terça-feira, 20 de setembro de 2011

SOLOS - Processo de formação


Você consegue imaginar uma plantação neste costão rochoso? É esquisito, parece que não existe solo. Observamos uma vegetação rasteira no alto do morro, mas, além do declive e da proximidade do mar, a foto mostra rochas que não se transformaram em solo propriamente dito, aquele que pode ser cultivado. Isto não quer dizer, entretanto, que toda rocha obrigatoriamente deverá se transformar em solo.

É importante visualizar os solos como corpos dinâmicos naturais, cujas características (como a de um ser vivo) são decorrentes das combinações de influências que recebem. Como o solo é substrato onde evoluem outros sistemas, tais características irão também influenciar na evolução de diferentes componentes das paisagens como: relevo, vegetação, comportamento hídrico.
O processo de formação de solos é chamado de intemperismo, ou seja, fenômenos físicos, químicos e biológicos que agem sobre a rocha e conduzem à formação de partículas não consolidadas.
Intemperismo físico: promove a modificação das propriedades físicas das rochas (morfologia, resistência, textura) através da desagregação ou separação dos grãos minerais antes coesos, acarretando no aumento da superfície das partículas, mas não modificando sua estrutura. Sua atuação é acentuada em virtude de mudanças bruscas de temperatura. Ciclos de aquecimento e resfriamento dão origem a tensões que conduzem a formação de fissuras nas rochas assim desagregando-as. A mudança cíclica de umidade também pode causar expansão e contração. Espécies vegetais de raízes profundas, ao penetrarem nos vazios existentes, também provocam aumento de fendas, deslocamento de blocos de rochas e desagregação.
A superfície exposta ao ar e a água, aumentada pela fragmentação, abre caminho e facilita o intemperismo químico.
Intemperismo químico: ocorre quando estratos geológicos são expostos a águas correntes providas de compostos que reagem com os componentes minerais das rochas e alteram significativamente sua constituição. Esse fenômeno é o intemperismo químico, que provoca o acréscimo de hidrogênio (hidratação), oxigênio (oxigenação) ou carbono e oxigênio (carbonatação) em minerais que antes não continham nenhum destes elementos. Muitos minerais secundários formaram-se por esses processos. Este tipo de intemperismo é mais comum em climas tropicais úmidos.
Intemperismo biológico: é caracterizado por rochas que perdem alguns de seus nutrientes essenciais para organismos vivos e plantas que crescem em sua superfície.
À medida que o intemperismo vai atuando (tempo), a camada de detritos torna-se mais espessa e se diferencia em subcamadas (horizontes do solo), que em conjunto formam o perfil do solo. O processo de diferenciação dos horizontes ocorre com incorporação de matéria orgânica no seu interior. Partículas migram descendentemente, levadas pela gravidade e até realizam movimentos ascendentes carregadas com a ascensão do lençol freático. Ainda, deve ser considerada a atuação de plantas, cujas raízes absorvem elementos em profundidade e estes são incorporados à superfície.
Na verdade, a origem e evolução dos solos são condicionadas por cinco fatores:
Material de origem: a ação do intemperismo nas rochas depende de seus materiais constituintes, sua estrutura e composição mineralógica;
Clima: precipitação e temperatura regulam a natureza e a velocidade das reações químicas. A disponibilidade de água (chuvas) e a temperatura agem acelerando ou retardando as reações do intemperismo;
Relevo: a topografia e a cobertura vegetal regulam a velocidade do escoamento superficial das águas pluviais. Isto interfere na quantidade de água que infiltra e percola no solo. Este processo (em tempo suficiente) é essencial para consumação das reações e drenagem;
Microrganismos: a decomposição de matéria orgânica libera gás carbônico cuja concentração no solo pode ser até 100 vezes maior que na atmosfera. Isso diminui o pH das águas de infiltração. Alguns minerais, como alumínio, tornam-se solúveis somente em pH ácido, isto é, necessitam desta condição para se desprender de sua rocha de origem. Outros produtos de metabolismo, como ácidos orgânicos secretados por liquens, influenciam também os processos de intemperismo.Assim como raízes que exercem forca mecânica nas rochas que pode acarretar em sua desagregação;
Tempo: variável dependente de outros fatores que controlam o intemperismo, principalmente dos constituintes do material de origem e do clima. Em condições de intemperismo pouco agressivas é necessário um tempo mais longo de exposição para haver o desenvolvimento de um perfil de alteração.
A partir de um perfil do solo, é possível visualizar a ação do processo de intemperismo!!!
Chama-se de perfildo solo a seção vertical que, partindo da superfície, aprofunda-se até onde chega a ação do intemperismo, mostrando, na maioria das vezes, uma série de camadas dispostas horizontalmente (horizontes), paralelas à superfície do terreno, que possuem propriedades resultantes dos efeitos combinados dos processos de formação do solo (pedogênese).

SOLOS - Introdução


O que está representado em marrom é a parte terrestre do planeta, que constitui os continentes. Os continentes ocupam cerca de 30% da superfície terrestre.
Os seis continentes do planeta são (em ordem decrescente de tamanho): Ásia, América, África, Antártida, Europa e Oceania.

Para evitar confusão, vamos empregar a palavra “solo” onde realizamos atividades diversas, nos sustentamos, construímos, plantamos e retiramos minerais. Entretanto, são diversas as definições de solo, conforma o enfoque desejado. Abaixo estão listados alguns exemplos destas definições segundo as diferentes áreas:

Engenharia civil: material escavável, que perde sua resistência quando em contato com a água.

Agronomia: camada superficial de terra arável, possuidora de vida microbiana.

Arqueologia: material no qual se encontram registros de civilizações e organismos fósseis.

Geologia: produto do intemperismo físico e químico das rochas.

Pedologia: camada viva que recobre a superfície da terra, em evolução permanente, por meio da alteração das rochas e de processos pedogenéticos comandados por agentes físicos, biológicos e químicos Esta é a ciência que estuda a formação do solo, e foi iniciada na Rússia por Dokuchaiev no ano de 1880.

O solo é o resultado de algumas mudanças que ocorrem nas rochas. Estas mudanças são bem lentas, sendo que as condições climáticas e a presença de seres vivos são os principais responsáveis pelas transformações que ocorrem na rocha até a formação do solo. Para entendermos melhor este processo, acompanhe atentamente a seqüência abaixo:
1) Rocha matriz exposta.
2) Chuva, vento e sol desgastam a rocha formando fendas e buracos. Com o tempo a rocha vai esfarelando-se.
3) Microrganismos como bactérias e algas se depositam nestes espaços, ajudando a decompor a rocha através das substâncias produzidas.
4) Ocorre acúmulo de água e restos dos microrganismos.
5) Organismos um pouco maiores como fungos e musgos, começam a se desenvolver.
6) O solo vai ficando mais espesso e outros vegetais vão surgindo, além de pequenos animais.

7) Vegetais maiores colonizam o ambiente, protegidos pela sombra de outros.

8) O processo continua até atingir o equilíbrio, determinando a paisagem de um local.

Todo este processo leva muito tempo para ocorrer. Calcula-se que cada centímetro do solo se forma num intervalo de tempo de 100 a 400 anos! Os solos usados na agricultura demoram entre 3000 a 12000 anos para tornarem-se produtivos.
http://educar.sc.usp.br

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Somália devastada

Mogadíscio é o centro de um país dominado por piratas e terroristas. Ao norte, porém, a região separatista da Somalilândia é estável e pacífica. Como se explica essa tragédia?
Oculto no pátio de sua casa, um vendedor de rua que aderiu à milícia islâmica Al-Shabaab exibe sua arma. A milícia vem combatendo o recém-formado governo de transição com assassinatos a bala, atentados com granadas e bombas improvisadas - e assim já controla a maior parte do sul da Somália.
Foto de Pascal Maitre
Em alta velocidade, uma caminhonete com soldados do Governo Federal de Transição (GFT) quase atropela as mulheres que fazem a limpeza de uma rua na capital. Em meio à turbulência generalizada, os somalis mal se lembram de como é a vida sob um governo estável.
Foto de Pascal Maitre

Ruínas dão testemunho dos combates que devastaram a capital no início da década de 1990, mergulhando no caos a cidade e o país.
Foto de Pascal Maitre

No frio da noite, milhares de cabras e ovelhas são colocadas em um navio no porto de Berbera, na Somalilândia. A economia da Somália tradicionalmente dependia de exportações assim. A guerra no sul e preocupações com doenças dos rebanhos periodicamente detêm o comércio. Mas com a estabilidade na Somalilândia e com um centro de quarentena que opera em Djibuti, as exportações foram retomadas. Quase dois milhões de animais saíram da Somalilândia no ano passado.
Foto de Pascal Maitre
Ao se registrar para votar na próxima eleição presidencial da Somalilândia, a digital de um homem em Hargeysa é escaneada, em dezembro de 2008. Originalmente planejada para março de 2009, a votação foi adiada duas vezes, mas agora está marcada para setembro. Apesar de a Somalilândia ainda não ter sido reconhecida oficialmente como nação independente, um punhado de países europeus e os EUA doaram três quartos do custo da eleição - incluindo fundos que pagaram por este equipamento de computador - para incentivar a democracia na região. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Cobertos de farinha, operários em Berbera contam o salário. Por descarregar sacas de um caminhão e colocá-las em um armazém no principal porto da Somalilândia, eles receberam o equivalente a cerca de US$ 3 cada um. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
O guarda Abdi Hassan olha pela porta da prisão de segurança máxima em Mandhera, onde trabalha há 35 anos. Certa vez, Hassan vigiou presos que eram oponentes do ditador Mohamed Siad Barre, cujo regime foi derrubado em 1991. Hoje ele guarda um punhado de piratas e outros prisioneiros mandados para o local pelo governo da República da Somalilândia separatista. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Fardos de qat recém-chegados do Quênia serão entregues por caminhão para vendedores perto de Mogadíscio. Cerca de dez aviões chegam todos os dias com carregamentos dessas folhas, alimentando um vício que, segundo estimativas, faz os residentes gastarem entre US$ 250 mil e US$ 300 mil todos os dias. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre

Turistas europeus costumavam nadar na piscina atrás do Uruba, que já foi um dos melhores hotéis de Mogadíscio. Mas os visitantes pararam de chegar no final da década de 1980, depois que a guerra civil irrompeu no norte da Somália. No início da década de 1990, o Uruba, assim como boa parte de Mogadíscio, foi reduzido a ruínas. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Um guarda com uma arma automática espera no carro com o fotógrafo Pascal Maitre durante uma troca de câmbio no centro de Mogadíscio. Qualquer estrangeiro corre o risco de ser morto ou seqüestrado. Maitre precisava da companhia de seguranças armados toda vez que deixava o hotel. Mesmo com os guardas, Maitre não podia ficar muito tempo no mesmo lugar. Segundo o fotógrafo, os residentes de Mogadíscio o avisavam quando estava há muito tempo em um local e começava a correr perigo: "As pessoas sentiam muito, mas me mandavam embora". Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Um guarda com uma arma automática espera no carro com o fotógrafo Pascal Maitre durante uma troca de câmbio no centro de Mogadíscio. Qualquer estrangeiro corre o risco de ser morto ou seqüestrado. Maitre precisava da companhia de seguranças armados toda vez que deixava o hotel. Mesmo com os guardas, Maitre não podia ficar muito tempo no mesmo lugar. Segundo o fotógrafo, os residentes de Mogadíscio o avisavam quando estava há muito tempo em um local e começava a correr perigo: "As pessoas sentiam muito, mas me mandavam embora". Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Reconstruída após ter sido arrasada com bombas, no fim da década de 1980, pelo ditador Mohamed Siad Barre, Hargeysa hoje testemunha um surto de novas construções - com hotéis como o City Center -, financiadas sobretudo por expatriados que voltaram ao país. Os especialistas, porém, temem que os extremistas islâmicos estejam se infiltrando na Somalilândia: em outubro de 2008, atentados a bomba realizados por militantes suicidas ocorreram em vários pontos da capital. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Funcionários do Banco Central examinam notas novas de xelim da Somalilândia, uma moeda própria criada em 1994, poucos anos depois de a região se separar da caótica Somália meridional. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
O governo da Somalilândia conseguiu reprimir com êxito os piratas, graças a severas penas de encarceramento. No ano passado, as autoridades prenderam um bando liderado por Farah Ismail Eid (à esquerda na foto), que agora cumpre uma sentença de 15 anos na prisão Mandhera. Leia a reportagem completa
Foto de Pascal Maitre
Moradores de um vilarejo na separatista República da Somalilândia levam cabras até um barco para que sejam exportadas. Centenas de quilômetros separam essa antiga colônia britânica da turbulenta Somália meridional. Sem reconhecimento internacional e com pouca ajuda externa, os líderes da Somalilândia estabeleceram um governo operacional e estável.
Foto de Pascal Maitre
Perto das ruínas do antigo Parlamento, um policial desempregado organiza o tráfego em troca de gorjetas. "Ele anseia tanto pela estabilidade", diz o jornalista somali Harun Hassan. "É algo emocionante."
Foto de Pascal Maitre
Muitos dos 750 mil habitantes que restaram estão entre os mais pobres, como esta mulher e seu bebê abrigados em um dos centros de alimentação. Sem emprego e sem casa, muitos só conseguem sobreviver graças à ajuda humanitária.
Foto de Pascal Maitre
Ferido por estilhaços de morteiro, um homem junta-se às dezenas de vítimas que chegam todos os dias ao Hospital Medina. Desde o início de 2007, Mogadíscio perdeu mais da metade de sua população à medida que os civis fogem dos embates entre o governo e os rebeldes.
Foto de Pascal Maitre
Na praia, as crianças ainda brincam e os pescadores ancoram seus barcos, mas os prédios de hotéis arruinados permanecem vazios.
Foto de Pascal Maitre
Repleto de carvão vegetal, produzido à custa das florestas cada vez menores no sul da Somália, um caminhão em frangalhos segue para o porto de Mogadíscio. Dali o carvão será enviado a países do golfo Pérsico, como a Arábia Saudita.
Foto de Pascal Maitre
Na calma enganosa de um farol abandonado, jovens mascam o qat, estimulante leve que os ajuda a enfrentar as agruras da vida em Mogadíscio. Dez aviões cheios da droga pousam todo dia em um aeroporto próximo.
Foto de Pascal Maitre
Revista National Geographic Brasil

Segunda divisão da ONU


Moradores de um vilarejo na separatista República da Somalilândia levam cabras até um barco para que sejam exportadas. Centenas de quilômetros separam essa antiga colônia britânica da turbulenta Somália meridional. Sem reconhecimento internacional e com pouca ajuda externa, os líderes da Somalilândia estabeleceram um governo operacional e estável.
Foto de Pascal Maitre
National Geographic Brasil



Segunda divisão da ONU
Toda a Terra está dividida entre os 192 membros da ONU. Toda? Não! Vários povos irredutíveis fizeram suas próprias nações em território alheio. Eles têm bandeira, hino... Só falta entrarem para o mapa

Nas ruas de Hargésia, capital da Somalilândia, mulheres trabalham trocando notas de dólar e euro por maços de xelim somalilandês ao lado de carrinhos de sorvete que aplacam os mais de 40 °C, lan houses e consultórios dentários. Já o governo, eleito democraticamente, consegue equilibrar a lei islâmica, costumes tribais e a tradição constitucional do Ocidente. E ele funciona tão bem que já conseguiu até quebrar algumas células da Al Qaeda, que faz a festa no irmão do sul, a Somália. O único problema é que a Somalilândia não existe.

Há muitos lugares como a Somalilândia. São os quase países, que vivem na 2ª divisão das relações internacionais: embora tenham um governo que, bem ou mal, funciona, não conseguem a ascensão para a "série A", onde estão os membros da ONU. Alguns são tão pequenos que você pode ser paciente do próprio ministro da Saúde. Mesmo assim, têm Câmara de Deputados e uma força policial independente.

A Somalilândia e a Transnístria possuem até moeda própria - coisa que mesmo alguns países reconhecidos não têm, como o Equador, o Timor Leste e, mais recentemente, o Zimbábue, que adotaram o dólar. Mas como assim "quase países"?

Bom, se você cercar o seu bairro, começar a ditar as leis ali, recolher impostos e tiver força militar para enfrentar o Exército quando o Brasil retaliar, terá criado um Estado nacional. Mas esse é só o primeiro passo. O outro é ser reconhecido como país pelas nações veteranas. Se isso não acontece, a comunidade internacional vai continuar considerando o seu bairro como parte do Brasil. Nisso você não poderá receber empréstimos de bancos mundiais nem participar de organizações de comércio internacional. É exatamente o que acontece com os países que não têm cadeira na ONU.

A exceção nesse clube é Taiwan. Quando Mao Tsé-tung tomou o poder na China, em 1949, o antigo governo, capitalista, se mudou para Taiwan. Até 1971, o país que não existia (para a ONU) era a China. E Taiwan tinha seu lugar (com o nome de República da China). Mas aí Mao conseguiu o reconhecimento de seu país e tomou a cadeira de Taiwan, que acabou no limbo. Mas um limbo de luxo: a nação é uma grande exportadora de eletrônicos e tem a própria China como parceira comercial. Seja como for, o mapa é mutante mesmo. Países como Alemanha e Itália só viraram nações no final do século 19. Quase todos os da África nasceram nos anos 60 e 70. E não faltam regiões em que uma parcela considerável da população está pronta para declarar independência: o País Basco e a Catalunha, na Espanha; Tibete e Xinjiang, na China; praticamente a Índia inteira... Mas por enquanto os quase países mais notórios são estes 9 aqui.

A SOMÁLIA QUE DÁ CERTO - SOMALILÂNDIA
Um Estado democrático numa região tomada por anarquia e violência. Declarou independência da Somália em 1991.

População - 3,5 milhões (um Uruguai)

Área - 137,6 mil km² (uma Grécia)

Religião - Islã

Moeda - Xelim da Somalilândia (SOS, da sigla em inglês)

Economia - O porto de Berbera, alugado pela Etiópia, e a pecuária rendem um PIB de US$ 800 milhões (1/3 do de Belford Roxo, na Baixada Fluminense)

O DE CIMA SOBE E O DEBAIXO DESCE
Seu governo criou uma democracia e instaurou polícia, escolas, hospitais e moeda própria no meio do país mais caótico do mundo, a Somália. Não que a Somália, embora tenha cadeira na ONU, seja exatamente um país. A última vez que o lugar teve algo parecido com um governo foi há 19 anos, quando a URSS ainda existia. Seu ditador, Siad Barre, tinha transformado o litoral do Chifre da África numa arma socialista contra a Etiópia e o Quênia, ambos pró-EUA. Hoje, a ex-colônia italiana é um picadinho acéfalo e sangrento de feudos defendidos por guerrilheiros tribais. E a capital mundial da pirataria: em 2009, seus piratas atacaram 214 navios. Comparada a isso, a Somalilândia é um respiro de paz. Mas nenhuma nação reconheceu sua independência. Resumindo: enquanto o Estado do país que existe, a Somália, não existe; o Estado do país que não existe, existe. Eita.

PAÍS DE AREIA - REPÚBLICA SAARÁUI
Seu governo é reconhecido por 49 países, a maioria africanos. Enquanto isso, quem manda ali é o Marrocos.

População - 405 mil (uma Florianópolis)

Área - 266 mil km² (um Reino Unido)

Religião - Islã

Moeda - Não tem; usa dinheiro marroquino

Economia - Tem só 0,02% de terra arável. A economia, pastoril, gera US$ 900 milhões de PIB (uma Juazeiro, BA)

CABO DE GUERRA
Este aqui é uma terra de ninguém mesmo. Não está dentro de país nenhum. A semiclandestina República Saaráui ocupa o território do Saara Ocidental, uma ex-colônia espanhola. Em 1976 a Espanha saiu de lá e combinou de dividir as terras entre a Mauritânia e o Marrocos. Só que às vezes você dá a mão e o país quer o braço: o Marrocos entrou e assumiu o controle de dois terços do território. Uma guerrilha de nativos do Saara Ocidental, a Frente Polissário, atacou a parte da Mauritânia e tomou o outro terço. Entre 1980 e 1987 o Marrocos construiu um muro e instalou 5 milhões de minas terrestres separando as duas áreas. O país continua a povoar o Saara Ocidental com marroquinos e não aceita a independência da região. Em 1991 as Nações Unidas prometeram organizar um plebiscito entre as populações dos dois lados para ver se o Saara Ocidental virava um novo país ou era anexado ao Marrocos de vez. Mas o referendo nunca veio.

PRESENTE DE GREGO - CHIPRE DO NORTE
É território de direito do Chipre, mas se declarou independente sob a tutela da Turquia - o único país a reconhecê-lo.

População - 265 mil (uma Volta Redonda, RJ)

Área - 3 335 m² (duas cidades de São Paulo)

Religião - Islã

Moeda - Não tem; usa a lira turca

Economia - 70% do PIB de US$ 3,6 bilhões (equivalente ao de Niterói, RJ) são serviços, incluindo turismo

O DE BAIXO SOBE E O DE CIMA DESCE
Sabe o problema entre israelenses e palestinos? No Chipre é mais ou menos assim, mas entre os cipriotas gregos e os cipriotas turcos. Em 1974, um grupo paramilitar grego tentou dar um golpe de Estado com o objetivo de anexar o Chipre à Grécia. A Turquia reagiu invadindo a parte norte da ilha e fundando um país novo ali, só para cipriotas turcos. Nenhum país reconheceu. Hoje ela banca a economia do lugar. O Chipre tem o aval da ONU para abrir fogo e estender sua soberania para a região. Para evitar isso, a Turquia mantém soldados ali. Uma situação que a comunidade internacional condena. Como resolver? "Com um plebiscito", propôs a ONU. O povo do norte votou "sim" para a unificação. Mas o do Chipre grego, mais rico e membro da União Europeia, preferiu que tudo continuasse como está, que o norte ficasse com as terras deles sem abocanhar impostos do sul. Presente de grego.

TERRA PROMETIDA - PALESTINA
É reconhecida por 94 países, incluindo China e Rússia. Mas a viabilidade de ela conviver em paz com Israel ainda é utopia.

População - 4,3 milhões (uma Irlanda)

Área - 5 970 km² (Cisjordânia) e 365 km² (Faixa de Gaza) - total: um Distrito Federal

Religião - Islã

Moeda - Não tem; usa o dinar jordaniano e o shekel israelense

Economia - Como Gaza e a Cisjordânia são separadas e controlados por Israel, a Palestina tem dificuldades em girar sua economia de US$ 4,6 bilhões (uma Caxias do Sul, RS)

GUERRA DOS MIL ANOS
Para uns, a região que abriga Israel e os territórios palestinos é terra de direito exclusivo do povo árabe, que sempre ocupou a região. Para outros, esse direito é do povo judeu, que sempre ocupou a região. Como não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo, está aí o lugar mais explosivo do mundo. Depois da 2ª Guerra, a ONU propôs partilhar a Palestina, então protetorado britânico, em dois Estados - um judeu e outro árabe. Israel declarou sua independência em 1948. Os países vizinhos declararam guerra. Israel ganhou. E o país assumiu a maior parte do antigo protetorado, com exceção da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Hoje, os palestinos menos radicais querem pelo menos um pedaço da israelense Jerusalém para formar seu país. Os mais querem tirar Israel do mapa. Do outro o lado o radicalismo também cresce... E o Estado palestino nunca aparece.

O NEGÓCIO TÁ RUSSO - REMINISCÊNCIAS DA URSS
Bastardos do império soviético querem tocar a vida sozinhos. São 4 nações menores que uma Grande São Paulo e com PIB somado igual ao de Ouro Preto (US$ 1 bilhão).

TRANSNÍSTRIA
O fim da República Soviética da Moldávia fez com que os 700 mil russos do país (de 3,5 milhões de habitantes) declarassem independência do território que habitavam, a Transnístria - uma faixa de terra industrializada na fronteira com a Ucrânia. Quando o império soviético ruiu, deixou uma unidade de seu Exército na Transnístria. E, com ela, 42 mil peças de armamento - bombas, foguetes, metralhadoras e minas que acabaram contrabandeados. Sua exportação de armas não faz mais tanto barulho, mas o papel estratégico não acabou. Com o plano americano de fazer um escudo antimísseis nas fronteiras da área de influência russa, o presidente transnístrio ofereceu seu território para abrigar mísseis russos. Mas nem a Rússia reconhece o país. E ele continua visto só como parte da Moldávia.

ABKHÁZIA
Quando a Geórgia se separou da URSS, em 1991, regiões que estavam dentro das fronteiras georgianas quiseram caminhar com as próprias pernas. Foi o caso da Abkházia. Seus 216 mil habitantes falam uma língua própria e se identificam mais com a Rússia - até porque o lugar era o resort de Stálin. É reconhecida pelo vizinho gigante e, de gaiato, por Nauru, Nicarágua e Venezuela.

OSSÉTIA DO SUL
Também declarou independência da Geórgia e acabou servindo como um enclave russo ali. O problema é que a Geórgia se tornou aliada dos EUA e, para mostrar força, atacou a Ossétia - o que diminuiria o poder russo na região. Como retaliação, o Kremlin mandou "tropas de paz" para o quase país de 70 mil habitantes e o reconheceu - junto com a Abkházia.

NAGORNO-KARABAKH
Encravado no muçulmano Azerbaidjão, que também foi uma república soviética, esse território povoado por armênios cristãos entrou em guerra com os azerbaidjanos e se autodeclarou independente em 1991. O quebra-pau durou 3 anos. E os nagornianos só não foram esmagados porque contaram com a ajuda da Armênia. Hoje é ela que sustenta Nagorno. A Rússia, que é quem apita por ali, estava interessada no fim do conflito. Então impôs um cessar-fogo na região, deixando-a sob controle dos armênios étnicos. Mas era só o começo do quiproquó: a decisão irritou a Turquia, inimiga da Armênia. Em 1994 os turcos retaliaram em favor do Azerbaidjão impondo um embargo comercial aos armênios. Enquanto isso, Nagorno, com seus 140 mil habitantes, não é reconhecido nem pela amiga Armênia.

ÚLTIMO SUSPIRO DA IUGOSLÁVIA - KOSOVO
A nação encravada em território sérvio declarou independência em 2008 e é reconhecida por 55 países. Mas a Rússia bloqueia sua entrada na ONU.

População - 2,4 milhões (uma Belo Horizonte, MG)

Área - 10 908 km² (meio Sergipe)

Religiões Igreja Ortodoxa

Moeda - Euro

Economia - O PIB é de US$ 3,2 bilhões (uma Foz do Iguaçu, PR). Emigrantes que enviam dinheiro para as famílias e doações internacionais complementam a receita com mais US$ 1 bilhão

PEQUENO DEMAIS PARA OS DOIS
Kosovo é mais uma das nações que formavam a antiga Iugoslávia, junto com Eslovênia, Croácia, Sérvia, Montenegro e Bósnia. Mas não virou um país à parte - ficou como um pedaço da Sérvia. Nos anos 90, um conflito separatista acabou num massacre de civis kosovares. Foi o maior crime de guerra da história recente, que acabou na condenação do ex-presidente iugoslavo, o sérvio Slobodan Milosevic. A Otan atacou a Sérvia em 1999 para conseguir um cessar-fogo. Nisso a ONU assumiu a administração da província. Há dois anos, fundaram a República do Kosovo, que logo ganhou reconhecimento do Ocidente. Mas a Rússia, aliada da Sérvia, usa seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear a tentativa de Kosovo de conseguir sua cadeira na organização. E tudo indica que ela vai continuar agindo no tapetão para que os kosovares não saiam nunca da série B.
Revista Superinteressante - 2010

Deixem os cérebros sair


A emigração de profissionais qualificados não é perda, mas estímulo à educação e à economia
Michael Clemens

"Fuga de cérebros" é uma expressão comum para descrever nas nações em desenvolvimento a saída de profissionais qualificados, como médicos e engenheiros, em busca de dinheiro ou melhores oportunidades em outros países. Muitos especialistas dizem que esse processo suga os maiores talentos de um país. No entanto, hoje um grande volume de pesquisas mostra que o fluxo de profissionais para o exterior pode na verdade beneficiar as duas partes. A ideia de que esse tipo de emigração corresponde necessariamente a uma perda de cérebros é simplesmente um mito.

Pegue o caso das Filipinas. O país envia mais enfermeiras para o exterior que qualquer outro em desenvolvimento; ainda assim, tem mais enfermeiras per capita em casa do que países bem mais ricos, como o Reino Unido. O que ocorre é que a perspectiva de ganhar muito mais no exterior leva mais filipinos a estudar pra conseguir um diploma de enfermagem. Consequentemente, há um aumento líquido no número total de enfermeiras nas Filipinas, mesmo se você levar em conta aquelas que saíram do país. E fenômenos semelhantes acontecem em outros países onde há um grande aumento na emigração de mão de obra qualificada.

Outro mito é que sistemas de saúde nos países em desenvolvimento melhorariam se médicos fossem forçados a permanecer lá. Novamente, pesquisas mostram que essa hipótese é falsa. Na África, por exemplo, o baixo nível de cuidado médico é causado por uma vasta diversidade de fatores, como baixos salários, poucos incentivos para servir em áreas rurais, falta de medicamentos e de equipamentos médicos, saneamento básico falho e infraestrutura de transporte precária. Não há nenhuma relação com o número de médicos que escolhem mudar para outro país. Se houver alguma, ela é positiva: países africanos com maior número de médicos morando em países mais ricos são tipicamente os que têm menor mortalidade infantil, e vice-versa.

Por outro lado, emigrantes também aumentam a riqueza de seu país de origem remetendo valores, estimulando o comércio ao consumir seus produtos no exterior, e gerando renda pelo turismo. Só na República Dominicana mais de 500 mil que residem no exterior viajam para o país de origem todo ano.

É verdade que, na atual era da informação, em que o capital humano determina mais e mais da riqueza das nações, muitos acreditam que a saída de cérebros vai prejudicar o desenvolvimento de um país. Mas sabemos que o capital humano é complexo: o movimento internacional de mão de obra qualificada incentiva a adquirir educação, leva quantias enormes de dinheiro de volta para o país de origem e contribui para a difusão do comércio, de investimento, de tecnologia e de ideias. Tudo isso não se encaixa confortavelmente em uma expressão simplista como "fuga de cérebros". É hora de ela ser descartada em favor de uma visão mais rica do potencial humano global e da relação entre movimentação de pessoas e desenvolvimento.

*Michael Clemens chefia pesquisas sobre migração e desenvolvimento do Centro para o Desenvolvimento Global.
Revista Superinteressante

Qual é a carne mais ecológica?


Qual é a carne mais ecológica?
Entre bovinos, ovinos, suínos e galináceos, ganha quem passa mais despercebido pelo planeta

BOI
Alimento - 37 kg / por kg de carne
ÁGUA* - 16 mil litros
Espaço** - 30 m2
CO2 - 24 kg / por kg de carne
BOIADA
Além de beber muito, um boi ocupa meio apartamento por 3 anos - daí a acusação de "acabarem com a Amazônia".

CARNEIRO

Alimento - 8 kg / por kg de carne
ÁGUA* - 6 mil litros
Espaço** - 3 m2
CO2 - 17 kg / por kg de carne
CORNO
Ocupa menos espaço, mas não passa no quesito gases: é muito menor que um boi e, na média por quilo, peida quase o mesmo.

PORCO

Alimento - 4 kg / por kg de carne
ÁGUA* - 5 mil litros
Espaço** - 0,5 m2
CO2 - 6 kg / por kg de carne
PORCARIA
Suínos são mais viáveis que bovinos e ovinos, mas não se comparam aos frangos.


FRANGO
Alimento - 2,8 kg / por kg de carne
ÁGUA* - 4 mil litros
Espaço** - 0,1 m2
CO2 - 4,5 kg / por kg de carne
Nº1 - SEM PENA
Come e bebe pouco, ocupa um espaço mínimo e economiza nos peidos. Asas e coxinhas por um mundo melhor.


*Água usada para dar de beber, na manutenção da fazenda, na irrigação do capim, e no cultivo e processamento dos grãos dados ao animal.

**Criação intensiva.

Fontes 2010 U.S. Greenhouse Gas Inventory Report; Water Footprint Network; Slow Food USA; A Greenhouse Gas Footprint Study for Exported New Zealand Lamb (março de 2010); Embrapa Gado de Corte; Embrapa Pecuária Sul; Alexandre Confessor, gerente do Projeto de Caprinos da Emater-RN; FAO, Ministère de l’Agriculture et de la Pêche (France), Department for Environment, Food and Rural Affairs (UK)
Revista Superinteressante

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Transamazônica pode salvar Belo Monte

Paulo Afonso da Mata Machado

O projeto da Usina de Belo Monte prevê uma potência instalada de 11.233 MW, mas sua potência média de geração de energia (potência firme) será de apenas 4.418 MW, uma diferença de mais de 6.600 MW (60% da potência de geração máxima prevista). A título de comparação, a Itaipu Binacional tem 69% de eficiência. As seis maiores usinas já instaladas no Brasil têm percentual médio de geração de energia de 70%, sendo a média nacional de 55%. Por outro lado, a área a ser desmatada será de 516 km² (0,046 km2/MW, bem menor que a média nacional por potência instalada, que é de 0,49 km2/MW).

Originalmente, a diferença entre a potência instalada e a potência firme era muito menor, mas previa-se o alagamento de uma área muito maior – 1.225 km², incluindo reservas indígenas –, além de redução significativa da vazão na Volta Grande do Xingu. Com a modificação no projeto, não mais serão alagadas áreas indígenas e foi garantida a vazão mínima de 700 m3/s na Volta Grande do Xingu, o suficiente para manter as atividades de pesca e de navegação nesse trecho do rio.

Um aumento de alguns pontos percentuais na eficiência de Belo Monte poderá aumentar muito a média de geração de energia no país e, evitando o alagamento de novas áreas de floresta, poderá dispensar a construção de outras hidrelétricas na Região Norte, particularmente na bacia do Rio Tapajós, considerada a região atual de maior potencial aurífero do mundoi. Esse aumento poderá ser feito apenas aproveitando o enorme potencial hídrico da região, que detém 70% de toda a água doce do país, incluindo o maior aquífero do mundo – o Alter do Chão.

Existe mais de uma solução para o aumento na eficiência de produção de energia em Belo Monte. Focaremos apenas uma delas: a transformação de um trecho da Transamazônica em hidrovia.

A Transamazônica

A BR-230, conhecida vulgarmente como Transamazônica (ver Fig. 1), jamais foi concluída. Por ter o lençol freático muito próximo à superfície, a estrada permanece alagada no período de chuvas. É por isso que há tantos buracos que tornam o trânsito impraticável durante os meses de chuva mais intensa. Cogita-se de asfaltá-la, sabendo-se de antemão que haverá necessidade de recuperação anual após o período chuvoso, recuperação essa que poderá ser dificultada devido à grande distância da maior parte da estrada em relação aos centros urbanos.

Fig. 1 – Traçado da Transamazônica

Melhor que asfaltar o trecho de 557 km entre Altamira (próximo de onde se localizará o reservatório da Usina Belo Monte) e Jacareacanga, todo ele em planície, será transformá-lo numa hidrovia. Estima-se que o custo total de uma rodovia chega a ser cinquenta vezes o custo de uma hidrovia. Além disso, comparativamente à rodovia, a hidrovia é um modelo menos poluente, além de assegurar o transporte de produtos com mais baixo custo. Em Jacareacanga, a nova hidrovia estará ligada à hidrovia Tapajós-Teles Pires (ver Fig. 2), permitindo o transporte de embarcações entre Santarém e Altamira.

Fig. 2 – Hidrovia Tapajós-Teles Pires e BR-230 (Transamazônica)

Para isso, a Transamazônica deverá ter seu leito escavado a uma profundidade mínima de 1,8 m. Muito antes de se completar a escavação do leito da hidrovia, será atingido o lençol freático, que se encarregará de fornecer parte da água à hidrovia. O restante será fornecido de forma controlada pelo Rio Tapajós, de modo que o nível de água da hidrovia seja mantido constante.

Além de propiciar transporte mais barato e mais ágil, essa hidrovia fornecerá a água que Belo Monte vai necessitar para aumentar sua potência firme. A adução de água da hidrovia para o reservatório de Belo Monte será feita sempre que este estiver com volume abaixo de sua capacidade plena.

Quando as chuvas inundarem a hidrovia, o volume excedente será descartado no Rio Xingu, a jusante de sua confluência com o Rio Iriri e a montante do reservatório da usina, aumentando a garantia de funcionamento do reservatório com capacidade plena.

A transformação de um trecho de 557 km de estrada em hidrovia permitirá um tráfico ágil e mais barato durante todo o ano em uma área muito desenvolvida no Estado do Pará, além de aumentar substancialmente a eficiência da Usina Belo Monte, sem novos desmatamentos, tornando desnecessária a construção de hidrelétricas previstas para a região, cujos impactos sociais e ambientais são inevitáveis.

Como se trata de uma proposta nova, alguns questionamentos devem ser considerados.

1) Quem se responsabilizará pela dragagem da hidrovia?

Tal como acontece nas rodovias, o transporte na hidrovia deverá pagar pedágio. A empresa que vencer a concorrência e vier a arrecadar os valores do pedágio ficará responsável pela dragagem da hidrovia, que será feita pelo menos uma vez a cada ano, após o fim das chuvas.

2) Como será feito o cruzamento com os rios da região?

Se o nível de água do rio estiver abaixo do fundo da hidrovia, esta passará sobre o rio por meio de uma ponte como ocorre no Rio Elba, na Alemanha. Na outra hipótese, as águas do rio e da hidrovia se misturarão e continuarão seus trajetos, devendo o projetista ter em mente que a vazão da hidrovia a jusante da confluência não deve ficar diminuída por transferência de vazão para o rio, nem aumentada excessivamente devido à água proveniente do rio.

3) Como será feito o bota-fora para escavação do leito da Transamazônica?

Deverão ser priorizadas as áreas desmatadas às margens da BR-230, com ênfase naquelas que estejam em processo de erosão mais acentuado.

4) Será possível transformar toda a rodovia em hidrovia?

Toda a rodovia, não, visto que parte dela está integrada à rede viária dos estados do Nordeste. No entanto, deve-se ter em mente que a vocação de transporte na Região Norte é, principalmente, por via hídrica e não por rodovia.

* Paulo Afonso da Mata Machado – Analista do Banco Central do Brasil – Engenheiro Civil e Sanitarista pela UFMG – Mestre em Engenharia do Meio Ambiente pela Rice University
Revista EcoDebate

Notícias Geografia Hoje



Complexo Hidrelétrico do Tapajós estaria no maior distrito aurífero do mundo, artigo de Telma Monteiro

No território da bacia hidrográfica do Tapajós está inserida a chamada Província Mineral do Tapajós (PMT), com 100 mil quilômetros quadrados, considerada uma das maiores áreas de mineração e o maior distrito aurífero do mundo. Empresas nacionais e internacionais estão articuladas para explorar e expropriar, com o aval e financiamento do Estado, o potencial de riqueza no interior das terras indígenas. O ouro na região foi descoberto no início de 1950 e a sua exploração por garimpeiros tem sindo constante ao longo dos últimos 50 anos.

“A Brazilian Gold pretende usar os recursos da venda para avançar no desenvolvimento de seus projetos na região Norte, onde detém oito áreas na província mineral do Tapajós e duas na província aurífera de Alta Floresta, nas imediações de Tapajós.” Fonte: AGECO 15/04/2011

Estima-se que tenham saído da PMT – oficial e ilegalmente – até hoje, cerca de 800 t de ouro, equivalente a 16 vezes a produção total de Serra Pelada. Isso significaria perto de US$ 2 bilhões, mas nos números oficiais só constam que foram produzidos, até 2006, aproximadamente 194 t[1].

Há presença maciça de garimpos na região, confirmados pela quantidade de pistas de pouso – 300 no Tapajós, 170 em Parima e 185 em Alta Floresta. O Projeto Província Mineral do Tapajós – Projeto PROMIN-TAPAJÓS foi criado em 1995 para buscar um nível confiável de conhecimento geológico e incentivar a pesquisa de depósitos de ouro e novos empreedimentos.

O ouro, aliado aos projetos hidrelétricos no Tapajós e Jamanxim que, coincidentemente, estão sobre a província mineral, vai pavimentar definitivamente a ocupação predatória da região.

Só a simples perspectiva de implantação de projetos hidrelétricos nas bacias do rio Tapajós e Teles Pires já é suficiente para induzir a ocupação de áreas protegidas da Amazônia. A extração de minério, garimpo do ouro e as novas concessões de direitos minerários trarão consigo outro ciclo de exploração madeireira. Novos impactos atingirão os territórios indígenas.

Na outra ponta, a extração vegetal do açaí e da castanha-do-pará que ocorre em todos os municípios da bacia do Tapajós, com destaque para Santarém e Jacareacanga estará ameaçada. Há ainda grandes desafios a serem superados: baixo retorno financeiro, desequilíbrio entre oferta e demanda, falta de políticas públicas e limitada capacidade de suporte da natureza. A construção de hidrelétricas não corrigirá essas deficiências e não conduzirá ao desenvolvimento sustentável da região.

O extrativismo mineral clandestino continua num rítmo acelerado. Também não há fiscalização da garimpagem livre do ouro nos rios dentro ou fora das terras indígenas. Mineração ilegal é caminho certo na direção da degradação ambiental e da contaminação dos recursos hídricos. No Departamento Nacional de Produção Minerária (DNPM) tramitam 17.408 processos minerários em análise, a caminho da exploração.

Os municípios da região da bacia do rio Tapajós foram recompensados com a riqueza natural das reservas florestais e minerais, recursos hídricos, estoque pesqueiro, exuberância cênica e vocação turística. O governo federal entende erroneamente que para agregar valor aos produtos primários da região e fortalecer a economia local e regional deve estimular um desenvolvimento artificial. Encabeçando a lista de prioridades para atingir seu objetivo está o incentivo à exploração do potencial hidrelétrico com um conjunto de usinas nos rios Tapajós e Teles Pires e Juruena.

Grandes grupos mineradores, incentivados pelas facilidades concedidas pelo governo federal aos projetos hidrelétricos na Amazônia – usinas do Madeira e Belo Monte, já disputam espaço na exploração das reservas minerais. De olho nessa riqueza, se prepara a abertura das terras indígenas à mineração com um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados[2].

Empresas nacionais e internacionais pretendem aumentar sua capacidade de produção explorando as terras indígenas. Aumenta a demanda global por recursos minerais.

O Complexo do Tapajós vai catalisar a ocupação da região e dar força, também, ao avanço da fronteira agrícola sobre os ecossistemas. Infelizmente, a escolha do governo ao favorecer a construção de grandes e pequenas hidrelétricas visa favorecer o agronegócio, o comércio exterior de soja e a industrialização na região, a qualquer custo.

O projeto da hidrovia Tapajós – Teles Pires, na esteira das hidrelétricas, é predatório e vai servir só para facilitar o escoamento da produção agropecuária e minerária da região. O projeto excluiu qualquer possibilidade de consulta aos povos indígenas. As hidrelétricas em sequência nos rios Tapajós e Teles Pires e a construção de eclusas vai permitir a navegação de grandes comboios. Os reservatórios e os derrocamentos do leito do rio (retirada das pedras) visam superar as barreiras naturais dos trechos encachoeirados desses rios.

A transposição de desnível será possível para as embarcações. Espécies de peixes, no entanto, como a “matrinxã” e várias outras não adaptadas para viverem em lagos, serão extintas em toda a extensão do rio Teles Pires. Na hidrelétrica Sinop, no rio Teles Pires, está prevista a construção de uma grande eclusa com largura superior à de Tucurui, recém-inaugurada.

Outro setor que pressiona a construção de complexos hidrelétricos na região da bacia do Tapajós é o das indústrias eletrointensivas. Em Juruti, extremo oeste do Pará, a Alcoa teve aprovada a licença de instalação de mineração de bauxita para construir uma planta de beneficiamento, um porto fluvial e uma ferrovia.

Grandes indústrias cujo principal insumo é a energia buscam locais em que há planos de construção de usinas hidrelétricas. A implantação dessas indústrias traz impactos significativos às regiões onde se instalam. Com os projetos vem o aumento das receitas dos municípios, mas traz consigo a migração, a pressão sobre a infra-estrutura, serviços públicos, recursos naturais e o recrudescimento dos conflitos fundiários.

[1] Disponível em http://www.valedoxingu.com.br/?pg=noticia&id=1274 acessado em 22 de dezembro de 2010
[2] PL 5.265/2009 Dispõe sobre a exploração de recursos minerais em terras indígenas e dá outras providências

Revista EcoDebate

Riqueza vegetal do Cerrado

Desmatamento no Cerrado. Infográfico AE

Riqueza vegetal do Cerrado é analisada por pesquisadores da USP/ESALQ

Em uma das riquezas biológicas brasileiras caracterizada pelo solo de savana tropical, abrigam-se plantas de aparência seca como arbustos esparsos e gramíneas. Considerada a segunda maior formação vegetal brasileira, o Cerrado vem sofrendo agressões sob constante processo de fragmentação em decorrência da crescente expansão urbana descontrolada e pela construção de hidrelétricas. Nesse sistema ambiental encontra-se o pequi (Caryocar brasiliense; Carryocaracea), variedade vegetal com alto valor econômico-social agregado e muito pouco estudada quanto às exigências nutricionais.

Embora encontre no cerrado sua principal ocupação, a espécie que tem seu uso mais expressivo na alimentação, também está presente em zonas de transição de Cerrado-Floresta Amazônica com ocorrência natural em outros estados brasileiros. Símbolo da cultura do estado de Goiás, o pequi também pode ser encontrado em toda a região do Centro-Oeste e nos estados de Rondônia, Minas Gerais, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Ceará e nos cerrados de São Paulo e Paraná. O óleo extraído do pequiseiro é rico em vitaminas A, B e C, com altas concentrações de ácido palmítico, oléico e linolêico, fator que demonstra crescente interesse nas indústrias de alimentos, fármacos, cosméticos e na produção de biodiesel.

Devido aos produtos e subprodutos derivados da espécie e da premente necessidade de obter informações detalhadas e confiáveis sobre a composição química do pequi, pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) desenvolvem a pesquisa “Análise por ativação neutrônica para estudo de elementos essenciais presentes na polpa do pequi (Caryocar brasiliense Camb.)”, com o objetivo de estabelecer um padrão da distribuição dos indivíduos adultos de C. brasiliense Camb. do Cerrado de Janpovar (MG) com base nos elementos presentes na polpa dos frutos. “Os elementos obtidos por técnicas convencionais são conflitantes para alguns elementos como Fé, K e P”, comenta o biólogo e autor desse projeto de pós-doutorado, Vanderlei Antonio Stefanuto. “O conhecimento sobre os tratos culturais do pequizeiro quanto às exigências nutricionais para fins de conservação e manejo in vivo e in vitro torna-se possível à partir do momento em que se conhece as exigências nutricionais da espécie”, continua o pesquisador.

O projeto financiado pelo CNPq vem sendo desenvolvido no Laboratório de Radioisótopos do CENA, com supervisão da professora Elisabete de Nadai Fernandes e colaboração da estagiária Mariana Bossi Esteves, aluna do curso de Biologia da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Dessa forma, para atender aos diversos planos e uso da espécie, realizou-se a análise da polpa de 8 frutos coletados de 20 indivíduos em Janpovar (MG). As análises feitas para encontrar elementos essenciais e tóxicos químicos presentes no sistema solo/folha/fruto do pequiseiro por meio de ativação neutrônica, também servirão para comparar a espécie encontrada no Estado de São Paulo, em Tirapina, com a do Norte de Minas, em Janpovar, pois embora sendo da mesma natureza, apresentam diferenças em relação aos seus tamanhos e à cultura de absorção do fruto. Em Minas Gerais, por exemplo, tanto a madeira quanto o fruto são totalmente aproveitados, já que trata-se de uma árvore de múltiplos usos.

O desenvolvimento da pesquisa servirá de base para compreensão de assimilação de nutrientes na polpa do fruto do pequizeiro. Os resultados já obtidos na pesquisa são similares aos encontrados por outros autores em relação ao nível de Ca, Fé, Mn e N”, destaca Stefanuto. “Porém, para garantir uma melhor abrangência das exigências nutricionais da espécie, outros compartimentos (folhas, casca e endocarpo espinhoso), bem como do solo adjacente à projeção da coroa das plantas matrizes encontram-se em processamento, pois ao final da pesquisa pretende-se quantificar os elementos químicos que vão migrando de um lugar para outro”, conclui Stefanuto.

A árvore
O pequizeiro adulto “Caryocar brasiliense” é uma árvore frondosa, de grande porte, de até 10 metros de altura com tronco tortuoso de casca áspera e rugosa. As folhas pilosas são formadas por 3 folíolos com as bordas recortadas. Suas flores grandes amarelas surgem durante os meses de setembro a dezembro.

O fruto na alimentação
Com formato similar ao da maçã, é considerado como principal ingrediente em vários pratos típicos goianos e nordestinos. Conhecido como “ouro do cerrado”, tem sabor e aroma peculiares. Possui casca dura e grossa com pequenos espinhos salientes e sua polpa amarela ou esbranquiçada é rica em proteínas e vitaminas. As sementes, de uma a quatro em cada fruto, também são comestíveis e produzem um óleo branco que é utilizado nas medicinas humana e veterinária e, ainda, na fabricação de perfumes. Com seu sabor adocicado, pode ser apreciado em variadas formas: cru, cozido com água e sal, misturada com farinha, no arroz, no feijão, no frango, com macarrão, com peixe, com carnes, no leite, na forma de um dos mais apreciados licores de Goiás, além de uma boa variedade de doces e sorvetes aromatizados com seu sabor.

Reportagem de Alicia Nascimento Aguiar, USP/ESALQ
Revista EcoDebate

SOLOS - Queimadas

Queimada

Algumas vezes os agricultores fazem queimadas com a finalidade de limpar os terrenos para outro plantio. É uma prática antiga e barata, pois não é necessário gastar dinheiro com máquinas.O fogo mata, além das plantasanimais e os microrganismos. As cinzas são transportadas facilmente para outros locais, empobrecendo, desta maneira, o solo. Ressalta-se ainda que o nitrogênio e o enxofre são perdidos na própria queima. É verdade que nos dois primeiros anos após as queimadas a produção aumenta, porém, com o passar do tempo, a falta de nutrientes no solo faz diminuir a produção.

Colaboração: Prof. Marcelo Ricardo de Lima, professor do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR e

Vice - Coordenador do Projeto Solo na Escola.
Responsáveis pelo texto: Profa. Alessandra R. de Moraes, Aline Fernanda Campagna e Silvia Ap. Martins dos Santos.

SOLOS - desmatamento

Desmatamento

voçoroca

Retirar a vegetação de um determinado local, além de alterar a paisagem contribui para o enfraquecimento do solo. O solo exposto fica sujeito à erosão, que é capaz de alterar a paisagem numa velocidade bem maior que os processos naturais. Em alguns locais é possível observar o efeito da erosão, num intervalo de tempo de apenas alguns anos. Com o passar do tempo, formam-se canais que vão tornando-se maiores podendo até formar uma voçoroca,
A recuperação de uma área que foi desmatada sem controle e planejamento pode levar um tempo de até mais de 50 anos.

Colaboração: Prof. Marcelo Ricardo de Lima, professor do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR e

Vice - Coordenador do Projeto Solo na Escola.
Responsáveis pelo texto: Profa. Alessandra R. de Moraes, Aline Fernanda Campagna e Silvia Ap. Martins dos Santos.

SOLOS - monocultura

Saúva


A substituição da cobertura vegetal original, geralmente composta por várias espécies de plantas, por uma cultura única, é uma prática danosa ao solo. Por exemplo: numa área de cerrado podemos encontrar tamanduás, emas, e até lobos-guará, sem contar os animais menores. Quando se derruba uma grande área de cerrado e planta-se, por exemplo, soja estes animais tem dificuldade para se alimentar, não encontram abrigos e dificilmente conseguem se reproduzir. Aqueles que sobrevivem procuram outros locais, invadindo áreas urbanas, tornando-se então presas fáceis. Por outro lado, alguns insetos encontram na plantação de soja alimento constante e poucos predadores, desta maneira se reproduzem intensamente tornando-se pragas. Outro efeito é o esgotamento do solo: na maioria das colheitas retira-se a planta toda interrompendo desta maneira o processo natural de reciclagem dos nutrientes. O solo torna-se empobrecido, diminui sua produtividade, tornando-se necessária então a posterior aplicação de adubos.Colaboração: Prof. Marcelo Ricardo de Lima, professor do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR e
Vice - Coordenador do Projeto Solo na Escola.
Responsáveis pelo texto: Profa. Alessandra R. de Moraes, Aline Fernanda Campagna e Silvia Ap. Martins dos Santos.

USO E DEGRADAÇÃO DO SOLO

voçoroca
A degradação do solo pode atingir níveis irrecuperáveis.


USO E DEGRADAÇÃO DO SOLO

Além de nos sustentar e ser onde construímos nossas casas, o solo, por meio da agricultura, fornece a maior parte do alimento que consumimos.Para garantir a produção constante de alimentos, o ser humano passou a investir na agricultura. Construir armazéns para guardar o estoque de alimentos, desenvolver máquinas para facilitar seu trabalho, como tratores e arados; criar mecanismos de drenagem e irrigação pra controlar a quantidade de água e até mesmo escolher espécies mais resistentes ao ataque de organismos considerados pragas como insetos, fungos, bactérias ou vírus.
IRRIGAÇÃO
Serve para molhar os solos secos tornando-os bons para o plantio, através de tubos ou canais.

DRENAGEM
Utilizada para retirar o excesso de água dos terrenos muito úmidos. Costuma-se abrir valas, fazer aterros ou plantar vegetais que absorvem muita água, como o eucalipto.

ADUBAÇÃO
Importante para enriquecer os solos pobres com nutrientes. Podem ser usados: calcário, húmus e esterco, adubos ou fertilizantes químicos.

ARAÇÃO
Realizada para revolver a terra facilitando a circulação do ar, da água e nutrientes. Realizada em solos compactos, que dificultam a passagem do ar. No entanto, o uso exagerado desta técnica pode também levar à erosão.

No entanto, deve-se considerar que o solo não é importante somente para a produção de alimentos, mas também, que exerce uma multiplicidade de funções, como a regulação da distribuição, escoamento e infiltração da água da chuva e de irrigação; armazenamento e ciclagem de nutrientes para as plantas e outros elementos além de ação filtradora e protetora da qualidade do ar e da água.
Como recurso natural dinâmico, o solo é passível de ser degradado em função do uso inadequado pelo homem. Condição em que o desempenho de suas funções básicas fica severamente prejudicado, acarretando interferências negativas no equilíbrio ambiental, diminuindo drasticamente a qualidade de vida nos ecossistemas, principalmente naqueles que sofrem mais diretamente a interferência humana como os sistemas agrícolas e urbanos.

Colaboração: Prof. Marcelo Ricardo de Lima, professor do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR e

Vice - Coordenador do Projeto Solo na Escola.
Responsáveis pelo texto: Profa. Alessandra R. de Moraes, Aline Fernanda Campagna e Silvia Ap. Martins dos Santos.

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