sábado, 20 de novembro de 2010

Notícias Geografia Hoje

Cianobactérias garantem oxigênio na Terra
O ar que respiramos se originou de minúsculos organismos, embora os detalhes tenham se perdido no passado geológico
por David Biello
Cortesia de J. L. Graham / USGS
Crescimento de algas: graças ao florescimento de cianobactérias a atmosfera da Terra é composta por 21% de oxigênio
É difícil manter as moléculas de oxigênio livres, apesar de ele ser o terceiro elemento mais abundante do Universo, formado nas fornalhas densas no interior das estrelas. Isso porque o oxigênio é extremamente reagente e pode formar compostos com quase todos os elementos da tabela periódica. Então como a Terra acabou com uma atmosfera composta por praticamente 21% desse gás?

A resposta está nos minúsculos organismos conhecidos como cianobactérias ou algas azuis. Esses micro-organismos realizam a fotossíntese utilizando luz solar, água e dióxido de carbono para produzir carboidratos e, também, oxigênio. Na verdade, até hoje, todas as plantas da Terra contêm cianobactérias ─ conhecidas como cloroplastos ─ que participam da fotossíntese.

Por muitos éons antes da evolução das cianobactérias, durante o éon Arqueano, micro-organismos mais primitivos viviam realmente, à moda antiga: anaerobicamente. Esses organismos antigos ─ e seus descendentes, os extremófilos atuais ─ dependiam do enxofre para sobreviver e não do oxigênio.

Entretanto, há aproximadamente 2,5 bilhões de anos, a relação isotópica do enxofre se alterou, indicando pela primeira vez que o oxigênio havia se tornado um componente significativo da atmosfera da Terra, de acordo com um trabalho publicado na Science, de 2000. Mais ou menos na mesma ocasião (e por éons desde então), o ferro oxidado começou a aparecer nos solos antigos e camadas de ferro foram depositadas no leito marinho, como resultado de reações com o oxigênio da água do mar.

“Tudo indica que o oxigênio começou a ser produzido entre 2,7 e 2,8 bilhões de anos atrás, tendo se estabelecido na atmosfera somente há cerca de 2,45 bilhões de anos”, observa o geoquímico Dick Holland, professor visitante da University of Pennsylvania. “Parece haver um intervalo significativo entre o aparecimento dos organismos produtores de oxigênio e a real oxigenação da atmosfera”.

Portanto, temos uma data e um responsável pelo evento que os cientistas chamam de a Grande Oxidação, mas ainda há mistérios a resolver. O que aconteceu há 2,45 bilhões de anos que permitiu às cianobactérias assumirem o controle? Quais eram os níveis de oxigênio nessa época? Por que demorou outro bilhão de anos ─ chamado de “bilhão do tédio” pelos cientistas ─ para que os níveis de oxigênio aumentassem o suficiente para que os animais pudessem evoluir?

E o mais importante, como o oxigênio atmosférico chegou aos níveis atuais? “Não é assim tão simples explicar porque atingiu um equilíbrio 21% em vez de 10% ou 40%”, observa o geocientista James Kasting, da Pennsylvania State University. “Ainda não compreendemos muito bem o sistema moderno de controle de oxigênio”.

Clima, vulcanismo, tectônica de placas, tudo isso influenciou significativamente a regulação dos níveis de oxigênio durante vários períodos. No entanto, até hoje não existe um teste consistente para determinar o conteúdo exato de oxigênio na atmosfera em qualquer período do registro geológico. Porém uma coisa é certa ─ o oxigênio da Terra é fruto da vida.
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Pragas resistentes são sério problema para a agricultura no Brasil
O uso indiscriminado de inseticidas e acaricidas pode levar as pragas a desenvolverem resistência aos produtos químicos
por Mário Sato
©ISTOCKPHOTO.COM
Um dos problemas associados ao uso de pesticidas é que as pragas acabam desenvolvendo resistência aos compostos químicos, tornando-se invulneráveis. Para alguns tipos de pragas essa resistência chega a milhares de vezes.

No caso de ácaro-rajado (Tetranychus urticae), que é praga séria de culturas de morango, crisântemo, rosa, pêssego, algodão e mamão, observou-se resistência de aproximadamente 3 mil vezes para o acaricida fenpiroximato; de 350 vezes, para abamectina; e de 570 vezes, para clorfenapir, após algumas aplicações do acaricida.

Para fenpiroximato, a concentração necessária para se matar os ácaros resistentes a esse acaricida foi 200 vezes maior que a concentração recomendada para o controle do ácaro-rajado em morangueiro no Brasil. Nesse caso, um aumento na concentração do produto, mesmo que da ordem de dezenas vezes, não seria suficiente para aumentar a eficiência do produto no campo, caso a população de ácaros se torne resistente.

Algumas populações desse ácaro-praga mostram-se resistentes a quase todos os produtos disponíveis no mercado, o que dificulta seu controle. Para algumas culturas, como a de morango, há poucos acaricidas registrados, e os agricultores não conseguem controlar o ácaro-praga nos meses finais da cultura, sendo forçados a elimina-la antecipadamente, implicando em consideráveis prejuízos econômicos.

Uma consequência da evolução da resistência é o aumento do número de aplicações, devido à redução da eficiência dos produtos químicos. Esse uso intensificado de agrotóxicos favorece ainda mais a evolução da resistência. Além disso, provoca outros problemas como o desequilíbrio biológico, devido à eliminação de inimigos naturais; contaminação ambiental; risco de intoxicação dos agricultores; maior contaminação de alimentos e aumento do custo de produção.

Uma das principais estratégias de manejo da resistência de pragas a produtos químicos está relacionada à redução na frequência de aplicação de inseticidas e/ou acaricidas. A realização do monitoramento populacional de pragas pode ser uma ferramenta valiosa para o manejo da resistência. A utilização de produtos somente quando as densidades populacionais da praga estão acima do nível de dano econômico pode reduzir consideravelmente o número de aplicações contra as pragas, reduzindo assim a pressão de seleção com os agroquímicos.

Outra estratégia fundamental é a preservação de inimigos naturais nas áreas agrícolas. Os inimigos naturais podem manter a população da praga em baixas densidades por longos períodos no campo, não havendo necessidade de intervenções químicas durante esse período. Os inimigos naturais podem se alimentar tanto de insetos (ou ácaros) suscetíveis como dos resistentes, diminuindo assim o número de organismos resistentes no campo.

Em um estudo com ácaro-rajado em morangueiro, no Estado de São Paulo, o Instituto Biológico (IB-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, promoveu a liberação de ácaros predadores da espécie Neoseiulus californicus propiciando um bom controle da praga.

Isso permitiu que a população do ácaro-rajado se mantivesse em níveis baixos na cultura, não havendo a necessidade de aplicações de acaricidas após o estabelecimento dos predadores no campo. Dessa forma, foi possível evitar pelo menos dez aplicações de acaricidas, o que levou a uma diferença significativa na frequência de resistência a abamectina (e outros produtos), que foi significativamente menor na área de liberação dos predadores, na fase final da safra agrícola.

Quando o controle biológico é pouco viável, por falta de inimigos naturais eficientes, e são necessárias várias aplicações de inseticidas para o controle de uma praga, deve-se evitar aplicações repetidas de um mesmo produto ou com mesmo princípio ativo. Aplicações repetidas de um mesmo inseticida favorecem rápida evolução de resistência. Nesse caso, a alternância de produtos químicos pode ser uma boa alternativa para retardar a evolução da resistência.

Para minimizar o problema é necessário um esforço em conjunto, entre produtores rurais, instituições de pesquisa e extensão rural, para a criação e implantação de estratégias efetivas para o manejo da resistência a defensivos agrícolas.

* Mário Sato é pesquisador do Instituto Biológico (IB-APTA)
Scientific American Brasil

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Sedimentos de lagos não confirmam extinção em massa
Pesquisadores acreditam que a caça excessiva do povo Clóvis ao longo dos séculos, e não um impacto catastrófico, pode ter dizimado mamutes americanos e outros animais de grande porte
por Brendan Borrell
iStockphoto
Controvérsia: Antigos sedimentos de lagos não mostram evidências que apoiem a teoria de que um cometa teria provocado um evento de extinção em massa
Depois de esquadrinhar camadas de antigos sedimentos, a paleoecóloga Jacquelyn Gill da University of Wisconsin-Madison, observa que seu grupo não encontrou evidências que apoiem a controvertida teoria de que um cometa provocou a extinção em massa da era do gelo.

“Não há evidências físicas sugerindo que houve um impacto”, informou Gill, durante reunião da Sociedade Ecológica Américana. “Se houve um impacto... não estão ocorrendo os efeitos ecológicos anteriormente sugeridos”.

Em 2007, Richard Firestone e seus colegas no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley publicaram evidências sugerindo que um cometa, explodindo na atmosfera há 12.900 anos, perto dos Grandes Lagos, provocou enormes incêndios na América do Norte. Esses incêndios podem ter levado ao rápido desaparecimento da cultura Clóvis do continente, bem como da megafauna, incluindo mamutes, preguiças-gigantes e outros 33 gêneros de grandes mamíferos.

Mas os céticos apontam o fato de que nenhuma cratera associada ao impacto foi encontrada; além disso, as evidências de incêndios florestais continentais e de um rápido declínio em populações humanas são grosseiras. Se esse evento tivesse realmente ocorrido, pequenos mamíferos e pássaros teriam sobrevivido. Outro estudo recente questionou a probabilidade de impactos de cometas terem sido responsáveis por mais de um evento de extinção durante a história da Terra.

Gill e seu grupo decidiram procurar pistas do impacto de cometa não em terra, mas em três lagos em Indiana e Ohio, onde pólen e minerais se assentam diariamente, criando um registro ecológico com milênios de idade. Ela examinou amostras do fundo dos lagos procurando evidências de cinzas, carvão vegetal, grãos magnéticos, pequenas esferas de silicato, e elementos como titânio e cromo que poderiam ser associados a impactos. Ela não se concentrou em minerais de terras-raras, como irídio, que outros pesquisadores consideram como uma assinatura de impactos.

A equipe não conseguiu encontrar um sinal consistente que indicasse a ocorrência de uma só catástrofe há aproximadamente 12.900 anos. Em um dos lagos o teor de titânio diminuiu ao mesmo tempo em que o de carvão mineral foi aumentando. “Claramente não foi um impacto”, constatou Gill. Ela também questionou a ideia de que os animais morreram exatamente no momento do suposto impacto.

Esporos de fungos chamados Sporormiella, associados às fezes de grandes mamíferos, na verdade começaram a diminuir há 14.600 anos, logo após o fim da última era do gelo. Os esporos desapareceram do registro de um dos lagos há 13.600 anos e só reapareceram nos últimos séculos, com o aumento da criação de gado em pastos. Ao mesmo tempo, o pólen das plantas que serviam de alimentos para a megafauna ─ cinzas, pau-ferro e bétulas ─ começou a se acumular, sugerindo que o crescimento das plantas não estava mais sendo ameaçado pelos grandes mamíferos, comedores de folhas.

Segundo Gill, fósseis mais recentes de grandes mamíferos, datados entre 13.600 e 12.900 anos, provavelmente foram os últimos sobreviventes, enquanto o povo Clovis dizimava espécies com suas lanças peculiares.

Mas Firestone não se deixou influenciar pelo novo estudo que, em suas palavras, “não acrescenta nada ao assunto”. Ele observa que não esperaria encontrar muitas evidências em lagos, porque o material magnético se enferruja, enquanto que as pequenas esferas flutuam e não se juntariam no fundo dos lagos. Para ele, os dados ainda indicam um impacto extraterrestre. “Em minha opinião, o debate está encerrado.”
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Mudanças climáticas levarão a uma menor formação de nuvens?
Novo estudo se concentra na relação misteriosa entre nuvens e clima e descobre que um planeta mais quente pode resultar em menos nuvens
por Katherine Harmon
NASA
Céu limpo pela frente? Pesquisadores ainda investigam qual a função das nuvens na mudança climática
Não é tão fácil encontrar vestígios passados de nuvens quanto de dióxido de carbono. Mas, assim como o CO2, as nuvens desempenham um papel importante na mudança climática: podem tanto reter calor na atmosfera, aumentado o efeito estufa, quanto refletir a luz solar de volta para o espaço, resfriando o planeta.

Então, as nuvens contribuirão para a mudança climática ou ajudarão a atenuá-la? “Neste momento, não entendemos qual é essa relação,” explica Anthony Del Genio, cientista atmosférico da Nasa, que trabalha no Instituto Goddard de Estudos Espaciais, na cidade de Nova York.

Mas um novo estudo, publicado na revista Science, dá mais um passo adiante para a compreensão dessa complicada dinâmica, que será vital para se entender detalhadamente como nosso planeta será daqui décadas e séculos.

Quando se trata de prever as mudanças climáticas, nem todas as nuvens são formadas igualmente, ressalta a principal autora da pesquisa, Amy Clement, da Escola Rosentiel de Ciência Marinha e Atmosférica, da University of Miami. Segundo a cientista, as nuvens mais altas, como as cumulonimbus, produzem um efeito estufa (gerando umidade e re-emitindo radiação para a superfície), ao passo que as mais baixas agem de forma semelhante a um guarda-chuva, protegendo a Terra dos quentes raios solares.

Clement e sua equipe examinaram as nuvens estratiformes de baixa altitude sobre o nordeste do Oceano Pacífico. Pela comparação de conjuntos independentes de dados observacionais, acumulados durante os últimos 50 anos por navegantes e satélites, eles esperam entender como os relatos de cobertura de nuvens se relacionam com a temperatura e circulação do vento – e vice-versa. Para a surpresa desses pesquisadores, as observações marinhas e espaciais eram incrivelmente semelhantes, o que contribuiu para o crédito dessas fontes de dados, tachadas por muitos como não confiáveis.

A equipe sistematizou um modelo de clima (no Centro Hadley de Mudanças Climáticas, localizado no Reino Unido) que complementou muito bem seus dados. Esse modelo mostrou que o aquecimento das temperaturas da superfície e a diminuição da circulação de ar – tendências que devem ser mantidas num clima em mudanças – levam a uma menor quantidade de nuvens de baixas altitudes. E isto quer dizer temperaturas ainda mais altas na superfície terrestre.

Mas há ainda muito mais trabalho ainda a ser feito. “Acho que é um fragmento muito impressionante de análise observacional”, afirma Del Genio, que não integrou o estudo. “É a primeira vez que se demonstram essas mudanças através das décadas.” No entanto, complementa, o único modo de sustentar essas conclusões experimentais é a identificação de mais modelos.

É difícil estabelecer um modelo para as nuvens de baixa altitude, admite Clement. “São formadas em uma escala microfísica.” Segundo a pesquisadora, o modelo do Hadley provavelmente foi o mais bem-sucedido, pois continha o maior número de informações sobre os complexos processos ocorridos na atmosfera inferior, onde há contato com a superfície terrestre (uma região, explica Clement, para a qual é muito mais difícil de se construir um modelo do que para a circulação em larga escala presente na atmosfera superior).

E, como sempre, há a questão de como relacionar os eventos climáticos cotidianos às tendências climáticas a longo prazo. Como Clement ressaltou, “ao observar hora a hora os processos que acontecem nas nuvens, obtém-se um quadro muito complexo”. Porém, “os dados, ao serem analisados em uma escala de tempo de décadas, parecem resultar neste quadro muito simples: quando a superfície oceânica está quente e a circulação, pouca, a cobertura de nuvens é reduzida”.
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

O etanol do milho é prejudicial ao clima?
O governo Obama diz não, a Califórnia diz sim. Quem está com a razão?
por Douglas Fischer*
ISTOCKPHOTO/SVENGINE
Obama deu sinal verde para o etanol de milho, apesar das preocupações da Califórnia
O governo Obama recentemente deu sinal verde para o etanol de milho como combustível renovável de baixo teor de carbono. A decisão é uma aparente contradição à declaração da Califórnia, no verão passado, de que a pegada de carbono do biocombustível é grande demais para mitigar a emissão de gases de efeito estufa do estado.

Reguladores e peritos em políticas insistem na inexistência de um conflito: as duas regras obedecem à ciência; é simplesmente uma questão de em que ano se começa a contabilizar as emissões.

De fato, o timing é tudo. A Califórnia verificou suas atuais emissões associadas ao etanol de milho e concluiu que eram demasiado elevadas.

A Casa Branca, visando triplicar a produção anual para 163,29 bilhões de litros por ano em 12 anos, baseou sua decisão em projeções para o ano 2022. O governo presumiu que uma produtividade maior, mais eficiência de produção e novas descobertas mitigariam as emissões.

“Não existe conflito”, declarou Stanley Young, um porta-voz do California Air Resources Board (CARB), o órgão californiano que executa a primeira iniciativa nacional contra o aquecimento global. “Utilizamos metodologias diferentes”, alegou. “Além disso, indicamos que há vários caminhos para produzir etanol de milho com volumes de carbono que se encaixam em nossos padrões”, acrescentou. “Nem todos os etanóis são criados iguais”.

A decisão suscitou algumas dúvidas – e ceticismo – entre os peritos, que questionam se o governo não teria aproveitado uma folga política, propiciada pelas projeções futuras, para chegar a uma conclusão politicamente expediente.

“À primeira vista, isso parece um tanto duvidoso”, diz Nathanael Greene, diretor da política de energia renovável do Natural Resources Defense Council (NRDC). “Você pode até acreditar nisso, mas de todo modo, eles fazem muitas projeções sobre como será a produtividade, como estará o mercado”.

“O resultado é que as coisas parecem bem mais positivas naquele ano (2022) que a Califórnia calcula”.

Para atender ao padrão renovável do país, o “ciclo de vida” de emissões de carbono de um combustível deve estar pelo menos 20% abaixo do da gasolina. Calcular esses custos é complicado. As lavouras de plantas que geram combustíveis tendem a substituir as que produzem alimentos, e isso origina novas emissões à medida que os fazendeiros derrubam florestas e cultivam terras previamente intocadas para atender à demanda de alimentos.

Essas emissões podem ser consideráveis. Um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences concluiu que o Brasil corre o risco de contrair uma dívida de carbono de 250 anos, com base no desmatamento esperado até 2010, à medida que o país expande sua produção de álcool de cana-de-açúcar e biodiesel de soja.

Os pesquisadores estão céticos quanto às alegações federais de que os avanços do etanol serão suficientes para compensar as emissões associadas ao desalojamento de lavouras de alimentos.

“Isso não é consistente com o que tenho lido em publicações revisadas por iguais”, declarou David Tilman, um professor de Ecologia da University of Minnesota, que estudou o conflito entre os biocombustíveis e as lavouras de alimentos.

“Você pode fazer projeções muito otimistas sobre produtividades futuras, mas se verificar as tendências passadas verá que até durante a Revolução Verde os aumentos foram insuficientes para atender às demandas que teremos no futuro”.

Evidências recentes, vindas do Brasil, sustentam esse ponto. Uma equipe de pesquisadores, chefiada por David Lapola, da Universidade de Kassel, na Alemanha, constatou que 90% da expansão brasileira de cana-de-açúcar, nos últimos cinco anos, desalojaram terras de pastagens, forçando os criadores de gado a avançar floresta adentro. O grupo de Lapola concluiu que o plano do Brasil, de ampliar suas lavouras destinadas a biocombustíveis na próxima década, forçará as áreas de pasto a penetrar em mais de 121.730 km2 de florestas e outros 45.998 km2 de habitats indígenas.

Isso equivale a uma área igual a dos estados de Nova York e New Jersey combinados.

“Parece que no caso do etanol de milho americano, haverá muito atrito (inclusive a utilização indireta de terras) com as lavouras de produtos alimentares, não só nos Estados Unidos, como no exterior”, Lapola informou via e-mail, da Alemanha.

O governo Obama insiste em ter utilizado a ciência mais recente e precisa. Ao falar à imprensa, quando a mudança foi anunciada, o Secretário da Agricultura Tom Vilsack frisou que a ciência da produtividade de lavouras “está evoluindo constantemente”.

A administradora da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) Lisa Jackson defendeu os cientistas de seu órgão governamental em meio a acusações de que a instituição cedeu a pressões do lobby agrícola. “Não concordo que tenhamos mudado a ciência para adaptá-la a qualquer resultado”, declarou ela. “Eu não assinaria uma norma se não acreditasse que tivéssemos atendido às exigências da lei”.

Mas, sob certos aspectos, a economia de carbono derivada do etanol de milho pode ser um ponto secundário – ou até mesmo questionável.

Ao anunciar a mudança de política, o governo ressaltou o potencial do biocombustível para criar empregos e proporcionar independência energética. Falando a governadores, o presidente Obama mencionou a mudança climática apenas uma vez: “mesmo que não acreditem na severidade da mudança do clima, como eu, ainda assim vocês deveriam seguir esta agenda”.

Além disso, o governo – e muitos na indústria do etanol – encaram o combustível à base de milho como uma ponte para biocombustíveis menos intensivos em carbono. “Acreditamos que este é o rumo do mercado”, disse Vilsack.

Mas a pressão para desenvolver etanol de milho tem um preço e Greene, do NRDC, questiona se essa é a política mais sábia. “É tolice fazer o que estamos fazendo hoje, que é mandar, conceder múltiplos créditos de impostos e outros subsídios governamentais”, ponderou ele. “Estamos subornando o mercado... Isso são US$ 5 bilhões por ano que poderíamos utilizar para ajudar nossos fazendeiros e nossa indústria a desenvolver a próxima geração desse material”.

Referindo-se ao Brasil, Lapola observou que alguns biocombustíveis não têm a enorme pegada de carbono, deixada pela cana-de-açúcar, a soja ou o milho. Mas enquanto os governos mantiverem um rigoroso controle sobre mudanças no uso de terras, ele acredita que os biocombustíveis constituem uma boa opção para contornar a necessidade de combustíveis derivados do petróleo.

“Uma forma de contornar, mas não uma solução completa”, acrescentou. “O fato é que, a partir de agora, precisamos avaliar mais cuidadosamente nossa matriz energética para não incorrer nos mesmos erros que cometemos com o petróleo”.


*Esse artigo foi publicado originalmente em The Daily Climate, a fonte de notícias sobre mudanças climáticas da empresa de mídia sem fins lucrativos, Environmental Health Sciences.
Scientific American Brasil

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Por quanto tempo o vulcão da Islândia castigará a Europa?
Vulcanóloga da Smithsonian explica como essa erupção pode causar perturbações a longo prazo
por Katherine Harmon
Nasa
Erupção do vulcão Eyjafjallajökull em março
Fogo e gelo criaram uma catástrofe dupla – perigosa e perturbadora – na Islândia, que está afetando todo o mundo. Habitantes são removidos e milhares de vôos para a Europa, alterados ou cancelados.

Pelo menos 800 pessoas foram retiradas da área em torno da geleira Eyjafjallajökull (a cerca de 120 km da capital, Reykjavik, e sob o vulcão que está em erupção), para protegê-las de riscos de enchentes. O nível do rio local subiu cerca de 3 metros acima da média, já que o calor vulcânico derreteu a geleira de 200 metros de espessura, criando um escoamento pela montanha, informou aAssociated Press.

O tráfego aéreo na Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Países Baixos, Suécia e no Reino Unido está parcialmente suspenso, pois as cinzas vulcânicas resultantes da erupção (que começou na madrugada de quinta-feira) se espalharam cerca de 6 mil a 11 mil metros de altura na estratosfera a partir do meio-dia, em direção para o leste sobre partes do norte da Europa. Essa altitude também é freqüente para aviões comerciais. A intersecção das cinzas vulcânicas (formadas por partículas de silicatos que podem se derreter e desligar os motores dos aviões) com rotas aéreas congestionadas resultou em cancelamento nos vôos, fazendo com que milhares de passageiros que iriam viajar ou retornar para suas casas fiquem nos aeroportos por mais tempo.

Por quanto tempo o vulcão continuará a manter os vôos cancelados? Falamos com a vulcanóloga Sally Kuhn, do Museu Nacional de História Natural, da Smithsonian Institution, para obter explicações.

A erupção do vulcão Eyjafjallajökull foi uma surpresa?
A erupção inicial aconteceu no dia 20 de março e, há poucos dias, tivemos a sorte de que parou. No dia 13, cientistas sobrevoaram o vulcão e não tinham visto qualquer sinal de lava. As pessoas estavam se perguntando se a erupção teria acabado. A atividade migrou do norte para a parte central do vulcão.

A qualquer momento pode ocorrer uma erupção sob uma geleira, de grande potencial destrutivo, o que os islandeses chamam de jökulhlaups. Basicamente é uma inundação gigante de água, a partir de um rápido derretimento da geleira.

Vulcões em erupção sob o gelo são raros?
Não é incomum na Islândia. Certamente é perigoso, pois pode causar inundações enormes e de forma muito rápida. A atual já causou danos. Agricultores locais disseram que os pastos tinham acabado de ficar verdes e agora estão todos inundados de lama.

Será que este vulcão glacial pode afetar o ar?
Quando vi pela primeira vez a pluma de erupção, era muito branca e rica em vapor. Agora está muito escura e com muitas cinzas. Realmente as cinzas são a causa do problema. Podem entrar nos motores dos aviões e se derreter, fazendo com que o motor pare de funcionar. Mesmo que o avião não perca os motores, ainda haverá danos muito caros.

Então aparelhos como helicópteros ou aviões de hélice, que não têm motores a jato, podem voar nestas condições?
Não, porque a cinza pulveriza pedras, que podem riscar o pára-brisa. Ela só não danifica a fuselagem. Eu não gostaria de voar em um helicóptero através das cinzas.

Por quanto tempo o subproduto dessa erupção vai manter os aviões parados?
Isso depende dos padrões climáticos e de quanto tempo a erupção vai durar ─ e se não vai continuar tendo componentes explosivos para a erupção.

Acho que os passageiros poderão, eventualmente, chegar até seus destinos. Aviões podem ser desviados, mas evidentemente não seria bom para os passageiros que estão a três horas de distância do seu destino terem seus vôos desviados em 10 horas.

Qual foi duração da ultima erupção?
É muito difícil de dizer. A última erupção foi muito semelhante a essa. Ela surgiu a partir da cratera central em dezembro de 1821 e passou a janeiro de 1823. Não tenho certeza se a magnitude da erupção foi a mesma durante todo o tempo. Mas é muito, muito difícil de prever.

Os cientistas estão trabalhando no local. Eles coletaram amostras das cinzas para analisar e ter uma noção se a química é semelhante à da última erupção. Mas isso leva tempo. Eu acho que é muito cedo para dizer muito sobre o que realmente está acontecendo lá.
Scientific American Brasil

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Baixo teor de oxigênio nos oceanos profundos se espalha para partes mais rasas
Afetando ecossistemas marinhos costeiros, fenômeno da hipóxia ameaça algumas espécies e provoca superpopulação de outras
por Michael Tennesen
iStockphoto
Água do mar hipóxico se move para mais áreas mais rasas perto da costa de Oregon
O baixo teor de oxigênio em águas profundas dos oceanos está se espalhando ao longo das plataformas continentais fora do noroeste do Pacífico e forçando espécies marinhas a mudar ou morrer. Desde 2002 a hipóxia, ou baixo teor de oxigênio das águas de áreas mais profundas do mar alto, tem “caminhado” para áreas rasas perto da costa de Oregon, mas não perto o suficiente para ser oxigenado pelas ondas. O problema decorre da redução de oxigênio em águas profundas, fenômeno que alguns cientistas estão observando nos oceanos de todo o mundo e pode estar relacionado à mudança climática.

A hipóxia das águas do mar é distinta das conhecidas “zonas mortas” que se formam na foz dos rios Mississipi e outras ao redor do mundo. São resultado de áreas de escoamento agrícola, que levam à proliferação de algas que consomem oxigênio. Porém, o problema do noroeste do Pacífico é muito mais amplo e misterioso.

Águas da plataforma fora do noroeste do Pacífico estendem de 30 a 80 km no mar e encontram-se abaixo da corrente da Califórnia, um dos mais ricos ecossistemas marinhos do mundo. Francis Chan, professor sênior da pesquisa na Oregon State Univesity, vem monitorando a área de eventos de baixo oxigênio, que normalmente tem um pico nos meses de verão. “O oxigênio é a necessidade mais crucial para qualquer coisa biológica”, diz ele.

Chan é um dos muitos cientistas preocupados com os níveis drasticamente reduzidos de oxigênio verificados nessas águas. Segundo ele, o departamento de peixes e da vida selvagem de Oregon colocou veículos submersíveis na costa durante um evento hipóxico que foi anóxico (sem oxigênio) em 2006, e monitorou as condições e constatou inúmeras carcaças de estrelas do mar, pepinos do mar, vermes marinhos e peixes. Chan diz que a água morna cria um tampão sobre as profundezas mais frias, tornando-a menos susceptíveis que as águas mais profundas – onde tudo, desde plâncton à “cocô de baleia” suga oxigênio – que sobem para a superfície e se misturam com águas oxigenadas. Simplesmente a água quente tem menos oxigênio. De acordo com Chan, a maioria das espécies intolerantes à hipóxia, envolvidos em águas de baixo teor de oxigênio, rapidamente se afastam. “Mas para aqueles cuja resposta ao estresse é sentar e esperar”, acrescenta, “irão morrer”.
Scientific American Brasil

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Aquecimento global pode provocar terremotos, deslizamentos de terra e erupções de vulcões
Emitindo gases de efeito estufa e nuvens de cinzas que encobrem a luz solar, os vulcões podem afetar o clima. Mas será que o clima poder afetar os vulcões?
por John Matson
Wikimedia
A edição especial da Philosophical Transactions of the Royal Society do dia 28 de maio levanta a discussão sobre como alterações climáticas podem induzir erupções vulcânicas e outros riscos geológicos, como terremotos e deslizamentos de terra. Entre os problemas que os estudos relacionam com o aquecimento global estão: derretimento dos picos das montanhas, aumento das atividades sísmicas diluindo os depósitos de gelo e aliviando a pressão em algumas partes do mundo e aumentando em outras, e produção de magma sendo impulsionada por mudanças de pressão nos vulcões subglaciais, como os da Islândia.

Esse fenômeno chama agora a atenção mundial por causa da nuvem de cinzas do vulcão Eyjafjallajökull, que paralisou o tráfego aéreo em toda a Europa nos últimos dias. A redução da carga de gelo no topo dos vulcões alivia a pressão sobre as câmaras de magma, permitindo a fusão e aumentando a descompressão de rochas derretidas, segundo escreveu um grupo de pesquisadores, com base em observações e em modelos da Islândia. O principal autor do estudo, Freysteinn Sigmundsson, da Universidade da Islândia, disse à Reuters na semana passada que a última erupção não parece ser causada pelo clima. "Acreditamos que a redução do gelo não foi importante no desencadeamento dessa nova erupção", diz ele. Segundo os autores, qualquer magma adicional produzido como resultado de cargas de gelo derretido pode levar décadas ou até mesmo séculos para chegar à superfície.

As mudanças de pressão devido ao derretimento poderiam também ocasionar mais terremotos. Como os depósitos de gelo no Ártico crescem menos, essas massas causam menos pressão, aumentam os níveis do mar e a pressão em regiões costeiras em todo o mundo. A sobreposição de camadas, segundo Bill McGuire, da University College London, "pode ser suficiente para provocar uma resposta geosférica". Nos últimos períodos pós-glaciais, observou McGuire, o derretimento dos mantos de gelo parece ter desencadeado uma grande atividade sísmica, como seções da crosta anteriormente oneradas pelo aumento do gelo em um processo conhecido como recuperação isostática.

Em outro relato do estudo, Christian Huggel, da Universidade de Zurique, e seus colegas, observaram falhas de inclinação recentes no Alasca, nos Alpes europeus e na Nova Zelândia, e constataram que "todas as falhas foram precedidas por períodos muito quentes". Nas próximas décadas modelos preveem que os períodos quentes nos Alpes suíços aumentam a freqüência de 1,5 a 4 vezes, ou possivelmente mais, o que poderia resultar em um aumento de avalanches locais.
Scientific American Brasil

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Pesticidas são associados ao câncer de pele
Novas pesquisas sugerem que o uso repetitivo e de longo prazo de pesticidas pode causar melanomas
por Gordon Shetler
ISTOCKPHOTO/ILFEDE
Exposição contínua a certos pesticidas dobraria o risco de câncer de pele
De acordo com novo estudo científico, trabalhadores que aplicam certos pesticidas em lavouras estão duas vezes mais propensos de contrair um melanoma, forma de câncer de pele fatal.

Os resultados somam a evidência de que sugere que o uso freqüente de defensivos agrícolas pode aumentar o risco de melanoma. As taxas da doença triplicaram nos Estados Unidos nos últimos 30 anos, sendo a exposição ao sol a principal causa identificada.

Pesquisadores identificaram seis pesticidas que, com a exposição freqüente, duplica o risco de câncer de pele entre os fazendeiros e outros trabalhadores que aplicam essas químicas nas plantações.

Quatro das químicas – maneb, mancozeb, metil paration e carbaryl – são utilizadas nos Estados Unidos em diversas plantações, incluindo nozes, vegetais e frutas. Já o benomyl e o paration-etil foram voluntariamente cancelados pelos seus fabricantes em 2008.

“A maior parte da literatura sobre melanoma foca nos fatores individuais e exposição ao sol. Nossa pesquisa mostra uma associação entre diversos pesticidas e o melanoma, fornecendo evidências para a hipótese de que os pesticidas podem ser outra importante fonte de risco de melanoma”, conforme o relatório de epidemiologistas da University of Iowa, do National Institute of Environmental Health Sciences (Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental) e do National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer).

As descobertas também podem ter implicações para os consumidores que utilizam pesticidas em suas casas ou jardins. Carbaryl, um dos pesticidas relacionados ao câncer de pele, é o ingrediente ativo no inseticida Sevin, que é amplamente utilizado por consumidores para eliminar pestes em jardins e gramados.

O estudo, publicado no mês passado pelo periódico Environmental Health Perspectives, examinou as taxas de câncer em 56.285 aplicadores nos estados de Iowa e Carolina do Norte como parte de um Estudo de Saúde Agrícola do governo federal, um grande estudo de longo prazo com aplicadores de pesticidas e seus cônjuges.

Os aplicadores de pesticidas foram questionados sobre a freqüência com que eram expostos a 50 tipos de pesticidas. Os pesquisadores então compararam suas taxas de câncer, descobrindo que aqueles que eram expostos a algumas dessas químicas tinham alto risco de melanoma cutâneo em comparação a seus colegas que lidavam com outros componentes químicos.

Um dos principais pontos fracos do estudo é que não haver dados sobre a dosagem utilizada por esses trabalhadores. Em vez disso, os pesquisadores fizeram uma aproximação da quantidade de pesticida a que cada pessoa foi exposta somando os dias de exposição e adicionando informações fornecidas pelos próprios aplicadores sobre como empregaram os componentes químicos e quais equipamentos de proteção utilizaram.

Os pesquisadores descobriram que mesmo que o melanoma não fosse frequente entre os trabalhadores estudados, a frequência era maior entre aqueles que eram mais expostos a vários dos pesticidas.

Das 56.285 pessoas que participaram do estudo, 271, ou menos da metade de 1%, desenvolveram um melanoma. Os riscos da doença aumentaram 2,5 vezes em aplicadores expostos a mais de 63 dias ao maneb/mancozeb durante a vida. Os aplicadores que foram expostos ao carbaryl por mais de 56 dias estavam 1,7 vez mais propensos e aqueles em contato com o metil ou paration-etil por mais de 56 dias aumentaram seus riscos de melanoma em 2,4 vezes.

“Os resultados podem ser relevantes para o restante da população”, disse Dale Sandler, chefe de epidemiologia no National Institute of Environmental Health Sciences e segunda pesquisadora do estudo.

Sandler disse que algumas das químicas são utilizadas pela população em geral. Uma das grandes diferenças é que os trabalhadores usam equipamento de proteção, que é um fator que reduz relativamente o risco em relação a usuários residenciais.

“Os aplicadores recebem informações continuamente para aprender sobre como lidar com segurança com essas químicas, mas nós provavelmente iremos a uma loja e não leremos a bula”, disse Sandler.

A pesquisadora diz ainda que os riscos também vão além dos trabalhadores ou consumidores que utilizam pesticidas. Geralmente as químicas estão no meio ambiente próximo às fazendas e podem contaminar os lençóis freáticos.

A empresa que comercializa o Sevin para o mercado americano, Garden Tech, não se pronunciou sobre o novo estudo, enquanto que a Bayer Crop Scientes, fabricante do produto, não pode ser encontrada para comentários.

Michael Thun, vice-presidente de epidemiologia e pesquisa de vigilância no American Cancer Society (Sociedade Americana do Câncer), disse que o estudo é “mais abastecido do que a maioria para fornecer dados”, pois incluem um grande número de pessoas.

Porém, ele ainda tem dúvidas sobre a ligação entre certos pesticidas e o câncer de pele.

Thun disse que mesmo com tanta quantidade de informações, “é difícil interpretar esses resultados sob o aspecto de certos pesticidas”. Muitos dos ingredientes ativos são utilizados em combinação, o que torna mais difícil identificar quais são aqueles que apresentam mais risco.

Os resultados também podem ter sido distorcidos pela exposição dos trabalhadores ao sol, o que é o principal fator de risco para o melanoma.

“Uma vez que os fazendeiros passam boa parte de seus dias ao sol, não podemos excluir a possibilidade de que os resultados específicos desses pesticidas são causados pela exposição ao sol”, disseram os autores em seus relatórios.

Trabalhadores ruivos têm o risco de câncer de pele aumentado em quase quatro vezes, de acordo com estudo. Pessoas com a pele mais branca são mais propensos a ficar queimadas de sol, o que pode resultar em um melanoma. A obesidade também foi vinculada com o aumento do risco, por razões desconhecidas.

Ao estimar as doses, os pesquisadores levaram em consideração as respostas dos trabalhadores na pesquisa sobre equipamentos de segurança.

Todos os pesticidas no estudo contêm rótulos com instruções de manuseio e alguns só podem ser aplicados e misturados por aplicadores licenciados, que recebem treinamento contínuo sobre manuseio e mistura de químicas. O mínimo de equipamento de segurança recomendado é: calças e blusas de mangas compridas, botas e luvas, porém um equipamento de proteção mais específico pode ser necessário dependendo do produto.

“O tipo de equipamento de segurança necessário está escrito em cada rótulo”, disse Kristine Schaefer, especialista em treinamento de aplicadores de produtos químicos da Iowa State University Extension. “As pessoas precisam seguir as instruções do rótulo ou se responsabilizar. É isso que pregamos.”

Porém, Schaefer diz que nenhum dos trabalhadores segue as regras. “Falamos sobre esse assunto em nosso treinamento repetidamente para tentar passar a mensagem”.

Uma pesquisa anterior na Europa e Estados Unidos também vinculou a exposição a longo prazo a pesticidas ao aumento no risco de melanomas. Na Europa, os pesquisadores descobriram que as pessoas que utilizam pesticidas dentro de casa mais de quatro vezes ao ano tinham uma taxa de melanoma duas vezes maior do que aquelas que utilizavam menos.

Os pesticidas incluídos no estudo foram aprovados para uso pela EPA - Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental), e de acordo com Dale Kemery, assessor de impressa da EPA, todos foram passaram por nova análise em 2008. Benomyl e paration-etil foram voluntariamente cancelados como parte do processo. A análise de pesticidas acontece a cada 15 anos pelo menos.
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Encontrada água congelada pela primeira vez na superfície de um asteroide
Themis 24 tem material orgânico e uma camada de gelo, reforçando teorias de que asteroides podem ter semeado a Terra com a água
por John Matson
Gabriel Perez
Na concepção artística, Themis 24 é retratado junto com dois membros menores da sua família
Foi avistado pela primeira vez um asteroide que tem gelo e compostos orgânicos em sua superfície. Ele circunda o Sol entre as órbitas de Marte e Júpiter. Esses traços são característicos dos cometas, que brotam dos reservatórios frios mais distantes no Sistema Solar, mas não de seus primos asteroides. Essa descoberta apóia a ideia de que os asteroides poderiam ter fornecido água para os oceanos da Terra primitiva, bem como alguns dos compostos pré-bióticos que permitiram o desenvolvimento da vida no nosso planeta.

Duas equipes de pesquisadores relataram observações complementares do asteroide de 200 km de largura, conhecido como Themis 24, no dia 29 de abril da revista Nature. (Scientific American faz parte da Nature Publishing Group). Ambas as análises são baseadas em observações espectroscópicas do telescópio da Nasa em Mauna Kea, no Havaí, que apresentam características de absorção indicativas de presença de água e compostos orgânicos não identificados. O gelo parece revestir o asteroide inteiro, como uma fina camada de geada. A prova de existência de água no Themis 24 já tinha sido apresentada em conferências pelos dois grupos em 2008 e 2009, mas só agora está aparecendo em uma revista.

"Eles encontraram algo que vários pesquisadores, inclusive eu, têm perseguido no Sistema Solar por um longo tempo: água e material orgânico", diz Dale Cruikshank, cientista planetário do Nasa Ames Research Center, em Moffett Field, Califórnia.

Esse asteroide possibilitou muitas conclusões, em parte porque compartilha uma órbita semelhante à de alguns dos chamados cometas do cinturão principal, que têm cauda devido ao gelo derretido pelos ventos solares. Já que Themis 24 provavelmente teve a mesma origem, parecia ser plausível que poderia abrigar gelo também.

Cruikshank nota que alguns meteoritos contêm água e compostos orgânicos. Agora, parece que o Themis 24 poderia ser enquadrado nesse esquema. "Esses recém-descobertos cometas do cinturão principal, e agora o Themis, são objetos muito interessantes e, potencialmente, uma das fontes dos oceanos da Terra".

Os dois estudos dão uma visão bastante abrangente do asteroide. Um deles mostra Themis 24 em vários pontos da sua órbita, em breves intervalos de vários anos, enquanto o outro seguiu o asteroide por várias horas tentando detectar quaisquer alterações na rotação do corpo em seu eixo.

"Pensei: deve haver algo nessa família de asteroides que está fazendo esses pequenos objetos se comportarem como cometas", diz Humberto Campins, professor de astronomia na University of Central Florida e coautor do estudo baseado em sete horas de observação do Themis 24 em 2008. Os autores do estudo observaram o asteroide outras sete vezes entre 2002 e 2008, antes de se convencerem. Como os astrônomos conseguem olhar mais longe no Sistema Solar com a constante melhoria telescópios e instrumentação, Campins acha que poderão achar gelo em mais asteroides. Cruikshank diz ser surpreendente descobrir gelo em um corpo sem ar tão perto do Sol, mas observa que tais revelações estão se tornando uma norma: basta olhar para as recentes manifestações de gelo na Lua. "Estamos muito habituados a ser surpreendidos."
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Encontrada água congelada pela primeira vez na superfície de um asteroide
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Gabriel Perez
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Duas equipes de pesquisadores relataram observações complementares do asteroide de 200 km de largura, conhecido como Themis 24, no dia 29 de abril da revista Nature. (Scientific American faz parte da Nature Publishing Group). Ambas as análises são baseadas em observações espectroscópicas do telescópio da Nasa em Mauna Kea, no Havaí, que apresentam características de absorção indicativas de presença de água e compostos orgânicos não identificados. O gelo parece revestir o asteroide inteiro, como uma fina camada de geada. A prova de existência de água no Themis 24 já tinha sido apresentada em conferências pelos dois grupos em 2008 e 2009, mas só agora está aparecendo em uma revista.

"Eles encontraram algo que vários pesquisadores, inclusive eu, têm perseguido no Sistema Solar por um longo tempo: água e material orgânico", diz Dale Cruikshank, cientista planetário do Nasa Ames Research Center, em Moffett Field, Califórnia.

Esse asteroide possibilitou muitas conclusões, em parte porque compartilha uma órbita semelhante à de alguns dos chamados cometas do cinturão principal, que têm cauda devido ao gelo derretido pelos ventos solares. Já que Themis 24 provavelmente teve a mesma origem, parecia ser plausível que poderia abrigar gelo também.

Cruikshank nota que alguns meteoritos contêm água e compostos orgânicos. Agora, parece que o Themis 24 poderia ser enquadrado nesse esquema. "Esses recém-descobertos cometas do cinturão principal, e agora o Themis, são objetos muito interessantes e, potencialmente, uma das fontes dos oceanos da Terra".

Os dois estudos dão uma visão bastante abrangente do asteroide. Um deles mostra Themis 24 em vários pontos da sua órbita, em breves intervalos de vários anos, enquanto o outro seguiu o asteroide por várias horas tentando detectar quaisquer alterações na rotação do corpo em seu eixo.

"Pensei: deve haver algo nessa família de asteroides que está fazendo esses pequenos objetos se comportarem como cometas", diz Humberto Campins, professor de astronomia na University of Central Florida e coautor do estudo baseado em sete horas de observação do Themis 24 em 2008. Os autores do estudo observaram o asteroide outras sete vezes entre 2002 e 2008, antes de se convencerem. Como os astrônomos conseguem olhar mais longe no Sistema Solar com a constante melhoria telescópios e instrumentação, Campins acha que poderão achar gelo em mais asteroides. Cruikshank diz ser surpreendente descobrir gelo em um corpo sem ar tão perto do Sol, mas observa que tais revelações estão se tornando uma norma: basta olhar para as recentes manifestações de gelo na Lua. "Estamos muito habituados a ser surpreendidos."
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Catalisadores orgânicos podem melhorar a reciclagem de plásticos
Pesquisadores descobrem maneira de fabricar garrafas plásticas com ciclo de vida reciclável prolongado
por Larry Greenemeier
A maior parte das garrafas plásticas de bebidas que são descartadas podem ser recicladas – todas que têm o número um impresso dentro de uma flecha triangular.

Entretanto, a segunda geração de plástico geralmente não é utilizável para fabricação de novas embalagens. Agora, pesquisadores descobriram uma maneira de fabricar garrafas plásticas que têm seu ciclo de vida reciclável prolongado.

O problema das garrafas feitas de termoplástico tereftalato de polietileno (PET) é que o processo de fabricação frequentemente precisa de catalisadores de óxido ou hidróxido metálico. Esses catalisadores permanecem no material reciclado, o que o enfraquece com o passar do tempo, tornando impraticável sua reutilização pela terceira vez.

A segunda geração de PET, portanto, acaba sendo utilizada em aplicações menos exigentes, como carpetes e fibra sintética utilizada como enchimento e isolante para casacos e sacos de dormir. Ou então, acaba como lixo. Nos Estados Unidos, cerca de 24 bilhões de embalagens plásticas de bebidas foram incineradas, jogadas em lixões ou descartadas nos primeiros três meses deste ano, de acordo com a entidade sem fins lucrativos, Instituto de Reciclagem de Embalagens, em Culver City, Califórnia.

Cientistas do Centro de Pesquisa Almaden, da IBM, em San Jose, Califórnia, e da Stanford University, relatam na edição de 16 de fevereiro da Macromolecules, que criaram uma família de catalisadores orgânicos passíveis de serem utilizados para fabricação de plásticos totalmente recicláveis e biodegradáveis.

Os pesquisadores dizem que o catalisador orgânico se equipara até mesmo ao mais ativo catalisador metálico e ao mesmo tempo é benéfico para o meio ambiente. Eles também acreditam que essa pesquisa pode levar a um processo de reciclagem capaz de quebrar polímeros em seus monômeros constituintes de forma a serem reutilizáveis.
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Uma estrela vai invadir nosso sistema solar?
Entrada de Gliese 710 pode ser inofensiva, diz astrônomo
por John Matson
Chuvas de meteoros não são cenário plausível
Um astrônomo russo deixou algumas pessoas preocupadas ao publicar um artigo dizendo que uma estrela anã ─ atualmente a 63 anos-luz de distância ─ poderá, muito provavelmente, entrar em nosso sistema solar em menos de 2 milhões de anos.

Vadim Bobylev, do Observatório de Pulkovo, na Rússia, apresentou em Astronomy Lettersuma lista de estrelas próximas que poderão fazer contatos imediatos com a nossa vizinhança solar. Ele descobriu que a Gliese 710, estrela com cerca da metade da massa do Sol, tem uma chance 86% de sair da nuvem de Oort ─ nuvem esférica de cometas no exterior do sistema solar ─ e entrar em nosso sistema daqui a cerca de 1,5 milhão de anos.

Em 1999 uma equipe de pesquisadores cruzou dados do satélite europeu Hipparcos, que catalogou a posição e o movimento de cerca de 120 mil estrelas na Via Láctea. A pesquisa, publicada no Astronomical Journal, constatou que Gliese 710 provavelmente esteve a uma distância cerca de 1,1 anos-luz do sol. Os autores do estudo, concluíram que a “viagem” de Gliese 710 no passado ocorreu quando houve a dispersão de milhões de cometas, felizmente, porém, para fora de nosso sistema solar.

Sempre há noticias dramáticas, mas, como Bobylev observou, a futura “entrada” da Gliese 710 é conhecida há mais de uma década. E como foi apontado, o encontro poderá ser inofensivo.

Paul Weissman, cientista sênior no Jet Propulsion Laboratory da Nasa em Pasadena, Califórnia, e coautor do artigo original, diz que seria necessária uma aproximação muito maior da Gliese 710 ao Sol para iniciar uma chuva de cometas na Terra. “Isso não é impossível, dada a nossa incerteza sobre a movimentação da estrela, mas a pesquisa de Bobylev indica ser improvável”, completa Weissman, notando uma boa dose de incerteza em relação à rota da estrela Gliese 710.

Mas mesmo se as gerações futuras, daqui a milhões de anos, possam sofrer com a queda de uma estrela-anã na Terra, não poderíamos fazer nada. Há 1,5 milhão de anos atrás, a espécie humana ainda não existia e o estágio da tecnologia doHomo erectus eram apenas ferramentas de pedra e, possivelmente, um fogo controlado. É de se esperar que, se a humanidade evoluiu tanto em poucos milhões de anos, no futuro os habitantes terrestres possam apenas apertar um botão e acabar com qualquer ameaça de apocalipse.
Scientific American Brasil

Notícias Geografia Hoje

Aves do Golfo do México estão ameaçadas pelo petróleo
Mau tempo pode levar vazamento até hábitats e contaminá-los
Cortesia de E. Kirdler
O tesourão está entre os animais selvagens com maior risco de contaminação com o petróleo
Jan Dubuisson coordena estudos no santuário de aves marinhas em Gulfport, Mississipi. As aves estudadas por Dubuisson têm um péssimo hábito: defecar sobre os intrusos como modo de afastá-los. Por esse motivo a pesquisadora sempre volta suja de suas pesquisas. No entanto, dessa última vez Dubuisson achou algo muito estranho. “Minhas roupas estavam muito escuras e, quando fui lavá-las, as manchas não saíam, acho que só pode ser petróleo.”

Até agora, as suspeitas de Dubuisson ainda não foram confirmadas. Desde sábado, apenas 24 aves com óleo foram resgatados das águas do Golfo do México, perto da cerca de contenção do derramamento de óleo. Nenhuma andorinha foi capturada, o que deixa uma duvida quanto à rota de migração.

“Mas é perfeitamente possível que essa área estudada possa estar exposta ao petróleo resultante do vazamento mais recente”, segundo Chuck Hunter, ornitólogo do Wildlife Service, em Atlanta. “Tesourões, trinta-réis, pelicanos marrons e gaivotas estão entre as aves com maior risco de ter contato com o petróleo do derrame”, completa ele.

Uma única tempestade poderia deslocar o óleo. Uma vez lá, o petróleo poderia contaminar alguns animais como as aves marinhas, ninhos, aves migratórias que passam por migrações heróicas da América do Sul até o norte até o Ártico e também os peixes, eliminando as populações no Golfo.

“O perigo pode durar um ano ou mais”, acrescenta Greg Butcher, diretor de conservação da Sociedade de Audubon. “Pode ocorrer um pico depois das tempestades, certamente durante todo esse ano e talvez no próximo ano também", diz ele. "Você pode ter vários picos de aves sujas de óleo. Esse não é um fenômeno de curto prazo, especialmente porque existe um aumento do volume de petróleo vazado."

Para todas as aves do Golfo e seus hábitats, os conservacionistas estão mantendo seus dedos cruzados para que não haja tempestades e possam fazer o trabalho de proteção das espécies e contenção do petróleo.

Mas Hunter não é excessivamente otimista. "Basta uma grande tempestade", diz ele, "e muito animais morrerão".
Scientific American Brasil

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