Resumo da Obra:
O que é Violência Urbana Autor: Régis de Morais
O entendimento da violência urbana vai muito além da conceituação de homens bons e homens ruins, até porque não se pode definir quem são os homens bons e quem são os homens ruins. É conseqüência da nossa sociedade e não uma característica dela. Régis de morais, no livro, inicia o seu trabalho focando o medo. O medo que eu tenho de sair às ruas, que você tem e que, por si só, é um fator de geração da violência urbana. Isto acontece porque, quanto mais reprimidos os homens, mais drásticas são as suas atitudes. Explicando, o homem que se mantém reprimido o tempo todo, escondendo-se na sociedade, permite que outros que dominam tomem as rédeas do que será desenvolvida na cidade, gerando um nível de poder extremo, o homem, que ao se ver reprimido reage, vai ao encontro de uma afirmação constante no livro, a de que a brutalidade é a arma dos fracos. Em qualquer das duas hipóteses, o homem é uma marionete. Isto porque, como afirmado no segundo trecho, o espaço é político, e quando se fala em política, se fala em poder. No espaço das cidades, principalmente grandes cidades, que é o alvo principal do estudo, o poder encaminha a população e por conseqüência delimita o seu nível de ação, como acontece em qualquer das organizações, das mais simples as mais evoluídas. Como conseqüência da impotência dos menos poderosos, pra não dizer sem poder, surge à brutalidade dos fracos, tidos por muitos como a raiz da violência urbana, mas ai, nos perguntamos, a raiz representa a base, a base é começo, onde começa tudo isso? Na brutalidade dos fracos ou na opressão de um sistema que difere a todos. Creio eu que todos já sabem essa resposta... Por todas essas situações, o homem perde a sua maior riqueza, a sua identidade, a sua capacidade de enxergar em si a pretensão de ser melhor. Isto gera violência. Como podemos julgar o detento rebelado que fora preso por roubar, mas que, dentro da cadeia, possui seus pertences roubados e não vê ninguém ser punido por isso? Como podemos julgar o homem que pode produzir grandes produtos sem que possa ter o poder de consumi-los? É um mundo que, por mais que o homem tente se livrar dos descaminhos e do barbarismo, ele está sendo constantemente sendo persuadido a viver assim. Um sistema que estimula a violência na medida em que não estimula a inserção social dos oprimidos. E o futuro, sobre o qual nós temos grandes expectativas, representa o mesmo presente que as pessoas tinham grandes expectativas há 30 anos atrás. Nossas crianças, antes açoitadas por um mundo de miséria e repressão, quando hoje, além da miséria, vivem sobre a mira de uma ideologia programática. Se antes havia ao menos a humanidade como atenuante, hoje elas crescem com máquinas no auxilio do desenvolvimento. No livro, ele coloca a seguinte idéia: Sociedade no mundo contemporâneo está resumida á: homem = produção = dinheiro, crianças não produzem, logo, não se encaixam no ideal e, até que possuam aptidão para tal, são apenas mais um problema ou mais uma boca pra se alimentar, como ele relata. Concluindo, a grande contribuição do livro é que, violência urbana vai muito além dos fatos, muito além das causas superficiais. Violência urbana é apenas uma conseqüência do princípio desejo e poder. Se você deseja e pode, está tudo perfeito, se o desejo existe e o poder não vem acompanhando, diferentemente de outras pessoas, surge esta realidade social, afinal, ninguém abre mão do poder e da mesma forma, ninguém abre mão do desejo.
Bibliografia
• MORAIS, R. de. O que é violência urbana. São Paulo: Brasiliense, 1981.)
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