
Uma convivência que, apesar de pacífica, exibe alguns pontos de tensão, considerados normais entre dois vizinhos tão próximos. Atividades ilícitas na região da fronteira, como contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, além do comércio de reexportação, são algumas das questões polêmicas nas relações bilaterais.
Os produtores brasileiros, que chegaram ao Paraguai na década de 70 e revolucionaram a agricultura local, introduzindo o cultivo da soja e técnicas modernas, também provocam tanto o reconhecimento por sua contribuição à economia quanto críticas por parte dos mais nacionalistas.
Entre os temas controversos, porém, nenhum tem mais destaque atualmente que a Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída em parceria entre os dois países. O Paraguai usa apenas 5% da parte que lhe cabe da energia gerada pela usina. O restante, é vendido ao Brasil, a preço de custo.
O aumento do valor que o Paraguai recebe pela energia que vende ao Brasil está no centro da campanha para as eleições presidenciais no país, que ocorrem em abril. Todos os candidatos incluíram a revisão dos termos do Tratado de Itaipu, que deu origem à usina, entre suas propostas.
O olhar do povo
Em sua maioria, os paraguaios têm grande carinho pelos brasileiros, que consideram 'gente alegre e trabalhadora'. A convivência entre os dois vizinhos é intensa, tanto na presença de turistas, estudantes e imigrantes brasileiros no Paraguai, quanto no fluxo de veranistas paraguaios rumo a praias como a catarinense Camboriú - um dos destinos de férias favoritos em um país sem litoral.
São gente que trabalha, produz. E grande parte da economia se deve a eles, aos brasileiros.
Ovidio Garrido, funcionário público

No entanto, o tamanho do território, da população e da economia do Brasil fazem às vezes com que os paraguaios sintam-se pequenos diante do vizinho gigante. Muitos acreditam que seu país é deixado de lado em grandes decisões, como no âmbito do Mercosul, e que o Brasil usa seu poder como forma de pressão.
O Brasil paga muito pouco ao Paraguai pela energia. Mas também é culpa do nosso governo. É ele que deve obrigar, ou pelo menos negociar isso.
Adriana Insaurralde, administradora de empresas
Nos últimos meses, porém o Brasil tem sido um assunto cada vez mais comum no Paraguai devido a um tema específico: a discussão em torno da revisão do Tratado de Itaipu, que deu origem à usina hidrelétrica binacional e é um dos principais
temas da campanha para a eleição presidencial de 20 de abril.
As relações econômicas
Números
• População: 6 milhões
• PIB: US$ 31 bilhões
• Quanto o Brasil exporta para o país: US$ 1,6 bilhões
• Quanto o Brasil importa do país: US$ 434 milhões
• Saldo comercial com Brasil: US$ -1,2 bilhões
Um modelo econômico excessivamente dependente do Brasil faz com que muitos paraguaios tenham ressentimentos em relação ao vizinho e parceiro. O principal produto agrícola do Paraguai, por exemplo, a soja, foi introduzido por produtores brasileiros que atravessaram a fronteira na década de 70.
Hoje, segundo analistas econômicos, a exportação de soja é um dos fatores principais do crescimento do PIB paraguaio, mas a importância dessa atividade não se traduz em benefícios diretos para o país, como aumento de empregos.
Há ainda o excedente da energia gerada pela Hidrelétrica de Itaipu, que é vendido ao Brasil a preço de custo, conforme os termos do tratado assinado pelos dois países, o que vem provocando um amplo debate no Paraguai.
Os paraguaios querem que o tratado seja revisto e que o Brasil pague preço de mercado pela energia, um tema que ganhou inclusive os discursos na campanha para as eleições presidenciais.
BBC BRASIL
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