segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Nordeste e suas Chuvas Irregulares



O Nordeste e suas Chuvas Irregulares... (No tempo e no espaço)
É de conhecimento de todos, que as chuvas no semi-árido do Nordeste do Brasil, é mal distribuída no tempo e no espaço... E que sua causa provável, talvez seja, devido a sua diversidade topográfica de sucessivas serras, planaltos e chapadas... Contrapondo a isto, existem as pequenas planícies, vales e depressões, caracterizando, portanto, a uma região de revelo heterogêneo, ou seja de altos e baixos...Contudo, se tivesse uma topografia só de planalto ou de planície, provavelmente, teria uma estação chuvosa regular. Um exemplo disto, é sobre a estação chuvosa da Amazônia, que é abundante, e estar dentro de uma imensa planície... Evidentemente, não só a planície amazônica, formou esta colossal Bacia Hidrográfica, que detém 11,6% de toda água doce superficiais da hidrosfera terrestre disponíveis ao homem. Sobretudo, devido a sua localização geográfica, por estar dentro dos trópicos, principalmente, na sua faixa equatorial, por ter verão o ano todo...
Obviamente, tem um intenso e permanente calor, suscitando uma intensa evaporação das águas de sua bacia hidrográfica fluvial (que é imensa), mais (+) a evapotranspiraçao, através da fotossíntese desta grandiosa floresta Amazônica, afora as umidades vindas do oceano atlântico, que são canalizadas neste planisfério vasto ecossistema amazônico, favorecendo as chuvas...
Porventura, alguém pergunta, se a faixa equatorial africana, é tão chuvosa, quanto na faixa equatorial amazonense? É evidente que não., A faixa tropical africana, ou melhor, a faixa equatorial,*(nunca teve), não tem e nunca terá a prerrogativa natural de ter uma imensa bacia hidrográfica, como na Amazônia, **quase totalmente coberta por água, que torna susceptível a intensa evaporação, aonde não é água, é floresta (onde é o pulmão do mundo), que também, é susceptível a grande evapotranspiração, através da fotossíntese...
Entretanto, todo continente africano, próximo ao litoral do oceano Indico, é cortado transversalmente do norte ao sul, por altos planaltos e montes, principalmente em sua faixa equatorial, onde fica o monte kilimanjaro, entre Uganda, Quênia e a Tanzânia, impossibilitando pelo visto, em parte, o avanço de massas úmidas para o interior do continente africano...E que por via de conseqüência, privando o continente africano de densas florestas, predominando as savanas africanas, que tem uma certa semelhança com o cerrado mato-grossense e a caatinga do sertão nordestino brasileiro...Privando também, de grandes bacias hidrográficas, que a grande maioria de seus rios, nascem e morrem, dentro próprio continente africano. Que dentro de pouquíssima exceção, se destaca o Rio Nilo, que nasce no Monte Ruvenzori em Uganda, atravessando o Sudão e o Egito, desaguando no Mar Mediterrâneo. Entretanto, entre os escassos recursos hídricos africanos, merece destaque o lago Vitória, o segundo do mundo, só perdendo para o lago Superior, que fica, entre o Estados Unidos (EUA) e Canadá. E mesmo assim, deve-se ressaltar, que o lago Vitória, fica em plena faixa equatorial africana, dentro do planalto dos grandes lagos, entre os Países de Uganda, Quênia e Tanzânia, e estar bem próximo a monte Kilimanjaro.
Outra região, que é duplamente beneficiada por chuvas de planície e de planalto, é o Pantanal Mato-Grossense. Por ter excelentes índices pluviométricos, e estar encostado (vizinho) a Bacia Platina, que tem vários rios caudalosos, como os Rios Paraná, Paraguai, e o Uruguai, que deságuam no Rio da Prata... Além das baias fluviais, lagos e lagoas, formando uma grande bacia hidrográfica, susceptível a uma intensa evaporação para a formação de chuva no Pantanal Mato-Grossense e até mesmo, na formação de chuvas no Planalto Central Brasileiro, precisamente nas serras do Roncador e do Caiapó, e que quase, como efeito dominó, as chuvas precipitadas sobre as referidas serras (do roncador e do caiapó), são drenadas para o próprio Pantanal Mato- grossense...
O semi-árido, ou melhor, o Polígono das Secas, compreende desde do Norte de Minas Gerais, indo até ao Piauí, incluindo até mesmo seu litoral e do Ceará, inclusive sua capital Fortaleza...
Dentro do Nordeste, só o Estado do Maranhão, estar livre do polígono das secas, devido, receber influência da estação chuvosa do Meio-Norte, precisamente do estado do Pará. Em conseqüência disto, tem uma estação chuvosa abundante, para não dizer amazônica.
Segundo o dicionário Aurélio, semi-árido, que dizer, quase seco, de pouca umidade...Dentro da climatologia, regiões semi-áridas, são regiões de poucas chuvas...E que até mesmo em ano chuvoso, são chuvas mal distribuídas no tempo e no espaço... Agora como explicar a semi-aridez e estar dentro de um polígono? Este fenômeno de secas periódicas no Nordeste, provavelmente, se justifique devido à heterogeneidade de seu revelo, de serras e vales...As sucessivas cadeias de serras, como a chapada do Araripe, que se estende de Pernambuco ao Ceará, o Planalto da Borborema, que vai desde da divisa da Paraíba, com o Rio Grande do Norte, até o extremo oeste de Pernambuco divisa com o Ceará, que se junta em cadeia com a serra do Araripe, e mais (+) a Chapada Diamantina na Bahia, fechando hermeticamente o polígono, formando o polígono das secas...Já referente, a semi-aridez no norte de Minas Gerais, é devido à conjunção das cadeias de Serras, desde da Serra da Canastra, localizada a sudoeste de Minas Gerais, com a Serra do Espinhaço (mais a leste), que por sua vez se junta à parte meridional da chapada Diamantina...
...Pelo visto, essas sucessivas cadeias de serra, planalto e chapada (Araripe, Borborema e Diamantina), em anos de El Nino, vem obstruir (barrar) em parte, a passagem das umidades trazidas pelas frentes frias e/ou massas de ar úmidas oriundas do oceano Atlântico, principalmente de Janeiro a Março, para essas regiões sertanejas e norte de Minas Gerais. E até mesmo, algumas frentes frias e as massas de ar úmidas, que quando chegam ao norte de Minas Gerais e ao semi-árido nordestino, não encontram umidade suficiente para formação de chuvas, configurando deste modo, os anos de "estiagens", ou melhor, de secas... E que, as poucas chuvas, que ocorrem nestas referidas regiões, em ano de "estiagem", ou melhor, em ano de "El Nino", são, justamente, em suas regiões serranas de planaltos e chapadas (que são os brejos do norte de Minas Gerais e os brejos nordestinos) e na sua faixa litorânea, desde do Piauí até a Bahia, exceto o norte de Minas Gerais, por não possui litoral. Talvez, por isso, explique, as irregularidades espaciais das chuvas no semi-árido brasileiro...
Gosto de citar, só como exemplo, que dentro da climatologia terrestre, existem diversas localidades e regiões, que são áridas e semi- áridas, devido a obstruções (barramentos) de correntes de umidades feitas pelas as serras, montanhas e cordilheiras para as suas regiões adjacentes e por via de conseqüência, formado deserto...Um exemplo mais palpável disto, é o deserto do Atacama no Chile, devido obstrução das umidades das correntes marítimas do Pacifico, pela Cordilheira dos Andes, que porventura, viria para este mencionado deserto chileno...
Já as irregularidades temporais das chuvas, decorrem dos anos de El Nino (de poucas chuvas) e La Nina (de muita chuva)... É bom ressaltar, que em ano de El Nino, até na Amazônia, diminui a sua umidade relativa do ar, e que em conseqüência disto, diminui seus índices pluviométricos... Mais outra razão em ano de El Nino, da semi-áridez do polígono das secas. Até porque, as chuvas formadas dentro polígono das secas, principalmente de Março até Junho, recebem influência direta das convergências de umidades intertropicais, vindas da Amazônia...
... Em suma, donde se conclui, que o El Nino e os Planaltos, as cadeias de Serras e as Chapadas, determinam a escassez de chuvas e suas irregularidades no tempo e no espaço, no semi-árido brasileiro...Na ausência do El Nino, atua o La Nina, que vem estabelecer as condições normais das estações chuvosas no nosso Semi-árido...Agora, entretanto, não vem explicar as causas, desta situação atípica dos três últimos Janeiros, de chuvas abundantes, bem acima da média histórica, principalmente em Janeiro de 2004...Alguns meteorologistas, defenderam algumas possíveis causas, dizendo que foi devido à conjunção dos sistemas atmosféricos, favoráveis a formação de chuvas abundantes, como, La Nina, frentes frias, vórtice de umidades intertropicais, etc... Não dizendo, as causas da conjunção desses mencionados sistemas atmosféricos...Quando interpelados, sobre as possíveis causas, desta "Conjunção atmosférica", disseram que as causas desta mencionada conjunção atmosféricas, foram devido ao superaquecimento das águas do oceano atlântico tropical, principalmente na sua faixa equatorial, decorrente do intenso calor do verão no mês de Janeiro no Hemisfério Sul...Ora, desde os primórdios da civilização humana, depois da invenção do calendário para medição do tempo, e obviamente, com o conhecimento da Geografia, sabe-se, que existe o calor do verão em Janeiro no hemisfério sul...Partindo, deste pressuposto, pergunta-se, por quê, só nestes três últimos Janeiros, superaqueceu as águas do oceano atlântico tropical? Será que foi por causa do aquecimento global?. Se sim, ótimo (pelo menos no mês de Janeiro) para nós Nordestinos, e péssimo, para os Sulistas, Paulistas, Cariocas e uma grande parte dos Mineiros...Até porque o aquecimento global é crescente...Consubstanciando esta premissa, se vê que, são crescentes os índices pluviométricos no semi-árido brasileiro...E, uma prova inconteste disto, são os três últimos Janeiros (2002, 2003 e 2004)... Enquanto que, no Centro-Sul, nos respectivos meses e anos, ou seja, os Janeiros de 2002, 2003 e 2004, decresceram os seus índices pluviométricos...
(*),(**)= Deve-se ressalvar, em dizer que, a faixa equatorial da continente africano,* nunca teve uma bacia hidrográfica, **quase totalmente banhada por água, como na bacia amazônica...Entretanto, se for considerar o planeta terra antes das deriva dos continentes na pangéia, continente antigo que, conforme certa teoria, era constituído pela reunião dos atuais continentes, os quais teriam surgido pela fissura do bloco original. Só depois da deriva dos continentes, que se definiu a continentalidade das regiões do planeta Terra...Todavia, não só a faixa equatorial africana, como toda superfície terrestre, era coberta por água...Uma prova palpável disto, é que no monte Everest no Himalaia, a 8.868m de altitude, encontraram fósseis de peixes... Agora, como explicar, que depois da deriva dos continentes, veio aflorar a superfície terrestre, com se encontra hoje? E essa água que cobria toda superfície terrestre foi parar aonde?... E que, segundo a hidrologia, toda massa hídrica da hidrosfera terrestre, não diminui, só muda de local...
Obviamente, com a deriva dos continentes (que existe até hoje), formou e ainda forma (considerando o tempo geológico), enormes abismo, na maioria deles, abissais, que são profundezas oceânicas, abaixo de dois mil metros e de enormes distancias de milhares de quilômetros, nesses abismos, sobretudo, entre a América do Norte e a Europa, e não menos grandioso, entre América do Sul e a África... Não entrando nos pormenores desta questão, só aí explica, para aonde foi a água que cobria toda superfície terrestre, antes da deriva dos continentes...

DO AUTOR DO LIVRO: ÁGUA: A ESSÊNCIA DA VIDA
PEDRO SEVERINO DE SOUSA
www.aguapss.rg3.net
Email: pedrossjp@bol.com.br

http://www.uniagua.org.br
Universidade da Água

domingo, 16 de outubro de 2011

Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)


1. Qual é o objetivo do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)?
O tratado – assinado em 1968 e em vigor desde março de 1970 – tem como objetivos impedir a proliferação da tecnologia usada na produção de armas nucleares, promover o desarmamento nuclear e garantir o uso pacífico da energia nuclear produzida.
2. Quantos países aderiram ao tratado?
Ao todo, 189 países já aderiram ao TNP. Apenas Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte não fazem parte do acordo. Inicialmente os norte-coreanos haviam aderido, mas se retiraram do acordo em janeiro de 2003. O Brasil é signatário desde setembro de 1998.
3. Ao assinar o TNP, a que os países se comprometeram?
O tratado divide os signatários em dois grupos: os “nuclearmente armados” e os “não-nuclearmente armados”. De um lado, estão as cinco potências, também membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - considerados “nuclearmente armados” por terem fabricado ou explodido qualquer artefato nuclear antes de 1 º de janeiro de 1967. Por meio do tratado, esses países garantiram o direito de manter suas armas atômicas, comprometendo-se a não fornecer esses dispositivos ou repassar a tecnologia de sua fabricação a nenhuma outra nação, além de caminhar na direção do desarmamento nuclear. De outro lado, estão os demais países, que se comprometeram a desenvolver a tecnologia nuclear somente para fins pacíficos.
4.Quem é responsável pela fiscalização dessas regras?
A inspeção é feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que deve ter acesso a todas as informações sobre os programas nucleares dos signatários. Se a AIEA descobre que um país desrespeitou o tratado, encaminha o caso ao Conselho de Segurança da ONU, habilitado a tomar medidas para enfrentar o problema.
5. Além das cinco potências, outros países possuem programas de armamento nuclear?
Sim: Índia, Israel, Paquistão e Coreia do Norte, que não são signatários do TNP. África do Sul, Iraque e Líbia já possuíram, mas abandonaram seus projetos nucleares em 1989, 1991 e 2003, respectivamente. Suspeita-se que o Irã também desenvolva programas nucleares com fins militares.
6. O que determina o Protocolo Adicional ao TNP?
Criado em 1997, o documento autoriza a AIEA a inspecionar – com um tempo de aviso prévio curtíssimo – as instalações previstas pelo TNP e qualquer outro lugar do país considerado passível de ser utilizado em um programa nuclear, como centros de pesquisa ou usinas. O Protocolo também prevê o amplo acesso da Agência à tecnologia nuclear utilizada no país, inclusive aos detalhes dos sistemas de enriquecimento de urânio.
7. Os signatários do tratado são obrigados a aderir ao Protocolo?
Não, a adesão ao Protocolo Adicional é voluntária. Porém, as potências atômicas pressionam os países não-nuclearmente armados a aderir. Elas alegam que programas nucleares, principalmente em nações pobres e instáveis, são uma ameaça por incentivarem o terrorismo atômico. Na verdade, o temor está mais ligado ao risco das chamadas “bombas sujas”, artefatos explosivos convencionais misturados com materiais radioativos.
8. Por que o Brasil hesita em aderir ao Protocolo Adicional?
O governo brasileiro acredita que focar a discussão, durante a conferência da ONU, no Protocolo Adicional pode desviar a atenção para o que o Itamaraty considera ser o principal tema do TNP: o desarmamento nuclear.

Representantes do governo brasileiro também acreditam que as medidas previstas no Protocolo Adicional são invasivas. Desconfiam ainda que o objetivo das grande potências é conhecer detalhadamente toda a tecnologia de enriquecimento de urânio por parte dos signatários para incrementar as suas próprias técnicas nucleares. Tudo sob o pretexto de enfrentar ameaças terroristas.

A não-adesão ao documento protegeria o domínio da tecnologia de todo o ciclo do urânio como combustível nuclear e as importantes reservas desse minério que o Brasil possui, enquanto o Protocolo poderia afetar as possibilidades de participação do país nesse mercado. Apenas três nações detêm reservas de urânio e tecnologia para enriquecê-lo: Brasil, Estados Unidos e Rússia.
9. Por que esse posicionamento brasileiro é questionado?
Ao decidir não assinar o Protocolo, o Brasil pode levantar suspeitas de que os fins de seu programa nuclear não são pacíficos e corre o risco de ser retaliado em seus interesses diplomáticos ou boicotado em futuros acordos comerciais e para a transferência de tecnologia. Suspeita-se, ainda, que a não-adesão ao Protocolo possa ter como motivo o receio dos governantes brasileiros de verem descobertos procedimentos pouco ortodoxos para obter os equipamentos utilizados no processo, mesmo que seu projeto nuclear não tenha, de fato, desdobramento militar.
10. A Constituição brasileira tem alguma cláusula sobre o assunto?
Uma cláusula da Constituição de 1988 determina que o governo deve proibir a presença em território nacional de artefatos atômicos de ataque. O texto foi assinado após o Brasil obter domínio teórico e prático de todo o ciclo do combustível nuclear: da extração ao enriquecimento do urânio.
11. Por que a conferência sobre o TNP trouxe à tona questões diplomáticas iranianas?
O Irã afirma que os únicos objetivos de seu programa nuclear são realizar pesquisas médicas e gerar eletricidade. Porém, o fato de o Irã não declarar atividades atômicas sensíveis para a ONU e manter as restrições às inspeções tem diminuído a confiança de outras nações no país. Teerã já ameaçou eliminar outra nação, quando disse que o território israelense poderia ser "riscado do mapa".

Por isso, os EUA aproveitaram o encontro do TNP para pressionar o Conselho de Segurança da ONU a apoiar uma quarta rodada de sanções internacionais contra o Irã, para garantir a redução das suas atividades de enriquecimento de urânio. O Brasil, assim como outros membros não-permanentes do Conselho de Segurança, tem incentivado o acordo de troca de combustível, na tentativa de evitar a imposição de novas sanções, inclusive se oferecendo como mediador.
Jornal O Globo

sábado, 15 de outubro de 2011

G20 - Quando acontecem as reuniões e o que se discute nelas?



Os ministros da área econômica e os presidentes de bancos centrais do G20 costumam se reunir uma vez por ano. Em 2008, o encontro aconteceu em São Paulo, nos dias 8 e 9 de novembro - poucos dias depois, chefes de estado do G20 se reuniriam em Washington, a convite do presidente americano, George W. Bush. Nessas oportunidades, os dirigentes debatem tópicos orçamentários e monetários, comerciais, energéticos, saídas para o crescimento e formas de combater o financiamento ao terrorismo. Na presidência rotativa da organização, o Brasil propôs três temas para 2008: competição nos mercados financeiros, energia limpa e desenvolvimento econômico e elementos fiscais de crescimento e desenvolvimento. Os assuntos foram abordados em seminários realizados em fevereiro, na Indonésia, em maio, em Londres, e em junho, em Buenos Aires. Em pleno movimento de recuperação, os países discutem nesta edição de 2010 questões relacionadas à estabilidade da economia global e às possíveis maneiras de fortalecer o comércio e seus investimentos.
Revista Veja

Como funciona o G20?




Ao contrário de organismos transnacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o G20 não conta com equipe permanente. Neste sentido, seu modelo de operação é semelhante ao do G8. Rotativa, a presidência do grupo muda a cada ano. Em 2008, o Brasil foi escolhido para presidir o G20; em 2009, o Reino Unido e, em 2010, a Coréia do Sul. Para garantir a continuidade dos trabalhos, a presidência opera em um esquema tripartite, chamado de Troica: uma diretoria formada por três peças fundamentais concentra ao mesmo tempo uma pessoa ligada à presidência anterior, uma relacionada à atual e outra à futura gestão. A cada presidência, é definido um secretariado provisório, que coordena os trabalhos e organiza as reuniões do grupo.
Revista Veja

A que fração da economia mundial corresponde o G20?



Os países que compõem o grupo respondem juntos por 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Se computadas as transações internas da União Européia, o grupo responsável por cerca de 80% do comércio internacional. Além disso, dois terços da população global estão distribuídos entre os países que formam o G20. Em declaração feita no final de 2008, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os emergentes do G20 respondem hoje por "75% do crescimento mundial".
Revista Veja

Quais nações compõem o G20?



Ministros da área econômica e presidentes dos bancos centrais de 19 países: os que formam o G8 e ainda 11 emergentes. No G8, estão Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Os componentes do G20 são: Brasil, Argentina, México, China, Índia, Austrália, Indonésia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul e Turquia. A União Européia, em bloco, é o membro de número 20, representado pelo Banco Central Europeu e pela presidência rotativa do Conselho Europeu. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, assim como os Comitês Monetário e Financeiro Internacional e de Desenvolvimento, por meio de seus representantes, também tomam assento nas reuniões do G20.
Revista Veja

Quando e por que foi criado o G20?


O G20 foi criado em 1999, ao final de uma década marcada por turbulências na economia (na Ásia, no México e na Rússia). Além de resposta a essas crises, a formação do grupo foi uma forma de os países ricos reconhecerem o peso dos emergentes, que se mostraram capazes de ameaçar os mercados com suas instabilidades. O G7 - bloco de nações mais desenvolvidas do planeta, que agrega agora a Rússia - já se reunia para falar de economia desde 1975. Mas, com os distúrbios da década de 1990, passou a abrir a discussão a países em desenvolvimento. Em 1998, reuniões mais amplas que as do G8, com até 33 países, deram início à inserção dos emergentes na conversa. O movimento resultaria na formação do G20.

Revista Veja

Notícias Geografia Hoje



G20 mantém pressão sobre Eurozona para resolução da crise

Jan Strupczewski e David Milliken

PARIS (Reuters) - As principais economias do mundo mantiveram a firme pressão para que a Europa resolva a sua crise da dívida, com um senso de urgência que ficou refletido em comunicado ao final da reunião dos líderes do G20, neste sábado.

A Alemanha e a França se comprometeram a preparar um plano para deter a contaminação da crise, proteger os bancos europeus e a economia mundial.

"Ouvimos dos nossos colegas da Eurozona sobre as ações nas quais eles estão trabalhando, mas acredito que eles deixarão Paris sem nenhum mal-entendido de que existe uma enorme quantidade de pressão sobre eles para que apresentem uma solução para a crise", disse o ministro de Finanças britânico, George Osborne, aos repórteres.

"(A crise) continua sendo o epicentro dos atuais problemas da economia mundial. E (o encontro) do Conselho Europeu é claramente o momento em que as pessoas estão esperando algo realmente impressionante".

O rascunho do comunicado, que ainda precisa ser assinado pelos ministros de Finanças e chefes dos bancos centrais do G20, "espera trabalhos adicionais para maximizar o impacto do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) com o objetivo de enfrentar o contágio (da crise) e para o resultado do encontro do Conselho Europeu em 23 de outubro".

Os esforços de alguns países para aumentar a munição do Fundo Monetário Internacional (FMI) no combate à crise encontraram resistência dos Estados Unidos e de outras nações na sexta-feira, sepultando esta ideia, por enquanto, e colocando a pressão novamente na Europa.

Os Estados Unidos estão entre os países que querem manter a pressão sobre os europeus para que atuem de forma mais decisiva para acabar com a crise que começou na Grécia, mas desde então se espalhou para a Irlanda e Portugal e já atinge também a Espanha e a Itália.

O plano franco-alemão, que está sendo preparado para apresentação à cúpula da União Européia, poderá pedir aos bancos expostos à dívida grega que aceitem perdas maiores que os 21 por cento acertados em julho, o que parece insuficiente.

O que ainda precisa ser decidido é se esse compromisso pode ser alcançado com a participação voluntária dos bancos.

O rascunho do comunicado informa que o G20 irá "garantir que os bancos estejam capitalizados adequadamente e tenham acesso suficiente aos financiamentos. Os bancos centrais, recentemente, tomaram ações decisivas nesse sentido e continuarão preparados para prover liquidez aos bancos".

SEM MUDANÇAS NO IUANE

O G20 definiu que as economias mais desenvolvidas irão consolidar o seu déficit fiscal e as economias emergentes, como a China, continuarão o movimento em busca de uma maior flexibilidade na taxa de câmbio e aumento do consumo doméstico.

"Economias de mercados emergentes superavitários irão acelerar a implementação de reformas estruturais para reequilibrar a demanda no sentido de um consumo mais doméstico, suportado por esforços contínuos para avançar na direção de um sistema de taxa de câmbio mais orientado pelo mercado e alcançar maior flexibilidade da taxa de câmbio, para refletir os fundamentos da economia", informa o comunicado.

Fontes do G20 disseram que a China não deu nenhuma indicação de que está preparada para mudar o ritmo no sentido de dar maior flexibilidade ao iuane mas irá se comprometer para aumentar o consumo doméstico por meio de um plano de cinco anos que envolverá as famílias, empresas e o setor de infraestrutura.

O estabelecimento de metas, como parâmetros de medição dos desequilíbrios globais e formas de controlar os fluxos de capital especulativo, não deve ocorrer antes da reunião da cúpula do G20 marcada para 3 e 4 de novembro, em Cannes.

Reuters

Notícias Geografia Hoje



Epidemia de Aids avança no Oriente Médio e Norte da África
Reuters/Brasil Online

Por Kate Kelland
LONDRES (Reuters) - A epidemia de HIV/Aids tem avançado entre homens homossexuais e bissexuais no Oriente Médio e Norte da África, disseram pesquisadores na terça-feira, alertando contra a disseminação dos comportamentos de risco na região.
No primeiro estudo do gênero nessa área, onde a homossexualidade e a bissexualidade são tabus, pesquisadores da Faculdade de Medicina Weill Cornell, do Catar, notaram que a epidemia está fortemente concentrada em determinados grupos -com incidência superior a 5 por cento- em países como Egito, Sudão, Paquistão e Tunísia.
Numa amostra no Paquistão, a contaminação pelo vírus da Aids chegava a 28 por cento, de acordo com o estudo publicado na revista Public Library of Science (PLoS) Medicine.
Os pesquisadores salientaram a necessidade de maior acesso a exames, prevenção e tratamento para homens que fazem sexo com outros homens nesses países.
Estima-se que em 2009 cerca de 33,3 milhões de pessoas no mundo estivessem contaminadas com o vírus HIV, sendo 22,5 milhões na África Subsaariana. Há poucos dados publicados a respeito da epidemia no Oriente Médio e Norte da África.
"É como o buraco negro no mapa global do HIV, e isso desencadeou muitas polêmicas e debates em torno do status da epidemia", disse por telefone Ghina Mumtaz, uma das coordenadoras do estudo.
Segundo ela, fazendo uma busca mais apurada foi possível encontrar os dados necessários, mesmo que coletados por entidades diversas e não divulgados ao público.
As conclusões, segundo os pesquisadores, foram preocupantes, mas não surpreendentes. Uma delas foi a de que em 2008 a transmissão do vírus por sexo anal entre homens representou mais de um quarto dos casos notificados em vários países da região.
"Em todo o mundo há na verdade epidemias emergentes entre homens que fazem sexo com homens, e essa região não é exceção", disse Laith Abu-Raddad, o outro coordenador do estudo.
Ele acrescentou que a melhora nos exames, na vigilância e no acesso ao tratamento ajudaria a limitar a epidemia e a evitar que ela atingisse outros grupos, como mulheres e homens heterossexuais. Salientou que isso não exigiria manifestações públicas desconfortáveis por parte dos governos.
"Os homens que fazem sexo com homens são ainda uma população altamente escondida na região, e há um estigma em torno desse comportamento, mas alguns países têm sido capazes de encontrar formas criativas de lidar com o problema, e ao mesmo tempo evitar sensibilidades sociais, culturais e políticas", disse Mumtaz, citando iniciativas em Marrocos, Líbano e Paquistão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/08/02/epidemia-de-aids-avanca-no-oriente-medio-norte-da-africa-925048328.asp#ixzz1aqTjIUwA
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Fome na África é vergonha para o mundo


Há situações em que o mundo parece anestesiado, incapaz de reagir de forma adequada a situações catastróficas de miséria humana. Fazem parte delas as frequentes fomes na África. Parece haver acomodação diante de tristes fotos de seres humanos destituídos de toda a dignidade, como se prisioneiros fossem de campos de concentração nazistas.
Sabe-se que, a cada nova tragédia, países doadores se reúnem para ajudar, organizações internacionais se mobilizam, ONGs assistenciais entram em ação e voluntários de muitos lugares do mundo formam batalhões humanitários. Com isso conseguem, no máximo, atenuar os efeitos da fome.
Considere-se a situação do Chifre da África, onde 13 milhões de pessoas têm sua subsistência ameaçada em Somália, Quênia, Etiópia e Djibouti. O epicentro da crise é a Somália, onde a fome já atinge seis das oito regiões do país, e 750 mil estão na iminência de morrer por falta de alimentos. O cálculo é da ONU, segundo a qual centenas de somalianos perecem a cada dia - metade deles crianças - apesar do aumento da ajuda externa.
A Somália, cujo estado praticamente desapareceu desde conflitos internos na década de 90, enfrenta uma terrível conjunção de fatores: seca e quebra de safras, preços da comida em alta acelerada, grupos em guerra que impedem a distribuição ou saqueiam os alimentos levados ao país. Quatro milhões de pessoas, mais da metade da população, estão em situação de crise alimentar, segundo a ONU.
Leve-se em conta que os países ricos estão hoje em apuros, o que os leva a cortar justamente na ajuda externa à luta contra a miséria, a fome e a doença. O Congresso americano já brecou US$ 8 bilhões da verba pedida pelo Executivo para o Departamento de Estado e para a ajuda externa. Contribuições para a ONU foram reduzidas em centenas de milhões de dólares, atingindo missões de paz e o Programa Mundial de Alimentação.
O mais grave é que os próprios líderes africanos viram as costas ao problema. Em visita ao campo de Dadaab, no Quênia, que aloja 400 mil refugiados alimentares da Somália, o músico Youssou N'Dour, do Senegal, um dos embaixadores do Unicef, criticou duramente esses líderes que, em grande parte, boicotaram uma conferência da União Africana para levantar fundos para enfrentar a crise. "Os africanos não estão dando o exemplo. Autoridades vivem como nababos. Precisam de mais dinheiro e poder para elas mesmas. Só pensam nelas e não na população de seus países", atacou N'Dour.
À comunidade internacional não basta agir de forma tópica, nas crises. Em relação à Somália, por exemplo, ao lado do esforço humanitário, é necessário outro para ajudar o país a construir instituições que possam, futuramente, fazer frente de forma mais efetiva a situações como a atual.
E parte do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a advertência tantas vezes ouvida, mas a cada dia mais pertinente. É preciso uma ação multilateral urgente contra o aquecimento global, causa importante das mudanças climáticas que tornam ainda mais dramáticas as secas em vastas regiões da África, e do mundo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/09/09/fome-na-africa-vergonha-para-mundo-925324802.asp#ixzz1aqJCf0fk
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Jornal O Globo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Notícias Geografia Hoje






29/09/2011 13
Meio ambiente: 40% da água produzida no País é desperdiçada
Agência Câmara
Durante o Congresso Brasileiro de Desenvolvimento Humano – Saneamento Total e Dignidade da Pessoa Humana, o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, Giovani Cherini (PDT-RS), assinalou que 40% da água produzida no País são desperdiçados.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que para cada R$ 1 investido em saneamento básico, são economizados R$ 4 em saúde, e que o tema tem dimensões muito concretas na saúde. Ele lembrou que as doenças que mais matam no mundo são as cardiovasculares, mas assinalou que os últimos relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam crescimento ano a ano de mortes por catástrofes como secas prolongadas, maremotos e enchentes. “O saneamento faz parte da construção de um mudo sustentável. Os investimentos estão sendo feitos. A Funasa já está destinando R$ 230 milhões para levar água para regiões do semiárido, por exemplo”, declarou.
Cherini disse ainda que apenas 43% dos municípios brasileiros têm acesso a saneamento básico, e apenas 1/3 conta com esgoto tratado. “A falta de saneamento é a causa do surgimento de 80% das doenças que atingem a população mais carente. São necessários pelo menos 20 anos para universalizar o saneamento básico no País, se houver aumento nos investimentos”, alertou.
Cidades grandes sem saneamento
O primeiro-vice-presidente da comissão, Oziel Oliveira (PDT-BA), chamou a atenção para as cidades que ainda não contam com saneamento básico. Ele citou Barreiras, na Bahia, que tem 120 anos e somente agora passa a contar com saneamento. “É uma cidade que faz parte do pólo de desenvolvimento do agronegócio brasileiro e demorou tanto tempo para ter esse benefício. Os investimentos na saúde não podem ser dissociados do saneamento básico. Grandes centros urbanos ainda jogam o esgoto a céu abeto. Um exemplo é o que ocorre em Guarulhos, São Paulo”, disse.
O evento ocorre no auditório da TV Câmara.
(Instituto CarbonoBrasil)


Plásticos biodegradáveis não fazem milagres



Leticia Freire, do Mercado Ético

O lixo é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Os moldes de consumo adotados por boa parte das sociedades modernas provocaram o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido no planeta. Em meio a esse cenário está um dos grandes vilões: o plástico.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), são consumidas no Brasil cerca de 12 bilhões de sacolinhas por ano. Dessas, 80% viram lixo, levando mais de mil anos para se decompor. Mas não são apenas essas embalagens que tem destinação final o estrago da natureza. Segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês), os produtos plásticos, como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres, formam a maior parte do lixo encontrado no oceano. Em algumas regiões, esse elemento corresponde a 80% do lixo marinho.

Do mito à realidade dos biodegradáveis
Na tentativa de minimizar a pegada, alguns fabricantes adicionam amido ou celulose à mistura de plástico para, assim, acelerar o processo de decomposição de certas embalagens. Mas será que essa biodegradação soluciona mesmo o problema?

A resposa é não! “O título biodegradável não garante nada para absolutamente nada”, avisa Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plático. “Evidentemente, é melhor optar pelos biodegradáveis, mas a presença de amido ou celulose não é uma garantia de decomposição em ambientes sem luz e oxigênio”, explica ela.

De acordo com a engenheira, o plástico biodegradável requer condições específicas para decompor-se adequadamente. Seu descarte de forma inadequada pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o plástico convencional. “Até mesmo uma casca de banana quando jogada fora em condições erradas necessita de um a três anos para se biodegradar. A natureza não faz mágica”, complementa Silvia.

Eles se biodegradaram, e agora?
Mas mesmo no caso dos plásticos biodegradáveis, resta saber no que o material se transforma depois da decomposição. Essa dúvida fez a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarar que não se pode afirmar que o uso de plásticos biodegradáveis é mais aconselhável, porque esse novo material pode ocasionar novas formas de contaminação ao solo.

Para Silvia Rolim, a solução integral depende da eficiência da nova política pública nacional de resíduos sólidos e de uma intensa participação das empresas nesse processo. “Qualquer política de resíduos sólidos, isso inclui a utilização ou não de plásticos biodegradáveis, depende de coleta adequada e destinação correta desses resíduos”, reforça a engenheira.

Texto publicado no Envolverde
Carta Verde

Dessalinização é a saída chinesa para a crise da água


Mitch Moxley, da IPS
Cientistas da China trabalham para desenvolver novas tecnologias de dessalinização que aliviem, nos próximos anos, a grave escassez de água que atinge todo o país. Apesar dos milhares de milhões de dólares investidos por Pequim em construção de represas e escavação de poços, fazendeiros no norte ainda precisam trabalhar duro em terra ressecada, enquanto centenas de cidadãos em todo o país sofrem falta de água e deterioração da qualidade dos recursos hídricos.

O déficit de água em Pequim logo estará entre 200 milhões e 300 milhões de metros cúbicos, segundo informes da imprensa estatal, enquanto a cidade espera que seja completado o Projeto de Transferência de Água do Sul para o Norte, no valor de US$ 62 bilhões, que causará o deslocamento de aproximadamente 330 mil pessoas.

O Banco Mundial alertou que a crise poderá provocar descontentamento e gerar atritos entre moradores das cidades e a população rural. Se não forem feitas profundas mudanças no uso da água, dezenas de milhões de chineses se converterão em refugiados ambientais na próxima década, alertou a instituição. Por outro lado, países asiáticos mais ao sul, como Birmânia, Laos, Camboja e Vietnã, afirmam que a agressiva política chinesa para construir represas no Rio Mekong priva de água seus cidadãos.

Para alguns, a resposta está na tecnologia de dessalinização. A China realiza pesquisas neste campo desde 1958, e em 1975 começou a testar seus primeiros artefatos. Em 1986, concluiu a fabricação de um dispositivo para dessalinizar água marinha mediante o processo de osmose reversa.

Tianjin, cidade costeira a 150 quilômetros de Pequim, representa a vanguarda nacional nesta tecnologia. Segundo o governo local, o Projeto de Dessalinização de Água Marinha de Dagang Xinquan é a “maior central da Ásia”. A “municipalidade desenvolve tecnologias de dessalinização desde 2000, e é considerada a mais confiável fonte de água para suprir as necessidades”, diz um informe realizado pelo Probe International, grupo ambientalista independente.

Wang Shichang, diretor do Centro de Tecnologias de Dessalinização da Universidade de Tianjin, informou que cientistas chineses trabalham em mais de 200 projetos e recebem apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Fundação Nacional da Ciência, da China. O centro dirigido por Wang introduziu o primeiro artefato de destilação subita de efeito múltiplo, que realiza o processo canalizando a água para diferentes câmaras, reduzindo a pressão progressivamente. O vapor gerado é capturado e convertido em água doce.

A capacidade de dessalinização chinesa atingiu quase 200 mil toneladas em 2009, contra 30 mil em 2005. Segundo o atual plano de desenvolvimento do governo, poderá chegar a entre 800 mil e um milhão de toneladas até o final deste ano. No entanto, Wang lembra que isto não é suficiente. Afirmou que ainda representa uma grande brecha entre a capacidade inovadora da China e a de países do Norte industrializado. São necessários mais subsídios estatais e acesso a empréstimos bancários, afirmou.

Enquanto Wang trabalha para conseguir um uso mais sustentável da água, Tian Juncang, professor da Universidade de Ningxia, tenta reduzir o desperdício dos recursos hídricos na agricultura. O trabalho de Tian se concentra em aplicar sistemas de irrigação por gotejamento e aspersão, maximizando a efetividade dos fertilizantes. Ele assegura que desta forma o uso de água pode ser reduzido em 50%.

A indústria agrícola chinesa atualmente emprega 70% de todos os recursos hídricos do país, e grande parte é desperdiçada, disse Tian. “A indústria agrícola da China enfrenta grandes desafios”, afirmou à IPS. Contudo, ao adotar a nova tecnologia, “a atual quantidade de água pode manter o dobro de terra cultivável”, acrescentou. Em 2007, o governo lançou um plano de 11 anos para promover a conservação da água, propondo metas detalhadas.

Tian afirmou que a conservação deve ser um esforço sistemático, com apoio e cooperação da indústria e da sociedade como um todo. Os esforços para preservar o recurso também exigirão maior financiamento do Estado, bem como de leis e regulações melhoradas, e infraestrutura avançada e melhor administrada, afirmou. “Os esforços de conservação da água foram fortalecidos nos últimos anos, mas ainda não é o suficiente”, ressaltou. Envolverde/IPS

Carta Verde

Carro: extensão das pernas ou do ego?

Dal Marcondes

As cidades brasileiras, em sua maioria, cresceram em um processo de adaptação aos automóveis, com exceção de Brasília, que já foi construída inteirinha para servir os carros. Lá a situação ganha contornos de tragicomédia, porque além de Brasília não ter sido planejada para o transporte público, o tombamento da cidade impede as adaptações necessárias para a implantação de corredores de ônibus, ciclovias e outras formas de transporte que não sejam os carros. Enquanto isso, a cidade,ou melhor, os cidadãos padecem. Os que têm carro por conta dos congestionamentos. Os que não têm, por conta das condições precárias de transporte coletivo.

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e várias outras cidades que se desenvolveram durante o século XX foram sendo adaptadas ao uso dos carros. Mesmo com alguns políticos fazendo o discurso do transporte coletivo, os investimentos prioritários foram destinados à construção de avenidas, viadutos e estradas. O motivo da esquizofrenia, onde os políticos falam em transporte público e investem em infra-estrutura para automóveis, pessoas pregam a necessidade de redução do uso dos carros, mas não vão sem ele nem à esquina, é o fato de que o automóvel, ao contrário do que deveria ser, não é uma máquina de mobilidade, uma extensão das pernas, mas sim uma extensão do ego das pessoas.

Um automóvel deveria ser uma extensão das pernas, uma maneira de ir e vir de forma rápida, eficiente, econômica e com qualidade. No entanto, esta não é a realidade do mercado. Ter um carro significa mostrar poder, capacidade de consumo e coisas que nada tem a ver com ir e vir. Uma vez, em uma conversa com a psicóloga Ana Verônica Mautner, ela se saiu com essa: “Tem homem que precisa de um motor para carregar seu próprio pinto. A potência é da máquina, e não dele”. Do lado feminino já se criou, inclusive, a pouco honrada denominação de “Maria Gasolina”, que define as mulheres que colocam as qualidades do carro acima das qualidades do motorista.

Recentemente a revista Exame deu uma capa com o título “Em busca do carro verde”. Dentro estavam as experiências de se suprir as demandas do ego com veículos que consomem combustíveis alternativos. Há, inclusive, um Hummer, aquele enorme jipe militar que é o sonho de consumo de muita gente, movido a biocombustível. Outros eram esportivos e carros de luxo com motores elétricos ou a célula combustível. Grandes e pesados carrões que precisam de “muita potência” para carregar o próprio peso e o ego de seus proprietários. Pouco se pensa em redução de peso e eficiência energética.

O carro do futuro poderá ser, inclusive, um carro movido a gasolina. A diferença é que, ao invés de fazer 10 quilômetros com a energia armazenada em um litro de combustível, poderá fazer 50 ou mais quilômetros com ela. Mais até do que faz uma motocicleta de baixa cilindrada hoje. Quando o ex-presidente Itamar Franco lançou o desafio do carro popular, a Volkswagen tentou ridicularizar a ideia, com o relançamento de um projeto dos anos 30, o Fusca. A Fiat deu um passo adiante e lançou um novo conceito de veículo, o Uno Mille. Hoje praticamente todas as montadoras têm carros de mil cilindradas. Veículos que caminham para a concepção de um modelo de transporte individual menos impactante tanto sob o ponto de vista do consumo de combustível, como do uso do espaço urbano.

Mas só ter carros mil resolve? Claro que não. As montadoras precisam continuar investindo em soluções de eficiência energética. A criação do sistema flex, que permite a queima de álcool e gasolina foi um passo adiante, mas ainda há muito o que se fazer em termos de redução de peso dos veículos, aumento de autonomia por litros de combustível, segurança ativa e passiva etc.

Porém sem uma mudança drástica na forma de uso e na visão do que é um automóvel, muito pouco vai mudar. Um carro deve ser visto como uma extensão das pernas, como mais um modo de transporte à disposição das pessoas, e não como o único. Uma pessoa ou uma família pode ter um carro, mas usá-lo de forma integrada com o transporte público, com a bicicleta e com trajetos a pé. Um carro deve ser visto como um instrumento de conforto que pode nos levar a locais isolados, onde o transporte público não chega, em horários onde a cidade está com menos movimento e coisas assim.

No entanto, enquanto o carro for extensão do ego, e não das pernas, não haverá alternativas, porque políticos continuarão fazendo a demagogia do discurso pelo público e o investimento pelo individual, e as pessoas vão continuar a usar desculpas para não utilizar o transporte público.
As cidades brasileiras precisam mudar, e rápido, para oferecer conforto a quem usa transporte coletivo. É preciso ter circulares nos bairros, interligando estações de trens e metrôs com sua própria vizinhança e não apenas com linhas de longa distância.

O carro do futuro não terá, necessariamente, de ser movido a eletricidade ou a biocombustíveis. Mas deverá ser um veículo de transporte com alta eficiência energética, segurança ativa e passiva, além de trabalhado no conceito de ser uma extensão das pernas. As montadoras precisam direcionar parte de seus esforços para a concepção de veículos que sejam apenas um meio de transporte eficiente.
Não adianta apenas falar na necessidade de mais e melhor transporte coletivo. É preciso também construir automóveis mais modernos e eficientes, menos pesados e ostensivos, menores e mais seguros. O ego, este deve encontrar outras maneiras de se manifestar. (Envolverde)


Dal Marcondes
Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, Revistas Isto É e Exame. Desde 1998 dedica-se a cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial. Recebeu por duas vezes o Prêmio Ethos de Jornalismo e é reconhecido como um "Jornalista Amigo da Infância" pela agência ANDI.

Carta Verde

11% das espécies serão extintas até 2100



Por Jeremy Hance, do Mongabay*

Há décadas cientistas preveem que as mudanças climáticas podem ter um impacto grave sobre a vida na Terra, que já está enfrentando diversas ameaças como a perda de habitats, super-exploração, poluição, espécies invasoras e outros.

Entretanto, é difícil obter provas empíricas das extinções, e até mesmo da ameaça, causadas pelas mudanças no clima. Um novo estudo publicado no periódico Proceeding of the National Academy of Science revelou que em torno do ano 2100 as mudanças climáticas podem ter colocado em extinção mais de 11% das espécies do mundo.

“Muitos cientistas defendem que estamos entrando na sexta grande extinção em massa e que a mudança climática antropogênica é uma das maiores ameaças a biodiversidade global”, declararam os pesquisadores.

Classificando estudos recentes, Ilya Maclean e Robert Wilson do Centro para Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, descobriram evidencias generalizadas de mais cem maneiras nas quais a mudança do clima já está impactando espécies, incluindo o aumento das temperaturas, mudança na precipitação e redução do gelo marinho. Eles também notaram uma série de eventos previstos, mas ainda não observados, que poderão impactar as espécies, segundo cientistas.

“As respostas incluem mudanças documentadas no risco de extinção, tamanho de populações e distribuição geográfica para 305 taxa de todos os principais grupos de organismos, abrangendo uma porção alta da superfície terrestre e marinha global”, escreveram os cientistas completando que as espécies de vertebrados parecem mais ameaçadas pelas mudanças do clima do que as plantas ou invertebrados.

Porém, os estudiosos admitem que há grandes brechas nas pesquisas realizadas até agora.

“Mais estudos sobre os efeitos, como as modificações nos padrões de circulação oceânica e na acidez dos organismos marinhos melhorariam as estimativas de risco de extinção”, ponderam.

As espécies dos trópicos, como a vida selvagem das florestas tropicais e insetos em geral, também são negligenciados em termos de impacto das mudanças do clima.

“Existem vários (fatores) desconhecidos na projeção do declínio da biodiversidade, então estes valores devem ser interpretados com precaução”, dizem os cientistas. Porém, eles relembram que os seus dados levaram em conta diversas possibilidades de distorções.

Dado que as mudanças do clima impactarão espécies já sob pressão por uma série de outras ameaças de grande escala, os pesquisadores dizem que suas estimativas são acima de tudo conservadoras.

Todavia, se o modelo for preciso, as mudanças climáticas causadas pelo homem podem ser responsáveis pelo desaparecimento de milhares ou até milhões de espécies.

Atualmente, cerca de 2 milhões de espécies foram descritas por cientistas desde o século XVIII, porém ninguém sabe quantas existem no planeta. Estimativas giram em torno de 5 milhões a 100 milhões. Descobertas recentes de comunidades de micróbios abundantes nos oceanos podem levar as estimativas ainda mais alto, possivelmente para um bilhão de espécies.

Matéria originalmente publicada na agência Envolverde

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