sugere a existência de uma rede oculta de cavernas que poderia servir de abrigo para futuros exploradores na Lua.


O Lunar Reconnaissance Orbiter da Nasa (ilustrado com a Terra ao fundo) detectou a primeira evidência direta de um tubo de lava sob um antigo oceano de magma chamado Mare Tranquillitatis.
Foto de Illustration by University of Trento, A. Romeo, NASA, JPL-Caltech (Brian Kumanchik, Christian Lopez), Bill Anders


Os primeiros astronautas desde a era da missão Apollo pousarão na superfície lunar ainda nesta década. Se o programa Artemis da Nasa prosseguir conforme planejado, ele estabelecerá, pouco a pouco, uma presença permanente na Lua, em torno do Polo Sul lunar, rico em água.


Isso não é tarefa fácil. Afinal, a Lua é um dos ambientes mais extremos e hostis do Sistema Solar: apresenta variações bruscas de temperatura dentro e fora da luz solar, é ocasionalmente sacudida por intensos terremotos lunares e está quase sempre encharcada pela radiação galáctica e estelar que chove do alto.


“A superfície lunar é hostil para humanos e máquinas”, afirma Tracy Gregg, vulcanologista planetária da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos.


Embora as estruturas artificiais erguidas na superfície lunar proporcionem abrigo, seria útil se a própria Lua oferecesse algumas defesas naturais. Um estudo publicado em 2024 na revista científica Nature Astronomy fornece a primeira evidência direta da existência de tais abrigos naturais.


Ao examinar dados antigos de radar coletados por uma sonda em órbita lunar, os pesquisadores descobriram que uma cavidade suspeita próxima ao local de pouso da Apollo 11 não é apenas uma cavidade, mas uma longa caverna — um túnel vulcânico formado por um antigo fluxo de lava.


Tubos de lava e cavernas existem na Terra e têm fornecido refúgio aos viajantes humanos contra condições climáticas intensas há quase 10 mil anos. A caverna descoberta na Lua provavelmente é muito semelhante às da Terra, e os cientistas suspeitam que ela não seja a única: acredita-se que existam inúmeros condutos desse tipo por toda a Lua.



A superfície da Lua está repleta de crateras ou clarabóias como esta, chamada Marius Hill (mostrada nas três imagens acima sob diferentes exposições solares). As temperaturas dentro dessas crateras, que podem levar a cavernas subterrâneas, são mais estáveis do que as da superfície da Lua.Foto de NASA, GSFC, Arizona State University


As paredes vulcânicas primordiais dessas cavernas darão aos geólogos uma visão do passado distante da Lua e também podem conter água gelada inestimável, que pode ser convertida em combustível para foguetes.


Mas o mais importante é que, se essa rede de cavernas extraterrestres existir, ela poderá oferecer proteção contra as ameaças mais sobrenaturais da Lua, desde radiação solar até a queda de micrometeoritos, afirma Leonardo Carrer, pesquisador da Universidade de Trento, na Itália, e autor do novo estudo.


Em busca de cavernas de lava


Hoje, a Lua é um deserto silencioso e prateado. Mas já foi um paraíso vulcânico hiperativo, onde rochas derretidas jorravam para o espaço e choviam de volta como lágrimas vítreas, e onde enormes mares de lava se agitavam. Com grande parte de seu calor interno agora perdido, o vulcanismo da Lua se extinguiu, deixando para trás todos os tipos de características sinuosas na superfície.


Entre essas características estão os tubos de lava, túneis ocos que outrora isolaram e canalizaram rios de rocha incandescente. Eles existem e ainda estão sendo criados na Terra hoje. Há muito se acredita que tubos de lava frios e cristalizados, cavernas e condutos se escondem pela Lua, particularmente dentro das maria — manchas escuras de mares magmáticos congelados.


Voando alto acima da superfície, a câmera do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da Nasa só consegue ver buracos, que não necessariamente levam a cavernas extensas. O LRO, no entanto, está equipado com um pequeno sistema de radar que, se apontado para esses buracos no ângulo certo, pode alcançar suas profundidades potencialmente maiores.


Carrer e seus colegas analisaram dados de radar pré-existentes e se concentraram em um buraco no Mar da Tranquilidade, o mar de lava solidificada onde a Apollo 11 pousou em 1969. Esses dados revelaram que o buraco tinha paredes abertas de 130 a 170 metros abaixo da superfície, levando a pelo menos uma caverna profunda que serpenteia pela crosta lunar.


Cientificamente falando, explorar um canal como esse revelaria uma abundância de tesouros. “As cavernas são um ambiente único que preserva a história da Lua”, diz Lorenzo Bruzzone, pesquisador da Universidade de Trento, na Itália, e autor do novo estudo. Todos os tipos de segredos, desde a história do vulcanismo na Lua até a composição do enigmático interior do satélite, podem ser revelados ao se explorar uma caverna.


O tubo de lava recém-descrito é o primeiro conduto subterrâneo encontrado na Lua, reforçando a ideia de que ainda há inúmeros outros a serem descobertos. “Provavelmente existem centenas ou milhares de cavernas na Lua na forma de tubos de lava drenados”, comenta Gregg. E um dia, eles podem salvar a vida de um astronauta.


Um santuário subterrâneo na Lua

O abrigo é a principal prioridade para as missões humanas na Lua. “Trata-se de ter um habitat pronto onde os astronautas possam passar longos períodos na Lua sem contrair câncer”, diz Paul Byrne, cientista planetário da Universidade de Washington em St. Louis.


E o abrigo se torna especialmente importante durante tempestades solares. O proeminente campo magnético da Terra e sua atmosfera espessa protegem a superfície de todas as explosões solares, exceto as mais terríveis. Mas a Lua não possui nenhum dos dois, o que significa que sua superfície é bombardeada por essa radiação sempre que está na linha de fogo do sol.


Astronautas desprotegidos podem enfrentar doses de radiação que variam de perigosas a mortais. “Uma tempestade solar poderia literalmente matar pessoas na superfície lunar”, explica Gregg. “Os computadores também não gostam de radiação solar.”


A radiação é absorvida e depois reemitida pela superfície lunar, o que também pode prejudicar os astronautas a longo prazo. “Estar na superfície, mesmo quando o Sol não está nos atingindo, ainda não é uma boa ideia”, diz Byrne.


Essas cavernas também podem servir de refúgio contra outras ameaças. A temperatura da superfície lunar pode subir e descer centenas de graus com uma velocidade impressionante, dependendo se está iluminada pela luz solar. Felizmente, é provável que “o interior das cavernas lunares mantenha uma temperatura estável”, comenta Carrer, oferecendo outra vantagem.


Pequenos meteoros do tamanho de uma torradeira ou menores não representam ameaça para a Terra, porque a atmosfera do nosso planeta os incinera. Mas a Lua não tem essa proteção gasosa. “A superfície da Lua é continuamente bombardeada por micrometeoritos, que acabam degradando tudo o que fica do lado de fora”, diz Gregg.


As cavernas de lava, então, seriam espaços de armazenamento resistentes para complementar os postos avançados lunares que estão sendo construídos por astronautas e robôs ao longo do tempo. “Habitats subterrâneos ou áreas de armazenamento prontos para uso economizariam muito trabalho para as pessoas”, diz Gregg.


Espeleologia no Polo Sul da Lua


Essas cavernas não são soluções milagrosas para os aventureiros lunares. Para acessar uma caverna a centenas de metros abaixo da superfície, os astronautas podem precisar descer cuidadosamente de rapel, o que não é ideal se precisarem fugir rapidamente de uma tempestade solar.


Outra questão é que as cavernas podem não ser todas estruturalmente sólidas. “As cavernas que vimos até agora são visíveis porque o teto desabou”, afirma Gregg. “Acho que a estabilidade do teto será uma grande questão.”


A Lua também sofre terremotos lunares, que são raros, mas ocasionalmente fortes, e podem durar dezenas de minutos. Isso não só pode colocar em risco os postos avançados lunares, como também pode desestabilizar os tubos de lava.


“Eu gostaria de ver as paredes das cavernas reforçadas se um posto avançado fosse construído lá”, diz Thomas Watters, cientista planetário do Museu Nacional do Ar e Espaço em Washington, D.C., nos Estados Unidos. “Sem reforço, as paredes e o teto das cavernas poderiam desabar.”


Fundamentalmente, as agências espaciais estão visando o Polo Sul lunar, rico em recursos, para as primeiras estações humanas de longo prazo na Lua. Isso significa que elas podem não encontrar condutos de lava abundantes, que são mais prováveis de serem encontrados do lado da Lua voltado para a Terra.


Mas só o fato de saber que essas cavernas existem, após anos de especulações, ainda traz um certo conforto para quem busca respostas para os mistérios da Lua, um astro cujo destino está tão intimamente ligado ao da Terra.


“O importante é que agora identificamos uma caverna acessível que pode ser o alvo de uma futura missão robótica”, conclui Bruzzone. “Estamos prontos para ser surpreendidos.”
National Geographic Brasil

Quais tipos de energias renováveis existem?






São 5 os principais tipos renováveis de geração de energia. Saiba mais sobre cada um deles.


Uma fazenda solar foi instalada no local da Aerojet Rocketdyne em RanchoCordova, Califórnia, que está sendo remediada como parte do EPA Superfund. Rancho Córdova, Califórnia.



As energias renováveis, que, segundo definição da Organização das Nações Unidas (ONU) é a energia derivada de fontes naturais que são reabastecidas a uma taxa maior do que são consumidas, são essenciais para barrar as mudanças climáticas.


A Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), no relatório Transições Energéticas Mundiais: Perspectivas 2022, alerta que é preciso uma ampla mudança no uso atual de energia do mundo para aumentar as chances de conter o aquecimento global em até 2ºC, de acordo com as metas do Acordo de Paris.


Entre os tipos de energias renováveis recomendados para essa transição energética estão a energia solar, eólica, hídrica, biomassa e outras. Conheça um pouco mais sobre elas:
Energia solar


A energia solar pode ser gerada pelo meio fotovoltaico ou heliotérmico. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a solar fotovoltaica é a conversão direta da radiação do Sol em eletricidade por meio do efeito fotovoltaico, um método descoberto em 1839 pelo físico francês Alexandre Edmond Becquerel. Para gerar energia com a luz solar por esse meio, é necessário a instalação de módulos – ou painéis – fotovoltaicos.


Já o heliotérmico usa a energia proveniente do Sol para gerar calor. Esse meio normalmente é usado para aquecimento de água em residências e outros estabelecimentos.
Energia eólica


A energia eólica é a produzida a partir da energia cinética do vento (massas de ar em movimento). O movimento do vento move moinhos e cataventos, ou as pás de turbinas eólicas (aerogeradores) que, por sua vez, geram a energia elétrica. A produção de energia eólica é dividida em dois métodos: onshore, quando os equipamentos e usinas são instalados em terra, e offshore, quando são instalados no mar.


Segundo o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), a América Latina tem capacidade instalada de produzir 26 gigawatts (GW) a partir do vento. Os maiores produtores desta energia são o Brasil (57%) e o México (19%).

Biomassa


A biomassa, segundo o Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é a geração de energia a partir de processos como a combustão de material orgânico produzido e acumulado em um ecossistema.

Esse material, normalmente, é composto por resíduos de origem animal ou vegetal, cujas fontes podem ser vegetais lenhosos, cultivo agrícola e resíduos urbanos e industriais. Dentre os produtos derivados da biomassa estão os biocombustíveis, os óleos vegetais e o biogás.


A queima de biomassa libera dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, mas como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustível, o balanço de emissões de CO2 é nulo.
Hídrica


A energia hídrica é gerada a partir da força do movimento de um rio. O Departamento de Engenharia Elétrica da Unesp explica que esse tipo de energia é gerada em uma usina hidrelétrica ou central hidroelétrica.


Apesar de ser considerada renovável, a energia hídrica não é exatamente limpa. Segundo a universidade, as centrais hidrelétricas geram alguns tipos de impactos ambientais, como o alagamento das áreas vizinhas, aumento no nível dos rios e mudanças no curso do rio represado, podendo prejudicar a fauna e a flora da região.
Geotérmica


A energia geotérmica ou energia geotermal é a obtida a partir do calor proveniente da Terra, mais precisamente do seu interior, onde se encontra o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas, segundo explica o site da Unesp.


Para acessar esse calor e gerar energia, um dos métodos é aproveitar gêiseres naturais, gerando energia a partir da água quente, ou perfurar poços profundos, com mais de 300 metros de profundidade, e injetar água que irá ser aquecida pela rocha quente do interior da Terra.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Qual foi o tsunami mais devastador da história?

 Ondas causadas por este fenômeno podem gerar inundações e grandes danos às cidades. O tsunami que causou mais mortes na história foi registrado no início deste século.




Uma parte costeira da cidade de Seattle, nos Estados Unidos, está entre aquelas consideradas perigosas diante da ocorrência de tsunamis, já que é considerada uma zona baixa da região. Foto de John Stanmeyer


Um tsunami consiste em uma série de ondas extremamente longas causadas por um grande e repentino deslocamento do oceano. Elas se espalham em todas as direções, desde o seu ponto de origem, e podem atravessar bacias oceânicas inteiras, conforme indicado pela Base histórica de dados do Centro Nacional de Dados Geofísicos dos Estados Unidos e o Serviço Mundial de Dados (NGDC/WDS, em suas siglas em inglês).


Uma onda sísmica do mar é assim chamada se for gerada por um terremoto, mas os tsunamis também podem ser causados ​​por distúrbios não sísmicos. Portanto, o termo “foi adotado internacionalmente para se referir a ondas causadas por qualquer grande e repentino deslocamento do oceano”.


Quando chegam à costa, os tsunamis podem causar inundações perigosas, que duram várias horas ou dias. Consequentemente, podem danificar casas e ameaçar a vida das pessoas.


De acordo com o banco de dados de tsunamis, o mais devastador da história, levando em conta o alto número de mortes, foi o ocorrido na costa norte da ilha de Sumatra, na Indonésia, em 26 de dezembro de 2004.


Especificamente, este tsunami matou mais pessoas do que qualquer outro tsunami registrado na história. Estima-se que, como resultado deste evento, ocorreram 227.898 mortes e desaparecidos, 1,7 milhão de desabrigados e um prejuízo de 9,9 bilhões de dólares.
National Geographic

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

O que foi o Big Bang?





A teoria revolucionou os estudos astronômicos ao afirmar que o universo é infinito.


Esta imagem capturada pelo telescópio James Webb em julho de 2022 é a foto mais detalhada já tirada do universo primitivo. Algumas das galáxias que aparecem nela surgiram apenas 1 bilhão de anos após 


Uma das perguntas mais importantes no campo da astronomia é “como surgiu o universo?”. Para respondê-la, astrônomos sustentam várias teorias, mas a crença de que o Big Bang foi o evento que deu origem ao universo é a mais aceita.
Como o Big Bang criou o universo?


A teoria do Big Bang, segundo informações da Nasa, consiste na ideia de que o universo começou em um único ponto. Um aglomerado de pequenas partículas quentes misturadas com luz e energia, nada parecido com o que vemos agora.


A partir de determinado momento, esse aglomerado começou a se expandir e a se esticar. E, à medida que as partículas se expandiam, se esfriavam e criavam novos grupos que, em tempo, se transformariam nas primeiras estrelas e galáxias.



Você pode se interessar pelo próximo vídeo no Origem do Universo:

101 | Origem do Universo
Qual é a idade do universo, e como ele começou? Ao longo da história, inúmeros mitos e teorias tentaram explicar as origens do universos, mas a teoria do Big Bang é a explicação mais aceita.

Quantos anos têm o universo?


A partir das primeiras estrelas e galáxias, a Nasa informa que as movimentações desses corpos, com colisões e reagrupamentos, resultaram na origem de outros objetos espaciais – como os asteroides, cometas, planetas e buracos negros.


Segundo a agência espacial, estima-se que esse processo, que dura até hoje, já leve 13,8 bilhões de anos.
Quem criou a teoria do Big Bang


A Nasa conta que, em 1927, um cientista belga chamado Georges Lemaître – que também atuava como sacerdote católico – foi o primeiro a falar da origem do universo como uma expansão infinita, com um passado igualmente infinito, ou seja, que a criação do universo não seria igual ao começo do tempo.


Cerca de dois anos depois, observações do astrônomo norte-americano Edwin Hubble completaram a ideia da expansão contínua do universo. De acordo com ele, as galáxias seguiam se afastando e, quanto mais distante, mais rápido se moviam.


Por sua contribuição, o pesquisador americano foi homenageado ao ter seu nome dado para o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, que viaja pelo espaço desde 1990. As observações desse equipamento já geraram imagens impressionantes de estrelas, galáxias e outros objetos astronômicos a até 13,4 bilhões de anos luz da Terra.

O que foi a Guerra Fria?






Atores interpretando um policial militar do Exército dos Estados Unidos (à esquerda) e um soldado soviético posam para fotografias turísticas em frente ao Portão de Brandemburgo, no centro de Berlim.


A Guerra Fria foi um período marcado por um conflito político-ideológico travado entre Estados Unidos e a ex-União Soviética (URSS), entre 1947 e 1991. Esse período polarizou o mundo em dois grandes blocos, um alinhado ao capitalismo e outro alinhado ao comunismo.


O termo “guerra fria" foi atribuído ao período pela primeira vez em 1945, pelo escritor britânico George Orwell, autor de 1984. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, marcada pelo bombardeamento das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, o escritor usou o termo em um ensaio prevendo que isso desencorajaria uma guerra aberta entre grandes potências, criando, em vez disso, “um permanente estado de 'guerra fria'".

Características da Guerra Fria


Segundo livro A Era dos Extremos, do historiador Eric Hobsbawm, entre as características que marcaram esse momento da história mundial, pode-se destacar:


Polarização do mundo: a disputa travada entre norte-americanos e soviéticos afetou as relações internacionais dessas nações como um todo.


• Corrida armamentista: a procura pela hegemonia internacional fez com que as duas potências investissem no desenvolvimento de novas tecnologias bélicas, principalmente armas nucleares.


Corrida espacial: outro campo de disputa entre americanos e soviéticos foi nas expedições espaciais ao longo da década de 1960. Inúmeros avanços aconteceram nesse período, como o primeiro ser vivo a chegar ao espaço e o primeiro homem a pisar na Lua.


• A criação da Organização das Nações Unidas (ONU): A ONU foi criada a partir da antiga Liga das Nações, com o objetivo de “garantir a paz” entre as nações e promover políticas de caráter humanitário.
Muro de Berlim: símbolo da guerra fria


Por seu papel central durante a Segunda Guerra, a Alemanha foi o palco central do conflito EUA versus URSS. O território alemão foi dividido entre os países Aliados (EUA, França, Inglaterra e URSS), que saíram vitoriosos da guerra mundial.


O Estado Alemão passou a ser dois, um ocidental – aliado aos EUA e ao “bloco capitalista” – e outro oriental – aliado à URSS e ao “bloco socialista/soviético”. A divisa desses blocos era na capital alemã, Berlim, onde um muro de três metros de altura feito de concreto e rodeado de arame farpado foi construído, separando 45 quilômetros da divisa. Até hoje, o Muro de Berlim é um dos principais símbolos da Guerra Fria.


Quanto tempo uma pessoa sobrevive sem beber água?

A água é essencial para diversas funções do organismo. Entenda porque é preciso beber esse líquido todos os dias.
National Geographic Brasil




Mulher bebe água de uma fonte pública em um dia quente na Place de la République. Paris, França.Foto de William Daniels


A água é o elemento-chave para a manutenção da vida na Terra. Assim como é um recurso natural essencial no meio ambiente, ela também possibilita diversas funções vitais nos seres humanos.


Mais de 70% do organismo humano é composto de água, que é necessária para várias reações químicas do corpo, como explica Gabriela Cilla, nutricionista especialista em nutrição clínica, funcional e esportiva consultada pela National Geographic.


Como exemplo, a profissional de saúde menciona as funções da água para a regulação da temperatura corporal, para o transporte de nutrientes, a hidratação das células e a eliminação de toxinas através do suor e da urina.


A falta de água afeta diretamente o funcionamento do corpo. De acordo com o manual médico da MSD (nome no Brasil da farmacêutica norte-americana Merck) e referência para temas de saúde, em casos de desidratação a água se desloca do interior das células para a corrente sanguínea a fim de manter o volume necessário de sangue e a pressão arterial.


Se a desidratação continuar, os tecidos do corpo começam a secar e as células passam a encolher e a funcionar inadequadamente, podendo levar a pessoa a óbito em casos graves. A explicação está no manual que integra a Aliança Global de Conhecimento Médico (Global Medical Knowledge Alliance), uma iniciativa de criação de conteúdo educacional para médicos e pacientes baseado em evidências, escrito por especialistas e disponibilizado online.


Quanto tempo o corpo pode ficar sem água?


Na prática, a nutricionista Gabriela Cilla afirma que o tempo varia de pessoa para pessoa porque quanto mais massa muscular o indivíduo tem, mais água ele tem estocada no corpo. “O que se calcula é que, em média, o ser humano consegue sobreviver muitas semanas sem comida, mas a maioria das pessoas só permaneceria viva cerca de dois a quatro dias sem água”, diz a nutricionista.


Para evitar a desidratação, uma pessoa deve tomar uma quantidade de água equivalente a seu peso de massa muscular. “O que varia de 1,6 litro a 2,8 litros ao dia”, diz a especialista em nutrição. “Se a pessoa ingere menos que isso já pode apresentar um cenário de desidratação”.



Quais os sintomas da desidratação?


Segundo o manual médico da MSD, os estágios iniciais da desidratação estimulam o centro de sede do cérebro, como um motivador para que a pessoa beba mais líquidos. Se a ingestão de água não corresponder, os próximos sinais incluem a diminuição da sudorese e urina.


Boca seca, dor de cabeça, visão turva, rouquidão e fome também são sinais comuns da desidratação, de acordo com a nutricionista.


Para tratar a desidratação, é preciso beber água. “Deve-se aumentar a ingestão de líquidos e, dependendo do caso, também é recomendada a reposição de sódio e eletrólitos”, diz Gabriela Cilla.

A curiosa história do tomate: da má fama a ser estrela de vários pratos da culinária





Os tomates foram criticados durante séculos — então, como é que passamos a apreciá-los? Esta pequena cidade de Nova Jersey afirma ter desempenhado um papel importante.


Em outros tempos chamados de “maçãs venenosas”, os tomates eram considerados sobrenaturais e pecaminosos, especialmente por causa de sua cor vermelha.
Foto de The Maas Gallery, London, Bridgeman Images
Por Yolanda Evans

Publicado 15 de ago. de 2025, 15:30 BRT


Embora a cidade de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos, seja famosa pelos infames julgamentos de bruxas de 1692, há outra cidade chamada Salem — mas no estado norte-americano de Nova Jersey — que está ligada a uma história bastante lendária em que os tomates eram os inimigos.


Existem muitos mitos e lendas sobre como o tomate era visto como uma “maçã envenenada”, mas como ele perdeu sua reputação maligna e se tornou um produto alimentício amado é uma história complicada. De acordo com o historiador Andrew F. Smith, autor do livro “The Tomato in America: Early History, Culture, and Cookery” (em tradução livre, “O tomate na América do Norte: história inicial, cultura e culinária”), a história envolve um agricultor e horticultor que fez de tudo para provar que o tomate era seguro para consumo.


Mas até que ponto essa história é verdadeira? Aqui está o que sabemos sobre o passado conturbado dessa fruta infame e como ela se tornou um símbolo nesta cidade de Nova Jersey.


Por que as pessoas temiam o tomate?



Os astecas, povos da América Central e do Sul pré-colombianos, são creditados por cultivar, consumir e dar nome ao tomate, e a fruta foi posteriormente levada para a Europa pelos colonizadores espanhóis e portugueses no século 16.


A lenta introdução do tomate em toda a Europa deveu-se, em parte, ao receio em relação à cor vermelha, que era vista como pecaminosa e sobrenatural.




Os aristocratas adoeciam e/ou morriam quando consumiam tomates, mas o problema era os pratos em que comiam.Foto de O. F. Cook, Nat Geo Image Collection


Em 1544, o herbalista italiano Pietro Andrea Mattioli classificou o tomate como uma solanácea e uma mandrágora — uma categoria de alimentos conhecida como afrodisíaca. O tomate era frequentemente referido como uma “maçã do amor” e mantido à distância.


Mais tarde, em 1597, o proeminente herbalista e botânico inglês John Gerard falou que os tomates tinham “sabor forte e fétido” em seu livro “Herbal”. Essa afirmação negativa basicamente selou o destino do tomate na Grã-Bretanha e, mais tarde, nas colônias inglesas nas Américas.


No século 18, o tomate foi apelidado de “maçã venenosa” porque os aristocratas adoeciam e/ou morriam após consumi-lo. Porém, não foi o consumo do tomate que provocou sua doença ou morte. Em vez disso, o motivo real foram os pratos que os ricos usavam para jantar — especificamente os pratos de estanho. Esses pratos continham altos níveis de chumbo que, quando misturados com a acidez natural do tomate, causavam envenenamento por chumbo.




Em seu livro, Smith observa que algumas das primeiras referências ao tomate nas colônias norte-americanas datam do final do século 18, mas as pessoas cultivavam a fruta por curiosidade, não para consumi-la.


“Para aqueles que chegaram às Américas no período colonial, isso simplesmente não fazia parte de seus planos”, comenta Smith.
A ascensão dos tomates em mitos e folclores



De acordo com Smith, a imigração em grande escala para os Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20 — particularmente de italianos, que trouxeram consigo a invenção da pizza — contribuiu para o consumo eventual de tomates.


Mas foi Robert Gibbon Johnson, que era um agricultor e horticultor da cidade de Salem, Nova Jersey, que finalmente causou uma impressão duradoura na opinião pública sobre os tomates.


Segundo a lenda falada até os dias de hoje, Johnson subiu os degraus do tribunal de Salem em 1820, comendo uma cesta cheia de tomates para que todos pudessem ver. Quando ele não morreu envenenado após ingeri-los, espalhou-se a notícia de que os tomates eram seguros para consumo.


No entanto, nunca foi encontrado nenhum registro das ações de Johnson. A história foi mencionada pela primeira vez pelo chefe dos correios de Nova Jersey e historiador amador Joesph S. Sickler em seu livro de 1937, “History of Salem County, New Jersey: Being the Story of John Fenwick's Colony, the Oldest English Speaking Settlement on the Delaware River” (em tradução livre, “História do condado de Salem, Nova Jersey: a história da colônia de John Fenwick, o mais antigo assentamento de língua inglesa no rio Delaware”), e rapidamente se tornou uma lenda sobre o tomate.mato lore.




Apesar de não haver registros das ações de Johnson nos degraus do tribunal em Salem, isso não impediu que esta cidade de Nova Jersey entrasse na brincadeira e fizesse do tomate seu símbolo ao longo do tempo.Foto de Justin Locke, Nat Geo Image Collection


Smith encontrou evidências de que Johnson realmente cultivava tomates, então “é certamente possível que seu trabalho tenha incentivado outras pessoas a consumir”, afirma ele. Mas Smith observa que muitas outras pessoas cultivavam tomates na época, então essa não é a única razão pela qual a fruta se tornou popular. Na década de 1830, uma série de livros de receitas com tomate estava sendo publicada nos Estados Unidos.


Rich Guido, diretor executivo e bibliotecário da Sociedade Histórica do Condado de Salem (NJ), acredita que essa história fantástica é típica de uma pequena cidade rural apaixonada por sua história local, mesmo que a história possa ter muitas meias verdades.


“Sempre tivemos uma conexão com a história e com o fato de sermos uma comunidade agrícola rural — é por isso que a história do tomate realmente entra em jogo”, diz Guido.


Como o tomate continua vivo em Salem, Nova Jersey



Embora não haja provas físicas ou documentação do teste do tomate de Johnson, isso não impediu as pessoas de acreditarem nessa história. Sickler acabou por contar a história a Harry Emerson Wildes, um sociólogo e historiador norte-americano, que escreveu sobre ela no seu livro de 1940, “The Delaware”. Pouco depois, Stewart Holbrook acrescentou mais detalhes ao evento no seu livro de 1946, “Lost Men of American History” (algo como “Homens perdidos da história americana”, em tradução livre).


Em 30 de janeiro de 1949, a rádio norte-americana CBS deu ainda mais notoriedade à narrativa ao transmitir uma reconstituição do famoso momento em que Johnson comeu um tomate no programa “You Are There”; Sickler atuou como consultor histórico do programa.


Em Salem, Nova Jersey, de 1989 a 2022, a cidade realizou o “Salem Tomato Festival”, onde moradores e visitantes assistiam a reconstituições do evento de Johnson, vestiam fantasias e, é claro, comiam tomates. No entanto, de acordo com Guido, o festival foi suspenso quando foi revelado que Johnson era proprietário de pessoas escravizadas.


Quanto ao motivo pelo qual Salem e Nova Jersey adotaram essa lenda como a história obscura do Garden State, Curtis Harker, gerente de registros do condado de Salem, acredita que seja pelo amor ao tomate de Salem — que também envolveu uma certa empresa de ketchup em determinado momento.


“É uma combinação do amor pelo enorme e saboroso tomate de Salem colocado em um hambúrguer, o aroma da Heinz Company que se espalhou pela cidade ao fabricar ketchup em Salem por 100 anos até 1977 e a divertida história de Johnson comendo corajosamente um tomate na escadaria do tribunal”, diz ele.


Embora a tradição em torno de Johnson tenha sido manchada por sua escravidão, o tomate continua a manter seu domínio sobre esta pequena cidade de Nova Jersey.
National Geographic Brasil

Floresta Amazônica emitiu mais dióxido de carbono do que absorveu na última década

Pesquisadores observaram que as taxas de emissão superaram em 20% as de absorção de CO2 entre os anos de 2010 e 2019. Resultados preocupam comunidade científica, por apontarem caminho para um cenário irreversível.





O bioma amazônico sempre foi um importante aliado na luta para conter a poluição causada pelo excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. No entanto, um novo estudo traz resultados preocupantes. Entre os anos de 2010 e 2019, as emissões de dióxido de carbono da floresta Amazônia superaram em 20% as taxas de absorção. Foram liberadas 16.600 bilhões de toneladas de CO2, contra 13.900 bilhões de toneladas absorvidas.

A equipe responsável pela pesquisa publicada na Nature Climate Change envolveu especialistas de diversas nacionalidades. Eles analisaram a quantidades de gás carbônico eliminada durante queimadas e outros processos destrutivos, e compararam com o volume de CO2 absorvido enquanto a vegetação crescia.

“Essa é a primeira vez que observamos como a floresta amazônica mudou. Agora ela é um grande emissor” , disse Jean-Pierre Wigneron, coautor do estudo e cientista do Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica (INRAE) da França à agência de notícias francesa AFP. “Não sabemos quando essa mudança poderá se tornar irreversível”

Através de métodos inovadores de análise de dados captados por satélites, desenvolvidos pela Universidade de Oklahoma, os pesquisadores descobriram que a degradação florestal foi responsável por taxas de emissão de CO2 três vezes maiores que as do desflorestamento direto de florestas. A degradação acontece através da fragmentação, do corte seletivo e da realização de queimadas que danificam a vegetação, mas não chegam a eliminá-la.

Além disso, o estudo mostrou que em 2019, o desmatamento via fogo e exploração madeireira quase quadruplicou. Em comparação com os dois anos anteriores, a área desmatada passou de 1 milhão de hectares para 3,9 milhões, o equivalente ao tamanho da Holanda. Esse período coincide com a redução de controle ambiental da gestão presidencial de Jair Bolsonaro.

“O Brasil sofreu um enorme declínio na aplicação de medidas de proteção ambiental após a mudança de governo”, comentou a INRAE em uma declaração à imprensa.
Ponto de inflexão

A Amazônia representa aproximadamente metade das florestas tropicais do mundo, sendo o tipo de vegetação mais efetiva na captação e armazenamento de gás carbônico.

Como os dados analisam apenas a porcentagem da floresta que está presente no território brasileiro (60%), ainda não se sabe a situação da bioma como um todo. Para Jean-Pierre Wigneron, o quadro de emissão e captação de CO2 é “provavelmente neutro”.

No entanto, isso não significa que não há riscos. “Nos outros países que contém a floresta tropical amazônica, o desmatamento também está aumentando e a estiagem tem sido mais intensa. Caso a região se torne uma grande fonte emissora, lidar com a crise climática será muito mais difícil”, concluiu o especialista e sua equipe.


A mudança climática é uma grande ameaça, e pode levar a floresta tropical do continente a um estado de savana muito mais seco. Isso não afetaria apenas a América do Sul, pois a destruição da região, que hoje abriga enorme biodiversidade, tem o potencial para causar impactos globais. A floresta amazônica é considera um ponto estratégico no sistema climático, e é extremamente vulnerável ​​a transições irreversíveis, que alterariam radicalmente o mundo como nós conhecemos.

Publicado em 03/05/2021
Scientific American

Conheça a aldeia Apiwtxa, trazendo lições do interior da floresta amazônica para o mundo


Como estratégia de sobrevivência em uma sociedade que dizima indígenas e os recursos naturais, os Ashaninka da terra indígena Kampa do rio Amônia, no Acre, fundaram a Associação Apiwtxa.






O modo de vida Apiwtxa garante a sustentação da comunidade sem exaurir os recursos da floresta amazônica. Crédito: © André Dib / Scientific American

A cidade mais próxima da aldeia Apiwtxa, a pequena Marechal Thaumaturgo, no Acre, fica a três horas de viagem de barco para dentro da floresta amazônica. Ela é acessível por um voo fretado a partir de Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do estado. Por mais distante que esteja dos centros urbanos, a comunidade de cerca de mil pessoas do povo indígena Ashaninka nos traz importantes lições em seu modo de vida e organização, transpassado por uma rica história de resistência e convívio sustentável com a natureza.

A fundação da comunidade remonta à década de 1930, quando o local da aldeia começou a receber diversas famílias da região, se afastando da violência e exploração por madeireiros, pecuaristas, colonizadores e mineradores. Desde o início, o grupo lutou pelo certificado de suas terras e para preservá-las das incursões cada vez mais intensas buscando extrair os recursos naturais da região do rio Amônia.

A oportunidade de obter um registro oficial só surgiu com a Constituição de 1988, que assegurava aos indígenas o uso dos recursos de suas terras, além de abrir mais espaço para políticas de demarcação e preservação através da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Por mais notável que seja a luta dos Ashaninka, no entanto, o grande destaque do artigo de capa da edição especial de julho de 2022 — “Lições da Amazônia para o mundo”, de Carolina Schneider Comandulli, antropóloga pela Universidade College de Londres que estuda povos indígenas desde os anos 2000 — é o modo de vida Apiwtxa.

Derivada de um extenso planejamento que leva em conta diversas dimensões de sua vida — desde aspectos espirituais e religiosos até as necessidades mais práticas de renda —, a comunidade fundou a Associação Apiwtxa. Seu objetivo é representar os interesses do grupo para a sociedade não-indígena, garantindo que a comunidade tenha, acima de tudo, independência e capacidade autossuficiência.

Extraindo (quase) todos os recursos de que necessita para viver de seus entornos naturais, entre caça, agricultura e extrativismo, a aldeia garante sua autonomia alimentar. E, através da produção de peças artísticas para venda, garante também autonomia econômica.

Essas autonomias são essenciais para que o grupo permaneça unido e consiga resistir às frequentes incursões em suas terras — muitos dos mesmos desafios que levaram a formação da comunidade em primeiro lugar. Mas, sem depender de seus recursos, a Apiwtxa se torna um agente ativo na sua história, capaz de moldar as circunstâncias ao seu redor.


Para resistir aos desafios, a Apiwtxa trabalha junto de ONGs e está em constante contato com instituições ambientais e governos, marcando presença na mídia. Em seu texto, Comandulli entende que o trabalho da comunidade não é moderno, “no sentido de que não buscavam um estado de desenvolvimento modelado em um ideal de progresso e crescimento que muitos aspiram mas poucos podem alcançar”. Mas, ao contrário, pode certamente ser considerado contemporâneo, “no sentido de encontrar suas próprias soluções para os problemas atuais”. É através dessa contemporaneidade que algumas de suas maiores lições se revelam: viver com a natureza (e não a partir dela) não se trata de um ideal nostálgico, mas sim de uma necessidade do mundo atual diante das circunstâncias de crise ambiental e climática.

Se interessou pela aldeia Apiwtxa e seu modo de vida? Então leia o artigo “Lições da Amazônia para o mundo” de Comandulli na edição de julho de 2022 (nº 232), comemorativa de 20 anos da Scientific American Brasil. Venha celebrar conosco e adquira a sua, disponível por compra avulsa ou assinatura nas versões impressa e digital.

Publicado em 20/07/2022.

Geografia e a Arte

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