sábado, 25 de abril de 2026

The Plastic Detox: documentário liga plástico à infertilidade



Por João Lara Mesquita 17 de março de 2026


The Plastic Detox: documentário liga plástico à infertilidade

The Plastic Detox estreou na Netflix, e já chegou cercado de impacto. O documentário acompanha seis casais com infertilidade sem causa aparente que tentam reduzir, por três meses, a exposição cotidiana ao plástico. A proposta dos produtores foi direta: mostrar que microplásticos e compostos químicos presentes em embalagens, utensílios e objetos domésticos podem afetar a saúde reprodutiva.

Bom apetite!

A repercussão foi imediata. O Guardian definiu The Plastic Detox como um filme “aterrorizante” e disse que ele provoca vontade de mudar de vida na mesma hora. A crítica destacou o experimento conduzido pela epidemiologista Shanna Swan e chamou atenção para os resultados observados após a redução da exposição ao plástico.

O que o filme mostra — e o que ele não prova

Segundo jornal inglês, ‘a lista de maneiras pelas quais a humanidade está cometendo o suicídio da espécie pode ser longa e estar aumentando. Entretanto, o documentário sugere que devemos menosprezar o uso extremamente generalizado de plásticos derivados de petroquímicos’.

‘The Plastic Detox se concentra em uma forma pela qual somos afetados pelos microplásticos, chamada de desregulação endócrina: esses invasores minúsculos interferem nos hormônios do corpo e contribuem para todos os tipos de problemas de saúde, entre eles a infertilidade’.


Essa, diz o Guardian, é a principal preocupação da protagonista deste documentário, a epidemiologista Shanna Swan, cujo livro Count Down, de 2021, afirmou que os produtos químicos presentes no plástico são um fator na queda da contagem de espermatozoides’.

Depois de passar boa parte do documentário mostrando como o microplástico já invadiu o corpo humano, o Guardian ressalta o desfecho otimista de um experimento sem base científica: “as visitas finais de Swan aos seis casais nos recompensam com lágrimas de felicidade”. Segundo o jornal, a experiência, embora baseada numa amostra pequena, trouxe resultados surpreendentes, alguns deles para além da simples constatação de gravidez ou não.



Count Down – o livro

Sobre o livro da epidemiologista Shanna Swan, lançado em 2017, destacou o Health and Evironement Alliance:

Sua publicação de 2017 de uma meta-análise, que chamou a atenção da mídia em todo o mundo, Shanna Swan descobriu que, entre homens da América do Norte, Europa e Austrália, a concentração de esperma diminuiu mais de 50% em menos de 40 anos. Swan já apresentou aos tomadores de decisões da UE evidências epidemiológicas sobre os impactos de produtos químicos disruptores endócrinos (EDCs) na saúde humana em 2012 – há quase uma década. Apesar de a União Europeia tomar medidas para criar ambientes seguros e livres de tóxicos, até o momento essas descobertas ainda não foram traduzidas em mudanças tangíveis e protetoras da saúde para reverter as tendências atuais.


Experiência não tem o rigor de um estudo científico clássico

O New York Times, que também repercutiu o lançamento, revela que a professora de medicina ambiental, Shanna Swan, admite que a amostra é muito pequena, não inclui grupo de controle e, por isso, não permite concluir com segurança que cortar a exposição cotidiana ao plástico aumente, por si só, a fertilidade de adultos.

A premissa do documentário é atraente, diz o Times: corte produtos químicos de plástico de sua vida e melhore sua fertilidade. Mas não é assim tão simples.

No filme, Dra. Swan disse que não queria assustar as pessoas, mas educá-las. “Isso também é algo que temos que prestar atenção”, disse ela.

O New York Times ouviu Matthew Campen, professor de ciências farmacêuticas da Universidade do Novo México: ‘É importante distinguir entre microplásticos e “plastificantes”. Microplásticos são pequenos pedaços de plástico, comumente derramados através do desgaste em plásticos maiores – por exemplo, sacos de plástico descartáveis ou roupas feitas de tecido sintético. Os plastificantes são produtos químicos como bisfenóis e ftalatos que são frequentemente adicionados a plásticos, como garrafas reutilizáveis ou brinquedos de banho, para torná-los rígidos ou flexíveis’.

O jornal também consultou Andrea Gore, professora de farmacologia da Universidade do Texas em Austin, para quem ‘os plastificantes são a maior preocupação com a saúde reprodutiva. Os bisfenóis (incluindo BPA) e os ftalatos fazem parte de uma classe de produtos químicos chamados desreguladores endócrinos porque interferem com os hormônios’.
Documnetário expõe risco, mas tratado do plástico não sai

The Plastic Detox chega num momento revelador. Crescem os alertas sobre microplásticos no corpo humano, seus possíveis efeitos sobre hormônios e fertilidade, mas o mundo segue incapaz de fechar um tratado global contra a poluição plástica. A contradição salta aos olhos: sabe-se cada vez mais sobre o risco, mas continua faltando vontade política para atacar a fonte do problema.

Ilustração, www.sonohealth.com.

Do oceano ao corpo humano 

O mais inquietante é que essa contaminação não se limita mais ao lixo nas praias ou ao plástico boiando no mar. Os microplásticos já aparecem em peixes, frutos do mar e em quase todos os organismos marinhos analisados. Também entraram na cadeia alimentar terrestre: plantas os absorvem e eles acabam em nossos alimentos. Agora, estudos já os detectam até no cérebro humano. O que antes parecia um problema ambiental distante virou ameaça direta à saúde.
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El Niño em 2026: o Brasil precisa se preparar




El Niño em 2026: o Brasil precisa se preparar

El Niño em 2026 voltou ao radar. E o Brasil não tem o direito de alegar surpresa.



A NOAA estima 62% de chance de o fenômeno surgir entre junho e agosto. O mesmo boletim aponta 33% de chance de um episódio forte entre outubro e dezembro. O New York Times deu ao tema o destaque que ele merece. O jornal tratou o possível retorno do El Niño como ameaça global capaz de reacender calor recorde, enchentes, secas e incêndios. Em algumas avaliações citadas pela reportagem, a probabilidade chegava a 80%. Mas o dado oficial da NOAA, hoje, é 62%.

O número basta. Não se trata de curiosidade meteorológica. Quando o Pacífico Equatorial aquece acima do normal, a circulação da atmosfera muda. E o mundo paga a conta.


O que o mundo já viu

O último El Niño, entre 2023 e 2024, deixou um rastro conhecido. Seca no sul da África. Enchentes no Chifre da África. Incêndios e estiagem na Amazônia. Estresse térmico severo em recifes de coral. Chuva extrema no sul da Califórnia. Além disso, o fenômeno costuma empurrar a temperatura média do planeta para cima. Por isso, sempre que ele reaparece no horizonte, o alerta sobe.
No mar, o estrago começa antes

Antes de virar enchente, seca ou onda de calor em terra, o El Niño já começou a fazer estragos no oceano. O aquecimento das águas superficiais enfraquece a ressurgência de águas frias e ricas em nutrientes. Sobe menos alimento das profundezas. Cai a produtividade marinha. E toda a cadeia alimentar sente o golpe.


Ilustração da BBC baseada em dados da NOAA.

Peixes e lulas rareiam ou mudam de área. Aves marinhas perdem alimento, abandonam colônias e deixam de se reproduzir. Baleias, golfinhos e outros predadores também sofrem, porque falta comida na base do sistema. Mas um dos danos mais graves atinge os recifes de coral, um dos mais importantes berçários. Com o mar mais quente, cresce o risco de branqueamento, processo que enfraquece os corais, mata colônias inteiras e compromete abrigo, alimento e reprodução de inúmeras espécies. Num oceano já mais quente por causa da ação humana, o estrago pode ser ainda maior.
No Brasil, o estrago foi grande

No Brasil, o último episódio deixou marcas nítidas. Segundo o Inmet, o El Niño atuou desde junho de 2023 e atingiu intensidade forte em dezembro daquele ano, com aquecimento de 2,0°C acima da média no Pacífico Equatorial. O Rio Grande do Sul recebeu chuva muito acima da média. Em contraste, grandes áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste registraram menos chuva que o normal. Ao mesmo tempo, o calor subiu em grande parte do país.

Ecos da tragédia no rio Grande do Sul em 2024. Imagem, redes antissociais.

O próprio Inmet resume o padrão brasileiro sem rodeios: cheias no Sul a partir de setembro, seca no Norte, atraso das chuvas na parte central do país, pouca chuva no começo do verão e ondas de calor. Na agricultura, a conta também veio pesada. A quebra nas culturas de verão chegou a 25,7 milhões de toneladas.
Seca, calor e fogo

Mas houve algo ainda mais eloquente. Segundo o MapBiomas, a área queimada no Brasil cresceu 79% em 2024 e superou 30,8 milhões de hectares. Foi a maior marca desde 2019. O dado ajuda a medir o tamanho do desastre. O longo período seco associado ao El Niño criou ambiente favorável para a propagação do fogo, sobretudo na Amazônia.

A NOAA está pessimista sobre o El Niño em 2026.

Ainda de acordo com o MapBiomas, só a Amazônia concentrou 17,9 milhões de hectares queimados, ou 58% de toda a área atingida no país. O número desmonta qualquer tentação de tratar o fenômeno como abstração. O El Niño não fica preso a mapas e boletins. Ele altera a chuva, eleva temperaturas, derruba safras e ajuda a abrir caminho para incêndios de grande escala.
O clima agrava. A ação humana destrói

Mas seria erro grosseiro jogar toda a culpa no clima. O tempo extremo agrava a crise. Não a cria sozinho. O fogo não brota por geração espontânea. A ação humana acende o fósforo. Desmatamento, queimadas criminosas, ocupação desordenada e falta de prevenção transformam risco em desastre. É bom que a fiscalização do Ibama se prepare.


As diferenças entre os fenômenos. Ilustração, www.world.infonasional.com.

Também convém evitar simplificações. O Inmet mostrou que o Nordeste não repetiu de forma automática o padrão clássico do El Niño no verão de 2023/2024. O Atlântico Tropical mais quente interferiu na Zona de Convergência Intertropical e favoreceu chuva acima da média em partes da região.
O Brasil precisa se preparar

A lição do episódio recente é inequívoca. O Brasil já viu o que acontece quando o El Niño ganha força. Mais calor e seca em áreas vulneráveis. Mais fogo no Centro-Oeste e no Norte. E, no Sul, mais chuva, mais cheias e mais destruição. O desastre do Rio Grande do Sul, em 2024, deixou isso escancarado. Como o Mar Sem Fim apontou à época, a tragédia não nasceu só da força da água. Ela expôs décadas de desleixo, ausência de prevenção e falta de preparo do poder público diante de eventos extremos que a ciência já anunciava havia anos.

Pior: mesmo depois da devastação, o governo Eduardo Leite decidiu afrouxar diretrizes ambientais no Litoral Norte gaúcho. Técnicos da Fepam consideraram o texto final menos protetivo que a proposta original. Em trechos sensíveis, o governo trocou linguagem de freio por fórmulas mais maleáveis, justamente numa faixa costeira frágil, pressionada pela urbanização, pelo mercado imobiliário e pelos extremos climáticos. Depois da tragédia de 2024, o mínimo seria mais cautela, mais rigor e mais respeito aos limites naturais. O governo fez o contrário.



Se o El Niño realmente voltar em 2026, como indicam as projeções, o Brasil não poderá alegar ignorância. Já conhece os sinais. Já viu os efeitos e pagou uma salgada conta. O que falta não é informação. É juízo. É um governo capaz de prevenir em vez de remediar, de respeitar a ciência em vez de afrouxar regras, de proteger ecossistemas em vez de abrir espaço para mais destruição. O fenômeno pode até nascer no Pacífico. Mas o tamanho da tragédia, aqui, dependerá mais uma vez das escolhas feitas em terra.
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Atlântico mais quente ameaça o litoral e a safra de ostras




Atlântico mais quente ameaça o litoral e a safra de ostras

Atlântico mais quente é parte de um problema mundial. Em março, os oceanos do planeta voltaram a ficar perto do recorde de calor. Para o Brasil, isso deveria soar como alarme, sobretudo no litoral. Mar mais quente gera mais vapor na atmosfera, reforça chuvas extremas e também ajuda a elevar o nível do mar. Recentemente, o Mar Sem Fim já havia alertado para a grande chance de volta do El Niño em 2026 salientando a urgência dos municípios do litoral se prepararem para o distúrbio. Entre 2023 e 2024, o mesmo fenômeno contribuiu a catástrofe climática no Rio Grande do Sul, com enchentes, mortes e milhares de desabrigados.

Ilustração, The Weathernetwork.com.

O mar esquenta, sobe e ameaça a costa

Quando o mar aquece, o problema não se resume ao aumento da umidade e ao reforço das chuvas extremas. O oceano também sobe. Como já explicamos, três são os fatores que respondem pela elevação do nível do mar: a expansão térmica da água, o derretimento de geleiras de montanha e a perda de massa das grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica.


Isso significa que o aquecimento dos oceanos pressiona a costa por dois lados. Por cima, porque água mais quente gera mais vapor e pode alimentar chuvas mais intensas. Por baixo, porque a elevação do nível do mar favorece invasões, acelera a erosão e amplia o alcance de ressacas e alagamentos.





Num país que ocupou mal a zona costeira, a continua a fazê-lo apesar dos prejuízos, o resultado não poderia ser bom. Boa parte das cidades litorâneas brasileiras cresceu sem planejamento, avançou sobre áreas frágeis e ignorou os limites impostos pela dinâmica natural das praias, manguezais, estuários e planícies costeiras. Quando o oceano sobe e o clima se torna mais instável, a conta chega mais cedo e mais alta.
Em Santa Catarina, o calor do mar já dizimou a produção de ostras

Santa Catarina responde por cerca de 90% da produção nacional de ostras. Por isso, o que aconteceu ali não pode ser tratado como contratempo local. No último verão, em áreas de cultivo da Grande Florianópolis, a temperatura da água, que costumava girar em torno de 28 graus, chegou a 34 graus!


Para a ostra japonesa, espécie de clima temperado cultivada em larga escala no Estado, o calor excessivo cobrou um preço devastador. Houve uma mortalidade sem precedentes. Segundo produtores, as perdas chegaram a 80% e 90% da safra.

Em outras palavras, o mesmo mar mais quente que carrega a atmosfera de umidade e aumenta o risco de eventos extremos no litoral já começa também a destruir produção, renda e alimento. O problema, portanto, não está apenas no céu, nas ressacas ou na erosão das praias. Ele já chegou aos cultivos marinhos e atingiu em cheio o principal polo da maricultura brasileira.


O alerta vale para todo o litoral brasileiro

O caso de Santa Catarina interessa ao País inteiro. Primeiro, porque o Estado concentra a maior parte da produção brasileira de ostras. Segundo, porque deixa claro que o aquecimento do mar não é mais hipótese de laboratório nem assunto para o futuro distante. Ele já desorganiza atividades econômicas, compromete renda e afeta a oferta de alimento. E há mais. O mesmo Estado já convive há anos com praias atacadas pela erosão costeira, outro sinal de uma borda continental cada vez mais pressionada. Santa Catarina, portanto, ajuda a mostrar com clareza crescente o que pode acontecer no restante do litoral brasileiro.

Mas o alerta não para na maricultura. O mesmo oceano mais quente que matou ostras no Sul aumenta a pressão sobre toda a costa brasileira. Mais vapor na atmosfera ajuda a reforçar chuvas extremas. Ao mesmo tempo, a elevação do nível do mar amplia o risco de erosão, ressacas e alagamentos. Para um litoral historicamente mal ocupado, a combinação é explosiva.
Depois de três anos recordes, o calor não dá trégua

Depois de três anos entre os mais quentes já registrados, a possível volta do El Niño no segundo semestre deve agravar um quadro já preocupante. No mar, isso significa queda na produtividade, a cadeia alimentar sofre e a pesca artesanal, responsável por cerca de 60% do pescado consumido no Brasil, tende a ser duramente atingida. Como esses pescadores já sobrevivem em condições precárias, o impacto será também social. Por isso, o Brasil deveria se preparar melhor. Mas não é o que se vê. Infelizmente, o litoral segue ao deus-dará, ao sabor dos especuladores do momento.
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Oceano Atlântico e Pacífico não se misturam, falso ou verdadeiro?






Oceano Atlântico e Pacífico não se misturam, falso ou verdadeiro?

Há uma grande curiosidade sobre o assunto na mídia social. Vira e mexe alguém pergunta, ou publica algo a respeito. O Mar Sem Fim fez uma curadoria para entender o que está por trás desta curiosidade, de onde surgiu a dúvida, e porquê. Descobrimos que tudo começou com um vídeo, provavelmente, fake. Ao mesmo tempo, procuramos os sites estrangeiros de maior renome para pormos um ponto final na dúvida. Em alguns nacionais, mais dedicados à diversão que à ciência, dizem que ‘não se misturam’. Afinal, o Oceano Atlântico e Pacífico não se misturam, falso ou verdadeiro?

Esta foto também contribuiu para gerar a falsa polêmica. Trata-se do Pacífico no Alasca com suas geleiras. A diferença de cores é explorada pela Science Focus. Imagem, https://www.adn.com/.

Uma confusão provocada pelas redes sociais

O primeiro site que procuramos foi o da BBC Science Focus. Ele explica que embora o ser humano tenha dado nomes diferentes aos oceanos, ‘na realidade não há fronteira entre eles, as correntes fluem continuamente entre ambos e misturam suas águas’.


‘Os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram no extremo sul da América do Sul. Nesta região, uma forte corrente transporta água de oeste para leste, varrendo a água do Pacífico para o Atlântico’.

E alerta os internautas, ‘Os vídeos que você pode ter visto online mostrando dois corpos de água de cores diferentes flutuando lado a lado estão, na verdade, mostrando água doce rica em sedimentos e cor clara de geleiras derretidas encontrando água escura e salgada do oceano no Golfo do Alasca (e com o tempo, correntes e redemoinhos fazem com que estes se misturem também)’.


Portanto, a afirmação é falsa: As águas do oceanos Atlântico e Pacífico se misturam, sim.
O nível médio do mar

Segundo a BBC, ‘o nível médio do mar é utilizado como referência padrão para a altitude de cidades, montanhas e aeronaves. Isso porque, uma vez que o efeito das marés e ondas tenha sido calculado, o nível do mar depende de apenas duas forças: a força da gravidade e o efeito do giro da Terra – e estes dependem da distância desse ponto de referência final, o centro da Terra’.


Portanto, não existe um ‘oceano mais alto que outro’ como também vimos nas redes sociais.
Saiba quais são as diferenças entre o Oceano Atlântico e Pacífico

Mas os dois oceanos têm, sim, diferenças apesar de não haver uma fronteira que demarque com precisão a separação entre um e outro. Segundo topógrafos, a linha que marca a fronteira entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico passa direto entre o Cabo Horn e a Antártica. Este estreito corpo d’água, o Estreito de Drake.

Estreito de Drake, a parte de mar entre o final da América do Sul, e a ponta da península antártica.

A olho nu, no entanto, você não poderia ver a diferença entre os dois corpos d’água. Da mesma forma que as fronteiras entre países são essencialmente imaginárias, assim são as fronteiras entre os oceanos.
Sabemos mais sobre o espaço sideral do que sobre os oceanos

Já repetimos aqui: sabemos mais sobre o espaço sideral do que sobre os oceanos. Ainda nos anos 60, a corrida espacial impulsionou a ciência a estudar o cosmos. Dinheiro não faltava, afinal a disputa envolvia os dois países mais poderosos da época. Bilhões de dólares financiaram os cientistas.

Conheça os motivos pelos quais sabemos pouco sobre os oceanos

O mesmo não aconteceu com os oceanos. As pesquisas marinhas sempre exigiram investimentos altos e nunca tiveram o mesmo ‘glamour’ da conquista do espaço. Além de cobrirem 71% da superfície do planeta, os oceanos impõem desafios enormes. A pressão nas grandes profundidades e as longas distâncias que os navios precisam percorrer até os pontos de estudo obrigam o uso de equipamentos extremamente caros para alcançar e investigar o fundo do mar.

Tudo isso torna a operação lenta e muito cara. Mesmo os drones aquáticos e os ROVs, robôs operados remotamente, novidades da tecnologia, custam caro. Hoje, submarinos começam a ganhar espaço nas pesquisas sobre os oceanos, realizadas até mesmo com o apoio de satélites. A novidade agora será o usa da IA – Inteligência Artificial na pesquisa submarina. Mas ainda engatinhamos nesse campo.

Imagens como esta do golfo do Alasca, do jornal Anchorage Daily News é que provocaram a falsa polêmica.
A ignorância da ciência sobre o mar profundo

Não à toa, os cientistas sequer sabem quantas espécies vivem nas profundezas. Estimativas sugerem que existem entre 700.000 e um milhão de tipos de vida marinha – porém, mais de 91% permanecem sem classificação.

Além disso, estudo recente mostra que conhecemos e registramos – a ciência – apenas 0,001% do assoalho marinho.

Uma das diferenças mais marcantes entre o Atlântico e o Pacífico está na salinidade: as águas do Atlântico são mais salgadas e, portanto, mais densas. Isso não impede que ambos os oceanos se misturem, muitas vezes de forma turbulenta, no Estreito de Drake onde o extremo sul da América do Sul e o extremo norte da Antártica formam um ‘funil’ para o vento.


Estreito de Drake.

Esse funil espreme os ventos, que sopram geralmente de oeste para leste, do Pacífico para o Atlântico ao atravessar o Estreito de Drake. Ali, sob influência da geografia, as águas dos dois oceanos se misturam às vezes com forte turbulência.

O vídeo que circula nas redes, mostrando um suposto encontro entre Atlântico e Pacífico no golfo do Alasca, não passa de fake news.

Imagem de abertura: https://www.adn.com/

Fontes: https://www.sciencefocus.com/planet-earth/is-it-true-that-the-pacific-and-atlantic-oceans-dont-mix/; https://steemit.com/science/@shairanada/science-explains-1-does-the-pacific-ocean-mixes-with-the-atlantic-ocean; https://blogpatagonia.australis.com/where-do-the-atlantic-and-pacific-oceans-meet/#:~:text=According%20to%20topographers%2C%20the%20line,Elizabethan%20explorer%2C%20Sir%20Francis%20Drake, https://www.adn.com/science/article/mythbusting-place-where-two-oceans-meet-gulf-alaska/2013/02/05/.
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Conheça o Estreito de Malaca, um dos mais movimentados do planeta





Conheça o Estreito de Malaca, um dos mais movimentados do planeta

Pode parecer estranho, mas os oceanos também têm as ‘esquinas movimentadas’ das grandes cidades. Neste caso, são as passagens marítimas que se revelam as mais importantes e estratégicas. É o caso do Canal da Mancha, o mais movimentado do mundo com mais de 500 navios passando por ele todos os dias, ou da Passagem Noroeste que agora está se abrindo com o aquecimento, ou o Estreito de Ormuz, do outro lado do mundo e principal rota do petróleo no Oriente Médio. E ainda existem aquelas construídas pelo homem, caso do Canal do Panamá, ou o monumental Canal de Suez, aberto em meados do século 19 e terminado em apenas 10 anos. Aqui, na América do Sul, temos a Passagem, ou Estreito de Drake, que interliga o Atlântico ao Pacífico. Contudo, atualmente uma das mais movimentadas, e assim mais importantes passagens marítimas, é o Estreito de Malaca.

Imagem, Organização Marítima Mundial.

O principal gargalo da Ásia

Com cerca de 900 quilômetros de comprimento (550 milhas), o Estreito de Malaca é o principal gargalo da Ásia e uma das rotas marítimas mais congestionadas. O canal liga o continente ao Oriente Médio e à Europa, e por ele passam cerca de 40% do comércio mundial. Mais de 100 mil navios o atravessam todos os anos.


Em seu ponto mais estreito, em Singapura, ele tem apenas 2,7 quilômetros de largura, criando um gargalo natural e uma área propícia a colisões, encalhações, etc.

Imagem, UNESCO.

Sentiu a importância de uma ‘esquina’ oceânica? Quando elas ‘entopem’, como as esquinas mais movimentadas de São Paulo ou Manhattan, o mundo todo para. Vamos recordar o pânico mundial com o encalhe do navio porta-contêineres de quase 400 metros de comprimento, Ever Given, em 2021 no Canal de Suez.



O incidente destacou o papel vital do transporte marítimo na economia mundial. E, de maneira idêntica, os custos do bloqueio da passagem marítima foram à estratosfera, como lembra a BBC.

‘Separadamente, dados da Lloyd’s List mostraram que o navio encalhado bloqueava aproximadamente US$ 9,6 bilhões em comércio ao longo da via navegável a cada dia. Isso equivale a US$ 400 milhões e 3,3 milhões de toneladas de carga por hora, ou US$ 6,7 milhões por minuto’.


Os limites do Estreito de Malaca

O Estreito de Malaca conecta o Oceano Indico com o Oceano Pacífico. Ele está situado entre a Península Malaia, a nordeste, e a ilha indonésia de Sumatra, a sudoeste, ligando o Mar de Andaman e o Mar do Sul da China. É a rota marítima mais curta, mais de 1/3 mais curta do que sua alternativa mais próxima, entre fornecedores de petróleo e gás natural do Oriente Médio e os mercados em crescimento do Leste e Sudeste Asiático.

Segundo o Paradigm Shift, ‘o estreito propicia pelo menos 1 trilhão de dólares em comércio global anualmente. Tem nove dos dez portos mais movimentados do mundo, e cerca de 60% do comércio marítimo global passa por esta região.


Imagem, www.worldhistory.org.

O controle do Estreito no passado

O Estreito de Malaca também foi crucial para o comércio e viagens nos tempos medievais. Por textos históricos, o porto foi nomeado após o Sultanato de Malaca, que controlava a região e o Estreito do século XIV ao início do século XV.

Este canal natural tem sido usado continuamente desde a antiguidade por comerciantes como romanos, gregos, chineses e indianos. Sua importância estratégica também o tornou uma fonte de atrito internacional do século XV até os dias modernos.

Segundo o Asia Scotland Institute, ‘o lendário almirante chinês Zheng He estabeleceu uma base aqui no início dos anos 1400, transformando-a em uma das grandes cidades comerciais do mundo’. Um século depois foi conquistada pelos portugueses.

No século 16 a fiscalização do estreito de Malaca era particularmente importante para o comércio de especiarias e estava a cargo dos portugueses, a nação marítima preponderante daquele tempo. Nós já mostramos a importância de Malaca como um ‘empório asiático‘.

Depois passou ao comando holandês e britânico.

O desenho foi publicado pelo World History com a seguinte legenda: Um desenho mostrando a Malaca portuguesa na Malásia. A colônia foi portuguesa de 1511 a 1641. (Imagem, Domínio Público).

O Estreito na antiguidade

Como uma importante passagem marítima, sempre teve o controle das nações mais avançadas na arte da construção naval e da navegação. E a referência mais antiga que se tem é do século 7.

Quem explica é Sinara Bueno. ‘No século 7, o império marítimo de Srivijaya (antigo império malaio localizado na ilha de Sumatra), subiu ao poder e sua influência se expandiu para a península malaia e Java. O império obteve controle efetivo sobre dois principais pontos de estrangulamento no sudeste da Ásia marítima: o Estreito de Malaca e o Estreito de Sunda’.

Todas estas rotas marítima utilizam o estreito de Malaca.

‘Ao lançar uma série de conquistas e ataques a portos rivais em potencial em ambos os lados do estreito, Srivijaya garantiu seu domínio econômico e militar na região, que durou cerca de 700 anos. Srivijaya obteve grandes benefícios com o lucrativo comércio de especiarias com mercadores chineses, indianos e árabes’.
O controle do Estreito de Malaca hoje

Os Estreitos de Malaca e Singapura estão dentro das águas territoriais da Indonésia, Malásia e Singapura. De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que entrou em vigor em 1994, a administração da segurança do Estreito, incluindo a manutenção de auxílios à navegação, é de responsabilidade desses três países.
A pirataria moderna é um problema

Para encerrar, as informações mais recentes sobre o Estreito a cargo da Marine Insight. ‘Embora a maior parte da cobertura da mídia se concentre nos piratas da Somália, o Sudeste Asiático é um dos mais perigosos e inseguros em termos de crime marítimo. Os mais vulneráveis são o Estreito de Singapura, o Estreito de Malaca e as águas da Indonésia’.


Se o Estreito fosse bloqueado, seria difícil para a China obter seu suprimento de energia e matérias-primas de nações africanas onde investiu bilhões em projetos de mineração e empreendimento de construção.

Imagem, RG21.

O renomado autor naval e criador da série de jogos de guerra Harpoon, Larry Bond, disse que a China tem uma preocupação real de que a Índia possa fechar o Estreito. “Se a Índia quisesse interromper o comércio com a China, tudo o que teria que fazer seria estacionar um grupo de navios no Estreito de Malaca. E pronto, nada mais passará por ali.”

Finalmente, afirma o Marine Insight, ‘o Estreito de Malaca tem cerca de 34 naufrágios desde a década de 1880. Eles são perigosos. Os navios podem colidir com alguns deles, já que as águas são bastante rasas e ele é ‘estreito em alguns pontos.
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domingo, 19 de abril de 2026

Quem criou a teoria do Big Bang





A Nasa conta que, em 1927, um cientista belga chamado Georges Lemaître – que também atuava como sacerdote católico – foi o primeiro a falar da origem do universo como uma expansão infinita, com um passado igualmente infinito, ou seja, que a criação do universo não seria igual ao começo do tempo.


Cerca de dois anos depois, observações do astrônomo norte-americano Edwin Hubble completaram a ideia da expansão contínua do universo. De acordo com ele, as galáxias seguiam se afastando e, quanto mais distante, mais rápido se moviam.


Por sua contribuição, o pesquisador americano foi homenageado ao ter seu nome dado para o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, que viaja pelo espaço desde 1990. As observações desse equipamento já geraram imagens impressionantes de estrelas, galáxias e outros bjetoos astronômicos a até 13,4 bilhões de anos luz da Terra.
National Geographic

Os efeitos da chuva ácida no meio ambiente e nas pessoas


    O dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio não são gases de Efeito Estufa primários que contribuem para o aquecimento global, um dos principais efeitos das mudanças climáticas; na verdade, o dióxido de enxofre tem um efeito de resfriamento na atmosfera.


    Mas os óxidos de nitrogênio contribuem para a formação de ozônio troposférico, um importante poluente que pode ser prejudicial às pessoas. Ambos os gases causam preocupações ambientais e de saúde, pois podem se espalhar facilmente através da poluição do ar e da chuva ácida.


    A chuva ácida tem muitos efeitos ecológicos, especialmente em lagos, riachos, pântanos e outros ambientes aquáticos. A chuva ácida torna essas águas mais ácidas, o que resulta em maior absorção de alumínio do solo, que é transportado para lagos e riachos. Essa combinação torna as águas superficiais tóxicas para os animais aquáticos.


    Algumas espécies toleram melhor as águas ácidas do que outras. No entanto, em um ecossistema interconectado, o que afeta algumas espécies acaba afetando muitas outras ao longo da cadeia alimentar, incluindo espécies não aquáticas, como pássaros.


    A chuva ácida e a neblina também danificam as florestas, especialmente aquelas em altitudes mais elevadas. A deposição seca de ácido rouba do solo nutrientes essenciais, como cálcio, e faz com que o alumínio seja liberado no solo, o que dificulta a absorção de água pelas árvores. Os ácidos também prejudicam as folhas e agulhas das árvores.


    Os efeitos da chuva ácida, combinados com outros fatores de estresse ambiental, deixam as árvores e as plantas menos saudáveis e mais vulneráveis às baixas temperaturas, aos insetos e às doenças. Os poluentes também podem inibir a capacidade de reprodução das árvores.


    Alguns solos são mais capazes de neutralizar ácidos do que outros. Mas em áreas onde a “capacidade tampão” do solo é baixa, os efeitos nocivos da chuva ácida são muito maiores.


    Além disso, os depósitos ácidos danificam estruturas físicas, como edifícios de calcário e carros. E quando assume a forma de neblina inalável, a precipitação ácida pode causar problemas de saúde nas pessoas, incluindo irritação nos olhos e asma.


    “A chuva ácida tem muitos efeitos ecológicos, especialmente em lagos, riachos, pântanos e outros ambientes aquáticos.”

    Existem soluções para a chuva ácida? A resposta passa pelo uso de combustíveis fósseis


    A única maneira de combater a chuva ácida é reduzindo a liberação dos poluentes que a causam. Isso significa queimar menos combustíveis fósseis e estabelecer padrões de qualidade do ar.


    Leis que regulam os níveis de limpeza do ar, como a Lei do Ar Limpo de 1990, nos Estados Unidos, teve como alvo a chuva ácida, estabelecendo limites de poluição que ajudaram a reduzir as emissões de dióxido de enxofre em 92% entre 1990 e 2023.


    Essas tendências ajudaram as florestas de abetos vermelhos em estados norte-americanos como a Nova Inglaterra, por exemplo, e algumas populações de peixes, por exemplo, a se recuperarem dos danos causados pela chuva ácida. Mas a recuperação geral leva tempo e as preocupações com a revogação dos padrões de poluição do ar complicam a questão.


    Os problemas da chuva ácida persistirão enquanto o uso de combustíveis fósseis continuar. Países como a China, que dependem fortemente do carvão para a produção de eletricidade e aço, estão lutando contra esses efeitos. Um estudo descobriu que a chuva ácida na China pode ter contribuído para um deslizamento de terra mortal em 2009.


    A China está implementando controles para as emissões de dióxido de enxofre, que caíram 75% desde 2007. Mas as emissões da Índia aumentaram pela metade. No entanto, pesquisadores que estudam os efeitos de um mercado de emissões encontraram resultados promissores para reduzir potencialmente a chuva ácida no país do sul da Ásia.
    National Geographic

O que é chuva ácida?



Chuva ácida, ou deposição ácida, é um termo amplo que inclui qualquer forma de precipitação com componentes ácidos, como ácido sulfúrico ou nítrico, que caem no solo a partir da atmosfera em formas úmidas ou secas. Isso pode incluir chuva, neve, neblina, granizo ou mesmo poeira ácida.
O que causa a chuva ácida?


Esta imagem ilustra o caminho da chuva ácida em nosso ambiente: (1) Emissões de SO2 e NOx são liberadas no ar, onde (2) os poluentes são transformados em partículas ácidas que podem ser transportadas por longas distâncias. (3) Essas partículas ácidas então caem na terra como deposição úmida e seca (poeira, chuva, neve, etc.) e (4) podem causar efeitos nocivos no solo, florestas, rios e lagos.


A chuva ácida resulta da emissão de dióxido de enxofre (SO₂ ) e óxidos de nitrogênio (NOₓ ) para a atmosfera, que são transportados pelo vento e pelas correntes de ar. O SO₂ e o NOₓ reagem com a água, o oxigênio e outras substâncias químicas, formando ácidos sulfúrico e nítrico. Estes, por sua vez, misturam-se com a água e outros materiais antes de se depositarem no solo.

Embora uma pequena parte do SO₂ e do NOₓ que causam a chuva ácida provenha de fontes naturais, como vulcões, a maior parte resulta da queima de combustíveis fósseis. As principais fontes de SO₂ e NOₓ na atmosfera são:Queima de combustíveis fósseis para geração de eletricidade. Dois terços do SO₂ e um quarto do NOₓ na atmosfera provêm de geradores de energia elétrica.
Veículos e equipamentos pesados.
Indústrias de transformação, refinarias de petróleo e outras indústrias.

Os ventos podem transportar SO₂ e NOₓ por longas distâncias e através de fronteiras, tornando a chuva ácida um problema para todos, e não apenas para aqueles que vivem perto dessas fontes.
Formas de deposição ácida
Deposição úmida

A deposição úmida é o que geralmente chamamos de chuva ácida . Os ácidos sulfúrico e nítrico formados na atmosfera caem no solo misturados com chuva, neve, neblina ou granizo.
Deposição a seco

Partículas e gases ácidos também podem se depositar da atmosfera na ausência de umidade, em um processo conhecido como deposição seca . Essas partículas e gases ácidos podem se depositar rapidamente em superfícies (corpos d'água, vegetação, edifícios) ou reagir durante o transporte atmosférico, formando partículas maiores que podem ser prejudiciais à saúde humana. Quando os ácidos acumulados são lavados da superfície pela chuva seguinte, essa água ácida escoa sobre e através do solo, podendo prejudicar plantas e animais, como insetos e peixes.

A quantidade de acidez na atmosfera que se deposita na Terra por meio da deposição seca depende da quantidade de chuva que uma área recebe. Por exemplo, em áreas desérticas, a proporção entre deposição seca e úmida é maior do que em uma área que recebe vários centímetros de chuva por ano.
Medindo a chuva ácida


A acidez e a alcalinidade são medidas usando uma escala de pH, na qual 7,0 é neutro. Quanto menor o pH de uma substância (menor que 7), mais ácida ela é; quanto maior o pH de uma substância (maior que 7), mais alcalina ela é. A chuva normal tem um pH de cerca de 5,6; ela é ligeiramente ácida porque o dióxido de carbono (CO₂ ) se dissolve nela, formando ácido carbônico fraco. A chuva ácida geralmente tem um pH entre 4,2 e 4,4.
https://www.epa.gov/acidrain/what-acid-rain

Qual é a cidade com o ar mais poluído do mundo? Veja como o Brasil está neste ranking




Desmatamento, incêndios e emissões de gases foram as principais causas da poluição atmosférica na América Latina em 2024. Mas a cidade mais poluída do planeta não está na região.


As emissões de gases vindas dos automóveis são uma das importantes fontes de poluição atmosférica no mundo. Acima, uma densa nuvem de partículas vindas dos carros cobre o Cairo, capital do Egito.



“A poluição do ar é atualmente o maior risco ambiental para a saúde humana”, afirma a Organização das Nações Unidas (ONU). As minúsculas partículas podem penetrar no corpo e chegar aos pulmões e à corrente sanguínea, causando asma, doenças respiratórias crônicas e até mesmo acidentes vasculares cerebrais (AVC).


Esse tipo de poluição é responsável por cerca de 6,5 milhões de mortes prematuras em todo o mundo, mas pode piorar e, se não houver uma intervenção agressiva, “o número de mortes causadas pela poluição do ar em espaços abertos deve aumentar em mais de 50% até 2050”.


Além disso, a poluição atmosférica agrava os efeitos das mudanças climáticas, causa perdas econômicas e reduz a produtividade agrícola, continua a entidade.


Diante desse cenário, a Assembleia Geral da ONU declarou o dia 7 de setembro como o Dia Internacional do Ar Limpo por um Céu Azul. Nesta data, vale a pena conhecer quais são as cidades que lideram os rankings de poluição atmosférica e qual a posição dos países latino-americanos na lista.




Na foto, o céu completamente esfumaçado de Delhi, na Índia, cidade que sofre com a queima lixo e os gases tóxicos gerados pelo aterro sanitário de Ghazipur.FOTO DE MATTHIEU PALEY

Qual é a cidade com o ar mais contaminado do mundo?


A organização suíça IQAir, especializada em tecnologia contra a poluição do ar, publica anualmente um Relatório Anual sobre a Qualidade do Ar no mundo, no qual apresenta dados sobre a qualidade do ar em relação às partículas PM2,5 (partículas com um diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros e que representam a maior ameaça à saúde).


Para o relatório sobre 2024, a organização coletou informações de 8.954 cidades em 138 países, regiões e territórios, utilizando dados provenientes de mais de 40 mil estações de controle da qualidade do ar e sensores de baixo custo, operados por agências governamentais, instituições de pesquisa, ONGs, escolas, universidades, empresas do setor privado e cientistas cidadãos de todo o mundo.


Com base nessas referências, a IQAir concluiu que as cidades mais afetadas estão concentradas na Ásia, onde se encontram cinco dos dez países mais poluídos e nove das dez cidades com pior qualidade atmosférica a nível mundial.


Especificamente, a área metropolitana mais poluída do mundo em 2024 foi Byrnihat, na Índia, com uma concentração média anual de PM2,5 de 128,2 microgramas por metro cúbico (μg/m³), de acordo com o relatório da IQAir. Este valor excede consideravelmente o valor de 5 µg/m3 da diretriz anual de PM2,5 da Organização Mundial da Saúde (OMS).




Cães e aves procuram comida no aterro sanitário de Ghazipur, em Nova Délhi, Índia. Seis das dez cidades mais poluídas do mundo estão localizadas neste país asiático. De acordo com o relatório da IQAir, a capital, Nova Délhi, “manteve níveis de poluição constantemente elevados, com uma média anual de 91,6 µg/m³, praticamente inalterada em relação aos 92,7 µg/m³ de 2023”.FOTO DE STÉPHANIE SINCLAIR

As 9 cidades com a pior poluição atmosférica


Além de Byrnihat, a lista das cidades mais poluídas do mundo é completada por: Byrnihat, Índia com 128,2 μg/m³

Delhi, Índia (com uma concentração média de 108,3 µg/m3)

Karagandá, Cazaquistão (104,8 µg/m3)

Mullanpur, Índia (102,3 µg/m3)

Lahore, Paquistão (102,1 µg/m3)

Faridabad, Índia (101,2 µg/m3)

Dera Ismail Khan, Paquistão (93 µg/m3)

N'Djamena, Chade (91,8 µg/m3)

Loni, Índia (91,7 µg/m3)


Além disso, a análise do relatório reconhece que “quase um terço das cidades (do mundo) registraram concentrações anuais de PM2,5 que excedem em dez vezes as diretrizes da OMS, o que representa um grave risco para a saúde de milhões de pessoas”.




A foto registra a cidade de Brasília coberta pela fumaça causada pelos incêndios florestais durante agosto de 2024. De acordo com a IQAir, o desmatamento e as queimadas são duas das principais fontes de poluição atmosférica na América Latina, juntamente com as emissões dos veículos e a poluição causada pelas indústrias extrativas.

Realmente é verdade que a camada de ozônio da Terra está se recuperando?



Se medidas concretas não tivessem sido tomadas nos últimos anos, todos os seres vivos que habitam a Terra estariam expostos à radiação solar de forma bastante perigosa.


Esta imagem da Nasa que mostra parte do globo terrestre em cores distintas mostra a média mensal do ozônio total sobre a região do polo antártico em setembro de 2025. As cores em diferentes tons de azul indicam as zonas com menos ozônio na estratosfera, enquanto as cores amarelo e vermelho se referem aquelas que mantém maior quantidade deste elemento na camada protetora da Terra.


Em meados da década de 1970, os cientistas detectaram que a camada de ozônio (uma região de alta concentração de ozônio na estratosfera, a uma altitude de 15 a 35 quilômetros acima da superfície terrestre), estava ameaçada de desaparecer.


Já na década de 1980 ficou provado que havia esgotamento severo sobre a Antártida (ou seja, o que popularmente se chamou de “buraco”), como explica a Secretaria do Ozônio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Vale lembrar que a camada de ozônio atua como um “escudo invisível” e protege a Terra da radiação ultravioleta (UV) prejudicial do Sol.


Pela importância do tema, foi criado o Dia Internacional da Preservação da Camada de Ozônio, comemorado anualmente em 16 de setembro em referência à data na qual foi assinado o Protocolo de Montreal, em 1987. Em 2025, as celebrações em torno da efeméride reconhecem como a adoção do que foi pedido nos tratados mostram ser possível passar “da ciência à ação global” na hora de proteger o meio ambiente.


Em uma mensagem por ocasião ao dia, o Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, foi enfático sobre o sucesso das iniciativas que enfrentaram o problema: “Esta conquista nos lembra que, quando as nações dão ouvidos aos alertas da ciência, o progresso é possível”.





Registro do lançamento de uma sonda de ozônio, um instrumento transportado por balão que mede o perfil vertical da camada de ozônio. A foto foi feita na estação Amundsen-Scott, no Polo Sul, na Antártida.FOTO DE NOAA PHOTO LIBRARY (CC BY 2.0)

O que causou o buraco na camada de ozônio


Os pesquisadores alertaram que o enfraquecimento da camada de ozônio, que causou um “buraco” sobre a Antártida, se devia principalmente ao uso de substâncias químicas artificiais com halogênios, conhecidas como substâncias que destroem a camada de ozônio (da sigla SDO em português) e que estavam presentes em milhares de produtos de uso cotidiano.


“Os halogênios mais importantes eram os clorofluorcarbonetos (conhecidos pela sigla CFC) os quais, na época, eram amplamente utilizados em aparelhos de ar condicionado, geladeiras, aerossóis e inaladores para pacientes com asma”, detalha a fonte. Eles também alertaram sobre outras substâncias químicas nocivas, como os hidroclorofluorcarbonetos (HCFC), os halons e o brometo de metilo.


O Protocolo de Montreal e outros acordos globais para preservar a camada de ozônio


“Diante da crescente evidência de que os CFCs danificavam a camada de ozônio e da compreensão das múltiplas consequências de seu esgotamento descontrolado, cientistas e legisladores instaram as nações a controlar seu uso”, lembra o órgão das Nações Unidas.


Em resposta, os países estabeleceram um quadro político global para enfrentar o problema. Em 1985, foi adotada a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio, que entrou em vigor em 1988 e pela qual os países concordaram em “investigar e monitorar os efeitos das atividades humanas sobre a camada de ozônio e adotar medidas concretas de controle”.


Posteriormente, as nações adotaram o Protocolo de Montreal relativo às Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio. Assinado em 1987, este tratado entrou em vigor dois anos depois, em 1989, e cumpriu seus objetivos: estabelecer um conjunto de “medidas práticas e viáveis para a eliminação gradual das substâncias destrutivas para a camada de ozônio”.


Já em 2016 foi assinada a Emenda de Kigali – mais uma emenda relacionada ao tema – que estabeleceu um calendário para a diminuição gradual do uso dos gases nocivos à camada de ozônio, bem como incluiu medidas de controle para reduzir os hidrofluorcarbonetos (HFC), substitutos dos químicos que também se mostraram potentes gases de Efeito Estufa.




Esta fotografia tirada em 1987 e mostra Noel J. Brown (terceiro da esquerda), diretor do Escritório de Ligação de Nova York do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), falando em um fórum chamado "Questões ambientais críticas: o esgotamento da camada de ozônio" e organizado pelo Pnuma. Na imagem também aparecem, da esquerda para a direita, Michael Oppenheimer, cientista sênior do Fundo de Defesa Ambiental; Stephen R. Seidel, analista sênior da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos; e Russell M. Sasnet, executivo sênior da General Electric Co.FOTO DE UN PHOTO/YUTAKA NAGATA

Quais ações foram tomadas para a proteção da camada de ozônio?


Em virtude do Protocolo de Montreal, os CFCs foram completamente eliminados, indica a Secretaria do Ozônio. Inicialmente, foram substituídos por HCFC e, posteriormente, por HFC. Após a emenda de Kigali, está sendo promovida uma maior transição para HFC de baixo impacto ambiental.


Conforme indica a fonte, os CFCs eram encontrados em sistemas de refrigeração e ar condicionado, e também eram usados para insuflar espumas isolantes em edifícios e em inaladores utilizados para asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).


Por outro lado, “a produção de halons foi gradualmente eliminada desde 2010. No entanto, um desafio pendente é que os halons produzidos antes desse ano ainda são usados para proteção contra incêndios na aviação civil”.


Enquanto isso, o brometo de metilo (que até 2024 era comumente usado na agricultura para controlar pragas e doenças) foi substituído por novos métodos de controle.


Em suma, 99% das SDOs controladas pelo Protocolo de Montreal foram gradualmente eliminadas. Embora os danos causados ainda não tenham sido completamente reparados, há evidências científicas que demonstram que a camada de ozônio está se recuperando e os pesquisadores monitoram periodicamente o progresso. Estima-se que a recuperação possa ocorrer em meados deste século.



Homens pulverizam herbicidas para eliminar espécies invasoras de plantas em projetos de reflorestamento da Mata Atlântica em Itatinga, no interior de São Paulo. Antes do Protocolo de Montreal, era comum usar brometo de metilo (uma substância potente que destrói a camada de ozônio) para controlar pragas e doenças durante a produção agrícola.FOTO DE VICTOR MORIYAMA

O que teria acontecido se não tivessem sido tomadas medidas para proteger a camada de ozônio?


Se não fosse controlada, a destruição da camada de ozônio teria gerado diversas consequências perigosas. Estima-se que, como efeito da superexposição à radiação UV-B vinda do Sol, o risco de câncer de pele teria aumentado substancialmente em todo o mundo, assim como a ocorrência de doenças oculares como a catarata, por exemplo.


Além disso, um esgarçamento da proteção causada por esta camada da estratosfera terrestre teria prejudicado o equilíbrio dos ecossistemas e danificado plantas, animais e micróbios.


A produção de alimentos também já teria sido afetada; bem como a troca de dióxido de carbono entre a atmosfera e a biosfera; e haveria maior dano a materiais (naturais ou sintéticos) presentes no planeta, completa a Secretaria do Ozônio do PNUMA.

Um mundo oculto sob o gelo da Antártida: cientistas revelam o lugar onde os rios correm para cima




Montanhas, vales, lagos e rios invisíveis estão sob uma espessa camada de gelo na Antártica. As mudanças nesses rios ocultos podem ter consequências globais dramáticas.





Entender como os rios e lagos ocultos sob a camada de gelo da Antártida estão mudando é fundamental para prever o aumento futuro do nível do mar. Foto de Tyler Pelle


A enorme camada de gelo da Antártida parece plana. Embora a extensa camada gelada do continente se eleve mais de 4 mil metros acima do nível do mar perto de seu centro, as suaves encostas dessa cúpula são imperceptíveis ao olho humano.


Mas abaixo desse gelo de 1 Km de espessura há algo surpreendente: uma paisagem de montanhas e vales íngremes, atravessada por rios sinuosos. E esses rios ocultos podem desempenhar um papel decisivo na forma como a camada de gelo responde a um calor sem precedentes.


Os cientistas agora preveem que, à medida que o manto de gelo da Antártica derreter e afinar nas próximas décadas, esses rios ocultos crescerão, saltarão suas margens e mudarão para novos caminhos de fluxo. Isso pode desestabilizar as grandes geleiras costeiras que controlam a taxa de elevação do nível do mar.


“As mudanças são bastante drásticas”, diz Christine Dow, hidróloga glacial da Universidade de Waterloo, no Canadá, cuja equipe foi coautora do novo estudo. Esses rios em evolução podem fazer com que as geleiras derretam e deslizem mais rapidamente para o oceano. “Estamos subestimando a velocidade com que as coisas vão mudar e a quantidade de perda de gelo que ocorrerá nos próximos 80 anos”, explica ela.


Essas descobertas, publicadas em 20 de março de 2025 na revista científica Nature Communications, resultam de 20 anos de trabalho para mapear o continente oculto sob as camadas de gelo da Antártica.


Um mundo inexplorado sob o gelo



Nenhum ser humano jamais viu essas montanhas e vales ocultos. No entanto, nas últimas décadas, aviões voaram centenas de linhas cruzando a Antártida, usando radares de penetração no gelo e medições precisas da gravidade e dos campos magnéticos para examinar o gelo.


Essas pesquisas encontraram cadeias de montanhas com quilômetros de altura, vales amplos e cânions profundos. O radar também revelou os reflexos planos e brilhantes de várias centenas de lagos subglaciais abaixo. Esses lagos são alimentados pela água que derrete lentamente da base da camada de gelo, uma fração de 2,54 cm por ano, devido ao calor geotérmico que se infiltra das profundezas da terra e ao atrito do gelo que desliza sobre a terra.


Os cientistas também perceberam que os rios subglaciais frequentemente fluem para dentro ou para fora dos lagos. Esses rios podem agir de formas estranhas, pois obedecem não apenas à gravidade, mas também à pressão de esmagamento do gelo sobre a superfície, diz Anna-Mireilla Hayden, estudante de doutorado em hidrologia glacial que faz parte da equipe de Dow na Universidade de Waterloo, no Canadá.


“A água pode, de fato, fluir para cima”, afirma ela, de locais onde o gelo é espesso e a pressão é alta, para locais onde o gelo é mais fino e a pressão é mais baixa. Em alguns casos, a água pode fluir centenas de metros para cima nas encostas íngremes das montanhas subglaciais.


Esses rios estreitos são difíceis de encontrar com o radar. Assim, a equipe de Dow passou 11 anos mapeando os rios de uma forma mais meticulosa. Eles combinaram mapas da paisagem subglacial com medições precisas da espessura do gelo para prever as rotas pelas quais a água subglacial fluirá ao reagir à gravidade e à pressão.


Eles descobriram que a maioria das geleiras que se movem mais rapidamente na Antártica tem muita água embaixo delas, lubrificando o gelo à medida que ele desliza sobre a terra. Isso é especialmente verdadeiro para as geleiras mais instáveis do continente, as geleiras Thwaites e Pine Island, que estão derramando gelo no oceano mais rapidamente do que nunca. A paisagem sob essas geleiras é repleta de vulcões e vales de fendas que emitem altos níveis de calor geotérmico e, portanto, muita água de derretimento lubrificante.




À medida que a Geleira Totten, na Antártida, escorre da costa antártica e flutua no oceano, ela se fragmenta em icebergs – cada um com cerca de 20 vezes o tamanho de um porta-aviões. Os pesquisadores descobriram que um grande rio subglacial flui por baixo do gelo nesse local.Foto de Image courtesy NASA and USGS, processed by Ted Scambos, University of Colorado Boulder

Misteriosos pontos de derretimento sob o gelo



Com suas novas percepções sobre os rios ocultos da Antártida, eles também ajudaram a resolver um mistério. A maior parte do litoral da Antártica é margeada por placas de gelo, com centenas de metros de espessura, que flutuam no oceano. Essas plataformas de gelo flutuantes retêm as geleiras costeiras, diminuindo seu fluxo para o oceano.


Os cientistas sabiam que essas plataformas de gelo derretem constantemente por baixo, pois suas partes inferiores são banhadas pela água do mar alguns graus acima de zero. Mas as medições por satélite mostraram repetidamente algo estranho.


Muitas dessas plataformas de gelo têm pontos quentes, com 2 Km ou mais de largura, onde estão derretendo várias vezes mais rápido do que deveriam, com base na temperatura da água do mar. Em alguns casos, esses pontos quentes estão afinando o gelo em 30 a 92 metros por ano.


Em 2020, uma grande equipe de pesquisadores, que incluía a Dow, apresentou uma explicação.


Observando a plataforma de gelo Getz, na costa da Antártida Ocidental, eles descobriram recentemente que esses pontos de derretimento rápido ocorreram nos mesmos locais em que previram que rios subglaciais estavam saindo da borda da camada de gelo para o oceano.


A água jorra debaixo do gelo como uma mangueira de jardim de alta pressão, diz Dow.


À medida que essa água doce em movimento rápido encontra a água do mar densa e salgada, ela sobe flutuando, criando uma cachoeira turbulenta e de cabeça para baixo. Essa cachoeira rodopiante e ondulante levanta uma camada de água quente, densa e salgada que normalmente envolve o fundo do mar e a empurra contra o fundo do gelo, aumentando consideravelmente a taxa de derretimento.

Rios ocultos começam a “fazer barulho”



“É necessário o efeito dessa descarga [subglacial] para explicar as taxas de derretimento observadas”, afirma Jamin Greenbaum, geofísico glacial do Scripps Institution of Oceanography, em San Diego, nos Estados Unidos, que passou 15 anos mapeando a paisagem sob o gelo da Antártida.


Mas os modelos de computador que os cientistas usam atualmente para projetar a futura perda de gelo e o aumento do nível do mar não incluem esses efeitos, explica Greenbaum.


Em 2024, Greenbaum, Dow e seu então pós-doutorando Shivani Ehrenfreucht relataram que esse derretimento impulsionado pelos rios teria um grande impacto sobre a geleira Totten da Antártida Oriental, que, por si só, contém gelo suficiente para elevar o nível do mar em 3 metros. Eles descobriram que, até 2100, os rios subglaciais aumentarão a perda de gelo da Totten em 30% em relação aos modelos padrão.


“Ficamos um pouco surpresos”, diz Tyler Pelle, o pós-doutorando que fez grande parte da modelagem no laboratório de Greenbaum.


Esse experimento foi apenas uma aproximação grosseira, pois presumiu que os rios não mudariam com o tempo. Mas Dow acredita que os rios mudarão, pois, à medida que o gelo diminui, as pressões variáveis podem fazer com que os rios se desloquem. E como Totten desliza mais rapidamente, o aumento do atrito pode causar mais derretimento.





À medida que os rios subglaciais fluem para o mar, eles agitam a água do oceano, fazendo com que a parte inferior da geleira derreta e enfraqueça mais rapidamente. Até 2100, esse rio poderá se multiplicar por quase cinco, aumentando ainda mais o derretimento.Foto de Tyler Pelle


Dow, Hayden e Pelle levaram esses experimentos um passo adiante em seu novo estudo: eles permitiram que os rios evoluíssem à medida que a geleira Totten se afinava e recuava. Os resultados em seu artigo recém-publicado são preocupantes.


Eles projetaram que, até 2100, a quantidade de água subglacial que flui para fora da geleira Totten aumentaria em quase cinco vezes, atingindo mais de 16 mil litros por segundo, cerca de 1/4 do fluxo atual do Rio Colorado. Eles estimaram que a velocidade dessa água subglacial que flui para o oceano também pode aumentar – potencialmente atingindo uma velocidade de cerca de um metro por segundo – semelhante à de muitos rios de fluxo rápido no oeste dos Estados Unidos.


“O importante”, diz Dow, “é a velocidade com que a água está sendo empurrada para fora”. Isso provocará uma turbulência mais forte quando atingir o oceano, levando mais água quente e salgada a entrar em contato com o gelo.


Hayden, Dow e Pelle estimaram que a taxa de derretimento do gelo e afinamento aumentaria de 20 a 50% em uma ampla faixa da plataforma de gelo.


Esse tipo de aumento do derretimento em uma área específica pode ser “extremamente importante”, afirma Karen Alley, glaciologista da Universidade de Manitoba, no Canadá, que não participou do projeto atual. “Isso se torna um ponto fraco na plataforma de gelo”, diz ela. A plataforma pode acabar se rompendo nesse ponto, “e você pode perder a plataforma de gelo mais cedo do que imagina”.


De acordo com Greenbaum, à medida que nossos mapas e estimativas de calor geotérmico melhorarem, também melhorará nossa compreensão dos rios subglaciais. “Provavelmente, estamos subestimando enormemente a quantidade de água lá embaixo”, comenta ele.


Até que a ciência se atualize, “nossas projeções de aumento do nível do mar serão muito conservadoras”.
Revista National Geographic

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