terça-feira, 17 de junho de 2014

Notícias Geografia Hoje

Energia solar nos Estados Unidos aumenta 400% em quatro anos
Mais da metade da capacidade adicional vem de empresas e residências


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Desde 2010, a capacidade de energia solar dos Estados Unidos aumentou 418%, saltando de 2.326 megawatts, o que representava 0,2% da geração elétrica total do país, para atuais 12.057 MW, ou 1,13% da geração americana, informou a Administração de Informação de Energia.



Por Daniel Cusick e ClimateWire

Impulsionado por um marcante aumento de energia fotovoltaica, o setor americano de energia solar evoluiu de “um contribuinte relativamente modesto na capacidade elétrica total do país para um de significado comparativo”, informou a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês) em seu site Electricity Monthly Update. A notícia foi divulgada em 22 de abril de 2014.

De acordo com a EIA, desde2010, acapacidade de energia solar americana aumentou 418%, de 2.326 megawatts, o que representava 0,2% da geração total de energia elétrica nos Estados Unidos, para atuais 12.057 MW (megawatts), ou 1,13% da geração de energia no país.

Mais da metade dessa capacidade adicional, 5.251 MW, foi instalada por donos de empresas e residências que participam de programas de medição líquida dos serviços que permitem aos proprietários de sistemas solares venderem o excesso de sua capacidade de volta à sua fornecedora de energia a preço de varejo, de acordo com a EIA.

A Califórnia tem a maior medida líquida de capacidade de energia solar, com 38% do total dos Estados Unidos, mas em estados do leste do país, como Massachusetts e Nova Jersey, também foram medidas quantidades significativas de energia solar líquida, informou a agência.

Aplicações de instalações de grande escala, como usinas fotovoltaicas (utility-scale PV, em inglês), definidas como sistemas com uma capacidade de 1 MW ou mais, também se expandiram significativamente e atualmente respondem por 5.564 MW, segundo a EIA. Esses sistemas geralmente são projetados para gerar energia para os chamados mercados atacadistas, em que a eletricidade é gerada por uma companhia de energia que não fornece o produto ao consumidor final e envolve diversos participantes concorrentes.

De acordo com a EIA, a Califórnia é responsável por cerca de 50% de todas as instalações solares PV de grande escala do país, com capacidade de gerar mais de 2.700 MW; seguida pelo Arizona com 960 MW (17%) e a Carolina do Norte com 340 MW (6%).

Embora representem apenas algumas poucas do total de instalações solares americanas, o desenvolvimento de sistemas termossolares em grande escala, usinas que concentram a energia do sol para acionar uma turbina tradicional usando temperaturas muito elevadas também apresentaram um crescimento significativo nos últimos anos.

Só desde 2013, quase 700 MW de capacidade termossolar nova foi disponibilizada com a conclusão de três grandes usinas no sudoeste. Essas instalações incluem a Solana Generating Station perto de Gila Bend, no Arizona, com 280 MW; a chamada Fase 1 do Centro Genesis de Energia Solar perto Blythe, na Califórnia, com 125 MW; e a Estação Ivanpah Solar Electric no deserto de Mojave, também na Califórnia, com outros 377 MW.

De acordo com a EIA, cada um desses três setores solares goza de “fortes perspectivas de crescimento em curto prazo”. Além disso, a agência informou que a partir de abril de 2014 há a proposta de acrescentar outros 6.459 MW que viriam de instalações fotovoltaicas de grande escala que se encontram em fase de desenvolvimento ou planejamento; e mais 1.841 MW de usinas termossolares já propostas.

Este artigo foi reproduzido de Climatewire com permissão da Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net, 202-628-6500
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Exoluas podem confundir sinais de vida em exoplanetas
A presença de oxigênio e metano pode ser insuficiente como bioassinatura de exoplanetas

Divulgação

Caleb A. Scharf

Astrônomos esperam que um dia, em breve, consigamos obter um espectro de luz que possa nos dizer se um exoplaneta do tamanho da Terra abriga vida. Esse espectro poderia ser de luz estelar filtrada pela atmosfera planetária, ou de radiação emitida e refletida. Os dois tipos serviriam para avaliar a composição química de um mundo alienígena.

Há muito tempo a detecção de um desequilíbrio em componentes atmosféricos é considerada evidência de biosferas planetárias. Uma mistura rica de oxigênio e metano em um ambiente quente, por exemplo, não é estável. O metano se oxida com relativa rapidez para formar água e dióxido de carbono. Assim, detectar a presença tanto de oxigênio quanto de metano sugeriria um mecanismo ativo de reabastecimento. A vida (como a conhecemos) representa um candidato excelente para fornecer esses ingredientes.

Até aqui, tudo bem. Encontrar um planeta do tamanho da Terra, preparar nossa melhor tecnologia e procurar uma bioassinatura espectral.

Mas pode haver um problema. É possível que a natureza nos confunda. Em um novo artigo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, Rein, Fujii e Spiegel exploram uma possibilidade inquietante. Eles perguntam o que aconteceria se um exoplaneta com essas características tivesse uma lua considerável, com atmosfera própria, mas ambos não tivessem vida.

Se o exoplaneta do tamanho da Terra tiver uma atmosfera rica em oxigênio (mas nada para reagir com o gás), e a exolua tiver uma atmosfera parecida com a de Titã, rica em metano, nós poderíamos ser levados a acreditar que estamos vendo um único ambiente biológico fora de equilíbrio – um planeta habitado. Isso é um problema porque, gostemos ou não, nossos dados terão fidelidade relativamente baixa.

Será extremamente difícil distinguir entre um espectro planetário oriundo de um ou dois objetos próximos, mas isso é o máximo que nossa tecnologia de curto prazo (ou até longo prazo) vai nos fornecer. Oxigênio e metano representam apenas um exemplo dessa confusão, já que outros pares químicos seriam igualmente afetados.

Qual é a solução? Os autores sugerem dois caminhos simples. Um é que podemos ter sorte e identificar um verdadeiro “gêmeo da Terra” a aproximadamente 30 anos-luz de distância – perto o suficiente para nos dar uma chance de derrotar esse tipo de falso-positivo com medidas cuidadosas. O outro é simplesmente abandonar a busca por gêmeos da Terra. Outros planetas potencialmente habitáveis, como os que orbitam estrelas de pouca massa, as chamadas “super Terras”, poderiam permitir que verificássemos esse tipo de confusão por tornarem medidas espectrais mais fáceis.

É claro que nós não sabemos o quanto esses sistemas “falsos” podem ser comuns, mas quando estamos falando sobre determinar se estamos ou não sozinhos no cosmos, é melhor ter muita, muita certeza do que estamos vendo.
Scientific American Brasil

Escassez de água desafia os negócios

Disponibilidade de água doce ganha destaque entre riscos globais 




NAS
Nos países de cor verde, o uso de água para a produção de bens de exportação ultrapassa o da água “embutida” nos produtos importados (exportação virtual líquida de água). Nos países que vão do amarelo ao vermelho, o contrário é verdadeiro (importação virtual líquida de água). A espessura das setas representa a quantidade comparativa de água comercializada.

A crescente escassez de água doce resultante do aumento da demanda e das mudanças climáticas está sendo considerada cada vez mais um grande risco para a economia global. A conscientização dos consumidores, iniciativas do setor privado, regulamentações governamentais e investimentos direcionados são urgentemente necessários para avançar rumo ao uso sustentável da água.


Recentemente, o Fórum Econômico Mundial listou a escassez de água como um dos três riscos sistêmicos globais mais preocupantes. A avaliação está baseada em uma ampla pesquisa global sobre a percepção de risco entre representantes de empresas, do mundo acadêmico, da sociedade civil, de governos e organizações internacionais1.

A escassez de água doce não se manifesta apenas através de lençóis freáticos minguantes, fluxos fluviais reduzidos, lagos que encolhem e águas altamente poluídas, mas também se reflete no aumento dos custos de abastecimento e tratamento, fornecimentos intermitentes e conflitos por causa de água. No futuro, essa escassez aumentará em virtude de vários fatores: crescimento populacional e econômico; demandas crescentes de produtos de origem animal e biocombustíveis; e mudanças climáticas2.

Melhorias na eficiência do uso da água podem desacelerar o aumento de sua demanda, mas particularmente na agricultura irrigada elas provavelmente serão contrabalançadas por um aumento da produção. Da mesma forma, embora o armazenamento de água e a infraestrutura de transferência melhorem a disponibilidade, eles também permitem o contínuo crescimento da demanda. A mudança climática provavelmente intensificará a magnitude e frequência de secas e enchentes.

O esperado aumento na variabilidade climática agravará o problema da escassez em períodos de estiagem, reduzindo a disponibilidade de água e aumentando a demanda devido a temperaturas mais altas e a necessidade de compensar a ausência de chuvas3. Mas o setor privado está se conscientizando do problema da escassez de água doce.

O risco da água

A escassez e poluição da água constituem um risco físico para empresas ao afetarem suas operações e canais de abastecimento4. Elas também enfrentam a ameaça de regulamentos mais rigorosos. Mas que formas essas normas poderão ter — por exemplo, preços mais altos da água, cotas reduzidas, licenças de emissão mais severas ou a adoção mandatória de tecnologias para economizar água — ainda não está claro.

Além disso, marcas enfrentam um risco de reputação, porque o público e a mídia estão se conscientizando cada vez mais de que muitas empresas contribuem para o uso insustentável da água5. Mesmo empresas que operam em regiões onde há fartura de água podem ser vulneráveis à escassez, porque as cadeias de abastecimento/distribuição da maioria delas se estendem ao redor do mundo. Estima-se que 22% do consumo global de água e sua poluição estejam ligados à produção de bens de exportação6.

Países como os Estados Unidos, Brasil, Argentina, Austrália, Índia e China são grandes exportadores virtuais de água, porque eles usam intensivamente recursos hídricos nacionais para produzir commodities de exportação (ver o mapa). Comparativamente, nos países da Europa, do Norte da África, Oriente Médio, México e Japão, predomina uma importação virtual de água; ou seja, eles dependem de bens de importação produzidos com recursos hídricos de outros lugares. O uso de água “embutido” nesses produtos muitas vezes não é sustentável, porque muitas regiões exportadoras superexploram seus recursos.

Muitas empresas, especialmente multinacionais, já começaram a avaliar seus riscos de água e no futuro próximo podemos esperar que um número crescente delas desenvolva estratégias de respostas. Na melhor das hipóteses, porém, isso só aliviará parcialmente o problema da escassez.

Uma perspectiva crítica é que o engajamento corporativo na questão da água é uma tentativa cínica das empresas para estender seu controle sobre esse recurso ou apenas um esforço para manter uma imagem favorável de marca7. Um panorama mais otimista é que cada vez mais empresas estão genuinamente preocupadas com a crescente escassez de água e estão procurando estratégias mitigantes; ainda assim, é improvável que economias mudem estruturalmente sem regulamentações governamentais.

A razão para isso é que a água é um bem público, vulnerável ao comportamento oportunista, e tanto sua escassez como sua poluição permanecem sem etiquetas de preço. Em muitos países o uso da água é subsidiado, seja através de investimentos governamentais diretos em infraestruturas de abastecimento ou indiretamente através de subsídios agrícolas, promoção de culturas para gerar bioenergia ou subsídios de energia fóssil para bombear água.

Gerenciamento de água

Administrar o risco de água geralmente é confundido com uma boa gestão da água. O primeiro pode contribuir para o segundo, mas o gerenciamento implica em mais que apenas administrar o risco de água. Ele inclui avaliação da sustentabilidade de seu uso em toda a cadeia de valores, formulação do consumo e metas de redução da poluição para as operações da empresa e sua cadeia de abastecimento, implementação de um plano para atingir essas metas e fornecimento adequado de informações sobre tudo isso.

Em reservatórios de coleta prioritários, é preciso adotar o exercício da ação coletiva e o engajamento da comunidade8,9,10. Grandes bacias fluviais prioritárias são, por exemplo, as dos rios Colorado e San Antonio, na América do Norte; o lago Chade e as bacias dos rios Limpopo e Orange, na África; as bacias dos rios Jordão, Tigre, Eufrates, Indo, Ganges, Krishna, Cauvery, Tarim, Amarelo e Yongding na Ásia e no Oriente Médio; e a bacia Murray-Darling na Austrália11.

Para a maioria das empresas rumar para uma cadeia de abastecimento sustentável é um desafio muito maior que adotar estratégias ecologicamente corretas em suas próprias operações, porque a pegada hídrica da cadeia de produção muitas vezes é até 100 vezes maior que a pegada operacional, podendo ser influenciada apenas indiretamente.

Metas comuns de redução na indústria de bebidas, como passar de 2 para 1,5 litro de consumo de água na fábrica de envasamento por litro de bebida, têm pouco efeito em larga escala, porque a pegada hídrica da cadeia de produção da maioria das bebidas é da ordem de 100 litros de água por litro de bebida, ou até mais12.

Empresas deveriam se esforçar para alcançar uma pegada hídrica zero em operações industriais, o que é viável através da eliminação das perdas por evaporação, da reciclagem completa da água e da recuperação dos produtos químicos e do calor de fluxos de água utilizada.

O problema não é o uso da água, mas o fato de que ela não ser totalmente devolvida ao meio ambiente ou não ser devolvida limpa. A pegada hídrica mede exatamente isso: o uso consumista e o volume de água poluída.

Como as últimas etapas rumo a uma pegada hídrica zero podem exigir mais energia, o desafio será encontrar um equilíbrio entre a redução das pegadas hídrica e de carbono. Além disso, empresas deveriam fixar metas de redução das pegadas hídricas de suas cadeias de abastecimento, especialmente em áreas de grande escassez e em casos de baixa produtividade de água.

Na agricultura e na mineração, alcançar uma pegada hídrica zero geralmente será impossível, mas em muitos casos o consumo e a poluição de água por unidade de produção poderiam ser fácil e substancialmente reduzidos13.

Informação e transparência

O crescente interesse em como empresas se associam ao uso insustentável da água exige maior transparência quanto ao seu consumo e poluição. Essa abertura é necessária em níveis diferentes: o da empresa, do produto e da instalação.

Impulsionadas por organizações ambientais e pela comunidade de investimentos, as empresas estão sendo cada vez mais pressionadas a revelar dados relevantes sobre como elas se relacionam com os riscos hídricos14.

Ao mesmo tempo, há uma crescente demanda por transparência sobre os produtos através de rótulos e certificados. Apesar da existência de uma infinidade de selos ligados à sustentabilidade ambiental, nenhum deles inclui critérios sobre a utilização sustentável de água.

Por fim, existe um movimento para desenvolver sistemas de princípios e certificados para um local sustentável ou o gerenciamento de uma instalação, como as iniciativas da Parceria Hídrica Europeia e da Aliança para Administração de Água (AWS, na sigla em inglês). Mas, apesar do progresso na conscientização, até agora praticamente nenhuma empresa do mundo fornece informações sobre o consumo e a poluição de água em sua cadeia de abastecimento, nem revela dados sobre a sustentabilidade da pegada hídrica de seus produtos. 

Existe muita confusão sobre o que precisa ser medido e informado.

Tradicionalmente, as empresas têm se concentrado no monitoramento das retiradas brutas de água e no cumprimento dos padrões legais. No entanto, a retirada líquida (a parte da retirada bruta que não retorna ao local de onde foi tirada, muitas vezes denominada “uso consumista de água” ou “pegada de água azul”) é mais relevante que a retirada bruta.

Além disso, atender aos padrões de qualidade de águas residuais não basta para descartar a contribuição da empresa para a poluição da água. Quanto aos padrões de terminologia e cálculos, a Water Footprint Network, uma rede global de universidades, organizações não-governamentais, empresas, investidores e organizações internacionais, desenvolveu o padrão da pegada hídrica global15.

A Organização Internacional de Padronização (ISO, na sigla em inglês) está desenvolvendo um padrão de relatórios com base na avaliação do ciclo de vida16. Os dois critérios enfatizam a necessidade de incorporar a variabilidade temporal e espacial em pegadas hídricas e a necessidade de considerá-las no contexto da escassez e produtividade local da água.

Na prática, as empresas enfrentam um desafio enorme em rastrear sua cadeia de abastecimento. Empresas do setor de vestuário, por exemplo, geralmente têm pouca noção de onde seu algodão é cultivado ou processado, mas as duas atividades são notórias consumidoras e poluidoras de água. É difícil ver um progresso rápido no campo das informações sobre a cadeia de abastecimento se os governos não forçarem as empresas a fazer isso.

Alocação de água

Apesar dos esforços positivos empreendidos por várias empresas, é improvável que o setor empresarial como um todo se autorregule o suficiente por conta própria. Há uma necessidade urgente de regulamentação governamental e cooperação internacional.

Governos deveriam desenvolver limites mensais de pegadas hídricas para todas as bacias fluviais do mundo a fim de garantir o uso sustentável da água dentro de cada uma dessas áreas12. Um limite de pegada hídrica determina um volume máximo de água que pode ser destinado para diferentes fins competitivos, respondendo pela necessidade de água ambiental e variabilidade climática. Esse limite também estabelece a poluição máxima de água, dada a capacidade de assimilação da bacia. Em algumas delas esses limites provavelmente serão reduzidos com o tempo se a mudança climática acarretar uma diminuição da disponibilidade de água.

O volume total destinado a usuários específicos por meio de licenças hídricas deveriam permanecer abaixo do nível máximo sustentável. Além disso, ao concederem certas licenças, os governos deveriam levar em conta o que significa uso razoável de água.

Precisamos estabelecer padrões de medição de pegadas hídricas para produtos intensivos em água, como alimentos e bebidas, algodão, flores e biocombustíveis.

O padrão de referência para um produto dependerá do consumo máximo razoável de água em cada etapa de sua linha de produção, com base na melhor tecnologia e prática disponíveis. Desse modo, produtores que utilizam água, governos que alocam cotas de água e fabricantes, varejistas e consumidores finais na extremidade inferior da cadeia de abastecimento compartilham informações sobre o que são “pegadas hídricas razoáveis” para várias etapas do processo de produção e os produtos finais. Por último, os usuários deveriam pagar por sua poluição e desperdício de água, com um preço diferenciado no tempo e no espaço baseado na vulnerabilidade e escassez da água.

Futuros desenvolvimentos

A tecnologia necessária para utilizar os recursos hídricos de forma mais eficiente está disponível e os custos envolvidos não são proibitivos na macroescala. Um estudo17 estimou que até 2030 o investimento de capital incremental global necessário para fechar a lacuna da disponibilidade de recursos hídricos seria inferior a 0,1% do atual produto bruto mundial.

O desafio é criar incentivos para os investimentos necessários, particularmente para aumentar o rendimento de culturas alimentadas por chuvas e a produtividade da água na agricultura irrigada.

A combinação de desafios e o aprimoramento da eco-eficiência deverão definir limites para o contínuo aumento da demanda de água para produzir carne e biocombustíveis, e se adaptar aos padrões mutantes de escassez de água.

Outro estudo18 constatou que mudanças induzidas pelo clima na evaporação, precipitação e no escoamento superficial resultarão em um aumento de 40% no número de pessoas que vivem em condições de absoluta escassez de água (com uma disponibilidade inferior a 500 mano-1).

Regiões pobres em água, como o oeste dos Estados Unidos, o noroeste da Índia, norte da China e sudeste da Austrália, ainda aplicam grandes volumes de água para produzir commodities de exportação, enquanto o norte da Europa, rico em água, importa muitos bens de consumo intensivos em água6.

Padrões variáveis de disponibilidade de água influenciarão os futuros modelos espaciais de produção e comércio de alimentos, rações animais e biocombustíveis, e criarão novas dependências geográficas de recursos hídricos.

Biografia do autor

Arjen Y. Hoekstra é professor de gerenciamento de água no Centro Hídrico de Twente, Universidade de Twente, Caixa Postal 217, 7500 AE Enschede, Holanda. *e-mail: a.y.hoekstra at utwente.nl

Este artigo foi reproduzido com permissão da Nature Climate Change. Ele foi publicado originalmente em 25 de abril de 2014.

REFERÊNCIAS

1. WEF Global Risks 2014 (World Economic Forum, 2014).

2. Ercin, A. E. & Hoekstra, A. Y. Environ. Int. 64, 71–82 (2014).

3. Haddeland, I. et al. Proc. Natl Acad. Sci. USA 111, 3251–3256 (2014).

4. Orr, S. et al. Assessing Water Risk: A Practical Approach for Financial Institutions (WWF & DEG KFW Bankengruppe, 2011).

5. Kelly, P. Nature Clim. Change 4, xxx–yyy (2014).

6. Hoekstra, A. Y. & Mekonnen, M. M. Proc. Natl Acad. Sci. USA 109, 3232−3237 (2012).

7. Hepworth, N. Water Alternatives 5, 543–562 (2012).

8. Sarni, W. Corporate Water Strategies (Earthscan, 2011).

9. Simpson, P. Nature Clim. Change 4, xxx–yyy (2014).

10. Wales, A. Nature Clim. Change 4, xxx–yyy (2014).

11. Hoekstra, A. Y., Mekonnen, M. M., Chapagain, A. K., Mathews, R. E. & Richter, B. D. PLoS ONE 7, e32688 (2012).

12. Hoekstra, A. Y. The Water Footprint of Modern Consumer Society (Routledge, 2013).

13. Brauman, K. A., Siebert, S. & Foley, J. A. Environ. Res. Lett. 8, 024030 (2013).

14. CDP Global Water Report 2013: A Need for a Step Change in Water Risk Management (CDP, 2013).

15. Hoekstra, A. Y., Chapagain, A. K., Aldaya, M. M. & Mekonnen, M. M. The Water Footprint Assessment Manual: Setting the Global Standard (Earthscan, 2011).

16. Draft International Standard ISO/DIS 14046.2: Environmental Management – Water Footprint – Principles, Requirements and Guidelines (International Organization for Standardization, 2013).

17. Addams, L., Boccaletti, G., Kerlin, M. & Stuchtey, M. Charting our Water Future: Economic Frameworks to Inform Decision-Making (2030 Water Resources Group, 2009).

18. Schewe, J. Proc. Natl Acad. Sci. USA 111, 3245–3250 (2014).
Scientific American Brasil

Apetite chinês por carne agrava a poluição

Crescimento da criação de animais para consumo aumenta de emissão de gases de efeito estufa

Grigvovan/Shutterstock

Gases de efeito estufa são gerados em cada etapa da produção de animais. Seus resíduos e processo digestivo emitem metano que, de acordo com cientistas, pode aquecer o planeta 34 vezes mais rápido que o dióxido de carbono em um período de 100 anos. Dejetos animais também emitem outro tipo de gás de efeito estufa chamado óxido nitroso, que é quase 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono.


Em um apartamento no 27º andar de um arranha-céu na cidade de Chongqing, no sudoeste da China, Zhan Li, de 43 anos, está preparando o almoço para sua família. Ela já cozinhou peixe no vapor, fritou costelinhas de porco, e tirou uma panela borbulhante de sopa de pato do fogão a gás.

“Quando eu era criança, costumava comer carne uma ou duas vezes por mês”, comentou enquanto acendia o fogo para fazer o próximo prato. “Agora preparo carne todos os dias, tentando recuperar tudo o que perdi anos atrás”, acrescentou.

Zhan é uma de muitos chineses que colocam cada vez mais carne em suas mesas de jantar. Eles fazem isso por razões nutritivas, mas especialistas temem que a mudança resulte em dificuldades maiores em outra frente: na batalha da China contra o aquecimento global.

Gases de efeito estufa são gerados em cada etapa da produção de animais de fazenda (inclusive aves). Seus dejetos e processos digestivos emitem metano que, de acordo com cientistas, pode aquecer o planeta 34 vezes mais rápido que o dióxido de carbono (CO2) em um período de 100 anos. Resíduos animais também emitem outro tipo de gás de efeito estufa, chamado óxido nitroso (N2O), [com efeito estufa] quase 300 vezes mais potente que dióxido de carbono.

De acordo com estatísticas do governo, a produção animal na China contribuiu com mais da metade das emissões de gases de efeito estufa em suas atividades agrícolas, liberando o equivalente a 445 milhões de toneladas de CO2 em 2005, ano dos últimos dados disponíveis.

Essa avaliação só leva em conta emissões diretas. Se considerarmos ainda o CO2 gerado pelo uso de combustíveis fósseis em instalações que criam e processam animais para produzir alimentos e as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção de rações e ao transporte de carne, o impacto climático geral do setor seria bem maior.

Especialistas chineses ainda estão tentando determinar a dimensão desse impacto, mas eles sabem que ele será considerável. De acordo com um relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) as emissões resultantes da criação global de animais respondem por 14,5% do total de gases de efeito estufa produzidos pelo homem na atmosfera. Isso significa que elas desempenham um papel mais relevante nas mudanças climáticas que todos os carros do mundo juntos. A China, responsável pela produção de 50% da carne suína, 20% da carne de aves e 10% da carne bovina do mundo, lidera o grupo dos grandes poluidores em termos de emissões de gases de efeito estufa associadas à criação de animais.

Uma nação muda de hábitos

Essas emissões devem aumentar porque o apetite da China por carne está disparando. Estatísticas da FAO mostram que o consumo anual de carne no país quadruplicou para 59,5 kg por pessoa entre 1985 e 2005, e especialistas esperam que a tendência continue, impulsionada pelo aumento da renda dos consumidores e pelo desejo de um estilo de vida mais rico em proteínas.

Paralelamente, o tipo de carne preferido pelos chineses também está mudando. Historicamente, a carne suína teve um papel central na gastronomia e cultura da nação: os caracteres da escrita chinesa (ideograma) para “lar” mostram até um porco embaixo de um telhado. No entanto, um recente estudo do grupo Rabobank, um líder global em alimentos e financiamentos agrícolas, com sede na Holanda, constatou que no consumo total de carne na China a de porco caiu de 80% em 1985 para 65% em 2011, ao mesmo tempo houve um aumento na demanda das carnes de boi, carneiro e aves.

Embora ainda seja necessária uma análise quantitativa, a mudança de dieta tem o potencial de anular as medidas de atenuação climática da China, alertou Pan Genxing, diretor do Centro de Agricultura e Mudança Climática da Universidade Agrícola de Nanjing. Isso porque a criação de bovinos é um processo mais intensivo em termos de recursos que a criação de suínos, explicou Pan. Atualmente, sua equipe está conduzindo um estudo que compara as pegadas de carbono dos diferentes tipos de produção de carne — o primeiro do gênero no país.

Alguns podem argumentar que cidadãos chineses só querem desfrutar uma dieta que ocidentais consideram normal e natural há anos. Por enquanto, cada americano ainda consome, em média, duas vezes mais carne que cada pessoa na China. Mas como pesquisadores do “think tank” (um “laboratório de ideias”) Brighter Green, com sede em Nova York, explicaram em seu relatório de 2011, “Dado que quase uma em cada cinco pessoas no mundo é chinesa, mesmo pequenos aumentos no consumo individual de carne ou laticínios terão amplos impactos coletivos ambientais e climáticos”.

Também existe a preocupação de que o crescente consumo de carne bovina na China não aumentará apenas suas próprias emissões de gases de efeito estufa, mas também as de outros lugares.

Nos últimos anos, Pequim assinou acordos multibilionários para comprar, em todo o mundo, safras agrícolas destinadas ao consumo animal (como ração ou forragem). Se os cidadãos chineses quiserem consumir mais carne bovina, ela provavelmente também terá de ser importada em vista dos limitados recursos de terras disponíveis para pastagens, argumentou Mia MacDonald, diretora-executiva da Brighter Green.

Como até agora auditorias sobre o comércio internacional e as emissões vinculadas a ele são praticamente inexistentes, países como o Brasil e o Paraguai correm o risco de serem acusados de gerar enormes quantidades de gases de efeito estufa, mesmo que uma parte deles esteja associada à produção de culturas forrageiras e produtos de origem animal para clientes chineses, alertou MacDonald.

Ela acrescentou que a situação é semelhante à que já está ocorrendo entre a China e países ocidentais, que primeiro terceirizaram sua poluição climática para a China ao transferirem suas fábricas para lá — e depois culparam o país por acelerar o aquecimento global.

Gás de efeito estufa subestimado

Ainda assim, emissões relacionadas à criação de animais e outras questões associadas não estão no centro das atenções de negociações internacionais sobre o clima; em parte devido à dificuldade de medi-las com precisão, salientou MacDonald. O resultado, segundo ela, é uma falta de consciência sobre o assunto entre os formuladores globais de políticas e a China dificilmente seria uma exceção.

“Quando fui convidada por acadêmicos chineses para visitar Xangai e Pequim em 2010, meus colegas e eu demos palestras sobre emissões resultantes da criação e industrialização de produtos animais. Algumas pessoas do governo participaram das reuniões. Nossas palestras foram bem recebidas por autoridades chinesas, mas elas ficaram surpresas”, lembrou MacDonald. “Minha impressão é que isso não era muito bem conhecido na China”.

Três anos depois, as coisas não parecem ter mudado muito. Embora o governo chinês tenha anunciado metas ambiciosas para reduzir as emissões e tenha destinado bilhões de dólares anualmente para promover tecnologias de baixo carbono, setores industriais intensivos em consumo energético, como a geração de energia elétrica e os transportes ainda são o foco principal, explicou Wanqing Zhou, uma associada da Brighter Green que pesquisa a ação climática da China. Acrescentou que políticas detalhadas sobre a produção animal de baixo carbono ainda são “um espaço em branco” no país.

“Pelo que sei a conexão entre consumo de carne e emissão de gases de efeito estufa não se tornou uma linha de pensamento dominante entre formuladores de políticas”, observou Zhou. “É difícil dizer se a inércia se deve a uma falta de interesse. É possível que o governo (chinês) esteja investigando essa questão, enquanto limitações de capacidade e dificuldades administrativas minam a ambição”.

Por fim, um recente telefonema para uma importante organização chinesa lançou alguma luz sobre como membros da indústria pensam sobre suas pegadas de carbono.

“Nós acompanhamos as notícias sobre redução de emissões, mas ninguém na associação está estudando isso”, informou o funcionário que atendeu ao telefone no escritório da Associação de Agricultura Animal da China, em Pequim. “A associação representa as necessidades da indústria chinesa de animais. Até agora, nenhum dos produtores nos perguntou sobre redução de emissões de gases de efeito estufa”, acrescentou o funcionário.

Comércio de carbono e manejo de resíduos podem ajudar

De fato, embora a China ainda tenha que emitir regulamentos que visem especificamente emissões associadas à criação de animais, a redução de emissões pode ser um subproduto de outras atividades. Para reduzir a poluição, por exemplo, os formuladores de políticas chineses proibiram o descarte direto de dejetos animais, uma importante fonte de metano e óxido nitroso.

Eles também incentivaram os criadores a aproveitar o comércio internacional de carbono. A gigante avícola do país Shandong Minhe Animal Husbandry Co. Ltd., por exemplo, construiu usinas de biogás alimentadas a esterco de galinha, que produzem energia limpa enquanto acumulam créditos de carbono que valem milhões de dólares.

Mas como os atuais preços do carbono alcançaram uma baixa histórica e o progresso nas negociações climáticas das Nações Unidas é lento, há grandes dúvidas sobre se os produtores de animais chineses continuarão desenvolvendo projetos de redução de emissões em troca de créditos de carbono.

Enquanto a China aumentou sua própria assistência financeira, alguns especialistas questionam se a indústria de animais (pecuária e outras) do país, dominada por pequenos produtores, será capaz de gerar resíduos suficientes para sustentar a operação econômica de uma usina de biogás.

Dong Renjie, um especialista em manejo de resíduos na Universidade Agrícola da China em Pequim, admitiu que o desafio é persuadir os produtores a tratar e reutilizar os dejetos de seus animais. Mas ele insistiu que o governo está trabalhando duro para alcançar uma mudança positiva.

“No ano passado, o Ministério de Proteção Ambiental da China emitiu uma nova regulamentação, que permite subsidiar a prática de transformar resíduos animais em fertilizantes orgânicos”, informou Dong. “O governo também está acompanhando de perto os países que tiveram sucesso em promover a tecnologia de biogás. Acredito que em breve desenvolveremos políticas mais práticas e popularizaremos o uso do biogás à base de esterco”.

Cientistas chineses também procuram ajudar. Uma equipe da província de Anhui, na região central da China, já desenvolveu uma nova linhagem de gado que emite 60% menos metano por quilo de carne produzida em comparação com a variedade original da região. Além disso, há esforços de pesquisa em andamento para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao alimentar os animais com rações de melhor qualidade 

Será que consumidores chineses também se envolverão na redução de emissões associadas à criação de animais, adotando táticas como “segundas-feiras sem carne”? Zhan, que estava preparando a refeição com peixe, carne de porco e sopa de pato para sua família, pareceu surpresa com a pergunta. “Não creio que estejamos consumindo carne demais”, respondeu ela enquanto continuou trabalhando em sua cozinha.

Reproduzido de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net, 202-628-6500
Scientific American Brasil

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Lixo Eletrônico - Problema do tamanho do mundo


Restos de computadores: a liderança do Brasil entre os emergentes / Foto: Marcos Santos/USP Imagens

REGINA ABREU

Com a Copa do Mundo, as pessoas correm para comprar uma televisão dessas bem sofisticadas (mesmo que seja em 58 prestações) e colocam a velha no quarto – a que estava no quarto vai para o quartinho de bagunça, junto com uma porção de coisas sem serventia. Nas gavetas, guardam uma infinidade de carregadores e celulares fora de uso e fora de moda. Afinal, ninguém quer ser excluído da última tecnologia, nem negar ao filho o pedido de um tablet ou de um iPhone: a nova classe média está ávida por consumir e ter acesso ao conforto da vida moderna. Um belo dia se joga fora o que não serve mais. E assim vai crescendo o lixo eletrônico, também chamado e-lixo ou lixo tecnológico.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), só no primeiro semestre de 2013 foram vendidos no país 10,4 milhões de unidades de computadores desktop, notebook e tablet. Como, em geral, quem compra um equipamento se desfaz de outro, o Brasil acabou se convertendo em um dos campeões mundiais na geração de lixo eletrônico de informática. E assim, de descarte em descarte, o volume desse entulho cresce a olhos vistos, e abrange também tudo o que funciona a eletricidade, pilha ou bateria, e que perdeu utilidade. O Brasil pôs no mercado em 2012, 2 milhões de toneladas de equipamentos elétricos e gerou, pasmem, 1,4 milhão de toneladas de lixo eletrônico – 7 quilos por habitante. Esse é o tipo de resíduo que mais avança em solo pátrio.

Preocupa o fato de que a maior parte das pessoas ainda não sabe como reutilizar e reciclar esses apetrechos e não se incomoda com o destino dado a eles. Os brasileiros – assim como os povos das nações desenvolvidas ou em desenvolvimento – preferem se atualizar sobre as novidades do mercado e, sempre que possível, trocar seus eletroeletrônicos antigos por novos. Poucos, porém, se interessam em descobrir como usar de meios sustentáveis para dar um fim correto aos equipamentos obsoletos. Resultado: todos os dias, toneladas de lixo eletrônico são descartadas de forma indevida em lixões e aterros sanitários.

Além dos imensos prejuízos ao meio ambiente, é toda uma riqueza que está sendo jogada fora porque a reciclagem é muito vantajosa: de acordo com o relatório “From Waste to Resources”, do Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês), 1 tonelada de celulares sem baterias rende 3,5 quilos de prata, 340 gramas de ouro, 140 gramas de paládio e 130 quilos de cobre.

Então a culpa é do consumidor final? Em parte é, mas não podemos colocar tudo em suas costas. Tanto que a maratona experimentada pelos bens de consumo eletrônicos (percurso que tem início na indústria e segue para distribuidores, varejistas e, finalmente, consumidores finais) será regida pela logística reversa. Para ser mais explícito, é a responsabilidade compartilhada prevista pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Trocando em miúdos: a partir deste ano, fabricantes, importadores, distribuidores, serviços públicos de limpeza urbana e consumidores ficarão responsáveis pelos equipamentos eletrônicos em todo o seu ciclo de vida – inclusive quando eles não forem mais úteis.

No Brasil, ainda estão em curso negociações que, em breve, deverão culminar com regras mais claras, que definirão a participação de cada grupo. Para os especialistas, o bom é que a responsabilidade pela destinação do eletrônico descartado caberá a todas as partes envolvidas no processo e não apenas ao consumidor final. O caminho da logística reversa tem um custo, é claro, e ele deverá recair sobre o preço do produto. Mas, como acredita o professor titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Abramovay, os países que conseguiram transformar o que era lixo em nova riqueza, reduzindo os impactos ambientais e dando-lhe destinação adequada, são aqueles em que o setor privado paga toda a conta, da coleta e do uso correto dos materiais recicláveis. No Brasil, isso já ocorre com baterias automotivas, embalagens de óleos lubrificantes, de agrotóxicos e pneus. São produtos que, durante muitos anos, foram descartados de forma predatória e hoje são encaminhados cada vez mais para a reciclagem.

Desmanches clandestinos

Enquanto isso não acontece com o lixo eletrônico, algumas iniciativas têm se mostrado eficientes para minimizar o problema. Um bom exemplo é o do Centro de Reúso de Resíduos de Informática (Cedir), entidade que integra a Coordenadoria de Tecnologia da Informação (CTI), da Universidade de São Paulo (USP), referência nacional no reaproveitamento de antigos aparelhos de informática e telefonia. A coordenadora geral do Cedir e do Laboratório de Sustentabilidade da mesma escola (Lassu), Tereza Cristina Carvalho, comenta que o Brasil é, na atualidade, o oitavo país que mais utiliza a internet e onde o tempo de uso de um computador dura, em média, de três a quatro anos. Estudos apontam que 98% da população tem aparelho de TV e há 1,33 celular por habitante. Nas classes sociais A e B, o celular costuma ser usado por apenas sete a nove meses; e, no restante da população, esse período se estende para um ano e meio. Por isso, o lixo eletrônico não para de crescer no país.

O Cedir recebe equipamentos de informática (computadores e servidores), de telefonia (celulares e telefones fixos) e eletrodomésticos, de pessoas físicas e da própria USP. São cerca de 12 toneladas por mês, e na desmontagem é feita a separação do plástico, do ferro, do alumínio e das placas, que são enviados a empresas de reciclagem. O projeto do Cedir é separar o lixo e firmar parcerias com recicladores que fazem o reaproveitamento de 98% dos componentes de computadores, impressoras e celulares. Os PCs em boas condições são encaminhados para o atendimento de projetos sociais, e os imprestáveis seguem o caminho do desmonte. O centro tem capacidade para desfazer mil micros por mês. A ideia é que os recicladores paguem o trabalho com a venda do material. Afinal, uma tonelada de placas de circuito impresso pode conter até 200 gramas de ouro. Mas isso não é tudo. Os equipamentos que ainda podem ser consertados são recuperados, passam porupgrade e são repassados pelo sistema de empréstimo à própria USP, a escolas públicas, entidades beneficentes, organizações não governamentais e igrejas, devidamente cadastradas, para projetos de inclusão digital.

Tereza Cristina destaca que a PNRS traz uma importante inovação: a inclusão dos catadores. Por isso, o Cedir já está oferecendo treinamento a esses profissionais. Esse trabalho recebeu vários prêmios, como o Mario Covas, o Iniciativa Verde, o Fecomercio de Sustentabilidade e o Von Martius (Brasil-Alemanha). No galpão do Cedir, na Cidade Universitária, em São Paulo (uma área de 200 metros quadrados), ficam armazenados os equipamentos doados e tudo o que já foi desmontado, em enormes sacos brancos, abarrotados. Alguns deles, movimentados por uma empilhadeira, estão cheios de partes metálicas; outros, de cabos e fios. O material está pronto para ser enviado a empresas de reciclagem de ferro e plástico. Ao lado, em uma sala separada por divisórias, as bancadas estão repletas de equipamentos em trabalho de montagem.

Na desmontagem dos aparelhos de TV, especial cuidado é tomado com um pó acinzentado, que é cuidadosamente guardado em frascos lacrados. Ele é formado por partículas finíssimas, altamente tóxicas, que se espalham no ar assim que o vidro de um tubo de raios catódicos é quebrado para se ter acesso aos componentes de cobre. Como este metal é atraente pelo valor de mercado, tem sido extraído pelos desmanches clandestinos. O resto é abandonado no solo, prática comum nas periferias dos grandes centros urbanos devido à falta de fiscalização e à expansão do mercado de peças e dos equipamentos eletrônicos descartados.

O exemplo da Suécia

As pessoas não sabem, mas os equipamentos eletrônicos contêm muitas substâncias tóxicas. Considerando só alguns componentes comuns em vários tipos de aparelho – por exemplo, os tubos de tevês e monitores; as placas de circuito impresso presentes na maioria dos artigos de informática; as lâmpadas de descarga usadas na iluminação, inclusive dos monitores de LCD; as baterias e os plásticos dos fios e cabos elétricos –, encontramos, ao menos, cinco substâncias nocivas à saúde, como bário, bromado, cádmio, chumbo e mercúrio. Quando esses resíduos são inadequadamente descartados, os contaminantes podem ser liberados e se incorporar ao solo, à água e ao ar. No entanto, muitos componentes eletrônicos podem ser reciclados, aproveitando os minerais presentes e diminuindo a pressão pela atividade de mineração, um ramo econômico com potencial para causar grande dano ao meio ambiente. De acordo com o relatório “From Waste to Resources”, o total de 1,2 bilhão de celulares comercializados no mundo, em 2007, foram empregadas 300 toneladas de prata; 29 de ouro; 11 de paládio e 11 mil de cobre. E as baterias de lítio (20 gramas) colocadas no mercado naquele ano teriam consumido 4.500 toneladas de cobalto.

A Universidade das Nações Unidas, baseada no Japão, estima que em 2017 o lixo eletrônico aumentará 33% em escala global, cravando em 65,4 milhões de toneladas, o equivalente a 200 edifícios do tamanho do Empire State Building, arranha-céu de 102 andares em Nova York, o maior e mais alto dos Estados Unidos. Na Europa, desde 2006, leis colocam limites ao volume de lixo eletrônico: por exemplo, a Alemanha, a nação mais bem-sucedida no campo da reciclagem, reutiliza 30% dos eletroeletrônicos descartados. Não é apenas o país de Angela Merkel que se sobressai nesse campo. Na Suécia a responsabilidade pós-consumo também avança muito: lá, 1.550 fabricantes e importadores fazem o depósito de um valor em uma conta controlada por uma agência pública, não estatal, como garantia financeira para cobrir parte das despesas futuras de coleta e reciclagem dos bens que elas produziram e foram comercializados no mercado. Além disso, ajuda a manter uma rede de 600 centros de reciclagem, 200 estações de coleta para pequenos eletrônicos, baterias e lâmpadas, além de 10 mil recipientes de lixo para baterias espalhados pelo país. Em 2012, informa-se, 147.684 toneladas de equipamentos eletrônicos foram recolhidas e ganharam novo destino, o equivalente a quase 15 quilos por habitante no período.

No Brasil, algumas empresas já coletam seus produtos ao término da vida útil, Claro, Dell, HP, Itautec, Philips e TIM são alguns exemplos. A Philips foi a primeira a fazer isso com eletrodomésticos. Na Itautec, 56% do custo com a reciclagem foi coberto, em 2009, com a venda de materiais usados e de matéria-prima. Quase sempre, cabe ao próprio consumidor levar o aparelho até um posto de recebimento. Assim, um dos desafios é convencê-lo a fazer isso. Dos 500 mil equipamentos vendidos pela Itautec em um ano, só oito pessoas devolveram os eletrônicos fora de uso.

Mas já se estipulam metas, dentro da PNRS, para combater a notória tendência de crescimento do lixo eletrônico. Uma delas obrigará o fabricante, daqui a cinco anos, a garantir que o equivalente a 17% de sua produção tenha destinação correta, devidamente certificada. Além disso, como outros países também estão criando legislação a respeito, as empresas exportadoras terão de se adequar. Como na lei da oferta e da procura quem manda é a procura, estão surgindo empresas especializadas que recolhem e separam o lixo eletrônico e assessoram os fabricantes que planejam se adequar às novidades que vêm por aí. Uma delas é a Lavra – Logística Reversa de Eletroeletrônicos, em São Paulo. A diretora comercial, Salete Pezzo, e a diretora executiva, Catarina Pezzo (mãe e filha), explicam que a companhia, com 12 funcionários e três veículos próprios, oferece serviços em três frentes: 1. pontos públicos de coleta na capital paulista (mercado municipal de Santo Amaro; unidade do Serviço Social do Comércio [Senac], na Avenida Tiradentes; Hospital Ruben Berta, no bairro de Indianópolis, e na sede da Lavra, Vila Socorro); 2. coleta gratuita agendada de quantidades maiores que 20 quilos, exceto de aparelhos de ar condicionado, geladeiras e freezers (nesses casos a coleta é cobrada); e 3. consultoria e assessoria a fabricantes, distribuidores e comerciantes de produtos eletroeletrônicos da Grande São Paulo e da Baixada Santista, para adequação às novas regras da PNRS e sistemas de logística reversa.

Salete esclarece que a coleta gratuita – feita na residência ou na empresa interessada – compreende equipamentos de informática (CPUs, impressoras, monitores, tablets e teclados), eletrodomésticos portáteis (batedeiras, fornos de micro-ondas, liquidificadores), aparelhos de reprodução de som e vídeo e celulares. “A ideia é montar um negócio do futuro”, explica. Ela acredita na responsabilidade compartilhada, sustentando que, após firmado e transformado em lei, o acordo setorial levará os fabricantes a contratarem os serviços da Lavra e de outras empresas do ramo, a fim de cumprirem com suas obrigações. Por isso, detalha Catarina, a Lavra se incumbe, ainda, da instalação e da manutenção de pontos de coleta, da desmontagem e encaminhamento dos produtos às empresas de reciclagem licenciadas a exercer a atividade. Também fornece aos clientes registro e certificação dos volumes coletados e destinados corretamente, ficando, assim, quites com o poder público e aptos a receber os créditos devidos.





Realidade pior que a ficção

Montanhas de aparelhos de ar condicionado, baterias, celulares, componentes, computadores, fios, geladeiras, notebooks, peças diversas, pilhas, secadores de cabelo, tablets e televisores completos e desmontados. Eletrônicos descartados que se desfazem lentamente e introduzem no solo e na água seus minerais venenosos, contaminando tudo. Algumas pessoas, esquálidas e macilentas, escalam o lixo e queimam parte dele para extrair cobre. Assim, envenenam a si e ao ar, um quadro dantesco que cheira a morte. E essa descrição, que nem Aldous Huxley em seu Admirável Mundo Novo ou George Orwell, autor de 1984, puderam imaginar para um futuro que nos espera, é real. O quadro tétrico está dolorosamente presente em algumas nações africanas e no Paquistão, lugares transformados em lixão eletrônico dos países ricos, que se livram dos dejetos jogando-os bem longe de casa. O drama dessa modalidade de entulho, um dos grandes problemas ambientais do nosso tempo, é alimentado pela obsolescência programada, que faz tudo ficar velho antes da hora.

Por isso, nos portos da cidade paquistanesa de Karachi, centro urbano quase do tamanho de São Paulo, cargueiros provenientes de Dubai transportam contêineres com peças velhas e quebradas de computadores. O lixo eletrônico recolhido vem da Arábia Saudita, da Austrália, dos Emirados Árabes, dos Estados Unidos, da Inglaterra, do Japão, do Kuwait e de Singapura. Esse material é revirado por pessoas humildes do bairro karachiano de Sher Shah, onde mais de 20 mil pessoas vivem da reciclagem feita sem cuidados com o ambiente e a saúde. Sher Shah tem o mais alto índice de casos de câncer de pulmão e de problemas respiratórios do Paquistão, por causa da inalação de gases tóxicos emitidos durante o processo de separação das peças. O quilo de metal extraído na reciclagem do lixo eletrônico é comercializado a 120 rúpias paquistanesas, ou US$ 1,40.

Em Gana, na África, o quadro é semelhante. O subúrbio de Agbogbloshie em Acra, a capital do país, é talvez o maior aterro de entulho eletrônico do planeta, sendo por isso mesmo chamado pelos moradores de “Sodoma e Gomorra”, em referência às duas cidades bíblicas próximas ao mar Morto e que teriam sido destruídas por ordem divina devido ao elevado nível de promiscuidade e corrupção de seus povos.

No local, gangues fazem pente fino em drives de computadores, laptops, palmtops, tablets e smartphones provenientes dos Estados Unidos e da Europa, à procura não apenas de material a ser vendido, mas também de informações sigilosas dos antigos proprietários. Os dados, que permanecem em geral intactos no computador, mesmo obsoleto, são usados depois em golpes pela internet.

Apesar de a Convenção de Basileia, na Suíça, em 1989, ter proibido o movimento entre fronteiras de resíduos perigosos (entre os quais o lixo eletrônico), a legislação é driblada por exportadores que nomeiam a carga como doação de equipamentos usados. O relatório ambiental de 2010 da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre lixo tecnológico prevê que, até 2020, o volume de entulhos de computadores abandonados crescerá 500% em países como Índia, China e África do Sul. Não há dados específicos sobre essa prática dos Estados Unidos, mas ativistas do Greenpeace estimam que de 50% a 80% das 400 mil toneladas de eletrônicos colocados para reciclagem nos EUA acabam indo parar em outros países.
Revista Problemas Brasileiros

domingo, 15 de junho de 2014

Notícias Geografia Hoje

Erosão é mais perigosa às cidades costeiras do que a elevação do mar, diz estudo

Solo está cedendo dez vezes mais rápido do que o aumento no nível da água em alguns países, como o Japão, sugere pesquisa




A erosão do solo é uma ameaça mais imediata para as cidades costeiras do mundo do que a elevação do nível do mar, segundo cientistas.

Reuters
Erosão do solo gera inundações mais graves em cidades costeiras como Bangkok, na Tailândia


Em algumas partes do globo, o solo está cedendo dez vezes mais rápido que a elevação do nível da água. As causas geralmente estão relacionadas a intervenções humanas na natureza.

Décadas de extração de água fizeram, por exemplo, o solo da cidade de Tóquio ceder dois metros antes da prática ser abolida. Discursando na Assembleia geral do Sindicato Europeu de Geociência, pesquisadores disseram que outras cidades devem seguir o exemplo japonês.

Abaixo do nível do mar

Gilles Erkens, do Instituto de Pesquisas Deltares (IPD), em Utrecht, na Holanda disse que partes de Jakarta, na Indonésia, Ho Chi Minh, no Vietnã, Bangcoc, na Tailândia, e uma série de outras cidades costeiras podem chegar a patamares abaixo do nível do mar ao menos que medidas sejam tomadas.

"A erosão do solo e a elevação do nível do mar estão ocorrendo ao mesmo tempo e contribuindo para um problema em comum: inundações cada vez mais graves", disse Erkens à BBC.

O grupo de cientistas do IPD analisou as soluções criadas por essas cidades para o problema e identificou as melhores iniciativas,Clique publicadas em um relatório.

"A melhor solução é também a mais rigorosa: parar de extrair água potável do subsolo. Mas, é claro, estas cidades precisarão de novas fontes de água potável. Tóquio fez isso, e a erosão praticamente parou. Veneza, na Itália, também fez isso."

Extração de água

A cidade italiana registrou uma intensa erosão no último século por causa da constante extração de água do subsolo. Quando isso parou, a erosão foi interrompida, segundo análises feitas nos anos 2000.

Clique Um estudo do pesquisador Pietro Teatini, da Universidade de Padova, mostrou que a erosão agora está restrita a certas áreas e associada a determinadas práticas.

"Quando um edifício é reformado, seu peso aumenta. Isso pode fazer o solo ceder até cinco milímetros por ano", afirma Teatini.

A intensidade da erosão depende de quão compacto é o solo abaixo dos edifícios, de acordo com a pesquisa.

Erosão natural

Como todas as cidades Veneza ainda tem que lidar com a erosão natural do solo. Processos geológico fazem o solo da cidade ceder cerca de um milímetro por ano. Mas, de forma geral, o impacto gerado por intervenções humanas é maior do que a erosão natural.

Agora, cientistas têm uma ferramenta poderosa para analisar essa questão. Um equipamento conhecido como Interferometric Synthetic Aperture Radar sobrepõe imagens de satélite captadas ao longo do tempo para identificar as deformações do solo. O banco de imagens tem registros feitos a partir dos anos 1990.

Enquanto isso, a Agência Espacial Européia acaba de lançar um novo satélite para ajudar neste tipo de estudo.
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Notícias Geografia Hoje

Cidades indianas são as mais poluídas do mundo, diz pesquisa da OMS

Pesquisa mediu o ar em 1.600 cidades; entre as menos poluídas estão Vancouver, Canadá, e Hafnarfjordur, que fica na Islândia



Um trabalho da Organização Mundial de Saúde (OMS) para medir a poluição em cidades ao redor do mundo descobriu que Nova Déli possui o ar mais sujo, enquanto as medições de Pequim têm dados conflitantes.
AP

Menino brinca com sucata em meio a escombros após incêndio em uma favela em Ghaziabad, periferia de Nova Déli, Índia (18/04)


O estudo de 1.600 cidades descobriu que a poluição do ar piorou desde que uma pesquisa menor, em 2011, especialmente nos países mais pobres, mostrou que os habitantes das cidades estão expostos a maiores riscos de câncer, acidente vascular cerebral e doenças cardíacas.

A poluição do ar matou cerca de 7 milhões de pessoas em 2012, tornando-se o maior risco ambiental à saúde no mundo, afirmou a OMS no mês passado.

Treze das 20 cidades mais sujas são indianas, com Nova Déli, Patna, Gwalior e Raipur nos quatro primeiros lugares. A capital indiana teve uma média anual de 153 microgramas de partículas pequenas, conhecidas como PM2.5, por metro cúbico. Pequim ficou em 77º lugar com uma leitura de 56 PM2.5, pouco mais de um terço do nível de poluição de Déli.

Especialistas da OMS disseram que os dados chineses são de 2010, o ano mais recente disponibilizado para a análise pela China. Mas o governo da cidade de Pequim começou a publicar dados de PM2.5 por hora em janeiro de 2012.

Um ano após ter começado a publicação de dados, Pequim registrou a pior qualidade da história, segundo o Greenpeace, com uma leitura de PM2.5 tão elevada que chegou a 900 em uma ocasião.

O governo de Pequim disse no mês passado que as concentrações de PM2.5 tiveram uma média diária de 89,5 microgramas por metro cúbico em 2013, 156% maior do que os padrões nacionais. A leitura coloca Pequim no 17º lugar no ranking da OMS.

De outro lado, 32 cidades registraram um nível PM2.5 inferior a 5. Três quartos dessas cidades são canadenses, incluindo Vancouver, uma outra é Hafnarfjordur, na Islândia ,e outras sete são norte-americanas.

Epecialistas da OMS insistem que a pesquisa não tem a intenção de identificar e envergonhar as cidades mais poluídas, já que as cidades envolvidas enviaram informações voluntariamente.

Maria Neira, diretora da OMS para Saúde Pública, Ambiental e Determinantes Sociais da Saúde, disse que o objetivo é "desafiar" as cidades. Ela acredita que a pesquisa irá ajudá-las a tornarem-se mais transparentes sobre a poluição do ar.

A diretora da OMS rejeitou qualquer sugestão de que a China possa estar manipulando os dados e disse que o país está se tornando muito mais sofisticado sobre a coleta de dados de poluição do ar, com um novo impulso para limpar as grandes cidades.

"Estamos debatendo com a China, colocando na mesa a questão da poluição do ar. Nossa diretora-geral (Margaret Chan) foi recentemente lá e ela declarou que a China é um dos países com maiores problemas com a poluição do ar. Vamos continuar as discussões sobre isso para garantir que medidas relevantes sejam tomadas para reduzir a poluição do ar."
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Aquecimento global danifica corais vitais para pequenos países-ilha, diz ONU

Em algumas ilhas do Pacífico, o aumento no nível do mar foi até quatro vezes maior do que a média mundial, segundo o Pnuma



O aquecimento global está causando trilhões de dólares em danos aos recifes de coral, agravando os riscos para os pequenos países insulares tropicais ameaçados pela elevação do nível do mar, afirma um relatório da ONU.

Para algumas ilhas do Pacífico Ocidental, o aumento do nível do mar foi quatro vezes maior que a média mundial, com elevação de 1,2 centímetro por ano de 1993 a 2012 devido a mudanças nos ventos e correntes, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.

O estudo, divulgado para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente das Nações Unidas, em 5 de junho, assinala que o aquecimento das águas do Oceano Índico para o Caribe estava danificando recifes, matando os animais minúsculos que formam os corais.

"Estas 52 nações, lar de mais de 62 milhões de pessoas, emitem menos de 1 por cento dos gases de efeito estufa globais, mas elas sofrem desproporcionalmente com as mudanças climáticas que as emissões globais causam", disse Achim Steiner, o diretor-executivo do Pnuma.

"Algumas ilhas podem se tornar inabitáveis e outras enfrentam a perda potencial da totalidade de seus territórios", disse o estudo.

A perda dos corais está trazendo um prejuízo de trilhões de dólares por ano dos serviços proporcionados pela natureza, geralmente considerados gratuitos. Os corais são berçários para muitos tipos de peixes, eles ajudam a proteger as costas de tempestades e tsunamis e também atraem turistas.

Ecossistemas

Um estudo no mês passado estimou que cada hectare dos recifes de coral do mundo presta serviços no valor de 350.000 dólares por ano. Uma perda de 34 milhões de hectares de corais desde o final da década de 1990 representa 11,9 trilhões de dólares por ano.

"Os corais provavelmente são os ecossistemas mais ameaçados do planeta", disse à Reuters Robert Costanza, da Universidade Nacional Australiana e principal autor do estudo.

O painel de cientistas do clima da ONU disse em março que havia sinais de alerta de que os corais de águas quentes já estavam experimentando mudanças "irreversíveis".

"Enfrentar a mudança climática é absolutamente vital para a sobrevivência dos pequenos países insulares ", disse Christiana Figueres, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, em entrevista coletiva.

O relatório também aponta que as pequenas ilhas poderiam aproveitar a abundante energia solar ou eólica para ajudar a reduzir a conta de importação de combustível, muitas vezes entre 5 e 20 por cento do produto interno bruto.

"Estamos fazendo o que podemos", disse o ministro do Meio Ambiente das Ilhas Marshall, Tony de Brum, apontando para planos de investimento em energia solar. As Ilhas Marshall possuem o maior santuário de tubarões do mundo.
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Notícias Geografia Hoje

Milícia no Iraque divulga fotos de supostas execuções em massa de soldados

Militantes sunitas dizem que assassinatos vingam morte de comandante e são alerta a xiitas convocados para combatê-los


Enquanto o governo do Iraque aumentava as defesas de Bagdá neste domingo, o grupo militante islâmico que capturou duas grandes cidades do país na semana passada postou fotos que parecem mostrar seus militantes massacrando dezenas de soldados iraquianos capturados.



A fotos em um site militante parecem mostrar os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) colocando os cativos em caminhonetes antes de forçá-los a deitar de barriga para baixo em uma vala rasa com seus braços amarrados atrás das costas. As imagens finais mostram os corpos dos homens molhados em sangue depois de disparos.

As imagens macabras poderiam aprofundar ainda mais as tensões sectárias enquanto centenas de xiitas acatavam uma convocação feita pelo seu líder espiritual mais reverenciado de pegar em armas contra os militantes sunitas que varreram o norte. O EIIL prometeu levar sua batalha a Bagdá e a cidades mais ao sul que abrigam reverenciados santuários xiitas.



O governo reforçou as defesas ao redor de Bagdá neste domingo, um dia depois de centenas de xiitas terem desfilado pelas ruas empunhando armas em resposta à convocação feita plo grão-aiatolá Ali al-Sistani para que os iraquianos defendam o país. Apesar da promessa do EIIL de se dirigir à capital, que abriga uma população de 7 milhões de habitantes, seu avanço parece ter se estagnado em dias recentes.AP
Imagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6)

Funcionários do governo disseram que os combatentes do EIIL tentavam capturar a cidade de Tal Afar, no norte do Iraque, neste domingo e lançavam foguetes que apreenderam de depósitos de armas militares na semana passada.



O EIIL e militantes sunitas aliados capturaram uma vasta porção do norte do Iraque na semana passada, incluindo Mosul, a segunda maior cidade iraquiana, e Tikrit, terra natal do ex-ditador Saddam Hussein, enquanto soldados iraquianos, muitos deles treinados pelos EUA, fugiam em debandada, deixando veículos, armas e munições caírem nas mãos do poderoso grupo extremista, que também luta na Síria.


As legendas das fotos dizem que as execuções tinham o objetivo de vingar o assassinato do comandante do EIIL, Abdul-Rahman al-Beilawy, cuja morte foi relatada tanto pelo governo quanto pelo EIIL pouco antes da rápida ofensiva do grupo inspirado na Al-Qaeda, que mergulhou o país em sua crise mais sangrenta desde a retirada das tropas americanas, em 2011.

AP
Imagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6)


"Esse é o destino que aguarda os xiitas enviados por Nouri para combater os sunitas", uma das legendas dizia, aparentemente se referindo ao primeiro-ministro Nouri al-Maliki.

Al-Moussawi, porta-voz militar, confirmou a autenticidade das fotos e disse estar a par de casos de execuções em massa de soldados iraquianos em áreas controladas pela milícia sunita.

A maioria dos soldados que aparecem nas fotos estão com roupas civis. Alguns aparecem com uniformes militares por baixo, indicando que eles podem ter apressadamente tentado se disfarçar de civis para tentar escapar.
http://ultimosegundo.ig.com.br/

A EFECTIVAÇÃO DA MUDANÇA DO PARADIGMA PATERNALISTA PARA O PARADIGMA DA AUTONOMIA NO QUE RESPEITA ÀS ESCOLHAS DA MULHER/CASAL GRÁVIDO INERENTES AO PARTO

http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/90/artigo311123-1.asp
"No que se prende em concreto com a escolha de parir no domicílio em Portugal, cabe ao EESMO legitimar a informação que a grávida/casal grávido detém inerente à escolha"

A EFECTIVAÇÃO DA MUDANÇA DO PARADIGMA PATERNALISTA PARA O PARADIGMA DA AUTONOMIA NO QUE RESPEITA ÀS ESCOLHAS DA MULHER/CASAL GRÁVIDO INERENTES AO PARTO
MADRUGA E SILVA, Cristina*VARELA, Vitor **

Na actualidade, a possibilidade e efectivação da escolha por parte das mulheres/casais grávidos face às vivências que desejam, em concreto, em relação ao local de parto, tipo de parto e nascimento dos seus filhos, é uma realidade!
Esta escolha deve ter como aspectos sedimentados o conhecimento, por parte dos utentes na área de obstetrícia, sobre (1) “ (…) os serviços de saúde existentes, suas competências e níveis de cuidados”, efectividade de articulação entre os mesmos, e capacidade de resposta com segurança, no âmbito nacional, a cada momento.
No que se prende em concreto com a escolha de parir no domicílio em Portugal, cabe ao EESMO legitimar a informação que a grávida/casal grávido detém inerente à escolha, no que respeita em concreto, às competências dos EESMO a quem devem recorrer, assim como ao local espectável para parir, capacidade de assegurar/promover articulação com equipas de profissionais especializados de instituições com capacidade de resposta interventiva/instrumentalizada, caso necessário, no sentido de garantir nascimentos seguros e humanizados, para mães e RN’S.
Desta forma, é muito importante que o EESMO elucide e capacite casal grávido (ao longo do período pré-natal) para a possibilidade de vivências diferentes às que expectam, no sentido de evitar a ‘obsessão por um parto perfeito’, (2) caso surjam alguns sinais ao longo da vigilância do trabalho de parto, que sejam indicadores de necessidade de implementação de estratégias diferentes das programadas, de forma a que, o objectivo final a que corresponde o nascimento do seu/deles, bébé, se verifique com o máximo de segurança, dignidade e integridade humanas, sendo que, tais intervenções nunca sejam sentidas como um “entrave” à autodeterminação de cada mulher/casal grávido, face ao seu/deles projecto de plano de parto/parto, o que nos remete para o direito do doente nº 6: “ O doente tem direito a ser informado sobre a sua situação de saúde”. (3)

Ao procedermos desta forma, estamos a promover a efectivação do paradigma da autonomia em detrimento do paradigma paternalista que, outrora prevalecia e se pauta pela centralização das decisões na equipa de profissionais de saúde ao longo de toda a gravidez e trabalho de parto e parto.

O exercício do paradigma da autonomia por parte de cada grávida/casal grávido, tem implícito a si o livre arbítrio, face à possibilidade da escolha, e a responsabilidade da sua/deles decisão inerente à mesma, o que por si só, para ser possível, implica uma caminhada a percorrer no sentido de diminuir as assimetrias de conhecimento científico inerente, em concreto, ao fenómeno parir/nascimento de um ser humano, que terá que ser partilhada entre os profissionais de saúde especializados na área de obstetrícia – peritos EESMO - e grávidas/casais grávidos.

Com esta capacitação das mulheres/casais grávidos, a promover pelos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO), Parteiros, conforme alega a Competência nº3 da Confederação Internacional de Parteiras (ICM) (4) , ao referir que : “(…) A parteira tem competência para oferecer orientação e preparação básica para o trabalho de parto, parto e maternidade”, estamos a proporciona-se a vivência da efectividade da cidadania activa, neste âmbito!

Em simultâneo, com a promoção da centralização (5) da mulher que vai ser mãe/pessoa significativa no centro do processo de nascimento, por existir o compromisso bilateral – grávida/ equipa de profissionais de saúde, que realizam a vigilância de trabalhos de partos e partos, de forma a que, um dos aspectos fundamentais a ser respeitado é : o plano de nascimento do bébé/plano de parto. Tal condição tem implícita a si a verificação de consonância, por parte do EESMO com as guidelines de boas práticas emanadas e divulgadas pela OMS, nesta vertente, para desta forma proporcionar uma assistência humanizada ao parto, promovendo a autonomia da parturiente/casal, o que compreende, perante a ocorrência de sinais emergentes, que nos indiquem necessidade de uma abordagem mais instrumentalizada, de o efectivar, sem quaisquer tipos de desautorização dos pais, de forma a que as legis artis sejam exequíveis e nos permitam participar; nos permitam sermos “convidados” dos processos de nascimentos o mais individualizados possíveis, seguros e Humanos, que se possam traduzir sempre em momentos de festa das famílias: a festa da chegada do bébé!

Mas, assim sendo, quem são os casais que podem parir no domicílio?
E que competências têm a responsabilidade de aferir se os EESMO que os vão acompanhar nesta vivência devem deter?
Relativamente à primeira questão, neste grupo integram-se grávidas/casais grávidos cuja gravidez seja uma gravidez normal.Quanto às competências que os EESMO neste contexto de prática devem deter, diz-nos a ICM que são:
Prestar assistência de forma individualizada à grávida/casal grávido;Deter formação e experiência na condução de trabalhos de parto normais;Articular com equipas de assistência peri-natal de outros serviços de saúde existentes, sempre que surja algum indicador de compromisso de bem estar-materno-fetalSaber identificar e interpretar sinais prodrómicos do trabalho de parto;Implementar estratégias que aliviem desconfortos dos sinais prodrómicos ao longo do trabalho departo:palpação abdominal;incentivo à alternância de posicionamentos – deambulação;utilização de hidroterapia para maior relaxamento;realização mínima de toques vaginais;prevenir situações de cetose e desidratação kso longo do trabalho de parto e parto;promover a auscultação intermitente de FCF;identificar situações de vigilância de trabalhos de parto que necessitem de avaliação continua de fcf;promover cuidados no parto normal;promover a posição mais cómoda para a mulher parir, evitando a litotomia;utilizar metodologias de protecção do períneo no período expulsivo;promover dequitaduras naturais e seguras;promover relação precoce entre a díade-triade, sem interferir;promover contacto pele com pele entre mãe e RN;laquear o cordão umbilical o mais tardiamente possível;prestar todos os cuidados ao RN com segurança;promover o aleitamento materno quanto antes;vigiar sinais de hemorragia e consequente instabilidade hemodinâmica no pós-parto. 
*Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia, do Serviço de Bloco de Partos e Urgência Obstétrica /Ginecológica – Centro Hospitalar de Setúbal E.P.E, H. de São Bernardo; PhD Student, Bioethics, Institute of Bioethics Universidade Católica Portuguese, Porto, Portugal
**Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia, Chefe do Serviço de Bloco de Partos e Urgência Obstétrica /Ginecológica – Centro Hospitalar de Setúbal E.P.E, H. de São Bernardo; Mestre em Comportamento Organizacional, ISPA, Lisboa, Portugal.

(1) – In: Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes, disponível na net em: http://www.dgs.pt/default.aspx?cn=55065716AAAAAAAAAAAAAAAA, acedido a 15 deFevereiro de 2012, às 11h30m
(2) – PRATES A. et al – Plano de Parto, Educação Pré-Natal: Sua Importância para Obtenção de Sucesso no Plano de Parto. – Trabalho apresentado em contexto deformação em serviço do Serviço de Bloco de Partos/Urgência Obstétrica e Ginecológica – Centro hospitalar de Setúbal, E.P.E - H. de São Bernardo, Maio de 2010
(3) - In: Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes, disponível na net em: http://www.dgs.pt/default.aspx?cn=55065716AAAAAAAAAAAAAAAA, acedido a 15 deFevereiro de 2012, às 11h30m(4) – In: Competências Essenciais para o Exercício Básico da Profissão da Parteira 2010 – pág 10. Disponível na net em:www.internationalmidwives.org, acedido a 15 deFevereiro de 2012, às 11h00m
(5) - VARELA, V. et at – Benefícios da Água no Trabalho de Parto – Projecto de Intervenção da Equipa de Enfermagem do Serviço de Bloco de partos e urgênciaObstétrica /Ginecológica – Centro Hospitalar de Setúbal E.P.E, H. de São Bernardo, apresentado no Hotel Ibis, Setúbal, Novembro 2009

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