sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Simulado 2 Geografia Hoje - SEDUC-RJ 2021



Professor de Geografia

Professor Eduardo Marculino

1 A charge e o trecho do Jornal O Globo denunciam o aumento do desmatamento na Amazônia.


Áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia batem recorde em janeiro, aponta Inpe

O total de áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia bateu recorde em janeiro de 2020. De acordo com os dados do Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter-B), do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram emitidos alertas para 284,27 km² de floresta – maior índice para o mês desde que começou a série histórica, em 2016.

Se comparado com os dados de janeiro de 2019, quando os alertas somaram 136,21 km², houve um aumento de 108%. O número mantém a tendência já verificada de aumento no desmate: no ano passado, os alertas subiram 85% na comparação com 2018.

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/02/07/alertas-de-desmatamento-na-amazonia-batem-recorde-para-janeiro-em-2020-aponta-inpe.ghtml

Sobre as consequências do desmatamento na Amazônia, assinale a alternativa incorreta:

A) Aumento do Assoreamentos dos rios

B) Redução da biodiversidade

C) Maior permeabilização do solo

D) Compactação do solo

2. A Revolução Técnico-científico-informacional ou Terceira Revolução Industrial entrou em vigor na segunda metade do século XX, principalmente a partir da década de 1970, quando houve uma série de descobertas e evoluções no campo tecnológico. Das evoluções tecnológicas em questão, podemos apontar o surgimento:

A) dos motores a combustão.

B) da máquina a vapor.

C) da informática, robótica e a microeletrônica.

D) das máquinas movidas à eletricidade

3. As imagens abaixo representam a ideia de movimentação da crosta terrestre que foi responsável pela separação dos continentes, segundo uma teoria elaborada no início do século XX.


Aponte a alternativa, que corretamente apresenta o nome da teoria e seu respectivo autor.

A) Teoria da Tectônica das Placas/ Alfred Wegener.

B) Teoria da Deriva Continental/ Alfred Wegener.

C) Teoria da Deriva Continental/ Jason Morgan.

D) Teoria da Tectônica das Placas/ Arno Peters.

4. Analise os conceitos abaixo.

I - Áreas extensas planas em que há mais sedimentação que erosão. Áreas chatas e mais baixas, geralmente, no nível do mar. Porém, podem ficar em terras altas, como as várzeas de um rio num planalto.

II - Áreas situadas abaixo do nível do mar ou das outras superfícies planas.

III - Terras mais altas que o nível do mar, razoavelmente planas delimitadas por escarpas íngremes. Há mais erosão que sedimentação.

Assinale abaixo, a alternativa que apresenta as unidades de relevo corretas, conforme os conceitos dos números I, II e III, respectivamente.

A) Planície, Depressão e Planalto.

B) Planalto, Depressão e Planície.

C) Planície, Depressão e Montanha.

D) Depressão, Planície e Planalto

5. A destruição da camada de Ozônio é um dos graves impactos ambientais causados pela sociedade industrial moderna. O uso do gás CFC (clorofluorcarbono) é responsável por reduzir o Ozônio, localizado na estratosfera; a redução do referido gás pode trazer graves danos à manutenção da vida na Terra. Diante do problema em questão, um documento com adesão de cerca de 150 países entrou em vigor na década de 1990, com o objetivo de reduzir o uso do gás CFC, e assim reduzir as agressões à camada de Ozônio, que segundo cientistas da ONU, a suspensão do uso do CFC fará com que o buraco formado possa ser naturalmente reconstituído até o final do século XXI.


O documento em questão é chamado de:

A) Protocolo de Montreal.

B) Protocolo de Kyoto .

C) Tratado de Roma.

D) Tratado de Maastrich.

6. A inversão térmica é um fenômeno atmosférico muito comum nos grandes centros urbanos industrializados, sobretudo naqueles localizados em áreas cercadas por serras ou montanhas. Esse processo ocorre quando o ar frio (mais denso) é impedido de circular por uma camada de ar quente (menos denso), provocando uma alteração na temperatura. Outro agravante da inversão térmica é que a camada de ar fria fica retida nas regiões próximas à superfície terrestre com uma grande concentração de poluentes. Sendo assim, a dispersão desses poluentes fica extremamente prejudicada, formando uma camada de cor cinza, oriunda dos gases emitidos pelas indústrias, automóveis, etc. Esse fenômeno se intensifica durante o inverno, pois nessa época do ano, em virtude da perda de calor, o ar próximo à superfície fica mais frio que o da camada superior, influenciando diretamente na sua movimentação. O índice pluviométrico (chuvas) também é menor durante o inverno, fato que dificulta a dispersão dos gases poluentes.


Podemos apontar que, as principais consequências desse fenômeno são:

A) deslizamentos de terras, principalmente em áreas de morros ocupados.

B) enchentes e contaminação dos mananciais.

C) doenças respiratórias, irritação nos olhos e intoxicações.

D) aumento da temperatura em regiões centrais de grandes cidades

7. O mapa abaixo mostra a presença de Hotspots, presentes em todos os continentes, exceto a Antártida.

O termo Hotspot foi criado na década de 1980, e tem por objetivo apontar:


A) os locais do planeta com grande biodiversidade, mas com grande ameaça de extinção. Para ser considerado um hotspot, a região tem que possuir mais de 1500 espécies endêmicas e mais de 75% da vegetação destruída.

B) os pontos de mais elevadas temperaturas do mundo, como, por exemplo, os desertos quentes.

C) as áreas onde existem as maiores quantidades anuais de erupções vulcânicas no planeta.

D) os pontos onde existem no planeta grandes explorações de petróleo, onde o risco de vazamentos no mar é muito grande.

8. A projeção cartográfica abaixo, mostra uma deformação típica para apontar uma variável a ser analisada em relação a países, continentes, e até mesmo o mundo. A variável em questão mostra a superioridade tecnológica e econômica dos países destacados em relação ao resto do planeta.


Esse tipo de projeção é denominado:

A) Anamorfose.

B) Descontínua.

C) Afilática.

D) Plana.

9. . O Determinismo Geográfico é um conceito sobre as influências que as condições naturais exerceriam sobre a humanidade, sustentando a tese de que o meio natural seria uma entidade definidora da fisiologia e da psicologia humanas, ou seja, o homem seria muito marcado pela natureza que o cerca. O geógrafo responsável por defender tal conceito foi:

A) Heródoto.

B) Paul Vidal de La Blache.

C) Friedrich Ratzel.

D) René Descartes.

10. A Terra é conhecida como um “radiador” de corpo frio que emite energia em comprimentos de onda longos de sua superfície e atmosfera em direção ao espaço. No entanto, parte dessa radiação em ondas longas é absorvida por dióxido de carbono, vapor d’agua, metano, óxido nitroso, entre outros, e posteriormente é emitida de volta para a Terra.

Esse processo é denominado de Efeito:

A) Smog.

B) Coriolis.

C) Estufa.

D) Radioativo.

11. A partir da distribuição geográfica dos principais desertos do planeta, afirma-se que eles:

I- Apresentam biodiversidade fitogeográfica reduzida.

II- São influenciados diretamente pelos efeitos da longitude.

III- Caracterizam-se por apresentarem baixas amplitudes térmicas.

IV-Estão associados à dinâmica de circulação atmosférica.

Estão corretas apenas as afirmativas

A) I e III

B) I e IV.

C) II e III.

D) II e IV

12. Acordei quando ainda estava escuro. De pura excitação. Também porque o avião chegava às seis da manhã, e aeroporto, como se sabe, é sempre longe [...]

Ao chegar ao aeroporto, olhei para o alto do saguão e decifrei um daqueles painéis farfalhantes, com os números, os horários e as procedências dos voos. O avião vindo de Paris estava atrasado uma hora.

LACERDA, Rodrigo. O Fazedor de Velhos. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 135.

Considerando que a duração do voo Paris-São Paulo é de 11 horas e que a viagem atrasou na decolagem, quando o avião partiu de Paris, em São Paulo, eram

A) 18 horas.

B) 19 horas.

C) 20 horas.

D) 21 horas.

13. Analise as pirâmides etárias do Brasil (2012 e 2018).


As mudanças apresentadas entre as pirâmides etárias de 2012 e de 2018 demonstram uma redução do(a)

A) saldo migratório.

B) rendimento médio.

C) expectativa de vida.

D) taxa de natalidade.

14. Observe o mapa da África.


A elaboração desse mapa teve como objetivo representar a

A) diversidade da composição étnica do continente.

B) variedade de biomas encontrados no espaço africano.

C) pluralidade de tipos climáticos existentes no território.

D) multiplicidade de conflitos apaziguados pelos colonizadores.

15. Observe a fotografia aérea da cidade de Oyster Bay, na África do Sul.


Essa foto refere-se ao fenômeno urbano, comum nos países em desenvolvimento, denominado

A) conurbação.

B) segregação espacial.

C) verticalização do solo.

D) metropolização regional.

16. O cartograma a seguir apresenta uma das maiores reservas de água do Brasil, englobando os estados do Pará e do Amazonas.


Essa reserva é denominada de:

A) Aquífero Guarani.

B) Bacia do Tocantins.

C) Aquífero Alter do Chão.

D) Bacia do Madeira.

17. O mapa a seguir apresenta, em destaque, o país africano que sofreu intenso conflito na última década do século XX.


A principal característica do conflito foi:

A) genocídio dos tutsis promovido por hutus.

B) invasão do Burundi para ter acesso à água.

C) divisão territorial entre mulçumanos e cristãos.

D) controle das jazidas de ouro por etnias de Uganda.

18. Embora aí seja verão, pode haver noites frias no navio. Aqui na floresta, como é de seu conhecimento, faz calor o ano inteiro. E chove muito. Por isso, traga também a gabardine. O guarda-chuva o senhor pode deixar em casa, pois os tenho aos montes. Não preciso dizer-lhe que aqui não se usam as mesmas roupas que aí.

STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: Cosac Naify, 2013. p. 10.

O clima da região na qual se encontra o narrador do texto acima é o

A) Tropical.

B) Semiárido.

C) Equatorial.

D) Subtropical.

19. No Nordeste brasileiro, vários grupos de trabalhadores se dirigem para o Sudeste, em busca de trabalho no corte de cana para as usinas de açúcar e álcool, quando chegam no interior do Estado de São Paulo estes trabalhadores se alojam em galpões, onde moram por aproximadamente 4 meses , pois quando termina a colheita da cana eles retornam a sua terra natal.

Esse movimento migratório é conhecido como

A) Pendular.

B) diário.

C) transumância.

D) êxodo rural.

20. O mapa a seguir mostra a área de produção de um mineral energético muito importante na Região Sul.


Assinale a alternativa que indica o mineral representado no mapa

A) petróleo.

B) gás natural.

C) carvão mineral.

D) urânio.

Gabarito simulado 2 1C 2C 3B 4A 5A 6C 7A 8A 9C 10C 11B 12C 13D 14A 15B 16C 17A 18C 19C 20C

Simulado 1 Geografia Hoje - SEDUC-RJ 2021

 



Concurso Professor de Geografia

1. Assinale a alternativa incorreta sobre as causas do desemprego estrutural:

a) - Implantação de robôs no processo de produção industrial.

 

b)  - Instalação de caixas eletrônicos em agências bancárias.

 

c) - Informatização em empresas e órgãos públicos, visando diminuir os processos burocráticos.

 

d) - Crise no mercado financeiro.

 

2. Na imagem abaixo temos a formação da Cordilheira dos andes na costa oeste da América do Sul. Esse dobramento moderno é resultado do encontro das Placas:


a) Nazca e Sul-americana

b) Cocos e Norte-americana

c) Pacífico e Cocos

d) Pacífico e Nazca

3. “Difícil ver sinal de vida ao redor da paisagem de pedras e areia. O único barulho, além dos próprios passos, é o do vento, que chega frio e com leve gosto de sal. O imenso céu azul está tão próximo que parece ao alcance das mãos. No desolado centro do deserto do Atacama, a sensação é a de que estamos em outro planeta, muito distante do nosso. O solo extremamente ressecado, até mesmo, é o mais parecido com o de Marte. A umidade do ar é tão baixa que, aliada à limpeza da atmosfera e à altitude elevada em relação ao nível do mar, tornou o lugar um dos mais propícios do planeta para observações espaciais, tamanha é a nitidez com que se pode observar o céu. Astrônomos do mundo inteiro deslocam-se para lá e montam seus observatórios. É um dos principais campos de observação para o desenvolvimento de pesquisas da Nasa. Mesmo sem luneta alguma, porém, as noites do Atacama tiram o fôlego de quem gosta de uma imensidão pipocada de infinitas estrelas.”

Deserto de Atacama está localizado na região norte do Chile até a fronteira com o Peru. Com cerca de 1000 km de extensão, é considerado o deserto mais alto e seco do mundo. A formação desse deserto esta associado a:

a) Corrente do Golfo

b) Corrente de Benguela

c) Corrente de Humboldt

d) Corrente das Falkland

4. O termo coreano  define um conglomerado de empresas em torno de uma empresa-mãe, normalmente controladas por famílias, tais como Samsung, Hyundai e LG. Esses conglomerados estão na origem do grande desenvolvimento econômico  e são conhecidos por:

a) Samurais

b) Chaebols

c) Zaibatsus

d) kibutzim

5. A expressão originou-se no sul e sudeste da Ásia, onde há uma enorme produção de arroz em planícies inundáveis, com utilização intensiva de mão de obra. Assinale a alternativa correta sobre esse tio de agricultura

a) Plantation

b) kibutzim

c) Jardinagem

d) itinerante

6.  “ Fenômeno urbano que ocorre quando duas cidades limítrofes expandem-se ao ponto de encontrar-se, compondo um único núcleo urbano.”

A descrição acima refere-se:

a) Conurbação

b) Rede Urbana

c) Metropolização

d) periferização

7. “ ... entendido como a identidade que as pessoas tem com o local de vivência, produto das relações sociais que estabelecem com o meio..”

A definição acima refere-se a que conceito da Geografia:

a) Lugar

b) Território

c) Paisagem

d) Espaço Geográfico

8. Os fundamentos filosóficos do pensamento de ................ tornam-se importante para mostrar que a Geografia não está sozinha quando da análise do espaço. Em outros termos, através de sua obra Antropogeografia é possível identificar o singular valor em estudar outras áreas do conhecimento para chegar a avaliar a natureza de um modo bem mais explícito e seguro, sem, contudo, se prender apenas à Geografia. Neste sentido, ............. elabora uma discussão filosófica muito rica, por sua vez, a orientação filosófica do mesmo “é bastante complexa” (MORAES, 1983, p. 319).

Assinale a alternativa que completa corretamente o espaço pontilhado acima:

a) Vital de la Blache

b) Ratzel

c) Hulboldt

d) Ritter

9.  Esse povo habita partes do leste da Turquia, do nordeste do Iraque, do noroeste do Irã, e, em menor escala, de partes do nordeste da Síria e da Armênia. Dispersos por vários países, sendo que nenhum desses está disposto a ceder territórios para a criação de um Estado independente. É considerado o maior povo sem Estado do  planeta:

a) Bascos

b) Tibetanos

c) Ciganos

d) Curdos

10. “O meio geográfico em via de constituição (ou de reconstituição) tem uma substância científica-tecnológica—informacional(...).A ciência, a tecnologia e a informação estão na base de todas as formas de utilização e funcionamento do espaço(...)participam da criação de novos processos(...) É a cientificização e a tecnicização da paisagem” SANTOS,Milton.Espaço técnica tempo.Globalização e meio técnico-científico-informacional Ed Hucitec.São Paulo.1998.p 51.


Imagem e texto acima abordam aspectos do atual meio técnico-científico-informacional, a partir da interpretação dos mesmos e dos conhecimentos geográficos, é verdadeiro afirmar que

a) nos dias atuais, apesar da difusão mais rápida e intensa do que em épocas anteriores, as novas variáveis deste processo se distribuem de maneira desigual na escala mundo, surgem então as desigualdades de um novo tipo, com graves conseqüências no processo produtivo, a exemplo do chamado “ desemprego estrutural.”

b) a instantaneidade da informação globalizada aproxima os lugares, aniquila a relação tempo-espaço, criando uma relação cultural unitária na escala do planeta, fragmentando e extinguindo valores culturais de povos diversos, até mesmo aqueles que vivem nos lugares mais longínquos, ocorrendo uma total ocidentalização cultural.

c) o avanço se faz sentir nos setores mais diversos das atividades humanas tornando o cotidiano das sociedades contemporâneas menos difícil ,uma vez que várias são as vantagens advindas do desenvolvimento informacional, melhorando inclusive a qualidade de vida de parcelas das sociedades dos países periféricos, antes excluídas desses benefícios.

d) há uma polarização deste meio nas áreas urbanas pois este desenvolvimento tão intenso e atual pouco chega às áreas rurais, que ficam então excluídas do processo informacional, daí a reduzida alteração que os hábitos dos homens do campo sofreram, está muito longe ainda de acontecer a chamada desruralização do meio rural.

11. A configuração do espaço geográfico brasileiro revela significativas marcas do processo de colonização portuguesa. Neste aspecto, são fatos a destacar:

a) grande dinamismo industrial nas regiões Norte e Centro- Oeste, que foram as primeiras a serem ocupadas pelos colonizadores.

b) a existência de numerosos latifúndios, onde é praticada principalmente a monocultura, com a produção de alimentos básicos para a população.

c) a presença das maiores densidades populacionais na faixa litorânea, local onde se concentram importantes centros urbanos do país.

d) maiores adensamentos populacionais no interior se comparados as densidades demográficas da faixa litorânea.

12.

Vestindo a cidade com o gibão (Fragmentos)

Começa tudo na seca

Que muita fortuna faz

E enche os bolsos da beca

De político incapaz

Mas acaba com semente

Que se perdeu no chão quente

De quem já não come mais

Autor desconhecido

Leia os versos acima da literatura de cordel, estes denunciam uma prática comum entre os políticos da Região Nordeste, no que se refere à seca, conhecida como

a) Transposição do São Francisco, projeto incluído nas políticas recentes do Governo Federal e que tem ocasionado inúmeras discordâncias técnicas e políticas, bem como desvio de verbas destinadas a sua implantação.

b) Indústria da seca, expressão que se tornou comum nos estudos geográficos da estiagem nordestina, surgida devido à má aplicação das verbas públicas destinadas à ação de estratégias minimizadoras da seca, verbas que muitas vezes abundantes, mas desviadas em prol de políticos ou protegidos destes.

c) Polígono das secas, área afetada por longas estiagens e bastante beneficiada por verbas públicas que são aplicadas integralmente no combate a pobreza. Uma das ações mais eficientes, neste aspecto, foi a melhora significativa da qualidade de vida dos habitantes do Vale do Jequitinhonha, antes uma área de pobreza crônica.

d) “o mal do Nordeste não é a seca, mas a cerca”, frase muito usada para caracterizar a existência de uma injusta estrutura fundiária da região, onde os latifúndios muitas vezes são propriedades de políticos influentes, tais propriedades estão concentradas principalmente no sertão.

13. Leia o texto abaixo:

“Na planície alagada os mururés caminham lentamente, os caboclos de olhos amendoados e tez morena remam suas igarités entre as plantas aquáticas, avistando vez por outra botos, pirarucus e peixes-boi, que vem à tona para respirar. Ao largo uma densa e variada floresta. Esparsamente surgem casebres do tipo palafitas; as distâncias são imensas e muitas vezes aliadas às temperaturas elevadas e as chuvas freqüentes limitam as atividades do homem, que se acostumou a este cenário, para ele um paraíso, e que precisa ser preservado, sempre, sempre e sempre....”. Trecho de um conto: Quero-te sempre assim. (Lenora Maria)

A partir da leitura do mesmo é verdadeiro afirmar que, no trecho transcrito, a autora

a) refere-se à planície de várzea da floresta amazônica e a caracteriza como um espaço repulsivo, agressivo e inóspito, por causa das temperaturas elevadas e muitas chuvas, procurando confirmar a expressão usada por Ritter para designar a Amazônia :“inferno verde”.

b) apresenta a floresta amazônica como uma paisagem vegetal de reduzida biodiversidade, embora de significativa grandiosidade devido o porte de sua vegetação, o que torna a vida humana no seu contexto praticamente impossível, daí ser um espaço de baixa densidade demográfica.

c) refere-se à paisagem presente nas várzeas amazônicas, com destaque para a presença da floresta, que apresenta grande biodiversidade, além de destacar espécies vegetais e animais característicos do mundo amazônico, local que, embora possua algumas características adversas, é perfeitamente habitável.

d) deixa entrever o caráter de temporalidade da floresta e do rio, limitando as ações do homem sobre o meio e tornando a vida neste espaço extremamente difícil, pois no período em que os cursos fluviais secam ou diminuem de volume há raridade de peixes para a alimentação dos varzeiros.

14. Em meados do século XIX, a economia tradicional, baseada nas “drogas do sertão” privilegiou uma delas, a borracha. Com efeito, à época, a Amazônia era o único fornecedor mundial da borracha. Durante esse período, foi utilizada, para o trabalho de exploração, a mão-de-obra indígena. Contudo, foram outros trabalhadores que sustentaram a força de trabalho deste produto. Esses trabalhadores foram denominados “soldados da borracha” e eram originários principalmente do (a)

a) Sul/Sudeste do país, onde naquele momento ocorria uma forte expansão das atividades agroindustriais modernas com forte capitalização do setor rural, diminuindo consideravelmente as possibilidades de acesso à terra e emprego nas áreas rurais.

b) Região Nordeste, onde ocorria uma prolongada estiagem que tornava difícil as possibilidades de trabalho nas áreas atingidas. Essas imigrações foram estimuladas pelo governo federal, tendo a maioria dos migrantes se fixado na porção ocidental da região, área de predomínio dos seringais nativos.

c) Região Sul, que nesta época entrava em uma fase de estagnação econômica devido à “crise do café”, fato que se estendeu por todo o século XX abalando profundamente a economia regional que tinha neste produto sua base econômica.

d) Região Sudeste, em especial de São Paulo, onde ocorria a falência de muitos indústrias, principalmente automobilísticas, fato relacionado à abertura econômica, tornava a região e o estado áreas de repulsão populacional.

15. Uma das grandes preocupações dos ambientalistas com relação ao ecossistema do Complexo do Pantanal diz respeito à atividade da agroindústria, inclusive na região periférica a esse domínio morfoclimático. A preocupação de restringir esse tipo de atividade econômica no Pantanal vai além do objetivo de evitar o desmatamento e justifica-se pelo seguinte risco ambiental:

a) poluição atmosférica causada pelas emissões de vinhoto.

b) salinização do Aquífero Guarani em virtude da irrigação.

c) contaminação da rede hidrográfica da região com agrotóxicos.

d) formação de chuvas ácidas em função das atividades agroindustriais.

16. “De modo mais geral, o período de 1965 a 1973 tornou cada vez mais evidente a incapacidade do fordismo e do keynesianismo de conter as contradições inerentes ao capitalismo, Na superfície, essas dificuldades podem ser mais bem apreendidas por uma palavra: rigidez.” (HARVEY, David. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1992. P. 135.)

 O momento histórico assinalado pelo autor destaca o início da crise do modelo de desenvolvimento fordista e a subsequente transição para o modelo pós-fordista ou sistêmico-flexível, que se imporia na reorganização do modo de produção capitalista na globalização. Duas características marcantes desse atual modelo de desenvolvimento são:

a) terceirização de atividades – personalização do produto.

b) padronização da produção – crescimento dos estoques.

c) produção em massa – ampliação da durabilidade do produto.

d) homogeneização do consumo – regimes de trabalho informais.

17. Leia a descrição de duas formações vegetais brasileiras:

1-Tem uma fisionomia característica, marcada pelas árvores, geralmente tortuosas e espaçadas, com troncos de cortiça espessa e folhagem coriácea e pilosa. As espécies de plantas arbóreas estão adaptadas para retirar água de grandes profundidades do solo, com raízes que atingem mais de 15 metros.

2-Ocorre nas regiões costeiras do Brasil. Vegetação de floresta densa, com árvores altas. Os troncos são recobertos por grande diversidade de epífitas, um aspecto típico dessa formação vegetal. Grande diversidade de espécies. (Adaptado de ROSS, J.L.S. (org.). Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP.)

As duas formações vegetais descritas acima estão mais comumente associadas aos seguintes tipos climáticos, respectivamente:

a) tropical semi-árido e tropical semi-úmido.

b) tropical semi-úmido e tropical úmido.

c) tropical úmido e tropical de altitude.

d) equatorial e tropical semi-úmido.

18. Classificar as formas de relevo sempre foi um desafio, diante da diversidade de formas do modelado terrestre. No caso brasileiro, isso pode ser verificado pelas diferentes propostas de divisão do relevo em grandes unidades morfológicas. O professor Jurandyr Ross, da Universidade de São Paulo, apresentou, no ano de 1989, uma proposta de definição e classificação do relevo brasileiro que vem sendo utilizada em grande número de publicações. As definições abaixo foram elaboradas pelo referido autor.

1-Apresentam uma característica genética muito marcante que é o fato de terem sido geradas por processos erosivos com grande atuação nas bordas das bacias sedimentares.

2-Correspondem às áreas essencialmente planas geradas por deposição de sedimentos recentes de origem marinha, lacustre ou fluvial.

3-São áreas onde predominam os processos de erosão, circundados por extensas áreas de menor altitude, o que, por conseguinte, põe em evidência os relevos mais altos que ofereceram maior dificuldade ao desgaste erosivo. (Adaptado de ROSS, J.L.S. (org.). Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP. )

As formas de relevo que correspondem às descrições apresentadas são, respectivamente:

a) planaltos – planícies – depressões.

b) planícies – planaltos – depressões.

c) depressões – planaltos – planícies.

d) depressões – planícies – planaltos.

19. “Foi na queima de um roçado com forte vento contra, que eu conheci pela primeira vez o poder do fogo (...) e a mata virgem que estava em torno começou logo a arder.” MONTEIRO, Benedicto. O Minossauro. Ed. Especial. Belém: Cejup/Secult,1997 A prática da queimada é rotineira na Amazônia e nos últimos anos tem se intensificado devido principalmente à (ao)

a) prática que tem se tornado freqüente na região , feita por grandes empresas e/ou fazendeiros , que desejam abrir clareiras em áreas de florestas para a implantação de atividades agro-pastoris, principalmente a pecuária e o cultivo de soja.

b) fenômeno da combustão natural que acontece principalmente nos períodos de reduzida pluviosidade, nos meses de fevereiro e março, no verão amazônico, quando ocorrem as mais altas temperaturas,.

c) prática rotineira usada pelas “populações tradicionais”, principalmente quilombolas e indígenas ,que consiste na queima da floresta para a fertilização do solo através da fácil decomposição dos vegetais queimados, técnica bastante tradicional na região.

d) queima da floresta visando a fabricação de carvão vegetal , principal combustível usado para alimentação dos fornos das siderúrgicas, fato muito comum no sul e sudeste do Pará, onde há uma grande concentração deste tipo de indústria.

20. A alegoria abaixo ironiza a dependência do homem moderno aos equipamentos tecnológicos dos meios de comunicação. Sobre o assunto em questão, é verdadeiro afirmar que


a) na atualidade, o domínio da alta tecnologia da informação tem escala global, não existindo obstáculos à sua acessibilidade, sendo, portanto, do mesmo nível de aceleração em todos os lugares, nos diversos continentes e para todos os indivíduos, independentes de classe social.

b) o avanço tecnológico dos meios de comunicações é tão intenso que subordina o ser humano, tornando-o demasiadamente dependente destes, modificando com intensidade a cultura das sociedades contemporâneas que passou a ser idêntica, sem características e identidades locais e regionais .

c) as indústrias mais avançadas da era da informação são grandes consumidoras de energia, daí necessitarem de localização próxima a regiões produtoras de carvão ou de outros minerais combustíveis, tal como na primeira Revolução Industrial, do século XVIII. Tal fato restringe o avanço das comunicações nos países que não possuem produção deste minério.

d) o planeta Terra está cada vez mais “antenado” aos meios informacionais ,as redes transformam os comportamentos das sociedades contemporâneas, encolhendo o tempo e as distâncias , no entanto esse avanço tecnológico não é totalmente global, pois vários lugares e populações dos países periféricos são excluídos deste processo.

Gabarito Simulado 1 - 1(D) 2(A) 3(C) 4(B) 5(C) 6(A) 7(A) 8(B) 9(D) 10(A) 11(C) 12(B) 13(C) 14(B) 15(C) 16(A) 17(B) 18(D) 19(A) 20(D)

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O mundo mais urbanizado e as cidades virando saunas





O mundo mais urbanizado e as cidades virando saunas, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Todos os nossos problemas ambientais se tornam mais fáceis de resolver com menos pessoas e mais difíceis e, em última instância, impossíveis de resolver com cada vez mais pessoas”
David Attenborough

[EcoDebate] O mundo está ficando cada vez mais urbanizado, tanto em termos absolutos, quanto em termos relativos. A população urbana era de 750 milhões de habitantes em 1950, representando 29,6% da população total. Em 2008, a população urbana global chegou a 3,4 bilhões de habitantes, representando 50% da população total. A partir desta data o mundo passou a ter maioria da população vivendo em cidades.

Em 2020, a população urbana chegou a 4,4 bilhões de pessoas (56,2% da população total). Em 2050, deve haver 6,7 bilhões de habitantes urbanas, representando mais de dois terços (68,4%) do total populacional, conforme mostra o gráfico abaixo da Divisão de População da ONU.


A urbanização tem sido o principal vetor da transformação socioeconômica e demográfica do Planeta e do processo de modernização. Nos últimos 2 séculos, as cidades lideraram as inovações econômicas, tecnológicas, científicas e culturais que reconfiguraram as estruturas familiares, a organização social e as relações de trabalho, possibilitando avanços sem precedentes nos direitos de cidadania de parcelas cada vez mais amplas da população.

O processo de urbanização já trouxe muitos ganhos históricos, mas poderá trazer vantagens ainda maiores nas próximas décadas. As transições urbana e demográfica são dois fenômenos fundamentais da modernidade e acontecem de forma sincrônica. como mostraram Martine, Alves e Cavenaghi (2013).

Também de forma sincrônica ocorrem o processo de modernização e de aquecimento global. Entre 1770 e 2020, a economia global cresceu 135 vezes, a população mundial cresceu 9,2 vezes e a renda per capita cresceu 15 vezes. Este crescimento demoeconômico foi maior do que o de todo o período dos 200 mil anos anteriores, desde o surgimento do Homo sapiens. Mas todo o crescimento e enriquecimento humano ocorreu às custas do desequilíbrio climático que prevaleceu no Holoceno (últimos 12 mil anos).

Em função do crescimento das atividades antrópicas, as emissões globais de CO2 que estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 37 bilhões de toneladas em 2019. A concentração de CO2 na atmosfera que permaneceu abaixo de 280 partes por milhão (ppm) durante todo o Holoceno, subiu rapidamente após a Revolução Industrial e Energética. A concentração de CO2 chegou a 300 ppm em 1920, atingiu 317 ppm em março de 1960 e pulou para 417 ppm em maio de 2020. Em consequência do efeito estufa, as temperaturas do Planeta estão subindo e acelerando as mudanças climáticas e seus efeitos danosos sobre a vida na Terra.
Indubitavelmente, o mundo vai ter um grande crescimento urbano até 2050 e também terá um aumento do aquecimento global. Mas a questão que se coloca é a seguinte: é melhor enfrentar os desafios do crescimento populacional na cidade ou no campo?

Existem muitas pessoas saudosistas que falam em desurbanização ou até mesmo “desmigração”. Alguns sonham com uma volta ao rural e com uma casa no campo, de preferência de “pau-a-pique e sapê, com carneiros e cabras pastando solenes no jardim”, como na música de Zé Rodrix. Mas o próprio mundo rural atualmente é bastante diferente do que foi no passado e a urbanidade já avançou para além das cercas que dividem o campo da cidade.

Diversos estudos mostram que os indicadores sociais e econômicos melhoram com o aumento da urbanização. Os países mais urbanizados tendem a ter maior renda, maior nível educacional, menor mortalidade infantil, maior esperança de vida, maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), menores níveis de violência, menor proporção de pessoas passando fome, menor mortalidade materna, menor desigualdade de gênero, etc. Em geral, a concentração urbana permite ganhos de escala e ganhos do efeito de aglomeração, ao contrário da dispersão rural ou das pequenas cidades.

David Owen, no livro Green Metropolis, mostra que os impactos ambientais (emissões, resíduos, ou consumo de terra per capita) é menor nas cidades densas do que nas cidades espraiadas ou nos países com população rural dispersa. Ele mostra que Nova Iorque, especialmente Manhattan, é muito mais eficiente no uso da energia e tem menor pegada ecológica per capita do que cidades como Washington ou Los Angeles. Por exemplo, a verticalização das moradias e escritórios torna mais eficiente o transporte coletivo, pois seria impossível manter metrôs e trens de alta velocidade em áreas rurais ou mesmo em áreas suburbanas de baixa densidade populacional. O fato é que a urbanização é uma tendência que veio para ficar e vai se expandir nas próximas décadas.

No artigo “Global multi-model projections of local urban climates” de Lei Zhao et. al., publicado na revista Nature Climate Change, em 04/01/2021, os autores usam uma nova técnica de modelagem para estimar que, no ano 2100, as cidades do mundo podem chegar a um aquecimento de 4,4º Celsius em média. Isto, deixaria muito para trás as metas do Acordo de Paris. Em geral, os modelos climáticos globais tendem a desprezar as áreas urbanas, pois estas representam apenas 3% da superfície terrestre do planeta. As cidades são apenas um pontinho do território global. Contudo, o artigo sugere que cidades mais quentes podem ser catastróficas para a saúde pública urbana, que já sofre os efeitos do aumento do calor. Entre 2000 e 2016, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número de pessoas expostas a ondas de calor saltou 125 milhões e o calor extremo ceifou mais de 166.000 vidas entre 1998 e 2017. Assim, o crescimento das cidades e o aumento do aquecimento global – provocando ilhas de calor nas cidades – podendo gerar uma situação de “cidades saunas”, tornando inabitáveis muitas megacidades do mundo, principalmente nas áreas tropicais. Milhões de pessoas, especialmente idosos e crianças, podem ser vítimas das ondas letais de calor.
Para conter o aquecimento global é preciso haver um decrescimento demoeconômico. Voltar para o meio rural não resolve o problema.

A solução é manter a taxa de urbanização em elevação, mas reduzir o tamanho das cidades por meio da redução demográfica. Assim, o mundo poderia ter maior proporção de habitantes nas cidades, mas as cidades seriam menores em função de um menor número de pessoas em decorrência da transição demográfica e da permanência de taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição.

Artigo de Jim Robbins (BBC Future/Yale e360, 23 novembro 2020) mostra a natureza está passando por um processo de extinção em massa à medida que habitats naturais são alterados pela atividade humana. À medida que o ser humano continua a expandir rapidamente seu domínio sobre a natureza — desmatando e incendiando florestas, exterminando espécies e interrompendo funções do ecossistema — um número cada vez maior de cientistas e conservacionistas influentes acredita que proteger metade do Planeta de alguma forma será a solução para mantê-lo habitável. A ideia ganhou notoriedade pela primeira vez em 2016, quando Edward O. Wilson, o importante biólogo conservacionista, publicou a sugestão no livro “Da Terra Metade: O nosso planeta luta pela vida”.

Desta forma, a melhor maneira de lutar contra o aquecimento global é concentrar a população global nas cidades, mas em cidades menores, com mais áreas verdes, com agricultura urbana e com uma economia sustentável, aumento das áreas anecúmenas e com regeneração ecológica do mundo.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:
ALVES, JED. A urbanização e o crescimento das megacidades, Ecodebate, 22/04/2015

George Martine, Jose Eustáquio Alves, Suzana Cavenaghi. Urbanization and fertility decline: Cashing in on Structural Change, IIED Working Paper. IIED, London, December 2013. ISBN 978-1-84369-995-8 https://pubs.iied.org/10653IIED/

Lei Zhao et. al. Global multi-model projections of local urban climates. Nature Climate Change, 04 January 2021

JIM ROBBINS. O plano para transformar metade do mundo em reserva ambiental, BBC Future / Yale e360, 23 novembro 2020
Revista Ecodebate

terça-feira, 12 de outubro de 2021

A geopolítica do negacionismo climático



Luiz Enrique Vieira de Souza, Estevão Bosco e Marcelo Fetz

A instrumentalização interessada do princípio de liberdade de expressão para minar consensos científicos favorece a omissão dos governos em áreas críticas e urgentes, onde a inação pode acarretar a destruição potencialmente irreversível de existências e modos de vida em escala global

O debate sobre as mudanças climáticas explicita um caso extremo de politização da ciência. Interesses corporativos, agremiações políticas conservadoras e intelectuais com pouca ou nenhuma credencial no campo de pesquisas da climatologia articularam-se material e discursivamente nos países anglo-saxões para evitar que as conclusões apresentadas pelo IPCC se traduzissem em medidas regulatórias ou políticas públicas voltadas para a mitigação da interferência humana na química atmosférica. Dado que o acúmulo de evidências sobre o caráter antropogênico das mudanças climáticas consolidou sua posição marginal no campo científico, os representantes do “ceticismo” abandonaram a competição por um paradigma alternativo segundo os padrões acadêmicos. Em vez disso, concentraram-se no fortalecimento de uma “máquina negacionista” que, embora tentando preservar a aparência de um debate científico ainda em curso, deturpou sistematicamente as evidências científicas que poderiam fundamentar o debate público sobre as mudanças climáticas (BEGLEY, 2007).

O modus operandi dessa “máquina negacionista” estrutura-se numa série de estratégias que visam manter em circulação e repetir indefinidamente alegações cujos fundamentos perderam validade à luz do acúmulo de conhecimentos proporcionados pela crescente sofisticação dos estudos de impacto ambiental e das pesquisas na área de saúde pública. Seus antecedentes históricos remontam ao auge da Guerra Fria, quando o governo norte-americano se viu forçado pelos movimentos ambientalistas a proibir o consumo doméstico de DDT, após décadas de investidas da indústria química para desacreditar, por meio de pesquisas patrocinadas e com resultados pré-fabricados, as evidências relativas aos prejuízos dos biocidas para a saúde humana e os ecossistemas (CARSON, 2016). De maneira análoga, a indústria do tabaco investiu maciçamente na articulação de lobby político com o trabalho de experts em relações públicas para qualificar como insuficientes os estudos já então conclusivos sobre os malefícios do cigarro. Esse procedimento de “fabricação das incertezas” ganhou força durante a administração de Ronald Reagan, quando setores do movimento conservador norte-americano lançaram uma guerra contra o ambientalismo, substituindo a “ameaça vermelha” em declínio pela emergente “ameaça verde”. Assim, a ênfase artificial nas “incertezas” refletia o aprendizado da indústria de que deslegitimar a ciência era mais fácil do que debater políticas públicas orientadas por conhecimentos validados no campo científico (DUNLAP et McCRIGHT, 2010; ORESKES et CONWAY, 2010).

Embora a adoção de medidas com base em critérios tecnocráticos instaure ou reforce assimetrias nos processos de deliberação democrática, por outro lado a instrumentalização interessada do princípio de liberdade de expressão para minar consensos científicos favorece a omissão dos governos em áreas críticas e urgentes, onde a inação pode acarretar a destruição potencialmente irreversível de existências e modos de vida em escala global. Nesse sentido, Dieter Plehwe (2014) analisou o papel de think tanks como a Heritage Foundation e Heartland Institute, que construíram redes entre interesses corporativos, órgãos de imprensa com viés conservador e pseudocientistas para transmitir à opinião pública a falsa ideia de que existem “dois lados” no debate sobre mudanças climáticas. Com o apoio financeiro de gigantes da indústria de combustíveis fósseis, esses think tanks ofereciam US$ 10 mil para “intelectuais” dispostos a escrever artigos ou pseudorelatórios que semeassem dúvidas na opinião pública sobre as conclusões do IPCC.

Para garantir a aparência de que se tratava de um debate intenso e ainda em curso no campo da ciência, a “máquina negacionista” lançou mão de diferentes estratégias de deslegitimação e uso de informações falsas: 1) publicações que mimetizavam os relatórios do IPCC sem, no entanto, respeitar os padrões acadêmicos de disputa com base em evidências e contraprovas; 2) alegações de conspirações envolvendo o IPCC a interesses obscuros; 3) denúncias de corrupção nos processos de revisão por pares das revistas acadêmicas; 4) ataques ad hominem a cientistas credenciados ou figuras públicas comprometidas com a mitigação das mudanças climáticas (PALIEWICZ McHENDRY JR, 2017; ORESKES et CONWAY, 2010).

Nos casos em que os negacionistas se preocuparam em conferir algum verniz científico à discussão, seus argumentos oscilaram em torno de quatro categorias discursivas. Em primeiro lugar, tratava-se de negar que as mudanças climáticas estavam em curso (“não está acontecendo”). A partir do momento em que esse argumento perdeu eficácia relativa em certas camadas da população, a estratégia concentrou-se em refutar as causas antropogênicas desse fenômeno, remetendo-o a variações na intensidade da radiação solar[1] (“não somos nós”). Um terceiro recurso consistiu na tentativa de rotular como “catastrofistas” os prognósticos do IPCC e realçar supostos benefícios do aumento das temperaturas médias (“não é tão ruim”). Por último, certos discursos apontaram para os custos elevados de uma reorganização global da produção e do consumo para afirmar que os esforços de mitigação seriam inalcançáveis e que o máximo possível seria discutir eventuais políticas de adaptação (“é impossível”). Esse esforço para promover narrativas manipuladas apoiou-se na estratégia consciente de distorcer a lógica de funcionamento da ciência para representar como “opinião” um consenso científico construído ao longo de mais de quatro décadas (BEGLEY, 2007; DUNLAP et McCRIGHT, 2010). “Ao contrário da literatura científica, onde alegações já refutadas não podem continuar sendo empregadas, no campo negacionista os argumentos nunca desaparecem – eles são continuamente reciclados” (ELSASSER et DUNLAP, 2013).

Em vez de contribuir para a popularização dos conhecimentos baseados em evidências e provas validadas pelas ciências ambientais, a imprensa veiculou amplamente a retórica negacionista em nome da promoção de uma “cobertura imparcial” das posições em disputa. No caso de redes de televisão, estações de rádio ou jornais de orientação conservadora, essa distorção foi ainda mais acentuada, conferindo maior destaque a céticos sem expertise que aos relatórios da comunidade científica. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, essa “câmara de eco” conservadora forneceu subsídios discursivos que alimentaram a “controvérsia” em blogs e redes sociais, promovendo assim a deslegitimação da climatologia por intermédio das mais variadas formas de “barbarismo digital” (FORCHTNER, 2019; PAINTER et GAVIN, 2015; ELSASSER et DUNLAP, 2013).

As pesquisas especializadas em comunicação das mudanças climáticas dedicaram-se não apenas ao estudo sobre as estratégias de construção midiática do campo negacionista, mas também a investigar os nexos entre a exposição aos riscos de eventos climáticos extremos – secas prolongadas, enchentes, ondas de calor – e a percepção pública desses fenômenos. Segundo Dunlap e colaboradores (2016), uma revisão bibliográfica sobre o tema demonstra que tais estudos são divergentes e pouco conclusivos. A despeito disso, as estatísticas apontam que existe uma nítida clivagem partidária nos Estados Unidos, onde o ceticismo climático encontra ressonância maior entre eleitores republicanos que entre apoiadores do Partido Democrata. Os autores explicam essa diferença à luz da antipatia republicana às medidas de regulamentação governamental, combinada com as enormes doações de campanha que esse partido recebe do lobby dos combustíveis fósseis. Suas conclusões sugerem, portanto, que a tendência que os indivíduos possuem de rejeitar seletivamente as informações que contestam suas crenças e identidades[2] seria uma razão importante para que nem mensagens persuasivas nem experiências com fenômenos extremos modifiquem substantivamente a percepção dos cidadãos sobre as mudanças climáticas.
Queimada na aldeia Kuikuro, em Mato Grosso (Foto: Takumã Kuikuro)

Desde meados da década de 1990, as coalizões negacionistas difundiram-se a partir dos Estados Unidos para outras nações anglo-saxãs que também contam com lobbys comprometidos com os interesses de setores industriais e think tanks que promovem o conservadorismo do livre-mercado (HAMILTON, 2010). Contudo, é importante ressaltar que o negacionismo climático é um fenômeno global, e não puramente anglo-saxão e que pouco se discute sobre uma “geopolítica do negacionismo”, particularmente naquilo que diz respeito às suas manifestações específicas naqueles países do Sul Global que contribuem com uma parcela relativamente importante das emissões de CO2.

Uma “geopolítica do negacionismo” deve necessariamente levar em conta a correlação de forças externas e internas a cada país. Tomemos como exemplo três países dos BRICS para analisar a feição peculiar que o negacionismo climático assumiu em cada um deles. No caso brasileiro, o papel da minoria de acadêmicos negacionistas nunca foi completamente irrelevante, pois figuras como Ricardo Felício e Luiz Molion foram convocados pela bancada do agronegócio para apresentar “um outro lado da história”, e assim contribuir para afastar a questão das mudanças climáticas do debate sobre alterações no Código Florestal.[3] Apesar dos impactos negativos dessa flexibilização ambiental, foram estruturadas importantes redes de pesquisas científicas, como o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, onde se discutiam políticas públicas para que o país contribuísse com o esforço global de redução das emissões de CO2. Após a eleição de Jair Bolsonaro, o negacionismo climático converteu-se em ideologia de Estado. Um diplomata brasileiro foi enviado à XIII Conferência Internacional sobre Mudança do Clima, promovida pelo Heartland Institute. Antes disso, o então ministro das Relações Internacionais, Ernesto Araújo, já havia replicado argumentos negacionistas ao dizer que existem equívocos na medição das temperaturas. “Não há um termostato que meça a temperatura global. Existem vários termostatos locais” (apud MELLO, 2019). Em 2019, o Brasil desistiu de sediar a COP25 e o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou que as mudanças climáticas antropogênicas permanecem um “assunto acadêmico controverso” (apud MIGUEL, 2020).

Na Rússia, os discursos negacionistas ganharam novo impulso a partir do terceiro mandato de Vladimir Putin como presidente (2012). Em 2005, a Academia de Ciências da Rússia havia assinado, juntamente com instituições acadêmicas internacionais, uma declaração que reconhecia o caráter antropogênico das mudanças climáticas e a necessidade de medidas de mitigação em nível global. Em 2010, o então presidente Dimitri Medvedev assumiu que as mudanças climáticas acarretariam sérias ameaças ao país. Mesmo que ambientalistas russos questionassem o compromisso efetivo dessas declarações, a terceira campanha presidencial de Putin inaugurou um período de retrocessos, em que se tratou a ideia de governança global do clima como uma “conspiração do Ocidente” para enfraquecer a posição da Rússia no cenário internacional. “Conspirações sobre a ciência climática internacional e sobre os esforços globais para promover medidas de mitigação foram enfatizadas nos artigos do Izvestiya e em todos os documentários televisivos e programas de auditório” (TYNKKYNEN et TYNKKYNEN, 2018: 10). Diferentemente de Medvedev, a estratégia de Putin já não associava as medidas de modernização do setor energético à pauta ambientalista global, incorporando somente aquilo que coincidisse com o propósito de reforçar o status da nação enquanto “superpotência dos hidrocarbonetos”. Nesse sentido, a mensagem de Putin contribuiu para a hegemonia daqueles que priorizam a soberania em detrimento da cooperação internacional e os interesses econômicos de curto prazo da elite russa frente à imagem internacional do país.

Da perspectiva do governo chinês, o combate às mudanças climáticas relaciona-se discursivamente com a promoção de uma “civilização ecológica”. Desde 2007, a China possui um Programa Nacional de Mudanças Climáticas que reconhece o consenso científico sobre as causas antropogênicas e sinaliza para uma posição responsável nas negociações internacionais. Em setembro de 2020, o presidente Xi Jinping anunciou que a China pretende atingir o pico de emissões em 2030 e tornar-se “carbono neutral” até 2060. A estratégia do governo chinês consiste em apresentar-se como liderança global na proteção do clima, tanto para aumentar seu “soft power”, como para assegurar uma posição de destaque no mercado internacional de “tecnologias verdes” (SOUZA, 2021) Isso não quer dizer que inexista um ceticismo climático com características chinesas. John Chung-En Liu (2015) enxerga uma corrente subterrânea de ceticismo climático na sociedade chinesa que ainda é pouco estudada. De acordo com o autor, o ceticismo chinês seria diferente da variante norte-americana, pois seu campo de batalha não é a ciência, mas a perspectiva nacionalista de que as mudanças climáticas seriam uma farsa ocidental para minar o crescimento chinês[4] (“imperialismo climático”). Além disso, os céticos chineses atuam como indivíduos isolados, e não enquanto uma comunidade organizada. Eles não contam com o suporte de think tanks conservadores e não organizam sistematicamente campanhas públicas de desinformação. Sua atuação concentra-se nos fóruns da internet (douban, tianya, guokr e weiming), e o questionamento das mudanças climáticas relaciona-se com questões de identidade e confiança, atribuindo-se às pesquisas realizadas por chineses maior credibilidade que à ciência internacional.

Esse breve panorama da geopolítica do negacionismo permite duas conclusões importantes. A primeira diz respeito às afinidades eletivas entre o neoliberalismo e o negacionismo climático. Tanto nos países anglo-saxões como no Brasil de Jair Bolsonaro, as críticas aos “excessos” de regulamentação econômica impedem que o Estado desempenhe o seu protagonismo na governança do clima. Nesse sentido, o Green New Deal proposto por Joe Biden é mais um sintoma de que o recrudescimento das mudanças climáticas expressa a falência do modelo neoliberal. Por outro lado, o princípio da soberania nacional relaciona-se de maneira seletiva com o negacionismo climático. No caso da estratégia russa de se afirmar como “superpotência dos hidrocarbonetos” é mais do que evidente que o Estado não possui interesse em cooperar com os esforços globais de mitigação, mas o exemplo da China aponta na direção oposta, ou seja, que o protagonismo na governança do clima pode ao mesmo tempo beneficiar a imagem internacional de um país e projetá-lo como “global player” no setor de tecnologias verdes.

Luiz Enrique Vieira de Souza é professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Bahia.

Estevão Bosco é professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e Pesquisador do Grupo de Estudos em Geografia Política e Meio Ambiente da Universidade de São Paulo.

Marcelo Fetz é professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo.



Referências

BEGLEY, S. (2007). The truth about denial. Newsweek, 13 August, p. 20-9.

CARSON, R. (2016). Primavera Silenciosa [Silent Spring]. São Paulo: Editora Gaia.

DUNLAP, R. E.; McCRIGHT, A. M. (2010). Climate change denial: sources, actors and strategies. IN: LEVER-TRACY, C. Routledge Handbook of Climate Change and Society. Abingdon: Routledge.

DUNLAP, R. E.; McCRIGHT, A. M.; YAROSH, J. H. The Political Divide on Climate Change: Partisan Widens in the U. S. Environment: Science and police for Sustainable Development, 58:5, p. 4-23.

ELSASSER, S. W,; DUNLAP, R. E. (2013). Leading voices in the denier chor: Conservative columnists’ dismissal of global warming and denigration of climate science. American Behavioral Science, 57 (6), p. 754-76.

FORCHTNER, B. (2019). Climate Change and the Far Right. WIREs Climate Change, DOI: 10.1002/wcc.604.

HAMILTON, C. (2010) Requiem for a Species. London: Earthscan.

LIU, J. C. (2015). Low-carbon plot: Climate change skepticism with Chinese characteristics. Environmental Sociology, DOI: 10.1080/23251042.2015.1049811.

McCRIGHT, A. M.; DUNLAP, R. E. (2011). Cool dudes: The denial of climate change among conservative white males in the United States. Global Environmental Change, 21 (4), p. 1163-72.

MELLO, P. (2019). “Governo brasileiro participa de reunião com negacionistas do clima” [Brazilian Government Participates in Meeting with Climate Denialists]. Folha de São Paulo, 30 July, www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/07/governo-brasileiro-participa-de-reuniao-com-negacionistas-do-clima.shtml.

MIGUEL, J. C. H. (2020). Negacionismo Climático no Brasil [Climate Denialism in Brazil]. Revista Coletiva (27), ISSN 2179-1287.

ORESKES, N.; CONWAY, E. M. (2010). Merchants of doubt. How a handful of scientists obscured the truth on issues from tobacco smoke to global warming. New York: Bloomsbury Press.

PAINTER, J.; GAVIN, N. T. (2015). Climate Skepticism in British Newspapers, 2007-2011. Environmental Communication, DOI: 10.1080/17524032.2014.995193.

PLEHWE, D. (2014). Think tank networks and the knowledge-interest nexus: the case of climate change. Critical Policy Studies, 8:1, p. 101-15.

SOUZA, L. E. V. (2021). Civilização ecológica ou colapso ambiental [Ecological Civilization or Environmental Collapse?]. MUSSE, R. (ed.) China Contemporânea: Seis Interppretações [Contemporary China: Six Interpretations]. Belo Horizonte: Autêntica.

TYNKKYNEN, V.; TYNKKYNEN, N. (2018). Climate Denial Revisited: (Re)contextualising Russian Public Discourse on Climate Change during Putin 2.0. Europe-Asia Studies, DOI: 10.1080/09668136.2018.1472218.

[1] “A Física nos conta que se o sol fosse o responsável pelo aquecimento global – como alguns céticos continuam insistindo – nós esperaríamos que tanto a troposfera como a estratosfera se aqueceriam, dado que o calor chega à atmosfera vindo do espaço sideral. Mas se o aquecimento for causado pelos gases responsáveis pelo efeito estufa emitidos da superfície e aprisionados na baixa atmosfera, então esperaríamos que a troposfera se aqueceria, mas que a estratosfera se resfriasse” ORESKES et CONWAY, 2010).

[2] Em outro estudo, McCright e Dunlap (2011) debruçaram-se sobre pesquisas de opinião realizadas entre 2001 e 2010 nos Estados Unidos que demonstravam uma maior tendência de homens brancos e conservadores a abraçarem as teses negacionistas. Essa tendência seria ainda maior entre os homens brancos conservadores que afirmavam “conhecer muito bem” os temas relacionados às mudanças climáticas [“cool dudes”]. Para explicar esse fenômeno, os autores articularam os pressupostos da “teoria cognitiva da motivação” à “tese da vulnerabilidade”, segundo a qual homens brancos se sentem menos vulneráveis que mulheres e não brancos em virtude de sua posição dominante na estrutura social, e por isso estariam mais dispostos a aceitar esses riscos.

[3] Esse projeto almejava restringir as medidas de proteção ambiental para favorecer a expansão da pecuária extensiva e das monoculturas de soja e cana-de-açúcar. O deputado Aldo Rebelo, que em 2009 ainda pertencia ao Partido Comunista do Brasil e atuava como relator da comissão que discutia a implementação dessa nova legislação, classificou o diagnóstico sobre as mudanças climáticas como “ideologia norte-americana (…) [que visava] conter o avanço do setor agropecuário no Brasil” (apud MIGUEL, 2020).

[4] Donald Trump inverteu o sinal dessa equação ao publicar um tweet com a acusação de que “o conceito de aquecimento global foi criado pelos e para os chineses para fazer tornar o setor industrial dos EUA não competitivo” (6/11/2012).
Revista Le Monde Diplomatique

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