quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sistema tributário - Pagar mais e chorar menos

Ricos reclamam mais, pobres pagam mais. O sistema tributário precisa tirar a carga do consumo, criar alíquotas mais justas e progressivas e taxar as grandes fortunas

Por: Vitor Nuzzi


Buffet acha que milionários têm de pagar mais (foto: © Rick Wilcking/Reuters)



Ricos do mundo, uni-vos. Os milionários estão sendo chamados a colaborar no combate à crise mundial. Uma das bíblias do mercado, a revista The Economist, já detectou o movimento de caça aos ricos. O bilionário Warren Buffett, com patrimônio estimado em US$ 50 bilhões, declarou que os ricos deveriam pagar mais impostos, afirmando que, proporcionalmente à sua renda, seu secretário recolhe mais tributos. Alguns países europeus aumentaram a cobrança de imposto para pessoas de maior renda, com o objetivo de reduzir seus déficits, e as declarações de Buffett teriam inspirado alguns milionários mundo afora. Polêmica à parte, as medidas podem servir para uma discussão séria sobre justiça tributária.


Famílias que ganham até dois salários mínimos gastam 49% da renda em tributos


Um dos apoiadores desse tipo de proposta é o presidente da CUT, Artur Henrique. “Você tem uma parcela de multimilionários que poderiam pagar mais sobre a sua renda”, afirmou o sindicalista à Rádio Brasil Atual. A propósito, o número de milionários brasileiros – aqueles com mais de US$ 1 milhão na conta – cresceu 6% em 2010 e atingiu 155 mil pessoas, conforme levantamento do Merrill Lynch Global Wealth Management e da consultoria Capgemini.

Assim, o Brasil seguiu em 11º lugar na lista mundial, liderada pelos Estados Unidos, com seus 3,1 milhões de milionários, 8% a mais que em 2009. As crises não impediram que o contingente de endinheirados aumentasse. Esse total chegou a 11 milhões no ano passado, aumento de 8% sobre 2009. A única ressalva é que o crescimento foi menor que no ano anterior (17%).

Para o presidente da CUT, a recente discussão sobre a Emenda Constitucional 29 (sobre gastos de estados e municípios com saúde) e a respeito da necessidade de ampliar verbas para a saúde pública representa uma boa chance de rediscutir “uma reforma tributária digna do nome”, incluindo o conceito de progressividade – quem tem mais renda paga mais; quem tem menos paga menos. Um dos instrumentos, na opinião do sindicalista, seria a criação do imposto sobre grandes fortunas.


Famílias com renda acima de 30 salários mínimos usam 26% da renda em tributos


O consultor Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), lembra em artigo que o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) está previsto na Constituição de 1988, mas depende de lei complementar nunca aprovada. “O IGF poderia ser cobrado de forma progressiva, arbitrando-se um nível mínimo de isenção”, sugere. “O imposto sobre o patrimônio é cobrado com sucesso há vários anos na França, Espanha, Grécia, Suíça e Noruega. Não deu certo em alguns países, como Áustria, Dinamarca, Alemanha, Finlândia e Luxemburgo, mas pode dar certo no Brasil. Só saberemos se o testarmos.”

Na Câmara, há um projeto do deputado Dr. Aluízio (PV-RJ) que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF), com cobrança sobre patrimônios a partir de R$ 5,52 milhões e destinação exclusivamente para a saúde. A relatora é a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Mordida precoce
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, observa que a arrecadação tributária ainda é concentrada na população de baixa renda. “Os ricos seguem demonstrando importante capacidade de driblar o conjunto dos tributos”, diz o economista. Em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), a estimativa do Ipea é de que R$ 1 a cada R$ 3 deixa de ser arrecadado por meio de abatimentos na declaração anual dos segmentos que podem gastar com educação, saúde e previdência privadas.

Para Pochmann, poderia haver mais alíquotas do Imposto de Renda, e ainda maiores, desde que atingissem outras faixas de renda. Hoje, existem quatro: 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. E começam “cedo” a tributar o assalariado. A partir de R$ 1.566,61 – valor que está abaixo da remuneração média do mercado formal de trabalho. Uma das recomendações do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), órgão consultivo da Presidência da República formado por representantes da sociedade, é justamente ampliar o número de alíquotas, “para evitar distorções especialmente para faixas de renda mais baixas”. O economista também sugere, entre outras medidas, tornar progressivo o IPTU, imposto cobrado pelas prefeituras. “As favelas pagam proporcionalmente mais do que as mansões”, afirma. E avança no raciocínio ao defender medidas como IPVA maior para veículos como lanchas, iates, jatinhos.

“Os que criticam os impostos são os que menos pagam”, diz Pochmann. Ele cita ainda o “impostômetro”, o painel eletrônico que simula a evolução da soma de todos os tributos (municipais, estaduais e federais) do país, em tempo real, instalado pela Associação Comercial de São Paulo no centro da cidade. “É estranho que esteja instalado numa parte rica da cidade.”

A questão é que em países europeus e nos Estados Unidos os ricos estão sendo chamados a “colaborar” por causa da complicada situação fiscal dos governos. Na Espanha, por exemplo, o imposto sobre patrimônios acima de € 1 milhão deverá atingir aproximadamente 150 mil pessoas e arrecadar pouco mais de € 1 bilhão por ano. Trata-se de uma taxação que já chegou a existir e está sendo recuperada agora, em tempo de crise. Na França, o governo já anunciou um imposto, temporário, de 3%, sobre a renda de quem recebe acima de € 500 mil por ano.

Iniciativa semelhante estaria sendo preparada por Barack Obama para reduzir o déficit fiscal norte-americano, com uma proposta de imposto voltado a quem ganha mais de US$ 1 milhão por ano. Teria o significativo nome de ­Buffett rule (regra Buffett), em referência ao milionário. “Não é luta de classes”, argumenta Obama, segundo The Economist. “É matemática.” Para a revista, a questão é política e desperta um debate fundamental na sociedade ocidental: quem sofre as consequências do endividamento público? Normalmente, são os pobres. Enquanto isso, alguns dos responsáveis pela crise voltaram a ganhar no jogo globalizado.

Descompasso
Levantamento divulgado no início do ano pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostrou que as pessoas com pelo menos R$ 1 bilhão em aplicações, ou 63 mil cidadãos de alta renda, fecharam 2010 com R$ 371 bilhões investidos em bancos. O presidente do recém-criado Instituto Justiça Fiscal, Dão Real Pereira dos Santos, lembra que a regressividade do sistema tributário aumenta o fosso entre ricos e pobres. “E todos sabem, embora poucos comentem, que o sistema tributário nacional trata de forma anti-isonômica as rendas em função de sua origem, isentando do Imposto de Renda, por exemplo, a distribuição de lucros aos sócios e acionistas das empresas, ou sujeitando a alíquotas mais brandas os rendimentos de aplicações financeiras”, descreve.

A arrecadação tributária no Brasil, que em 2010 representou 33,56% do PIB (segundo dados da Secretaria da Receita Federal), é concentrada no consumo. Assim, um cidadão que tem renda de um salário mínimo por mês, embora não tenha Imposto de Renda descontado no holerite, sofre no preço do pãozinho e do leite a mesma tributação que o bilionário Eike Batista. Os tributos sobre bens e serviços representaram 16,3% do PIB, enquanto os tributos sobre folha de pagamentos corresponderam a 8,78% e sobre a renda, a 6,18% (sobre transações financeiras, a 0,72%).

Relatório de 2010 do CDES já afirmava que, em relação ao sistema tributário, “o Brasil tem caminhado no sentido contrário ao da justiça fiscal”. A injustiça se materializa ao desrespeitar o princípio da equidade. “Em decorrência do elevado peso dos tributos sobre bens e serviços na arrecadação, pessoas que ganhavam até dois salários mínimos em 2004 gastaram 48,8% de sua renda no pagamento de impostos e as famílias com renda superior a 30 salários mínimos, 26,3%.”

Para Artur Henrique, iniciativas como a de Buffett e outros podem significar que “eles sabem ser mais vantajoso ter uma parcela um pouco menor numa sociedade de economia mais dinâmica e com melhores condições de vida”.

O governo tende a apresentar uma reforma tributária “fatiada”, dividida em quatro etapas, para tentar facilitar a tramitação no Congresso. Um dos itens é a desoneração da folha de pagamentos, que preocupa os trabalhadores pelos possíveis efeitos negativos à Previdência. “Consideramos que para alguns setores isso vai ser muito importante. Para outros setores, pode não ser essa a forma melhor de desoneração”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff, em discurso no final de setembro.

Outros itens a serem discutidos incluem mudanças no ICMS, imposto estadual que já provocou muito estrago nas relações entre unidades da Federação. Um primeiro passo foi dado com a aprovação do projeto de ampliação do Supersimples. Mas, em qualquer mudança, toda reforma precisa incluir um conceito simples, mas nem sempre lembrado, de justiça social.

Ouça a entrevista de Artur Henrique ao Jornal Brasil Atual na íntegra



Imposto não substitui política industrial
O Decreto nº 7.567, de 15 de setembro passado, regulamentou a redução do IPI do setor automobilístico, condicionando o benefício a produtos com pelo menos 65% de componentes nacionais, desenvolvimento de algumas atividades no Brasil, como montagem de chassis e carrocerias, e realização de investimentos em inovação e pesquisa. Na prática, a medida aumentou em 30 pontos percentuais a tributação sobre veículos importados. Provocou críticas pelo viés protecionista, mas alimentou a discussão, sempre difícil, da necessidade de uma efetiva política industrial no país.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, por exemplo, disse que o Brasil é o quinto mercado mundial de automóveis, mas é apenas o sétimo parque produtivo. Para ele, é preciso que as indústrias aqui instaladas invistam mais em pesquisa.

“Com aumento de 30 pontos no IPI, as empresas que não quiserem pagar a mais vão ter de utilizar o conteúdo nacional. Com essa nova medida, a intenção do governo é estimular a produção interna”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. Segundo ele, apenas no ano passado 105 mil empregos deixaram de ser criados no setor automobilístico devido às importações.

A presidenta Dilma Rousseff afirma que o governo sempre dará peso “à geração e agregação de valor e à inovação, dentro do Brasil”. E garantiu que, na defesa de competitividade, “não vamos nem achatar salários, nem precarizar o mercado de trabalho ou manipular a taxa de câmbio”.

Revista Brasil Atual

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Notícias Geografia Hoje

Mudanças climáticas reflectem-se
no tamanho de animais e plantas
Estudo de investigadores da Universidade de Singapura publicada na «Nature Climate Change»
2011-10-18


Várias espécies foram ficando mais pequenas com o aumento da temperaturaDevido ao aumento das temperaturas e à falta de água o tamanho dos animais e das plantas está a diminuir. É o que defende um grupo de investigadores da Universidade de Singapura que publicou agora um estudo na «Nature Climate Change». As mudanças, advertem, podem ter profundas implicações na produção de alimentos nos próximos anos.

David Bickford e Jennifer Sheridan analisaram registos fósseis e dezenas de estudos que mostram que muitas espécies de plantas e animais como aranhas, escaravelhos, abelhas, cigarras e formigas foram ficando mais pequenas com o passar do tempo devido às mudanças climáticas.

Citaram uma experiência que mostra como os frutos de uma grande variedade de plantas são 3 a 17 por cento mais pequenos por cada grau célsius. Cada grau de aquecimento reduz também entre 0,5 e 4 por cento do corpo dos invertebrados marinhos e entre 6 e 22 por centos dos peixes.

Os peixes mais pequenos podem ver aumentar a sua capacidade de sobrevivência com as temperaturas mais quentes. Mas as condições de seca podem dar lugar a descendentes mais pequenos, baixando a média do tamanho, afirmam os autores.

Os impactos podem ir de uma maior limitação de recursos alimentares (menor quantidada de alimentos produzidos na mesma quantidade de terra) até uma perda maior da biodiversidade.

Artigo: Shrinking body size as an ecological response to climate change
http://www.cienciahoje.pt

Desertos marinhos

O Estreito de Long Island, entre essa ilha e o litoral de Connecticut, na costa leste dos Estados Unidos, é uma das centenas de zonas mortas nos mares do mundo - áreas em que fatores como a poluição baixam o nível de oxigênio a ponto de arruinar os ecossistemas locais



Joe Bergman prepara iscas para a captura de lagostas, uma das principais atividades econômicas da região do Estreito de Long Island. Desde 1999, os lagosteiros estão sendo duramente atingidos pelas mudanças ambientais verificadas na área.

O Estreito de Long Island é um braço de mar do Oceano Atlântico, entre os rios East (que banha Nova York, a oeste) e Connec- Uma população que ultrapassa 8 milhões de pessoas vive em sua bacia hidrográfica. Mas o estreito está poluído. Nova York e outros sistemas municipais de esgoto despejam há muito tempo poluentes como o nitrogênio nas águas, o que contribui para torná- las uma zona morta. Sedimentos poluídos do porto, do rio e da dragagem do canal foram jogados em quatro pontos do estreito. Oticut (a leste). A região proporciona benefícios econômicos e recreativos para milhões de pessoas, enquanto oferece hábitats naturais para mais de 170 espécies de peixes e dúzias de espécies de pássaros migratórios.

Uma população que ultrapassa 8 milhões de pessoas vive em sua bacia hidrográfica. Mas o estreito está poluído. Nova York e outros sistemas municipais de esgoto despejam há muito tempo poluentes como o nitrogênio nas águas, o que contribui para torná- las uma zona morta. Sedimentos poluídos do porto, do rio e da dragagem do canal foram jogados em quatro pontos do estreito.

Um estudo divulgado na revista Science mostrou que há um número crescente de áreas em oceanos ao redor do mundo onde existem níveis de oxigênio inferiores ao adequado. Os pesquisadores chamam essas áreas de "zonas mortas" (dead zones) e afirmam que elas estão danificando os ecossistemas marinhos. Uma das maiores áreas em que isso ocorre nos Estados Unidos é justamente o Estreito de Long Island, localizado entre a ilha e o litoral do Estado de Connecticut. Os pescadores profissionais de lagosta na área sofreram uma queda violenta de produção a partir de 1999, quando começaram a capturar armadilhas repletas de lagostas mortas - um fenômeno ainda inexplicado. A pesca no Estreito de Long Island caiu de 5,4 milhões de quilos, em 1998, para pouco mais de 1,3 milhão de quilos, em 2007. Conseqüentemente, o número de lagosteiros parados (muitos dos quais estão procurando outras maneiras de viver) e de armadilhas colocadas no estreito caiu. Em 1998, as armadilhas utilizadas somavam 500 mil; no ano passado, essa quantidade havia sido reduzida à metade.

Uma pesquisa recente descobriu que as substâncias químicas não filtradas provenientes da água do esgoto nas plantas de processamento e no escoamento do esgoto de áreas metropolitanas são grandes responsáveis pelo efeito "zona morta".





Joe Bergman puxa para o barco de Richard Sawyer armadilha com lagostas pescadas; outro lagosteiro, Ryan (esquerda), recolhe a armadilha, sob o olhar de Sawyer; Sawyer pilota seu barco; exemplar capturado é examinado. A família de Sawyer vive da pesca da lagosta no Estreito de Long Island desde os anos 1850.


O ESTREITO DE LONG ISLAND não é a única zona morta nos mares do mundo. Segundo um estudo de 2008 publicado na revista Science, feito pelo oceanógrafo Robert Diaz, do Virginia Institute of Marine Science, e pelo ecologista marinho Rutger Rosenberg, da Universidade de Gotemburgo (Suécia), já existem nos oceanos mais de 400 zonas mortas - regiões nas quais o baixo nível de oxigênio (denominado hipoxia), fenômeno derivado sobretudo de atividades humanas, pode ser insuficiente para dar suporte a peixes e outras formas de vida marinha. O nitrogênio e o fósforo contidos em fertilizantes químicos são a principal causa do desastre, mas ele também pode ter origem em resíduos industriais ou fenômenos naturais. Aqui estão algumas das demais regiões que sofrem com esse problema.

Mar Báltico - Quase que um grande lago (sua única ligação com o Mar do Norte é o Kattegat, estreito entre a Dinamarca e a Suécia), o Báltico é considerado a maior zona morta do mundo. Com cerca de 378.000 km2, ele sofre com a pouca circulação de água e o despejo de fertilizantes agrícolas em suas águas.

Golfo do México - Uma área de mais de 22.000 km2 recebe fertilizantes despejados ao longo da bacia do rio Mississippi - que cruza, vale lembrar, o Meio-Oeste, a mais importante região do agronegócio norte-americano. A pesca de camarão naquela parte do mar já está seriamente afetada.

Golfo da Califórnia - O excesso de fertilizantes utilizados na cultura de trigo no Vale Yaqui favorece a rápida proliferação de algas nas águas litorâneas desse vasto braço de mar no Oceano Pacífico, que o oceanógrafo Jacques Cousteau chamou de "o aquário do mundo". Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Stanford em 2005 definiu em 577 km2 a área ocupada por essa zona morta.

Chesapeake Bay - Essa baía de 11.600 km2 localizada na costa leste dos Estados Unidos foi uma das primeiras zonas mortas detectadas, ainda na década de 1970. A origem do problema são os resíduos de fertilizantes e despejos industriais levados pelos rios que desembocam na região. Uma atividade econômica particularmente afetada foi a indústria de ostras, um animal que serve como filtro natural para as águas da baía. Estudos mostraram que, enquanto nos tempos pré-coloniais as ostras precisavam de 3,3 dias para filtrar toda a água da baía, em 1998 esse tempo havia subido para 325 dias.

Baía de Guanabara - Uma das regiões mais belas do mundo, a Baía de Guanabara, com seus 412 km2, sofre com o despejo de esgoto não tratado e resíduos industriais, que têm afastado os peixes e os pássaros. As medidas anunciadas para recuperar a área ainda são tímidas.
Revista Planeta

domingo, 13 de novembro de 2011

Notícias Geografia Hoje

Mar Morto pode virar lago totalmente sem vida, dizem especialistas
10/11/2011

Especialistas disseram nesta quinta-feira que a disputa política entre a Jordânia, Israel e a Cisjordânia barra medidas vitais que poderiam ser adotadas para a recuperação do mar Morto.



Jack Guez/France Presse
Sal concentrado em várias partes do litoral do mar Morto



A seca que atinge a região mais salgada do mundo poderia levar ao encolhimento do mar Morto até o ponto dele se tornar um lago completamente sem vida, dizem. Em suas águas, há organismos que são tolerantes à alta concentração de sal.

Apesar do alerta feito pelos especialistas, o mar Morto pode conter mais vida do que é o esperado. Pesquisadores alemães do Instituto de Microbiologia Marinha Max Planck e israelenses da Universidade Ben Gurion conduzem, neste mês, uma exploração científica que é a primeira realizada na região.

Eles afirmam terem detectado colônias de micro-organismos vivos em fissuras no fundo do mar e localizado novas fontes de água doce.

A confirmação ainda deve demorar, visto que a exploração teve início somente neste mês.
Folha de Sâo Paulo

Mar Morto pode virar lago totalmente sem vida


Na foto, sal solidificado no litoral do mar Morto, ao sul de Israel

Palestinos cobrem corpo com a lama do mar Morto em West Bank

O sal se concentra em várias partes do litoral do mar Morto

Segundo especialistas, a região é prejudicada pelas diferenças políticas dos três países banhados pelo mar Morto

O mar Morto banha a Jordânia, Israel e a Cisjordânia

Na foto, embaixo, a porção do mar Moto em Israel e, acima, na Jordânia

Especialistas alertam que o mar Morto pode ter seus limites reduzidos até se tornar um lago sem vida

Mas uma expedição de instituições de pesquisa da Alemanha e de Israel encontrou sinais de vida no mar Morto

Homens retiram lama do mar Morto, que se encontra a cerca de 422 metros abaixo do nível do mar

A seca no mar Morto poderia levar ao seu encolhimento, até ele se tornar um lago sem vida, dizem especialistas

Folha de Sâo Paulo

Notícias Geografia Hoje


O Sistema Solar tem quatro planetas gigantes: Júpiter, Urano, Netuno e Saturno



Sistema solar pode ter tido 5 planetas gigantes na origem
Estudo aponta a possibilidade de que um dos planetas acabou saindo da região com o tempo

Washington - O sistema solar pode ter tido em suas origens um planeta gigante a mais além dos quatro atuais, que foi ejetado por uma mudança de órbita de Júpiter, de acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira pela revista 'The Astrophysical Journal Letters'.

O artigo, escrito por David Nesvorny, do Southwest Research Institute, descreve o sistema solar há 600 milhões de anos como um lugar caótico no qual os planetas e as luas provocavam deslocamentos entre si devido a órbitas instáveis.

Nesvorny desenvolveu simulações de computador baseadas em uma análise do conjunto de pequenos corpos conhecidos como Cinturão de Kuiper e das crateras da lua. O dinamismo em transformação das órbitas dos planetas gigantes e dos corpos pequenos fez com que os corpos celestes se dispersassem para diferentes lugares.

Os corpos pequenos foram na direção do Cinturão de Kuiper e do sol, gerando vários impactos na terra, Júpiter se deslocou para o interior do sistema solar, enquanto Urano e Netuno se movimentaram para o exterior.

Entretanto, Nesvorny detectou um problema neste modelo, pois se for aceita a teoria de que Júpiter mudou de órbita de maneira súbita quando se afastou de Urano e Netuno durante o período de instabilidade na zona externa do sistema solar, a conclusão é de que estes últimos planetas teriam ficado fora do sistema.

'Algo estava errado', ressaltou. Para achar uma saída para esta encruzilhada, o pesquisador decidiu introduzir nas simulações cinco planetas gigantes ao invés dos quatro atuais (Júpiter, Urano, Netuno e Saturno).

'A possibilidade de que o sistema solar tenha tido mais de quatro planetas gigantes inicialmente, e expulsou um, parece ser mais concebível de acordo com as recentes descobertas de um grande número de planetas flutuando livremente no espaço interestelar, o que demonstraria que o processo de expulsão planetária seria bastante comum', disse o astrofísico. http://exame.abril.com.br

Notícias Geografia Hoje



Telescópio espacial Hubble descobre 69 galáxias anãs

DA EFE
O telescópio espacial Hubble descobriu através de seus instrumentos de visão no infravermelho próximo um conjunto de 69 jovens galáxias anãs repletas de estrelas que se reproduzem rapidamente, informou a Nasa (agência espacial americana) nesta quinta-feira, em comunicado.

Embora as galáxias anãs sejam o tipo mais comum das que existem no universo, o rápido nascimento de estrelas observados nessas galáxias recém-descobertas pode levar os astrônomos a rever suas teorias sobre a formação delas.

A agência espacial explicou que essas galáxias são, em média, 100 vezes menos maciças que a Via Láctea, mas as estrelas em seu interior se batem a um ritmo tão forte que o número delas poderia dobrar em "apenas" 10 milhões de anos.

Os cientistas afirmam que este é um ritmo muito alto, inclusive para uma galáxia jovem, já que, em comparação, a Via Láctea poderia demorar mil vezes mais para dobrar seu número de estrelas.

Os astrônomos que utilizam os instrumentos do Hubble conseguiram detectar as galáxias porque a radiação de estrelas jovens fez com que o oxigênio no gás que as rodeia brilhasse "como um letreiro de neon".

Suas observações indicam que 9 bilhões de anos atrás essas galáxias seriam muito comuns, mas, para os cientistas, é um mistério como geram tantas estrelas e a um ritmo tão acelerado.

"Essas galáxias sempre estiveram aí diante, mas não tínhamos a tecnologia adequada para detectá-las", assinalou Arjen van der Wel, do Instituto de Astronomia Max Planck em Heidelberg (Alemanha). "Não as estávamos procurando, mas elas se destacavam por sua cor incomum".

Esses resultados fazem parte da Cosmic Assembly Near-infrared Deep Extragalactic Legacy Survey (Candels), um projeto de três anos focado em analisar as galáxias mais distantes no Universo e de fazer o primeiro "censo" de galáxias anãs primitivas.

O telescópio Hubble, lançado em 1990, é um projeto de cooperação internacional entre a Nasa e a ESA (Agência Espacial Europeia).
Folha de São Paulo

Notícias Geografia Hoje


Bolívia é o maior abastecedor de cocaína na América do Sul, diz ONU

DA FRANCE PRESSE, EM LA PAZ
A Bolívia é o maior abastecedor do mercado sul-americano de cocaína, segundo o peruano César Guedes, representante das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (ONUDC), entrevistado no domingo por um jornal local. De acordo com a entidade, o negócio da cocaína move anualmente, só nos países andinos da região (Bolívia, Colômbia e Peru), cerca de US$ 85 bilhões.

"Sobre a droga boliviana, sabe-se que apenas 1% que sai do país chega ao mercado americano. A Bolívia é o maior abastecedor do mercado sul-americano, a outra parte vai para a Europa", disse ao jornal "Página Siete".

"A Bolívia é um país de passagem. Ela serve de ponte para a droga da Colômbia e do Peru para o mercado sul-americano emergente", apontou.

Segundo o funcionário "a maior parte da droga colombiana vai para os Estados Unidos, 20% para a Europa e outros locais. Do Peru, a metade vai para o mercado americano e a outra metade para Europa e América do Sul".

Guedes parabenizou o recente acordo para normalizar as relações entre Bolívia e Estados Unidos e afirmou que "seria bom que fossem analisadas as novas propostas da DEA [agência americana contra o narcotráfico] para trabalhar com a nova Bolívia". Recentemente a população interna do país recusou a retomada das ações da DEA.

Segundo ele, o Brasil, que trabalha com a Bolívia em um acordo de cooperação na luta antidroga, "não tem todas as capacidades técnicas da DEA, mas tem muitas outras que podem servir para paliar o problema entre os dois países" em uma fronteira comum de 3.100 km permeada pelo narcotráfico e o crime.

A Bolívia é o terceiro produtor mundial de cocaína, depois da Colômbia e Peru.

Folha de São Paulo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Notícias Geografia Hoje

Astrônomos aproveitam passagem de asteroide de raspão pela Terra para estudar objeto

Cesar Baima


RIO - Numa daquelas raras ocasiões em que a montanha vem a Maomé, astrônomos do mundo inteiro acompanharam com atenção a aproximação do asteroide 2005 YU55, que passou de raspão pela Terra na noite da última terça-feira. Com cerca de 400 metros de diâmetro, ou do tamanho do Pão de Açúcar, essa grande rocha espacial chegou a cerca de 320 mil quilômetros do planeta às 21h28 (horário de Brasília), viajando a uma velocidade relativa de mais de 68 mil quilômetros por hora.
Calcule os resultados de impactos na Terra
Na noite de segunda-feira, a Nasa divulgou novas imagens do asteroide captadas por suas antenas em Goldstone, Califórnia. Elas mostram o YU55 quando ele estava a 3,6 distâncias lunares, ou 1,38 milhão de quilômetros, da Terra.
A visita do asteroide é uma ótima oportunidade para os cientistas aumentarem seus conhecimentos sobre esse tipo de objetos, alguns deles verdadeiros fósseis da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Classificado como do tipo C, o YU55 é composto basicamente de mineirais a base de carbono. Isso faz com que ele seja muito escuro, dificultando sua observação direta durante a aproximação da Terra, o que só foi possível com telescópios. Por outro lado, sua composição o torna uma atraente fonte de recursos em futuros projetos de exploração espacial.
Nos últimos anos, diversas sondas espaciais tiveram e têm como objeto de estudo asteroides, inclusive com planos da Nasa de realizar uma missão tripulada com destino a um deles na década de 2020. Lançada em 2005, a sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), passou em 2008 pelo asteroide 2867 Steins, de diâmetro médio de cinco quilômetros, e no ano passado encontrou-se com o 21 Lutetia , uma imensa rocha com mais de 120 quilômetros de extensão em seu eixo maior. Agora, a Rosetta está hibernando a caminho de seu destino final, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, o qual deverá acompanhar a partir do início de 2014 desde que ele passar entre a órbita de Júpiter e Marte até o fim de 2015, quando já estiver se afastando do Sol.
Já a sonda Hayabusa ("Falcão peregrino"), da Agência Espacial do Japão (Jaxa), partiu da Terra em 2003 rumo ao asteroide 25143 Itokawa, pela primeira vez recolhendo amostras de um asteroide e retornando-as ao planeta, que chegaram no ano passado . Enquanto isso, a sonda Dawn ("Aurora"), da Nasa, atualmente encontra-se em órbita do asteroide Vesta , o segundo maior do cinturão entre Marte e Júpiter, com 530 quilômetros de diâmetro, e em meados do ano que vem deve seguir viagem rumo ao Ceres, o maior do cinturão.
A última aproximação de um grande asteroide como o YU55 da Terra aconteceu em 1976 e nova visita só está prevista para 2028, quando o 2001 WN5, com diâmetro estimado entre 700 metros e 1,5 quilômetro, deverá chegar a 250 mil quilômetros do planeta. Segundo Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro, o YU55 não seria um destino viável para missões espaciais, pois sua descoberta recente, em 2005, não daria tempo para o planejamento e lançamento de uma nave, que leva em torno de dez a 15 anos. Além disso, só no ano passado a trajetória dele nesta aproximação foi determinada com certeza.
- O WN5, por sua vez, não é um asteroide representativo como os do cinturão, objetos maiores que se acredita serem fósseis da formação do Sistema Solar - conta Cherman. - Planetesimais como o Lutetia, por outro lado, podem trazer pistas sobre as origens da Terra. Imagine que pudéssemos despedaçar nosso planeta. Isso não seria bom para a gente, claro, mas seria uma boa forma de estudá-lo. Assim, temos que aproveitar a possibilidade de já termos uma planeta despedaçado pelo cabo de guerra gravitacional entre o Sol e Júpiter na nossa vizinhança para fazer isso.
O astrônomo do Planetário destaca que o YU55 não apresenta nenhum risco para a Terra no médio prazo. Pelos cálculos atuais, as chances dele colidir com o planeta nos próximos cem anos são de uma em 10 milhões. Sua órbita, no entanto, poderá sofrer grandes alterações neste período, já que em 2029 ele passará de raspão por Vênus. Isso faz com que, na sua volta para a vizinhança da Terra, em 2041, a distância estimada da passagem varie entre 300 mil quilômetros a até quase 50 milhões de quilômetros.
- A verdade é que os planetas ainda vão influenciar muito a órbita do asteroide e por isso ainda não sabemos direito sua configuração completa - reconhece Cherman.
Jornal O Globo

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Estudo reforça elo entre trabalho infantil e trabalho escravo


Pesquisa qualitativa baseada em entrevistas com trabalhadores libertados, "gatos" (intermediadores de mão de obra) e proprietários rurais envolvidos em casos de escravidão visa subsidiar a formulação e adoção de políticas públicas


Por Repórter Brasil

As conexões do trabalho escravo tanto com o trabalho infantil quanto com as limitações da política de reforma agrária foram reforçadas por estudo que traçou os perfis dos atores envolvidos no trabalho escravo, lançado na última terça-feira (25) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Entrevistas realizadas com 121 libertados de dez fazendas no Pará, Mato Grosso, Bahia e Goiás, entre outubro de 2006 e julho de 2007, mostraram que praticamente todos (92,6%) começaram a trabalhar antes dos 16 anos de idade. A idade média do início na "vida profissional" dos consultados ficou em apenas 11,4 anos. Cerca de 40% começaram ainda antes disso.

A atividade inicial da maioria (69,4%) dos entrevistados se deu em âmbito familiar, mas uma parcela significativa de 30,6% enfrentou logo de cara o trabalho diretamente subordinado a um patrão (20,6% de maneira como empregado individual e 10% juntamente com a família).

Quanto às possíveis soluções para a melhoria das condições de vida, os próprios trabalhadores apontaram a "terra para plantar" como primeira opção (46,1%). Apontado como solução por 26,9%, o comércio na cidade apareceu como segunda escolha mais citada. O emprego rural registrado em carteira veio apenas em terceiro lugar (13,5%), proporção idêntica aos que optaram por um emprego registrado na cidade (13,5%). Também foi registrada a preferência das vítimas consultadas pelas atividades realizadas por conta própria (73%) em detrimento do trabalho assalariado (27%).

"Do ponto de vista das políticas públicas, o que se verifica é que a reforma agrária, assim como políticas e programas de apoio à agricultura familiar poderiam responder ao anseio de uma parcela significativa de trabalhadores", destaca o estudo intitulado "Perfil dos principais atores envolvidos no Trabalho Escravo Rural no Brasil", realizado por pesquisadores e pesquisadoras que colaboram com o Grupo de Estudo e Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GPTEC/UFRJ).

A ausência de meios concretos para emancipação como a terra recebeu o complemento de outro dado alarmante do estudo: a maioria dos libertados (59,7%) anunciou já ter enfrentado, em ocasiões anteriores, situações que contribuem para a caracterização do trabalho escravo como a privação da liberdade por meio de guardas armados, de ameaças e violência física, da cobrança de dívidas ilegais e do isolamento geográfico, que praticamente impossibilitavam a livre circulação dos empregados. Dos 121, porém, apenas 12,6% já tinham sido efetivamente libertados no passado.

Geografia, idade, cor e formação

Outra forte associação confirmada pelo levantamento foi a do trabalho escravo com a pobreza, especialmente em regiões marcadas pela exclusão e pela falta de oportunidades na Região Nordeste. Entre os resgatados que moravam nas Regiões Norte e Centro-Oeste, 21,5% declararam receber uma média mensal inferior a um salário mínimo (R$ 545). Entre os que viviam na Região Nordeste, esse mesmo índice alcançou 55,5%.

A renda média mensal declarada pelos trabalhadores foi de 1,3 salários mínimos. Entre os trabalhadores, 40,5% disseram receber até um salário mínimo e 44,8% se colocaram na faixa entre um e dois salários mínimos. Em 40,2% dos casos, o entrevistado era o único responsável pela renda da família que, em média, era formada por um grupo de 4,4 pessoas.

Os autores da pesquisa sublinham, porém, que os libertados tinham dificuldade de responder de forma precisa às perguntas relativas à sua renda. "Alguns informavam sobre o que haviam ganho no momento, outros procuravam fazer uma média. Para auferir com mais rigor os rendimentos familiares, seria necessário realizar um estudo específico", colocam.

O Nordeste também ganha destaque no que se refere ao local de nascimento dos libertados. Dos entrevistados, 77,6% nasceram na região, com forte participação de maranhenses (41,2%). O Centro-Oeste veio em segundo (8,3%), seguido pelo Norte (5,0%), Sul (5,0%) e Sudeste (4,1%). Não por acaso, 61% dos entrevistados confirmaram ter deixado seu local de nascimento para viver em outro lugar, o que ajudou a selar a migração como parte constitutiva da história da maior parte dos resgatados - 32,2% declararam ter migrado para outras regiões do país, 21,4% para outros municípios do mesmo estado e 7,4% para outros estados da mesma região.

A idade média dos entrevistados ficou em 31,4 anos, com predominância (52,9%) de homens com menos de 30 anos. A maioria (81%) se autodenominou como não brancos, dos quais 18,2% se apresentaram como pretos, 62% como pardos e 0,8% como indígenas. A proporção de libertados não brancos foi significativamente maior do que a da população brasileira (50,3%), a da Região Norte (76,1%) e a da Região Nordeste (70,8%) - conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A escolaridade dos trabalhadores pesquisados também se mostrou extremamente baixa: 18,3% eram analfabetos e 45% se encaixavam na categoria de analfabetos funcionais. O tempo médio de estudo dos libertados foi de 3,8 anos, e 85% deles nunca fizeram qualquer curso profissional.

"Gatos" e proprietários rurais
Em relação aos chamados "gatos" que atuaram nas fiscalizações do grupo móvel acompanhadas pelos pesquisadores, o estudo, a despeito do universo reduzido de apenas sete entrevistados, ratificou a semelhança entre os perfis dos agenciadores de mão de obra e os próprios trabalhadores.

Cinco dos sete se autoclassificaram como não brancos e a idade média foi de 45,8 anos. A maioria veio do Nordeste, possui baixa escolaridade (dois se declararam analfabetos), e foi vítima de trabalho infantil. Nenhum fez curso profissional. Todos realizaram trabalho rural não especializado no passado - como "roço de juquira" ("limpeza" para a formação de pasto para a pecuária), derrubada de árvores e catação de raízes -, que vem a ser justamente o tipo de empreitada em torno da qual eles recrutam mão de obra para prestar serviços em favor de médios e grandes proprietários rurais.

Dois gatos entrevistados já haviam sido flagrados anteriormente pela fiscalização como empreiteiros de trabalhadores em situações caracterizadas como trabalho escravo, um no estado do Pará e outro em Goiás.

"A pesquisa revelou que o recrutamento e a contratação de mão de obra para o trabalho em condições análogas à escravidão têm sofrido transformações, provavelmente em razão do trabalho de fiscalização realizado pelo Grupo Móvel (GEFM) e da repressão do tráfico de trabalhadores", identificou a pesquisa. As funções anteriormente desempenhadas pelo "gato" (aliciamento, contratação e controle da força de trabalho) têm sido assumidas por outros agentes - como os próprios trabalhadores (forma facilitada pelos avanços das estradas, dos meios de transporte e dos canais de comunicação), os gerentes das fazendas, os próprios proprietários e terceirizadas. Entretanto, salientaram os autores, "as mudanças não necessariamente melhoram as condições de trabalho, alimentação e alojamento dos trabalhadores temporários".

Assim como no caso dos "gatos", a pesquisa com proprietários também abarcou uma quantidade reduzida: a despeito dos 66 contactados que se envolveram em casos de escravidão e entraram para a "lista suja" do trabalho escravo, apenas 12 aceitaram participar diretamente do estudo. A maioria era formada de branca, com idade média de 47,1 anos, nasceu na Região Sudeste e reside atualmente nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que abrigam os principais focos de expansão da fronteira agropecuária e do agronegócio.

Nove dos 12 têm ensino superior completo e dois concluíram cursos de pós-graduação. Apenas dois dos não participavam de sindicatos patronais ou de associações setoriais. Oito possuíam grandes propriedades, com área entre 1,5 mil a 17 mil hectares. Um deles declarou ter 5 mil cabeças de gado bovino. A maioria utilizava tecnologias de ponta ou padrões tecnológicos intensivos. Apenas um era médio proprietário (600 hectares de terra).

Segundo o estudo, vários dos proprietários entrevistados afirmaram que recorriam antes aos serviços de "gatos", mas, com a presença da fiscalização, passaram a não utilizar mais esses serviços. Afirmaram que, após os flagrantes, estão dando mais atenção ao processo de contratação da mão de obra, de acordo com as normas legais. Anunciaram também que estão reduzindo a contratação da mão de obra temporária, dando margem a terceirizações, e aumentando a mecanização da atividade produtiva.

Observações e recomendações
Os autores frisaram que, a despeito da quantidade de dados, a pesquisa não pretendeu ter representação estatística, "uma vez que está baseado principalmente em uma metodologia qualitativa". O lançamento foi realizado no I Encontro Nacional das Comissões Estaduais para a Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil, em Cuiabá (MT), com a presença da Diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, e do Coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo do mesmo órgão, Luiz Machado.

Entre as recomendações, estão: a manutenção e ampliação da operações de fiscalização; a punição dos escravagistas e intermediários; a disseminação de campanhas educativas sobre o tema; o incentivo e a exigência para que empregadores assegurem condições de trabalho decente.

Além da reforma agrária, é ressaltada a necessidade de ampliar outras ações preventivas, tais como programas de qualificação profissional e a elevação da escolaridade nas áreas de concentração de trabalhadores escravos; a geração de novos postos de trabalho nos municípios de origem e residência dos trabalhadores. "Considera-se ainda importante manter registros e análises sistemáticas sobre os principais atores envolvidos no problema de forma a aprofundar o conhecimento da questão", emenda o estudo.
Repórter Brasil

Novos Estados - Carajás S.A.



Se o plebiscito aprovar a criação do estado, a influência das siderúrgicas na rede política pode ampliar a devastação ambiental e trabalhista da região
Por Pedro Venceslau
Por um capricho do destino o debate sobre o novo Código Florestal Brasileiro coincidiu com o movimento de criação dos estados de Tapajós e Carajás. Se depender da bancada ruralista no Congresso Nacional, os governos estaduais e municipais terão mais poder na hora de aprovar licenciamentos que afetam o meio ambiente. Além do projeto que modifica o Código, tramita no Senado um outro, que tira do Ibama (ou seja, do governo federal) o poder de multar o desmatamento irregular. Os defensores dessa transição argumentam que o poder local pode cumprir com mais eficiência essa tarefa. Há controvérsias. No caso de Carajás, que já é uma das regiões mais devastadas do Brasil, o poder de autorizar o desmatamento ficaria concentrado nas mãos de uma rede burocrática que deve ser composta pelas forças políticas locais.

Os novos deputados estaduais, por exemplo, certamente terão participação nesse processo. Mas, antes disso, é preciso vencer nas urnas; logo, eles terão que buscar financiamento para suas campanhas com a elite econômica local. Mesmo sem bola de cristal, é possível prever que o cenário é propício para que se crie um círculo vicioso. “A soma do novo Código Florestal com esse projeto de lei é um pacote potencialmente explosivo para a região de Carajás. O Ibama não poderia mais multar desmatamento e os estados é que definiriam as atividades que podem ser realizadas em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Além disso, o novo Código pretende anistiar quem já desmatou, o que seria um incentivo para as madeireiras”, explica o advogado ambientalista Raul do Vale, coordenador do programa de política e direito do Instituto Socioambiental (ISA).

O pesquisador e jornalista Marques Cesara, do Instituto Observatório Social, ONG ligada à CUT que monitora a cadeia produtiva e o meio ambiente, faz uma avaliação similar. “Carajás seria um estado privado e sob controle da Vale S.A. e das siderúrgicas da região. O poder de influência do setor sobre a estrutura de governo seria enorme. Não há como o bioma de lá ser preservado se eles formam a principal força econômica”, argumenta Cesara. Um estudo da ONG, coordenado por ele e divulgado no fim de junho, traça um panorama estarrecedor do cenário no polo de Carajás.

A pesquisa, que começou em Nova Ipixuna (PA), onde foram assassinados José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo – ambientalistas que denunciavam a devastação da floresta para produzir carvão e madeira –, prova que grandes exportadoras de ferro gusa usam carvão do desmatamento e do trabalho escravo nos processos produtivos. Essa prática contamina toda a cadeia produtiva do aço e chega a montadoras de veículos, fabricantes de eletrodomésticos, de aviões e de computadores. “O carvão ilegal é fundamental na composição do preço do aço. Como o novo código transfere a fiscalização para os estados, aquela região da Amazônia se tornaria refém do setor siderúrgico”, diz o pesquisador.

Em seu trabalho, Casara mostra que, em algumas siderúrgicas, o uso do carvão ilegal sustenta mais da metade de toda a produção. Essa conclusão foi possível após a obtenção de dados referentes à produção anual de cada siderúrgica em 2010. As informações eram mantidas sob sigilo, para evitar o cruzamento de dados e a obtenção do índice de ilegalidade. A fraude se dá por meio da compra de carvão esquentado por mecanismos diretamente ligados à corrupção nos órgãos de fiscalização. A pesquisa revela, ainda, diversos casos nos quais o carvão é entregue sem documentação ou com o uso de documentos forjados, e os governos municipais e mesmo o governo estadual são coniventes com crimes ambientais e trabalhistas, muitas vezes usando aparatos de Estado para acobertar ações criminosas, que têm o objetivo de devastar áreas de preservação ambiental e terras indígenas.

Nem as tradicionais quebradeiras de coco de babaçu estão livres de serem usadas pelo esquema. Como a casca do coco de babaçu não precisa de guia florestal para ser transportada até as carvoarias, as siderúrgicas supervalorizam a quantidade de carvão produzida com essa matéria-prima. Os pesquisadores estiveram nos locais onde as quebradeiras de coco trabalham, e elas confirmam o problema, que também está sendo investigado pelo Ibama no Maranhão e no Pará. O mesmo subterfúgio é usado com o eucalipto. Como ele também não precisa de guia florestal, as siderúrgicas maquiam boa parte da ilegalidade usando como fachada a sua produção.
Revista Fórum

Quais as semelhanças e diferenças entre furacão, tufão e ciclone?

Beatriz Santomauro

1. Ciclones e furacões têm a mesma formação. Sua origem é no mar, quando as águas atingem 27 ºC na superfície e evaporam.

2. O vapor de água aquecido sobe para as camadas mais frias, se condensa e forma nuvens densas de tempestade.

3. A condensação libera muita energia e cria uma zona de baixa pressão no topo, atraindo correntes ascendentes de ar.

4. Todo o ar ao redor tende a ser atraído para o centro (ou olho) do furacão e ocupa o espaço do ar que subiu, reforçando o fenômeno.

Todos são fenômenos caracterizados por grandes quantidades de ar que se deslocam de forma organizada em colunas verticais e executam um movimento giratório muito rápido, em função da energia do Sol e do movimento de rotação da Terra. Porém, de acordo com a velocidade do vento, recebem uma denominação diferente (veja no infográfico acima como esses ventos se formam). O ciclone é formado por ventos mais amenos. Quando eles são mais intensos, passam a ser chamados de furacão ou tufão - ambos têm as mesmas características, no entanto, nos países ocidentais, o fenômeno climático é denominado furacão, enquanto nos orientais é comum chamá-lo de tufão. Os efeitos e danos que esses fenômenos climáticos causam podem ser classificados de acordo com a intensidade de seus ventos, na escala anemométrica internacional de Beaufort, que vai do 0 ao 12.

Consultoria Luiz Cavalvanti, meteorologista chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Capre/Inmet). Cláudio Mendonça, geógrafo,professor do Colégio Stockler e autor de livros didáticos para o Ensino Médio.
Revista Nova Escola

Existem desertos gelados?

Beatriz Vichessi

LUGAR INÓSPITO O Himalaia, coberto de neve, é um dos desertos gelados do planeta. Foto: Alan Kearney/Getty Images

Sim, já que a definição de deserto é dada para áreas com baixos índices pluviométricos (até 100 milímetros por ano), independentemente da temperatura. Os gelados estão nas regiões polares da Terra e nas raras localidades com altitude superior a 7 quilômetros, como o Himalaia. Suas temperaturas oscilam entre zero e 70 ºC negativos. O maior deserto do mundo, inclusive, não é o do Saara (com 9 milhões de quilômetros quadrados), mas o que está localizado no interior da Antártida e ocupa 80% dos 14 milhões de quilômetros quadrados da região.
Consultoria Ricardo Felício, doutor em Climatologia do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.
Revista Nova Escola

O que ensinar em Geografia

O ensino de Geografia do 1º ao 5º ano deve se apoiar em saídas de campo, leitura de textos de todos os gêneros e na produção e interpretação de mapas

Anderson Moço
CARTOGRAFIA Conhecer territórios e suas representações é um dos objetivos da análise de mapas


O homem do século 21 revê o seu relacionamento com o meio ambiente e estuda as consequências de sua interação desmedida com a natureza. As fronteiras políticas se alteram por acordos ou guerras. A globalização aproxima, ao mesmo tempo que coloca em conflito diferentes povos. Com tudo isso, a maneira de ensinar a ciência que estuda a Terra e suas transformações também se modifica. A Geografia tem passado por amplas tentativas de renovação para conseguir formar estudantes capazes de compreender as relações entre a sociedade e a natureza. Nessas idas e vindas, foram criados caminhos e, às vezes, também equívocos. Hoje existem três perspectivas de ensino que, segundo os especialistas, devem ser trabalhadas de forma complementar para que o espaço - principal objeto de estudo da disciplina - seja bem compreendido: a perspectiva tradicional, a crítica e a cultural.

Quando o foco da Geografia estava nas descrições físicas dos lugares, os estudos se concentravam em identificar os componentes da paisagem (tipos de vegetação, relevo e clima), o número de habitantes e o nome de cidades e rios importantes que banham a região. Essa abordagem, chamada de tradicional, era "a ciência dos lugares e não dos homens", na definição do francês Vidal de La Blache (1845-1918). "Acreditava-se que, se os alunos conhecessem as características físicas do território, desenvolveriam uma consciência de nação", conta Francisco Capoano Scarlato, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.

Na década de 1960, alguns geógrafos, em especial os franceses, passaram a defender que o estudo deveria se posicionar criticamente frente à realidade e à ordem constituída - e o geógrafo ser um agente de transformação social. Assim, a disciplina se aproximou das ciências políticas. "Era a corrente crítica se opondo à tradicional. As principais características dessa concepção eram estudar o homem interagindo sobre o meio e conceber as relações sociais e de trabalho como decisivas na transformação do território", explica Marcos Bernardino de Carvalho, coordenador da pós-graduação em Geografia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Nela, cabe ao professor mostrar os problemas sociais e, ao mesmo tempo, despertar nos alunos a consciência sobre seu papel como cidadãos ativos na resolução dos problemas locais e gerais.
Uma das respostas a essa questão veio de pesquisadores que se debruçaram sobre o estudo da Geografia cultural - corrente criada na Alemanha no fim do século 19. Ela defende um relacionamento mais próximo com ciências como História, Antropologia, Sociologia, Filosofia e Psicologia, tendo foco na cultura e nas representações que o homem faz de si, dos outros e do espaço. "O valor que as pessoas atribuem à mata próxima da casa, ao shopping onde fazem compras ou às praças é levado em conta para retratar a realidade", explica Roberto Lobato Correa, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Muitos educadores acharam que a análise da relação do homem com seu meio aprofundaria o conhecimento sobre os territórios. A capacidade dos alunos de compreender o mundo e dar significado ao que se aprende na disciplina, aproximando o conhecimento escolar das próprias vidas, também seria facilitada. Afinal, no mundo globalizado são a cultura e as manifestações locais que garantem a noção de pertencimento a um lugar.

Uma das respostas a essa questão veio de pesquisadores que se debruçaram sobre o estudo da Geografia cultural - corrente criada na Alemanha no fim do século 19. Ela defende um relacionamento mais próximo com ciências como História, Antropologia, Sociologia, Filosofia e Psicologia, tendo foco na cultura e nas representações que o homem faz de si, dos outros e do espaço. "O valor que as pessoas atribuem à mata próxima da casa, ao shopping onde fazem compras ou às praças é levado em conta para retratar a realidade", explica Roberto Lobato Correa, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Muitos educadores acharam que a análise da relação do homem com seu meio aprofundaria o conhecimento sobre os territórios. A capacidade dos alunos de compreender o mundo e dar significado ao que se aprende na disciplina, aproximando o conhecimento escolar das próprias vidas, também seria facilitada. Afinal, no mundo globalizado são a cultura e as manifestações locais que garantem a noção de pertencimento a um lugar.
Revista Nova Escola

Qual a origem da divisão entre Coreia do Norte e do Sul?



Paula Sato
A história da divisão das duas Coreias remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial. Desde 1910, o território era ocupado pelos japoneses, que se renderam após a explosão das bombas atômicas. Com a derrota, a Coreia foi dividida entre soviéticos e americanos, exatamente no paralelo 38. A parte que ficava acima da linha imaginária ficou a cargo da União Soviética. Já os coreanos que viviam abaixo da linha passaram para as mãos dos norte-americanos. Em 1948, foram instaurados novos governos nos dois países. Porém, nenhum dos territórios estava feliz com a divisão e ambos queriam controle sobre o país. Em 1950, China e União Soviética ajudaram os norte-coreanos a invadir a Coreia do Sul. Tropas americanas enviaram socorro ao seu território de influência, dando início à Guerra da Coreia. O conflito durou até 1953, quando foi assinado um armistício.

De 1948 até 1980, a Coreia do Norte foi comandada pelo militar Kim Il-Sung, quando o general passou o controle do país a seu filho Kim Jong-Il, que continua no poder. Sob seu comando, a Coreia do Norte permanece como um país socialista dos mais fechados e repressivos do mundo. O governo controla a mídia e impede até que seus cidadãos saiam do país. Hoje, a economia da Coreia do Norte é desastrosa. Com o fim da União Soviética e a falta de parceiros comerciais, o país entrou em uma grave recessão. Enquanto isso, a Coreia do Sul passou por regimes militares ditatoriais por 20 anos e, atualmente, novamente uma república democrática, é um país em rápido desenvolvimento. Apesar de terem se tornado dois países tão diferentes, a separação das Coreias ainda é recente e, para a população civil, o sonho é de um país unificado. "Muitas famílias foram separadas com a divisão do país, mas há um interesse das pessoas em se reaproximar. Desde 2002, os dois governos fizeram acordos que permitiram a viagem de algumas pessoas entre os dois países para se reencontrar", conta Alexandre Uehara, professor de relações internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco e membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP.

Porém, apesar da vontade popular, hoje os dois países estão mais próximos de um conflito do que de uma aproximação. Isso por que, no momento, a Coreia do Norte ameaça toda a comunidade internacional com testes de armas nucleares e mísseis balísticos. "Há potencial, sim, de que seja iniciado um conflito na região. O governo de Pyongyang é muito isolado e hoje não há nenhum interlocutor que possa negociar com o país. Muitos analistas descartam essa possibilidade por acreditarem que é insano para a Coreia do Norte entrar em um conflito que não pode sustentar. Porém, não se pode descartar essa possibilidade", afirma Alexandre Uehara. O cientista político ainda explica que o governo norte-coreano está usando seu arsenal bélico para ganhar poder na região e que pode tentar exigir mais regalias nas negociações com outros países. "O país é muito pobre, sua população passa fome. Por isso, a Coreia do Norte depende muito da ajuda internacional, principalmente da China e do Japão. E é possível que a nação tente usar seu poder nuclear para barganhar por mais privilégios e até pela possibilidade de negociar diretamente com os Estados Unidos", diz. Porém, se as conversações não trouxerem resultados e os norte-coreanos inciarem uma guerra, o perigo é que ele não fique restrito apenas à Ásia. "Se houvesse o conflito, a China provavelmente se colocaria ao lado do norte, enquanto os Estados Unidos defenderiam o Sul. Seria a terceira maior economia do mundo enfrentando a primeira, o que traria consequências para todo o mundo. Além disso, poderiam se envolver também Rússia, Índia e Paquistão, colocando o Oriente Médio dentro do conflito", diz Alexandre Uehara.

Apesar de tudo isso, será possível imaginar que um dia as Coreias possam se reunificar? No momento, não há nenhum indício de que isso venha a acontecer, mas se a divisão chegasse ao fim, traria vantagem para os dois países. Na conjuntura atual, quem ganharia mais seria a população norte-coreana. "Para se ter uma ideia da diferença econômica entre os dois países, a renda per capita do sul é de 16 mil dólares ano ano. No norte, está em apenas 600 dólares ", explica Alexandre Uehara. Ou seja, para uma nação em dificuldades, unir-se a uma economia emergente poderia ser a salvação. Por outro lado, para os sul-coreanos a unificação significaria paz e maior representatividade na região. "Atualmente, a Coreia do Sul e os países da região vivem sob o perigo constante de um ataque norte-coreano. Se Seul conseguisse eliminar essa ameaça, conquistaria um status mais interessante frente à comunidade internacional", afirma o professor.
Revista Nova Escola

Geografia e a Arte

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