terça-feira, 5 de maio de 2026

Quem pode falar do Antropoceno?





Departamento de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde
Casa de Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz


Embora o Antropoceno tenha sido proposto pelos cientistas do Sistema Terra (campo multidisciplinar surgido na década de 1950) como uma nova era na história planetária, marcada por eventos climáticos extremos e pelo fim das condições ambientais estáveis do Holoceno, essa ideia segue rejeitada pelos geólogos. Em meio a recordes de calor em pleno inverno e à fumaça dos incêndios no Brasil, fica a pergunta: quem sabe o que está acontecendo no planeta?


Fogo e fumaça sufocante para todos os lados: este é o Brasil de setembro de 2024, um cenário de filme de fim de mundo. Incêndios com suspeita de origem criminosa varrem o Pantanal e a Amazônia, se alastram por outras regiões do país, de São Paulo a Brasília, e se somam a ondas recorde de calor em pleno inverno.

A Amazônia experimenta a sua segunda seca consecutiva, já considerada um evento climático sem precedentes. Seus icônicos rios, como o Madeira, o Solimões e o Negro, sofrem baixas históricas do seu nível de água. Isso tudo acontece poucos meses depois da calamidade climática no Rio Grande do Sul, de maio de 2024, quando chuvas torrenciais devastaram partes inteiras do estado com inúmeras mortes de moradores e animais.




A Amazônia experimenta a sua segunda seca consecutiva, já considerada um evento climático sem precedentes. Seus icônicos rios, como o Madeira, o Solimões e o Negro, sofrem baixas históricas do seu nível de água


Os eventos climáticos extremos não se restringem ao Brasil. Secas, tempestades, enchentes, ondas de frio, incêndios florestais, recordes de calor, ciclones e furacões atingem a América Latina. E o planeta. Desigualdades variadas – sociais, regionais, nacionais, de raça e gênero – tornam assimétricos, e mais cruéis para uns do que para outros, os impactos das mudanças climáticas.


Desigualdades variadas – sociais, regionais, nacionais, de raça e gênero – tornam assimétricos, e mais cruéis para uns dos que para outros, os impactos das mudanças climáticas


Como se vê na tevê, nos jornais, nas redes sociais e na janela de casa, estamos em período recorde de desastres ecológicos globais, com altos riscos para segurança hídrica, alimentar e de saúde para humanos e não-humanos. Esta situação redobra o alerta dos cientistas de que estamos sob novo regime climático, cujas condições adversas se agravam em escala e velocidade não previstas.

Debate público


Estudiosos defendem, assim, que estamos em uma nova época geológica, nomeada como Antropoceno. A seguir essa proposta, nós, os Homo sapiens, como espécie biológica, somos uma força geológica de transformação da história planetária.

O Antropoceno ainda está sob forte disputa para sua formalização científica, sobretudo, entre geólogos, que recusaram a proposta da nova época geológica, em decisão que teve muita repercussão na mídia – inclusive, nas importantes revistas Science e Nature em março de 2024.

Apesar dessa negativa, o conceito já tem ampla circulação e aceitação em publicações científicas, na grande imprensa e na esfera cultural. Vai ser até enredo de carnaval da escola de samba carioca Unidos da Ponte em 2025.

Representa, nesse debate público, o conjunto complexo e interligado de transformações sistêmicas de florestas, oceanos, rios e solos, da aceleração da taxa de extinção de espécies e do aumento da concentração na atmosfera de gases de efeito estufa, principalmente, do dióxido de carbono.

Esses gases são os responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global, os elementos mais conhecidos do Antropoceno na opinião pública, como afirmou o historiador das ciências André Felipe Cândido da Silva, em entrevista para o Invivo, portal do Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2022.

Os vários ‘Antropocenos’


Então, não existe um único Antropoceno. Nas ciências, por exemplo, há três grandes definições para o conceito: a da geologia, a das Ciências do Sistema Terra (CST) e a das ciências sociais e humanas.

Na geologia, o processo de reconhecimento de uma nova época é complexo, rigoroso e bastante demorado. A estratigrafia é a área do conhecimento geológico responsável por certificar o estabelecimento de um novo período a partir da identificação de um registro fóssil entre camadas de rocha que possa ser apontado como o marcador da época. Esse marcador precisa ser encontrado entre os sedimentos rochosos de qualquer parte do mundo. É preciso também definir quando se inicia esse novo período.

No caso do Antropoceno, entre os geólogos, o início é exatamente o ponto de mais difícil e controversa definição. Discutem se teria começado no século 20, com o uso da energia nuclear e vertiginosa aceleração da queima de combustíveis fósseis, da perda de biodiversidade e do uso do solo e da água, dentre outros fatores; ou com os impactos ecológicos originados do aparecimento da agricultura, há 10 mil anos; ou da revolução industrial, na Europa Ocidental, a partir do século 18; ou da colonização das Américas e do Pacífico a partir dos séculos 15 e 16.

Para os geólogos, o Antropoceno, para ser formalizado, precisaria ter raízes muito profundas no tempo geológico. A hipótese, então, do início da nova época no século 20 é a que mais enfrenta oposição e resistência.


Para os geólogos, o Antropoceno, para ser formalizado, precisaria ter raízes muito profundas no tempo geológico


Ocorre, no entanto, que a proposta do início do Antropoceno no século 20 é a mais aceita entre os cientistas do Sistema Terra. Aliás, foi desse campo multidisciplinar que partiram as discussões sobre mudanças climáticas e a própria proposta do Antropoceno nos anos 2000.

As Ciências do Sistema Terra (CST), por sua vez, investigam objetos completamente diferentes dos geólogos: estudam as condições biotermodinâmicas do planeta, ou seja, como está seu equilíbrio na relação com os seres vivos, considerando fatores como temperatura, clima e energia. Argumentam que o sistema terrestre se encontra em um novo estado, sem precedentes na sua história geológica, e que esse novo estado deriva, em grande medida, do impacto das ações humanas.

O planeta, então, está desequilibrado nas dinâmicas interconectadas que permitem a vida. Os humanos interferiram nesse equilíbrio, e a Terra está ‘esquentando’, como em uma febre planetária.

Limites planetários


Se os geólogos estão buscando identificar um marcador estratigráfico global, os cientistas das CST têm se ocupado em investigar mudanças no sistema terrestre, a partir dos chamados ‘limites planetários’. Esses limites dizem respeito ao clima, à acidez dos oceanos, à biodiversidade, ao uso da terra e da água doce, à densidade do ozônio estratosférico, dentre outros elementos.

Como esses limites vêm sendo ultrapassados – e mesmo exauridos até a irreversibilidade em taxas jamais vistas, sobretudo, a partir da segunda metade do século 20 –, o Antropoceno marcaria, a partir dessa data, o fim do Holoceno, época que começou há 11 mil e 700 anos e foi caracterizada pela estabilidade climática e ambiental que permitiu a dispersão da espécie humana pelo planeta.

Não haveria mais possibilidade de retorno ao Holoceno, porque o Antropoceno não é uma crise ecológica provisória, ou expressão de destruição ambiental que se replanta ou se despolui. É, na verdade, uma completa transformação sistêmica no funcionamento do Sistema Terra. Não é mudança, mas ruptura, um ponto de não retorno, como tem afirmado o cientista brasileiro Carlos Nobre em entrevistas.



Não haveria mais possibilidade de retorno ao Holoceno, porque o Antropoceno não é uma crise ecológica provisória, ou expressão de destruição ambiental que se replanta ou se despolui. É, na verdade, uma completa transformação sistêmica no funcionamento do Sistema Terra



Então, apesar de a proposta do Antropoceno envolver uma nova periodização geológica, ela já se configurou efetivamente como problemática científica a partir da emergência das Ciências do Sistema Terra. Não se trata de uma disputa de ‘o certo’ versus ‘o errado’, de conhecimento atualizado versus conhecimento ultrapassado, mas de diferentes abordagens disciplinares sobre o mesmo objeto. A recusa dos geólogos, portanto, não invalida nem encerra a discussão científica sobre o Antropoceno.

O debate segue vivo, inclusive, nas ciências sociais e humanas, que também têm se dedicado a análises, como dizem os historiadores franceses Christophe Bonneuil e Jean-Baptiste Fressoz no seu livro O Acontecimento Antropoceno (2024), que configurem respostas às perguntas: como chegamos até aqui? O que fazer agora? Quais humanos estão efetivamente implicados na origem das mudanças climáticas?

Alguns teóricos das humanidades têm criticado o conceito de Antropoceno tanto quanto proposto outras nomenclaturas que evidenciem aspectos invisibilizados nas propostas geológica e climática, uma vez que atribuem, de maneira indiscriminada, à toda a espécie humana, a responsabilidade pelas transformações planetárias.

Esses conceitos não são recomendações alternativas formais para a geologia e as Ciências do Sistema Terra. Buscam chamar a atenção para processos históricos e socioeconômicos que estão na origem das mudanças no sistema terrestre e formular fortes críticas aos empreendimentos coloniais e modernizantes que resultaram em processos de perda da sociobiodiversidade, ou seja, de domesticação de espécies vegetais, animais e populações humanas racializadas; violência que atinge sobretudo os territórios dos povos originários e tradicionais.

Bonneuil e Fressoz, no seu livro citado acima, explicam esses termos, como Tecnoceno, Plantationceno, Capitaloceno, Lixoceno, Sojaceno, Negroceno, Angloceno e Termoceno, dentre outros. Independentemente da definição usada, a responsabilidade por termos chegado até aqui, como dizem esses autores, é colonial, urbana, industrial, consumista, nuclear e química.

Pontos de consenso


Por trás dessa enorme diversidade de conceitos, metodologias e abordagens das ciências sociais e humanas no debate do Antropoceno, há dois pontos de consenso: o primeiro deles, a necessidade de superação do chamado excepcionalismo humano, ou seja, da ideia secular de que o Homo sapiens é a espécie mais importante em 4,5 bilhões de anos de história planetária, a medida de todas as coisas, uma entidade de direitos exclusivos sobre o planeta, apartada do que se conhece por natureza, podendo dela dispor quando e como quiser.

O outro consenso é que a negativa da formalização do Antropoceno pelos geólogos pode alimentar o negacionismo científico, confundindo a sociedade, como se as mudanças climáticas não existissem, ou como se as mudanças climáticas não tivessem origem nas ações humanas, o que pode resultar no apagamento completo das responsabilidades históricas pelas atuais calamidades climáticas.

Defendemos então, urgentemente, que deixemos de ver a natureza como algo externo, separado do mundo humano, como mercadoria, como diz o filósofo e liderança indígena Davi Kopenawa, ou como ‘meio ambiente’, como nas palavras de Bonneuil e Fressoz, ou seja, como o que meramente nos circunda, o lugar de onde extraímos recursos, onde despejamos lixo e devemos deixar algumas coisas virgens.

É preciso uma rediscussão também do que significa a própria humanidade, generalizada como categoria antinatural e agregada em números na pesquisa global sobre mudanças climáticas. Não existe uma única maneira completamente uniformizada de habitar o planeta, sem nenhuma ligação com o local, com as condições objetivas de sobrevivência e as relações com as pessoas e outras espécies do lugar em que se vive. Isso significa que as injustiças ambientais e sociais invisibilizadas pela pretensa universalidade do Antropoceno precisam ser discutidas por todos os cientistas.



As injustiças ambientais e sociais invisibilizadas pela pretensa universalidade do Antropoceno precisam ser discutidas por todos os cientistas


Como vemos, para entender melhor a complexidade e o desafio existencial que o Antropoceno significa para todas as espécies, é preciso rever enquadramentos disciplinares rígidos e mais tradicionais: geólogos, cientistas climáticos e cientistas sociais precisamos trabalhar juntos. Nenhuma disciplina detém a exclusividade como porta-voz do planeta, da espécie ou da reconexão dos humanos com a biosfera.

Entramos em um mundo e um tempo de limites, inclusive dos próprios conhecimentos científicos. Estudiosos temem que o planeta tenha entrado em território desconhecido e imprevisível.

Por isso, nós, cientistas sociais, também insistimos em uma ampliação do debate público sobre o Antropoceno, porque, afinal, envolve questões existenciais que interessam a todas as diferentes sociedades: como será o futuro? Como devemos trabalhar, criar filhos? O que vamos poder comer? Onde vamos poder morar?

A filósofa das ciências belga Isabelle Stengers, no seu livro Uma outra ciência é possível (2023), sugere que cada parte interessada no futuro do planeta deve ter o direito de apresentar o seu saber, de forma que todas e todos nos beneficiemos da multiplicidade de pontos de vista.

No lugar de conhecimento ‘sobre’ algo, optemos pela cosmopolítica, ou seja, uma política que produz novos mundos, tal como já defende o conhecimento indígena, sugere a historiadora Alessandra Gonzalez de Carvalho Seixlack, em seu artigo ‘Um fazer histórico xamânico’ (2023). Ou seja, Seixlack destaca que importam outras formas de fazer as coisas.

Fazer ciência passa a ser uma simbiogênese, como propõe a bióloga e historiadora estadunidense Donna Haraway, em o Manifesto das espécies companheiras (2021), ou seja, são as conexões que permitem a vida dos envolvidos.

Então, além das alianças transdisciplinares entre as ciências e da intensificação do debate público, os saberes indígenas também são cruciais para a vida no planeta agora. As sociedades indígenas têm pegada de carbono zero, promovem biodiversidade e se orientam por forte ética relacional e horizontal com outras espécies.

Além disso, como ressalta o filósofo indígena Ailton Krenak, em Ideias para adiar o fim do mundo (2019), as sociedades indígenas já enfrentaram seu Antropoceno, o fim do seu mundo com a colonização europeia. São, assim, especialistas na criação de novos mundos e seu conhecimento pode nos ajudar a pensar alternativas ao imaginário apocalíptico frequentemente associado ao Antropoceno.

Como dizem a filósofa Déborah Danowski e o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, no seu livro Há mundo por vir? (2017), engajar-se em diálogo com o conhecimento indígena representa o único futuro possível, não um retorno ao passado.

Então, todas e todos podemos e devemos falar do Antropoceno. Aliás, nossa única chance de vidas menos hostis é com a completa transformação dos saberes e alianças para o Antropoceno.
Revista Ciência Hoje

Milton Santos - O negro e neto de escravizado que explicou os 'Quatro Brasis': quem foi Milton Santos, o maior geógrafo brasileiro






Crédito,Saint-Dié-des-Vosges via Wikimedia CommonsLegenda da foto,Milton Santos estaria completando 100 anos esta semanaArticle InformationAuthor,Edison Veiga
Role,De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil


Em 1994, o brasileiro Milton Santos (1926-2001) foi laureado com o prêmio internacional Vautrin Lud, considerado o Nobel da geografia. Até hoje, ele é o único pesquisador latino-americano a obter tal reconhecimento.


Esta é uma amostra da relevância global do geógrafo Milton Almeida dos Santos, um dos maiores intelectuais do século 20.


Negro e neto de um escravizado, o baiano de Brotas de Macaúbas nasceu há 100 anos — lembrados em 3 de maio deste ano — e se tornou figura fundamental no entendimento do Brasil e do mundo globalizado.


Um dos editores do livro Milton Santos: A Pioneer in Critical Geography from the Global South ("Milton Santos: um Pioneiro do Sul Global em Geografia Crítica", em tradução livre), o geógrafo Lucas Melgaço, professor na Vrije Universiteit Brussel (VUB), situa as contribuições do brasileiro como "essenciais para a geografia" — e que vão "além dela".


"Embora bastante disciplinar, no sentido de que ele se preocupava em repensar o que era a geografia, seu objeto e o trabalho do geógrafo, ele conseguiu ultrapassar os limites da disciplina, tornando-se uma referência para várias ciências sociais", contextualiza Melgaço.



"Ele deixou vários legados. Acredito que a principal contribuição de Milton Santos para as ciências sociais, no Brasil e no mundo, foi a construção de um método, um conjunto de conceitos e teorias coerentes, que se complementam e se transformam em ferramentas poderosas para compreender o mundo contemporâneo", acrescenta.


"Ele não criou apenas neologismos, algo comum na academia hoje, muitas vezes ligado ao ego dos pesquisadores buscando crédito por ideias que outros já trabalharam, mas revisitou termos existentes ou criou novos, de uma forma que eles dialogam entre si."

Crédito,Arquivo IEB. Fundo Milton Santos. MS-F23-001-1Legenda da foto,Milton Santos foi influente em diversas áreas do pensamento acadêmico, e não apenas na geografia


Milton Santos se destacou por seus estudos a respeito da urbanização no Terceiro Mundo e pelas pesquisas a respeito da globalização. Ele também criou uma proposta teórica de regionalização do país em quatro regiões, batizadas de "Quatro Brasis".


Levando em consideração as diferenças de infra-estrutura e o suporte a redes de informações, mercadorias, capitais e pessoas entre os Estados, ele propôs uma visão sobre o Brasil considerando a região amazônica, a região nordeste, a região centro-oeste e a região concentrada.


Pela sua definição, a região amazônica conteria os Estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Amapá — conjunto de unidades com pouca densidade demográfica e escassos centros urbanos.


A concentrada seria a área que englobaria os Estados do Sul e do Sudeste brasileiros, centro tecnológico do Brasil, com urbanização densa e intenso desenvolvimento científico e comercial.


Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Milton Santos separou país em 'Brasis' diferentes


O nordeste de Milton Santos é muito parecido com a região oficialmente chamada de Nordeste, compreendendo Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.


Seria uma área dependente do turismo — no litoral —, com indústrias sobretudo na Zona da Mata e uma base subdesenvolvida agropecuarista no interior.


Por fim, o centro-oeste de tal divisão abrange Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, uma região voltada para a agropecuária mas com desenvolvimento tecnológico comparável à região concentrada.


"Essa divisão proposta por ele do Brasil mostra não só a base física, mas as regiões como palco de uma série de relações e conflitos, com suas diferenças não só nas geografias física e humana, mas na própria relação entre estados, elites e poder econômico, impactando nas pessoas que ali vivem", pontua o o geólogo Marco Moraes, autor do livro Planeta Hostil.

Biografia


Santos nasceu na Chapada Diamantina. Tantos seus pais como seus avós maternos eram professores primários — e foi com eles que o garoto aprendeu a ler e a escrever. Seu avô paterno havia sido escravizado.


Quando entrou para o internato do Instituto Baiano de Ensino, aos 10 anos, tomou gosto pela geografia, influenciado por um professor. Cursou direito na Universidade Federal da Bahia — graduou-se em 1948. Durante a faculdade, militou em grupos estudantis de esquerda.


Formado em direito, prestou concurso para professor de geografia. Acabou indo embora para Ilhéus, onde deu aulas no colégio municipal. Lá trabalharia como jornalista para o jornal A Tarde.


Desta passagem nasceria seu livro Zona do Cacau.


Mais tarde, Santos se mudaria para Salvador, onde se tornou professor na Universidade Católica em 1956. Foi convidado a fazer seu doutorado na Universidade de Estrasburgo, na França — concluído em 1958.


Sua carreira ascendia no início dos anos 1960. Tornou-se livre-docente na Universidade Federal da Bahia e, como editor do jornal A Tarde, viajou a Cuba na comitiva do então presidente Jânio Quadros (1917-1992).


A convite do governo estadual da Bahia, tornou-se presidente da Comissão de Planejamento Econômico.


O golpe militar de 1964, contudo, interrompeu sua trajetória.


Santos foi preso pelo regime e, em seguida, exilou-se na França. Trabalhou na Universidade de Toulouse e, depois, em Sorbonne.


Em 1971 trocou Paris por Toronto, no Canadá. Ele havia aceitado a proposta para se tornar professor na principal universidade de lá.


Em seguida, tornou-se pesquisador no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. Aí nasceu sua amizade com o famoso sociólogo americano Noam Chomsky.


Também foi nessa época que Santos preparou sua obra mais importante, O Espaço Dividido, que seria publicada em 1979.


Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Nos anos 1970, nos EUA, Santos fez amizade com Noam Chomsky


O geógrafo trabalhou ainda na Venezuela, em missão da ONU, e no Peru, na Universidade de Lima.


Ainda moraria dois anos na Tanzânia, onde criou o curso de pós-graduação em geografia na Universidade de Dar es Salaam.


Antes de voltar ao Brasil ainda passaria novamente pela Venezuela e pelos EUA — com uma temporada na Universidade Columbia, em Nova York.


No retorno ao país, já na segunda metade dos anos 1970, Milton Santos trabalhou como consultor do governo estadual de São Paulo e na Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa).


Por alguns anos, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1984, foi contratado pela Universidade de São Paulo, onde seguiria até o fim da vida — mesmo após ter se aposentado, em 1997.


Para o sociólogo Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia de São Paulo (FESPSP), Milton Santos se tornou um autor fundamental na geografia porque "ele reviu o conceito de globalização", percebendo como o fenômeno, operado "pelo modelo neoliberal", produz desigualdades entre centro e periferia.


"Ele desejou uma globalização mais humanizada, pensando nas periferias e em como um processo de acumulação capitalista poderia contribuir para a maior distribuição de renda", diz Ramirez.


"É um autor lapidar, fundamental em todo o mundo, para podermos entender as contradições do processo de globalização", afirma Ramirez.


Melgaço argumenta que o pensamento de Santos "permanece relevante para entender o presente".


"De forma mais concreta, talvez a sua concepção de que o espaço geográfico não é apenas o palco das ações humanas, mas um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações seja um de seus principais legados", explica o professor.


"Grande parte de sua teoria gira em torno dessa ideia central, principalmente na última fase de sua vida acadêmica. Também é altamente relevante sua visão de que a geografia funciona como uma filosofia das técnicas. Esse conceito, por vezes abstrato e complexo, é fundamental para entender o período atual, incluindo as perversidades da globalização, as desigualdades técnicas, as opacidades dos territórios, as contrarracionalidades e as inventividades dos espaços que ele chamava de hegemonizados."


Para Melgaço, há um otimismo na obra de Santos. Não era ingênuo, mas "muitas vezes provocador", às vezes "até um pouco ácido". "Ele não tinha medo de causar desconforto ou de fazer as pessoas pensarem", diz.


Crédito,Saint-Dié-des-Vosges via Wikimedia CommonsLegenda da foto,Depois de 1964, Santos trabalhou em diversos lugares do mundo, como França, Peru, Tanzânia, Venezuela e Canadá


"Isso porque sua teoria frequentemente convida à ação, não necessariamente militante, mas uma ação que desafia estruturas. Acho que esse foi a origem de seu otimismo, já que ele via possibilidades de mudanças, muitas vezes vindas de lugares marginalizados, dos de baixo, do sul global. Ele inclusive fala da globalização como um conjunto de possibilidades", afirma Melgaço.


Professor na Universidade Estadual do Maranhão (Uema), o geógrafo Cristiano Nunes Alves ressalta que a "potência e a força" da obra de Milton Santos estão no fato de que suas ideias são "aplicáveis".


"Ele nos traz um conjunto de ferramentas teóricas e metodológicas que efetivamente podem ser aplicadas na análise dos territórios, na análise espacial", afirma.


"Sua obra tem um fundo filosófico muito claro e presente, mas, ao mesmo tempo, não está apartada da concretude", define Alves. O geógrafo destaca o papel de Santos ao situar a informação como força que move os territórios.

Negritude


A questão negra, se não foi central em seu trabalho, permeava suas preocupações de maneira constante.


"Embora ele não tenha teorizado no sentido amplo sobre a questão de raça, sua perspectiva de homem negro está em todo o seu trabalho", argumenta Alves.


"Ele dá ferramentas para pensar e para ler a formação social brasileira com o elemento racial como estruturante de nossa história territorial."


"Quando ele traz à tona situações das populações pobres e das periferias, ele chama a atenção para os subalternos. Sabemos quem são os subalternos: as mulheres, os indígenas e os negros", ressalta Alves.


"Ele, por várias vezes, refletiu sobre a questão racial e, sobretudo, sobre o fato de ser um intelectual negro no Brasil, numa universidade elitista e pouco diversa. Mas a questão racial não foi central na sua elaboração teórica", diz Melgaço. "Ele sempre buscava ver a questão racial dentro de uma estrutura mais ampla e complexa."


O professor lembra que Santos era favorável às cotas, embora enfatizasse que só elas não bastavam — era preciso que fossem acompanhadas de iniciativas que dessem aos negros devidas condições de sucesso acadêmico. "E isso tinha a ver com mobilidade, comida, lazer, descanso e tudo o mais", explica.


"Ele dizia que não era um especialista na questão negra, mas que a questão negra era a sua história", pontua Melgaço. "Há relatos dele, mas principalmente dos seus colegas, das inúmeras vezes que o racismo o impediu de acessar cargos e posições dentro e fora da academia."


Essa postura muitas vezes fazia de Santos uma pessoa percebida de forma ambígua pelos ativistas de seu tempo. "Por vezes, era criticado por, na visão de alguns, ser demasiadamente isento ou tangencial no assunto", diz Melgaço.

Crédito,Arquivo IEB. Fundo Milton Santos. MS-F28-001-1Legenda da foto,Santos 'refletiu sobre a questão racial e sobre ser um intelectual negro no Brasil', diz o geógrafo Lucas Melgaço


"Mas, na minha opinião, acho que era uma visão um pouco simplista do que realmente pensava Milton Santos. Para mim, parecia que ele se preocupava com transformações estruturais e que a questão negra fosse parte de mudanças mais profundas."


"Ele tinha bastante consciência sobre o papel de um intelectual negro no mundo acadêmico. Viveu na pele o racismo da sociedade. E, obviamente, tinha uma percepção muito mais claras sobre essa relações, trazendo suas contribuições sobre como enxergar e fazer as políticas públicas que visam a fortalecer os direitos humanos, direitos sociais e as próprias políticas", acredita Ramirez.

No mundo


O geólogo Moraes comenta que Milton Santos deveria "ser muito mais celebrado e reconhecido no Brasil".


"Não só por sua história, de um negro de origem humilde que ganhou o principal prêmio da geografia, mas pela contribuição incrível de seu trabalho", afirma.


"Sua compreensão de espaço geográfico não como substrato inerte para atividade humana, mas como coisa dinâmica que influencia e é influenciada pela atividade humana, é essencial", diz Moraes. "Permite analisar a geografia como interação permanente e contínua."


"Ele analisou as relações e a configuração geográfica a partir das periferias. Tanto das desigualdades sociais e regionais dentro do Brasil como das periferias do mundo", analisa Moraes.


"Olhar a geografia não do ponto de vista eurocêntrico é uma contribuição importante. E ele fez isso enquanto intelectual negro."


"Ele criticou a globalização. Nisso foi visionário. Desmistificou o fenômeno, de coisa boa que integraria o mundo, mostrando que há muitos excluídos do processo, prejudicados", explica Moraes.


Por outro lado, Santos enxergou possibilidades para o fenômeno. "Se nos unirmos e encararmos a globalização de outra forma, ela pode ser uma coisa boa, inclusive uma forma de reação às elites dominantes."

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Santos ressaltava que globalização produzia muitos excluídos no processo


"A obra de Milton Santos tem como principal legado o entendimento do espaço geográfico. Com os seus estudos, ao teorizar o espaço como um sistema de objetos e ações, a geografia começa a se debruçar também sobre as atividades humanas e as relações econômicas, deixando de se fixar majoritariamente no estudo da paisagem e aumentando sua interdisciplinaridade", contextualiza o relações públicas Breno Costa, estudioso da obra de Santos e pesquisador na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.


Segundo ele, no sistema de Santos, os objetos e as ações humanas estão interligados na formação das cidades e regiões. "Portanto, seus trabalhos criaram uma escola de pensamento bastante complexa e rica de conceitos", aponta.


"Ele se esforçou em entender, sobretudo, os países subdesenvolvidos e as formas de urbanização precárias", diz Costa. "Foi um crítico incansável do fenômeno da globalização."


Para o geógrafo, o mecanismo age como "um motor de desigualdades", tendo um impacto perverso para o países do Sul Global. "Entender isso tem um impacto muito grande na escolha do papel que o Brasil deve ter em um sistema mundial de produção e consumo", afirma.


Há uma redescoberta da obra de Santos no exterior, sobretudo no mundo anglófono. Nesse cenário, o trabalho de Melgaço é fator de destaque.


Em 2017, em parceria com o acadêmico canadense Tim Clarke, ele lançou a tradução em inglês do livro Por Uma Outra Globalização, do geógrafo brasileiro.


No mesmo ano, foi publicada uma coletânea em inglês, de artigos sobre o trabalho de Santos.


De lá para cá, outras obras do geógrafo também ganharam versões em inglês, como A Natureza do Espaço e Por Uma Geografia Nova.


Os estudos de Santos seguem atuais. "Ajuda a entender os problemas contemporâneos", diz Costa. Ele faz um exercício observando o que acontece hoje com as grandes empresas de tecnologia. Segundo o pesquisador, o Vale do Silício acaba servindo com "um centro produtor de tensões, intencionalidades e ideologias, espalhando seu modo de pensar por todo o planeta".


"Nesse caso, a América Latina acaba se tornando mera consumidora desse conjunto de técnicas, criando-se aqui uma psicosfera, uma forma de pensar e um conjunto de valores que foram inoculados em nós por esses Cavalos de Troia", analisa ele, sob uma perspectiva da teoria de Milton Santos.
BBC Brasil

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Os imigrantes brasileiros na mira das deportações em massa de Donald Trump



São pessoas que mudaram a rotina, passaram a evitar sair de casa e até cogitam voltar o mais rápido possível ao Brasil diante das notícias do cerco do presidente Donald Trump a imigrantes sem documentos, conta Pena, que tem mais de 1 milhão de seguidores no TikTok e vive nos EUA há 15 anos.


Neste vídeo, o repórter Vitor Tavares traz o relato de alguns desses imigrantes brasileiros. Confira.

O efeito das promessas de endurecimento das políticas de deportação e anúncios de blitz para capturar imigrantes irregulares também já pode ser sentido em ambientes frequentados pela comunidade brasileira, como mercados e igrejas evangélicas, segundo relatos ouvidos pela BBC News Brasil.


"Os cultos estão bem mais vazios, as pessoas estão com medo até de ir para a Igreja", diz Fernanda*, estudante brasileira que uma das cidades americanas que mais concentram brasileiros.


Desde que assumiu o cargo em 20 de janeiro, Trump anunciou uma série de ordens executivas relacionadas à imigração, abrindo caminho para um esforço generalizado de repressão a migrantes sem documentos nos EUA.


Em mais de 21 ações, Trump tomou medidas para reformular partes do sistema de imigração dos EUA, incluindo como os migrantes são processados e deportados do país.


Entre essas novas regras, está a liberação da detenção de imigrantes em igrejas, escolas e clínicas. Além disso, agentes como os policiais do Departamento Antidrogas do país ou os Marshals, como são conhecidos alguns agentes federais de busca a foragidos, receberam ordens para também fazerem a detenção de imigrantes irregulares.


Em declarações à imprensa, membros do governo americano e a Casa Branca têm dito que o foco das operações são imigrantes "criminosos" que ameaçam "a segurança pública e a segurança nacional".


Mas são os relatos sobre pessoas que não cometeram crimes nos EUA, mas foram detidas mesmo assim, que têm assustado a comunidade brasileira.


Na quinta-feira, por exemplo, o prefeito de Newark (Nova Jersey), Ras Baraka, um democrata, afirmou em um comunicado que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) "invadiram um estabelecimento local... detendo residentes sem documentos, bem como cidadãos, sem apresentar um mandado."


A CBS News, parceira da BBC nos EUA, reportou a história de uma mulher venezuelana detida em uma operação em Miami. Ela estava no meio do processo para conseguir a cidadania, com data marcada para audiência, disse o seu marido.


Nesta terça-feira (28/1), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em sua primeira coletiva de imprensa do novo governo que qualquer pessoa que tenha migrado irregularmente para os EUA é um "criminoso".


"Se eles violaram as leis da nossa nação, eles são criminosos", disse ela.


Leavitt acrescentou que Trump quer que todos os imigrantes ilegais sejam removidos — desde estupradores e assassinos até migrantes sem documentos e sem registros criminais.

Medo de estar 'no lugar errado, na hora errada'


Os brasileiros entrevistados pela BBC News Brasil repetiram com frequência que o governo Trump de fato está em busca de imigrantes "criminosos", e não dos "trabalhadores", como foi dito ao longo da campanha do republicano.


Mas as mensagens que chegam pelo WhatsApp têm alertado sobre o chamado "dano colateral", um termo usado por autoridades americanas para designar imigrantes sem documentos, mas sem ficha criminal, que acabam sendo levados junto aos alvos primários dos agentes atualmente, aqueles com crimes pregressos.


"As pessoas estão bem assustadas e com muito medo. E a gente tenta cuidar, ver com quem está trabalhando, com quem está andando, porque se estiver próximo a alguém que tem problema, vai acabar sendo um dano colateral, né?!", diz Dinorah*, moradora da Carolina do Norte que entrou no país com um visto de turismo e nunca mais partiu.


"Eu acredito que eles querem pegar bandidos para deportação. Mas se você estiver no lugar errado na hora errada, vai ser pego", completa Ricardo*, brasileiro que é acompanhado por milhares de imigrantes nas redes sociais.


O brasileiro diz que a orientação de advogados com quem conversou é não ir a lugares com muitos imigrantes e evitar conviver com pessoas cujo passado ou ficha criminal você não conhece.


"Se você mora numa casa com muitos imigrantes, eles podem ir lá pegar uma pessoa e levar todo mundo que está dentro da residência", diz Ricardo.


Uma semana após a posse de Trump, Rafael*, um brasileiro sem documentos que vive na Flórida, teve reunião com a advogada responsável por sua defesa nos processos de migração na Justiça dos EUA.


"Ela nos disse que não é para ir a supermercado brasileiro, festa de imigrante, evitar qualquer aglomeração, né?!"


A rotina dele atualmente se resume ao deslocamento entre sua casa e os locais de trabalho, que variam.


Evangélico, ele diz que o "medo aumentou" desde a posse de Trump, mas que "seja feita a vontade de Deus".


Nas conversas com a comunidade brasileira, o influenciador Junior Pena também tem falado sobre "andar pisando em ovos".


Ou seja, que os brasileiros tentem não chamar a atenção, inclusive no trânsito: "Digo para dirigir no limite de velocidade, não furar o sinal vermelho", diz Pena, que além de influenciador, atua na construção civil e vive no país sem documentos.


Mesmo estando há 15 anos nessa situação, Pena diz que leva uma vida "normal", podendo viajar de férias em voos internos, tirar carteira de motorista e alugar casas.


Mas, agora, os planos também mudaram. "Eu tinha viagem marcada para visitar o Alasca, mas não vou mais. Não é o momento para a gente entrar no avião", conta.


O novo momento vivido nos EUA tem afetado até aqueles que estão com a documentação em dia.


Fernanda, que estuda teologia e vende comida brasileira em Massachusetts, diz que ela própria diminuiu a frequência de ir à igreja.


"A gente nunca sabe o que pode acontecer", reflete a brasileira, que diz ter percebido o templo se esvaziar.


Um pastor brasileiro com atuação em Orlando, que preferiu falar à BBC News Brasil reservadamente para não se associar ao tema, disse que a sua igreja "não recomenda nem estimula ninguém a vir aos Estados Unidos sem as devidas autorizações" e que até por isso não oferece auxílio jurídico aos fiéis em situação irregular no país.


"Lógico que causa pânicos nas pessoas, grande parte imigrante sem documento, que não são criminosos nem delinquentes", diz o pastor, que afirma: "Depende do lado que se vê: para o cidadão americano que se viu mais pobre e inseguro, [as deportações] podem parecer 'precaução'. Para os imigrantes indocumentados: tragédia, sem dúvida", afirma.

'Dias de terror psicológico'


O influenciador Junior Pena acredita que essa primeira semana de Trump tem sido dias de "terror psicológico" para a comunidade de imigrantes brasileiros.


O nível de tensão das pessoas aumentou após virem à tona notícias sobre maus tratos contra brasileiros no voo com deportados no último sábado (25/1).


Uma brasileira em Massachusetts escreveu uma mensagem à BBC News Brasil dizendo que está "por um triz de pegar meus filhos e ir embora".


"Ninguém quer passar por aquilo, ficar acorrentando, sofrer no calor, ainda mais com filhos pequenos", opina Pena.


"A gente tem ouvido falar que serão 100 dias de puro terror, que Trump vai mostrar a força que ele tem e fazer o que prometeu, que é a deportação", completa o influenciador.


O mesmo prazo é citado por Ricardo: "Depois de uns 100 dias, a vida vai voltar a ter mais normalidade".


Para Igor*, de Utah, está havendo um certo pânico desmedido em relação a tais batidas da migração. "Ficam o tempo todo no grupo de zap dizendo que o ICE [Serviço de Imigração e Alfândega] está aqui, que o ICE está ali. Bobagem", diz ele.


Outros brasileiros com quem a BBC News Brasil conversou relatam que os grupos de WhatsApp estão fervilhando com vídeos de supostas blitzes policiais para pegar imigrantes — o que muitas vezes não se confirma.


"Para mim, não mudou nada desde a chegada do Trump, está tudo igual. Aliás, acho até que estou trabalhando mais. E a gente é imigrante e escolheu viver aqui, tem que respeitar as decisões deles", diz o brasileiro Igor, que atualmente tenta regularizar seu status migratório.


Os debates acalorados entre grupos de brasileiros colocam em lados distintos aqueles que estão com medo e outros que falam que "isso sempre existiu", numa referência aos números de deportação no governo democrata de Barack Obama, maiores que no primeiro mandato de Trump, por exemplo.


"Mas se isso já acontece sem o presidente falar que vai fazer, imagina com um falando que vai", resume Ricardo.


* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados
BBC Brasil

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Quais os benefícios das florestas para a saúde humana





Frequentar lugares com árvores fortalece a função imunológica e ajuda a reduzir o estresse, entre outros benefícios.


Vista aérea da floresta nas terras tradicionais do povo tla-o-qui-aht, no Canadá.



Muitos aspectos da vida estão relacionados com as florestas, como a qualidade do ar, refrigeração natural, água fresca e o fato de abrigarem diversos recursos naturais. Além disso, as florestas trazem benefícios para a saúde física e mental das pessoas.

No Dia Internacional das Florestas, proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012 e comemorado todo dia 21 de março, conheça alguns dos benefícios desse ecossistema para a saúde.
As florestas limpam o ar que respiramos

“As florestas sustentam a vida: beneficiam as pessoas, as plantas e os animais por todo o trabalho invisível que realizam absorvendo carbono. Também ajudam a controlar o clima do planeta e as precipitações [chuvas]”, explica The Nature Conservancy (TNC), uma organização ambiental global sem fins lucrativos fundada em 1951.

Além disso, as árvores eliminam o material particulado, um tipo de contaminante atmosférico produzido pela combustão de combustíveis fósseis (petróleo e seus derivados, por exemplo) que podem alcançar concentrações perigosas nas cidades.

As folhas filtram esse contaminante perigoso. Logo, uma maior quantidade de árvores nas cidades (especialmente em vizinhanças localizadas próximas a rodovias e fábricas) pode reduzir problemas de saúde como a asma, destaca o TNC.
Fornecimento de alimentos

As florestas produzem alimentos com macro e micronutrientes importantes para uma alimentação saudável e balanceada, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

Frutas, folhas, nozes, sementes e fungos são alguns dos alimentos que a floresta produz, além da carne de animais silvestres para comunidades indígenas.
Medicamentos

Nos países desenvolvidos, cerca de 25% de todos os medicamentos são de origem vegetal, enquanto nos países em desenvolvimento esse número chega a 80%, indica o documento da FAO.

Itens higiênicos e sanitários básicos como papel higiênico, toalhas de papel, lenços, máscaras, roupas de proteção médica e etanol para desinfetantes também têm origem vegetal, informa a Organização das Nações Unidas (ONU).
Contribuição para o bem-estar e saúde mental

As florestas têm uma importância cultural que é fundamental para a saúde mental de várias comunidades, indica a FAO.

“As populações indígenas costumam associar o bem-estar da floresta com um maior bem-estar coletivo e comunitário, enxergando um vínculo entre terras saudáveis e pessoas saudáveis.”

Por outro lado, o desmatamento e a degradação das florestas possuem efeitos negativos na saúde mental desses grupos.



Natureza na Costa Rica. As florestas têm uma importância cultural que é fundamental para a saúde mental de várias comunidades.


“Foi demonstrado que as áreas verdes contribuem na redução do estresse e promovem estados de ânimos e sentimentos mais positivos.”

Segundo a FAO, a prática de atividades físicas ao ar livre colabora também para a redução do risco de doenças cardiovasculares, de câncer, diabetes e depressão.

Em países desenvolvidos, o contato da população urbana com parques, jardins e bosques gerou efeitos benéficos para a saúde em geral, como no combate à obesidade e na redução da mortalidade.

“Acredita-se também que a inalação de ar fresco e dos compostos orgânicos voláteis (fitocidas) que as árvores emitem fortalecem a função imunológica do ser humano e melhoram a saúde física e mental”, relata a FAO.
Nas cidades, áreas verdes reduzem o ruído e absorvem a poluição

Áreas verdes urbanas e semi-urbanas oferecem espaços de atividade física e recreação que ajudam a aliviar o estresse do dia a dia, afirma a FAO.

Esses locais amortizam ruídos, reduzem o efeito das ilhas de calor (fenômeno em que há zonas de elevada temperatura dentro da cidade) e absorvem a poluição gerada pelos veículos e pelas indústrias.
Prevenção contra futuras pandemias

De acordo com dados da ONU, 60% de todas as doenças infecciosas têm origem em animais. Se forem consideradas as doenças infecciosas emergentes (doenças novas ou identificadas recentemente, como o ebola), o percentual chega a 75%.

A origem dessas doenças está ligada à transmissão de patógenos de animais a humanos, que costumam ocorrer quando habitat naturais (como as florestas) são desmatados.

Por que no Brasil não tem grandes terremotos?





O território brasileiro registra – sim – pequenos tremores de terra, mas os riscos de um grande terremoto são extremamente baixos. Entenda o motivo.


Foto de São Paulo feita do telhado do Edificio Copan, no centro da capital paulista.



Sempre que algum país é atingido por um terremoto de intensa magnitude surge a dúvida sobre se esse tipo de evento da natureza poderia ocorrer no Brasil. Como é o caso agora do terremoto que ocorreu dia 30 de julho de 2025 na Península de Kamchatka, na Rússia, a uma profundidade de 19 Km, atingiu 8.8 de magnitude – o mais forte dos últimos 14 anos.

A pergunta pode ser instigada pelo fato do Brasil estar, geograficamente, localizado muito próximo de uma nação como o Chile, por exemplo, um território que constantemente enfrenta tremores de terra.

Foi no país andino, inclusive, que se registrou o maior terremoto do mundo, ocorrido em 1960 e de magnitude 9.5, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).

No entanto, o que explica um país tão próximo, na América do Sul, sofrer com terremotos e o Brasil não?

A explicação para o Brasil não ter grandes terremotos


Primeiramente, é necessário saber que existem, sim, tremores de terra no Brasil. “O Nordeste é a região mais vulnerável. Em estados como o Ceará e Rio Grande do Norte já ocorreram diversos tremores com magnitude 5 causando danos e até desabamentos em casas fracas”, afirma Marcelo Assumpção, professor da Universidade de São Paulo (USP) e doutor em Geofísica pela Universidade de Edimburgo, na Escócia.

No entanto, nem todo abalo sísmico é perceptível pela população ou destrutivo como os que atingiram Turquia, Síria e Marrocos, em setembro de 2023 e agora em 2025, o fortíssimo tremor na Rússia, que causou inclusive alertas de possíveis tsunami em diversos lugares, como no Japão, Havaí e costa Oeste dos Estados Unidos e litoral do Peru e Chile.

Uma consulta ao site do Centro de Sismologia da USP, que monitora a atividade sísmica do país, mostra que o Brasil teve tremores poucos dias antes do feriado da Independência em 2023. Em 4 de setembro de 2023, a cidade de Uaua, na Bahia, registrou abalos sísmicos de magnitude 2.2 e 2.3 no começo da manhã.

Já o risco de grandes tremores de terra, no entanto, é extremamente baixo. A explicação para isso está na localização do território brasileiro em relação às bordas das placas tectônicas. Isso porque terremotos são resultado do deslizamento e atrito entre essas placas.

“Os terremotos mais fortes ocorrem nas bordas das placas tectônicas. O Chile está ao longo do limite entre a placa oceânica de Nazca (parte do fundo oceânico do Pacífico) e a placa da América do Sul. Já o Brasil está no meio da placa Sul-Americana, longe das suas bordas”, explica Assumpção.

A título de comparação, “no Brasil, ocorre um terremoto de magnitude 5 a cada cinco anos. No Chile, a cada semana”, acrescenta o pesquisador.

Qual o maior terremoto já registrado no Brasil


Em 27 de janeiro de 1955, ocorreu o maior sismo já registrado até então no Brasil, na região da Serra do Tombador, no norte do Mato Grosso, informa o site da USP. O terremoto teve magnitude de 6.2.

“O tremor chegou a acordar várias pessoas em Cuiabá, a 370 km de distância. Na época, a região epicentral era desabitada. Hoje, causaria muitos danos em cidades como Porto dos Gaúchos, por exemplo”, diz Assumpção.

Justamente pela baixa densidade populacional da região na época, o evento não gerou uma grande tragédia, ao contrário do que acontece quando terremotos atingem centros urbanos e locais extremamente habitados.

O que são as zonas úmidas?


Existem três tipos destes ecossistemas essenciais e biodiversos. Conheça quais são eles.


Elefantes africanos cruzando a água na área de concessão de Chitabe, no Delta do Okavango, em Botsuana.



"As zonas úmidas são áreas de pântano, charco e turfa ou superfície coberta por água", define a quarta edição do Manual da Convenção sobre Zonas Úmidas ou Convenção de Ramsar.

De acordo com o documento que resume o que foi acordado no evento internacional "Dia Mundial das Zonas Úmidas 2022: Agir pelas Zonas Úmidas: Desafios e Oportunidades", organizado por Ramsar para celebrar a efeméride, o conceito de zonas úmidas poderia ser simplificado para "biodiversidade e ecossistemas essenciais".


Seguindo as definições oficiais do tratado internacional, as zonas úmidas podem ser de água salgada – incluindo áreas de água marinha cuja profundidade na maré baixa não exceda seis metros – ou água doce, interiores ou costeiras, naturais ou artificiais, permanentes ou temporárias. E, de acordo com esta classificação, podem ser estabelecidas as seguintes categorias:

• Água potável:

Inclui rios, lagos, lagoas, planícies aluviais, turfeiras, charcos e pântanos;

• Água salgada:

Compreendendo estuários, lodaçais, sapais, mangues, lagoas, recifes de coral, moluscos e recifes de crustáceos;

• Artificial:

Tanques de peixe, arrozais, reservatórios e salinas.

As 5 curiosidades sobre a Mata Atlântica que vão te surpreender



Você sabe quantos brasileiros vivem na região da Mata Atlântica? Descubra essa e outras curiosidades impactantes sobre um dos biomas mais importantes do Brasil.




Vista do Pico do Lopo, em Extrema, Minas Gerais. A 1780 metros de altitude, ele é um dos picos mais altos dentro da Mata Atlântica.
Foto de Juliana Stern


Uma grande beleza verde que abrange vários estados brasileiros, lar de inúmeras espécies animais e vegetais e, ao mesmo tempo, seriamente ameaçada pela ação humana.

Ao ler essa descrição, é natural pensar que ela trata da Amazônia – mas, na verdade, também compreende a Mata Atlântica. Ainda que menos comentada do que a floresta amazônica atualmente, a Mata Atlântica também é vital para o equilíbrio ambiental do Brasil e se espalha por boa parte dos estados do nordeste e do centro-sul do país.

A National Geographic separou cinco curiosidades que mostram a grandiosidade e a importância desse bioma composto por formações florestais nativas e ecossistemas associados (como manguezais e campos de altitude, por exemplo). Confira:

1. A Mata Atlântica está presente em 17 estados do Brasil

“O bioma ocupa 1,1 milhão de km² em 17 estados do território brasileiro, estendendo-se por grande parte da costa do país”, explica o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil.

A Mata Atlântica está presente nos seguintes estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

2. Na região da Mata Atlântica vivem cerca de 145 milhões de brasileiros

De acordo com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, 145 milhões de brasileiros vivem na região da Mata Atlântica – obviamente, não necessariamente em áreas de floresta, mas em estados e cidades que abrigam o bioma.

Dessa forma, a Mata Atlântica fornece serviços ecossistêmicos essenciais para a sobrevivência humana, tais como:
Regulação e equilíbrio climático
Produção de alimentos
Proteção de encostas
Fertilidade e proteção do solo
Madeira, fibras, óleos e matéria prima para remédios

3. Resta cerca de 10% da vegetação original da Mata Atlântica



Vegetação nativa da Mata Atlântica encontrada na Serra da Mantiqueira, na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Foto de Juliana Stern


Segundo a Agência de Notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), resta apenas cerca de 10% da vegetação original da Mata Atlântica.

A perda da vegetação se reflete também na diminuição da população de espécies nativas. Entre elas, os anfíbios, afetados pela destruição do habitat e a poluição ambiental.

“Desde o final do século 19, com base na coleta de dados de pesquisadores que trabalhavam em campo com anfíbios, foi registrada, ao longo de cerca de 130 anos, uma diminuição no número de indivíduos de populações de quase 15% das cerca de 700 espécies conhecidas de anuros [ordem que inclui sapos, rãs e pererecas] do bioma brasileiro”, informa a Agência Fapesp.

4. A Constituição Federal reconhece a Mata Atlântica como um patrimônio natural do Brasil

Promulgada em 1988, a Constituição Federal incluiu o bioma entre os patrimônios naturais do Brasil.

Em seu artigo 225, o texto da Constituição diz: “A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais”.

No ano de 2006, a Mata Atlântica ganhou uma lei específica (a lei nº 11.428) que estabelece regras sobre a utilização e conservação da sua vegetação nativa.

Um dos pontos definidos pela lei é a exploração econômica sustentável do bioma: para fazer o corte de determinadas espécies de árvores nativas, por exemplo, é necessária a autorização dos órgãos ambientais. No caso de vegetação primária (de grande diversidade biológica) que abranja espécies ameaçadas de extinção, o corte fica vedado pela legislação.

5. Cogumelos que brilham no escuro? Um dos segredos da Mata Atlântica

Na Reserva Betary, trecho de 60 hectares da Mata Atlântica localizado na cidade de Iporanga, no estado de São Paulo, é possível ver exemplares de Mycena lucentipes, uma das seis novas espécies de cogumelos bioluminescentes encontradas no bioma.

Durante o dia, esses fungos podem passar despercebidos, mas à noite eles emitem um brilho luminoso verde neon, como mostrado em reportagem da National Geographic de março de 2023.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

VESTIBULAR CEDERJ-2026 - GEOGRAFIA - SIMULADO

 1.  Observe a imagem de uma geomorfologia. 



No centro da imagem, registra-se a forma de relevo denominada: 

(A) Inselberg, constituída por rochas cristalinas 

(B) Chapada, encontrada no tipo climático semiárido 

(C) Cuesta, localizada em ambiente de baixa radiação solar 

(D) Planalto, situada sob fortes condições de estresse hídrico 

2.  Considere o texto sobre a qualidade ambiental das cidades. O lixo é um dos principais problemas nos grandes centros urbanos, principalmente nos países centrais. Um exemplo são os EUA que produzem cerca de 10 bilhões de toneladas de lixo sólido ao ano, sendo um dos principais agentes poluidores as embalagens descartáveis. Uma maneira de diminuir a quantidade de lixo é aplicando medidas para amenizar e reduzir o consumo, reutilizando e reciclando produtos. Os lixões são grandes depósitos de lixo a céu aberto, são ambientes com grande probabilidade de contração de doenças, chegando o mau cheiro a ser insuportável, por causa do estágio de decomposição dos elementos ali depositados. 

Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/apoluicao-nas-grandes-cidades.htm. Acesso em: 15 set. 2025. Adaptado. 

Nos lixões, a decomposição dos elementos ali depositados produz a consequência direta: 

(A) Ilha de calor que afeta a qualidade do ar 

(B) Chorume que degrada a qualidade do solo

(C) Chuva ácida que provoca a extinção de plantas 

(D) Inversão térmica que prejudica a saúde da população 

3.  Considere a imagem de uma metrópole brasileira. 



Na imagem, o conjunto do ambiente construído expressa predominantemente o seguinte processo socioespacial: 

(A) Paisagismo 

(B) Gentrificação 

(C) Planejamento 

(D) Segregação 

4.  Considere o texto sobre o conflito geopolítico na Eurásia. Em setembro de 2025, a Polônia abateu drones que entraram no espaço aéreo polonês durante a madrugada. Após detectar drones militares em seu espaço aéreo, a Polônia enviou caças para abatê-los. O país também acionou a OTAN, que mobilizou aeronaves de guerra de países membros para ajudar as forças polonesas a abater os drones. O primeiro-ministro polonês disse que os drones eram russos. Em resposta à situação, o Ministério da Defesa da Rússia disse que seus drones realizaram um grande ataque a instalações militares no oeste da Ucrânia, mas que não planejava atingir nenhum alvo na Polônia. O episódio foi um dos mais tensos da já conturbada relação entre a Rússia e a OTAN. 

Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/10/drones-russosabatidos-espaco-aereo-invadido-artigo-4-da-otan-invocadoentenda-o-que-aconteceu-na-polonia.ghtml. Acesso em: 15 set. 2025. Adaptado. 

A tensão provocada pelo episódio é agravada pela seguinte previsão institucional: 

(A) O ataque militar pelos Estados Unidos ao território ucraniano 

(B) O uso da força pela OTAN em caso de invasão a países membros 

(C) A suspensão pela União Europeia das sanções econômicas à Rússia 

(D) A aliança militar entre China e Rússia para combater ações da OTAN 

5.  Considere a imagem da distribuição da população brasileira. . 



Na imagem, a maior concentração populacional do País encontra-se em: 

(A) Nordeste 

(B) Amazônia 

(C) Centro-Sul 

(D) Centro-Oeste 

6.  Considere as informações sobre a agricultura no Brasil. A agricultura familiar é um tipo de agricultura praticada em pequenas propriedades de terra nas quais mais da metade da mão de obra é formada por membros de um mesmo grupo familiar. Essa família é a responsável pela gestão do estabelecimento familiar e, além disso, parte de sua renda advém das atividades ali desenvolvidas. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/agricultura-5.htm. Acesso em: 15 set. 2025. Disponível em: https://journals.openedition.org/confins/12389. Acesso em: 15 set. 2025.

No Brasil, esse tipo de atividade econômica apresenta a seguinte característica: 

(A) Concentra menos da metade da mão de obra do campo 

(B) Produz a maior parte dos gêneros agrícolas exportados

(C) Responde pela maior parcela da produção de alimentos 

(D) Representa menos da metade dos estabelecimentos rurais

GABARITO:

1.A    2. B   3.D    4. B   5.C    6. C    

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