quinta-feira, 12 de março de 2026

SIMULADO DE GEOGRAFIA - Professor de Geografia - Pref. Cerquilho/SP 2025


QUESTÃO 21 Em meio às tensões geopolíticas no Leste Europeu, um país-membro da OTAN anunciou aumento significativo nos gastos militares, destinando cerca de 4% do seu PIB à defesa, o maior percentual entre os países da aliança. Localizado próximo à fronteira com a Rússia, esse país tem buscado reforçar sua capacidade bélica como medida de dissuasão estratégica. O país descrito é: 
(A) Noruega 
(B) Alemanha 
(C) França 
(D) Polônia 
(E) Espanha 
QUESTÃO 22 De acordo com o Censo Demográfico de 2022 (IBGE), entre as unidades da federação do Nordeste, apenas um Estado apresentou Taxa Líquida de Migração positiva, com saldo de 31 mil pessoas e índice de 0,78%, o primeiro resultado positivo desde 1991. Esse Estado foi: 
(A) Rio Grande do Norte 
(B) Ceará 
(C) Pernambuco 
(D) Bahia 
(E) Paraíba 
QUESTÃO 23 O fluxo migratório de brasileiros para o exterior tem se intensificado nas últimas décadas, motivado por fatores econômicos, educacionais e de qualidade de vida. Entre os destinos mais procurados, destaca-se um país que abriga a maior comunidade brasileira fora do Brasil, com alta concentração em áreas urbanas, inserção no mercado de serviços e presença significativa de jovens adultos. O País que mais abriga brasileiros no exterior é: 
(A) Portugal 
(B) Estados Unidos 
(C) Japão 
(D) Canadá 
(E) Reino Unido 
QUESTÃO 24 O desmatamento no Cerrado tem sido intensificado pelo avanço da fronteira agrícola, especialmente no MATOPIBA. Essa sigla designa o território de expansão agropecuária situado nos estados: 
(A) Mato Grosso, Amapá, Piauí e Bahia. 
(B) Mato Grosso, Tocantins, Pará e Bahia. 
(C) Mato Grosso do Sul, Piauí, Goiás e Bahia. 
(D) Maranhão, Tocantins, Pernambuco e Alagoas. 
(E) Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 
QUESTÃO 25 O território brasileiro, situado majoritariamente na zona tropical, apresenta grande diversidade climática em razão de sua extensão e relevo. O tipo de clima típico do Sertão nordestino, caracterizado por altas temperaturas, baixa umidade e chuvas escassas e irregulares, é o: 
(A) Tropical úmido. 
(B) Equatorial. 
(C) Semiárido. 
(D) Subtropical. 
(E) Tropical de altitude. 
QUESTÃO 26 A teoria da isostasia explica o equilíbrio vertical da litosfera sobre o manto subjacente. Esse equilíbrio é comparável a um corpo flutuando sobre um fluido, em que variações de massa e densidade condicionam movimentos verticais da crosta. Assinale a alternativa que melhor expressa o princípio físico dessa teoria. 
(A) Lei da gravitação universal 
(B) Princípio da ação e reação 
(C) Lei da inércia 
(D) Teoria da deriva continental 
(E) Princípio de Arquimedes 
QUESTÃO 27 Em regiões semiáridas, é comum encontrar rios que apresentam escoamento apenas durante a estação chuvosa, permanecendo secos no restante do ano. Esses cursos d’água são denominados: 
(A) intermitentes 
(B) perenes 
(C) exorreicos 
(D) endorreicos 
(E) estacionais 
QUESTÃO 28 Em setembro de 2025, o Nepal foi palco de intensos protestos após o governo impor a proibição de 26 plataformas de redes sociais, medida que levou milhares de jovens às ruas em defesa da liberdade de expressão e contra a corrupção. O movimento, marcado pelo uso de meios digitais para organização e mobilização, resultou na renúncia do primeiro-ministro K. P. Sharma Oli, na nomeação de um governo interino e na convocação de novas eleições. O grupo geracional que protagonizou tal movimento foi: 
(A) Geração X 
(B) Baby Boomers 
(C) Geração Y (Millennials) 
(D) Geração Z 
(E) Geração Alfa 
QUESTÃO 29 Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades e de não sofrer discriminação. Sobre a plena capacidade civil, assinale a alternativa INCORRETA: 
(A) Casar-se e constituir união estável é direito da pessoa com deficiência. 
(B) Exercer direitos sexuais e reprodutivos é garantido em igualdade de condições com as demais pessoas. 
(C) Exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar é direito assegurado. 
(D) A esterilização compulsória é permitida mediante autorização judicial e laudo médico especializado. (E) Exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas é direito da pessoa com deficiência.
QUESTÃO 30 Nas disputas tecnológicas entre as grandes potências, os Estados Unidos impuseram restrições à exportação de microchips e equipamentos de alta tecnologia para a China, buscando limitar o avanço de sua indústria de semicondutores. Em resposta, o governo chinês adotou medidas de controle sobre a exportação de um conjunto de minerais essenciais à fabricação desses mesmos componentes, dos quais o país detém as maiores reservas e capacidade produtiva mundial. Os recursos estratégicos em questão são: 
(A) Petróleos 
(B) Gases naturais 
(C) Cobres 
(D) Terras raras 
(E) Lítios 
QUESTÃO 32 O vulcanismo é um processo geológico associado à liberação de magma proveniente do interior da Terra. Esse fenômeno tende a ocorrer com maior frequência: 
(A) nas zonas de estabilidade tectônica, onde as placas estão em equilíbrio. 
(B) nas bordas de placas divergentes e convergentes, onde há intensa atividade interna. 
(C) nas regiões de planícies sedimentares, devido à pressão das camadas superficiais. 
(D) nos pontos centrais das placas oceânicas, onde não há movimentação crustal. 
(E) nas áreas de maior altitude, independentemente da estrutura tectônica. 
QUESTÃO 33 No ensino de Geografia, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são instrumentos essenciais para o desenvolvimento do pensamento espacial. Entre os recursos técnicos aplicáveis à análise e representação do espaço geográfico, destacam-se: 
(A) Produção artesanal de mapas digitais. 
(B) Portfólios digitais e avaliações descritivas. 
(C) Softwares de texto e planilhas eletrônicas. 
(D) Jogos lúdicos sem base cartográfica. 
(E) SIG, sensoriamento remoto e geoprocessamento. 
QUESTÃO 34 O território, na perspectiva da Geografia crítica, é compreendido pela: 
(A) homogeneidade natural e ausência de conflitos. 
(B) simples delimitação cartográfica de uma superfície terrestre. 
(C) relação de poder e controle exercida sobre um espaço. 
(D) distribuição regular da população em áreas urbanas. 
(E) neutralidade política das fronteiras espaciais.
QUESTÃO 35 O BRICS constitui um agrupamento interestatal que visa fortalecer a cooperação econômica, política, científica e tecnológica entre as principais economias emergentes, com o objetivo de promover maior equilíbrio na governança global e reduzir a assimetria de poder nas instituições internacionais. Em sua fase recente, o bloco anunciou um processo de ampliação, convidando novos países a integrar-se formalmente, embora nem todos tenham consolidado sua adesão. Na configuração compreendido até o início de 2025, o único membro pleno da América Latina é: 
(A) Argentina 
(B) México 
(C) Chile 
(D) Brasil 
(E) Venezuela 
QUESTÃO 37 Os componentes físico-naturais do espaço geográfico compreendem elementos como: 
(A) relevo, clima, vegetação, hidrografia e solo. 
(B) população, economia, política e cultura. 
(C) fluxos comerciais, fronteiras e redes de transporte. 
(D) instituições, linguagens e tradições simbólicas. 
(E) infraestrutura, urbanização e industrialização. 
QUESTÃO 38 Entre 30° e 60° de latitude, o ar proveniente das zonas subtropicais de alta pressão desloca-se em direção aos polos, encontrando-se com o ar frio das regiões polares. Essa convergência cria sistemas de baixa pressão e gera correntes de oeste que influenciam o tempo nas latitudes médias. Assinale a alternativa que corresponde a essa célula da circulação atmosférica global. 
(A) Célula de Hadley 
(B) Célula de Ferrel 
(C) Célula Polar 
(D) Célula Intertropical 
(E) Célula Subtropical 
QUESTÃO 39 Processo de transformação do relevo associado ao movimento das águas correntes, responsável pela esculturação de vales e formação de planícies aluviais, além do transporte e deposição de sedimentos ao longo dos rios. Assinale a alternativa que corresponde ao tipo de dinâmica descrita. 
(A) Dinâmica gravitacional 
(B) Dinâmica glacial 
(C) Dinâmica eólica 
(D) Dinâmica marinha 
(E) Dinâmica fluvial
QUESTÃO 40 Desde a primeira eleição de Emmanuel Macron (2017), o presidente nomeou seis primeirosministros diferentes — Edouard Philippe, Jean Castex, Élisabeth Borne, Gabriel Attal, Michel Barnier e François Bayrou — e, com a nomeação de Sébastien Lecornu em 9 de setembro de 2025, chegou ao sétimo. A França, desde a promulgação da Constituição de 1958, vive sob a chamada Quinta República, marcada por um modelo semipresidencialista que combina um Presidente da República com amplos poderes e um Primeiro-Ministro responsável perante o Parlamento. O sistema eleitoral francês passou por reformas importantes, como o referendo de 2000, que reduziu o tempo de mandato presidencial. Com base nas disposições constitucionais francesas em vigor, assinale a alternativa correta: 
(A) O Presidente francês é eleito por sufrágio direto para um mandato de quatro anos, com possibilidade de recondução, ilimitada. 
(B) O mandato presidencial na França tem duração de cinco anos, e o chefe de Estado pode exercer até dois mandatos consecutivos. 
(C) O Chefe de Estado é designado pelo Parlamento após consulta ao Conselho Constitucional. 
(D) O cargo de Presidente é rotativo entre as regiões, de modo a garantir representação territorial. 
(E) O sistema eleitoral francês é majoritário e indireto, semelhante ao modelo norte-americano. 
QUESTÃO 41 Rios que mantêm escoamento contínuo ao longo de todo o ano, independentemente da sazonalidade pluviométrica, recebem a denominação de 
(A) efêmeros 
(B) intermitentes 
(C) perenes 
(D) exorreicos 
(E) endorreicos 
QUESTÃO 42 Segundo o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE, “Em 2022, do total de 203,1 milhões de pessoas da população brasileira, 177,5 milhões (87,4%) residiam em áreas urbanas, enquanto 25,6 milhões viviam em áreas rurais.” (Agência IBGE Notícias) À luz das informações fornecidas, indique a alternativa correta: 
(A) O Brasil tornou-se predominantemente rural, com mais da metade da população vivendo fora das cidades. 
(B) A proporção de moradores urbanos em 2022 comprova a continuidade do processo de urbanização no país. 
(C) Entre 2010 e 2022, o percentual de população urbana reduziu, revelando tendência à reocupação do campo. 
(D) A população rural brasileira ultrapassou 30% do total, indicando reversão do êxodo rural. 
(E) O IBGE passou a considerar como área urbana os perímetros definidos por cada município, com ausência de mudanças conceituais. 
QUESTÃO 43 A Mata Atlântica sofreu forte degradação em função da ocupação histórica do território brasileiro. Entre os principais fatores antrópicos responsáveis pela fragmentação de seus remanescentes, destaca-se: 
(A) a ausência de políticas de reflorestamento desde o período colonial brasileiro. 
(B) a baixa fertilidade natural dos solos e a presença de relevo escarpado. 
(C) a predominância de solos lateríticos e a elevada pluviosidade anual. 
(D) a escassez de cursos d’água perenes em sua faixa litorânea. 
(E) a expansão agropecuária e urbana sobre áreas originalmente florestadas.
QUESTÃO 44 Na ordem econômica mundial contemporânea, observa-se a persistência de assimetrias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, sobretudo no acesso a mercados, tecnologia e financiamento. Diante disso, o Brasil tem buscado consolidar uma posição que combine soberania nacional com integração global. Assinale a alternativa que expressa uma das principais demandas do Brasil no sistema econômico internacional. 
(A) Manutenção de barreiras tarifárias nos países desenvolvidos para proteger as exportações brasileiras de commodities. 
(B) Redução das políticas de transferência tecnológica para fortalecer a dependência econômica do Sul Global. 
(C) Ampliação da representatividade de países emergentes em organismos multilaterais como FMI e OMC. 
(D) A realização de comércio Sul-Sul, priorizando acordos, tão somente, com países centrais deste espectro. 
(E) Subordinação das políticas econômicas nacionais às diretrizes financeiras do G7. 
QUESTÃO 45 A fragmentação das rochas e a redistribuição de materiais superficiais envolvem mecanismos distintos de atuação dos agentes exógenos. O processo de desagregação da rocha transformando-a em material descontínuo e friável, é denominado: 
(A) Sedimentação fluvial 
(B) Intemperismo químico 
(C) Erosão laminar 
(D) Transporte coluvial 
(E) Intemperismo físico 
QUESTÃO 46 A desigualdade geracional refere-se às disparidades de acesso a recursos, oportunidades e condições de vida entre diferentes faixas etárias. Ela pode ser observada na inserção no mercado de trabalho, na renda, no acesso à tecnologia e à previdência social. Assinale a alternativa que melhor exemplifica a desigualdade geracional no cenário econômico brasileiro. 
(A) Jovens com alto nível de escolaridade alcançando remuneração superior à média nacional logo após ingressarem no mercado de trabalho. 
(B) A ampliação do acesso de idosos a cursos de qualificação profissional oferecidos por políticas públicas municipais. 
(C) Adultos com idade intermediária (30–50 anos) apresentando estabilidade ocupacional e renda crescente ao longo da carreira. 
(D) Jovens enfrentando maior taxa de desemprego e informalidade, enquanto idosos mantêm estabilidade previdenciária e patrimonial. 
(E) A universalização do ensino básico reduzindo as diferenças de escolarização entre gerações distintas. 
QUESTÃO 47 As isotermas representam, nos mapas climáticos, linhas que: 
(A) separam áreas sob influência de massas frias. 
(B) indicam áreas de igual pressão atmosférica. 
(C) delimitam zonas de igual umidade relativa. 
(D) unem pontos de mesma temperatura média. 
(E) marcam o limite entre correntes quentes e frias.
QUESTÃO 48 Associe corretamente cada princípio do raciocínio geográfico à sua descrição. 
1 - Analogia 
2 - Conexão 
3 - Diferenciação 
4 - Distribuição 
( ) Um fenômeno geográfico nunca acontece isoladamente, mas sempre em interação com outros fenômenos próximos ou distantes. 
( ) É a variação dos fenômenos de interesse da geografia pela superfície terrestre, resultando na diferença entre áreas. 
( ) Exprime como os objetos se repartem pelo espaço. 
( ) Um fenômeno geográfico sempre é comparável a outros. 
A identificação das semelhanças entre fenômenos geográficos é o início da compreensão da unidade terrestre. 
(A) 2 – 4 – 1 – 3 
(B) 3 – 1 – 2 – 4 
(C) 2 – 3 – 4 – 1
(D) 4 – 2 – 3 – 1 
(E) 1 – 2 – 3 – 4 
QUESTÃO 49 O conceito de espaço geográfico, conforme a base nacional curricular, deve ser trabalhado de forma articulada com outro conceito igualmente essencial, considerado uma construção social, que se associa à memória e às identidades sociais dos sujeitos. Trata-se de: 
(A) Natureza 
(B) Bioma 
(C) Tempo 
(D) Clima 
(E) Terremoto 
QUESTÃO 50 Os cartógrafos trabalham com uma visão reduzida do território, sendo necessário indicar a proporção entre a superfície terrestre e a sua representação. Essa proporção é indicada pela escala, que expressa a relação entre a medida do espaço real e sua medida no mapa. A ___________ indica essa relação por meio de uma proporção expressa em números, como em “1:100 000”, enquanto a ____________ é uma linha graduada que representa graficamente as distâncias correspondentes no terreno, dispensando cálculos de conversão. Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas, respectivamente: 
(A) escala gráfica / escala numérica 
(B) escala local / escala regional 
(C) escala numérica / escala gráfica 
(D) escala topográfica / escala planimétrica 
(E) escala grande / escala pequena

Gabarito:



O hidrogénio verde (ainda) tem um problema. Os cientistas querem reinventá-lo




ZAP // TU Graz; Freepik

Merit Bodner, investigadora da TU Graz, na Áustria
Um novo projeto da UE está tentar a reinventar o hidrogénio verde — para que seja mais limpo, mais barato e sem “químicos eternos”.


O hidrogénio verde poderá ser uma revolução para a transição energética limpa — mas, neste momento, é demasiado caro, ainda depende de “químicos eternos” prejudiciais, os famosos “PFAS”, e a sua ineficiência energética impede que seja competitivo face aos combustíveis fósseis.

Um novo projeto apoiado pela UE, denominado SUPREME, tem como objetivo mudar estas limitações, reinventando a forma como o hidrogénio é produzido.

Liderado pela Universidade do Sul da Dinamarca, com parceiros em toda a Europa, os investigadores estão a desenvolver um sistema de eletrólise sem PFAS, que reduz drasticamente a utilização de metais raros como o irídio e corta significativamente os custos.


O hidrogénio verde é considerado um pilar fundamental da transição global para o abandono dos combustíveis fósseis. No entanto, produzi-lo em escala continua a ser simultaneamente dispendioso e ambientalmente complexo.

Um dos principais métodos de produção, a eletrólise PEM (membrana de troca de protões), funciona particularmente bem quando a eletricidade proveniente da energia eólica e solar oscila. Contudo, ainda é muito mais cara do que produzir hidrogénio a partir de combustíveis fósseis.

Existem também preocupações ambientais. Os sistemas PEM atuais dependem dos chamados “químicos eternos”, substâncias que a União Europeia prevê eliminar progressivamente devido aos seus riscos para o ambiente e para a saúde.


Nos próximos três anos, investigadores da Universidade do Sul da Dinamarca, em colaboração com a Universidade de Tecnologia de Graz (TU Graz) e outros parceiros, vão desenvolver um sistema de eletrólise sem PFAS mais eficiente e use quantidades muito menores de matérias-primas críticas, como o irídio.

O objetivo é tornar o “H₂ verde” significativamente mais acessível e sustentável.

“O hidrogénio é usado como matéria-prima em quantidades muito elevadas, e esta tendência continuará a acentuar-se no futuro. Entre os exemplos mais relevantes contam-se a produção de amoníaco, a produção de metanol e a indústria siderúrgica”, diz Merit Bodner, investigadora da TU Graz, em comunicado.

“Se conseguirmos eliminar a utilização de substâncias nocivas na produção de hidrogénio verde e aproximarmos o seu preço do hidrogénio de origem fóssil em termos económicos, teremos dado um passo importante rumo à transição verde.”, diz Bodner.


“Isso torna-o igualmente mais atrativo para outras aplicações, como o armazenamento de excedentes de energia proveniente das renováveis”, conclui a investigadora.

O hidrogénio já tem um papel central nos principais processos industriais, e prevê-se que a procura continue a crescer. Tornar a sua produção mais limpa e competitiva face ao H₂ de origem fóssil pode acelerar o seu uso não só na indústria, mas também como forma de armazenar o excesso de energia renovável.

Se o projeto SUPREME vai ou não conseguir ultrapassar as limitações e reinventar o H₂ verde… saberemos daqui a três anos.
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O mistério das nuvens da Antártida: o que flutua realmente sobre o gelo?



Alfred Wegener Institute / Philipp Joppe, MPI for Chemistry


Em condições antárticas desafiantes, os investigadores realizaram dez voos de medição desde a Estação Neumayer III, na Alemanha, até ao paralelo 80 sul

Uma rara campanha de voos de grande profundidade sobre a Antártida revelou concentrações inesperadas de aerossóis sobre o interior do continente.


A Antártida é um dos principais reguladores do clima da Terra, uma vez que reflete para o espaço uma grande parte da energia solar. As suas vastas calotes de gelo e a persistente cobertura de nuvens são elementos centrais desse efeito de arrefecimento.

Ainda assim, os cientistas continuam sem compreender plenamente de que forma as nuvens se formam sobre o continente, como se comportam na atmosfera polar, ou de que modo as partículas em suspensão no ar, conhecidas como aerossóis, influenciam estes processos.

Para dar resposta a estas questões, investigadores do Instituto Alfred Wegener, do Instituto Leibniz para a Investigação da Troposfera e do Instituto Max Planck de Química lançaram a campanha de voos SANAT.


As medições de aerossóis realizadas com recurso a aeronaves são as primeiras efetuadas na Antártida em duas décadas e as primeiras a alcançar o interior profundo do continente.

As nuvens começam a formar-se quando o vapor de água se condensa sobre partículas microscópicas em suspensão no ar, explica o Max Planck Institute em comunicado.

Estas partículas, denominadas aerossóis, podem ser compostas por sal marinho, poeira, fuligem ou outras substâncias que fornecem uma superfície sobre a qual se podem desenvolver gotículas de água ou cristais de gelo.


Em comparação com a maior parte do mundo, a atmosfera da Antártida contém muito menos aerossóis. Mesmo pequenas variações no seu número ou composição química podem afetar significativamente a formação de nuvens e, consequentemente, a capacidade do planeta de refletir a radiação solar de volta para o espaço.

Os cientistas continuam a trabalhar para clarificar a forma como os aerossóis e as nuvens interagem nas condições antárticas.

“Para colmatar esta lacuna de conhecimento, estamos a investigar as fontes naturais e antropogénicas de aerossóis, as condições em que se formam novas partículas e a forma como as suas propriedades se alteram quando flutuam a diferentes altitudes na atmosfera ou são transportadas sobre oceanos, plataformas de gelo e o continente antártico”, explica Zsófia Jurányi, do Instituto Alfred Wegener e do Centro Helmholtz para a Investigação Polar e Marinha (AWI).

Jurányi lidera a campanha SANAT em colaboração com Frank Stratmann, do Instituto Leibniz, e Stephan Borrmann, do Instituto Max Planck de Química. A equipa está a examinar a origem dos aerossóis antárticos e a forma como estes se movem pela atmosfera.


“Estamos particularmente interessados nas partículas que atuam como núcleos de condensação ou núcleos de gelo, uma vez que são estas que conduzem, em última análise, à formação de nuvens em fase líquida, em fase mista ou de gelo”.

Durante janeiro e fevereiro, a equipa realizou dez voos de investigação a bordo da aeronave Polar 6, do AWI. A operar em condições polares adversas, os voos partiram da Estação Neumayer III, da Alemanha, chegando até ao paralelo 80 Sul.


Alfred Wegener Institute / Philipp Joppe, MPI for Chemistry

A campanha de voos SANAT investigou a origem e o transporte de aerossóis na atmosfera antártica, onde as nuvens se formam – pela primeira vez também em alto mar

“As últimas medições comparáveis realizaram-se há 20 anos, e a campanha dessa época incidia apenas sobre a distribuição espacial dos aerossóis na região costeira antártica”, afirma Stratmann. “Medimos agora, pela primeira vez, aerossóis muito mais a sul, sobre o Plateau Antártico, recorrendo em alguns casos a técnicas e métodos recentemente desenvolvidos”.
Descobertas surpreendentes

Um dos instrumentos especializados que foram usados na campanha SANAT é o T-Bird, uma sonda rebocada pela aeronave através de um cabo de 60 metros. A funcionar de forma independente da aeronave, recolhe medições detalhadas durante o voo.


Combinado com os instrumentos instalados a bordo do Polar 6 e com as observações feitas em terra na Estação Neumayer III, o sistema permitiu aos cientistas documentar a abundância de aerossóis, os processos de transporte à microescala e a composição química.

Os investigadores registaram igualmente as principais condições atmosféricas, incluindo a pressão do ar, a temperatura e os níveis de vapor de água.

Ao longo dos voos, foi possível recolher um volume extenso de dados, que a equipa pretende agora analisar ao longo dos próximos meses. Uma avaliação preliminar já revelou algo surpreendente.

“No interior, observámos uma concentração de aerossóis inesperadamente elevada, bem como composições químicas de grande interesse”, diz Stephan Borrmann.


“A Antártida e a sua envolvente são componentes cruciais do sistema terrestre e climático global, que reagem às alterações climáticas e aos seus efeitos, ao mesmo tempo que os influenciam”, explica Zsófia Jurányi.

Com estes dados únicos, a campanha não só contribui para melhorar as previsões meteorológicas e as simulações climáticas, como também permite aprofundar a compreensão da interação entre as nuvens e os aerossóis e avaliar a sua influência nas condições climáticas futuras, dizem os investigadores.
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El Niño pode regressar este ano e tornar o planeta ainda mais quente



ZAP // Wikipedia



O fenómeno meteorológico El Niño poderá desenvolver-se ainda este ano, com potencial para empurrar as temperaturas globais para valores recordes.


Há 50% a 60% de probabilidade de o El Niño se desenvolver durante o período de julho a setembro e meses seguintes, segundo nota da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A Organização Meteorológica Mundial irá divulgar uma atualização sobre o El Niño nesta terça-feira.

O El Niño e a sua irmã mais fria, a La Niña, são duas fases de um padrão climático natural no Pacífico tropical, conhecido como El Niño-Oscilação do Sul (ENOS).

O termo El Niño (“o menino” ou “o Menino Jesus”) foi cunhado por pescadores peruanos e equatorianos, para designar a chegada de uma corrente oceânica invulgarmente quente junto à costa, que reduzia as suas capturas pouco antes do Natal.


Os cientistas escolheram o nome La Niña como oposto de El Niño. Entre os dois fenómenos, existe uma fase “neutra”, explica o Phys.

O fenómeno pode enfraquecer os ventos alísios constantes que sopram de este para oeste no Pacífico tropical, influenciando o tempo ao afetar o movimento das águas quentes neste vasto oceano.

Este enfraquecimento aquece as zonas habitualmente mais frias do centro e do leste do oceano, alterando as precipitações sobre o Pacífico equatorial e os padrões de vento em todo o mundo.


O calor extra à superfície do Pacífico liberta energia para a atmosfera, o que pode fazer subir temporariamente as temperaturas globais — razão pela qual os anos de El Niño figuram frequentemente entre os mais quentes de que há registo.

“Nestas circunstâncias, um episódio típico de El Niño tende a provocar um aumento temporário da temperatura média global na ordem dos 0,1°C a 0,2°C“, explicou Nat Johnson, meteorologista da NOAA, à AFP.

O El Niño ocorre num período que vai de dois em dois a sete anos. Tipicamente, traduz-se em condições mais secas no Sudeste Asiático, na Austrália, no sul de África e no norte do Brasil, e em condições mais húmidas no Corno de África, no sul dos Estados Unidos, no Peru e no Equador.

O último El Niño ocorreu em 2023-2024, tendo contribuído para que 2023 fosse o segundo ano mais 

Carlo Buontempo, director do Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia, disse à AFP em janeiro que 2026 poderia ser “mais um ano de recordes” caso o El Niño se manifeste este ano.

Contudo, o impacto do El Niño seria maior em 2027 do que em 2026, caso o fenómeno se desenvolva na segunda metade deste ano, diz Tido Semmler, climatologista do Serviço Meteorológico Nacional da Irlanda. “A atmosfera global precisa de tempo para reagir ao El Niño”, explicou.

O último episódio de La Niña foi relativamente fraco e de curta duração, tendo começado em dezembro de 2024 e estando previsto entrar numa fase neutra entre fevereiro e abril.

A La Niña arrefece o Oceano Pacífico oriental durante um período de cerca de um a três anos, gerando efeitos opostos aos do El Niño no clima global. Provoca condições mais húmidas em partes da Austrália, do Sudeste Asiático, da Índia, do sudeste de África e do norte do Brasil, ao mesmo tempo que origina condições mais secas em partes da América do Sul.


A La Niña não impediu que 2025 fosse o terceiro ano mais quente de que há registo.

A NOAA adoptou em fevereiro uma nova forma de determinar os episódios de El Niño e de La Niña. O antigo Índice Oceânico do Niño (ONI) comparava a média trimestral da temperatura da superfície do mar numa região do Pacífico com a média de 30 anos na mesma área.

Porém, à medida que os oceanos têm vindo a aquecer rapidamente, essa média de 30 anos pode estar desatualizada.

O novo método, o Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI), compara o grau de aquecimento ou arrefecimento do Pacífico centro-oriental em relação ao restante conjunto dos trópicos. A NOAA afirma que o RONI é uma “forma mais clara e fiável” de acompanhar o El Niño e a La Niña em tempo real.
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Um cofre de carbono oculto em África está a começar a vazar




Uma nova pesquisa desafia a antiga suposição de que o carbono amazenado nas turfeiras tropicais na Bacia do Congo não seria libertado para a atmosfera nos próximos milhares de anos.


Os cientistas descobriram que vastas turfeiras na África Central, que foram consideradas durante muito tempo reservas estáveis ​​de carbono, estão a libertar carbono ancestral para a atmosfera.

A Bacia do Congo alberga um dos maiores sistemas de turfeiras tropicais do mundo. Embora estas turfeiras cubram apenas 0,3% da superfície terrestre, armazenam aproximadamente um terço de todo o carbono contido nas turfeiras tropicais.

Durante décadas, os investigadores presumiram que este carbono estaria armazenado em segurança durante milhares de anos, a menos que condições extremas, como secas prolongadas, perturbassem o ecossistema, refere o SciTech Daily.


Uma nova investigação liderada por cientistas da ETH Zurique desafia esta suposição.

Num estudo publicado na Nature Geoscience, os investigadores examinaram dois lagos escuros de “águas negras” — Lac Mai Ndombe e Lac Tumba — cujas águas cor de chá são ricas em matéria orgânica proveniente das florestas pantanosas ricas em turfa circundantes.

As medições revelaram que quantidades significativas de dióxido de carbono estão a escapar destes lagos para a atmosfera.


Surpreendentemente, a datação por radiocarbono mostrou que até 40% do dióxido de carbono emitido provém de turfa acumulada há milhares de anos, e não de plantas que cresceram recentemente.

A descoberta sugere que os antigos reservatórios de carbono na Bacia do Congo já estão a “vazar”, mesmo sem provas claras de um colapso significativo da turfa causado pela seca.

Ainda não se sabe ao certo como é que este carbono antigo se move das camadas profundas de turfa para a água do lago, e os cientistas continuam a investigar se o processo representa uma mudança desestabilizadora ou um ciclo natural equilibrado pela formação de nova turfa.

O estudo aponta ainda para riscos climáticos futuros. Condições mais secas podem permitir que o oxigénio penetre mais profundamente nos solos turfosos, acelerando a decomposição microbiana e libertando ainda mais dióxido de carbono.


As pressões humanas podem agravar estas ameaças. O crescimento populacional e a desflorestação na região podem intensificar a secura, reduzindo a reciclagem da humidade impulsionada pelas florestas, o que pode manter os níveis dos lagos persistentemente baixos.

Os investigadores alertam que tais alterações podem transformar os pântanos da Bacia do Congo em importantes fontes de gases com efeito de estufa.
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O maior lago do Mundo é um mar 4 vezes maior que Portugal (e faz fronteira com 5 países)




Mar Cáspio

Estende-se por uma área de 386.400 km², o seu ponto mais profundo situa-se a 1.025 metros abaixo da superfície, e estima-se que contenha cerca de 1/3 de toda a água interior à superfície da Terra. Detém ainda o recorde de maior lago salgado do planeta — motivo pelo qual tem nome de Mar.



Há milhões de lagos em todo o mundo: algumas estimativas apontam para que haja cerca de três milhões. Mas qual é então o maior lago do mundo?

A resposta é algo confusa. Em primeiro lugar, porque o maior lago do planeta tem, na verdade, nome de “mar”. E em segundo lugar, porque é salgado.

Por estas razões o Mar Cáspio é muitas vezes designado como o “maior corpo de água interior do mundo”, mas é, ainda assim, classificado como lago, uma vez que se encontra rodeado de terra e ligado ao oceano através de rios, conta a BBC Wildlife.


Poderia pensar-se que “o maior lago do mundo” estaria nas Américas ou em África, mas o Mar Cáspio está, na verdade, na Eurásia. Este lago interior faz fronteira com a Rússia, o Cazaquistão, o Turquemenistão, o Irã e o Azerbaijão. A cordilheira do Cáucaso estende-se a leste, com a vasta estepe da Ásia Central a oeste.

O Mar Cáspio estende-se por uma área de 386.400 km², o que o torna mais do que quatro vezes maior do que o nosso país: Portugal tem cerca de 92.000 km².

O seu ponto mais profundo situa-se a 1.025 metros abaixo da superfície, e estima-se que o lago contenha cerca de 1/3 de toda a água interior à superfície da Terra. Detém ainda o recorde de maior lago salgado do planeta.

Com dezenas de ilhas, é um importante polo de biodiversidade: é o habitat natural de uma espécie endémica de focas e de seis espécies de esturjão, bem como de centenas de espécies de peixes e invertebrados. Podem também ser avistadas numerosas aves migratórias que se deslocam entre a Europa, a Ásia e a África.

Os cientistas têm procurado explicar de que forma estas focas chegaram a este corpo de água interior. Um estudo publicado em 2006 no Biological Journal sugere que terão percorrido uma rede de rios provenientes do norte do Ártico, entretanto desaparecidos.

Estudos recentes alertam que o lago pode vir a encolher devido às alterações climáticas. No ano passado, cientistas da Universidade de Leeds estimaram que uma área superior à da Islândia poderá evaporar até 2100.

O segundo maior lago do mundo é o Lago Superior, que faz fronteira com o Canadá e os Estados Unidos. Este é igualmente o maior lago de água doce do mundo.
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Quanto tempo dura uma civilização?





Telescópio de Green Bank (GBT)

Um novo estudo procurou responder ao famoso paradoxo de Fermi e aponta que as civilizações mais avançadas terão um limite matemático teórico de 5000 anos. Os humanos enquadram-se neste grupo há cerca de 200 anos.


É uma das perguntas mais famosas da ciência e, segundo a lenda, foi feita durante um almoço. Enrico Fermi, o físico que ajudou a construir o primeiro reactor nuclear e cujo nome baptiza uma unidade de medida tão pequena que faz um átomo parecer generoso, conversava com os colegas sobre a possibilidade de vida extraterrestre quando, de repente, perguntou: “Onde está toda a gente?“.

O universo tem 13 mil milhões de anos. Só a nossa galáxia contém centenas de milhares de milhões de estrelas, uma proporção significativa das quais alberga planetas. Muitos destes planetas estão na gama de temperaturas ideal para a existência de água líquida. Os números, segundo qualquer estimativa razoável, sugerem que a vida deveria ter surgido muitas vezes, em muitos lugares, muito antes mesmo de o nosso planeta se ter formado. E, no entanto, nenhum sinal. Nenhum visitante. Sem evidência de qualquer ser vivo. Este é o paradoxo de Fermi, que permanece por resolver há 75 anos.

Agora, dois físicos da Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerão, abordaram a questão numa nova perspetiva. Em vez de questionarem porque não encontramos outras civilizações, Sohrab Rahvar e Shahin Rouhani perguntaram o que o próprio silêncio nos revela, e a resposta impõe um limite matemático rígido à probabilidade de sobrevivência das civilizações tecnologicamente avançadas.


Se assumirmos, otimisticamente, que a vida inteligente surge com relativa facilidade em planetas semelhantes à Terra, e que a enorme quantidade destes planetas na nossa galáxia implicaria a existência de um número imenso de civilizações, então a ausência de qualquer contacto com estas civilizações deverá significar que elas já não existem.

A galáxia é suficientemente antiga, e o Espaço está suficientemente interligado, para que uma civilização tecnológica de longa duração se tivesse eventualmente manifestado. Teríamos detetado os seus sinais, encontrado as suas sondas ou descoberto algum vestígio da sua engenharia. Não encontrámos nada disso.

Os investigadores analisaram os cálculos cuidadosamente, baseando-se na famosa equação de Drake (a fórmula que tenta estimar o número de civilizações comunicantes na Galáxia em qualquer momento). Introduziram também uma restrição particularmente importante relacionada com a comunicação eletromagnética. Os nossos radiotelescópios estão em funcionamento há tempo suficiente para que o nosso “cone de luz” (a região do Espaço de onde os sinais nos poderiam ter alcançado) abranja toda a história da Galáxia, remontando há aproximadamente 100 000 anos. Qualquer civilização que tenha existido na nossa Galáxia durante este período e estivesse a emitir sinais detetáveis ​​deveria, em 

O silêncio, defendem os autores, não se deve à nossa tecnologia ser demasiado primitiva. Trata-se de uma ausência genuína. Fazendo os cálculos, a equipa concluiu que, se a vida inteligente é comum, as civilizações tecnológicas sobrevivem normalmente no máximo durante cerca de 5000 anos. Não milhões de anos. Nem sequer dezenas de milhares. Cinco mil anos… um número que coloca toda a história humana registada dentro da zona de perigo. Somos uma civilização tecnológica, em qualquer sentido significativo, há apenas cerca de 200 anos. Estatisticamente, estamos no início do período mais vulnerável da nossa existência.

O artigo enumera as ameaças com uma franqueza desconfortável: impactos de asteróides, erupções de supervulcões, alterações climáticas, pandemias, guerra nuclear, inteligência artificial, biotecnologia descontrolada. Os autores observam que a história está repleta de civilizações que entraram em colapso, desde os romanos, os maias e a Ilha de Páscoa, e que nunca recuperaram. Num mundo tão interligado como o nosso, uma catástrofe que acabe com uma civilização poderá, pela primeira vez, ser verdadeiramente global.

Como Rahvar e Rouhani fazem questão de afirmar, os seus resultados “devem ser interpretados como limites superiores derivados do paradoxo de Fermi, e não como previsões da esperança de vida real”.

A matemática não diz que as civilizações devam morrer aos 5000 anos, apenas que, em média, não conseguem sobreviver muito mais tempo do que isso se quisermos explicar o silêncio que observamos. Outras explicações continuam a ser totalmente possíveis: talvez as civilizações optem por não comunicar, talvez sejamos uma das primeiras espécies inteligentes a surgir, talvez as distâncias sejam simplesmente demasiado vastas. O estudo não descarta nenhuma destas hipóteses.


Mas a implicação subjacente às equações é difícil de ignorar. A Galáxia pode estar, ou pode ter estado, repleta de civilizações que surgiram, construíram coisas notáveis, almejaram as estrelas e depois caíram no silêncio antes de conseguirem alcançar qualquer outra civilização. Seja através de guerras, colapso ambiental ou má utilização da sua própria tecnologia, o universo parece impor um limite rigoroso à duração da inteligência. Ainda não sabemos a que categoria pertencemos.
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Os antigos gregos e romanos tinham segredos para a longevidade




Uma pintura sobre romanos e a Roma Antiga

Tal como no mundo moderno, as pessoas na Antiguidade já se preocupavam em saber como viver uma vida longa e saudável. Eis como envelhecer bem, segundo médicos da Grécia e de Roma antigas.


Os gregos e os romanos já ouviam histórias fantásticas sobre povos distantes que viviam muito para além dos 100 anos, embora de forma exagerada.

O ensaísta grego Luciano (cerca de 120–180 d.C.) escreve: “De facto, existem mesmo nações inteiras que são muito longevas, como os Seres [chineses], que se diz viverem 300 anos: alguns atribuem a sua velhice ao clima, outros ao solo e ainda outros à sua alimentação, pois dizem que toda esta nação não bebe nada senão água. Diz-se também que o povo do Atos vive 130 anos, e relata-se que os caldeus vivem mais de 100, usando pão de cevada para preservar a nitidez da sua visão.”

Seja qual for a verdade destas histórias, muitos gregos e romanos antigos desejavam uma vida longa e saudável. Eis como pensavam que isso poderia acontecer.

A perspetiva de um médico antigo

Os médicos da Antiguidade interessavam-se pelo que as pessoas que viviam longas vidas faziam todos os dias e por como isso poderia ter ajudado.

O médico grego Galeno (129–216 d.C.), por exemplo, fala de duas pessoas que conheceu pessoalmente em Roma e que viveram até idade avançada.

Primeiro, há um gramático (alguém que estuda e ensina gramática) chamado Teléfus, que viveu até quase aos 100 anos.

Segundo Galeno, Teléfus comia apenas três vezes por dia. A sua dieta era simples: “Papa cozida em água misturada com mel cru da melhor qualidade, e apenas isso lhe bastava na primeira refeição. Também jantava à sétima hora ou um pouco antes, comendo primeiro legumes e depois provando peixe ou aves. À noite, costumava comer apenas pão, humedecido em vinho que tinha sido misturado.”

Galeno também nos diz que Teléfus tinha alguns hábitos de banho que hoje nos poderiam parecer invulgares. Teléfus preferia ser massajado com azeite todos os dias e tomar banho apenas algumas vezes por mês: “Tinha o hábito de tomar banho duas vezes por mês no inverno e quatro vezes por mês no verão. Nas estações intermédias, tomava banho três vezes por mês. Nos dias em que não tomava banho, era ungido por volta da terceira hora com uma breve massagem.”

Em segundo lugar, havia um médico idoso chamado Antíoco, que viveu até aos seus 80 e tal anos. Segundo Galeno, também tinha uma dieta simples.

De manhã, Antíoco comia normalmente pão torrado com mel. Depois, ao almoço, comia peixe, mas normalmente apenas peixe “das rochas e os do mar profundo”. Ao jantar, comia “ou papa com oxímel [uma mistura de vinagre e mel] ou uma ave com um molho simples”.

A par desta dieta simples, Antíoco fazia uma caminhada todas as manhãs. Também gostava de ser conduzido numa carruagem, ou fazia com que os seus escravos o transportassem numa cadeira pela cidade.

Galeno disse também que Antíoco “realizava os exercícios adequados a um homem idoso”: “Há uma coisa que se deve fazer pelos idosos de manhã cedo como exercício: após a massagem com óleo, fazê-los depois caminhar e realizar exercícios passivos sem se fatigarem, tendo em conta a capacidade da pessoa idosa.”

Galeno conclui que a rotina de Antíoco provavelmente contribuiu para a sua boa saúde até uma idade avançada: “Cuidando de si desta forma na velhice, Antíoco continuou assim até ao fim, sem prejuízo dos seus sentidos e são em todos os seus membros.”

Galeno sublinha que Teléfus e Antíoco tinham algumas coisas óbvias em comum. Comiam apenas algumas vezes por dia; a sua dieta consistia em carnes de animais selvagens, cereais integrais, pão e mel; e mantinham-se ativos todos os dias.

O que pode fazer?

Nem todos nós podemos viver até aos 100 anos ou mais, como os gregos e romanos bem sabiam.

No entanto, Luciano oferece-nos algum consolo no seu ensaio Sobre os Octogenários: “Em todos os solos e em todos os climas, as pessoas que fazem o exercício adequado e a dieta mais apropriada à saúde têm sido longevas.”

Luciano aconselhava que devíamos imitar os estilos de vida das pessoas que viveram vidas longas e saudáveis, se quisermos fazer o mesmo.

Assim, se vivesse em Roma no século II d.C., pessoas como Teléfus e Antíoco, que tinham uma dieta simples e se mantiveram ativos toda a vida, seriam bons modelos a seguir.

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A maioria dos estudos falhou ao analisar o nível do mar







Novo estudo alerta: nível do mar pode ser muito mais alto do que se pensava. Risco de inundações aumenta para dezenas de milhões de pessoas.


Um novo estudo científico indica que o nível do mar poderá ser significativamente mais elevado do que estimativas anteriores sugeriam; e isso aumenta o risco de inundações costeiras para dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo.

A investigação aponta para falhas metodológicas na forma como a altura do mar tem sido medida em muitos estudos climáticos.

Segundo os investigadores, muitos modelos científicos utilizam um ponto de referência considerado “zero metros” para calcular o nível do mar.


No entanto, esse valor nem sempre corresponde à realidade observada nas zonas costeiras.

Em algumas regiões do Indo-Pacífico, por exemplo, a diferença entre o valor teórico e o nível real pode ser perto de um metro, sublinha o Euronews.

A análise de centenas de estudos concluiu que cerca de 90% das avaliações de risco costeiro subestimaram a altura de referência do mar, em média cerca de 30 centímetros.


Esta discrepância pode parecer pequena, mas tem impacto significativo na previsão de cheias e tempestades costeiras, especialmente quando combinada com a subida do nível do mar causada pelas alterações climáticas.

Os responsáveis por este novo estudo alertam que esta subestimação significa que o risco de inundações extremas pode ser maior do que o previsto para milhões de pessoas.

Anders Levermann, cientista climático do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, afirma que há populações costeiras cujo perigo de cheias severas “é muito maior do que se pensava”.

O Sudeste Asiático surge como a região mais vulnerável, devido à elevada densidade populacional nas zonas costeiras e à maior discrepância identificada nos cálculos. Países com menos recursos para adaptação climática poderão enfrentar dificuldades adicionais para proteger infraestruturas e comunidades.


Os autores do estudo defendem que melhorar a medição do nível do mar e integrar dados locais mais precisos é essencial para desenvolver políticas eficazes de adaptação às alterações climáticas. Sem essa correção, planeamentos urbanos, mapas de risco e estratégias de proteção costeira poderão continuar a subestimar um dos efeitos mais perigosos do aquecimento global.
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Rainha Vitória, uma das maiores traficantes de droga de sempre, também se drogava (e muito)







Rainha Vitória (1882)

Canábis para as dores menstruais, ópio como analgésico, cocaína para arrebitar. A rainha consumia de tudo e o seu império enriqueceu com droga no século XIX — até levou a guerra.

Antes dos Escobares, El Chapos e El Menchos desta vida havia o império britânico, especialmente durante o governo da “Avó da Europa”, a Rainha Vitória.

A monarca presidiu a um sistema de comércio de ópio à escala global e altamente lucrativo, muito bem protegido pelo poder do Estado e fundamental para as finanças do império.

Mas atenção: a Rainha nunca escondeu o seu negócio, como fazem os grandes traficantes de droga contemporâneos. E até ia totalmente contra a suposta regra número 1 do traficante de droga moderno (nunca se agarrar ao próprio veneno). O que fez da rainha uma das maiores traficantes de droga de sempre foi, na verdade, a sua frieza perante o sofrimento que o seu Império causava do outro lado do mundo.

Vitória e as drogas

Para quem vê na imagem da rainha uma querida e inocente velhinha, desengane-se. A “vida louca” de Vitória começou tão cedo quanto as suas responsabilidades, em 1837, com 18 anos, quando subiu ao trono. Já aí consumia os fármacos que eram legais e socialmente aceites no continente europeu, a começar pelo ópio, logo pela manhã. Láudano, uma mistura de ópio e álcool muito usada no século XIX para aliviar dores e indisposições, estaria presente na mesa do pequeno-almoço da monarca.

A ínfame cocaína ainda não tinha sido proibida, para deleite da rainha, que a consumia sob a forma de pastilha elástica e vinho — chegou a consumi-los com um jovem Winston Churchill, avança a Smithsonian.

A soberana também usava canábis, mas não a fumava como a maioria dos consumidores da droga mais popular do mundo faz hoje em dia. Vitória bebia-a, por indicação médica, para aliviar sintomas menstruais. Mas há mais: associado a cenas dramáticas de raptos em filmes, o clorofórmio foi o melhor amigo da rainha britânica, durante o parto.

“A rainha Vitória, creio eu, desse por onde desse, adorava drogas“, resume o historiador Tony McMahon, na Smithsonian.

Muito para lá da rainha

Esse amor por estupefacientes poderá ter tido outro motivo, para lá do bem-estar pessoal da rainha, já que o comércio imperial de ópio resolveu um grave problema económico britânico.

No início do reinado, o Reino Unido enfrentava um forte desequilíbrio comercial com a China. Os britânicos consumiam grandes quantidades de chá chinês e importavam seda e porcelana, mas tinham dificuldade em encontrar produtos que os chineses quisessem comprar em troca. E assim “voava” a prata britânica para a China e pouco ou nada fazia o sentido inverso.

O ópio produzido na Índia (então sob controlo britânico através da influência da Companhia das Índias Orientais) terá sido o fim da frustração britânica. Era abundante, tinha muita procura e, acima de tudo, criava dependência: quem consumia, queria sempre mais, fosse qual fosse o preço.

O ópio já era comercializado antes da rainha Vitória, mas terá sido com ela no trono que o défice comercial do Reino Unido foi revertido, de acordo com o History Extra. O ópio tornou-se tão importante que as suas vendas passaram a representar entre 15% e 20% das receitas anuais de todo o Império Britânico.
Do fumo à guerra

Socialmente, na China, a droga (que já era ilegal) começava a preocupar. O imperador Daoguang decidiu pôr de vez um ponto final à entrada do estupefaciente através de um alto funcionário e académico respeitado, de nome Lin Zexu que, inicialmente, procurou a via diplomática.

Zexu terá escrito diretamente à rainha Vitória, apelando ao sentido ético britânico e questionando por que razão a China exportava para o Reino Unido bens úteis, como chá, seda e cerâmica, e recebia em troca uma droga destrutiva que estaria na altura a arruinar milhões de pessoas.

A carta (que pode ser lida aqui) não produziu o efeito desejado, nem se sabe se foi sequer lida pela Rainha Vitória, o que levou Lin Zexu a arregaçar as mangas.


Na primavera de 1839, mandou apreender uma grande remessa de ópio britânico e ordenou que a droga fosse destruída, isto é, lançada ao mar: 2,5 milhões de libras de ópio terão sido eliminadas pelas autoridades chinesas. Foi esta “declaração de guerra” que levou a rainha a reagir com força militar: os britânicos declararam a Primeira Guerra do Ópio (1839-42).

As forças britânicas devastaram o exército adversário e mataram dezenas de milhares de mortes de cidadãos chineses. O imperador vê-se forçado a aceitar o Tratado de Nanquim que pouco favorece a dinastia Qing, que, por exemplo, cede Hong Kong ao Reino Unido, abre os portos chineses ao comércio britânico e concede imunidade legal a cidadãos britânicos em território chinês.

A reputação chinesa seria uma das grandes afetadas, após uma grande derrota perante uma potência europeia. Começava aqui o “século das humilhações” da China.
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Produção de roupas baratas tem um “alto custo ambiental e social”









A superabundância de ‘fast fashion’ – roupas prontamente disponíveis e baratas – criou um cenário de injustiça ambiental e social, principalmente em países de baixa e média renda.


Segundo um estudo da Universidade de Washington em St. Louis (Estados Unidos), divulgado na passada sexta-feria no Futurity, a nível mundial, são adquiridas 80 mil milhões de peças de roupa nova por ano, o que significa 1,2 biliões de dólares (cerca de 1,05 biliões de euros) para a indústria da moda.

Relativamente à produção, a China e o Bangladesh são os países que fabricam a maior parte desses produtos. Quanto à aquisição de roupa e tecidos, os Estados Unidos consomem mais do que qualquer outra nação no mundo. Aproximadamente 85% do vestuário que os americanos usam, são depois enviados para aterros sanitários.

“Desde o crescimento do algodão – com uso intensivo de água -, até a libertação de corantes não tratados em fontes de água locais, passando pelos baixos salários e condições de trabalho precárias, os custos ambientais e sociais envolvidos na fabricação de têxteis são generalizados”, refere uma das autoras do artigo, Christine Ekenga.


De acordo com a professora da Universidade de Washington em St. Louis, este é um “problema enorme”, visto que os impactos ambientais e sociais desproporcionais da ‘fast fashion‘ “garantem a sua classificação como uma questão de injustiça ambiental global”.

As consequências negativas de cada etapa da cadeia de fornecimento da ‘fast fashion‘ levaram à criação de um dilema global de injustiça ambiental, afirmam as autores.

“Embora a ‘fast fashion‘ ofereça aos consumidores a oportunidade de comprar mais roupas por menos valor, aqueles que trabalham ou moram perto de instalações têxteis suportam uma carga desproporcional de riscos relativamente à saúde ambiental”, frisam.
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Os padrões de consumo aumentados, referem ainda, criaram milhões de toneladas de resíduos têxteis em aterros e situações não regulamentadas.

“Isto é particularmente aplicável a países de baixa e média renda, já que grande parte desse lixo acaba nos mercados de roupas de segunda mão. Esses países necessitam, frequentemente, de apoios e de recursos para desenvolver e aplicar salvaguardas ambientais e ocupacionais para proteger a saúde humana”, acrescentam as investigadoras.

Além dos riscos ambientais e ocupacionais durante a produção de têxteis, particularmente para os países de baixa e média renda, e da questão dos resíduos têxteis, o artigo aborda potenciais soluções, incluindo fibras sustentáveis, sustentabilidade corporativa, política comercial e o papel do consumidor.
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O ALTO CUSTO DA ROUPA BARATA




“O barato que sai caro.” Esse popular clichê fica nítido no documentário The true cost (“o verdadeiro custo”), do diretor Andrew Morgan, que investiga as práticas inconsequentes da indústria da moda ao inundar o mercado com roupas de baixo preço e quase descartáveis. O filme denuncia que alguém paga o preço para uma roupa custar muito barato, mostrando histórias chocantes, como um vilarejo em que há uma grande incidência de crianças nascidas com deficiências mentais e físicas devido aos resíduos da indústria têxtil que poluem as águas da região. Mas o documentário também traz uma contraposição: a ação de pessoas que estão trabalhando para mudar essa realidade, como a inglesa Safia Minney, uma das pioneiras do conceito de “comércio justo” no mundo. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Precariedade de estradas vicinais gera perda de produtividade e prejuízos ambientais no Brasil


Estudo feito em parceria entre grupo da USP e CNA traz amplo diagnóstico das estradas vicinais no País, apontando onde há prioridade de investimentos

Texto: Amanda Wendland*

Arte: Simone Gomes

Pesquisa propôs a criação do Índice de Priorização das Estradas Vicinais, ferramenta que indica as prioridades de investimento e intervenção em cada região do Brasil - Foto: Roaming Owls.com / Pixabay


As estradas vicinais são vias majoritariamente municipais e não pavimentadas, que conectam áreas rurais a centros urbanos e às principais rodovias estaduais e federais. Diretamente associadas à logística da produção da agropecuária, representam o primeiro elo do transporte da safra, superando 1,4 bilhão de toneladas movimentadas anualmente. Um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP feito em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) descreve a situação desta malha no País.

O diagnóstico traz também um alerta. Apesar de sua relevância no escoamento da produção agropecuária, as estradas vicinais apresentam condições precárias de manutenção e trafegabilidade, o que gera enormes prejuízos econômicos, ambientais e sociais. A frequente presença de buracos, erosões, atoleiros, excesso de pó, dentre outros gargalos de infraestrutura presentes nessas vias, resulta em interrupções do transporte, atrasos e dificuldades de mobilidade de bens e pessoas, além de perdas de produtos e riscos de acidentes. A precariedade das vias gera ainda atrasos, perda de produtividade operacional no transporte, aumento do custo logístico e maiores emissões de gases de efeito estufa (GEE), dentre outros problemas.


Uma infraestrutura adequada de estradas vicinais assegura acessibilidade, dignidade e segurança para o deslocamento de pessoas e o transporte de cargas nas áreas rurais do País. Além disso, fortalece a competitividade econômica, promove a sustentabilidade e impulsiona o desenvolvimento local e nacional.

A malha vicinal brasileira soma 2,2 milhões de quilômetros, distribuídos em 557 microrregiões, o que representa uma extensão dez vezes superior a das rodovias pavimentadas do País. A limitação de recursos públicos e a falta de planejamento estratégico dificultam a priorização dos investimentos e a melhoria das condições das estradas vicinais no País. O professor Thiago Guilherme Péra, coordenador do Esalq-Log comenta que o problema das estradas vicinais não deve ser mais negligenciado. “Muito se discute no Brasil sobre a criação e o desenvolvimento de grandes infraestruturas logísticas para o escoamento da produção agroindustrial. No entanto, ainda se faz muito pouco para melhorar as condições das estradas vicinais — justamente o elo mais crítico e estratégico de toda a cadeia logística, por onde circulam diariamente a produção, os insumos e as pessoas que sustentam o agronegócio nacional e tem sido pouco valorizada”, diz Péra.

A pesquisa propôs a criação do Índice de Priorização das Estradas Vicinais (Ipev), ferramenta que indica as prioridades de investimento e intervenção em cada região do Brasil. A partir da análise de uma série de dados econômicos, sociais, ambientais e de infraestrutura referentes a estradas vicinais, combinados com a produção agropecuária brasileira, a metodologia desenvolvida permite encontrar regiões prioritárias para o investimento de melhoria nas estradas. O Ipev fornece um instrumento técnico e transparente de apoio à decisão pública, permitindo identificar regiões prioritárias para investimentos.

A partir da identificação das regiões prioritárias, foram selecionadas oito microrregiões para uma análise mais detalhada dos problemas enfrentados nas estradas vicinais e da realidade vivenciada pelos produtores rurais. Durante o trabalho de campo, mais de 1.200 quilômetros de estradas foram percorridos e 150 produtores rurais e gestores municipais das áreas de infraestrutura e agricultura foram entrevistados. O estudo abrangeu microrregiões situadas na Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Paraná, permitindo identificar os principais gargalos logísticos e reunir subsídios técnicos para a formulação de propostas de melhoria da malha vicinal. A pesquisa de campo identificou graves desafios de gestão na manutenção das estradas vicinais, marcados por limitações orçamentárias diante de uma malha extensa, dependência de repasses estaduais e federais, frota de máquinas obsoleta, falta de planejamento técnico e coordenação entre Secretarias, além de dificuldades logísticas e de acesso a insumos, escassez de mão de obra qualificada e fortes heterogeneidades regionais que agravam as disparidades na infraestrutura rural do País.

Ao comentar os resultados do levantamento, a assessora técnica da CNA, Elisangela Lopes, destaca a relevância do estudo para o planejamento da infraestrutura rural brasileira. “Esse estudo mostra, de forma inédita, a real situação de estradas que são essenciais para a logística da produção agropecuária. Com base em critérios técnicos, conseguimos propor soluções práticas e criar o Ipev, que ajuda a priorizar investimentos e orientar políticas públicas em todos os níveis de governo. A ideia é usar melhor os recursos, capacitar os gestores locais e integrar a mobilidade rural às estratégias nacionais de infraestrutura.”

Principais impactos


Estima-se que as condições precárias atuais das estradas vicinais gerem R$ 16,2 bilhões anuais em custos de transporte para o escoamento da produção agropecuária. Esses custos, hoje inevitáveis, poderiam ser significativamente reduzidos com intervenções adequadas na malha vicinal, resultando em ganhos operacionais e logísticos de até R$ 6,4 bilhões por ano a partir de melhorias. Por exemplo, a melhoria das condições viárias poderia representar reduções anuais superiores a R$ 2,3 bilhões no transporte de cana-de-açúcar, R$ 2,1 bilhões na movimentação de grãos e cerca de R$ 1 bilhão no escoamento da produção animal, evidenciando o impacto direto da infraestrutura rural sobre a competitividade do agronegócio.

Outro impacto importante está relacionado às emissões de dióxido de carbono (CO₂) diretamente no transporte. Os caminhões que atualmente trafegam nessas estradas emitem 3 milhões de toneladas de CO₂ por ano, quantidade que poderia ser reduzida em mais de 30% após melhorias nas vias, permitindo maior fluidez e eficiência energética da frota.

Imagem: reprodução da capa do relatório

Onde investir e quanto custa?


A pesquisa dimensionou os recursos necessários para sanar o problema das condições precárias das estradas vicinais em diferentes cenários e regiões a partir de dados primários e secundários. Ao contrário do que poderia parecer a solução mais óbvia, o estudo não propõe pavimentar a malha vicinal. As análises indicam 177 microrregiões altamente prioritárias para ações de melhoria das condições estradas de terra. Os investimentos necessários variam de R$ 4,9 bilhões a R$ 22,7 bilhões, e são decorrentes das ações de engenharia adotadas (de um padrão mínimo, envolvendo nivelamento do solo e material de cobertura, até um padrão superior, com projeto técnico mais robusto, incluindo preparo da base, abaulamento e sistemas de drenagem), e também da estrutura atual da estrada (de vias mais simples e estreitas, até estradas mais largas, permitindo passagem de dois veículos de grande porte simultaneamente).

Os resultados do estudo oferecem subsídios para políticas públicas, orientando o desenvolvimento de projetos prioritários e fomentando iniciativas de inovação tecnológica, com suporte técnico, maquinário especializado e equipes capacitadas. Ao fazer um diagnóstico das condições das estradas e apontar as microrregiões prioritárias para investimentos, o estudo direciona a utilização de recursos públicos escassos para regiões que apresentam, simultaneamente, grande vulnerabilidade de infraestrutura, elevada demanda por acessibilidade da população e grande volume de produção agropecuária. É uma ferramenta que auxilia a gestão pública e otimiza o uso do recurso para regiões cujos impactos positivos são mais amplamente percebidos.

“Durante a pesquisa, ficou evidente que a falta de planejamento e a limitação de recursos — sejam orçamentários, técnicos, operacionais ou de maquinário — continuam sendo obstáculos reais para os gestores públicos que buscam melhorar as estradas vicinais. Nesse contexto, o Ipev surge como uma ferramenta prática e transparente, capaz de orientar o planejamento, otimizar investimentos e gerar resultados concretos na vida de quem produz e vive no campo — fortalecendo o desenvolvimento local e a competitividade do agronegócio brasileiro”, destaca a pesquisadora do Esalq-Log, Daniela Bartholomeu.

O relatório final ainda será divulgado, mas já é possível acessar o relatório do diagnóstico de prioridades por Unidade da Federação – seção do estudo que mostra as regiões prioritárias de cada UF e o dimensionamento dos recursos necessários para o problema das vicinais.
Jornal da USP

Vegetação inteligente e riqueza cultural: a Caatinga que é muito mais que seca e escassez





A Caatinga nordestina é o único bioma exclusivamente brasileiro, com aproximadamente 380 espécies endêmicas – Foto: Andreia Bezerra de Araújo

Texto: Ivanir Ferreira

Arte: Beatriz Haddad*


A Caatinga cobre cerca de 11% do território brasileiro, incluindo todos os Estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais, e é o único bioma exclusivamente brasileiro, com aproximadamente 380 espécies endêmicas. No entanto, a região é vista como paisagem proscrita, renegada e frequentemente associada a rusticidade, escassez, seca e miserabilidade. Uma pesquisadora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP investigou os significados negativos atribuídos a esse bioma e propõe abordagens pedagógicas para promover uma visão mais positiva do semiárido brasileiro.

A partir de entrevistas, visitas ao sertão nordestino e acesso a bibliografia científica, jornais e obras literárias, a pesquisa encontrou indícios de que a desvalorização desse bioma pode estar associada a narrativas deturpadas difundidas pela mídia, obras literárias e ações governamentais. RI.CA.ATINGA: o semiárido clama pela valorização de sua riqueza é o título da tese defendida pela nordestina Andreia de Araújo. Há quase duas décadas morando em São Paulo, a arquiteta não esquece de suas raízes e deseja ver a riqueza do semiárido nordestino reconhecida.


A investigação começou por visitas às cidades nordestinas no Agreste Pernambucano – Bezerros, Caruaru e Gravatá – em busca de um entendimento da relação entre a região e as pessoas que nela viviam. A pesquisadora conversou com distintos atores da sociedade, usando uma abordagem fenomenológica em que “a construção de um olhar é feita a partir da imersão, com intenção aberta a todas as possibilidades, sem julgamento nem conceito prévio”. Entre os entrevistados, estavam o famoso xilogravurista J. Borges, um agente turístico e um casal de advogados. Alguns temas de pertencimento surgiram na conversa, como o laço emocional que eles tinham com a terra e com as pessoas, que as mantinham conectadas ao lugar. A valorização dos aspectos locais e relatos nostálgicos referenciavam imagens bucólicas na infância. “Os relatos encontrados contrariavam as narrativas que as mídias divulgavam sobre o povo nordestino”, diz.

Andreia Bezerra de Araújo


Em seguida, Andreia coletou depoimentos – de forma virtual, por conta da pandemia – em uma oficina montada por ela. O tema foi Visões das paisagens brasileiras, e atividade foi feita durante a Semana de Arquitetura e Urbanismo & Design. A proposta era investigar a percepção das pessoas (64% do Sudeste, 20% do Nordeste e 14% do Sul) sobre a Caatinga antes e depois de uma ação pedagógica que ela faria logo depois da oficina.

Inicialmente, foram apresentadas ao público imagens de diversas paisagens brasileiras, incluindo Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Campos Sulinos e Cerrado. As pessoas foram questionadas a respeito de impressões que tinham sobre essas regiões e os adjetivos que associavam a cada paisagem. Em relação à Caatinga, as respostas foram predominantemente negativas, com palavras como “morte”, “secura”, “aridez”, “deserto”, “tristeza”, “povo sofrido” sendo frequentemente mencionadas. “As imagens verdejantes, mesmo sendo da Caatinga, foram menos apontadas, ou sequer foram selecionadas pelos participantes”, conta a pesquisadora.

Vegetação inteligente


Em outra etapa, a pesquisadora ministrou ao público aulas sobre questões ecológicas, culturais e sociais relacionadas à Caatinga, buscando dissociar a paisagem do estigma de sofrimento e ressequido e promover a construção de uma nova percepção sobre a região.




Vegetação inteligente: flor e frutificação da Ceiba Glaziovii (barriguda) – Foto: Fernanda Kalina da Silva Monteiro via Biota Neotropica





Vegetação que armazena água da chuva em seu caule para sua autonomia e reprodução – Foto: Fernanda Kalina da Silva Monteiro via Biota Neotropica




O umbuzeiro da Caatinga (xiropódio) é capaz de armazenar água suficiente para sobreviver longos períodos de estiagem – Foto: Nilton de Brito/Embrapa



Entre os assuntos abordados, a arquiteta explorou características geomorfológicas como a história da formação do relevo e a sagacidade da vegetação local ao desenvolver estratégias de armazenamento de água e adaptações que minimizam perdas hídricas durante a seca. Andreia explicou que as espécies são inteligentes e se adaptam às altas temperaturas e à falta de água através de mecanismos de economia hídrica e regulagem de excesso de luz. Foram citados alguns exemplos da família de cactáceas: o xique-xique, o mandacaru e a coroa-de-frade, que armazenam água em seus tecidos, e o umbuzeiro, em suas raízes tuberosas. Outras vegetações mantêm suas folhas em paralelo aos raios solares, de forma que uma menor superfície fique exposta ao Sol. As árvores são de pequeno porte e os arbustos, de troncos retorcidos e com espinhos. Durante a seca, eles perdem as folhas como se estivessem mortos, mas bastam os primeiros pingos de chuva para tudo voltar à vida, reforçou a pesquisadora na atividade.

Defensora de processos educacionais como ferramentas de transformação social, a arquiteta aplicou um questionário aos participantes após a aula sobre o potencial paisagístico da região. “As pessoas demonstraram surpresa e admiração pelas descobertas”, afirma. Alguns relatos refletiram sentimentos de comoção e lamento, evidenciando que a abordagem pedagógica revelou uma falta de percepção sobre a Caatinga, o que limitava a apreciação de sua rica paisagem. Um participante comentou que sua visão sobre a região era influenciada por meios de comunicação, que reforçavam desigualdades regionais. Outro destacou que a oficina ampliou sua perspectiva sobre as paisagens brasileiras, especialmente a da Caatinga, que antes via apenas como árida. “Agora sei que esse bioma tem muito mais vida, fauna e flora do que o pensamento popular sugere”, concluiu.



Foto: reprodução da tese “Ri.ca.atinga: o semiárido clama pela valorização de sua riqueza”, com autoria de Andreia Bezerra de Araújo



Estereótipo do sertão nordestino


A pesquisadora investigou também artigos científicos, jornais e literatura para entender a construção da imagem coletiva do sertão ao longo do tempo. Ela explica que o imaginário coletivo é um complexo ideoafetivo inconsciente, onde associações de ideias e emoções influenciam práticas individuais e coletivas de um grupo social em relação a um fenômeno específico.

Andreia afirma que a mídia favorece uma imagem estereotipada do sertanejo. Em novelas, seriados e filmes, ele é retratado como um povo triste, sofredor e faminto, sempre com um visual rústico em tons de bege e terracota, similar aos retirantes descritos na literatura. Além disso, o sertanejo é muitas vezes associado à brutalidade, com tendências criminosas ou amorais – conforme estudos eugenistas antigos que ligavam o comportamento humano à morfologia corporal – e a fenômenos como o Cangaço.

Peça decorativa exposta na 20 FENEARTE. Foto: reprodução da tese "Ri.ca.atinga: o semiárido clama pela valorização de sua riqueza", com autoria de Andreia Bezerra de Araújo


Em análise de práticas de políticas públicas, Andreia constatou que os governantes do País quase sempre negligenciaram a região sertaneja, privilegiando outras áreas do Brasil, o que, em sua opinião, resultou em isolamento do Nordeste, sofrimento da população e domínio dos grandes latifundiários. Segundo a arquiteta, essa estética conveniente perpetuou as desigualdades na Caatinga e também foi reforçada por parte da literatura brasileira, como as obras de Euclides da Cunha, em Os Sertões, Graciliano Ramos, em Vidas Secas, e Raquel de Queiroz, em O Quinze, postura que foi combatida pelo cancioneiro popular Luiz Gonzaga, como faz questão de ressaltar.

Literatura: Os Sertões


Em trechos da obra de Euclides da Cunha Os Sertões, o escritor denomina o sertão como fronteira entre o moderno e o arcaico. “A descrição da paisagem passa a sensação de monotonia e imobilidade. O lugar é envolto por sentimentos de tristeza e morte. O sertanejo sofrido é retratado em sua peleja e determinação em seu cotidiano”, diz a pesquisadora.



… quadro tristonho de um horizonte monótono em que se esbate, uniforme, sem traço diversamente colorido, o pardo requeimado das caatingas […) localizadas em depressões, entre colinas nuas, envoltas pelos mandacarus despidos e tristes, como espectros de árvores […] o sertanejo, por mais escoteiro que siga, jamais deixa de levar uma pedra que calce as suas junturas vacilantes […] pequenas ondulações, todas da mesma foram e do mesmo modo dispostas, o viajante mais rápido tem a sensação de imobilidade. Patenteiam-se lhe, uniformes, os mesmos quadros, num horizonte invariável. (Cunha, 1909, p. 14)


Outro autor analisado pela pesquisa foi Graciliano Ramos, que é reconhecido por sua representação literária marcada por angústia e desolação. “Seus personagens desesperançados vivem em um mundo desprovido de amor e alegria”, diz ela.



“Ultimamente vivia esmorecido, mofino, porque as desgraças eram muitas […] necessário abandonar aqueles lugares amaldiçoados […] Fabiano (personagem principal de Vidas Secas) espiava a caatinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul, as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre […] os mandacarus e os alastrados vestiam a campina, espinho, só espinho. Precisava fugir daquela vegetação inimiga. (Ramos, 2013 p. 116, 117, 120)


No entanto, outros ícones importantes da cultura brasileira, como Luiz Gonzaga e Ariano Suassuna, enaltecem o Nordeste e a cultura regional. Em uma de suas canções, Luiz Gonzaga ilustra a representatividade das grandes feiras – que foram responsáveis pelo surgimento e crescimento de algumas importantes capitais regionais, como Feira de Santana, Caruaru, Garanhuns, Mossoró, entre outras, abastecidas pelas produções vindas dos brejos (áreas úmidas e pantanosas).

 



Na canção A Feira de Caruaru, Luiz Gonzaga dizia: “A Feira de Caruaru faz gosto a gente ver, de tudo que há no mundo nela tem pra vender… Tem massa de mandioca, batata assada, tem ovo cru, banana, laranja e manga, batata-doce, queijo e caju, cenoura, jabuticaba, guiné, galinha, pato e peru. Tem bode, carneiro e porco, se duvidar isso é cururu. Tem bode, carneiro e porco, se duvidar isso é cururu”.

Na canção Luar do Sertão, Luiz Gonzaga celebrou a noite sertaneja: “Não há, ó gente, oh! Não, luar como esse do sertão…Oh que saudade do luar da minha terra. Lá na serra branquejando, folhas secas pelo chão. Este luar cá na cidade tão escuro não tem aquela saudade, do luar lá do sertão”.

A pesquisadora cita também o escritor modernista Mário de Andrade, que defendeu o semiárido nordestino em relatos de suas viagens ao Norte e Nordeste do Brasil, no final da década de 1920. Suas observações foram publicadas em crônicas, colunas e entrevistas no jornal Diário Nacional, onde atuava como redator, em janeiro de 1929.


“Vatapá, cavala em molho de coco, doces de comer pouco, deliciosos […] creme de camarão, casquinhas de caranguejos, o chouriço daqui é um doce, a canjica daqui inteiramente diversa da sulista … (Trecho das crônicas de Mário de Andrade, Diário Nacional, janeiro/1929).

“Chega um crono. Clarineta, violões, ganzá numa série deliciosa de samba, maxixes versos de origem pura […] coco […] No povo nordestino até o passo básico do Charleston, era usual antes da dança ianque aparecer […] a Rebeca está clara e enfim visível, mexidinho num ‘baiano’ (dança) monótono, mas admirável” … (Trecho das crônicas de Mário de Andrade, Diário Nacional/ janeiro/1929).

Depois, em seu retorno à capital paulista, Mário de Andrade concedeu entrevista ao Diário Nacional falando de suas impressões de viagem como os “três meses mais gostosos de minha vida...” (Diário Nacional, março/1929).


A arquiteta faz questão de enfatizar que não se trata de romantizar a dureza da vida no sertão, mas de viabilizar condições de vida mais pacíficas durante os períodos secos, desvinculando os sentimentos de sofrimento, sem que a aridez represente um fardo ou uma fonte de angústia. “Trata-se ainda de reivindicar o reconhecimento e valorização de toda riqueza que envolve a Caatinga e as paisagens semiáridas, tanto sob o ponto de vista ambiental, mas principalmente sob o aspecto cultural e social”, completa. O título RI.CA.ATINGA quer dizer que a caatinga é rica e viva, e seu povo, assim como sua vegetação, é resiliente e feliz.

O trabalho teve a orientação da professora Catharina Pinheiro Cordeiro dos Santos Lima, da FAU, e pode ser acessado neste link.

Mais informações: Andréia Maria Bezerra de Araújo, e-mail deia.m.bezerra@gmail.com ou arq.andreia.bezerra@gmail.com e Catharina Pinheiro Cordeiro dos Santos Lima, e-mail cathlima@usp.br

*Estagiária sob supervisão de Moisés Dorado
Jornal USP

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