sábado, 14 de fevereiro de 2026

A fronteira do Matopiba: as novas faces da expansão do capital e seus conflitos


 

A fronteira do Matopiba: as novas faces da expansão do capital e seus conflitos, Marta Inez Medeiros Marques, Vicente Eudes Lemos Alves (organizadores), São Paulo: FFLCH, 2024

O livro explora a complexa dinâmica da expansão do capital na região do Matopiba, que abrange as zonas fronteiriças dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde está emergindo uma nova fronteira agrícola em larga escala. Destaca os conflitos socioambientais resultantes nessa região dinâmica e contraditória, um laboratório para as transformações do capitalismo semiperiférico.

2O livro inclui mais de vinte artigos e é dedicado à memória de Carlos Walter Porto-Gonçalves, um geógrafo influente.

Figura 1. Localização de Matopiba no bioma Cerrado e no território nacional.

Figura 1. Localização de Matopiba no bioma Cerrado e no território nacional.

3A seção “Perspectivas Teóricas e Históricas” analisa a noção de fronteira a partir de diversas perspectivas teóricas e históricas. Ela é examinada em relação ao desenvolvimento desigual do capital e às tensões ambientais. Marta Inez Medeiros Marques discute a expansão da fronteira agrícola no Brasil e suas implicações, e Vicente Eudes Lemos Alves aborda os impactos do agronegócio sobre as populações locais e o meio ambiente.

4A seção “Propriedade e Mercados de Terras  ” aborda as raízes da concentração fundiária e dos conflitos relacionados à terra no Brasil. O falecido Ariovaldo Umbelino de Oliveira apresenta uma visão geral da propriedade da terra e da grilagem (apropriação ilegal de terras). Fábio Pitta e Teresa Paris analisam os conflitos fundiários no sul do Piauí, exacerbados pela entrada de capital transnacional, e Samuel Frederico e Bruno Spadotto identificam os investidores financeiros no agronegócio entre 2008 e 2016.

Figura 2 Número de conflitos rurais – 1985-2023

Figura 2 Número de conflitos rurais – 1985-2023

5A seção "Questões Sociais e Territórios em Conflito" destaca as lutas das comunidades tradicionais contra a expansão do agronegócio: o movimento Teia, do Povos, luta pelo reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades tradicionais; as comunidades quilombolas do sul do Piauí lutam para manter suas terras e sua identidade; e os Akwẽ-Xerente, no Tocantins, enfrentam desafios de sobrevivência e fragmentação social.

6A seção sobre "Impactos Sociais e Ambientais" examina as consequências do agronegócio no meio ambiente e nas comunidades locais. A expansão do agronegócio leva a conflitos relacionados à água e ao desmatamento, como ilustrado pelos protestos pela água em Correntina, em 2017. Os autores enfatizam que as questões da água e da terra estão interligadas e devem ser abordadas em conjunto.

7"Expropriação e Conflitos Sociais em Matopiba" explora a dinâmica da expropriação comunitária em Matopiba, destacando os impactos das políticas ambientais e dos interesses econômicos.

  • As alterações ao Código Florestal em 2012 facilitaram o "cercamento verde", permitindo a apropriação de terras e florestas.

  • Observou-se um aumento nos cadastros ambientais, ligado ao crescimento dos "negócios verdes" por parte de grandes empresas.

  • Os conflitos fundiários no Parque Estadual do Mirador, no Maranhão, foram exacerbados pela expansão da agricultura moderna desde a década de 1980.

  • As comunidades locais sofrem com a violência dos grileiros e com a poluição dos recursos hídricos causada pelas grandes operações agrícolas.

Figura 3 Conflitos de terras em Matopiba (2015-2022)

Figura 3 Conflitos de terras em Matopiba (2015-2022)

8O capítulo "Expansão de Capital e Agroeconomia" analisa a acumulação histórica e o impacto socioambiental da agricultura capitalista no Cerrado.

  • A região de Matopiba tornou-se uma "zona de sacrifício", caracterizada por uma alta concentração de terras e relações de trabalho precárias.

  • O investimento público na agricultura beneficiou principalmente os grandes produtores, exacerbando as desigualdades.

  • A produção de soja aumentou 92% em dez anos, atingindo 35 milhões de toneladas, enquanto a produção de culturas básicas diminuiu.

Figura 4. Cultivo de soja em Matopiba – 2015 e 2022

Figura 4. Cultivo de soja em Matopiba – 2015 e 2022

9A seção "Transformação Econômica e Social em Matopiba" destaca as transformações econômicas e sociais resultantes da expansão do agronegócio na região.

  • Matopiba se caracteriza pela especialização na produção de commodities , principalmente soja, milho e cana-de-açúcar.

  • A população rural está diminuindo, enquanto as cidades crescem rapidamente, atraindo migrantes.

  • A separação entre a propriedade da terra e a atividade agrícola intensificou-se, com o arrendamento de terras a aumentar de 235.000 hectares para mais de 1,8 milhões de hectares entre 1995 e 2017.

10"Finanças e Acumulação na Agricultura" examina o papel das finanças na acumulação de capital e na transformação das relações de propriedade na agricultura.

  • O setor financeiro possibilitou o fortalecimento do capital, com aumento dos ativos financeiros e instabilidade permanente.

  • As grandes empresas agrícolas concentram-se na apropriação do excedente em vez da produção.

  • A atual crise de capitais está ligada à sobreacumulação e à necessidade de encontrar novos mercados para o capital excedente.

11"Conflitos Territoriais e Resistência" destaca as lutas das comunidades tradicionais contra a apropriação de terras e a degradação ambiental.

  • Conflitos territoriais são frequentes entre comunidades locais e grandes empresas agrícolas.

  • As populações tradicionais estão se organizando para defender seus direitos territoriais e recursos naturais.

  • A resistência está se intensificando, com alianças estratégicas em diferentes níveis para combater a apropriação de terras.

12De acordo com "Globalização Financeirizada e seus Impactos", isso representa uma nova fase do capitalismo, marcada pela apropriação da mais-valia e pelo domínio das grandes empresas.

  • O setor financeiro evoluiu rumo à autonomização do capital, distanciando as operações financeiras dos processos de produção de valor.

  • Os mercados financeiros fomentaram uma instabilidade econômica permanente e a especulação sobre ativos muito distantes da produção real.

  • A concentração de capital levou ao domínio oligopolista, onde as grandes empresas exploram os recursos dos mais fracos.

  • A crise de 2008 revelou a necessidade de apoio estatal às instituições financeiras, destacando a ligação entre o Estado e o capital financeiro.

13A seção "A fronteira agrícola e sua evolução" mostra que se trata de um processo de expansão de capital, influenciado por dinâmicas econômicas e sociais complexas.

  • A colonização interna foi marcada pela apropriação de terras e pela integração de novas populações nos mercados.

  • Os movimentos migratórios muitas vezes levam a conflitos com populações tradicionais, como os povos indígenas.

  • A expansão da fronteira agrícola foi acompanhada por projetos de infraestrutura, promovendo a produção agrícola para o mercado interno e para exportação.

  • A especulação imobiliária desempenhou um papel fundamental no aumento dos preços da terra e na industrialização da agricultura.

14As transformações do capital agrícola envolvem mudanças significativas, com crescente integração do capital financeiro e industrial.

Figura 5. Área (em hectares) por Estado controlada pelo capital financeiro, 2008-2016.

Figura 5. Área (em hectares) por Estado controlada pelo capital financeiro, 2008-2016.
  • A modernização da agricultura levou a uma maior dependência da indústria, com mudanças nas relações de trabalho.

  • Grandes empresas do agronegócio dominam o mercado, como por exemplo a JBS e a Raízen, que se beneficiaram de financiamento público.

  • Novas formas de crédito, como títulos de dívida agrícola, superaram o financiamento público.

  • A especulação com terras agrícolas foi facilitada por leis recentes, aumentando o interesse de investidores estrangeiros.

15Os desafios das finanças globais redefiniram as relações econômicas, influenciando a estrutura do capital e a dinâmica do poder.

  • Países emergentes, como o Brasil, compartilham sua gestão econômica com instituições financeiras internacionais.

  • A crise da dívida da década de 1980 abriu caminho para novos agentes financeiros, aumentando o setor financeiro desregulamentado.

  • As grandes corporações transnacionais exercem controle sobre as cadeias de valor, influenciando os mercados e preços agrícolas.

  • A especulação sobre produtos agrícolas levou à inflação de preços, dificultando o acesso aos alimentos.

16As "consequências da expansão da fronteira agrícola" são que

  • A concentração de terras e recursos levou à expropriação de populações locais, incluindo comunidades tradicionais.

  • As práticas agrícolas intensivas contribuíram para o desmatamento e a degradação da biodiversidade.

  • As grandes empresas do agronegócio dominam o mercado, exercendo controle sobre a produção e a distribuição.

  • Os mecanismos de financiamento verde são frequentemente usados ​​para mascarar os impactos ambientais negativos da agricultura industrial.

17De modo geral, o livro explora a reconfiguração da fronteira agrícola no Brasil, com foco na expansão do setor agroindustrial e seus impactos socioambientais. A fronteira agrícola representa um novo espaço de produção capitalista no Brasil, caracterizado pela aceleração da extração e circulação de matérias-primas, e as populações agroextrativistas passam por transformações significativas em seus estilos de vida.


Revista Franco-Brasileira de Geografia

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O que é a transição energética



O que é a transição energética, tema urgente da COP30 que coloca o Brasil como exemplo
Entenda o movimento para substituir petróleo e carvão por fontes solares e eólicas, vital para frear National Geographic Brasil




O Brasil é um dos líderes mundiais na transição energética, com parques eólicos localizados majoritariamente no Nordeste. Atualmente, o país possui um total de 568 parques eólicos, com uma capacidade instalada de 14,34 GW. Estima-se que até 2026, a capacidade instalada dos parques eólicos brasileiros seja de 28,5 GW (com taxa de crescimento de 1,1 a 2 GW por ano), segundo dados da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). Foto de Divulgação ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica)


Os apelos para que a transição no uso de energia no mundo se intensifique e o uso majoritário de fontes energéticas deixe de ser ancorado nos combustíveis fósseis (como petróleo e carvão) e migre para a chamada energia limpa alcançou níveis urgentes, explica um relatório da agência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU).


Ainda que a civilização humana passe por algum tipo de transição energética desde seus primórdios, o nível de extração, queima e consumo de combustíveis fósseis a partir da Revolução Industrial vem gerando níveis de poluição recordes nos últimos anos, os quais são responsáveis pelo aquecimento do planeta e pela mudança climática.


Por isso mesmo e de acordo com a OMM, “estamos lutando contra o tempo”. A adoção do uso de energias consideradas renováveis – como a solar, a eólica, a hidrelétrica e os biocombustíveis – ainda está em ritmo mais lento do que deveria, apesar de seu uso estar previsto para dobrar até 2030, continua a entidade.


O setor energético global sozinho é responsável por cerca de 75% das emissões globais de gases de Efeito Estufa (os GEEs), continua a fonte. “A melhoria da eficiência energética e a busca por matrizes mais limpas são vitais para prosperarmos no século 21”, defende Petteri Taalas, chefe da OMM.





Painéis solares mostram o desenvolvimento da energia renovável no deserto da Califórnia, nos Estados Unidos, um dos estados mais "verdes" do país. Segundo a agência do clima da Organização das Nações Unidas, a transição energética chegou a um momento urgente e crucial por causa da crise climática e o aquecimento do planeta.Foto de Tom Brewster/Agência de Gestão de Terras da Califórnia (Bureau of Land Management California)

O Brasil é referência mundial na transição energética


Dentro do cenário de transição energética, o Brasil sai na frente, já que a matriz elétrica brasileira já é renovável e baseada em fontes com baixa emissão de GEEs”, informa um artigo sobre o tema da Agência Nacional de Energia, um órgão do Ministério de Minas e Energia brasileiro.


Atualmente, “o país já utiliza 48% de energia renovável, acima da média mundial que é de 15%", informam dados do Ministério de Minas e Energia, ainda que o potencial para explorar recursos hídricos, solares e eólicos continue sendo grande.


O Brasil também é líder em uso de energia limpa dentro do G20, à frente de Canadá, Alemanha e Reino Unido, por exemplo, como explica um ranking da EMBER, uma organização independente de energia que promove a transição para energia limpa.


Em relação ao uso de biocombustíveis, o Brasil também se sai bem, a ponto de servir de consultor para outras nações, como a Índia, por exemplo. A nação mais populosa do mundo vem adotando o uso do etanol (e a produção de cana-de-açúcar) depois de ser assessorada por um time brasileiro de especialistas, como contou o presidente da COP30 André Corrêa do Lago, em entrevista ao podcast de notícias “A Hora”.


A Índia, inclusive, tem uma ambiciosa meta de atingir 500 GW de capacidade de energia não-fóssil em 2030, afirma a Agência Internacional de Energia.




O fim da energia baseada em combustíveis fósseis é essencial para controlar a crise climática e evitar o aumento da temperatura do planeta até um ponto de não-retorno. Foto de Kim Seng (CC BY-NC-ND 2.0)

Transição energética: em busca da meta zero de emissões para 2050


A Organização Meteorológica Mundial afirma também que a meta com a qual as nações devem trabalhar é a de zerar as emissões de GEEs até o ano de 2050. “Mas só chegaremos lá se dobrarmos o fornecimento de eletricidade de baixa emissão nos próximos oito anos”, diz.


Ao mesmo tempo e segundo o relatório “World Energy Outlook 2024”, da Agência Internacional de Energia (AIE), “até 2035, é esperado que o mundo adicione, a cada ano, o valor equivalente às necessidades de energia elétrica do Japão (que é de 909 terawatts-hora)”.


Neste cenário também tem se destacado atualmente a China. Apesar de ainda estar entre os países que mais emitem gases do Efeito Estufa, a nação “vem liderando aumento da capacidade de eletricidade renovável”, diz a AIE, “com quase 350 GW adicionados em 2023, dois terços de toda a implantação global”, detalha a fonte.


Ainda de acordo com a EMBER, que faz o monitoramento sobre o uso de energia renováveis, alguns dados recentes merecem destaque. Entre eles estão:41% é a participação global da eletricidade limpa em 2024;
1,29% foi o crescimento da geração de energia solar em 2024;
7,9% foi a porcentagem de crescimento da geração eólica em 2024;


Em contrapartida, em 2024 ainda se registrou um crescimento de 1,4% na geração a partir de combustíveis fósseis e 40Mt (milhões de toneladas) de gás metano vazado de minas de carvão em 2024, o que significa que ainda há muito, muito trabalho para ser feito na transição energética.

Existe vulcão no Alasca?




Existe vulcão no Alasca? Sim – e ele pode entrar em erupção em breve
Uma explosão no Monte Spurr, no Alasca, poderia gerar uma enorme nuvem de cinzas, atrapalhar o fluxo de aviões e causar problemas para as pessoas. Veja o caos que esse evento pode gerar.




No último ano, o Monte Spurr, no Alasca, vem mostrando sinais de uma possível erupção no horizonte. Se houver uma erupção, ela provavelmente ocorrerá no Crater Peak, mostrado no fundo desta fotografia do cume. Foto de Matt Loewen, Alaska Volcano Observatory, U.S. Geological Survey


Nos últimos 12 meses, um vulcão chamado Monte Spurr, no Alasca, ficou visivelmente agitado: ele está inchando, tremendo e liberando gases nocivos. Nesta situação, as evidências podem apontar para dois cenários: um grande evento explosivo no horizonte – ou apenas o fato de a montanha estar soltando vapor inofensivamente.


Se ocorrer uma erupção, a boa notícia é que não há nenhuma vila ou cidade vivendo próximo às suas encostas. Ela seria sufocada por avalanches escaldantes de rocha e vapor. A má notícia, por sua vez, é que essa erupção provavelmente geraria uma grande quantidade de cinzas, a qual – se o vento soprar para o leste naquele dia, a cidade de Anchorage, a cerca de 130 quilômetros de distância, veria o pior.


“A queda de cinzas vulcânicas será um grande perigo”, diz Matt Haney, cientista encarregado do Observatório de Vulcões do Alasca do Serviço Geológico dos Estados Unidos (U.S. Geological Survey).


O que saber sobre o vulcão Monte Spurr, no Alasca


O Monte Spurr tem duas aberturas eruptivas importantes: uma no cume – que possui 3.352 metros de altura –, e que parece ter estado fechada por milhares de anos. E uma próxima a ela, chamada Crater Peak, que explodiu várias vezes nos últimos milênios. A última erupção ocorreu em 1992, com três explosões distintas.


Spurr é conhecido por apresentar terremotos sem consequências. Mas no final de abril de 2024, a frequência dos terremotos aumentou, enquanto o vulcão começou a inchar – um fenômeno em que o solo literalmente infla.


Essa movimentação se acalmou no verão do Hemisfério Norte, neste ano, mas voltou a ficar mais agitada novamente no outono. Já em meados de outubro de 2024, com o vulcão continuando a inflar e a tremer de forma bastante dramática, o Observatório de Vulcões do Alasca emitiu um alerta: algo incomum estava acontecendo.


“Há uma intrusão de magma que faz o vulcão inflar, causando esses terremotos”, diz Haney. O observatório mudou o aviso de aviação da cor verde (dado quando o vulcão está agindo normalmente) para amarelo (quando o vulcão está exibindo sinais de agitação elevada). Em outras palavras: o vulcão pode estar se preparando para uma erupção, e sua nuvem de cinzas colocaria em risco os aviões que estivessem nas proximidades.


Durante janeiro e fevereiro de 2025, no Alasca, os terremotos continuaram a ser frequentes (e, às vezes, intensos), e mais deles passaram a se acumular sob o Crater Peak. Em março deste ano, os eventos pioraram ainda mais: tanto o dióxido de carbono quanto o dióxido de enxofre passaram a jorrar do cume, enquanto apenas o dióxido de carbono foi detectado ao redor do Crater Peak.


Esses gases são conhecidos por escaparem do magma à medida que ele sobe e despressuriza – e essas leituras indicaram que o magma estava muito próximo do cume, embora estivesse um pouco mais profundo abaixo do Crater Peak.


Apesar da proximidade com o cume, os vulcanólogos estavam mais preocupados com o fato de o magma estar perto o suficiente do Crater Peak – que, nos tempos modernos, é o respiradouro que acaba explodindo – para torná-lo pelo menos um pouco gasoso. Todos esses sinais juntos indicavam que “o condutor sob o Crater Peak foi ativado”, diz Haney.


A partir de maio, as coisas se acalmaram um pouco. As emissões de gás persistiram, mas a inflação vulcânica diminuiu um pouco e os terremotos estão um pouco menos frequentes. Os sinais podem continuar a se deteriorar daqui para frente. “Uma erupção fracassada, em que o magma se estanca e não chega à superfície, como aconteceu em 2004-2006, também é uma possibilidade”, diz David Fee, vulcanólogo da Universidade do Alasca na cidade de Fairbanks.


Como alternativa, as coisas poderiam aumentar novamente, terminando em uma explosão – provavelmente no Crater Peak. E isso produziria uma nuvem de cinzas que se elevaria a dezenas de milhares de metros no céu.





Em 1992, o Crater Peak registrou três explosões. A segunda delas durou 3 horas e 40 minutos e impulsionou uma nuvem de cinzas a uma altitude de quase 14 quilômetros acima do nível do mar. Foram relatados vestígios de cinzas a até 1.200 quilômetros a sotavento da abertura.Foto de R.G. McGimsey, Alaska Volcano Observatory, U.S. Geological Survey

Os riscos imediatos de uma erupção


As pessoas em Anchorage não correriam nenhum risco de vida imediato. “Você não está morando no vulcão, não será inundado por um fluxo piroclástico”, diz Michelle Coombs, geóloga pesquisadora do Observatório de Vulcões do Alasca.


O problema, no entanto, é que uma explosão no Crater Peak, ou uma sucessão de explosões, “cada uma com duração de algumas horas, produziria nuvens de cinzas transportadas a favor do vento por centenas de quilômetros e queda de cinzas sobre o centro-sul do Alasca”, diz Fee.


No entanto, antes de cair do céu, essa nuvem de detritos vulcânicos permanecerá em altitude – e todos os aviões na região precisarão ser desviados às pressas.


Diferentemente das cinzas da fumaça de incêndios florestais, que são feitas de material orgânico queimado, a cinza vulcânica é dura, afiada e semelhante a vidro. Ela não é apenas abrasiva, mas também é capaz de derreter dentro dos motores a jato, causando falhas. As janelas da cabine da aeronave podem ser bloqueadas e corroídas, e os circuitos eletrônicos do avião podem ser danificados.


Duas erupções na era moderna do Crater Peak – uma em 1953 e outra em 1992 – depositaram cinzas em Anchorage. Uma das explosões de 1992 despejou mais de três milímetros de cinzas em Anchorage, e o aeroporto fechou por 20 horas. “Foi um grande problema na época. Se acontecer hoje, será um transtorno ainda maior”, diz Haney, observando o quanto mais tráfego aéreo passará pela cidade em 2025.


Felizmente, uma explosão em Spurr não seria uma reminiscência da erupção de 2010 do vulcão islandês Eyjafjallajökull, que causou a maior paralisação do espaço aéreo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Um episódio explosivo no Crater Peak duraria apenas algumas horas, o que significa que o espaço aéreo seria afetado apenas por um breve período.


Ainda assim, o aeroporto internacional de Anchorage é o quarto aeroporto de carga mais movimentado do mundo, portanto, qualquer paralisação seria altamente prejudicial.

“A cinza vulcânica escurece os céus, faz com que vire noite no meio do dia”
por Matt Haney
cientista encarregado do Observatório de Vulcões do Alasca do Serviço Geológico dos Estados Unidos

Como as cinzas vulcânicas podem colocar as pessoas em perigo


Se grande parte dessas cinzas acabar caindo em Anchorage, certamente será desagradável, principalmente por causa de sua aparência sinistra. “A cinza vulcânica escurece os céus, faz com que vire noite no meio do dia”, diz Haney. E, embora as cinzas vulcânicas raramente coloquem em risco a vida humana, elas podem ser problemáticas de várias maneiras.


“Essas partículas no ar são um risco respiratório e também podem irritar os olhos e a pele expostos”, diz Carol Stewart, especialista em saúde ambiental em desastres da Universidade Massey, na Nova Zelândia.


Os grupos vulneráveis – os muito jovens e os idosos, e aqueles com problemas cardiovasculares ou respiratórios preexistentes – podem sentir essa irritação com mais intensidade. A exposição prolongada pode levar a internações hospitalares para alguns, mas, na maioria das vezes, a inalação de cinzas é um incômodo, não um perigo letal.


Quanto aos outros animais, “os impactos das cinzas sobre os animais de criação são bastante semelhantes aos impactos sobre as pessoas em termos de irritação dos olhos, da pele e das vias aéreas”, diz Stewart. Não é de surpreender que, se eles ingerirem cinzas, isso poderá ter efeitos deletérios sobre sua saúde. “As cinzas também cobrirão o pasto, de modo que eles precisarão de alimentação suplementar e podem contaminar suas fontes de água.”


As cinzas vulcânicas podem causar interrupções no fornecimento de energia, seja por curto-circuito nas redes elétricas ou por sobrecarregar os galhos das árvores a ponto de caírem sobre as linhas de transmissão. Também costumam cobrir os telhados e, por serem densas, acabam fazendo com que essas coberturas se dobrem e desmoronem – em alguns casos mais raros.


Mas isso requer volumes extremamente altos de cinzas – muito mais do que os níveis de produção típicos da Spurr.


O maior risco que as cinzas representam pode ser para os motoristas. “As cinzas nas estradas criam condições perigosas para dirigir”, diz Stewart. “As cinzas causam perda de tração, cobrem as marcações da estrada e também são lançadas no ar, prejudicando a visibilidade. Acidentes são comuns após a queda de cinzas.” Os filtros de ar dos carros também podem se entupir rapidamente.


Como as cinzas contêm muito ferro e alumínio, quantidades significativas podem tornar a água imprópria para beber, embora não seja totalmente venenosa. O trabalho de remover essas partículas da água pode fazer com que a distribuição seja interrompida, enquanto a demanda pelo abastecimento aumenta à medida que as pessoas a utilizam para lavar suas casas, carros e calçadas. “Ficar sem água é um risco muito maior para a saúde do que pequenas alterações químicas na água”, diz Stewart.


O que esperar do vulcão no Alasca em um futuro próximo


Considerando todos os aspectos, a interrupção do tráfego aéreo é o principal risco de uma erupção do Spurr com muitas cinzas, diz Haney. Com base no histórico de episódios explosivos do Crater Peak, as pessoas em Anchorage não devem se preocupar excessivamente com os outros efeitos menores da queda de cinzas do vulcão.


Mas isso não significa que a população não deve estar preparada para lidar com isso. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, se houver previsão de queda de cinzas, os residentes devem ficar em casa, levar os animais de estimação para dentro de casa, colocar os veículos sob cobertura e certificar-se de manter qualquer pessoa com problemas respiratórios ou cardiovasculares em segurança e perto de seus suprimentos médicos.


Quem for pego do lado de fora, deve usar uma máscara facial ou um pano para evitar respirar as cinzas e procurar abrigo.


Nesse estágio, não está claro se uma erupção no Alasca é inevitável. Se os cientistas detectarem um aumento na taxa de inflação vulcânica, muito mais emissão de gases vulcânicos, um derretimento significativo da neve e do gelo e um enxame de terremotos sugerindo que o magma está subindo e quebrando rochas sem esforço, “isso seria óbvio”, diz Haney. Nesse momento, eles elevariam o nível de alerta da aviação para laranja, indicando um maior potencial de erupção.


Mas, mesmo assim, uma explosão não é garantida. Se uma erupção for inevitável, o prazo para que ela ocorra ainda não está claro: esse grau intenso de agitação poderia ser breve, mas também poderia durar várias semanas ou meses antes de ocorrer uma erupção.


Um dia, as cinzas lançadas pelo Monte Spurr voltarão a cobrir Anchorage. Mas será que isso acontecerá mais cedo ou mais tarde? “Estamos em um modo de observação e espera no momento”, diz Coombs.
National Geographic Brasil

A descoberta de uma caverna na superfície da Lua




A descoberta de uma caverna na superfície da Lua pode ser um bom abrigo futuro para astronautas
A recente descoberta de um tubo de lava lunar sugere a existência de uma rede oculta de cavernas que poderia servir de abrigo para futuros exploradores na Lua.


O Lunar Reconnaissance Orbiter da Nasa (ilustrado com a Terra ao fundo) detectou a primeira evidência direta de um tubo de lava sob um antigo oceano de magma chamado Mare Tranquillitatis.
Foto de Illustration by University of Trento, A. Romeo, NASA, JPL-Caltech (Brian Kumanchik, Christian Lopez), Bill Anders


Os primeiros astronautas desde a era da missão Apollo pousarão na superfície lunar ainda nesta década. Se o programa Artemis da Nasa prosseguir conforme planejado, ele estabelecerá, pouco a pouco, uma presença permanente na Lua, em torno do Polo Sul lunar, rico em água.


Isso não é tarefa fácil. Afinal, a Lua é um dos ambientes mais extremos e hostis do Sistema Solar: apresenta variações bruscas de temperatura dentro e fora da luz solar, é ocasionalmente sacudida por intensos terremotos lunares e está quase sempre encharcada pela radiação galáctica e estelar que chove do alto.


“A superfície lunar é hostil para humanos e máquinas”, afirma Tracy Gregg, vulcanologista planetária da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos.


Embora as estruturas artificiais erguidas na superfície lunar proporcionem abrigo, seria útil se a própria Lua oferecesse algumas defesas naturais. Um estudo publicado em 2024 na revista científica Nature Astronomy fornece a primeira evidência direta da existência de tais abrigos naturais.


Ao examinar dados antigos de radar coletados por uma sonda em órbita lunar, os pesquisadores descobriram que uma cavidade suspeita próxima ao local de pouso da Apollo 11 não é apenas uma cavidade, mas uma longa caverna — um túnel vulcânico formado por um antigo fluxo de lava.


Tubos de lava e cavernas existem na Terra e têm fornecido refúgio aos viajantes humanos contra condições climáticas intensas há quase 10 mil anos. A caverna descoberta na Lua provavelmente é muito semelhante às da Terra, e os cientistas suspeitam que ela não seja a única: acredita-se que existam inúmeros condutos desse tipo por toda a Lua.



A superfície da Lua está repleta de crateras ou clarabóias como esta, chamada Marius Hill (mostrada nas três imagens acima sob diferentes exposições solares). As temperaturas dentro dessas crateras, que podem levar a cavernas subterrâneas, são mais estáveis do que as da superfície da Lua.Foto de NASA, GSFC, Arizona State University


As paredes vulcânicas primordiais dessas cavernas darão aos geólogos uma visão do passado distante da Lua e também podem conter água gelada inestimável, que pode ser convertida em combustível para foguetes.


Mas o mais importante é que, se essa rede de cavernas extraterrestres existir, ela poderá oferecer proteção contra as ameaças mais sobrenaturais da Lua, desde radiação solar até a queda de micrometeoritos, afirma Leonardo Carrer, pesquisador da Universidade de Trento, na Itália, e autor do novo estudo.


Em busca de cavernas de lava


Hoje, a Lua é um deserto silencioso e prateado. Mas já foi um paraíso vulcânico hiperativo, onde rochas derretidas jorravam para o espaço e choviam de volta como lágrimas vítreas, e onde enormes mares de lava se agitavam. Com grande parte de seu calor interno agora perdido, o vulcanismo da Lua se extinguiu, deixando para trás todos os tipos de características sinuosas na superfície.


Entre essas características estão os tubos de lava, túneis ocos que outrora isolaram e canalizaram rios de rocha incandescente. Eles existem e ainda estão sendo criados na Terra hoje. Há muito se acredita que tubos de lava frios e cristalizados, cavernas e condutos se escondem pela Lua, particularmente dentro das maria — manchas escuras de mares magmáticos congelados.


Voando alto acima da superfície, a câmera do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da Nasa só consegue ver buracos, que não necessariamente levam a cavernas extensas. O LRO, no entanto, está equipado com um pequeno sistema de radar que, se apontado para esses buracos no ângulo certo, pode alcançar suas profundidades potencialmente maiores.


Carrer e seus colegas analisaram dados de radar pré-existentes e se concentraram em um buraco no Mar da Tranquilidade, o mar de lava solidificada onde a Apollo 11 pousou em 1969. Esses dados revelaram que o buraco tinha paredes abertas de 130 a 170 metros abaixo da superfície, levando a pelo menos uma caverna profunda que serpenteia pela crosta lunar.


Cientificamente falando, explorar um canal como esse revelaria uma abundância de tesouros. “As cavernas são um ambiente único que preserva a história da Lua”, diz Lorenzo Bruzzone, pesquisador da Universidade de Trento, na Itália, e autor do novo estudo. Todos os tipos de segredos, desde a história do vulcanismo na Lua até a composição do enigmático interior do satélite, podem ser revelados ao se explorar uma caverna.


O tubo de lava recém-descrito é o primeiro conduto subterrâneo encontrado na Lua, reforçando a ideia de que ainda há inúmeros outros a serem descobertos. “Provavelmente existem centenas ou milhares de cavernas na Lua na forma de tubos de lava drenados”, comenta Gregg. E um dia, eles podem salvar a vida de um astronauta.


Um santuário subterrâneo na Lua

O abrigo é a principal prioridade para as missões humanas na Lua. “Trata-se de ter um habitat pronto onde os astronautas possam passar longos períodos na Lua sem contrair câncer”, diz Paul Byrne, cientista planetário da Universidade de Washington em St. Louis.


E o abrigo se torna especialmente importante durante tempestades solares. O proeminente campo magnético da Terra e sua atmosfera espessa protegem a superfície de todas as explosões solares, exceto as mais terríveis. Mas a Lua não possui nenhum dos dois, o que significa que sua superfície é bombardeada por essa radiação sempre que está na linha de fogo do sol.


Astronautas desprotegidos podem enfrentar doses de radiação que variam de perigosas a mortais. “Uma tempestade solar poderia literalmente matar pessoas na superfície lunar”, explica Gregg. “Os computadores também não gostam de radiação solar.”


A radiação é absorvida e depois reemitida pela superfície lunar, o que também pode prejudicar os astronautas a longo prazo. “Estar na superfície, mesmo quando o Sol não está nos atingindo, ainda não é uma boa ideia”, diz Byrne.


Essas cavernas também podem servir de refúgio contra outras ameaças. A temperatura da superfície lunar pode subir e descer centenas de graus com uma velocidade impressionante, dependendo se está iluminada pela luz solar. Felizmente, é provável que “o interior das cavernas lunares mantenha uma temperatura estável”, comenta Carrer, oferecendo outra vantagem.


Pequenos meteoros do tamanho de uma torradeira ou menores não representam ameaça para a Terra, porque a atmosfera do nosso planeta os incinera. Mas a Lua não tem essa proteção gasosa. “A superfície da Lua é continuamente bombardeada por micrometeoritos, que acabam degradando tudo o que fica do lado de fora”, diz Gregg.


As cavernas de lava, então, seriam espaços de armazenamento resistentes para complementar os postos avançados lunares que estão sendo construídos por astronautas e robôs ao longo do tempo. “Habitats subterrâneos ou áreas de armazenamento prontos para uso economizariam muito trabalho para as pessoas”, diz Gregg.


Espeleologia no Polo Sul da Lua


Essas cavernas não são soluções milagrosas para os aventureiros lunares. Para acessar uma caverna a centenas de metros abaixo da superfície, os astronautas podem precisar descer cuidadosamente de rapel, o que não é ideal se precisarem fugir rapidamente de uma tempestade solar.


Outra questão é que as cavernas podem não ser todas estruturalmente sólidas. “As cavernas que vimos até agora são visíveis porque o teto desabou”, afirma Gregg. “Acho que a estabilidade do teto será uma grande questão.”


A Lua também sofre terremotos lunares, que são raros, mas ocasionalmente fortes, e podem durar dezenas de minutos. Isso não só pode colocar em risco os postos avançados lunares, como também pode desestabilizar os tubos de lava.


“Eu gostaria de ver as paredes das cavernas reforçadas se um posto avançado fosse construído lá”, diz Thomas Watters, cientista planetário do Museu Nacional do Ar e Espaço em Washington, D.C., nos Estados Unidos. “Sem reforço, as paredes e o teto das cavernas poderiam desabar.”


Fundamentalmente, as agências espaciais estão visando o Polo Sul lunar, rico em recursos, para as primeiras estações humanas de longo prazo na Lua. Isso significa que elas podem não encontrar condutos de lava abundantes, que são mais prováveis de serem encontrados do lado da Lua voltado para a Terra.


Mas só o fato de saber que essas cavernas existem, após anos de especulações, ainda traz um certo conforto para quem busca respostas para os mistérios da Lua, um astro cujo destino está tão intimamente ligado ao da Terra.


“O importante é que agora identificamos uma caverna acessível que pode ser o alvo de uma futura missão robótica”, conclui Bruzzone. “Estamos prontos para ser surpreendidos.”
National Geographic Brasil

Quais tipos de energias renováveis existem?






São 5 os principais tipos renováveis de geração de energia. Saiba mais sobre cada um deles.


Uma fazenda solar foi instalada no local da Aerojet Rocketdyne em RanchoCordova, Califórnia, que está sendo remediada como parte do EPA Superfund. Rancho Córdova, Califórnia.



As energias renováveis, que, segundo definição da Organização das Nações Unidas (ONU) é a energia derivada de fontes naturais que são reabastecidas a uma taxa maior do que são consumidas, são essenciais para barrar as mudanças climáticas.


A Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), no relatório Transições Energéticas Mundiais: Perspectivas 2022, alerta que é preciso uma ampla mudança no uso atual de energia do mundo para aumentar as chances de conter o aquecimento global em até 2ºC, de acordo com as metas do Acordo de Paris.


Entre os tipos de energias renováveis recomendados para essa transição energética estão a energia solar, eólica, hídrica, biomassa e outras. Conheça um pouco mais sobre elas:
Energia solar


A energia solar pode ser gerada pelo meio fotovoltaico ou heliotérmico. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a solar fotovoltaica é a conversão direta da radiação do Sol em eletricidade por meio do efeito fotovoltaico, um método descoberto em 1839 pelo físico francês Alexandre Edmond Becquerel. Para gerar energia com a luz solar por esse meio, é necessário a instalação de módulos – ou painéis – fotovoltaicos.


Já o heliotérmico usa a energia proveniente do Sol para gerar calor. Esse meio normalmente é usado para aquecimento de água em residências e outros estabelecimentos.
Energia eólica


A energia eólica é a produzida a partir da energia cinética do vento (massas de ar em movimento). O movimento do vento move moinhos e cataventos, ou as pás de turbinas eólicas (aerogeradores) que, por sua vez, geram a energia elétrica. A produção de energia eólica é dividida em dois métodos: onshore, quando os equipamentos e usinas são instalados em terra, e offshore, quando são instalados no mar.


Segundo o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), a América Latina tem capacidade instalada de produzir 26 gigawatts (GW) a partir do vento. Os maiores produtores desta energia são o Brasil (57%) e o México (19%).

Biomassa


A biomassa, segundo o Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é a geração de energia a partir de processos como a combustão de material orgânico produzido e acumulado em um ecossistema.

Esse material, normalmente, é composto por resíduos de origem animal ou vegetal, cujas fontes podem ser vegetais lenhosos, cultivo agrícola e resíduos urbanos e industriais. Dentre os produtos derivados da biomassa estão os biocombustíveis, os óleos vegetais e o biogás.


A queima de biomassa libera dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, mas como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustível, o balanço de emissões de CO2 é nulo.
Hídrica


A energia hídrica é gerada a partir da força do movimento de um rio. O Departamento de Engenharia Elétrica da Unesp explica que esse tipo de energia é gerada em uma usina hidrelétrica ou central hidroelétrica.


Apesar de ser considerada renovável, a energia hídrica não é exatamente limpa. Segundo a universidade, as centrais hidrelétricas geram alguns tipos de impactos ambientais, como o alagamento das áreas vizinhas, aumento no nível dos rios e mudanças no curso do rio represado, podendo prejudicar a fauna e a flora da região.
Geotérmica


A energia geotérmica ou energia geotermal é a obtida a partir do calor proveniente da Terra, mais precisamente do seu interior, onde se encontra o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas, segundo explica o site da Unesp.


Para acessar esse calor e gerar energia, um dos métodos é aproveitar gêiseres naturais, gerando energia a partir da água quente, ou perfurar poços profundos, com mais de 300 metros de profundidade, e injetar água que irá ser aquecida pela rocha quente do interior da Terra.

Geografia e a Arte

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