1. (Vestibular UERJ-2000) “Não era a fome absoluta, a da inanição, muito embora nós, os filhos do meu pai, estivéssemos crescendo meio nanicos, mal alimentados, meio tristes, meio duros, meio revoltados. Mas era a fome moderna corroendo devagar aqueles nossos anos de infância de 1967, 1968, na cidade desumana dos desempregados, dos retirantes, dos esmoleres do Recife. Somente duas décadas depois eu leria uma definição de ‘fome moderna’, a fome do capital.” (FELINTO, Marilene. A Fome. In: SADER, Emir (org.). 7 Pecados do Capital. Rio de Janeiro: Record, 1999.)
Considerando o texto, uma causa e uma conseqüência do problema da fome, estão, respectivamente, apresentadas em:
(A) modernização técnica nos estabelecimentos rurais / política de assentamentos rurais dos governos militares
(B) incapacidade para investimentos do setor alimentar / sucessão de greves dos trabalhadores rurais
(C) elevação dos preços dos alimentos / participação crescente do poder das oligarquias rurais
(D) prioridade da agricultura de exportação / mobilidade espacial da população
2. (Vestibular UERJ-2000)
(A) Nordeste – séculos XIX e XX – trabalho familiar de migrantes sulistas e mineiros
(B) Sudeste – século XIX – mão-de-obra cativa africana e trabalho livre de imigrantes europeus
(C) Centro-Oeste – 1ª metade do século XX – mão-de-obra escrava de origem indígena e mestiça
(D) Norte – 2ª metade do século XX – trabalho assalariado de migrantes dos países andinos e das Guianas
3. (Vestibular UERJ-2001) Existem dois conjuntos sociais para os quais a questão da terra constitui um fator de importância fundamental. Um deles é formado por aqueles que utilizam a posse ou a propriedade como instrumento de diversas formas de exploração e especulação. O outro grupo social é formado pelos trabalhadores sem terra, pequenos produtores deslocados pelo latifúndio para áreas marginais ou pressionados pelo capital comercial e financeiro, e os migrantes frustrados, que sobrevivem nas periferias urbanas. A estes podem vir a agregar-se, em futuro não muito remoto, outras vítimas do processo de ajuste neoliberal, ex-funcionários públicos, ex-bancários e todos os outros ex de menor nível de qualificação. (Adaptado de TAVARES, Maria da Conceição. Destruição não criadora. Rio de Janeiro: Record,1999.)
Segundo a visão da autora, problemas sociais no campo e na cidade estão intimamente relacionados. No caso brasileiro, esta relação se estabelece porque em ambos os espaços ocorrem, dentre outras, as seguintes situações:
(A) estagnação da economia e fuga de capitais
(B) estatização das empresas e expansão do setor financeiro
(C) atenuação das desigualdades e periferização do povoamento
(D) redução do emprego e concentração do poder econômico
4. (Vestibular UERJ-2001)“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! (...) Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa.(...) Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande;(...) — terra que nos parecia muito extensa.” (CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El Rei D. Manuel. In: PEREIRA, Paulo Roberto. Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1999.)
“A superfície do Brasil,(...) é de 850 milhões de hectares.(...) Ora, atualmente, apenas 60 milhões desses hectares estão a ser utilizados na cultura regular de grãos. O restante, (...) em estado de improdutividade, de abandono, sem fruto. Povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e econômica, vagando entre o sonho e o desespero, 4.800.000 famílias de trabalhadores rurais sem terra. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso (...)” (SARAMAGO, J. apud ALENCAR,C. Br 500: um guia para a redescoberta do Brasil. Petrópolis: Vozes, 1999.)
Separados por quase 500 anos, dois portugueses refletem a respeito da imensidão da terra encontrada por seu país. Mas a impressão transmitida pelo depoimento de cada um deles é diferente, uma vez que a história da Colônia e do período seguinte transformou a terra para o trabalho agrícola em um bem de acesso restrito. Esse longo processo de restrição ao acesso à terra poderia ser sintetizado na seguinte afirmação:
(A) O sistema de doações de sesmarias, sucedido pela transformação da terra em mercadoria, instituiu a propriedade da terra em fonte de poder econômico e político.
(B) As precárias condições naturais das terras no interior, somadas a crises climáticas e ao êxodo rural, acarretaram um esvaziamento da produção de bens primários.
(C) Os entraves da Coroa para a compra de terras, seguida pelas dificuldades de financiamento da produção, criou um desequilíbrio na distribuição das áreas agrícolas.
(D) A ênfase colonial na produção exportadora, acompanhada pela pouca habilitação técnica dos agricultores, propiciou uma elitização da população do campo.
5. (Vestibular UERJ-2003)
(A) metropolização e êxodo rural
(B) expansão da fronteira agrícola e difusão da agroindústria
(C) esvaziamento das áreas interiores e concentração urbana
(D) centralização da política agrícola e descentralização de investimentos produtivos
6.(Vestibular UERJ-2003) “aqui, em se plantando, tudo dá”
A construção do mito de satisfação das necessidades alimentares, evidenciada neste fragmento do texto, contradiz a seguinte afirmativa:
(A) As terras férteis resultam da ação de agrotóxicos.
(B) Os melhores solos destinam-se aos cultivos para exportação.
(C) Os avanços tecnológicos direcionam-se às propriedades improdutivas.
(D) Os diversos tipos climáticos dificultam a variedade de cultivos agrícolas.
7. (Vestibular UERJ-2003)
(A) A produção agrícola se mantém subordinada a interesses externos.
(B) O Estado deixa para agricultores de subsistência a tarefa da produção alimentar.
(C) As políticas públicas para o setor agrário provocam preços altos dos produtos exportados.
8. (Vestibular UERJ-2004) A imagem tradicional do campo mudou. As chamadas atividades não-agrícolas têm hoje um peso importante na composição da renda agrária, conforme se verifica na tabela abaixo.
Dentre estas atividades não-agrícolas, a que merece maior destaque é:
(A) turismo
(B) indústria
(C) comércio
(D) piscicultura
9. (Vestibular UERJ-2004)
(A) mercantilização da terra e expulsão de posseiros pobres
(B) exclusão de grileiros e internacionalização da propriedade
(C) obrigatoriedade de registro oficial e predomínio de terras devolutas
(D) instituição de gratuidade nas fronteiras e obrigatoriedade de produção
10. (Vestibular UERJ-2005)
Os dois textos acima têm como principais elementos geradores das problemáticas apontadas os processos de:
(A) assentamento agrícola e êxodo rural
(B) proletarização rural e reforma agrária
(C) modernização agrícola e revolta social
(D) concentração fundiária e conflitos no campo
11. (Vestibular UERJ-2005)
Em contraponto à grande disponibilidade de terras, o processo de grilagem na Amazônia avança associado à seguinte situação:
(A) especulação fundiária, buscando maior lucratividade
(B) demanda acentuada por terra, determinando novas invasões
(C) procura de terras devolutas, ampliando a produção agrícola extensiva
(D) ausência da fiscalização do Estado, propiciando o aumento de latifúndios
12.(Vestibular UERJ-2005)
Apesar dos incrementos de produtividade e da expansão do agronegócio, o texto nos aponta dificuldades enfrentadas por parte dos pequenos agricultores brasileiros, que devem ser compreendidas a partir das relações políticas e econômicas vigentes hoje no campo. Uma causa básica e uma conseqüência para as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores rurais são:
(A)ausência de linhas de financiamento − lucratividade retraída
(B) precária base tecnológica − sistema de transportes subutilizado
(C) fracionamento das propriedades − mercado de consumo depreciado
(D)carência de uma política agrícola favorável − produção familiar inviabilizada
13. (Vestibular UERJ-2007) O desenvolvimento da agroindústria brasileira vem alterando a paisagem nas áreas rurais com ações polêmicas que possibilitam o aumento da produtividade, mas também promovem a devastação da vegetação nativa. Uma das conseqüências das mudanças geradas pelas agroindústrias no campo é:
(A) incremento da agroecologia com a ocupação das terras devolutas
(B) expansão das médias propriedades com a distribuição da renda agrícola
(C) fragmentação das grandes propriedades com o aumento da produção para exportação
(D) ampliação das relações de trabalho capitalistas com o crescimento da produção comercial
14.(Vestibular UERJ-2008)
Compare os mapas acima. A alternativa que indica de forma correta dois Estados brasileiros e o tipo de relação, verificada em ambos, entre os graus de concentração da terra e de modernização agrícola é:
(A) Maranhão e Piauí – inversa
(B) São Paulo e Bahia – direta
(C) Mato Grosso e Tocantins – direta
(D) Santa Catarina e Espírito Santo – inversa
15. (Vestibular UERJ-2009)
A partir das informações do texto, podemos concluir que a distinção entre cidade e campo vincula-se ao estabelecimento da diferença entre espaço e atividades econômicas. Essa distinção está adequadamente expressa em:
(A) o campo não é lugar adequado à instalação de indústrias
(B) o espaço rural não é sinônimo de atividades primárias
(C) o espaço urbano não é compatível com a prática do ecoturismo
(D) a cidade não é o local de predomínio dos setores secundário e terciário
Gabarito:
1. D 2. B 3. D 4. A 5. B 6. B 7. A 8. A 9. A| 10. D 11. A 12. A 13. D 14. A 15. B




Legenda da foto,Vladimir Romanovsky coleta registros de temperatura abaixo do solo da floresta | Foto: Anthony Rhoades
Legenda da foto,Solo escuro indica a presença de carbono orgânico acumulado | Foto: Anthony Rhoades
Legenda da foto, Leituras feitas a partir de sensores no solo indicam mudanças significativas em andamento | Foto: Anthony Rhoades
Legenda da foto,Vladimir Romanovsky no Laboratório de Permafrost, da Universidade do Alasca, em Fairbanks | Foto: Anthony Rhoades
Legenda da foto,No Parque Nacional Denali, o aumento da temperatura começou a afetar a vida selvagem | Foto: Anthony Rhoades
Legenda da foto,‘O Acordo de Paris era necessário. Na verdade, eu não achava (que era) suficiente’, afirma Bill Beaudoin, morador do Alasca | Foto: Anthony Rhoades
Legenda da foto, Pesquisadores do Instituto Geofísico da Universidade do Alasca estão monitorando mudanças de temperatura no longo prazo | Foto: Anthony Rhoades


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