sábado, 9 de maio de 2026

O que é albedo e o que ele tem a ver com o aquecimento global?




Autores
Jovens revisores


Resumo

Resumo
Albedo é o termo que descreve a quantidade de luz solar que é refletida pela Terra. O conceito de albedo é muito importante para as discussões sobre o clima da Terra, pois se relaciona à quantidade de calor absorvida por várias partes do nosso planeta. O albedo da Terra é influenciado pelas propriedades físicas das diversas superfícies do planeta. Algumas superfícies, como gelo e neve, refletem mais luz solar e absorvem menos calor do que superfícies como oceanos e florestas. No entanto, as propriedades físicas das superfícies da Terra podem mudar, tanto naturalmente quanto devido às atividades humanas. Para proteger a Terra e seus habitantes do aquecimento global, pode haver maneiras de projetar o albedo da Terra para que mais calor do Sol seja refletido para longe do nosso planeta, mas essas teorias exigem mais pesquisas. Neste artigo, explicaremos o que é albedo, como o albedo da Terra pode mudar e como o albedo influencia o clima.
O que é albedo?

A palavra “albedo” é usada para descrever a quantidade de luz solar que é refletida pela Terra. Ela está relacionada à palavra latina “albus”, que significa branco. Albedo é uma propriedade que todo objeto não brilhante possui, como uma folha de papel, um carro, uma montanha e até mesmo a Terra inteira. Quando um objeto é iluminado pelo Sol, o albedo desse objeto descreve a quantidade de radiação solar que é refletida por esse objeto e a quantidade que é absorvida por ele (a radiação solar é o que nos dá luz e calor).

Você pode experimentar o efeito de diferentes valores de albedo tocando em carros de cores diferentes sob o sol de verão. Um carro preto estará muito mais quente do que um carro branco. Por que isso acontece? O albedo de um carro branco é maior do que o albedo de um carro preto. O carro branco reflete uma quantidade maior de radiação solar incidente, portanto, há menos radiação solar sendo absorvida para aquecê-lo. O carro preto não consegue refletir tanta radiação, então ele absorve o resto e, portanto, esquenta mais (Figura 1).

Figura 1 – Um carro branco tem um albedo maior que um carro preto.
Isso significa que um carro branco reflete a maior parte da luz solar que o atinge, enquanto um carro preto absorve mais luz solar e, portanto, aquece mais do que um carro branco.

Esse efeito também se aplica a toda a Terra. A Terra possui diversas superfícies: neve nos polos, água nos oceanos, areia nos desertos e árvores nas florestas, para citar apenas algumas. Todas essas superfícies têm albedos diferentes, que podem variar dependendo de diversos fatores — alguns dos quais descreveremos na próxima seção.

O albedo é medido em uma escala de 0 a 1, onde 0 significa que um objeto não reflete nenhuma luz solar e 1 significa que um objeto reflete toda a luz solar, e não a absorve. Por exemplo, a neve fresca tem um albedo alto, de 0,8, enquanto as árvores têm um albedo em torno de 0,15. O albedo pode ser medido por dispositivos chamados piranômetros. A palavra vem do grego para “fogo” e “céu”.
Mudanças no Albedo da Terra

Um fator do qual o albedo depende, é a intensidade do brilho de uma superfície. Quando falamos das superfícies da Terra, o brilho pode mudar. Às vezes, essas mudanças no albedo da Terra são naturais, como quando as folhas mudam de cor no outono e caem no chão, ou quando a neve cobre a terra, ou quando faz calor e algumas áreas ficam secas e as plantas morrem. Outras vezes, esses fatores são influenciados pelo homem, como a construção de casas em pastagens ou o desmatamento para agricultura.

As nuvens também podem afetar o albedo da Terra. A estrutura das nuvens pode variar, dependendo se estão se movendo para o norte ou para o sul, por exemplo, e também podem variar dependendo da altura em que se encontram. Essas diferenças são causadas principalmente por variações de temperatura e vento. A maneira como as nuvens se movem determina quais áreas da Terra serão cobertas por nuvens, portanto, o movimento das nuvens pode alterar o albedo de regiões inteiras da Terra. As mudanças nos padrões climáticos, que podem afetar a formação e o movimento das nuvens, são influenciadas pelas mudanças climáticas — que são, pelo menos em parte, causadas pelo homem.

Outros eventos naturais, como vulcões em erupção ou grandes incêndios florestais, também podem alterar o albedo da Terra de forma extrema. As erupções liberam cinzas, gases e outras partículas na atmosfera, o que altera a quantidade de luz solar refletida. Em alguns casos, essas mudanças podem durar muito tempo.
Retroalimentação Gelo-Albedo

Vamos analisar mais de perto um exemplo interessante da importância do albedo da Terra. Imagine que todo o planeta Terra esteja inundado de água e não haja mais terra firma para viver; poderia ser esse o resultado final de algo chamado retroalimentação gelo-albedo, que ocorre quando o gelo derretido expõe superfícies mais escuras, como água ou terra, que absorvem mais luz solar, causando o derretimento de mais gelo e tornando a Terra ainda mais quente.

Assim como o carro branco que mencionamos anteriormente, a neve fresca tem um valor de albedo muito alto (em torno de 0,8), que pode refletir a maior parte da radiação solar incidente de volta para a atmosfera. Isso significa que menos calor é absorvido e, portanto, menos neve derreterá no futuro. No entanto, devido ao aquecimento global, até mesmo as regiões frias do Ártico estão experimentando mais derretimento de neve. Quando a neve derrete (especialmente a neve fresca e muito branca), o albedo diminui muito rapidamente. Como resultado, mais radiação solar é absorvida pela superfície da Terra, aquecendo o planeta, o que pode causar o derretimento de ainda mais neve… e esse ciclo de retroalimentação gelo-albedo pode se prolongar (Figura 2) [1]. No cenário mais drástico, toda a Terra poderia ser inundada.

Figura 2 – Se a Terra estivesse completamente coberta de gelo, o albedo seria alto, de modo que a maior parte da luz solar seria refletida e não aqueceria a Terra.
Se houver mais superfícies sem gelo com albedo mais baixo, a luz solar que atinge essas superfícies não será tão refletida, e a Terra absorverá mais luz solar e se aquecerá. O aquecimento leva a um maior derretimento do gelo, o que reduz ainda mais o albedo da Terra. Esse ciclo de retroalimentação gelo-albedo pode continuar até que a Terra esteja completamente sem gelo.
Podemos modificar o albedo da Terra para combater as mudanças climáticas?

As mudanças climáticas do estado do sistema climático da Terra podem ser causadas por atividades naturais e humanas. Quando falamos sobre mudanças climáticas causadas pelo homem, usamos o termo aquecimento global, que, agravado por algumas atividades humanas, leva a muitos efeitos danosos em larga escala, incluindo mudanças no albedo da Terra, como mencionado anteriormente. No entanto, podemos reduzir o impacto das mudanças climáticas, principalmente reduzindo a quantidade de gases de efeito estufa liberados na atmosfera, já que esses gases estão aquecendo lentamente o nosso planeta.

Há outras coisas que também podemos fazer, algumas das quais envolvem geoengenharia. A geoengenharia é como os experimentos científicos da Terra. As pessoas tentam mudar o clima usando grandes ideias, como refletir a luz solar ou remover o carbono do ar, para corrigir o aquecimento global, mas não é simples nem isento de riscos fazer mudanças específicas no meio ambiente para neutralizar o aquecimento global.

Aqui está um possível exemplo de como a geoengenharia poderia ser usada para combater as mudanças climáticas. Se mais radiação solar fosse refletida da Terra e, portanto, menos fosse absorvida, o clima poderia ser resfriado. Portanto, para resfriar a Terra, poderíamos tentar alterar o albedo da superfície terrestre ou de sua atmosfera. Já existem muitas ideias sobre como isso poderia ser feito. Uma ideia é aumentar o albedo de nossos ambientes construídos, como cidades. Se telhados, ruas e calçadas fossem pintados de branco, refletiriam mais radiação. Esse método seria mais eficaz em regiões ensolaradas e poderia até mesmo diminuir a necessidade de ar-condicionado.

Outra ideia é cultivar plantas com albedo alto. Diferentes tipos de plantas têm diferentes valores de albedo dependendo de fatores como a refletividade de suas folhas. Se cultivássemos mais dessas plantas “reflectivas”, poderíamos aumentar o albedo de algumas superfícies da Terra.

Muitas dessas ideias são apenas hipóteses; algumas podem ser mais fáceis de implementar do que outras. Embora algumas soluções de geoengenharia para aumentar o albedo da Terra pareçam ter um efeito de resfriamento, ninguém sabe ainda quais serão os efeitos a longo prazo dessas soluções em nosso sistema climático. Isso significa que precisamos ser cautelosos com esse tipo de solução e realizar mais pesquisas para melhor compreender e avaliar seus efeitos. Acreditamos que vale a pena pesquisar soluções de geoengenharia, pois reduzir o aquecimento global é uma das tarefas mais importantes que a humanidade enfrenta hoje. Com um trabalho cuidadoso, podemos tomar medidas que protegerão nosso meio ambiente a longo prazo [2, 3]!
Glossário

Albedo: Albedo é o termo que descreve a quantidade de luz solar que reflete na Terra.

Radiação Solar: A radiação solar é como a luz solar quente do sol, que nos fornece luz e calor.

Retroalimentação Gelo-Albedo: A retroalimentação gelo-albedo ocorre quando o derretimento do gelo expõe superfícies mais escuras, como água ou terra, que absorvem mais luz solar, causando o derretimento de mais gelo e tornando a Terra ainda mais quente.

Mudanças Climáticas: Mudança no estado do sistema climático da Terra, que pode ser devido a atividades naturais e humanas. Quando falamos em mudanças climáticas causadas pelo homem, usamos o termo aquecimento global.

Geoengenharia: A geoengenharia é como os experimentos científicos da Terra. As pessoas tentam mudar o clima usando grandes ideias, como refletir a luz solar ou remover carbono do ar, para corrigir o aquecimento global, mas não é algo simples nem isento de riscos.


Referências

[1] Kashiwase, H., Ohshima, K. I., Nihashi, S., e Eicken, H. 2017. Evidence for ice-ocean albedo feedback in the Arctic Ocean shifting to a seasonal ice zone. Sci. Rep. 7:8170. doi: 10.1038/s41598-017-08467-z

[2] Irvine, P. J., Ridgwell, A., Lunt, D. J. 2011. Climatic effects of surface albedo geoengineering. J. Geophys. Res. 116:D24. doi: 10.1029/2011JD016281

[3] The Royal Society. Geoengineering the Climate: Science, Governance and Uncertainty. Available online at: https://royalsociety.org/topics-policy/publications/2009/geoengineering-climate/ (acessado em 21 de Outubro de 2023).
Citação

Esters L, Wirtz P, Brückner S, Li Y e Kracheletz M (2023) What Is Albedo and What Does It Have to Do With Global Warming?. Front. Young Minds. 11:1113553. doi: 10.3389/frym.2023.1113553
Unesp para Jovens

Por que as nuvens sobre o Oceano Antártico são superfrias?


Autores
Jovens revisores


Resumo

Quando a temperatura da água cai abaixo de 0° C, presumimos que se transforma em gelo. Isso nem sempre acontece, em especial no interior de algumas nuvens que pairam sobre o Oceano Antártico. Quando a água está em estado líquido abaixo de 0°C, é conhecida como água líquida super-resfriada. Para que a água se mantenha líquida abaixo de 0°C precisa ser extremamente pura. Poluição e poeira são dois exemplos de impurezas que podem ajudar a água a congelar. A água nas nuvens do Oceano Antártico teve muito pouco contato com poluição ou poeira, por isso essas nuvens frequentemente são compostas de água líquida super-resfriada em vez de gelo. Nuvens de água líquida super-resfriada refletem mais luz solar de volta para o espaço do que nuvens de gelo. O fato de as nuvens serem feitas de líquido ou gelo pode controlar a temperatura do oceano. Isso torna as nuvens do Oceano Antártico superfrias, além de super importantes para o clima da Terra!
Nuvens são legais, mas o que torna uma nuvem superlegal?

Todos já passamos algum tempo olhando para as nuvens, procurando por formas ou torcendo para que não chova em nós. Achamos que a maioria das pessoas concordaria que as nuvens, que são frias, são bem legais! Mas o que torna uma nuvem superlegal? Ela teria que ser superfria.

Tudo começa com a água. As nuvens são compostas por minúsculas gotículas de água. Dentro dessas gotículas de água, existem pequenas partículas que vêm de muitas fontes, como o oceano, a terra ou a poluição. Essas partículas são frequentemente chamadas de “sementes” de nuvens. Se as sementes forem grandes o suficiente, são conhecidas como núcleos de condensação de nuvens. Pequenas partículas no ar sobre as quais a água condensa para formar gotículas de nuvens. Para que qualquer gotícula de nuvem se forme, os núcleos de condensação de nuvens devem estar presentes. Você pode pensar nos núcleos de condensação de nuvens como os blocos de construção das nuvens!

O outro ingrediente necessário para formar uma nuvem é água — claro! Mas não água em forma líquida. As nuvens precisam que a água esteja primeiro na fase gasosa, que é conhecida como vapor d’água (água no ar que está na fase gasosa. O ar mais frio pode reter menos vapor d’água do que o ar mais quente.

Quando o ar frio toca uma superfície, o vapor d’água nele contido se transforma em líquido. Em outras palavras, ele se condensa nessa superfície. Você já notou a água condensando nas suas janelas no inverno? Um processo semelhante ocorre com as nuvens. Na atmosfera, à medida que o ar sobe, ele resfria. O vapor d’água no ar frio se condensará nas superfícies dos núcleos de condensação das nuvens, se presentes, formando gotículas líquidas. É assim que as gotículas nas nuvens, chamadas gotículas de nuvens, são formadas. Essas gotículas de nuvens então se unem e crescem, até ficarem tão pesadas que caem do céu como chuva!

Algumas nuvens ficam felizes em permanecer líquidas por toda a vida, especialmente em lugares quentes! Mas em lugares como o Oceano Antártico, as temperaturas estão bem abaixo de zero. Quando a água esfria abaixo de 0 °C, ela quer congelar — e na maioria dos casos, isso acontece. No entanto, em alguns ambientes únicos, a água pode permanecer líquida bem abaixo de 0 °C! Chamamos isso de água líquida super-resfriada. Uma nuvem que existe em temperaturas abaixo de 0 °C e permanece líquida é conhecida como uma nuvem de água líquida super-resfriada. Acima do Oceano Antártico, há mais nuvens de água líquida super-resfriada do que em qualquer outro lugar do mundo [1].

A água líquida super-resfriada só pode existir se for extremamente pura e não contiver um tipo especial de núcleo de condensação de nuvens, conhecido como partícula nucleadora de gelo – pequenas partículas no ar que ajudam a água a passar do estado líquido para o estado congelado. Se a gota de água contiver uma partícula nucleadora de gelo ou se misturar com ar que contenha partículas nucleadoras de gelo, a água congelará.

Apenas alguns tipos de núcleos de condensação de nuvens também podem atuar como partículas nucleadoras de gelo — isso depende da composição da partícula. Poluição e poeira são dois exemplos de partículas que podem ajudar a água a congelar em cristais de gelo. Se uma gota de nuvem não entrar em contato com uma partícula nucleadora de gelo, ela permanecerá líquida até que a temperatura caia abaixo de -38 °C! Esses processos são mostrados na Figura 1.

Figura 1 – (a) Na maioria dos oceanos do mundo, tanto núcleos de condensação de nuvens quanto partículas de nucleação de gelo estão presentes.
(b) Quando o vapor d’água se condensa nessas partículas, formam-se gotículas de nuvem. (c) Se a temperatura cair abaixo de 0°C na presença de partículas de nucleação de gelo, as gotículas de nuvem se transformam em gelo. (d) No Oceano Antártico, há menos partículas de nucleação de gelo presentes do que em outras partes do mundo. (e) Gotículas de nuvem ainda se formam quando a água se condensa nas partículas presentes, mas (f) quando a temperatura cai abaixo de 0°C, as gotículas permanecem como água líquida super-resfriada.
O Oceano Antártico é um ambiente único

O Oceano Antártico está muito distante da terra e dos humanos (Figura 2). Isso significa que a água nas nuvens teve muito pouco contato com poluição ou poeira. Devido à sua distância, poucas partículas nucleadoras de gelo estão presentes no Oceano Antártico. As nuvens no Oceano Antártico são formadas principalmente por núcleos de condensação de nuvens do oceano, como a maresia, ou pelos gases liberados por pequenas plantas que vivem no oceano, como o fitoplâncton [2]. Algumas partículas na maresia podem atuar como partículas nucleadoras de gelo. No entanto, ainda não temos certeza da importância do papel que essas partículas desempenham.

Figura 2 – O Oceano Antártico, que circunda a Antártica, é um lugar remoto, longe de populações humanas ou de grandes massas de terra livres de gelo.

Isso significa que há menos partículas de gelo nucleadoras no Oceano Antártico para ajudar as gotículas de nuvens a congelarem, e é por isso que as nuvens no Oceano Antártico são compostas de água líquida super-resfriada!

Poucas outras partes do mundo, incluindo outros oceanos, são tão puras quanto o Oceano Antártico. A ausência de partículas de gelo nucleantes faz com que mais nuvens no Oceano Antártico sejam compostas de água líquida super-resfriada do que em qualquer outro lugar do mundo. O outro oceano polar da Terra, o Oceano Ártico, está muito próximo da terra e da influência humana, o que significa que existem mais partículas de gelo nucleantes lá. Nuvens de água líquida super-resfriada podem se formar no Ártico sob as condições certas, mas dados de satélite mostram que elas ocorrem com muito menos frequência.

O isolamento do Oceano Antártico o torna único. Mas esse isolamento também o torna um dos lugares mais difíceis de estudar no mundo!

Superfrio, superlegal e superimportante para o planeta!

Além de serem legais, as nuvens de água líquida super-resfriada também são importantes para o tempo e o clima da Terra.

Tempo e clima são diferentes. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado lugar e hora que pode mudar rapidamente. Por exemplo, se está ensolarado em um dia e chovendo no outro — esse é o tempo. O clima consiste nas condições médias ao longo de um longo período. Por exemplo, você pode saber que o verão geralmente é quente e seco, ou quente e chuvoso na sua cidade, dependendo de onde você mora. Tanto o tempo quanto o clima precisam ser compreendidos porque impactam as escolhas que fazemos todos os dias. Devo levar um guarda-chuva hoje? Verifique a previsão do tempo! Quero passar minhas férias nadando na praia — para onde eu iria? Para algum lugar com um clima quente e seco!

Nuvens de água líquida super-resfriadas são importantes tanto para o tempo quanto para o clima porque se comportam de maneira diferente em comparação com as nuvens de gelo. Elas duram mais do que as nuvens de gelo e também refletem mais luz solar de volta para o espaço (Figura 3). Ambos os comportamentos podem ajudar a resfriar a superfície do oceano quando o sol está brilhando. Isso significa que o fato de as nuvens serem líquidas ou feitas de gelo pode influenciar o quão quente é a superfície do oceano.

Figura 3 – Nuvens líquidas podem refletir mais luz solar para o espaço do que nuvens de gelo, o que significa que menos luz solar atinge a superfície do oceano.
Nuvens de gelo permitem que mais luz atravesse a superfície do oceano. Isso significa que o fato de uma nuvem ser líquida ou de gelo pode afetar o quão quente ela é na superfície do oceano.

Isso é importante para o clima de longo prazo, equilibrando a quantidade de energia na atmosfera da Terra, bem como para todos os animais marinhos que vivem perto da superfície e são influenciados pelo clima.
Como Estudamos as Nuvens do Oceano Antártico?

Como cientistas, queremos entender as nuvens de água líquida super-resfriadas para que possamos entender e prever o tempo e o clima do Oceano Antártico e da Terra. Uma maneira de fazer isso é usando computadores para fazer modelos.

Modelos climáticos são modelos matemáticos da atmosfera da Terra em longas escalas de tempo. Usamos esses modelos para prever o clima futuro da Terra (e também modelos de previsão do tempo) utilizando nosso conhecimento de física e química para criar uma versão “virtual” da nossa atmosfera em um computador.

No momento, nossos modelos climáticos têm alguns problemas. Eles acham que o Oceano Antártico tem a mesma quantidade de partículas nucleadoras de gelo que o resto dos oceanos do mundo [3]. Sabemos que isso não é verdade. Por causa disso, os modelos preveem menos nuvens de água líquida super-resfriadas do que o que observamos, o que significa que eles também preveem muita luz solar atingindo o oceano [4]. Tudo isso significa que nossos modelos climáticos são menos precisos sobre muitas outras partes do clima do Oceano Antártico, como as temperaturas da superfície do oceano!

Os cientistas estão trabalhando arduamente para corrigir esses problemas usando observações para testar e aprimorar os modelos, mas os dados são difíceis de obter. O Oceano Antártico é um lugar remoto e inóspito, portanto, existem pouquíssimas medições das nuvens sobre o Oceano Antártico em comparação com outras partes do mundo. A maioria das observações que temos para a região foi feita apenas durante o verão, e as expedições em geral duram apenas cerca de um mês [5]. Essa falta de dados sobre o Oceano Antártico é uma das razões pelas quais os modelos climáticos acreditam que há muito mais partículas nucleadoras de gelo na região do que realmente há.

Mais medições são essenciais

Felizmente, cientistas ao redor do mundo estão planejando muitas expedições de pesquisa ao Oceano Antártico nos próximos anos. Essas expedições incluem navios, aviões, drones, satélites e estações terrestres em ilhas e no continente antártico. Os cientistas estudarão muitas áreas do vasto Oceano Antártico e também tentarão realizar medições em outras estações além do verão, para tentar preencher as lacunas em nosso conhecimento.

Muitas dessas expedições tentarão entender essas partículas e como elas alteram as nuvens. As medições incluirão quantas partículas estão no ar, qual o seu tamanho, do que são feitas e se podem atuar como partículas nucleadoras de gelo. Também queremos saber de onde vieram as partículas, então mediremos o que está no oceano e observaremos o que o vento pode estar trazendo de longe.

Também analisaremos os tipos de nuvens presentes e a quantidade de luz solar que as atravessa. Nuvens de água líquida super-resfriadas se parecem com quaisquer outras nuvens, por isso é difícil diferenciá-las apenas olhando para elas. Este é outro motivo pelo qual novas medições são tão importantes. Por exemplo, podemos usar uma técnica chamada Detecção e Alcance de Luz (LiDAR na sigla em inglês), que emite um feixe de laser e mede quanto tempo ele leva para refletir em um objeto, informando a distância, o formato e o tamanho do objeto. A técnica projeta um laser nas nuvens e mede o que é refletido de volta, fornecendo informações que ajudam a identificar a composição das nuvens. Instrumentos LiDAR podem ser transportados por navios, para observar as nuvens, ou podem ser localizados em satélites e aviões, para observá-las de cima.

Medições como essas serão então inseridas em nossos modelos computacionais, para aprimorar tanto as previsões meteorológicas quanto as climáticas!
As nuvens super-resfriadas do Oceano Antártico

Esperamos que você concorde conosco em afirmar que as nuvens do Oceano Antártico são superlegais! Sua importância para o Oceano Antártico, bem como para toda a Terra, é reconhecida pelos cientistas há muito tempo. No entanto, ainda temos muito trabalho a fazer para garantir que entendamos essas nuvens e as modelemos adequadamente. As novas expedições de pesquisa contribuirão significativamente para esse esforço. Quem sabe um dia você também possa ajudar!
Glossário

Núcleos de Condensação de Nuvens: Pequenas partículas no ar sobre as quais a água se condensa para formar gotículas de nuvem.

Vapor de Água: Água no ar que está na fase gasosa.

Água Líquida Super-resfriada: Água que existe como líquido abaixo de 0°C.

Partículas Nucleadoras de Gelo: Pequenas partículas no ar que ajudam a água a passar do estado líquido para o estado congelado.

Tempo Atmosférico: O estado da atmosfera em um determinado local e momento.

Clima: As condições médias de longo prazo da atmosfera.

Modelos Climáticos: Modelos matemáticos da atmosfera terrestre em longas escalas de tempo. Usamos esses modelos para prever o clima futuro da Terra.

Detecção e Alcance de Luz (LiDAR): Uma técnica que emite um feixe de laser e mede o tempo que ele leva para refletir em um objeto, informando a distância, o formato e o tamanho do objeto.
Referências

[1] Huang, Y., Protat, A., Siems, S. T., e Manton, M. J. 2015. A-train observations of maritime midlatitude storm-track cloud systems: comparing the southern ocean against the north Atlantic. J. Clim. 28:1920–39. doi: 10.1175/JCLI-D-14-00169.1

[2] Hamilton, D. S., Lee, L. A., Pringle, K. J., Reddington, C. L., Spracklen, D. V., e Carslaw, K. S. 2014. Occurrence of pristine aerosol environments on a polluted planet. Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A. 111, 18466–18471. doi: 10.1073/pnas.1415440111

[3] Vergara-Temprado, J., Miltenberger, A. K., Furtado, K., Grosvenor, D. P., Shipway, B. J., Hill, A. A., et al. 2018. Strong control of southern ocean cloud reflectivity by ice-nucleating particles. Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A. 115, 2687–2692. doi: 10.1073/pnas.1721627115

[4] Bodas-Salcedo, A., Hill, P. G., Furtado, K., Williams, K. D., Field, P. R., Manners, J. C., et al. 2016. Large contribution of supercooled liquid clouds to the solar radiation budget of the southern ocean. J. Clim. 29, 4213–4228. doi: 10.1175/JCLI-D-15-0564.1

[5] Mallet, M. D., Humphries, R. S., Fiddes, S. L., Alexander, S. P., Altieri, K., Angot, H., et al. 2023. Untangling the influence of Antarctic and Southern Ocean life on clouds. Elementa 11, 1–18. doi: 10.1525/elementa.2022.0013

Citação

Fiddes SL, Mallet MD, Alexander SP e Protat A (2023) Why Are Clouds Over the Southern Ocean Super-Cool?. Front. Young Minds. 11:1045912. doi: 10.3389/frym.2023.1045912
Unesp para Jovens

A história fantástica da prosperidade dos cactos na Caatinga brasileira



Autores

Danilo T. Amaral, Isabel A. S. Bonatelli, Milena Cardoso Telhe, Monique Romeiro-Brito
Jovens revisores
Karubakee, Turma Granshaw, Yichen



Resumo

Na Caatinga brasileira ensolarada e seca, um grupo de plantas chamadas cactos vive e prospera mesmo com pouca chuva. Mas como conseguem? Este artigo levará você a uma aventura para aprender de que forma os cactos sobrevivem em um lugar tão hostil. Os cactos Cereus armazenam água em seus corpos como se fossem magos da economia da água. Seus espinhos, que parecem e agem como uma armadura, também os ajudam a capturar as gotas de chuva. Os cactos têm um jeito interessante de se alimentar. Eles fazem isso à noite, quando não está muito quente, para evitar a perda de água no calor do dia. Os cactos também têm amigos, como morcegos e beija-flores, que transportam pólen de uma planta para outra, ajudando-os a se reproduzir. A Caatinga pode ser um lugar complicado, com dias quentes e pouca chuva, mas a história dos cactos brasileiros nos lembra da fascinante diversidade da natureza e de como a vida pode ser forte e bela, mesmo em um lugar muito seco.
A Caatinga brasileira

No coração das belas paisagens do Brasil, onde o sol brilha forte e um vento quente sopra sobre a terra seca, existe um grupo especial de plantas que consegue prosperar neste lugar hostil. Essas criaturas incríveis são os cactos – tipos especiais de plantas que vivem em locais quentes e secos, como desertos. Eles têm uma casca espessa e pontiaguda para se proteger e armazenar água, o que os ajuda a sobreviver quando não chove. Alguns cactos têm belas flores que podem ter cores diferentes, como rosa, amarelo ou vermelho. Eles são típicos Caatinga Brasileira, uma região do Brasil conhecida por suas plantas únicas cobertas de espinhos. (Figura 1).

Você já se perguntou como essas maravilhas pontiagudas não apenas sobrevivem, mas se dão tão bem em um dos ambientes mais hostis da Terra? Este artigo o levará em uma jornada emocionante pela bela e seca Caatinga para descobrir como os cactos prosperam lá.Figura 1 – O mapa azul mostra o Brasil em relação ao resto do mundo.
No mapa verde, o bioma Caatinga é mostrado em amarelo.
Economizando água quando chove

Imagine visitar a Caatinga, onde o céu é azul e o vento é quente e seco na maioria dos dias. Aqui, existe um tipo de cacto chamado Cereus, também chamado de mandacaru (Figura 2). Esses cactos são como guardiões da terra firme e sabem como sobreviver de uma maneira especial (Tabela 1) [1]. Embora não chova com frequência neste lugar, os cactos têm uma capacidade fantástica de economizar água. Eles têm corpos grossos que funcionam como reservatórios de água, e sua pele os ajuda a se manterem protegidos do sol forte. Os cactos absorvem água quando chove e a guardam para os dias secos.
Figura 2 – (A) Na dura Caatinga, o cacto Cereus mostra a força da natureza.
(B) Possui flores delicadas e bonitas e (C) frutos especiais. Este cacto nos lembra que mesmo em lugares muito difíceis, plantas belas e fortes podem crescer.

Tabela 1 – Cactos vs. outras plantas: uma visão geral da sobrevivência em ambientes secos.
Os espinhos: defesa e ajudantes da natureza

Você provavelmente já viu nos cactos os espinhos: estruturas pontiagudas que servem a diversos propósitos, incluindo os de defesa e de captação de água. Os espinhos são como uma armadura que ajuda essas plantas a sobreviver no ambiente hostil do deserto. Os espinhos, além de embelezar, protegem os cactos. E têm uma função especial: após uma chuva, os espinhos guiam as gotas de chuva até as raízes da planta (Figura 3A). Os espinhos também ajudam a prevenir a perda de água durante o período mais quente do dia, diminuindo a área de perda de água em comparação com uma folha grande. Eles ajudam o cacto a beber, economizar água e se manter forte.

Figura 3 – (A) Durante uma chuva, os espinhos dos cactos guiam as gotas de chuva até as raízes da planta.
(B) Os beija-flores auxiliam na polinização das flores coloridas dos cactos, transferindo pólen de uma parte da flor para outra ou de uma flor para outra.
Fotossíntese inteligente

Na Caatinga, onde o sol pode ser um desafio, os cactos Cereus têm uma maneira inteligente de produzir alimento por meio da fotossíntese, processo pelo qual plantas e outros organismos convertem energia luminosa em energia química na forma de glicose (açúcar), usando água e dióxido de carbono. [2]. Em vez de abrir seus minúsculos poros, chamados estômatos, (pequenos orifícios na superfície das plantas que podem abrir e fechar para permitir a entrada de gases, funcionando como o sistema respiratório e o gerenciador de água da planta), durante o dia, como a maioria das plantas faz para absorver dióxido de carbono, os cactos o fazem à noite, quando está mais fresco.

Eles podem armazenar o dióxido de carbono de que precisam e usá-lo para produzir energia quando o sol está brilhando. Dessa forma, os cactos podem produzir energia sem perder muita água através de seus estômatos sob o sol quente.
Amigos da natureza: sobrevivendo juntos

Os cactos têm amigos especiais na Caatinga, como morcegos, beija-flores e insetos, que os ajudam polinizando suas flores coloridas – um processo que ajuda as plantas a produzir sementes, que podem se transformar em novas plantas. Isso acontece quando o pólen, uma substância pulverulenta da parte masculina da flor, é movido para a parte feminina. Isso pode ser feito por insetos como abelhas, pássaros ou até mesmo pelo vento. A polinização envolve a transferência de pólen de uma parte da flor para outra ou de uma flor para outra (Figura 3B) [3]. Normalmente, as flores estão localizadas longe dos espinhos, o que ajuda a evitar que os polinizadores sejam prejudicados por essas armas pontiagudas.

Os amigos polinizadores dos cactos garantem que eles possam se reproduzir, enquanto os cactos ajudam outras criaturas do deserto, fornecendo abrigo, alimento e água com suas flores e frutos. Os cactos são como os anfitriões de uma festa para todas as criaturas do deserto!
Uma história de plantas fortes

A Caatinga é um lugar de grandes desafios, como dias quentes e longos períodos sem chuva, quando os seres vivos lutam para obter água suficiente [4]. Mas os cactos nos mostram como ser fortes e seguir em frente, mesmo quando as coisas estão difíceis. Essas plantas têm truques especiais, como economizar água depois da chuva, proteger-se com espinhos, preparar comida à noite quando as temperaturas são mais amenas e trabalhar com amigos para sobreviver. O modo de vida dos cactos nos mostra que a natureza pode ser muito inteligente. Mesmo em lugares difíceis, a vida pode crescer e transformar desafios em algo belo.

Portanto, se você alguma vez vir um cacto Cereus alto na Caatinga, lembre-se da história fascinante que ele conta. Os cactos nos mostram que, mesmo quando a vida é difícil, ela ainda pode ser uma aventura incrível, mesmo no meio de um deserto desafiador.
Glossário

Cactos: Tipos especiais de plantas que vivem em locais quentes e secos, como desertos. Possuem casca grossa e pontiaguda para se proteger e armazenar água, o que os ajuda a sobreviver quando não chove. Alguns cactos têm belas flores que podem ter cores diferentes, como rosa, amarelo ou vermelho.

Caatinga: Região brasileira conhecida por suas plantas singulares cobertas de espinhos.

Fotossíntese: Processo pelo qual plantas e outros organismos convertem energia luminosa em energia química na forma de glicose (açúcar), utilizando água e dióxido de carbono.

Estômatos: Pequenos orifícios na superfície das plantas que podem se abrir e fechar para permitir a entrada de gases, funcionando como o sistema respiratório e o gerenciador de água de uma planta.

Polinização: Processo que ajuda as plantas a produzir sementes, que podem se transformar em novas plantas. Isso acontece quando o pólen, uma substância pulverulenta da parte masculina da flor, é transferido para a parte feminina. Isso pode ser feito por insetos como abelhas, pássaros ou até mesmo pelo vento.
Referências

[1] Amaral, D. T., Minhós-Yano, I., Oliveira, J. V. M., Romeiro-Brito, M., Bonatelli, I. A. S., Taylor, N. P., et al. 2021. Tracking the xeric biomes of South America: the spatiotemporal diversification of Mandacaru cactus. J. Biogeog. 48:3085–103. doi: 10.1111/jbi.14265

[2] Hernández-González, O., e Villarreal, O. B. 2007. Crassulacean acid metabolism photosynthesis in columnar cactus seedlings during ontogeny: the effect of light on nocturnal acidity accumulation and chlorophyll fluorescence. Am. J. Bot. 94:1344–51. doi: 10.3732/ajb.94.8.1344

[3] Rocha, E. A., Machado, I. C., e Zappi, D. C. 2007. Floral biology of Pilosocereus tuberculatus (Werderm.) Byles & Rowley: a bat pollinated cactus endemic from the “Caatinga” in northeastern Brazil1. Bradleya, 2007:129–44. doi: 10.25223/brad.n25.2007.a10

[4] Santos, M. G., Oliveira, M. T., Figueiredo, K. V., Falcao, H. M., Arruda, E. C., Almeida-Cortez, J., et al. 2014. Caatinga, the Brazilian dry tropical forest: can it tolerate climate changes? Theor. Exp. Plant Physiol. 26:83–99. doi: 10.1007/s40626-014-0008-0
Citação

Amaral DT, Telhe MC, Romeiro-Brito M e Bonatelli IAS (2024) The Fantastic Story of How Cacti Thrive in the Brazilian Caatinga. Front. Young Minds. 12:1295005. doi: 10.3389/frym.2024.1295005
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A Armadilha de Silício na Antártica


Autores

Jovens revisores


Resumo

O Oceano Antártico, que fica ao redor da Antártica, tem sido descrito por exploradores como frio, vazio e perigoso. Apesar disso, é um paraíso para pequenas algas chamadas diatomáceas, que desempenham um papel crucial na regulação do nosso clima. Por que esses minúsculos organismos são tão felizes neste oceano frio e distante? As diatomáceas têm uma concha sólida feita de um material semelhante ao vidro chamado sílica. Por isso precisam encontrar silício nas águas superficiais para construí-la. O Oceano Antártico é o lugar perfeito para as diatomáceas porque é rico em silício em comparação com os outros oceanos. Isso se deve a um fenômeno especial chamado bomba de silício, que torna o Oceano Antártico uma armadilha de silício gigante. Neste artigo, destacamos o papel central do Oceano Antártico na regulação do clima da Terra e como ele controla a distribuição de silício e o bem-estar das diatomáceas nas águas antárticas.
A Antártica e a Correia Transportadora Oceânica

Setenta por cento da superfície do nosso belo planeta azul é coberta por oceanos. Portanto, não é surpreendente que os oceanos desempenhem um papel fundamental no frágil equilíbrio climático da Terra. Por exemplo, a água na superfície do oceano absorve o calor do sol e transporta esse calor pelo planeta usando as correntes oceânicas. Essas correntes também transportam nutrientes importantes para a vida.

A corrente mais forte do planeta é chamada de Corrente Circumpolar Antártica (CCA). A Corrente Circumpolar Antártica é uma das correntes mais fortes do mundo e circunda a Antártida. É tão ampla que, por si só, forma um oceano inteiro chamado Oceano Antártico. A CCA flui para o leste no hemisfério sul, circundando a Antártida, e conecta os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico (Figura 1A). O Oceano Antártico desempenha um papel fundamental no clima da Terra, absorvendo uma fração do dióxido de carbono (CO2) produzido pelas atividades humanas e, portanto, ajuda a equilibrar o acúmulo desse gás na atmosfera [1].
Figura 1 – (A) A forte corrente circumpolar antártica flui no sentido horário (leste) ao redor da Antártida.
Parte da água escapa para o norte, para os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. (B) A água do oceano profundo é trazida à superfície no Oceano Antártico, trazendo consigo grande quantidade de silício. À medida que a corrente flui para o norte, o silício é utilizado pelas diatomáceas, que não deixam silício na água que escapa do Oceano Antártico através da alça superior da correia transportadora oceânica (vermelho). Em azul, a água que encontra o gelo marinho mergulha no fundo do oceano (crédito da figura A: AntarcticGlaciers.org).

A CCA é considerada o núcleo de um sistema muito maior de correntes que fluem por todo o planeta; a corrente oceânica global que viaja por todos os continentes, também conhecida como Correia Transportadora Oceânica.

Assim como um coração pulsante, o Oceano Antártico coleta água das camadas profundas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico e a traz para a superfície. Essa água do mar interage com a atmosfera e com o gelo marinho e alimenta muitos organismos vivos. Então, a água circula de duas maneiras, formando dois circuitos diferentes (Figura 1B).

No circuito inferior, a água do mar se move para o sul em direção à Antártica. Ela esfria ao encontrar o gelo marinho e afunda até o fundo de cada oceano. No circuito superior, a água do mar se move para o norte e eventualmente mergulha para profundidades intermediárias (cerca de 1.000 m). Essas águas intermediárias são então transportadas muito para o norte. Elas até cruzam o Equador e eventualmente alcançam a superfície em regiões mais quentes do oceano [2].

A correia transportadora oceânica é muito importante porque conecta as águas da superfície às camadas intermediárias e do fundo do oceano, e troca calor e nutrientes entre o Oceano Antártico e o resto do globo.

Como você aprenderá, uma pequena mudança no ambiente único do Oceano Antártico pode ter fortes consequências na capacidade do oceano de distribuir nutrientes pelos oceanos e regular o clima.
Por que a Antártica é um paraíso para as diatomáceas?

Pequenas algas vivem nas águas superficiais do oceano. Lá, elas absorvem nutrientes e os combinam com a luz solar para produzir energia e crescer. Esse processo é chamado de fotossíntese e é muito importante para nós, pois a fotossíntese consome CO2 e libera oxigênio, tornando a vida possível na Terra. Embora existam muitas algas diferentes nas águas do mundo, um grupo específico, chamado diatomáceas, prospera nas águas frias do Oceano Antártico (Figura 2). Lá, as diatomáceas podem representar mais de 90% da quantidade total de algas na superfície do oceano [3].
Figura 2 – (a) Existem muitas diatomáceas em uma gota de água do mar da Antártica, mas elas só podem ser vistas usando um microscópio.
(b–e) Com um microscópio muito potente, as características delicadas da frústula, como orifícios e espinhos, podem ser observadas para cada espécie individual de diatomácea.

As diatomáceas medem menos de 1 mm de tamanho e são envoltas em uma casca dura, chamada frústula – uma estrutura esquelética das diatomáceas feita de sílica (a palavra científica para vidro), que é um mineral que existe em várias formas, incluindo areia, vidro e opala. As frústulas são como pequenas caixas de vidro lindamente decoradas e tornam as diatomáceas únicas entre todas as algas. Bilhões de diatomáceas crescem durante a primavera e o verão na superfície do oceano e, ao fazê-lo, absorvem CO2.

Graças à sua frústula, elas são bastante pesadas (em comparação com outras algas) e afundam no oceano, carregando consigo todo o carbono que absorveram nas águas superficiais. Esse processo é chamado de bomba biológica de carbono – um conjunto de processos, incluindo a fotossíntese realizada por algas, que capturam CO2 da atmosfera para o oceano, porque o carbono é “bombeado” da atmosfera e armazenado no fundo do oceano por um longo período [3].

Como precisam de silício (um elemento químico encontrado na sílica, rochas, areia, vidro e opala) para formar sua frústula vítrea, as diatomáceas dependem fortemente da disponibilidade desse elemento no ambiente no qual vivem. As diatomáceas são tão vorazes que podem usar todo o silício das águas superficiais, deixando muito pouco para trás. Quando esgotam todo o silício ao seu redor, as diatomáceas morrem e afundam no fundo do oceano, carregando todo o silício e carbono com elas. Sem silício na água do mar, as diatomáceas não podem crescer. Felizmente para as diatomáceas, o Oceano Antártico é um paraíso, pois é a região oceânica onde o silício é mais abundante. Mas por quê?
Como o Oceano Antártico captura o silício?

As frústulas das diatomáceas são pesadas, o que faz com que elas afundem mais rápido do que outras algas minúsculas, embora possam levar de vários dias a vários meses para chegar ao fundo do oceano. Enquanto afundam no oceano, suas frústulas se decompõem e se dissolvem progressivamente, o que libera o silício de volta ao oceano em uma forma que pode ser usada como nutriente por outros organismos. Esse processo é lento e ocorre principalmente nas partes intermediária e profunda do oceano. Os cientistas acreditam que pelo menos metade das diatomáceas se dissolve entre a superfície do oceano e 2.000 m de profundidade [4].

Curiosamente, devido a essa lenta decomposição das diatomáceas, a maior parte do silício é reciclada nas camadas oceânicas onde a água flui em direção à Antártida. O silício então retorna às águas superficiais, onde será consumido por novas diatomáceas, fechando o ciclo. As diatomáceas no Oceano Antártico, portanto, sempre têm silício suficiente para crescer. A combinação desses dois processos: (i) transforma o silício (dissolvido na água do mar) em sílica (dentro da frústula) na superfície e (ii) o leva para o oceano profundo, onde é reciclado, é a chamada bomba de silício. Essa é a transferência de sílica da superfície do oceano para a camada profunda devido às diatomáceas. (Figura 3).
Figura 3 – A bomba de silício no Oceano Antártico.
O silício dissolvido na água do mar é utilizado pelas diatomáceas na superfície do oceano para crescer (1). Quando morrem, as diatomáceas afundam (2), decompõem-se e dissolvem-se (3), liberando o silício de volta para o oceano. Esse silício reciclado é trazido de volta à superfície (4) pela circulação oceânica, característica exclusiva do Oceano Antártico. As diatomáceas que não se dissolveram na água chegam ao fundo do oceano e se acumulam no leito marinho (5), formando o cinturão de opalas.

Atualmente, a bomba de silício é muito eficiente e retém a maior parte do silício no Oceano Antártico. À medida que a corrente de superfície no Oceano Antártico flui para o norte, as diatomáceas consomem progressivamente todo o silício da água do mar. Portanto, quando essa água mergulha na alça superior da correia transportadora e escapa da Antártida, ela não contém quase nenhum silício. Essa água com baixo teor de silício é transportada para os outros oceanos pela correia transportadora e, portanto, reduzirá ou impedirá o crescimento de diatomáceas nesses locais.
O Cinturão de Opalas: os sedimentos únicos da Antártica

Somente as diatomáceas que não se dissolvem durante sua jornada pelas profundezas do oceano chegam ao fundo do oceano e aos sedimentos. Lá, elas se acumulam e permanecem enterradas por um longo período (até vários milhões de anos). No Oceano Antártico, como as diatomáceas são tão numerosas e ativas na água da superfície, elas constituem a maioria das partículas que afundam em direção ao fundo do oceano. Como resultado, algumas regiões do fundo do oceano podem ser compostas por mais de 80% de fósseis de diatomáceas [5] e formam um círculo extremamente singular de sedimentos ricos em sílica ao redor da Antártida, chamado de Cinturão de Opala.
Conclusão: A Armadilha de Silício da Antártica está Vazando?

A gigantesca armadilha de silício ao redor da Antártida contém mais da metade da quantidade total de silício existente em todos os oceanos. Cientistas estimam que, atualmente, muito pouco do silício que entra no Oceano Antártico (<5%) consegue escapar dessa armadilha oceânica, enquanto outros nutrientes, como nitrato e fosfato, escapam mais facilmente e são transportados para outras regiões do oceano [4].

Evidências de diatomáceas enterradas na Antártida mostraram que, em alguns períodos no passado, a armadilha de silício foi mais fraca do que observamos hoje. A menor eficiência da armadilha permitiu que o silício “vazasse” do Oceano Antártico e fosse transportado para os outros oceanos, através da alça superior da correia transportadora. Quando mais silício escapa do Oceano Antártico e é redistribuído para as águas superficiais de outros oceanos, isso permite que mais diatomáceas cresçam e, portanto, mais CO2 seja removido da atmosfera através da bomba biológica de carbono.

Se isso for verdade, poderia explicar em parte as transições entre eras glaciais, quando a Terra era muito mais fria do que hoje, e períodos mais quentes como os que temos agora. Por exemplo, a última era glacial, que terminou há cerca de 15.000 anos, teria sido caracterizada por uma armadilha de silício com vazamento na Antártida, permitindo que mais diatomáceas bombeassem CO2 para os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. A redução de CO2 na atmosfera devido ao bombeamento de diatomáceas torna a atmosfera mais fria porque há menos CO2 capturando e armazenando calor; em vez disso, o calor é liberado no espaço.

É claro que ainda há muito que os cientistas desconhecem sobre a armadilha de silício e seu papel na regulação do clima da Terra. Estudar este tópico envolve trabalhar no ambiente extremamente frio e selvagem da Antártida, o que, como você pode imaginar, é bastante desafiador. No entanto, os cientistas continuam a realizar esta importante pesquisa, pois, apesar da estreita ligação entre o ciclo do carbono e da sílica, os modelos que preveem o clima futuro carecem do componente de sílica, visto que se trata de um ciclo complexo.
Glossário

Corrente Circumpolar Antártica (CCA): A Corrente Circumpolar Antártica (CCA) é uma das correntes mais fortes do mundo e circunda a Antártica.

Correia Transportadora Oceânica: É a corrente oceânica global que percorre todos os continentes.

Diatomáceas: Um grupo de pequenas algas unicelulares que podem capturar silício da água e luz solar para construir uma concha transparente chamada frústula.

Frústula: Estrutura esquelética das diatomáceas feita de sílica.

Sílica: Um mineral que existe em várias formas, incluindo areia, vidro e opala.

Bomba Biológica de Carbono: Um conjunto de processos, incluindo a fotossíntese realizada por algas, que capturam ou “bombeiam” CO2 da atmosfera para o oceano, onde é armazenado por um longo período.

Silício: Elemento químico encontrado na sílica, rochas, areia, vidro e opala.

Bomba de silício: É a transferência de sílica da superfície do oceano para a camada profunda devido às diatomáceas.
Referências

[1] Lenton, A., Tilbrook, B., Law, R. M., Bakker, D., Doney, S. C., Gruber, N., et al., 2013. Sea-air CO2 fluxes in the Southern Ocean for the period 1990-2009. Biogeosciences 10:4037–4054. doi: 10.5194/bg-10-4037-2013

[2] Sarmiento, J. L., Gruber, N., Brzezinski, M. A., Dunne, J. P. 2004. High-latitude controls of the thermocline nutrients and low latitude biological productivity. Nature 427:56–06. doi: 10.1038/nature02127

[3] Tréguer, P., Bowler, C., Moriceau, B., Dutkiewicz, S., Gehlen, M., Aumont, O., et al. 2018. Influence of diatom diversity on the ocean biological carbon pump. Nat. Geosci. 11:27–37. doi: 10.1038/s41561-017-0028-x

[4] Holzer, M., Primeau, F. W., DeVries, T., Matear, R. 2014. The Southern Ocean silicon trap: data-constrained estimates of regenerated silicic acid, trapping efficiencies, and global transport paths. J. Geophys. Res. 119:313–331. doi: 10.1002/2013JC009356

[5] Chase, Z., Anderson, R. F., Fleisher, M. Q., Kubik, P. W. 2003. Accumulation of biogenic and lithogenic material in the Pacific sector of the Southern Ocean during the past 40,000 years. Deep-Sea Res. 50:799–832. doi: 10.1016/S0967-0645(02)00595-7

Citação

Closset I e Cassarino L (2023) The Antarctic Silicon Trap. Front. Young Minds. 11:1180915. doi: 10.3389/frym.2023.1180915
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O que é El NiñO e como ele nos afetará?




Autores

Jovens revisores



Resumo

Imagine um pescador em 1726 que dependia da pesca para sobreviver e sustentar sua família. Quando o número de peixes diminuía por qualquer motivo, a família sofria. Em 1726, uma mudança na temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico, que durou muitos meses, diminuiu o número de peixes. Desde então, observações semelhantes foram feitas no Oceano Pacífico próximo ao Equador. Hoje, as razões para as mudanças na temperatura do mar são conhecidas como El Niño-Oscilação Sul. Ele tem sido estudado cientificamente desde os anos 1900. Mas o que é essa circulação? Neste artigo, vamos explorá-la em detalhes e descrever sua relação com as mudanças no meio ambiente.

A energia que viaja do Sol para a Terra é o principal fator determinante do clima da Terra. Perto do Equador, o aquecimento causado pelo Sol é muito mais intenso do que nas regiões polares. Essas grandes diferenças nas condições climáticas ao redor do globo causam movimentos de ar na atmosfera. Por exemplo, perto do Equador, as altas temperaturas do Sol fazem com que o ar suba [1]. Esses movimentos de ar, em última análise, resultam em mudanças no tempo e no clima.
Como o Ar Quente Sobe?

O ar quente é mais leve que o ar frio. Imagine que você tem dois balões, um cheio de ar quente e o outro cheio de ar frio. O balão cheio de ar quente flutuará no céu, enquanto o balão cheio de ar frio cairá no chão. Da mesma forma, se o ar próximo ao solo for mais quente e mais leve que o ar acima dele, ele subirá. É por isso que os balões de ar quente sobem alto no céu — o ar quente dentro do balão é mais leve que o ar frio externo, então ele levanta o balão.

Na atmosfera, o ar ascendente inicia um padrão de circulação: quando o ar quente deixa a superfície da Terra, novo ar deve substituí-lo. O ar de substituição geralmente vem de regiões mais frias, na forma de ventos que sopram sobre o solo. Essa circulação na atmosfera cria ventos que sopram de leste para oeste perto do equador, que são chamados de ventos alísios. Os ventos alísios são ventos fortes e constantes que sopram perto do equador da Terra. Eles ajudam a mover navios no mar e afetam o clima em muitos países. [1].
O que acontece no Oceano Pacífico?

O Oceano Pacífico fica entre a América e a Ásia/Austrália (Figura 1). Próximo ao equador, os ventos alísios sopram sobre a superfície do Oceano Pacífico e empurram a água do mar para oeste, em direção à Indonésia. Assim como o ar, a água a leste, próxima à América do Sul, não pode simplesmente desaparecer, mas deve ser reposta. Portanto, para manter o equilíbrio, a água mais fria do oceano profundo sobe perto da costa da América do Sul. Quanto mais fundo no oceano, mais fria a água. Você pode saber disso por causa de uma piscina — às vezes, a água na superfície está agradável e morna, mas seus pés ainda podem estar na água mais fria.

A água que sobe à superfície do Pacífico é mais fria do que a água ao redor na superfície do oceano, o que cria uma forte diferença de temperatura (Figura 2). A água fria do fundo do mar também é rica em nutrientes, que podem alimentar muitos peixes. Os pescadores ficam felizes porque há muitos peixes para pescar. Devido a esse processo, a temperatura na superfície do Pacífico oriental fica em torno de 20°C, enquanto as águas do Pacífico ocidental podem chegar a 30°C — uma diferença de cerca de 10°C.Figura 1 – O fenômeno El Niño-Oscilação Sul ocorre no Oceano Pacífico, entre a América do Sul a leste e a Indonésia e a Austrália a oeste.
As áreas verdes indicam onde o ar está mais úmido do que o normal (onde pode chover com mais frequência, por exemplo) em determinadas épocas do ano. As áreas amarelas mostram onde o ar está mais seco do que o normal em determinadas épocas do ano (Mapa criado com a biblioteca Python para visualização interativa; imagem da bússola do Pixabay).



Figura 2 – No Oceano Pacífico, próximo ao Equador, a circulação atmosférica afeta os movimentos do ar e da água do oceano.
As setas azuis indicam ar e água frios; as setas vermelhas indicam ar/água quentes. O ar desce na região de alta pressão e sobe na região de baixa pressão. O ar ascendente forma nuvens e chuva. A circulação de Walker mostrada aqui representa a situação “normal”.
Por que a diferença de temperatura é importante?

As altas temperaturas da superfície oceânica no Pacífico Ocidental aquecem o ar acima dele, fazendo com que ele suba. À medida que o ar quente sobe, ele esfria. O ar frio não consegue reter tanto vapor d’água quanto o ar quente, então o vapor d’água no ar se transforma em pequenas gotículas de água que se unem, formam nuvens e, eventualmente, caem como chuva.

Em áreas de águas mais frias no Pacífico Oriental, perto da América do Sul, o ar mais frio afunda. Quando o ar afunda, ele se torna mais quente (o oposto do que foi descrito acima) e expulsa todas as gotículas de água. A água evapora e desaparece, o que torna o ar seco e não produz chuva [1]. Essas características correspondem às condições ambientais: florestas tropicais na Indonésia e desertos nas partes ocidentais da América do Sul.

O ar ascendente nas regiões ocidentais do Oceano Pacífico move-se para o leste, alto na atmosfera, em direção à América do Sul. O ar descendente nas regiões orientais (América do Sul) é levado para o oeste, próximo ao solo. Esse movimento de ar é chamado de circulação de Walker. A circulação de Walker é um padrão de ventos no Oceano Pacífico tropical, onde o ar sobe, viaja, desce e retorna, influenciando muito o clima nessas regiões. (Figura 2).
El Niño-Oscilação Sul

O que você acabou de aprender sobre a circulação de Walker e sua interação com o oceano é chamado de El Niño-Oscilação Sul. El Niño-Oscilação Sul é um fenômeno natural em que as temperaturas do Oceano Pacífico mudam, causando diferentes padrões climáticos, como mais chuva ou condições de seca em várias partes do mundo. Um fenômeno é um evento que pode ser observado e estudado. Os fenômenos podem variar de simples ocorrências cotidianas, como o nascer e o pôr do sol, a eventos naturais complexos, como o que estamos apresentando aqui. O termo “oscilação” descreve padrões climáticos que se movem para frente e para trás em um ritmo regular. O El Niño-Oscilação Sul ocorre ao longo de um período de 1 a 10 anos [1].

Se considerarmos a circulação de Walker da Oscilação Sul-El Niño como o estado “normal”, existem dois outros estados possíveis que podem ocorrer: El Niño e La Niña. Esses estados ocorrem quando há mudanças na temperatura da superfície do oceano, o que pode alterar a circulação de Walker. Se o Pacífico oriental ficar mais quente, estamos no estado El Niño (Figuras 3A, B). El Niño e La Niña – El Niño é uma época em que o Oceano Pacífico fica mais quente, fazendo com que o clima ao redor do mundo mude, como trazer menos chuva para a Austrália e o Sudeste Asiático.

El Niño significa “menininho” em espanhol e o termo vem dos pescadores peruanos. O “menininho” se refere ao menino Jesus, que supostamente nasceu no Natal – na época em que as temperaturas da superfície do Pacífico oriental podem esquentar. Em contraste, quando estamos em La Niña, é quando o Oceano Pacífico fica mais frio do que o normal, levando a condições mais úmidas na Ásia e na Austrália, e a um clima mais seco e frio nas Américas. La Niña significa “menininha”.
Figura 3 – (A) Durante o estado El Niño, a circulação de Walker enfraquece devido a uma mudança na pressão atmosférica e inverte parcialmente sua direção.
A maior parte das nuvens e da chuva se forma sobre o oceano aberto. Setas mais finas indicam uma circulação mais fraca. (B) Em um estado El Niño extremo, que ocorre quando temos um sistema de baixa pressão sobre a América do Sul, a circulação de Walker inverte completamente sua direção. As áreas de ar seco, que desce, e de ar úmido, que sobe, alternam-se de uma extremidade do Oceano Pacífico para a outra. Isso faz com que o Pacífico Oriental aqueça em sua superfície.
O Estado El Niño

Durante o estado El Niño, a pressão atmosférica na superfície do Pacífico oriental (ar descendente) e a pressão atmosférica na superfície do Pacífico ocidental (ar ascendente) são enfraquecidas. Isso enfraquece a circulação de Walker, de modo que o movimento do ar não é tão forte quanto em condições normais. Essa circulação enfraquecida enfraquece os ventos alísios, que podem até mesmo mudar completamente sua direção (Figura 3A).

A circulação de Walker mais fraca pode afetar as correntes oceânicas, pois os ventos alísios movem a água da superfície — como quando você sopra em uma xícara de chá. As mudanças nos ventos alísios fazem com que a água quente na superfície do oceano seja movida do Pacífico ocidental para o leste, em direção à costa da América do Sul. Essa mudança na temperatura da superfície do oceano tem vários efeitos [2]: a água fria do oceano profundo não sobe à superfície no Pacífico oriental. Como as águas profundas do oceano também são ricas em nutrientes, os peixes não têm o suficiente para se alimentar e a população de peixes diminui, o que é prejudicial para os pescadores.

Mas isso não é tudo! O El Niño causa fortes chuvas no Pacífico leste e em partes da América do Sul, e aumenta a ocorrência de furacões na América Central (por exemplo, México) [3]. Na Indonésia e em outras partes do Pacífico ocidental, o El Niño aumenta as secas (Figura 3A). O fenômeno El Niño ocorre a cada 3 a 8 anos.

Às vezes, o El Niño pode ser extremo, e a circulação de Walker pode mudar completamente de direção, levando a um sistema de baixa pressão sobre a América do Sul, trazendo nuvens e chuvas intensas para uma área não acostumada a essas condições climáticas. Ao mesmo tempo, o Sudeste Asiático experimenta um sistema de alta pressão sem chuva. Os resultados são inundações na América do Sul e secas na Indonésia e na Austrália. Isso é particularmente perigoso na Austrália, pois pode levar a incêndios florestais (Figura 3B).
O Estado La Niña

La Niña ocorre quando o Pacífico oriental está frio, causando pressão atmosférica superficial muito baixa (ar ascendente) no Pacífico ocidental e alta pressão atmosférica superficial (ar descendente) no Pacífico oriental (Figura 2). A diferença entre a pressão atmosférica superficial a leste e oeste é muito maior do que o estado normal, de modo que os ventos alísios são mais fortes. Ventos alísios mais fortes podem mover mais água superficial do Pacífico oriental para o ocidental e, no Pacífico oriental, água fria e rica em nutrientes do oceano profundo pode subir à superfície. A água fria pode se espalhar na superfície do oceano do Pacífico oriental para o extremo oeste.

É por isso que La Niña também é conhecida como a fase fria do El Niño-Oscilação Sul. Durante esse período, chove muito na Indonésia e a América do Sul fica muito seca. Portanto, inundações são prováveis ​​no norte da Austrália/Indonésia e secas são prováveis ​​na América do Sul. La Niña ocorre a cada 3 a 5 anos.
Problemas e Efeitos

El Niño e La Niña influenciam a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Eles definem a quantidade de chuva que cai, o que pode afetar significativamente a vida dos agricultores e causar secas e incêndios florestais ou, no extremo oposto, chuvas intensas e inundações. Condições extremas podem afetar a produção de alimentos e a disponibilidade (e a pureza) da água potável. O El Niño também afeta o número de peixes que os pescadores conseguem capturar e até mesmo o número de pessoas que adoecem por não terem o suficiente para comer. Durante um El Niño severo em 1997-1998, cerca de 23.000 pessoas morreram devido aos efeitos das condições ambientais, como as de 2016 e as previstas para 2023/2024.

É importante que os cientistas continuem estudando o fenômeno El Niño-Oscilação Sul para compreender e prever quando situações extremas podem ocorrer. Isso pode nos ajudar a nos preparar melhor para seus impactos, o que pode salvar vidas. Por exemplo, as pessoas podem preparar suas casas para chuvas fortes ou incêndios florestais, ou guardar alimentos para momentos em que a agricultura ou a pesca não sejam possíveis. O fenômeno El Niño-Oscilação Sul é um fenômeno climático importante que demonstra o delicado equilíbrio do clima da Terra, impactando significativamente tanto a vida marinha quanto as atividades humanas.
Glossário

Ventos Alísios: Os ventos alísios são ventos fortes e constantes que sopram perto do equador da Terra. Eles ajudam a movimentar navios no mar e afetam o clima em muitos países.

Circulação de Walker: A circulação de Walker é um padrão de ventos que atravessa o Oceano Pacífico tropical, onde o ar sobe, viaja, desce e retorna, influenciando significativamente o clima nessas regiões.

El Niño-Oscilação Sul: O El Niño-Oscilação Sul é um evento natural em que as temperaturas do Oceano Pacífico mudam, causando diferentes padrões climáticos, como mais chuva ou condições secas em várias partes do mundo.

El Niño: O El Niño é um período em que o Oceano Pacífico fica mais quente, causando mudanças climáticas em todo o mundo, como a redução da chuva na Austrália e no Sudeste Asiático.

La Niña: La Niña ocorre quando o Oceano Pacífico fica mais frio do que o normal, resultando em condições mais úmidas na Ásia e na Austrália, e em clima mais seco e frio nas Américas.

Sistema de Baixa Pressão: Uma área onde a pressão atmosférica é menor do que nas áreas circundantes.
Conflito de Interesses

Os autores declaram que a pesquisa foi conduzida na ausência de quaisquer relações comerciais ou financeiras que pudessem ser interpretadas como um potencial conflito de interesses.
Referências

[1] Ross, A. 2000. The Fisherman’s Ocean: How Marine Science Can Help You Find and Catch More Fish. Mechanicsburg, PA: Stackpole Books.

[2] Kevin E. 1997. Trenberth “the definition of El Niño”. Bull. Am. Meteorol. Soc. 78:2771–7.[3] Pielke Jr, R. A., e Landsea, C. N. 1999. “La Niña, El Niño, and Atlantic Hurricane damages in the United States. Bull. Am. Meteorol. Soc. 80:2027–34.
Citação

Sperschneider A, Foester D, Meurer P e Esters L (2023) What Is El NiñO and How Will It Affect Us?. Front. Young Minds. 11:1113556. doi: 10.3389/frym.2023.1113556
Unesp para Jovens

Ilhas de Calor


As ilhas de calor urbanas e o que elas podem nos ensinar sobre as mudanças climáticas
Autores

Jovens revisores



Resumo

As áreas urbanas, em geral, ficam muito mais quentes do que as áreas rurais ou as naturais. As temperaturas mais altas observadas nas cidades são causadas pela presença de muitos prédios e ruas, que esquentam com o sol porque são feitos de materiais que não retêm muita água. Nas áreas urbanas quentes, chamadas ilhas de calor urbanas, as pessoas e os animais mantêm-se frescos suando, ofegando e permanecendo em locais sombreados. Até as árvores urbanas podem permanecer frescas transpirando, que é a mesma coisa que suar. Na verdade, as árvores transpiram tanto que resfriam o ar e reduzem o efeito do calor urbano, como se fossem um aparelho de ar-condicionado natural. O efeito do calor urbano é normalmente visto como um problema e por isso os cientistas estudam as plantas e os animais que vivem em ilhas de calor urbanas para compreender o efeito que o aumento das temperaturas, causado pelas alterações climáticas, terá sobre as espécies em seus habitats naturais.

Você já percebeu que as calçadas e ruas esquentam muito em um dia de verão ensolarado? Às vezes, o pavimento fica tão quente que você poderá queimar seus pés se tentar andar descalço! Pavimentos de asfalto e concreto são superfícies impermeáveis, isto é, não conseguem reter muita água. Sem água para ajudar a refrescá-lo, o pavimento tende a absorver uma grande quantidade de radiação solar (luz solar) e fica muito mais quente que a grama ou outras plantas. Então, quanto menos plantas – e mais calçadas – um lugar tiver, mais quente ficará!
Superfícies artificiais nas cidades criam ilhas de calor

As cidades são cheias de ruas, edifícios e estacionamentos impermeáveis. Todas essas superfícies artificiais absorvem e retêm muito calor, criando ilhas de calor urbanas (Figura 1). As ilhas de calor urbanas são áreas desenvolvidas (cidades ou vilas) significativamente mais quentes do que as áreas rurais circundantes (fazendas e campos), devido à substituição de áreas naturais cobertas de plantas, como florestas e zonas úmidas, por superfícies impermeáveis, como calçadas e edifícios. Por exemplo, no verão, a cidade de Washington, nos Estados Unidos, costuma ficar até 7°C mais quente do que as áreas florestais próximas! A diferença pode não parecer muito grande, mas todo esse calor extra tem um considerável impacto na saúde e no comportamento das pessoas, plantas e animais que vivem nas cidades.
  Figura 1. O efeito das ilhas de calor urbanas torna as áreas urbanas, que têm mais superfícies impermeáveis, mais quentes que as áreas rurais ou suburbanas, que têm mais vegetação. Este gráfico mostra como as temperaturas (ilustradas pela linha laranja) são mais quentes em áreas centrais e mais baixas em áreas agrícolas e rurais.

Como manter o corpo fresco nas ilhas de calor urbanas

Para evitar o superaquecimento, os seres vivos precisam de termorregulação, isto é, devem usar recursos e comportamentos especializados para controlar a temperatura corporal. Por exemplo, uma das principais maneiras pelas quais os humanos usam a termorregulação quando ficam com muito calor é o suor. Quando seca e evapora, o suor esfria a pele, retirando o calor do corpo e liberando-o no ar. Quando ficamos expostos a temperaturas muito altas por muito tempo, ou quando não temos água suficiente para beber, não conseguimos suar o suficiente para nos mantermos frescos, e poderemos desenvolver problemas de saúde causados pelo estresse térmico e pela desidratação.

Além das pessoas, muitas espécies vivem nas cidades, e também podem superaquecer quando as temperaturas ficam muito altas. Os cães não suam, então recorrem à termorregulação ofegando e evaporando água pela língua. Os pássaros também ofegam para se refrescar. Os lagartos não suam nem ofegam, e se refrescam ficando na sombra.

Até as plantas podem recorrer à termorregulação para manter suas folhas frescas, mediante um processo chamado transpiração. Quando as plantas transpiram, parte da água que está dentro das folhas se evapora no ar através dos estômatos, que são pequenos orifícios na superfície das folhas. A transpiração é basicamente a forma como as plantas suam e, assim como o suor nos mantém frescos, a transpiração ajuda as plantas a manterem suas folhas frescas.

Um fato surpreendente sobre as plantas é que, ao transpirarem, elas resfriam a si mesmas e ao ar que está ao redor. Isso significa que, ao criarem sombra e transpirarem, as plantas ajudam a manter as cidades frescas. Devido a seus superpoderes de refrigeração, as plantas são muito importantes para enfraquecer o efeito das ilhas de calor urbanas. Assim, muitas áreas urbanas iniciaram programas para plantar mais árvores e criar mais espaços verdes, tais como parques, jardins comunitários e telhados verdes (telhados com vegetação plantada neles). Você pode ajudar a reduzir o calor urbano plantando uma árvore em seu quintal ou cultivando um jardim em sua escola!

As plantas são só uma parte da solução. Há muitas maneiras de reduzir o aquecimento urbano e manter nossas cidades saudáveis. Por exemplo, algumas cidades começaram a utilizar tipos de asfalto, concreto, pedras de pavimentação e outros materiais de construção que conseguem absorver e reter mais água do que suas versões impermeáveis. Esses materiais “úmidos” não esquentam tanto e ajudam a manter as temperaturas mais baixas nas áreas urbanas. Outras cidades começaram a instalar pavimentos e telhados de cores mais claras ou reflexivas, que não absorvem a luz solar e por isso permanecem mais frescos.
O que as ilhas de calor urbanas nos dizem sobre as mudanças climáticas?

Mudança climática é o termo que usamos para designar mudanças nos padrões do clima a longo prazo. As alterações climáticas atuais são causadas pela poluição atmosférica resultante da queima de combustíveis fósseis, que libera gases do efeito estufa como o dióxido de carbono. Os gases do efeito estufa retêm a radiação solar, tornando o mundo mais quente. Para compreender o que as alterações climáticas significarão para a natureza, os cientistas estudam como várias espécies respondem às altas temperaturas. Por exemplo, eles querem saber se as espécies vegetais e animais conseguem se adaptar ao calor a longo prazo ou se aclimatar a curto prazo. Um modo de estudar esses problemas é recorrer às ilhas de calor urbanas, locais muito quentes onde já temos diversas criaturas vivendo.

Estudando as criaturas que vivem nas ilhas de calor urbanas, os cientistas já fizeram algumas descobertas importantes. Por exemplo, descobriram que algumas aranhas das áreas urbanas quentes crescem mais lentamente e morrem mais rápido do que as de áreas mais frescas [1]. Talvez você ache que isso é uma coisa boa – mas lembre-se de que menos aranhas significa mais moscas e mosquitos! Outra equipe de cientistas, trabalhando em cidades, descobriu que as árvores que estão em áreas urbanas mais quentes não são capazes de fazer tão bem a fotossíntese e crescem mais lentamente do que aquelas nas partes mais frescas da cidade [2-4]. Ou seja, as árvores ajudam a manter as cidades mais frescas… Mas elas próprias podem estar começando a ficar mais quentes!

À medida que o mundo se aquece, as árvores começam a experimentar o processo de superaquecimento mesmo fora das cidades. As árvores são extremamente importantes e fazem muitas coisas maravilhosas, que os cientistas chamam de serviços de ecossistema. Por exemplo, mantêm-nos frescos, ajudam a filtrar a água, eliminam a poluição do ar, dão-nos madeira para construir nossas casas e alimento para nossa sobrevivência. Caso tornemos o mundo muito quente a ponto de as árvores se superaquecerem, essa será uma má notícia para todos!
Resumo

As cidades tendem a ser mais quentes do que as áreas naturais ou rurais porque seus muitos edifícios e ruas retêm o calor do sol. Plantas e animais se valem de toda uma variedade de recursos de termorregulação para não ficarem quentes demais. Por exemplo, as plantas transpiram água de suas folhas para o ar e essa transpiração ajuda a refrescar tanto suas folhas quanto as áreas em torno delas! Como as plantas funcionam como um ar-condicionado natural, parques e outros espaços verdes são muito importantes para reduzir o efeito das ilhas de calor.

Os cientistas estudam as plantas e os animais que vivem em cidades quentes para aprender como essas espécies serão afetadas pelo aumento das temperaturas. Assim, a pesquisa em ilhas de calor urbanas pode nos ajudar a descobrir o que as temperaturas mais altas causadas pelas alterações climáticas significarão para várias plantas e animais – nós inclusive!
Glossário

Ilhas de calor urbanas: Áreas desenvolvidas e muito mais quentes que as áreas rurais circundantes devido à substituição de espaços naturais com vegetação por superfícies impermeáveis, como pavimentos e edifícios, que absorvem a radiação solar.

Termorregulação: Manutenção ou regulação da temperatura interna (planta ou animal), mesmo quando as temperaturas circundantes sejam mais quentes ou mais frias.

Transpiração: Evaporação da água do interior das folhas para o ar a fim de regular a temperatura da planta e fornecer água para a fotossíntese.

Estômatos: Pequenos orifícios na superfície das folhas pelos quais a água transpira e o dióxido de carbono penetra na folha para que ocorra a fotossíntese.

Adaptar: Fazer ajustes de longo prazo nas características, geração após geração, para que uma espécie possa sobreviver e ter melhor desempenho em seu habitat.

Aclimatar: Fazer ajustes de curto prazo para que um organismo simples possa melhor sobreviver e atuar em seu habitat.

Fotossíntese: Fenômeno graças ao qual a luz do sol, a água e o dióxido de carbono são capturados para produzir açúcar, que as plantas usam a fim de obter energia.

Serviços de ecossistema: Os muitos benefícios que os humanos recebem do ambiente natural. Por exemplo, locais naturais fornecem madeira, combustível, regulação do clima, alimentos e espaços para exploração e diversão.
Referências

[1] Johnson, J. C., Urcuyo, J., Moen, C. e Stevens, D. R. II. 2019. “Urban heat island conditions experienced by the Western black widow spider (Latrodectus hesperus): extreme heat slows development but results in behavioral accommodations.” PLoS ONE. 14:e0220153. DOI: 10.1371/journal.pone.0220153.

[2] Meineke, E., Youngsteadt, E., Dunn, R. R. e Frank, S. D. 2016. “Urban warming reduces aboveground carbon storage.” Proc. R. Soc. B Biol. Sci. 283:20161574. DOI: 10.1098/rspb.2016.1574.

[3] Moser, A., Uhl, E., Rötzer, T., Biber, P., Dahlhausen, J., Lefer, B. et al. 2017. “Effects of climate and the urban heat island effect on urban tree growth in Houston.” Open J. For. 7:428–45. DOI: 10.4236/ojf.2017.74026.

[4] Zipper, S.C., Schatz, J., Kucharik, C. J. e Loheide, S. P. II. 2017. “Urban heat island-induced increases in evapotranspirative demand.” Geophys. Res. Lett. 44:873–81. DOI: 10.1002/2016GL072190.
Citação

Kullberg, A. T. e Feeley, K. J. (2023). “Urban heat islands and what they can teach us about climate change.” Front. Young Minds. 11:943515. DOI:10.3389/frym.2023.943515.
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