sábado, 15 de outubro de 2011

Notícias Geografia Hoje



G20 mantém pressão sobre Eurozona para resolução da crise

Jan Strupczewski e David Milliken

PARIS (Reuters) - As principais economias do mundo mantiveram a firme pressão para que a Europa resolva a sua crise da dívida, com um senso de urgência que ficou refletido em comunicado ao final da reunião dos líderes do G20, neste sábado.

A Alemanha e a França se comprometeram a preparar um plano para deter a contaminação da crise, proteger os bancos europeus e a economia mundial.

"Ouvimos dos nossos colegas da Eurozona sobre as ações nas quais eles estão trabalhando, mas acredito que eles deixarão Paris sem nenhum mal-entendido de que existe uma enorme quantidade de pressão sobre eles para que apresentem uma solução para a crise", disse o ministro de Finanças britânico, George Osborne, aos repórteres.

"(A crise) continua sendo o epicentro dos atuais problemas da economia mundial. E (o encontro) do Conselho Europeu é claramente o momento em que as pessoas estão esperando algo realmente impressionante".

O rascunho do comunicado, que ainda precisa ser assinado pelos ministros de Finanças e chefes dos bancos centrais do G20, "espera trabalhos adicionais para maximizar o impacto do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) com o objetivo de enfrentar o contágio (da crise) e para o resultado do encontro do Conselho Europeu em 23 de outubro".

Os esforços de alguns países para aumentar a munição do Fundo Monetário Internacional (FMI) no combate à crise encontraram resistência dos Estados Unidos e de outras nações na sexta-feira, sepultando esta ideia, por enquanto, e colocando a pressão novamente na Europa.

Os Estados Unidos estão entre os países que querem manter a pressão sobre os europeus para que atuem de forma mais decisiva para acabar com a crise que começou na Grécia, mas desde então se espalhou para a Irlanda e Portugal e já atinge também a Espanha e a Itália.

O plano franco-alemão, que está sendo preparado para apresentação à cúpula da União Européia, poderá pedir aos bancos expostos à dívida grega que aceitem perdas maiores que os 21 por cento acertados em julho, o que parece insuficiente.

O que ainda precisa ser decidido é se esse compromisso pode ser alcançado com a participação voluntária dos bancos.

O rascunho do comunicado informa que o G20 irá "garantir que os bancos estejam capitalizados adequadamente e tenham acesso suficiente aos financiamentos. Os bancos centrais, recentemente, tomaram ações decisivas nesse sentido e continuarão preparados para prover liquidez aos bancos".

SEM MUDANÇAS NO IUANE

O G20 definiu que as economias mais desenvolvidas irão consolidar o seu déficit fiscal e as economias emergentes, como a China, continuarão o movimento em busca de uma maior flexibilidade na taxa de câmbio e aumento do consumo doméstico.

"Economias de mercados emergentes superavitários irão acelerar a implementação de reformas estruturais para reequilibrar a demanda no sentido de um consumo mais doméstico, suportado por esforços contínuos para avançar na direção de um sistema de taxa de câmbio mais orientado pelo mercado e alcançar maior flexibilidade da taxa de câmbio, para refletir os fundamentos da economia", informa o comunicado.

Fontes do G20 disseram que a China não deu nenhuma indicação de que está preparada para mudar o ritmo no sentido de dar maior flexibilidade ao iuane mas irá se comprometer para aumentar o consumo doméstico por meio de um plano de cinco anos que envolverá as famílias, empresas e o setor de infraestrutura.

O estabelecimento de metas, como parâmetros de medição dos desequilíbrios globais e formas de controlar os fluxos de capital especulativo, não deve ocorrer antes da reunião da cúpula do G20 marcada para 3 e 4 de novembro, em Cannes.

Reuters

Notícias Geografia Hoje



Epidemia de Aids avança no Oriente Médio e Norte da África
Reuters/Brasil Online

Por Kate Kelland
LONDRES (Reuters) - A epidemia de HIV/Aids tem avançado entre homens homossexuais e bissexuais no Oriente Médio e Norte da África, disseram pesquisadores na terça-feira, alertando contra a disseminação dos comportamentos de risco na região.
No primeiro estudo do gênero nessa área, onde a homossexualidade e a bissexualidade são tabus, pesquisadores da Faculdade de Medicina Weill Cornell, do Catar, notaram que a epidemia está fortemente concentrada em determinados grupos -com incidência superior a 5 por cento- em países como Egito, Sudão, Paquistão e Tunísia.
Numa amostra no Paquistão, a contaminação pelo vírus da Aids chegava a 28 por cento, de acordo com o estudo publicado na revista Public Library of Science (PLoS) Medicine.
Os pesquisadores salientaram a necessidade de maior acesso a exames, prevenção e tratamento para homens que fazem sexo com outros homens nesses países.
Estima-se que em 2009 cerca de 33,3 milhões de pessoas no mundo estivessem contaminadas com o vírus HIV, sendo 22,5 milhões na África Subsaariana. Há poucos dados publicados a respeito da epidemia no Oriente Médio e Norte da África.
"É como o buraco negro no mapa global do HIV, e isso desencadeou muitas polêmicas e debates em torno do status da epidemia", disse por telefone Ghina Mumtaz, uma das coordenadoras do estudo.
Segundo ela, fazendo uma busca mais apurada foi possível encontrar os dados necessários, mesmo que coletados por entidades diversas e não divulgados ao público.
As conclusões, segundo os pesquisadores, foram preocupantes, mas não surpreendentes. Uma delas foi a de que em 2008 a transmissão do vírus por sexo anal entre homens representou mais de um quarto dos casos notificados em vários países da região.
"Em todo o mundo há na verdade epidemias emergentes entre homens que fazem sexo com homens, e essa região não é exceção", disse Laith Abu-Raddad, o outro coordenador do estudo.
Ele acrescentou que a melhora nos exames, na vigilância e no acesso ao tratamento ajudaria a limitar a epidemia e a evitar que ela atingisse outros grupos, como mulheres e homens heterossexuais. Salientou que isso não exigiria manifestações públicas desconfortáveis por parte dos governos.
"Os homens que fazem sexo com homens são ainda uma população altamente escondida na região, e há um estigma em torno desse comportamento, mas alguns países têm sido capazes de encontrar formas criativas de lidar com o problema, e ao mesmo tempo evitar sensibilidades sociais, culturais e políticas", disse Mumtaz, citando iniciativas em Marrocos, Líbano e Paquistão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/08/02/epidemia-de-aids-avanca-no-oriente-medio-norte-da-africa-925048328.asp#ixzz1aqTjIUwA
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Fome na África é vergonha para o mundo


Há situações em que o mundo parece anestesiado, incapaz de reagir de forma adequada a situações catastróficas de miséria humana. Fazem parte delas as frequentes fomes na África. Parece haver acomodação diante de tristes fotos de seres humanos destituídos de toda a dignidade, como se prisioneiros fossem de campos de concentração nazistas.
Sabe-se que, a cada nova tragédia, países doadores se reúnem para ajudar, organizações internacionais se mobilizam, ONGs assistenciais entram em ação e voluntários de muitos lugares do mundo formam batalhões humanitários. Com isso conseguem, no máximo, atenuar os efeitos da fome.
Considere-se a situação do Chifre da África, onde 13 milhões de pessoas têm sua subsistência ameaçada em Somália, Quênia, Etiópia e Djibouti. O epicentro da crise é a Somália, onde a fome já atinge seis das oito regiões do país, e 750 mil estão na iminência de morrer por falta de alimentos. O cálculo é da ONU, segundo a qual centenas de somalianos perecem a cada dia - metade deles crianças - apesar do aumento da ajuda externa.
A Somália, cujo estado praticamente desapareceu desde conflitos internos na década de 90, enfrenta uma terrível conjunção de fatores: seca e quebra de safras, preços da comida em alta acelerada, grupos em guerra que impedem a distribuição ou saqueiam os alimentos levados ao país. Quatro milhões de pessoas, mais da metade da população, estão em situação de crise alimentar, segundo a ONU.
Leve-se em conta que os países ricos estão hoje em apuros, o que os leva a cortar justamente na ajuda externa à luta contra a miséria, a fome e a doença. O Congresso americano já brecou US$ 8 bilhões da verba pedida pelo Executivo para o Departamento de Estado e para a ajuda externa. Contribuições para a ONU foram reduzidas em centenas de milhões de dólares, atingindo missões de paz e o Programa Mundial de Alimentação.
O mais grave é que os próprios líderes africanos viram as costas ao problema. Em visita ao campo de Dadaab, no Quênia, que aloja 400 mil refugiados alimentares da Somália, o músico Youssou N'Dour, do Senegal, um dos embaixadores do Unicef, criticou duramente esses líderes que, em grande parte, boicotaram uma conferência da União Africana para levantar fundos para enfrentar a crise. "Os africanos não estão dando o exemplo. Autoridades vivem como nababos. Precisam de mais dinheiro e poder para elas mesmas. Só pensam nelas e não na população de seus países", atacou N'Dour.
À comunidade internacional não basta agir de forma tópica, nas crises. Em relação à Somália, por exemplo, ao lado do esforço humanitário, é necessário outro para ajudar o país a construir instituições que possam, futuramente, fazer frente de forma mais efetiva a situações como a atual.
E parte do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a advertência tantas vezes ouvida, mas a cada dia mais pertinente. É preciso uma ação multilateral urgente contra o aquecimento global, causa importante das mudanças climáticas que tornam ainda mais dramáticas as secas em vastas regiões da África, e do mundo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/09/09/fome-na-africa-vergonha-para-mundo-925324802.asp#ixzz1aqJCf0fk
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Jornal O Globo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Notícias Geografia Hoje






29/09/2011 13
Meio ambiente: 40% da água produzida no País é desperdiçada
Agência Câmara
Durante o Congresso Brasileiro de Desenvolvimento Humano – Saneamento Total e Dignidade da Pessoa Humana, o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, Giovani Cherini (PDT-RS), assinalou que 40% da água produzida no País são desperdiçados.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que para cada R$ 1 investido em saneamento básico, são economizados R$ 4 em saúde, e que o tema tem dimensões muito concretas na saúde. Ele lembrou que as doenças que mais matam no mundo são as cardiovasculares, mas assinalou que os últimos relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam crescimento ano a ano de mortes por catástrofes como secas prolongadas, maremotos e enchentes. “O saneamento faz parte da construção de um mudo sustentável. Os investimentos estão sendo feitos. A Funasa já está destinando R$ 230 milhões para levar água para regiões do semiárido, por exemplo”, declarou.
Cherini disse ainda que apenas 43% dos municípios brasileiros têm acesso a saneamento básico, e apenas 1/3 conta com esgoto tratado. “A falta de saneamento é a causa do surgimento de 80% das doenças que atingem a população mais carente. São necessários pelo menos 20 anos para universalizar o saneamento básico no País, se houver aumento nos investimentos”, alertou.
Cidades grandes sem saneamento
O primeiro-vice-presidente da comissão, Oziel Oliveira (PDT-BA), chamou a atenção para as cidades que ainda não contam com saneamento básico. Ele citou Barreiras, na Bahia, que tem 120 anos e somente agora passa a contar com saneamento. “É uma cidade que faz parte do pólo de desenvolvimento do agronegócio brasileiro e demorou tanto tempo para ter esse benefício. Os investimentos na saúde não podem ser dissociados do saneamento básico. Grandes centros urbanos ainda jogam o esgoto a céu abeto. Um exemplo é o que ocorre em Guarulhos, São Paulo”, disse.
O evento ocorre no auditório da TV Câmara.
(Instituto CarbonoBrasil)


Plásticos biodegradáveis não fazem milagres



Leticia Freire, do Mercado Ético

O lixo é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Os moldes de consumo adotados por boa parte das sociedades modernas provocaram o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido no planeta. Em meio a esse cenário está um dos grandes vilões: o plástico.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), são consumidas no Brasil cerca de 12 bilhões de sacolinhas por ano. Dessas, 80% viram lixo, levando mais de mil anos para se decompor. Mas não são apenas essas embalagens que tem destinação final o estrago da natureza. Segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês), os produtos plásticos, como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres, formam a maior parte do lixo encontrado no oceano. Em algumas regiões, esse elemento corresponde a 80% do lixo marinho.

Do mito à realidade dos biodegradáveis
Na tentativa de minimizar a pegada, alguns fabricantes adicionam amido ou celulose à mistura de plástico para, assim, acelerar o processo de decomposição de certas embalagens. Mas será que essa biodegradação soluciona mesmo o problema?

A resposa é não! “O título biodegradável não garante nada para absolutamente nada”, avisa Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plático. “Evidentemente, é melhor optar pelos biodegradáveis, mas a presença de amido ou celulose não é uma garantia de decomposição em ambientes sem luz e oxigênio”, explica ela.

De acordo com a engenheira, o plástico biodegradável requer condições específicas para decompor-se adequadamente. Seu descarte de forma inadequada pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o plástico convencional. “Até mesmo uma casca de banana quando jogada fora em condições erradas necessita de um a três anos para se biodegradar. A natureza não faz mágica”, complementa Silvia.

Eles se biodegradaram, e agora?
Mas mesmo no caso dos plásticos biodegradáveis, resta saber no que o material se transforma depois da decomposição. Essa dúvida fez a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarar que não se pode afirmar que o uso de plásticos biodegradáveis é mais aconselhável, porque esse novo material pode ocasionar novas formas de contaminação ao solo.

Para Silvia Rolim, a solução integral depende da eficiência da nova política pública nacional de resíduos sólidos e de uma intensa participação das empresas nesse processo. “Qualquer política de resíduos sólidos, isso inclui a utilização ou não de plásticos biodegradáveis, depende de coleta adequada e destinação correta desses resíduos”, reforça a engenheira.

Texto publicado no Envolverde
Carta Verde

Dessalinização é a saída chinesa para a crise da água


Mitch Moxley, da IPS
Cientistas da China trabalham para desenvolver novas tecnologias de dessalinização que aliviem, nos próximos anos, a grave escassez de água que atinge todo o país. Apesar dos milhares de milhões de dólares investidos por Pequim em construção de represas e escavação de poços, fazendeiros no norte ainda precisam trabalhar duro em terra ressecada, enquanto centenas de cidadãos em todo o país sofrem falta de água e deterioração da qualidade dos recursos hídricos.

O déficit de água em Pequim logo estará entre 200 milhões e 300 milhões de metros cúbicos, segundo informes da imprensa estatal, enquanto a cidade espera que seja completado o Projeto de Transferência de Água do Sul para o Norte, no valor de US$ 62 bilhões, que causará o deslocamento de aproximadamente 330 mil pessoas.

O Banco Mundial alertou que a crise poderá provocar descontentamento e gerar atritos entre moradores das cidades e a população rural. Se não forem feitas profundas mudanças no uso da água, dezenas de milhões de chineses se converterão em refugiados ambientais na próxima década, alertou a instituição. Por outro lado, países asiáticos mais ao sul, como Birmânia, Laos, Camboja e Vietnã, afirmam que a agressiva política chinesa para construir represas no Rio Mekong priva de água seus cidadãos.

Para alguns, a resposta está na tecnologia de dessalinização. A China realiza pesquisas neste campo desde 1958, e em 1975 começou a testar seus primeiros artefatos. Em 1986, concluiu a fabricação de um dispositivo para dessalinizar água marinha mediante o processo de osmose reversa.

Tianjin, cidade costeira a 150 quilômetros de Pequim, representa a vanguarda nacional nesta tecnologia. Segundo o governo local, o Projeto de Dessalinização de Água Marinha de Dagang Xinquan é a “maior central da Ásia”. A “municipalidade desenvolve tecnologias de dessalinização desde 2000, e é considerada a mais confiável fonte de água para suprir as necessidades”, diz um informe realizado pelo Probe International, grupo ambientalista independente.

Wang Shichang, diretor do Centro de Tecnologias de Dessalinização da Universidade de Tianjin, informou que cientistas chineses trabalham em mais de 200 projetos e recebem apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Fundação Nacional da Ciência, da China. O centro dirigido por Wang introduziu o primeiro artefato de destilação subita de efeito múltiplo, que realiza o processo canalizando a água para diferentes câmaras, reduzindo a pressão progressivamente. O vapor gerado é capturado e convertido em água doce.

A capacidade de dessalinização chinesa atingiu quase 200 mil toneladas em 2009, contra 30 mil em 2005. Segundo o atual plano de desenvolvimento do governo, poderá chegar a entre 800 mil e um milhão de toneladas até o final deste ano. No entanto, Wang lembra que isto não é suficiente. Afirmou que ainda representa uma grande brecha entre a capacidade inovadora da China e a de países do Norte industrializado. São necessários mais subsídios estatais e acesso a empréstimos bancários, afirmou.

Enquanto Wang trabalha para conseguir um uso mais sustentável da água, Tian Juncang, professor da Universidade de Ningxia, tenta reduzir o desperdício dos recursos hídricos na agricultura. O trabalho de Tian se concentra em aplicar sistemas de irrigação por gotejamento e aspersão, maximizando a efetividade dos fertilizantes. Ele assegura que desta forma o uso de água pode ser reduzido em 50%.

A indústria agrícola chinesa atualmente emprega 70% de todos os recursos hídricos do país, e grande parte é desperdiçada, disse Tian. “A indústria agrícola da China enfrenta grandes desafios”, afirmou à IPS. Contudo, ao adotar a nova tecnologia, “a atual quantidade de água pode manter o dobro de terra cultivável”, acrescentou. Em 2007, o governo lançou um plano de 11 anos para promover a conservação da água, propondo metas detalhadas.

Tian afirmou que a conservação deve ser um esforço sistemático, com apoio e cooperação da indústria e da sociedade como um todo. Os esforços para preservar o recurso também exigirão maior financiamento do Estado, bem como de leis e regulações melhoradas, e infraestrutura avançada e melhor administrada, afirmou. “Os esforços de conservação da água foram fortalecidos nos últimos anos, mas ainda não é o suficiente”, ressaltou. Envolverde/IPS

Carta Verde

Carro: extensão das pernas ou do ego?

Dal Marcondes

As cidades brasileiras, em sua maioria, cresceram em um processo de adaptação aos automóveis, com exceção de Brasília, que já foi construída inteirinha para servir os carros. Lá a situação ganha contornos de tragicomédia, porque além de Brasília não ter sido planejada para o transporte público, o tombamento da cidade impede as adaptações necessárias para a implantação de corredores de ônibus, ciclovias e outras formas de transporte que não sejam os carros. Enquanto isso, a cidade,ou melhor, os cidadãos padecem. Os que têm carro por conta dos congestionamentos. Os que não têm, por conta das condições precárias de transporte coletivo.

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e várias outras cidades que se desenvolveram durante o século XX foram sendo adaptadas ao uso dos carros. Mesmo com alguns políticos fazendo o discurso do transporte coletivo, os investimentos prioritários foram destinados à construção de avenidas, viadutos e estradas. O motivo da esquizofrenia, onde os políticos falam em transporte público e investem em infra-estrutura para automóveis, pessoas pregam a necessidade de redução do uso dos carros, mas não vão sem ele nem à esquina, é o fato de que o automóvel, ao contrário do que deveria ser, não é uma máquina de mobilidade, uma extensão das pernas, mas sim uma extensão do ego das pessoas.

Um automóvel deveria ser uma extensão das pernas, uma maneira de ir e vir de forma rápida, eficiente, econômica e com qualidade. No entanto, esta não é a realidade do mercado. Ter um carro significa mostrar poder, capacidade de consumo e coisas que nada tem a ver com ir e vir. Uma vez, em uma conversa com a psicóloga Ana Verônica Mautner, ela se saiu com essa: “Tem homem que precisa de um motor para carregar seu próprio pinto. A potência é da máquina, e não dele”. Do lado feminino já se criou, inclusive, a pouco honrada denominação de “Maria Gasolina”, que define as mulheres que colocam as qualidades do carro acima das qualidades do motorista.

Recentemente a revista Exame deu uma capa com o título “Em busca do carro verde”. Dentro estavam as experiências de se suprir as demandas do ego com veículos que consomem combustíveis alternativos. Há, inclusive, um Hummer, aquele enorme jipe militar que é o sonho de consumo de muita gente, movido a biocombustível. Outros eram esportivos e carros de luxo com motores elétricos ou a célula combustível. Grandes e pesados carrões que precisam de “muita potência” para carregar o próprio peso e o ego de seus proprietários. Pouco se pensa em redução de peso e eficiência energética.

O carro do futuro poderá ser, inclusive, um carro movido a gasolina. A diferença é que, ao invés de fazer 10 quilômetros com a energia armazenada em um litro de combustível, poderá fazer 50 ou mais quilômetros com ela. Mais até do que faz uma motocicleta de baixa cilindrada hoje. Quando o ex-presidente Itamar Franco lançou o desafio do carro popular, a Volkswagen tentou ridicularizar a ideia, com o relançamento de um projeto dos anos 30, o Fusca. A Fiat deu um passo adiante e lançou um novo conceito de veículo, o Uno Mille. Hoje praticamente todas as montadoras têm carros de mil cilindradas. Veículos que caminham para a concepção de um modelo de transporte individual menos impactante tanto sob o ponto de vista do consumo de combustível, como do uso do espaço urbano.

Mas só ter carros mil resolve? Claro que não. As montadoras precisam continuar investindo em soluções de eficiência energética. A criação do sistema flex, que permite a queima de álcool e gasolina foi um passo adiante, mas ainda há muito o que se fazer em termos de redução de peso dos veículos, aumento de autonomia por litros de combustível, segurança ativa e passiva etc.

Porém sem uma mudança drástica na forma de uso e na visão do que é um automóvel, muito pouco vai mudar. Um carro deve ser visto como uma extensão das pernas, como mais um modo de transporte à disposição das pessoas, e não como o único. Uma pessoa ou uma família pode ter um carro, mas usá-lo de forma integrada com o transporte público, com a bicicleta e com trajetos a pé. Um carro deve ser visto como um instrumento de conforto que pode nos levar a locais isolados, onde o transporte público não chega, em horários onde a cidade está com menos movimento e coisas assim.

No entanto, enquanto o carro for extensão do ego, e não das pernas, não haverá alternativas, porque políticos continuarão fazendo a demagogia do discurso pelo público e o investimento pelo individual, e as pessoas vão continuar a usar desculpas para não utilizar o transporte público.
As cidades brasileiras precisam mudar, e rápido, para oferecer conforto a quem usa transporte coletivo. É preciso ter circulares nos bairros, interligando estações de trens e metrôs com sua própria vizinhança e não apenas com linhas de longa distância.

O carro do futuro não terá, necessariamente, de ser movido a eletricidade ou a biocombustíveis. Mas deverá ser um veículo de transporte com alta eficiência energética, segurança ativa e passiva, além de trabalhado no conceito de ser uma extensão das pernas. As montadoras precisam direcionar parte de seus esforços para a concepção de veículos que sejam apenas um meio de transporte eficiente.
Não adianta apenas falar na necessidade de mais e melhor transporte coletivo. É preciso também construir automóveis mais modernos e eficientes, menos pesados e ostensivos, menores e mais seguros. O ego, este deve encontrar outras maneiras de se manifestar. (Envolverde)


Dal Marcondes
Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, Revistas Isto É e Exame. Desde 1998 dedica-se a cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial. Recebeu por duas vezes o Prêmio Ethos de Jornalismo e é reconhecido como um "Jornalista Amigo da Infância" pela agência ANDI.

Carta Verde

11% das espécies serão extintas até 2100



Por Jeremy Hance, do Mongabay*

Há décadas cientistas preveem que as mudanças climáticas podem ter um impacto grave sobre a vida na Terra, que já está enfrentando diversas ameaças como a perda de habitats, super-exploração, poluição, espécies invasoras e outros.

Entretanto, é difícil obter provas empíricas das extinções, e até mesmo da ameaça, causadas pelas mudanças no clima. Um novo estudo publicado no periódico Proceeding of the National Academy of Science revelou que em torno do ano 2100 as mudanças climáticas podem ter colocado em extinção mais de 11% das espécies do mundo.

“Muitos cientistas defendem que estamos entrando na sexta grande extinção em massa e que a mudança climática antropogênica é uma das maiores ameaças a biodiversidade global”, declararam os pesquisadores.

Classificando estudos recentes, Ilya Maclean e Robert Wilson do Centro para Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, descobriram evidencias generalizadas de mais cem maneiras nas quais a mudança do clima já está impactando espécies, incluindo o aumento das temperaturas, mudança na precipitação e redução do gelo marinho. Eles também notaram uma série de eventos previstos, mas ainda não observados, que poderão impactar as espécies, segundo cientistas.

“As respostas incluem mudanças documentadas no risco de extinção, tamanho de populações e distribuição geográfica para 305 taxa de todos os principais grupos de organismos, abrangendo uma porção alta da superfície terrestre e marinha global”, escreveram os cientistas completando que as espécies de vertebrados parecem mais ameaçadas pelas mudanças do clima do que as plantas ou invertebrados.

Porém, os estudiosos admitem que há grandes brechas nas pesquisas realizadas até agora.

“Mais estudos sobre os efeitos, como as modificações nos padrões de circulação oceânica e na acidez dos organismos marinhos melhorariam as estimativas de risco de extinção”, ponderam.

As espécies dos trópicos, como a vida selvagem das florestas tropicais e insetos em geral, também são negligenciados em termos de impacto das mudanças do clima.

“Existem vários (fatores) desconhecidos na projeção do declínio da biodiversidade, então estes valores devem ser interpretados com precaução”, dizem os cientistas. Porém, eles relembram que os seus dados levaram em conta diversas possibilidades de distorções.

Dado que as mudanças do clima impactarão espécies já sob pressão por uma série de outras ameaças de grande escala, os pesquisadores dizem que suas estimativas são acima de tudo conservadoras.

Todavia, se o modelo for preciso, as mudanças climáticas causadas pelo homem podem ser responsáveis pelo desaparecimento de milhares ou até milhões de espécies.

Atualmente, cerca de 2 milhões de espécies foram descritas por cientistas desde o século XVIII, porém ninguém sabe quantas existem no planeta. Estimativas giram em torno de 5 milhões a 100 milhões. Descobertas recentes de comunidades de micróbios abundantes nos oceanos podem levar as estimativas ainda mais alto, possivelmente para um bilhão de espécies.

Matéria originalmente publicada na agência Envolverde

Carta Verde

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Notícias Geografia Hoje

Telescópio Alma capta imagem de galáxias em colisão
Observatório mais poderoso do mundo começa operações mostrando imagem que não poderia ser observada por outros telescópios

Telescópio mais poderoso do mundo começa as operações e revela a sua primeira imagem

Depois de mais de uma década de trabalho, o Grande Conjunto de Radiotelescópios do Atacama (Alma, na sigla em inglês), o mais ambicioso projeto de astronomia terrestre que ainda está em construção no deserto do norte do Chile, iniciou suas operações observando com nitidez incomparável duas galáxias em colisão.

A primeira imagem revelada pela Alma corresponde às Galáxias das Antenas, um dueto de galáxias em colisão, situadas na constelação de Corvus e descobertas em 1785.

"Este tipo de observação será vital para nos ajudar a compreender como as colisões de galáxias podem provocar o nascimento de estrelas. Este é apenas um exemplo de como a Alma revela partes do universo que não podem ser observadas pelos telescópios ópticos e infravermelhos", destacou comunicado.

A observação foi feita durante fase de testes por 12 das 66 antenas interligadas que integram o megaprojeto, localizado na Planície Chajnantor, a 5.000 metros de altitude, no deserto do Atacama, quando ainda restam dois anos de construção.

O local, extremamente seco, oferece as melhores condições para a radioastronomia, que explora o universo através de ondas de rádio emitidas por galáxias, estrelas e outros corpos celestes, não captados pelos telescópios ópticos e infravermelhos que só percebem a luz visível.

A Alma capta comprimentos de onda milimétricas e submilimétricas, 1.000 vezes mais longas do que os comprimentos de onda de luz visível, o que lhe permite ver através das densas nuvens de poeira cósmica e gás onde se formam estrelas e planetas, assim como objetos muito distantes no universo.

"Esperamos muito tempo para chegar ao ponto de que a Alma seja capaz de fazer ciência. Foi um longo caminho, mas todas as partes que precisávamos para construir este telescópio por fim se uniram e temos os primeiros resultados", disse Richard Hills, chefe de projetos científicos do Alma.

"Os resultados são realmente melhores do que podíamos esperar. São perfeitamente claros, não há nada de desordem nos dados; foram obtidos exatamente tal como esperávamos e nos mostram o que está acontecendo dentro destas galáxias que estávamos procurando", acrescentou Hills na base de operações do projeto, situada a 2.900 metros de altitude.

Espera-se que o projeto esteja concluído em 2013, quando as 66 antenas funcionarão como um único grande telescópio, com resolução 10 vezes superior ao telescópio espacial Hubble.

"Cada antena por si só é muito precisa, mas todas juntas equivalem a uma antena muito maior. As antenas podem ser instaladas em um raio de 150 metros, que é muito preciso, ou em um raio de 15 km, que equivale a uma antena de 15 km de diâmetro. Então, consigo ver muito mais longe e com mais precisão", explicou à AFP Martin Mündnich, engenheiro mecânico de antenas.

Para transferir as antenas, de 12 metros de diâmetro, foi necessário desenvolver um veículo especial de 14 rodas, capaz de levantá-las sem danificá-las. A 5.000 metros, deve-se ter cuidado especial com a poeira, o vento e a temperatura, que passa dos 30 graus durante o dia a 15 ou 20 graus negativos à noite.

"Chajnantor é um lugar espetacular. É muito seco e não temos umidade na atmosfera. Para as frequências que precisamos observar, a umidade é a mais emblemática. Às vezes, vimos em Chajnantor que o nível de unidade no topo da antena é de 0, isto é, entre a antena e a estrela não há nada de água, algo espetacular que só ocorre aqui em todo o mundo", acrescentou.

O conjunto de radiotelescópios é o primeiro projeto astronômico do qual participam Europa, Estados Unidos e Japão, em cooperação com o Chile.

O programa tem um orçamento estimado em 600 milhões de dólares, financiado prioritariamente pela Organização Europeia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul e a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Trata-se de um projeto aguardado pela comunidade científica. Para a primeira etapa, foram recebidos 900 pedidos de observação, dos quais foi escolhida cem dos melhores trabalhos, que "cobrem um amplo espectro de temas, de estrelas, galáxias, planetas, cometas ou objetos distintos", disse Hills.

"Existem tipos de instrumentos ou telescópios similares no mundo, mas a Alma é entre 10 e 100 vezes mais propensos do que os outros. Com 16 antenas (já em operação), somos tão poderosos quanto os instrumentos que existem agora", disse Lars Nyman, chefe de operações científicas.

As metas da Alma são ambiciosas. "Deveríamos poder ver a formação das primeiras galáxias do universo", assegurou Nyman.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A geopolítica da fome


O aumento do poder aquisitivo das populações pobres corresponde a valores tão pequenos que qualquer pico no preço dos alimentos pode gerar crises humanitárias, como a que houve em 2009, quando o número de pessoas sub-alimentadas registrou forte alta.
Por Miguel do Rosário

No dia 7 de setembro do ano 2000, durante um dos debates realizados na Conferência do Milênio, na sede das Nações Unidas, Nova Iorque, o então presidente do Conselho de Estado da República de Cuba, Fidel Alejandro Castro Ruz, fez o discurso mais contundente daquele dia. O que impressionou o mundo, no entanto, não foi a voz possante, nem a conhecida oratória desenvolta do velho comunista, e sim a informação que ele martelou no ouvido dos milhões que o acompanhavam, via rádio ou TV, em todo o planeta. "820 milhões de pessoas passam fome no mundo, 790 milhões delas vivem no Terceiro Mundo", disse Fidel
Passaram-se dez anos, e as coisas não mudaram muito. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a quantidade de pessoas consideradas sub-alimentadas no planeta em 2010 era de 925 milhões, o que até poderíamos considerar como notícia positiva, visto que em 2009 (em função da crise financeira que assolou as economias centrais) o número havia atingido a marca de 1,023 bilhão de seres humanos.
O relatório da FAO para 2010 traz, contudo, uma informação genuinamente boa: o percentual de sub-alimentados na população total das regiões em desenvolvimento, que chegava a quase 35% em 1970, atingiu 16% em 2010, depois de uma queda brusca em 2008 e 2009. O número ainda está longe, todavia, da meta de 10% que as Nações Unidas haviam estimado para o período entre 1990 e 2015.
Na edição de maio/junho deste ano, a revista Foreign Policy publicou longo artigo de um de seus mais prestigiados colunistas, Lester Russel Brown. Nascido em 1934, autor e co-autor de mais de 50 livros sobre meio ambiente, fundador de várias organizações e institutos ligados ao tema, Brown foi considerado, pelo Washington Post, um dos maiores pensadores do mundo. Intitulado "A nova geopolítica dos alimentos", o artigo de Brown tornou-se viral e foi reproduzido em toda parte (o Google registra 374 mil links), incluindo aí as páginas na internet das principais revistas do mundo, como a alemã Der Spiegel.
É um texto assustador. Lança-nos ao rosto verdades duras e dolorosas, mas que teremos de enfrentar de alguma forma. Segundo Brown, o mundo entrou na "era de escassez". Até poucos anos, falava-se que o mundo produzia muito mais do que consumia, e mesmo assim havia fome. Agora, não se pode mais falar isso. O aumento da população, somado ao crescimento do poder aquisitivo de um número imenso de pessoas, fez a demanda registrar um forte aumento nos últimos anos.
Na verdade, agora está claro – hoje temos acesso a muito mais estatísticas – que nunca houve realmente excesso de comida. O que havia era uma parcela da população alijada do mercado de consumo. Como é natural, os pobres usam o aumento de seu poder aquisitivo para se alimentar melhor, de maneira que mesmo um crescimento ínfimo em sua renda per capita gera um forte aumento na demanda global. A população mundial quase dobrou dos anos 1970 para cá, e até a metade do século deve chegar a 9 bilhões, todos ambicionando comer várias vezes ao dia. Brown alerta para o problema mais grave entre os países pobres: a elevação do preço dos alimentos. O aumento do poder aquisitivo das populações pobres corresponde a valores tão pequenos que qualquer pico no preço dos alimentos gera crises humanitárias, como a que houve em 2009, quando o número de pessoas sub-alimentadas registrou forte alta.
O pessimismo e a indignação de Brown, no entanto, não chegam ao ponto de fazê-lo denunciar com muita energia o que ele mesmo aponta em seu artigo como um problema grave: o uso de milho e soja, nos EUA, para produção de biodiesel. Segundo ele, os EUA colheram em 2010 quase 400 milhões de toneladas de grãos, das quais 126 milhões foram destinadas a destilarias de biocombustível, contra apenas 16 milhões em 2000. Com isso, amarra-se o preço dos grãos às variações da cotação do petróleo nas bolsas, pois, a cada vez que o barril sobe, fica mais lucrativo substituir o fóssil pela chamada "gasolina verde". O Brasil, outro grande produtor de biocombustíveis, usa a cana-de-açúcar, que tem uma produtividade muito superior à do milho ou soja, além de impactar bem menos no preço mundial dos alimentos.
Fome e instabilidade política
Brown alerta que os reservatórios subterrâneos de água estão se exaurindo em vários países, sobretudo em virtude de processos de irrigação que os sobrecarregam. Esse tipo de irrigação produz uma espécie de “bolha dos alimentos”, que estaria prestes a explodir, assim que os lençóis hídricos utilizados esgotarem-se. Na Arábia Saudita, a irrigação permitiu que este país desértico se tornasse autossuficiente em trigo por mais de vinte anos; agora, porém, a produção local de trigo vem declinando rapidamente, pois foram usados lençóis d’água não-renováveis. Em breve, os sauditas estarão importando a totalidade de seu consumo de grãos. As maiores “bolhas”, segundo ele, estão na Índia e na China. Cerca de 130 milhões de chineses alimentam-se hoje de produtos cultivados com um processo de irrigação que sobrecarrega as reservas subterrâneas de água. Na Índia, há 175 milhões nessa condição, segundo relatórios do Banco Mundial. O que acontecerá quando essas reservas se exaurirem?
O ambientalista estadunidense faz ainda uma descrição sombria dos esforços de alguns países para garantirem o suprimento de comida para seu povo. China e Coreia do Sul, por exemplo, vêm realizando enormes aquisições na África, para cultivar sobretudo soja e milho, os principais itens que compõem a alimentação de seus bois, porcos e frangos. Governos do Sudão e Etiópia têm cedido grandes extensões de terra a estrangeiros, sem atentar para a presença de cidadãos nativos naquelas paragens, os quais são expulsos sumariamente. Brown adverte que processos assim produzem forte instabilidade política, como já aconteceu nas Filipinas, onde o governo foi obrigado a cancelar o acordo feito com a China para ceder 2,5 milhões de acres; no Madagascar, onde o governo alugou 3 milhões de acres para uma firma sul-coreana, a revolta foi tão grande que derrubou os dirigentes do país. Segundo um estudo do Banco Mundial, essas aquisições de terra em países estrangeiros já alcançaram 140 milhões de hectares, uma área que supera o total plantado com trigo e milho nos Estados Unidos.
Citando o aquecimento global, que pode vir a afetar gravemente a produção agrícola no planeta, Brown conclui seu artigo em tom apocalíptico. Haverá caos, fome, revolta, destruição, queda de governos, revoluções. O americano, aliás, diz que as revoluções árabes aconteceram, dentre outras razões, também por causa do aumento no preço dos alimentos.
Para fugir um pouco da visão apocalíptica de Brown, podemos analisar um outro documento da FAO, o Relatório Mundial de Recursos do Solo, que faz um levantamento sobre a área disponível para agricultura e a área já usada, em todo mundo. É preciso observar que boa parte das áreas “disponíveis” para agricultura, no entanto, estão ocupadas por florestas, que não devem ser tocadas, por questões ambientais. Segundo o relatório, as únicas regiões que possuem área agricultável significativa ainda não utilizada são a África sub-saariana e a América do Sul (leia-se Brasil). A primeira tem 1,1 bilhão de hectares agricultáveis, e apenas 14% deles usados. Grande parte dessas áreas é ocupada por biomas importantes e que não podem ser tocados.
Já na América do Sul também temos 1 bilhão de hectares agriculturáveis (só 14% em uso), sendo 549 milhões apenas no Brasil, onde apenas 9% são usados. Um estudo relativamente recente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) diz que, excluindo-se os biomas Amazônia e Pantanal, o potencial de área para agropecuária no Brasil varia entre 303 milhões e 366 milhões de hectares. Lembremos que o país se consolidou como potência econômica, pelo menos até a 2ª Guerra, por meio da exportação de produtos agrícolas. Na década de 1960, respondia por quase 90% das exportações mundiais de milho e soja, um fator que o governo nunca hesitou em usar para forçar acordos comerciais favoráveis com outras nações.
Hoje, os Estados Unidos têm 354 milhões de hectares agricultáveis, mas 53% já usados. A produção agrícola estadunidense ainda apresenta números colossais. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, o país deve produzir este ano (safra 2011/12) 89,40 milhões de toneladas de soja em grão. Já o Brasil, no mesmo período, produzirá 72,50 milhões de toneladas de soja. Informação importante: no ano passado, a produtividade da soja brasileira superou a norte-americana: 3,01 toneladas por hectare no Brasil contra 2,92 nos EUA. Mencionamos a soja em particular porque dentre as principais commodities é a mais importante para alimentar os rebanhos de bois, porcos, frangos e perus de todo planeta.
O Brasil também é grande produtor de carnes. No segmento dos bovinos, produziremos em 2011 9,4 milhões de toneladas, mais que toda a União Europeia (7,85 milhões), e atrás somente dos EUA (11,5 milhões). Na exportação, o Brasil figura em primeiro lugar no mundo, com previsão de embarcar 1,8 milhão de toneladas de carne bovina em 2011 (a maior parte da produção brasileira é consumida internamente). Em relação à carne de porco, porém, o Brasil está num distante quarto lugar, com 3,26 milhões de toneladas produzidas, na estimativa para 2011, contra 51,5 milhões de toneladas na China, 22,12 milhões na Europa e 10,20 milhões nos EUA. Mas o país é bastante forte em aves, com uma produção de 11,75 milhões de toneladas, superado somente pela China, que deve produzir 13 milhões de toneladas este ano. Na exportação de aves, a liderança brasileira é absoluta: 3,45 milhões de toneladas, contra 3,0 milhões dos EUA e 840 mil toneladas da União Europeia.
O balanço geral, portanto, da oferta e demanda de alimentos no mundo, aponta para um quadro muito delicado, com preços em alta e permanente risco de desabastecimento em países importadores. Com estoques extremamente baixos, qualquer acidente climático poderá provocar picos inflacionários insuportáveis para as populações mais pobres. Nesse contexto, o Brasil tem uma situação realmente privilegiada, embora seja um tanto estranho que possamos lucrar com as dificuldades do resto do mundo em encontrar alimentos. Para o país, não há, porém, alternativas. Mesmo que não precisássemos disso economicamente (mas precisamos, e muito), seria obrigação humanitária nossa ampliar a produção agrícola para trazer maior segurança alimentar ao mundo. Não será pecado nenhum, todavia, se usarmos nossa riqueza para aprimorarmos nossas relações políticas com outros países. Afinal, como dizia Aristófanes, o comediante grego: “a fome não conhece melhor amigo do que aquele que a sacia”.
Miguel do Rosário escreve para o blog Óleo do Diabo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Efeitos do ozônio

Craig Freudenrich, Ph.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Quando você inala ozônio, ele passa por seu aparelho respiratório. Como o ozônio é muito corrosivo, danifica os bronquíolos e os alvéolos em seus pulmões, as bolsas de ar que são importantes para a troca de gases (acesse: Como funcionam os pulmões para mais detalhes). A exposição repetida ao ozônio pode inflamar os tecidos dos pulmões e causar infecções respiratórias.


A exposição ao ozônio pode agravar condições respiratórias preexistentes, como a asma, reduzir o funcionamento dos pulmões e a capacidade de fazer exercícios. Pode também causar dores no peito e tosse. As crianças pequenas e os idosos são mais suscetíveis aos altos níveis de ozônio encontrados durante o verão.

Além dos efeitos nos seres humanos, a natureza corrosiva do ozônio pode danificar plantas e árvores. Altos níveis de ozônio podem destruir colheitas e vegetação.
Foto cortesia NARA, fotógrafo Gene Daniels/U.S. EPA
Planta danificada pelo ozônio (esquerda) e planta normal (direita)

O que é ozônio?

Craig Freudenrich, Ph.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Ozônio é uma molécula formada por três átomos de oxigênio (O3). Ele é instável e altamente reativo. O ozônio é utilizado como branqueador, agente desodorizante e agente esterilizante para ar e água potável. Ele é tóxico.
O ozônio é encontrado naturalmente em pequenas concentrações na estratosfera, uma camada superior da atmosfera terrestre. Nessa atmosfera superior, o ozônio é formado quando a luz ultravioleta do sol divide uma molécula de oxigênio (O2), formando dois átomos de oxigênio. Cada átomo de oxigênio une-se a uma molécula para formar o ozônio. O ozônio da estratosfera protege a superfície terrestre da luz ultravioleta, que é perigosa.

Foto cortesia de NIEHS/NIH
Produção de ozônio a partir de poluentes NOx: os átomos de oxigênio liberados do dióxido de nitrogênio, pela ação da luz solar, atacam as moléculas de oxigênio e formam ozônio. O óxido de nitrogênio pode combinar-se novamente com ozônio para formar dióxido de nitrogênio, e o ciclo se repete.
O ozônio também pode ser encontrado na troposfera, a camada mais baixa da atmosfera. O ozônio da troposfera é produzido pelo homem, como o resultado da poluição do ar de motores de combustão interna e usinas geradoras de energia. O escapamento dos automóveis e as emissões industriais liberam uma gama de gases de óxido nitroso (NOx) e compostos orgânicos voláteis (VOC), subprodutos da queima de gasolina e carvão. O NOx e o VOC combinam-se quimicamente com o oxigênio para formar ozônio durante dias ensolarados de altas temperaturas no final da primavera, verão e começo do outono. Geralmente, os altos níveis de ozônio são formados no calor da tarde e começo da noite, dissipando-se durante as noites mais frias.

Mudanças climáticas sazonais no ozônio da troposfera no mundo todo: o ozônio da troposfera aumenta durante o verão nos hemisférios norte e sul quando o clima está quente. O maior índice de ozônio da troposfera pode ser observado durante o verão no hemisfério norte.
Embora a poluição por ozônio seja formada principalmente nas áreas urbanas e suburbanas, ela também espalha-se pelas áreas rurais, carregada pelo vento ou formada pelos carros e caminhões que trafegam nestas áreas. Podem ser detectados níveis significativos de ozônio em áreas rurais a uma distância de 150 km das zonas industriais urbanas.

Foto cortesia NIEHS/NIH
A poluição por ozônio pode mover-se das áreas urbanas para as rurais

Faça seu próprio detector de ozônio
Você pode fazer tiras de teste de ozônio para detectar e monitorar os níveis de ozônio em seu quintal ou nas vizinhanças de sua escola. Você vai precisar de:
amido de milho
filtro de papel (os filtros de café funcionam bem)
iodeto de potássio
Basicamente, você fará uma pasta de água, amido de milho e iodeto de potássio e usará essa pasta para pintar tiras de filtro de papel. As tiras deverão ficar expostas ao ar durante oito horas. O ozônio do ar reagirá com o iodeto de potássio alterando a cor da tira. Você poderá fazer a leitura da concentração de ozônio comparando com a tabela disponível neste site (em inglês). Você também precisará saber a umidade relativa do ar, que pode ser obtida no jornal, boletins do tempo ou estações caseiras.
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Inversão Térmica

A inversão térmica é um fenômeno meteorológico facilmente visto a olho nu nas grandes cidades como São Paulo ou Nova York, principalmente no inverno. É aquele facho de luz cinza alaranjado que divide o céu um pouco antes de anoitecer.

Para entender o fenômeno é preciso ter em mente o seguinte: o ar quente, menos denso e mais leve, tende a subir e o ar frio, mais denso e pesado, tende a descer.

Durante a maioria dos dias, o movimento do ar na atmosfera é vertical e linear. O ar quente, fruto da ação dos raios solares no solo, sobe para dar lugar ao ar frio. Nesse movimento, os poluentes, que são mais quentes e menos densos que o ar, sobem ainda mais e se dispersam.

Para que ocorra a inversão térmica é preciso alguns fatores específicos como baixa umidade do ar (comum nos invernos paulistanos, por exemplo). O fenômeno pode ocorrer em qualquer época do ano, mas fica mais intenso nas épocas de noites longas, com baixas temperaturas e pouco vento.

Mas o que efetivamente acontece com a inversão térmica?

Quando chega o final da tarde de um dia de inverno em São Paulo, os raios solares tornam-se mais difusos e frágeis, assim o solo da cidade se resfria rapidamente. E conseqüentemente, o ar próximo do solo se resfria rapidamente. Aquele ar quente que ainda está na atmosfera continua a subir, mas o ar frio próximo ao solo, por ser mais denso e pesado, fica parado. Assim a temperatura cai ainda mais e os poluentes, que normalmente são "levados" pelo ar quente, acabam retidos na camada mais baixa da atmosfera.

Veja a ilustração abaixo para entender melhor.

Conseqüências funestas

Quando ocorre a inversão térmica, os poluentes, que normalmente iriam se dispersar acompanhando o ar quente liberado na terra, ficam presos. A faixa cinza alaranjada é a conseqüência visível do fenômeno.

É comum nos invernos paulistanos vários moradores apresentarem problemas de saúde, afinal a poluição atmosférica torna-se mais intensa. Entre os efeitos dos poluentes, é constatado que o monóxido de carbono, que sai dos escapamentos dos veículos, causa disfunções do miocárdio; o dióxido de enxofre, problemas respiratórios. Além desses dois poluentes, várias partículas inaláveis prejudicam a circulação vascular do corpo humano, ampliando as chances, por exemplo, de aumento da pressão arterial.

Estudos da Universidade de São Paulo estimam que cerca de oito pessoas morrem por dia na região metropolitana de São Paulo por causa de conseqüências indiretas da poluição atmosférica.

Para diminuir o impacto da poluição, São Paulo adota, desde 1997, o rodízio de carros, eliminando boa parte da frota durante o horário de rush. Além disso, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) tem controlado a qualidade do ar em São Paulo com atenção especial para os dias de inverno. Em 2006, 32% dos dias entre maio e setembro foram desfavoráveis para a dispersão dos poluentes. A porcentagem foi a maior detectada desde 2001.
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Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio, diz biólogo



ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER


O agronegócio sairia ganhando se visse a Amazônia como galinha dos ovos de ouro. Se a floresta morre, as chuvas na região secam, e o lucro evapora junto.

É o que pensa o biólogo americano Thomas Lovejoy, 69, pioneiro nas pesquisas sobre a região amazônica.

Quando visitou a floresta pela primeira vez, em 1965, ele era um jovem biólogo à procura da maior aventura possível. Pai de gêmeas cariocas, de férias no país, defendeu que o cuidado com a Amazônia seja parcelado entre várias nações.

*
Folha - O sr. afirma que a devastação na Amazônia pode chegar a um limite, a partir do qual o sumiço da floresta seria um caminho sem volta. Estamos perto?

Thomas Lovejoy - O Banco Mundial pôs US$ 1 milhão num estudo que projeta pela primeira vez os efeitos de mudança do clima, queimada e desmatamento juntos. Os resultados sugerem que poderia haver um ponto de inflexão em 20% de desmatamento [da floresta original]. Estamos bem perto, 18%.

Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de dieback [colapso] na Amazônia.

Com o desmatamento subindo de novo, qual é o prazo para esses 20%?


Não fiz cálculos, mas não tomaria muito tempo. Pode ser cinco anos, se continuar assim. Claro que [a devastação] traz implicações para os padrões de chuva, incluindo as áreas agroindustriais de Mato Grosso e mais ao sul, até o norte da Argentina.

O ex-governador [Eduardo] Braga [AM] costumava dizer ao ex-governador [Blairo] Maggi [MT]: Sua soja depende da chuva no meu Estado.

Quais as consequências para a agricultura?

Agricultura e economia teriam menos chuvas. E elas dependem da chuva. Talvez não em São Paulo, mas mais ao oeste, com a água passando pelas hidrelétricas, em projetos como Belo Monte.

O sr. estuda a Amazônia há mais de quatro décadas. Quais previsões deram certo e quais passaram longe?

Meu primeiro artigo sobre a Amazônia, escrito em 1972, chamava-se Transamazônica: estrada para a extinção?. Não acho que alguém tinha a capacidade de imaginar a soma de desmatamento que ocorreu. Lembro quando as primeiras imagens de satélite saíram, nos anos 1980. Todos ficaram surpresos.

Também houve boas surpresas. Uma é a força da ciência brasileira aplicada na Amazônia. A outra é a consciência pública, que em geral é bastante alta no Brasil. E também a extensão das áreas protegidas, incluindo as demarcações de fronteiras indígenas. Tudo isso junto protege 50% da Amazônia, o que é impressionante.

Do jeito que está, o novo Código Florestal pode impedir o crescimento na produção de alimentos?


Não acho que precisemos enfraquecer o [atual] Código Florestal para aumentar a produção agrícola no Brasil.

No caso do gado, o uso médio da terra na Amazônia é de uma cabeça por hectare. Essa é a média mais baixa em qualquer lugar do mundo. É uma questão de organizar a imensa capacidade da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], um dos centros líderes de agricultura no mundo.

Comparado com os EUA, o Brasil tem legislação ambiental rígida. Lá, sequer estão na mesa criar coisas como a reserva legal. Pode soar paternalista dizer o que deve ser feito por aqui?

Só estou tentando pensar no que faz sentido para o Brasil, não necessariamente no que faz sentido o Brasil fazer para o resto do mundo. O atual Código Florestal é um dos mais visionários do planeta.

Nos EUA, temos de pagar o preço de não ter tido essa visão há muito tempo. E também não temos florestas tropicais, mais sensíveis.

Economia e ecologia têm a mesma raiz grega: oikos, que remete a casa. Não existe ser no planeta que não afete seu ambiente sem consumo e produzir desperdício. A questão da sustentabilidade está nos detalhes de quanto e como se faz isso.

Qual a sua avaliação do governo Dilma no debate?


Até agora, parece muito prático, sério. Como ela vai responder a qualquer que seja o Código Florestal será, claro, um grande teste.

Mas ter deixado claro que o governo Dilma não aprovaria a anistia [aos desmatadores] é um sinal bem positivo.

O que é perigoso, na lei, é a ideia de dar o poder de demarcar as reservas legais aos Estados. Se você vai administrar a Amazônia como sistema, precisa ser consistente.

O sr. conhece a senadora Kátia Abreu, uma das vozes da bancada ruralista?

Não conheço, mas diria a ela: Você precisa tomar cuidado para não matar a galinha dos ovos de ouro. E o ovo de ouro é a chuva.

O caos nas finanças globais tira os holofotes da questão ambiental?

Geralmente, quando há forte recessão econômica, muitas das coisas que causam problemas ambientais se enfraquecem. Alguns dos motores do desmatamento, como os preços da soja e da carne, enfraquecem quando a demanda é menor.

O Brasil é capaz de cuidar sozinho da Amazônia?


O BNDES tem de ser cuidadoso com os projetos de infraestrutura, pois há todos os outros países [amazônicos]. O Brasil não deveria segurar a responsabilidade sozinho. A Amazônia é um elemento-chave no funcionamento do mundo. É do interesse de outros países ajudar o Brasil.

Já chamaram o sr. até de espião da CIA. Há paranoia sobre um complô internacional para roubar a Amazônia?

Isso não tem fundamento. A pior forma de biopirataria é destruir a floresta.

Parte da comunidade científica minimiza o papel do homem no aquecimento global. O que o sr. acha?

Não há quase nenhum cientista com credibilidade que acredite nisso. Nos últimos 10 mil anos, a história climática do planeta foi bem estável. Agora, nós o estamos mudando. Está claro que 2 ºC a mais é muito para a Terra.

Notícias Geografia Hoje

http://www.panoramio.com
Gildazio Fernandes



Norte de MG pode virar deserto dentro de 20 anos
RAPHAEL VELEDA
DE BELO HORIZONTE


Um terço do território de Minas Gerais pode virar "deserto" em 20 anos. A conclusão é de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente ao governo mineiro e concluído em março.

O desmatamento, a monocultura e a pecuária intensiva, somados a condições climáticas adversas, empobreceram o solo de 142 municípios do Estado.

Se nada for feito para reverter o processo, de acordo com o estudo, essas terras não terão mais uso econômico ou social, o que vai afetar 20% da população mineira.

Isso obrigaria 2,2 milhões de pessoas a deixar a região norte do Estado e os vales do Mucuri e do Jequitinhonha.
"A terra perde os nutrientes e fica estéril, não serve para a agricultura nem consegue sustentar a vegetação nativa", afirma Rubio de Andrade, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas, responsável pelo estudo. A região engloba cerrado, caatinga e mata atlântica.

Segundo o governo do Estado, é preciso investir R$ 1,3 bilhão nas próximas décadas para frear o processo, que já causa danos no semiárido mineiro. Lá estão 88 das 142 cidades consideradas suscetíveis à desertificação.

Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, disse que áreas desertificadas são diferentes de desertos naturais porque passam por um acentuado declínio de biodiversidade até se tornarem estéreis.

"Já os desertos são ecossistemas com sustentabilidade, ainda que com baixa diversidade. Eles estão vivos."

PROGRAMA NACIONAL

O estudo foi encomendado para o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, que terá R$ 6 milhões neste ano para combater a desertificação no país.

Andrade diz que, para reduzir o fenômeno, é preciso aumentar as reservas naturais de vegetação e recuperar os recursos hídricos.

O agricultor Geraldo Moreno, 50, dono de três hectares em Espinosa (700 km de BH), já sente as mudanças em sua pequena lavoura de feijão.

"Se der para [alimentar] a família dá para comemorar", diz ele, que sustenta mulher e quatro filhos com a terra.
"Aqui não chove quase nada e não tenho dinheiro para adubar a terra. O que salva são as cabras, mas estão magras", diz o mineiro, que recebe verba do Bolsa Família para complementar a renda.

O governo pretende reduzir o espaço destinado ao gado nas áreas de caatinga e restringir atividades prejudiciais ao meio ambiente, como a extração de carvão.

"A população tem de se conscientizar de que, se essas ações não forem tomadas, nada mais poderá ser produzido", diz Andrade.

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