sexta-feira, 24 de março de 2017

Na maioria do Brasil, não existem 4 estações. Por que então falamos em primavera, verão, outono e inverno?


Nós trópicos, as estações são uma tão artificial quanto neve no Natal

Redação AH

 Onde você mora, as árvores ficam assim? | Crédito: Pixabay

O número 4 é uma convenção baseada na astronomia, que não reflete necessariamente a temperatura e os fenômenos ambientais, e não é adotada de forma igual em todo o mundo. Tradicionalmente, os indianos consideravam que o ano tem 6 diferentes estações, enquanto os chineses o dividem em 24, e os aborígenes australianos, em 5. Mesmo em lugares onde o número de estações é 4, o dia em que começam não é consenso. Na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, o verão começa no dia 1º de dezembro, em vez do dia 21 ou 22, como no Brasil.

No Brasil, assim como na maioria dos países, as estações são marcadas pela diferença na duração de dia e noite, ou solstícios e equinócios, que são 4 ao longo do ano. Os solstícios, que caem em 21 ou 22 de dezembro, e 20 ou 21 de junho, são os dias com maior diferença. O dia mais longo do ano é o solstício de verão, e a noite mais longa, o solstício de inverno. Equinócios, caindo em março e setembro, são quando noite e dia têm exatamente a mesma duração. Esses dias marcam o começo das estações, para os países que seguem a regra da Organização Meteorológica Mundial.

Solstícios e equinócios são indicadores confiáveis da incidência de luz solar, mas não do clima. Se dependesse apenas da insolação, o solstício deveria ser o meio e não o começo de verão e inverno - mas há um atraso de semanas por causa do aquecimento e resfriamento dos oceanos.

A divisão pode não ser perfeita em lugar nenhum, mas é muito menos no Brasil. Na maioria do país, ela não serve para nada: entre os trópicos e o Equador, faz calor o ano inteiro e a diferença na duração de dia e noite é irrisível. Tanto que não existe horário de verão nos estados do Norte e Nordeste, já que não há diferença no comprimento do dia. Há duas estações práticas nos trópicos: de chuva ou seca.

Claudio Furukawa, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, explica que primavera e outono, na maioria do Brasil, são só importações da Europa. Tão fútil quanto neve no Natal. "O fato de que colocamos efeitos que simulam neve na árvore de Natal é um dos indícios de que festejamos a data de maneira que não pertence ao nosso clima."
Revista Aventuras na História

terça-feira, 21 de março de 2017

Tráfico de órgãos humanos na China levanta polêmica


RTP

Cartaz de protesto do grupo Falun Gong, contra o transplante forçado de órgãos de prisioneiros | Jameson Wu, Reuters
 
Convidar a raposa para o galinheiro: isso está a fazer, segundo os críticos, o Vaticano, ao acolher um antigo vice-ministro chinês da Saúde numa conferência sobre tráfico de órgãos.


Ao contrário dos vários países em que o tráfico de órgãos humanos é levado a cabo por mafias mais ou menos proscritas, na China esse tráfico é feito legalmente pelo Estado. O seu banco de órgãos é o corredor da morte das prisões.

O número de execuções capitais é um segredo, também ele de Estado. Calcula-se que oscile entre as 3.000 e as 7.000. Uma coisa é certa: a família da pessoa executada não tem direito ao corpo, não pode enterrá-lo e não pode vê-lo.

Os motivos do secretismo tornam-se mais transparentes, se se der crédito a Nicholas Bequelin, director regional da Amnistia Internacional para a Ásia oriental, citado no diário britânico The Guardian. Segundo Bequelin, a grande maioria dos órgãos transplantados na China provém de prisioneiros condenados à morte.

O facilitismo que o sistema de saúde chinês desenvolveu ao apoiar-se nesse "banco de órgãos" poderá mesmo afrouxar a pressão para que se crie um programa nacional de dadores voluntários. O facto é que o programa não existe e a sua criação vai sendo adiada.

Segundo o mesmo Bequelin é também por esse motivo que a China não adere às recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre critérios para determinar quando alguém pode considerar-se morto: para algumas transplantações, retira-se o órgão de um prisioneiro que, segundo os critérios da OMS, ainda seria classificado como vivo.

Além disso, o ritmo e o calendário das execuções está subordinado, segundo aquele responsável da Amnistia, à intensidade da procura: "O timing da execução depende por vezes, segundo pensamos, da necessidade de uma determinada operação de transplantação. Executa-se esta pessoa a tal hora em tal dia, porque é nessa altura que o paciente tem de estar pronto".

A conferência sobre tráfico de órgãos vem na linha de anteriores declarações vaticanas, manifestando preocupação com o alastramento desse flagelo. Especialmente relevante tinha sido uma mensagem do papa Francisco no ano passado, considerando o tráfico de órgãos humanos como "uma nova forma de escravatura".

A conferência organizada pela Academia Pontifícia de Ciências irá realizar-se a partir de amanhã, terça feira, e durará dois dias. Ao convidar o antigo vice-ministro chinês da Saúde, Huang Jiefu, o Vaticano pretende melhorar as suas relações com o Governo de Pequim e espera que isso lhe permita exercer alguma influência no que diz respeito à observância de direitos humanos e de liberdade religiosa.

As vozes mais críticas põem, no entanto, em dúvida que o convite sirva esses propósitos. Segundo Wendy Rogers, um perito em deontologia médica da Universidade australiana de Macquarie, o convite a Huang e a sua visita, já agendada, ao papa Francisco arrisca-se a dar "um ar de legitimidade" à política chinesa de transplantações.

Segundo Rogers, "a Academia Pontifícia de Ciências devia saber como a caução, mesmo indirecta, de prestigiadas entidades estrangeiras é usada pelo aparelho de propaganda da China para polir a reputação do seu sistema de transplantação antiético". E apela à conferência para "que considere o apelo dos prisioneiros encarcerados na China, que são tratados como bancos de órgãos descartáveis".

A Academia respondeu, pela pena do bispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo que a conferência apenas pretende ser "um exercício académico e não um debate sobre tese políticas contrapostas".

Huang notabilizara-se no seu cargo por ter prometido, em 2015, que a China iria deixar de usar órgãos de condenados à morte nas transplantações. A declaração de intenções continua ainda hoje a valer-lhe o aplauso de Francis Delmonico, um professor de cirurgia ao serviço da Academia Pontifícia.

Delmonico afirmou que "a sensibilidade do dr. Huang para a objecção mundial àquela prática impulsionou o seu incansável trabalho pela mudança na China, culminando na proibição, em Janeiro de 2015, do uso de órgãos dos prisioneiros executados".

Mas o mesmo Delmonico, ao prestar depoimento no ano passado perante uma comissão do Congresso dos EUA reconhecera que era impossível dizer se essa prática tinha sido efectivamente eliminada.

Transplantes de órgãos na China



A China tem um dos maiores programas de transplante de órgãos do mundo, com mais de 13 mil transplantes realizados por volta do ano de 2004, e um máximo de 20 mil em 2006. No entanto, por uma questão de cultura e de costume, o país tem taxas extremamente baixas de doação voluntária de órgãos. Entre 2003 e 2009, por exemplo, apenas 130 pessoas se ofereceram para ser doadores de órgãos. Em 2010 a Cruz Vermelha chinesa lançou uma iniciativa de âmbito nacional para atrair doadores voluntários de órgãos, mas apenas 37 pessoas se inscreveram.  Devido ao baixo nível de doação voluntária de órgãos, a maioria dos órgãos utilizados em transplantes veio de prisioneiros. Em 1984, o governo chinês aprovou um regulamento que permitiu a remoção de órgãos de criminosos executados, desde que eles deem consentimento prévio ou se ninguém reclamar o corpo.

Apesar da ausência de um sistema estruturado de doação de órgãos, os tempos de espera para a obtenção de órgãos vitais na China estão entre os mais curtos do mundo — frequentemente, apenas algumas semanas para órgãos como rins, fígados e corações. Esse fato fez da China um destino internacional para turismo de transplante e um importante local para testes de medicamentos anti-rejeição de órgãos. O comércio de órgãos humanos tem sido também uma fonte lucrativa de receita para estabelecimentos médicos, militares e de segurança pública na China. Por existir nenhum sistema nacional eficaz de doação de órgãos, os hospitais obtém os órgãos de locais tais como centros de detenção e prisões.

Na China, a identidade dos doadores de órgãos e a evidência de seu consentimento por escrito, em geral, não é revelada ou informada aos receptores de transplantes. Em alguns casos, nem mesmo a identidade da equipe médica e dos cirurgiões é informada aos pacientes. Esse problema de transparência é agravado pela falta de diretrizes éticas para os profissionais do transplante e de um órgão disciplinar para os médicos que violam padrões éticos.
Na década de 1990, a crescente preocupação com possíveis abusos da obtenção forçada de consentimento do doador e da corrupção levou as organizações médicas e grupos de direitos humanos a começar a condenar o uso de órgãos de prisioneiros da China. Essa preocupação ressurgiu em 2001, quando um médico militar chinês testemunhou perante o Congresso dos EUA que ele havia participado de operações voltadas a extrair órgãos de prisioneiros executados, mas que no entanto, alguns deles, ainda não estavam mortos. Em dezembro de 2005, o vice-ministro de saúde da China, Huang Jiefu, informou que mais de 95 % de transplantes de órgãos provinham de prisioneiros executados e prometeu medidas para evitar abusos. Huang reiterou essa informação em 2008 e 2010 e afirmou que mais de 90 % dos transplantes de órgãos de doadores falecidos são provenientes de prisioneiros executados. Em 2006, a Associação Médica Mundial exigiu que a China pare de extrair órgãos de prisioneiros, os quais não se considera serem capazes de dar o seu consentimento livremente. Em 2014, Huang Jiefu disse que a dependência chinesa de órgãos extraídos de prisioneiros no corredor da morte estava em declínio e, ao mesmo tempo, defendeu a prática do uso de órgãos de prisioneiros no sistema de transplante.

Além da fonte de órgãos de prisioneiros no corredor da morte, observadores internacionais e pesquisadores têm também expressado a preocupação de que os prisioneiros de consciência - nomeadamente praticantes do Falun Gong, mas também potencialmente tibetanos, uigures e membros de práticas cristãs minoritárias - estão sendo mortos para suprir de órgãos a indústria de transplante. Estes indivíduos não foram condenados por crimes capitais e, em muitos casos, foram presos extrajudicialmente devido às suas crenças políticas ou religiosas.
 Wikipédia

Extração de órgãos de praticantes do Falun Gong na China


Wikipédia

Relatórios sobre a extração de órgãos de praticantes do Falun Gong e de prisioneiros políticos na China têm levantado uma preocupação crescente na comunidade internacional nos últimos anos. De acordo com os relatórios, os prisioneiros na China, principalmente praticantes do Falun Gong, são executados "sob demanda" com o propósito de fornecer órgãos para receptores de transplante. É dito que o tráfico de órgãos é decorrência da perseguição ao Falun Gong pelo partido comunista chinês e dos ganhos financeiros obtidos por instituições e indivíduos envolvidos no comércio de órgãos.

Relatórios sobre a extração sistemática de órgãos de prisioneiros do Falun Gong surgiram em 2006. Acredita-se que tal prática tenha começado seis anos antes. Vários pesquisadores do assunto — mais notavelmente o advogado canadense de direitos humanos David Matas, o ex-parlamentar David Kilgour e o jornalista investigativo Ethan Gutmann — estimam que dezenas de milhares de prisioneiros de consciência do Falun Gong foram mortos para alimentar um lucrativo comércio envolvendo órgãos e cadáveres humanos e que possivelmente esses abusos ainda estejam ocorrendo. Tais afirmações são baseadas em levantamentos estatísticos; entrevistas com ex-prisioneiros, autoridades médicas e agentes de segurança pública; e provas circunstanciais, tal como o grande número de praticantes do Falun Gong detidos extrajudicialmente na China e os lucros obtidos com a venda de órgãos. O governo chinês tem persistentemente negado tais alegações. No entanto, o fracasso das autoridades chinesas em efetivamente responder ou refutar as acusações tem chamado a atenção e a condenação pública de governos, organizações internacionais e sociedades médicas. Os parlamentos do Canadá e da União Europeia e da Subcomissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, aprovaram resoluções condenando a extração de órgãos de prisioneiros de consciência do Falun Gong. Relatores especiais das Nações Unidas têm chamado o governo chinês para dar explicações sobre a origem dos órgão usados nos transplantes na China e a Associação Médica Mundial, a Sociedade Americana de Transplantes e a Sociedade de Transplantação pediram que sejam aplicadas sanções contra as autoridades médicas chinesas. Vários países consideram ou tomaram medidas para dissuadir os seus cidadãos de viajar para a China para obterem órgãos. Um documentário sobre o tráfico de órgãos de praticantes do Falun Gong, Human Harvest (Colheita Humana), recebeu em 2014 o Prêmio Peabody por sua excelência em jornalismo.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O que muda na nova ordem executiva de Trump sobre os imigrantes


O que muda na nova ordem executiva de Trump sobre os imigrantes

Presidente dos EUA anuncia novo decreto, mais moderado na forma, mas praticamente igual no conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou nesta segunda-feira 6 sua ofensiva contra os imigrantes muçulmanos e assinou uma nova ordem executiva para substituir a publicada no mês passado, que provocou uma onda de protestos e de ações judiciais contra a Casa Branca.

Trump diminuiu a fanfarra em torno das novas regras e assinou o documento no Salão Oval, longe das câmeras, ao contrário do que havia feito em fevereiro, e enviou seus secretários para fazerem uma manifestação pública.

"Este decreto se insere nos nossos esforços para limitar as vulnerabilidades exploradas pelos terroristas islâmicos radicais para fins destrutivos", afirmou o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, durante uma declaração à imprensa com seus colegas da Justiça e da Segurança interna.

Na prática, a nova ordem de Trump muda muito pouco a decisão anterior, mas retira de suas disposições medidas que provocaram decisões judicais contrárias. A intenção do governo é aplicar as novas regras mais duras sem enfrentar uma nova onda de clamor popular contra suas medidas.

Quem será afetado pela ordem executiva?

Na ordem anterior, cidadãos de sete países tinham sido temporariamente banidos de entrar nos Estados Unidos. Agora são cidadãos de seis países que continuam visados: Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria, Iêmen. Os pedidos de entradas de pessoas dessas nações será barrados por 90 dias, pendendo uma revisão dos procedimentos de verificação de segurança.

O Iraque não faz mais parte da lista, após o governo de Bagdá aceitar fornecer informações suplementares sobre seus cidadãos requerentes de visas, segundo Washington. Em fevereiro, os casos de ex-intérpretes iraquianos do exército americano detidos nos aeroportos chocaram até mesmo o campo político do presidente.

Quem tem green card será afetado?

Desta vez, as pessoas que possuem o chamado green card, o visto de residência permanente nos EUA, não serão afetadas pela medida. Em fevereiro, a Casa Branca determinou que até mesmo os portadores dessa autorização especial estariam sob os efeitos da ordem executiva, uma medida potencialmente inconstitucional. Desta vez, os detentores de green cards e vistos estão explicitamente protegidos.

Quando o decreto entra em vigor?

O decreto entra em vigor em 16 de março, segundo documentos publicados nesta segunda-feira pelo departamento de Segurança interna. Essa também é uma diretriz que foi posta em prática por conta do caos gerado no mês passado, quando as novas regras tiveram efeito imediato.

Curiosamente, naquela ocasião Donald Trump defendeu a pronta aplicação do banimento alegando que "pessoas más" se aproveitariam de um prazo estipulado caso esse fosse divulgado.

E como ficam os refugiados?

A suspensão da entrada de refugiados por 120 dias permanece na ordem executiva. Essa regra também passará a valer em 16 de março, mas aqueles com viagem aos Estados Unidos já programada poderão entrar no país.

E os refugiados sírios?

Na primeira ordem executiva de Trump, os refugiados sírios tinham um tratamento diferenciado: a entrada deles estava banida indefinidamente e não por 120 dias. Agora, os sírios não serão tratados de forma diferente de outros refugiados.
Revista Carta Capital

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